Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa luta musical (quase) diária, eu hoje trago para vocês o disco Via Paulista, que é o registro fonográfico de um projeto de show idealizado e produzido pelo músico Eduardo Gudin e pelo produtor e letrista José Carlos Costa Neto, no início dos anos 90. O Via Paulista rolou por uns dois anos no teatro do Sesc Pompéia, sempre apresentando encontros memoráveis com os mais diferentes artista da época. Em 1992 foi lançado este lp com algumas das gravações feitas ao vivo, trazendo nomes como Jorge Benjor, Leila Pinheiro, Rosa Maria, André Christovam, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Ná Ozzetti, Guilherme Antes e outros. Vale a pena rever esses shows 😉
Charles Da Flauta – Pinguinho De Gente (1988)
O TM oferece hoje a seus amigos cultos ocultos e associados o único disco gravado por um músico de rua, flautista de talento promissor, mas que infelizmente teve sua carreira interrompida pelas drogas. Trata-se de “Pinguinho de gente”, com Charles Gonçalves, conhecido como Charles da Flauta, lançado em 1988 com o patrocínio da Eletropaulo, sob o selo Ideia Livre, e que teve distribuição comercial pela Polygram, hoje Universal Music. Charles, então na plenitude de seus catorze anos de idade, encantava as pessoas tocando sua flauta no centro de São Paulo, aos sábados, em companhia do pai (ele perdeu a mãe muito cedo) e mais dois irmãos, também menores. O pouco que faturavam ao fim da tarde garantia o sustento da família por toda a semana. A convite do jornalista (e também exímio bandolinista) Luís Nassif, o produtor musical Aluizio Falcão foi conferir a versatilidade e a espantosa precocidade de Charles, que chegou a ter aulas de flauta até mesmo com o mestre Altamiro Carrilho e o maestro Júlio Medaglia. Evidentemente, eles também se encantaram com Charles, e sua agilidade surpreendente na emissão das notas e improvisos, cadência, respiração, toque sutil e bem timbrado. E daí veio o convite de Aluizio Falcão para que Charles gravasse um disco-brinde. Entretanto, como sempre acontece nesses casos, foi difícil arranjar quem bancasse a produção do álbum. Ate que o jornalista Audálio Dantas, então superintendente de comunicação da Eletropaulo, obteve o apoio decisivo do então presidente da empresa, André Yppolito. Gravado em oito dias, o disco foi logo distribuído como brinde aos clientes da Eletropaulo. E a crítica especializada logo se encantou com o então menino Charles, saudado como um novo gênio da flauta, notícia até no “Fantástico” da TV Globo! Lançado comercialmente pouco depois, o disco estourou, como previsto, e o nosso Charles teve momentos de glória: apareceu em inúmeros programas de TV, além do “Fantástico”, tocou com músicos do porte de Arthur Moreira Lima e Paulo Moura e participou de um encontro de músicos de rua na Holanda, patrocinado pela Unesco, sendo considerado “hors concours” e agraciado com uma medalha. Até ganhou uma bolsa para estudar na Europa. Entretanto, o uso compulsivo do crack e da maconha destruiu uma carreira que parecia promissora. Chegou até a ser preso por ferir alguém com uma facada, mas logo foi libertado. Portanto, é de se lamentar o destino de Charles Gonçalves, um músico de rua que tinha tudo para ser, como flautista, legítimo sucessor de nomes como Patápio Silva, Pixinguinha Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho. Felizmente, o TM nos oferece a oportunidade de apreciá-lo neste que foi (pelo menos até agora) seu único álbum, mostrando todo o seu precoce e impressionante talento de flautista virtuose em páginas imortais e inesquecíveis como “Bem-te-vi atrevido”, “Primeiro amor”, “Apanhei-te cavaquinho”, “Ronda” e “Urubu malandro”. Enfim, é ouvir este disco e lamentar que as drogas tenham interrompido os sonhos e a carreira de um músico de rua tão talentoso quanto ele! Entretanto, a coisa teve um final feliz: após passar por tratamentos diversos, o nosso Charles se recuperou, casou-se, tem uma filhinha, nascida em 2015, e está de novo na ativa. É músico free-lancer e vocês podem visitar seu perfil no Facebook: Charles da Flauta Gonçalves. Uma boa sorte e muita saúde a ele, é o que nós do TM lhe desejamos!
chorinho antigo
bem te vi atrevido
pinguinho de gente
espinha de bacalhau
doce de côco
ronda
sonoroso
apanhei-te cavaquinho
lamento
primeiro amor
urubu malamdro
valsinha
*Texto de Samuel Machado Filho.
Dom – Em Todos OS Tempos (1977)
Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje o tempo está corrido, mas mesmo assim vamos por em dia a nossa sequência de postagens, afinal este é o mês de aniversário do Toque Musical. Para quem não sabe, não se tocou, estamos fazendo 9 anos de atividades! Não é mole não! (mas é doce e viciante como rapadura)
Tenho para hoje um disco que até bem pouco tempo eu não conhecia, exceto por uma ou duas músicas. Trata-se do disco solo de Eustáquio Souza de Faria, ou, mais conhecido como Dom, da dupla Dom & Ravel. Pelo pouco que sei, este foi seu único trabalho, sem o irmão Ravel. O lp foi lançado em 1977, numa fase em que a dupla já havia entrado em declínio. “Em todos os tempos” é um disco onde predomina o samba. Samba? Sim, o cara tinha o ‘dom’ do samba. Mas também tem uns carimbós e fecha com a melhor, a faixa ‘disco’, “Jangada’. Vale a pena conhecer. Em breve teremos a dupla Dom & Ravel aqui, apresentado pelo nosso resenhista Samuca, sempre minucioso, detalhando um pouco mais sobre a carreira dessa curiosa dupla. Aguarde…
The Marginals – Tremenda Onda (1968)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Boa noite, em especial, ao Antonio Nascimento, figura que por quase 5 anos vem me (per) seguindo, sempre enviando e-mails e perguntando se eu já achei o disco que ele queria. E qual disco era? Ah! Sim, The Marginals, em ‘Tremenda onda’. Pelo tanto que este meu amigo ficou encima, me pedindo repetidamente para achar e postar, eu imagina que fosse assim, o ‘supra-sumo’ da obscuridade fonográfica. Eis que finalmente achei o tal disco, mais lenhado que disco em vitrola de puteiro. Não fosse pela promessa/desafio, eu certamente não teria postado este disco. Não muito pela qualidade ou repertório, mas principalmente porque o bichinho tá fritando, mesmo no abafo. Quem é The Marginals? Eu diria que se trata apenas de mais um nome sugestivo para um falso conjunto, entre tantos outros, tão comuns naqueles anos 60. Uma seleção musical cheia de sucessos internacionais em versões instrumental. Produção ao estilo de selos como Coledisc, Paladium e afins…
Chapeuzinho Amarelo – Uma História De Chico Buarque (1981)
Em 1979, aconteceu o lançamento de um livro para crianças, escrito por Chico Buarque, ele que também concebeu peças teatrais e romances. Trata-se de “Chapeuzinho Amarelo”, nome que, evidentemente, parodia o famoso conto infantil “Chapeuzinho Vermelho”, publicado primeiramente pelo francês Charles Perrault e mais tarde pelos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm.
“Chapeuzinho Amarelo” conta a história de uma menina com medo do medo – isto é, amarela de medo -, que transforma a fantasia dos contos em sua própria realidade, chegando ao ponto de não brincar, se divertir, se alimentar e nem mesmo dormir. Enfrentando o desconhecido Lobo, ela consegue superar seus medos e inseguranças, descobrindo assim a alegria de viver. Narrado em forma de poema, com rimas, e excelentemente ilustrado por Ziraldo, outro consagrado autor de livros infantis (“Flicts”, “O Bichinho da Maçã’, “O Menino Maluquinho”), “Chapeuzinho Amarelo” foi um grande sucesso entre as crianças e também aplaudido pela crítica, tornando-se mais um clássico do gênero, premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. A obra atravessou gerações, fazendo parte da vida e da infância de muitos que, após tornarem-se pais e mães, a leriam para seus filhos, o que acontece até hoje.
Com o sucesso literário, “Chapeuzinho Amarelo” seria mais tarde adaptado para musical de teatro, igualmente muito bem acolhido pela criançada (e pelos adultos também, por que não?). E é justamente a trilha sonora desta adaptação que o TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. O álbum foi lançado em 1981 pela WEA (depois Warner Music), e foram escalados para esta adaptação os nomes de Zeca Ligiero, Ricardo Pavão e Chico Lá, sendo que estes últimos também participam do disco como intérpretes dessa história tão bem concebida por Chico Buarque. Completam o elenco os atores Zezé Polessa (que mais tarde atuou em novelas da extinta Manchete e também da Globo), Juliana Prado, Felipe Pinheiro, Márcio Calvão e Jana Castanheiras. Tudo com o capricho da produção de João Luiz de Albuquerque, devidamente dirigida por Augusto César Nogueira de Carvalho, o Guti, a sonoplastia de Jorge Napoleão e o suporte instrumental de Luciano Alves (teclados, arranjos e direção musical) e Charle Chalegre (bateria e percussão), além de Marize Rezende no coro. Tudo isso, no conjunto, recria a força, o vigor e a magia do texto literário de Chico, tornando o álbum uma diversão garantida para crianças e adultos. Verdadeiro show de bola!
*Texto de Samuel Machado Filho
Zé Ramalho (1978)
Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje eu passei o pouco tempo que tinha preparando um disco para postar. Depois de tudo pronto e até o texto da minha apresentação lacônica, percebi que já havia postado o disco. Que raiva! E aqui tudo pronto… foi então que eu me lembrei que tinha aqui, no meu arquivo de gaveta e já pronto o primeiro disco do Zé Ramalho. Embora seja um dos discos de mpb que eu mais gosto, não pensava em postá-lo aqui tão cedo. Mas as contingências acabam nos levando por caminhos inesperados. O jeito é ir curtindo esse clássico, que por certo todos conhecem. Mas vale a pena ouvir de novo. 😉
Círculo Sertanejo (1981)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa gostosa nessa vida é presentear e ser presenteado. Não há nada melhor que a gente ganhar algo que a gente tanto queria. E mais ainda, presentear alguém com algo que ela muito quer. Foi mais ou menos algo assim que aconteceu comigo. Eu estava a digitalizar alguns discos que ganhei e entre eles havia este, um box com três lps, reunindo uma série de fonogramas, clássicos da música sertaneja, dos arquivos da gravadora Chantecler, que foi o selo que mais investiu no gênero caipira. Eu estava no momento tocando o disco na minha ‘vitrola’, talvez um pouco alto, quando de repente a campainha de casa tocou. Era o vizinho, um senho já idoso e eu logo pensei, “puxa, devo estar incomodando o velho com o barulho”. Mas qual nada. Para a minha surpresa e estranheza ele estava chorando. Ele veio até a minha porta pedir para ouvir direito o que estava tocando. Ele também gosta de discos de vinil e tem um bocado. O velho ficou alucinado quando viu essa caixa. Ele a segurava como se não fosse soltar mais, via e revia por dentro e por fora. Lia a lista de músicas, segurava como se fosse um bichinho de estimação. Sabia todas as músicas e começou a me contar suas histórias. Eu já havia acabado o trabalho de digitalização, mas ele ficou ali, querendo ouvir mais… Como meu tempo era meio curto e mais ainda, vendo a satisfação daquele homem, não tive dúvida, virei para ele disse: “olha aqui, Seu João, leva este disco com o senhor, é um presente meu para você”. O velho ficou numa satisfação que não dá para descrever. Eu também, naquela hora tive uma satisfação por oferecer a alguém um presente. Confesso que alguns dias depois eu quase me arrependi. Não por ter lhe dado os discos, mas porque agora eu sou obrigado a ouvir isso diariamente. Não se trata de ser ruim, afinal o que temos nesse box com três lp são 39 clássicos da autêntica música sertaneja, trazendo o melhor do ‘cast’ e arquivos da gravadora, com duplas famosas tipo, Mariano e Caçula, Tonico e Tinoco, Liu e Léo, Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana, Pedro Bento e Zé da Estrada, Torres e Florêncio, Mandy e Sorocabinha e também, Duo Guarujá, Irmãs Castro, Nhá Barbina, Miranda, Paraguassú, Zé Messias, Teixeirinha e mais um montão de artistas. Este box foi uma produção feita exclusivamente para os assinantes do Círculo do Livro. Uma seleção com os mais consagrados artistas da música caipira, autêntica sertaneja. Taí, uma oportunidade que os amigos não devem perder. Façam como o Seu João, vai na fonte… 😉
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Orquestra América Romântica – El Cha Cha Cha (1970)
Originário de Cuba, o chá-chá-chá é considerado uma variação do mambo. “La engañadora”, do violinista Enrique Jorrin, é considerada a primeira composição desse gênero, lançada em 1951. E o chá-chá-chá foi logo popularizado através de grandes bandas e orquestras, tendo no mambo seu ascendente mais direto. Relativamente fácil de aprender, o chá-chá-chá pode muito bem ter sido a primeira dança pop de que se tem notícia, dado o seu caráter divertido, alegre e muito dinâmico, servindo de inspiração para muitos astros musicais do passado e do presente, ecoando hoje nos “tops” da música latino-americana, onde constam nomes como o guitarrista mexicano Carlos Santana e o cantor portorriquenho Ricky Martin, ex-integrante do grupo Menudo. É justamente dedicado ao chá-chá-chá o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Lançado em 1970 perla gravadora Beverly com o selo AMC (iniciais do então proprietário da empresa. Adiel Macedo de Carvalho), faz parte de uma série denominada “Os maiores sucessos da música latino-americana”, que teve ainda títulos dedicados ao bolero, à rumba, ao tango e ao beguine, todos com execução a cargo de uma certa Orquestra América Romântica, por certo criada na esteira dos Românticos de Cuba, da Musidisc, dos Namorados do Caribe, da RCA, e da Orquestra Serenata Tropical, da Plaza Music. O disco não traz nenhuma informação sobre quem teriam sido os músicos e o regente de orquestra que participaram da gravação. Incógnitas à parte, porém, o fato é que o álbum vai de encontro àqueles que apreciam o chá-chá-chá. Em suas doze faixas, mesclam-se clássicos do gênero (“Cachito” e “El bodeguero”, popularizados no Brasil por Nat King Cole, e “Patrícia”, de Pérez Prado) e outras músicas tradicionais adaptadas para chá-chá-chá. Aqui se incluem “Night and day”, “Stardust”, o tema clássico “Pour Elise”, de Beethoven (que em certa época chegou a ser irritantemente tocado por alto-falantes de caminhões que distribuíam gás de cozinha!), “Arrivederci, Roma”, “Quizas, quizas, quizas”, “Nel blu dipinto di blu” (o famoso “Volare”), “Ojos negros” (tradicional canção folclórica russa) e, surpreendentemente, a brasileira “Mulher rendeira”, mundialmente popularizada graças ao filme “O cangaceiro”, de 1953. Tudo isso apresentado no “caliente” e irresistível ritmo do chá-chá-chá, pra dançarino nenhum botar defeito. E ahora… vamos a bailar!
cachito
mulher rendeira
nel blu, dipinto di blu
el bodeguero
pour elise
patricia
stardust
quizas quizas quizas
ojos negros
arrivederci roma
night and day
canção da índia
*Texto de Samueol Machado Filho
Noel Pela Primeira Vez – 229 Gravações De Noel Rosa Em Suas Versões Originais (2000)








Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro das comemorações de 9 anos do Toque Musical, eu hoje presenteio vocês com uma coleção que ganhei há mais de uma década. Um box com 7 cds duplos, lançado pela Funarte e a Editora Velas, reunindo 229 gravações originais do Poeta da Vila, o grande Noel Rosa. Este box saiu em 2000, mas ao que parece, em uma edição meio que limitada. Tanto assim que eu mesmo, na época, não consegui achar para comprar. Somente algum tempo depois ganhei de presente de uma amiga. Muitas vezes fiquei tentado a publicar esta coleção aqui no Toque Musical, mas acabei deixando que outros blogs se encarregassem da tarefa. Hoje, passado um bom tempo e já maturada, esta edição já pode ser mostrada por aqui. Podemos dizer que essa é uma coleção definitiva, que permeia toda a obra de Noel Rosa. Confiram…
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Asas Da América (1979), (1980), (1981), (1983) e (1989)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje a vocês os cinco primeiros álbuns do projeto Asas da América, idealizado pelo cantor e compositor Carlos Fernando, lançados entre 1979 e 1989. Nascido em Caruaru, Pernambuco, em 1938, Carlos Fernando se notabilizou por misturar o frevo à MPB, o jazz ao forró e muitas outras inovações, em 40 anos de carreira. Chegou a escrever uma peça de teatro, “A chegada de Lampião no inferno”, baseada em livro de cordel escrito por José Pacheco. A peça inspirou, posteriormente, sua primeira composição musical, “Aquela rosa”, de parceria com Geraldo Azevedo (com quem até apresentou um programa de televisão no Recife), vencedora, em 1967, da Primeira Feira Nordestina de Música Popular, defendida por Teca Calazans, dividindo o prêmio com “Chegança de fim de tarde”, de Marcus Vinícius. Morando no Rio de Janeiro, Carlos Fernando firmou-se como compositor, e teve músicas gravadas pelos maiores nomes da MPB em seu tempo, vários deles presentes nos álbuns que hoje o TM nos oferece. Concebeu trabalhos também para a televisão (“Saramandaia”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”) e cinema (“Pátriamada”, filme dirigido por Tizuka Yamazaki). Entre seus maiores sucessos, ambos gravados por Elba Ramalho, estão “Canta, coração” e “Banho de cheiro” (este último aqui presente). Falecido em primeiro de setembro de 2013, no Recife, aos 75 anos, de câncer na próstata, Carlos Fernando recebeu, um ano mais tarde, um espaço dedicado à sua memória no Museu Memorial de Caruaru, além de uma homenagem na tradicional festa de São João do município. Sem dúvida, a série “Asas da América” foi (e ainda é) o maior legado de Carlos Fernando. Ele deu tratamento pop e futurista ao frevo, acelerando-lhe o andamento e introduzindo arranjos contemporâneos, com guitarra e teclados, fazendo o carnaval pernambucano voltar a ter uma trilha sonora contemporânea. Parcela importante da série nos é oferecida hoje pelo TM, através de seus primeiros cinco álbuns, que apresentam composições não só do próprio Carlos Fernando como também de outros autores. Entre os intérpretes, nomes de várias tendências e gêneros da MPB: Jackson do Pandeiro, Fagner, Amelinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Chico Buarque, Gilberto Gil, Juarez Araújo, MPB-4, Alceu Valença, o próprio conterrâneo Geraldo Azevedo, Robertinho de Recife, As Frenéticas, Michael Sullivan, Trem da Alegria, Lulu Santos… Os dois primeiros discos foram lançados pela CBS (hoje Sony Music), selo Epic, em 1979-80, o de 1981 pela Ariola, o de 1983 pela Barclay (sucessora da Ariola, que passou a adotar esse nome após sua venda para a Polygram, hoje Universal Music) e o de 1989 pela RCA/BMG, hoje também Sony Music. É no álbum de 1983, inclusive, que está um dos maiores hits autorais de Carlos Fernando, “Banho de cheiro”, na interpretação inesquecível de Elba Ramalho, sucesso absoluto durante o carnaval de 84 e depois do mesmo, e regravada seis anos depois por Alcione em outro disco da série aqui incluído, o de 1989. Outro destaque fica por conta de “Noites olindenses”, que abre esse mesmo volume, na voz de Caetano Veloso. Nele, Zé Ramalho regrava “Frevo mulher” (sucesso na voz de sua ex-esposa, Amelinha), Moraes Moreira revive seu clássico “Festa do interior” e aparece até mesmo uma inacreditável interpretação do roqueiro Lulu Santos para “Atrás do trio elétrico”, de Caetano. Uma quina primorosa de documentos discográfico-musicais, que representa, sem dúvida, o melhor do precioso legado de Carlos Fernando como compositor e produtor musical. E ainda viriam mais dois LPs, em 1993, e 1995, este último destinado ao público infantil (“Asinhas da América – O pinto da madrugada”). Agora é azeitar as canelas e frevar até se acabar!
* Texto de Samuel Machado Filho
Grupo Rumo – Quero Passear (1988)
Boa noite, minha gente boa, amigos cultos e ocultos! Não sei se todos sabem, mas neste mês de julho o Toque Musical está completando 9 anos de atividades. Não é moleza não. Poucos foram aqueles que conseguiram chegar até aqui. Proeza maior foi manter-se fiel a uma proposta, enfrentar todo tipo de obstáculo e continuar aqui divulgando, resgatando e compartilhando os tesouros que só vê quem escuta com outros olhos 😉 Vamos falar mais desse aniversário durante o mês. Inclusive, teremos aqui boas surpresas, bons pacotes… Basta ficar ligado.
Para hoje eu tenho este delicioso disco do grupo paulista Rumo. Já postamos deles algumas coisas e acho que este disco é outro que vale a pena recordar. Este foi o quinto lp lançado por eles. Um disco voltado para o público infantil. Ganhou o Prêmio Sharp de 88 como o melhor disco infantil e melhor canção infantil, “A noite no castelo”. Muito bacaninha 🙂
Brazil By Music – Brazil By Cruzeiro (1972)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o embalo, aqui vai mais um disco promocional, lançado pela Brazilian Airlines Cruzeiro, em 1972. Um disco recheado de boa música. Uma seleção que busca ‘ilustrar’, ou melhor, referenciar as diferentes regiões e culturas do Brasil. Voltado para o público estrangeiro, acredito eu que este disco tenha sido distribuído promocionalmente aos seus clientes internacionais. Uma maneira elegante de mostrar o país com músicas que representam verdadeiramente o espírito brasileiro.
Embora houvesse como editar cada uma das músicas, achei mais interessante manter a linearidade do disco que não traz separação por faixa. Vocês ouvirão o lado A e depois o lado B, sem pausa. Fica melhor ouvir o disco assim.
Grupo Zurana – Sorte (1977)
Olá amigos cultos e ocultos! Tenho para hoje um disco especial, do tipo que eu gosto de postar por aqui. Um lp promocional produzido pelo Grupo Zurana, sob a supervisão da MPM Propaganda, apresentando as versões musicais dos jingles usados pela Caixa Economica Federal na divulgação das extrações da Loteria Federal, em 1977. As músicas são interpretadas pelo Grupo Zurana, que nada mais é que um time de músicos e cantores, gente que trabalha em estúdios fazendo música para além do mercado fonográfico. Temos aqui figuras como Sivuca, Gilson Peranzetta, Reginha, Márcio Lotti, Mamão, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento e muitos outros. A produção musical e arranjos são de Tavito e Eduardo Souto Neto. As composições são de artistas como Ivan Lins, Mariozinho Rocha, Paulo Sérgio Valle, Ruy Maurity, Eduardo Souto Neto, entre outros…
Eis aí um disco interessante, promocional e certamente uma edição limitada que poucos devem conhecer. Vale a pena resgatar coisas assim. Confiram essa joinha, pois o tempo é limitado 😉
Zimbo Trio + Cordas – É Tempo De Samba (1967)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM hoje oferece a vocês mais um álbum da extensa discografia do Zimbo Trio. Formado em março de 1964, em São Paulo, era originalmente formado por Luís Chaves Oliveira da Paz (contrabaixo) – que curiosamente iniciou sua carreira na Belém do Pará de origem, como violonista de um regional -, Rubens Alberto Barsotti, o Rubinho (bateria), e Amíton Godoy (piano). O nome do grupo vem do termo afro “zimbo”, que significa boa sorte, felicidade e sucesso, além de designar uma das tantas moedas que circulavam no Brasil colonial. Em 17 de março de 1964, o trio faz sua primeira aparição em público, na boate paulistana Oásis, em show produzido por Aloysio de Oliveira, acompanhando a cantora e atriz Norma Bengell. Ainda nesse ano, seriam intérpretes da trilha musical de Rogério Duprat para o filme “Noite vazia”, de Walter Hugo Khouri, que tinha Norma Bengell no elenco. Em 1965, passam a ser acompanhadores fixos do programa “O fino da bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record, e que marcou época na telinha brasileira. Em 1968, o Zimbo Trio participa de um histórico recital no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, ao lado de Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim, que resulta em dois LPs gravados ao vivo pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) carioca. Em 1973, o trio fundou, em parceria com o baterista Chumbinho (João Rodrigues Ariza), o CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical), voltado para a formação musical ampla, sem barreiras entre erudito e popular. A escola formou gerações de músicos. Com a morte do contrabaixista Luís Chaves, em 2007, este é substituído por Itamar Collaço, que introduziu o baixo elétrico no Zimbo Trio. Porém, em 2010, o contrabaixo acústico volta ao trio, com a substituição de Collaço por Mário Andreotti. Nos últimos tempos, o Zimbo Trio, às vezes atuando como um quarteto , com Pércio Sápia dividindo a bateria com Rubinho Barsotti, vem apresentando um repertório autoral baseado em composições do pianista Amílton Godoy. Com 51 discos gravados em mais de meio século de carreira, o Zimbo Trio conquistou reconhecimento mundial, excursionando por países dos cinco continentes, e assim divulgando nossa melhor música instrumental. Este “´É tempo de samba”, editado pela RGE em 1967 nas versões mono e estéreo, e hoje oferecido a vocês pelo TM, vem a ser o quarto álbum de estúdio do Zimbo Trio. Desta vez, é um trabalho que vem acrescido de uma orquestra de cordas, com arranjos cuidadosamente elaborados pelo contrabaixista Luiz Chaves. No repertório, composições de autores brasileiros então em evidência, tipo Chico Buarque (“Quem te viu, quem te vê”. “Tereza tristeza”, “Tem mais samba”), Baden Powell (“Cidade vazia”, com Lula Freire, e “Olô pandeiro”, com o Poetinha Vinícius), Tom Jobim (“O amor em paz”, também com Vinícius de Moraes), Geraldo Vandré (“Arueira” e o clássico “Disparada”, imortal produto de sua parceria com Théo de Barros) e Luiz Bonfá, este com duas composições de filmes norte-americanos (ele então residia nos EUA) que ainda não estavam sendo exibidos em nossos cinemas. E tudo isso apresentado na contracapa por um entusiasmadíssimo Sérgio Porto, esse mesmo que marcou época na imprensa brasileira com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criando tipos inesquecíveis como 0707Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando. A boa aceitação deste trabalho motivaria, em 1969, o lançamento de um segundo volume de “Zimbo Trio + cordas”. E este primeiro comprova a qualidade artística e a versatilidade do Zimbo Trio, que fizeram do grupo uma autêntica referência na música instrumental brasileira.
anoiteceu
disparada
non stop to brazil
arueira
é tempo de samba
quem te viu e quem te vê
cidade vazia
tereza tristeza
o amor em paz
olô pandeiro
tem mais samba
the gentle rain
* Texto de Samuel Machado Filho.
2001 – Uma Odisséia No Samba (1974)
Boa tarde, amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje eu estive ouvindo e explorando o Deezer, um similar do ao iTunes e Spotify e por lá”eu me deparei com este disco, “2001 Uma Odisséia No Samba”. Coincidentemente foi um dos muitos discos que tenho recebido do amigo Fáres. Eu até então não o tinha ouvido e possivelmente viria a ser postado em outro momento. Mas depois de ouvir pelo Deezer eu não resisti. Tem logo que ser postado para que os amigos aqui o conheça. Trata-se de uma seleção de sambas dos mais populares da época em uma roupagem bem inusitada. Inspirado no sucesso do filme “2001 Uma Odisséia No Espaço”, de Stanley Krubick. Ou, mais exatamente no momento e no título, como um trocadilho e mantendo o clima ‘espacial-futurista’ em curiosos efeitos de sintetizador e teclado moog nas passagens de uma música para outra. É um disco bem interessante. Um bom repertório e dentro dessas estranhezas de efeitos soa bem nessa nossa atualidade. E a capa também é bem legal. Infelizmente, não há créditos para os intérpretes. Confiram…
Bolão E Seu Conjunto – Muito Legal (1964)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois da postagem do disco da Celly Campello, me lembrei de um outro disco que há tempos esperava sua vez e que por certo tem tudo a ver um com o outro, Bolão e Seu Conjunto. Estamos falando aqui dos pioneiros do rock brazuca. E assim como a Celly, Bolão foi um dos mais atuantes na cena rock’n’roll nacional, tendo inclusive participação nos discos da cantora, marcando presença com seu saxofone. Bolão atuou em orquestras, como músico de estúdio e nos mais diversos discos e gêneros da produção fonográfica brasileira. Mas seu destaque como artista se deu na onda do rock. Gravou, pelo menos uma meia dúzia de discos solos, todos voltados para o twist, hully gully e rockabilly, que na verdade nada mais é do que a surf music e rock’n’roll.
Aqui temos o álbum ‘Muito Legal’, lançado pela RCA Victor, em 1964. Um disco com um repertório recheado de sucessos, todos internacionais, com excessão de “Rua Augusta”, sucesso inesquecível, de autoria de Hervé Cordovil. Os arranjos são do maestro e pianista Wilson Mauro, que também participa do conjunto. Sem dúvida, um disco muito legal. Confiram…
Celly Campello – Brotinho Encantador (1961)
O Toque Musical traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados um disco da primeira grande estrela feminina do rock brasileiro: Célia Benelli Campello, ou como ficou para a posteridade, Celly Campello (São Paulo, 18/6/1942-Campinas, SP, 4/3/2003). Paulistana criada em Taubaté, cidade da região paulista do Vale do Paraíba, ela fez sua primeira aparição pública aos 5 anos de idade, em um espetáculo mirim de balé, dançando “Tico-tico no fubá”. Aos seis anos, cantou pela primeira vez, ao microfone da Rádio Cacique. Paralelamente, estudava balé, piano e violão, e tornou-se uma das estrelinhas do “Clube do Guri”, apresentado aos domingos na Rádio Difusora de Taubaté. Aos 12 anos, ganhou seu próprio programa, na Cacique. Aos 16 anos incompletos, em 1958, ela estreou em gravações, na Odeon, interpretando “Handsome boy”, tendo, no outro lado do 78 (também lançado em compacto simples de 45 rpm, aliás o primeiro single brasileiro da gravadora), “Forgive me”, com o irmão, Tony. O estouro definitivo, porém, veio em março de 1959, quando saiu o clássico “Estúpido Cupido (Stupid Cupid)”, versão de Fred Jorge para um hit de Neil Sedaka, que logo tornou-se coqueluche nacional. Daí vieram outros sucessos até hoje lembrados, tais como “Lacinhos cor de rosa”, “Muito jovem”, “Banho de lua”, “Túnel do amor”, “Eu não tenho namorado”, “Frankie”, “Jingle bell rock”, “Trem do amor”, etc. Em 1962, para tristeza de seu público, Celly resolve abandonar precocemente a carreira para se casar, ainda no apogeu e com vinte anos de idade. Ainda gravaria outros discos em ocasiões esporádicas, mas sem repetir o êxito inicial. Só conseguiu voltar à evidência em 1976, quando a novela “Estúpido Cupido”, escrita por Mário Prata para a TV Globo, e ambientada em 1961, reviveu antigos sucessos dela e de outros contemporâneos, como Carlos Gonzaga, Ronnie Cord, Wilson Miranda, Sérgio Murilo, Demétrius e o irmão Tony. A própria Celly declarou à imprensa, certa vez, que chegou a ganhar mais dinheiro nos seis meses de exibição da novela do que no auge da carreira! “Brotinho encantador”, o álbum hoje oferecido a vocês pelo TM, foi o quinto LP-solo de Celly Campello e o último que ela fez antes de abandonar precocemente a carreira para se casar, lançado pela Odeon em outubro de 1961. É um trabalho que segue a linha dos anteriores, recheado de versões de sucessos do rock internacional, com direito até a algumas faixas em inglês (“Runaway”, “Little devil”, “Angel , angel”). A primeira faixa, “Presidente dos brotos”, é uma versão bem humorada do especialista Fred Jorge, curiosamente lançada quando o Brasil vivia em regime parlamentarista de governo, decretado após grave crise política causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,e a tentativa de impedir a posse do vice, João Goulart, que acabou assumindo a chefia da nação com poderes limitados. Fred assina quatro outras versões constantes aqui: “Índio sabido” (que, curiosamente, era bastante apreciada pelo cantor Cyro Monteiro!), “Ordens demais”, “Tchau, baby, tchau” e “O jolly joker”. A misteriosa Marilena assina a lírica “A lenda da conchinha”. Letras brazucas de Juvenal Fernandes (“Juntinhos/Together”), Romeu Nunes (“Flamengo rock”) e do misterioso Tassilo Marischka (“Hey, boys, how do you do?”) completam o presente LP, muito bem escorado por arranjos e regências de Waldemiro Lemke e Mário Gennari Filho, e pelo invejável padrão técnico de gravação da Odeon nessa época. “Brotinho encantador”, portanto, traz uma Celly Campello ainda em plena forma, tendo por isso, inestimável valor histórico. É ouvir e recordar…
presidente dos brotinhos
índio sabido
juntinhos
ordens demais
tchau tchau tchau
runaway
flamengo rock
o jolly joker
angel angel
hey boys how do you do
a lenda da conchinha
little devil
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*Texto de Samuel Machado Filho
Zimbo Trio + Cordas Vol. 2 (1968)
Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enfim, chegamos no mês de julho. Mês de aniversário do blog Toque Musical. Neste ano estamos completando 9 anos de atividades. Por conta disso e também por outras coisas, vou fazer o possível para neste mês termos postagens diárias, como sempre foi por aqui. Para a sorte de vocês, neste mês eu estou de férias e não pretendo viajar. Consequentemente, terei todo o tempo do mundo para incrementar nossas postagens. Vamos ver se rola tudo certo.
Começando as postagens de aniversário, eu trago hoje e mais uma vez, o excelente Zimbo Trio. Aliás, é bom dizer, acho que agora tenho todos os disco do Zimbo, graças ao bom amigo Fáres, que muito tem contribuído para a nossa sobrevivência. Ao longo do tempo irei postando todos os que faltam, ok? Segue aqui o Zimbo Trio + Cordas Vol. 2, disco que deu sequência ao sucesso do primeiro, onde o trio, fornado por Luiz Chaves, Amilton Godoy e Rubinho é acompanhado por violinos, violas e celos. Eu ainda não postei o primeiro volume, mas em breve ele também estará aqui. O repertório do disco que apresento aqui é dos mais interessantes, com um bocado de músicas do Chico Buarque e de quebra ainda tem a música de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do Adylson Godoy, irmão do Amilton. Confiram…
Elebra 6 – Memória – Solistas Brasileiros (1989)
O TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o sexto volume da série “Memórias”, produzida sob encomenda da extinta Elebra pelo pesquisador João Carlos Botezelli, o Pelão, que, como vocês já viram anteriormente, tem a seu credito inúmeros trabalhos importantes da discografia tupiniquim, como o primeiro LP de Cartola e os dois primeiros de Adoniran Barbosa. Este sexto LP da série, editado em 1989 para distribuição gratuita aos clientes da extinta empresa de informática, com incentivo de lei governamental, tem o nome de “Solistas brasileiros”. Como escreveu na contracapa o próprio Pelão, “é mais uma homenagem da Elebra à sensibilidade, ao talento e à competência do músico brasileiro”. Vem, também, a ser uma justíssima homenagem ao pianista e maestro Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988), com faixas executadas por ele mesmo e seus discípulos. Gravado em estúdios do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Recife e Porto Alegre, já se utilizando da tecnologia digital (o que garante a qualidade técnica), é mais um trabalho impecável de Pelão, reunindo clássicos inesquecíveis e até hoje relembrados. Abrindo o disco, o próprio Radamés sola ao piano o choro “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha. Rafael Rabello, violonista prematuramente desaparecido, vem com o samba-canção “Molambo”, de Meira e Augusto Mesquita. Joel do Bandolim sola o antológico bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, um dos primeiros hits da dupla João Bosco-Aldir Blanc. Chiquinho do Acordeom executa outro samba-canção célebre, “Balada triste”, de Dalton Vogeler e Esdras Silva. Em seguida uma curiosa interpretação para “Nossos momentos”, da parceria Haroldo Barbosa-Luiz Reis, a cargo do contrabaixista Toinho Alves, que também faz um interessante “vocalize”. “Pois é”, samba de Ataulfo Alves, é executado ao cavaquinho por um verdadeiro “cobra” do instrumento, Henrique Cazes. A viola caipira de Roberto Corrêa traz a nossos ouvidos a clássica toada “Tristeza do jeca”, de Angelino de Oliveira. O pianista Laércio de Freitas nos traz “Ceú e mar”, obra-prima de Johnny Alf. Zé Gomes, craque da rabeca, executa “Maria”, samba-canção de Ary Barroso e Luiz Peixoto. Rildo Hora sola, com sua gaita, “A noite do meu bem”, de Dolores Duran. O violonista Israel sola depois “Agora é cinza”, samba da parceria Bide-Marçal. Por fim, a não menos antológica “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, nos floreados da flauta de Plauto Cruz. Tudo isso em um trabalho primoroso, antológico, verdadeiro tributo a Radamés Gnattali e seus discípulos. Simplesmente irresistível!
carinhoso – radamés gmattali
molambo – rafael rabelo
dois prá lá, dois prá cá – joel do bandolim
balada triste – chiquinho do acordeon
nossos momentos – antonio alves
pois é – henrique cazes
tristeza do jeca – roberto correa
céu e mar – laércio freitas
maria – zé gomes
a noite do meu bem – rildo hora
agora é cinza – bide e marçal
canção de amor – plauto cruz
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Dick Farney – Momentos (1985)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês mais um disco da série lançada pelo saudoso restaurante Inverno & Verão, que existiu em Sampa na década de 80. Já falamos dessa casa de show aqui no Toque Musical. Por ela passaram grandes nomes da música nacional e até internacional. E para mim, seu grande mérito foi o registrar e lançar em discos os muitos artistas que por lá estiveram. Com o apoio do Credicard/Visa, o I&V promoveu e lançou de forma quase independente uma dezena de títulos, em discos não comerciais. Ao que sei, esses lps eram oferecidos aos clientes e fornecedores da casa de shows. Por aqui eu já publiquei várias dessas produções e na sequencia temos outro artista, que também sempre esteve presente em nossas postagens, o grande Dick Farney. Embora gravado em estúdio, este lp registra alguns bons momentos do repertório da temporada do artista, em março de 1985. Que eu saiba, essas gravações nunca chegaram a ser lançadas comercialmente. Assim sendo, a oportunidade de conhecer e ouvir o disco é essa. Confiram já, pois o tempo do link é uma baforada 🙂
Cauby Peixoto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 148 (2016) Parte 2
O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos, ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último, deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número 80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A, matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do “professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez polegadas “Canção do rouxinol”. A quinta faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada “Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia, na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista “Meus favoritos – vol. 5”. A faixa 9, “Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo, originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818 (o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão de Alberto Almeida. A música deu título a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”. Em seguida, outro clássico: o bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em fevereiro: a marchinha “Ai, que carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?). A penúltima faixa é o clássico “Molambo”, samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby Peixoto!
*Texto de Samuel Machado Filho
Isto É Musicanossa (1968) Rozenblit
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Atendendo aos pedidos, eu finalmente consegui o lp “Isto é Músicanossa”, versão lançada pela Rozenblit e como o lp da Odeon, também datado de 1968. Neste disco da gravadora pernambucana vamos encontrar outros artistas, mas todos do mesmo ‘naipe’ do outro. Como destaque, temos o genial Johnny Alf, o Trio 3D de Antonio Adolfo com Novelli nos vocais, Maurício Einhorn e Mário Telles. Também aparecem intérpretes pouco conhecidos como, Henrique Beni, Iracema Werneck e Neide Mariarrosa. No todo, temos um conjunto impecável de artistas que também fizeram parte do movimento Músicanossa.
Elebra – Memória 5 (1988)
O TM hoje oferece aos seus amigos cultos e ocultos e associados o quinto volume de uma série denominada “Memórias”, destinada à preservação de nossa memória musical, oferecida como brinde aos clientes da Elebra, uma empresa de informática que não existe mais, e que foi a maior do setor na época em que havia reserva de mercado para o mesmo no Brasil.
A série foi produzida pelo incansável pesquisador João Carlos Botezelli, o popular Pelão, que tem um respeitável currículo no setor fonográfico. Basta dizer, por exemplo, que ele produziu, em 1974, o primeiro LP do mestre Cartola. Trabalhos de Nélson Cavaquinho , Adoniran Barbosa, Théo de Barros, Inezita Barroso e Raphael Rabello também estão entre suas mais esmeradas produções discográficas. E tudo na base da amizade…
Este quinto LP da série “Memórias”, editado em 1988, é dedicado a conjuntos vocais e/ou instrumentais brasileiros de várias épocas e estilos. Para a seleção de repertório, mestre Pelão contou com a colaboração, entre outros, do jornalista Arley Pereira e do autor de novelas Walther Negrão. Seleção esta muito bem feita, com masters cedidos por quatro gravadoras, em que desfilam conjuntos marcantes na história de nossa música popular, interpretando clássicos inesquecíveis. A seleção inclui “Trem das onze”, do mestre Adoniran, com os sempre notáveis Demônios da Garoa, “Gauchinha bem querer”, de Tito Madi, na interpretação impecável e plena de autenticidade do Conjunto Farroupilha, “Forró de Mané Vito”, de Gonzagão e Zé Dantas, com o Quinteto Violado, um raro registro de “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser, com o Bando da Lua, “Estrada do sol”, de Tom Jobim e Dolores Duran, com o Trio Irakitan, o saltitante “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com Os Três Morais, “É com esse que eu vou”, de Pedro Caetano, com seus criadores, os Quatro Ases e um Coringa… A bossa nova vem com o Zimbo Trio, executando “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi, o Sambalanço Trio numa releitura de “Pra machucar meu coração”, de mestre Ary Barroso, e o Jongo Trio com “Menino das laranjas”, de Théo de Barros. Os Titulares do Ritmo aqui interpretam “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. E, para finalizar, “A voz do morro’, de Zé Kéti, com o conjunto de mesmo nome, organizado pelo próprio autor, e no qual despontaram nomes importantes da MPB, como Paulinho da Viola e Élton Medeiros. Repertório de qualidade, conjuntos expressivos, ótimas performances… Que mais se pode querer?
pra machucar meu coração – sambalanço trio
tico tico no fubá – os três morais
balanço zona sul – zimbo trio
o menino das laranjeiras – jongo trio
forró do mané vito – quinteto violado
estrada do sol – trio irakitan
nega do cabelo duro – bando da lua
gauchinha bem querer – conjunto farroupilha
é com esse que eu vou – quatro azes e um coringa
ponteiro – titulares do ritmo
trêm das onze – demônios da garôa
a voz do morro – conjunto a voz do morro
.* Texto de Samuel Machado Filho
Orlando Silva (1955)
O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados uma autêntica raridade, bastante difícil de se encontrar por aí. Trata-se de um LP de dez polegadas que reúne oito gravações feitas por Orlando Silva (Rio de Janeiro, 3/10/1915-idem, 7/8/1978) na Copacabana, gravadora com a qual assinou contrato em 1951 (ano em que também foi eleito Rei do Rádio), e onde permaneceria pelos quatro anos seguintes. À época destes preciosos registros, o “cantor das multidões” já tinha voltado aos braços emocionados do grande público brasileiro, que sempre o teve como ídolo, depois de haver superado os problemas particulares, inclusive de ordem amorosa, que foram obstaculizando sua carreira. Os anos 1950 foram, para ele, mais tranquilos, mas nem por isso menos importantes. Seu timbre de voz estava um pouco mais grave, porque esse é o curso natural da voz humana e ele havia surgido para a glória na adolescência dos 18 anos. Mas ainda era o mesmo Orlando Silva de recursos técnicos impecáveis, voz prodigiosa e interpretação comovente. É o que vocês poderão comprovar através deste preciosíssimo vinil de dez polegadas, lançado em 1955, ano em que Orlando Silva retornou à Odeon. São oito faixas originalmente lançadas em discos de 78 rpm, que evidenciam o bom gosto musical do intérprete, afinal ninguém como Orlando para escolher tão bem o repertório. E, como se trata de uma espécie de “edição extraordinária” de nosso Grand Record Brazil, convém relacionar as bolachas de cera em que estas faixas saíram originalmente. Abrindo o disco, o fox -bolero “Aquela mascarada”, de Cyro Monteiro e Dias da Cruz, editado em agosto-setembro de 1953 sob número 5113-A, matriz M-518. O choro “Amanhecendo”, de Cícero Nunes, Arcênio de Carvalho e Rogério Lucas, foi inicialmente lançado em versão instrumental, pelo trombonista Raul de Barros. E coube a Orlando Silva registrar a versão cantada, que a Copacabana lançou em abril de 1954 sob número 5240-B, matriz M-761. A valsa “De que vale a vida sem amor” é dos mesmos J. Cascata e Leonel Azevedo que deram a Orlando, em 1937, os clássicos “Lábios que beijei” e “Juramento falso”, e aqui contam com a parceria de José de Sá Roris. O 78 original saiu por volta de maio de 1954, e levou o número 5254-A, matriz M-814. O samba “Não… e sim”, do flautista Altamiro Carrilho em parceria com Armando Nunes, é o lado B de “Amanhecendo”, matriz M-815. Da parceria Herivelto Martins-Mário Rossi é o samba “Obrigado, Maria”, editado em setembro de 1954 sob número 5302-A, matriz M-914. O ótimo samba “Exaltação à cor”, bem na tradição de seu autor, Ataulfo Alves, aqui em parceria com J. Audi, vem a ser o lado B de “Aquela mascarada”, matriz M-519. “Renúncia”, samba-canção de exclusiva autoria de Marino Pinto, teve lançamento em 78 rpm quase simultâneo a este LP, em março-abril de 1955, sob número 5382-B, matriz M-915. Para encerrar, Orlando Silva homenageia seu grande amigo Francisco Alves, que o lançou em seu programa da Rádio Cajuti, do Rio de Janeiro, em 1934, com a regravação de “Cinco letras que choram (Adeus)”, samba-canção de Silvino Neto, que o Rei da Voz lançou em 1947 e seria a música mais tocada pelas rádios quando do trágico falecimento dele em acidente rodoviário, em 1952. O registro de Orlando foi lançado logo em seguida, em outubro-novembro desse ano, sob número 5010-A, matriz M-261. Enfim, uma seleção primorosa e imperdível, que mostra um Orlando Silva com os pés no presente, com força para trilhar e projetar o momento em que vivia. É ouvir e confirmar.
aquela máscara
amanhecendo
de que vale a vida sem amor
não é sim
obrigado maria
exaltação a cor
renúnica
adeus
* Texto de Samuel Machado Filho
Dorival Caymmi – Acalanto (1972)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM vem oferecer a vocês hoje um dos melhores trabalhos discográficos deste grande poeta seresteiro da Bahia que foi Dorival Caymmi (Salvador, BA, 30/4/1914-Rio de Janeiro, 16/8/2008). Este foi o sexto LP-solo de Caymmi, originalmente lançado pela Odeon (depois EMI e hoje Universal Music), então com Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua, em sua direção artística, em 1960, com o título de “Eu não tenho onde morar”, e voltou às lojas em 1972, como “Acalanto – Dorival interpreta Caymmi” (o curioso é que, no selo dessa reedição, o título que aparece é o original), e áudio reprocessado de mono para estéreo. O álbum teve também reedições em CD, uma delas como parte do boxe “Caymmi, amor e mar”. Detalhes à parte, o fato é que o disco apresenta o mestre Caymmi em sua melhor forma, quando já havia sido adotado pela bossa nova, então em plena efervescência, mesmo sem pertencer à sua tribo específica, influenciando autores como Sérgio Ricardo (“Barravento”) e tendo suas composições regravadas por alguns de seus principais intérpretes, inclusive por seu então colega de gravadora (e também conterrâneo), João Gilberto. Muito bem apoiado pelas orquestrações do maestro Lindolfo Gaya, e com o impecável padrão técnico de gravação da “marca do templo”, Caymmi aqui está, de acordo com o breve texto de contracapa, “mais solto, mais livre e mais espontâneo do que nunca”. Evidentemente, todas as faixas levam a assinatura do mestre soteropolitano, e são verdadeiros clássicos, até hoje presentes na memória e no imaginário popular. A faixa-título, “Eu não tenho onde morar”, e “São Salvador”, para começar, figuraram entre os maiores hits de 1960. Ainda no programa, regravações de músicas lançadas em disco ou pelo próprio Caymmi ou por outros intérpretes, que sempre vale a pena a gente ouvir e reouvir: “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Vestido de bolero”, “O dengo que a nêga tem” (feita para Cármen Miranda apresentar em sua última temporada brasileira, em 1940, no Cassino da Urca), “Dora” (“rainha do frevo e do maracatu”), “O que é que a baiana tem?”(primeiro hit maiúsculo do mestre baiano, lançado por ele mesmo em dueto com Cármen Miranda, em 1939), “A vizinha do lado”, “Adeus”, “Marina”… E a faixa “Acalanto”, música regravada até mesmo por Roberto Carlos, é revestida de importância por ser a estreia em disco da filha do compositor, Nana Caymmi, na plenitude de seus 19 anos, em comovente dueto com o pai. Tão comovente que, terminada a gravação, pai, filha e a mãe, dona Estela, saíram do estúdio chorando de emoção. Enfim, um trabalho imperdível, para se ouvir do começo ao fim. Confiram!
* Texto de Samuel Machado Filho
Cartola – Documento Inédito (1982)
Cristina – Vejo Amanhecer (1980)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o TM tem a satisfação de lhes oferecer um álbum de Cristina Buarque, irmã caçula de Chico e também de Miúcha e Ana de Hollanda, todos filhos do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e de Maria Amélia Alvim Buarque de Hollanda. Foi em São Paulo que nossa Cristina veio ao mundo, no dia 23 de dezembro de 1950. Sua casa era frequentada por intelectuais amigos de seus pais, como os poetas Mário de Andrade e Vinícius de Moraes. Em 1952, a família Buarque de Hollanda mudou-se para Roma, capital da Itália, onde o patriarca Sérgio Buarque foi lecionar, voltando depois ao Brasil. Por volta de 1965, formou um quarteto vocal com duas irmãs (Ana Maria e Maria do Carmo) e uma amiga (Helena), que se apresentava em shows em colégios de São Paulo e, esporadicamente, em programas de televisão, acompanhando ás vezes o irmão Chico. Cristina estreou em disco em 1967, no álbum misto “Onze sambas e uma capoeira”, dedicado á obra de Paulo Vanzolini, com produção do publicitário Marcus Pereira, interpretando “Chorava no meio da rua”. Um ano depois, gravou com o irmão Chico a música “Sem fantasia”, obtendo relativo êxito. No início dos anos 1970, apresentou-se no Bar Violeiro, no bairro carioca da Barra da Tijuca, ao lado de João do Valle e da irmã Miúcha. Em 1974, grava seu primeiro álbum-solo, sem título, obtendo êxito nacional com “Quantas lágrimas”, samba de Manacéa da Portela. Nessa ocasião, ela começou a resgatar a obra de antigos e grandes sambistas, destacando-se como fiel divulgadora do samba de raiz, o que transparece em praticamente toda a sua discografia. “Vejo amanhecer”, que o TM hoje nos oferece, é o quarto álbum-solo de Cristina Buarque, lançado em 1980 pela então recém-instalada Ariola, com a maior parte dos arranjos assinada por Cristóvão Bastos. A faixa-título é um samba de Noel Rosa e Francisco Alves, refletindo a proposta da intérprete em divulgar e resgatar grandes sambas do passado, o que também é comprovado pelas regravações de “Vá trabalhar” (Cyro de Souza), “Sinhá Rosinha” (Geraldo Pereira e Célio Ferreira), “Ironia” (Paulinho da Viola) e “Duro com duro” (Ary Barroso). A faixa de abertura é do irmão Chico Buarque, “Bastidores”, música que, por sinal, foi lançada neste disco, mas, como todos sabem, obteria maior êxito como recém-falecido Cauby Peixoto. Trabalhos da dupla Novelli (produtor executivo deste disco)-Cacaso (“Triste Baía da Guanabara”, “Andorinha”, “A madrasta”), Djavan (“Sim ou não”, com arranjo dele mesmo), Godofredo Guedes (“Cantar”) e da dupla Mílton Nascimento-Fernando Brant (a sempre lembrada “Canção da América”, que encerra o disco) completam o cardápio musical deste primoroso disco de Cristina Buarque, sem dúvida digno de figurar nos acervos de todos aqueles que prestigiam o que é bom.
bastidores
ironia
triste baia da guanabara
sim ou não
vá trabalhar
andorinha
cantar
sinhá rosinha
duro com duro
a madrastra
vejo amanhecer
canção da américa
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Zaccarias E Sua Orquestra – Frevos (1958)
Olá amigos cultos e ocultos! No Carnaval deste ano eu fiquei mais por conta de repostar links no GTM do que postar novos/velhos discos relacionados ao tema. Um dos que eu deixei passar foi este com o maestro Zaccarias e sua Orquestra. Mas, sempre é tempo de festa, sempre é tempo de carnaval. Aliás, eu diria, é sempre tempo de frevo. Este não se limita apenas ao carnaval. E aqui temos um lp de dez polegas lançado pela RCA Victor no final dos anos 50 com o Maestro Zaccarias, que um dos grande incentivadores do gênero, sendo orquestra de destaque nas festas do Recife, nos anos 50 e 60. Neste disco estão contidas algumas das marchas/frevos mais tradicionais do carnaval pernambucano.
Para esclarecer isso melhor, nada como um álbum em que sua contracapa nos traz toda a informação necessária. Isso me poupa tempo e evita possíveis erros. (…e deixa eu correr, pois o relógio de ponto me espera). Um bom dia a todos!
Evinha – Cartão Postal (1971)
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Para alegrar o nosso dia tenho aqui este disco da Evinha, que sempre que ouço, associo a uma bela manhã de domingo. E hoje, por aqui está sendo um domingo ensolarado. Um presente para os namorados, afinal hoje é o dia deles!
Temos aqui a cantora Evinha em seu terceiro lp. Como todos devem saber, Evinha iniciou a carreira ainda criança, cantando ao lado dos irmãos Mário e Regina, com que formava o Trio Esperança. Em 68 ela partiu para uma vitoriosa carreira solo, sempre fazendo muito sucesso. Neste lp “Cartão Postal” temos vários destaques. Músicas como “Que bandeira”, de Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha; “Feira Moderna”, de Beto Guedes e Fernando Brant; “Cartão Postal”, de Renato Correia e Guarabyra e vai por aí… Um disquinho realmente bom, para se ouvir hoje ou em qualquer outro dia 😉
Trio Surdina – Romance Em Surdina (1958)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje mais um álbum do Trio Surdina. A primeira formação do grupo surgiu em 1952, com Garoto ao violão, Fafá Lemos no violino e Chiquinho ao acordeom. Na ocasião, o trio lançou vários LPs de dez polegadas para a Musidisc de Nilo Sérgio, e foi no primeiro deles, inclusive, que foi lançado o samba-canção clássico “Duas contas”, de Garoto, com solo vocal de Fafá Lemos, muitíssimo regravado até hoje. Com a morte prematura de Garoto, em 1955, o Trio Surdina se desfez. Entretanto, no ano seguinte, a Musidisc decidiu relançar o grupo, com nova formação: Nestor Campos ao violão, Al Quincas ao violino e El Gaúcho ao acordeom, que durou até 1958. A última formação do grupo, com Waltel Branco ao violão, Eduardo Patané ao violino e novamente Chiquinho ao acordeom, gravou apenas um álbum em 1963, “Trio Surdina em bossa nova”. Este “Romance em surdina”, oferecido hoje a vocês pelo TM, embora o texto de contracapa não faça qualquer esclarecimento a respeito, é na verdade uma coletânea das melhores gravações da segunda fase do Trio Surdina, editada pela Musidisc com o selo Audiola, em 1958. Do LP de dez polegadas “Ouvindo Trio Surdina – vol. 3”, de 1956, foram extraídas as faixas “Mattinata”, “Over the rainbow”, “Molambo”, “Aquellos ojos verdes”, “J’attendrai”, “Serenata” e “Por que brilham os teus olhos”. E do volume 2 da série, que naturalmente é anterior, e também de 56, são as cinco faixas restantes, “Moonlight serenade”, “Jalousie”, “Linda flor (Ai, Ioiô”), “Maria la ô” e “Charmaine”. Uma coletânea, sim, mas muito bem feita e que é um precioso documento do trabalho desenvolvido pelo Trio Surdina em sua segunda fase, trazendo clássicos nacionais e internacionais que sempre vale a pena ouvir e reouvir. Divirtam-se…
mattinata
over the rainbow
molambo
ojos verdes
fattendrai
moonlight serenade
serenata
porque brilham os teus olhos
jealousie
linda flor
maria lá-o
charmaine
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