Cacho Valdez – Alma (1977)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos. Aproveitando a brecha matinal, vou logo aqui postando mais um disco para já ganhar o dia. Hoje eu trago um lp o qual não tem saído do meu toca discos. Aliás, já tomou conta de todos os dispositivos de som que eu uso. Um álbum de 1977 e que curiosamente eu nunca, nem sequer, ouvi falar. Fiquei de cara ao ouvi-lo. Uma grata surpresa entre tantos discos que o amigo Fáres me enviou. E não foi atoa que ele me pediu, entre os tantos que enviou, para que esse eu o devolvesse de pois de digitalizar. Caramba, que disco bom! Sabendo que este eu teria que devolver, tratei de providenciar um para mim. Corri ao Mercado Livre e acabei comprando dois, Eu, geralmente quando gosto muito de um disco, compro logo dois, por garantia, E foi o que fiz, até porque na primeira compra, o disco veio com a capa rasgada, daí comprei outro mais novo. É realmente estranho como este álbum passou batido por mim e certamente passou batido por quase todo mundo. Nunca tinha visto, nem mencionado pela internet. Mas também, não é para menos. O disco saiu pelo selo Underground, que era uma espécie de ‘laboratório de testes’ da gravadora Copacabana para alguns de seus artistas que corriam pela marginal e tinha uma tiragem limitada, o que diminuía potencialmente a divulgação do trabalho. Para complicar ainda mais a coisa, o lp traz uma capa duvidosa. Certamente, na época de seu lançamento, quem passou os olhos neste lp em alguma loja deve ter pensado que se tratava de algum artista romântico, alguma coisa assim meio ‘mela-cueca’, ao estilo Roberto Carlos, ou mais ainda, Julio Eglesias, principalmente por esse nome pomposo, Cacho Valdez. Mas afinal, quem é Cacho Valdez? Voltando um pouco no tempo, nos anos 60, vamos descobrir que Cacho Valdez era o guitarrista do grupo Beat Boys, aquela banda meio argentina, meio brasileira, que acompanhou Caetano Veloso, em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira, defendendo a canção “Alegria, alegria”. Curiosamente o nome de Cacho Valdez só aparece como referência numa pesquisa rápida no Google. Mas, num mergulho mais profundo, consegui encontrar numa nota de jornal/revista sobre o lançamento deste disco. Daí a coisa ficou um pouco mais clara. Este foi o primeiro lp do artista que é argentino. O disco foi produzido e gravado em São Paulo, contando com outros músicos e técnicos brasileiros e também argentino. Entre os músicos brasileiros, destacamos o Lincoln Olivetti, Bolão e Amilson Godoy. Ao virar a capa, a contracapa começamos a entender o que temos nas mãos. Basta ler a ficha técnica e reparar na lista das músicas e agora nosso artista na foto com uma postura mais rock’n’roll. Um cara observador como eu, de imediato puxaria o disco da capa e o poria para tocar. Só assim para descobrir ou constatar que estamos diante de um ‘puta disco’. Um trabalho o qual eu nem saberia classificar, mas que o coloco como uma espécie de rock progressivo. Foge do  esquema tradicional de lp com 12 faixas. Aqui não, são quatro músicas de um lado e duas do outro. Um trabalho onde o artista mistura diferentes e diversas influências da música latino americana gerando uma obra singular, que foge ao comum. Todas as músicas, orquestração, regência e arranjos são do próprio Cacho Valdez, Taí um disco que eu tenho certeza, muita gente vai gostar e logo vai estar por aí bombando como mais uma joia resgatada da fonografia brasileira. Não deixem de conferir...

el sudamericano
la doma
miedo de lo desconocido
te quiero
alma
tu debes
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Norte Forte (1977)

Boa noite a todos os amigos cultos e ocultos! Espero que todos tenha tido uma boa páscoa. Eu, de uns tempos para cá não tendo vontade de comemorar nada. Mas, enfim, vamos seguindo, uns dias chove, noutro dia bate sol. O que não pode faltar é a música, os discos e esse toque musical, que mesmo espaçado, continua firme em seus quase 9 anos de persistência.
Bom, mas voltando às coletâneas, aqui vai mais uma super bacana. Lp montado pela Continental, com seleção musical de Cesare Benvenuti, um lendário produtor, responsável por aquela onda de bandas e artistas que cantavam em inglês, no início dos anos 70. Aqui neste disco temos doze faixas e doze diferentes artistas, que como o próprio título sugere, são vindos no norte, mais exatamente relacionados a música nordestina. Acho que nem preciso repetir quem são os artistas dessa coletânea, está na capa, né? E o repertório também, escolhido a dedo. Confiram esta seleção, vale a pena...

a palo seco – belchior
beira mar – ednardo
sem nome – hareton salvanini
são saruê – marcus vinicius
o astro vagabundo – fagner
levanta poeira – banda de pífanos de caruarú
se o caso é chorar – tom zé
meu barco é você – joão só
meia vida – edson e aloisio
dono dos teus olhos – tetty
cantiga – orquestra armorial
você e tu – bendegó
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Momento Universitário II (1979)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Conforme informado e prometido, segue aqui a coletânea EMI – Odeon Momento Universitário. Este segundo disco acompanha a mesma linha, inclusive com alguns mesmos artistas. O volume dois saiu  em 1979 e da mesma forma deu ‘ibope’. Uma seleção também impecável e para uma coletânea, vendeu muito. Confiram mais esse toque…

resíduo – paulo cesar pinheiro
começar de novo – ivan lins
recado – luiz gonzaga jr
companheira – geraldo vandré
onze fitas – fátima guedes
palavras – nana caymmi
hino / mordaça – paulo cesar pinheiro, marcia e eduardo gudin
cordilheira – simone
vai meu povo luiz gonzaga jr
aos nossos filhos – ivan lins
terra plana – geraldo vandré
esse sol – fátima guedes
resíduo – paulo cesar pinheiro
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Momento Universitário (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Em tempos de incertezas políticas é sempre bom a gente lembrar fatos que muito se assemelham aos atuais. Também, relembrando o que era um momento universitário, quanto essa turma era mais engajada. Se fossem fazer hoje um disco do momento universitário, com certeza, seria um desastre musical, cheio de funk, rap e sertanejo, claro.
Nesta coletânea que eu agora trago, temos um repertório impecável, com músicas e artistas de primeiríssima linha. Sucessos consagrados pelo público e pela crítica. Esta coletânea foi produzida pela EMI Odeon em 1977, reunindo alguns de seus mais representativos artistas. O disco fez tanto sucesso que no ano seguinte ele lançaram um segundo volume. Esse, eu trago no próximo post para não ficarmos incompletos, ok? Divirtam-se

canto brasileiro – paulo cesar pinheiro
pesadelo – paulo cesar pinheiro
arueira – geraldo vandré
viola enluarada – marcos valle e milton nascimento
cabra seca – marlene
galope – luiz gonzaga jr
o que será – simone
cartomante – ivan lins
noção da batalha – carlinhos vergueiro
o trem tá feio – simone
catecismo – paulo cesar pinheiro
quadras de roda – ivan lins
começaria tudo outra vez – luiz gonzaga jr
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Classe A – RCA Victor Coletânea (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa que eu sempre gostei foi de coletâneas. Eram através delas que a gente  podia degustar diversos artistas de uma determinada gravadora. Uma forma de levar ao público os diferentes artistas, misturando os ‘medalhões’ com aqueles ainda pouco conhecidos. O difícil era achar uma coletânea realmente fina, com artistas e repertório de qualidade. Nesse sentido, a RCA sempre brilhou. Acho que talvez até pela qualidade de seu ‘cast’. Em 1975 a gravadora lançou esta coletânea com alguns de seus mais destacados artistas. Acho que nem preciso falar muito, só pela capa se pode ver que o grupo é seleto, só música bacana, sucessos de uma época onde ainda se fazia boa música. Este é mais dos muitos bons presentes oferecidos pelo amigo Fáres, a quem mais uma vez eu agradeço. E vamos nessa que a coisa é boa. Aguardo vocês no GTM 😉

bodas de prata – joão bosco
diacho de dor – maria creuza e antonio carlos & jocafi
pote de mel – carlos walker
jogo da vida – tamba trio
ligia – lucio alves
chega – ivan lins
disritimia – martinho da vila
meia noite – antonio carlos & jocafi
tristeza chama tristeza – eliana pittman
se alguém telefonar – milton carlos
massa falida – cesar costa filho
flicts – sergio ricardo
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As Cantoras – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 146 (2016)

Em sua edição de número 146, o Grand Record Brazil apresenta mais uma seleção de gravações com cantoras que fazem parte da história de nossa música popular, mesclando nomes consagrados com outros que o passar do tempo foi esquecendo, e perfazendo um total de 16 faixas, autênticas raridades que são reveladas para os amigos cultos, ocultos e associados de nosso TM.  –  Abrindo a seleção musical desta quinzena, temos o samba-canção “Amigos”, de autoria de Paulo Marques e Aylce Chaves, na interpretação de Linda Batista, acompanhada de conjunto no qual o violino, certamente, é de Fafá Lemos. A gravação foi feita na RCA Victor em 27 de janeiro de 1955 e lançada em março do mesmo ano, sob número de disco 80-1429-A, matriz BE5VB-0651. Em seguida, temos Aracy de Almeida, a inesquecível “dama da Central” e “do Encantado”, interpretando outro samba-canção, este clássico e bastante regravado: “Bom dia, tristeza”, lançado pela Continental em maio-junho de 1957 sob número 17437-B, matriz 11947. E a música tem uma história bem interessante: os versos, de autoria do Poetinha Vinícius de Moraes, foram enviados por ele de Paris (ele trabalhava na embaixada brasileira na França), por correio, a Aracy de Almeida, a fim de que ela fizesse o que bem entendesse com eles. Aracy, então colega de Adoniran Barbosa na Rádio e Televisão Record de São Paulo, solicitou então a ele que os musicasse. Mestre Adoniran desincumbiu-se plenamente da tarefa, e o resultado foi mais uma página antológica de seu trabalho autoral, no qual se destacam sambas como “Saudosa maloca” e “Trem das onze”, entre outros. Ângela Maria, a festejada Sapoti, aqui comparece com um tango bastante expressivo e de sucesso: “Mentindo”, de Eduardo Patané e Lourival Faissal. Foi lançado pela Copacabana em setembro-outubro de 1956, com o número 20032-A (dentro da série “de exportação” da companhia), matriz M-1671, mais tarde abrindo o LP de dez polegadas “Sucessos de Ângela Maria, número 2”. A cantora também interpretou “Mentindo” em dois filmes: “Com água na boca”, da Cine TV Filmes (mais tarde Herbert Richers), e “Rio fantasia”, de Watson Macedo. Paulista de Santos, Eladyr Porto iniciou sua carreira interpretando sambas e marchinhas. Mas, após residir na Argentina, passou a cantar tangos. É desta fase a gravação escalada para esta edição do GRB, “Cantando”, um clássico do gênero, escrito por Mercedes Simone, com letra brasileira de Virgínia Amorim. Quem o conhece na interpretação em dueto de Silvana e Rinaldo Calheiros, agora vai poder conferir sua primeira gravação em português, com Eladyr Porto, lançada pela Mocambo em 1956 sob número 15016-A, matriz R-537, aparecendo também no LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Logo depois, Norma Ardanuy interpreta “Alma de boêmio (Alma de bohemio)”, outro tango clássico, de autoria de Roberto Firpo e Juan Andrés Caruso, em versão de Vanda Ardanuy, por certo irmã da intérprete. Foi gravado na Polydor em 13 de abril de 1956, e o disco recebeu o número 149-A, matriz POL-1116. Grande destaque do rádio de São Paulo nos anos 1940/50, e também pioneira da televisão no Brasil, Rosa Pardini aqui interpreta o bolero “Nunca, jamais (Nunca, jamás)”, de autoria de Lalo Guerrero, norte-americano do Arizona, mas descendente de mexicanos, em versão de Nélson Ferreira. Gravação Polydor de 31 de agosto de 1956, em disco número 173-B, matriz POL-1215, e que também abriu o LP de dez polegadas n.o LPN-2013, sem título. Em seguida, volta Eladyr Porto, interpretando “Silêncio”, versão dela própria para um tango clássico de Carlos Gardel, Alfredo Le Pera e Horacio Pettarosi. Outra gravação Mocambo , lançada em dezembro de 1956 sob número 15117-A, matriz R-740, sendo também faixa de abertura do já citado LP de dez polegadas “Tangos em versão”. Luely Figueiró interpreta depois “Até (Prière sans espoir)”, versão de Oswaldo Santiago para um fox de origem francesa, de autoria de Charles Danvers e Pierre Benoit Buisson, sucesso em todo o mundo na letra norte-americana de Carl Sigman, com o nome de “Till”. A gravação de Luely saiu pela Continental em setembro-outubro de 1958, sob número 17589-B, matriz 12120, entrando também no primeiro LP da cantora, “Gauchinha bem querer”. No mesmo ano, esta versão foi também gravada por Julie Joy, com o nome de “Até que…”.  A recifense-pernambucana Maria Helena Raposo bate ponto aqui com “Antigamente”, samba-toada de Vadico e Jarbas Mello, faixa de seu único LP, “Encantamento”, lançado em 1958 pela Mocambo, gravadora que inclusive tinha sede em seu Recife natal. Isaura Garcia, a sempre lembrada “Personalíssima”, aqui interpreta “Falaram de você”, samba-canção dos irmãos Hervê e Renê Cordovil, gravação RCA Victor de 13 de novembro de 1953, lançada em março de 54 sob número de disco 80-1258-B, matriz BE4VB-0304. O clássico “Conceição”, de Waldemar “Dunga” de Abreu e Jair Amorim, imortal sucesso de Cauby Peixoto, é aqui apresentado na voz de Dircinha Batista. A gravação dela para esse samba-canção foi feita na RCA Victor em 29 de maio de 1956, e lançada em agosto do mesmo ano sob número 80-1646-B, matriz BE6VB-1178, e, em virtude da enorme repercussão do registro de Cauby, ficou esquecida. Portanto, o GRB agora oferece uma oportunidade de ouvir e reavaliar esta interpretação de Dircinha Batista para “Conceição”. Logo depois, Dóris Monteiro interpreta “Quando tu passas por mim”, samba-canção que, embora tenha sido integralmente composto pelo Poetinha Vinícius de Moraes, letra e música, teve parceria por ele mesmo concedida a Antônio Maria. Originalmente gravado por Aracy de Almeida, em 1953, é oferecido aqui na interpretação da sempre notável  Dóris, lançada pela Continental em março de 1955, sob número 17092-B, matriz C-3555, com orquestração e regência do mestre Tom Jobim, outra importantíssima credencial. “Quantas vezes”, samba-canção de Peterpan, e outro sucesso de Dóris Monteiro (1952), aqui aparece na voz da eterna “Favorita”, Emilinha Borba (por sinal cunhada do compositor), em gravação extraída de acetato da Rádio Nacional carioca, então vivendo seu período áureo. Uma das “cantorinhas” reveladas pelo programa “Clube do Guri”, da Rádio Tamoio, também do Rio de Janeiro, Zaíra Cruz interpreta graciosamente a valsa “Anjo bom”, de Lourival Faissal em parceria com o jornalista Max Gold, em homenagem ao Dia das Mães. Gravação RCA Victor de 15 de março de 1956, lançada em maio do mesmo ano sob número 80-1600-B, matriz BE6VB-1022. Um ano mais tarde, apareceu no LP-coletânea de dez polegadas “Mãezinha querida”.  Entre 1952 e 1961, Zaíra Cruz gravou 21 discos de 78 rpm com 42 músicas, quase todos pela RCA Victor, e o último na Tiger. A também atriz Heloísa Helena (Rio de Janeiro, 28/10/1917-idem, 19/6/1999) bate ponto nesta edição com uma verdadeira raridade: “N’aimez que moi”, canção de Joubert de Carvalho e Maria Eugênia Celso, com letra me francês, originalmente lançada em disco por Marlene Valleé, em 1932. A presente gravação, em que Heloísa Helena é acompanhada ao piano por Benê Nunes, foi  tirada diretamente da trilha sonora do filme “É fogo na roupa”, de 1952, produzido e dirigido por Watson Macedo, verdadeiro craque das chanchadas.  E por último, da escassa discografia da cantora Míriam de Souza, resgatamos “Noite de chuva”, samba-canção do maestro Lindolfo Gaya em parceria com Pascoal Longo. É o lado A de seu segundo disco, o Odeon 13684, gravado em 28 de maio de 1954 e lançado em julho do mesmo ano, matriz 10144. Míriam gravou apenas seis discos 78 com doze músicas, cinco pela Odeon, entre 1953 e 1956, e o último na obscura Ciclone, em 1960. Enfim, esta é mais uma contribuição do GRB e do TM para a preservação da memória musical do Brasil, tarefa árdua porém extremamente gratificante. Divirtam-se!
*Texto de Samuel Machado Filho

Velha Bossa Nova (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais um disco da série ‘doação’ que eu acredito que todos irão gostar. Trata-se de uma coletânea. Coletâneas são sempre muito bem vidas, principalmente se for de Bossa Nova e ainda com um time e repertório que foge ao comum. Eis aqui um lançamento da RCA Victor, de 1976. São 18 faixas bem escolhidas do arquivo da gravadora durante a década de 60. Ao falar em 18 músicas e vendo pela capa e contracapa uma lista tão grande de artistas há de se pensar que este é um álbum duplo. Mas não é duplo e curiosamente também não são gravações reduzidas. Para meu espanto, conseguiram enfiar num lp de 12 polegadas 18 músicas e sem corte. Uma prova de capacidade acima do normal para um lp.

samba pro pedrinho – walter santos
você sabe – flora purim
estamos aí – raulzinho (raul de souza)
chora tua tristeza – alaide costa
receita para esquecer – leny andrade
só tinha de ser com você – trio 3d
cartão de visita – flora purim
amanhã – walter santos
vem balançar – conjunto mario castro neves
complicação – alaide costa
a vontade mesmo – raulzinho (raul de souza)
dindi – alaide costa
o que é amar – johnny alf
meu amor foi embora – leny andrade
minha namorada – trio 3d
nem o mar sabia – flora purim
demais / meu mundo caiu / preciso aprender a ser só – maysa
wave (vou te contar) – os cariocas e lúcio alves
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I Festival Universitário Da Música Popular Brasileira – Porto Alegre (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós para mais uma boa postagem. Mais um excelente disco da leva do meu amigo Fáres. Desta vez com um álbum raro, um disco de festival que não se vê por aí. Aliás, um disco que eu não conhecia e certamente muita gente por aqui também não.
Trata-se do I Festival Universitário da Música Popular Brasileira, realizado em Porto Alegre, em 1968. O disco traz 13 músicas das 17 finalistas. Foi gravado no Rio de Janeiro e contou com a interpretação de outros artistas, tais como Edu Lobo, Joyce, Márcia, Gal Costa, Sonia Lemos, Paulo Marquez e Momento Quatro, Neste festival a música vencedora foi “Jogo de Viola”, de João Alberto Soares e Paulinho Pinho, interpretado neste lp por Edu Lobo e Lucelena. Confiram no GTM 😉

canto pra dizer te adeus – márcia
domingo antigo – gal costa
você por telegrama – joyce
minha chegada – ruy felipe
quem vem lá – sonia lemos
samba do cotidiano – paulo marquez
jogo de viola – edu lobo e lucelena
a caminho de casa – magda
canto do encontro – momento quatro
canção do entardecer – lucelena
tá na hora – paulo marquez
fantasia urbana – marcia
sim ou não – junaldo
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Bendegó (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Acho que ultimamente sou eu é quem tem andado oculto, ausente ao nosso Toque Musical. Não se trata de falta de interesse e nem material para postar. Falta mesmo o de sempre, tempo… e cada vez mais… Mesmo assim, ainda que capengando, vamos mantendo a chama acesa, postando sempre que possível algum disco ou gravação interessante…
Nas próximas postagens estarei apresentando aqui alguns discos doados pelo amigo Fáres. Garanto que teremos coisas interessantíssimas. Vale a pena ficar ligado no TM. Começo com o Bendegó, grupo nascido na Bahia nos anos 70, liderado pela dupla Capenga e Gereba. Este foi o quarto disco gravado por eles, lançado em 1981 pela Continental. Gosto, em especial, da faixa “Um sinal de amor e de perigo”, de Capenga e Patinhas, música essa que foi sucesso na voz de Diana Pequeno. Confiram

em nazaré das farinhas
sem medo
di iching ao xingú
coração alheio
banco de areia
os índios e os passarinhos
rancheira
um sinal de amor e de perigo
tempo forte
de flor em flor
de mim que fui de mim que sou
lovely beatles
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Clube Do Choro Wilson Duarte – Choros & Serestas (1994)

Hoje o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um raro álbum dedicado ao choro e à seresta.  Ele foi lançado em 1994 pelo selo Gravam – Gravadora da Amizade, vinculada ao Clube da Amizade Padre Antônio Gonçalves. Tendo por slogan “Ser amigos e fazer amigos”, o clube é uma associação civil sem fins lucrativos, de caráter educacional, assistencial, desportivo, religioso e de lazer, fundada no dia 20 de outubro de 1980. Atualmente localizado no Edifício Pio XII, na Rua Espírito Santo, centro de Belo Horizonte, o clube tem atividades das mais diversas, sobretudo para a terceira idade, administrando inclusive cursos de línguas e música. Tem ainda aulas de dança, ginástica, ioga, postura e alongamento, palestras, tardes de convivência e o tradicional “cafezinho da amizade”. Tem atualmente mais de 133.000 associados. O padre Antônio, falecido em 19 de outubro de 2014, foi um grande evangelizador da Arquidiocese belorizontina, tendo sido o primeiro diretor da Rádio América (onde apresentava diariamente o programa “Bom dia, amizade”), além de, claro, ter presidido a missa dominical da Rede Minas de Televisão. É justamente o padre Antônio Gonçalves quem assina a contracapa do álbum que o TM oferece a vocês hoje, com a mais grata satisfação. São dez faixas imperdíveis, seis delas choros (nesse ritmo, inclusive, está a “Oração de São Francisco”, que encerra o disco). Temos ainda duas valsas (“Guarapari”, “Mais uma valsa, mais uma saudade”) e dois sambas-canções, ambos originalmente sucessos de Francisco Alves, “Esses moços (Pobres moços)” e “Cinco letras que choram (Adeus)”. A interpretação ficou a cargo do regional do Clube do Choro, mais o cantor Wilson Duarte, “o seresteiro de Minas”, tornando o álbum imperdível para apreciadores de boa música brasileira. Uma pena que a gravadora do Clube da Amizade não tenha ido muito longe, por certo em virtude dos vai-e-vens do mercado fonográfico, tanto no Brasil como no mundo. De qualquer forma, é um imperdível e primoroso trabalho que merece ser conferido.

Texto de Samuel Machado Filho

 

Virtuose (1977)

Boas noites, meus prezados amigos cultos e ocultos! Vai a saudação no plural para valer pelos dias faltosos. Desculpem, mas o tempo, a cada dia que passa vai ficando mais escasso.  Porém, sempre que possível vamos renovando as postagens.
Hoje eu estou trazendo uma curiosa coletânea. Mais um daqueles discos promocionais, feito por encomenda e certamente, com tiragem limitada. Trata-se de um box com dois lps, produzidos para a AEG-Telefunken do Brasil S.A., reunindo alguns de nossos melhores violonistas. Um encontro em disco inusitado e quase tão improvável quanto as coletâneas que fazemos por aqui. Digo isso pelo fato de que a Telefunken foi quem cuidou da pós produção de seu brinde. Criou uma coletânea com gravações de artistas do selo Continental e RCA Victor. Em outras palavras, colocaram na caixa um lp com selo RCA e outro da Continental. Temos no disco da Continental Dilermando Reis, Rago, Paulinho Nogueira e Poly. No disco da RCA temos os Índios Tabajaras, Baden Powell e Sebastião Tapajós. Ainda sobra espaço para o violonista inglês Julian Bream interpretando duas peças de Villa-Lobos. É, sem dúvida, uma coletâneas de excelentes fonogramas, gravações originais extraídas de outro discos. Traz também encartes e livreto contando a história do violão. Muito bacana. Vale uma conferida

fantasia – improviso op. 66, de chopin – índios tabajaras
valsa das flores – quebra nozes op. 71, de tchaikovisky – índios tabajaras
dança ritual do fogo, de manuel de falla – índios tabajaras
recuerdos de la alhambra – índios tabajaras
valsa n. 7 op.64 n. 2, de chopin – índios tabajaras
o vôo do besouro – índios tabajaras
valsa n. 6 op.64 n. 1, de chopin – índios tabajaras
prelúdio n. 2, de villa-lobos – julian bream
schottisch-choro, de villa-lobos – julian bream
allegro sinfônico – sebastião tapajós
carinhoso – dilermando reis
adda – poly
bachianinha n. 1 – paulinho nogueira
despertar da montanha – dilermando reis
violão no samba – luiz bonfá
xv de julho – poly
caxinguelê – dilermando reis
vê se te agrada – dilermando reis
zelão – paulinho nogueira
odeon – poly
uma valsa dois amores – dilermando reis
tenebroso – rago
da cor do pecado – paulinho nogueira
marcha dos marinheiros – dilermando reis
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Luiz Gonzaga Jr – Luizinho De Gonzagão Gonzaga Gonzaguinha (1990)

Boa noite, meus prezados cultos e ocultos amigos do Toque Musical. Vamos hoje com uma postagem que ficou pelo meio. E eu nem me lembrava… Temos aqui o saudoso Gonzaguinha em um de seus últimos discos, lançado em 1990. O lp foi gravado em 1989, mas só viria a ser lançado em 90. através de seu selo Moleque, que não chegou a ediar dois álbuns. Luiz Gonzaga Jr viria a falecer em acidente de automóvel em 1991. O disco traz onze faixas autorais, sendo que pelo menos quatro delas são clássicos do pai Gonzagão, em parceria com Humberto Teixeira e Herve Cordovil. Há também uma faixa especial, “Olha pro céu”, uma espécie de pot pourri temático das festas de São João, com músicas do velho Gonzaga, interpretadas por Gonzaguinha e seus filhos, quando ainda crianças. Confiram este disco que entre tantos outros do autor anda esquecido.

baião
guarda
humaos
respeita januário
asa branca
gonzaga
uma vez por semana
borboleta prateada
avassaladora
olha pro céu
vida do viajante
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Rui Motta – Mundos Paralelos (1992)

Olá, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente. Depois de uma pausa forçada, encontro uma brecha para continuar o nosso toque musical. Fiquei alguns dias sem postar, mas em compensação, andei repondo alguns links vencidos, para a alegria dos retardatários.
Voltando em ritmo instrumental, tenho para vocês este lançamento independente, de 1992, do grande batera Rui Motta. Um disco totalmente autoral, com apenas seis músicas, provando que qualidade não é quantidade. A capa é bem instigante, lembrando algum disco de rock progressivo. Mas, o que temos é música instrumental, no sentido mais característico do termo. Mundos Paralelos foi indicado para o Prêmio Sharp, de 1992. Acompanham o nosso artista neste lp outros grandes nomes como Sérgio Dias, Luciano Alves, Leo Gandelman, Pedro Baldanza e outros músicos do mesmo naipe.
Apenas para esclarecer um pouco mais… Rui Motta é um baterista que já tocou com os mais diferentes artistas, nacionais e internacionais. Integrou a fase progressiva dos Mutantes (sem Rita Lee e Arnaldo), onde gravou três discos. Ingressou outras bandas nos anos 80, mas seu grande mérito está no trabalho de ensino e técnica de bateria. Ele criou métodos exclusivos e publicou já diversos livros sobre bateria. Possui, no Rio, uma escola de bateria, pela qual já passaram outros tantos grandes talentos. Vamos conferir este trabalho?

mundos paralelos
almas ao vento
bye bye baião
fandango
o azul da lua
cinema
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Blindagem (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Na semana que antecedeu ao Carnaval eu andei postando aqui alguns discos de rock, porém havia na lista muitos outros que eu gostaria de postar. Um dos que ficou de fora foi este lp da banda paranaense Blindagem, que eu já nem me lembrava mais. Redescobri o disco no saldão do Acervos LP, lojinha bacana dos amigos Célio e Márcio, aqui em BH. Como já estávamos encima da folia carnavalesca, preferi deixá-lo para agora.
Segue então a banda Blindagem em seu primeiro e mais célebre vôo. A banda foi formada no final dos anos 70 e viria a ser a grande expressão do rock paranaense. Em 1981 eles lançaram pela Continental este disco, com direito a compacto, apresentando as duas músicas de destaque do lp: “Oraçao de um suicida” e “Marinheiro”. O tal disquinho de 7 polegadas era mesmo eficiente, pois foi muito graças a ele que a música do Blindagem ganhou divulgação em rádios, do sul e sudeste do Brasil, dando a banda, logo de início, um certo destaque. O grupo já atuava em festivais e shows nos anos 70, mas passa a ganhar força com a entrada do cantor e compositor Ivo Rodrigues, que tinha como parceiro o poeta Paulo Leminski. Neste lp, boa parte das músicas são assinadas por Ivo Rodrigues e Paulo Leminski. Um trabalho interessante e bem produzido, mas que não se repetiria em outros lançamentos posteriores da banda. O Blindagem seguiu seu caminho apostando mais na cena local. Ao longo dos anos começou a investir em outros estilos, indo do rock ao samba, passando por baladas românticas e sertanejo. Evidentemente, isso acabou levando a banda a uma descaracterização da proposta inicial, gerando uma discografia irregular e talvez por conta disso acabou não alcançando um merecido reconhecimento. Ao que consta, o Blindagem continua na ativa, mas sem seu principal capitão, Ivo Rodrigues que faleceu em 2010. Confiram este que foi o melhor e talvez o único nos primórdios do rock setentista do Paraná.

oração de um suicida
sou legal eu sei
não posso ver
palavras
hoje
berço de deus
marinheiro
gaivota
quanto tempo mais
cheiro de mato
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I Festival Internacional De Jazz – São Paulo-Montreux (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu hoje estou trazendo um disco que em outros momentos, talvez não entrasse em nossa lista. Produção com mais de 20 anos, fora de catálogo, mas ainda assim um pouco fora do nosso contexto, não fosse o fato de ser um festival de jazz realizado em São Paulo e tendo entre os artistas presentes dois brasileiros, Airto Moreira e Hermeto Pascoal.
O I Festival Internacional de Jazz foi um evento, sem precedentes,  que aconteceu simultaneamente nas cidades de São Paulo e Montreux, na Suiça. Um festival que reuniu músicos de vários países, apresentando diferentes estilos de jazz. Em São Paulo os shows foram vistos por quase 4 mil pessoas no Palácio de Convenções do Anhembi. Este álbum foi lançado no mesmo ano do festival. Um álbum duplo, que bem merecia triplo ou mais, trazendo além dos brasileiros já citados, grandes nomes como Bill Evans, George Benson, George Duke, Larry Coryell & Philip Catharine, Etta James e Al Jarreau.. Muito bom!

take five – al jarreau
we got by – al jarreau
sugar on the floor – etta james
juicy – george duke band
twin house – larry coryell & philipe catharine
aquela valsa – hermeto pascoal
tacho – hermeto pascoal
windsong – george benson
the greates love of all – george benson
everything must change – ben e. king
i’m fine howare you? – airto moreira
la tumbadora – airto moreira
do what cha wanna – george duke band
maxine – bill evans
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A Música De Getúlio Marinho (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 145 (2016)

O Grand Record Brazil oferece hoje, mui prazeirosamente, aos amigos cultos, ocultos e associados do TM, a segunda parte da retrospectiva dedicada a Getúlio “Amor” Marinho, compositor carioca intimamente ligado ao carnaval e ás escolas de samba, oferecendo mais dez preciosas gravações de obras suas. Para começar, a marcha-rancho “Gegê”, parceria de “Amor” com Eduardo Souto (compositor de belas páginas desse gênero), do carnaval de 1932. A gravação ficou por conta de Jayme Vogeler, na Odeon, acompanhado pela Orquestra Copacabana de Simon Bountman, em 24 de novembro de 31, disco 10876-A, matriz 4369. É a crônica musical de um episódio segundo o qual o então presidente Getúlio Vargas, assim que tomou posse, em 1930, começou a receber inúmeros pedidos de empregos públicos, e, para protelar e desacelerar essa avalanche (era um período de crise financeira, como agora), passou a exigir requerimento estampilhado, com foto e selos.  Só que “Gegê”, aqui, não é o apelido de Getúlio, e sim um nome qualquer,  ou seja, apenas uma coincidência. A música, por sinal, até venceu um concurso promovido pelo “Correio da Manhã”, através de votos impressos no próprio jornal, apontando a melhor música da folia momesca de 1932, deixando em segundo lugar o clássico “Teu cabelo não nega”, dos irmãos Valença e Lamartine Babo. Logo depois, o partido-alto “Tentação do samba”, que “Amor” fez com seu mais constante parceiro, João Bastos Filho. Foi gravado por Patrício Teixeira na Victor em 2 de fevereiro de 1933, com lançamento em março do mesmo ano, disco 33633-A, matriz 65660. Luiz Barbosa, sambista prematuramente desaparecido, mas cujo estilo deixou inúmeros seguidores , aqui comparece com a batucada “Bumba no caneco”, parceria de Getúlio  “Amor” Marinho com Orlando Vieira. Destinada ao carnaval de 1933, foi gravada na Odeon em 24 de janeiro desse ano, com lançamento a toque de caixa sob número de disco 10974-A, matriz 4594. Patrício Teixeira retorna em seguida para interpretar “Quando me vejo num samba”, de “Amor” sem parceiro, gravação Victor de 17 de maio de 1933, somente lançada em setembro de 34 (!), disco 33818-B, matriz 65735. Castro Barbosa vem depois com “De que será?”, marchinha do carnaval de 1935, da parceria “Amor”-João Bastos Filho. Acompanhado pelos Diabos do Céu, de Pixinguinha, Barbosa gravou a música na Victor em 4 de dezembro de 34, com lançamento bem em cima da folia, em fevereiro, disco 33899-A, matriz 79795. Aurora Miranda, irmã de Cármen, comparece aqui com o samba “Molha o pano”, de “Amor” e Vasconcelos, do carnava de 1936. Gravação Odeon de 16 de dezembro de 35, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 11320-A, matriz 5213. Ainda de “Amor” e João Bastos Filho é a valsa “Teu olhar”, executada por Luiz Americano à clarineta com a maestria habitual, em gravação Odeon de 3 de outubro de 1936, lançada em abril de 37, disco 11459-B, matriz 5390. Ídolo popular inesquecível, Orlando Silva aqui apresenta o samba “Vai cumprir o teu fado”, da parceria Getúlio “Amor” Marinho-João Bastos Filho, sucesso do carnaval de 1940. Gravação Victor de 26 de setembro de 39, lançada ainda em novembro, disco 34517-B, matriz 33165. Dessa parceria é também a marchinha “Oh! Mariana”, da mesma folia momesca, interpretada pelo irmão de Sílvio Caldas, Murilo. Gravação Victor de 22 de novembro de 1939, lançada em janeiro de 40, disco 34561-B, matriz 33286. Por fim, o grande Nélson Gonçalves, interpretando, também de “Amor” e João Bastos Filho, a valsa “Nadir”, gravação Victor de 30 de maio de 1944, lançada em agosto do memso ano, disco 80-0198-A, matriz S-052968. Um belo fecho para esta seleção que o GRB dedica a Getúlio “Amor” Marinho, com toda a certeza. Até a próxima!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Manfredo Fest Trio (1965)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Para fugir um pouco do programado, eu, as vezes, gosto de ter a mão alguma alternativa que venha do inesperado. Em outras palavras, embora eu já tenha uma seleção de discos predeterminados para a semana, as vezes é bom quando surge um outro, fora do contexto, fora do esperado, que dá uma bagunçada na lógica, na minha lógica de postar. Hoje eu trago algo assim. Uma colaboração dos amigos Célio e Márcio, da loja Acervos Lps, que vem conquistando espaço em Belo Horizonte para os amantes do vinil. Lojinha bacana na Savassi, com muitas variedades e preços imbatíveis (eis o segredo dos caras).
Temos aqui o excelente Manfredo Fest em trio, também formado por Heitor Gay de Faria Maris, na bateria e Mathias Mattos, no contrabaixo. O Manfredo Fest Trio foi lançado pelo selo RGE. Disco este que não consta em discografias do músico. Uma pérola da bossa jazz brasileiro, que passou meio batido, afinal era 1965, um ano sem grandes manifestações fonográficas. Não por falta de material, mas pela própria contingência da situação política no Brasil. A tomada do Poder pelos militares em 64 gerou uma espécie de paralisação cultural no ano seguinte. 1965 foi mesmo um ano inexpressivo em termos de publicações musicais. Basta ver que ao longo de todo esse tempo de Toque Musical, poucos foram os discos do ano de 65. Aliás, eu ainda não tinha visto este disco em outras fontes. Creio que aqui ele está fazendo a sua estréia 🙂
reza
quem é homem não chora
samba de verão
“m.e.” vestida de amarelo
estamos aí
você
consolação
impulso
só você
enquanto a tristeza não vem
samba de negro
o menino das laranjeiras
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Sivuca E Seu Conjunto – Motivo Para Dançar N.2 (1957)

Olá, olás… meus prezados amigos cultos e ocultos! Espero que todos tenham aproveitado bem o carnaval. O meu foi muito bom. Passei os dias pedalando e vendo a folia do povo. Neste ano eu preferi não postar aquela overdose de discos carnavalescos. Apenas o suficiente para alegrar os foliões. Ano que vem tem mais…
Retomando os toques, tenho para hoje o grande Sivuca, em seu segundo momento em lp, “Motivo para dançar n.2”, lançado pela Copacabana, em 1957. O disco é uma continuação do sucesso do primeiro, lançado no ano anterior, álbum o qual já apresentamos aqui há tempos atrás. Neste segundo volume Sivuca nos apresenta um repertório também misto, com sucessos nacionais e internacionais. Conforme o próprio título indica, trata-se de um lp feito para se dançar. Naquela época esse tipo de disco era muito comum. A música em fonogramas tinha funções bem distintas e definidas além da própria audição. Servia não apenas para se ouvir, mas para se ouvir fazendo alguma coisa e entre essas a mais evidente era a dança. Uma particularidade desses discos era a que geralmente não traziam separação de faixas, quase em ‘pot popurri’, de maneira a não quebrar o andamento dos dançantes, permitindo-lhes uma dança mais demorada. E isso realmente faz sentido, principalmente se consideramos que a dança era a dois. Um prazer conjugado 🙂 Dançar coladinho é bom demais 😉
caravan
feitiçaria
mistura fina
canção do mar
viva meu samba
rancho fundo
nem eu
doce melodia
feitiço da vila
covarde
sonhando contigo
poiciana
frenesi
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Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

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* Texto de Samuel Machado Filho

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Vários – Carnaval 1972 (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados. Depois de oferecer a vocês o álbum que a Continental lançou com músicas para o carnaval de 1968, o TM apresenta mais um LP carnavalesco da mesma gravadora, editado com o selo Musicolor (braço dito “econômico” da empresa), agora dedicado à folia momesca de 1972. Na verdade, foram dois LPs, e este é o primeiro deles. Alguns dos intérpretes deste disco são conhecidos:  Wilma Bentivegna (cantora de hits românticos, aqui presente com “Carnavais do passado”, marcha-rancho na linha saudosista), Leila Silva (“Falando comigo”, que tem co-autoria do músico Adilson Godoy), Miguel Ângelo, ex-integrante da Dupla Ouro e Prata (aqui com “A marcha do bebum”, explorando temática comum em músicas carnavalescas) e Durval de Souza, comediante e apresentador de TV, então integrante do cast da Record, interpretando aqui “A tonga da mironga”, marchinha que, de certa forma, repercutia o grande sucesso obtido por Toquinho e Vinícius de Moraes com “A tonga da mironga do kabuletê”. Entre os compositores, a curiosidade fica por conta de Nascim Filho, notório apresentador de programas sertanejos no rádio paulistano, parceiro em “É hoje”, faixa de encerramento  deste disco, interpretada pelo Coro Musicolor. Temos ainda a presença de Nélson Silva, com “Dá de pinote” e “Vara verde”.  Completam o programa, os obscuros Arthur Miranda, Dalva Pedrezani e os grupos Imperiais do Ritmo e As Damas. Se você que viveu nesse tempo não conseguir se lembrar de nenhuma das músicas deste disco, não se preocupe. Creio que muitos remanescentes dessa época não se lembram, uma vez que a canção carnavalesca já atravessava um período de grave crise, principalmente pela falta de divulgação, a tempo e hora, das composições então novas. Muitos estudiosos afirmam, inclusive, que o último grande sucesso do carnaval brasileiro foi “Bandeira branca”, lançado por Dalva de Oliveira em 1970. Portanto, dois anos antes deste nosso álbum.  Como já registramos anteriormente, o carnaval de salão passou a ser dominado por sucessos antigos de outros tempos (tipo “Mamãe eu quero”, “Jardineira”, “Cabeleira do Zezé” etc.), e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas passaram a dar as cartas. De maneira que este álbum da Continental para a folia de 1972 acaba se tornando um verdadeiro documento, de uma época em que a canção carnavalesca ainda respirava, ou tentava respirar. E esta é mais uma oportunidade que o TM nos dá, de ouvir músicas que  possivelmente não foram bem-sucedidas na folia momesca, com toda a atenção da qual não desfrutaram quando de seu lançamento. Afinal, todo mundo merece uma segunda chance, não é mesmo?

carnavais do passado – wilma bentivegna

dá pinote – nelson silva

marcha do bebum – miguel angelo

a onda da cafonagem – as damas

doido varrido – arthur miranda

a marcha do corujão – dalva pedrezani

amor – as damas

a tonga da mironga – durval de souza

esquecendo o mal – imperiais do ritmo

falando comigo – leila silva

vara verde – nelson silva

é hoje – côro musicolor

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  • Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 68 (1968)

Está chegando mais um carnaval. É hora de esquecer as tristezas e as frustrações da vida e brincar, sambar, fazer tudo a que se tem direito. Mas sem cometer excessos, principalmente na bebida.  Entrando nesse clima, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum lançado pela Continental, com músicas para o carnaval de 1968. Com o advento dos LPs no Brasil, na década de 1950, as gravadoras passaram a lançar, anualmente, álbuns com os contratados de seu cast interpretando músicas feitas para a folia de Momo. Era um tempo em que os artistas se engajavam de corpo e alma na gravação e divulgação de tais músicas, pois, como se dizia, eram também “da fuzarca”.  Nunca é demais lembrar que o primeiro LP editado no Brasil, de 1951, foi o dez polegadas “Carnaval em long playing” (selo Capitol/Sinter).  À medida em que o LP foi se popularizando, e as vendas dos antigos discos de 78 rpm despencando, todas as gravadoras passaram a seguir o exemplo da Sinter, botando praticamente todos os seus contratados para gravar músicas destinadas à grande festa do povo.  E foi justamente o caso da Continental, com o álbum oferecido hoje a vocês pelo TM, com músicas destinadas à folia momesca de 1968. Nessa época, a música de carnaval já estava em acentuado declínio, agravado pela precária e escassa divulgação, e muito poucos tomavam conhecimento das novidades para a folia momesca. Nos salões, repetiam-se hits do passado, e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas, sobretudo do Rio de Janeiro, tomaram o poder. Foi nesse ano, por sinal, que aconteceu o primeiro desfile oficial de escolas de samba de São Paulo, na Avenida São João, com a Nenê de Vila Matilde sagrando-se campeã. Mas os compositores e intérpretes não se apertavam, mostravam que ainda permaneciam vivos na folia. Das dezesseis faixas deste álbum da Continental, pelo menos uma foi êxito espetacular no carnaval de 68: a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Paulo Sette e Umberto Silva, aqui em ritmo mais acelerado, de marchinha, na interpretação do sempre excelente Noite Ilustrada (foi também gravada por Marcos Moran, na Caravelle). Praticamente dominou aquela folia, sendo até hoje relembrada. Os oito intérpretes escalados para este disco, em sua maioria, eram cadeira cativa nos carnavais: Jorge Veiga (”Não tira a máscara”, “Amar não é pecado”), Francisco Egydio (“Vou deixar cair”, “Quem bate”), Risadinha (“Barqueiro de folga”, “Nem Pierrô nem Colombina”), Mário Augusto (“Garota do plá”, que aproveita um termo de gíria então usado para designar bate-papo ou conversa, “”A maior invenção”), a vedete Angelita Martinez, aqui interpretando “A bela Otero” e “Um instante maestro, pare”, esta última uma clara referência a Flávio Cavalcanti, polêmico apresentador de TV que chegava até a quebrar os discos musicais que considerava ruins, diante das câmeras. Francisco Petrônio, “o rei do baile da saudade”, mesmo não tendo lá muita tradição no setor carnavalesco, aqui comparece com “Palhaço” e “Drama de Pierrô”. Entre os compositores, há também nomes de destaque assinando algumas faixas: a dupla Dênis Brean-Oswaldo Guilherme, Newton Teixeira (autor de clássicos como “Malmequer” e “Deusa da minha rua”), o próprio Risadinha (como Francisco Neto), Elzo Augusto, Arnô Provenzano. São detalhes, que por si só, credenciam este álbum da Continental, apesar da crise que, já em 1968, atingia a canção carnavalesca. É a oportunidade de se redescobrir, inclusive, músicas que possivelmente não obtiveram sucesso, e que agora, graças a esta oportunidade proporcionada pelo TM, poderão ser ouvidas com a atenção da qual não desfrutaram quando lançadas. Divirtam-se!

palhaço – francisco petrônio
até quarta feira – noite ilustrada
não tire a máscara – jorge veiga
um instante maestro, pare – angelita martinez
vou deixar cair – francisco egydio
barqueiro de folga – risadinha
amor e falsidade – wilson roberto
garota do plá – mario augusto
vai trabalhar – noite ilustrada
drama de pierrot – francisco petrônio
amar não é pecado – jorge veiga
a bela otero – angelita martinez
quem bate – francisco egydio
nem pierrot, nem colombina – risadinha
vem quente – wilson roberto
a maior invenção – mário augusto

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* Texto de Samule Machado Filho

Trio Espacial – Trio Elétrico Dodô & Osmar (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Enfim, vamos dando uma pausa nas guitarras e focando no momento que é de carnaval. Estrategicamente escolhi para hoje um disco para marcar a transição do rock para o som da folia, a música inspirada no Trio Elétrico de Dodô e Osmar. A guitarra continua, mas dessa vez ela é baiana. Vamos no embalo de dois trios. De um lado o Trio Espacial e do outro o Trio Elétrico Dodô & Osmar. Não confundir como o original, o Trio Elétrico de’ Dodô & Osmar. Este é um trabalho dos irmãos Aroldo e Armandinho Macedo, filhos de Osmar. Os dois, integrantes do grupo A Cor do Som (que foi oque faltou aqui em nossa mostra de influencias rock’n’roll). Uma produção de Aroldo Macedo, com participação especial de Armandinho e Moraes Moreira.
Neste lp, lançado em 1988 pelo selo SBK vamos encontrar um trio elétrico ‘remodelado’. Uma releitura musical que eleva o trio elétrico a um estilo próprio, caracterizado principalmente pela tal guitarrinha baiana, a qual não há melhores representantes e interpretes que os irmãos Macedo. A música do trio elétrico, aqui, ultrapassa a um simples gênero carnavalesco. Vai além dos dias de Carnaval.

trio espacial
paz de espírito
um beijo na vitória
é carnaval o ano inteiro
deus do fogo e da justiça
baticum do olodum
aquidabã
fases
manda dizer
amar é
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Pholhas (1977)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Quando penso que vou dar uma pausa nos discos do gênero rock, acabo me lembrado de alguma coisa que faltou, ou que eu  gostaria de postar.
Hoje vamos como o Pholhas, grupo que fez muito sucesso nos anos 70. Lançaram vários discos, lps e compactos, sempre com músicas cantadas em inglês, Fizeram muito cover de bandas gringas, mas se destacaram mesmo foi na produção autoral, tendo seus discos sempre muito bem vendidos. Emplacaram hits que são lembrados até hoje. Foram dezenas de discos gravados, sempre buscando acompanhar o gosto padrão imposto pelas rádios. Um pop/rock que muitos consideravam meloso, mas que agradava em cheio o gosto popular (como esse nosso povo gosta de música estrangeira, hehe…) Ao longo do tempo a banda sofreu algumas alterações, tanto entre seus músicos como também no gênero. Gravaram até discoteca. Mas isso só serve para provar a versatilidade dos caras. Com a saída do tecladista Hélio Santisteban, entrou em seu lugar Marinho Testoni, do Casa das Máquinas, que deu a banda um outro rumo. Lançaram este disco, um álbum verdadeiramente rock, com muitas pitadas do progressivo e com letras totalmente em português. Ao contrário do que se esperava, o disco não vendeu muito, espantou a turma do mela cuecas e acabou ficando meio esquecido. Só quem gosta de rock se antenou para o disco que acabou se tornando a ‘obra cult’ dos Pholhas. O disco é, sem dúvida um empolgante trabalho do rock tupiniquim. Músicas boas, letras em português, enfim, o único da espécie na discografia da banda. Ao que consta, o Pholhas continua em atividade, com sua formação original, trazendo de volta um bom momento para os saudosistas.

panorama
imigrantes
somente rock’n’roll
solidão
águas passadas
metrô-trem
anoiteceu
dr silvana
pra ser mais eu
luzes, câmaras, ação
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Fellini – O Adeus De Fellini (1985)

Trazendo mais um disco do gênero rock brazuca, tenho hoje para os meus amigos cultos e ocultos o grupo paulista Fellini, banda paulista formada nos anos 80 por Catão Volpato, Thomas Pappon, Jair Marcos e Ricardo Salvagni.
“O Adeus de Fellini” foi o disco de estréia dessa banda, classificada como pós-punk. O álbum saiu pelo selo independente da Baratos Afins. Segundo Catão Volpato, o título do disco foi uma homenagem a banda  inglesa, The Durutti Column, que havia lançado em 1980 o lp ‘The Return of The Durutti Column’. O som do Fellini se inspira nesse tipo de rock, o europeu, ou mais exatamente em bandas inglesas, que traziam um novo fôlego para o cenário pop-rock-alternativo da época. Neste primeiro trabalho eles misturam batuques com guitarras, letras em inglês, alemão e português. Cabe até trecho de poemas do beatnik Lawrence Ferlighetti.
Das bandas brasileiras que iniciaram nos anos 80, o Fellini, com certeza, tem seu lugar de destaque garantido. Seus discos continuam sendo vendidos, sejam em mp3, cd ou vinil (hoje raridade de colecionador) Confiram este adeus de estréia no GTM.

funziona senza vapore
rock europeu
história do fogo
cultura
outro endereço outra vida
bolero
bolero 2
shiva shiva
nada
zäune
nada (bônus)
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Vários – Rock Conexão Bahia (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência aos discos de rock (ou coisa assim), tenho para hoje mais uma coletânea interessante. Desta vez vamos para os roqueiros da Bahia. Aqui estão sete bandas baianas do cenário pop/rock de Salvador nos anos 80. O disco foi produzido e gravado por Filipe Cavalieri, que na época teve a preocupação de registrar a efervescência do rock em sua cidade. Um trabalho pioneiro, visto que até então nada havia sido produzido nesse sentido para a turma da guitarra (que não é a baiana). Filipe gravou em estúdio, no bairro da Liberdade, de forma independente uma leva bandas e músicos. Selecionou um leque de sete bandas e lançou o disco “Rock – Conexão Bahia”, que teve distribuição pela Continental, através de seu selo Gel.
É um disco bacana, mas assim como o BHCore II, que eu apresentei nessa leva, vale mais pelo contexto histórico do rock local. Confiram essa, meus reis
explodindo – moisés, ramses e os hebreus
cenas de uma tela – cravo negro
vida em carne viva – treblinka
vinho e flores – elite marginal
gravitação – quíron
lamento sem eco – utopia
a porta está aberta – 14. andar
piscina da maldade – 14. andar
podes crer – elite marginal
nosso tempo – utopia
ninfomaria – moisés, ramsés e os hebreus
brasil com f – cravo negro
marginal indefeso – quíron
queda de sodoma – treblinka
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Júpiter Maçã – A Sétima Efervescência (1997)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com uma homenagem ao cantor e compositor gaúcho, Júpiter Maçã, falecido há poucas semanas atrás, infelizmente. Era um músico jovem ainda e certamente teria muito mais para nos mostrar. Mas, enfim, fatalidades acontecem… Uma pena, ou como diriam os próprios gaúchos, uma judiaria…
Júpiter Maçã fez parte de duas bandas do Sul, o TNT e Os Cascavelletes, que chegaram a gravar discos. ‘Sétima Efervercência’ foi seu primeiro disco solo, lançado em 1997, somente em formato cd. Um trabalho que, para mim, foi seu melhor momento. Inclusive, é neste cd que está uma de suas músicas de maior sucesso, “Um lugar do caralho”, que muita gente achava que fosse música do Raul Seixas, o que na verdade só serviu de inspiração.
um lugar do caralho
as tortas e as cucas
querida superhist x mr. frog
pictures and paintings
eu e minha ex
walter victor
as outras que me querem
sociedades humanóides fantatsticas
o novo namorado
miss lexotan e 6 mg garota
the preaning alice (hippie under groove)
essência interior
canção par dormir
a sétima efervescência galática
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Vários – BH Core II (1991)

Olá, amigos cultos e ocultos! Dando sequencia a nossa semana rock, vou agora partindo logo para o estupro. Vamos hoje de hardcore, música punk. Temos aqui o BH Core II, uma continuação de um projeto da Cogumelo, uma lendária loja de discos de Belo Horizonte que também virou produtora musical lançando nos anos 80 e 90 uma série de discos de bandas mineiras, entre essas a mais famosa, a banda de trash metal Sepultura, que depois se lapidou e virou uma super banda de heavy metal. A Cogumelo investiu nessa época em várias bandas de rock, dando oportunidade para que a turma da garagem viesse a mostrar seu som.
O lp que temos aqui é uma continuação da coletânea de bandas hardcore da cidade. Nele estão quatro bandas punks: Militofobia, Dejetos da Humanidade, Komando Kaos e Morte Social. Certamente esta postagem é bem específica, apenas quem passou por essa fase é capaz de gostar do som. Temos mais de 30 músicas em apenas duas faces de disco. Todas relativamente curtas, como convém ao hardcore, por isso fiquei até com preguiça de listá-las, apenas copiei e colei. Ficou assim ‘meia boca’, mas acho que tem tudo a ver com o assunto. Noise, noise e noise

Militofobia
Parabens Pra Voce
Mundo Violento
KOMANDO KAOS
Chega
Vaticano
Bebados de Rua
Deem Chance a Paz
Vitimas I
DEJETOS DA HUMANIDADE?
Pobre Ser Humano
Miseravies
Collor
Televisao
E o Futuro?
Sistema
Vote
Dinheiro Vivo, Morta Humanidade
Shiplish, Spleshe
EUA, URSS!!
3ª Guerra
Soldado
Natal
Vegetais
Vai Se Fu…
Marcha Soldado
Nuclear
Paz Armada
Asco
Bocas Que Calam
Grind Noise
MORTE SOCIAL
Sexo Ate Morrer
Alternativa Linguistica
O Que Fazer
Crise Existencial
Para Que? por Que?

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Astro Venga – Explodiram A Perimetral (2014)

Boa noite, meus prezados roqueiros cultos e ocultos! É, hoje ainda é dia de rock! Na verdade, nem começamos. temos ainda mais alguns trabalhos que eu pretendo apresentar ao longo dos próximos dias. Como sempre, uma boa salada mista, que afinal é a verdadeira cara do nosso Toque Musical.
Ano passado eu estive algumas vezes no Rio e por essas idas, tive a felicidade de trombar na praia e no centro da cidade com dois trios que me surpreenderam desde a primeira vez que os ouvi: Beach Combers e o Astro Venga. O Beach Combers eu já conhecia de outras rodadas. Tive o prazer de apresentá-los aqui ha algum tempo atrás. Agora  é a vez do Astro Venga. Um autêntico power trio, mandando ver, apenas com guitarra, baixo e bateria. Os caras detonam em apresentações feitas no meio da rua, em praça pública e beira de praia. Aliás, pelo que soube, a banda foi criada com esse propósito, levar o som pras ruas. E um som da melhor qualidade, diga-se de passagem, considerando as circunstâncias e um aspecto assim meio mambembão. O Astro Venga surpreende, chama a atenção dos que passam, não apenas pelo inusitado, mas também pela provocante batida de um rock’n’roll instrumental, cheio de garra e atitude por parte dos músicos. Eles fazem uma verdadeira ‘jam session’ misturando MIlton Nascimento, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Roberto Carlos… e vai por aí a fora. Conforme disse um dos integrantes da banda, eles já transcenderam a questão de autoria e cover, bem como de estilos. Mas a pegada é sempre o velho e bom rock’n’roll. A guitarra sempre grita mais alto. Formado por Antonio Paoli, no baixo, Dony Escobar, na guitarra e Zozio, na bateria. o Astro Venga lançou no ano passado este cd, que nada mais é que um registro ao vivo. Gravado em uma apresentação na Praça XV, debaixo do extinto viaduto da Perimetral, bem precário, diga-se de passagem, mas impecável enquanto registro de um grupo que acima de tudo curte o que faz. Isso é muito legal, é autêntico e é disso que o rock precisa. Por conta de fazerem de sua música uma colagem de diversas outras músicas, as vezes improvisada, o disquinho acaba não trazendo uma lista do que é tocado. Mesmo assim, para facilitar o entendimento e identificação, estou dando nome as jam’. Ah, de quebra, inclui o áudio de um vídeo que fiz (está no Youtube) do trio numa apresentação no Largo da Carioca. Para a minha surpresa, fiquei sabendo ainda a pouco que houve mudanças na escalação do trio. Saíram o guitarrista e o baterista. Em seus lugares entraram Tutuka, na bateria e Christian Dias, na guitarra. A proposta continua sendo a mesma e certamente a nova formação deve mandar tão bem quando foi a primeira. Confiram aqui...

back in bahia-gil
não há dinheiro que pague-roberto carlos
não vou ficar-roberto carlos
se você pensa-roberto carlos
jam
jam crosstown traffic-hendrix
fé cega faca amolada-milton
ao vivo na carioca
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Yo-Ho-Delic (1995)

Olá amigos cultos e ocultos! Como havia comentado, vamos nesta semana com uma leva de rock. Uma série variada e distinta como cabe ao nosso blog. Discos que estavam aguardando um momento especial, o meu, quando de Dr. Jekyll me transformo em Sr. Hyde. E o senhor Hyd(rix) aqui adora um som de guitarra elétrica 😉 Tô nessa fase…
Hoje eu trago para vocês um grupo de rock dos anos 90, o Yo-Ho-Delic. Uma banda paulista com influências do hard rock e do autêntico funk americano setentão. Segue bem a linha de bandas como Living Colour e Red Hot Chili Peppers, mas com uma identidade própria. Os caras são super competentes e mandam muito bem. Todas as músicas são cantadas em inglês. O Yo-Ho-Delic foi, certamente, uma das melhores bandas que surgiram naquela década. Infelizmente, gravaram apenas este lp, que saiu também em versão cd. É outro disco que num futuro não muito distante vai ter muito nêgo atrás. Ainda hoje no Mercado Livre é possível encontrá-lo a preços bem razoáveis. Confiram aí quem ainda não conhece

shut up
tijuana drems
kraziod
peace
brasil banana samba
edge of insanity
innocent animal sex
frontiers of thailand
phunk
sister needle
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Celso Zambel – Espírito Da Noite (1979)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Nesta semana, se tudo der certo, pretendo por em dia alguns discos e toques prometidos e ainda não postados. A semana vai ser meio rock’n’roll, ou algo assim… E para começar, estou trazendo um disco aqui que certamente passou despercebido pelos blogs, fóruns e comunidades musicais do facebook. Um tremendo e obscuro lp lançado por um também obscuro artista chamado Celso Zambel. Um disco com uma super pegada, que curiosamente poucos conhecem. Nessa, eu também me incluo, pois até bem pouco tempo eu nunca tinha visto ou ouvido falar deste disco. Foi uma grata surpresa, que caiu nas minhas mãos por acaso, encontrei numa banca de promoções de um sebo, por apenas 15 reais! Sem sombra, mais uma jóia da árvore do rock tupiniquim que ficou na obscuridade.
Lançado em 1979 pelo selo Som Livre,”Espírito da Noite” é um lp do cantor e compositor Celso Zambel, um artista, o qual, pouco temos informações. Eu quase nada encontrei sobre ele além do fato de ter sido lá por volta de 1976, o intérprete  de “Those Shadows”, música que fez muito sucesso na época, pois tocava em horário nobre da TV Globo. Era aquele tempo em que muitos artistas brasileiros gravavam músicas em inglês, usando pseudônimos de estrangeiros. Nessa ocasião, Celso Zambel era Paul Jones. Seu compacto com essa música vendeu horrores.
Em “Espírito da Noite” há também outra obscura curiosidade, o parceiro de Zambel é o violonista André Geraissati, músico hoje consagrado no mundo do jazz e música instrumental brasileira. Nessa fase e neste disco André divide com Zambel a maior parte das músicas. Apenas os dois músicos tocam no disco, mas fazem a gente pensar que tem um banda. André arrasa nas cordas elétricas e acústicas, revelando um lado rock’n’roll que muitos não devem conhecer. Celso Zambel, por outro lado, me faz lembrar o Ritchie, no Vímana, cantando (em português) como um autêntico estilo ‘popsinger’. Eis aí um disco que muita gente ainda precisa conhecer. E vou logo avisando, é um lp raro, difícil de encontrar e muito bem contado no mercado japonês. Colecionadores de vinil, fiquem espertos! Corram logo no Mercado Livre e busque os seus enquanto ainda é realmente obscuro e barato. Não dou um ano para que este disco tenha chegado à cotação de 200 pratas. Vai vendo

espírito da noite
notícia pra você
dr. rock and soul
divino espírito santo
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abmas
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