Vamos seguindo, trazendo agora um disco de samba, pagode do partido alto. Trata-se de uma produção da Tapecar, no início dos anos 70. Disco para preencher o setor promocional da gravadora que nesta época investia em lançamentos onde o que vem primeiro é a música, o artista é secundário. O samba sempre teve desse tipo de coisa, a gravadora recrutava sambistas para montarem coletâneas, mas sem dar o crédito a esses artistas. Eram produções voltadas exclusivamente para o comercial. Este disco abre uma séire que a gravadora manteve por alguns anos, lançando um novo volume a cada ano. E é justamente nesse tipo de produção que a gente encontra sambas e sambistas de raiz, momentos inéditos onde se encontram no anomimato nomes como Marçal, Dario Marciano, Nenem da Cuíca, Wilson das Neves e outos. A Tapecar estendeu esse projeto também para mapear novos talentos dos subúrbios e morros cariocas. Durou até 1978, perfazendo quatro volumes de verdadeiros sambas cariocas. Taí um disco autêntico de samba que com o passar do tempo ganha um novo sabor.
parece que bebe
madrugada a fora
minha preta foi embra
senhora
você tá inchado
mulher de bigode comigo não
se o rei não quer
zé trocado
sou gente homem
quero ver você negar
pancada de amor não dói
se você me aceitar