Adriana (1970)

Cantora e compositora, ela é considerada uma das mais belas vozes femininas  do Brasil. Trata-se de Adriana Rosa dos Santos, ou simplesmente Adriana, que o TM põe em foco em sua postagem de hoje. Foi no dia 3 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro, que nossa Adriana veio ao mundo, filha de Maria Helena, uma vedete do teatro de revista que atuou na companhia de Carlos Machado, então “o rei da noite”. Mesmo contra a vontade da mãe, que desaprovava sua intenção de seguir carreira artística, Adrianazinha começou na plenitude de seus 12/13 anos de idade, cantando em apresentações de matinês. Inscreveu-se ainda em programas de calouros, e, devidamente aprovada, tornou-se cantora de rádio. O sucesso que ela conseguiu apresentando-se nesses eventos, chamou a atenção de produtores musicais, e nossa Adriana passou a ser chamada para cantar em programas de TV. Extremamente tímida, ela pensou em obedecer a mãe e desistir de cantar, porém, convencida pelos produtores  a não desperdiçar sua potência vocal, decidiu seguir em frente na carreira. Em 1967, com a Jovem Guarda ainda no auge, Adriana grava seu primeiro disco, um compacto simples, no selo Equipe, e consegue, por tabela, seu primeiro grande sucesso, com “Anjo azul”, feita especialmente para ela por Nonato Buzar, que ficaria mais conhecida como “Vesti azul” (“Minha sorte então mudou”…), título com o qual seria regravada, com êxito redobrado, pelo então “rei da pilantragem”, Wilson Simonal. Gravou ainda mais dois compactos simples na Equipe, e as seis músicas de seus singles nessa marca foramreunidas num LP que compartilhou com Luiz Keller. Como era ainda adolescente, só podia se apresentar à tarde nos programas de auditório da época, como os de Chacrinha e Flávio Cavalcanti. O carisma de Adriana com o público lhe garantiu a alcunha de “rainha hippie”. Com a carreira consolidada, foi capa da revista “O Cruzeiro”, em 1973, e, cinco anos mais tarde (1978), venceu o festival de música de Mar del Plata, na Argentina, com a música “O cara”, dela mesma em parceria com Gibran. Outros hits de Adriana foram: “Lá lálá”, “Viu?”, “O que me importa?” (depois regravada por Tim Maia e Marisa Monte), “O problema é seu”, “Deixe estar como está”, “Mamãe, cê viu?”, “Quando você partir”, “Pra sempre vou te amar”, “Joguei tudo com você”, “Combinado assim” e, por certo o maior de todos, “I loveyou, baby”, de Gilson e Joran, lançado em 1986 e mais conhecido pela frase final da letra, “Te amar é tão bom, tão bom, tão bom”.  Até hoje, Adriana admite ser muito tímida, tem vergonha de dar entrevistas e aparecer na TV, e que sempre fica nervosa ao pisar em um palco. Sua discografia abrange cerca de 30 títulos, entre LPs e compactos, sem contar as coletâneas e participações em álbuns mistos. Ainda participou de filmes, novelas de TV e fotonovelas (daquelas que saíam antigamente nas revistas femininas). Casada há mais de vinte anos com o músico e biólogo marinho Márcio Monteiro, que conheceu nos palcos, Adriana tem duas filhas gêmeas, Natanna e Tuanny, que, ainda crianças, integraram a segunda formação da Turma do Balão Mágico e depois formaram-se em Direito, hoje fazendo coro para a mãezona em seus shows. Seu mais recente trabalho é o CD “Eu mereço”, com quatro músicas, lançado em 2016. Hoje, o TM oferece a seus amigos ocultos e ocultos este que foi o primeiro LP-solo de Adriana, lançado em maio de 1970 pela Odeon, gravadorapara a qual foi contratada por influência justamente de Wilson Simonal, um de seus maiores incentivadores, ao lado do “velho guerreiro”, Chacrinha. Sob a batuta de Mílton Miranda e com direção musical de Lírio Panicalli, Adriana dá um show de interpretação, e a primeira faixa, o samba-rock “Justo nesta noite”, de Luiz Wagner e Tom Gomes (também presentes aqui com “Agora que estou sozinha” e “Não digo nada”)foi apenas um dos êxitos desse disco. Temos ainda uma regravação do clássico “Hoje”, de Taiguara, uma composição de Hyldon, “Com muita saudade”, bem antes de ele estourar com “Na rua, na chuva, na fazenda”, e trabalhos de dois integrantes dos Golden Boys, os irmãos Ronaldo (“Não vou chorar nunca mais”) e Renato Corrêa (“Só se for nós dois”, parceria com Edinho). Carlos Imperial e Hélio Matheus aqui comparecem com “O que é que eu faço desta saudade?”.  São doze faixas no total, mostrando todo o talento e carisma de Adriana, sem dúvida uma excelente cantora, e ainda hoje em franca atividade, realizando shows por todo o país e recebendo os merecidos aplausos do público.

justo nesta noite
anjo
agora que eu estou sozinha
não diga nada
só se for nós dois
com muita saudade
aquele encantamento
hoje
o que que eu faço dessa saudade
descalça no parque
não vou chorar nunca mais
não vai mais acontecer

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Gonzaga – Adão E Eva (Compacto) (1960)

E prossegue o festival de compactos raros do TM. Hoje apresentamos, para deleite de nossos amigos cultos e ocultos, um compacto duplo de 45 rpm (a mesma rotação dos que então saíam nos EUA e em outros países), lançado em 1960 pela RCA Victor, com um dos pioneiros do rock em terras brasileiras: José Gonzaga Ferreira, aliás Carlos Gonzaga. Foi na cidade mineira de Paraisópolis que Carlos Gonzaga veio ao mundo, no dia 10 de fevereiro de 1924. Iniciou sua carreira em meados dos anos 1940, demonstrando, desde então, extrema versatilidade, na interpretação dos mais variados gêneros musicais, como samba, guarânia, bolero, samba-canção, fox, tango e, evidentemente, o rock, no qual se consagrou interpretando versões de hits internacionais do gênero. Seu primeiro disco foi lançado pela RCA Victor em setembro de 1955, um 78 rpm apresentando a guarânia paraguaia “Anahi”, em versão de José Fortuna, e o tango “Perdão de Nossa Senhora”, de Palmeira e Teddy Vieira. Talvez os maiores êxitos de Carlos Gonzaga tenham sido as versões de “Diana”, de Paul Anka, assinada por Fred Jorge (“Não te esqueças, meu amor/ que quem mais te amou fui eu”…), e “BatMasterson”, de Bart Corwin e HavensWray, assinada por Édison Borges (“No velho Oeste ele nasceu”…), esta última o tema principal de um seriado de TV norte-americano do gênero western, no qual o personagem-título, interpretado pelo ator Gene Barry, portava uma perigosa bengala-espingarda, e que alcançou enorme sucesso no início dos anos 1960, inclusive no Brasil. Outros êxitos de Carlos Gonzaga foram: “Rapaz solitário (Lonely boy)”, “Você é meu destino (You are mydestiny)”, “Diabinho (Heylittledevil)”, “Oh! Carol”, “O diário (The diary)”, “Twist outra vez (Let’s twist again)”, “Regresso” (samba-canção de Adelino Moreira), “Ponderosa” (feito para aproveitar o sucesso de outro seriado de TV do gênero western, “Bonanza”), “Juramento de playboy” e outros mais. Fez shows por todo o Brasil e também nos principais países da América Latina, obtendo reconhecimento internacional. Desde 1986, reside na cidade de Santo André, no ABC paulista, e inclusive recebeu, em 2006, o título de Cidadão Andreense. “Adão e Eva” é o nome do compacto duplo de Carlos Gonzaga que o TM nos oferece hoje. A faixa-título e de abertura, claro, é versão de um sucesso de Paul Anka (“Adam andEve”), assinada por Fred Jorge, igualmente lançada em 78 rpm e no LP “És tudo para mim”, do qual também foram pinçadas as duas faixas seguintes do disquinho, “A vida, só com amor”, da misteriosa Marilena, e “Foi o luar (Far, faraway)”, outra versão de Fred Jorge, esta para um hit do cantor-compositor country Don Gibson. Já a faixa de encerramento, “Calipso de amor”, foi lançada originalmente no LP “The bestseller”, e é de autoria do compositor e radialista Serafim Costa Almeida. Enfim, mais uma raridade que o TM entrega a vocês, deste autêntico pioneiro do rock brazuca que é Carlos Gonzaga!

adão e eva
a vida só com amor
foi o luar
calypso do amor

*Texto de Samuel Machado Filho

Clara Nunes – Compacto (1968)

Nascida em 12 de agosto de 1942, em Cedro, distrito de Paraopeba (hoje Caetanópolis), na região central do estado de Minas Gerais, Clara Francisca Gonçalves, aliás Clara Nunes, prestou notável contribuição para nossa música popular, e é considerada, com justiça, uma das maiores e melhores intérpretes do Brasil. Era filha de um violeiro, Mané Serrador, que exercia importante papel em sua comunidade, sobretudo na Folia de Reis. Talento precoce, a futura Guerreira, aos 10 anos de idade, venceu seu primeiro concurso de canto, em sua cidade natal, e aos 14, começou a trabalhar como tecelã, ofício que continuou a exercer ao mudar-se para Belo Horizonte, em 1958. Cantando nas quermesses do bairro Renascença, onde morava, Clara chamou a atenção do violonista Jadir Ambrósio, que lhe abriu espaços principalmente em programas de rádio. Em 1960, venceu a fase mineira do concurso A Voz de Ouro ABC, e obteve o terceiro lugar na versão nacional. Mais tarde, é contratada pela Rádio Inconfidência e, em 1961, recebe o Troféu Ary Barroso de melhor cantora do rádio mineiro. Atuou também em clubes e boates da capital mineira, chegando a trabalhar junto com nada mais nada menos que Mílton Nascimento, então contrabaixista. Nessa época, fez sua primeira apresentação na televisão, em um programa que a lendária Hebe Camargo apresentava em BH. E, em 1963, ganhou programa exclusivo, “Clara Nunes apresenta”, na extinta TV Itacolomi, onde se apresentavam “medalhões” da MPB de então, como Altemar Dutra e Ângela Maria. Em 1965, muda-se para o Rio de Janeiro, logo atuando no rádio na televisão, casas noturnas e escolas de samba. Nesse ano, é contratada pela Odeon, sua única gravadora em toda a carreira, e, umano depois, lança o primeiro LP, “A voz adorável de Clara Nunes”, com repertório essencialmente romântico (boleros e sambas-canções), mas sem repercussão. Seu primeiro sucesso comercial viria em 1968, com “Você passa, eu acho graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. A partir daí, aderiu de vez ao samba (interpretando também MPB e forró), sendo inclusive uma das cantoras que mais gravou músicas de compositores da Portela, sua escola de coração. Foi também a primeira cantora brasileira a vender mais de cem mil cópias, quebrando o tabu de que vozes femininas não vendiam discos. Conhecedora das músicas, danças e tradições afro-brasileiras, converteu-se à umbanda e levou a cultura africana para suas canções e vestimentas. Seu currículo também inclui apresentações no exterior, onde representou dignamente a cultura do Brasil, ela que também foi pesquisadora de nosso folclore e nossos ritmos. Em 1973, participou do show “Poeta, moça e violão”, junto com a dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, então em evidência, no Teatro Castro Alves de Salvador, Bahia . Também fez, ao lado do ator Paulo Gracindo, em 1974, no extinto Canecão do Rio, o show “Brasileiro, profissão:  esperança”, no qual cantava músicas de Dolores Duran, entremeadas por crônicas de Antônio Maria, interpretadas por Gracindo, e que gerou um álbum de mesmo nome. Entre seus maiores sucessos, destacam-se: “Ê baiana”, “Conto de areia”, “Tristeza pé no chão”, “Menino Deus”, “O mar serenou”, “Deusa dos orixás”, “Banho de manjericão”, “Meu sapato já furou”, “Morena de Angola”, “Peixe com coco”, “Basta um dia”, “Na linha do mar”, “Portela na avenida”, “Nação”, “Tributo aos orixás”, “Guerreira”, “Feira de mangaio”, “As forças da natureza”, “Coração leviano” e “Ijexá”.  Uma gloriosa carreira que se encerrou prematuramente no dia 2 de abril de 1983, quando Clara Nunes faleceu, aos 40 anos, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro. Ela havia se submetido a uma cirurgia de varizes, aparentemente simples, mas acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico (o chamado “choque anafilático”), e sofreu uma parada cardíaca, permanecendo 28 dias em coma. Em sua homenagem, a Rua Arruda Câmara, onde fica a quadra da Portela, passou a chamar-se Rua Clara Nunes. A discografia da eterna Guerreira, que vendeu, em toda a sua trajetória artística, pelo menos4,4 milhões de cópias, segundo dados disponíveis, engloba 16 álbuns de estúdio e mais de 90 compactos, sem contar as coletâneas, tudo isso pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music). Dela, o TM foi buscar, para deleite de seus amigos cultos e ocultos, este raríssimo compacto duplo de 1968. Nele, vamos encontrar uma Clara Nunes ainda em início de carreira, interpretando versões de hits internacionais da época, todas assinadas por Geraldo Figueiredo. Destaque para “O amor é azul (L’amour est bleu)”, originalmente sucesso da cantora grega VickyLeandros, e merecedora até mesmo de uma famosa versão orquestrada do maestro francês Paul Mauriat, lembrada até hoje. Completam este precioso disquinho, “Mamãe (Mama)”, “Sozinha” (adaptada da “Suíte número 3”, de Johann Sebastian Bach) e “Adeus à noite (Adieu a lanuit)”. Nenhuma dessas faixas apareceu nos LPs da inesquecível Clara Nunes, o que redobra o valor histórico desta postagem do TM, precioso documento do início de carreira de uma das mais expressivas cantoras que o Brasil já teve. É só conferir.

mamãe
sozinha
o amor é azul
adeus a noite

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Hamilton – Canta Para Os Namorados (196?)

Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, fazendo jus a nossa tradição, temos aqui uma raridade de alto nível, coisa que vocês só encontram em primeira mão no Toque Musical. Trago hoje para vocês esse raríssimo compacto, produção independente, talvez uma das primeiras lançadas por aqui. Aliás, este disquinho, é pioneiro não apenas como produção independente. É também uma das primeiras manifestações isoladas da Bossa Nova, o primeiro compacto triplo (com três faixas em cada lado) e o primeiro compacto de rotação 33.
Temos aqui o primeiro registro da ‘Turma da Savassi’, a turma dos compositores mineiros Pacífico Mascarenhas e Roberto Guimarães, nomes dos mais importantes da música mineira e porque não dizer, da Bossa mineira. Olhando assim, pela capa, para muitos esse disquinho pode ter passado batido, até porque quem se destaca é o intérprete, o cantor da turma, Carlos Hamilton. Quem vê o disquinho sem lhe dar muita atenção há de entender este, apenas como mais um velho compacto independente (e que ninguém conhece e se interessa). Mas, nesse sentido, o valor está na obra, nas composições, em especial de Pacífico Mascarenhas, onde temos uma autêntica bossa nova, a faixa de abertura, “Pouca duração”. Acredito que poucos conhecem bem essa música, a qual também aparece em outros discos do compositor. Este samba, que é pura bossa surgi neste compacto, que foi lançado no início dos anos 60. Infelizmente, eu não consegui localizar a data, a qual seria muito importante para termos uma dimensão da coisa. Ao que contam, Pacífico conseguiu convencer o produtor fonográfico Harry Zuckerman a transformar o compacto de 45 rpm em 33. Assim a Companhia Industrial de Discos (CID) criou o primeiro compacto, uma produção independente para este 7 polegadas e dava-se aí início aos disquinhos, agora rodando em 33 rpm. Não deixem de conferir essa raridade. Logo mais alguém coloca no Youtube (e eu aqui nem sou lembrado).

pouca duração
quantos anos
olhos feiticeiros
blusa vermelha
para haver amor
sem dizer mais nada
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Conjunto Bossa Nova – Bossa É Bossa (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Muitos são os discos que ainda queremos postar aqui no Toque Musical e hoje temos aqui um desses, um compactozinho que é pura raridade, cobiçado por muitos colecionadores, em especial aos amantes da Bossa Nova. Acredito eu que este seja o primeiro compacto de Bossa Nova lançado no mundo. Temos assim, o Conjunto Bossa Nova, num compacto duplo, com quatro músicas. Por certo, trata-se de um disquinho já bem manjado por todos os seguidores de blog. A primeira vez que apareceu foi no saudoso Loronix e aqui agora completo, com capa, contracapa e selos, para a turma mais exigente 🙂
O Conjunto Bossa Nova era formado por Roberto Menescal, Bill Horn, Luiz Carlos Vinhas. Bebeto Castilho, Helcio Milito e Luiz Paulo Nogueira. Lançado em 1959 pelo selo Odeon, este compacto traz um registro ao vivo do grupo, onde foram selecionadas quatro composições:

meditação
não faz assim
minha saudade
céu e mar

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Guttemberg Guarabyra – So Tem Amor… (1973)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Vejo que por conta das nossas postagens espaçadas, muitos acham que o barco aqui está a deriva. Me refiro especialmente ao nosso grupo, o GTM, onde por lá todos os inscritos podem usufruir dos links de postagens. Percebi que alguns do grupo andaram mudando a configuração para o recebimento automático dos links. Como é sabido e avisado, a participação neste grupo é de forma passiva, ou seja, ninguém pode postar nada, apenas ter acesso aos links de forma segura. Mas, infelizmente alguns não se dão por satisfeitos e acabam invadindo a área do administrador, alterando assim as configurações de participação. Eu já avisei aqui e volto a repetir, qualquer alteração nas configurações do grupo a pessoa pode ser banida e isso é feito automaticamente e sem o meu controle. Neste caso, para que a pessoa volte a fazer parte do grupo vai precisar de um novo e-mail, pois o que foi banido não volta mais. Peço que fiquem atentos e evitem essas alterações para que assim possamos manter o blog sempre funcionando direitinho, ok?
Hoje eu estou trazendo para vocês um compacto, um disquinho o qual já foi postado aqui anteriormente, mas sem a sua capa original. Agora, recentemente, consegui um exemplar completo e assim, volto novamente a postagem como manda o nosso figurino. Temos aqui o compacto promocional da Pepsi Cola cujo o jingle faz sucesso até hoje. Quem não se lembra dessa música? Ficou tão conhecida que acabou merecendo um disquinho, um compacto que tem também uma primeira versão para a música ‘Pássaro’. Embora o disquinho seja do Guttemberg Guarabyra, as duas faixas são da dupla Sá & Guarabyra. Disquinho raro e muito bom, vamos conferir?

só tem amor quem tem amor pra dar
pássaro

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O Grupo (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM apresenta a vocês hoje o LP de um conjunto vocal-instrumental que infelizmente durou pouco tempo, aliás foi  o único álbum que registraram. O nome é o mais sintético possível: O Grupo. Formado por quatro rapazes pra lá de talentosos, Roberval, Raimundo, Jaime e Maurício, O Grupo ficou conhecido do público ao acompanhar Roberto Carlos no samba “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Esta música, inclusive, foi o lado A do compacto simples de estreia do Grupo, lançado ainda em 67 pela Odeon, tendo no verso “Canto de perdão”, de Roberval, um dos integrantes, em parceria com Hedys Barroso Neto. “Maria, carnaval e cinzas” também está neste único LP do Grupo, como faixa de encerramento. E é um trabalho de primeira, concebido sob a batuta de Mílton Miranda, com direção musical de outro “cobra”, Lírio Panicalli, e assistência de produção de Orlando Silva (que, certamente, não era o “cantor das multidões”). Os competentísssimosrapazes do Grupo, literalmente, “botam pra quebrar” em um repertório basicamente composto de sucessos nacionais da ocasião. Nas orquestrações e regências, além do próprio Lírio Panicalli em “Passa por mim” e “Morrer de amor”, temos ainda Antônio Adolfo em “Sá Marina” (por sinal um de seus maiores hits autorais), “Januária”, “Eu e a brisa” (eterno clássico de Johnny Alf) e “Diane”, Carlos Monteiro de Souza no clássico “Travessia”, inesquecível obra-prima de Mílton Nascimento, Ugo Marotta em “O bonde”, e Nelsinho em “Maria, carnaval e cinzas”.  Tudo isso com a irrepreensível qualidade técnica então característica das produções da Odeon, e recomendado por um entusiasmado Paulo Sérgio Valle no texto de contracapa. Um resultado de fato magnífico, que merece mais esta postagem do TM e irá agradar muito. Após esse disco, eles ainda gravariam algumas faixas esparsas em álbuns mistos e desapareceriam de cena. De qualquer forma, este LP do Grupo vale como um documento musical precioso daquele que é conhecido como “o ano que não terminou”, 1968, para desfrute de todos aqueles que apreciam nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo. Aproveitem…

alegria de carnaval
januária
passa por mim
pelas ruas do recife
rosa branca
o bonde
sá marina
eu e a brisa
morrer de amor
travessia
diane
maria carnaval e cinzas

*Texto de Samuel Machado Filho

Som Três – 3 (1971)

Os amigos cultos, ocultos e associados do TM já foram brindados com o primeiro álbum do grupo Som Três, formado por César Camargo Mariano (piano), Sabá (contrabaixo) e Toninho Pinheiro (bateria), lançado em 1966 pela Som Maior. Pois hoje estamos trazendo de volta o Som Três, e desta vez apresentando uma coletânea que a Odeon lançou em 1971, reunindo doze faixas extraídas dos quatro LPs que o conjunto gravou na “marca do templo”. Se não, vejamos: do primeiro LP do grupo para a “marca do templo” (e segundo de carreira), “Som Três show”, lançado em 1968, entrou apenas uma faixa, “Watch what happens”. Do álbum de 1969, sem título, foram pinçadas as faixas “For once in my life”, “Que pena (Ela já não gosta mais de mim)”,sucesso de Jorge (então) Ben, “Blood mary” (esta, do próprio tecladista, César Camargo Mariano) e “California soul”. No mesmo ano, o grupo lançou “Um é pouco, dois é bom, este Som Três é demais”, do qual foram escaladas as faixas “Spooky”, “Tanga”, “Não identificado”, “Take it easy my brother Charles” (outro hit de Jorge da Capadócia)e “Teletema” (da novela “Véu de noiva”, da TV Globo). Por fim, do quinto e último LP do grupo, “Tobogã”, de  1970, entraram “Irmãos Coragem” (da novela global de mesmo nome, arrebentando em audiência na época) e “O telefone tocou novamente”, outro grande sucesso de Jorge Ben, depois Ben Jor. Tudo dentro do impecável padrão técnico de gravação que a Odeon possuía na época, e com execuções de primeira, sob medida para ouvir e dançar. Portanto, uma coletânea imperdível que o TM oferece, reunindo alguns dos melhores momentos do Som Três na “marca do templo”, em mais uma significativa amostra do que há de mais expressivo na música instrumental  brazuca. Agora é correr pro GTM e conferir…

for once in my life
o telefone tocou novamente
spooky
tanga
não identificado
take it easy my brother charles
watch what happens
que pena
blood-mary
teletema
irmãos coragem
california soul

*Texto de Samuel Machado Filho

Atahualpa Yupanqui – Tierra Querida (1968)

Conforme o prometido, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do cantor-compositor Atahualpa Yupanqui (1908-1992), considerado  um dos mais importantes divulgadores de música folclórica de nossa vizinha Argentina, dando prosseguimento ao nosso ciclo temático dedicado aos latino-americanos. Desta vez, apresentamos “Tierra querida”, lançado pela Odeon portenha em 1968 (e presumidamente jamais editado por aqui), com 14 faixas e a indicação na contracapa: “reconstrucción técnica”. Certamente é uma coletânea de antigas gravações de Yupanqui para a Odeon, onde iniciou sua carreira fonográfica em 1936, ao tempo das 78 rotações por minuto (ele também gravou na RCA Victor, BAM,  Chant du Monde e  Antar-Telefunken). Das 14 faixas que compõem este disco, dez são cantadas e as demais em solo de guitarra (isto é, violão).  A canción, a zamba, a chacarera, a milonga pampeana, enfim, os mais variados gêneros da música regional argentina batem ponto em mais este trabalho do grande Ataualpa Yupanqui, compilação expressiva e mais uma joia rara que o TM oferece com a satisfação e o orgulho de sempre. Aproveitem..

tierra querida
huella triste
ampo abierto
el vendedor de yoyos
zambita de los pobres
cancion del carretero
las cruces
la añera
ahi andamos senior
el rescoldeao
hui jo jo jo
leña verde
viene clareando
chacarera de las piedras

*Texto de Samuel Machado Filho

Marcos Valle (1970) REPOST

Um dos cobras da MPB, Marcos Valle já teve inúmeros álbuns postados aqui no TM, inclusive este, que agora volta como ‘repost, o quinto por ele gravado no Brasil, e lançado pela Odeon’, em 1970. Marcos Kostenbader Valle, seu nome na pia batismal, veio ao mundo em 14 de setembro de 1943, na cidade do Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de piano clássico aos seis anos de idade e formou-se em piano e teoria musical em 1956. Considerado um dos integrantes da segunda fase da bossa nova, Marcos iniciou sua carreira artística em 1961, participando de um trio do qual também faziam parte Edu Lobo e Dori Caymmi.  É quando também começa a compor, formando parceria com o irmão, Paulo Sérgio Valle. A primeira composição da dupla, “Sonho de Maria”, chegou ao público em 1963, interpretada pelo Tamba Trio. Um ano mais tarde, Marcos Valle grava seu primeiro LP-solo, “Samba demais”, alternando composições próprias com trabalhos de outros autores.  Entre os muitos sucessos compostos pelos irmãos Valle, destacamos: “Samba de verão”, “Preciso aprender a ser só”, “Terra de ninguém” (que Marcos apresentou com Elis Regina no show “Bossa no Paramount”, em 1965), “Viola enluarada”, “Black is beautiful”, “Com mais de trinta”, “Mustang cor de sangue”, “Um novo tempo” (aquela que todo fim-de-ano toca na programação da TV Globo, “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou”…), “Pelas ruas do Recife”, “Remédio pro coração”, etc. Seu respeitável currículo também inclui jingles publicitários, temas para novelas globais como “Pigmalião 70”, “Assim na terra como no céu”, “Carinhoso” e “Os ossos do barão”, e a trilha sonora do infantil “Vila Sésamo”, também da Globo, que tantas saudades deixou em quem foi criança nos anos 70. Compôs ainda a trilha completa do documentário “O fabuloso Fittipaldi” (1973), sobre a trajetória do célebre piloto de Fórmula-1 Emerson Fittipaldi. No setor publicitário, foi sócio da Aquarius Produções Artísticas, junto com o irmão Paulo Sérgio e o jornalista Nélson Motta. Em 1965, Marcos Valle esteve pela primeira vez nos EUA, onde atuou por sete meses no conjunto Brasil 65, de Sérgio Mendes. Retornou algumas vezes a esse país, e, farto da censura do regime militar, e enfrentando problemas psicológicos que afetavam sua voz, ali residiu entre 1975 e 1980, trabalhando com gente do porte de Andy Williams, Sarah Vaughan, Airto Moreira e o grupo de pop-rock Chicago. Fortemente influenciado pela “disco music”, então na moda, Marcos foi se aproximando  de músicos negros e do universo do rhythm and blues e do boogie-funk. Por volta de 1978, iniciou parceria com Leon Ware, colaborador frequente de Marvin Gaye. E, em 1980, Marcos volta definitivamente ao Brasil, já então em época de abertura política. Surgem, então, novos sucessos, como  “Bicho no cio”, “Velhos surfistas querendo voar”, “A Paraíba não é Chicago”, “Estrelar” e “Bicicleta”. Enfim, uma longa e vitoriosa trajetória com mais de 25 álbuns gravados, tanto no Brasil quanto nos EUA, além do DVD “Bossa entre amigos”, junto com Wanda Sá e Roberto Menescal, lançado em 2011. O álbum de Marcos Valle que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, de 1970, é um de seus melhores trabalhos. Curiosamente, na capa do disco, ele aparece deitado em uma cama, com o quarto arrumado, e, na contracapa, o mesmo quarto (na verdade o da irmã, Ângela Valle, na casa de seus pais) está vazio e desarrumado, com roupas femininas espalhadas pelo chão.  O álbum tem as credenciais de Mílton Miranda na direção de produção, com assistência de Mariozinho Rocha, direção musical do maestro Lírio Panicalli e arranjos e regências a cargo de dois outros “cobras”, Leonardo Bruno e Orlando Silveira. Evidentemente, é um trabalho autoral, com todas as faixas compostas pelo próprio Marcos Valle, sozinho ou com parceiros como Novelli e o irmão Paulo Sérgio. Destaque para dois temas que compôs para novelas da Globo, “Quarentão simpático” (de “Assim na terra como no céu”) e “Pigmalião 70” (do folhetim de mesmo nome) e para as faixas “Dez leis (Is that law)”, “Esperando o Messias”, esta com a participação dos sempre afinadíssimos Golden Boys, e a provocadora “Ele e ela”, na qual Marcos e a irmã Ângela insinuam uma relação sexual! “Os grilos” aparece duas vezes, na versão que foi gravada para este álbum, e na original, editada em compacto simples em 1967, como faixa-bônus. É mais um trabalho de Marcos Valle que o TM tem muito orgulho em oferecer a vocês que tanto apreciam nossa música popular, no que ela tem de melhor!
quarentão simpático
ele e ela
dez leis
pigmaleão
que eu canse e descanse
esperando o messias
freio aerodinâmico
os grilos
suite imaginária
os grilos (versão single 67)

*Texto de Samuel Machado Filho

Bossa 3 – Os Reis Do Ritmo (1966)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum de música instrumental brasileira da melhor qualidade, com o conjunto Bossa 3, que os estudiosos consideram o primeiro grupo instrumental da bossa nova. O Bossa 3 foi criado no início dos anos 1960 pelo pianista e compositor Luiz Carlos Vinhas (Rio de Janeiro, 19/5/1940-idem, 22/8/2001), e, em sua primeira formação, estavam ainda o contrabaixista Tião Neto e o baterista Edison Machado. As primeiras apresentações do trio aconteceram nas boates do Beco das Garrafas, em Copacabana, acompanhando os bailarinos Lennie Dale, Joe Benett e Martha Botelho. Com eles, viajaram aos EUA para se apresentar no “Ed Sullivan Show”, então um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. Após gravarem três álbuns e realizarem uma série de apresentações em clubes de jazz novaiorquinos, Luiz Carlos Vinhas foi o único que resolveu  voltar para o Brasil. Aqui chegando, reorganizou o Bossa 3, agora com Octávio Bailly Júnior no contrabaixo e Ronie Mesquita na bateria. A nova formação gravou mais cinco álbuns, sendo um deles com Pery Ribeiro e outros dois com o mesmo intérprete, mais Leny Andrade, sob o nome de Gemini V. Após realizar uma turnê no México, da qual resultou um LP ao vivo, o Bossa 3 se dissolveu, e só voltaria à cena em 2000, para tocar com a cantora Wanda Sá, e desta vez com o baterista João Cortez e o contrabaixista Tião Neto. Foi a última formação do grupo, desfeito definitivamente com a morte de Luiz Carlos Vinhas, em 2001, aos 61 anos, de parada cárdio-respiratória. “Os reis do ritmo”, que o TM nos oferece hoje,  foi lançado pela Odeon em 1966, com o Bossa 3 já reformulado, isto é, com o baterista Ronnie Mesquita e o contrabaixista Octávio Bailly Júnior, acompanhando Luiz Carlos Vinhas, pianista e fundador do grupo. Sob a batuta de Mílton Miranda na direção de produção, e do maestro Lírio Panicalli na direção musical, e com excelentes arranjos do próprio Vinhas, o Bossa 3 está em plena forma, num repertório que mistura sambas clássicos (“Não me diga adeus”,  “Exaltação à Mangueira”), standards da bossa nova (“Onde anda o meu amor?”, “Até o sol raiar”, “Coisa mais linda”,  “Samba de verão”, “Balanço Zona Sul”, “Silk stop”) e trabalhos autorais do próprio Vinhas (“É”, “Le Bateau”, “Recado ao pé do berço”), que na última faixa, “Cartaz”, da parceria Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli (este também escreveu o texto de contracapa do disco) chega até mesmo a cantar! Tudo isso em um trabalho primoroso, com o invejável padrão técnico que a Odeon então imprimia às suas produções discográficas. É só ouvir e confirmar!  E mais:brevemente estaremos apresentando mais um álbum de Luiz Carlos Vinhas. Aguardem…

onde anda o meu amor
até o sol raiar
não me diga adeus
coisa mais linda
e
samba de verão
le bateau
silk stop
exaltação a magueira
balanço zona sul
recado ao pé do berço
cartaz

*Texto de Samuel Machado Filho

Lô Borges (1972)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Após mais de mil publicações a gente começa a esquecer o que já, ou não, foi postado por aqui. Para a minha surpresa, verifico que este segundo e emblemático disco do Lô Borges ainda não havia passado por aqui. E olha que não foi por falta de oportunidade. Mas, por alguma razão, acabou passando batido. Hoje, meio que na base dos discos ‘de gaveta’, enquanto espero as resenhas do Samuca, vou tomando a frente e finalmente postando o ‘álbum do tênis’. Este lp, originalmente foi lançado em capa sanduíche e trazia esta contracapa com a foto do adolescente Lô Borges sentado num caixote lendo jornal. Depois, na segunda edição, em capa comum, tiraram o cara do caixote e o colocaram numa cadeira, em foto preto e branco e dessa vez trazendo também as letras. 1972 foi para o artista um ano prolixo, que estreava naquele ano com dois discos, este do tênis e o Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento. Dois álbuns básicos, clássicos da música popular brasileira. Para não dizer que não falei de flores… segue aqui e no GTM, finalmente 😉

você fica melhor assim
canção postal
o caçador
homem da rua
não foi nada
pensa você
fio da navalha
prá onde vai você
calibre
faça seu jogo
não se apague esta noite
aos barões
como o machado
eu estou com você
toda essa água
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João Nogueira (1972)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Para começarmos bem o ano, escolhi um disco que também representa um começo. O começo da carreira do grande compositor e sambista João Nogueira. Este foi o seu primeiro lp, lançado pela Odeon, em 1972. A capa do disco é originalíssima, replicando a manchete do jornal O Globo, onde o escritor e jornalista Carlos Jurandir nos apresenta o artista e seu disco de estréia. Certamente, a manchete saiu antes do lançamento do disco. A capa, por si só, já dá o recado e eu como sou muito preguiçoso, aproveito a onda pra ir de jacarezinho. Ou seja, recomendo, maiores informações, consulte a capa 😉
Sei que há tempos tenho andado um tanto desleixado com minhas postagens, inclusive o trabalho de apresentação. Depois que troquei o computador e perdi meus programas piratas de edição de imagens, nem as capas eu tenho tratado. Mas como um autêntico virginiano, eu odeio essas ‘meia-bocas’, para mim, a coisa tem que estar certinha. Acho que só não tomei providências ainda, porque ninguém tem reclamado. Aliás, quase ninguém mais dá sinal de vida neste blog. Sei que eu sou um chato de dar medo, mas fiquem tranquilos, eu ainda não mordo. (kkk…)

morrendo verso em verso
maria sambamba
beto navalha
mãe solteira
alô madureira
heróis da liberdade
mariana da gente
prum samba
meu caminho
das 200 pra lá
blá blá blá
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Elza Soares – O Samba É Elza Soares (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Enfim, lá se foi 2016. Pqp, que ano feio! Fomos golpeados de todas as maneiras. Uma sequência de maus momentos que ainda insiste em se manter em 2017. Mas como diria o grande Belchior: ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro! Por aqui, no Toque Musical quem salvou o ano foi o amigo Samuca. Sem ele como colaborador, eu confesso, já teria desanimado. Aproveito para deixar aqui os meus agradecimentos, toda a atenção e empenho dedicado ao blog. Valeu, Samuel Machado Filho! Continuo contando com você em 2017. Por certo, também não posso deixar de agradecer a alguns poucos amigos cultos e ocultos que ainda visitam com frequência o nosso sítio. Obrigado pela colaboração e participação de todos. Desejo a vocês também um ótimo ano e que este seja mais musical e envolvente, pelo menos aqui no TM.
A postagem de hoje, “Elza Soares – O Samba é Elza Soares” já estava agendada desde o inicio do ano, mas por força das circunstâncias acabou ficando para o último dia. Deste álbum e desta cantora eu não preciso dizer muita coisa, todos já os conhecem bem. Temos aqui um clássico lp da Odeon, em capa sanduíche tradicional da gravadora. Elza Soares, sempre no auge do sucesso, nos apresenta uma seleção de ótimos sambas, com arranjos e orquestração do maestro Astor Silva que dá aos metais o nobre destaque. Neste álbum Elza também conta com a participação de, outro grande, o sambista e compositor Monsueto, presente em pelo menos três faixas. Um disco inegavelmente importante, que agora também faz parte de nosso acervo digital. Confiram…

eu e o rio
vedete certinha
teleco teco
bom mesmo é estar bem
fez bobagem
amor de mentira
na base do bilhetinho
cantiga do morro
acho que sim
ziriguidum
vou sonhar pra você ver
reconciliação

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II Festival Universitário da Guanabara (1969)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo dedicado aos festivais, o TM nos oferece hoje um compacto duplo com quatro músicas que concorreram no II Festival Universitário do Rio de Janeiro (então estado da Guanabara), promovido pela TV Tupi em 1969. Ao contrário dos certames similares promovidos pelas TVs Excelsior, Record e Globo, este destinava-se exclusivamente a compositores universitários, e foi realizado pela Tupi no Rio de Janeiro e em São Paulo durante quatro anos, de 1968 e 1972. Curiosamente, não consta deste compacto da Odeon a música vencedora da edição carioca de 1969 (quando o regime militar e, por tabela, a censura,  já estavam bastante endurecidos, com a decretação do draconiano Ato Institucional número 5), “O trem”, de e com Gonzaguinha, então assinando-se Luiz Gonzaga Júnior. Em compensação, vamos encontrar aqui grandes nomes da MPB em princípio de carreira, aos quais coube a apresentação das músicas dos então jovens compositores universitários.  Abrindo o precioso disquinho, temos “Nada sei de eterno” de Sílvio da Silva Jr. e Aldir Blanc, na voz de Taiguara, incluída depois no primeiro LP do cantor-compositor, uruguaio radicado no Brasil. “Dois minutos de um novo dia”, de Ruy Maurity e José Jorge, é interpretada pelo grupo Antônio Adolfo & A Brazuca, então em evidência.  Clara Nunes, acompanhada pelo Quarteto 004, apresenta a quinta colocada, “De esquina em esquina”, de César Costa Filho e Aldir Blanc, incluída depois no terceiro LP de Clara, “A beleza que canta”. Finalizando, os sempre afinadíssimos Golden Boys, interpretando “A menina e a fonte”, de Arthur  Verocai, Paulinho Tapajós e Arnoldo Medeiros.  Enfim, é um pequeno-grande documento sonoro que enriquecerá os acervos de tantos quantos apreciem o que a MPB produziu de melhor e mais expressivo na década de 1960. É só conferir…

nada sei de eterno – taiguara
2 minutos de um novo dia – antonio adolfo & a brazuka
de esquina em esquina – clara nunes
a menina e a fonte – golden boys

*Texto de Samuel Machado Filho

Golden Boys – Alguém na Multidão (1966)

No último sábado, 26 de novembro de 2016, a música popular brasileira sofreu mais uma perda irreparável. Roberto Corrêa, integrante dos Golden Boys, conjunto vocal de grande sucesso na Jovem Guarda, e de longa e vitoriosa trajetória, faleceu aos 76 anos, vítima de um câncer contra o qual lutava há tempos, em seu Rio de Janeiro natal. Formado por três irmãos (Roberto, Ronaldo e Renato Corrêa) e um primo (Waldir da Anunciação, falecido em 2004), o grupo iniciou carreira com seus membros ainda adolescentes (os irmãos mais jovens, Eva, Mário e Regina, formariam depois o Trio Esperança). O primeiro disco dos nossos “garotos de ouro”, em 78 rpm, foi lançado pela Copacabana em setembro de 1958, com as músicas “Wake up, little Susie” (então sucesso da dupla norte-americana Everly Brothers, de autoria do casal Boudleaux e Felice Bryant) e “Meu romance com Laura”, calipso de Jayro Aguiar que logo alcançou sucesso. Apresentaram-se em programas de rádio e televisão sempre com destaque, e gravaram inúmeros discos, entre LPs e compactos. Além disso, no final dos anos 1960 e início dos 70, participaram de vários álbuns de artistas da MPB e do rock brazuca, que futuramente se tornariam cults e objetos de desejo de inúmeros colecionadores, como “Carlos, Erasmo”, de Erasmo Carlos, “A matança do porco”, do Som Imaginário, e também em trabalhos de Marcos Valle. Muitos foram os hits dos Golden Boys, entre eles: “Erva venenosa”,  “Ai de mim”, “Toque balanço, moço”, “Pensando nela”, “Andança” (junto com Beth Carvalho), “História em quadrinhos”, “Agora é tarde”, “Fumacê”, “O cabeção”, “Perambulando”, “Minha empregada”,  “Sou tricampeão”, “Só vou criar galinha”… Além dos presentes no álbum que comentaremos a seguir. Como compositores, Ronaldo, Roberto e Renato fizeram várias músicas de sucesso. Basta citar, por exemplo, “É papo firme”, de Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves, êxito em 1966 na voz do “rei” Roberto Carlos. Ou ainda “Foi assim’ (“Eu vi você passar por mim”…), de autoria de Renato e Ronaldo, marcante sucesso de Wanderléa em 1967. Ela também gravou, do agora falecido Roberto, “Eu já nem sei” e “Te amo”, outros de seus hits. Em homenagem póstuma a Roberto Corrêa, o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, um dos melhores álbuns dos Golden Boys, e sem dúvida um título essencial quando se fala em Jovem Guarda. É o antológico “Alguém na multidão”, que a Odeon lançou em plena fervura do movimento, em junho de 1966. Devidamente acompanhados pelos Fevers, e com arranjos do maestro Peruzzi, nossos “garotos de ouro” dão verdadeiros shows de interpretação em suas doze faixas. Muitas delas foram sucessos inesquecíveis, a começar pela faixa-título, de autoria de Rossini Pinto, lançada pela primeira vez em compacto simples, em novembro de 1965, e que se tornaria um dos carros-chefes dos Golden Boys para sempre. As versões “Ontem (Yesterday)”, “Michelle” e “Mágoa (Heartaches)”, são outros pontos altos deste disco, todo excelente e para ser ouvido (e até dançado!) de fio a pavio. Oferecendo esta autêntica obra-prima da Jovem Guarda, um clássico em todos os sentidos, o TM homenageia com justiça o agora saudoso Roberto Corrêa e, por tabela, os Golden Boys, reconhecendo a importância que o grupo teve na história de nossa música jovem e, por extensão, da própria MPB.

se eu fosse você
ontem (yesterday)
te adoro (i need you)
tudo eu já fiz
alguém na multidão
o feiticeiro (love potion number nine)
o bobo
michelle
você me pega (woodoo woman)
só nós dois
mágoa (heartaches)
vai procurar alguém

*Texto de Samuel Machado Filho

Som Brasileiro (1975)

É com a satisfação de sempre que o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais uma coletânea apresentando MPB da melhor qualidade. Trata-se de “Som brasileiro”, editada em 1975 pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music), reunindo alguns dos então contratados da “marca do templo” em dez faixas marcantes e bastante expressivas. Uma seleção de primeira, conforme vocês poderão constatar. O álbum já começa arrebentando, com o grande Mílton Nascimento e seu eterno clássico “Travessia”, que o projetou nacionalmente em 1967 e aqui, em registro feito, ao que parece, especialmente para esta compilação. O grande Bituca ainda comparece com outra de suas inesquecíveis criações, “San Vicente”, lançada em 1972 no histórico álbum duplo “Clube da Esquina”. Outro “cobra” de nossa música, Marcos Valle, aqui nos traz “Remédio pro coração”, de sua longa e profícua parceria com o irmão Paulo Sérgio, extraída de seu álbum de 1974. O clássico “Primavera”, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, composto  para a peça “Pobre menina rica”, é aqui oferecido na voz de Alaíde Costa, em gravação que saiu primeiro num compacto duplo também  de 1974 e, no ano seguinte, foi incluída em um dos muitos LPs dessa excelente cantora. João de Aquino vem com “Sapos e grilos”, parceria dele próprio com Paulo Frederico, faixa extraída do álbum “Violão viageiro”. Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro, juntamente com outra notável cantora, Márcia, aqui nos apresentam “Mordaça”, em registro feito ao vivo durante o espetáculo “O importante é que a nossa emoção sobreviva” (título, por sinal, oriundo de um verso desta música), e lançado primeiramente no álbum de mesmo nome. Gonzaguinha, o inesquecível  e eterno aprendiz, então ainda se assinando Luiz Gonzaga Júnior, aqui comparece com “Meu coração é um pandeiro”, faixa de seu segundo álbum-solo, de 1974 (no mesmo ano, a música teve outro registro, feito ao vivo, pela cantora Marlene).  Obra-prima de João Donato, em parceria com Lysias Ênio e Mercedes Chies, “Até quem sabe?” é apresentada neste disco na voz da não menos inesquecível Maysa, em faixa de seu derradeiro álbum de estúdio. Autor de clássicos como “Eu e a bridsa” e “Céu e mar”, Johnny Alf expressa bem sua porção- intérprete com “Um gosto de fim”, de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de  Souza, faixa extraída do álbum “Nós”. Finalizando, temos o grande Egberto Gismonti, músico completo e extremamente versátil, com “Vila Rica 1720”, por ele gravada pela primeira vez em 1972, para o álbum “Água & vinho” e, aqui, em seu segundo registro, extraído de um de seus mais expressivos LPs, ‘Academia de danças”. Repertório primoroso, intérpretes do melhor quilate… Que mais se pode querer?

travessia – milton nascimento
remédio pro coração – marcos valle
primavera – alaide costa
sapos e grilos – joão de auino
mordaça – paulo cesar pinheiro, eduardo gudin & marcia
san vicente – milton nascimento
meu coração é um pandeiro – luiz gonzaga jr
até quem sabe – maysa
um gosto de fim – johnny alf
vila rica 1720 – egberto gismonti

*Texto de Samuel Machado Filho

Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

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Celly Campello – Brotinho Encantador (1961)

O Toque Musical traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados um disco da primeira grande estrela feminina do rock brasileiro: Célia Benelli Campello, ou como ficou para a posteridade, Celly Campello (São Paulo, 18/6/1942-Campinas, SP, 4/3/2003). Paulistana criada em Taubaté, cidade da região paulista do Vale do Paraíba, ela fez sua primeira aparição pública aos 5 anos de idade, em um espetáculo mirim de balé, dançando “Tico-tico no fubá”. Aos seis anos, cantou pela primeira vez, ao microfone da Rádio Cacique. Paralelamente, estudava  balé, piano e violão, e tornou-se uma das estrelinhas do “Clube do Guri”, apresentado aos domingos na Rádio Difusora de Taubaté. Aos 12 anos, ganhou seu próprio programa, na Cacique. Aos 16 anos incompletos, em 1958, ela estreou em gravações, na Odeon, interpretando “Handsome boy”, tendo, no outro lado do 78 (também lançado em compacto simples de 45 rpm, aliás o primeiro single brasileiro da gravadora), “Forgive me”, com o irmão, Tony. O estouro definitivo, porém, veio em março de 1959, quando saiu o clássico “Estúpido Cupido (Stupid Cupid)”, versão de Fred Jorge para um hit de Neil Sedaka, que logo tornou-se coqueluche nacional. Daí vieram outros sucessos até hoje lembrados, tais como “Lacinhos cor de rosa”, “Muito jovem”, “Banho de lua”, “Túnel do amor”, “Eu não tenho namorado”, “Frankie”, “Jingle bell rock”, “Trem do amor”, etc. Em 1962, para tristeza de seu público, Celly resolve abandonar precocemente a carreira para se casar, ainda no apogeu e com vinte anos de idade. Ainda gravaria outros discos em ocasiões esporádicas, mas sem repetir o êxito inicial. Só conseguiu voltar à evidência em 1976, quando a novela “Estúpido Cupido”, escrita por Mário Prata para a TV Globo, e ambientada em 1961, reviveu antigos sucessos dela e de outros contemporâneos, como Carlos Gonzaga, Ronnie Cord, Wilson Miranda, Sérgio Murilo, Demétrius e o irmão Tony. A própria Celly declarou à imprensa, certa vez, que chegou a ganhar mais dinheiro nos seis meses de exibição da novela do que no auge da carreira! “Brotinho encantador”, o álbum hoje oferecido a vocês pelo TM, foi o quinto LP-solo de Celly Campello e o último que ela fez antes de abandonar precocemente a carreira para se casar, lançado pela Odeon em outubro de 1961. É um trabalho que segue a linha dos anteriores, recheado de versões de sucessos do rock internacional, com direito até a algumas faixas em inglês (“Runaway”, “Little devil”, “Angel , angel”). A primeira faixa, “Presidente dos brotos”, é uma versão bem humorada do especialista Fred Jorge, curiosamente lançada quando o Brasil vivia em regime parlamentarista de governo, decretado após grave crise política causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,e a tentativa de impedir a posse do vice, João Goulart, que acabou assumindo a chefia da nação com poderes limitados. Fred assina quatro outras versões constantes aqui: “Índio sabido” (que, curiosamente, era bastante apreciada pelo cantor Cyro Monteiro!), “Ordens demais”, “Tchau, baby, tchau” e “O jolly joker”.  A misteriosa Marilena assina a lírica “A lenda da conchinha”. Letras brazucas de Juvenal Fernandes (“Juntinhos/Together”), Romeu Nunes (“Flamengo rock”)  e do misterioso Tassilo Marischka (“Hey, boys, how do you do?”) completam o presente LP, muito bem escorado por arranjos e regências de Waldemiro Lemke e Mário Gennari Filho, e pelo invejável padrão técnico de gravação da Odeon nessa época. “Brotinho encantador”, portanto, traz uma Celly Campello ainda em plena forma, tendo por isso, inestimável valor histórico. É ouvir e recordar…

presidente dos brotinhos

índio sabido

juntinhos

ordens demais

tchau tchau tchau

runaway

flamengo rock

o jolly joker

angel angel

hey boys how do you do

a lenda da conchinha

little devil

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*Texto de Samuel Machado Filho

Dorival Caymmi – Acalanto (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM vem oferecer a vocês hoje um dos melhores trabalhos discográficos deste grande poeta seresteiro da Bahia que foi Dorival Caymmi (Salvador, BA, 30/4/1914-Rio de Janeiro, 16/8/2008). Este foi o sexto LP-solo de Caymmi, originalmente lançado pela Odeon (depois EMI e hoje Universal Music), então com Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua, em sua direção artística, em 1960, com o título de “Eu não tenho onde morar”, e voltou às lojas em 1972, como “Acalanto – Dorival interpreta Caymmi” (o curioso é que, no selo dessa reedição, o título que aparece é o original), e áudio reprocessado de mono para estéreo. O álbum teve também reedições em CD, uma delas como parte do boxe “Caymmi, amor e mar”. Detalhes à parte, o fato é que o disco apresenta o mestre Caymmi em sua melhor forma, quando já havia sido adotado pela bossa nova, então em plena efervescência, mesmo sem pertencer à sua tribo específica, influenciando autores como Sérgio Ricardo (“Barravento”) e tendo suas composições regravadas por alguns de seus principais intérpretes, inclusive por seu então colega de gravadora (e também conterrâneo), João Gilberto. Muito bem apoiado pelas orquestrações do maestro Lindolfo Gaya, e com o impecável  padrão técnico de gravação da “marca do templo”, Caymmi aqui está, de acordo com o breve texto de contracapa, “mais solto, mais livre e mais espontâneo do que nunca”. Evidentemente, todas as faixas levam a assinatura do mestre soteropolitano, e são verdadeiros clássicos, até hoje presentes na memória e no imaginário popular. A faixa-título, “Eu não tenho onde morar”, e “São Salvador”, para começar, figuraram entre os maiores hits de 1960. Ainda no programa, regravações de músicas lançadas em disco ou pelo próprio Caymmi ou por outros intérpretes, que sempre vale a pena a gente ouvir e reouvir:  “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Vestido de bolero”, “O dengo que a nêga tem” (feita para Cármen Miranda apresentar em sua última temporada brasileira, em 1940, no Cassino da Urca), “Dora” (“rainha do frevo  e do maracatu”), “O que é que a baiana tem?”(primeiro hit maiúsculo do mestre baiano, lançado por ele mesmo em dueto com Cármen Miranda, em 1939), “A vizinha do lado”, “Adeus”, “Marina”… E a faixa “Acalanto”, música regravada até mesmo por Roberto Carlos, é revestida de importância por ser a estreia em disco da filha do compositor, Nana Caymmi, na plenitude de seus 19 anos, em comovente dueto com o pai. Tão comovente que, terminada a gravação, pai, filha e a mãe, dona Estela, saíram do estúdio chorando de emoção. Enfim, um trabalho imperdível, para se ouvir do começo ao fim. Confiram!

eu não tenho onde morar
rosa morena
acontece que eu sou baiano
acalanto
vestido de bolero
o dengo que a nega tem
dora
o que que a baiana tem
a vizinha do lado
adeus
são salvador
marina

* Texto de Samuel Machado Filho

Evinha – Cartão Postal (1971)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Para alegrar o nosso dia tenho aqui este disco da Evinha, que sempre que ouço, associo a uma bela manhã de domingo. E hoje, por aqui está sendo um domingo ensolarado. Um presente para os namorados, afinal hoje é o dia deles!
Temos aqui a cantora Evinha em seu terceiro lp. Como todos devem saber, Evinha iniciou a carreira ainda criança, cantando ao lado dos irmãos Mário e Regina, com que formava o Trio Esperança. Em 68 ela partiu para uma vitoriosa carreira solo, sempre fazendo muito sucesso. Neste lp “Cartão Postal” temos vários destaques. Músicas como “Que bandeira”, de Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e Mariozinho Rocha; “Feira Moderna”, de Beto Guedes e Fernando Brant; “Cartão Postal”, de Renato Correia e Guarabyra e vai por aí… Um disquinho realmente bom, para se ouvir hoje ou em qualquer outro dia 😉

que bandeira
feira moderna
cartão postal
olha o futuro
de tanto amor
esperar pra ver
tema de adão
só quero
rico sem dinheiro
encontro
por mera coincidência
onze e quize
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Demônios Da Garôa – Saudosa Maloca (1957)

Olá, amigos cultos e ocultos! Rapidinho… Hoje eu tenho para vocês os Demônios da Garoa, grupo vocal paulista que, acredito, dispensa maiores apresentações. Temos aqui um lp de 1957. Na verdade o primeiro lp gravado por eles, interpretando, como nenhum outro, a música de Adoniran Barbosa. São oito sambas clássicos e gravações que até já vimos (e ouvimos) por aqui. Mas nada como apresentar o trabalho original, não é mesmo? 😉

saudosa maloca
apaga o fogo mané
iracema
um samba do bixigqa
o samba do arnesto
quem bate sou eu
as mariposas
pogressio (conselho de mulher)
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Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

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* Texto de Samuel Machado Filho

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Elza Soares – O Samba É Elza Soares (1961)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Segue aqui um discão da grande Elza Soares. Vinil lançado em 1961. Foi o seu terceiro lp, lançado pela Odeon. Um disco que como o próprio titulo diz é samba e o samba é Elza Soares, interpretando doze pérolas com arranjos e orquestração de Astor Silva e direção musical de Ismael Corrêa. Participam do disco Cyro Monteiro e Monsueto. Confiram e fiquem a vontade para comentar. Tem dia que por aqui é só samba 😉

teleco teco n. 2
contas
sal e pimenta
cartão de visitas
nêgo tu, nêgo nós, nêgo você
não quero mais
se acaso você chegasse
casa de turfista cavalo de pau
mulata assanhada
era bom
samba em copa
dedo duro
.

Coro Da Associação De Canto Coral – O Natal Você E Sua Família (1963)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Para que vocês possam ter tempo para baixar e ouvir, estou postando o disco natalino com antecedência. Como disse anteriormente, na postagem de ontem, para este Natal só vão rolar esses dois discos, o compacto de Boas Festas, de ontem e agora este belíssimo lp lançado pela Odeon em 1963, apresentando o côro da Associação de Canto Coral, do Rio de Janeiro. Embora tenhamos aquele sempre mesmo repertório, vale a pena conhecer as diferentes interpretações. Um disco realmente muito bonito, que caí como uma luva durante a ceia de Natal.
Desde de já eu deixo aqui as minhas saudações a todos. Que os amigos cultos e ocultos tenham nessa noite junto aos seus, um encontro de paz, fraternidade e amor.

sino de belém
canta o galo
gloria in excelsis deo
adeste fidelis
cantam anjos lá no céu
meia noite,cristãos
a lapinha
pequena vila de belém
noite feliz
hosana hosana
primeiro natal
noite de natal
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Trio De Ouro – O Famoso Trio De Ouro (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Sei que temos em nosso grupo, o GTM, quase 3 mil associados. Com tudo, menos da metade recorre a ele com frequência. Para quem não sabe, os links das postagens feitas aqui no Toque Musical são compartilhados no GTM. Basta dar uma lida rápida nos textos laterais do blog para entender o processo de filiação. Recordando: os links tem um prazo de validade de aproximadamente 6 meses e depois não há reposição. Eventualmente eu reposto um novo link, mas não é de praxe. Para este fim de ano, considerando que em 2015 não tivemos postagens diárias ou regulares, eu estou repostando no grupo alguns novos links das antigas produções exclusivas do TM, pois essas eu mantenho os arquivos guardados. Este é o meu presente de Natal para vocês,ok?
E dando sequencia as postagens, eu trago hoje este lp do Trio de Ouro, um dos mais importantes trios vocais brasileiros, formado inicialmente por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e Nilo Chagas. trata-se de um lp lançado originalmente pela Odeon, no final dos anos 50. Uma coletânea que abrange um período de dez anos, entre 1937 a 47, a fase mais fértil e de sucessos desse fabuloso trio. Aqui estão algumas das mais importantes gravações feita na Odeon, Este disco viria a ser relançado no final dos anos 60 através do selo Imperial e ao que parece chegou também, mais tarde, a ser lançado em cd. Na internet, em diversos sites e blogs, assim como no You Tube este disco já foi bem divulgado, porém, sempre achei a qualidade dos arquivos meio tosca. Daí uma das muitas razões pela qual estou trazendo ele pra cá. Certamente é um disco que merece ser conhecido, ouvido e compartilhado. Se você ainda não o ouviu, corre lá no GTM e baixe logo. O tempo é limitado!

ave maria do morro
batuque no morro
fala, claudionor
yaya bahianinha
não é horário
a maria me controla
senhor do bonfim
morro
obé
negro artilheiro
festa de preto
mágoa
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Carlos Augusto – Juro (1961)

Nosso álbum de hoje já estava na web (até eu mesmo já baixei, não me lembro bem de que blog).  Ainda assim, o Toque Musical decidiu também oferecê-lo a seus amigos cultos, ocultos e associados, pois se trata de um produto de qualidade, além de ser bastante raro.  Trata-se de um LP lançado pela Odeon, em 1961, apresentando um dos maiores cantores brasileiros de sua época: Carlos Augusto. Na pia batismal, este nosso cantor chamava-se Carlos Antônio de Souza Moreira. Veio ao mundo em Fortaleza, capital do Ceará, no dia 10 de julho de1933. Foi em sua cidade natal que começou a cantar, na Rádio Iracema. Em 1950, mudou-se para a então Capital da República, o Rio de Janeiro, a fim de estudar no tradicionalíssimo Colégio Pedro II. Nessa ocasião, recebe convite para cantar na orquestra da Boate Night and Day. Pouco tempo depois, fez uma excursão pela região Nordeste do país, como parte de uma caravana de artistas que incluía, entre outros, a eterna “Favorita”, Emilinha Borba, então grande estrela da Rádio Nacional, que contrataria em seguida o nosso Carlos Augusto. Em maio de 1952, sai o primeiro 78 do cantor, pela Sinter, trazendo o fox “Meu sonho de amor” , de Paulo César, e o samba-canção “Briguei com você”, dos irmãos Haroldo e Hianto de Almeida.  Seu primeiro LP, de 10 polegadas, é lançado pela mesma gravadora em 1954, intitulado “O trovador  moderno”. Gravou mais de 40 discos  em 78 rpm, além de 7 LPs como solista, 4 compactos duplos, e participações em álbuns coletivos, sobretudo carnavalescos. Deixou sucessos inesquecíveis, tais como “Icaraí”, “Cigarro sem batom”, “Canção da eterna despedida”, “Negue”, “Esta noite ou nunca”, “Pecado ambulante”, “Vitrine”,  “Noite de saudade”, “Seria tão diferente” e outros mais. Infelizmente, Carlos Augusto morreria de forma trágica, em acidente automobilístico, no ano de 1968, quatro anos após gravar seu último disco, um compacto duplo, na Polydor/Philips. Este “Juro”, que o TM oferece hoje, vem a ser o sétimo e último LP-solo de Carlos Augusto, e depois dele o cantor só lançou compactos. A faixa-título é de Adelino Moreira, que, além de compor para Nélson Gonçalves, também criava números especialmente para outros cantores,como nosso Carlos Augusto. Adelino também comparece com “É mentira” (parceria com Oswaldo França), “Deus sabe o que faz” e “Seria tão diferente” (este, em parceria com Antônio Luna, nessa ocasião também gravado por Núbia Lafayette), todos sambas-canções românticos. Ele regrava aqui “Cigarro sem batom”, de Fernando César, por ele próprio lançado em 1955 como valsa,  em ritmo de bolero no presente LP,  e também revive “Boneca de pano”, expressivo samba de Assis Valente, originalmente lançado em 1950 pelos Quatro Ases e um Coringa. Composições de Ricardo Galeno (“A dor que mais dói”, “Deixa falar”, “Quem dá ordens sou eu”, “O sol da verdade”), Paulo Borges (“Cigarra”) e Cyro de Souza (“Volta”, também gravado na mesma ocasião por Marco Antônio) completam o disco, sem dúvida um dos melhores trabalhos fonográficos do inesquecível Carlos Augusto!
a dor  que mais dói
cigarra
deixa falar
é mentira
juro
quem dá ordens sou eu
boneca de pano
seria tão diferente
cigarro sem baton
o sol da verdade
deus sabe o que faz
volta
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* Texto de Samuel Machado Filho

Dorival Caymmi – Eu Vou Prá Maracangalha… (1957)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Sábado bonito, ensolarado… muita coisa boa pra fazer hoje. Sendo assim, nada melhor do que começarmos o dia com uma trilha musical das mais deliciosas. Para alegrar nosso espírito e também porque é um clássico e não poderia faltar em nosso Toque Musical, eu hoje abençoo vocês com o mestre, Dorival Caymmi. Eis aí um disco que todos conhecem, que está sempre na ordem do dia, um autêntico clássico da música popular brasileira. Eu não o teria postado se não fosse o Dorival. Aliás, independente de qualquer coisa, ter os discos originais do Caymmi aqui é mais do que uma grande honra. Blog que se presta a publicar música brasileira, não pode deixar de fora este grande artista. Creio que nem precisamos entrar em detalhes quanto a este disco. Melhor, simplesmente, é ouvir 😉

eu vou pra maracangalha
samba da minha terra
saudade da bahia
acontece que eu sou baiano
fiz uma viagem
vatapá
roda pião
365 igrejas
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Luiz Arruda Paes E Sua Orquestra – Brasil Norte E Sul (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Vamos hoje de orquestra, uma das melhores, com certeza! Mais uma vez marcando presença em nosso Toque Musical, temos aqui o maestro Luiz Arruda Paes e sua Orquestra interpretando doze temas populares e regionais que representam diferentes partes do Brasil. Um trabalho belíssimo de orquestra, esta por sua vez afinadíssima, guiada pelo brilhante Maestro. Um repertório bem escolhido que me chega a soar quase como uma trilha de um filme, brasileiro, com certeza.. Este lp , assim como outros lançados pelo Maestro, na Odeon, viria a ser mais tarde relançado, em nova e diferente capa, com o selo Imperial.

mulher rendeira
barqueiro do são francisco
vassourinhas
exaltação a bahia
lendas amazonicas
rei bantu
onde o céu azul é mais azul
negrinho do pastoreio
perfil de são paulo
peixe vivo
cidade maravilhosa
canta brasil
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Som Imaginário – Equipe Mercado – Módulo 1000 – Tribo (1971)

A quem possa interessar… Aos amigos cultos e ocultos… Eu hoje estou postando este disco em forma de homenagem póstuma ao grande guitarrista, Daniel Cardone, que faleceu há alguns dias atrás. Fiquei chocado com a morte dele, pois sempre acompanhava a suas postagens no Facebook. Fiquei alguns dias sem entrar e logo ao abrir dei de cara com essa péssima notícia. Muito chato. Cardone era integrante do Módulo 1000, banda conceituadíssima no início dos anos 70.
Segue aqui este lp reunindo quatro bandas com influências do rock progressivo: Tribo, Equipe Mercado, Módulo 1000 e Som Imaginário. Este álbum foi lançado originalmente em 1971, com outra capa e sob o título de “Posições”. Algum tempo depois voltou a ser relançado com esta capa, fazendo parte da Série Vanguarda, que até onde eu sei, ficou somente no volume 1. Confiram esta coletânea, vale a pena! 😉

kyrie – tribo
marina belair – equipe mercado
curtíssima – módulo 1000
a nova estrela – som imaginário
ferrugem e fuligem – módulo 1000
peba & pobó – tribo