Vários Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 39 (2012)

E chegamos à trigésima-nona edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Esta semana, estaremos apresentando seis cantores de prestígio popular, cada um comparecendo com duas gravações.

O primeiro deles é José Alcides Gerardi, nascido na cidade gaúcha de Rio Grande em 15 de maio de 1918. Ainda muito jovem, Alcides mudou-se para Porto Alegre, onde começou seus estudos, e logo depois para o Rio de Janeiro, onde concluiu a escola primária e começou a trabalhar com o pai, que era comerciante, o que faria até 1935, quando iniciou sua carreira de cantor numa orquestra de dancing. Sua primeira gravação comercial deu-se em 1945, interpretando a valsa “Lourdes”, de Mário Rossi e George Brass, que o acompanhou ao acordeão. Entre seus maiores sucessos estão “Pergunte a ela”, “Abaixo de Deus”, “Antonico”, “Seu nome não é Maria”, “Marise”e muitos outros. Alcides Gerardi morreu de acidente automobilístico, ao voltar de um show, em 3 de janeiro de 1978, no Rio de Janeiro. Dele o GRB apresenta o disco Columbia CB-10370, lançado no ano de 1957. Abrindo-o, matriz CBO-1093, o bolero “Não”, de Renê Bruxelas e Belony de Carli, e no verso, matriz CBO-1092, um rasqueado de Paulo Borges que até hoje todos conhecem: o famoso “Cabecinha no ombro” (‘Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora”…), um sucesso de fato estrondoso, e que tem merecido inúmera regravações. As duas faixas também foram incluídas no LP de dez polegadas “Encantamento”, refletindo uma época de transição de formatos, da cera para o vinil.

O seguinte é João Dias Rodrigues Filho, ou simplesmente João Dias. Paulista de Campinas, onde nasceu em 12 de outubro de 1927, começou sua carreira em 1948 na PRA-5, Rádio São Paulo (“a voz amiga”), levado por Cardoso Silva. Um ano depois já estava na Bandeirantes (então “a mais popular emissora paulista”) e, em uma apresentação na boate Cairo, foi descoberto por Francisco Alves, que o levou para o Rio de Janeiro (e o apontou como seu sucessor, porque a voz era praticamente igual). Lá, João gravou seu primeiro disco, na Odeon, lançado em fevereiro de 1951, interpretando “Guacira” (Hekel Tavares e Joracy Camargo) e “Canta, Maria” (Ary Barroso). Entre seus maiores hits estão “Sinos de Belém” (versão de “Jingle bells”), “Fim de ano” (o famoso “Adeus, ano velho”), “O velhinho” (“Botei meu sapatinho na janela do quintal”…), “Mamãe” (clássico dueto com Ângela Maria), “Milagre da volta”, “Poema das mãos”, “É o pau”, etc. Faleceu em 27 de novembro de 1996, no Rio de Janeiro, época em que dirigia a Socimpro (Sociedade Brasileira de Intérpretes e Produtores Fonográficos). João Dias é aqui lembrado com o disco Odeon 13679, gravado em 17 de maio de 1954 e lançado em julho do mesmo ano. Abrindo-o, matriz 10130, a valsa “É o amore” (“That’s amore”), de Harry Warren e Jack Brooks, em versão de Haroldo Barbosa, e no verso, matriz 10131, o samba-canção “Falso amigo”, de Herivelto Martins (compositor cujo centenário de nascimento é relembrado neste ano de 2012) e Benedito Lacerda.

Francisco Rodrigues Filho, aliás, Francisco Carlos, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de abril de 1928, mas foi criado no Recife, capital pernambucana, para onde sua família se transferiu, lá morando até 1939. De volta ao Rio natal, apresentou-se ainda estudante no programa de Ademar Casé (avô da Regina), na Rádio Mayrink Veiga, e diplomou-se em pintura pela Escola Nacional de Belas Artes. Ao longo de sua vida dedicou-se à música e à pintura (inclusive foi pintor premiado no Brasil e fora dele) e, em 1946, assinou seu primeiro contrato profissional, com a Rádio Tamoio. Seu primeiro disco saiu pela Star, em 1949, interpretando os sambas-canções “Abandono”, de César Formenti Neto”, e “Distância”, de Fernando Lobo. Mas seu primeiro grande sucesso aconteceu quando ele se transferiu para a RCA Victor: a marchinha “Meu brotinho”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira”, estrondoso sucesso na folia momesca de 1950 e por ele também interpretada no filme “Carnaval no fogo”, da Atlântida. Nesse lendário estúdio, participou de inúmeras chanchadas como ator e cantor, e também foi contratado da não menos lendária Rádio Nacional, onde foi campeão absoluto de correspondência durante anos. Entre seus sucessos destacamos “Rio de Janeiro (Isto é o meu Brasil)”, de Ary Barroso, “Vestido de noiva” (Francisco Alves e David Nasser), “Você não sabe amar” (Dorival Caymmi, Carlos Guinle e Hugo Lima), “Minha prece” (Haroldo Eiras e Ciro Cunha), o frevo-canção “Nos cabelos de Rosinha” (Capiba) e muitos mais. Faleceu em 19 de março de 2003, em seu Rio de Janeiro natal, de câncer. De Francisco Carlos apresentamos o disco RCA Victor 80-1967, gravado em 6 de maio de 1958 e lançado em agosto do mesmo ano. Abrindo-o, matriz 13-J2PB-0403, o clássico choro-canção (originalmente polca) “Flor amorosa”, de Joaquim Antônio da Silva Callado, com letra escrita por Catulo da Paixão Cearense no mesmo ano do falecimento de Callado, em 1880, e cuja primeira gravação cantada deu-se em 1913, por Aristarco Dias Brandão. Francisco Carlos também o interpretou no filme “Esse milhão é meu”, da já mencionada Atlântida, e sua inclusão deu-se por sugestão de Paulo Tapajós, cantor, compositor e radialista. No verso, matriz 13-J2PB-0402, o bolero “Cuando tu me quieras”, de Raul Shaw Moreno e Mario Barrios, em versão de Geraldo Serafim. Das  duas, só “Flor amorosa” chegou ao LP, em álbum sem título.

Em seguida, vem um dos mais queridos cantores populares que o Brasil já teve: José Adauto Michiles, aliás Orlando Dias, nascido no Recife em 1.o de agosto de 1923 e falecido no Rio de Janeiro em 11 de agosto de 2001. Ele tinha como marca registrada interpretações cheias de estilo, exageradas, acenando lenços, fazendo gestos teatrais, ajoelhando-se no palco, declamando versos emocionados, agradecendo às fãs, usando roupas espalhafatosas… Enfim, o mais polêmico cantor de sua época, mas ainda assim verdadeiro ídolo popular, com sucessos sem conta, principalmente no gênero romântico, interpretando boleros e sambas-canções. No disco que incluímos aqui, o Odeon 14538, gravado em 2 de outubro de 1959 e lançado a toque de caixa, vem dois boleraços de sucesso por ele interpretados: “Vem pra junto de mim”, de William Duba e Nahum Luiz, matriz 13837, e “Tu hás de pensar de mim”, de Waldir Machado, matriz 13838. Esta última seria faixa-título de um LP lançado por Orlando em 1960, no qual também saiu “Vem pra junto de mim”. Outros hits do cantor foram “Perdoa-me pelo bem que te quero”, “Minha serás eternamente”, “Tenho ciúme de tudo” e muitos e muitos mais…

Em seguida relembramos Roberto Vidal, nome artístico de Pedro Sidnei Grigoletto. Membro de uma tradicional família do bairro paulistano do Ipiranga, foi finalista de um concurso promovido pela TV Record para descobrir novos talentos, logo passando a se apresentar com frequência no programa “Astros do disco”. Porém, sua carreira artística foi curta e a discografia escassa: apenas oito discos de 78 rpm com 16 músicas (o primeiro deles, em 1959,  apresentando o samba-canção “Botequim da vida” e o samba”Violão amigo”), e um LP, todos pela RCA, selos Victor e Camden, o do LP. Dele apresentamos seu segundo 78, o RCA Victor 80-2159, gravado em 28 de outubro de 1959 e lançado em janeiro de 60. E ele abre, na matriz 13-K2PB-0805, com um verdadeiro clássico do samba-canção: nada mais nada menos que “Negue”, de Adelino Moreira em parceria com o radialista Enzo de Almeida Passos, que marcou época no rádio paulistano com os programas “Telefone pedindo bis” e “A grande parada Brasil”. “Negue” foi inúmeras vezes regravado, inclusive por Maria Bethânia, que o incluiu em seu LP “Álibi”, de 1978,  renovando-lhe o êxito, e seu criador foi justamente Roberto Vidal. No verso, matriz 13-K2PB-0806, o samba “Triste coração”, do carioca de Botafogo Aldacir Louro (Aldacir Evangelista de Mendonça, 1926-1996) em parceria com a cantora Linda Rodrigues, depois regravado por Anísio Silva no LP  “Alguém me disse”. Das duas, só “Negue” saiu no único LP de Roberto, sem título, lançado em 1961 com o selo RCA Camden.

Por fim, apresentamos Cláudio de Barros, nascido na cidade mineira de Itanhandu em 24 de outubro de 1932. Antes da fama, trabalhou como comissário de bordo e redator de jornal. Gravou sue primeiro disco na Columbia, em 1954, interpretando o samba-canção “Espiritualmente” (Antônio Bruno) e a toada “Amor, ilusão” (dele próprio com Fenando Lacerda). Mas foi na Chantecler, para onde foi levado pelo cantor e compositor sertanejo Diogo Mulero, o Palmeira, que Cláudio de Barros despontou para o estrelato, e justamente com o disco que o GRB apresenta aqui, de número 78-0132, lançado em junho de 1959. O lado A, matriz C8P-263, é um tango dele mesmo, “Cinzas do passado”, ainda hoje bastante conhecido. No verso, matriz C8P-264, outra composição sua, agora em parceria com Mário Zan (o acordeom que o acompanha nas duas faixas é certamente dele), o rasqueado “Meu primeiro beijo”, que um mês depois teve outro registro na mesma gravadora, selo Sertanejo, pelas Irmãs Celeste. “Cinzas do passado” também foi faixa-título e de abertura do primeiro LP de Cláudio de Barros, no qual também saiu “Meu primeiro beijo”, é claro. Outros sucessos do cantor: “Teu desprezo”, “Bonequinha da noite”, “Taça da amargura”, etc. Com 20 álbuns gravados, Cláudio de Barros também compôs para outros artistas e se apresentou com sucesso na América Latina e em Portugal, onde cantou inúmeras vezes no famoso Cassino Estoril. Segundo Robertinho do Acordeom, foi o primeiro cantor a migrar do gênero romântico para o sertanejo, bem antes de Sérgio Reis.  Faleceu em 22 de agosto de 2009, em Mairiporã, na Grande São Paulo, após sofrer o quarto infarto.

Enfim, mais uma edição do GRB que é entregue aos amigos cultos, ocultos e associados do TM, relembrando intérpretes e músicas que, se depender da gente, dificilmente serão esquecidos!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Clara Nunes – A Beleza Que Canta (1969)

Boa noite a todos! Hoje o nosso encontro é com a cantora Clara Nunes. Escolhi a artista para me facilitar a vida. Já estamos chegando ao final do domingo e eu inteiramente esgotado. Antes que eu despenque de vez, segue aqui “A beleza que canta”, segundo álbum gravado pela cantora, em 1969. Pessoalmente, gosto mais dessa primeira fase, ou melhor, dos três primeiros discos dela. Neste álbum, produzido por Milton Miranda e direção musical de Lyrio Panicalli, temos um repertório de excelentes sambas. Os arranjos e orquestração são todos do maestro Bruno Ferreira, exceto a faixa “De esquina em esquina”, que é do maestro Ivan Paulo, com participação especial do quarteto vocal 004. Um bom disco, com certeza. Se for do interesse, dá um toque que a gente sobe ele para o GTM, ok?

de esquina em esquina

espuma congelada

meus tempos de criança

gente boa

graças a deus

guerreiro de oxalá

a casinha pequenina

foi ele

até voltar

felicidade

hora de chegar

a estrela e o astronauta

 

Tribo De Jah – Regueiros Guerreiros (1992)

Boa noite a todos! O dia hoje está bom para um reggae. Reggae sua mente, solte seus espíritos… Vamos apresentando neste sábado, um álbum raro, acredito que o primeiro, do grupo de reggae Tribo de Jah. Lançado em 1992 de forma independente, “Regueiros Guerreiros” traz nove músicas, todas de autoria do vocalista Fausi Beydoun. A Tribo de Jah nasceu na Escola de Cegos do Maranhão, onde quatro de seus integrantes se conheceram. O grupo é formado por músicos cegos e tomou corpo e identidade a partir da entrada de Beydoun, um entusiasta da cultura reggae. Vão analisando aí que depois eu volto. Fazer postagem através de celular dá uma canseira!

babilonia em chamas

babylon system

reggae bumba-boi

2000 anos

regueiros guerreiros

why do you do it

neguinha

breve como um jogo

song of destruction

Verde Que Te Quero Ver (1985)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estou sendo obrigado a usar um dos meus arquivos de gaveta. Estou fora de casa e sem condições de atende-los melhor. Dá um trabalho quando se tem que fazer tudo pelo celular, isso sem falar na conexão! Mas a gente chega lá… 🙂

Vou aproveitar o gancho do Dia das Crianças e postar aqui um disco super bacana. Uma verdadeira festa, cheia de artistas variados. Temos aqui um musical infantil criado por Paulinho Tapajós e Edmundo Souto: “Verde que te quero ver – A lenda de Luana”. Taí um trabalho muito interessante que vale uma conferida. Se quiserem, é só dar um toque, ok?

verde que te quero ver

canção do despertar

xote dos pássaros

aguapé

boto desbotado

canção do arco íris

conquista do cacique

dança dos brinquedos

doce doce

raio de luar

acalanto de luana

palhaço real

canção de fadas

quando eu ficar grandão

Ataulfo Alves E Ismael Silva – Samba 100% (1959)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Vejam vocês que pecado eu estava cometendo. Até a presente data eu nunca postei um disco do Ismael Silva, nem mesmo uma música ele cantando. Falha minha e também dos amigos que não se manifestaram. Por certo, discos do Ismael não é fácil de achar e além do mais, com mais de mil títulos postados aqui, eu nem sempre lembro se já ou não postei. Vamos assim com este maravilhoso e raro álbum da Sinter, lançado em 1959. Um disco para dois grandes compositores, em suas próprias interpretações. Uma face para cada artista, em coletânea de sambas extraídos de gravações originalmente lançadas em 78 rpm. Alguém aí  quer ouvir? 🙂

Ataulfo Alves:

saudades do meu barracão

lagoa serena

infidelidade

pela luz divina

saudade dela

meu lamento

pois é

Ismael Silva:

se você jurar

que será de mim

adeus

para me livrar do mal

sofrer é da vida

nem é bom falar

novo amor

Nara Leão E Dominguinhos – Projeto Pixiguinha 1978 (2012)

Boa noite, meus prezados cultos e ocultos! No corre corre e sem tempo, aqui vai a postagem do dia. Mais um show do Projeto Pixinguinha transformado em ‘webdisco’. O sexto volume da nossa série. Temos desta vez Nara Leão ao lado de Dominguinhos num encontro em 1978. Participam também no acompanhamento o conjunto Os Carioquinhas e o Trio Ritmo Nordestino. Eu assisti a esse show no Palácio das Artes. Bom demais!

Confiram no site da Funarte, na página do Projeto Pixinguinha, as informações detalhadas deste e de outros shows memoráveis.

chegando de mansinho – nara e dominguinhos

saudade matadeira – nara e dominguinhos

forró na casa de biu – sete meninas – dominguinhos

dominguinhos fala ao público

pé de serra – matuto de opinião – vassourinhas – evocação – dominguinhos

desafinado – nara leão

camisa amarela – nara leão

sem compromisso – nara leão

1 x 0 – os carioquinhas

tigresa – nara leão

joão e maria – nara e dominguinhos

davilicença – nara, dominguinhos e os carioquinhas

o seu amor – nara leão

tim tim por tim tim – nara leão

este seu olhar – corcovado – nara, dominguinhos e os carioquinhas

tenho sede – dominguinhos

Cascatinha e Inhana – India (1972)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! A semana está puxada e novamente o meu tempo vai ficando curto. Tenho que aproveitar os momentos de folga para não cair no atraso ou deixar nosso diário em falta.

Hoje eu tenho aqui um disquinho que cai bem no café matinal. Nessas horas pela manhã em que a gente acorda meio inspirado, abre a janela e vê lá fora um dia lindo, hehehe… Vamos com a dupla sertaneja Cascatinha e Inhana em um álbum lançado pela Continental, através de seu selo especial Caboclo Continental. Trata-se, obviamente, de uma coletânea reunindo fonogramas da dupla, lançados pela gravadora em seus discos de 78 rpm. Muitas dessas músicas foram sucessos, entre as principais está a paraguaia “Índia”, em versão de José Fortuna. E eu que pensava que essa música fosse brasileira… Aliás, Cascatinha e Inhana gravaram muitas versões, que pela naturalidade musical, qualquer um diria ser coisa do Brasil. Afinal, se existe um povinho com a musicalidade à flor da pele, este é o brasileiro! Por isso, música para nós é mais que um negócio. É acima de tudo uma necessidade básica!

índia

saudade coisinha à toa

olhos tristonhos

saudade da minha infância

se eu partir

primeiro degrau

minha terra distante

vai com deus

anahí

bem te vi

relíquias sertanejas

tutu mineiro

Momentos Políticos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 38 (2012)

Como é, eleitor amigo culto, oculto e associado do TM? Votou certo no último domingo, dia 2? Escolheu bem seus candidatos a prefeitos e vereadores? Bem, o fato é que inúmeras capitais (bem como outras cidades do Brasil e do interior paulista, onde resido) terão segundo turno para prefeitos no próximo dia 28. E tanto para aqueles que moram em cidades onde o prefeito já foi escolhido como para quem mora naquelas que ainda vão para o segundo turno (para estes, pode até servir de aquecimento), o Grand Record Brazil apresenta, em sua edição número 38, treze fonogramas relacionados à política.

Para começar, apresentamos uma gravação particular feita pelo conjunto Os Brasileiros, cuja formação é uma tremenda incógnita, para a campanha de Adhemar de Barros à presidência da República, em 1955, e prensada pela Continental com o número PR-176. São duas músicas do igualmente misterioso Bingo: a marchinha “Ninguém perde esperar” e o samba “Ai, Adhemar”. O grupo lembra bastante formações que marcaram época na MPB: Quatro Ases e um Coringa, Vocalistas Tropicais, Demônios da Garoa, Anjos do Inferno, Trigêmeos Vocalistas (seria um desses?). O fato é que Adhemar não chegou lá, e quem levou a melhor foi Juscelino Kubitschek de Oliveira, o homem dos “50 anos de progresso em 5 de governo”…

Depois pulamos para a campanha presidencial de 1960, que tinha como candidatos a vice-presidente Mílton Campos e João Goulart (que evidentemente levou a melhor). É o “Show do voto livre”, comandado pelo lendário radialista César de Alencar (“Esta canção nasceu pra quem quiser cantar…”), no qual inúmeros cartazes da MPB na época demonstram musicalmente sua opção pelo político gaúcho: Jorge Veiga, Dircinha Batista, Luiz Vieira, Altamiro Carrilho (recém-falecido, à frente de sua famosa bandinha), Elizeth Cardoso, Ivon Cúri, Isaurinha Garcia, o Conjunto Farroupilha, uma escola de samba… Curiosamente, João Goulart era candidato a vice na chapa do Marechal Henrique Lott, e Mílton Campos na de Jânio Quadros, o vencedor. Como não havia vinculação de votos, deu Jango como vice.

Na quinta faixa, apresentamos a marchinha “Comendo bola”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, gravação de Jayme Redondo na Columbia, disco 5117-B, matriz 380431, lançada em dezembro de 1929 para o carnaval de 30. Era nitidamente contra Getúlio Vargas e a favor de Júlio Prestes de Albuquerque, ambos candidatos à presidência na República nessa época (e Prestes ganhou mas não levou). Nessa época, como se sabe, as coisas estavam fervendo no Brasil: o assassinato de João Pessoa por seu desafeto João Dantas, na Confeitaria  A Glória, do Recife, ainda que por razões pessoais, fez a oposição jogar o povo contra o governo, e a Aliança Liberal (Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais) depôs o presidente Washington Luís em 24 de outubro de 1930, empossando, a 3 de novembro, Getúlio Vargas como chefe do governo provisório… e começando uma estadia de quinze anos no poder!

Famosos por suas sátiras de cunho político, que deram até em cadeia, Alvarenga e Ranchinho, “os reis do riso”, apresentam aqui uma delas: é a “Salada política”, ironizando exatamente Getúlio Vargas, utilizando trechos de várias músicas de sucesso, como a marchinha “A mulher do leiteiro”, a valsa “Será?” e “Oh!” Minas Gerais” (“outra mamata não perde jamais”). Eles também citam o brigadeiro Eduardo Gomes, derrotado na eleição presidencial de 1946 pelo marechal Dutra, por sinal apoiado por Getúlio. Gravação Odeon de 8 de outubro de 1946, lançada em janeiro de 47 com o número 12746-A, matriz 8110.

A faixa seguinte é uma exaltação a Getúlio Vargas: o samba “Salve 19 de abril!” (data em que nasceu o então chefe da nação), de Benedito Lacerda e Darcy de Oliveira, gravado por Dalva de Oliveira (em uma das raras oportunidades que teve de cantar como solista em disco, na época em que participava do Trio de Ouro) em 1.o de abril de 1943 (não é mentira!), e lançado pela Odeon em maio seguinte com o n.o 12306-B, matriz 7247.

A faixa seguinte é simplesmente um clássico entre os jingles políticos: o famoso “Varre, varre vassourinha”, da campanha de Jânio Quadros à presidência da República, em 1960. Muito se esperava dele, que levou a melhor sobre o Marechal Henrique Lott (apoiado pelo então presidente JK) e tomou posse em 31 de janeiro de 1961, mas o final da história creio que todos sabem…

Desde 1902, quando se iniciou a gravação fonográfica em nosso país, o “Hino Nacional Brasileiro”, melodia de Francisco Manuel da Silva e letra de Joaquim Osório Duque Estrada, tem recebido inúmeros registros, vocais e instrumentais. Foi composto em 1822, para comemorar a Independência do Brasil, recebendo nove anos depois letra por Ovídio Saraiva de Carvalho, que celebrava a abdicação de D. Pedro I. A letra definitiva, de Joaquim Osório, viria apenas em 1909, aletrada por ele em 1916 e finalmente oficializada em 1922. Pela legislação em vigor, o canto deve ser em uníssono (coro) ou instrumental, razão pela qual não cabe a interpretação-solo. E o registro do nosso querido Hino neste GRB é do tempo em que não havia esse impedimento legal, a cargo de Vicente Celestino, acompanhado pela Banda do Batalhão Naval, em 1918,  em 76 rpm da Odeon/Casa Edison, número 121342. Em 1985, Fafá de Belém cantou o “Hino Nacional” de forma livre.

Outra raridade que vem em seguida, em gravação particular, é o “Hino a Tancredo Neves”, feito por ocasião de sua candidatura ao governo de Minas Gerais, em 1960. Entretanto, quem levou a melhor foi Magalhães Pinto. Como se sabe, em 1985, Tancredo Neves seria o último presidente eleito indiretamente no Brasil por colégio eleitoral, mas não tomaria posse, tendo sido operado várias vezes e transferido de hospital, de Brasília para São Paulo.. O Brasil inteiro acompanhou apreensivo a evolução de seu estado de saúde, que foi piorando até que seu falecimento foi anunciado, em pleno dia de Tiradentes daquele ano, 21 de abril.

Em 1950, Getúlio Vargas retorna à presidência, agora por voto direto. E a faixa seguinte é justamente seu discurso de posse no cargo máximo da Nação, em 31 de janeiro de 1951. Depois, vem um de seus tradicionais discursos alusivos ao Dia do Trabalho, 1.o de maio, este de 1952, começando com “trabalhadores do Brasil” e tudo o mais…

E para finalizar, apresentamos mais uma raridade da heróica fase mecânica das 76 rotações por minuto. É a polca “No bico da chaleira”, de Costa Júnior, em gravação instrumental da Banda da Casa Edison, de 1907 (Odeon 108086, matriz XR-619). É uma referência à corte de bajuladores que cercava o então senador Pinheiro Machado, gaúcho de Cruz Alta, que era conhecida como “os pega-na-chaleira” (termo equivalente a “puxa-saco”, termo que seria popularizado anos mais tarde por outra marchinha). Pinheiro Machado seria assassinado no saguão do Hotel dos Estrangeiros, no bairro carioca do Flamengo, em 8 de setembro de 1915. Ele levou uma punhalada nas costas  do criminoso  Manso de Paiva (que sempre insistia ter agido por conta própria). As últimas palavras de Pinheiro Machado teriam sido: “Ah, canalha! Apunhalaram-me!”

Enfim, esta é mais uma edição histórica do GRB, constituindo autêntica crônica lítero-musical de nossa história política.

 

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

A Banda Tropicalista Do Duprat (1968)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! A lista de solicitação de novos links vem só crescendo. Eu juro que estou fazendo o possível para atender a todos, mas querendo ou não, vão ter que ter paciência. Como sabem, a prioridade é sempre a postagem do dia.

Tanto como ontem, eu hoje estou trazendo mais um ‘disco de gaveta’. Aliás, este é um álbum que eu sempre pensei em postar aqui, mas há alguns anos atrás ele se tornou um disquinho badalado, muito por conta (talvez) dos Mutantes, quando voltou à tona, através dos blogs. Vários já o postaram, por isso eu perdi um pouco a graça. Hoje, porém, vou preencher o espaço com ele, que é o que está mais à mão.

Segue então, “A Banda Tropicalista do Duprat”, álbum lançado em 1968, auge do Movimento Tropicalista. O mestre arranjador de vários outros trabalhos da turma, vem neste lp, que é mais tropicalista por fora do que por dentro, trazendo um repertório curioso, que mesmo tendo músicas de Caetano Veloso e de Gilberto Gil e também a presença dos Mutantes em quatro faixas, soa meio que fora do tom. Eu na verdade esperava mais do Duprat neste disco, algo mais criativo e característico. Ele podia ter explorado mais o universo do movimento, buscando uma síntese de tudo o que rolava. Porém, apesar dele ser a bola da vez, a direção do disco não ficou só em suas mãos, o que de uma certa forma acabou contrariando o seu ideal. Ele não gostou do resultado. Contudo, o álbum não é ruim, muito pelo contrário, tem muita coisa boa. Não sei porque, mas este disco sempre me remete à imagem do drops Dulcora. Lembram dessas balinhas? Acho que em algum momento da minha vida eu estava lá chupando Dulcora e ouvindo “Lady Madona” na versão dos Mutantes. (putz, como a gente fala abobrinha e sai do tom quando se está com sono!)

judy in disguise

honey

summer rain

canção para ingles ver

chiquita bacana

flying

the rain, the park and other things

canto chorado

bom tempo

lapinha

chega de saudade

baby

cinderella rockefella

ele falava nisso todo dia

batmacumba

frevo rasgado

lady madona

quem será?

Sergio Mendes & Brasil 66′ – Masquerade (1980)

Olá amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Meu tempo neste sábado foi corrido e só agora achei um tempinho aqui para fazer esta postagem (via celular!). Por conta disso, vou recorrer a um ‘disco de gaveta’, que por sorte eu tenho aqui pronto. Vamos com Sérgio Mendes & Brasil 66’ em um álbum duplo e importado, lançado no Canadá em 1980. Trata-se de uma coletânea com 18 ‘hits’, um misto de jazz, bossa e pop que só mesmo o Sergio Mendes poderia nos proporcionar. Eu, geralmente, não gosto de ficar postando discos estrangeiros, pois sei que muitas vezes o álbum ainda é comercializado lá fora. E os ‘gringos’ que já não gostam de ver a revolução que iniciamos aqui, ficam ainda mais ouriçados quando o ovo é deles. Bom, tudo bem, mas convenhamos… a gema é nossa! (ou algo assim)

(sittin’on) the dock of the bay

wichita lineman

norwegian wood

viola enluarada

look who’s mine

song of no regrets

masquerade

salt sea

empty faces

pretty world

dois dias

ye-me-le

easy to be hard

you stepped out of a dream

crystal illusions (memórias de marta saré)

where are you coming from

sometime ago

what the world needs now

Alma Cabocla (196…)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Realmente, não tem jeito… Por mais detalhadas que sejam as informações e orientações sobre o esquema de postagens do Toque Musical e a associação ao GTM, ainda assim existem aqueles ficam boiando. E o pior é que por não lerem antes as informações contidas no blog, acabam perdendo tempo e ocupando o meu com perguntas que já cansei de responder. Assim fica difícil…

Hoje eu estou trazendo um disco de músicas sertanejas. Aliás, um raro lp de coletânea que eu suponho tenha sido lançado no final dos anos 50 ou início dos 60. O disco eu encontrei sem a capa original e por mais que eu procurasse na Rede, não achei nada, nem mesmo qualquer referência. O que temos assim são algumas duplas caipiras, as quais, devo confessar, eu não sei nada. O que posso dizer é somente pelo faro e pelo que eu ouvi. Tem lá as suas qualidades e merece o nosso toque musical. Amantes da música sertaneja, com certeza devem conhecer e se puder, deixem aqui um comentário, um complemento a mais para um vinil pelado 🙂

 

quadrinhado com biguá – comendador biguá e caçulinha

linda paraguaia – tanabi e tajubá

orgulho de pai – nito e nato

paraguaia miporã – edinho

preço da mentira – tuta e tota

dois destinos – sobrado e sobradinho

gaucho golgazão – lalo e lelo

dama da noite – edinho

a vida do roceiro – nito e nato

linda paranaense – tanabi e tajubá

se eu fosse rico – tuta e tota

esqueci do nome – sobrado e sobradinho

 

Osny Silva – Minha Canção De Amor (1962)

Boa noite a todos! Continuo meio baqueado, mas nada como um Voltaren para dar uma aliviada. Hoje, por sorte, eu tinha aqui um disco já na agulha. Diferente das duas ou três últimas postagens, para esta eu já tenho prontas todas as faixas, basta apenas enviar para Mediafire. Vamos mais uma vez com o cantor Osny Silva, marcando presença para que não marque de toca. Temos aqui uma seleção de ritmos variados, fox, samba, tango, bolero, balada… Uma prova de que o nosso cantor se dava bem em qualquer um desses estilos. Confesso que nem tive tempo de ouvir direito o disco. Mas agora vamos juntos. Ainda bem que tem uma seção de comentários para cada postagem 🙂 Assim fica bem mais fácil, né não?

o trovador de toledo

escreva-me

minha canção de amor

granada

leva eu saudade

fujo de ti

valencia

fome de amor

no azul da noite

pense em mim

voltarás

cristal

Marku Ribas – Mente & Coração (1980)

Boa noite, amigos caros cultos, ocultos e associados. Hoje eu estou aqui apenas por honra da firma. Tô que não me agüento em pé. Parece que eu levei uma surra. Não sei se é gripe ou dengue (vixiii…)

Lá vou eu recorrer aos ‘discos de gaveta’. Vou trazendo para vocês, “Mente & Corção”, quinto álbum lançado pelo cantor e compositor mineiro, Marku Ribas, em 1980, através selo Philips. Disco super inspirado, com praticamente quase todas as músicas de sua autoria. Na banda tocam com ele Helvius Villela, Arthur Maia, Téo Lima e Renato Piau. Para completar tem também os convidados que engrossam mais o caldo, como é o caso de Ed Maciel e João Donato. Quem ainda não conhece, eu dou o toque, vale conferir… 😉

mente & coração

choro verde

será bem melhor

quem pede, pede

as vozes não mentem

nunca vi!!!

só você

olha a brecha

novo dia

limites naturais

Nelson Gonçalves – Queixas (1960)

Boa noite a todos. Hoje eu não estou muito bem. Por isso serei breve. Escolhi um artista que talvez não dependa da minha apresentação, o que me poupa palavras e tempo. Segue aqui um Nelson Gonçalves ainda inédito nas ‘fontes’. “Queixas” álbum de carreira, um dos lançamentos de 1960. Vão ‘analisado’ aí, amanhã a gente tá de volta, ok?

Desculpem, mas acho que estou ficando gripado… atchim!

 

queixas

velha bossa nova

se o meu violão falasse

se adormeço

depois do amor

pecado ambulante

fantoche

manhã do nosso amor

o jogador

vai

um grande erro

doidivana

Hebe Camargo – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 37 (2012)

No último sábado, 29 de setembro de 2012, fomos dolorosamente surpreendidos por mais uma perda em nosso meio artístico: a de Hebe Maria Camargo, de parada cardíaca enquanto dormia em sua casa no bairro do Morumbi, em São Paulo. Hebe vinha lutando contra um câncer no peritônio, uma membrana que cobre as paredes abdominais, diagnosticado em 2010. Chegou a curar-se, mas nos últimos tempos o câncer voltou a se manifestar, deixando-a debilitada. Chegou até a assinar um novo contrato com o SBT, onde trabalhou por 25 anos (havia deixado a Rede TV!, onde antes estava, por problemas de salário atrasado), mas o desfecho foi o esperado. E o resultado foi o que todos viram e/ou ouviram: uma comoção geral em todo o país. Afinal, Hebe era como a tia querida, como alguém da família, que transbordava alegria e descontração em seus programas, recebendo entrevistados de diversas atividades em seu sofá (sem esquecer, claro, do selinho), e, quando necessário, demonstrando sua indignação com a situação político-econômica do país. Das grandes emissoras de TV brasileiras, Hebe só não trabalhou na Globo, mas mesmo assim participou de programas da mesma como convidada e homenageada.
Porém, o que poucos sabem é que Hebe começou sua vida artística como cantora. Nascida na cida paulista de Taubaté, em 8 de março de 1929, teve origem pobre, e chegou a trabalhar como arrumadeira aos 12 anos de idade. Em 1943, com os pais e seus seis (!) irmãos, mudou-se para São Paulo. Lá, antes dos 15 anos, começou como cantora, interpretando músicas brejeiras, inclusive chorinhos, na PRG-2, Rádio Tupi, onde assinou seu primeiro contrato profissional. Em 1944. Inspirada nas americanas Andrews Sisters, formou com sua irmã Stela e as primas Helena e Maria o Quarteto Dó-Ré-Mi-Fá (o ré era a Hebe). Quando uma das primas casou, o grupo passou a se chamar As Três Américas. Por fim, com sua irmã, Hebe formou a dupla caipira Rosalina e Florisbela, alcançando sucesso no programa “Arraial da curva torta”, apresentado pelo Capitão Furtado na Rádio Difusora, coligada da Tupi. Mais tarde, por sugestão do diretor das Emissoras Associadas, Gilberto Martins, Hebe optou pela carreira-solo, ganhando o título de “moreninha do samba” (ela só tingiria os cabelos de loiro pela primeira vez em 1957). Gravou seu primeiro disco na Odeon, em 1950, interpretando os sambas “Oh! José” (Esmeraldino Sales e Ribeiro Filho) e “Quem foi que disse?” (Gabriel Aguiar e Valadares do Lago). Em 78 rpm, foram 32 discos com 64 fonogramas, nesse selo e também na RGE e na Polydor. Hebe também lançou seis compactos (quatro duplos e dois simples), e sete LPs, em sua primeira fase como cantora, o último deles em 1967, abandonando o disco em função de seu trabalho na TV. Mas, no final dos anos 1990, Hebe voltaria a gravar, lançando três CDs: “Pra você” (1998), “Como é grande o meu amor por vocês” (2001) e “Mulher” (2010), tendo também participado do CD/DVD “Elas cantam Roberto Carlos”.
Em sua trigésima-sétima edição, o Grand Record Brazil homenageia a querida e agora pranteada Hebe Camargo, apresentando treze gravações por ela realizadas, assim permitindo que se conheça mais a fundo seu trabalho como cantora, ainda hoje pouco conhecido e divulgado. Começamos nossa seleção com o samba “Você quer voltar”, para o carnaval de 1952, de Francisco Alves, Oswaldo Monello e José Roy, gravado na Odeon ainda em 51, no dia 10 de setembro, com lançamento um mês antes da folia, em janeiro, sob n.o 13223-A, matriz 9110. Na faixa seguinte, a marchinha “Sem tambor e sem corneta”, de Dênis Brean e Oswaldo Guilherme, para a folia de 1951, gravada em 18 de novembro de 1950 e lançada também um mês antes daquela folia, em janeiro, com o n.o 13091-A, matriz 8857. Em seguida saltamos para o carnaval de 1955, apresentando o samba “Madalena”, de Oswaldo França e Blecaute (o “general da banda”), gravado em 7 de outubro de 54 e lançado ainda em dezembro, com o n.o 13747-B, matriz 10328. Recuamos depois para a folia momesca de 1954, com outro samba, “Eu não sou Deus”, de José Roy e Fernando Lobo, gravação de 2 de dezembro de 53 lançada um mês antes do carnaval, janeiro é claro, com o n.o 13596-B, matriz 9990. Em seguida, a marchinha “Eu vou de touca”, de Dênis Brean em parceria com outro grande nome do rádio e da TV brasileiros, Blota Júnior, da folia de 1952, que corresponde ao lado B de “Você quer voltar”, matriz 9111. O samba “Cansada de sofrer”, de José Roy e Doca, é o lado A de “Madalena”, matriz 10327. Da Odeon passamos depois para a RGE, apresentando o rock “Serafim”, versão de Clímaco César para “Oh! Josephine”, de Heinz Gietz e Kurt Feltz, lançado em novembro de 1958 com o número 10130-A, matriz RGO-791, e também integrando o compacto duplo “Hebe canta e encanta”. Voltando à Odeon, a clássica marcha natalina “Boas festas (Papai Noel)”, de Assis Valente, originalmente lançada por Carlos Galhardo em 1933, e que Hebe canta aqui junto com Os 4 Amigos. O registro data de 3 de setembro de 1953, lançado em dezembro seguinte com o n.o 13548-A, matriz 9871. Em seguida o samba “Testemunha”, de J. Piedade e Alfredo Godinho, gravado em 28 de maio de 1952 e lançado em julho seguinte com o n.o 13289-B, matriz 9318. Temos depois uma releitura de Hebe para o clássico samba “Não me diga adeus”, de Paquito, Luiz Soberano e João Corrêa da Silva, originalmente lançado para o carnaval de 1948 na voz de Aracy de Almeida. A gravação de Hebe saiu originalmente pela Odeon em um LP coletivo de 10 polegadas, “Carnaval de sempre – Sambas e marchas”, em 1955. Em seguida, mais samba: “Tintim por tintim”, de Portinho e Wilson Falcão, gravação de 17 de julho de 1956 que a Odeon só lançou em abril de 57 com o n.o 14192-B, matriz 11253, incluída também no LP de dez polegadas “Festa de ritmos”. Outra faixa que só saiu em LP, a exemplo de “Não me diga adeus”, é a do samba “Mundo mau”, de Sidney Morais e Júlio Rosemberg, que encerra o álbum “Sou eu”, de 1960. E o encerramento, aqui, fica por conta da polca-dobrado “São Paulo quatrocentão”, de Garoto e Chiquinho, com letra de Avaré (não creditado no selo), que Hebe registrou cantada em 26 de novembro de 1953, com lançamento em janeiro de 54, disco 13594-B, matriz 9986. Enfim, uma seleção em que predominam a alegria e a descontração que Hebe, em todos esses anos de carreira no rádio, no disco e sobretudo na televisão, deu ao público brasileiro, como ninguém!

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim (1967)

Olá, bom dia a todos! Hoje, domingão, estou trazendo aqui um álbum clássico e histórico. O célebre primeiro encontro de Tom Jobim e Frank Sinatra. Eu estava meio na dúvida se devia ou não postar este lp, afinal, lá fora ele continua sendo produzido. Aliás, há poucos anos atrás, foi lançado um cd com todas as gravações feitas pela dupla para o selo Reprise. A história deste encontro, acho que todos já sabem. Por isso, eu não vou ficar aqui ocupando o meu domingo para chover no molhado. Neste disco vamos encontrar dez músicas, sendo oito de Tom Jobim e por garantia, Sinatra escolheu dois ‘standard’ da música americana, “I concentrate on you”, de Cole Porter e “Baubles, bangles and beads”, de Wright e Forrest. Os arranjos e regência são de Claus Orgerman (acho esse cara fera!). O disco foi lançado logo após as gravações, inclusive aqui no Brasil.

the girl from ipanema

dindi

change partners

quiet nights of quiet stars

meditation

if you never come to me

how insensitive

concentrate on you

baubles, bangles and beads

once i loved

Orquestra E Coral De Severino Filho – Onde Nos Leva O Ritmo (1961)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Hoje, por certo, muitos esperavam aqui uma homenagem à cantora e apresentadora de televisão, Hebe Camargo, que veio a falecer na madrugada deste sábado. Eu, infelizmente, fui pego de surpresa, não tinha nenhum disco dela à mão. Aliás situações como essas sempre acontecem quando menos esperamos. De qualquer forma, enviei ao GTM um novo link para o único disco dela que temos postado aqui, o álbum “Sou Eu”, de 1960.

Nosso disco de hoje, que eu já havia preparado com antecedência é “Onde nos leva o ritmo”, álbum raríssimo de Severino Filho, com seu coral e orquestra, lançado pela gravadora Continental, em 1961. Temos aqui uma seleção dos mais variados ritmos, representados em sucessos nacionais e internacionais da época. O grande pecado aqui é o estado do disco. Em algumas faixas não há programa de som que dê jeito, infelizmente. Mesmo assim, vale a pena (e muito) dar uma conferida no ‘carioca’.

pepe

um beijo, nada mais

shimy shimy ko ko bop

je te tendrai les bras

desespero de causa

tenderly

la pachanga

chopin em ritmo de samba

my favorite things

laura

amapola

barração

Cícero Mota – Maculê (1993)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Putz, que friozinho safado está lá fora. Ta bom é para esquentar o peito com um conhaque e é isso que eu vou fazer daqui a pouco. Afinal, hoje é sexta-feira! Antes, porém, deixo aqui o disco do dia. Para não perdermos o costume, vamos com um álbum independente.

Apresento, o mineiro de Uberlândia, o compositor, cantor e violonista Cícero Mota. Descobri este artista não faz muito tempo, embora ele já esteja na estrada há um bom tempo. Fiquei realmente impressionado com a qualidade do seu trabalho. Sem querer fazer comparações, o que aliás não tem nada a ver, mas o seu jeito de cantar e sua musicalidade me fez lembrar o Edu Lobo. Já gostei de cara. Mas o talento de Cícero e suas músicas seguem um caminho próprio. Vamos perceber isso neste “Macule”, que foi o seu primeiro disco, lançado em 1993. Ao que tudo indica, ele continua em Uberlândia trabalhando como professor de violão. Para saber mais sobre o artista, sugiro que vocês conheçam o seu site. Vale a pena conhecer este artista. Eu recomendo 😉

maculê

mundo de estrelas

no meio do mar

blues de viés

cafuné

zig-zag

alvorada

voz de negro

 

Homengem Póstuma À Francisco Alves (REPOST)

Como sei que temos aqui muitos fãs do “Chico Viola”, vou trazendo aqui de novo uma postagem que fiz em 27 de setembro de 2009, como forma de homenagear e lembrar a memória de um dos grandes ídolos brasileiros.

Este disco de 78 rotações foi lançado imediatamente após a morte do cantor, pela Odeon, tendo Dalva de Oliveira como intérprete da marcha rancho “Meu rouxinol”, composta por Pereira Mattos e Mário Rossi. O interessante de notar é o quanto realmente Francisco Alves era querido e prestigiado, a ponto de merecer tal homenagem. O disco tem apenas um lado gravado, no outro a agulha corre silenciosa num sulco sem registro, representando um minuto de silêncio. Podemos dizer que este é um dos discos mais raros postados aqui no Toque Musical. Uma ‘relíquia’ histórica que muitos colecionadores pagariam caro para te-la. Que viva na nossa memória o grande Francisco Alves!

* esta música encontra-se também em um dos volumes da Coleção Grand Record Brazil do Toque Musical e pode ser baixada no GTM.

Ciro Pereira E Sua Orquestra – Música Dos Astros (1962)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje vamos de orquestra que é sempre uma boa pedida e eu sinceramente acho que precisamos estar aqui sempre lembrando o quanto elas foram importantes na história da música popular brasileira. Obviamente essas estão associadas diretamente aos grandes mestres regentes da época de ouro do rádio, televisão e disco – como é o caso aqui do nosso maestro, arranjador Ciro Pereira (ou Cyro, com Y). Ele foi diretor de orquestra nos antigos festivais da TV Record. Atuou como regente em diversos programas musicais da tv, entre eles “O Fino da Bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Começou no rádio como tantos outros mestres, acompanhado cantores, fazendo trilhas, etc… Foi também professor de orquestração na Unicamp e regente da Orquestra Jazz Sinfônica, de São Paulo.

“Música dos Astros” foi o primeiro disco exclusivamente seu, onde ele teve total liberdade para escolher as músicas, arranjar, orquestrar e dirigir sua orquestra. Vamos encontrar aqui uma seleção bem apurada feita pelo maestro, com temas nacionais e internacionais, incluindo também uma faixa autoral, “Minuano”, música que manifesta as suas origens. Lançado pelo selo Continental, em 1962. Querem conhecer? Dá o toque, ok?

sunrise serenade

dueto de saudade

é fácil dizer adeus

tu si, malincunia

sol

monalisa

minuano

sofisticated lady

madureira chorou

my blue heaven

poema

how in the world

Ary Barroso – Meu Brasil Brasileiro (1958)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje, para ‘abrilhantar’ ainda mais nossa semana aqui no Toque Musical, eu estou trazendo um de nossos mais brilhantes compositores da Música Popular Brasileira, o grande Ary Barroso. Acho que até hoje eu ainda não havia postado um disco original dele. Assim, para compensar, vamos com este “Meu Brasil Brasileiro…”, disco lançado pelo selo Odeon em 1958. Este álbum, assim como quase todos os discos gravados por Ary já foram bem divulgados em outros blogs. Eu, inclusive, sempre fiquei incomodado com o fato de que em todo o lugar onde vi este disco postado, as músicas não correspondiam à lista na contracapa. Foi movido também por esse detalhe que eu pensei um dia em posta-lo. Vamos fazer a coisa certa! Mas para a minha surpresa, percebo que o disco que tenho também apresenta a mesma lista comum a todos. Por um momento pensei que tivesse trocado o disco de capa. Mas a verdade é uma só, a lista de músicas, assim como o próprio texto de Lúcio Rangel na contracapa foram colocados erroneamente na ‘embalagem sanduíche’. Uma falha da produção gráfica. Acho que quando perceberam isso, os milhares de discos já estavam nas lojas e provavelmente nem chegaram a corrigir o erro. Creio que este lp veio a ser relançado posteriormente, com outra capa e talvez até com as outras músicas. O certo é que está tudo errado e eu até tentei compor em paralelo a lista da contracapa, mas infelizmente me faltaram alguns fonogramas originais. Se acaso algum dos amigos tiver as músicas que faltam, por favor, envie para mim. Eu monto a ‘versão contracapa’ e coloco aqui para todos. Enquanto isso, vamos curtindo esta beleza. Um disco com mais de 50 anos, mas que está impecável, perfeito para a digitalização. Querem conferir? Dá um toque.

na baixa do sapateiro

o correio chegou

sonho de amor

faceira

foi ela

falta de consciência

aquarela do brasil

perdão

quando a noite é serena

é mentira, oi

folha morta

malandro sofredor

 

Waleska – Canto Livre (1980)

Boa dia todos! Hoje temos em nossa companhia e mais uma vez, a cantora Waleska. Sei que ela tem muitos fãs por aqui, por isso, resolvi emplacar mais um em nosso Toque Musical. Ao contrário de outros discos de Waleska, “Canto Livre” é um álbum que me pareceu mais alegre e solto, tanto pela escolha do repertório como também do produtor, diretor musical e regente, que foi o Sivuca. Aliás, ele também toca em várias faixas! E a Waleska, oras… como sempre, dando um show de interpretação. Grande cantora! Confiram o toque…

a festa

o amor da justiça

a quem possa interessar

choro livre

meu bar

capixaba do mato

acorda Alice

mulher de forno e fogão

bêbados e boêmios

choro cantado

mesmas ilusões

alessandra

 

 

Francisco Alves E Pixinguinha – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 36 (2012)

Neste mês de setembro, mais exatamente no dia 27, estamos comemorando os 60 anos da trágica morte do cantor Francisco Alves, em acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, na cidade paulista de Pindamonhangaba, divisa com Taubaté, no Vale do Paraíba, quando um caminhão que estava na contramão colidiu com seu automóvel, um Buick azul. O cantor tinha 54 anos, e a tragédia enlutou todo o país. Seu corpo, carbonizado, foi enterrado no Cemitério São João Batista, em seu Rio de Janeiro natal, para o qual estava regressando quando houve o acidente fatal, no dia seguinte à sua última apresentação pública, acontecida em São Paulo, no Largo da Concórdia, no Brás. A tumba de Chico, até hoje, atrai inúmeros visitantes e fãs do cantor, mesmo depois de tanto tempo passado de sua morte.
O Grand Record Brazil, evidentemente, não poderia deixar a data passar em branco. Em sua edição de número 35, presta uma homenagem à memória do eterno Francisco Alves, apresentando doze fonogramas por ele registrados na Victor (ou RCA Victor, como queiram), gravadora da qual foi contratado entre 1934 e 1937, lá deixando 49 discos com 96 músicas. Em todos eles, os arranjos e regências são do mestre Pixinguinha, em mais uma contribuição fabulosa que deixou para nossa música popular. Em quase todas as faixas, Pixinguinha acompanha Francisco Alves com sua orquestra Diabos do Céu, considerada uma autêntica “jazz band” de sua época. Vamos às faixas, pela ordem:
Para começar, apresentamos um samba da parceria Bide-Marçal: “Durmo sonhando”, que Chico gravou em 20 de abril de 1934 com lançamento em agosto seguinte sob n.o 33812-A, matriz 79610. Damos depois um salto para o carnaval de 1935, apresentando uma marchinha de Lamartine Babo e Hervê Cordovil: “Moreninha sweepstake”, gravação de 21 de dezembro de 1934 lançada um mês antes da folia, janeiro, sob n.o 33894-A, matriz 79803. A marchinha cita o slogan de propaganda do achocolatado em pó Toddy: “Não tem nem pode ter similares”. O sweepstake do título era um prêmio especial, uma espécie de loteria do turfe, cujo resultado era vinculado a cavalos vencedores, instituído pelo Jockey Clube Brasileiro em 1933, nos moldes europeus. Naquele ano, o bilhete vencedor foi o do cavalo Mossoró, que abiscoitou 500 contos de réis. A terceira faixa é o samba “Reclamando a sorte”, de Nilo Almeida Fonseca, o lado B de “Durmo sonhando”, matriz 79611. Mais um samba vem em seguida: “Você chorou”, subintitulado “Me admiro é você”, de autoria de Sylvio Fernandes, o Brancura, gravado por Chico em 8 de julho de 1935 e lançado em agosto seguinte com o n.o 33959-A, matriz 79968, sendo incluído na burleta “Da Favela ao Catete”, de Freire Júnior, encenada no Teatro Recreio carioca, incluindo músicas de vários autores e da qual Francisco Alves também participou. Malandro histórico, temido por sua valentia, Brancura morreu ainda em 1935, com apenas 27 anos de idade. Temos em seguida a marchinha “Olha pra lua”, de autoria de Nássara e Cristóvão de Alencar, o “amigo velho” (aqui assinando com seu nome verdadeiro, Armando Reis), gravação de 13 de abril de 1934, lançada em julho seguinte com o n.o 33801-A, matriz 79602. Depois tem o samba “Me queimei”, também de Nássara, agora em parceria com Walfrido Silva, gravação de 28 de janeiro de 1936 lançada para o carnaval desse ano, em fevereiro, disco 34038-A, matriz 80100. E tem mais samba: “Linda mulher”, de Erlúcio Godoy, Orlando Machado e Orestes Barbosa (este último sem crédito no selo), que Francisco Alves gravou em 17 de abril de 1934, mas a Victor só lançou em dezembro desse ano, com o n.o 33857-B, matriz 79608. Em seguida, a marcha “aux flambeaux” “A melhor das três”, de Lamartine Babo e Alcyr Pires Vermelho, do carnaval de 1935, correspondente ao lado B de “Moreninha sweepstake”, matriz 79804. A letra faz referência ao processo movido pelos irmãos Raul e João Vítor Valença contra a omissão do nome deles, como parceiros de Lamartine, no disco original da marchinha “Teu cabelo não nega”. Lalá participa deste registro como cantor, não creditado no selo original. Do carnaval seguinte, 1936, é outra marchinha, “Marido da Eva”, de Nássara e Sylvio da Fonseca, gravada por Chico Alves em 7 de janeiro desse ano e lançada bem em cima da folia, em fevereiro, com o n.o 34033-A, matriz 80077. Foi uma das dez músicas que o Rei da Voz lançou para aquele carnaval, todas bem cantadas. Da folia de 1937 é a marchinha “Parei com elas”, do prolífico Nássara agora junto com Alberto Ribeiro, gravação de 18 de novembro de 1936, lançada ainda em dezembro sob n.o 34131-A, matriz 80260. Depois, desse mesmo carnaval, a lírica marchinha, do mestre Ary Barroso, “Uma furtiva lágrima”, que aproveita algo da ária de mesmo nome, da ópera “L’elisir d’amore”, de Caetano Donizetti, publicada em 1832. Chico gravou a marchinha em 17 de novembro de 1936, com lançamento ainda em dezembro com o n.o 34113-A, matriz 80244. E, para encerrar com chave de ouro, um clássico do samba: “É bom parar”, de Rubens Soares e Noel Rosa, sendo que este último aceitou ficar de fora dos créditos na edição e no disco. É a única das faixas desta seleção em que Francisco Alves é acompanhado não pelos Diabos do Céu, mas pelo Conjunto Regional RCA Victor. Sucesso estrondoso do carnaval de 1936, corresponde ao lado B de “Me queimei”, matriz 80101, e cita dois versos da valsa-canção “A mulher que ficou na taça”, de Chico Alves e Orestes Barbosa (“Mais cresce a mulher no sonho/ na taça e no coração”). “É bom parar” seria, inclusive, regravado por Francisco Alves na RCA Victor apenas três dias antes de seu trágico falecimento, em 1952, juntamente com ‘A mulher que ficou na taça”, mais “Serra da Boa Esperança” e “Foi ela”, devidamente autorizado pela Odeon, onde então trabalhava. Enfim, estas doze faixas com o eterno Francisco Alves acompanhado por Pixinguinha são o preito de saudade do GRB à memória do Rei da Voz, que, passados 60 anos de seu trágico passamento, ainda é uma importante referência na história de nossa música popular.
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Milton Banana Trio (1965)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Domingão cheio de atividades! Já estou indo para rua. Antes porém, aqui vai o toque do dia: Milton Banana Trio. Um super disco! Escolhi a dedo, pois sei que nem preciso ficar me estendendo. Além do mais, tô pagando uma dívida, com direito ao link imediato, já postado no GTM. No que depender da trilha, o dia vai ser ótimo!

garota i

primitivo

samba de verão

primavera

nanã

samba do avião

minha saudade

ela é carioca

sambou, sambou

noa… noa

inútil paisagem

samblues

 

 

Gaya E Sua Orquestra – Um Brasileiro Em Paris (1959)

Boa noite, meus caros! Continuo devendo novos links, sempre, mas logo e aos poucos todos vão sendo atendidos. O que não pode faltar é a postagem diária, que acabou se transformando na ‘música do dia seguinte’, afinal o link só aparece no outro dia (e se alguém pedir).

Na postagem de hoje eu estou trazendo um disco para quem gosta de música francesa, mas também não abre mão dos ritmos brasileiros. Eis aqui um álbum bacana do maestro Lindolpho Gaya e sua orquestra, lançado, aparentemente, em 1959 ou 60. Não consegui localizar a data precisa. Seguindo a trajetória de vida artística de Gaya, deduzi que o álbum seja lá de 59. Temos neste lp, de selo Odeon, um apanhado de músicas francesas. Uma seleção do maestro, relembrando os bons tempos que viveu em Paris. Temos aqui doze clássicos da música popular francesa em arranjos que só mesmo um brasileiro como o Gaya poderia fazer. Ele transforma a ‘Chanson de France’ em samba, baião, marchinhas e toadas. Não fosse pela melodia, qualquer um entenderia como sendo música brasileira. Aliás, é interessante notar que qualquer tipo de música se adapta muito bem no samba. Ta tudo dominado!

valentine

vous que passez sans me vois

la vie en rose

la mer

un peu d’amour

douce france

la goualante du pauvre jean

pigalle

parlez-moi d’amour

c’est si bon

j’attendrai

paris je t’aime

Maria Rita Stumpf – Brasileira (1988)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje é sexta feira dia em que geralmente sempre adoto para postar artistas e suas produções independentes. De uns tempos para cá isso deixou de ser regra, mas continua valendo nas eventualidades, já que poucos são os artistas independentes que vem nos procurando atualmente. Assim sendo, vamos na sequência com um disco independente, raro e dos mais interessantes. Temos aqui a cantora e compositora gaúcha Maria Rita Stumpf, um nome talvez pouco conhecido, mas que na década de 80 chegou a ser cotada como uma das grandes revelações, concorrendo ao III Prêmio Sharp, ao lado de Marisa Monte, que foi quem levou a melhor. Certamente, Maria Rita só não faturou o prêmio devido ao apelo comercial por trás da outra cantora. Maria Rita é mais que uma simples cantora. Ela é também uma compositora, tendo lá um talento que vai além do popular. Sua musicalidade e sua arte expressam qualidade e refinamento, coisa, obviamente, para poucos. Talvez por isso mesmo é que ela acabou ficando meio esquecida, ou melhor dizendo, limitada a um público muito específico. Gravou também um outro disco raro de achar, chamado “Mapa das Nuvens”, mas depois sumiu da cena fonográfica. Pelo que sei, ela acabou se enveredando para o trabalho de produção cultural, criou uma produtora chamada Antares e passou a promover eventos com artistas renomados, trazendo ao Brasil espetáculos como “Zorba, O Grego”, “Lês Ballets Jazz de Montreal”, Orquestra de Câmara da Hungria, o flautista Jean Pierre Rampal e muitas outras atrações cênicomusicais.

“Brasileira” é o nome deste seu primeiro álbum, gravado no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, em 1987, sendo lançado no ano seguinte. Neste trabalho de estréia Maria Rita contou com a ajuda e participação de Luiz Eça, que havia sido seu professor e chegou inclusive a se apresentar com ela em show. Estão presentes também no disco o músico e maestro gaúcho Ricardo Bordini e outro, o mineiro Marco Antonio Guimarães com o seu até então pouco conhecido grupo Uakti. Todas as músicas são de autoria de Maria Rita, exceto “Felicidade”, de Lupicínio Rodrigues e “Lamento Africano”, um canto tradicional angolano. Como já dizia o Caetano Veloso em seu “Araçá Azul”: um disco para entendidos!

cântico brasileiro nº 3 (kamaiurá)

felicidade

cântico brasileiro nº 6 (temporã)

canção da garoa (poesia de Mario Quintana)

lamento africano / rictus

a cidade

relhaços

trilhas

melodia de veludo

canção de barco e de olvido (poesia de Mario Quintana)

o amor

 

Bob Fleming (1961)

Bom dia amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estou trazendo um disco que eu considero nota 10. Um dos primeiros álbuns do selo Musidisc, lançado em 1961 e apresentando o saxofonista criado por Nilo Sérgio, Bob Fleming. Quem acompanha o blog sabe que aqui temos outros discos desse artista e em vários outros momentos falamos sobre a real identidade do mesmo. Muitos falam que Bob Fleming era o saxofonista Moacyr Silva, depois passou a ser o Zito Righi… São tantas histórias e lendas que eu já nem sei mais qual é a verdade. Hoje, ao iniciar essa postagem, ainda agora, li no site “Agenda do Samba Choro” (uma lista de discussão sobre MPB) um texto que me deixou ainda mais confuso. Trata-se de um e-mail enviado ao site, em junho de 2004, pelo saxofonista Moacyr Marques da Silva onde ele tenta esclarecer a verdade sobre o assunto. Segue logo a baixo uma cópia do texto, que pode também ser conferido na própria lista do Samba Choro:

Rio de Janeiro 06 de junho de 2004. 

Prezados Senhores. 

Como testemunha viva dos fatos descritos sobre “BOB FLEMING”, gostaria de
esclarecer que eu, Moacyr Marques da Silva, músico, saxofonista, citado em
seu site: 

“Caro internauta. Quero aqui informar-lhe que muito há que reparar neste seu
release sobre Bob Fleming. Não sei que fontes vc consultou, mas são muito
imprecisas. Conheci, pessoalmente, por intermédio de membros de minha
família o verdadeiro Bob Fleming, pseudônimo usado por um grande músico
brasileiro do Rio de Janeiro, cujo nome correto é Moacir Marques, que
apesaqr de não ser americano era branco, nada tendo a ver com o Moacir
Silva, outro grande músico brasileiro, este sim negro. Moacir Marques, tocou
em diversas orquestras ( inclusive da Rádio Nacional ) e formou um conjunto
que tinmha seu nome e tocava em diversos bailes do Rio de Janeiro e
adjacencias.Tive o privilégio de receber de suas mãos aquerle LP onde na
capa aparecia algém vestido numa armadura tocando sax. Procure pesquisar
mais em cima destas minhas informações e refeça ou retire do ar seu artigo,
para que evitar que com o passar do tempo essa incorreção venha a se tornar
uma verdade que nenhum dos dois Moacir merecem”.

Não fui e jamais gravei com este pseudônimo, criado por Nilo Sérgio, dono da 
gravadora Musidisc, à época, para Moacyr Silva (Negro) e posteriormente para
 
Zito Rig (branco), outro saxofonista. Como músico profissional exerci a
 
função em diversas gravadoras (Copacabana Disco e Odeon, funcionário
 
efetivo) e rádios ( Tupi, Nacional e outras). Fui integrante e fundador da
 
Orquestra da Rede Globo de Televisão, enquanto existiu (23 ANOS).Tive meu
 
próprio conjunto musical, com o qual gravei 6 LP’s, entre os anos 60 a 66.
 
Integrei a Orquestra de Ary Barroso e do Maestro Copinha. Me apresentei com
 
grandes artistas Internacionais.
 
Em meados de 1966, com a Orquestra do Maestro Copinha, me apresentei no baile
 
beneficente da Cruz Vermelha Internacional oferecidos pelo Príncipe de
 
Mônaco em seu palácio; gravei com todos os grandes cantores da música
 
popular brasileira (ver ficha técnica nos LP´s – Simone, Gilberto Gil,
 
Bethanea, Gal Costa, Elizete Cardoso, e muitos outros). E, ainda, sou
 
funcionário público estatutário, aposentado na categoria de músico –
 
clarinetista baixo – da Orquestra Sinfônica Nacional do Ministério da
 
Educação, lotada na Universidade Federal Fluminense. Apesar da semelhança
 
dos nomes, Moacyr Marques da Silva, ou melhor, Moacyr Marques, “BIJOU”, como
 
sou conhecido no meio musical, jamais poderia ser confundido com o grande e
 
respeitado amigo Moacyr Silva, cuja a carreira abrilhantou a música
 
brasileira. Para maiores esclarecimentos, entre em contato:
 
Tels: 21-2447-1446 ou 21-2447-0139 horário da manhã.
 
Aproveito pra parabenizar o autor dos artigos sobre Moacyr Silva, e solicito
 
que desconsiderem as observações do Sr. Reginaldo Gomes de Souza. Grato pela
 
atenção.
 
Moacyr Marques – BIJOU.
 

Sinceramente, eu já não estou entendendo mais nada sobre essa história. Porém, como um dos muitos divulgadores do ‘sax’ criado por Nilo Sérgio, me vejo na obrigação de apresentar todos os fatos e versões. Qual é a verdade? Taí uma questão cheia de polêmica, que vale novamente vir à tona. Vamos comentar?

nosso amor

fechei a porta

é luxo só

teleco-teco nº 2

meditação

cheiro de saudade

a noite do meu bem

fim de caso

ideias erradas

e daí?

mundo mau

ho-ba-la-la

rio de janeiro (isto é meu brasil)

cidade maravilhosa

dizem por aí

o amor e a rosa

se acaso você chegasse

agora é cinza

chora tua tristeza

ri

carinho e amor

menina moça

o nosso olhar

exemplo

Sivuca – Sivuca At The Village Gate (1975)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Puxando da ‘gaveta’, aqui vai o disco do dia, “Sivuca, Live At The Village Gate”. Este, na verdade, não é bem um ‘disco de gaveta’, como eu digo para aqueles que ficam sempre na reserva, para as horas de emergência. Acontece que é um álbum que eu estive ouvindo no fim de semana e mesmo já bem divulgado em outras fontes blogueiras, achei por bem posta-lo no Toque Musical. Com certeza, os amigos irão gostar, pois se trata do Sivuca e dele não há nada que se possa reprovar (e nem de mim por cair na ‘redundância sivucana musical’)

“Live at the Village Gate” foi um disco lançado por Sivuca em 1972 através do selo americano Vanguard. Gravado em Nova York, ao vivo, no tradicional ‘nightclub’ Village Gate. Neste show, Sivuca vem acompanhado por músicos estrangeiros e traz um repertório fino, mesclado de música popular brasileira e o jazz, feito mesmo com cuidado para surpreender e agradar o público americano. O Show foi tão bom que mereceu este registro em disco, que por sinal é considerado um dos melhores álbuns da carreira do grande Sivuca. Em 1975 o lp foi também lançado aqui no Brasil, através da gravadora Copacabana. Sem dúvida, um grande disco!

adeus maria fulo

berimbau

it might have been

rancho fundo

ain’t no sunshine

marina

coisa nº 10

batucada

Orquestra Chantecler – Cumbia E Outros Ritmos Latino Americanos (196…)

Boa noite a todos! Hoje eu estou trazendo um disco que é bem a cara das postagens do Toque Musical. Adoro discos que trazem alguma coisa de curiosa e interessante. No caso aqui, trata-se de um disco lançado originalmente na Bolívia (vejam vocês), sob o título de “Discoteca Del Dia”. Segundo nos informa o texto da contracapa, foi um tremendo sucesso tanto lá quanto em outros países sul americanos. O que levou o seu lançamento também no Brasil. O curioso disso tudo é que o disco foi gravado aqui e por uma orquestra e regente brasileiros. Acredito que a indústria fonográfica brasileira também abastecia os países vizinhos e, obviamente, tocando o que eles gostavam de escutar. A cumbia é mais um desses ritmos latinos de origem afroamericana, tradicional da Colômbia e Panamá, mas que se popularizou por toda a América Latina, principalmente nos anos 50.

Neste álbum, podemos encontrar 14 faixas com duas músicas em cada uma, o que nos dá um rico mostruário num repertório bem adaptado para a cumbia e outros ritmos latino americanos. Um disco orquestral sob a regência do maestro Francisco Moraes.

Por mais que eu tenha procurando, não encontrei a data de seu lançamento, mas creio que este álbum saiu aqui no início dos anos 60. Se algum dos amigos cultos tiver aí mais alguma informação, por favor, não se faça de rogado… o comentário está aí é para isso mesmo.

Desta vez, não vou tomar o trabalho de repetir aqui a relação de músicas (são tantas que me dá até preguiça). Tá na capa!

 

Instrumental – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 35 (2012)

Chegamos à trigésima-quinta edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Nesta semana, apresentamos mais uma seleção do melhor do “easy listening” tupiniquim, ou seja, a nossa música instrumental.

Para começar, apresentamos raridades executadas por um violonista que deixou sua marca na história de nossa música popular: Américo Jacomino, o Canhoto (São Paulo, 1889-idem, 1928). Filho de imigrantes napolitanos, ele foi um dos responsáveis pelo “enobrecimento” do violão, antes considerado um instrumento de menor importância, dizia-se até que só marginais faziam uso do mesmo. Tocava com a mão esquerda, daí o apelido de Canhoto. Sua peça mais conhecida, a valsa “Abismo de rosas”, foi por ele gravada pela primeira vez em 1916, com o nome “Acordes do violão”, recebendo o nome que a consagrou em 1925, numa execução bem mais lenta e elaborada. Canhoto morreu prematuramente, aos 39 anos de idade, por problemas cardíacos. Aqui, duas autênticas preciosidades da fase mecânica de gravação, ambas valsas, gravadas entre os dias 16 e 26 de junho de 1913 pela lendária Casa Edison, selo Odeon, e de autor desconhecido: “Adeus, Helena”, com o grupo do violonista, número 120600, e “Lágrimas de amor”, com Canhoto integrando o Grupo dos Chorosos, disco 120624, matriz SP.36. Esses dois registros fizeram parte da primeira série de gravações paulistas da Casa Edison, que teve um total de 82 matrizes!

Instrumentista, cantor, compositor e maestro, o carioca João Thomaz de Oliveira, aliás J. Thomaz (c.1900-ant.1964) costumava reger suas orquestras de luvas brancas, isso porque, quando ele era baterista, queimou as mãos ao soltar um foguete numa festa de São João. E nada sabia de música! Dele apresentamos o disco Victor 33460, gravado em 28 de julho de 1931 e lançado em setembro do mesmo ano, com dois maxixes. Abrindo-o, a matriz 65203 apresenta  “Levanta, meu nêgo”, de autoria do mestre Pixinguinha. No verso, matriz 65202, uma composição do próprio J. Thomaz em parceria com Sátiro de Melo, “Vê se pode”.

A carioca Carolina Cardoso de Menezes (1916-1999) fazia parte de um clã de ilustres pianeiros, sendo filha de Oswaldo Cardoso de Menezes e da dona Sinhá, que também tocavam, é claro. Carolina começou a estudar piano aos 13 anos, e chegou a ter aulas até mesmo com Chiquinha Gonzaga. Mesmo com idade avançada e problemas de saúde, apresentou-se em recitais até falecer, em 31 de dezembro de 1999. Aqui, Carolina, acompanhada de grupo rítmico, nos brinda com sua arte tão pianística e brasileira com as faixas do disco Odeon 13611, gravado em 20 de outubro de 1953 e lançado em março de 54. No lado A, matriz 9938, o choro “Uma farra em Campo Grande”, de autoria de outro pianista de renome, Romualdo Peixoto, o Nonô, tio dos cantores Cauby Peixoto e Ciro Monteiro, e por ele próprio lançado em 1932. No verso, matriz 9939, um baião de autoria dela própria, “Vem cá, meu amor”.

O paraguaio Luiz Bordón (1926-2006) recebeu incentivo de seus pais desde a infância para dedicar-se à música. Com sua harpa, fez apresentações no Paraguai e no Brasil (onde residiu por vários anos), e seu álbum mais famoso é “A harpa e a cristandade”, com músicas de Natal, editado em 1960 e que mereceu um segundo volume cinco anos depois. Residiu por três anos nos EUA e voltou ao Paraguai, onde morreu aos 80 anos. Aqui, apresentamos o disco Chantecler 78-0238, lançado em março de 1960, que abre com o clássico “Baião de dois” (o arroz com feijão no Ceará), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, matriz C8P-475, originalmente lançado por Emilinha Borba em 1950. No lado B, matriz C8P-476: uma versão, em ritmo de tango, da marchinha “Me dá um dinheiro aí”, dos irmãos, Homero, Ivan e Glauco Ferreira, hit do carnaval daquele ano na voz de Moacyr Franco, e inspirada no mendigo por ele interpretado na “Praça da Alegria”, na TV. Ambas as gravações também chegaram ao LP, afinal era uma época de transição de formatos: “Baião de dois” saiu em “Harpa paraguaia em hi-fi – volume 3”, e “Me dá um dinheiro aí” em “Recordando carnavais”.

Um dos maiores ‘bandleaders’ brasileiros, o paulistano Sylvio Mazzuca (1919-2003) também foi pianista e exímio executante de vibrafone. Sua orquestra, nos anos 1950/60, era a mais solicitada para animar bailes e festas em São Paulo, além de também se exibir em bailes de formatura no Rio de Janeiro. Continuou atuando até meados dos anos 1990, viajando pelo país a bordo de um ônibus especialmente adaptado. De Mazzuca e sua prestigiadíssima orquestra apresentamos o disco Copacabana 5145, lançado em agosto-setembro de 1953. De um lado, o fox-slow “Limelight”, matriz M-554, composição de Charles Chaplin incluída em seu filme de mesmo nome, o famoso “Luzes da ribalta” no Brasil (só foi lançado nos EUA em 1972, pois Chaplin estava incluído na lista negra do macartismo). No verso, matriz M-555, um choro do próprio Mazzuca, “Travesso”.

Para terminar, apresentamos dois clássicos do mestre Zequinha de Abreu (Santa Rita do Passa Quatro, SP, 1880-São Paulo, 1935), executados pela Orquestra Colbaz, com piano e regência do maestro Gaó (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Os demais integrantes eram Jonas Aragão (clarineta), Zé Carioca (violino), Petit (violão), José Rielli (acordeão) e Atílio Grany (flauta).  Colbaz era o endereço telegráfico da gravadora Columbia do Brasil, que lançou esse disco em junho-julho de 1931 com o número 22029. Abrindo-o, matriz 381027, a bela valsa “Branca”, que Zequinha compôs em homenagem à filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita, então com 13 anos de idade, e a quem muito admirava, “a gentil senhorita Branca Barreto”, nome dado inclusive a pedido do chefe da estação, muito amigo do compositor. O verso, matriz 381028, é o famoso “choro sapeca” “Tico-tico no fubá”, mundialmente conhecido e gravado inúmeras vezes. Foi composto em 1917 como “Tico-tico no farelo”, e lançado por Zequinha durante um baile animado por sua orquestra. Mas já havia outra música com esse nome, daí o farelo ter sido trocado pelo fubá. Esse disco permaneceria em catálogo por vários anos, e teve outras edições: pela mesma Columbia, com o número 55038, e pela Continental, com o número 15004. E encerra a edição desta semana do GRB, que certamente proporcionará momentos muito agradáveis de recordação e enlevo. Aproveite!

TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.