Muito bem, estamos próximos de completar 3 anos de existência. Sinceramente, eu não esperava chegar até aqui. Mas é interessante notar como, ao longo desse tempo, o blog foi se transformando e eu, como protagonista fui também aprendendo e me transformando. Só mesmo o meu cabelo eu ainda não mudei, ainda prezo muito o meu estilo ‘black power’ (e esse sorriso maroto que encanta as mulheres). Continuo com o mesmo visual, hehehe…
Bom, mas vamos ao que interessa… Hoje tem Nicolino Cópia, mais conhecido como Copinha. Eis aqui um artista merecedor da nossa atenção. Flautista, saxofonista e clarinetista. Acompanhou Francisco Alves, Gastão Formenti, Moreira da Silva, Orlando Silva, Elizeth, Lúcio Alves, Nora Ney, passando em seguida pelas outras gerações como Gil, Caetano, Milton Nascimento, Beth Carvalho e outros. Quer dizer, o cara tocou com e para os mais diversos artistas da MPB e em diversos períodos.
“Jubileu de Ouro”, conforme nos explica na contracapa Juarez Barroso, é um disco que busca mostrar a extensão do trabalho musical de Copinha, dentro de vários períodos de sua carreira. Outro grande barato do disco é a participação de diversos músicos instrumentistas, todos devidamente listados também na contracapa. Há porém de destacarmos a presença de Nora Ney e Luiz Bandeira, Radamés Gnattali no piano e também como arranjador. Os arranjos também correm por conta de Waltel Branco, K-ximbinho e o próprio Copinha. O repertório procura abranger todos os perídos da música popular brasileira até os anos 70. Temos assim músicas que vão de Pattápio Silva, Pixinguinha, Noel Rosa, passando por Tom Jobim, Carlos Lyra, até chegar em Paulinho da Viola. Não esquecendo de duas composições próprias, “Reconciliação” e “Lambada”. Para resumir, temos aqui um excelente trabalho que vale mesmo a pena conferir 😉
Waldir Calmon – Feito Para Dançar (1954)
Olá! Hoje e mais uma vez eu estou trazendo para um toque musical o aqui sempre festejado Waldir Calmon. Temos nesta postagem o álbum que deu origem à série “Feito para dançar”. Foi o primeiro ‘long play’ feito para se dançar, cujo o conceito não se limitava apenas ao estilo de música dançante, mas também à sua duração. Era a primeira vez que um álbum trazia em uma de suas faces uma única faixa longa, sem pausa, pensada exatamente para que se pudesse dançar mais. São quinze minutos num ‘pot pourri’ dançante que fazia a alegria do casal. A ideia pegou e logo todos os discos do gênero eram lançados dessa forma.
Este é mais um daqueles discos do Calmon que eu aprendi a gostar. Tem aqui duas músicas, as quais eu gostaria de destacar. A primeira, que faz parte da seleção de ‘pot pourri’ e abre o disco é a impagável “Sistema Nervoso”, de Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.. Este samba foi gravado originalmente por Orlando Correia, em 1953, tendo se tornado um sucesso radiofônico da época e é uma das músicas mais curiosas que conheço. A letra fala de um homem que teve o seu sistema nervoso abalado pelo fantasma de uma mulher. Me lembro de, ainda bem pequeno, ouvir ouvir essa música e a associá-la à Familia Adams, me parecia a coisa mais assombrosa do mundo. Na versão instrumental de Waldir Calmon ela deixa de ter um aspecto estranho e agrada bem aos ouvidos e pés. “Sistema Nervoso” foi também gravada por Wilson Simonal, numa versão de tirar o chapéu. Outros que gravaram a música foram a cantora Simone e Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos. Esta música foi também alvo de inspiração para o curta metragem (e ainda inédito) de mesmo nome, do um cineasta mineiro C. Falieri. A outra música que eu gostaria de destacar é o mambo “Luar”. Observem a introdução desta música, não parece coisa feita em 1954. Calmon conseguiu o que outros viram a fazer só dez anos depois. Acho isso surpreendente…
Os Catedraticos – Tremendão (1964)
Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu de volta, depois de uma semana longe das postagens. Foi bom para descansar um pouco dessa agitação. Fui correr montanhas, respirar ar puro e tentar por em ordem algumas coisas na minha cabeça. Pena que a semana, nessas horas seja tão curta e como num sonho, acaba quando a gente menos espera. Descansei, mas vendo pelo número de e-mails que terei pela frente para responder, já começo a ficar cansado de novo 🙂 Peço a todos um pouco de paciência, responderei aos e-mails, mensagens e comentários ao longo dos dias. Ainda bem que eu tenho até a próxima semana para por ordem na casa 🙂
Oswaldinho da Cuica – Preto No Branco (1985)
Na sequência do samba, aqui vai mais um, desta vez de São Paulo. Osvaldinho da Cuíca é um sambista de respeito da terra da garoa. Entre 1967 e 1999 ele fez parte do conjunto Demônios da Garoa. Paralelo a isso atuou também ao lado de artistas como Nelson Gonçalves, Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Cartola e muitos outros. Não tenho bem certo, mas acho que “Preto no branco” foi seu primeiro disco solo. Participam do álbum, entre outros artista e sambistas, o percussionista Papeti e também Cido Bianchi. Os arranjos são de Edson José Alves. Lançado originalmente em 1985 pelo selo independente Somda, saiu em 2005 em formato cd. Quem gostar pode adquirir o cd que (dizem) ainda está a venda.
Partido Em 5 – Volume 1 (1975)
A partir do próximo sábado eu estarei entrando de férias. Neste dia farei uma última postagem e retornarei no fim do mês, ainda a tempo de comemorarmos os três anos de existência do Toque Musical. Enquanto isso, vamos levando a semana na base do pandeiro e no samba.
Hoje, para não variar, temos aqui um disco que fez muito sucesso na época de seu lançamento. “Partido em 5” foi o nome escolhido para denominar a reunião de um grupo de sambistas de respeito. Uma turma comandada por Candeia. Temos aqui mais do que um ‘partido em 5’, mas talvez oito ou mais. Além de Candeia, temos outros bambas que são: Velha, Casquinha, Wilson Moreira, Anézio, Joãozinho da Pecadora e ainda figuras como Marçal e Mestre Luna. Li num desses sites sobre samba que o Wilson Moreira era na época carcereiro e depois do sucesso deste disco ele decidiu largar a profissão, assumindo de vez a carreira paralela de sambista. O álbum, lançado pela Tapecar em 1975, não traz nenhuma informação sobre esses artistas. Nem ao menos eles são citados. O disco não tinha a pretensão de ser álbum de carreira. Foi criado apenas para atender a um mercado onde o que menos importa são informações detalhadas. “Partido em 5” foi um álbum que vendeu bem e deu origem aos volumes 2 e 3. Candeia só participou dos dois primeiros. Neste álbum temos apenas três faixas, mas o pagode corre solto numa espécie de ‘pot pourri’ de sambas. Essa série foi relançada pela Sigla nos anos 80 e novamente em formato cd na década seguinte. Confiram o toque…
Paulo Moura Hepteto – Mensagem (1968)
Que desagradável surpresa saber que hoje faleceu um dos maiores instrumentistas brasileiros, o grande Paulo Moura. Não tive nem tempo de preparar uma homenagem com um disco inédito. Aliás eu nem tenho nada que já não esteja postado neste e em diversos outros blogs. Paulo Moura sempre mereceu a atenção dos blogueiros de música, porque ele foi um músico presente em várias frentes e também nos bastidores. Sua atuação foi sempre pautada na qualidade, o que fez dele um artista especial e acima da média.
Segue aqui esta postagem especial, trazendo um disco também especial. Música instrumental, jazz, talento brasileiro. “Mensagem” é um álbum que tem a cara do artista. Aqui ele vem acompanhado por um time de músicos também de primeira: Wagner Tiso, Oberdan Magalhães, Darcy da Cruz, Cesário Constâncio, Pascoal Meirelles e Luiz Carlos. O repertório privilegia Milton Nascimento, com metade das músicas sendo de sua autoria ou parcerias.
Valeu Paulo Moura!
Moreira Da Silva – Manchete Do Dia (1970)
Na sequência do blá, blá, blá, aqui vou eu com mais uma raridade que não se encontra fácil por aí. Mais uma vez marcando presença em nosso toque musical, temos o grande Moreira da Silva em seu disco “Manchete do dia”. Este álbum consta em algumas referências como sendo de 1970, eu cá tenho as minhas dúvidas. Se não me falha a memória, este disco já rolava lá em casa antes dessa época. Foi mesmo uma grata surpresa reencontrá-lo depois de tanto tempo. “Manchete do dia”, embora não seja um dos discos mais comentados do velho malandro, não deixa de ser tão excelente quantos outros. Quase todas as músicas são de sua autoria ou em parceria. Um disco de samba, sim senhor. Confiram aí…
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Sergio Mendes And The New Brasil ’77 (1977)
Bom dia a todos! Enfim a Copa do Mundo acabou. O Brasil precisou sair antes da hora para garantir de vez o direito de sediar o próximo evento em 2014. Dizem que a CBF vem pagando isso desde a Copa de 2006. Se é verdade ou não, eu não posso afirmar, mas vou no boato. Seja como for, fica aqui os meus parabéns à Seleção da Espanha, que literalmente suou a camisa para chegar onde chegou. Quanto ao Brasil, vamos continuar sonhando…
Este disco do Sérgio Mendes já estava separado, exatamente para o dia em que o Brasil se ferrou nos pés dos holandeses. Como todos, fiquei super chateado e acabei me esquecendo de postá-lo. O presente álbum pode ser entendido como uma analogia à situação da nossa seleção. Começando pela capa, temos um ‘escrete de ouro’, cheio de feras, mas todos ‘estrangeiros’. Nosso goleiro, Sérgio Mendes, resolve bater de juíz e passa a camisa para o convidado especial, Stevie Wonder. Este por sua vez não viu a bola e tomou de cara dois gols. A arte dessas feras já não convence os brasileiros, eles não falam a nossa língua. A contracapa é talvez a melhor representação, o Brasil se ferrou! Há também o encarte, que não coloquei aqui, mas nele há uma foto do Pelé como um médico, levando o Sérgio Mendes numa cadeira de rodas. Só mesmo o Rei para salvar a situação. Definitivamente, este não é um disco brasileiro. Mas dentro dessa comparação, fica bem claro que a bola já não está mais em nossas mãos e nem nos pés. Diziam que o Sérgio Mendes era um vendido, mas vendidos mesmo foram os nossos jogadores. Vendidos e comprados…
Deo Rian – Inéditos De Jacob Do Bandolim (1980)
Olá amigos! Hoje eu vou ser mais breve que de costume. Estou numa preguiça de dar inveja. Por mim, ficaria apenas deitado ouvindo uma boa música, de papo pro ar 🙂 Mas o dever me chama, tenho compromissos… Mas antes, vou deixar aqui a minha postagem do dia, que há muito já se transformou em compromisso.
Segue aqui um excelente álbum de Déo Rian, instrumentista considerado o sucessor de Jacob do Bandolim. Neste álbum de 1980, lançado pelo selo Estúdio Eldorado, Déo nos apresenta uma série de então inéditos trabalhos de Jacob. Ele vem acompanhado pelo grupo Noites Cariocas.
Particularmente acho o disco excelente. Eu seria talvez apedrejado por dizer isso, mas em alguns momentos o pupilo ultrapassa o mestre. Talvez por ter sido o único a quem Jacob permitia assistir seus ensaios. Um belíssimo disco, confiram o toque…
Velhos Sambas, Velhos Bambas (1985)
Olá amigos cultos e ocultos! Vocês não podem imaginar, recuperei o meu carro! Após haver passado quase 70 horas, recebi um telefonema da Polícia Militar avisando que o haviam encontrado. Corri imediatamente para o local. O carro foi abandonado em um bairro afastado de classe média alta, longe de favelas ou oficinas de desmanche, o que nos levou a acreditar que o ladrão o pegou apenas para dar umas voltas. Só sei que nessas voltas, me levou tudo que havia dentro do carro. Levaram o meu Ray Ban original, uma blusa daquelas que a gente adora, meu IPod com a coleção completa da série História da Música Popular Brasileira e uma pasta com alguns cheques e documentos. Fora isso, levaram também os quatro pneus, o estepe e ferramentas. Bacana…, me deixaram o carro todo depenado. Mesmo assim, fiquei mais feliz ao reencontrá-lo do que quando eu o comprei. Passei o dia de ontem e hoje recuperando um pouco os estragos. Pelo menos agora não fico a pé. Vou aproveitar meus dias de férias e dar uma boa recuperada nesse carro, que cada vez me convenço mais ter nascido para ser meu 🙂 Quero mais uma vez agradecer a todos o apoio e o carinho. Tenho certeza que meu carro apareceu graças à soma de todos esses pensamentos positivos. Muito obrigado! Os outros problemas permanecem e até se agravam, mas há momentos em que quando não se é possível remediar, remediado está. Portanto, apenas rezo e observo. Viver é sofrer. A felicidade é um estado imaginário.
Como eu fiquei ontem sem postar o disco do dia e este deveria ser um álbum/artista independente, farei hoje uma postagem especial. Temos aqui um álbum triplo independente, lançado pela FENAB – Federação Nacional de Associações Atléticas Banco do Brasil. A FENAB vinha desde 1979 produzindo discos como este, os quais eram oferecidos aos seus parceiros e associados. O grande barato desses discos é a edição de material inédito e raro, coisa que não se encontra facilmente por aí. No caso de “Velhos sambas, velhos bambas”, encontramos em seus três lps dois momentos distintos. Fonogramas raros e inéditos datados a partir de 1919 e regravações feitas em 1985, reunindo um destacado grupo de artistas e músicos. Como intérpretes temos Violeta Cavalcante, Roberto Paiva, Ademilde Fonseca, Roberto Silva, Zezé Gonzaga e Gilberto Milfont. Para acompanhar essa turma temos o Conjunto Época de Ouro, o Quarteto de Cordas da UFRJ, Altamiro Carrilho, Déo Rian, Orlando Silveira, Zé Bodega, Wilson das Neves e mais uma dezena de outros músicos talentosos, que poderão ser conferidos no encarte que vem anexo. É sem dúvida, um álbum especial e imperdível. Não deixem de conferir…
Nosso Sinhô Do Samba (1988)
Amanheceu… voltei a realidade. Por pouco mais de seis horas estive longe dos problemas e do mal estar. Agora estou aqui tentando planejar o meu dia. Sem carro, muda-se toda a minha rotina. O dia hoje vai ser duro. Vou correr atrás do prejuízo, refazer as contas e prestar contas. Agradeço aos amigos cultos e ocultos a solidariedade. Foi reconfortante ler agora, logo cedo, essas mensagens de apoio. Obrigado! Até ontem, antes do meu carro ser roubado, eu havia selecionado uma meia dúzia de discos interessantes de samba, só coisa boa e rara. Mas com o ocorrido, não tive nem cabeça para levá-los para casa. Daí, nossa semana que seria dedicada ao samba vai ficando adiada. Porém, quando se trata de música popular brasileira, a gente vai estar sempre tropeçando em algum samba e assim, dificilmente, fugiremos por completo do batuque.
Aqui vai uma seleção da boa, das origens do samba. Temos “Nosso Sinhô do Samba”, um disco lançado pela Funart, dentro do Projeto Almirante, em 1988. Este lp reúne 14 fonogramas selecionados com músicas de José Barbosa da Silva, mais conhecido com Sinhô, um dos mais importantes compositores da música popular brasileira de uma época, ao lado de Pixinguinha, Donga e Caninha. As músicas reunidas neste álbum são gravações bem antigas e raras da década de 20, realizadas por dois dos seus maiores intérpretes, Francisco Alves e Mário Reis. Confiram…
Grupo Fundo De Quintal – O Mapa Da Mina (1986)
Olá amigos cultos e ocultos. Vamos com o Grupo Fundo de Quintal e seu álbum “O mapa da mina”, lançado em 1986. Eu sou do tipo que desconfia do samba de uns 30 anos pra cá. Desde que o samba de partido alto virou pagode e que o pagode virou sabão (eu disse sabão e não sambão). O fato é que como já dizia uma música, “o samba deixou de ser uma música negra… o samba passou a ser música de gente ‘sastisfeita’. Entre as exceções, felizmente, existem coisas boas como o Grupo Fundo de Quintal. A gente pode até não conhecer o disco e os artistas, mas se tem a assinatura do Rildo Hora, podemos ter certeza de que é coisa boa. Confiram…
Pixinguinha E Sua Banda (1957)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Antes de retomarmos com o samba, me lembrei de um disquinho que faltou em nossa celebração das festas de São João. Embora já tenhamos entrado em julho, ainda assim há lugares no Brasil onde festas dessa natureza continuam acontecendo. Mesmo assim, independente de qualquer coisa, o que temos aqui é Pixinguinha. Seja no choro, no samba, no carnaval ou festa junina, o importante é que quem está na roda é essa ilustríssima figura e em um de seus discos dos mais raros. Neste álbum encontramos Pixinguinha e a sua banda tocando exclusivamente músicas para festas juninas. Estão reunidos aqui todos os clássicos da festa na roça. A qualidade de som do disco, mesmo sendo um RCA Victor, fica um pouco a desejar, devido ao tempo e ao estado crítico da bolacha. Mesmo assim, fiz um esforço enorme para melhorá-lo e acho que está apresentável. A capa também estava num estado deplorável. Cheguei até a dar um trato ‘de leve’, mas como no som, ainda se pode melhorar mais. Deixo essa para vocês, perfeccionistas de plantão.
Em agosto, mês de aniversário de Pixinguinha, pretendo fazer uma postagem especial dedicada a ele. Já tenho até o disco pronto. Quem gosta, fique ligado no toque. 😉
Abílio Manoel (1968)
Olás! Eu estava pensando em estender por mais alguns dias as minhas postagens de discos de samba. Mas hoje, especialmente, quero prestar aqui a minha homenagem ao artista Abílio Manoel, que faleceu na última terça feira, dia 29 de junho. O cantor do sucesso “Pena verde” morreu vítima de um enfarto, prematuramente aos 63 anos de idade. Fiquei duplamente espantado, porque além de um falecimento, que sempre pega a gente de surpresa, não vi nos jornais quase nada sobre o ocorrido. Suponho que a preocupação com a Copa do Mundo, ofuscou qualquer outra notícia. Abílio Manoel era português, mas radicado no Brasil. Iniciou sua carreira musical nos anos 60. Era estudante de Física na USP e participava dos mais diversos shows universitários promovidos no Campus. Em 1967 ele ‘papou’ o prêmio de melhor compositor no “I Festival Latino Americano de La Canción Americana”, em Santiago (Chile), com a canção “Minha rua”. Graças a premiação neste festival, as portas começaram a se abrir para ele. Primeiro na televisão, onde se apresentou no programa da Hebe Camargo e consequentemente depois disso conseguiu gravar seu primeiro disco pela gravadora Odeon. Assim como Taiguara, Abílio foi um ganhador de festivais, faturou diversos até o início dos anos 70. Gravou ao longo de sua carreira uma dezena de discos e compactos. Suas músicas também foram gravadas por diversos artistas. Seus maiores sucessos, além de “Minha rua” e “Pena verde” são “Andréa” e Luiza manequim”. Abílio também era radialista, publicitário (compondo jingles) e cineasta. Acredito que agora, após a sua morte, seu nome e sua obra passem a ser mais conhecidos e reconhecidos.
Segue então nesta postagem o seu primeiro disco, o que traz a música que lhe deu asas, “Minha rua”. O disco foi produzido por Milton Miranda e a direção musical é de Lyrio Panicali. A regência e orquestração é de Edmundo Peruzzi. Sem dúvida um álbum muito bem produzido para um artista iniciante, onde todas as faixas são de sua própria autoria. E assim como a música vencedora, que abre o disco, todas as demais não fica para trás. Um bom e raro disco! Confiram…
Candeia – Axé! Gente Amiga Do Samba (1978)
Bom, diante a dura realidade que temos, de encarar neste fim de semana, com a saída do Brasil da Copa do Mundo, só nos resta voltarmos nossos olhos (e ouvidos) para a música, que é ainda uma de nossas mais fortes expressões. Axé! Salve o povo brasileiro, porque o país já está vendido. (antes tivessemos alugado, como sugeriu o Raul Seixas)
Vamos em frente e de volta com o samba. Para hoje, temos o grande sambista Antonio Candeia em seu disco de 1978, “Axé! Gente Amiga do Samba”. Um clássico do samba e da música popular brasileira, um disco básico que não pode faltar em nehuma discoteca, seja ela real ou virtual. “Axé!” foi um álbum lançado por uma multinacional no mesmo ano de falecimento do artista. Ficou fora de catálogo por um longo tempo. Trata-se de um disco muito bem produzido, com participações não apenas especiais como também históricas. Temos figuras importantes como Clementina de Jesus, Manacéa, Dona Ivone Lara, Alvaiade, Martinho da Vila e o histórico e inédito Chico Santana, autor do hino da Portela. O repertório é de primeiríssima qualidade. Entre os sambas de sua autoria e parcerias há também espaço para Casquinha, Aniceto e Mulequinho e Nelson Amorim. Os detalhes sobre este disco vocês poderão conferir no texto de Lena Frias que acompanha a contracapa e encarte do lp. Quem ainda não conhece, pode conferir…
Sergio Ricardo – Estória De João-Joana (1985)
Olá torcedores cultos e ocultos! Hoje é sexta feira, dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo e também dia do disco/artista independente aqui no Toque Musical. Ao contrário dos outros dias de jogos da nossa Seleção, eu hoje não farei nenhuma postagem relacionado ao tema futebol ou Copa do Mundo. Deixarei para fazer uma postagem especial se o Brasil se sagrar o campeão, combinado?
Escolhi este disco por diversas razões, mas principalmente porque daqui a pouco começa o jogo e eu acredito que depois não terei tempo nem cabeça para fazê-lo. Daí, optei por um daqueles de gaveta, sempre prontos para as eventualidades. Eu até pensei que já houvesse postado este disco anteriormente. Felizmente vai ser ele que vai salvar o dia. Para não prolongar e também porque este trabalho merece mais atenção, decidi incluir logo a baixo o sempre providencial texto de Aramis Millarch. Esse é o cara! Leiam…
Meu irmão, o sucedido
Em Lages do Caldeirão
é o caso de muito ensino
Por isso é que me apresento
Fazendo esta relação
Curiosos os caminhos artísticos de Sérgio Ricardo. Paulista de Marília (18/06/1932), filho de um libanês que tocava alaúde, se identificaria extraordinariamente com o Nordeste ao ponto de criar a mais baiana das trilhas sonoras – o clássico escore de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1963). Subindo ainda mais, no cinematográfico espaço da Fazenda Nova, no agreste pernambucano (aonde anualmente acontece a magnífica representação da Paixão de Cristo), Sérgio ali rodaria um filme-cordel (“A Noite do Espantalho”, 1974), obra fascinante, imerecidamente pouco reconhecida na época.
Pianista de boate nos anos 50, sem curtir etilicamente as reuniões da turma da Bossa Nova, faria dois elepês fundamentais do movimento (“Não Gosto Mais de Mim”, 1960; “Depois do Amor”, 1961); para, em seguida, passar a uma fase extremamente social.
Cineasta, compositor, cantor, violonista, pianista, poeta, argumentista, o múltiplo Sérgio Ricardo se afastaria do consumismo industrial-artístico para viver alguns anos num barraco duma das favelas do Rio – mas sem deixar de possuir sua confortável casa na Urca. Sem poder realizar os projetos cinematográficos de longa-metragem desejados, voltou-se, entretanto, para excelentes curtas-metragens e filmes publicitários.
Este múltiplo e sempre genial artista mostra que, aos 53 anos, ainda a aparência jovem de 30 anos passados, continua em vigor de criação. E apresenta uma obra maravilhosa, desenvolvida nada menos do que em parceria com Carlos Drumond de Andrade.
No chão de terra, essa terra
Que a todos nós vai comer,
chorava uma criancinha
acabada de nascer,
e João, de peito desnudo,
acarinhava esse ser
Da leitura atenta de uma experiência que o poeta maior Carlos Drumond de Andrade fez de fato acontecido no Nordeste há alguns anos – “Estória de João-Joana” – Sérgio Ricardo imaginou um grande balé brasileiro. Assim como havia feito há anos, ao musicar a obra-prima de seu amigo Ziraldo, “Flicts” (1), Sérgio colocou sua sensibilidade musical no cordel de Drummond, que fala de João que era Joana – um caso de mulher criada como homem, como outro contador de estórias, o mineiro Guimarães Rosa já havia colocado no personagem de sua obra mais famosa (“Grandes Sertões: Veredas”, 1956).
Nem menino nem menina
era João quando nasceu
A mãe, sem saber ao certo,
o nome de João lhe deu,
dizendo: Vai vestir calça
e não saia que nem eu.
Aos poema-cordel de Drummond, Sérgio acrescentou a música. Pediu ao maior dos arranjadores brasileiros, Radamés Gnattali para fazer a orquestração. Entusiasmado, levou o projeto do balé “Estórias de João-Joana” para uns amigos de muitos embates ideológicos – artísticos, Gianfrancesco Guarnieri, com quem trabalhou em “Ponto de Partida” e que hoje é o secretário da Cultura de São Paulo. Guarnieri gostou do projeto e disse: “Toque em frente”. Sérgio fez: convocou Alexandre Gnattali, irmão de Radamés, para a regência, arregimentou quase 30 dos melhores músicos do Rio e gravou uma belíssima trilha – com ele ao violão, piano e voz – mais ainda, fazendo os arranjos.
Trabalho pronto, a decepção: com mil e uma desculpas (esfarrapadas), Guarnieri tentou tirar o corpo fora. Não havia verba, não tinha condiçòes de bancar o espetáculo. Resultado: Sérgio amargou pesado prejuízo.
Honrando o sangue de libanês de coragem, homem que não leva desaforo para casa – (remember sua máscula atitude em outubro de 1967, quando quebrou o violão no palco da TV-Record, furioso porque o público vaiou “Beto Bom de Bola” no II Festival de MPB), Sérgio não se deu por vencido. Procurou outras fórmulas de terminar o trabalho e, finalmente, “Estória de João-Joana” estreou no Teatro João Caetano, na noite de 2 de maio último, com o grupo Nós da Dança.
Entretanto, um espetáculo desta beleza não poderia ficar apenas no teatro, em poucas apresentações. Seria injusto para com milhares de pessoas que tanto admiram ao multi-talento de Sérgio Ricardo.
Homem é grão de poeira
na estrada sem horizonte;
mulher nem chega a ser isso
e tem de baixar a frente
ante as ruindades da vida,
da altura maior que um monte
“Estória de João-Joana” não poderia ficar sem o disco. E, felizmente, ele aconteceu. De forma independente, numa produção de incrível bom gosto e, seguramente, um álbum para merecer o troféu Chiquinha Gonzaga, o Grammy dos alternativos. Como todo disco independente não é encontrado nas lojas e os interessados devem pedir diretamente a Sérgio: Rua São Salvador, 41/ cob. 01 – Laranjeiras, CEP 22231 – Rio de Janeiro – Fone: 265-6279).
Difícil dizer o que é mais belo neste disco: se o cordel de Drummond, se a música e a voz de Sérgio ou se a orquestração de Radamés Gnattali. Longos momentos instrumentoia intercalando a voz forte e nordestina de [Sérgio], que conhecemos desde o lirismo de “O Nosso Olhar” aos gritos de guerra de “Te entrega corrisco/eu não me entrego não/Eu não sou passarinho/para viver lá na prisão”.
Saibam quantos deste caso
houveram ciência, que a vida
não anda, em favor e graça,
Igualmente repartida,
e que a dor ensombra a falta
de amor de paz e comida
“Estória de João-Joana” é um canto-de-cordel, falando das coisas do povo. Mais do que um disco, é um momento maior de brasilidade, numa embalagem de extremo bom gosto, com ilustrações tão nordestinas de Ciro que fazem do encarte/capa uma obra de arte visual.
A voz de Sérgio Ricardo é única e marcante, de uma força extrema. Drummond, neste poema-cordel, mostra uma face diferente – mas igualmente extraordinária. E arregimentação de tantos bons músicos numa sonorização colorida, faz com que tenhamos um daqueles exemplos de produção artística fora de série, destinados a se tornarem raridades tão logo esgote a edição.
Meu amigo, meu irmão,
eu nada te peço a ti
senão me ouvir com paciência
de Minas ao Piauí;
tendo contado meu conto,
adeus me despeço aqui.
*Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 18 de agosto de 1985 no Jornal Estado do Paraná
Grupo Chapéu de Palha Vol 2 (1979)
É… meus prezados… o Toque Musical está próximo de completar três anos e possivelmente a partir de então teremos algumas mudanças. Não é por falta de material, mas penso seriamente em não ficar mais preso a esse compromisso diário de postagem. Acho que irei mudar nossa rotina depois que eu volta das minhas férias, na próxima quinzena.
Enquanto isso, vamos de samba que a semana está pedindo. Amanhã tem Brasil x Holanda, tá todo ligado. Para relaxar e diminuir a tensão, nada como o Grupo Chapéu de Palha. Uma turma afinada no samba e principalmente no choro. Eles sugiram em 1977, a partir do “Projeto Seis e Meia”, no Teatro João Caetano, com incentivo e apadrinhamento de Hermíno Bello de Carvalho, que era o coordenador e dirigia o projeto. O grupo segue uma linha de samba e choro das décadas de 30 e 40. O presente (de presente) álbum foi o segundo disco gravado por eles. Aqui encontramos um desfile de clássicos imperdíveis em formato de ‘pot pourri’. Vejam (e ouçam) só…
Leci Brandão – Essa Tal Criatura (1980)
Olá amigos cultos e ocultos! Finalmente achei um tempinho para a nossa postagem. O dia hoje tá puxado, mas eu chego lá… 😉 Não sei porque, mas a semana pede samba e eu vou mandando ver, e ouvir principalmente 🙂
Temos aqui uma jóia de disco, de uma outra jóia que é Leci Brandão. Taí uma cantora e compositora da melhor qualidade. Nascida e criada no samba, foi descoberta pelo jornalista Sérgio Cabral. Gravou seu primeiro disco em 1973, um compacto, pelo selo Discos Marcus Pereira. Nunca foi uma artista muito badalada, porém sempre teve o apoio da crítica e emplacou alguns sambas de sucesso. Dos diversos discos que ela gravou (e vem gravando, felizmente), “Essa tal criatura” é um dos seus álbuns mais bonitos e que eu mais gosto, claro! Um disco bem construído, com boas músicas e excelentes arranjos. No ano de lançamento deste disco, Leci foi uma das (merecidas) finalistas no Festival da Globo, concorrendo com a música que dá nome ao disco. Sem dúvida, esse samba é demais e ficou melhor ainda com esse arranjo de Ivan Paulo. Mas o lp não se resume em apenas uma canção de sucesso, afinal estamos falando de Leci Brandão. Temos aqui a apaixonada “Que será”, de Marino Pinto e Mário Rossi. Essa música tem a cara da Angela Maria. Tem também “Cantarerê” de Paulo Diniz. Outro destaque interessante é “Fim de festa”, uma parceria com Rosinha de Valença, aqui interpretada ao lado da cantora Alcione. Como vocês poderão ver e ouvir, essa tal criatura nota 10 não faz por menos, principalmente estando cercada por uma dezena de músico notáveis, gente como Antonio Adolfo, Dino Sete Cordas, Wilson das Neves, Cidinho, Paulo Moura e até Jackson do Pandeiro. Tem que ler a ficha técnica… tem outros mais. Confira o toque 😉
Alaide Costa Zezé Gonzaga E Zéluiz – Sidney Miller (1982)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Mais uma vez estamos sendo censurados a pedidos do Tio Sam. Desta vez foi um disco do Eumir Deodato, que pode ser encontrado às pencas na rede para ‘download’. Mas eles resolveram que seria o Toque Musical a bola da vez. Tudo bem, a gente segue a cartilha, voltamos com a postagem, sem indicação para o arquivo (pelo menos da minha parte). Repliquei numa postagem extra a tal notificação, a título de noticiar a todos o ocorrido e também com uma forma de desabafo. Contudo, não posso criticar a postura do Blogger, que agiu de maneira clara e educada. A indicação para baixarem o disco já foi retirada. Só espero que não insistam na exclusão da postagem, essa permanece.
Seguindo em nossas postagens, vamos hoje com um disco homenagem. Dois anos após a morte de Sidney Miller, Hermínio Bello de Carvalho e Antonio Adolfo produziram este disco, aproveitando a deixa do Projeto Almirante da Funart. No álbum temos reunidas algumas das melhores e mais conhecidas composições de Sidney Miller, interpretadas por três grandes cantores: Alaíde Costa, Zéluiz e Zezé Gonzaga. Os arranjos são de Antonio Adolfo que também toca no disco. Somando a esses, temos também o próprio autor em duas faixas, “O circo”, extraída de um de seus discos e a emblemática “A estrada e o violeiro” com Nara Leão. Não há como negar a importância desse artista, o que faltou foi mesmo um álbum duplo, o cara merecia. Mesmo assim, “Sidney Miller” é um disco encantador, tanto pelas composições, quanto pelos seus intérpretes e interpretações. Acompanha o disco um encarte com textos de Hermínio, Tárik de Souza e Nelson Motta.
Memória é isso… que seja curta, mas seja culta e nunca oculta 😉
Bamba Brasil (1986)
Olá amiguinhos cultos e ocultos! Putz, não há como esconder, estou feliz demais com a vitória do Brasil. Espero que a Seleção repita placares semelhantes nos próximos jogos. Viu só como eu sou confiante? (não confunda com pretensioso) Já estou falando como se a Holanda não fosse dar trabalho. Mas espero realmente que não dê mesmo. A gente vai chegar lá… 😉 se o Dunga quiser e a Globo deixar.
Em homenagem a todos nós brasileiros e em especial aos nossos jogadores, quero postar hoje um disco de samba. Afinal o Samba e o Futebol tem tudo a ver, são irmãos, filhos e paixão do nosso povo. Assim como no futebol, o samba também está presente em todos os cantos do Brasil. Por certo que o samba tem lá suas origens, mas num país como o nosso, sua essência já se impreguinou e se espalhou de norte a sul, de leste a oeste. Entre tantos ritmos e estilos musicais ele é, sem dúvida, o que mais se destacou e melhor soube nos representar para o resto do mundo. O samba é do morro carioca e das ladeiras baianas, mas também pode ser nortista, sulista, mineiro ou paulista. O batido tem sotaque, mas leva jeito e é verdadeiro. Quem duvida, pode conferir neste álbum lançado pela RGE nos anos 80. Nele encontramos seis diferentes artistas do samba, nomes talvez mais conhecidos em suas regiões. Temos reunidos Serginho BH de Minas Gerais; Maria Helena do Rio Grande do Sul; Bidubi do Rio de Janeiro; Tobias de São Paulo; Dona Lindaura da Bahia e Edu do Banjo do Amazonas. Este lp, embora se pareça mais com uma coletânea, tipo mostruário da gravadora, tem um carácter muito mais nobre que é o de apresentar ao público artistas regionais inéditos, que trazem em comum o gosto pelo samba.
Bidubi é um sambista carioca autor de sambas gravados por Almir Guineto e Zeca Pagodinho. Maria Helena foi porta bandeira e uma das fundadoras da Academia de Samba Praiana, uma das principais escolas de samba de Porto Alegre. Serginho BH é um dos sambistas mineiros de maior destaque, compositor de talento, tem sambas gravados por Agepê, Lecy Brandão, Demônios da Garoa, Dominguinhos do Estácio e muito outros. Tobias, de São Paulo, também conhecido como Comandante ou Tuba foi presidente da escola de samba Camisa Verde e Branco e fundador da Liga Independente das escolas de samba de São Paulo. Edu do Banjo é um músico amazonense, figura sempre presente em todos os eventos musicais da sua região. Não sei nada sobre ele e nem encontrei informações na rede. Faltou também Dona Lindaura, da Bahia. Essa é outra que eu vou deixar para o complemento de vocês. Às vezes, o próprio artista ou familiares se manifestam, nos dando as informações necessárias. Estamos aí… Comentem e complementem 😉
Aniceto do Império – Partido Alto Nota 10 (1984)
Vou aproveitar o fim de semana para atender aos pedidos. Ontem foi a coletânea de compactos da RCA, hoje vamos com o Aniceto do Império e seus convidados. Depois de haver postado aqui o raro lp “O Partido Alto de Aniceto e Campolino“, alguns de nossos frequentadores pediram mais. Daí, vamos como este “Partido Alto Nota 10”, um álbum lançado pela CID em 1984, hoje tão raro quanto o primeiro e como o outro, um discaço! Temos aqui Aniceto muito bem acompanhado pela nata da música negra e do samba. Não precisa nem repetir nomes, tá na capa! Não devemos também esquecer da cozinha que traz José Menezes na viola, violão e cavaquinho, a turma do Conjunto Nosso Samba e o grupo vocal As Gatas.
Taí, um disco nota 10 para um domingo ensolarado (pelo menos para as bandas de cá). Agora é mandar descer a cerveja, os tira gostos e aumentar o volume do som. “Quem fugir dos preceitos vai ficar ‘enquizilado’ e ‘quizila’ de Aniceto não sai com engambelo”.
Canto Aberto (1973)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje estou postando aqui um disco que há muito foi solicitado no Toque Musical. Eu só não o fiz antes porque algumas faixas estavam muito comprometidas, o som estava péssimo, com muito chiado. Felizmente a coisa foi mais fácil do que eu pensava, afinal, trata-se de uma coletânea e algumas das músicas eu precisei apenas substituir. Essa é uma coletânea da RCA reunindo alguns artistas que passaram pela casa nos anos 60 e início dos 70. Estão aqui reunidos, como se pode ver na capa, Gal Costa em seu primeiro disco, quando ainda se chamava Maria das Graças; Maria Bethania em seu tempo de guerra; Tom Zé, também em seus primeiros momentos; Geraldo Vandré ao vivo e acompanhado pelo Trio Marayá; o cantor e compositor Piti (do qual nada se encontra na rede) e Luis Carlos Sá, da dupla Sá & Guarabyra em seu raríssimo compacto lançado em 1966, com a música que participou do I Festival Internacional da Canção – Rio. Estrategicamente lançado em 1973, “Canto Livre” é uma coletânea de compactos (primeiros discos) de artistas do momento, que estavam se consagrando como os futuros grandes nomes da mpb. Como esses compactos são hoje coisas raras, certamente este álbum não fica por menos. Confiram aí…
O Brasil Na Copa Do Mundo (1970)
Vai Brasil!!! Daqui a pouco começa o jogo de Brasil x Portugal. Já estamos todos prontos. Eu porém, estou fazendo já a minha postagem do dia, pois sei que depois, dificilmente terei condições para isso. Como hoje é dia de Copa e também é sexta feira, dia do disco independente, vou postar este lp promocional, oferecido pelo Laboratório Lepetit quando em 1970 o Brasil se sagrou tri campeão mundial de futebol. Como em outros discos do gênero, já postados aqui, ele faz uma retrospectiva de algumas Copas, culminando no tricampeonato no México. É interessante também ouvir este disco, pois o roteiro e locução são diferentes. Uma outra visão documental do Brasil na Copa do Mundo. Espero que este disco nos dê sorte e daqui a pouco a gente possa vibrar com a nossa Seleção. Salve Brasil!!!
Jacques Klein – Piano E Ritmo – A Música De Dorival Caymmi (1953)
Bom dia a todos! Para abrilhantar um pouco mais a nossa semana, eu hoje estou trazendo um outro disquinho raro e dos mais interessantes. Vamos fazer hoje um passeio à música de Dorival Caymmi, interpretada por um dos nossos maiores pianistas de todos os tempos, o cearense Jacques Klein. Há algum tempo atrás eu havia postado um álbum dele ao lado de outro grande pianista, Ezequiel Moreira, onde os dois interpretam Zequinha de Abreu. Desta vez vamos com outro disco, onde o instrumentista deixa um pouco de lado o erudito se dedica ao popular, tocando músicas de Dorival Caymmi, algumas até então inéditas. No disquinho de 10 polegadas temos o pianista acompanhado por contrabaixo e bateria. Contudo, prevalece e se destaca, obviamente, o seu piano, e de uma maneira quase erudita. Mesmo com todos os cuidados e tratamentos na hora da digitalização, não devemos esquecer que este disco já tem mais de 50 anos. Embora relativamente bem conservado, a qualidade do som é um tanto precária, o que tira em muito o sabor de ouvir Jacques Klein. Mesmo assim, vale ouvir este que foi considerado um dos maiores pianistas clássicos do mundo. Por garantia, inclui duas versões digitais dessa obra. Na contracapa do disco temos um texto que esclarece bem quem era este instrumentista. Um dos nossos maiores artistas, conhecido mais fora do que dentro do seu próprio país. “O Brasil desconhece o Brazil.”
The Playings (1958)
Olá! O dia de hoje está merecendo uma postagem especial. Algo condizente com o espírito deste blog, um disco raro, curioso e que com certeza ainda não foi visto na ‘blogosfera’. Eu o estava guardando para um momento apropriado, mas qual momento é o mais apropriado num blog cuja missão diária é trazer a tona o que tem ficado nas profundezas, esquecidos num velho baú? Este interessantíssimo lp é mais uma das boas colaborações do amigo Sergio Digital. Um disco realmente raro, que vai atrair e aguçar a curiosidade de muitos por aqui.
No final dos anos 50, o ritmo jovem do rock começava a ecoar também por aqui. Figuras como Neil Sedaka, Paul Anka, The Platters e outros, ditavam o estilo que tomava conta do mundo e no Brasil a coisa não podia ser diferente. Embora nosso país tenha música para exportação, também sabemos lidar com as importações, a ponto de muitas vezes recriarmos tão bem o que é produzido lá fora, só para provarmos a nós mesmos o quanto somos bons. Sem modestias…
É por aí que a RGE, em 1958, resolveu lançar, sob a batuta do maestro Simonetti este lp. Trata-se de uma seleção musical recheada de ritmos como o calipso, o mambo, a rumba e o chá chá chá, temperados ao estilo do rock, da música moderna americana daquele tempo. Temos doze temas de sucesso interpretados aqui pelo grupo ‘The Playings’, uma criação especial da gravadora, os quais também podem ser creditados aos Titulares do Ritmo, às cantoras Clélia Simone, Wilma Camargo, Nilza Miranda e às Irmãs Gradilone. São esses os verdadeiros astros deste álbum. Artistas que emprestam não apenas suas vozes, mas também um talento que pode ser conduzido em qualquer idioma. Confiram já antes que jazz 😉
Elis Regina & Toots Thielemans – Honeysuckle Rose Aquarela Do Brasil (1969)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje o nosso encontro é com Elis Regina, em um disco já bem divulgado na blogosfera, mas que sempre merece um novo toque musical. Temos aqui a cantora Elis Regina ao lado do lendário gaitista e guitarrista belga, Toots Thielemans. Este álbum é simplesmente delicioso. Gravado na Suécia em 1969, temos Elis e Toots acompanhados pelo conjunto de Roberto Menescal. O carro chefe é a Aquarela do Brasil de Ary Barroso, mas há no disco outras passagens impagáveis, como a faixa “Five for Elis”, uma composição instrumental que o belga faz à nossa cantora. Toots não apenas toca gaita, como também guitarra, assovia e canta, em outra na mesma linha, “Honeysuckle Rose”. Elis, não precisa nem dizer, como sempre uma grande cantora. O mais interessante deste disco é que ele ainda hoje não soa antigo. O som é super atual, não ficou como sua história, no passado. Quem ainda não conhece, tem a oportunidade de conferir aqui.


