É, acho que preciso colocar mais tempero no rango. Naturalmente, sei que comentários só aparecem quando a coisa está muito boa ou muito ruim. Pelo jeito, as postagens desta semana estão num meio termo. E eu que pensava que teríamos uma semana quente. Mas vamos dar um jeito nisso, o caldo vai engrossando, vejam só… Temos aqui uma jóia de rara beleza, coisa que já não se ouve mais. Um disco que está na lista dos meus 3 mil da MPB. Mais um belíssimo trabalho do Maestro Cipó que vem agora fulgurar nossa semana, chamando a atenção e comentários do amigos cultos e ocultos.
Depois de dois discos do Maestro já postados aqui, acho desnecessário uma nova apresentação. Como já deve ser do conhecimento da maioria, Orlando Silva de Oliveira Costa, o Cipó, foi um dos mais destacados músicos brasileiros. Grande arranjador e orquestrador de fama e atuação internacional. Dono de uma sensibilidade singular. Mais uma prova disso é ouvir o seu “Brazilan Beat”, um álbum que só pelo título já sabemos ser um produto tipo exportação, ou importação se considerarmos que nessa época, Cipó trabalha na Europa. Salvo o engano, este lp, lançado em 1965 pela Odeon, foi produzido no intuito de solidificar a arte musical brasileira na Europa, mais exatamente na Inglaterra. Cipó na terra da Rainha é quase um rei. Com este álbum ele deve ter feito o povo da Ilha pirar, pois é tudo de bom. Um trabalho marcado pelo ritmo autêntico do samba, um tipo de batucada que hoje não se ouve mais. Acho que nem as escolas de samba e seus ritmistas fazem hoje coisa igual. Eu acho que nem a famosa frigideira, como a que podemos ver na foto da capa (por sinal muito fraquinha, senhor Chico Pereira!), faz parte da instrumentação do samba atual. Me parece que as baterias de escolas de samba hoje em dia só usam o instrumento para friar ovo. Pois é, deu saudades do Luciano Perrone… Por isso mesmo e para quem gosta, agora é a vez de “Cipó and his authentic rhythm group”. Infelizmente o álbum que apresento a vocês é o da edição nacional. Se fosse o importado poderíamos ouví-lo na melhor qualidade ‘stéreo’. Mas está valendo, né não? 😉
André Penazzi – Orgão Samba Percussão – Terceiro Volume (1964)
Coisa mais difícil desse mundo é encontrar a biografia de André Penazzi. Percorri páginas e páginas através do Google e em nenhuma delas achei mais do que uma simples nota. Nem mesmo em sites especializados como o Dicionário Cravo Albim (que de médio ficou pior) e o sempre em construção, Músicos do Brasil, não trazem nada! Até mesmo o respeitadíssimo Aramis Millarch, onde se encontra tudo sobre música brasileira, não havia muita coisa. Só depois me dei conta de que tudo que eu precisava estava na contracapa do disco. Segundo o texto, André Penazzi nasceu em Rio Claro, São Paulo em 1914. Foi um músico talentoso, mas que só conseguiu prestígio após ingressar na Audio Fidelity, em 1962, quando iniciou a série “Doctored”, versão tupiniquim. Seu primeiro disco pelo selo, já postado aqui, foi considerado um dos lps mais vendidos daquele ano. Assim também ocorreu com os álbuns e compactos subsequentes. Atingiram um número de vendagem que a própria crítica não podia acreditar, principalmente numa época onde a bola da vez era a Bossa Nova. Ao contrário do que se pensava, a música de Penazzi foi muito bem recebida pelo público.
Segue aqui o Terceiro Volume, até então inédito na blogosfera. Um álbum com as mesmas características dos outros. Um som que lembra o Walter Wanderley e que hoje soa para novos ouvidos como um som ‘cult’, diferente…, um ‘groove square’. Confiram o toque…
Luiz Claudio – Sonhando Com Luiz Claudio (1957)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Serei breve… Vamos iniciando uma nova semana, cheio de velhas e raras novidades. Antes de tudo porém, abro a postagem homenageando o artista mineiro Luiz Claudio, que hoje completa 75 anos de vida. Parabéns Luiz Claudio! Quem te conhece, não esquece jamais!
E para ficar bem lembrado, aqui vou eu com mais um de seus belos discos. Temos aqui um álbum de 10 polegadas lançado por ele através do selo Columbia, em 1957. Este lp eu já o vi em outros blogs, mesmo assim, vou trazendo a minha versão completa. Ainda nesta semana, atendendo à pedidos, postarei outro do cantor. Vamos por enquanto curtindo este sonho nas oito faixas que aqui seguem…
As Eternas Cantoras Do Rádio – Vol. 2 (1992)
Olá, amigos cultos e ocultos. Acabei adiando a postagem do segundo volume das Eternas Cantoras do Rádio. Era para ontem e ficou pra hoje 🙂 Bom, antes tarde do que nunca, né?
Segue então o volume dois, uma prova de que o talento e o carisma de continuam a toda prova. Quando nas décadas de 70 e 80 as cantoras de rádio viviam um momento de ostracismo, esquecidas pela mídia e mal apresentadas às novas gerações, Nora Ney, Rosita Gonzales, Carmélia Alves, Hellen de Lima, Violeta Cavalcante e Zezé Gonzaga se uniram para juntas se apresentarem. Desse encontro, com shows em várias cidades do Brasil, nasceu a idéia de também gravarem discos. Lançaram além desses dois primeiros álbuns pela CID, outros já em formato cd e também com outras formações. Nora Ney, Zezé Gonzaga e Violeta Cavalcante deram lugar a outras divas do rádio como Carminha Mascarenhas e Ademilde Fonseca. Mas essa é uma outra história. Este segundo lp é extamente uma sequência do primeiro. Quem gostou não poderá perder o volume dois.
As Eternas Cantoras Do Rádio (1991)
Olá amigos cultos e ocultos! Aproveito a minha hora de almoço para fazer esta postagem. O tempo está curtíssimo por aqui. Por isso, entre um garfada e outra, vamos trazendo mais um disco dedicado às cantoras e ao dia da mulher.
Para hoje eu escolhi este álbum que é um encontro entre algumas das eternas cantoras do rádio. Artista que se destacaram no mundo musical do rádio em sua fase de ouro. Como podemos ver, participam do lp as figuras de Carmélia Alves, Ellen de Lima, Nora Ney, Violeta Calvacante, Rosita Gonzales e Zézé Gonzaga. Cada uma delas cantam duas músicas e juntas o famoso tema “As cantoras do rádio”. Apesar de já serem aqui senhoras sexagenárias ou mais, continuam mantendo o vigor. Cantam afinadíssimas e mesmo interpretando saudosos sucessos não se deixam levar pela decadência, mostrando muito talento e carisma. Este disco foi uma espécie de homenagem a um tempo onde elas, as cantoras, eram as grandes rainhas. Se hoje ainda me sobrar um tempo, farei no dia uma postagem dupla, trazendo também o volume 2. Caso o contrário, fica para amanhã 😉
Agora deixa eu acabar de bater o rango, que nessa altura até já esfriou. Estou me sentido o autêntico bóia fria 🙂 Mas vamos nessa?
Fabiola – Porcelana
Chegamos a mais uma sexta feira e para não variar, hoje teremos um disco independente. Como a semana é ainda dedicada às mulheres, nada mais justo que o álbum independente do dia seja também de uma mulher. Estou trazendo para vocês a cantora Fabíola, um nome talvez pouco conhecido, mas que merece destaque aqui no Toque Musical. Fabíola iniciou sua carreira nos anos 70, gravou seu primeiro disco, um compacto, produzido por Durval Ferreira. Ainda nessa época lançou um lp pela CBS, com produção de Eduardo Lages e arranjos de Eduardo Souto Neto. Fez parte dos grupos Seleção e Cravo e Canela, esse último com participação de Sivuca. Nos anos 80 ela se apresentou em diversas casas noturnas do Rio de Janeiro, ao lado de grandes instrumentistas como Márcio Montarroyos, Osmar Milito e Edson Frederico. Fez ‘backing vocal’ para discos de Tim Maia, Azimuth, Grupo Batuque e outros. Participou do Festival MPB Shell 82 e também gravou diversos ‘jingles’. Em 86 ela lançou este álbum, chamado “Porcelana”, um lp bem produzido e com participações especiais como as de Téo Lima, Maurício Einhorn e Celso Fonseca. No repertório temos músicas de Tavito, Sarah Benchimol, Aldir Blanc e por aí a fora… “Porcelana” foi relançado na versão CD e aproveitando este relançamento a cantora passou a assinar como Fabyola Sendinno. A última informação que tenho dela foi como integrante do grupo vocal Nós Quatro, onde participam também os cantores Márcio Lott, Clarisse Grova e Célia Vaz.
Nubia Lafayette – A Voz Quente De Nubia lafayette (1971)
Aproveito que estamos na semana da mulher, para atender a um pedido da amiga Gleice que desde de janeiro espera o que eu lhe prometi. Eis aí o tão esperado disco da cantora Nubia Lafayette. Chegou sua vez… 🙂
Considerada a versão feminina de Nelson Gonçalves, Nubia foi uma cantora romântica que surgiu no final dos anos 50. Seu verdadeiro nome era Idenilde de Araújo Alves. Começou a carreira como Nilde Araújo, primeiro nome artístico e com o qual gravou um disco. Através de Adelino Moreira ela mudaria para Nubia Lafayette. Adelino também foi o reponsável pela ida dela para a RCA Victor, em 1960 onde gravou seu primeiro disco. Ele viu nela uma de suas melhores intérpretes. Não era a toa que a chamavam de Nelson Gonçalves de saias. Nelson, inclusive, teve uma participação muito importante na formação da cantora.
“A Voz Quente de Nubia Lafayette” foi um álbum lançado pela RCA em 1971. Eu acredito que este disco seja na verdade uma coletânea dos primeiros anos, com músicas exclusivamente de Adelino Moreira. Taí, pediu, (se eu tiver) levou… 😉
Carmen E Aurora Miranda – Filigranas Musicais Vol. VII (1988)
Olá! Em nossa semana dedicada à mulher, uma artista que não poderia faltar é Carmem Miranda. Melhor ainda se vier também a irmã, Aurora. Devo antes de tudo esclarecer que não se trata de um disco com gravações das duas cantando juntas. O que temos na verdade é um ‘meio a meio’. De um lado vem Carmem Miranda com gravações pela RCA Victor entre os anos de 1930 a 35. O outro lado é de Aurora Miranda em gravações que vão de 1938 a 40. São, sem dúvida, registros raros relançados em vinil pela Filigranas Musicais, uma editora especializada em resgatar o som das primeiras bolachas da música brasileira, através de acervos de colecionadores (pois se fossem depender dos arquivos de gravadora a mpb não teria a mesma história)
sorrisos – carmem miranda
Nora Ney (1958)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Vou logo aproveitando o momento matinal para fazer a nossa postagem, pois pelo jeito não terei outra oportunidade. O meu tempo está curtíssimo!
Como eu comecei a semana com uma cantora, Maria Bethânia, acho que vou dar sequência ao tema ‘voz feminina’. Afinal, além de fazerem muito sucesso por aqui, elas também merecem mais espaço no Toque Musical. No Dia Internacional da Mulher eu deixei passar em branco, não fiz nenhum comentário e nem prestei minha homenagem. Mesmo assim, é bom saber, não deixo de pensar nelas um só dia 😉 Viva a mulher!
Nosso encontro hoje é (novamente) com a Nora Ney, cantora a qual eu aprendi a respeitar e conhecer melhor. Por isso mesmo venho insistindo em mantê-la sempre presente. Sempre que possível, postarei alguma coisa dela. Temos assim o seu álbum de estréia na RCA Victor, lançado em 1958. Um lp de canções feitas para a interpretação da cantora. Segundo as informações do texto na contracapa, foram reunidas doze canções especialmente escolhidas para ela. São músicas até então inéditas, com exceção de apenas “O que…”, de Maysa. Todas as demais são assinadas por seus colegas cantores compositores, que com muita propriedade, confiaram à ela a tarefa de interpretá-las. Daí, sucessos como “Solidão” e “Castigo” de Dolores Duran ou “Vai, mas vai mesmo”, de Ataulfo Alves, se fizeram primeiro na voz de Nora Ney. Tem também músicas de Tito Madi, Marlene, Cyro Monteiro, Ivon Curi, Chico Alves e outros… Taí, mais um disco básico para quem quer conhecer melhor a MPB. Confiram…
Bossa Nova (1985)
Olá amigos! Custei mas cheguei! Meu domingo foi super movimentado, só agora estou podendo ligar o computador. Mas esta vai ser rapidinha. Estou cansado e com sono. Para que o dia não passe em branco, ainda mais um domingo, estou deixando aqui esta coletânea de Bossa Nova da Fontana/ PolyGram. Não tem nenhuma novidade ou raridade, mas sempre agrada.
Confira aí, porque agora eu vou dormir. Zzz……
14 Sucessos Da Juventude (1967)
Olá amigos cultos e ocultos! Quem é do tempo da Jovem Guarda deve lembrar daquele programa ao vivo apresentado pelo Rei Roberto Carlos, que passava na televisão todos os sábados a tarde. Eu era bem menino, mas já vivia a agitação ao lado dos meus primos mais velhos. Não perdíamos um programa, aquilo era bom demais. Depois, mais a noitinha, tínhamos a semanal ‘Hora Dançante’. A turma toda se juntava na casa da minha tia e o som rolava até a meia noite. Para mim e alguns outros a festa só ia até as dez, depois, muito a contragosto, era hora de ir para a cama. Tenho boas lembranças dessa época.
Foi lembrando disso que hoje eu resolvi trazer este lp, embora não sendo exatamente o da turma do Roberto é da mesma época e tem o mesmo espírito musical. Os “14 Sucessos da Juventude” pela RCA Victor reúne algumas músicas e artistas que se destacavam fazendo o som jovem daquele momento. São, sem dúvida, músicas bem conhecidas do grande público. Em sua maioria são versões de hits internacionais, mas há também a produção nacional e versões dessas nas vozes de outros artistas. Um disquinho bom para se ouvir no sábado, mesmo já no fim do dia. Confiram aí o toque musical 😉
Impacto 5 – Rio Potengui (1983)
Chegamos finalmente na sexta-feira. Aproveito para juntar o útil ao agradável (ou qualquer coisa parecida). Vamos mais uma vez com o grupo potiguar, Impacto Cinco. Na semana eu postei o álbum “Lágrimas Azuis” gravado por eles em 1975. Hoje, que é dia de gravações/artistas independentes, faremos de “Rio Potengui” a nossa estampa, afinal este disco não deixa de ser uma produção no estilo. Lançado pela Escola de Música da UFRN em parceria com o SESC/RN, este disco faz parte do Projeto Memória, que foi criado com a finalidade de preservar e tornar conhecido do grande público o que de melhor o Estado do Rio Grande do Norte produzia em termos de música até então. Pode parecer um pouco estranho dar a um cojunto de rock toda essa ‘pompa’ (com apenas dois discos de música ‘pop’ lançados), mas ao contrário do que parece, o Impacto Cinco também bebia na fonte do regional e era apoiado pela comunidade universitária. O grupo, após o lançamento do álbum de 1975, que teve uma inexpressível vendagem e quase nenhuma divulgação nacional, acabou voltando para casa. Retornou às origens e passou a fazer um som mais regional. Quem espera aqui encontrar o mesmo jeitão ‘pop rock’ pode se decepcionar. Aqui não tem a produção do Gileno e nem músicas do Raul Seixas. Pelo que parece não tem nem mais os mesmos músicos do início de carreira. A formação é outra. Daí, a música também é outra. Estão mais para Sá & Guarabyra do que para Som Imaginário, ou Pholhas, que tem mais a ver… Mas isso não quer dizer que eles deixaram de ser interessantes, muito pelo contrário. Se tornaram um grupo ainda mais afinado, maduro e coerente. Passaram a fazer uma música, ainda jovem, mas inserida no contexto da cultura regional. Bom, pelo menos é isso que reflete o lp “Rio Potengui”. Escutem e digam o que acham. Se houver alguém interessado em adquirir o disco, este também eu tenho para a venda. Quanto ao primeiro álbum, o de 1973, vai ficar para uma outra ocasião. Desafio aqui é moda de viola 😉
Nonato E Seu Conjunto – No Embalo Jovem De Nonato E Seu Conjunto (1978)
Coisa curiosa é esse tal de Rapidshare… um serviço eficiente, mas de uns tempos prá cá passou a boicotar seus usuários que não tem conta Premium. Fazer um ‘download’ através dele passou a ser a coisa mais difícil, só liberavam o acesso no fim de noite e pela madrugada. Como eu não tenho conta paga, o jeito foi migrar para outros servidores, que também não são lá grandes coisas. Mas enfim, depois que entrei no embalo com o Mediafire e Megaupload eles agora resolveram afrouxar a amarração. Já estão liberando o acesso durante o dia. Mas agora é tarde, vou continuar como estamos. Ao perceberem um link desativado, avisem que eu falo com a turma especial de colaboradores 😉 Eles estão adorando o Mediafire 🙂
E por falar eu curiosidade e outros embalos, temos aqui um grupo do Maranhão, que durante os anos 70 fez a cabeça de muitos nordestinos, chegando inclusive a ecoar aqui para as bandas do sudeste, principalmente em São Paulo. Nonato e Seu Conjunto gravou uma série de discos nessa época. Eu confesso que nunca ouvi os outros discos do grupo, mas sei que o som deles sempre foi pautado numa musicalidade com influências das mais variadas. Geralmente, grupos musicais nordestino estão sempre associados à música regional, mas no caso de Nonato a perspectiva é um pouco mais ampla. Neste álbum, “No Embalo Jovem de Nonato e Seu Conjunto”, lançado pela RCA em 1978, percebemos a influência da ‘dance music’, na fase aurea da ‘discoteque’ de uma forma bem singular. Passados mais de trinta anos, ouvir agora esse disco é como filtrá-lo em outros conceitos. O disco hoje adquire um outro ‘status’, a levada do ‘groove’, do balanço, do samba rock… Realmente o disco é interessante, as músicas são de qualidade e o conjunto tem uma ‘levada’ muito boa. Quem não conhece e gosta do estilo, pode conferir que vai gostar.
Os Três Tons (1962)
Olá amigos cultos e ocultos! Nosso encontro hoje é com o trio vocal “Os Três Tons”, vocês conhecem? Estou perguntando porque eu mesmo não sei nada sobre eles. Vez por outra, em alguma coletânea, vejo o nome do trio, inclusive em um disco de natal que eu postei aqui. Mas nunca procurei saber quem era e de onde eles vieram. À primeira vista, olhando pela capa e com este nome a gente logo pensa que se trata de alguma coisa ligada à Bossa Nova. Porém ao ouvir o disco, ou mesmo pelo repertório, se percebe que eles estão mais para Os Cantores de Ébano do que para a turma do banquinho e violão. Trata-se de um disco curioso, de estréia de três rapazes que na verdade não são Antonio, Tonico e Totonho. Chamam-se Nilson, Nelson e Jorge. Os “tons” ficam por conta da sonoridade, da diferença vocal entre eles que juntos se arranjam de maneira bem agradável. Os Três Tons também nos remetem à lembrança de Tom Jobim, embora não tenham absolutamente nada em comum. Percebe-se que há no nome um certo apelo comercial (se um Tom é bom, três é demais). Sem dúvida, uma boa escolha, um bom nome artístico criado pelo produtor musical Ismael Corrêa. O repertório tem bem a cara da época e influências dos grupos vocais americanos. Acredito que Os Três Tons só lançaram este disco. Consta na rede, nos ‘mercados livres da vida digital’, também um compacto. Eis então um disco raro, que vale a pena uma conferida. Se alguém soubre e quiser complementar as informações, na se faça de rogado, solta o verbo no Comentários 😉
Desfile 2 (1968)
Olha aí, mais uma coletânea interessante que vale a pena conferir. Temos desta vez um disquinho pelo selo Equipe, do produtor Oswaldo Cadaxo. O lp “Desfile 2” é, no mínimo, uma coletânea curiosa. Do lado A o disco é do conjunto ‘Sax Cantabile’, possivelmente mais uma criação de Cadaxo usando a turma do The Pop’s num arranjo com metais. Inspirado no bolero de Armando Domingez, o Sax Cantabile traz um repertório para se ouvir, realmente com outros olhos. As seis faixas instrumentais que compõem o lado A já valem o disco, mas o lado B também não fica para trás. Nele encontramos a figuraça do Osvaldo Nunes em seu famoso samba-rock “Segura este samba, Ogunhê”; Monsueto com “Chico da tuba”; Tânia (que Tânia?) cantando “Eu e a brisa” de Johnny Alf e “Viola enluarada” de Marcos e Paulo Sergio Valle. Como não podia faltar, temos ainda o The Pop’s em dois de seus hits, “Que é isso menina” e “Garrafa de vinho”. Como podemos ver, trata-se de uma seleção musical bem singular, como foi o selo Equipe. Confiram o toque…
A Medida Do Sucesso (1972)
Olá amigos cultos e ocultos! Com a colaboração dos meus célebres parceiros musicais, foram corrigidos alguns links que estavam desativados. Demoramos um pouco, mas estão todos aí…
Começamos a semana numa boa (humm…) Tenho aqui para vocês esta coletânea dos bons tempos da Som Livre. Estão reunidas aqui algumas músicas que eu mesmo já nem me lembrava. Coisas como “Lúcia Esparadrapo”, “Karaní Karanuê, “Mudei de Ideia”, além das internacionais “Oh Me, Oh My” na versão de Jane Duboc e “Les Rois Mages” com Sheila, são músicas que vieram a tona em minhas lembranças e acredito que acontecerá o mesmo com quem viveu e curtiu os anos 70. A seleção musical desta coletânea traz diversos temas que fizeram parte de novelas e programas da Rede Globo. Muito boa, confiram…
Odair Cabeça de Poeta & Capote – Rebuliço (1979)
Olá amigos cultos e ocultos! Pelo que eu vejo, a minha ausência já despertou preocupação. Meu final de semana foi ocupadíssimo por isso na sexta-feira eu preparei uma postagem agendada, mas por alguma razão ela não entrou e eu só percebi isso agora a noite quando cheguei para a postagem do domingo. Estamos atrasados, mas estamos em dia 😉
Vamos na sequência trazendo mais um disco do Odair Cabeça de Poeta e seu Grupo Capote. “Reboliço” é outro dos excelentes álbuns desse artista baiano que sumiu da praça. Há muito eu não vejo (e nem escuto) um disco novo dele. Neste lp, lançado em 1979, o Odair conta com participações importantes como Clementina de Jesus, Vicente Barreto e Oswaldinho do Acordeon. Confiram aí, pois eu aqui já vou indo que amanhã tem mais…
Impacto Cinco – Lágrimas Azuis (1976)
Saindo de Pernambuco, vamos para o Rio Grande do Norte. É de lá que vem o Impacto Cinco, um dos pioneiros e maior representante do rock potiguar. O grupo surgiu nos anos 60, criado por Etelvino Caldas, um ex-seminarista que decidiu abandonar a Igreja depois de ouvir um disco dos Beatles. O Impacto Cinco era uma banda que tocava nas matines de domingo no ABC Esporte Clube de Natal. Se tornou logo um sucesso, sendo a banda de maior destaque entre a juventude universitária da época. O profissionalismo e qualidade musical da banda os levaram para São Paulo, através de Gileno Azevedo, o Leno da dupla Lilian & Leno. Gileno, também do Rio Grande do Norte, era na época produtor musical na CBS. Conhecia bem o trabalho dos caras e resolveu produzi-los. Lançou um primeiro álbum em 1973. Dois anos depois veio este lp, “Lágrimas Azuis”, um trabalho considerado por muitos bem a frente de seu tempo. Pessoalmente, não vejo muito isso, mas também não há como negar a qualidade, bem acima da média. Eles faziam um som competente, à nível das melhores bandas de rock brasileiras. Neste álbum de onze faixas, além de músicas próprias há também composições de Leno, Piska e Raul Seixas. O destaque vai para “Sábado”, música lançada anteriormente pelo Som Imaginário.
“Lágrimas Azuis” é hoje um disco dos mais raros, disputado a tapas e muito dinheiro por colecionadores. Eu por acaso tenho este lp repetido, se alguém se interessar, tá na mão por apenas 250 reais. Façam contato por e-mail 😉
Fred Monteiro – Coração Pernambucano (2004)
Bom dia amigos cultos e ocultos! Entre perdas e danos vamos seguindo em frente em nossa caminhada que também nos leva a novos encontros, caminhos e nos traz novos frutos. A vida é isso, uma passagem, onde a paisagem está sempre em transformação.
Jackson Do Pandeiro – Com Conjunto e Côro (1955)
Olá amigos cultos e ocultos! Como disse um dos mais ocultos, a máscara caiu. Caiu sim porque o carnaval já passou. Agora vamos de cara limpa na caravana musical que tem deixado muito cachorro na latição. Como cachorro que late não morde, vamos tranquilos. Se precisar a gente chama a carrocinha, né não? 🙂
Bom, para tampar a boca, abrir os olhos e também os ouvidos, hoje eu vou postar um Jackson do Pandeiro. Este aqui, com certeza é novidade, podem começar o compartilhamento, mas não se esqueçam de voltar. A fonte aqui é inesgotável, vai matar a sêde de gregos e troianos.
Esta postagem era para ter entrado no dia 27 de fevereiro, numa homenagem a uma pessoa muito especial e querida, que me ensinava as canções deste disco. Que saudade! Mesmo com atraso, fica valendo, viu Luizinha?
Temos então, Jackson do Pandeiro com Conjunto e Côro. O primeiro lp do “Rei do Ritmo”, lançado em 1955 pelo selo do caramujo, da gravadora Copacabana. Neste albinho de dez polegadas temos alguns de seus maiores sucessos, músicas gravadas anteriormente em bolachas de 78 rotações. Posteriormente ele veio a regravar algumas dessas composições que se tornaram verdadeiros clássicos da música popular brasileira e de qualquer forró. Foi ele, ao lado de Luiz Gonzaga, um dos mais autênticos e expressivos artistas da música nordestina, caracterizando um estilo que sempre esteve em voga. Salve Jackson do Pandeiro!
Sidney Miller (1967)
Olá amigos cultos e ocultos. Hoje, meio as pressas, vamos ficando com o Sidney Miller. Este é um disco que merece mais atenção e até algumas palavras em consideração. Todavia, vou me satisfazer apenas em postá-lo. Sei que é um álbum já bem explorado e publicado em diversos outros blogs, mesmo assim quero deixar a minha versão.
Sidney Miller foi um compositor dos mais talentoso. Na minha visão ele era um misto de Caetano Veloso e Chico Buarque de Holanda. Suas músicas sempre me remetem à esses dois, talvez porque tenha as mesmas qualidades, tanto musicais quanto poéticas. Este disco é sem dúvida um clássico da mpb. Um álbum que está na lista dos meus três mil discos básicos e indispensáveis da música brasileira. Aqui encontramos seus maiores sucessos. A presença de Nara Leão no dueto da ‘festivalíssima’ “A estrada e o violeiro” ou em “Menina da agulha”. Tem também “O circo”, música que Nara gravou posteriormente, se tornando outro grande sucesso. No álbum temos muita coisa boa. Se alguém ainda não tinha ouvido o lp, a oportunidade é esta. Confiram, pois…
Os cães ladram e a caravana continua passando…
chorinho do retrato
Noites Cariocas – Ao Vivo No Municipal (1988)
É, pelo jeito os nossos conhecedores de música popular brasileira andam mais que ocultos, estão mesmo sumidos. Até agora ninguém se manifestou em relação às duas últimas postagens. Tanto os Hamornipops quanto Aimé Vereck não foram identificados pelos nossos pesquisadores de plantão. Será que não há ninguém por aqui que saiba nos dar mais informações sobre os dois últimos discos postados? Estaria faltando mais interação entre nós ou realmente ninguém sabe mesmo? Continuamos na obscuridade…
Mas para não ficarmos totalmente no escuro, vamos mudar o rumo. Vamos para as Noites Cariocas, onde pelo menos as estrelas brilham, tanto no céu quanto no palco do Teatro Municipal. Para quebrar um pouco a monotonia, o álbum do dia (ou da noite?) é dedicado ao chorinho. Temos aqui este belíssimo álbum editado pela extinta Kuarup, “Noites Cariocas”. Um registro ao vivo de um ‘big’ sarau realizado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro nos anos de 1987 e 88. Como podemos ver logo pela capa do disco, participam como figuras principais: Altamiro Carrilho, Zé da Velha, Paulo Sérgio Santos, Chiquinho do Acordeon, Paulo Moura, Paulinho da Viola e Joel Nascimento. Pois é, noites cariocas não são apenas para o samba. O choro também, sempre teve seu lugar garantido na Cidade Maravilhosa.
Aimé Vereck & Seu Conjunto De Boite Nº 2 (1955)
Bom dia amigos cultos e ocultos! Começo a semana com mais um quebra cabeças. Temos aqui mais um disco que carece de informações – uma identidade e uma história. Aimé Vereck não me é um nome muito estranho ou totalmente desconhecido. Ele aparece em pelo menos umas três coletâneas de antigos álbuns de 10 polegadas. Aqui mesmo no Toque Musical ele está presente na seleção Odeon chamada “Solistas Populares” de 1957. Se procurarmos através do Google também não chegaremos muito longe. Não há uma informação mínima sobre este instrumentista e seu conjunto de ‘boite’. Das peças desse quebra cabeças só tenho suposições. Acredito que ele tenha sido um saxofonista, pelo menos neste lp. Pelo disco da Odeon, citado acima e também em alguns sites fica claro que Aimé Vereck tocava ocarina, um instrumento de sopro dos mais antigos, uma espécie de flauta, mas com um formato ovalado. Porém, neste disco a ocarina foi trocada pelo saxofone, um instrumento mais condizente com a música de ‘boite’ e certamente quem o toca é Aimé Vereck. Falando do álbum, trata-se de um disco bem agradável. Uma seleção musical variada onde temos um Noel Rosa (e Vadico) com seu “Fetiço da Vila” num arranjo bem original. Há duas composições de Aimé, uma delas em parceria com o bamba da guitarra Poly. As outras faixas são ‘starndars’ da música internacional.
Taí… algumas peças para iniciarmos o quebra cabeças. Quem tiver mais, por favor, tragam elas para os comentários. Toda informação é bem vinda. Universitários de plantão, críticos, pesquisadores e parentes, queiram se manifestar!
Os Harmonipops – Espetacular, As Duas Faces Dos Harmonipops (1970)
Mais uma investida na gaita, mas sem direito a juros e correção monetária. Aqui o lucro é a cultura e o resgate da nossa memória musical. O rendimento vem da multiplicação através do compartilhamento, a permanência como fator fundamental para a história fonográfica brasileira. Está difícil de entender? Ok, vamos largar os conceitos e analogias. Vamos direto ao assunto… Quem aqui se lembra ou já ouviu falar nos Harmonipops? Provavelmente muitos poucos e para esses, nossa postagem do dia é um achado. Eu também me coloco na posição daqueles que já ouviram falar, mas nunca ouviram tocar. Temos agora a oportunidade, a qual eu quero compartilhar com vocês, mesmo porque, minha esperança é saber um pouco mais sobre esse trio de gaitas. Descobri Os Harmonipops faz pouco tempo, achava que fosse um grupo estrangeiro, principalmente por conta do repertório que nada tem de nacional. Fazendo uma pesquisa rápida na rede, quase nada encontramos sobre quem são ou foram. Tive que ir juntando as peças, mas o quebra cabeças ainda continua praticamente incompleto. De tudo que tenho, é apenas que foi o primeiro conjunto com gaitas eletrônicas (microfone acoplado ao instrumento) no Brasil. Pelos recortes de jornais e revistas estampados na contracapa sabe-se também que foram eles um grupo muito atuante e de um relativo sucesso. O trio era formando por Clive Pop, Sigmund Gargitter e um terceiro que eu não consegui saber o nome. Por aí dá para vocês entenderem a minha dúvida quanto ao fato de ser o grupo brasileiro ou não. O certo é que pouca coisa tem sido escrita e publicada sobre a história da harmônica (gaita de boca) no Brasil. Se existe, não está assim tão acessível a qualquer mortal. Por sorte, temos hoje em dia um interesse crescente no instrumento e também pesquisas sobre sua história sendo realizadas, como é o caso do gaitista baiano Luiz Rocha que vem recolhendo todo o tipo de informação sobre o assunto. Quem tiver alguma coisa para acrescentar ou contribuir com este trabalho, entre em contato com o cara. Toda informação é bem vinda. Da minha parte, tenho feito o que sei, publicado sempre que possível algum disco de gaitistas brasileiros.
Os Hamonipops, parece que gravaram outros discos, inclusive um compacto, como no caso deste álbum, pelo obscuro selo California. Ao que tudo indica, pela minha minha investigação, o presente lp foi lançado em 1970, ou por aí… A seleção musical nos apresenta um repertório variado mas convencional. Não há nada ligado à música brasileira. Mesmo assim, muito bom, confiram…
Sylvio Mazzucca E Sua Orquestra – Chegou A Música (1955)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje está sendo um daqueles dias em que eu não estou tendo tempo para nada e nem cabeça para articular meia dúzia de palavras. O que dizer dessa resenha diária, não estou nem um pouco animado. Mesmo assim, honrando nosso encontro diário, vou trazendo um disquinho com cara de sábado. Sábado nos anos 50, claro!
Temos aqui este interessante álbum de dez polegadas do Maestro Sylvio Mazzucca e sua orquestra. Acredito que tenha sido um de seus primeiros lps. Um disco voltado para o público jovem da época. São oito faixas, sendo a metade composições próprias, incluíndo o famoso chorinho “De volta”. As outras quatro trazem também sucessos como “Limelight” de Chaplin e a divertida “Neurastenico”, hit de sucesso em versão instrumental.
Sylvio Mazzucca e sua Orquestra foram responsáveis por outros arranjos clássicos da música popular brasileira, como “Garora de Ipanema”, “Samba de Orfeu” e “A felicidade”.
Paulinho Nogueira – Tons E Semitons (1986)
Olá amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa trilha fonográfica musical, vamos hoje retomando aos independentes. Atendendo a um pedido mais que especial e já com um certo atraso. O independente da semana é o grande compositor e violonista Paulinho Nogueira, um nome que dispensa maiores comentários e que aqui no Toque Musical já marcou presença outras vezes, pode conferir…
“Tons e Semitons” foi seu 25º lp, lançado de forma independente, associado ao produtor Fred Rossi, em 1986. Segundo Paulinho, o disco foi uma realização bem espontânea, simples, descontraída e com músicas, até então inéditas. Apenas a faixa “Chôro chorado” foi feita em parceria com Toquinho e Vinicius. Para não variar, este é mais um belo trabalho que paralelamente teve editado, em forma de livro, as partituras das dez músicas. Infelizmente essas eu não tenho para mostrar. Ao que tudo indica, a edição do livrinho ficou logo esgotada e não sei se chegaram a relança-la novamente. Mas é possível encontrar em sebos especializados.
Confiram já este toque, em tons e semitons 😉
Nora Ney – Canta Nora Ney (1955)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu estou aqui reforçando, ou pelo menos oferecendo uma outra alternativa para este disco super bacana da Nora Ney. Há poucos dias atrás o blog Parallel Realities Studio, do nosso amigo Milan, o postou para a alegria de muitos, inclusive do blog 300 Discos Importantes da MPB, que já a algum tempo o cotava como um dos raros e difíceis de encontrar. Se não fosse pela minha desatenção em perceber essa carência já o teria tirado dessa situação a mais tempo. Este disco, coincidentemente, eu já estava para apresentá-lo ainda nesse mês, juntamente com outros que eu havia escolhido para uma semana temática dedicada às belas capas. Isso eu ainda farei, mas confesso que não resisti a tentação de imediatamente também participar dessa mostra. Na pior das hipóteses, estou assegurando o lugar de ‘filial brasileira da postagem’, uma alternativa a mais para quem esperou ou está descobrindo o disco agora. Para não ficar parecendo que foi pura ‘catação’, informo que o meu arquivo não tem nada a ver com outro já postado. O meu foi enviado diretamente do céu pelo Antonio Maria 😉 Independente de qualquer coisa, o que vale é estarmos levando a vocês um pequeno (dez polegadas) grande disco. Um álbum básico à qualquer discoteca nos pelo menos 3 mil discos importantes da MPB. (um dia ainda farei essa minha seleção!)
Temos assim a cantora Nora Ney neste álbum lançado em 1955, seu primeiro lp. Sem dúvida um belo disco, a começar pela capa, uma jóia de arte. Dentro temos oito sambas para alimentar qualquer dor de cotovelo. Quatro dessas músicas são de Antonio Maria, sendo uma delas em parceria com Vinicius de Moraes. Outro destaque é o samba canção “O que vai ser de mim” de Antonio Carlos Jobim. Nora foi a primeira artista a gravar uma música de Tom.
Taí, pela terceira vez, a presença de Nora Ney no nosso Toque Musical. Já viu e ouviu as outras postagens? Confira também aqui.
Altamiro Carrilho E Sua Bandinha Na TV (1957)
Nossa postagem de hoje é dedicada às bandinhas de coreto de todo o Brasil. Quem nunca viveu a experiência da música ao vivo, tocada na praça por uma bandinha, não sabe como isso é encantador e divertido. Esse tipo de manifestação musical há muito já perdeu seu lugar. Poucas e antigas praças e parques ainda conservam seus coretos e é nelas que ecoam os sons de velhas marchinhas, dobrados, choros, valsinhas e todo tipo de música tocada por um grupo, geralmente de músicos amadores. Hoje em dia as bandinhas viraram raridades.
Raridade também é este disco do flautista Altamiro Carrilho. Logo que a televisão se tornou uma realidade no Brasil, ele foi contratado pela TV Tupi para fazer parte da programação. Liderou com seu conjunto um programa em horário nobre se tornando ainda mais conhecido do grande público. É exatamente desse período as gravações do presente lp, lançado em 1957 pelo selo do caramujo, a Copacabana, que pelo grande sucesso teria ainda um segundo volume no ano seguinte. Uma saudosa viagem ao universo musical do que eu me referi na introdução. Música de coreto, música para o povo! São quatorze faixas por onde desfilam alguns dos temas mais tradicionais do repertório de bandas. Na foto da capa podemos ver Altamiro e sua bandinha sobre um coreto cenográfico, em ação no programa da TV Tupi. Observem, temos no canto esquerdo a figura de Sivuca tirando quase de ouvido os solos em seu acordeon. Bacana, né? Confiram o toque feito para se ouvir também com outros olhos. 😉
Quarteto Excelsior – Jantar Dançante (1955)
Bom dia amigos cultos e ocultos. Muitas pessoas tem se queixado dos arquivos via Mediafire devido às falhas que geralmente acontecem. As vezes, ao se fazer um download o arquivo vem corrompido. Quando me avisam, eu imediatamente procuro corrigir, aviso aos meus ilustres colaboradores e eles postam um novo link no comentários. Candinho, coitado, tive que tirá-lo as pressas do violão para que ele nos enviasse um novo link da Sylvia Telles. A gente procura trabalhar rápido e em conjunto, aqui na terra e lá no céu 😉
Hoje o nosso álbum vai ser o “Jantar Dançante” do Quarteto Excelsior. Este foi o primeiro disco do conjunto liderado pelo Maestro Zaccarias. Lançado em 1955, o grupo era formado por Zaccarias na clarinete e vocal, Fats Elpídio no piano, Bill no contrabaixo e Romeu na bateria. Ao ouvirmos este disco percebemos duas coisas muito óbvias, a qualidade instrumental dos músicos e a voz do maestro, que canta baixinho, bem ao estilo de Fafá Lemos e Mário Reis. Um estilo precursor do jeito Bossa Nova. O lp de 10 polegadas faz uma boa média, agradando aos ouvidos da época (e de hoje também, claro!) com um repertório nacional e internacional. O lado A é vem com sambas e baiões, sendo “Baião gracioso” uma composição do próprio Zaccarias. O lado B é dedicado aos temas estrangeiros, são três faixas que se fazem valer por sete ‘standarts’ internacionais. Um belo disquinho para começarmos bem a semana 😉
Sylvia Telles – The Music Of Mr Jobim By Sylvia Telles (1965)
Ufa! Finalmente uma pausa! Um momento neste meu domingo agitado para a nossa postagem do dia. E tem que ser corrido, pois o social não acabou. Tenho ainda um aniversário, o qual não posso faltar. Vamos então ao que interessa…
Ontem eu comentei que estava na dúvida, sem saber o que escolher para a postagem do dia. Falei das opções de Paulinho Nogueira e Sergio Mendes e pensei que alguém fosse se manifestar pedindo para postá-los hoje, ou em seguida. Como não houve comentários nesse sentido, resolvi escolher outra coisa. Há tempos eu venho querendo postar este disco da Sylvia Telles, assim sendo o farei hoje. “The Music of Mr. Jobim by Sylvia Telles” é um disco bem legal. Uma produção da Elenco, feita de encomenda para o mercado americano, a pedido da Kapp Records. Na época Sylvia estava casada com Aloysio de Oliveria, o produtor e dono da Elenco. Ela já havia gravado no ano anterior para a mesma Kapp Records o álbum “The face I love”, o qual nunca chegou a ser editado no Brasil. No presente lp temos uma seleção de composições de Tom Jobim e parcerias, em sua maioria versões em inglês, as quais foram também intepretadas com sucesso por artistas americanos e também por Astrud Gilberto e o próprio Tom. Sylvia, mais uma vez está ótima. Sua voz já se fazia ouvida na América e na Europa. Teria alcançado vôos ainda maiores, não fosse o trágico acidente que a vitimou no ano seguinte. Um grande perda…