Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, fazendo jus a nossa tradição, temos aqui uma raridade de alto nível, coisa que vocês só encontram em primeira mão no Toque Musical. Trago hoje para vocês esse raríssimo compacto, produção independente, talvez uma das primeiras lançadas por aqui. Aliás, este disquinho, é pioneiro não apenas como produção independente. É também uma das primeiras manifestações isoladas da Bossa Nova, o primeiro compacto triplo (com três faixas em cada lado) e o primeiro compacto de rotação 33.
Temos aqui o primeiro registro da ‘Turma da Savassi’, a turma dos compositores mineiros Pacífico Mascarenhas e Roberto Guimarães, nomes dos mais importantes da música mineira e porque não dizer, da Bossa mineira. Olhando assim, pela capa, para muitos esse disquinho pode ter passado batido, até porque quem se destaca é o intérprete, o cantor da turma, Carlos Hamilton. Quem vê o disquinho sem lhe dar muita atenção há de entender este, apenas como mais um velho compacto independente (e que ninguém conhece e se interessa). Mas, nesse sentido, o valor está na obra, nas composições, em especial de Pacífico Mascarenhas, onde temos uma autêntica bossa nova, a faixa de abertura, “Pouca duração”. Acredito que poucos conhecem bem essa música, a qual também aparece em outros discos do compositor. Este samba, que é pura bossa surgi neste compacto, que foi lançado no início dos anos 60. Infelizmente, eu não consegui localizar a data, a qual seria muito importante para termos uma dimensão da coisa. Ao que contam, Pacífico conseguiu convencer o produtor fonográfico Harry Zuckerman a transformar o compacto de 45 rpm em 33. Assim a Companhia Industrial de Discos (CID) criou o primeiro compacto, uma produção independente para este 7 polegadas e dava-se aí início aos disquinhos, agora rodando em 33 rpm. Não deixem de conferir essa raridade. Logo mais alguém coloca no Youtube (e eu aqui nem sou lembrado).
Conjunto Bossa Nova – Bossa É Bossa (1959)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Muitos são os discos que ainda queremos postar aqui no Toque Musical e hoje temos aqui um desses, um compactozinho que é pura raridade, cobiçado por muitos colecionadores, em especial aos amantes da Bossa Nova. Acredito eu que este seja o primeiro compacto de Bossa Nova lançado no mundo. Temos assim, o Conjunto Bossa Nova, num compacto duplo, com quatro músicas. Por certo, trata-se de um disquinho já bem manjado por todos os seguidores de blog. A primeira vez que apareceu foi no saudoso Loronix e aqui agora completo, com capa, contracapa e selos, para a turma mais exigente 🙂
O Conjunto Bossa Nova era formado por Roberto Menescal, Bill Horn, Luiz Carlos Vinhas. Bebeto Castilho, Helcio Milito e Luiz Paulo Nogueira. Lançado em 1959 pelo selo Odeon, este compacto traz um registro ao vivo do grupo, onde foram selecionadas quatro composições:
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Antonio Carlos Nóbrega – Compacto (1983)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com este compacto duplo, disquinho bem raro do violinista pernambucano Antonio Carlos Nóbrega. Na verdade, este foi seu primeiro registro fonográfico autoral, lançado de forma independente no ano de 1983, conforme relato na contracapa. Antes disso ele integrava o maravilhoso Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira e raízes populares. Inclusive, aqui no Toque Musical, já foram postados dois discos do grupo.
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Caetano Veloso – Compacto (1965)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com esse compacto nota 10, um disquinho especial, o primeiro registro do genial Caetano Veloso, aqui ainda com dois Ls. Certamente, trata-se de um disquinho já bem divulgado e hoje, mais ainda, na rede é que nem bolacha, em qualquer canto se acha. Mas isso só no formato digital, pois o compacto em si é hoje moeda forte. Tem maluco tentando vender o seu no Mercado Livre por quase 200 pratas. Mas Mercado Livre não deve servir de referencia para preço, ainda mais de vinil que até poucos anos atrás eram vendidos quase de graça. Hoje, com muita informação e fake news, dourar a pílula ficou mais fácil. E o que não falta é trouxa para comprar a joia. Aqui, o que importa é ter em nosso acervo digital um disco que é a cara do Toque Musical (putz, até rimou!) Deixo aqui também a minha gratidão a mais um bom amigo do TM, o Denys, que muito me ajudou no tratamento da capinha e selo. Valeu, brother! 🙂
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Gaúcho E Seu Trio – Em Ritmo de Tango (1960)
Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos um álbum focalizando o tango, estilo musical surgido na região do Rio da Prata, na América do Sul, entre as cidades de Buenos Aires (capital da Argentina) e Montevidéu (capital do Uruguai). A partir do início do século XX, o tango começou a ultrapassar fronteiras, levado por marinheiros franceses a seu país natal. Paris se apaixonou pelo tango, o que fez muitos artistas argentinos e uruguaios viajarem e até se radicarem na “cidade-luz”. Este “Em ritmo de tango”, que hoje oferecemos, foi lançado pela Philips em 1960, e a execução fica por conta do acordeonista Gaúcho, sobre o qual, infelizmente, pouco se sabe. Ele é (ou era) gaúcho mesmo, batizado com o nome de Auro Pedro Tomaz, e nascido na cidade de Santo Ângelo. Seu primeiro instrumento foi o banjo, então na moda, que tocava no conjunto orquestral de seu pai, o Jazz Elite, em 1942. Mais tarde, transferiu-se para a capital do estado, Porto Alegre, e ficou três anos na Rádio Gaúcha, atuando no conjunto de Paraná e na orquestra típica da emissora. Aperfeiçoando sua técnica no acordeom, do qual seria autêntico virtuose, logo que ingressou na Aeronáutica, foi nomeado sargento-músico, depois mudando-se para a capital pernambucana, Recife, onde tomou parte nos festejos de inauguração da Rádio Tamandaré, como chefe do conjunto dançante. De lá, foi para a Rádio Jornal do Commercio, criando uma orquestra de danças, e seu acordeom é inclusive ouvido nos primeiros discos de Jackson do Pandeiro, lançados pela Copacabana entre 1953 e 1955. Em 1955, Gaúcho desliga-se da Aeronáutica e muda-se para o Rio de Janeiro, ingressando na lendária PRE-8, Rádio Nacional, então “a estação das multidões”. Atuou ainda nos conjuntos do violonista Djalma de Andrade, o Bola Sete (com quem excursionou pelo Chile, Peru e Argentina), e do flautista e maestro Copinha. Participou ainda da terceira formação do Trio Surdina, com o violinista Al Quincas e violonista Nestor Campos, e teve orquestra própria, que tocava no Dancing Avenida. Neste “Em ritmo de tango”, produzido por um verdadeiro “cobra”, Luiz Bittencourt, Gaúcho sola seu acordeom à frente de um trio formado por Hugo (bateria), Malaguti (contrabaixo) e o conceituadíssimo Zé Menezes (guitarra). São dezesseis tangos de sucesso internacional, com arranjos do próprio Gaúcho, em oito faixas, duas para cada música. Entre eles, obras-primas como “Jalousie”, “Sueño azul”, “Senhora fortuna” e “Amado mio”, integrando um repertório de muito bom gosto e sensibilidade. Portanto, este é mais um trabalho de qualidade que merece a postagem de hoje de nosso TM.
violino tzigano
sueno azul
orquideas ao luar
inspiration
mon couer est un violon
tango boogie
the moon was yellow
jailouise
* Texto de Samuel Machado Filho
Pernambuco E Sua Orquestra – Conversando Com O Piston (1959)
O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos mais um disco na linha dançante, desses que animavam quaisquer bailes e festas não só em residências como também em salões que não dispunham de música ao vivo. Trata-se de “Conversando com o pistom”, terceiro álbum do maestro, pianista e pistonista Pernambuco (os anteriores foram “Em ritmo de dança” 1 e 2), lançado em 1959 pela Polydor. Ayres da Costa Pessoa, seu nome verdadeiro, nasceu na cidade de Palmares (município pernambucano, obviamente), no dia 27 de fevereiro de 1918, e há poucas informações a respeito dele (não há referência nem mesmo a respeito de seu falecimento). Partiu muito jovem para a então meca dos artistas e capital da República, o Rio de Janeiro, e, em seus primeiros anos na “Cidade Maravilhosa”, foi pistonista da orquestra de Otaviano Romero Monteiro, o Fon-Fon. Mais tarde, trocou o pistom pelo piano, dedicando-se também a arranjos e composições. Um de seus trabalhos autorais mais conhecidos é o samba-canção “Suas mãos”, de parceria com Antônio Maria, que tem várias gravações, destacando-se as de Sylvia Telles e Maysa. No entanto, após oito anos, Pernambuco voltou a soprar seu pistom, o que aliás é frisado no interessante texto de contracapa assinado pelo jornalista e também compositor Ricardo Galeno, um diálogo imaginário entre Pernambuco e o instrumento. Aqui, ele está à frente de sua orquestra (os dois álbuns anteriores foram com seu conjunto), com direito inclusive a duas músicas de autoria dele próprio, à época também lançadas em 78 rpm: a faixa-título e de abertura, o samba “Conversando com o pistom”, e o mambolero “Dorme”, este em parceria com o contracapista do álbum, Ricardo Galeno, interpretado por coral, e regravado mais tarde por Dalva de Oliveira. Além de uma adaptação do próprio Pernambuco para o clássico “Casinha pequenina”, em ritmo de samba, e “Sarambá”, parceria do dançarino Duque com o maestro J. Thomaz (que regia de luvas e… não sabia música!), surgida em 1930. No mais, uma verdadeira seleção de sucessos, com destaque para a presença de dois indiscutíveis e imortais clássicos de Luiz Gonzaga: “Asa branca” (parceria com Humberto Teixeira) e “Vem, morena (com Zé Dantas). E ainda os clássicos internacionais “All the way” (então sucesso de Frank Sinatra), “Babalu” (eterno carro-chefe de Ângela Maria no Brasil), “As time goes by” (surgida em 1931 mas que só se tornou bem conhecida em 1942, com o filme “Casablanca”), “An affair to remember” (tema-título de outro filme famoso, exibido no Brasil como “Tarde demais para esquecer” e “Ai, mouraria” (obra-prima portuguesa, com certeza). Enfim, mais um álbum que é verdadeiro espelho de sua época, representando um período de expressivo fastígio melódico no mundo inteiro, inclusive no Brasil, é claro. É só conferir…
conversando com o piston
all the way
babalu
asa branca
as time goes by
saramba
dorme
an affair to remember
casinha pequenina
zum zum babae
a mouraria
vem morena
*Texto de Samuel Machado Filho
Antonio Carlos Jobim & Quarteto 004 (1968) CP
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Estou com alguns compactos aqui e acho que vai cair bem uma apresentação intercalada com os lps. Daí, para começar a parada, eu escolhi este compacto, lançado em 1968, trazendo uma prévia do disco do Quarteto 004, um discaço, por sinal, com participação de outros feras como Eumir Deodato, Ugo Marotta, Waltel Branco, Edino Krieger e Tom Jobim. O Quarteto 004 era um grupo vocal formado por Luiz Roberto, João Felipe, Athayde e Luiz Carlos. Um excelente quarteto vocal bem comum naqueles anos 60. Neste compacto iremos encontrar a belíssima “Retrato em branco e preto”, de Tom e Chico Buarque. No lado B temos outra bela canção, de Luis Bonfá e Maria Helena Toledo. Disquinho que desperta a vontade de ouvir o long play. 🙂
Aline (1979)
Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Estou trazendo hoje um disco o qual eu pensava que já tivesse postado aqui. Aliás, este lp passou por várias vezes na minha mão. Recentemente, entre compras e doações, apareceu ele aqui de novo. Um disco realmente muito interessante, um dos primeiros lançamentos independentes surgidos no final dos anos 70. Trabalho de estréia e de altíssima qualidade da cantora mineira, de Montes Claros, Aline Mendonça Luz. Antes deste lp, a cantora já havia gravado um compacto, em 73, mas este nem chegou a ser realmente divulgado. Elogiada pela crítica e por músicos do calibre de João Bosco e Toninho Horta, Aline tinha tudo para ser uma das maiores cantoras brasileiras, mas como sempre, quem dita nomes nem sempre dita qualidade. Não é atoa que chegamos hoje à grande cantora do momento, Pablo Vittar. As coisas são assim… A música popular brasileira a cada hora, piora… Ainda bem que temos espaços como o Toque Musical, onde se pode ouvir, além de curiosidades, raridades. Temos assim este álbum, produção independente, raro e numerado, lançado em 1979. Neste trabalho, Aline conta com um time de músicos de primeiríssima e um repertório muito bem selecionado. Disco super elogiado e hoje ainda mais raro por conta dos japoneses que levaram boa pare da produção.
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Quinteto De K-Ximbinho – Em Ritmo De Dança Vol. III (1958)

O Toque Musical traz hoje para seus amigos cultos e ocultos mais um álbum de Sebastião de Barros, compositor, arranjador, clarinetista, saxofonista e maestro, que ficou para a posteridade com o pseudônimo de K-Ximbinho, e de quem postamos anteriormente o dez polegadas “Ritmo e melodia”. Lançado pela Polydor em 1958, este é o terceiro volume da série “Em ritmo de dança” (os dois anteriores foram gravados pelo conjunto do pistonista Pernambuco). K-Ximbinho, “o mais original dentre os instrumentistas que se dedicaram à orquestra popular urbana”, no dizer de outro grande maestro e clarinetista, Paulo Moura,veio ao mundo no dia 20 de janeiro de 1917, na cidade de Taipu, no Rio Grande do Norte. Iniciou seus estudos de clarinete frequentando a banda de sua cidade, mudando-se posteriormente com a família para a capital do estado, Natal.Chegou a participar, junto a outros estudantes secundaristas, do conjunto Pan Jazz, e também atuou na banda de sua corporação no exército. Em 1938, Severino Araújo assume a direção da famosa Orquestra Tabajara, e K-Ximbinho entra para a mesma. Nela permanece até 1942, quando se muda para a então capital da República, o Rio de Janeiro. Nesse ano, atua nas orquestras de Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro) e Napoleão Tavares. Em 1945, quando a Orquestra Tabajara já estava no Rio, K-Ximbinho voltou a integrá-la, nela permanecendo até 1949, como primeiro saxofonista. Em 1946, tem sua primeira composição gravada, “Sonoroso”, de parceria com Del Loro, até hoje um de seus choros mais famosos. “Eu quero é sossego”, “Sonhando” e “Sempre” são outros sucessos de K-Ximbinho como autor. Participou, com muitos dos mais importantes instrumentistas brasileiros de seu tempo, dos anos de ouro do rádio, acompanhando artistas em evidência, e também teve muita importância no circuito de orquestras, dancings e boates , entre elas a Casablanca e a famosa Sacha’s, de cujo grupo fez parte em 1955. E ainda participou da então incipiente televisão brasileira, como orquestrador da Globo, nos anos 1960, época em que também integrou a Orquestra Sinfônica Nacional, da Rádio MEC. Sua última composição foi “Manda brasa”, vencedora do Segundo Festival do Choro, promovido em 1978 pela TV Bandeirantes. K-Ximbinho faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1980, após a gravação de seu último álbum, “Saudades de um clarinete”, lançado postumamente. Neste “Em ritmo de dança 3”, com texto de contracapa assinado pelo violonista Henrique Gandelman, pai de outro saxofonista de renome, Léo Gandelman, K-Ximbinho assina os arranjos, além de solar seu clarinete com a maestria habitual. Nas doze faixas, um repertório bem variado e dançante, mesclando, como de hábito nessa época, sucessos nacionais e internacionais da ocasião, com direito a três composições próprias: o baião “Tá?”, com Hianto de Almeida, e os choros “Teleguiado” e “Penumbra”. Temos ainda os clássicos “Lá vem a baiana”, do mestre Dorival Caymmi, “Por causa de você”, da dupla Tom Jobim-Dolores Duran, “Se acaso você chegasse”, primeiro grande hit autoral de Lupicínio Rodrigues, aqui em parceria com Felisberto Martins, “Não diga não”, de Tito Madi e Georges Henry,e, na área internacional, “Anaffairtoremember” (do filme “Tarde demais para esquecer”), “I’vegotyouundermyskin” e “Love me forever”. Tudo isso, mais o “Mambo do Panamá”, do organista Steve Bernard, romeno radicado no Brasil, e o choro “Zezinho teimoso”, de Nestor Campos, aqui participando ao violão elétrico, fazem deste trabalho mais um produto de primeira oferecido pelo nosso TM. Aproveitem…
la vem a baiana
an affair to remember
zezinho teimoso
tá
por causa de você
mambo do panamá
teleguiado
love me forever
não diga não
i’ve got you under my skin
penumbra
se acaso você chegasse
*Texto de Samuel Machado Filho
Reviat Zikim II – Canto De Paz (1969)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mantendo sempre o lema de ser aqui um lugar para se ouvir música com outros olhos, hoje eu trago para vocês este lp do grupo Reviat Zikim, formado por jovens da comunidade judáica, aqui no Brasil. Trata-se, por certo de um grupo folk e aqui em seu segundo disco. Infelizmente, as informações sobre eles se resumem mesmo ao que consta na contra capa. Nem mesmo o primeiro trabalho eu consegui localizar. Acredito que, como este, deve ter sido uma produção independente, o que o torna ainda mais raro. E nesse sentido é mesmo, um obscuro lp ‘brasileiro’ super bem contado em listagem de colecionadores japoneses. Por sorte, este disco que apresento a vocês está completo, quer dizer, incluindo encartes com as letras também traduzidas. A propósito disso, as mensagens nas músicas são sempre otimistas, de paz, amor e fraternidade (entre judeus, claro). No final do texto de contracapa há uma curiosa frase:”Só quem tem a paz dentro de si, pode trazer a paz ao mundo”. Muito bonita, por sinal. Mas quando lembro da Palestina…
Bom, deixa prá lá. Melhor a utopia musical.
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Peruzzi E Sua Orquestra – Fantasia Dançante (1963)
Maestro, arranjador, flautista, trombonista, compositor. Este é o perfil de Edmundo Peruzzi, de quem o TM oferece, para deleite de seus amigos cultos e ocultos, mais um álbum (o quinto que postamos dele). Trata-se de “Fantasia dançante”, gravado na efêmera marca Discobrás (da qual inclusive foi diretor), e, segundo o Instituto Memória Musical Brasileira, lançado em 1959. Com vasta folha de serviços prestados à nossa música popular, Peruzzi nasceu em Santos, litoral de São Paulo, em 29 de junho de 1918. E foi no Conservatório Musical santista que iniciou seus estudos de música, soba orientação de Sabino de Benedictis. Iniciou sua carreira artística em 1932, aos catorze anos, apresentando-se como trombonista em espetáculos de circo, e foi também integrante da Banda do Corpo de Bombeiros de Santos. Em 1935, trocou o trombone pela flauta. Em 1945, Peruzzi formou sua própria orquestra, passando a atuar em programas da PRA-6, Rádio Gazeta de São Paulo (então “a emissora de elite”) e apresentando-se em bailes realizados nos arredores da capital bandeirante. Em outubro do mesmo ano, é lançado o primeiro disco da orquestra de Peruzzi, pela Continental, apresentando o choro “Perigoso”, de Ernesto Nazareth, e a valsa “Em pleno estio”, de RobertoFirpo. Em 1948, a orquestra também se apresentou na Rádio Tupi paulistana. Em 1951, contratado pela Rádio Mayrink Veiga,Peruzzitransferiu-se para o Rio de Janeiro, lá permanecendo por dez anos e atuando à frente de várias orquestras radiofônicas. Em 1953, Peruzzi apresentou-se com sua orquestra no Teatro Municipal carioca, executando o “Moto perpétuo”, de Pagnini, em ritmo de samba. Em 1959, compôs a trilha sonora do filme “Depois do carnaval”, de Wilson Silva, primeira de muitas que faria nos anos seguintes, como, por exemplo, a de “O cabeleira” (1963), de Mílton Amaral, baseado no romance homônimo de Franklin Távora, e a de “Traficante do crime” (1968), de Mário Latini. Em 1964, excursionou pela Argentina e, em 1967, apresentou-se no Paraguai. Em 1970, esteve no Peru, onde realizou apresentações e fez arranjos para a orquestra do peruano Augusto Valderrama. Como arranjador, realizou gravações para cantores diversos, tais como Orlando Silva, Miltinho, Wilson Simonal, Neyde Fraga, Clara Nunes, Agnaldo Timóteo, Dalva de Andrade e Eduardo Araújo. Peruzzi faleceu em sua Santos natal, em 3 de novembro de 1975, aos 57 anos. Neste “Fantasia dançante”, ora postado pelo TM, os arranjos ficaram por conta do próprio Peruzzi e de Pereira dos Santos. Há também a participação dos vocalistas, então desconhecidos, porém bastante talentosos, Joab Teixeira, Josemar e Nilza Morales. O disco foi dividido em duas partes, uma de cada lado. A primeira é “Sinfonia à Bahia”, reunindo, em uma única faixa, várias páginas musicais inspiradas pela Boa Terra, tais como “Bahia com H”, de Dênis Brean, “Exaltação à Bahia”, de Vicente Paiva e Chianca de Garcia, “Na Bahia”, de Herivelto Martins e Humberto Porto, “Cristo nasceu na Bahia”, de Duque e Sebastião Cirino, além de páginas dos mestres Ary Barroso (“Quindins de Iaiá”, “No tabuleiro da baiana”, “Bahia imortal”, “Isto aqui o que é”) e Dorival Caymmi (“O que é que a baiana tem?”, “Preta do acarajé”, “Você já foi à Bahia?”, “Vatapá”). A segunda parte, “Carícias musicais”, é uma seleção de belas páginas da canção latino-americana, principalmente boleros, em quatro faixas, cada qual com três músicas. Nela, desfilam páginas como “Desesperadamente”, “Cubanacan”, “Sinceridad”, “Sin ti”, “Adios” “Amor, amor” e “Mi oracion” (composta por Georges Boulanger com o título “Avant de mourir” e que depois ganhou letra em inglês de Jimmy Kennedy, sob o título de “My prayer”). Em suma, um álbum “majestosamente trabalhado”, conforme diz a contracapa, na medida exata para ouvir e dançar, e mais um título digno da postagem de nosso TM.
*Texto de Samuel Machado Filho
Fuzi 9 (1970)
Hoje, o Toque Musical apresenta para seus amigos cultos, ocultos e associados um trabalho inteiramente cult, bastante apreciado especialmente por fãs da “black music” e DJs do Brasil e do exterior, sendo inclusive um dos favoritos do cantor e compositor Ed Motta. Trata-se do único álbum do grupo Fuzi-9, lançado em 1970 pela gravadora Todamérica, então ensaiando uma retomada de suas atividades, já desligada da Continental (que vendeu sua parte social na empresa). O grupo se chamava Fuzi-9 porque seus músicos eram membros do Corpo de Fuzileiros Navais, da Marinha do Brasil, e o disco tem particularidades bem interessantes. A primeira delas é que um de seus nove integrantes(com direito até a uma vocalista feminina) e responsável pelos arranjos, o soldado Souza, aliás José Carlos de Souza, ganhou notoriedade, anos depois, com o pseudônimo de Carlos Dafé, sem dúvida um dos maiores e mais expressivos nomes da “soul music” tupiniquim. Ele assina cinco faixas desse histórico álbum: “Trilha” (com Vanden de Souza), “Sônia”, “Fim”, “Fuzão 79”e “Já era tempo de você”. Esta última, por sinal a faixa que abre o disco, tem uma outra particularidade: foi feita com a parceria de uma certa Rosana Fiengo, cantora que depois faria enorme sucesso com “Nem um toque”, “Custe o que custar” e principalmente “O amor e o poder” (“Como uma deeeeusaaaaaa”…), entre outras. Temos ainda ótimas regravações de “Poeira” (Zuzuca e Benedito Reis), “Pra onde tu vai, baião?’ (João do Valle e Sebastião Rodrigues), “De conversa em conversa” (Haroldo Barbosa e Lúcio Alves), “Isto é samba” (J. Canseira e Paulo Silva) e do samba-enredo “Bahia de todos os deuses”, com o qual a escola Acadêmicos do Salgueiro venceu o carnaval carioca de 1969. Completando o programa, as então inéditas “Tributo a Muezim” e “Haiakaiam”. Mesmo tendo gravado apenas esse álbum, o Fuzi-9 realizou uma turnê por Salvador (a capital baiana), Porto Rico, Martinica e Curaçau. O próprio Carlos Dafé ficou surpreso com o status de cult que este trabalho alcançou, dentro e fora do Brasil, mesmo depois de tantos anos após seu lançamento. Portanto, é um álbum digno da postagem de hoje de nosso TM, autêntica joia rara da “black music” brasileira. Ouçam e confirmem…
já era tempo de você
poeira
trilha
de conversa em conversa
pra onde tu vai baião
tributo a muezim
haiakaiam
bahia de todos os deuses
sonia
fim
fuzão 79
isso é samba
*Texto de Samuel Machado Filho
Larry Guest – Alegria… É Som Embalo Vol. 1 (1971)
Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Como vocês já devem saber, eu, eventualmente, tenho postado aqui discos de artistas internacionais. Obviamente, procuro trazer aquilo que está fora de circulação e também que seja algo curioso e diferente. No caso de hoje, temos um disco lançado em 1971 pela Musidisc, do Nilo Sérgio, “Alegria… É Som Embalo Vol. 1”. Trata-se na verdade de uma produção italiana, original de 1970 e tem como artistas Larry Guest, Orquestra e Vozes, nome este obscuro que parece ter sido até inventado. O disco apresenta aquele velho conceito ‘no pause’, ou seja, um disco sem divisão de faixas entre as músicas. E como vocês podem ver, são ao todo 29 músicas! Um drops misto com um leque variado de estilos, mariachi, schlager, easy listening, tudo bem aos moldes de um Paul Mauriat. Confiram…
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Pierre Kolmann E Seu Conjunto – Para Dançar Vol. 2 (1957)
E o Toque Musical põe de novo na área o pianista Pierre Kolmann, aliás João Leal Brito, o Britinho. Dele, já havíamos oferecido o primeiro e o terceiro volume de “Para dançar”, “Dance com Musidisc” e a coletânea “Seleção de sucessos”, todos lançados pela já saudosa Musidisc, de Nilo Sérgio (que encerrou definitivamente suas atividades em 2013). Portanto, oferecemos hoje a nossos amigos cultos e ocultos o segundo volume de “Para dançar”, editado em 1957, completando, dessa forma, a série. A respeito do pianista, não há muita coisa a ser dita, pois já falamos muito sobre ele nas postagens anteriores. Segundo escreve na contracapa um certo Sebastião Fonseca, a Musidisc “sentiu-se obrigada” a lançar este segundo volume, em virtude do sucesso do primeiro, consequência inevitável, convenhamos. Ainda de acordo com a contracapa, o álbum é “uma antologia sonora capaz de satisfazeraos mais diversos gostos”. Entre as doze faixas, estão duas composições então inéditas do próprio Britinho/Pierre Kolmann, o samba-canção “Maldição” e o fox “Você e mais ninguém”. No restante do programa, dois sambas carnavalescos de sucesso, “Jarro da saudade” e “Tumba lelê”, um samba-canção clássico, “Dó-ré-mi”, por sinal de autoria de Fernando César, com quem Britinho/Pierre Kolmann também compôs outros êxitos, três foxes norte-americanos,“Mylittleone”, que aliás ganhou letra em português com o título de “Meu benzinho”, popularizada por Agostinho dos Santos, e os sempre lembrados “Myprayer” e “Onlyyou”, eternos hits dos Platters, e ainda “You’resensational”, então êxito de Frank Sinatra no filme “Alta sociedade (High society)”, da MGM. Para completar, três clássicos do bolero, gênero sempre muito bem recebido pelo público brasileiro, “Angústia”, “Historia de un amor” e “Nunca, jamais”. Um álbum de primeira, com o sempre impecável padrão técnico e artístico da Musidisc, e por isso mesmo, merecedor da postagem de hoje do TM. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?
*Texto de Samuel Machado Filho
Carlos Lee – Bossa Maximus (1966)
Um dos ítens mais atraentes e, ao mesmo tempo, mais enigmáticos, para os colecionadores de raridades discográficas. É o que o TM está oferecendo hoje a seus amigos ocultos e ocultos: o único álbum do cantor Carlos Lee, “Bossa maximus”, lançado em 1966 pela Musidisc de Nilo Sérgio. Como indica o título, é um disco no melhor estilo bossa nova, com doze faixascheias de balanço, por sinal bem suave, tais como “Meu Rio” e “Cantiguinha”. O álbum inclusive chamou a atenção dos executivos do selo britânico Whatmusic, que adquiriu da Musidisc os direitos de lançamento para o Reino Unido. Mas há uma questão que ninguém sabe responder, nem mesmo pesquisadores, colecionadores de discos e ex-funcionários da Musidisc: afinal de contas, quem afinal é (ou era) Carlos Lee , o cantor que assina o disco e, supostamente, aparece na capa, em uma foto num saveiro, na enseada da Urca? Segundo Nilo Sérgio Pinto, filho do fundador da Musidisc, Nilo Sérgio, e detentor do acervo da gravadora, mesmo anos depois da reedição de “Bossa Maximus” no exterior, ninguém foi capaz de dizer qual o paradeiro do cantor, ou mesmo dar alguma informação sobre ele. Seria, por sinal, o mesmo Carlos Lee que gravou dois compactos simples em 1968, um na CBS e outro na RCA Victor? Incógnita total, como se vê. Ainda assim, “Bossa Maximus” é mais um raríssimo produto de alta qualidade técnica e artística, como de praxe nos lançamentos da Musidisc, que o TM oferece com a grata satisfação de sempre. E vamos ver se alguém sabe por onde anda o Carlos Lee…
*Texto de Samuel Machado Filho
Deo e Marco (1967)
*Texto de Samuel Machado Filho
Revolução de 32 – Uma Visão Através Da Música Popular (1981)
Hoje o TM tem, a grata satisfação de oferecer a seus amigos cultos e ocultos um precioso documento sonoro, focalizando um dos maiores movimentos armados da história do Brasil: a Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida no estado de São Paulo entre julho e agosto de 1932, com o objetivo de derrubar o governo (então) provisório de Getúlio Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. O golpe de estado decorrente de outra Revolução, a de 1930, depôs o então presidente da República, Washington Luiz, impediu a posse de seu sucessor, Júlio Prestes, eleito nas urnas, depôs a maioria dos governadores de estado (então chamados de “presidentes estaduais”), fechou o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas Estaduais e as Câmaras Municipais, e por fim revogou a Constituição então vigente, a de 1891. Getúlio Vargas assumiu a presidência da República, em novembro de 1930, com amplos poderes, porém, sob a promessa de convocar novas eleições e formar nova Assembleia Nacional Constituinte. Entretanto, nos anos subsequentes, essa expectativa deu lugar a um sentimento de frustração, dada a indefinição quanto ao cumprimento de tais promessas e o ressentimento contra o governo provisório, principalmente no estado de São Paulo, pois Getúlio governava de forma discricionária por meio de decretos, sem respaldo de uma Constituição e de um Poder Legislativo. Essa situação também fez diminuir a autonomia que os estados brasileiros possuíam durante a vigência da Constituição de 1891, pois os interventores nomeados por Vargas, em sua maioria tenentes, não correspondiam aos interesses dos grupos políticos locais e frequentemente entravam em atritos. No dia 23 de maio de 1932, houve um protesto contra o governo federal em São Paulo, e durante os confrontos com as tropas getulistas, quatro jovens foram mortos: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. Este foi o estopim do movimento, cujo nome era a sigla das quatro vítimas, MMDC, deflagrado a 9 de julho (data que hoje é feriado estadual em São Paulo). Com a ajuda dos meios de comunicação da época, em especial o jornal “A Gazeta” e a Rádio Record, o movimento ganhou apoio popular e mobilizou 35 mil homens, pelo lado dos lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas. Esperava-se apoio de outros estados, mas o movimento ficou isolado, desenvolvendo-se uma série de batalhas. Foram quase três meses de batalhas e conflitos sangrentos em todo o estado paulista. E tudo isso terminou em 2 de outubro de 1932, com a derrota militar dos constitucionalistas. No entanto, em termos de denúncia política, o movimento foi moralmente vencedor, pois logo após o término do conflito, o governo convocou eleições para uma Assembleia Constituinte, que promulgou uma nova Constituição para o Brasil, em 1934. E com a participação das mulheres no processo eleitoral, o que acontecia pela primeira vez no país. É justamente esta importante página da história do Brasil que é contada pelo álbum hoje oferecido pelo TM, lançado em 1981, um ano antes do cinquentenário do movimento, pelo SESC (Serviço Social do Comércio) em parceria com a Fundação Roberto Marinho, parte de uma série iniciada pouco antes com a Revolução de 30 (o disco não chegou às lojas e só foi vendido nas unidades do SESC). Na capa, reproduz-se o cartaz de convocação dos paulistas à luta, feito pelo MMDC. A pesquisa e a produção musicais ficaram por conta de Jairo Severiano e MiguelÂngelo de Azevedo, o Nirez, que também contribuíram com fonogramas de seus acervos, juntamente com outros pesquisadores de renome, Ary Vasconcelos e José Ramos Tinhorão. O que resultou em um trabalho de inestimável valor histórico, reunindo músicas e trechos de discursos feitos à época pelos constitucionalistas (João Neves da Fontoura, D. Duarte Leopoldo e Silva, então arcebispo da capital paulista, o radialista César Ladeira, o professor José de Alcântara Machado) aos microfones da Rádio Record. A música-símbolo do movimento, a marcha “Paris Belfort”, claro, está aqui presente, numa gravação de 1957, feita na Continental sob a regência do maestro Rafael Puglielli. Francisco Alves, o Rei da Voz, comparece em duas faixas: o “Hino do Partido Constitucionalista”, que gravou em disco particular distribuído gratuitamente, e o samba “Anistia”, do mestre Ary Barroso, feito para o carnaval de 1934. Dessa mesma folia é o samba “Metralhadora”, interpretado por Aurora Miranda. E temos ainda a marchinha “Trem blindado”, grande êxito do carnaval de 1933 na voz de Almirante, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, de Pixinguinha. Este foi inclusive um dos primeiros sucessosautorais de João de Barro, o Braguinha, compositor que, nos anos seguintes, obteria inúmeros outros êxitos na folia de Momo. A composição faz menção a três símbolos do levante paulista, a matraca, o capacete de aço e o trem blindado do título. Tudo isso, mais o “Hino acadêmico” (gravação particular), “Redenção” (hino marcial das tropas constitucionalistas) e a marchinha “Passo do soldado”, compõem um expressivo e admirável panorama sonoro desse movimento que, mesmo derrotado militarmente,marcou a vocação democrática do povo paulista, para ouvir e guardar.
*Texto de Samuel Machado Filho.
A Grande Música De Noel Rosa (1979)
Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Nosso encontro hoje é com a música de Noel Rosa, através do disco da série “A Grande Música do Brasil”, concebida e dirigida por Marcus Pereira quando este já havia encerrado sua gravadora e agora estava na Copacabana Discos. Podemos considerar este disco, ou esta série como a sequencia final da produção Marcus Pereira, que dois anos depois, falido e com problemas pessoais tirou sua própria vida, encerrando de vez um dos trabalhos fonográficos mais importantes da música brasileira.
Como disse, neste lp temos a música do grande Noel Rosa. Aqui encontramos um trabalho a quatro mãos, ou por outra, a música de Noel Rosa em arranjos de, outro grande, Radamés Gnatalli, tendo como solista o pianista Arthur Moreira Lima. A direção musical e de gravação é do músico e também produtor Marcus Vinicius, que sempre esteve ao lado de Marcus Pereira em muitas das suas produções. Um excelente trabalho que precisamos resgatar.
Flor de Cactus – Pepitas De Fogo (1981)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para a nossa ‘distração’, eu tenho hoje um disco bem interessante, “Pepitas de Fogo, do conjunto Flor de Cactus, um grupo de Natal, no Rio Grande do Norte, que veio a se despontar no cenário nacional, graças ao seu excelente time de músicos, nomes como o baixista Chico Guedes, que tocava com Zé Ramalho, ou ainda o percussionista Mingo Araújo que chegou a acompanhar a banda de Paul Simon. O trabalho que temos aqui é de 81, lançado pela RCA. Um disco bem bacana, que eu mesmo só estou tendo o prazer de conhecer agora. Só conhecia a faixa ‘Mistura’, que classificada no Festival da Globo, desse ano de 1981. O Flor de Cactus gravou uns três discos, creio eu. Não há na rede muita informação fácil sobre a banda. Como estou sempre sem tempo, me limito a essas informações. Confiram, pois realmente vale a pena 😉
Robinson Borba E O Rabo De Peixe – Peter Pan… K (1984)
Olá amigos cultos e ocultos! Dentro do nosso instável leque de variedades fonomusicais eu trago hoje para vocês este álbum independente do compositor e produtor paranaense, Robinson Borba, lançado em 1984. Robinson foi o produtor do disco Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, em 1980. Não é por acaso que Peter Pan… K! segue mais ou menos a mesma linha do Clara Crocodilo, inclusive com participações de Arrigo e Paulo Barnabé, além de outros músicos que faziam parte da chamada Vanguarda Paulista. O confuso neste lp é mesmo as faixas. Algumas músicas se fundem em uma faixa só. Daí, no arquivo do disco teremos a separação conforme as pausas, ok?
Um trabalho bem interessante que merece o nosso toque musical 😉
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Claudio Guimarães – Meu Irmão Toca Na Sinfônica (1980)
Bom dia, poucos amigos cultos e ocultos que nos restam! Hoje eu vou postar aqui um disco de música instrumental do qual eu já nem me lembrava. Na verdade, devo ter ouvido este disco umas duas vezes. Trata-se do primeiro disco solo do guitarrista e violonista Cláudio Guimarães, o excepcional “Meu irmão toca na Sinfônica”, disco lançado pelo selo independente Conta Ponto, em 1981. O lp traz sete faixas instrumentais deliciosas. Cláudio Guimarães vem acompanhado de um time de peso como Rafael Rabelo, Joel Nascimento, Pedro Sorongo, Robertinho Silva, Jacques Morelenbaum, André Dequech, Márcio Montarroyos, Nivaldo Ornellas, Zeca Assumpção e muitos outros, como se pode ver no texto de contracapa assinado por Tom Jobim.
Os Rapazes De Lenços Escarlates – De Como Fazer Um Disco De Música Jovem Para Dançar (1969)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não deixar a peteca cair de vez, aqui vai mais uma postagem bem a cara do Toque Musical. Aqui se escuta música com outros olhos, não é mesmo? Muito bem, temos para hoje mais uma curiosidade, o obscuro grupo Os Rapazes de Lenços Escarlates, que a tudo parece se um daqueles grupos de baile dos anos 60. Pelo pouco que eu encontrei sobre este conjunto, dizem que é o organista/tecladista Lafayette. Pode até ser ele mesmo, com uma banda, bem Jovem Guarda. Este disco, ao que consta, foi lançado em 1969 e traz um repertório instrumental com músicas variadas, em ritmo dançante. Vale uma conferida 🙂
Banda Do Canecão – 100 Anos De Carnaval (1973)
Pois é, amigos cultos e ocultos… Já estamos em clima de carnaval! É hora de esquecer as tristezas e brincar, pular, cantar, ao som de marchinhas e sambasque marcaram época. Esse , por sinal, é o objetivo do álbum que o TM prazeirosamente oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, gravado pela Banda do Canecão. Originalmente, o grupo foi formado em 1967, para a cerimônia de inauguração do Canecão, uma casa de shows do Rio de Janeiro que marcou época, situada no bairro de Botafogo, e onde se apresentaram artistas dos mais variados estilos e tendências musicais, como Elis Regina, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maysa, Elymar Santos, Chico Buarque, Maria Bethânia, Cazuza, Los Hermanos, RPM, Marisa Monte… Infelizmente, em 2010, o Canecão, após algumas retomadas, fechou definitivamente suas portas. Entre 1967 e 1975, a Banda do Canecão lançou cerca de 20 álbuns gravados ao vivo, todos pela Polydor/Philips (depois Phonogram, Polygram e atualmente Universal Music). E o álbum triplo que apresentamos (ou melhor, reapresentamos) hoje é um dos mais expressivos trabalhos da banda, tanto é assim que permaneceu em catálogo por mais de quinze anos: “Cem anos de carnaval”, que o TM já havia postado anteriormente como “Cem anos de samba”. Acontece que esse é o título de um outro álbum da mesma gravadora, com sambas interpretados pelo grupo Os Caretas. Agora, estamos colocando tudo no lugar certo, e trazendo de volta esta autêntica preciosidade. Em três LPs, a Banda do Canecão oferece uma autêntica retrospectiva do que melhor se produziu para embalar a maior festa popular brasileira. E a gravadora não regulou mixaria: preparou até um folheto histórico, ricamente ilustrado, contando uma verdadeira epopeia do carnaval brasileiro, num trabalho de pesquisa iconográfica e de texto caprichadíssimos. Os discos propriamente ditos ficaram sob a batuta de dois autênticos “cobras” em produção fonográfica: Paulinho Tapajós e Jairo Pires. Jairo, inclusive, fez parte do grupo de pesquisa que resultou na seleção musical deste álbum, e do qual também participaram José Ramos Tinhorão, Maurício Quadrio e Sérgio Cabral (autor, inclusive, de um livro sobre as escolas de samba). A direção de estúdio é de Guti e Fernando Adour, com Zezinho na coordenação musical, arranjos do maestro Peruzzi e o aparato técnico de gravação e mixagem impecável, sempre característico dos trabalhos da então Phonogram, a cargo de Ary Carvalhaes, Luís Cláudio Coutinho e Paulo Sérgio. Todo esse timaço nos oferecendo esta beleza que o TM traz de volta, reunindo, em pot-pourris, nada mais nada menos que CENTO E TRINTA E UMA músicas, entre sambas e marchinhas, com títulos jamais esquecidos pelos foliões, tipo “Jardineira”, “Mamãe eu quero”, “Alá-lá-ô”, “A-E-I-O-U”, “O teu cabelo não nega”, “Não tenho lágrimas”, “Confete”, “Sassaricando”, “Aurora”, “Ai, que saudade da Amélia”, “Bigorrilho”, “A lua é dos namorados”, “Cabeleira do Zezé”, “Cidade maravilhosa”, “Máscara negra”… Músicas que marcaram época, dessas que ninguém esquece. Com direito a alguns sambas-enredo de escolas, tipo “Bahia de todos os deuses”, “Festa para um rei negro’ (“Pega no ganzê, pega no ganzá”)… Um trabalho impecável, que sem dúvida irá proporcionar momentos de pura animação e entretenimento, fazendo a gente cantar, pular e dançar até se acabar. E agora, ó abre alas, que a Banda do Canecão quer passar!
Bom Carnaval a todos!
*Texto de Samuel Machado Filho
Fátima Guedes – Coração De Louca (1988)
Uma autêntica diva de nossa música popular volta a bater ponto em nosso TM. É Fátima Guedes, talentosíssima cantora e compositora. Ela veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro da Tijuca, zona norte do município, a 6 de maio de 1958. Ali fez o curso primário, no Instituto de Educação e na Escola Abreu Sodré. Aos 8 anos, mudou-se para o Rio Comprido, onde passou a juventude lendo muito e, evidentemente, ouvindo música: clássicos, por influência do padrasto, hits românticos por influência da moda, e MPB por influência da mãe, professora de literatura, que a introduziu no mundo das palavras, e até lhe deu de presente o quarto LP de Chico Buarque, lançado em 1970. Foi aos 15 anos de idade que nossa Fátima começou a compor, e já em 1973 ela saía-se vencedora do Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso, com sua música “Passional”. No júri, entre outros, estavam Maria Bethânia, o produtor Mariozinho Rocha, o poeta e letrista Paulo César Pinheiro, e o jornalista Roberto Moura, responsável pela apresentação de Fátima Guedes às pessoas do meio musical da época. Mais tarde, conheceu Elis Regina, que a apresentou num especial de fim de ano da TV Bandeirantes. Numa reunião na casa do músico João de Aquino, Fátima conheceu Renato Corrêa, cantor, compositor e então produtor da gravadora EMI-Odeon, que a convidou para gravar seu primeiro disco. Esse LP, lançado em 1979, é um trabalho totalmente autoral, e já foi oferecido a vocês pelo TM. Como compositora, Fátima Guedes tem músicas gravadas por grandes nomes de nossa música popular, tais como Ney Matogrosso, Jane Duboc, Simone, Alcione, Beth Carvalho, Wanderléa, Verônica Sabino, Emílio Santiago, Zizi Possi, Nana Caymmi, Vânia Bastos, Mônica Salmaso e outros mais. Seu currículo tem ainda apresentações em casas de jazz de Los Angeles, EUA, onde residiu por algum tempo. Casada com o baixista Zeca Winicki, tem com ele a filha Beatriz, e atualmente reside em Teresópolis, região serrana do estado do Rio, ela que é uma verdadeira amante da natureza. Entre suas músicas mais conhecidas, podemos citar: “Onze fitas”, “Flor de ir embora”, “Condenados”, “Cheiro de mato”, “Tanto que aprendi de amor”, “Mais uma boca”, “Arco-íris”, “Pelo cansaço”, “Muito intensa”, “Ar puro”, “Tanto que aprendi de amor” e “A bailarina”. Como intérprete, sua discografia abrange catorze álbuns, e seu mais recente trabalho é “Transparente”, lançado em 2015. Em 2006, no disco “Outros tons”, resgatou canções esquecidas do mestre Tom Jobim. O TM oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o sexto álbum da vitoriosa carreira de Fátima Guedes. É “Coração de louca”, lançado em 1989, e por sinal um dos primeiros trabalhos editados pela gravadora Velas (hoje Galeão), pertencente à dupla de compositores Ivan Lins-Vítor Martins. São nove faixas, incluindo trabalhos autorais (“Saia rodada”, “Chora brasileira”, “O rouxinol e a rosa”, a versão “Lição de amor” e a faixa-título e de abertura, “Coração de louca”), e regravações que ela fez de músicas de Chico Buarque com parceiros: “Retrato em branco e preto” (que ele fez com Tom Jobim), “Beatriz” (com Edu Lobo) e “Bye bye Brasil’ (com Roberto Menescal. Além da então inédita “Itajara”, de Moacyr Luz e Aldir Blanc. Em suma, este é mais um trabalho irrepreensível de Fátima Guedes, que, para a alegria dos apreciadores da boa música, continua na ativa, em discos e shows, recebendo os aplausos que bem merece como autêntica diva da música popular brasileira!
*Texto de Samuel Machado Filho
Guttemberg Guarabyra – So Tem Amor… (1973)
Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Vejo que por conta das nossas postagens espaçadas, muitos acham que o barco aqui está a deriva. Me refiro especialmente ao nosso grupo, o GTM, onde por lá todos os inscritos podem usufruir dos links de postagens. Percebi que alguns do grupo andaram mudando a configuração para o recebimento automático dos links. Como é sabido e avisado, a participação neste grupo é de forma passiva, ou seja, ninguém pode postar nada, apenas ter acesso aos links de forma segura. Mas, infelizmente alguns não se dão por satisfeitos e acabam invadindo a área do administrador, alterando assim as configurações de participação. Eu já avisei aqui e volto a repetir, qualquer alteração nas configurações do grupo a pessoa pode ser banida e isso é feito automaticamente e sem o meu controle. Neste caso, para que a pessoa volte a fazer parte do grupo vai precisar de um novo e-mail, pois o que foi banido não volta mais. Peço que fiquem atentos e evitem essas alterações para que assim possamos manter o blog sempre funcionando direitinho, ok?
Hoje eu estou trazendo para vocês um compacto, um disquinho o qual já foi postado aqui anteriormente, mas sem a sua capa original. Agora, recentemente, consegui um exemplar completo e assim, volto novamente a postagem como manda o nosso figurino. Temos aqui o compacto promocional da Pepsi Cola cujo o jingle faz sucesso até hoje. Quem não se lembra dessa música? Ficou tão conhecida que acabou merecendo um disquinho, um compacto que tem também uma primeira versão para a música ‘Pássaro’. Embora o disquinho seja do Guttemberg Guarabyra, as duas faixas são da dupla Sá & Guarabyra. Disquinho raro e muito bom, vamos conferir?
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O Grupo (1968)
Olá, amigos cultos e ocultos! O TM apresenta a vocês hoje o LP de um conjunto vocal-instrumental que infelizmente durou pouco tempo, aliás foi o único álbum que registraram. O nome é o mais sintético possível: O Grupo. Formado por quatro rapazes pra lá de talentosos, Roberval, Raimundo, Jaime e Maurício, O Grupo ficou conhecido do público ao acompanhar Roberto Carlos no samba “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Esta música, inclusive, foi o lado A do compacto simples de estreia do Grupo, lançado ainda em 67 pela Odeon, tendo no verso “Canto de perdão”, de Roberval, um dos integrantes, em parceria com Hedys Barroso Neto. “Maria, carnaval e cinzas” também está neste único LP do Grupo, como faixa de encerramento. E é um trabalho de primeira, concebido sob a batuta de Mílton Miranda, com direção musical de outro “cobra”, Lírio Panicalli, e assistência de produção de Orlando Silva (que, certamente, não era o “cantor das multidões”). Os competentísssimosrapazes do Grupo, literalmente, “botam pra quebrar” em um repertório basicamente composto de sucessos nacionais da ocasião. Nas orquestrações e regências, além do próprio Lírio Panicalli em “Passa por mim” e “Morrer de amor”, temos ainda Antônio Adolfo em “Sá Marina” (por sinal um de seus maiores hits autorais), “Januária”, “Eu e a brisa” (eterno clássico de Johnny Alf) e “Diane”, Carlos Monteiro de Souza no clássico “Travessia”, inesquecível obra-prima de Mílton Nascimento, Ugo Marotta em “O bonde”, e Nelsinho em “Maria, carnaval e cinzas”. Tudo isso com a irrepreensível qualidade técnica então característica das produções da Odeon, e recomendado por um entusiasmado Paulo Sérgio Valle no texto de contracapa. Um resultado de fato magnífico, que merece mais esta postagem do TM e irá agradar muito. Após esse disco, eles ainda gravariam algumas faixas esparsas em álbuns mistos e desapareceriam de cena. De qualquer forma, este LP do Grupo vale como um documento musical precioso daquele que é conhecido como “o ano que não terminou”, 1968, para desfrute de todos aqueles que apreciam nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo. Aproveitem…
*Texto de Samuel Machado Filho
Francisco Mário – Terra (1979)
Olá, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o violonista e compositor mineiro, Francisco Mário. Já tivemos aqui a oportunidade de apresentar alguns de seus trabalhos e agora ele volta neste belíssimo trabalho. Aliás, seu primeiro disco, lançado de forma independente, em 1979. Chico Mário, como era também conhecido foi irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho. Todos três hemofílicos, faleceram vítimas de transfusões de sangue contaminado com o vírus da aids. Chico começou a estudar música ainda na infância. Estudou arranjo e harmonia com Roberto Gnattali, responsável pelos arranjos de seu primeiro show, em 78. No ano seguinte lançaria este seu primeiro trabalho. Um disco totalmente autoral, com participações importantes como o Quarteto em Cy, Joyce, Antonio Adolfo e muitos outros… “Terra” foi, na época, lançado também no México. Um disco realmente muito bom e que merece ser relembrado aqui no nosso Toque Musical. Confiram no GTM!
Olivia Hime – Segredos Do Meu Coração (1982)
O Toque Musical começa 2018 em grande estilo, oferecendo hoje a seus amigos cultos e ocultos um dos melhores trabalhos de uma das mais respeitadas cantoras, letristas e produtoras de nossa música popular. Estamos falando de Olívia Hime, na pia batismal Maria Olívia Leuenroth, nascida no Rio de Janeiro em 25 de junho de 1943. É filha de Cícero Leuenroth e neta de Eugênio Leuenroth, ambos pioneiros da propaganda no Brasil, sendo ainda sobrinha-neta do militante anarquista Edgard Leuenroth. No início de sua carreira, Olívia integrou, com Miúcha e Telma Costa, um grupo vocal com o qual atuou em um show de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Ao se casar com o cantor-compositor Francis Hime, em 1969, relutou por alguns anos em abraçar a carreira profissional de cantora, pois temia esbarrar no rótulo de “mulher do Francis” ou de amiga de medalhões da MPB tipo Chico Buarque e Tom Jobim. Em 1977, ano em que produziu para o marido Francis o álbum “Passaredo” (logo passando também a compor e participar dos discos e shows dele), Olívia lançou seu primeiro disco-solo, pela Tapecar, um compacto simples com as músicas “Bela adormecida” e “Diana”, pouco divulgado e sem nenhumarepercussão. Em 1980, novo single, pela RGE, apresentando “Três Marias” e “Céu de estio”, músicas que, um ano mais tarde, fariam parte de seu primeiro LP, sem título, produzido por Dori Caymmi, reunindo músicas dela mesma em parceria com Francis, e de outros autores. O casal tem três filhas – Maria, Joana e Luiza – e três netas. Como produtora musical, seus mais notáveis trabalhos são os álbuns “A música em Pessoa”, em parceria com Elisa Byington, reunindo quinze poemas de Fernando Pessoa, musicados por grandes compositores brasileiros, lançado em 1985, por ocasião do cinquentenário da morte do poeta lusitano (e por sinal já oferecido a vocês pelo TM), e “Estrela da vida inteira”, com poemas musicados de Manuel Bandeira, editado em 1986 por ocasião do centenário do poeta. Em 2000, fundou, com Kati de Almeida Braga, a gravadora Biscoito Fino, da qual é diretora artística, responsável pelos melhores lançamentos de MPB dos últimos anos. Com sensibilidade e bom gosto, Olívia Hime vem conseguindo o respeito dos músicos e da crítica com seus trabalhos pessoais, burilados e originais, sempre procurando não ser associada a um único estilo musical. Seu mais recente álbum, em dupla com o marido Francis, é “Sem mais adeus – Uma homenagem a Vinícius”, lançado em 2017, verdadeiro tributo ao PoetinhaVinícius de Moraes.“Segredo do meu coração”, o disco que o TM nos oferece hoje, é o segundo álbum-solo de Olívia Hime, lançado em 1982 com o selo Opus/Columbia (ou seja, pela Som Livre, com distribuição da CBS, hoje Sony Music), e que hoje faz parte do catálogo da Biscoito Fino. Com produção executiva e direção de estúdio de Dori Caymmi e do marido Francis Hime, ela percorre, como de hábito, vários gêneros musicais, explorando as riquezas da alma brasileira, e mantendo um ambiente sonoro bem cuidado e variado. O disco é também o documento de uma época marcada pela esperança da abertura e pelo fim das interdições impostas pela censura federal. A faixa-título, na verdade, é o subtítulo de “Saiçú”, composição do gaúcho Kleyton Ramil, da dupla com o irmão Kledir. No total, são onze músicas de extraordinária qualidade, entre elas, “Mariposa”, “Cartão postal” (assinadas pelo casal Francis-Olívia), regravações de “Zabelê”, da dupla Gilberto Gil-Torquato Neto, “Canção da noiva (História de pescadores)”, do mestre Dorival Caymmi, e “Gongoba (Pra você que chora)”, da parceria Edu Lobo-Gianfrancesco Guarnieri, e ainda “Flor das estradas”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, também gravada pelo próprio Dori e mais tarde pela irmã, Nana. Enfim, um trabalho muito bem cuidado, em termos técnicos e até mesmo gráficos, digno de merecer a postagem de nosso TM e um dos pontos altos da carreira da notável Olívia Hime. É só conferir…
estrela guria
zabelê
cartão postal
deveria
a flor das estradas
próxima partida
saiçu (segredo do meu coração)
gongoba (pra você que chora)
amazônia
mariposa
canção da noiva
*Texto de Samuel Machado Filho
Grupo Queluz de Minas – Pra Vida (1982)
Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de um merecido descanso, 20 dias de férias, retomamos nossas publicações para 2018. Neste ano pretendo ainda colocar funcionando plenamente o nosso canal no Youtube. Minha ideia é publicar em paralelo as postagens feitas aqui. Difícil vai ser postar por lá tudo o que já foi publicado aqui, muito embora outros canais já tenham feito isso. Certamente quase tudo que postamos aqui já está rodando direto no Youtube. Mas vamos direcionar isso. Está na hora de pegar de volta tudo que plantamos, não é certo?
Bom, recomeçando nosso toque musical para 2018, temos aqui uma produção independente, o grupo mineiro Queluz de Minas e seu único álbum “Prá Vida…”, lançado em 1982. Há algum tempo atrás nós chegamos a postar aqui um compacto do grupo, lançado no ano anterior, também produção independente, feito aqui em Belô.
Conforme já apresentamos, o Grupo Queluz de Minas foi formado no final dos anos 70, na cidade mineira de Conselheiro Lafaiete. Surgiram a partir de um show que fizeram em homenagem ao músico da cidade, João Salgado, que vem de uma das famílias de fabricantes da famosa ‘viola de queluz’. Queluz é uma região no município de Conselheiro Lafaiete,onde, entre o final do século XIX e inicio do XX eram fabricadas por duas famílias, Meirelles e Salgado, as violas de pinho que hoje se tornaram raríssimas e cobiçadas por todo bom violeiro. O grupo se dissolveu anos depois, porém alguns de seus integrantes seguiram em carreira individual e em outros grupos. Ao que parece, eventualmente eles se reúnem. Existe inclusive uma página no Facebook mantida por eles.
O disco é realmente muito bom. Música regional e autoral com um time de excelentes músicos. Vale a pena conferir… 😉
Elis Regina – Box WEA Collection (1990)
Muito bom último dia do ano para todos vocês, amigos cultos e ocultos! Embora saibamos que em 2018 ainda iremos penar muito por conta de decisões tão erradas, sinceramente eu espero que um milagre aconteça. Que a luz da divina sabedoria caia sobre a cabeça desse povo tomado pela ignorância, ódio, preconceito e falta de discernimento. Que nossa nação não precise ir mais ao fundo do posso, recorrendo ao extremismo, ao ponto de mais uma vez meterem as mãos pelos pés, votando, por exemplo num crápula, oportunista, como é o caso dessa besta chamada Jair Bolsonaro. Esse sujeito representa a encarnação do anti-cristo, aquele que irá levar o país ao caos. Espero que as pessoas de sensibilidade tenham essa clareza. Que a música os ajude a exorcizar essa simpatia pelo diabo. Estou vendo que se essa peste vencer, darei por encerrado o nosso Toque Musical. Não terei mais ânimo para continuar. Nessa perspectiva, 2018 e os próximos que virão vai ser osso. Quero estar bem longe desse vale de estupidez. Sinceramente, espero um milagre…
Para encerrar então este ano, mais uma vez, procuro fechar com chave de ouro. E para tanto, escolhi este box da WEA, lançado em 1990, com quatro lps, reunindo vários momentos da maravilhosa cantora Elis Regina em apresentações ao vivo. Um trabalho póstumo e uma homenagem a essa que foi uma das maiores cantoras do Brasil.
Deixo assim este box, uma colaboração do amigo Fáres (a quem muito agradeço por tantas doações), que hoje trago com prazer para enfileirar nossas postagens, finalizando mais um ano musical. Aproveito também para agradecer ao amigo Samuca, o Samuel Machado Filho, a quem muito devo pela sempre brilhante colaboração de textos para nossas postagens. Muito obrigado a todos que ainda acompanham nossas publicações. A todos, um feliz 2018!
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