Leal Brito – Rítimos Do Brasil Nº 1 (1953)

Bom dia, amiguinhos cultos e ocultos! Existem alguns artistas que, aqui no Toque Musical, que vez por outra sempre acabam aparecendo mais do que outros. Isso se deve ao fato de gostarmos deles, mas também porque temos muitos discos e de tão interessantes, seria um pecado não publicá-los. Este é o caso do gaúcho, pianista João Adelino Leal Brito, também conhecido como Leal Brito ou Britinho. Também compositor, maestro e arranjador, foi um músico muito atuante, principalmente entre os anos 40 e 60. Tocou em boates, quando então era conhecido como Britinho e a partir dos anos 50 entra na fase dos discos, das gravações e nas quais conta com mais de 120 discos. Eis aí uma razão para termos dele tantos discos e por certo, muitos desses discos ele aparece com pseudônimos, ou em participações. Aqui temos dele este lp de 10 polegadas, lanaçado em 1953 pela Musidisc. Um disco essencialmente de de choros, sendo três deles de sua própria autoria.. Confiram, no GTM….
 
brejeiro
neusa
bem-ti-vi atrevido
kaximbodega
andré de sapato novo
porto alegre
tico-tico no fubá
tristonho
 
 
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Britinho – Vamos Dançar Com Britinho (1956)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Olha só, aqui mais um disquinho de 10 polegadas com o pianista João Leal Brito, ou Britinho, ou ainda uma série de outros pseudônimos que ele assumiu para diversos outros discos lançados nessa época, A época da dança e disco que vendia, era disco com músicas para dançar, principalmente música lenta, de boate, como temos aqui neste disquinho lançado pela Sinter em 1956. Britinho nos apresenta oito temas dançantes, entre boleros e fox-trot e também três composições próprias que se integram bem as demais. Confiram no GTM…
 
dolores
blue moon
olhando o céu
e bello
malafemmena
na voce, na chitarra e o poco e luna
em teus braços
gizella
 
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As Três Marias, Leal Brito e Catulo de Paula – Baião Nº2 (1953)

Olá, amigos cultos e ocultos! Percebendo o meu enorme interesse por ‘discos velhos’, meu vizinho me presenteou com mais uma caixa. Cheio de disquinhos de 10 polegadas e muitos nacionais. Olha só este Baião Nº2, com Leal Brito, As Três Marias e Catulo de Paula. Disco lançado pela Musidisc em 1953. Há algum tempo atrás postamos aqui o Nº1 e agora finalmente temos o segundo, desta vez apresentando, além do pianista Leal Brito e do trio vocal As Três Marias, o cantor e compositor Catulo de Paula, que aqui aparece pela primeira vez em um lp. O baião foi um ritmo que fez muito sucesso, principalmente nos anos 40 e 50. A Musidisc, como muitas outras gravadoras também investiu no ritmo nordestino e este foi o seu segundo lp de 10 polegadas, em 33 rpm. Confiram no GTM…
 
onda do mar
choveu tô vortando
celeste no baião
concerto no baião
tico tico de campina
mania do mané
baião moreno
 
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Al Brito E Seu Piano – Arco-íris Musical (1958)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM apresenta hoje mais um LP do compositor e pianista João Leal Brito, o Britinho. É “Arco-íris musical”, lançado pela Columbia em 1958, e que ele gravou sob o pseudônimo de Al Brito. O repertório compõe-se de sucessos nacionais e internacionais de ocasião, compondo um verdadeiro arco-íris musical e, portanto, fazendo jus ao título. Acompanhado de orquestra, Al Brito (ou Britinho) traz ótimas execuções ao piano em faixas como “Besame mucho”, “Nos braços de Isabel”, “Foi a noite”, “All the way” e “Mocinho bonito”. Enfim, um trabalho muito bem elaborado, digno de merecer o nosso Toque Musical. É ir ao GTM e conferir.
 
un angelo e sceso a brooklyn
besame mucho
nos braços de isabel
i’ll close my eyes
foi a noite
podes voltar
il nostro giorno
if should lose you
mocinho bonito
faça de conta
all the way
porque e para quê
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 
 

As Três Marias Com Leal Brito E Orquestra – Baião Vol. 1 (1953)

Ritmo popular especialmente no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil. Foi em outubro de 1946 que o Brasil inteiro tomou conhecimento desse ritmo nordestino, quando foi lançada, na interpretação dos Quatro Ases e um Coringa, a primeira música do gênero de que se tem notícia: exatamente intitulada “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Assumindo nova tonalidade, com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e da conga cubana, o baião disseminou-se por todo o país e até alcançou êxito internacional. Além de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, vários outros cantores obtiveram sucesso no gênero, tais como Marlene, Emilinha Borba, Ivon Cúri, Ademilde Fonseca e Dalva de Oliveira (que gravou em Londres o clássico “Kalu”, de Humberto Teixeira).  Carmélia Alves era a “rainha do baião”, Claudette Soares, “a princesinha”, e Luiz Vieira, o “príncipe”.  O sucesso do baião até popularizou o acordeom, um dos instrumentos musicais utilizados em sua execução. Merece também ser lembrado Waldyr Azevedo, mestre do cavaquinho, que em 1950 lançou o baião instrumental “Delicado”, êxito em todo o mundo.  Depois de um período de relativo esquecimento, no decorrer dos anos 1960, o interesse pelo baião renasceu a partir do advento da Tropicália, com Gil e Caetano à frente, e marcante influência nos trabalhos de músicos nordestinos desde então. Até mesmo Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro em toda a sua história, criou o que chamava de “baioque”, mistura de baião e rock. Em 1953, quando o baião ainda estava no auge da popularidade, a Musidisc de Nilo Sérgio decidiu lançar uma série de LPs (naquele tempo, de dez polegadas) dedicados ao ritmo nordestino, com o título de “Baião”. É justamente o primeiro desses álbuns (depois vieram mais três) que o TM oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. A interpretação coube ao grupo feminino As Três Marias, na época formado por Hedinar Martins (irmã de Herivelto), Consuelo Sierra e Maria Tereza, com acompanhamento da orquestra de Leal Brito, isto é, Britinho. Em suas oito faixas (duas músicas em cada uma delas!), reúnem-se  alguns dos baiões de maior sucesso, tipo “Paraíba”, o já citado “Delicado”, “Esta noite serenou”, “Pé de manacá”, “Saia de bico”, “Baião de dois”, “Ê boi”, “Adeus, adeus, morena”, o pioneiro “Baião”, assinados pelos mais expressivos compositores do gênero, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Hervê Cordovil. Com direito até a uma composição do próprio Britinho, “Marilu”, e outras três músicas transformadas em baião, “Maringá” e o clássico carnavalesco “Taí”, ambas de Joubert de Carvalho, mais o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, canção predileta do então futuro presidente da República, Juscelino Kubitschek. Tudo isso faz deste “Baião número 1” um verdadeiro documento histórico, merecedor, com todas as honras, da postagem de hoje do TM. Confiram…

paraiba – delicado

baião vai baião vem – maringá

esta noite serenou – chuva miudinha

pé de manacá – ta-hi

eh boi – adeus adeus morena

marilu – macapá

saia de bico – baião

peixe vivo – baião de dois

*Texto de Samuel Machado Filho