Los Latinos – Cha Cha Cha Boleros (1956)

Muito bom dia, meus caros amigos cultos e ocultos! Nos anos 50 a música cubana e os ritmos latinos estavam em alta pelo mundo. Era sucesso nos Estados Unidos e por conseguinte, ecoava pelo mundo e aqui no Brasil não seria diferente. Muito se investiu nesse gênero musical as nossas gravadoras, as rádios e seus artistas. A Musidisc, de Nilo Sérgio, foi uma das gravadoras/selo que muito explorou e com requintes o que vinha de fora, sempre lançando discos que de imediato conquistava o público já pelas capas. Primeiro com os discos de 10 polegadas, como este que aqui apresento. Depois vieram as produções em 12′ bem diferenciada, requintada para ser mais exato, em álbuns de capas duplas e algumas até um tanto conceituais. Eita, como era bom aquele início da nova indústria fonográfica! Momento de ouro, com certeza, que durou até os anos 60. Logo depois a indústria fonográfica se moderniza durante os anos 70 até entrar em declínio no início dos 90. Daí pra frente qualquer tentativa de retorno é puramente passional, nostálgica… reverberação do que realmente foi a música e essa indústria fonográfica, hoje inexistente. Mas ainda assim é um alento para pessoas como nós, que vivemos esse passado e temos hoje essa sensação de que tudo está de volta. Vamos nos enganando, colocando nossos discos para rodar, pois ainda somos muitos e essa onda é mesmo uma cachaça.
Então, temos aqui este lp de 10 polegadas, lançado pela Musidisc, em 1956. Eis aí um albinho que chama a atenção, logo pela capa, um trabalho de arte gráfica de primeiríssima. Não duvido nada que tenha sido inspirada em algum lançamento estrangeiro, mas ainda assim é belíssima. Capa bacana, mas ainda assim, pecando pela falta de informações, que se limitam a frente e aos selos. A contracapa, como podemos ver é somente um mostruário das dezenas de discos publicados por esse selo. Porém, não deixa de ser também um informativo do catálogo da gravadora. O fato é que sem as informações sobre a produção deste lp fica mesmo difícil encontrar dados sobre quem realmente eram  “Los Latinos”, pois nesse período, outros discos também aparecem com essa nomenclatura, inclusive discos de artistas estrangeiros. Mas creio que não é o caso aqui. Por certo, “Los Latinos” era um grupo de estúdio, com músicos do ‘cast’ da Musidisc. Inclusive, quando surge os discos de 12 polegadas, Nilo Sérgio, através de seu outro selo Nilser, lança nos final dos anos 50 sua série de álbuns com capas luxuosas e conceituais e entre esses “Latino Fantástico”, com Rubens Bassini Y Los Latinos (discaço, por sinal). Mas acredito que não seja o mesmo time de músicos e nem a participação do genial percussionista Rubens Bassini. Infelizmente, pela internet e como sempre, não há muito o que encontrar, além de anúncios de vendas, referências incompletas em sites que não passam de  indexadores de títulos fonográficos. Quanto ao repertório, esse, embora com apenas oito faixas, nos traz de um lado quatro mambos e do outro quatro cha-cha-cha, todos deliciosamente cubanos, ou inspirados no momento como é o caso da faixa, “Blue Cha-cha-cha”, de autoria do próprio Nilo Sérgio. Disquinho bacana, imperdível e que primeiramente vocês só encontrarão aqui e no GTM 😉
 
sweet and gentle
esto es cha cha cha
blue cha chac cha
cubanacan
malagueña
el cuco
andalucia
mambo nº5
 
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Trio Surdina – Aquarela Do Brasil (1955)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Um dos artistas/grupos mais presentes em nosso Toque Musical é, sem dúvida, o Trio Surdina. Não é só por questão de gosto ou preferência, é mesmo o bom acaso. Sempre aparece um no meu prato. Daí, porque não postar, não é mesmo? 🙂
Então, em seu oitavo disco publicado por aqui, desta vez temos um dos mais cobiçados de sua discografia, lp de polegadas lançado em 1955 pelo selo Musidisc, o “Aquarela do Brasil”. Neste pequeno lp temos como destaque a música de Ary Barroso, presente em três das oito faixas do disquinho e também é uma delas que dá nome ao lp. Dentro do repertório, tem ainda outros grandes clássicos, músicas de Bororó, Zequinha de Abreu, Hekel Tavares…  Confiram no GTM…
 
aquarela do brasil
curare
tico tico no fubá
guacyra
meu limão meu limoeiro
rio
favela
terra seca
 
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Don Pablo De Havana (1960)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! E então, eis que descubro que ainda não havia postado este disco aqui no Toque Musical. E eu jurava que já o tinha aqui. Creio que deixei passar por conta de que em outras épocas ele estava em todas as ‘praças’, daí, nem fazia sentido ficar replicando. Mas agora, passado o vendaval e muito embora hoje se possa encontrar em outros sites para ouvir e baixar, aqui vai ser sempre mais gostoso, afinal nosso toque é completo e só para os associados, né? 😉
Temos assim o celebrado “Don Pablo de Havana”, um pseudônimo para Ed Lincoln, em lançamento original da Musidisc, em 1960. Aqui, um exemplar de relançamento, possivelmente do início dos anos 70, sem muitas diferenças do original, apenas a contracapa. Este lp é mesmo o máximo, um repertório misto com temas nacionais e internacionais, todos muito bem arranjados ao ritmo do ‘cha-cha-cha’. Gravado no melhor padrão da época, em hi-fi estéreo, seguindo a linha de orquestras exóticas tipo Perez Prado e Esquivel. Simplesmente genial. Confiram no GTM…
 
alguém me disse
el choclo
andalucia (the breeze and i)
bahia (na baixa do sapateiro)
together wherever we go
adios
mustapha
aquarela do brasil
la cumparsita
climb ev’ry mountain
quero beijar-te as mãos
delicado
 
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Os Violinos Mágicos (1959)

Olá, amigos cultos e ocultos! Então, aqui temos hoje uma das boas produções da Musidisc, um selo que se notabilizou pela qualidade de sua produção. E a isso eu me refiro não apenas ao conteúdo musical, mas também tudo que envolve a elaboração de um disco. Nesse sentido a Musidisc era exemplar, criando álbuns maravilhosos, a começar pelas capas, sempre um trabalho refinado, discos para audiófilos, ou coisa parecida. Também primava pela qualidade técnica de suas gravações e este é um disco com essa preocupação. Um álbum orquestral bem aos moldes do repertório da época, mas com esse diferencial que se expressava inclusive na contracapa, com informações técnicas, tal qual algumas gravadoras estrangeiras também faziam. E a propósito, já postamos aqui dois outros lps dOs Violinos Mágicos. Inclusive, estou postando este agora que foi o volume 1 que estava faltando. Ah, sim…o repertório… olha ele aqui…
 
september song
na madrugada
dream
ontem e hoje
dó ré mi
se todos fossem iguais a você
you’ll never know
ninguém me ama
tua
castigo
 
 
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As Três Marias, Leal Brito e Catulo de Paula – Baião Nº2 (1953)

Olá, amigos cultos e ocultos! Percebendo o meu enorme interesse por ‘discos velhos’, meu vizinho me presenteou com mais uma caixa. Cheio de disquinhos de 10 polegadas e muitos nacionais. Olha só este Baião Nº2, com Leal Brito, As Três Marias e Catulo de Paula. Disco lançado pela Musidisc em 1953. Há algum tempo atrás postamos aqui o Nº1 e agora finalmente temos o segundo, desta vez apresentando, além do pianista Leal Brito e do trio vocal As Três Marias, o cantor e compositor Catulo de Paula, que aqui aparece pela primeira vez em um lp. O baião foi um ritmo que fez muito sucesso, principalmente nos anos 40 e 50. A Musidisc, como muitas outras gravadoras também investiu no ritmo nordestino e este foi o seu segundo lp de 10 polegadas, em 33 rpm. Confiram no GTM…
 
onda do mar
choveu tô vortando
celeste no baião
concerto no baião
tico tico de campina
mania do mané
baião moreno
 
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Dilermando Pinheiro E Seu Famoso Chapéu De Paula – Sambas Do Passado Vol. 2 (1956)

E aí, meus amigos cultos e ocultos, estão gostando da nossa seleção fonomusical de janeiro? Eu acredito que sim, claro! Nossa missão é agradar aos gregos e aos troianos, aos meus amados esquerdistas e também aos meus odiosos golpistas que acabaram virando gado. Sim, “o importante é que a nossa emoção sobreviva” e não há nada melhor que a música para acalmar os bichos… hehehe…
Então… nosso encontro hoje é com o lendário Dilermando Pinheiro. Carioca da gema e um autêntico boêmio. Sua carreira começa nos anos 30, um precursor do chamado ‘samba de breque’. Uma de suas marcas era o batuque no chapéu de palha e aqui neste lp vamos poder presenciar isso ao longo das oito faixas deste lp de 10 polegadas, lançado pela Musidisc em 1956. Na verdade, este foi o segundo volume, lançado também no mesmo ano do primeiro. Como o nome mesmo diz, trata-se de uma seleção de sambas do passado, clássicos dos anos 30 e 40. Uma delícia de disquinho que só mesmo quem conhece pode dizer. Se alguém aqui ainda não ouviu, a oportunidade é esta. Confiram no nosso GTM. E qualquer hora dessas e publico aqui o volume 1 para completar, ok?
 
vai cavar a nota
mágoas de um vagabundo
velhos tempos
faceira
vai haver barulho no chateau
até amanhã
retratinho
nega risoleta
 
 
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Turma Da Bossa – Sambas De Brasília (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje nosso encontro é com a Turma da Bossa e os “Sambas de Brasília”, um disco do luxuoso selo Musidisc. Há algum tempo atrás nós postamos aqui um outro disco dessa ‘suposta’ orquestra, Turma da Bossa, disco lançado em 1959. Este, acreditamos que tenha sido editado em 1961 ou 62, não há registro de datas em nossa pesquisa. Turma da Bossa é, por certo, uma orquestra de estúdio, pois em nenhum momento dos textos de contracapa há referencia aos seus artistas. Mas, enfim, isso pouco faz diferença. O importante aqui é mesmo a música, uma série de sambas cheios de bossa e suas nuances, um bom repertório e uma qualidade técnica inquestionável. Neste sentido, Sambas de Brasília é um disco perfeito. Confiram no GTM…
 
lamento
vai mas vai mesmo
chega de saudade
mocinho bonito
lá vem a baiana
que é que é
é luxo só
se acaso você chegasse
recado
barracão
com que roupa
brigas nunca mais
 
 
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El Gaucho E Seu Conjunto – Ao Compasso Do Baião (1956)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical apresenta um álbum dedicado ao baião. O LP, de dez polegadas, foi lançado em 1956 pela Musidisc de Nilo Sérgio e tem o título de “Ao compasso do baião”, contando com a participação vocal do grupo Os Quatro Amigos. No repertório executado por El Gaúcho e seu Conjunto, oito músicas conhecidas em ritmo de baião, como por exemplo “Sertaneja”, “Cantiga da rua”, “Canta Maria” e “Velho realejo”. O tal Gaúcho líder do conjunto, por certo, é o sanfoneiro. A dúvida que se tem é:  será que esse Gaúcho que gravou nosso álbum de hoje é o mesmo que deixou outros nove títulos, lançados entre 1957 e 1962, conforme registra o portal do Instituto Memória Musical Brasileira? Bem, o fato é que não encontrei nenhum dado biográfico disponível a respeito dele, verdadeira incógnita. Mas o que interessa é ouvir este disco, e recordar bons momentos ao som do baião, que na época, 1956, ainda estava na crista da onda. É ir ao GTM e conferir.
 
cantiga de rua
beliscada
velho realejo
bauru
sertão
canta maria
amor verdadeiro
sertaneja
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 

Bandinha Musidisc – A Bandinha No Cinema (1963)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Começando bem a semana, temos aqui um disco muito interessante, “A Bandinha no Cinema”. Uma curiosa interpretação de músicas de cinema ao estilo e por conta de uma bandinha, dessas que tocam em coreto de praça pública. Essa é a proposta da Musidisc naquele ano de 1963. Como podemos ver, são músicas de filmes de sucesso internacional. Vale a pena conhecer essas versões…
 
sempre no meu coração
lolita ya ya
sete homens e um destino
an affair to remember
que sera sera
exodus
luzes da ribalta
love is a many splendored thing
moon river
lili
tonight
smile
 
 
 
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Kuntz Negle – Midnight Dance (1957)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje apresentamos o álbum “Midnight dance”, ao que parece o único trabalho-solo do clarinetista e saxofonista Kuntz Negle à frente de sua orquestra, lançado pela Musidisc de Nilo Sérgio em 1957, já no formato-padrão de doze polegadas. Quase nada se sabe a respeito desse músico, a não ser que ele fez parte dos grupos Os Copacabana, Sambossa 5 e Copa Combo, além de ter possuído conjunto próprio. No repertório deste disco, por sinal muito bem gravado para os padrões da época, uma seleção de clássicos da música popular norte-americana, com exceção de duas faixas, a mexicana “Caramelito” e a espanhola “La macareña“. É um trabalho muito interessante e de qualidade, que, embora já tenha feito parte do blog Parallel Realities, merece também o nosso Toque Musical. A conferir no GTM sem falta.

somenthing gotta give

the night has a thousand eyes

tenderly

ebb tide

caramelito

dancing in the dark

la macareña

i’ll see you in my dreams

luluby of birdland

love me or leave me

because of you

artistry in rhythm

 

*Texto de Samuel Machado Filho

 

 

Ed Lincoln – Aquarela (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Para variar, estou novamente atrasado… Aqui temos para hoje mais um disco do grande Ed Lincoln. Este lp foi lançado originalmente em 1961, pela Musidisc, de Nilo Sérgio. Nos anos 80 ele voltou a ser relançado pelo selo Sigla. “Aquarela” é um disco de muitas cores, cujo o repertório mescla diferentes ritmos, nacionais e internacionais. Disco bem agradável que vale a pena buscar no GTM. Confiram…

aquarela do brasil

locomotion

seleção de can can

ai mourrir pour toi

mulher de trinta

sentimental jorney

arrasta a sandália – não poe a mão

teleco teco nº2

hey there

o amor e a rosa

that old black magic

vivendo e aprendendo

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Nestor Campos E Seu Conjunto – Musica Da Noite (1956)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical apresenta o primeiro LP, em dez polegadas, de um dos maiores guitarristas que o Brasil já teve. Estamos falando de Nestor Campos. Batizado com o nome completo de Nestor Pereira Campos, ele nasceu em São Luiz do Paraitinga, no bairro dos Caetanos, em 6 de março de 1920, portanto há exatos cem anos. Em 1934, aos catorze anos de idade, mudou-se com a família para São Paulo, em busca de melhores oportunidades, e foi líder de um conjunto que fazia constantes apresentações em emissoras de rádio paulistas. Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde profissionalizou-se como músico, sendo contratado pela lendária PRE-8, Rádio Nacional. Nos anos 1960, atuou como músico e arranjador de orquestras em Paris, capital da França. Gravou vários discos na Europa e compôs diversas músicas para o cinema francês. Em meados da década de 1970, mudou-se para Portugal, dando continuidade à carreira de músico. Casou-se e deixou três filhas, vindo a falecer no dia 22 de fevereiro de 1993, em Lisboa. Neste disco, lançado pela Musidisc em 1956 e apresentado como o primeiro de uma série, Nestor Campos mostra todo o seu virtuosismo como guitarrista, em faixas como “Arrivederci Roma”, “C’est la vie” e “Morena boca de ouro”, com direito até a uma composição própria, o samba “Dance e não se canse”. Nestor ainda gravaria mais dois álbuns pela Musidisc, “Boate”, ainda em dez polegadas, e “Bolero-mambo”. Este “Música da noite” é uma rara oportunidade de se apreciar o trabalho de um dos maiores e excepcionais talentos que o Brasil conheceu e esqueceu. É só ir até o GTM e conferir.
 
agora é cinza
arrivederci roma
madeira
the rose tatoo
dance e não se canse
c’est la vie
molly-o
morena boca de ouro
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 

Marilia Baptista – Samba E Outras Coisas (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Não sei se vocês perceberam, mas estamos agora com duas opções para download, pelo Depositfiles e pelo Mediafire. Isso, por certo, irá facilitar a vida de muitos por aqui que as vezes encontram dificuldades em baixar pelo Depositfiles.

Temos hoje a presença de Marília Baptista, um dos grandes nomes da nossa música popular nos anos 30, 40 e 50. Foi uma das melhores amigas de Noel Rosa e também uma das preferidas intérpretes de suas canções. Era chamada de “Princesinha do Samba”. Tinha apenas 13 anos quando se apresentou em público pela primeira vez. Cantora e compositora, violonista de formação clássica, dona de uma voz grossa, o que lhe destacava em relação a tantas outras cantoras de sua época. Entre suas composições fez muitas marchinhas carnavalescas, interpretadas também por outros artistas. Se afastou das rádios e dos palcos por uns 10 anos quando então se casou. Mas voltaria novamente a gravar a partir da segunda metade dos anos 50. Foi quanto lançou este disco “Samba e outras coisas”, com composições suas em parceria com seu irmão, Henrique Baptista. Há, porém, dois sambas nesse disco que são de Noel Rosa, uma prova maior da admiração da cantora pelo poeta da Vila. Um belo disco que vale a pena ouvir. Confiram no GTM…
 
tipo zero
nunca mais
você não é feliz porque não quer
imitação
remorso
vai, eu te dou liberdade
praia da gávea
vila dos meus amores
 
 
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Trio Surdina – Em Bossa Nova (1963)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Vocês que acompanham as postagens sabem o quanto gostamos do Trio Surdina por aqui. Já postamos vários discos desse trio, que ao longo de sua existência teve em sua formação diferentes instrumentistas. Neste disco de 63, após um hiato, eles marcam um retorno com uma tremenda escalação: Waltel Branco no violão, Patané no violino e Chiquinho do Acordeon, membro da formação original (que antes era Fafá Lemos, Chiquinho e Garoto). Desta vez o Trio Surdina vai de Bossa Nova e para engrossar o caldo contam ainda com Rubens Bassini, na percussão, Plínio, na bateria e Ary Carvalhaes, no contrabaixo. O repertório é fino, com arranjos sofisticados do mestre Waltel Branco. Não bastasse, trata-se de uma produção da Musidisc. Gravação impecável em um dos primeiros discos estéreo fabricados no Brasil. Confiram essa joinha no GTM.

corcovado
história
depois do carnaval
chega de sofrer
preciso dar um jeito
lindos olhos azuis
que saudade
deixa a nega gingar
samba em prelúdio
menino desce daí
de mais amor
o amor em paz
 
 
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Os Melhores Do Ano (1962)

Olá, amigos cultos e ocultos! Que tal este lp, do selo Musidisc, trazendo os seus melhores do ano? Do ano de 1963! Que fique claro, hehehe… Pois é isso mesmo… Aqui uma seleção promocional do selo/gravadora comandado por Nilo Sérgio, a Musidisc. Nessa época, uma das melhores etiquetas fonográficas, cujo os lançamentos eram de altíssima qualidade a começar logo pela capa, sempre material e arte de primeira, coisa que nem todas as outras gravadoras se preocupavam. Neste disco, cujo sentido é mais promover seus artistas e lançamentos, temos três grandes nomes: Ed Lincoln, Marília Batista e Pedrinho Rodrigues numa seleção musical extraída de seus discos originais. Confiram essa amostragem no GTM.

miss balanço – ed lincoln
véspera do amanhã – marília batista
o morro não tem vez – pedrinho rodrigues
nunca mais – ed lincoln
morena sereia – marília batista
baiana das quatro saias – pedrinho rodrigues
tem que balançar – pedrinho rodrigues
estamos aí – ed lincoln
consciência – marília batista
o amor e a canção – pedrinho rodrigues
quero amar – ed lincoln
joão teimoso – marília batista

 

As Três Marias Com Leal Brito E Orquestra – Baião Vol. 1 (1953)

Ritmo popular especialmente no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil. Foi em outubro de 1946 que o Brasil inteiro tomou conhecimento desse ritmo nordestino, quando foi lançada, na interpretação dos Quatro Ases e um Coringa, a primeira música do gênero de que se tem notícia: exatamente intitulada “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Assumindo nova tonalidade, com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e da conga cubana, o baião disseminou-se por todo o país e até alcançou êxito internacional. Além de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, vários outros cantores obtiveram sucesso no gênero, tais como Marlene, Emilinha Borba, Ivon Cúri, Ademilde Fonseca e Dalva de Oliveira (que gravou em Londres o clássico “Kalu”, de Humberto Teixeira).  Carmélia Alves era a “rainha do baião”, Claudette Soares, “a princesinha”, e Luiz Vieira, o “príncipe”.  O sucesso do baião até popularizou o acordeom, um dos instrumentos musicais utilizados em sua execução. Merece também ser lembrado Waldyr Azevedo, mestre do cavaquinho, que em 1950 lançou o baião instrumental “Delicado”, êxito em todo o mundo.  Depois de um período de relativo esquecimento, no decorrer dos anos 1960, o interesse pelo baião renasceu a partir do advento da Tropicália, com Gil e Caetano à frente, e marcante influência nos trabalhos de músicos nordestinos desde então. Até mesmo Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro em toda a sua história, criou o que chamava de “baioque”, mistura de baião e rock. Em 1953, quando o baião ainda estava no auge da popularidade, a Musidisc de Nilo Sérgio decidiu lançar uma série de LPs (naquele tempo, de dez polegadas) dedicados ao ritmo nordestino, com o título de “Baião”. É justamente o primeiro desses álbuns (depois vieram mais três) que o TM oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. A interpretação coube ao grupo feminino As Três Marias, na época formado por Hedinar Martins (irmã de Herivelto), Consuelo Sierra e Maria Tereza, com acompanhamento da orquestra de Leal Brito, isto é, Britinho. Em suas oito faixas (duas músicas em cada uma delas!), reúnem-se  alguns dos baiões de maior sucesso, tipo “Paraíba”, o já citado “Delicado”, “Esta noite serenou”, “Pé de manacá”, “Saia de bico”, “Baião de dois”, “Ê boi”, “Adeus, adeus, morena”, o pioneiro “Baião”, assinados pelos mais expressivos compositores do gênero, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Hervê Cordovil. Com direito até a uma composição do próprio Britinho, “Marilu”, e outras três músicas transformadas em baião, “Maringá” e o clássico carnavalesco “Taí”, ambas de Joubert de Carvalho, mais o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, canção predileta do então futuro presidente da República, Juscelino Kubitschek. Tudo isso faz deste “Baião número 1” um verdadeiro documento histórico, merecedor, com todas as honras, da postagem de hoje do TM. Confiram…

paraiba – delicado

baião vai baião vem – maringá

esta noite serenou – chuva miudinha

pé de manacá – ta-hi

eh boi – adeus adeus morena

marilu – macapá

saia de bico – baião

peixe vivo – baião de dois

*Texto de Samuel Machado Filho