Olá! Será que os amigos cultos e ocultos se lembram deste disco? Principalmente aqueles que ainda eram crianças entre o final da década de 70 e início dos 80. Temos aqui o ‘Olá’, mais que um simples disco infanto-juvenil, um projeto realmente interessante criando pela pedagoga Denise Mendonça. Uma ideia que nasceu nos anos 70 quando Denise se encontra com Maria Mazzetti, também professora, escritora e poeta, que dedicou seu trabalho à educação infantil. Mazzetti foi uma incentivadora de Denise, oferecendo a ela seus poemas para serem musicados. Dessa parceria nasceu no início de 80 o bem idealizado lp independente ‘Olá’, um disco muito bem produzido, gravado em Belo Horizonte, na Bemol, com direito a libreto com todas as músicas, recheado de desenhos e ainda um compacto duplo, pois ao que parece, não coube tudo num disco só. Este disco foi lançado em 1980, mesmo ano em que começaram as atividade do Instituto de Arte Tear, criando também por Denise Mendonça, no Rio de Janeiro. A propósito, este trabalho foi relançado em cd, mas me parece que em uma nova gravação. Denise, continua a frente do Tear, tentando manter acessa a chama da educação e cultura, hoje em dia tão golpeada em nosso país. Ouve só… 🙂
Grandes Sucessos Da E. S. Portela (1962)
*Texto de Samuel Machado Filho
Tadeu Franco – Cativante (1983)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Eis aqui um disco que há muito eu queria postar, mas por razões diversas, acabou ficando para algum dia. E esse dia então chegou, é hoje! Taí, o músico mineiro Tadeu Franco em seu primeiro disco, produzido por Milton Nascimento, direção musical de Túlio Mourão e arranjos e regência de Wagner Tiso. Isso par não citar os outros músicos que o acompanham, que são só feras. Estreou bem o rapaz, o que também prova as suas qualidades, pois para ter um time de colaboradores desse naipe precisa ser realmente muito bom. E Tadeu Franco é, sem dúvida, uma grande revelação da MPB nos anos 80. “Cativante” é realmente um trabalho cativante, que pega a gente pelo pé (do ouvido, com certeza). Um repertório impecável, onde todas as músicas fizeram e fazem muito sucesso. Vale a pena recordar 🙂
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Giba Ferreira (1982)
Olá amiguinhos cultos e ocultos! Neste mês de aniversário, eu pretendo estar mais presente, ou seja, mantendo postagens mais regulares, talvez até diárias. Assim, pelo menos, nessa data comemorativa, podemos ter um ‘algo mais’ 😉
Para hoje eu trago esse lp, produção independente lançada no início dos anos 80. Trata-se do primeiro disco do compositor Giba Ferreira. Um nome ainda hoje desconhecido do grande público. Pesquisando no Google, não encontrei nada a seu respeito além, é claro, deste disco sendo vendido no Mercado Livre. No texto da contracapa (parece até ironia) também apresenta o artista de forma vaga. Quem é Giba Ferreira? “Não há referências musicais e nem curriculuns extensos.” E pelo jeito, com o passar do tempo, ele parece ter não ter vingado, apesar de ter aqui um trabalho muito bom, assessorado por nomes de peso como Amilton Godoy, Toquinho, Silvinha, Tetê Espíndola, Eliana Estevão… Tem também o grupo instrumental Medusa que faz a base para todo o trabalho. Vale a pena ouvir e conhecer. Como disse, no Mercado Livre é possível encontrar alguns. Este, eu ganhei do meu amigo Fares e já faz pare da coleção 😉
Los Cubanacans – Noches del Caribe (1964)
Ritmos de procedência afro-americana, como rumba, conga, guaracha, chá-chá-chá e bolero sempre foram muito bem recebidos pelo público brasileiro e, por extensão,latino-americano. Ainda no final da década de 1990, inclusive, fez sucesso de bilheteria o documentário “Buena Vista Social Club”, que mostrava artistas de vanguarda da música cubana reunidos pelo produtor musical Ry Cooder para a gravação de um disco, tais como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo e OmaraPortuondo. O documentário relatava as histórias de vida desses músicos, e como o êxito do álbum de mesmo nomegravado por eles, que ganhou até mesmo um prêmio Grammy, transformou suas vidas. O Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, um álbum reunindo algumas das mais famosas páginas da música afro-americana, lançado pela Odeon em 1964. É “Noches del Caribe”, gravado pelo grupo Los Cubanacans. Não há nenhuma informação sobre os músicos que participaram deste disco, e nem mesmo a respeito do regente da orquestra (tudo indica que sejam brasileiros, mesmo). Entretanto, são doze músicas bem conhecidas, assinadas por compositores do porte de Ernesto Lecuona (“Para vigo me voy”, “Siboney””Canto karabali”), Gabriel Ruiz (“Mar”), Armando Orefiche (“Rumba azul”), Rafael Hernandez (Lamento borincano”), Moisés Simon (“Cubanacan”, “El manisero”), Nilo Menendez (“Aquellosojos verdes”), Luiz Alcaraz (“Prisionerodel mar”), Joaquin Pardavé (“Negra consentida”), com direito até ao tema folclórico mexicano “La cucaracha” e até músicas de procedência norte-americana (“South Americatake it away”, “The carioca”, “Indianlovecall”). Tudo em orquestrações de primeira, na medida certa para ouvir e dançar. Enfim, um disco de produção caprichada, que irá proporcionar momentos de pura diversão a todas as idades. Que comece la fiesta!
*Texto de Samuel Machado Filho
Jograis De São Paulo – Poesia Brasileira Contemporânea (1980)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje vamos de poesia, pois a vida anda muito dura e o ser humano perdendo a inspiração. Tenho aqui este lp do Jograis de São Paulo, um disco que comemorava os então 25 anos do grupo dirigido por Ruy Affonso. Nesta formação temos, além do Ruy, Carlos Vergueiro e os atores Armando Bogus e Rubens de Falco. No lp encontraremos a poesia de alguns dos mais importantes poetas brasileiros. Não vou nem estender a apresentação, pois a contracapa já diz tudo. Além do mais, eu hoje estou numa gripe brava. Vai aí de poesia… Eu prometo que também repostarei os outro discos do Jograis que já postei aqui, ok? Divirtam-se!
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Cid Gray E Sua Orquestra – Soirée Dançante (1959)
Boa noite, amigo cultos e ocultos! Neste mês de julho, o Toque Musical está completando 11 anos de atividades. Certamente, um dos blogs com mais tempo de vida e sempre ativo, apesar de já não fazer mais postagens diárias como antigamente. Os tempos mudam e o interesse por esse sítio já não é como nos velhos tempos. Enfim…
Hoje eu trago para vocês o primeiro disco do maestro Cid Gray pela RGE, “Soirré Dançante”, lançado em 1959. Como de comum para a época, temos um disco dançante, com um repertório moderno e misto, com músicas brasileiras e sucessos internacionais. Ao que parece, o disco fez sucesso e teve lá continuação em outros volumes. A propósito, Cid Gray, na verdade, era um pseudônimo do maestro Renato de Oliveira, um músico de sólida carreira e bastante atuante nas décadas de 50, 60 e 70. Neste lp eu destacaria a música que abre o disco, “Chega de saudade”, o grande clássico da Bossa Nova, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Vale a pena conferir essa interpretação, aliás, vale conhecer o disco inteiro! 🙂
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Simone Et Roberto Ribeiro – A Bruxelles (1973)
O TM oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, um notável trabalho reunindo dois astros de nossa música popular em início de carreira, e bastante promissor: Simone e Roberto Ribeiro. Ambos se apresentaram em Bruxelas, capital da Bélgica, na feira BrazilExport73, juntamente com o violonista João de Aquino, e este álbum de selo Odeon, editado exclusivamente para o mercado externo, documenta alguns dos melhores momentos de suas performances por lá.Simone Bittencourt de Oliveira (Salvador, BA, 25/12/1949), nascida prematura de oito meses (!), foi jogadora de basquete antes de seguir carreira artística. Tem inúmeros sucessos em seu repertório, tais como “De frente pro crime”, “Começar de novo”, “Tô voltando”, “Cigarra”, “Face a face”, “Jura secreta”, “Um desejo só não basta”, “Pão e poesia”, “O amanhã”, “Então é Natal” (versão do clássico natalino “HappyXmas”, de John Lennon), “Tô que tô” etc. Em 1973, Simone tinha acabado de lançar seu primeiro LP, quando participou de uma turnê internacional, organizada por Hermínio Bello de Carvalho, intitulada “Panorama brasileiro”, que passou por várias cidades europeias, incluindo Paris e Bruxelas. É de Simone a primeira parte deste disco, apresentando releituras de “Bamboleô”, “Voltei pro morro” e “Lamento negro”, além de três sambas de roda adaptados e arranjados por ela mesma. Na segunda parte, temos a presença do inesquecível Roberto Ribeiro (pseudônimo de Demerval Miranda Maciel, Campos dos Goytacazes, RJ, 20/7/1940-Rio de Janeiro, 8/1/1996), um dos melhores sambistas que o Brasil já teve. Ex-jogador de futebol, ele foi puxador de samba da Escola Império Serrano, entre 1974 e 1981, e deixou sucessos inesquecíveis, tais como “Acreditar”, “Poeira pura”, “Todo menino é um rei”, “Vazio (Está faltando uma coisa em mim)”, “Propagas”, “Algemas” e “Lágrima morena”. Infelizmente, ele perdeu a visão de um olho, em razão de uma contaminação por fungo agravada pelo diabetes, e faleceu vítima de atropelamento, no bairro carioca de Jacarepaguá. A carreira de Roberto Ribeiro ganhou impulso a partir de 1972, quando gravou pela Odeon três compactos com Elza Soares, e, mais tarde, também com ela, o LP “Sangue, suor e raça”. Na segunda parte do presente álbum, ele interpreta o clássico “Berimbau”, de Baden Powell e Vinícius de Moraes, acompanhado por João de Aquino, e revive “Manhã de carnaval” e “Não tenho lágrimas”, além de um dueto com Simone em “De uma noite de festa”. Enfim, é mais um raro e precioso trabalho discográfico que o TM nos oferece, apresentando dois notáveis cantores em promissor início de carreira artística!
*Texto de Samuel Machado Filho
Conjunto Super Som T. A (1974)


Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Seguimos no dia de hoje com mais uma doação. Um disco que traz lá boas surpresas. Temos aqui o conjunto Super Som T.A., um dos mais importantes grupos de baile formado em São Paulo na década de 70. O Super Som T. A. surgiu em um curso de inglês, com a finalidade de auxiliar no ensino. Em sociedade com o maestro italiano Enrico Simonetti, surgiu o conjunto que se tornaria um dos mais requisitados para bailes no país. Grupo super profissional, que investia tanto na arte musical como cênica. Seus bailes eram verdadeiros shows, com muitas luzes, trocas de roupas e tudo mais. Apresentavam sempre um repertório atual, incluindo músicas próprias. Aqui neste lp o que temos é exatamente isso, uma amostragem do talento deste grupo. Disco lançado pela RGE em 1974. Há uns 4 anos atrás eu postei aqui um outro disco do conjunto, lançado em 1991 e já com o nome de Internacional Super Som T. A., também muito bom.
Não deixem de conferir no GTM 😉
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A Festa Do Macaco (1979)
Um dos programas humorísticos de maior sucesso da televisão brasileira foi, indiscutivelmente, “O planeta dos homens” (título que parodiava o filme norte-americano “O planeta dos macacos”), exibido pela Rede Globo durante seis temporadas, entre 15 de março de 1976 e 3 de janeiro de 1982, nas noites de segunda-feira. Criado por Max Nunes e Haroldo Barbosa, e dirigido por Paulo Araújo, tendo entre seus redatores nomes como Luiz Fernando Veríssimo, Redi, Expedito Fagioni, Caulos e Jô Soares (que também fazia parte de seu elenco), o programa apresentava quadros de humor baseados em sátira de costumes, crítica social e política, e paródia a programas de rádio e televisão. No elenco ponteavam, além de Jô Soares, comediantes do porte de Paulo Silvino, Stenio Garcia, Clarice Piovesan (que interpretavam o casal Kika e Xuxu), Berta Loran, Renata Fronzi, Marlene Silva, Eliezer Motta, Miele, Luiz Delfino, Mílton Carneiro, Agildo Ribeiro (que interpretava, entre outros tipos, um impagável professor de mitologia grega, ao lado da “múmia paralítica”, Pedro Farah), Wilma Dias (que aparecia na abertura do programa, de biquíni, saindo de uma banana quando um macaco a abria) e OrivalPessini (que interpretava os macacos Charles e Sócrates com máscaras feitas por ele mesmo e mais tarde criou outros personagens, como o Patropi e o Fofão). “O planeta dos homens” popularizou bordões como “O macaco tá certo”, “Cala a boca, Batista!” (dito pelo irmão Carmelo, personagem interpretado por Jô Soares), “Lá vai barão!” (alusão à nota de mil cruzeiros, que tinha a efígie do Barão do Rio Branco, e crítica à alta do custo de vida), “Guenta! Ele guenta!” (do personagem Fonseca, vivido por Paulo Silvino), “Esta é a versão do macaco” e “Não precisa explicar… eu só queria entender!” (os dois últimos do macaco Sócrates). Pois o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos é capitaneado justamente por dois dos principais comediantes que então faziam o maior sucesso no “Planeta dos homens”: Paulo Silvino (Rio de Janeiro, 27/7/1939-idem, 17/8/2017), filho do também comediante Silvino Neto, e Orival Pessini, o macaco Sócrates (Pompeia, SP, 6/8/1944-São Paulo, 14/10/2016), contando ainda com a participação de Marlene Silva, Orlandivo, Dobert Nélson e outros. É “A festa do macaco”, lançado em 1979 pela Top Tape (gravadora que ainda existe) com o selo Aquarela. O próprio Paulo Silvino produziu este disco, juntamente com Durval Ferreira (que também era gerente artístico nacional da Top Tape na época e ainda atua como violonista) e Orlandivo (que ainda atua como ritmista, ao lado de Bira), e as faixas do disco também têm a assinatura dos três. Destaque ainda para a presença de outros músicos de renome, o tecladista Lincoln Olivetti e o baixista Luizão. Curiosamente, “My menina”, interpretada por Dobert Nélson, o “cachorro”, é assinada por Paulo Silvino com o pseudônimo de Dickson Savana, com o qual inclusive gravou um 78 rpm na Chantecler, em 1960. Na interpretação das demais faixas deste disco, revezam-se Paulo Silvino e OrivalPessini, o Sócrates, e Marlene Silva ainda canta “Sombras do passado”. Enfim, “A festa do macaco” é um disco cheio de alto astral, muito alegre e com uma excelente produção, que nos faz inclusive recordar o talento e a versatilidade de Paulo Silvino e Orival “Sócrates” Pessini, dois comediantes que marcaram época na história da televisão brasileira, e que deixaram muitas saudades. É só conferir.
*Texto de Samuel Machado Filho
Andre Geraissati – 7989 (1989)
Violonista, guitarrista e compositor dos mais conceituados, com uma das mais emblemáticas trajetórias da música instrumental brasileira, André Luiz Geraissati bate ponto hoje aqui em nosso TM. Ele veio ao mundo na cidade de São Paulo, em pleno dia da Independência do Brasil (7 de setembro) do ano da graça de 1951. Sua carreira teve início nos agitados anos 1960, quando tocou com Roberto Carlos, Ronnie Von e Os Mutantes. Em 1978, formou, juntamente com outros violonistas de formação clássica e jazzística, o Grupo Dalma, do qual também fizeram parte, em momentos diferentes, Ulisses Rocha, Rui Saleme, Mozart Melo e Cândido Penteado. Admirado pela crítica por seu apuro técnico e interpretativo, o Dalma lançou o primeiro álbum em 1979, “A quem interessar possa”. O disco impulsionou a carreira do grupo, que em seguida participou de eventos como o Festival Internacional de Jazz de São Paulo (1982) e o Free Jazz Festival (1986), além de gravar mais dois LPs. A carreira-solo de André Geraissati começou em 1982, com o álbum independente “Entre duas palavras”. E ele também tocou com Egberto Gismonti (com quem gravou o CD “Brasil musical”, em 1993), Naná Vasconcelos, Eduardo Agni e Amílson Godoy, entre outros nomes da MPB. Em 1988, participou do Festival de Jazz de Montreux (Suíça) e, dois anos mais tarde, gravou o disco “Brazilianimage”, ao lado do flautista Paul Horn, sendo apontado pela crítica especializada como “o músico da década de 1980”. Pois hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos o quinto álbum-solo deste notável violonista. É “7989” (título referente a afinações e cifras harmônicas), gravado digitalmente em fevereiro de 1989, no Rio de Janeiro, com produção dele próprio, e lançado originalmente pela WEA/Warner (tendo sido reeditado em CD pela Eldorado, em parceria com o selo Tom Brasil, em 2001). São nove faixas, todas de autoria do próprio André, e executadas com o máximo de virtuosismo e sensibilidade. Tudo isso, aliado à mais alta qualidade técnica e artística, torna o presente álbum uma autêntica joia rara para os amigos do TM, uma preciosa amostra do trabalho e da arte deste extraordinário violonista que é André Geraissati!
*Texto de Samuel Machado Filho
Revista do Henfil (1978)
Em sua postagem de hoje, o TM presta uma justa homenagem a um expressivo cartunista, jornalista e escritor brasileiro: Henrique de Souza Filho, ou, como ficou para a posteridade, Henfil. Ele nasceu em Ribeirão das Neves, Minas Gerais, no dia 5 de fevereiro de 1944. Cresceu na periferia de Belo Horizonte, onde fez seus primeiros estudos, frequentou um curso supletivo noturno e um curso superior em sociologia na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, que abandonou após alguns meses. Foi embalador de queijos, contínuo em uma agência de publicidade e jornalista, até se especializar, no início dos anos 1960, em ilustração e produção de histórias em quadrinhos. Nessa atividade, estreou em 1964, quando, a convite do editor e escritor Roberto Drummond, começou a trabalhar na revista belorizontina “Alterosa”, onde criou “Os Franguinhos”. Um ano depois, passou a colaborar como caricaturista político no jornal “Diário de Minas”. Em 1967, criou charges esportivas para o “Jornal dos Sports”, do Rio de Janeiro. Os trabalhos de Henfil também apareceram nas revistas “Realidade”, “Visão”, “Placar”, e “O Cruzeiro”, além do “Jornal do Brasil” e do tablóide “Pasquim”, onde seus personagens ficaram bastante populares. Já envolvido com a política do país, Henfil lançou, em 1971, a revista “Fradim”, que teve31 números publicados até 1980, cuja marca registrada era o desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros, como os fradinhos Cumprido e Baixim, a Graúna, o bode Orelana, o nordestino Zeferino e, mais tarde, Ubaldo, o paranoico. Henfil passou toda a sua vida a defender o fim do regime ditatorial pelo qual o Brasil passava. Tentou seguir carreira nos EUA, onde passou dois anos em tratamento de saúde. Como não teve lugar nos principais jornais norte-americanos, sendo renegado a publicações “underground”, escreveu o livro “Diário de um cucaracha” e, de volta ao Brasil, passou a colaborar na revista “Istoé”, escrevendo a coluna “Cartas à mãe”. Pelo conjunto de obra nessa revista, Henfil recebeu, em 1981, o Prêmio Vladimir Herzog, na categoria Artes. Outras de suas obras são “Henfil na China” (1980), “Diretas já” (1984) e “Como se faz humor político” (1984). Envolveu-se também com cinema (fez o filme “Tanga: deu no New York Times?”), teatro e televisão (teve inclusive, um quadro humorístico no programa “TV Mulher”, da Globo), mas ficou marcado mesmo por sua atuação nos movimentos sociais e políticos brasileiros. Como outros dois de seus irmãos – o sociólogo Betinho e o músico Chico Mário – Henfil herdou da mãe a hemofilia, distúrbio que impede a coagulação do sangue, fazendo com que a pessoa seja mais suscetível a hemorragias. E, após uma transfusão de sangue, acabou contraindo o vírus da AIDS. Henfil acabaria falecendo em 4 de janeiro de 1988, aos 43 anos, no Rio de Janeiro, vítima de complicações dessa doença. E em pleno auge da carreira, com seus trabalhos aparecendo nas principais revistas brasileiras e no jornal “O Estado de S. Paulo”, onde publicava os quadrinhos da Graúna. Pois o TM presta justa homenagem a este notável artista apresentando hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o álbum com as músicas do espetáculo teatral “Revista do Henfil”, que estreou em São Paulo no dia primeiro de setembro de 1978, inaugurando o (então) novo Teatro Galpão/Ruth Escobar, e depois percorreu várias das principais cidades brasileiras. O espetáculo contou com as participações de Paulo César Pereio, Rafael de Carvalho, Sônia Mamede e da própria Ruth Escobar, entre outros. O texto foi do próprio Henfil, em parceria com Oswaldo Mendes, e as músicas, de autoria de Cláudio Petraglia (que também atua ao piano na faixa “Esta vida é um mafuá”), são interpretadas pelo elenco da peça, em gravação feita ao vivo pela Bandeirantes Discos, sob a supervisão de Sérgio Lopes. Em suma, é mais um valioso tesouro musical que o TM resgata, para alegria e satisfação de todos aqueles que apreciam o que é bom.
Texto de Samuel Machado Filho
Cardinale Apresenta O Sucesso (1968)
Indiscutivelmente, o grupo de pop-rock The Fevers escreveu um dos mais expressivos capítulos da história da música jovem brasileira, a ponto de ser eleito, em pesquisa realizada pelo programa “Fantástico”, da TV Globo, como “a banda mais popular do país”. Formado em 1964, com o nome de The Fenders, o grupo logo mudou de nome, um ano mais tarde, para The Fevers, uma referência à música “Fever”, então sucesso de Elvis Presley (já havia um The Fenders na praça, daí a mudança). Além de gravarem seus próprios discos, a partir de 1965, os Feversrealizaram (muitas vezes sem créditos) os acompanhamentos instrumentais de gravações de Eduardo Araújo, Sérgio Reis, Deny e Dino, Erasmo Carlos, Trio Esperança, Roberto Carlos e outros mais. E também ficaram conhecidos como “os reis dos bailes”. “Mar de rosas”, “Agora eu sei”, “Elas por elas”, “Guerra dos sexos”, “Cândida”, “Hey girl”, “Vem me ajudar”, “Estou feito um demônio” e “Onde estão seus olhos negros?” são alguns dos maiores sucessos da banda. Os Fevers, durante sua fase inicial, também gravaram discos sob pseudônimo, tanto na própria companhia da qual eram então contratados (Odeon), como também em outras (na CBS, por exemplo, os Fevers gravavam com o pseudônimo de Superquentes). É justamente um desses álbuns que o TM oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos. Trata-se de “Cardinale apresenta o sucesso”, lançado pela Odeon (selo Parlophone) emsetembro de 1968. Evidentemente, Cardinale é um dos inúmeros pseudônimos dos Fevers. No repertório, músicas nacionais e internacionais que faziam sucesso entre a juventude nessa época. Na parte internacional, temos “E lapioggiacheva” (na verdade, “Remembertherain”, composta e gravada por Bob Lind, e que ganhou versões em italiano e português, esta última denominada “A chuva que cai”, e gravada pelo conjunto Os Caçulas), “Mrs. Robinson” (de Simon e Garfunkel, feita para o filme “A primeira noite de um homem”) , “Delilah”, “Seul sursonetoile” e “Honey” (então sucesso de Bobby Goldsboro). Na parte nacional, encontraremos “Com muito amor e carinho”, “Eu te amo, te amo, te amo” (curiosamente lançadas por Roberto Carlos em um mesmo compacto simples), “Última canção” (com a qual Paulo Sérgio despontou para o estrelato), “Bilhetinho apaixonado” (sensação da época na voz de Kátia Cilene), “Para o diabo os conselhos de vocês”(gravada por Erasmo Carlos e também por Paulo Sérgio) e “O barqueiro” (dos BrazilianBitles). Tudo isso em um disco totalmente instrumental, em que se destacam os solos de órgão Hammond, semelhantes aos do instrumentista Lafayette, reforçando aquele clima de bailinho. Por certo o álbum vendeu muito bem na época, tanto que foi seguido de um segundo volume. Portanto, este “Cardinale apresenta o sucesso” mostra por que os Fevers, mesmo escondidos sob esse pseudônimo, ficaram conhecidos como “os reis dos bailes”. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?
*Texto de Samuel Machado Filho
Sucessos RGE 2 (1958)
O TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos o segundo volume da série “Sucessos RGE”, que a gravadora, então pertencente a José Brasil Ítalo Scatena, lançou em 1958 (o primeiro volume já foi oferecido a vocês pelo TM, e foi dado como sendo de 1961, quando na verdade também é de 58). Este “Sucessos RGE 2” segue a mesma linha do primeiro volume, ou seja, músicas nacionais e internacionais que estavam nas paradas naquele momento, interpretadas pelo conjunto e pela orquestra da gravadora, tendo à frente maestros e músicos supercompetentes, e por certo foi uma consequência do êxito de vendagem do álbum anterior. Para começar, encontraremos o acordeonista Carlinhos Maffasoli executando os hoje clássicos “Mocinho bonito”, de Billy Blanco, e “É da banda de lá”, de Irvando Luiz e Adoniran Barbosa, que se escondeu sob o pseudônimo de Peteleco, nome de seu cachorro de estimação. O uruguaio Rúben Pérez, conhecido como Pocho, aqui comparece regendo o conjunto e a orquestra da gravadora na execução do calipso “Cerveza”, do bolero “Cachito” (então grande coqueluche na voz de Nat King Cole), do samba-canção “Meu mundo caiu” (composto e lançado por Maysa, sua colega de gravadora), de “Viva meu samba” (de Billy Blanco, então hit de Sílvio Caldas) e do merecumbe “Ay, cosita linda”. William Fourneaut, que também era exímio assobiador,comanda a Orquestra RGE na execução da marcha “ColonelBoogey”, tema do filme “A ponte do Rio Kwai”, co-produção Inglaterra/EUA que então arrebentava nas bilheterias, e também conduz o conjunto da gravadora no chá-chá-chá “Torero”. O misterioso Eugèned’Heliemmes aqui recorda “Música, maestro”, samba originalmente lançado para o carnaval de 1940 na voz de Dircinha Batista. Enrico Simonetti, maestro que foi um dos pioneiros da RGE, aqui comanda o conjunto da gravadora na execução, em ritmo de bolero, do clássico italiano “Piccolissima serenata”. Para encerrar, um tango de José Astolphi, “Ilusão, ingrata companheira”, executado pelo conjunto RGE, e que a gravadora lançou em 78 rpm, em dezembro de 1957 (disco 10073-B, matriz RGO-413). Em suma, este segundo volume de “Sucessos RGE 2” segue a linha dos álbuns dançantes, que vendiam bastante nessa época e eram ideais para animar festas em residências e salões que não dispunham de conjuntos ao vivo. É mais uma deliciosa viagem aos “anos dourados” que o TM vem nos proporcionar!
*Texto de Samuel Machado Filho
Ana Mazzotti – Ao Vivo – Festival De Verão Do Guarujá (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! Entre trancos em barrancos, vamos sem data ou hora marcada. As postagens por aqui continuam esparsadas, mas seguimos sempre ativos.
Hoje vamos como este disco, enviado pelo amigo Denys, que nos fez o favor de dar um trato tanto no áudio quanto nas imagens da capa. Trata-se de um excelente registro ao vivo da cantora, compositora e instrumentista gaúcha, Ana Mazzotti, uma das grandes artistas desconhecidas da nossa música popular brasileira. Além de gaúcha, tem um timbre de voz que lembra muito a baixinha Elis Regina. Um álbum até já bem curtido pelo público blogueiro, mas aqui ainda inédito e mais do que necessário. Confiram no GTM.
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Juão – Cheiro De Mudança (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! Procurando sempre manter os olhos e os ouvidos ligados em coisas raras do nosso universo fonomusical, eu hoje trago para você uma produção independente, um disco que não sei de onde apareceu por aqui. Com diz o Roberto Carlos, são tantas as emoções, fica difícil as vezes saber de onde surgiu. Para piorar, eu não encontrei nenhuma informação sobre o artista e seu disco. Daí, tudo que posso dizer é que se trata de um trabalho bem interessante. Juão, o artista, é aqui um intérprete que traz em seu lp um repertório de primeira, com músicas selecionadas, algumas de sucesso, bem conhecidas do público. Caetano, Fagner, Cátia de França, Chico Buarque e outros fazem parte do seu leque musical. Produção independente lançada no início dos anos 80. Vale a pena conferir 😉
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Adriana (1970)


Cantora e compositora, ela é considerada uma das mais belas vozes femininas do Brasil. Trata-se de Adriana Rosa dos Santos, ou simplesmente Adriana, que o TM põe em foco em sua postagem de hoje. Foi no dia 3 de fevereiro de 1953, no Rio de Janeiro, que nossa Adriana veio ao mundo, filha de Maria Helena, uma vedete do teatro de revista que atuou na companhia de Carlos Machado, então “o rei da noite”. Mesmo contra a vontade da mãe, que desaprovava sua intenção de seguir carreira artística, Adrianazinha começou na plenitude de seus 12/13 anos de idade, cantando em apresentações de matinês. Inscreveu-se ainda em programas de calouros, e, devidamente aprovada, tornou-se cantora de rádio. O sucesso que ela conseguiu apresentando-se nesses eventos, chamou a atenção de produtores musicais, e nossa Adriana passou a ser chamada para cantar em programas de TV. Extremamente tímida, ela pensou em obedecer a mãe e desistir de cantar, porém, convencida pelos produtores a não desperdiçar sua potência vocal, decidiu seguir em frente na carreira. Em 1967, com a Jovem Guarda ainda no auge, Adriana grava seu primeiro disco, um compacto simples, no selo Equipe, e consegue, por tabela, seu primeiro grande sucesso, com “Anjo azul”, feita especialmente para ela por Nonato Buzar, que ficaria mais conhecida como “Vesti azul” (“Minha sorte então mudou”…), título com o qual seria regravada, com êxito redobrado, pelo então “rei da pilantragem”, Wilson Simonal. Gravou ainda mais dois compactos simples na Equipe, e as seis músicas de seus singles nessa marca foramreunidas num LP que compartilhou com Luiz Keller. Como era ainda adolescente, só podia se apresentar à tarde nos programas de auditório da época, como os de Chacrinha e Flávio Cavalcanti. O carisma de Adriana com o público lhe garantiu a alcunha de “rainha hippie”. Com a carreira consolidada, foi capa da revista “O Cruzeiro”, em 1973, e, cinco anos mais tarde (1978), venceu o festival de música de Mar del Plata, na Argentina, com a música “O cara”, dela mesma em parceria com Gibran. Outros hits de Adriana foram: “Lá lálá”, “Viu?”, “O que me importa?” (depois regravada por Tim Maia e Marisa Monte), “O problema é seu”, “Deixe estar como está”, “Mamãe, cê viu?”, “Quando você partir”, “Pra sempre vou te amar”, “Joguei tudo com você”, “Combinado assim” e, por certo o maior de todos, “I loveyou, baby”, de Gilson e Joran, lançado em 1986 e mais conhecido pela frase final da letra, “Te amar é tão bom, tão bom, tão bom”. Até hoje, Adriana admite ser muito tímida, tem vergonha de dar entrevistas e aparecer na TV, e que sempre fica nervosa ao pisar em um palco. Sua discografia abrange cerca de 30 títulos, entre LPs e compactos, sem contar as coletâneas e participações em álbuns mistos. Ainda participou de filmes, novelas de TV e fotonovelas (daquelas que saíam antigamente nas revistas femininas). Casada há mais de vinte anos com o músico e biólogo marinho Márcio Monteiro, que conheceu nos palcos, Adriana tem duas filhas gêmeas, Natanna e Tuanny, que, ainda crianças, integraram a segunda formação da Turma do Balão Mágico e depois formaram-se em Direito, hoje fazendo coro para a mãezona em seus shows. Seu mais recente trabalho é o CD “Eu mereço”, com quatro músicas, lançado em 2016. Hoje, o TM oferece a seus amigos ocultos e ocultos este que foi o primeiro LP-solo de Adriana, lançado em maio de 1970 pela Odeon, gravadorapara a qual foi contratada por influência justamente de Wilson Simonal, um de seus maiores incentivadores, ao lado do “velho guerreiro”, Chacrinha. Sob a batuta de Mílton Miranda e com direção musical de Lírio Panicalli, Adriana dá um show de interpretação, e a primeira faixa, o samba-rock “Justo nesta noite”, de Luiz Wagner e Tom Gomes (também presentes aqui com “Agora que estou sozinha” e “Não digo nada”)foi apenas um dos êxitos desse disco. Temos ainda uma regravação do clássico “Hoje”, de Taiguara, uma composição de Hyldon, “Com muita saudade”, bem antes de ele estourar com “Na rua, na chuva, na fazenda”, e trabalhos de dois integrantes dos Golden Boys, os irmãos Ronaldo (“Não vou chorar nunca mais”) e Renato Corrêa (“Só se for nós dois”, parceria com Edinho). Carlos Imperial e Hélio Matheus aqui comparecem com “O que é que eu faço desta saudade?”. São doze faixas no total, mostrando todo o talento e carisma de Adriana, sem dúvida uma excelente cantora, e ainda hoje em franca atividade, realizando shows por todo o país e recebendo os merecidos aplausos do público.
*Texto de Samuel Machado Filho
Os Cariocas – Compacto (1965)
Dentre os conjuntos vocais que deram aquele “banho de loja” em nossa música popular (Bando da Lua, Anjos do Inferno, Quatro Ases e um Coringa, Vocalistas Tropicais etc.), Os Cariocas ocupam um lugar de destaque. Formado em 1942 por irmãos paraenses que moravam na Tijuca, Severino de Araújo Silva Filho (que seria pai da atriz Lúcia Veríssimo) e Ismael de Araújo Silva Neto, o grupo era inicialmente um quinteto, completado pelos vizinhos Salvador, Tarquínio e Ary Mesquita, este último depois substituído pelo gaitista Waldir Viviani. Começaram a carreira em 1945, participando do programa de calouros “Papelcarbono”, apresentado no rádio por Renato Murce, e obtendo o terceiro lugar. Em uma segunda tentativa, finalmente conseguem a primeira posição, e, em 1946, são contratados pela lendária PRE-8, Rádio Nacional, a meca artística da época. Já com Badeco e Quartera no lugar de Tarquínio e Salvador, Os Cariocas gravam seu primeiro disco em 1948, na Continental, apresentando o samba “Adeus, América” e, no verso, o samba-canção “Nova ilusão”, logo causando sensação por suas harmonias ousadas e pelo sincopado rítmico, precursor da bossa nova. Em 1956, falece Ismael Neto e Severino Filho assume a liderança dos Cariocas, contando, por seis anos, com a irmã da dupla básica, Hortênsia. Obviamente, participaram da bossa nova, tanto que, em 1962, fizeram parte do show “Encontro”, na boate carioca Au Bon Gourmet, ao lado de João Gilberto, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, o bateritaMílton Banana e o contrabaixista Otávio Bailly, apresentando as músicas mais simbólicas do movimento, tipo “Corcovado”, “Samba do avião”, “Chega de saudade” etc. O currículo dos Cariocas ainda inclui apresentações nos EUA, Argentina, Porto Rico e México. E ainda atuaram diversas vezes no programa “O fino da bossa”, apresentado na TV Record de São Paulo pelos inesquecíveis Elis Regina e Jair Rodrigues. Em 1966, o grupo se separou, por divergências com o maestro Severino Filho, e cada integrante foi para seu lado. Vinte e um anos mais tarde, 1987, o pianista Alberto Chinelli convidou Severino Filho para ouvir o arranjo feito para o clássico “Da cor do pecado”, de Bororó. Severino, entusiasmado, fez o arranjo vocal e chamou os integrantes do conjunto para voltarem aos discos e shows. Em primeiro de março de 2016, morre Severino Filho, o que parece ter encerrado a longa e gloriosa trajetória dos Cariocas. Da longa e expressiva discografia do conjunto, o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um raríssimo compacto simples lançado pela Philips em 1965, época em que Os Cariocas eram um quarteto. Ambas as faixas foram extraídas do LP “Os Cariocas de quatrocentas bossas”, desse mesmo ano. No lado A, um indiscutível clássico romântico dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, “Preciso aprender a ser só”, verdadeira joia que foi, merecidamente, um dos maiores sucessos musicais de 65, e tem inúmeras outras gravações, como as de Elis Regina, Sylvia Telles e do próprio Marcos Valle. E o lado B apresenta uma curiosidade: a toada “Carro de boi”, de Maurício Tapajós com letra de Antônio Carlos de Brito, aliás, Cacaso, futuro amigo/parceiro de “medalhões” da MPB, como Suely Costa, Djavan, Joyce Moreno, Olívia Byington,João Donato, Edu Lobo e outros mais. “Carro de boi” seria inclusive regravada, em 1976, por Mílton Nascimento, para seu álbum “Geraes”. Enfim, outro precioso e raro disquinho com fonogramas preciosos, dignos de figurarem nos acervos de tantos quantos apreciem a música popular brasileira no que ela tem de melhor e mais expressivo. É só baixar e conferir.
*Texto de Samuel Machado Filho
Armando Macedo – Compacto (1968)
Mais um precioso compacto é oferecido hoje pelo TM a seus amigos cultos e ocultos. E de inestimável valor histórico, pois documenta o início de carreira de um de nossos mais talentosos e expressivos músicos: Armando Macedo, mais tarde conhecido como Armandinho. Instrumentista, cantor e compositor, Armando da Costa Macedo nasceu em Salvador, capital da Bahia, em 22 de maio de 1953. É filho de Osmar Macedo, da dupla Dodô e Osmar, idealizadores do célebre trio elétrico de mesmo nome. Em 1962, Armandinho formou o grupo de frevo Trio Elétrico Mirim, em 1962, e em 1967 o conjunto de rock Hell’sAngels. Mais tarde apresentou-se no programa ‘A grande chance”, da TV Tupi carioca, apresentado pelo polêmico Flávio Cavalcanti. Ficou em primeiro lugar na fase eliminatória e, no ano seguinte, gravou seu disco de estreia, o compacto que apresentamos hoje. Em 1974, juntou-se a seu pai e outros músicos para formar o Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar, lançando inúmeros discos carnavalescos ao longo dos anos 80. Paralelamente, no final dos anos 70, Armandinho formou o grupo A Cor do Som, inicialmente a banda de apoio de Moraes Moreira, que também se apresentava no Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar. Formada ainda por Dadi (baixo e vocal), Mú Carvalho (teclados e vocal) e Gustavo Schroeter (bateria), A Cor do Som lançou seu primeiro álbum em 1977, notabilizando-se pela alta qualidade instrumental, misturando jazz, rock e MPB. Em meados de 1979, o percussionista e vocalista Ary Dias, que também tocava no Trio Elétrico, passa a integrar o grupo, que um ano antes se apresentara no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, resultando em um disco ao vivo. Alcançam novo patamar de sucesso ao introduzirem músicas cantadas a partir do terceiro LP, “Frutificar”, do qual brotaram hits do porte de “Beleza pura” (Caetano Veloso), “Abri a porta” (Gilberto Gil e Dominguinhos) e “Zanzibar” (Armandinho e Fausto Nilo). Em meados de 1981, após gravar mais dois álbuns com A Cor do Som (“Transe total” e “Mudança de estação”), Armandinho deixa o grupo para dedicar-se à carreira-solo e seu projeto com o Trio Elétrico Dodô & Osmar. Ao longo dos anos seguintes, daria continuidade a seu trabalho instrumental, voltado para o choro e outros gêneros, gravando e se apresentando ao lado de músicos do porte de Raphael Rabello, Paulo Moura, o conjunto Época de Ouro, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Caetano Veloso e Yamandú Costa. Em 2005, se reúne novamente com A Cor do Som, gravando um disco acústico e realizando shows esporádicos. Este pequeno, grande e precioso disco, pontapé inicial da vitoriosa carreira de Armandinho, foi gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1968, e lançado pela extinta Codil com o selo Compacto. Nele, o então Armando Macedo executa ao bandolim peças eruditas e populares, acompanhado pelo violonista Horondino Silva, o Dino Sete Cordas. No lado A, um pot-pourri que junta as “Czardas” de Vitorio Monte a temas de Zequinha de Abreu (“Branca”), Honorino Lopes (“Língua de preto”), Manoel Marques (“Tema de amor em forma de prelúdio”) e Sérgio Bittencourt (“Modinha”). E, no lado B, temos a “Marcha turca”, de Mozart. Tudo isso com virtuosismo e maestria, fazendo deste single de estreia de Armando Macedo, o futuro Armandinho, um trabalho digno da postagem do meu, do seu, do nosso Toque Musical!
branca
czardas
lingua de preto
tema de amor
preludio
modinha
marcha turca
*Texto de Samuel Machado Filho
Carlos Gonzaga – Adão E Eva (Compacto) (1960)
E prossegue o festival de compactos raros do TM. Hoje apresentamos, para deleite de nossos amigos cultos e ocultos, um compacto duplo de 45 rpm (a mesma rotação dos que então saíam nos EUA e em outros países), lançado em 1960 pela RCA Victor, com um dos pioneiros do rock em terras brasileiras: José Gonzaga Ferreira, aliás Carlos Gonzaga. Foi na cidade mineira de Paraisópolis que Carlos Gonzaga veio ao mundo, no dia 10 de fevereiro de 1924. Iniciou sua carreira em meados dos anos 1940, demonstrando, desde então, extrema versatilidade, na interpretação dos mais variados gêneros musicais, como samba, guarânia, bolero, samba-canção, fox, tango e, evidentemente, o rock, no qual se consagrou interpretando versões de hits internacionais do gênero. Seu primeiro disco foi lançado pela RCA Victor em setembro de 1955, um 78 rpm apresentando a guarânia paraguaia “Anahi”, em versão de José Fortuna, e o tango “Perdão de Nossa Senhora”, de Palmeira e Teddy Vieira. Talvez os maiores êxitos de Carlos Gonzaga tenham sido as versões de “Diana”, de Paul Anka, assinada por Fred Jorge (“Não te esqueças, meu amor/ que quem mais te amou fui eu”…), e “BatMasterson”, de Bart Corwin e HavensWray, assinada por Édison Borges (“No velho Oeste ele nasceu”…), esta última o tema principal de um seriado de TV norte-americano do gênero western, no qual o personagem-título, interpretado pelo ator Gene Barry, portava uma perigosa bengala-espingarda, e que alcançou enorme sucesso no início dos anos 1960, inclusive no Brasil. Outros êxitos de Carlos Gonzaga foram: “Rapaz solitário (Lonely boy)”, “Você é meu destino (You are mydestiny)”, “Diabinho (Heylittledevil)”, “Oh! Carol”, “O diário (The diary)”, “Twist outra vez (Let’s twist again)”, “Regresso” (samba-canção de Adelino Moreira), “Ponderosa” (feito para aproveitar o sucesso de outro seriado de TV do gênero western, “Bonanza”), “Juramento de playboy” e outros mais. Fez shows por todo o Brasil e também nos principais países da América Latina, obtendo reconhecimento internacional. Desde 1986, reside na cidade de Santo André, no ABC paulista, e inclusive recebeu, em 2006, o título de Cidadão Andreense. “Adão e Eva” é o nome do compacto duplo de Carlos Gonzaga que o TM nos oferece hoje. A faixa-título e de abertura, claro, é versão de um sucesso de Paul Anka (“Adam andEve”), assinada por Fred Jorge, igualmente lançada em 78 rpm e no LP “És tudo para mim”, do qual também foram pinçadas as duas faixas seguintes do disquinho, “A vida, só com amor”, da misteriosa Marilena, e “Foi o luar (Far, faraway)”, outra versão de Fred Jorge, esta para um hit do cantor-compositor country Don Gibson. Já a faixa de encerramento, “Calipso de amor”, foi lançada originalmente no LP “The bestseller”, e é de autoria do compositor e radialista Serafim Costa Almeida. Enfim, mais uma raridade que o TM entrega a vocês, deste autêntico pioneiro do rock brazuca que é Carlos Gonzaga!
*Texto de Samuel Machado Filho
Clara Nunes – Compacto (1968)
Nascida em 12 de agosto de 1942, em Cedro, distrito de Paraopeba (hoje Caetanópolis), na região central do estado de Minas Gerais, Clara Francisca Gonçalves, aliás Clara Nunes, prestou notável contribuição para nossa música popular, e é considerada, com justiça, uma das maiores e melhores intérpretes do Brasil. Era filha de um violeiro, Mané Serrador, que exercia importante papel em sua comunidade, sobretudo na Folia de Reis. Talento precoce, a futura Guerreira, aos 10 anos de idade, venceu seu primeiro concurso de canto, em sua cidade natal, e aos 14, começou a trabalhar como tecelã, ofício que continuou a exercer ao mudar-se para Belo Horizonte, em 1958. Cantando nas quermesses do bairro Renascença, onde morava, Clara chamou a atenção do violonista Jadir Ambrósio, que lhe abriu espaços principalmente em programas de rádio. Em 1960, venceu a fase mineira do concurso A Voz de Ouro ABC, e obteve o terceiro lugar na versão nacional. Mais tarde, é contratada pela Rádio Inconfidência e, em 1961, recebe o Troféu Ary Barroso de melhor cantora do rádio mineiro. Atuou também em clubes e boates da capital mineira, chegando a trabalhar junto com nada mais nada menos que Mílton Nascimento, então contrabaixista. Nessa época, fez sua primeira apresentação na televisão, em um programa que a lendária Hebe Camargo apresentava em BH. E, em 1963, ganhou programa exclusivo, “Clara Nunes apresenta”, na extinta TV Itacolomi, onde se apresentavam “medalhões” da MPB de então, como Altemar Dutra e Ângela Maria. Em 1965, muda-se para o Rio de Janeiro, logo atuando no rádio na televisão, casas noturnas e escolas de samba. Nesse ano, é contratada pela Odeon, sua única gravadora em toda a carreira, e, umano depois, lança o primeiro LP, “A voz adorável de Clara Nunes”, com repertório essencialmente romântico (boleros e sambas-canções), mas sem repercussão. Seu primeiro sucesso comercial viria em 1968, com “Você passa, eu acho graça”, de Ataulfo Alves e Carlos Imperial. A partir daí, aderiu de vez ao samba (interpretando também MPB e forró), sendo inclusive uma das cantoras que mais gravou músicas de compositores da Portela, sua escola de coração. Foi também a primeira cantora brasileira a vender mais de cem mil cópias, quebrando o tabu de que vozes femininas não vendiam discos. Conhecedora das músicas, danças e tradições afro-brasileiras, converteu-se à umbanda e levou a cultura africana para suas canções e vestimentas. Seu currículo também inclui apresentações no exterior, onde representou dignamente a cultura do Brasil, ela que também foi pesquisadora de nosso folclore e nossos ritmos. Em 1973, participou do show “Poeta, moça e violão”, junto com a dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, então em evidência, no Teatro Castro Alves de Salvador, Bahia . Também fez, ao lado do ator Paulo Gracindo, em 1974, no extinto Canecão do Rio, o show “Brasileiro, profissão: esperança”, no qual cantava músicas de Dolores Duran, entremeadas por crônicas de Antônio Maria, interpretadas por Gracindo, e que gerou um álbum de mesmo nome. Entre seus maiores sucessos, destacam-se: “Ê baiana”, “Conto de areia”, “Tristeza pé no chão”, “Menino Deus”, “O mar serenou”, “Deusa dos orixás”, “Banho de manjericão”, “Meu sapato já furou”, “Morena de Angola”, “Peixe com coco”, “Basta um dia”, “Na linha do mar”, “Portela na avenida”, “Nação”, “Tributo aos orixás”, “Guerreira”, “Feira de mangaio”, “As forças da natureza”, “Coração leviano” e “Ijexá”. Uma gloriosa carreira que se encerrou prematuramente no dia 2 de abril de 1983, quando Clara Nunes faleceu, aos 40 anos, na Clínica São Vicente do Rio de Janeiro. Ela havia se submetido a uma cirurgia de varizes, aparentemente simples, mas acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico (o chamado “choque anafilático”), e sofreu uma parada cardíaca, permanecendo 28 dias em coma. Em sua homenagem, a Rua Arruda Câmara, onde fica a quadra da Portela, passou a chamar-se Rua Clara Nunes. A discografia da eterna Guerreira, que vendeu, em toda a sua trajetória artística, pelo menos4,4 milhões de cópias, segundo dados disponíveis, engloba 16 álbuns de estúdio e mais de 90 compactos, sem contar as coletâneas, tudo isso pela Odeon (depois EMI, hoje Universal Music). Dela, o TM foi buscar, para deleite de seus amigos cultos e ocultos, este raríssimo compacto duplo de 1968. Nele, vamos encontrar uma Clara Nunes ainda em início de carreira, interpretando versões de hits internacionais da época, todas assinadas por Geraldo Figueiredo. Destaque para “O amor é azul (L’amour est bleu)”, originalmente sucesso da cantora grega VickyLeandros, e merecedora até mesmo de uma famosa versão orquestrada do maestro francês Paul Mauriat, lembrada até hoje. Completam este precioso disquinho, “Mamãe (Mama)”, “Sozinha” (adaptada da “Suíte número 3”, de Johann Sebastian Bach) e “Adeus à noite (Adieu a lanuit)”. Nenhuma dessas faixas apareceu nos LPs da inesquecível Clara Nunes, o que redobra o valor histórico desta postagem do TM, precioso documento do início de carreira de uma das mais expressivas cantoras que o Brasil já teve. É só conferir.
*Texto de Samuel Machado Filho
Leno – A Festa Dos Seus 15 Anos (1969)
E prossegue o festival de compactos raros do TM, para alegria de seus amigos cultos e ocultos. Hoje, apresentamos um compacto duplo de Gileno Osório Wanderley de Azevedo, aliás, Leno. Ele veio ao mundo no dia 25 de abril de 1949, na capital do Rio Grande do Norte, Natal, e foi um dos maiores astros da Jovem Guarda, como a voz masculina da dupla que formou com a carioca Sílvia Lília BarrieKnapp, a Lilian. Após participar de alguns conjuntos de rock dessa época, Leno foi descoberto por produtores da CBS, atual Sony Music, e formou a dupla com Lilian. Em março de 1966, auge da Jovem Guarda, é lançado o compacto simples de estreia de Leno e Lilian, e as duas músicas logo fazem enorme sucesso. No lado A, veio a balada romântica “Devolva-me”, da própria Lilian em parceria com Renato Barros, fundador e líder do grupo Renato e seus Blue Caps, que mereceu anos mais tarde uma expressiva regravação de Adriana Calcanhoto. E, no verso, “Pobre menina”, versão também da própria Lilian para “Hangonsloopy”, então hit do grupo norte-americano The McCoys. Meses depois, vem o primeiro LP, incluindo essas duas músicas e outro grande sucesso, também lembrado até hoje, “Eu não sabia que você existia”, além de versões de hits internacionais da época. Após o segundo LP, “Não acredito” (1967), ainda no período da Jovem Guarda, desentendimentos entre Leno e Lilian acarretaram a separação e o consequente fim da dupla, e cada um partiu para carreiras-solos. Em 1972, Leno e Lilian voltaram a cantar juntos, mas sem o brilho de outrora. Tanto Leno quanto Lilian continuam na ativa em suas próprias carreiras, ainda mantendo relações amistosas, e, nos anos 90, participaram juntos de homenagens à Jovem Guarda, juntamente com outros artistas que dela participaram, como Jerry Adriani e Wanderléa. Em sua carreira-solo, Leno possui nove álbuns, oito em estúdio e um ao vivo. Além, é claro, de inúmeros compactos (dessa época, inclusive, é o sucesso “A pobreza”, também conhecido por “Paixão proibida”). Seu mais recente trabalho é “Canções com Raulzito” (aliás, Raul Seixas), lançado em 2010. Hoje, o TM oferece “A festa dos seus quinze anos”, compacto duplo com músicas do segundo LP-solo de Leno, editado pela CBS em novembro de 1969. Por sinal, era comum, nessa época, o lançamento de compactos simples e duplos extraídos dos LPs, possibilitando aos compradores de poucas posses terem as melhores faixas, ou as que mais agradavam. A faixa-título e de abertura, composta por Ed Wilson, é uma ótima balada romântica que obteve boa aceitação na época, sendo até hoje executada em programas de rádio de cunho saudosista. E, nesse disquinho, temos ainda “Quando você me deixou”, de Pedro Paulo e Getúlio Cortes (cujos efeitos no final são propositais), “Não precisa devolver”, do já citado Renato Barros, e “Não se esqueça desse bobo”, do próprio Leno. É mais uma raridade que o TM oferece com a grata satisfação de sempre, de um artista que continua em plena atividade. É só baixar e ouvir.
a festa dos seus 15 anos
quando você me deixou
não precisa devolver
não se esqueça desse bobo
*Texto de Samuel Machado Filho
João Da Praia (1974)
Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos um raro compacto duplo da Copacabana (selo Beverly), editado em 1974, apresentando quatro gravações feitas pelo cantor e compositor João da Praia, e anteriormente lançadas em dois compactos simples. Nascido no Rio de Janeiro, em 1950, João da Praia recebeu, na pia batismal, o nome de Antônio Jorge Zacarias. Analfabeto, ele vendia sorvete na lendária Praia de Copacabana, quando foi descoberto pelo produtor Jacques Ayres. Daí por diante, empunhando um violão de uma corda só que achou no lixo, João da Praia conseguiu sucesso logo no primeiro compacto simples, apresentando no lado A uma canção rural com estrofes hilárias, que aproveita como refrão um dito popular: “Aonde a vaca vai, o boi vai atrás”. Um dos maiores sucessos populares de 1974 (servindo até como jingle publicitário de uma marca de inseticida!), “O boi vai atrás” consagrou João da Praia nacionalmente, tornando-o atração em vários programas de televisão da época, e o single vendeu trezentas mil cópias (o lado B, “Meu cajueiro”, é a faixa que encerra o presente compacto duplo). Meses depois, veio o segundo single, com “Formiga cabeçuda” e “Preta linda”, faixas também aqui constantes. Em 1975, ele ainda lançaria a música “Poluição”, lado B de outro compacto simples da Beverly/Copacabana, dividido com a dupla Conde e Drácula, que no lado A interpretava “Tá faltando ôme”. Entretanto, João da Praia não conseguiu repetir o sucesso de “O boi vai atrás”. Consta que Sílvio Santos o contratou para se apresentar em seu programa dominical (à época transmitido pela TV Globo) e ele não foi, mesmo com tudo pago. Sílvio anunciou “Vem aí João da Praia” cinco vezes , mas nada dele aparecer! Depois disso, ele caiu no ostracismo, tendo de trabalhar como motorista e balconista para sobreviver. Seu último disco foi um outro compacto duplo, editado em 1981 pela obscura Nacional Discos, apresentando as músicas “Com minha vaca lavei a égua”, “Mundo enrolado”, “Custo de vida até o ano 2001” e “Rock coceira”, evidentemente sem repercussão. As informações sobre o falecimento de João da Praia são desencontradas. Segundo a revista “Veja”, ele teria morrido em primeiro de julho de 1988, aos 38 anos, de ataque cardíaco, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Entretanto, amigos de João da Praia entraram em contato com o portal “Memória da MPB”, informando que o falecimento dele aconteceu em 1989, em São Paulo, no Hospital Zona Sul, bairro de Santo Amaro, e seus restos mortais estão sepultados no Cemitério São Luís. Portanto, este compacto duplo é um documento histórico que o TM hoje nos oferece, e mais uma joia rara para os que garimpam raridades discográficas. Aproveitem…
Jorge Mautner – Compacto (1966)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Por favor, não percam a esperança como o Toque Musical. Temos ido devagar-quase-parando, mas continuamos ativos. Não somos mais diários, mas estamos sempre presente. E por falar em presente, aqui vai um, este compacto lançado pela RCA Victor em 1966 do velho maldito, Jorge Mautner. Creio que este foi o primeiro disco ele (ou estarei enganado?). Meu tempo é curto, daí não dá tempo de pesquisar. Mas achei um texto de uma entrevista do artista falando sobre o disquinho. Nada melhor, né?
“Em 1965, eu gravei um compacto pela RCA-Victor, com a produção de Moracy Do Val, e acompanhado pelo grupo de folk-rock The Vikings (eram dois irmão que cantavam músicas deles e dos Everly Brothers). Este disco, juntamente com o livro Vigarista Jorge, motivaram a incursão do meu nome na lei de segurança nacional. Dois meses depois de lançado o compacto, cronistas de jornais, inclusive pelo falecido Sergio Bittencourt, filho do Jacob do Bandolim, e que era, junto com Nelson Motta, juri do Flávio Cavalcanti, denunciaram tanto ele como o meu livro como perigosa subversão trotzkista. Apesar disso, por ocasião da minha volta do exílio em 1971, fui encontrar Sergio Bittencourt, eu o perdoei, ele também, e nos abraçamos. A faixa “Radioatividade”, que fala sobre a Terceira Guerra Mundial e da bomba atômica, causava muita estranheza pela sua temática, até por pessoas geniais e bem-pensantes, como Nara Leão, que disse a respeito: “o que tem o Brasil a ver com a bomba atômica?”
Cláudio Pérsio – Outros Cantos De Minas (198?)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Continuamos em nossa mostra de compactos. Sempre procurando trazer algo que faz jus a máxima de se ouvir música com outros olhos. Buscamos, mais que nunca, apresentar aquilo que está longe do acesso comum. Geralmente, é depois que postamos aqui a coisa se espalha.
Hoje temos esse compacto duplo do compositor mineiro Cláudio Pérsio. Trata-se, por certo, de uma produção independente, possivelmente dos anos 80. Conforme podemos ler na capa, há um pequeno texto colado, apresentando o autor. Cláudio Pérsio é um médico, psiquiatra, músico e poeta. Procurando pela internet consegui apenas confirmar o que foi dito. Achei também um video com ele cantado uma outra música, o que me leva a crer que chegou a gravar mais alguma coisa. Neste compacto duplo iremos encontrar quatro boas músicas, composições de qualidade que reforçam e justificam sua presença aqui no Toque Musical. Gravações feitas aqui mesmo em BH, com arranjos de dois grandes mestres da música mineira, Célio Balona e José Guimarães. Muito bom, acima da média, com certeza!
Carlos Hamilton – Canta Para Os Namorados (196?)
Bom dia, caríssimos amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, fazendo jus a nossa tradição, temos aqui uma raridade de alto nível, coisa que vocês só encontram em primeira mão no Toque Musical. Trago hoje para vocês esse raríssimo compacto, produção independente, talvez uma das primeiras lançadas por aqui. Aliás, este disquinho, é pioneiro não apenas como produção independente. É também uma das primeiras manifestações isoladas da Bossa Nova, o primeiro compacto triplo (com três faixas em cada lado) e o primeiro compacto de rotação 33.
Temos aqui o primeiro registro da ‘Turma da Savassi’, a turma dos compositores mineiros Pacífico Mascarenhas e Roberto Guimarães, nomes dos mais importantes da música mineira e porque não dizer, da Bossa mineira. Olhando assim, pela capa, para muitos esse disquinho pode ter passado batido, até porque quem se destaca é o intérprete, o cantor da turma, Carlos Hamilton. Quem vê o disquinho sem lhe dar muita atenção há de entender este, apenas como mais um velho compacto independente (e que ninguém conhece e se interessa). Mas, nesse sentido, o valor está na obra, nas composições, em especial de Pacífico Mascarenhas, onde temos uma autêntica bossa nova, a faixa de abertura, “Pouca duração”. Acredito que poucos conhecem bem essa música, a qual também aparece em outros discos do compositor. Este samba, que é pura bossa surgi neste compacto, que foi lançado no início dos anos 60. Infelizmente, eu não consegui localizar a data, a qual seria muito importante para termos uma dimensão da coisa. Ao que contam, Pacífico conseguiu convencer o produtor fonográfico Harry Zuckerman a transformar o compacto de 45 rpm em 33. Assim a Companhia Industrial de Discos (CID) criou o primeiro compacto, uma produção independente para este 7 polegadas e dava-se aí início aos disquinhos, agora rodando em 33 rpm. Não deixem de conferir essa raridade. Logo mais alguém coloca no Youtube (e eu aqui nem sou lembrado).
Conjunto Bossa Nova – Bossa É Bossa (1959)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Muitos são os discos que ainda queremos postar aqui no Toque Musical e hoje temos aqui um desses, um compactozinho que é pura raridade, cobiçado por muitos colecionadores, em especial aos amantes da Bossa Nova. Acredito eu que este seja o primeiro compacto de Bossa Nova lançado no mundo. Temos assim, o Conjunto Bossa Nova, num compacto duplo, com quatro músicas. Por certo, trata-se de um disquinho já bem manjado por todos os seguidores de blog. A primeira vez que apareceu foi no saudoso Loronix e aqui agora completo, com capa, contracapa e selos, para a turma mais exigente 🙂
O Conjunto Bossa Nova era formado por Roberto Menescal, Bill Horn, Luiz Carlos Vinhas. Bebeto Castilho, Helcio Milito e Luiz Paulo Nogueira. Lançado em 1959 pelo selo Odeon, este compacto traz um registro ao vivo do grupo, onde foram selecionadas quatro composições:
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Antonio Carlos Nóbrega – Compacto (1983)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com este compacto duplo, disquinho bem raro do violinista pernambucano Antonio Carlos Nóbrega. Na verdade, este foi seu primeiro registro fonográfico autoral, lançado de forma independente no ano de 1983, conforme relato na contracapa. Antes disso ele integrava o maravilhoso Quinteto Armorial, grupo precursor na criação de uma música de câmara brasileira e raízes populares. Inclusive, aqui no Toque Musical, já foram postados dois discos do grupo.
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Caetano Veloso – Compacto (1965)


Boa noite, amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com esse compacto nota 10, um disquinho especial, o primeiro registro do genial Caetano Veloso, aqui ainda com dois Ls. Certamente, trata-se de um disquinho já bem divulgado e hoje, mais ainda, na rede é que nem bolacha, em qualquer canto se acha. Mas isso só no formato digital, pois o compacto em si é hoje moeda forte. Tem maluco tentando vender o seu no Mercado Livre por quase 200 pratas. Mas Mercado Livre não deve servir de referencia para preço, ainda mais de vinil que até poucos anos atrás eram vendidos quase de graça. Hoje, com muita informação e fake news, dourar a pílula ficou mais fácil. E o que não falta é trouxa para comprar a joia. Aqui, o que importa é ter em nosso acervo digital um disco que é a cara do Toque Musical (putz, até rimou!) Deixo aqui também a minha gratidão a mais um bom amigo do TM, o Denys, que muito me ajudou no tratamento da capinha e selo. Valeu, brother! 🙂
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Gaúcho E Seu Trio – Em Ritmo de Tango (1960)
Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos um álbum focalizando o tango, estilo musical surgido na região do Rio da Prata, na América do Sul, entre as cidades de Buenos Aires (capital da Argentina) e Montevidéu (capital do Uruguai). A partir do início do século XX, o tango começou a ultrapassar fronteiras, levado por marinheiros franceses a seu país natal. Paris se apaixonou pelo tango, o que fez muitos artistas argentinos e uruguaios viajarem e até se radicarem na “cidade-luz”. Este “Em ritmo de tango”, que hoje oferecemos, foi lançado pela Philips em 1960, e a execução fica por conta do acordeonista Gaúcho, sobre o qual, infelizmente, pouco se sabe. Ele é (ou era) gaúcho mesmo, batizado com o nome de Auro Pedro Tomaz, e nascido na cidade de Santo Ângelo. Seu primeiro instrumento foi o banjo, então na moda, que tocava no conjunto orquestral de seu pai, o Jazz Elite, em 1942. Mais tarde, transferiu-se para a capital do estado, Porto Alegre, e ficou três anos na Rádio Gaúcha, atuando no conjunto de Paraná e na orquestra típica da emissora. Aperfeiçoando sua técnica no acordeom, do qual seria autêntico virtuose, logo que ingressou na Aeronáutica, foi nomeado sargento-músico, depois mudando-se para a capital pernambucana, Recife, onde tomou parte nos festejos de inauguração da Rádio Tamandaré, como chefe do conjunto dançante. De lá, foi para a Rádio Jornal do Commercio, criando uma orquestra de danças, e seu acordeom é inclusive ouvido nos primeiros discos de Jackson do Pandeiro, lançados pela Copacabana entre 1953 e 1955. Em 1955, Gaúcho desliga-se da Aeronáutica e muda-se para o Rio de Janeiro, ingressando na lendária PRE-8, Rádio Nacional, então “a estação das multidões”. Atuou ainda nos conjuntos do violonista Djalma de Andrade, o Bola Sete (com quem excursionou pelo Chile, Peru e Argentina), e do flautista e maestro Copinha. Participou ainda da terceira formação do Trio Surdina, com o violinista Al Quincas e violonista Nestor Campos, e teve orquestra própria, que tocava no Dancing Avenida. Neste “Em ritmo de tango”, produzido por um verdadeiro “cobra”, Luiz Bittencourt, Gaúcho sola seu acordeom à frente de um trio formado por Hugo (bateria), Malaguti (contrabaixo) e o conceituadíssimo Zé Menezes (guitarra). São dezesseis tangos de sucesso internacional, com arranjos do próprio Gaúcho, em oito faixas, duas para cada música. Entre eles, obras-primas como “Jalousie”, “Sueño azul”, “Senhora fortuna” e “Amado mio”, integrando um repertório de muito bom gosto e sensibilidade. Portanto, este é mais um trabalho de qualidade que merece a postagem de hoje de nosso TM.
violino tzigano
sueno azul
orquideas ao luar
inspiration
mon couer est un violon
tango boogie
the moon was yellow
jailouise
* Texto de Samuel Machado Filho