Elza Soares – O Samba É Elza Soares (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Enfim, lá se foi 2016. Pqp, que ano feio! Fomos golpeados de todas as maneiras. Uma sequência de maus momentos que ainda insiste em se manter em 2017. Mas como diria o grande Belchior: ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro! Por aqui, no Toque Musical quem salvou o ano foi o amigo Samuca. Sem ele como colaborador, eu confesso, já teria desanimado. Aproveito para deixar aqui os meus agradecimentos, toda a atenção e empenho dedicado ao blog. Valeu, Samuel Machado Filho! Continuo contando com você em 2017. Por certo, também não posso deixar de agradecer a alguns poucos amigos cultos e ocultos que ainda visitam com frequência o nosso sítio. Obrigado pela colaboração e participação de todos. Desejo a vocês também um ótimo ano e que este seja mais musical e envolvente, pelo menos aqui no TM.
A postagem de hoje, “Elza Soares – O Samba é Elza Soares” já estava agendada desde o inicio do ano, mas por força das circunstâncias acabou ficando para o último dia. Deste álbum e desta cantora eu não preciso dizer muita coisa, todos já os conhecem bem. Temos aqui um clássico lp da Odeon, em capa sanduíche tradicional da gravadora. Elza Soares, sempre no auge do sucesso, nos apresenta uma seleção de ótimos sambas, com arranjos e orquestração do maestro Astor Silva que dá aos metais o nobre destaque. Neste álbum Elza também conta com a participação de, outro grande, o sambista e compositor Monsueto, presente em pelo menos três faixas. Um disco inegavelmente importante, que agora também faz parte de nosso acervo digital. Confiram…

eu e o rio
vedete certinha
teleco teco
bom mesmo é estar bem
fez bobagem
amor de mentira
na base do bilhetinho
cantiga do morro
acho que sim
ziriguidum
vou sonhar pra você ver
reconciliação

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Daltony – Bate Boca (1981)

Boa noite, amiguinhos cultos e ocultos! Falta pouco para ficarmos livre de vez deste 2016. Êta anozinho ingrato, cheio de mortes, de golpes, de coisas ruins… Por certo que não ficamos só na merda, afinal sofrimento tem limite. Tivemos sim bons momentos para compensar a tristeza. Entre as coisas boas, embora ninguém mais ligue, é o Toque Musical. Fiel ao seu propósito, um blog já tradicional. E é para manter o status que a gente falha mas não falta. Sempre presente trazendo os mais diferentes toques musicais.
Hoje, vamos com o Daltony. Artista já apresentando aqui por duas vezes, no compacto de 1982 e no lp “Cirose”, de 83. Agora ele volta em seu lp de estréia, “Bate boca”, lançado pela RCA, em 1981. Neste álbum, totalmente autoral ele conta com os arranjos e regência de Antonio Adolfo. Um trabalho muito bom de um artista que infelizmente poucos conhecem. Por isso, vale a pena ouví-lo com toda atenção.

os amigos do alheio
pra não se afastar
meu produtor
três amores
ligue
tempo
deda
bate boca
precisar de ti
classificados
primeira dança
nós o cantores

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Galo Preto (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para aqueles que não assistiram a Missa do Galo, não fiquem desolados. Para quem, como eu, não viu o Galão ser campeão, também não se desesperem. Ainda há tempo para um outro galo, o grupo de chorinho “Galo Preto”. Formado nos anos 70, o Galo Preto é um dos mais importantes grupos de choro do país. Em franca atividade ainda hoje, eles já tocaram e gravaram com uma infinidade de bons artistas. Já se apresentaram em diversos países, sempre com muto sucesso.
Neste lp, produção independente, lançada em 1981, o grupo seleciona um repertório com músicas até então inéditas de diversos autores. Confiram em detalhes, a contracapa traz toda a informação sobre essa produção. Para os amantes da boa música instrumental e do choro este lp é imperdível. Confiram…

meu tempo de garoto
choro ligado
eventualmente
gracioso
um presente pro titio
marceneiro paulo
amarelinho
deixa falar
rabo de galo
valsa n.2
vocês me deixam ali e seguem de carro
flor do mato

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Zimbo Trio – Strings and Brass Plays the Hits (1971)

Olá, amigos cultos e ocultos! Espero que tenham gostado de nossa mostra voltada aos festivais. Tivemos aqui um leque bem variado, com festivais de três décadas diferentes e sempre bem apresentados pelo nosso amigo culto Samuca.
Fugindo do tradicional, este ano não tivemos postagens natalinas. Acho que já esgotamos os discos ligados ao tema. Por essa e muito mais por outras, nosso Natal vai ser ao som do grande Zimbo Trio. Acho que este disco cai como uma luva, não apenas pelo seu conteúdo musical, mas também pela capa vermelha, que bem simboliza o Papai Noel.
Temos aqui mais uma belíssima pérola do Zimbo Trio, acompanhado de cordas e metais, numa sessão de ‘hits’ nacionais e internacionais. Um repertório misto e bem peneirado que agrada em cheio, antes ou depois da ceia.
Feliz Natal a todos os amigos cultos e ocultos!

madalena
bridge ove troubled water
falei e disse
agora
i’ll be there
apesar de você
na tonga da mironga do kaburetê
primavera (vai chuva)
close to you
carimbó
pulo pulo
fechado para balanço
para lennon e mccartney

O Melhor De O Brasil Canta No Rio (1968)

Encerrando de vez sua retrospectiva dedicada aos festivais, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados , mais um álbum (o oficial já foi postado anteriormente) referente ao certame promovido em 1968 (“o ano que não terminou”) pela extinta TV Excelsior, canal 2, do Rio de Janeiro, oficialmente denominado “O Brasil canta no Rio”, mas também conhecido como III Festival Nacional de Música Popular.  Criado, organizado e realizado por Adonis Karan, o festival aconteceu simultaneamente em oito estados (e sem o apoio da Embratel, então estatal, criada três anos antes):  Rio de Janeiro, Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo. Isso em uma época em que não havia as facilidades de comunicação de hoje (satélites, internet, redes sociais, etc.). Em cada um deles, houve quatro eliminatórias e uma final regional, cada um classificando cinco músicas. Entretanto, só três músicas classificadas em cada estado concorreram na final nacional, acontecida no ginásio Maracanãzinho (o mesmo do FIC) em 27 de julho de 1968. A música vencedora foi “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, interpretada por Taiguara. O curioso é que neste álbum que hoje oferecemos, lançado pela CBS, a Sony Music de hoje,  quatro das primeiras colocadas no festival (“Modinha”, “Paixão segundo o amor”, “Fala moço” e “Você passa, eu acho graça”) nem sequer aparecem. Como seus intérpretes pertenciam a outras gravadoras, a empresa  decidiu oferecer o que tinha, literalmente à mão, apresentando neste disco doze concorrentes do festival da Excelsior, representando seis dos oito estados participantes (Minas Gerais e Paraná ficaram de fora), ficando a produção por conta de Hélcio Milito, então baterista e percussionista do Tamba Trio. Destas, seis participaram da final do certame: “Peccata mundi” (com Cynara e Cybele, ex-integrantes do Quarteto em Cy), “A vez e a voz da paz” (que abre o disco, na voz de Eduardo Conde, sendo que foi originalmente defendida por Taiguara), “Ciranda do amor” (aqui com seu autor, Roberto Lima), “Ultimatum” (a vice-campeã, de autoria dos irmãos Valle, originalmente defendida por Maria Odete com o grupo Momentoquatro, e aqui com a então estreante Glória), “O gaúcho” (na voz do autor, Raul Ellwanger) e “Retirada” (com Rose Valentim, curiosamente de autoria do maestro Eduardo Lages, futuro arranjador de Roberto Carlos em discos e shows). Completam o trabalho outras seis músicas: “Litoral”, dos estreantes Toninho Horta e Ronaldo Bastos, com a também estreante Gilda Horta, por certo irmã de Toninho (que já participara do festival de Juiz de Fora, acontecido pouco antes), “Sem assunto”, de Sidney Miller (vencedora do mesmo festival de Juiz de Fora), com Cynara e Cybele, que ainda interpretam “O jornal”, da dupla Chico Anysio-Arnaud Rodrigues (criadores, mais tarde, do “grupo” Baiano e os Novos Caetanos) e“Bloco do eu sozinho”, dos irmãos Valle,“Homem  do meu mundo”, também dos irmãos Valle e igualmente apresentada antes no festival de Juiz de Fora, com Eduardo Conde, e “Berenice”, com outra estreante de então, Vânia.  Tudo isso num verdadeiro álbum-documento, com o qual o TM encerra com chave de ouro sua retrospectiva dedicada aos festivais da MPB. Esperamos que vocês tenham gostado e apreciado, e desejamos-lhes um fim-de-ano cheio de alegria, e um ano novo repleto de realizações positivas e proveitosas!

a vez e a voz da paz – eduardo conde
ciranda do amor – roberto lima
litiral – gilda horta
sem assunto – cynara e cybele
retirada – rose valentim
homem do meu mundo – eduardo conde
peccata mundi – cynara e cybele
ultimatum – glória
berenice – vania
o jornal – cynara e cybele
o gaúcho – raul ellwanger
bloco do eu sozinho – cynara e cybele

*Texto de Samuel Machado Filho

I Festival Operário Da Música Popular Brasileira (1975)

Em sua retrospectiva “festivalesca”, o TM ofereceu anteriormente a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum documentando o festival interno de MPB promovido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1980. Pois bem: hoje apresentamos um precioso compacto duplo, com quatro concorrentes de um outro certame de que participaram trabalhadores. Batizado de I Festival Operário da Música Popular Brasileira, aconteceu em 1975, no estado do Rio Grande do Sul, iniciando-se em 2 de agosto e terminado em 21 de setembro, visando mostrar, conforme a chamada de capa, que “a boa música nasce nas fábricas”.  E foi bancado pelo próprio governo gaúcho,na gestão de Sinval Guazelli,  com a colaboração de empresas privadas (isso numa época em que os militares ainda governavam o Brasil, e os governadores de estado também eram eleitos indiretamente). Outro detalhe é que o compacto duplo com as músicas do festival foi lançado por uma “major” do setor fonográfico, a CBS, atual Sony Music, com a participação, nos arranjos, do então já veterano Alexandre Gnattali, irmão de Radamés. Duas faixas do disco são interpretadas por Waldir Mello, o samba-canção “Teu olhar” e o samba “Nossa guerra é diferente”, de cunho pacifista. O programa deste precioso disquinho se completa com o afro-samba “Cabo da Boa Esperança”, com o coral da CBS, e “Inquinação no samba” (pregando a volta do gênero às origens), com Vítor Ferreira e o grupo Som Kapela 6. Curioso também é o texto de apresentação do disco, escrito pelo então secretário do trabalho e ação social do governo riograndense, Carlos Alberto Gomes Chiarelli, afirmando que “ao lado do desenvolvimento econômico está o oferecimento  do bem-estar social para o trabalhador, incremento do lazer e da recreação”, além do objetivo de revelar novos talentos para nossa música popular. Ao que parece, os autores e intérpretes deste disco não foram lá muito longe, além do quê não há informação sobre qual foi a música vencedora. De qualquer forma, é um precioso documento que o TM nos revela, de um tempo em que nem sequer se imaginava que o Rio Grande do Sul iria enfrentar os graves problemas financeiros por que passa atualmente, e que por certo inviabilizariam iniciativas sócio-culturais como a do Festival Operário de MPB. Confiram…

teu olhar – valdir mello
nossa guerra é diferente – valdir mello
cabo da boa esperança – coral cbs
inquinação no samba – vitor ferreira

*Texto de Samuel Machado Filho

III Festival Bancário De MPB (1980)

Em seu livro “A era dos festivais – Uma parábola”, o pesquisador Zuza Homem de Mello informa que a mesma terminou em 1972, com o sétimo e último FIC (Festival Internacional da Canção), promovido no Rio de Janeiro pela TV Globo, após o quê foram realizados outros eventos esparsos do gênero, relacionados ao final do livro. A verdade, porém, é que festivais de música jamais deixaram de existir. Há, por exemplo,  escolas e colégios que, anualmente, promovem certames internos de música. Eu mesmo sou testemunha disso, pois estudei tecnologia têxtil no SENAI, quando morava em minha São Paulo natal, e os festivais estudantis de música promovidos pela Escola “Francisco Matarazzo”  (que se mudou do Brás para o Cambuci, em 1981) sempre foram bastante animados, com torcida organizada e tudo, a plateia cantando junto as músicas etc.  É assim, por certo, nas escolas, colégios e até mesmo faculdades  que boa parte de nossos amigos cultos, ocultos e associados frequentaram em seus tempos de estudante. Afinal de contas, quem nunca teve pelo menos um pouquinho de música em suas veias? Evidentemente, até sindicatos de trabalhadores promovem festivais internos de música popular. Aqui se enquadra o álbum que o TM nos oferece hoje, lançado em 1980, documentando o III Festival Bancário de MPB, promovido pelo sindicato paulistano da categoria (e, claro, produção independente). Nessa época, com a chamada “abertura lenta e gradual” promovida pelo regime militar, já em seus estertores finais, o sindicalismo brasileiro se revitalizou, a partir das greves de metalúrgicos no ABC paulista, capitaneadas pelo então presidente do sindicato da categoria, Luiz Inácio Lula da Silva. O álbum é dedicado a um certo Nélson C. Santos, falecido em uma terça-feira de carnaval, pouco antes do término dos trabalhos de gravação do disco. E resultou de brilhante iniciativa do departamento cultural do sindicato dos bancários paulistano, que então já acreditava nas atividades artísticas como instrumento de democratização do Brasil. As doze finalistas do certame (não há informação de qual foi a música vencedora, infelizmente) revelam cantores e compositores bastante inspirados, abordando temas diversos: homenagem ao homem do campo (“Imagem sertaneja”), pacifismo (“Nunca penso em guerra”), a luta do trabalhador pela sobrevivência (“O operário”, “Choro de breque”, “Zé carregador”), corrupção (“Uma rosa de cristal”), a saudade do retirante nordestino (“Sonho de voltar”)…  Tudo isso em trabalhos muito bem acabados, dando oportunidade a membros da categoria bancária, de mostrar talento, competência e inspiração no setor musical. Este disco praticamente encerra a retrospectiva dedicada aos festivais de música pelo TM, mas certamente não é um ponto final definitivo. Afinal, festivais de música continuam e continuarão sempre a existir ao redor de nós, ainda que não recebendo divulgação pela maior parte da mídia. E ponto final é uma coisa que o canto de nosso povo nunca teve, nem vai ter.

 rosa de cristal
sonho de voltar
chor de breque
o operário
despedida de um sambista
avesso
terra do sol
pegue o por do sol
pássaro doméstico
imagem sertaneja
zé na marra
nunca penso em guerra

*Texto de Samuel Machado Filho

I Festival Universitário de MPB (1979)

E prossegue a retrospectiva “festivalesca” do nosso Toque Musical. Desta vez, oferecemos hoje a nossos mui queridos amigos cultos, ocultos e associados o álbum que documenta o I Festival Universitário de MPB, promovido em 1979 pela TV Cultura de São Paulo, emissora estatal educativa que sempre se destacou pela qualidade de sua programação mas que, infelizmente, nos últimos tempos, vem sofrendo com sucessivos cortes de verbas por parte do governo do estado, e recentemente até enfrentou uma greve de funcionários. O certame constituiu-se na primeira experiência da Cultura em matéria de festivais competitivos. Realizado no Teatro Pixinguinha, hoje SESC Consolação, teve três eliminatórias, em 30 de abril, e nos dias 7 e 14 de maio, tendo a final acontecido no dia 21 desse mês. Como vocês poderão conferir na contracapa, o júri que escolheu as finalistas era pra ninguém botar defeito, com nomes ligados à MPB (Marcus Vinícius, Alaíde Costa, Tom Zé) e à crítica musical (Maurício Kubrusly, Chico de Assis, Adones de Oliveira, Renato de Moraes…). Enfim, gente especializada na matéria. O que, de certa maneira, contribuiu para o excelente resultado do certame a nível cultural e artístico. A faixa que abre este álbum da Continental é justamente a primeira colocada: “Diversões eletrônicas”, com o paranaense Arrigo Barnabé, mais tarde importante nome de vanguarda na MPB, já pintando e bordando (ele concorreu ainda com “Infortúnio”, também presente neste disco).  Muitos anos mais tarde, Arrigo passou também a ser radialista, apresentando o programa “Supertônica”, na Rádio Cultura paulistana. A vice-campeã, “Brigando na lua”, de e com Biafra, contou com o respeitável acompanhamento do grupo Premeditando o Breque, que também marcaria época no cenário musical paulistano, conhecido apenas por Premê.  Eliana Estevão defendeu a terceira colocada, “Meu grande amor suicida”, e ainda levou o prêmio de melhor intérprete profissional.  O quarto lugar foi de “Glória”, de e com Renato Lemos (que também apresentou “Coral dos gemedores”, outra faixa do presente LP), e o quinto foi para “Boneca de pano”, interpretada por José Carlos Ramos, laureado com o prêmio de melhor intérprete amador (ele ainda defenderia “Carruagens de cristal”, que encerra o disco). Tudo isso e muito mais dá a este álbum hoje oferecido pelo TM status de autêntico documento artístico e cultural, dando chance a então novos valores que então despontavam em nosso cenário musical. Se não, confiram. É só baixar e ouvir.

diversões eletrônicas – arrigo barnabé e grupo

brigando na lua – biafra

meu grande amor suicida – eliana estevão

glória – renato lemos

boneca de pano – josé carlos ramos

a turma do cometa – a banda dos aflitos

dia a dia – celso viáfora

a malhação – irene portela

amigo – julius m castilho

infortunio – arrigo barnabé e grupo

coral dos gemedores – renato lemos

carruagem de cristal – josé carlos ramos

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Da Feira Da Vila Madalena (1980)

Originalmente denominada Vila dos Farrapos, a Vila Madalena é um bairro nobre da cidade de São Paulo, situado no subdistrito de Pinheiros. Ficou bastante conhecida por ser um reduto boêmio da capital paulista, desde o início dos anos 1970, quando estudantes de pouco dinheiro passaram a ali residir, por causa da proximidade à Universidade de São Paulo (USP) e à Pontifícia Universidade Católica (PUC).  Na Vila Madalena, concentram-se inúmeros bares e casas noturnas, e lá também fica a Escola de Samba Pérola Negra. Há também ateliês, centros de exposições artísticas, lojas de vanguarda e escolas de música e teatro. O bairro até virou telenovela, exibida pela Globo no final dos anos 1990. A associação de moradores da Vila Madalena organiza feiras para mostrar os talentos artísticos do bairro, e um festival anual, conhecido como Feira da Vila, que atrai gente de toda São Paulo, com shows e barracas de artesanato. Sua primeira edição aconteceu em 1977, na Rua Girassol, e o evento já faz parte do calendário  oficial da capital paulista. Sendo assim, o Toque Musical prossegue seu ciclo dedicado aos festivais oferecendo a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum raro. O disco põe em foco a edição de 1980 do Festival da Feira da Vila Madalena, e foi lançado em 1980 pela Continental.  No repertório, estão doze das concorrentes do certame, inclusive a vencedora, “Tem Maria”, composta e interpretada por  Jorge Matheus. A vice-campeã foi “Improviso nordestino”, de e com Celso Machado, baseada em um arranjo do clássico “Juazeiro”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.  A terceira colocada, e que por certo ficou mais conhecida, foi “Nêgo Dito” (“Meu nome é Nêgo Dito João dos Santos Silva Beleleu”…), composta e interpretada por Itamar Assumpção (Tietê, SP, 13/9/1949-São Paulo, 12/6/2003), um dos ícones da música de vanguarda paulistana. Houve ainda menção honrosa para “Cool jazz”, de Cacá Mendes, com ele e Lúcia Nagib. Merece também destaque as participações de Celito Espíndola, irmão das cantoras Tetê e Alzira Espíndola, interpretando seu “Coração solitário”, e do futuro integrante da banda de rock Titãs, Paulo Miklos, com “Desenho”, feita por ele em parceria com Arnaldo Antunes, que seria a figura de proa do grupo em seus primeiros anos. Em suma, um álbum que documenta o que foi o Festival da Feira Livre da Vila Madalena de 1980, e com o qual o TM também homenageia esse bairro que vem se destacando como importante reduto sócio-cultural da capital paulista. É só conferir.

nêgo dito – itamar assumpção

improviso nordestino – celso machado

tem maria – jorge matheus

desenho – paulo miklos

coração solitário – celito espíndola

samba daqui – ricardo villas boas

o cheiro da beterraba – os camarões

cool jazz – cacá mendes e lucia nagib

recomeço – tuim

corujas da noite – rubens dultra e silvio piesco

gabriela – conjunto nosso som

menino doido – grupo arerê

 

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Som Verde – I Festival Som Verde Da Música Sertaneja (1982)

O Toque Musical prossegue sua retrospectiva dedicada aos festivais apresentando desta vez o álbum com as doze finalistas de um certame de âmbito regional. Trata-se do I Festival Som Verde de Música Sertaneja, realizado em 1982 com promoção da Rádio Guarani Onda Rural, de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. A Guarani pertencia ao grupo Diários Associados e encerrou suas atividades por conta da venda de seus prefixos para igrejas evangélicas. Nessa mesma época, havia também o festival de música sertaneja da Rádio Record de São Paulo, que por certo motivou a Guarani a fazer algo semelhante em Minas. E com um patrocinador de prestígio: a Monark, fabricante de bicicletas, ainda hoje existente, embora sem a mesma participação de mercado que tinha na época. Além do imprescindível apoio da Secretaria de Agricultura mineira. O objetivo, conforme explica a contracapa do disco, era o de revelar novos cantores e compositores sertanejos. Foram sete eliminatórias e 84 músicas concorrentes. Doze delas foram para a final do certame, acontecida no Pavilhão de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte, que registrou um público de 25 mil pessoas presentes. E são justamente essas músicas finalistas que compõem o álbum que o TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados.  Gravado em Belo Horizonte mesmo, o disco saiu pela Continental (selo Chantecler), uma das gravadoras que mais investiam em música sertaneja na época, ao lado da extinta Copacabana. A única coisa que a contracapa não diz é qual foi a música vencedora. Como vocês perceberão, as músicas são interpretadas por duplas e trios oriundos de Minas mesmo, que certamente não ficaram conhecidos a nível nacional. Mas o esforço de ouvir este disco vale a pena, e muito, pois são trabalhos de primeiríssima qualidade, mostrando a mais autêntica música sertaneja brasileira. Um álbum que o TM oferece com a satisfação de sempre, e que será uma grata surpresa para todos que o baixarem e ouvirem. É só conferir…

meu boi carreiro –

recanto sertanejo – roninho e ronei

zé boiadeiro – caturana e flor da noite

assim é o meu sertão – os canários do sertão

carregando a minha cruz – matilde e manda brasa

cantiga do sertanejo – jaquelane e ibram

casas de barro – dudu e zezé

saudosa musa – mastro e maestro

tempo de boiadeiro –

tristeza de um carreiro – arcanjo e noé

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Da Viola – TV Tupi (1970)

Os festivais de música que assolaram o país nas décadas de 1960/70 tiveram, predominantemente, a participação de compositores urbanos, ou seja, nascidos e criados em cidades de grande porte. Um belo dia, Fernando Faro,  o “Baixo”, produtor de programas musicais que marcaram época na televisão brasileira, e então trabalhando na extinta Tupi de São Paulo, teve a feliz ideia de organizar um festival de música sertaneja (ou de inspiração sertaneja), objetivando colocar esse tipo de música no mesmo nível e importância da MPB urbana, além de despertar o interesse dos compositores dessa faixa para os ritmos ditos caipiras ou sertanejos. Foi assim que nasceu o Festival da Viola, com a devida colaboração de Magno Salerno, outro experiente membro da equipe de produção da Tupi nesses tempos, e do apresentador Geraldo Meirelles, cognominado “o marechal da música sertaneja”. O certame obteve grande repercussão na capital paulista, e a Tupi recebeu muitas cartas e telegramas cumprimentando os organizadores do festival pela iniciativa. As rádios paulistanas executaram bem as finalistas do certame, que eram até cantaroladas pelo povo nas ruas. Sendo assim, o Toque Musical prossegue sua retrospectiva “festivalesca” oferecendo hoje, a seus amigos cultos e associados, o álbum com as doze músicas apresentadas na finalíssima do Festival da Viola da extinta TV Tupi, editado em 1970 pela Copacabana, com o selo Sabiá. Pelo que pude apurar, a música que venceu o certame foi “À minha moda”, de Rolando Boldrin, o atual “Senhor Brasil”, defendida por ele em companhia da então esposa Lurdinha Pereira. Esta música, evidentemente, consta de nosso álbum de hoje, porém na interpretação de Nonô (Basílio) e Naná. O próprio Nonô, como autor, teve outras duas músicas classificadas para a final do festival: “A viola e a carabina” (que ele também canta com Naná neste disco, sendo inclusive a faixa de abertura) e “Devoção”, aqui interpretada pelos sempre afinadíssimos Titulares do Ritmo. Merece destaque também a presença, entre os intérpretes, de nomes queridos do cenário sertanejo de então, como Dino Franco e a dupla Criolo e Seresteiro. Letinho, que assina “Carro velho” em parceria com Criolo e Pedro Sabino de Oliveira, trocou mais tarde seu nome artístico, passando a ser conhecido como Ronaldo Adriano. Os Titulares do Ritmo ainda interpretam, neste álbum, “Da lua, da rua, do violão”, curiosamente assinada por Antônio Marcos, cantor de grande popularidade na época, mas que teve sua carreira destruída pelo alcoolismo, em parceria com o maestro José Briamonte. Outro ídolo popular dessa época, o cantor Paulo Sérgio, assina outras duas músicas, aqui interpretadas pelo mestre Dino Franco: “É hoje que a terra treme” (parceria com Tony Gomide) e “A boiada” (com Alcino de Freitas). Enfim, um esforço que valeu a pena, e hoje é um verdadeiro documento histórico. É também uma oportunidade, para o público de hoje, de conhecer um pouco do que se fazia nessa época em matéria de autêntica música sertaneja, que, como vocês facilmente perceberão, nada tem a ver com o estilo dito “universitário”, que tanto infesta a mídia nos dias que correm. Ê trem bão…

a viola e a carabina – nono e nana

a saudade continua – maracá, dorinho e nardeli

desafio – trio maraya

carro velho – criolo e seresteiro

é hoje que a terra treme – dino franco

da lua, da rua, do violão – titulares do ritmo

a minha moda – nono e nana

o caboclo também tem ética – altemir e altemar

devoção – titulares do ritmo

passarela – itaity e embalo 5

carreteiro da esperança – maracá, dorinho e nardeli

a boiada – dino franco

*Texto de Samuel Machado Filho

Gala 79 Apresenta: O Melhor Dos Festivais (1979)

Dando prosseguimento ao ciclo dedicado aos festivais, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma compilação de primeira lançada pela Som Livre, braço fonográfico da Rede Globo de Televisão, dentro de uma série econômica, sob o selo Gala, em 1979. O título não poderia ser outro: “O melhor dos festivais”.  Em suas doze faixas, com seleção musical feita pelo inesquecível Márcio Antonucci (da dupla Os Vips), desfilam algumas das mais antológicas páginas musicais apresentadas  nos festivais da Record e da própria Globo. Abrindo, e muito bem, este disco, temos as duas vencedoras do festival de MPB da Record em 1966: “Disparada”, na interpretação insuperável do inesquecível Jair Rodrigues, acompanhado pelo Trio Marayá (destacando-se, na percussão, a queixada de burro de Aírto Moreira), e, em seguida, “A banda”, com seu autor, Chico Buarque, defendida no certame por ele e Nara Leão. A terceira faixa, do festival da Record de 1967, é “Domingo no parque”, com Gilberto Gil acompanhado pelos Mutantes, e orquestração de Rogério Duprat. Vice-campeã do certame, foi, ao lado de “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso (não incluída aqui), uma das músicas que detonaram o movimento tropicalista, de ampla importância artística e cultural. Do FIC (Festival Internacional da Canção) de 1967 é a antológica “Travessia”, que revelou para todo o Brasil o nome de Mílton Nascimento, mais tarde um dos monstros sagrados da MPB, além de lhe dar o prêmio de melhor intérprete.  “O cantador”, originalmente defendida por Elis Regina no festival da Record, também de 67, é aqui interpretada por Maria Creuza, que se notabilizou na MPB por interpretar canções de cunho romântico. Do FIC de 1971 é “Casa no campo”, que Zé Rodrix, seu autor em parceria com Tavito, apresentou inicialmente no Festival de Juiz de Fora, Minas Gerais, vencendo o  certame. No FIC, porém, ficou apenas em nono lugar na fase nacional, mas Elis Regina, que presidia o júri do festival, apaixonou-se por “Casa no campo” e a gravou imediatamente, alcançando um dos maiores hits de sua carreira. O próprio Rodrix gravou a música duas vezes, a primeira em 1971, e a segunda em 1976, para o álbum “Soy latino-americano” (é a que está neste disco).  Terceira colocada no festival  da Record de 1967, “Roda viva” está aqui presente com quem a defendeu no certame, ou seja, o próprio Chico mais o MPB-4. Mais tarde, daria título a uma polêmica peça teatral escrita por ele mesmo. Em seguida, o primeiro grande sucesso de Beth Carvalho, “Andança”, com ela e os Golden Boys, terceira colocada na fase nacional do FIC de 1968, e que Beth manteria para sempre em seu repertório.  Do FIC de 1970 é “Universo do teu corpo”, de e com o saudoso Taiguara, uruguaio radicado no Brasil. Embora conquistando apenas o oitavo lugar na fase nacional, foi grande sucesso na época e tornou-se um clássico da MPB. A faixa seguinte é do FIC anterior, de 1969, e foi a segunda e última vez em que uma música brasileira venceu o certame também na fase internacional, conquistando o troféu Galo de Ouro: “Cantiga por Luciana”, na voz suave da grande Evinha, então assinando-se apenas Eva e iniciando triunfalmente carreira-solo, afastando-se gradativamente do Trio Esperança, que integrava junto com os irmãos Mário e Regina. Depois, volta Chico Buarque, desta vez interpretando sua “Carolina”, do FIC de 1967, terceira colocada na fase nacional, defendida por Cynara e Cybele. E encerrando com chave de ouro, e no maior alto astral, temos a agitadíssima Maria Alcina, interpretando outro grande clássico: “Fio maravilha”, de autoria de Jorge Ben (atual Ben Jor), apresentada no sétimo e último FIC promovido pela Globo, em 1972. Vencedora na fase nacional junto com “Diálogo”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, “Fio maravilha” obteve menção honrosa na internacional, ingressando entre os clássicos de nossa música popular, e é uma homenagem ao jogador Fio (João Batista de Sales), então craque do Flamengo, clube de coração de Jorge da Capadócia. Como se percebe, é uma compilação que certamente trará recordações de momentos inesquecíveis a quem viveu a época áurea dos festivais de música, e surpreenderá agradavelmente aqueles que ainda não conhecem estes antológicos sucessos. É baixar, ouvir e conferir…

disparada – jair rodrigues

a banda – chico buarque

travessia – milton nascimento

cantador – maria creuza

casa no campo – zé rodrix

roda viva – chico buarque

andança – beth carvalho e golden boys

universo no teu corpo – taiguara

cantiga por luciana – eva

carolina – chico buarque

fio maravilha – maria alcina

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 *Texto de Samuel Machado Filho

V Festival Internacional Da Canção Popular-Rio (1970)

Prosseguindo o ciclo dos festivais de música, o TM apresenta hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum com as músicas que concorreram na fase internacional do quinto FIC (Festival Internacional da Canção), promovido pela TV Globo em 1970. Lançado pela Polydor/Philips, ele já havia sido apresentado aqui anteriormente, mas agora retorna com os links devidamente repostos. A faixa de abertura é exatamente a que venceu a fase internacional, representando a Argentina: “Pedro Nadie”, com Piero, que derrotou a concorrente brasileira, “BR-3”, de Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, defendida por Tony Tornado e aqui na voz de Gerson Combo, uma vez que Tony era então do elenco da Odeon. As demais concorrentes “gringas” não ficaram lá muito conhecidas, mas o disco mesmo assim vale como documento. E vale também pela música que ficou em sexto lugar na fase nacional, mas agradou tanto que foi reapresentada no dia do encerramento do FIC: “Eu também quero mocotó”, de Jorge Ben (atual Ben Jor), defendida por Erlon Chaves com sua Banda Veneno. Na gravação ele conta com o apoio do coro SAM (Sociedade Amigos do Mocotó), que tinha mais de 40 integrantes nas apresentações ao vivo. Entretanto, ao encerrar sua apresentação, na qual estava cercado de belas mulheres, Erlon provocou o maior escândalo ao beijar uma linda loira, olhar para as câmeras e dizer que, com aquele gesto, estava beijando todas as brasileiras! Algo inadmissível  para os valores morais então vigentes, além do quê era época de ditadura militar “braba”. O resultado: Erlon Chaves saiu do Maracanãzinho algemado, e ainda proibido por 30 dias de exercer qualquer atividade artístico-musical! Nesse período, Erlon sumiu de cena e, ao retomar seu trabalho, voltou a ser apenas maestro e arranjador, até falecer, em 1974, de infarto fulminante. Enfim, o TM nos oferece hoje a alegria do reencontro, ao trazer este álbum documentando a fase internacional do FIC de 1970. Afinal, todos merecem uma segunda chance… .

argentina – pedro nadie – pero
brasil – br-3 – gerson combo & orquestra som bateau
suécia – det ljuva livet – sylvie schneider
grécia – georges is sly – marinella
bélgica – who can tell me my name – music machine
inglaterra – out of the darkness – vincent deal
the best man – rocky shahan
brasil – eu também quero mocotó – s.a.m. & banda veneno de erlon chaves
frança – et pourtant c’est vrai – michelle olivier
canadá – put it off till september – les amis
mônaco – rire ou pleurer – michele torr
itália – tu non sei piu innamorato di me – diva paoli
espanha – elizabeth – nino bravo
holanda – just be you – rita heyes
*Texto de Samuel Machado Filho

II Festival Universitário da Guanabara (1969)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo dedicado aos festivais, o TM nos oferece hoje um compacto duplo com quatro músicas que concorreram no II Festival Universitário do Rio de Janeiro (então estado da Guanabara), promovido pela TV Tupi em 1969. Ao contrário dos certames similares promovidos pelas TVs Excelsior, Record e Globo, este destinava-se exclusivamente a compositores universitários, e foi realizado pela Tupi no Rio de Janeiro e em São Paulo durante quatro anos, de 1968 e 1972. Curiosamente, não consta deste compacto da Odeon a música vencedora da edição carioca de 1969 (quando o regime militar e, por tabela, a censura,  já estavam bastante endurecidos, com a decretação do draconiano Ato Institucional número 5), “O trem”, de e com Gonzaguinha, então assinando-se Luiz Gonzaga Júnior. Em compensação, vamos encontrar aqui grandes nomes da MPB em princípio de carreira, aos quais coube a apresentação das músicas dos então jovens compositores universitários.  Abrindo o precioso disquinho, temos “Nada sei de eterno” de Sílvio da Silva Jr. e Aldir Blanc, na voz de Taiguara, incluída depois no primeiro LP do cantor-compositor, uruguaio radicado no Brasil. “Dois minutos de um novo dia”, de Ruy Maurity e José Jorge, é interpretada pelo grupo Antônio Adolfo & A Brazuca, então em evidência.  Clara Nunes, acompanhada pelo Quarteto 004, apresenta a quinta colocada, “De esquina em esquina”, de César Costa Filho e Aldir Blanc, incluída depois no terceiro LP de Clara, “A beleza que canta”. Finalizando, os sempre afinadíssimos Golden Boys, interpretando “A menina e a fonte”, de Arthur  Verocai, Paulinho Tapajós e Arnoldo Medeiros.  Enfim, é um pequeno-grande documento sonoro que enriquecerá os acervos de tantos quantos apreciem o que a MPB produziu de melhor e mais expressivo na década de 1960. É só conferir…

nada sei de eterno – taiguara
2 minutos de um novo dia – antonio adolfo & a brazuka
de esquina em esquina – clara nunes
a menina e a fonte – golden boys

*Texto de Samuel Machado Filho

III Festival Internacional Da Canção Popular Rio – As 10 Mais Internacionais (1968)

Augusto José Marzagão (Barretos, SP, 12/12/1929) foi um verdadeiro “bruxo” da comunicação, no bom sentido, é claro. Sua atribulada trajetória pessoal iniciou-se aos 22 anos, nas funções de colaborador do então prefeito de São Paulo, Jânio Quadros. Depois disso, Marzagão passou vários anos na surdina, arquitetando um empreendimento fadado a marcar presença  numa difícil etapa da vida cultural brasileira: o FIC (Festival Internacional da Canção). E tudo começou em 1965, quando ele foi contatado pela Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, a fim de organizar uma agenda de promoções e realizar um projeto de divulgação do turismo. Entre as músicas nacionais concorrentes, o FIC premiava uma delas, que se classificaria para a segunda etapa, disputando o troféu Galo de Ouro com candidatos de outros países. O certame teve sete edições no ginásio Maracanãzinho, a primeira com promoção da TV Rio, em 1966, e as demais, entre 1967 e 1972, pela Globo. Marcaram época o bordão do apresentador Hílton Gomes, “Boa sorte, maestro!”, e o “Hino do FIC”, de autoria de Erlon Chaves. Os FICs mudaram e enriqueceram  não só a MPB, mas também a própria vida inteligente do país. Vários nomes de prestígio em nossa música popular foram revelados e/ou projetados nacionalmente pelas sete edições do FIC: Mílton Nascimento, Guarabyra, Beth Carvalho, Zé Rodrix, Egberto Gismonti, a dupla Antônio Adolfo-Tibério Gaspar, Taiguara, Paulinho Tapajós e muitos outros mais. Ter aberto essa clareira privilegiada ao talento, em situação particularmente adversa, constituiu, por si só, uma realização pessoal  de projeção suficiente para abrir uma página de nossa história cultural a Augusto Marzagão. Prosseguindo o ciclo dedicado aos festivais, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum referente à terceira edição do FIC, realizada em 1968. Subintitulado ‘As 14 mais internacionais”, é, evidentemente, dedicado à fase “gringa” do evento, e foi lançado pela Philips, gravadora que também editou os três LPs que reuniram todas as concorrentes da fase nacional. E foi justamente no FIC de 68 que o Brasil ganhou pela primeira vez o Galo de Ouro, com “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, a faixa de abertura deste disco, interpretada pelas sempre afinadíssimas vozes do MPB-4 (originalmente foi defendida pela dupla Cynara e Cybele, ex-integrantes do Quarteto em Cy). Era uma espécie de “canção do exílio”, que transmitia bem o clima político da época (o co-autor, Chico Buarque, já estava exilado voluntariamente na Itália), mas o público a considerou alienante e a vaiou impiedosamente, pois preferia “Caminhando (Pra não dizer que não falei das flores)”, de Geraldo Vandré, que acabou vice-campeã e foi proibida pela censura do regime militar, sendo liberada apenas onze anos depois. As outras treze faixas, claro, apresentam músicas de vários países, que concorreram com “Sabiá” na fase internacional do certame. Entre elas uma curiosidade: a música representante da Romênia, “Le bruit des vagues”, defendida originalmente por seu co-autor, Romuald, e aqui na voz de um obscuro Ronaldo, fez bastante sucesso mais tarde numa versão em português de Flávia de Queiroz Lima, gravada por Altemar Dutra, com o nome de “Murmura o mar”. Outro destaque fica por conta da concorrente de Luxemburgo, “Jogo de futebol”, composta e interpretada por Antoine, e mais tarde regravada pelos Brazilian Bitles e pelos Fevers (note-se, na interpretação do autor, que ele canta algumas palavras em português!). E é justo também fazermos menção a Françoise Hardy, autora e intérprete da concorrente da sua França natal, “A quoi ça sert”, e ao grande Jimmy Cliff, que assina e interpreta a concorrente da sua Jamaica, “Waterfall”. Enfim, todo o disco é um documento interessante do que foi a fase internacional do FIC de 1968. Para baixar, ouvir e guardar!

brasil – sabiá
andorra – le bruit des vagues
jamaica – waterfail
estados unidos – mary
itália – non domandarti
suécia – no one can say
finlândia – ill find a place for me someday
japãp – sayonara, sayonara
canadá – this crazy world
frança – a quoi ça sert
luxemburgo – jogo de futebol
monaco – un doamance apres la fin du monde
noruega – i feel so strong
holanda – the blue bird flew away

*Texto de Samuel Machado Filho

III Festival Da Música Popular Brasileira – As Doze Finalistas (1967)

O TM prossegue sua série de álbuns dedicada a festivais de música apresentando a seus amigos cultos, ocultos e associados este curioso exemplar do gênero. O certame em foco aqui é o III Festival de MPB da TV Record, acontecido em 1967, e que ficou conhecido como “o festival da virada”, pois foi nele que Caetano Veloso e Gilberto Gil ensaiaram os primeiros passos da Tropicália, com músicas que a seguir comentaremos, e assim por diante. O lançamento deste disco ficou por conta da Chantecler, então braço fonográfico das lojas Cássio Muniz (espécie de Magazine Luiza da época, mal comparando), que colocou praticamente todo o seu cast na época para interpretar  as doze finalistas do certame (acrescidas de mais duas faixas), com arranjos a cargo de Damiano Cozzella, Willy Join, Edmundo Cortes e Jacques Sandi, este o regente em todas as faixas. E com direito até a uma foto, na capa, do antigo Teatro Paramount (então conhecido por Record Centro, e hoje Teatro Renault), onde aconteceram as eliminatórias e a final desse histórico e importantíssimo certame musical. Naquele tempo, praticamente todas as gravadoras se beneficiavam do “boom” de vendas dos discos de festivais, e não é de se estranhar que a Chantecler também fizesse o seu, com os recursos (e contratados) de que então dispunha. Se não, vejamos: logo na abertura temos a vencedora, “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, originalmente defendia por Edu com Marília Medalha e o conjunto vocal Momento Quatro, aqui interpretada em dupla por Joelma (então já sucesso nas paradas com músicas românticas) e Carlos Cézar. “Bom dia”, de Gilberto Gil e Nana Caymmi, que esta última defendeu, aqui vem com Mariana Porto de Aragão. “Roda viva”, de Chico Buarque, defendida por ele próprio no festival, é interpretada neste disco por José Augusto Sergipano (vamos chama-lo assim para não confundir com o atual, que é carioca), cujo repertório era recheado de boleros e canções românticas. “A estrada e o violeiro”, de Sidney Miller, que ele próprio apresentou junto com Nara Leão, aqui vem com a obscura Maria Helena, em dupla com Marcelo Duran. “O cantador”, de Dori Caymmi e Nélson Motta, que deu a Elis Regina o prêmio de melhor intérprete do certame, é cantada neste disco por Nalva Aguiar, então grande estrela da Jovem Guarda, que mais tarde, a exemplo de Sérgio Reis, abrigou-se entre os artistas sertanejos. “Samba de Maria”, de Frsancis Hime e Vinícius de Moraes, apresentada originalmente por Jair Rodrigues, aqui vem com a obscura Simoney.  Defendida nesse festival por Ronnie Von, a marcha-rancho “Uma dúzia de rosas” aqui vem, curiosamente, na voz de Rosa Miyake, paulista de Lins, descendente de japoneses, recém-saída da novela “Yoshiko, um poema de amor”, da extinta Tupi, onde fez o papel principal. Rosa também apresentou durante anos o programa “Imagens do Japão”, dedicado à colônia nipônica, e exibido em várias emissoras, inclusive a Gazeta de São Paulo e a extinta Rede Mulher. O eterno e inesquecível Reginaldo Rossi foi escalado para interpretar, neste disco, “Domingo no parque”, de Gilberto Gil, uma das músicas que começou a odisseia do movimento tropicalista. A outra, “Alegria, alegria”, de Caetano Veloso, tem sua interpretação neste disco a cargo do obscuro Toni Ricardo. “Ventania ou De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando”, de Geraldo Vandré, é cantada neste álbum por Edmundo DaMatta, intérprete cujas primeiras apresentações públicas aconteceram em 1964, no programa “Hebe e simpatia”, apresentado por Hebe Camargo, por tabela sua madrinha artística, na antiga TV Paulista, futura Globo (é só o que se sabe dele). Na faixa seguinte, volta José Augusto Sergipano, para interpretar o frevo “Gabriela”, de Chico Maranhão, originalmente defendido pelo MPB-4. Cantor, apresentador de rádio e TV  e também dublador de vários personagens de desenhos animados norte-americanos, como  o gato Batatinha (da turma do Manda-Chuva) e a tartaruga Touchê, Roberto Barreiros foi escalado pela “marca do galinho madrugador” para interpretar o belo samba “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, originalmente defendido pelo “rei” Roberto Carlos. Em seguida, volta também Marcelo Duran, agora com a polêmica “Beto bom de bola”, aquela que, de tão vaiada, fez com que seu autor e intérprete, Sérgio Ricardo, quebrasse seu violão e o atirasse na plateia, fato que marcaria para sempre a carreira de Sérgio. Por fim, temos Giane, criadora de hits românticos como “Dominique”, “Angelita” e “Olhos tristes”, interpretando “Volta amanhã”, de Fernando César e Maria Brito, curiosamente também vaiada pela plateia quando defendida no festival pela já citada Hebe Camargo. Enfim, mesmo sendo um álbum apenas de “covers”, é um trabalho curioso e interessante, que permite comparar estas interpretações com as dos cantores que defenderam estas músicas nesse que, sem dúvida, foi um dos mais importantes festivais de MPB em todos os tempos. Confiram…

ponteio – joelma e carlos cezar

bom dia – mariana porto de aragão

roda viva – josé augusto

a estrada e o violeiro – maria helena e marcelo dutan

o cantador – nalva aguiar

samba de maria – simoney

uma dúzia de rosas – rosa miyake

domingo no parque – reginaldo rossi

alegria alegria – toni ricardo

de como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando – edmundo matta

gabriela – josé augusto

maria carnaval e cinzas – roberto barreiros

beto bom de bola – marcelo duran

volta amanhã – giane

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Dos Festivais (1966)

Boa tarde, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aproveitando que eu andei digitalizando alguns discos de festivais, achei por bem compartilha-los com vocês. Já encaminhei um tanto para que o nosso resenhista de plantão, o Samuca, faça aqui as devidas e sequentes apresentações. Eu, mais uma vez, vou me limitar apenas na seleção e publicação das postagens. Eventualmente, vou dando uns pitacos.
Iniciando a semana dedicada aos festivais de música, que muito sucesso faziam desde os anos 60, eu abro com este lp, lançado pelo selo Philips em 1966. Trata-se de uma coletânea, um resumo de suas produções para alguns dos festivais de música da época. Escolhi este lp para abrirmos nossa semana temática também por conta de uma contracapa cheia de informações, que me garante uma postagem imediata. Nem preciso entrar em detalhes. Me poupem… hehehe…

saveiros – elis regina
gina – wayne fontana
a banda – nara leão
ensaio geral – gilberto gil
dia das rosas – claudette soares
amor, sempre amor – f. pereira
o cavaleiro – geraldo vandré
disparada – jair rodrigues
canção de não cantar – elis regina
fran den wind – ronaldo
chorar e cantar – claudette soares
jogo de roda – elis regina
canção do negro amor – silvio aleixo

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Toquinho – A Sombra De Um Jatobá (1989)

Um cantor, compositor e violonista notável, de longa e vitoriosa carreira no cenário musical brasileiro. Assim é Antônio Pecci Filho, o Toquinho, hoje posto em foco pelo Toque Musical. Ele veio ao mundo no dia 6 de julho de 1946, em São Paulo, e ganhou da mãe o apelido que o acompanharia em toda a sua trajetória . Interessado pelo violão, começou a tomar aulas desde os primeiros anos de sua adolescência. Aprendiz de outro grande violonista, Paulinho Nogueira, acumulou conhecimento para o solo e o acompanhamento, após buscar outras influências, como as de Oscar Castro Neves, Isaías Sávio e Léo Peracchi. A partir da experiência técnica acumulada, começaram suas apresentações públicas, em colégios, faculdades e clubes. O primeiro a colocar letra em uma composição de Toquinho foi Chico Buarque, daí nascendo a música “Lua nova”. Em 1966, lança seu primeiro LP, “O violão de Toquinho”, um trabalho totalmente instrumental. Aproveitando a visibilidade da época, apresenta-se em programas musicais da televisão, inclusive os famosos festivais de MPB da antiga Record. Em 1969, compõe e grava, em dupla com Jorge Ben (depois Ben  Jor), dois grandes sucessos: “Que maravilha” e “Carolina Carol bela”. No mesmo ano, novamente ao lado de Chico Buarque, fez uma turnê pela Itália, durante a qual gravou o álbum “La vita, amico, é l’arte dell’incontro”, com poemas de Vinícius de Moraes musicados e gravados por artistas italianos como Giuseppe Ungaretti e Sergio Endrigo. Entusiasmado com a homenagem, o próprio Vinícius convidou Toquinho para uma temporada de shows na Argentina, ao lado da cantora Maria Creuza. Assim nasceu a dupla Toquinho e Vinícius, sucesso absoluto no Brasil e no exterior, tanto em discos quanto em shows, e que só terminaria em 1980, com a morte do Poetinha. Ao longo da década de 80, Toquinho continuou com grande prestígio, participando do Festival de Jazz de Montreux, Suíça, e tendo sua arte reconhecida internacionalmente. Mais de 65 álbuns gravados, cerca de 260 composições musicais (como esquecer sucessos tipo “Na boca da noite”,  “Aquarela”, “Ao que vai chegar”, “Era uma vez”, “O caderno”, “Tarde em Itapoã”, “Morena flor”, “Coisas do coração” e tantos outros?), e mais de 2.000 shows realizados no Brasil e no exterior, estão no respeitável currículo de nosso Toquinho. E dessa extensa e expressiva discografia, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, o quadragésimo-segundo LP de sua carreira, “À sombra de um jatobá”, lançado em 1989 pela RCA/BMG, atual Sony Music. Produzido pelo próprio Toquinho em parceria com Ed Wilson, também cantor e compositor, que ficou famoso no tempo da Jovem Guarda, este trabalho tem dez faixas, a maior parte  assinadas por ele próprio, sozinho ou com parceiros, instrumentadas por arranjadores conceituados, tipo Lincoln Olivetti, Jotinha e Ivan Paulo. Nele, Toquinho mescla gêneros musicais diversos, da balada ao samba rasgado, e não faltam convidados especiais, caso de Eliana Estevão (na faixa “Prêmio e castigo”) e Fagner (“Lindo e triste Brasil”). A faixa de abertura, “Linho e flanela”, é versão do próprio Toquinho para uma música do dominicano Juan Luís Guerra, de quem Fagner também verteu “Borbulhas de amor” (“Burbujas de amor”), posteriormente. O saudoso Vinícius de Moraes assina com Toquinho “Planta baixa”, originalmente lançada em 1974 pelo cantor Betinho, na trilha sonora da novela global “Fogo sobre terra”, e os parceiros de Toquinho em “Nosso amor” são o co-produtor deste disco, Ed Wilson, e Paulo Sérgio Valle. Ele ainda assina, com o irmão João Carlos, “Doce martíro”, e com Mutinho , sobrinho do imortal Lupicínio Rodrigues, “Canção pra Mônica”, que encerra o disco. Todo esse conjunto reafirma a qualidade do trabalho musical de Toquinho, e mostra porque ele é, ainda hoje, importantíssima referência para novos intérpretes e instrumentistas em início de carreira.

lindo e trriste brasil
nosso amor
caminhado juntos
planta baixa
a sombra de um jatobá
prêmio e castigo
doce martírio
misturando idiomas
canção pra monica
linho e flanela

*Texto de Samuel Machado Filho

Feche Os Olhos E Sinta (1989)

Para encerrar com chave de ouro a série de álbuns dedicados à Jovem Guarda, sem dúvida o primeiro movimento de massa da história da MPB, o Toque Musical oferece prazeirosamente a seus amigos cultos, ocultos e associados uma coletânea de primeira, lançada em 1989 pela EMI (gravadora incorporada anos mais tarde pela Universal Music). Intitulado “Feche os olhos e sinta”, este disco reúne 16 faixas, garimpadas nos arquivos da antiga multinacional britânica, e a seleção musical foi feita por Francisco Rodrigues. Uma coletânea, sim, mas repleta de momentos antológicos e inesquecíveis. Abrindo o disco, a antológica “Festa do Bolinha”, de Roberto & Erasmo Carlos, com o Trio Esperança.  É baseada nos personagens de quadrinhos criados em 1935 pela cartunista norte-americana Marge (Marjorie Henderson Buell) – Luluzinha, Bolinha, Aninha, etc. -, e que se tornariam entretenimento de gerações seguidas, inclusive no Brasil, onde foram publicados pelas editoras O Cruzeiro, Abril, Devil e Pixel. Lançada em compacto simples, em maio de 1965, “A festa do Bolinha” deu título, mais tarde, ao terceiro LP do Trio Esperança, marcando a infância de muitos… inclusive a minha! O grupo também bate ponto aqui com seu primeiro grande sucesso, “Filme triste (Sad movies/Make me cry)”, lançado em 1962, ainda em 78 rpm, e incluído, um ano mais tarde, no LP “Nós somos o sucesso”, o primeiro do trio. “Feche os olhos (All my loving)”, versão de um clássico dos Beatles, celebrizada por Renato e seus Blue Caps, é aqui revivida em uma regravação feita pelo ex-vocalista do grupo (e irmão de seu fundador, Renato Barros, também autor da letra brazuca), Paulo Cézar Barros, em 1977. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino aqui comparece com duas faixas imperdíveis: a primeira é “Coruja”, seu primeiro e maior sucesso, lançado em 1966 e que batizou o primeiro LP de ambos, e a divertida marcha-rancho “O ciúme”, hit de um ano mais tarde. Sérgio Reis, o “grandão”, vem aqui com seu primeiro e inesquecível sucesso, “Coração de papel”, composição dele mesmo. Lançado em fins de 1966, atravessou quase todo o ano seguinte em primeiro lugar nas paradas de sucesso: QUARENTA E TRÊS semanas! Anos mais tarde, vocês sabem, Sérgio Reis aderiu à música sertaneja, com êxitos sobre êxitos. Eduardo Araújo, outro ícone da música jovem daqueles tempos,  aqui nos apresenta outros dois hits inesquecíveis, até hoje rememorados: “Vem quente que eu estou fervendo”, parceria dele mesmo com Carlos Imperial, também gravado por Erasmo Carlos e mais tarde revivido pelo conjunto Barão Vermelho, e “O bom”, este só de Imperial,  que se tornaria um verdadeiro hino da Jovem Guarda,  e carro-chefe de Eduardo Araújo para todo o sempre. Conhecidos como “os reis dos bailes”, os Fevers nos apresentam outras duas faixas, ambas versões de Rossini Pinto, sem dúvida um especialista na matéria: “Já cansei (It’s too late)”, originalmente sucesso de Johnny Rivers, e “Vem me ajudar (Help, get me some help)”, hit em todo o mundo com o cantor holandês Tony Ronald. O inesquecível “rei da pilantragem”, Wilson Simonal, tem aqui outras duas faixas: a primeira é “Mamãe passou açúcar em mim”, de Carlos Imperial, sem dúvida um clássico na interpretação do eterno Simona. E a segunda é uma bem humorada versão dele para “Se você pensa”, de Roberto & Erasmo Carlos, com aquele toque pessoal que só ele sabia dar. A versão “Escândalo em família (Shame and scandal in the family)”, celebrizada por Renato e seus Blue Caps em 1965, vem aqui numa regravação de 1976, a cargo do grupo Década Romântica, que, como vocês perceberão pelo timbre vocal de seus integrantes, eram, na verdade, os Golden Boys! E eles aparecem em outras três faixas, todas clássicos imperdíveis: “Alguém na multidão”, do já citado Rossini Pinto, que seria o carro-chefe do grupo para sempre,  a “bítlica”“Michelle”, e “Pensando nela (Bus stop)”, hit originalmente do grupo britânico The Hollies, ambas também abrasileiradas por Rossini. Enfim, um disco que irá, por certo, proporcionar momentos de feliz reminiscência a todos aqueles que têm, carinhosamente em suas memórias, estes inesquecíveis sucessos, e também mostrar para as gerações atuais, um pouco do que foi este movimento musical bastante expressivo que foi a Jovem Guarda.  Uma festa de arromba pra ninguém botar defeito!

a festa do bolinha – trio esperança

feche os olhos e sinta – paulo cezar

coruja – deny e dino

coração de papel – sérgio reis

pensando nela – golden boys

vem quente que eu estou fervendo – eduardo araújo

já cansei – the fevers

mamãe passou açucar em mim – wilson simonal

o bom – eduardo araújo

filme triste – trio esperança

o ciúme – deny e dino

escândalo em família – década romântica

alguém na multidão – golden boys

se você pensa – wilson simonal

vem me ajudar – the fevers

michelle – golden boys e the fevers

*Texto de Samuel Machado Filho

Golden Boys – Alguém na Multidão (1966)

No último sábado, 26 de novembro de 2016, a música popular brasileira sofreu mais uma perda irreparável. Roberto Corrêa, integrante dos Golden Boys, conjunto vocal de grande sucesso na Jovem Guarda, e de longa e vitoriosa trajetória, faleceu aos 76 anos, vítima de um câncer contra o qual lutava há tempos, em seu Rio de Janeiro natal. Formado por três irmãos (Roberto, Ronaldo e Renato Corrêa) e um primo (Waldir da Anunciação, falecido em 2004), o grupo iniciou carreira com seus membros ainda adolescentes (os irmãos mais jovens, Eva, Mário e Regina, formariam depois o Trio Esperança). O primeiro disco dos nossos “garotos de ouro”, em 78 rpm, foi lançado pela Copacabana em setembro de 1958, com as músicas “Wake up, little Susie” (então sucesso da dupla norte-americana Everly Brothers, de autoria do casal Boudleaux e Felice Bryant) e “Meu romance com Laura”, calipso de Jayro Aguiar que logo alcançou sucesso. Apresentaram-se em programas de rádio e televisão sempre com destaque, e gravaram inúmeros discos, entre LPs e compactos. Além disso, no final dos anos 1960 e início dos 70, participaram de vários álbuns de artistas da MPB e do rock brazuca, que futuramente se tornariam cults e objetos de desejo de inúmeros colecionadores, como “Carlos, Erasmo”, de Erasmo Carlos, “A matança do porco”, do Som Imaginário, e também em trabalhos de Marcos Valle. Muitos foram os hits dos Golden Boys, entre eles: “Erva venenosa”,  “Ai de mim”, “Toque balanço, moço”, “Pensando nela”, “Andança” (junto com Beth Carvalho), “História em quadrinhos”, “Agora é tarde”, “Fumacê”, “O cabeção”, “Perambulando”, “Minha empregada”,  “Sou tricampeão”, “Só vou criar galinha”… Além dos presentes no álbum que comentaremos a seguir. Como compositores, Ronaldo, Roberto e Renato fizeram várias músicas de sucesso. Basta citar, por exemplo, “É papo firme”, de Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves, êxito em 1966 na voz do “rei” Roberto Carlos. Ou ainda “Foi assim’ (“Eu vi você passar por mim”…), de autoria de Renato e Ronaldo, marcante sucesso de Wanderléa em 1967. Ela também gravou, do agora falecido Roberto, “Eu já nem sei” e “Te amo”, outros de seus hits. Em homenagem póstuma a Roberto Corrêa, o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, um dos melhores álbuns dos Golden Boys, e sem dúvida um título essencial quando se fala em Jovem Guarda. É o antológico “Alguém na multidão”, que a Odeon lançou em plena fervura do movimento, em junho de 1966. Devidamente acompanhados pelos Fevers, e com arranjos do maestro Peruzzi, nossos “garotos de ouro” dão verdadeiros shows de interpretação em suas doze faixas. Muitas delas foram sucessos inesquecíveis, a começar pela faixa-título, de autoria de Rossini Pinto, lançada pela primeira vez em compacto simples, em novembro de 1965, e que se tornaria um dos carros-chefes dos Golden Boys para sempre. As versões “Ontem (Yesterday)”, “Michelle” e “Mágoa (Heartaches)”, são outros pontos altos deste disco, todo excelente e para ser ouvido (e até dançado!) de fio a pavio. Oferecendo esta autêntica obra-prima da Jovem Guarda, um clássico em todos os sentidos, o TM homenageia com justiça o agora saudoso Roberto Corrêa e, por tabela, os Golden Boys, reconhecendo a importância que o grupo teve na história de nossa música jovem e, por extensão, da própria MPB.

se eu fosse você
ontem (yesterday)
te adoro (i need you)
tudo eu já fiz
alguém na multidão
o feiticeiro (love potion number nine)
o bobo
michelle
você me pega (woodoo woman)
só nós dois
mágoa (heartaches)
vai procurar alguém

*Texto de Samuel Machado Filho

The Gordons And Black Joe – Barra Limpa 2 (1968)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Espero que tenham gostando desta mostra de postagens voltadas para o tema Jovem Guarda. Embora todos esses discos já tenham sido postados em outros blogs, acredito que para alguns ainda seja novidade (em especial ao amigo Fares, um eterno apaixonado pela Jovem Guarda).
Para fechar a sequência, peço licença ao Samuca para que eu mesmo apresente esta próxima postagem. Temos aqui um lp lançado no final dos anos 60, provavelmente de 1968, pelo obscuro selo Op-Disc, um entre tantos que apareceram para dar voz aos artistas desconhecidos do grande público, principalmente os grupos de bailes da época. Aqui temos o conjunto The Gordons And Black Joe, um nome bem sugestivo e curioso para uma banda cujo repertório se concentra em sucessos da Jovem Guarda e versões estrangeiras. Numa consulta rápida ao Google veremos que existem muitas citações ao lp, mas todas se resumem a venda, ou coisa da qual não se tira nenhuma informação. Sobre o conjunto sabemos menos ainda, nem mesmo quem são os seus integrantes. Mesmo assim vale a pena conhecer, até por curiosidade. O que sei é que este selo Op-Disc lançou outros discos e ao que parece “Barra Limpa” seria uma série apresentando esses conjuntos. No excelente blog Sintonia Musical, do amigo Chico, foi postado não apenas este número 2, como também o primeiro, que traz outro obscuro conjunto, The Baby Players. Lá ele informa que o disco é de 67, mas tenho para mim, que a série (se é que tem mais) Barra Limpa é de 1968. Neste disco do The Gordons and Black Joe temos, por exemplo, a faixa “O ciúme”, sucesso de Deny & Dino cujo a abertura é idêntica a de “Alegria alegria”, de Caetano Veloso, lançada num festival em 1967. Certamente fora ouvida pelo The Gordons, que a usaram sem cerimônia. Também pode ser o contrário e se for, realmente o Sintonia Musical tem razão em afirmar que o disco seja de 67. Daí então, teremos os Beat Boys e Caetano Veloso plagiando o The Gordons And Black Joe. Quem será que copiou o outro? Confiram o disco e deixem aqui seus comentários, suposições e informações complementares, ok? 😉

o ciúme
faça alguma coisa pelo nosso amor
música para ver a garota passa
eu não presto mas te amo
o bom rapaz
coisinha estúpida
meu grito
esta é minha canção
nossa canção
coração de papel
a praça
pensando nela
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Roberto De Oliveria – Vivo De Saudades De Você (1970)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O álbum que o TM nos oferece hoje é mais um daqueles títulos cercados de incógnitas, dos quais a gente não consegue descobrir muita coisa a respeito de seus intérpretes. É o caso deste “Vivo de saudades de você”, lançado em 1970 pela Polydor/Philips e, ao que parece, o único LP gravado por Roberto de Oliveira. A única coisa que consegui apurar a respeito dele é que seu primeiro disco, lançado em 1969, foi um compacto simples com duas músicas vertidas para o português por Alf Soares : “Sozinho” (no original, “Comme l’habitude”, popularizada em inglês por Paul Anka e Frank Sinatra como “My way”) e “Somente a música ficou (The way it used to be)”.  Curiosamente, nenhuma delas foi incluída neste LP. Mas, pelo menos em sua ficha técnica, há uma curiosidade: o arranjador, apresentado como Pachequinho, é nada mais nada menos que o maestro Diogo Pacheco, aquele que já regeu mais de mil concertos de música erudita e ajudou a popularizá-la no Brasil! Como Pachequinho, inclusive, ele já fez arranjos para cantores do porte de Wanderley Cardoso, Ângela Maria e Agnaldo Timóteo.  Não por acaso, o livro que conta sua trajetória, escrito pelo jornalista Alfredo Sternheim, e publicado em 2010, se intitula “Um maestro para todos”…  Outro item importante deste disco fica por conta de sua produção, a cargo de Eustáquio Sena. Cantor, compositor , violonista e percussionista, ele nasceu na região do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, e trabalhou bastante tempo na Som Livre, onde, além de trilhas de novelas, produziu álbuns antológicos, como “Acabou chorare” dos Novos Baianos (1972) e “Molhado de suor”, o primeiro trabalho de Alceu Valença (1974). Também gravou discos como intérprete, sendo o melhor deles o álbum “Cauromi” (Epic/CBS, 1980). Eustáquio faleceu em abril de 2007, completamente esquecido pela mídia. Estes dois nomes, pelo menos, credenciam o álbum hoje oferecido pelo TM. Só não foi possível encontrar informações biográficas a respeito de Roberto de Oliveira. Pela seleção de repertório, percebe-se que é um disco feito para atingir a faixa mais popular de consumo, em uma corrente que ficaria mais tarde conhecida como romântico-brega (termo a princípio considerado pejorativo, mas que hoje, nunca é demais lembrar, designa música popular facilmente assimilável). O produtor, Eustáquio Sena, assina quatro faixas: “Tristeza infinita”, “Por que será?”, “Rose Rosemary” e a versão “Também sou criança”. Outra versão incluída neste disco é “O amor é tudo (Love is all)”, popularizada no original pelo cantor britânico Malcolm Roberts em um festival da canção e, em português, por Agnaldo Rayol. Curiosa é também a inclusão, em uma única faixa, de dois clássicos da MPB, apresentados em ritmo de balada romântica: “Malandrinha” e “Chuá chuá”. A dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim comparece com “Um dos dois”, Sidney Quintela vem com a faixa-título, “Vivo de saudades de você”, “Tristeza infinita” e “Por que será”, Carlos Roberto (autor de vários sucessos de Paulo Sérgio e até parceiro em alguns deles) assina a faixa de abertura, “De que vale esta grandeza?”. Ainda mais curiosa é a presença de Jair Rodrigues como compositor, assinando, em parceria com Carlos Odilon, a faixa “À procura de paz”. E olha: até que esse Roberto de Oliveira cantava muitíssimo bem, e chega até a ser uma pena que ele não tenha passado desse LP. E é também de se lamentar a ausência de informações biográficas a seu respeito. Ainda assim, o TM, dentro de sua proposta de preservação da memória musical brasileira, oferece este disco a vocês. E, se alguém tiver informações biográficas sobre Roberto de Oliveira, escreva pra nós. O email, vocês sabem, é toquelinkmusical@gmail.com. Eu e o Augusto, desde já, agradecemos…

de que vale esta grandeza

tristeza infinita

eu não a amo mais

também sou criança

malandrinha – chuá chuá

a procura da paz

rose rosemary

vivo de saudades de você

só sei te amar

porque será

um dos dois

o amor é tudo

*Texto de Samuel Machado Filho

Martinha (1969)

Mais uma grande estrela da Jovem Guarda é posta em foco pelo TM. Estamos falando de Martha Vieira Figueiredo Cunha. Ou, como ficaria para a posteridade, Martinha. Até hoje conhecida pelo apelido de “queijinho de Minas”, nossa Martinha veio ao mundo exatamente na Capital das Alterosas, Belo Horizonte, a 30 de julho de 1949. Sua mãe, Dona Ruth, era uma das “ghost-writers” da coluna “Mexericos da Candinha”, publicada durante anos na “Revista do Rádio” e, mais tarde, em “Amiga”. Filha única, desde pequena já cantarolava músicas compostas por ela mesma, e aprendeu a tocar piano aos cinco anos de idade. Em 1966, foi trazida de Minas por nada mais nada menos que Roberto Carlos, o então “rei da juventude”, passando, logicamente, a fazer parte da Jovem Guarda e a ser figurinha carimbada do programa de mesmo nome, apresentado aos domingos á tarde pela antiga TV Record de São Paulo. Um ano mais tarde, Roberto gravaria uma balada romântica que se constituiu no primeiro sucesso autoral de Martinha: “Eu daria minha vida”, um clássico relembrado até hoje,  que tem mais de cinquenta gravações ao redor do mundo! Ainda em 1967, Martinha faz sua estreia também como intérprete, lançando pela Artistas Unidos (gravadora vinculada à Record, cujos produtos eram fabricados e distribuídos pela Mocambo/Rozenblit, do Recife) um compacto simples com duas músicas de autoria própria: “Barra limpa” (homenagem ao “rei” Roberto) e “Não brinque assim”. Após mais um single, com “Eu te amo mesmo assim” e ‘Quem disse adeus agora fui eu”, Martinha lançou seu primeiro LP, também intitulado “Eu te amo mesmo assim”.  Era o início de uma carreira fulminante, com vinte álbuns gravados, sendo oito deles no exterior, e apresentações em países como EUA, Espanha (onde residiu por mais de um ano) e em toda a América Latina, inclusive participando de festivais. “Não gosto mais de você”, “Arranje outra namorada”, “Pior pra você, bem pior pra mim”, “Aqui”, “Vestido branco” , “Como antigamente”, “Eu quero a América do Sul e “Que homem é esse?”  são outros sucessos de Martinha como intérprete. Como autora, tem músicas gravadas por intérpretes como Ângela Maria, Paulo Sérgio (“Pelo amor de Deus”, que fez para ele quando era sua namorada), Moacyr Franco, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Agnaldo Rayol (“Água caliente”), Gilliard (“Pouco a pouco”), Leno e a paraguaia Perla, além de duplas sertanejas como Chitãozinho e Xororó (“Vem provar de mim”, “Queixas”), de quem, aliás, ela é grande amiga. O TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados, o terceiro LP de estúdio de Martinha. Lançado em 1969, o disco também marcou a estreia da cantora-compositora mineira na Copacabana, após o fechamento da Artistas Unidos. Além de ter, em sua produção, a respeitável assinatura de Paulo Rocco, durante anos um experiente profissional da área artístico-fonográfica, e arranjos a cargo de Antônio Porto Filho, o Portinho, Vicente Salvia e José Paulo Soares.  Na contracapa, inclusive, a própria Martinha faz um agradecimento a todos que participaram deste trabalho, e também à mãe, Dona Ruth. São onze faixas, seis delas assinadas pela própria Martinha, destacando-se “À procura de mim” e “Eu escutei o seu adeus”, também editadas em compacto simples. Temos ainda trabalhos de Antônio Marcos (“Escuta”) e do irmão Mário (“Vou deixar você”), Luiz Fabiano (“Estou arrependida”), da dupla Luiz Wagner-Tom Gomes (“Sou feliz só por te ver”) e até mesmo de Arnaud Rodrigues (“Minha canção e eu”). Um repertório essencialmente romântico, linha essa que muitos cantores vindos da Jovem Guarda passaram a seguir após o fim do movimento. Tudo isso credencia, e muito, este trabalho da notável Martinha, hoje mãe de dois filhos já adultos, e residente em uma granja na região da Grande São Paulo.  E ela continua em franca atividade, como cantora e compositora, apresentando-se em shows por todo o país e recebendo, merecidamente,  os aplausos  e a benquerença do público!

a procura de mim

eu vou

eu escutei o seu adeus

vou deixar você

cansei de conversa

escuta

tarde, muito tarde

estou arrependida

deixe

minha canção e eu

sou feliz só por ter você

*Texto de Samuel Machado Filho

The Angels – 7 Dias Na TV (1964)

Para a alegria de seus amigos cultos, ocultos e associados, o Toque Musical apresenta hoje mais um precioso álbum da pré-Jovem Guarda. E gravado por um conjunto de primeira: The Angels, mais tarde The Youngsters. O grupo , originário do Rio de Janeiro, era formado por Carlos Becker (vocal e guitarra-base), Carlos Roberto (guitarra-solo), Sérgio Becker (sax-tenor e barítono), Jonas (baixo) e Romir (bateria), todos residentes na Zona Sul, mais precisamente em Copacabana. Os Angels começaram em 1961, tocando em bares, boates e shows, e animando bailes nos clubes Monte Líbano e Caiçaras, entre outros. Em 1962, passaram a se apresentar em um programa da extinta TV Continental , canal 9, dedicado à juventude, “Encontro com os anjos”. Com o sucesso alcançado, eles passaram a acompanhar a cantora Célia Vilela, com quem mais tarde Carlos Becker se casou. Assistidos por Nazareno de Brito, então diretor artístico da gravadora Copacabana, assinaram contrato com essa marca, lançando o primeiro LP em junho de 62: “Hully gully “, logo seguido de mais dois álbuns: o que apresentamos hoje e “Happy weekend with The Angels”.  Com o nome mudado para The Youngsters, acompanharam diversos astros da Jovem Guarda, em shows e discos, entre eles o “rei” Roberto Carlos, Wanderléa, Robert Livi (argentino radicado no Brasil), Ronnie Von e Wanderley Cardoso. Lançaram pela CBS os LPs “Twist only twist” (1963), “Os fabulosos Youngsters” (1964) e alguns compactos, além de um LP sem título pela Polydor/Philips, em 1969. Participaram ainda das trilhas sonoras das novelas “Véu de noiva” (1969) e “Pigmalião 70” (1970), ambas da TV Globo. Da discografia dos Angels, depois Youngsters, o TM nos oferece o segundo álbum de estúdio da banda: “Sete dias na TV”, mesmo nome de uma revista sobre televisão que circulava na época (por sinal escolhido em homenagem â mesma, que ainda mantinha uma seção sobre música jovem chamada “Brotolândia”),  lançado pela Copacabana em fevereiro de 1964. Aqui, o grupo nos traz vários  temas de seriados de televisão que faziam sucesso na época: “Os intocáveis”, “Bonanza”, “Dr. Kildare”, “Cidade nua”, “Maverick”, Peter Gunn”, “Rota 66”, “77 Sunset Strip” (esta pouco reprisada no Brasil) etc. E ainda o tema de “Shane” (no Brasil, “Os brutos também amam”), western clássico do cinema que, curiosamente, só virou seriado de TV em 1966, ou seja,  dois anos após a gravação do presente álbum, cujo entusiasmado texto de contracapa é de autoria justamente do mesmo Nazareno de Brito que os levou para a Copacabana. O tipo da coisa que faz a gente torcer para que tais séries estejam logo disponíveis em algum Netflix da vida… Enfim, mais um presente do TM para aqueles que jamais esqueceram a Jovem Guarda, e também para conhecimento de quem só ouviu falar desse que, sem dúvida, foi o primeiro movimento musical de massa acontecido no Brasil. Realmente, uma brasa, mora!

theme from the intoucheables

77 sunset strip

route 66

the deputy

peter gunn

shane

bonanza

riverboat theme

hawaiian eye

theme from dr. kildare

haked city theme

*Texto de Samuel Machado Filho

Rosemary (1967)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Quando se trata de uma postagem ligeirinha, pode deixar que é comigo mesmo. E esta aqui vem a calhar. Como recentemente tivemos aqui a postagem do primeiro disco da Rosemary, feita pelo Samuca, com um rico texto sobre a cantora, acho agora desnecessário qualquer outro complemento, senão apenas informações sobre este lp lançado por ela, em 1967, através do selo RCA Victor. Ao que tudo indica, este foi seu segundo lp, Entre o primeiro e o segundo tiveram também alguns compactos cujas as músicas entraria neste lp de 67. Temos uma cantora mais moderninha, seguindo os passos da Jovem Guarda e como sempre, muito romântica.

não amor
tiquinho você
não te quero mais
pode acontecer amanhã
um coração
o que tem você
feitiço de broto
nada eu seria sem você
canção desafinada
teu olhar
amor feliz
só não pode me faltar você
.

Paul Bryan – Listen Of Paul Bryan (1973)

No início dos anos 1970, a maior parte da programação das rádios brasileiras eram de canções estrangeiras. Foi a época de um grande fenômeno que então acontecia no mercado fonográfico brasileiro: artistas brasileiros fazendo grande sucesso ao compor e cantar em inglês usando pseudônimos. Era uma exigência de consumo da época, e as gravadoras, para manter os lucros em alta, embarcaram nessa onda. Pois, naturalmente, pagar direitos autorais a artistas estrangeiros dava muito mais despesa do que cantores brasileiros. Quem nunca ouviu falar, por exemplo, de Terry Winter (“Summer holiday”), Morris Albert (autor e intérprete de “Feelings”, por sinal êxito em todo o mundo), Chrystian (que mais tarde formou dupla sertaneja com o irmão Ralf, sendo que este também cantava em inglês como Don Elliott), Michael Sullivan (que mais tarde formou uma bem-sucedida dupla autoral com Paulo Massadas), Steve MacLean, Glen Michael, Paul Denver, Mark Davis (o futuro Fábio Júnior), Tony Stevens (o saudoso Jessé) e tantos outros? Tinha também os conjuntos, tipo Pholhas, Lee Jackson, Sunday, Light Reflection, Harmony Cats… E ninguém imaginava que as belas canções que compunham e cantavam, ouvidas com frequência nas rádios, “brincadeiras” dançantes , bailes e até mesmo nas telenovelas, eram feitas aqui mesmo em terras brazucas…  Eram, em sua maioria, músicos e cantores experimentados, que se apresentavam em  bares e bailes. Outros eram profissionais de estúdios de gravação. Mas praticamente todos anônimos. Em 1973, a Rede Globo exibiu com sucesso a primeira novela colorida de nossa telinha: “O bem amado”, escrita por Dias Gomes. E, em sua trilha sonora internacional, uma música chamou a atenção:  “Listen”, composta e interpretada por um certo Paul Bryan. Pois essa era a identidade secreta de outro brasileiro: Sérgio Sá. Deficiente visual, Sérgio é cearense de Fortaleza e mudou-se para São Paulo aos treze anos de idade, a fim de prosseguir seus estudos. Foi interno, por um ano, do Instituto Padre Chico, onde aprendeu a tocar piano. É também co-autor de “Don’t say goddbye”, sucesso com Chrystian. Tem, aliás, várias composições gravadas por intérpretes de prestígio, entre os quais Roberto Carlos, Antônio Marcos, Eduardo Araújo e Fábio Júnior (o ex-Mark Davis).  Após o sucesso de “Listen”, foi tecladista do grupo de rock Joelho de Porco, nele permanecendo até 1976. Em 2005, participou da novela global “América”, como entrevistado de Dudu Braga (filho de Roberto Carlos) no programa fictício “É preciso saber viver”. E é justamente o único LP que Sérgio Sá gravou como Paul Bryan que o Toque Musical está oferecendo hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. O título é Listen to Paul Bryan”, e o álbum foi lançado pela Top Tape (selo Blue Rock Records) em 1973. Além de “Listen”, que vem a ser a faixa de abertura, temos mais onze faixas, a maioria compostas pelo próprio Paul/Sérgio Sá, na mesma linha, essencialmente românticas. Evidentemente, o loiro barbudo que aparece na capa do disco não tem absolutamente nada a ver com o artista. Mas este “Listen to Paul Bryan” vale como documento de época e uma demonstração de versatilidade, talento e até mesmo superação.  E Sérgio Sá continua aí, felizmente.

listen
like a rainy night
thais
feel like i feel
window
a song for helping hand
some love
afraid of all
so long
who to bleme
why she goes away
old rock
*Texto de Samuel Machado Filho

Diana – Uma Nova Vida (1975)

Hoje, o Toque Musical põe em foco uma das cantoras mais populares da década de 1970, representante  da chamada música brega, termo que já foi extremamente pejorativo e negativo, sinônimo de cafona, mas que hoje tem um outro significado, designando música popular de fácil assimilação. Estamos falando de Ana Maria Siqueira Iório, mais conhecida como Diana. Ela é carioca de Botafogo, tendo crescido no do Leblon, e veio ao mundo no dia 2 de junho de 1954, filha de Regina Siqueira e Osvaldo Iório. Sua batalha por um lugar ao sol nos meios artístico-musicais iniciou-se em 1968, quando gravou seu primeiro disco, na Philips, um compacto simples com as músicas “Não me deixe mais” e “Confia em mim”. Um ano mais tarde, grava o segundo single, na Caravelle, interpretando “Menti pra você” e “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Nessa época, ela conheceu um outro cantor que também estava em início de carreira, Odair José, e ambos passaram a viver juntos. Em 1970, Diana é contratada pela CBS, com o objetivo de substituir Wanderléa, que tinha ido para a Philips, e seu compacto de estreia nessa gravadora (selo Epic) trouxe as músicas “Não chore, baby” e “Eu gosto dele”. Passou então a ser produzida por Raul Seixas, futuro ícone do rock brazuca, então conhecido como Raulzito. E ele compôs, em parceria com Mauro Motta, o primeiro grande sucesso de Diana, lançado em 1971: “Ainda queima a esperança” (”Meus parabéns agora/ e feliz aniversário, amor/ Estás feliz agora/ depois que tudo acabou”…). Foi o pontapé inicial para inúmeros outros sucessos, bastante executados pelas rádios AM de cunho popular (o FM ainda engatinhava no Brasil): “Por que brigamos?” (versão de um hit de Neil Diamond, “I am… I said”, regravada até mesmo por duplas sertanejas), “Canção dos namorados”, “Hoje sonhei com você”, “Estou completamente apaixonada”, “Esta noite minha vida vai mudar”, “No fundo de minha alma”, “A música da minha vida”, “Uma vez mais”, “Foi tudo culpa do amor” etc. Diana e Odair José casaram-se oficialmente em 1973, mas já nessa época os dois já viviam às turras, o que desencadeou a conturbada separação do casal, em 1975. Um ano depois, nasceu a filha de ambos, Clarice, e, entre idas e vindas, a união de Odair e Diana só terminou definitivamente em 1981. Conhecida como “a cantora apaixonada do Brasil” e “a voz que emociona”, Diana tem, em sua discografia, nove álbuns, entre LPs e CDs, e inúmeros compactos. A partir dos anos 80, afastou-se progressivamente do disco e da mídia, mas nunca deixou de fazer apresentações por todo o Brasil, continuando a receber os aplausos e o carinho do público. “Uma nova vida”, que o TM hoje nos oferece, é o quarto álbum de estúdio da nossa Diana, lançado pela Polydor/Phonogram em 1975. O  disco traz músicas que diferem substancialmente  dos trabalhos anteriores da cantora, que ainda expressavam fortes reminiscências do iê-iê-iê e da Jovem Guarda. Com a produção dos competentíssimos Jairo Pires e Tony Bizarro (que por sinal assina uma das faixas, “Se você tentasse”, aliás a primeira música soul gravada por Diana), este álbum tem arranjos muito bem elaborados, levando a assinatura de José Roberto Bertrami  (líder da banda Azymuth, que também participou dos acompanhamentos em algumas faixas) e Luiz Cláudio Ramos, que oscilam da MPB à “soul music”. Das doze faixas, sete são de autoria da própria Diana, entre elas a divertidíssima “Lero-lero” (“Vou arranjar um alguém/ que ponha você no chinelo”), por certo a música desse trabalho que mais repercutiu. Outro destaque fica por conta da faixa de abertura, “Ainda sou mais eu”, versão do clássico do reggae “I can see cleary now”, de Johnny Nash.  O curioso é que a faixa-título, “Uma nova vida”, foi composta pelo ex-marido de Diana, Odair José, e gravada originalmente por Rosemary, em 1974, mas o sucesso da música, ironicamente, só aconteceria na voz de Diana! Com essas e outras credenciais, além do impecável padrão técnico de gravação da Phonogram na época, este “Uma nova vida”, além de ser bastante representativo na carreira discográfica de uma intérprete de forte apelo popular, como Diana, é mais um grande álbum que o TM tem orgulho em oferecer, para alegria e deleite de tantos quantos apreciem o que nossa música popular tem de significativo em seu precioso legado!

ainda sou mais eu
lero lero
momentos
vem morar comigo
eu tenho razão
promessa de amor
uma nova vida
eu preciso fazer você feliz
o tempo e a distância
muito obrigada
eu amo você demais
se você tentasse (vem tentar a sorte)

*Texto de Samuel Machado Filho

George Freedman – Multiplication (1962)

O TM traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma preciosidade da fase pré-Jovem Guarda: o primeiro LP do cantor George Freedman, que mais tarde integrou-se ao movimento. Ele nasceu em Berlim, na Alemanha, em 7 de agosto de 1940, filho de pai alemão e mãe brasileira. Iniciou sua carreira no final dos anos 1950, interpretando rocks, a maior parte versões de hits internacionais do gênero. Em 1959 lançou seu primeiro disco, pela Califórnia, gravadora que pertencia ao cantor e compositor Mário Vieira, um 78 rpm interpretando “Leninha”, de sua autoria, e “Hey, little baby”, de Steve Rowlands em versão de Fred Jorge. Um ano mais tarde, em seu segundo 78, lançado pela Polydor em junho de 1960, consegue seus primeiros grandes sucessos, “O tempo e o mar” e “Olhos cor do céu (Pretty blue eyes)”. Nessa época, apresentava-se com frequência nos programas de televisão destinados ao público jovem, como o “Ritmos para a juventude”, de Antônio  Aguillar, na TV Paulista, hoje Globo, e cantava na boate Lancaster, de São Paulo, acompanhado pelo conjunto The Rebels. Entre seus maiores sucessos estão: “Adivinhão”, “O madison”, “Um grande amor”, “Tudo que sinto por você”, “Coisinha estúpida” (talvez o maior deles), “Quando me enamoro”, “Meu tipo de garota”, “Eu hei de seguir”, “Correio sentimental” e “Eu te amo, tu me amas”, esta última em dueto com Waldirene. Em 1972, George Freedman abandonou os meios musicais, passando a trabalhar no setor imobiliário. Mas, em 1995, voltou a se apresentar artisticamente, participando das comemorações dos trinta anos da Jovem Guarda, e em 2013 lançou nas redes sociais a música “Século 21”. Após sofrer cinco AVCs, o cantor passou a residir no Guarujá, litoral paulista. George Freedman tem, em sua discografia, vários compactos e apenas dois LPs. E é justamente o primeiro deles, “Multiplication”, lançado pela RGE em dezembro de 1962, que o TM está oferecendo a vocês, com a satisfação e a alegria de sempre. Muito bem apoiado por arranjos e regências do uruguaio Rúben Pérez, o Pocho, e com eficiente produção do já citado Antônio Aguillar, o cantor nos oferece  doze faixas do mais puro rock and roll daqueles tempos, seja em versões (“O jato”, “Não brinque, Sally”, “Meu carrinho”, “Um beijinho só”, “O meu anjo”, “Canção do casamento”) ou cantando na língua original (a própria faixa-título e de abertura, “Multiplication”, então hit de Bobby Darin, o clássico country “Jambalaya”, “Good luck charm”, “Town without pity”, “When the saints come twistin”). Completando o programa, um trabalho original de Baby Santiago e Nat Santos, “Lurdinha”.  Enfim, um disco bem “pra cima”, que vai agradar não só aos que viveram esse tempo como também aos que só chegaram depois. Preparem a cuba libre, tirem os móveis da sala e divirtam-se!

multiplication

não brinque sally

good luck charm

meu anjo

jambalaya

o jato

meu carrinho

um beijinho só

lurdinha

town without pity

canção do casamento

when the saints come twistin’

*Texto de Samuel Machado Filho

Rosemary – Igual A Ti Não Há Ninguém (1964)

Dando prosseguimento à série de álbuns relacionados à Jovem Guarda, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o primeiro LP de uma das mais expressivas cantoras do movimento, até hoje em atividade: Rosemary.  Com o nome de Rosemeire Gonçalves, ela veio ao mundo a 7 de dezembro de 1945, no bairro carioca de Bonsucesso. Gostava de cantar desde a mais tenra idade, e já aos oito anos participou do programa de rádio “Clube do Guri”. Atuando como amadora até os 14 anos, em 1959, adotou o nome artístico de Rosemary. Em agosto de 1961, é lançado pela Chantecler seu primeiro disco, em 78 rpm, apresentando o bolero “Fala, coração” e o samba “Também sou mulher”. O segundo disco vem um ano mais tarde, em junho de 1962, pela Continental, apresentando  os twists “Eu sei” e “Reprovada”.  Foi  justamente com a explosão da Jovem Guarda que Rosemary ficou conhecida do público, cognominada “a fada loira do iê-iê-iê”. Nessa época, gravou sucessos como “Que bom seria”, “Uma tarde no circo”, “Feitiço de broto”, “Juro por Deus”, “Eu que não vivo sem ti” e “O barco”. No cinema, apareceu cantando em filmes como “Na onda do iê-iê-iê”, “Adorável trapalhão” e “Jovens pra frente”, do qual foi inclusive a atriz principal. Com o fim da Jovem Guarda, Rosemary passou a interpretar outros gêneros musicais, com um repertório essencialmente romântico-popular, ainda que chegasse a regravar sucessos de Chiquinha Gonzaga e Cármen Miranda. São dessa fase (anos 1970/80/90) hits como “Quero ser sua”, “Joia (“Sou uma mulher, preciso ser amada”…)”, “Um caso meu”, “Solidão” e “Separação”, esta última em dueto com Amado Batista.  A partir de 1976, sua carreira nos palcos toma impulso por conta de seus shows dirigidos por Abelardo Figueiredo, como “Rose, Rose, Rosemary”, que ficou oito meses em cartaz na boate O Beco, de São Paulo.  Lá, ela também fez, em 1979, o espetáculo “Meu Brasil brasileiro”, depois apresentado na França, Alemanha, Portugal e EUA, onde Rosemary inclusive cantou para o então presidente Jimmy Carter, na Casa Branca, em Washington. Nos anos 80, apresentou shows como “Rosemary Paixão” e “Rosemary mulher”, tendo inclusive atuado em novelas como “Tititi” (primeira versão) e “Cambalacho”, ambas na TV Globo, e apresentado-se na China e no Japão.  Desde o final dos anos 70, é um dos destaques dos desfiles carnavalescos da Estação Primeira de Mangueira, sua escola de samba de coração.  Tem gravados nove álbuns, entre LPs e CDs, um DVD e inúmeros compactos, em mais de 50 anos de carreira. E é justamente o primeiro LP de Rosemary, lançado pela RCA Victor  em julho de 1964, que o TM oferece com a satisfação de sempre: “Igual a ti não há ninguém”. É um disco recheado de versões de hits internacionais, particularmente da música italiana, então desfrutando de grande prestígio no Brasil, a começar pela faixa-título e de abertura, na época sucesso de Rita Pavone (no original, “Come te non c’e nessuno”), o que vem também a ser o caso de ‘Que me importa o mundo? (Che m’importa del mondo)”, “Sempre aos domingos (La partita di pallone)”, “A dança dos brotos (Il ballo del mattone)” e “Meu coração (Cuore)”. Com direito até a um hit de Gigliola Cinquetti, “Non ho l’eta per amarti”, rebatizado como “Poema de ternura”. Nada mais natural, posto que, no Brasil dessa época, as versões faziam bem mais sucesso que os originais. O programa se completa com trabalhos de Erasmo Carlos (“O sonho de todas as moças”), dos irmãos Hélio e Dayse Justo (“Lágrimas de tristeza”, “Ninguém como você”) e até mesmo de José Messias (“O doutor do amor menino”), mais tarde polêmico jurado de televisão. Enfim, um disco que se constitui em precioso documento de época, não só do início de carreira de Rosemary, como também dos preparativos para a explosão definitiva, em 1965, do movimento Jovem Guarda. Imperdível!

igual a ti não há ninguém

lágrimas de tristeza

como sinfonia

sempre aos domingos

o sonho de todas as moças

vintee quatro mil beijos

que me importa o mundo

a dança dos brotos

ninguém como você

o doutor do amor, menino

meu coração

poema de ternura

*Texto de Samuel Machado Filho

Reino Da Juventude (1964)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Agora quem passou a ser esporádico nos textos e resenhas fui eu. Nos últimos dois meses o trabalho ficou a cargo do grande Samuca, que como sempre nos oferece um texto rico e esclarecedor. Porém, como gerente-criador desse blog, eu continuo na ativa programando os discos que iremos postar e eventualmente dando os meus pitacos.
Para a próxima semana estamos programando uma série de discos voltados a Jovem Guarda. Alguns pré, alguns pós, mas todos relacionado a esse momento. Com certeza, alguns de nossos visitantes, amigos cultos e ocultos, irão gostar.
Começando nossa mostra, eu trago o lp “Reino da Juventude”. Lp lançado pela gravadora Continental em 1964. Trata-se de um disco produzido a partir de um famoso programa homônimo da TV Record apresentado por Antonio Aguillar, um dos pioneiros da chamada ‘música jovem’, no Brasil. Ele era jornalista, fotógrafo, disc-jockey e empresário, responsável pelo lançamento de vários artistas, entre os mais famosos estão Os Incríveis, The Jet Black’s, Marcos Roberto e Sérgio Reis. Aguillar também foi o responsável pela divulgação de Roberto Carlos em São Paulo. Foi em seu programa, nas tardes de sábado, que a juventude da época começou a conhecer os artistas que mais tarde estariam fazendo parte da Jovem Guarda. O disco”Reino da juventude” reúne alguns dos mais expressivos talentos do programa, todos artistas lançados por ele. Aqui temos 12 cantores e conjuntos, sendo que alguns deles continuam na ativa por duas décadas ou mais, Entre esses temos Sérgio Reis, Os Vips e Tony Bizarro (que na época era apenas Luiz Antonio). Quem gosta e acompanha as aventuras da Jovem Guarda, certamente irá lembrar de todos. Vale a pena conferir…

reino da juventude – the flyers
canção do amor perdido – marcos roberto
eu sei – marly
todo es amor – orlando alvarado
soninha – renê dantas
o mio signore – sergio reis
i got a woman – tulio e os hitch-hikers
solo duo righe – dick damello
estamos tristes – sidnéia
pobre milionário – tony dilson
tonight – the vips
primeira estrela – luiz antonio
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