Globo De Ouro Vol. 5 (1979)

O TM oferece hoje, prazeirosamente, aos seus amigos, ocultos e associados, mais um álbum da série “Globo de ouro”, baseada no programa de mesmo nome, exibido pela Rede Globo de Televisão entre 1972 e 1990, seguindo a linha do “hit parade”, ou seja, apresentando músicas que faziam sucesso em sua época. Desta vez, é oferecido o volume 5, lançado, como sempre, pela Som Livre, braço fonográfico da emissora, em 1979. E, como vocês irão perceber, esta seleção apresenta catorze hits da época que ainda estão na memória de muitos que a viveram, interpretados, em sua maioria, pelos artistas que os consagraram, em gravações originais cedidas pelas co-irmãs da Som Livre.  A seleção musical ficou a cargo de um verdadeiro craque das montagens, Toninho Paladino, e transmite bem a época do lançamento desta compilação. Só pra começar: a faixa de abertura é “Sou rebelde (Soy rebelde)”, com Lilian (ex-parceira de Leno em famosa dupla da Jovem Guarda). Com letra em português do futuro escritor best-seller Paulo Coelho, é considerado o maior sucesso-solo da cantora. Ídolo junto às camadas mais populares, Júlio César aqui comparece com seu maior hit, “Tu (Du)”, versão de Cleide Dalto para uma canção de origem alemã, lançada em 1977 e que foi conseguindo êxito aos poucos. O inesquecível “cachorrão”, Jair Rodrigues, vem com um ótimo samba, “Gotas de veneno”. Outro ídolo das camadas populares, este também já falecido (e de forma trágica, em acidente de automóvel), Carlos Alexandre (pseudônimo de Pedro Soares Bezerra), potiguar de Nova Cruz, vem com seu maior sucesso: “Feiticeira”, que ele até interpretava como cantor mascarado no programa do Chacrinha (então transmitido pela Bandeirantes).  O conjunto Superbacana aparece com a maliciosa “Tá com medo, tabaréu? (Melô da pipa)”, cujo sucesso até desaguaria no carnaval de 1980. Francis Hime vem com a ótima “Pivete”, parceria dele próprio com Chico Buarque, em faixa extraída do álbum “Se porém fosse portanto”, da própria Som Livre. A curiosidade fica por conta do argentino Danny Cabuche, interpretando “Para esquecer”, versão em português de um sucesso seu em terras portenhas, “Que hay que hacer para olvidar?”.  Outro argentino, Palito Ortega, assina “Por muitas razões eu te quero (Por muchas razones te quiero)”, em versão de Walter José, e então sucesso absoluto nas vozes de Jane e Herondy, aqueles do “Não se vá”. Ruy Maurity, conhecido por músicas como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”,  aqui interpreta “Bananeira mangará”, regravação de um êxito da forrozeira Marinês em 1973. Outro inesquecível nome da MPB, Roberto Ribeiro, apresenta aqui um samba realmente antológico, “Todo menino é um rei” (“e eu também já fui rei”), sucesso merecido na época. Em seguida, temos o primeiro grande hit de Fábio Júnior, “Pai”, que ele apresentou pela primeira vez ainda em fins de 1978, num episódio do seriado “Ciranda, cirandinha”, também da Globo, e explodiu no início de 79, ao ser tema de abertura da novela “Pai herói”, de Janete Clair, estrelada por Tony Ramos, Paulo Autran e Glória Menezes, entre outros. Carlos Alberto de Oliveira, o Dicró, outro nome da MPB que deixou muitas saudades, interpreta aqui a maliciosíssima “Olha a rima”. Composta por Chico Buarque para sua peça teatral “Ópera do malandro”, a conhecidíssima “Folhetim” é interpretada aqui por Neuza Borges, expressiva atriz negra, catarinense de Florianópolis, e com inúmeros trabalhos de sucesso na TV e no cinema em seu currículo (no momento em que esta resenha foi elaborada, julho de 2016, ela estava no ar como a Mãe Quitéria da novela “Escrava mãe”, da TV Record). Para encerrar, a roqueira Bianca (pseudônimo de Cleide Domingos Franco), interpretando o hit que a consagrou, “Os tempos mudaram (O que me importa)”, composto por Cléo Galanth.  Enfim, esta quinta edição do “Globo de ouro” traz de volta um pouco do que foi sucesso em nossa música popular no final dos anos 1970, para recordação de muitos e conhecimento de quem só veio depois dessa época. Diversão garantida!

sou rebelde – lílian
tu – julio cesar
gotas de veneno – jair rodrigues
feiticeira – carlos alexandre
tá com medo tabaréu – conjunto super bacana
pivete – francis hime
pra esquecer – danny
por muitas razões eu te quero – jane e herondy
bananeira mangará – ruy maurity
todo menino é um rei – roberto ribeiro
pai – fábio jr
olha a rima – dicró
folhetim – neusa borges
os tempos mudaram – bianca

* Texto de Samuel Machado Filho

Milton Carlos – Inédito (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começando a semana, vamos com um disco já bem conhecido dos exploradores de sites e blogs musicais. Temos aqui o cantor e compositor paulista, Milton Carlos em seu álbum póstumo, lançado pela RCA dois anos após sua trágica morte em um acidente automobilístico. Para os que não sabem, Milton Carlos era um jovem músico, que ao lado de sua irmã Isolda, compôs diversos sucessos, interpretados por diferentes artistas, em especial o Roberto Carlos, que os credenciou como autores em sucessos como, “Amigos, amigos”, “Pelo avesso” e “Um jeito estúpido de te amar”. Foi um artista de uma carreira curta, porém deixou o seu legado em, pelo menos, quatro lps, além de diversas canções de sucesso. É curioso também notar a interpretação, a voz desse artista. Quem escuta pela primeira vez há de pensar que quem canta é a irmã, Isolda, mas a voz fina, quase feminina é mesmo do Milton Carlos. E não era falsete, ele realmente tinha uma voz infantil, cantando parecia uma mulher. Isso também foi um diferencial que ajudou o artista a se ingressar na RCA. Já havia, na época, o Ney Matogrosso no Secos & Molhados cantando assim. Acho que os produtores viram aí uma oportunidade…  Neste álbum, como o próprio título diz, temos uma seleção de inéditas. Músicas que ele gravou, mas que não chegaram a ser lançadas antes, ou outras em novas versões.

eu e a companhia
saudade do bixiga
entre seis milhões de pessoas
ana claudia
amigos, amigos
jogo de damas
dados biográficos
maria de tal
feira de artesanato
enredo
elas por elas
samba quadrado
.

Dom & Ravel (1974)

Quem viveu o final da década de 1960 e começo da de 70, os chamados “anos de chumbo” da ditadura militar, lembra-se muito bem da dupla Dom e Ravel. Seus nomes verdadeiros eram, respectivamente, Eustáquio Gomes de Faria, e Eduardo Gomes de Faria, irmãos cearenses nascidos em Itaiçaba, Eustáquio em 21 de agosto de 1944, e Eduardo em 13 de outubro de 1947. Mudaram-se ainda pequenos para São Paulo, na década de 1950, com os pais e a irmã caçula, Eva, residindo e criando-se na periferia da cidade. Eduardo foi apelidado de Ravel por um professor de música, por causa de sua aptidão para a arte. Dom e Ravel gravaram seu primeiro disco em 1969, pela RCA Victor, um compacto simples com as músicas “O som do silêncio” (versão em português para o clássico “The sound of silence”, de Simon e Garfunkel) e “Desvio mental”. Em seguida na mesma marca, outro single, com “Hey” e “O que é meu dela”. Ambos os discos foram verdadeiros fracassos de vendagem. Em contrapartida, passaram a se destacar como compositores, com músicas gravadas por intérpretes como Os Incríveis, Wanderléa, Jerry Adriani e Wanderley Cardoso. Foram Os Incríveis, inclusive, quem lançaram, em 1970, o maior e mais polêmico sucesso da dupla: a marcha-rancho “Eu te amo, meu Brasil”, que, segundo eles mesmos, foi composta para comemorar a conquista do tricampeonato mundial de futebol pelo Brasil. Esta e outras músicas ufanistas que compuseram, tais como “Só o amor constrói” e “Você também é responsável”, esta transformada pelo governo em hino do extinto Mobral, Movimento Brasileiro de Alfabetização, renderam a Dom e Ravel bastante sucesso e, por outro lado, acusações de bajuladores do regime militar. Ambos juravam por toda a vida não ser verdade. Os sobrenomes de ambos ajudaram a aumentar a confusão, fazendo acreditar que eles tinham parentesco com o brigadeiro Eduardo Gomes e o general Cordeiro de Farias, e eram filhos de militares (na verdade, o pai deles era  um pequeno comerciante paraibano e a mãe, cearense, era “do lar”, ou seja, dona-de-casa). Em 1971, Dom e Ravel lançaram seu primeiro LP, “Terra boa”, pela RCA Victor. A fim de tentarem se afastar da fama de bajuladores da ditadura militar, gravaram, em 1974, a música “Animais irracionais (Somos todos meio)”, falando de desigualdade social. Entretanto, a música não recebeu o devido apoio dos militares que então governavam o país, e acabou vetada pela censura. É justamente o segundo LP da dupla, editado pela Beverly, que traz como faixa de abertura “Animais irracionais”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Mas há também outras faixas interessantes que vocês poderão conferir, a maioria deles próprios com ou sem parceiros, tipo “O que é que você está fazendo aí, meu bem?”, “Se você me pudesse ouvir”, “Laço de boi”, “Conflito de gerações” (outro tema sempre atual). Depois deste, Dom e Ravel ainda lançariam mais dois LPs, em 1982 e 1993, e também gravaram inúmeros compactos, obtendo sucesso com “Obrigado ao homem do campo” (1978) e “Canção da fraternidade”, mais conhecida por “Cantemos juntos”, em 1979. Mais tarde, a dupla se desfez e ambos partiram para carreiras-solo. Foram eles, inclusive, quem realizaram gestões junto ao então presidente da República João Figueiredo para outorgar a concessão de uma rede de TV ao empresário e animador Sílvio Santos. Nascia o SBT e, ao mesmo tempo, terminava a dupla… Eustáquio Gomes de Faria, o Dom, faleceu em 10 de dezembro de 2000, de câncer no estômago. Ravel, porém, prosseguiu cantando solo mesmo após ter sua vista prejudicada por um acidente. Isso até também falecer, em 16 de junho de 2011, de ataque cardíaco. Mas se depender de blogs como nosso TM, eles jamais cairão no esquecimento. Portanto, aí vai o álbum de “Animais irracionais”, para apreciação de todos vocês! Divirtam-se…

animais irracionais
marinheiro
conflito de gerações
todo dia a mesma história
o que é que você está fazendo aí meu bem
se você pudesse me ouvir
laço de boi
rainha do mar
rodeiro do cruzeiro do sul
o caminhante
os astronautas

*Texto de Samuel Machado Filho

Blecaute – Don Octavio Henrique De Los Boleros (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Neste mês de aniversário, minha intenção é manter o Toque Musical como nos bons tempos, com postagens diárias e bem variadas. Não sei de depois eu vou conseguir manter o ritmo, mas tá valendo.. 😉
Hoje temos ‘Don Octávio Henrique de los Boleros”, um nome que para quem não conhece, há de passar como mais um título criado pela indústria fonográfica mexicana, aportando por aqui. Mas esse é apenas um título para um disco do cantor Blecaute. Octávio Henrique era o seu nome de batismo. No início dos anos 60, Blecaute passou a ensaiar em seu repertório alguns boleros cantados em espanhol. Seus produtores, na época, acharam interessante transformar o cantor de samba em cantor de boleros. E deram assim vazão a uma ideia que acabou colando. Produziram este lp num clima bem ‘bolerado’, com boleros autênticos e outros adaptados. Coube ao maestro Gaya todos os arranjos, que conseguiu dar ao disco uma característica bem próxima aos originais latinos. Este lp foi lançado pelo selo Polydor em 1961. Depois saiu pelo selo Philips, curiosamente com uma inversão na arte da capa. Eu acredito que este disco da Philips é o que foi lançado no mercado internacional latino americano, principalmente na Colômbia e no Peru, onde o artista chegou a fazer muito sucesso. Confiram…

ahora seremos felices
palabras de mujer
amor
toda una vida
ay de mi
eclipse
un poquito de tu amor
una mujer
maria bonita
amor y mas amor
hipocrita
una lunera
.

Hyldon (1989)

Baiano de Salvador, nascido em 17 de abril de 1951, Hyldon de Souza Silva é um dos ícones da “black music” brazuca, ao lado de Tim Maia e Cassiano. Embora nascido na capital baiana, sua família foi morar em Senhor do Bonfim, no sertão daquele estado, quase na divisa com Pernambuco, quando nosso Hyldon tinha seis meses de idade. Ali viveu até os sete anos, quando houve nova mudança da família, desta vez para o Rio de Janeiro. Na adolescência, Hyldon manifestou interesse pelo iê-iê-iê, influenciado por seu primo, Pedrinho da Luz, então guitarrista dos Fevers, chegando a montar uma outra banda, chamada Os Abelhas, com ela apresentando-se em clubes de Niterói e cidades vizinhas, e até em programas de rádio e TV. Foi quando a família decidiu voltar à Bahia natal, mas Hyldon conseguiu convencer sua mãe a deixa-lo ficar no Rio, morando junto com o primo Pedrinho. Tal relação também acabou lhe dando a oportunidade da primeira gravação, quando ele teve a chance de tocar em uma faixa do primeiro álbum dos Fevers, na ocasião em que o guitarrista e vocalista Almir Bezerra não pôde comparecer ao estúdio. Como compositor, teve músicas gravadas por cantores como Robert Livi, Jerry Adriani e Wanderley Cardoso, e começou a firmar-se como músico, participando como acompanhante em várias gravações, inclusive de nomes como Wilson Simonal e Tony Tornado. Em 1969, tocando com Os Diagonais, banda formada por Cassiano, seu irmão Amaro e Amaro, Hyldon acabou conhecendo nada mais nada menos que Tim Maia, isso no dia em que o síndico da MPB gravava sua participação em um álbum de Elis Regina.  Em 1970, ingressa como produtor na Philips/Phonogram, hoje Universal Music, a convite de Mazzola, Guti e Jairo Pires. Lá, produz vários discos de sucesso, como os de Erasmo Carlos, Diana, Wanderléa  e todos os que Odair José fez naquela companhia, inclusive tocando guitarra na polêmica “Uma vida só (Pare de tomar a pílula)”, grande sucesso de Odair, acompanhado pelo grupo Azymuth. Finalmente, em 1974, Hyldon conseguiu gravar solo pela primeira vez, obtendo sucesso em todo o Brasil com “Na rua, na chuva, na fazenda (Casinha de sapê)”, que daria título, no ano seguinte, a seu primeiro LP. Outras músicas consagradas por Hyldon foram “As dores do mundo”, “Na sombra de uma árvore”, “Acontecimento”, “Sábado e domingo” e “Velho camarada”, esta ao lado Tim Maia e Fábio Stella. Sua discografia abrange dez álbuns de estúdio, um ao vivo, e alguns compactos. Após um longo período de ostracismo, começou a ser redescoberto no final dos anos 1990, quando suas músicas são regravadas por grupos como o Kid Abelha (“Na rua, na chuva, na fazenda”) e o Jota Quest (“As dores do mundo”) e até mesmo aproveitadas em produções cinematográficas, tais como “Cidade de Deus”, “Carandiru” e “Durval Discos”. O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados este que, cronologicamente, vem a ser o sexto álbum de estúdio gravado por Hyldon. O disco foi lançado em 1989 pela Esfinge, gravadora de existência efêmera que então lançava-se em nosso mercado fonográfico.  Gravado em São Paulo e no Rio de Janeiro, e mixado em Hollywood, Estados Unidos, tem a participação do cantor norte-americano Alfonz Jones na faixa de abertura, “Pétalas vermelhas” e a curiosa parceria do futuro escritor best-seller Paulo Coelho em “Caminho de Santiago”. Aqui, Hyldon conta com uma excelente banda de apoio, com músicos do porte do baterista Ocolé, do baixista Luizão Maia, do tecladista Tutuca, dos percussionistas Chacal, Cidinho e Léo, e Paulinho Trompete e Bidinho nos sopros. Embora tenha vendido pouco na época do lançamento, este trabalho de Hyldon  tem ótima qualidade sonora, e tudo isso faz com que mereça toda a atenção de quem aprecia o que é bom em matéria de música. É só conferir…

pétalas vermelhas

coração cigano

vá embora tristeza

uma chance para nós dois

muito além da razão

o mundo fica triste sem você

o amor é como a flor

trem da madrugada

caminho de santiago

vem comigo

*Texto de Samuel Machado Filho

Via Paulista (1992)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa luta musical (quase) diária, eu hoje trago para vocês o disco Via Paulista, que é o registro fonográfico de um projeto de show idealizado e produzido pelo músico Eduardo Gudin e pelo produtor e letrista José Carlos Costa Neto, no início dos anos 90. O Via Paulista rolou por uns dois anos no teatro do Sesc Pompéia, sempre apresentando encontros memoráveis com os mais diferentes artista da época. Em 1992 foi lançado este lp com algumas das gravações feitas ao vivo, trazendo nomes como Jorge Benjor, Leila Pinheiro, Rosa Maria, André Christovam, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Ná Ozzetti, Guilherme Antes e outros. Vale a pena rever esses shows 😉

bebete vãobora – jorge benjor e g.r.a.s.r.f.s.
trem das onze – guilherme arantes
documentário – rosa maria e andré christovam
fica esse samba comigo – leila pinheiro e eduardo gudin
tudo para o paraguay – lingua de trapo e césar brunetti
trio de efeitos – ná ozzetti, luiz tatit e josé miguel wisnik
motorista de taxi – arrigo barnabé e itamar assumpção
século xx – sandra de sá e luni
crônica de um rio – guilherme arantes
tambor – leila pinheiro e eduardo gudin
reckless blues – rosa maria e andré christovam
disco – luiz tatit e josé miguel wisnik
.

Charles Da Flauta – Pinguinho De Gente (1988)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos ocultos e associados o único disco gravado por um músico de rua, flautista de talento promissor, mas que infelizmente teve sua carreira interrompida pelas drogas. Trata-se de “Pinguinho de gente”, com Charles Gonçalves, conhecido como Charles da Flauta, lançado em 1988 com o patrocínio da Eletropaulo, sob o selo Ideia Livre, e que teve distribuição comercial pela Polygram, hoje Universal Music. Charles, então na plenitude de seus catorze anos de idade, encantava as pessoas  tocando sua flauta no centro de São Paulo, aos sábados, em companhia do pai (ele perdeu a mãe muito cedo) e mais dois irmãos, também menores.  O pouco que faturavam ao fim da tarde garantia o sustento da família por toda a semana.  A convite do jornalista (e também exímio bandolinista) Luís Nassif, o produtor musical Aluizio Falcão foi conferir a versatilidade e a espantosa precocidade de Charles, que chegou a ter aulas de flauta até mesmo com o mestre Altamiro Carrilho e o maestro Júlio Medaglia. Evidentemente, eles também se encantaram com Charles, e sua agilidade surpreendente na emissão das notas e improvisos, cadência, respiração, toque sutil e bem timbrado. E daí veio o convite de Aluizio Falcão para que Charles gravasse um disco-brinde. Entretanto, como sempre acontece nesses casos, foi difícil arranjar quem bancasse a produção do álbum. Ate que o jornalista Audálio Dantas, então superintendente de comunicação da Eletropaulo, obteve o apoio decisivo do então presidente da empresa, André Yppolito. Gravado em oito dias, o disco foi logo distribuído como brinde aos clientes da Eletropaulo. E a crítica especializada logo se encantou com o então menino Charles, saudado como um novo gênio da flauta, notícia até no “Fantástico” da TV Globo! Lançado comercialmente pouco depois, o disco estourou, como previsto, e o nosso Charles teve momentos de glória: apareceu em inúmeros programas de TV, além do “Fantástico”, tocou com músicos do porte de Arthur Moreira Lima e Paulo Moura e participou de um encontro de músicos de rua na Holanda, patrocinado pela Unesco, sendo considerado “hors concours” e agraciado com uma medalha.  Até ganhou uma bolsa para estudar na Europa. Entretanto, o uso compulsivo do crack e da maconha  destruiu uma carreira que parecia promissora.  Chegou até a ser preso por ferir alguém com uma facada, mas logo foi libertado. Portanto, é de se lamentar o destino de Charles Gonçalves, um músico de rua que tinha tudo para ser, como flautista, legítimo sucessor de nomes como Patápio Silva, Pixinguinha Benedito Lacerda e Altamiro Carrilho. Felizmente, o TM nos oferece a oportunidade de apreciá-lo neste que foi (pelo menos até agora) seu único álbum, mostrando todo o seu precoce e impressionante talento de flautista virtuose em páginas imortais e inesquecíveis como  “Bem-te-vi atrevido”, “Primeiro amor”, “Apanhei-te cavaquinho”, “Ronda” e “Urubu malandro”. Enfim, é ouvir este disco e lamentar que as drogas tenham interrompido os sonhos e a carreira de um músico de rua tão talentoso quanto ele!  Entretanto, a coisa teve um final feliz: após passar por tratamentos diversos, o nosso Charles se recuperou, casou-se, tem uma filhinha, nascida em 2015, e está de novo na ativa.  É músico free-lancer e vocês podem visitar seu perfil no Facebook: Charles da Flauta Gonçalves. Uma boa sorte e muita saúde a ele, é o que nós do TM lhe desejamos!

chorinho antigo

bem te vi atrevido

pinguinho de gente

espinha de bacalhau

doce de côco

ronda

sonoroso

apanhei-te cavaquinho

lamento

primeiro amor

urubu malamdro

valsinha

*Texto de Samuel Machado Filho.

Dom – Em Todos OS Tempos (1977)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje o tempo está corrido, mas mesmo assim vamos por em dia a nossa sequência de postagens, afinal este é o mês de aniversário do Toque Musical. Para quem não sabe, não se tocou, estamos fazendo 9 anos de atividades! Não é mole não! (mas é doce e viciante como rapadura)
Tenho para hoje um disco que até bem pouco tempo eu não conhecia, exceto por uma ou duas músicas. Trata-se do disco solo de Eustáquio Souza de Faria, ou, mais conhecido como Dom, da dupla Dom & Ravel. Pelo pouco que sei, este foi seu único trabalho, sem o irmão Ravel. O lp foi lançado em 1977, numa fase em que a dupla já havia entrado em declínio. “Em todos os tempos” é um disco onde predomina o samba. Samba? Sim, o cara tinha o ‘dom’ do samba. Mas também tem uns carimbós e fecha com a melhor, a faixa ‘disco’, “Jangada’. Vale a pena conhecer. Em breve teremos a dupla Dom & Ravel aqui, apresentado pelo nosso resenhista Samuca, sempre minucioso, detalhando um pouco mais sobre a carreira dessa curiosa dupla. Aguarde…

desmoronou
tristeza e alegria
se meu santo um dia me ajudar
maria
o galo já cantou
carimbó do espinho
piu piu
carimbó de saia
areia do alto mar
jangada
.

The Marginals – Tremenda Onda (1968)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Boa noite, em especial, ao Antonio Nascimento, figura que por quase 5 anos vem me (per) seguindo, sempre enviando e-mails e perguntando se eu já achei o disco que ele queria. E qual disco era? Ah! Sim, The Marginals, em ‘Tremenda onda’. Pelo tanto que este meu amigo ficou encima, me pedindo repetidamente para achar e postar, eu imagina que fosse assim, o ‘supra-sumo’ da obscuridade fonográfica. Eis que finalmente achei o tal disco, mais lenhado que disco em vitrola de puteiro. Não fosse pela promessa/desafio, eu certamente não teria postado este disco. Não muito pela qualidade ou repertório, mas principalmente porque o bichinho tá fritando, mesmo no abafo. Quem é The Marginals? Eu diria que se trata apenas de mais um nome sugestivo para um falso conjunto, entre tantos outros, tão comuns naqueles anos 60. Uma seleção musical cheia de sucessos internacionais em versões instrumental. Produção ao estilo de selos como Coledisc, Paladium e afins…

cabelos longos, ideias curtas
i’ve got you unde my skin
monday monday
um homem uma mulher
se you in september
opus 17
sunny
black is black
down town
lamour lamour lamour
love me please love me
born free
.

Chapeuzinho Amarelo – Uma História De Chico Buarque (1981)

Em 1979, aconteceu o lançamento de um livro para crianças, escrito por Chico Buarque, ele que também concebeu peças teatrais e romances. Trata-se de “Chapeuzinho Amarelo”, nome que, evidentemente, parodia o famoso conto infantil “Chapeuzinho Vermelho”, publicado primeiramente pelo francês Charles Perrault e mais tarde pelos irmãos alemães  Jacob e Wilhelm Grimm.

“Chapeuzinho Amarelo” conta a história de uma menina com medo do medo – isto é, amarela de medo -, que transforma a fantasia dos contos em sua própria realidade, chegando ao ponto de não brincar, se divertir, se alimentar e nem mesmo dormir. Enfrentando o desconhecido Lobo, ela consegue superar seus medos e inseguranças, descobrindo assim a alegria de viver. Narrado em forma de poema, com rimas, e excelentemente ilustrado por Ziraldo, outro consagrado autor de livros infantis (“Flicts”, “O Bichinho da Maçã’, “O Menino Maluquinho”), “Chapeuzinho Amarelo” foi um grande sucesso entre as crianças e também aplaudido pela crítica, tornando-se mais um clássico do gênero, premiado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.  A obra atravessou gerações,  fazendo parte da vida e da infância de muitos que, após tornarem-se pais e mães, a leriam para seus filhos, o que acontece até hoje.

Com o sucesso literário, “Chapeuzinho Amarelo” seria mais tarde adaptado para musical de teatro, igualmente muito bem acolhido pela criançada (e pelos adultos também, por que não?).  E é justamente a trilha sonora desta adaptação que o TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. O álbum foi lançado em 1981 pela WEA (depois Warner Music), e foram escalados para esta adaptação os nomes de Zeca Ligiero, Ricardo Pavão e Chico Lá, sendo que estes últimos também participam do disco como intérpretes dessa história tão bem concebida por Chico Buarque. Completam o elenco os atores Zezé Polessa (que mais tarde atuou em novelas da extinta Manchete e também da Globo), Juliana Prado, Felipe Pinheiro, Márcio Calvão e Jana Castanheiras. Tudo com o capricho da produção de João Luiz de Albuquerque, devidamente dirigida por Augusto César Nogueira de Carvalho, o Guti, a sonoplastia de Jorge Napoleão e o suporte instrumental de Luciano Alves (teclados, arranjos e direção musical) e Charle Chalegre (bateria e percussão), além de Marize Rezende no coro. Tudo isso, no conjunto, recria a força, o vigor e a magia do texto literário de Chico, tornando o álbum uma diversão garantida para crianças e adultos. Verdadeiro show de bola!

*Texto de Samuel Machado Filho

Zé Ramalho (1978)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje eu passei o pouco tempo que tinha preparando um disco para postar. Depois de tudo pronto e até o texto da minha apresentação lacônica, percebi que já havia postado o disco. Que raiva! E aqui tudo pronto… foi então que eu me lembrei que tinha aqui, no meu arquivo de gaveta e já pronto o primeiro disco do Zé Ramalho. Embora seja um dos discos de mpb que eu mais gosto, não pensava em postá-lo aqui tão cedo. Mas as contingências acabam nos levando por caminhos inesperados. O jeito é ir curtindo esse clássico, que por certo todos conhecem. Mas vale a pena ouvir de novo. 😉

avóhai
vila do sossego
chão de giz
noite preta
a dança das borboletas
bicho de sete cabeças
adeus segunda feira cinzenta
meninas de albarã
voa voa
.

Círculo Sertanejo (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa gostosa nessa vida é presentear e ser presenteado. Não há nada melhor que a gente ganhar algo que a gente tanto queria. E mais ainda, presentear alguém com algo que ela muito quer. Foi mais ou menos algo assim que aconteceu comigo. Eu estava a digitalizar alguns discos que ganhei e entre eles havia este, um box com três lps, reunindo uma série de fonogramas, clássicos da música sertaneja, dos arquivos da gravadora Chantecler, que foi o selo que mais investiu no gênero caipira. Eu estava no momento tocando o disco na minha ‘vitrola’, talvez um pouco alto, quando de repente a campainha de casa tocou. Era o vizinho, um senho já idoso e eu logo pensei, “puxa, devo estar incomodando o velho com o barulho”. Mas qual nada. Para a minha surpresa e estranheza ele estava chorando. Ele veio até a minha porta pedir para ouvir direito o que estava tocando. Ele também gosta de discos de vinil e tem um bocado. O velho ficou alucinado quando viu essa caixa. Ele a segurava como se não fosse soltar mais, via e revia por dentro e por fora. Lia a lista de músicas, segurava como se fosse um bichinho de estimação. Sabia todas as músicas e começou a me contar suas histórias. Eu já havia acabado o trabalho de digitalização, mas ele ficou ali, querendo ouvir mais… Como meu tempo era meio curto e mais ainda, vendo a satisfação daquele homem, não tive dúvida, virei para ele disse: “olha aqui, Seu João, leva este disco com o senhor, é um presente meu para você”. O velho ficou numa satisfação que não dá para descrever. Eu também, naquela hora tive uma satisfação por oferecer a alguém um presente. Confesso que alguns dias depois eu quase me arrependi. Não por ter lhe dado os discos, mas porque agora eu sou obrigado a ouvir isso diariamente. Não se trata de ser ruim, afinal o que temos nesse box com três lp são 39 clássicos da autêntica música sertaneja, trazendo o melhor do ‘cast’ e arquivos da gravadora, com duplas famosas tipo, Mariano e Caçula, Tonico e Tinoco, Liu e Léo, Tião Carreiro e Pardinho, Cascatinha e Inhana, Pedro Bento e Zé da Estrada, Torres e Florêncio, Mandy e Sorocabinha e também, Duo Guarujá, Irmãs Castro, Nhá Barbina, Miranda, Paraguassú, Zé Messias, Teixeirinha e mais um montão de artistas. Este box foi uma produção feita exclusivamente para os assinantes do Círculo do Livro. Uma seleção com os mais consagrados artistas da música caipira, autêntica sertaneja. Taí, uma oportunidade que os amigos não devem perder. Façam como o Seu João, vai na fonte… 😉

luar do sertão – tonico e tinoco
moda da mula preta – torres e florencio
menino da porteira – tião carreiro e pardinho
barbaridade – pedro bento e zé da estrada
chuá chuá – tonico e tinoco
cabecinha no ombro – duo guarujá
saudades de matão – tonico e tinoco
cana verde – tonico e tinoco
índia – cascatinha e inhana
pingo dágua – tonico e tinoco
chalana – irmãs castro
moda da pinga – nhá barbina
festa na roça – miranda
toada de multirão – zé messias e seus parceiros
bonde camarão – mariano e caçula
casinha pequenina – paraguassú
rei do gado – tonico e tinoco
rei do café – liu e leo
canoeiro – tonico e tinoco
coração de luto – teixeirinha
maringá – tonico e tinoco
meu primeiro amor – cascatinha e inhana
tristeza do jeca – tonico e tinoco
mágoas de boiadeiro – pedro bento e zé da estrada
no braço dessa viola – torres e florêncio
sodade do tempo véio – mandy e sorocabinha
estrada da vida – milionário e josé rico
roubei uma casada – lourenço e lourival
beijinho doce – irmãs castro
rio de lágrimas – tião carreiro e pardinho
disco voador – jaço e jacozinho
saudades do japão – irmãos kurimori
malandrinho – tião carreiro
saudade da minha terra – milionário e josé rico
orgulhoso – irmãs castro
seresta – alvarenga e ranchinho
caçando e pescando – cacique e pagé
boi soberano – zé carreiro e carreirinho
luar do sertão – renato andrade

.

Orquestra América Romântica – El Cha Cha Cha (1970)

Originário de Cuba, o chá-chá-chá é considerado uma variação do mambo. “La engañadora”, do violinista Enrique Jorrin, é considerada a primeira composição desse gênero, lançada em 1951. E o chá-chá-chá foi logo popularizado através de grandes bandas e orquestras, tendo no mambo seu ascendente mais direto.  Relativamente fácil de aprender, o chá-chá-chá pode muito bem ter sido a primeira dança pop de que se tem notícia, dado o seu caráter divertido, alegre e muito dinâmico, servindo de inspiração para muitos astros musicais do passado e do presente, ecoando hoje nos “tops” da música latino-americana, onde constam nomes como o guitarrista mexicano Carlos Santana e o cantor portorriquenho Ricky Martin, ex-integrante do grupo Menudo. É justamente dedicado ao chá-chá-chá o álbum que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Lançado em 1970 perla gravadora Beverly com o selo AMC (iniciais do então proprietário da empresa. Adiel Macedo de Carvalho), faz parte de uma série denominada “Os maiores sucessos da música latino-americana”, que teve ainda títulos dedicados ao bolero, à rumba, ao tango  e ao beguine, todos com execução a cargo de uma certa Orquestra América Romântica, por certo criada na esteira dos Românticos de Cuba, da Musidisc, dos Namorados do Caribe, da RCA, e da Orquestra Serenata Tropical, da Plaza Music.  O disco não traz nenhuma informação sobre quem teriam sido os músicos e o regente de orquestra que participaram da gravação. Incógnitas à parte, porém, o fato é que  o álbum vai de encontro àqueles que apreciam o chá-chá-chá. Em suas doze faixas, mesclam-se clássicos do gênero  (“Cachito” e “El bodeguero”, popularizados no Brasil por Nat King Cole, e “Patrícia”, de Pérez Prado) e outras músicas tradicionais adaptadas para chá-chá-chá. Aqui se incluem “Night and day”, “Stardust”, o tema clássico “Pour Elise”, de Beethoven (que em certa época chegou a ser irritantemente tocado por alto-falantes de caminhões que distribuíam gás de cozinha!), “Arrivederci, Roma”, “Quizas, quizas, quizas”, “Nel blu dipinto di blu” (o famoso “Volare”), “Ojos negros” (tradicional canção folclórica russa) e, surpreendentemente, a brasileira “Mulher rendeira”, mundialmente popularizada graças ao filme “O cangaceiro”, de 1953. Tudo isso apresentado no “caliente” e irresistível ritmo do chá-chá-chá, pra dançarino nenhum botar defeito. E ahora… vamos a bailar!

cachito

mulher rendeira

nel blu, dipinto di blu

el bodeguero

pour elise

patricia

stardust

quizas quizas quizas

ojos negros

arrivederci roma

night and day

canção da índia

*Texto de Samueol Machado Filho

Noel Pela Primeira Vez – 229 Gravações De Noel Rosa Em Suas Versões Originais (2000)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro das comemorações de 9 anos do Toque Musical, eu hoje presenteio vocês com uma coleção que ganhei há mais de uma década. Um box com 7 cds duplos, lançado pela Funarte e a Editora Velas, reunindo 229 gravações originais do Poeta da Vila, o grande Noel Rosa. Este box saiu em 2000, mas ao que parece, em uma edição meio que limitada. Tanto assim que eu mesmo, na época, não consegui achar para comprar. Somente algum tempo depois ganhei de presente de uma amiga. Muitas vezes fiquei tentado a publicar esta coleção aqui no Toque Musical, mas acabei deixando que outros blogs se encarregassem da tarefa. Hoje, passado um bom tempo e já maturada, esta edição já pode ser mostrada por aqui. Podemos dizer que essa é uma coleção definitiva, que permeia toda a obra de Noel Rosa. Confiram…

CD 1:
1. Ingênua
2. Festa no Céu
3. Minha Viola
4. Com que Roupa?
5. Malandro Medroso
6. Meu Sofrer
7. Lataria
8. Eu Vou pra Vila
9. Com que Roupa?
10. Dona Aracy
11. Nega
12. A. B. Surdo
13. Por Esta Vez Passa
14. Dona Emília
15. Gago Apaixonado
16. Bom Elemento
17. Sinhá Ritinha
CD 2:
18. Agora
19. Cordiais Saudações
20. Cordiais Saudações
21. Mulata Fuzarqueira
22. Samba da Boa Vontade
23. Picilone
24. Eu Agora Fiquei Mal
25. Esquecer e Perdoar
26. O Pulo da Hora
27. Vou Te Ripar
28. Mão no Remo
29. Por Causa da Hora
30. Nunca… Jamais
31. A. E. I. O. U.
32. Já Não Posso Mais
33. Só pra Contrariar
CD 3:
1. Palpite
2. É Preciso Discutir
3. Espera Mais Um Ano
4. Pesado 13
5. Gosto, Mas Não É Muito
6. Rumba da Meia-Noite
7. Você Foi o Meu Azar
8. Você Foi o Meu Azar
9. Mentiras de Mulher
10. Felicidade
11. São Coisas Nossas
12. Mulher Indigesta
13. Tenentes do Diabo
14. Sem Tostão
15. Que Se Dane
CD 4:
16. Adeus
17. E Não Brinca Não (Não Brinca Não)
18. Tenho Um Novo Amor
19. Assim, Sim!
20. Não Me Deixam Comer
21. Fiquei Sozinha
22. Para Me Livrar do Mal
23. Nuvem Que Passou
24. A Razão dá-se a Quem Tem
25. Não Faz, Amor
26. Quem Dá Mais
27. Coração
28. Uma Jura que Fiz
29. Mulato Bamba
30. Vitória
31. Não Há Castigo
CD 5:
1. Rir
2. Escola de Malandro
3. Mentir
4. Prazer em Conhecê-lo
5. Quero Falar com Você
6. Até Amanhã
7. Ando Cismado
8. É Peso
9. Seu Jacinto
10. Quem Não Dança
11. Estamos Esperando
12. Estamos Esperando
13. Tudo que Você Diz
14. Mas Como… Outra Vez?
15. Dona do Lugar
16. Primeiro Amor
CD 6:
17. Fita Amarela
18. Qual Foi o Mal que Eu Te Fiz?
19. Fui Louco
20. Prato Fundo
21. Vai Haver Barulho no Chateaux
22. Nem com Uma Flor
23. Onde Está a Honestidade?
24. Arranjei um Fraseado
25. Pra Esquecer
26. Quando o Samba Acabou
27. Sei que Vou Perder
28. Capricho de Rapaz Solteiro
29. Contraste
30. Sorrindo Sempre
31. Isso Não se Faz
32. Deus Sabe o que Faz
33. Já Sei que Tens Um Novo Amor
CD 7:
1. Você Só… Mente
2. Feitio de Coração
3. Eu Queria Um Retratinho de Você
4. Seja Breve
5. Vejo Amanhecer
6. Vejo Amanhecer
7. Filosofia
8. Julieta
9. Quem Não Quer Sou Eu
10. Não Tem Tradução
11. Nunca Dei a Perceber
12. Não Digas
13. Positivismo
14. Devo Esquecer
CD 8:
15. Esquina da Vida
16. Meu Barracão
17. Você, por Exemplo
18. O Orvalho Vem Caindo
19. O Sol Nasceu pra Todos
20. Estrela da Manhã
21. Tenho Raiva de Quem Sabe
22. Se a Sorte Me Ajudar
23. Retiro da Saudade
24. Feitiço da Vila
25. Feitiço da Vila
26. Riso de Criança
27. Boa Viagem
CD 9:
1. Triste Cuíca
2. Cansei de Pedir
3. Amor de Parceria
4. João Ninguém
5. Conversa de Botequim
6. Não Foi Por Amor
7. Não Resta a Menor Dúvida
8. Palpite Infeliz
9. Que Baixo!
10. Pierrot Apaixonado
11. O que é que Você Fazia?
12. Este Meio Não Serve
13. Menina dos Meus Olhos
14. É Bom Parar
CD 10:
15. De Babado
16. Cem Mil Réis
17. Pela Primeira Vez
18. Dama do Cabaré
19. Cidade Mulher
20. Tarzan
21. Maria-Fumaça
22. Só Pode Ser Você
23. O X do Problema
24. Provei
25. Você Vai se Quiser
26. Quem Ri Melhor
27. Quantos Beijos
28. Eu Sei Sofrer
CD 11:
1. O Maior Castigo que Eu Te Dou
2. Último Desejo
3. O Século do Progresso
4. Pastorinhas
5. Rapaz Folgado
6. Pra que Mentir?
7. De qualquer Maneira
8. Silêncio de Um Minuto
9. Pela Décima Vez
10. Silêncio de Um Minuto
11. Três Apitos
12. Três Apitos
13. Mais Um Samba Popular
14. Remorso
15. Tipo Zero
CD 12:
16. Cor de Cinza
17. Voltaste (pro Subúrbio)
18. A Melhor do Planeta
19. Queimei Teu Retrato
20. Você É Um Colosso
21. No Baile da Flor-de-Lis
22. Suspiro
23. Balão Apagado
24. Morena Sereia
25. João Teimoso
26. Verdade Duvidosa
27. Para Atender a Pedido
28. Vai para Casa Depressa
29. Atchim!
30. Cabrocha do Rocha
31. Ao Meu Amigo Edgar
32. Disse-Me Disse
CD 13:
1. Espera mais Um Ano
2. Estátua da Paciência
3. Araruta
4. Na Bahia
5. Com Mulher Não Quero mais Nada
6. Choro
7. Feitio de Oração
8. Até Amanhã
9. Fita Amarela
10. Tudo Pelo Teu Amor
11. Cansei de Implorar
12. Boas Tenções
13. Para o Bem de Todos Nós
14. O Joaquim É Condutor
15. Perdoa este Pecador
16. Tipo Zero
17. Tudo Nos Une
18. Finaleto
19. Saí da Tua Alcova
20. Faz Três Semanas
CD 14:
21. Último Desejo
22. Fiquei Rachando Lenha
23. Feitiço da Vila
24. Deixa de Ser Convencida
25. Vou Te Ripar II
26. Dono do Meu Nariz
27. Paga-Me Esta Noite
28. Canção do Galo Capão
29. Roubou, mas Não Leva
30. Foi Ele
31. A Genoveva Não Sabe o que Diz
32. Mardade de Cabocla
33. Chuva de Vento
34. Habeas-Corpus
35. Seu Zé
36. Vagolino de Cassino
37. Faz de Conta que Eu Morri
38. Amar com Sinceridade

.

Asas Da América (1979), (1980), (1981), (1983) e (1989)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM oferece hoje a vocês os cinco primeiros álbuns do projeto Asas da América, idealizado pelo cantor e compositor Carlos Fernando, lançados entre 1979 e 1989. Nascido em Caruaru, Pernambuco, em 1938, Carlos Fernando se notabilizou por misturar o frevo à MPB, o jazz ao forró e muitas outras inovações, em 40 anos de carreira. Chegou a escrever uma peça de teatro, “A chegada de Lampião no inferno”, baseada em livro de cordel escrito por José Pacheco. A peça inspirou, posteriormente, sua primeira composição musical, “Aquela rosa”, de parceria com Geraldo Azevedo (com quem até apresentou um programa de televisão no Recife), vencedora, em 1967, da Primeira Feira Nordestina de Música Popular, defendida por Teca Calazans, dividindo o prêmio com “Chegança de fim de tarde”, de Marcus Vinícius. Morando no Rio de Janeiro, Carlos Fernando firmou-se como compositor, e teve músicas gravadas pelos maiores nomes da MPB em seu tempo, vários deles presentes nos álbuns que hoje o TM nos oferece. Concebeu trabalhos também para a televisão (“Saramandaia”, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”) e cinema (“Pátriamada”, filme dirigido por Tizuka Yamazaki). Entre seus maiores sucessos, ambos gravados por Elba Ramalho, estão “Canta, coração” e “Banho de cheiro” (este último aqui presente). Falecido em primeiro de setembro de 2013, no Recife, aos 75 anos, de câncer na próstata, Carlos Fernando recebeu, um ano mais tarde, um espaço dedicado à sua memória no Museu Memorial de Caruaru, além de uma homenagem na tradicional festa de São João do município. Sem dúvida, a série “Asas da América” foi (e ainda é) o maior legado de Carlos Fernando. Ele deu tratamento pop e futurista ao frevo, acelerando-lhe o andamento e introduzindo arranjos contemporâneos, com guitarra e teclados, fazendo o carnaval pernambucano voltar a ter uma trilha sonora contemporânea. Parcela importante da série nos é oferecida hoje pelo TM, através de seus primeiros cinco álbuns, que apresentam composições não só do próprio Carlos Fernando como também de outros autores.  Entre os intérpretes, nomes de várias tendências e gêneros da MPB: Jackson do Pandeiro, Fagner, Amelinha, Elba Ramalho, Alceu Valença, Chico Buarque, Gilberto Gil, Juarez Araújo, MPB-4, Alceu Valença, o próprio conterrâneo Geraldo Azevedo, Robertinho de Recife, As Frenéticas, Michael Sullivan, Trem da Alegria, Lulu Santos… Os dois primeiros discos foram lançados pela CBS (hoje Sony Music), selo Epic, em 1979-80, o de 1981 pela Ariola, o de 1983 pela Barclay (sucessora da Ariola, que passou a adotar esse nome após sua venda para a Polygram, hoje Universal Music) e o de 1989 pela RCA/BMG, hoje também Sony Music. É no álbum de 1983, inclusive, que está um dos maiores hits autorais de Carlos Fernando, “Banho de cheiro”, na interpretação inesquecível de Elba Ramalho, sucesso absoluto durante o carnaval de 84 e depois do mesmo, e regravada seis anos depois por Alcione em outro disco da série aqui incluído, o de 1989. Outro destaque fica por conta de “Noites olindenses”, que abre esse mesmo volume, na voz de Caetano Veloso. Nele, Zé Ramalho regrava “Frevo mulher” (sucesso na voz de sua ex-esposa, Amelinha), Moraes Moreira revive seu clássico “Festa do interior” e aparece até mesmo uma inacreditável interpretação do roqueiro Lulu Santos para “Atrás do trio elétrico”, de Caetano.  Uma quina primorosa de documentos discográfico-musicais, que representa, sem dúvida, o melhor do precioso legado de Carlos Fernando como compositor e produtor musical. E ainda viriam mais dois LPs, em 1993, e 1995, este último destinado ao público infantil (“Asinhas da América – O pinto da madrugada”). Agora é azeitar as canelas e frevar até se acabar!

* Texto de Samuel Machado Filho

Grupo Rumo – Quero Passear (1988)

Boa noite, minha gente boa, amigos cultos e ocultos! Não sei se todos sabem, mas neste mês de julho o Toque Musical está completando 9 anos de atividades. Não é moleza não. Poucos foram aqueles que conseguiram chegar até aqui. Proeza maior foi manter-se fiel a uma proposta, enfrentar todo tipo de obstáculo e continuar aqui divulgando, resgatando e compartilhando os tesouros que só vê quem escuta com outros olhos 😉 Vamos falar mais desse aniversário durante o mês. Inclusive, teremos aqui boas surpresas, bons pacotes… Basta ficar ligado.
Para hoje eu tenho este delicioso disco do grupo paulista Rumo. Já postamos deles algumas coisas e acho que este disco é outro que vale a pena recordar. Este foi o quinto lp lançado por eles. Um disco voltado para o público infantil. Ganhou o Prêmio Sharp de 88 como o melhor disco infantil e melhor canção infantil, “A noite no castelo”. Muito bacaninha 🙂

canção do carro
quero passear
mané fala ó
vinheta pipoca e chiclete
robô bibelô
a incrível história do dr. augusto ruschi e os sapos venenosos
o monstro
garota solitária
a noite no castelo
vinheta ernestinho
marchinha do cavalo
vinheta mosquitinho
micróbio dançarino infeliz
eu é que não
a pulga e daninha
.

Brazil By Music – Brazil By Cruzeiro (1972)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o embalo, aqui vai mais um disco promocional, lançado pela Brazilian Airlines Cruzeiro, em 1972. Um disco recheado de boa música. Uma seleção que busca ‘ilustrar’, ou melhor, referenciar as diferentes regiões e culturas do Brasil. Voltado para o público estrangeiro, acredito eu que este disco tenha sido distribuído promocionalmente aos seus clientes internacionais. Uma maneira elegante de mostrar o país com músicas que representam verdadeiramente o espírito brasileiro.
Embora houvesse como editar cada uma das músicas, achei mais interessante manter a linearidade do disco que não traz separação por faixa. Vocês ouvirão o lado A e depois o lado B, sem pausa. Fica melhor ouvir o disco assim.

aquarela do brasil
garota de ipanema
promessa de pescador
trio elétrico
imagens do recife
freviola
asa branca
após o amanhecer
peguei um ita no norte
bateria de escola de samba
aguas de março
me deixa em paz
gauchinha bem querer
brasilia
aventura no amazonas
samba do avião
aquarela do brasil
.

Grupo Zurana – Sorte (1977)


Olá amigos cultos e ocultos! Tenho para hoje um disco especial, do tipo que eu gosto de postar por aqui. Um lp promocional produzido pelo Grupo Zurana, sob a supervisão da MPM Propaganda, apresentando as versões musicais dos jingles usados pela Caixa Economica Federal na divulgação das extrações da Loteria Federal, em 1977. As músicas são interpretadas pelo Grupo Zurana, que nada mais é que um time de músicos e cantores, gente que trabalha em estúdios fazendo música para além do mercado fonográfico. Temos aqui figuras como Sivuca, Gilson Peranzetta, Reginha, Márcio Lotti, Mamão, Altamiro Carrilho, Joel Nascimento e muitos outros. A produção musical e arranjos são de Tavito e Eduardo Souto Neto. As composições são de artistas como Ivan Lins, Mariozinho Rocha, Paulo Sérgio Valle, Ruy Maurity, Eduardo Souto Neto, entre outros…
Eis aí um disco interessante, promocional e certamente uma edição limitada que poucos devem conhecer. Vale a pena resgatar coisas assim. Confiram essa joinha, pois o tempo é limitado 😉

extração da independência
grande premio bento gonçalves
grande premio são paulo
grand prix brasil
extração de carnaval
extração dia das mães
extração da inconfidência
extração de são paulo
extrações normais
grande premio brasil
grande premio paraná
extração de natal
.

Zimbo Trio + Cordas – É Tempo De Samba (1967)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM hoje oferece a vocês mais um álbum da extensa discografia do Zimbo Trio. Formado em março de 1964, em São Paulo, era originalmente formado por Luís Chaves Oliveira da Paz (contrabaixo) – que curiosamente iniciou sua carreira na Belém do Pará de origem, como violonista de um regional -, Rubens Alberto Barsotti, o Rubinho (bateria), e Amíton Godoy (piano). O nome do grupo vem do termo afro “zimbo”, que significa boa sorte, felicidade e sucesso, além de designar uma das tantas moedas que circulavam no Brasil colonial. Em 17 de março de 1964, o trio faz sua primeira aparição em público, na boate paulistana Oásis, em show produzido por Aloysio de Oliveira, acompanhando a cantora e atriz Norma Bengell. Ainda nesse ano, seriam intérpretes da trilha musical de Rogério Duprat para o filme “Noite vazia”, de Walter Hugo Khouri, que tinha Norma Bengell no elenco. Em 1965, passam a ser acompanhadores fixos do programa “O fino da bossa”, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record, e que marcou época na telinha brasileira. Em 1968, o Zimbo Trio participa de um histórico recital no Teatro João Caetano do Rio de Janeiro, ao lado de Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim, que resulta em dois LPs gravados ao vivo pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) carioca. Em 1973, o trio fundou, em parceria com o baterista Chumbinho (João Rodrigues Ariza), o CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical), voltado para a formação musical ampla, sem barreiras entre erudito e popular. A escola formou gerações de músicos. Com a morte do contrabaixista Luís Chaves, em 2007, este é substituído por Itamar Collaço, que introduziu o baixo elétrico no Zimbo Trio. Porém, em 2010, o contrabaixo acústico volta ao trio, com a substituição de Collaço por Mário Andreotti. Nos últimos tempos, o Zimbo Trio, às vezes atuando como um quarteto , com Pércio Sápia dividindo a bateria com Rubinho Barsotti, vem apresentando um repertório autoral baseado em composições do pianista Amílton Godoy. Com 51 discos gravados em mais de meio século de carreira, o Zimbo Trio conquistou reconhecimento mundial, excursionando por países dos cinco continentes, e assim divulgando nossa melhor música instrumental. Este “´É tempo de samba”, editado pela RGE em 1967 nas versões mono e estéreo, e hoje oferecido a vocês pelo TM, vem a ser o quarto álbum de estúdio do Zimbo Trio. Desta vez, é um trabalho que vem acrescido de uma orquestra de cordas, com arranjos cuidadosamente elaborados pelo contrabaixista Luiz Chaves. No repertório, composições de autores brasileiros então em evidência, tipo Chico Buarque (“Quem te viu, quem te vê”. “Tereza tristeza”, “Tem mais samba”), Baden Powell (“Cidade vazia”, com Lula Freire, e “Olô pandeiro”, com o Poetinha Vinícius), Tom Jobim (“O amor em paz”, também com Vinícius de Moraes), Geraldo Vandré (“Arueira” e o clássico “Disparada”, imortal produto de sua parceria com Théo de Barros) e Luiz Bonfá, este com duas composições de filmes norte-americanos (ele então residia nos EUA) que ainda não estavam sendo exibidos em nossos cinemas. E tudo isso apresentado na contracapa por um entusiasmadíssimo Sérgio Porto, esse mesmo que marcou época na imprensa brasileira com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, criando tipos inesquecíveis como 0707Tia Zulmira, Rosamundo e Primo Altamirando. A boa aceitação deste trabalho motivaria, em 1969, o lançamento de um segundo volume de “Zimbo Trio + cordas”. E este primeiro comprova a qualidade artística e a versatilidade do Zimbo Trio, que fizeram do grupo uma autêntica referência na música instrumental brasileira.

anoiteceu

disparada

non stop to brazil

arueira

é tempo de samba

quem te viu e quem te vê

cidade vazia

tereza tristeza

o amor em paz

olô pandeiro

tem mais samba

the gentle rain

* Texto de Samuel Machado Filho.

2001 – Uma Odisséia No Samba (1974)

Boa tarde, amiguíssimos cultos e ocultos! Hoje eu estive ouvindo e explorando o Deezer, um similar do ao iTunes e Spotify e por lá”eu me deparei com este disco, “2001 Uma Odisséia No Samba”. Coincidentemente foi um dos muitos discos que tenho recebido do amigo Fáres. Eu até então não o tinha ouvido e possivelmente viria a ser postado em outro momento. Mas depois de ouvir pelo Deezer eu não resisti. Tem logo que ser postado para que os amigos aqui o conheça. Trata-se de uma seleção de sambas dos mais populares da época em uma roupagem bem inusitada. Inspirado no sucesso do filme “2001 Uma Odisséia No Espaço”, de Stanley Krubick. Ou, mais exatamente no momento e no título, como um trocadilho e mantendo o clima ‘espacial-futurista’ em curiosos efeitos de sintetizador e teclado moog nas passagens de uma música para outra. É um disco bem interessante. Um bom repertório e dentro dessas estranhezas de efeitos soa bem nessa nossa atualidade. E a capa também é bem legal. Infelizmente, não há créditos para os intérpretes. Confiram…

complicação
saudade e flores
malandragem dela
fraquesa
meu sapato já furou
sentimentos
serenou
anastácio
minha teimosia é uma arma pra te conquistar
samba do arnesto – saudosa maloca
porta aberta
toró de lágrimas
.

Bolão E Seu Conjunto – Muito Legal (1964)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois da postagem do disco da Celly Campello, me lembrei de um outro disco que há tempos esperava sua vez e que por certo tem tudo a ver um com o outro, Bolão e Seu Conjunto. Estamos falando aqui dos pioneiros do rock brazuca. E assim como a Celly, Bolão foi um dos mais atuantes na cena rock’n’roll nacional, tendo inclusive participação nos discos da cantora, marcando presença com seu saxofone. Bolão atuou em orquestras, como músico de estúdio e nos mais diversos discos e gêneros da produção fonográfica brasileira. Mas seu destaque como artista se deu na onda do rock. Gravou, pelo menos uma meia dúzia de discos solos, todos voltados para o twist, hully gully e rockabilly, que na verdade nada mais é do que a surf music e rock’n’roll.
Aqui temos  o álbum ‘Muito Legal’, lançado pela RCA Victor, em 1964. Um disco com um repertório recheado de sucessos, todos internacionais, com excessão de “Rua Augusta”, sucesso inesquecível, de autoria de Hervé Cordovil. Os arranjos são do maestro e pianista Wilson Mauro, que também participa do conjunto. Sem dúvida, um disco muito legal. Confiram…

if i had a hammer
america
about noon
loddy lo
rua augusta
irma la douce
lady of spain
la bamba
sapore di sale
theme from lilies of the field
rhythm of the rain
tzena tzena tzena
.

Celly Campello – Brotinho Encantador (1961)

O Toque Musical traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados um disco da primeira grande estrela feminina do rock brasileiro: Célia Benelli Campello, ou como ficou para a posteridade, Celly Campello (São Paulo, 18/6/1942-Campinas, SP, 4/3/2003). Paulistana criada em Taubaté, cidade da região paulista do Vale do Paraíba, ela fez sua primeira aparição pública aos 5 anos de idade, em um espetáculo mirim de balé, dançando “Tico-tico no fubá”. Aos seis anos, cantou pela primeira vez, ao microfone da Rádio Cacique. Paralelamente, estudava  balé, piano e violão, e tornou-se uma das estrelinhas do “Clube do Guri”, apresentado aos domingos na Rádio Difusora de Taubaté. Aos 12 anos, ganhou seu próprio programa, na Cacique. Aos 16 anos incompletos, em 1958, ela estreou em gravações, na Odeon, interpretando “Handsome boy”, tendo, no outro lado do 78 (também lançado em compacto simples de 45 rpm, aliás o primeiro single brasileiro da gravadora), “Forgive me”, com o irmão, Tony. O estouro definitivo, porém, veio em março de 1959, quando saiu o clássico “Estúpido Cupido (Stupid Cupid)”, versão de Fred Jorge para um hit de Neil Sedaka, que logo tornou-se coqueluche nacional. Daí vieram outros sucessos até hoje lembrados, tais como “Lacinhos cor de rosa”, “Muito jovem”, “Banho de lua”, “Túnel do amor”, “Eu não tenho namorado”, “Frankie”, “Jingle bell rock”, “Trem do amor”, etc. Em 1962, para tristeza de seu público, Celly resolve abandonar precocemente a carreira para se casar, ainda no apogeu e com vinte anos de idade. Ainda gravaria outros discos em ocasiões esporádicas, mas sem repetir o êxito inicial. Só conseguiu voltar à evidência em 1976, quando a novela “Estúpido Cupido”, escrita por Mário Prata para a TV Globo, e ambientada em 1961, reviveu antigos sucessos dela e de outros contemporâneos, como Carlos Gonzaga, Ronnie Cord, Wilson Miranda, Sérgio Murilo, Demétrius e o irmão Tony. A própria Celly declarou à imprensa, certa vez, que chegou a ganhar mais dinheiro nos seis meses de exibição da novela do que no auge da carreira! “Brotinho encantador”, o álbum hoje oferecido a vocês pelo TM, foi o quinto LP-solo de Celly Campello e o último que ela fez antes de abandonar precocemente a carreira para se casar, lançado pela Odeon em outubro de 1961. É um trabalho que segue a linha dos anteriores, recheado de versões de sucessos do rock internacional, com direito até a algumas faixas em inglês (“Runaway”, “Little devil”, “Angel , angel”). A primeira faixa, “Presidente dos brotos”, é uma versão bem humorada do especialista Fred Jorge, curiosamente lançada quando o Brasil vivia em regime parlamentarista de governo, decretado após grave crise política causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros,e a tentativa de impedir a posse do vice, João Goulart, que acabou assumindo a chefia da nação com poderes limitados. Fred assina quatro outras versões constantes aqui: “Índio sabido” (que, curiosamente, era bastante apreciada pelo cantor Cyro Monteiro!), “Ordens demais”, “Tchau, baby, tchau” e “O jolly joker”.  A misteriosa Marilena assina a lírica “A lenda da conchinha”. Letras brazucas de Juvenal Fernandes (“Juntinhos/Together”), Romeu Nunes (“Flamengo rock”)  e do misterioso Tassilo Marischka (“Hey, boys, how do you do?”) completam o presente LP, muito bem escorado por arranjos e regências de Waldemiro Lemke e Mário Gennari Filho, e pelo invejável padrão técnico de gravação da Odeon nessa época. “Brotinho encantador”, portanto, traz uma Celly Campello ainda em plena forma, tendo por isso, inestimável valor histórico. É ouvir e recordar…

presidente dos brotinhos

índio sabido

juntinhos

ordens demais

tchau tchau tchau

runaway

flamengo rock

o jolly joker

angel angel

hey boys how do you do

a lenda da conchinha

little devil

.

*Texto de Samuel Machado Filho

Zimbo Trio + Cordas Vol. 2 (1968)

Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enfim, chegamos no mês de julho. Mês de aniversário do blog Toque Musical. Neste ano estamos completando 9 anos de atividades. Por conta disso e também por outras coisas, vou fazer o possível para neste mês termos postagens diárias, como sempre foi por aqui. Para a sorte de vocês, neste mês eu estou de férias e não pretendo viajar. Consequentemente, terei todo o tempo do mundo para incrementar nossas postagens. Vamos ver se rola tudo certo.
Começando as postagens de aniversário, eu trago hoje e mais uma vez, o excelente Zimbo Trio. Aliás, é bom dizer, acho que agora tenho todos os disco do Zimbo, graças ao bom amigo Fáres, que muito tem contribuído para a nossa sobrevivência. Ao longo do tempo irei postando todos os que faltam, ok? Segue aqui o Zimbo Trio + Cordas Vol. 2, disco que deu sequência ao sucesso do primeiro, onde o trio, fornado por Luiz Chaves, Amilton Godoy e Rubinho é acompanhado por violinos, violas e celos. Eu ainda não postei o primeiro volume, mas em breve ele também estará aqui. O repertório do disco que apresento aqui é dos mais interessantes, com um bocado de músicas do Chico Buarque e de quebra ainda tem a música de Milton Nascimento, Gilberto Gil e do Adylson Godoy, irmão do Amilton. Confiram…

roda viva
até segunda feira
amor de carnaval
manhã de primavera
travessia
domingo no parque
carolina
januária
até pensei
amanhã, ninguém sabe
.

Elebra 6 – Memória – Solistas Brasileiros (1989)

O TM tem a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados o sexto volume da série “Memórias”, produzida sob encomenda da extinta Elebra pelo pesquisador João Carlos Botezelli, o Pelão, que, como vocês já viram anteriormente, tem a seu credito inúmeros trabalhos importantes da discografia tupiniquim, como o primeiro LP de Cartola e os dois primeiros de Adoniran Barbosa. Este sexto LP da série, editado em 1989 para distribuição gratuita aos clientes da extinta empresa de informática, com incentivo de lei governamental, tem o nome de “Solistas brasileiros”. Como escreveu na contracapa o próprio Pelão, “é mais uma homenagem da Elebra à sensibilidade, ao talento e à competência do músico brasileiro”. Vem, também, a ser uma justíssima homenagem ao pianista e maestro Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988), com faixas executadas por ele mesmo e seus discípulos. Gravado em estúdios do Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Recife e Porto Alegre, já se utilizando da tecnologia digital (o que garante a qualidade técnica), é mais um trabalho impecável de Pelão, reunindo clássicos inesquecíveis e até hoje relembrados. Abrindo o disco, o próprio Radamés sola ao piano o choro “Carinhoso”, do mestre Pixinguinha. Rafael Rabello, violonista prematuramente desaparecido, vem com o samba-canção “Molambo”, de Meira e Augusto Mesquita. Joel do Bandolim sola o antológico bolero “Dois pra lá, dois pra cá”, um dos primeiros hits da dupla João Bosco-Aldir Blanc. Chiquinho do Acordeom executa outro samba-canção célebre, “Balada triste”, de Dalton Vogeler e Esdras Silva. Em seguida uma curiosa interpretação para “Nossos momentos”, da parceria Haroldo Barbosa-Luiz Reis, a cargo do contrabaixista Toinho Alves, que também faz um interessante “vocalize”. “Pois é”, samba de Ataulfo Alves, é executado ao cavaquinho  por um verdadeiro “cobra” do instrumento, Henrique Cazes. A viola caipira de Roberto Corrêa traz a nossos ouvidos a clássica toada “Tristeza do jeca”, de Angelino de Oliveira. O pianista Laércio de Freitas nos traz “Ceú e mar”, obra-prima de Johnny Alf. Zé Gomes, craque da rabeca, executa “Maria”, samba-canção de Ary Barroso e Luiz Peixoto. Rildo Hora sola, com sua gaita, “A noite do meu bem”, de Dolores Duran. O violonista Israel sola depois “Agora é cinza”, samba da parceria Bide-Marçal. Por fim, a não menos antológica “Canção de amor”, de Chocolate e Elano de Paula, nos floreados da flauta de Plauto Cruz. Tudo isso em um trabalho primoroso, antológico, verdadeiro tributo a Radamés Gnattali  e seus discípulos. Simplesmente irresistível!

carinhoso – radamés gmattali

molambo – rafael rabelo

dois prá lá, dois prá cá – joel do bandolim

balada triste – chiquinho do acordeon

nossos momentos – antonio alves

pois é – henrique cazes

tristeza do jeca – roberto correa

céu e mar – laércio freitas

maria – zé gomes

a noite do meu bem – rildo hora

agora é cinza – bide e marçal

canção de amor – plauto cruz

.

Dick Farney – Momentos (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês mais um disco da série lançada pelo saudoso restaurante Inverno & Verão, que existiu em Sampa na década de 80. Já falamos dessa casa de show aqui no Toque Musical. Por ela passaram grandes nomes da música nacional e até internacional. E para mim, seu grande mérito foi o registrar e lançar em discos os muitos artistas que por lá estiveram. Com o apoio do Credicard/Visa, o I&V promoveu e lançou de forma quase independente uma dezena de títulos, em discos não comerciais. Ao que sei, esses lps eram oferecidos aos clientes e fornecedores da casa de shows. Por aqui eu já publiquei várias dessas produções e na sequencia temos outro artista, que também sempre esteve presente em nossas postagens, o grande Dick Farney. Embora gravado em estúdio, este lp registra alguns bons momentos do repertório da temporada do artista, em março de 1985. Que eu saiba, essas gravações nunca chegaram a ser lançadas comercialmente. Assim sendo, a oportunidade de conhecer e ouvir o disco é essa. Confiram já, pois o tempo do link é uma baforada 🙂

marina
copacabana
somos dois
este seu olhar
saudade mata a gente
se todos fossem iguais a você
the lady is a tramp
uma loira
ponto final
alguém como tu
.

Cauby Peixoto – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 148 (2016) Parte 2

O Grand Record Brazil oferece hoje aos amigos cultos, ocultos e associados a segunda parte do retrospecto especial dedicado ao grande e notável Cauby Peixoto, que partiu para a eternidade em 15 de maio último, deixando muitas saudades em todos aqueles que apreciam o que é bom em matéria de música. Oferecemos aqui mais 14 gravações de Cauby, várias delas prensadas simultaneamente em 78 rpm e vinil. Abrindo esta segunda parte, o bolero “Meu amor por você”, de Lourival Faissal e Edson Menezes, que Cauby gravou na RCA Victor em 20 de dezembro de 1957, com lançamento em abril de 58, sob número 80-1928-B, matriz 13-H2PB-0312. E a faixa seguinte é justamente o lado A, matriz 13-H2PB-0311, e um clássico do repertório dele: o samba-canção “Nono mandamento”, de Renê Bittencourt, retumbante êxito na época, e que o nosso saudoso Cauby também interpretou no filme “De pernas pro ar”, co-produção Herbert Richers-Cinedistri. Na quarta faixa, temos o primeiro hit maiúsculo do “professor da MPB”: o fox “Blue gardenia”, dos norte-americanos Bob Russell e Lester Lee, em versão de Antônio Carlos. Foi composto para o filme de mesmo nome, exibido no Brasil como “Gardênia azul”, e nele interpretado por Nat King Cole, tornando a música bem mais lembrada do que a própria película. O registro de Cauby saiu pela Columbia em maio de 1954, sob número CB-10042-A, matriz CBO-215, e, mais tarde, “Blue gardenia” seria faixa-título e de abertura do primeiro LP do cantor, em dez polegadas. Ainda em 54, apareceu outra gravação em português deste fox, por Lúcio Alves, mas o sucesso foi mesmo de Cauby. Aqui também apresentamos o lado B desse 78, matriz CBO-214: o samba-canção “Só desejo você”, assinado pelo então empresário de Cauby, Di Veras, em parceria com Osmar Campos Filho, e, ainda em 1954, também gravado na Copacabana por Ângela Maria. A música entrou mais tarde no segundo LP de Cauby, o dez polegadas “Canção do rouxinol”.  A quinta faixa desta seleção é “Canção de sentir saudade”, samba-canção de Durval Ferreira e Orlando Henriques, que Cauby gravou na RCA Victor em 11 de outubro de 1960, com lançamento em janeiro de 61, sob número 80-2286-A, matriz L2CAB-1132. Mais tarde, seria faixa de encerramento do compacto duplo de 45 rpm número 583-5068. O lado B do 78, matriz L2CAB-1133, que também abriu o compacto em questão e um LP do cantor com o mesmo título, é a faixa seguinte: a balada “Perdão para dois”, de Palmeira e Alfredo Corleto, lançada pouco antes por Leila Silva na Chantecler. Em seguida, temos o beguine “Tentação”, de Edson Borges e Sidney Morais (que integrou o Conjunto Farroupilha e Os Três Morais, e gravou discos de música latina como Santo Morales). Foi lançado pela Columbia, na voz de Cauby, em abril de 1956, sob número CB-10250-B, matriz CBO-727. Logo depois, vem o lado B, matriz CBO-729, o fado “Lisboa antiga”, standard do cancioneiro lusitano, de autoria de Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo. Em LP, e de dez polegadas, esta faixa só apareceu na coletânea mista “Meus favoritos – vol.  5”. A faixa 9, “Bibape do Ceará”, é um baião de Catulo de Paula e Carlos Galindo, originalmente gravado pelo próprio Catulo em 1955. O registro de Cauby foi lançado em setembro de 56 pela Columbia, sob número CB-10285-B, matriz CBO-818 (o lado A é o clássico “Conceição”, já oferecido a vocês em nosso volume anterior). Na décima faixa, temos o fox “É tão sublime o amor (Love is a many splendored thing)”, dos norte-americanos Paul Francis e Sammy Fain, em versão de Alberto Almeida.  A música deu título a um filme também de sucesso, estrelado por William Holden e Jennifer Jones, e exibido no Brasil como “Suplício de uma saudade”. O registro de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, sob número CB-11002-A, matriz CO-55565, abrindo também seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”.  Em seguida, outro clássico: o bolero “Espera-me no céu (Esperame em el cielo)”, do portorriquenho Francisco López Vidal (Paquito), em versão do pistonista Araken Peixoto, irmão de nosso Cauby, que a imortalizou na RCA Victor em 30 de janeiro de 1957, com lançamento em julho do mesmo ano, sob número 80-1812-B, matriz 13-H2PB-0044. A gravação entrou mais tarde no LP de dez polegadas “Música e romance”, já oferecido a vocês pelo Toque Musical. A faixa seguinte é o lado B do disco de estreia de Cauby, o Carnaval/Star 013, lançado bem em cima do carnaval de 1951, em fevereiro:  a marchinha “Ai, que carestia”, de Victor Simon e Liz Monteiro (nada mais atual, não é mesmo?).  A penúltima faixa é o clássico “Molambo”, samba-canção do violonista Jayme Florence, o Meira dos regionais, em parceria com Augusto Mesquita. Lançado em 1953 por Julinha Silva, tem vários outros registros, e o de Cauby foi lançado pela Columbia em maio-junho de 1956, em seu terceiro LP, o dez polegadas “Você, a música e Cauby”, chegando ao 78 rpm em agosto seguinte sob número CB-10267-A, matriz CBO-769. E, encerrando esta seleção, o fox “Tudo lembra você (These foolish things/Remind me of you)”. A música foi feita em 1936 pelos britânicos Jack Strachey e Eric Maschwitz (também conhecido por Holt Marvel), mais o norte-americano Harry Link, e tem vários registros. O de Cauby, com letra brasileira de Mário Donato, tem acompanhamento do conjunto do violonista Ângelo Apolônio, o Poly, e saiu pela Todamérica em março de 1953, com o número TA-5259-A, matriz TA-1153. Um fecho realmente de ouro para este retrospecto especial que o GRB dedica ao agora imortal Cauby Peixoto!

*Texto de Samuel Machado Filho

Isto É Musicanossa (1968) Rozenblit

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Atendendo aos pedidos, eu finalmente consegui o lp “Isto é Músicanossa”, versão lançada pela Rozenblit e como o lp da Odeon, também datado de 1968. Neste disco da gravadora pernambucana vamos encontrar outros artistas, mas todos do mesmo ‘naipe’ do outro. Como destaque, temos o genial Johnny Alf, o Trio 3D de Antonio Adolfo com Novelli nos vocais, Maurício Einhorn e Mário Telles. Também aparecem intérpretes pouco conhecidos como, Henrique Beni, Iracema Werneck e Neide Mariarrosa. No todo, temos um conjunto impecável de artistas que também fizeram parte do movimento Músicanossa.

samba do retorno – johnny alf
alegria de carnaval – trio 3d e novelli
rosa branca – iracema werneck
rema – henrique beni
maria da favela – mário telles
alvorada – mauríco einhorn
eu e a brisa – johnny alf
pobre morro – neide mariarrosa
tema triste – iracema werneck
sistema – mauríco einhorn
o brilho da faca – trio 3d e novelli
nós – henrique bani
.

Elebra – Memória 5 (1988)

O TM hoje oferece aos seus amigos cultos e ocultos e associados o quinto volume de uma série denominada “Memórias”, destinada à preservação de nossa memória musical, oferecida como brinde aos clientes da Elebra, uma empresa de informática que não existe mais, e que foi a maior do setor na época em que havia reserva de mercado para o mesmo no Brasil.

A série foi produzida pelo incansável pesquisador João Carlos Botezelli, o popular Pelão, que tem um respeitável currículo no setor fonográfico. Basta dizer, por exemplo,  que ele produziu, em 1974, o primeiro LP do mestre Cartola.  Trabalhos de Nélson Cavaquinho , Adoniran Barbosa, Théo de Barros, Inezita Barroso e Raphael Rabello também estão entre suas mais esmeradas produções discográficas.  E tudo na base da amizade…

Este quinto LP da série “Memórias”, editado em 1988, é dedicado a conjuntos vocais e/ou instrumentais brasileiros de várias épocas e estilos. Para a seleção de repertório, mestre Pelão contou com a colaboração, entre outros, do jornalista Arley Pereira e do autor de novelas Walther Negrão. Seleção esta muito bem feita, com masters cedidos por quatro gravadoras, em que desfilam conjuntos marcantes na história de nossa música popular, interpretando clássicos inesquecíveis. A seleção inclui “Trem das onze”, do mestre Adoniran, com os sempre notáveis Demônios da Garoa, “Gauchinha bem querer”, de Tito Madi, na interpretação impecável e plena de autenticidade do Conjunto Farroupilha, “Forró de Mané Vito”, de Gonzagão e Zé Dantas, com o Quinteto Violado, um raro registro de “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser, com o Bando da Lua, “Estrada do sol”, de Tom Jobim e Dolores Duran, com o Trio Irakitan, o saltitante “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, com Os Três Morais, “É com esse que eu vou”, de Pedro Caetano, com seus criadores, os Quatro Ases e um Coringa… A bossa nova vem com o Zimbo Trio, executando “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi, o Sambalanço Trio numa releitura de “Pra machucar meu coração”, de mestre Ary Barroso, e o Jongo Trio com “Menino das laranjas”, de Théo de Barros. Os Titulares do Ritmo aqui interpretam “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam. E, para finalizar, “A voz do morro’, de Zé Kéti, com o conjunto de mesmo nome, organizado pelo próprio autor, e no qual despontaram nomes importantes da MPB, como Paulinho da Viola e Élton Medeiros. Repertório de qualidade, conjuntos expressivos, ótimas performances… Que mais se pode querer?

pra machucar meu coração – sambalanço trio

tico tico no fubá – os três morais

balanço zona sul – zimbo trio

o menino das laranjeiras – jongo trio

forró do mané vito – quinteto violado

estrada do sol – trio irakitan

nega do cabelo duro – bando da lua

gauchinha bem querer – conjunto farroupilha

é com esse que eu vou – quatro azes e um coringa

ponteiro – titulares do ritmo

trêm das onze – demônios da garôa

a voz do morro – conjunto a voz do morro

.* Texto de Samuel Machado Filho

Orlando Silva (1955)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados uma autêntica raridade, bastante difícil de se encontrar por aí. Trata-se de um LP de dez polegadas que reúne oito gravações feitas por Orlando Silva (Rio de Janeiro, 3/10/1915-idem, 7/8/1978) na Copacabana, gravadora com a qual assinou contrato em 1951 (ano em que também foi eleito Rei do Rádio), e onde permaneceria pelos quatro anos seguintes.  À época destes preciosos registros, o “cantor das multidões” já tinha voltado aos braços emocionados do grande público brasileiro, que sempre o teve como ídolo, depois de haver superado os problemas particulares, inclusive de ordem amorosa, que foram obstaculizando sua carreira. Os anos 1950 foram, para ele, mais tranquilos, mas nem por isso menos importantes. Seu timbre de voz estava um pouco mais grave, porque esse é o curso natural da voz humana e ele havia surgido para a glória na adolescência dos 18 anos. Mas ainda era o mesmo Orlando Silva de recursos técnicos impecáveis, voz prodigiosa e interpretação comovente. É o que vocês poderão comprovar através deste preciosíssimo vinil de dez polegadas, lançado em 1955, ano em que Orlando Silva retornou à Odeon. São oito faixas originalmente lançadas em discos de 78 rpm, que evidenciam o bom gosto musical do intérprete, afinal ninguém como Orlando para escolher tão bem o repertório.  E, como se trata de uma espécie de “edição extraordinária” de nosso Grand Record Brazil, convém relacionar as bolachas de cera em que estas faixas saíram originalmente. Abrindo o disco, o fox -bolero “Aquela mascarada”, de Cyro Monteiro e Dias da Cruz, editado em agosto-setembro de 1953 sob número 5113-A, matriz M-518. O choro “Amanhecendo”, de Cícero Nunes, Arcênio de Carvalho e Rogério Lucas, foi inicialmente lançado em versão instrumental, pelo trombonista Raul de Barros. E coube a Orlando Silva registrar a versão cantada, que a Copacabana lançou em abril de 1954 sob número 5240-B, matriz M-761. A valsa “De que vale a vida sem amor” é dos mesmos J. Cascata e Leonel Azevedo que deram a Orlando, em 1937, os clássicos “Lábios que beijei” e “Juramento falso”, e aqui contam com a parceria de José de Sá Roris. O 78 original saiu por volta de maio de 1954, e levou o número 5254-A, matriz M-814. O samba “Não… e sim”, do flautista Altamiro Carrilho em parceria com Armando Nunes, é o lado B de “Amanhecendo”, matriz M-815. Da parceria Herivelto Martins-Mário Rossi é o samba “Obrigado, Maria”, editado em setembro de 1954 sob número 5302-A, matriz M-914. O ótimo samba “Exaltação à cor”, bem na tradição de seu autor, Ataulfo Alves, aqui em parceria com J. Audi, vem a ser o lado B de “Aquela mascarada”, matriz M-519. “Renúncia”, samba-canção de exclusiva autoria de Marino Pinto, teve lançamento em 78 rpm quase simultâneo a este LP, em março-abril de 1955, sob número 5382-B, matriz M-915. Para encerrar, Orlando Silva homenageia seu grande amigo Francisco Alves, que o lançou em seu programa da Rádio Cajuti, do Rio de Janeiro, em 1934, com a regravação de “Cinco letras que choram (Adeus)”, samba-canção de Silvino Neto, que o Rei da Voz lançou em 1947 e seria a música mais tocada pelas rádios quando do trágico falecimento dele em acidente rodoviário, em 1952. O registro de Orlando foi lançado logo em seguida, em outubro-novembro desse ano, sob número  5010-A, matriz M-261. Enfim, uma seleção primorosa e imperdível, que mostra um Orlando Silva com os pés no presente, com força para trilhar e projetar o momento em que vivia.  É ouvir e confirmar.

aquela máscara

amanhecendo

de que vale a vida sem amor

não é sim

obrigado maria

exaltação a cor

renúnica

adeus

* Texto de Samuel Machado Filho

Dorival Caymmi – Acalanto (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! O TM vem oferecer a vocês hoje um dos melhores trabalhos discográficos deste grande poeta seresteiro da Bahia que foi Dorival Caymmi (Salvador, BA, 30/4/1914-Rio de Janeiro, 16/8/2008). Este foi o sexto LP-solo de Caymmi, originalmente lançado pela Odeon (depois EMI e hoje Universal Music), então com Aloysio de Oliveira, ex-Bando da Lua, em sua direção artística, em 1960, com o título de “Eu não tenho onde morar”, e voltou às lojas em 1972, como “Acalanto – Dorival interpreta Caymmi” (o curioso é que, no selo dessa reedição, o título que aparece é o original), e áudio reprocessado de mono para estéreo. O álbum teve também reedições em CD, uma delas como parte do boxe “Caymmi, amor e mar”. Detalhes à parte, o fato é que o disco apresenta o mestre Caymmi em sua melhor forma, quando já havia sido adotado pela bossa nova, então em plena efervescência, mesmo sem pertencer à sua tribo específica, influenciando autores como Sérgio Ricardo (“Barravento”) e tendo suas composições regravadas por alguns de seus principais intérpretes, inclusive por seu então colega de gravadora (e também conterrâneo), João Gilberto. Muito bem apoiado pelas orquestrações do maestro Lindolfo Gaya, e com o impecável  padrão técnico de gravação da “marca do templo”, Caymmi aqui está, de acordo com o breve texto de contracapa, “mais solto, mais livre e mais espontâneo do que nunca”. Evidentemente, todas as faixas levam a assinatura do mestre soteropolitano, e são verdadeiros clássicos, até hoje presentes na memória e no imaginário popular. A faixa-título, “Eu não tenho onde morar”, e “São Salvador”, para começar, figuraram entre os maiores hits de 1960. Ainda no programa, regravações de músicas lançadas em disco ou pelo próprio Caymmi ou por outros intérpretes, que sempre vale a pena a gente ouvir e reouvir:  “Rosa morena”, “Acontece que eu sou baiano”, “Vestido de bolero”, “O dengo que a nêga tem” (feita para Cármen Miranda apresentar em sua última temporada brasileira, em 1940, no Cassino da Urca), “Dora” (“rainha do frevo  e do maracatu”), “O que é que a baiana tem?”(primeiro hit maiúsculo do mestre baiano, lançado por ele mesmo em dueto com Cármen Miranda, em 1939), “A vizinha do lado”, “Adeus”, “Marina”… E a faixa “Acalanto”, música regravada até mesmo por Roberto Carlos, é revestida de importância por ser a estreia em disco da filha do compositor, Nana Caymmi, na plenitude de seus 19 anos, em comovente dueto com o pai. Tão comovente que, terminada a gravação, pai, filha e a mãe, dona Estela, saíram do estúdio chorando de emoção. Enfim, um trabalho imperdível, para se ouvir do começo ao fim. Confiram!

eu não tenho onde morar
rosa morena
acontece que eu sou baiano
acalanto
vestido de bolero
o dengo que a nega tem
dora
o que que a baiana tem
a vizinha do lado
adeus
são salvador
marina

* Texto de Samuel Machado Filho