Déo Lopes & Juan Falú – Canticorda (1982)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje levo para vocês um trabalho independente, colaboração do amigo Carlos Moraes, que foi o responsável pela arte da capa deste disco do músico paulista Déo Lopes e seus convidados, o violonista argentino Juan Falú e o grupo Quintaessência. Lançando em 1982, este lp regista o encontro de Déo Lopes com o violonista Juan Falú, Um trabalho realmente interessante, cujo o repertório, embora com músicas cantadas, procura valorizar principalmente o instrumental e o acústico. Muito lindo, vale uma audição!

chorada
beija-flor
milonga
oficina (a primeira lição)
manhã de carnaval
eterno menino
na trilha dos chorões
olha maria
la tenebrosa
julia
aquela estrela
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Gilberto Monteiro – Pra Ti Guria (1987)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Aqui vai um lp que encontrei nas minhas andanças pelo Sul. Um trabalho que eu já tinha visto mas nunca me despertou interesse em ouvir. Desta vez, dentro do clima gaúcho e por um precinho camarada, acabei arrematando este disco também. Que grata surpresa foi a minha ao ouvir então o gaiteiro Gilberto Monteiro, umdos mais importantes músicos do Rio Grande. “Pra ti guria” é um disco tri legal. Um passeio pela música gaúcha tradicional, mas dentro de um viés autoral. Gilberto Monteiro assina todas as 10 faixas e conta com as participações de dois outros mestres da gaita/acordeon, os argentinos Raulito Barboza e Antonio Tarrago Ros. Ao que consta, este lp foi o seu primeiro disco, embora já fosse um nome já conhecido e respeitado no Sul. Foi relançado em formato cd no inicio dos anos 2000. Infelizmente a música regional fica mesmo limitada ao seu reduto e em se tratando do Sul, acho que a coisa fica ainda mais isolada…

preludio de um beija flor
os zóio da véia
balaço de contrabando
boa vista de sao domingos
recordando as bailantas
unistalda campeira
pra ti guria
entrevero de alpargata
cabestreando
alumiando as maçanetas
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Wanderley Cardoso (1972)

Hoje, o Toque Musical tem a satisfação de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum gravado por Wanderley Cardoso.  Desta vez, é o LP que ele gravou em 1972, sem título, pela Copacabana, marca onde se consagrou e fez a maior parte de seus trabalhos em disco, muitos deles bem-sucedidos, como este. Mesmo com o término da Jovem Guarda, em 1968, Wanderley Cardoso conseguiu se manter num patamar de grande popularidade, sendo cadeira cativa em praticamente todos os programas de auditório da televisão nos anos 1970/80 (Sílvio Santos, Bolinha, Chacrinha, Raul Gil, “Almoço com as estrelas”, “Clube dos Artistas”…), além de ser maciçamente executado em programas das rádios populares de AM (o FM ainda engatinhava no Brasil).  E ele estava em plena forma quando gravou o álbum que o TM apresenta hoje.  Com produção e seleção musical de Reynaldo Rayol (irmão de Agnaldo Rayol), e a supervisão de outro “cobra”, Léo Peracchi,  este trabalho foi gravado em São Paulo, nos Estúdios Reunidos, que ficavam no Edifício Casper Líbero, na Avenida Paulista.  Abrindo o disco, uma composição de José Augusto, “Quem nega a luz na sombra vai morrer”, mais tarde regravada pelo próprio autor, que  ainda é responsável por outras duas faixas, “A sombra do passado” e “Quero ver um rosto amigo”. Outro compositor de prestígio, Nenéo, assina  “E vou dizer adeus mais uma vez” e “Chove solidão dentro de mim”. O lado compositor de “Wandeco” é mostrado em “Vai embora” e “Minha musa”,  parcerias dele com Beto.  O produtor, Reynaldo Rayol, assina em parceria com Rossini Pinto, fértil compositor e versionista da Jovem Guarda,  “Meu erro”.  Rossini ainda é responsável pelos dois maiores sucessos desse álbum de Wanderley Cardoso, “Vem ficar comigo” (parceria com Antônio Carlos) e a versão “Fale baixinho (Speak softly love)”, tema principal do filme norte-americano “O poderoso chefão (The godfather)”, de Francis Ford Coppola, estrelado por Marlon Brando e grande êxito de bilheteria na época. Roberto Corrêa (dos Golden Boys) e Jon Lemos contribuíram com a música “Haja o que houver”, e, completando este trabalho, temos “Enquanto houver saudade”, concebida por Bebeto e Solange Corrêa.  E a curiosidade fica por conta da presença do maestro Zezinho, que durante anos pertenceu ao estafe de Sílvio Santos, como arranjador em quatro das doze faixas do disco, as oito restantes ficando por conta de Clélio de Britto Ribeiro. Tudo isso fazendo deste álbum de Wanderley Cardoso um dos melhores por ele gravados, fazendo nos voltar a um tempo em que certamente podíamos cantar mais e melhor. Quem viveu essa época terá por certo momentos de feliz reminiscência, e quem só chegou depois poderá conhecer e também desfrutar de momentos agradáveis. Divirtam-se!

quem nega luz na sombra vai morrer

vem ficar comigo

haja o que houver

a sombra do passado

meu erro

fale baixinho

chove solidão dentro de mim

enquanto houver saudade

minha musa

quero ver um rosto amigo

vai embora

e vou dizer adeus mais uma vez

* Texto de Samuel Machado Filho

 

Cyro Monteiro – Meu Samba Minha Vida (1969)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Enquanto espero o café, aproveito para ir logo fazendo esta postagem, pois se não o fizer agora, não sei se terei tempo depois. Trago hoje para vocês o grande Cyro Monteiro, figura que aqui já dispensa maiores comentários. Temos aqui um dos seus lps, lançado em 1969, “Meu samba, minha vida”. este disco, conforme nos informa Ismael Corrêa no texto de contracapa, foi produzido em dois momentos e possivelmente teria saído um ano antes. Infelizmente, na época (1968) faleceu o regente e orquestrado do disco, o fenomenal trombonista Astor Silva, deixando as gravações pela metade. O disco até então contava, além do próprio Astor na direção musical e trombone, com Canhoto e seu regional, Orlando Silveira e um bom grupo de ritmistas. Ao ser retomado, no ano seguinte, Cyro Monteiro contou com a participação também de Chiquinho do Acordeon e o côro da turma do Joab, mantendo assim a mesma ‘viber’ do início.
No repertório temos doze sambas na medida do intérprete, incluindo entre esses duas composições de sua autoria. Disco bacana, confiram aí…

saquinho de dinheiro
tristezas não pagam dívidas
decisão
saudade dela
moreninha boa
regra do sei lá
deus me perdoe
são paulo
cara ou corôa
rosa mandou
jambete
como a vida é
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Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli – Prêmio Shell Para A Música Brasileira (1984)

Amigos cultos e ocultos, como disse anteriormente, nosso canal de comunicação já está aberto, através da seção de comentários da cada postagem. Agora não tem mais desculpas… Mas por favor, não me venham só com pedidos de reposição de links, pois como informamos no texto lateral do site, não há reposição de links. Esses podem até voltar, mas não me comprometo em fazê-lo de imediato. Quem tiver pressa pode pedir, mas mediante a uma contrapartida, fazendo uma doação ao Toque Musical. Em breve estarei colocando um link facilitador para as doações. Daí, pode ser que as coisas por aqui voltem a funcionar com regularidade.
Segue hoje este lp promocional, que foi lançado em edição limitada, em 1984, patrocinado pela multinacional Shell, em seu evento anual “Prêmio Shell da Música Brasileira”. Este evento foi criado em 1981 e inicialmente era um incentivo a música popular e erudita brasileira, depois se focou apenas na popular. Em 1983 a os promotores culturais desse projeto resolveram lançar este lp, comemorando os 70 anos da empresa no Brasil, trazendo quatro grandes nomes da música brasileira, Antônio Carlos Jobim, Francisco Mignone, Dorival Caymmi e Radamés Gnattli, os ganhadores do prêmio em 1982 e 83.

saudades do brasil – antonio carlos jobim
valsas de esquina – francisco mignone
histórias de pescadores – dorival caymmi
sonatina coreográfica – radamé gnattali
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Abilio Manoel – América Morena (1976)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Finalmente eu consegui corrigir um erro aqui no TM que há tempos tem nos impedido a comunicação, através da seção de comentários. Agora, quem quiser, já pode voltar a tecer seus comentários nas postagens. Só não vale pedir novos links para velhas postagens, pois nem sempre eu vou poder ajudar, ok?
Temos para hoje o luso-brasileiro Abílio Manoel, um grande, porém subestimado compositor, que infelizmente nos deixou há alguns anos atrás. Eu já postei aqui seu lp de 1968 e também um compacto. Desta vez, vamos com este álbum de capa dupla, lançado em 1976 pelo selo Som Livre. “América Morena” foi seu quinto lp e como o próprio nome já sugere, as composições aqui falam de coisas da América Latina, São músicas, em sua maioria, composições próprias e/ou parcerias, além de temas tradicionais do folk latino americano. Um disco muito bom. Eu recomendo!

américa morena
menino de olinda
o fado e o cravo de abril
arca de noé
voz passiva
terra livre
o circo vem aí
amigo hermano
tchica
dança do sol
folclore latino americano – índios alegres
folclore latino americano – andina
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Compactos – Deny e Dino (1973) – Guris E Marcio Lott (1978) – Marcos Moran (1967) – Mauricio Duboc (1979)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais uma leva de compactos simples, esses verdadeiros tesouros de sete polegadas. Os singles aqui reunidos foram lançados entre 1968 e 1979. O mais antigo é o do cantor Marcos Moran, lançado pela Caravelle em 1968. No lado A, temos “A viagem”, composição de João Roberto Kelly, e, no verso, “Bai bai”, de Carlos Imperial e Jorge Roberto. Com onze compactos simples, um duplo, três LPs e um CD como cantor-solo, Moran também participou de álbuns coletivos, sobretudo de sambas-enredos das escolas cariocas para o carnaval. Tanto que um deles, “Sonho de um sonho”, da Unidos de Vila Isabel, lançado para a folia de 1980, é até hoje obrigatório nos shows do cantor. Formada por José Rodrigues da Silva e Décio Scarpelli, ambos paulistas de Santos, a dupla Deny e Dino explodiu no cenário musical brasileiro nos tempos da Jovem Guarda, lançando hits do porte de “Coruja”, “O ciúme”, “Eu só quero ver”, “Eu não me importo” e “Meu pranto a deslizar”. Gravaram mais de 30 compactos e dez LPs, ganhando vários discos de ouro e troféus como Chico Viola e Roquete Pinto. Suas músicas também foram bastante executadas em países da América Latina. Aqui, um single da Top Tape, lançado em 1973, apresentando no lado A “Cantem comigo”, uma composição deles próprios que teve boa aceitação na época. No verso, saiu “Você precisa se acostumar”, de Mickael (produtor desse disco) e Décio Eduardo. Com a morte do Dino original, Décio Scarpelli, em 1994, Deny passou a cantar com outro parceiro, Elliot de Souza Reis, que também assumiu o cognome Dino. Em seguida temos um curioso single da Som Livre, lançado em 1978. De um lado, o grupo Guris interpreta a célebre canção de fim de ano da Rede Globo de Televisão, “Um novo tempo”, composta em 1971 por Nélson Motta e pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, cuja gravação original foi feita naquele ano pelo elenco de artistas globais da época. No verso, o cantor Márcio Lott (Belo Horizonte, MG, 1940) interpreta um grande hit de Roberto Carlos nesse tempo, “Outra vez”, de Isolda. Esta gravação foi, inclusive, tema da novela global “Dancin’ days”, de Gilberto Braga, e só foi lançada depois do LP com a trilha sonora nacional da mesma.  Márcio participou de várias dessas trilhas, e, em 2003, fundou o grupo vocal Nós Quatro, ao lado de Célia Vaz, Fabyola Sendino e Ana Zinger, depois substituída por Clarisse Grova. Autor de várias composições de sucesso, muitas em parceria com Carlos Colla e quinze delas gravadas por Roberto Carlos, Maurício Duboc  também gravou como intérprete. Aqui, um single que lançou em 1979, pela EMI-Odeon. No lado A, uma regravação de “Pai”, de Fábio Júnior, então sucesso na voz do autor. A faixa apareceu depois no LP-coletânea “Meu velho (Pra você, meu pai)”. No lado B, de sua parceria com Carlos Colla, “Senta aí”, também no gênero romântico. Maurício também participou das trilhas das novelas “O todo poderoso”, da Bandeirantes (1980), e “Despedida de solteiro”, da Globo (1992), além do festival MPB-80 (em que apresentou “Tão minha, tão mulher”) e do álbum comemorativo dos 60 anos de carreira do compositor Sivan Castelo Neto (1984). Enfim, mais quatro raridades para a delícia de vocês que tanto prestigiam o TM. Aproveitem…

*Texto de Samuel Machado Filho

pai – maurício duboc
senta aí – maurício duboc
a viagem – marcos moran
bai bai – marcos moran
um novo tempo – guris
outra vez – marcio lott
cantem comigo – deny & dino
você precisa se acostumar – deny & dino
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Manduka (1979)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Aqui vamos nós nessa ‘dobradinha alternada’, de lps e de compactos. Hoje eu trago para vocês um disco que há muito eu estava para postar. Não entrou antes por falta de oportunidade e porque eu acabei me esquecendo mesmo. Mas, acabei ganhando o vinil do amigo Fáres e daí pude fazer uma digitalização dentro dos meus padrões e do jeito que todos gostam, completo! Temos assim, Manduka, um artista que já apresentamos aqui algumas vezes, através de seus ótimos e raros discos. Na verdade, eu já postei aqui suas primeiras gravações, discos que foram lançados no exterior, onde o artista viveu por muito anos. Este lp marca o retorno de Manduka ao Brasil, sendo ele o primeiro que ele gravou por aqui, em 1979. Para quem pegou o bonde andando, Manduka, ou Alexandre Manuel Thiago de Mello, foi um artista brasileiro, filho do poeta Thiago de Mello. Cantor, compositor e artista plástico. Foi parceiro de artistas como Geraldo Vandré e Dominguinhos. Com Dominguinhos compôs a belíssima “Quem me levará sou eu”, com interpretação marcante de Fagner. Neste lp vamos encontrar nove canções, todas de sua autoria. algumas, inclusive, regravações de trabalhos editados no exterior. Um trabalho muito bonito, mas que poucos chegaram a conhecer. Este lp ganhou força depois que começou a ‘pipocar’ nos blogs. Se depender do Toque Musical, vai continuar ‘pipocando’, pois aqui o lema é: um lugar para quem escuta música com outros olhos.

vitória régia
o que aconteceu na china?
asa pra falsa estação
jandira
esmeraldas
sonho do navio dourado
a desejada
maldigo  del alto cielo
somos quem somos.
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Compactos – Nerinho Silva (1967) – Noel Carlos (1970) – Rubem Gerardi (1970) – Nilza Pelegrino, Maria Aparecida e Carmem Vilar (1963)

E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do nosso Toque Musical, mais um lote de compactos, tipo da postagem sempre bem acolhida por vocês. Hoje temos quatro raríssimos tesouros de sete polegadas, para a alegria dos colecionadores.Pra começar, um compacto duplo do selo Guarani, que pertencia à editora musical Mangione, sem ano exato de lançamento conhecido e de cunho carnavalesco. Aqui, temos intérpretes não lá muito famosas, porém com ótimas qualidades vocais. No lado A, Nilza Pelegrino interpreta duas composições de Moacyr Garrafa, a marcha-rancho “Lembranças do passado” e o samba “Crueldade”, esta de parceria com Roberto Ybraim. No lado B, temos Maria Aparecida interpretando o samba “Pesadelo”, de Talvi Villaró, Vicente Rodrigues e Oswaldo Mendes, e, para encerrar, Cármen Vilar nos traz a marchinha “O embalo”, também de Talvi Villaró, desta vez sem parceiro. Carioca de Vila Isabel, Nerino (Teodoro da) Silva (1920-1979) radicou-se em São Paulo, estreando em disco pela RGE, em 1957, passando depois por várias outras companhias. Aqui o TM oferece um compacto simples da RCA Victor de 1967, no qual ele interpreta dois clássicos de nossa música popular:  de um lado, o samba “Laranja madura”, do mestre Ataulfo Alves, e, de outro, “Súplica cearense”, originalmente toada-baião e aqui samba-canção, de autoria de Gordurinha e Nelinho (no selo aparece como parceiro um certo Manoel Ávila Peixoto). As duas faixas apareceram mais tarde no LP “Deixe comigo”, que encerra justamente com “Súplica cearense” e é considerado o trabalho mais conhecido de Nerino Silva em disco. Em seguida, mais carnaval, agora com Noel Carlos, apresentando um single Copacabana de 1970, para a folia de 71. Ele canta duas marchinhas que fez em parceria com João Roberto Kelly e Elzo Augusto, “Meu bem, sai da fossa (Tobogã)” e “Deixa pro ano que vem (Neném)”. Para encerrar, Rubem Gerardi em mais um single da Copacabana para o carnaval de 1971, interpretando dois sambas, “Os galhos da velha mangueira”, de Djalma da Mangueira e Orlando Gazzaneo, e “Trata da sua vida”, do próprio Gerardi em parceria com F. Conceição e A. Pereira.  Autênticos e raros tesouros musicais que o TM possui a satisfação de oferecer a vocês. Aproveitem

lembrança do passado – nilza pelegrino
crueldade – nilza pelegrino
pesadelo – maria aparecida
o embalo – carmem vilar
súplica cearense – nerino silva
laranja madura – nerino silva
deixa pro ano que vem – noel carlos
meu bem sai da fossa – noel carlos
os galhos da velha mangueira – rubem gerardi
trata da sua vida – rubem gerardi
*Texto de Samuel Machado Filho
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Noitada De Samba (1978)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês uma ‘Noitada de Samba’. Vamos hoje com um disco que certamente passou batido  para muita gente. Coisa fina, coisa rara…
Em 1971 nascia a ideia da Noitada de Samba, um projeto musical criado por Jorge Coutinho e Leonides Bayer. Um encontro de grandes artistas da música popular brasileira que aconteceu no Teatro Opinião por mais de uma década! A Noitada de Samba surgiu em plena ditadura, sendo um foco de resistência, onde os artistas buscavam através de suas músicas expressar seus sentimentos de oposição ao regime militar. O Teatro Opinião foi palco de um espetáculo musical de samba, do artista popular, compositor e intérprete carioca. Um espetáculo que acontecia todas as segundas feiras. Pela noitada passaram dezenas de artistas, grandes nomes do samba como Adelzon Alvea, Ademildes Fonseca, Alcione, Aluisio Machado, Arlindo Cruz, Baianinho, Beth Carvalho, Carlos Lyra, Dona Ivone lara, Leci Brandão, Roberto Ribeiro, Monarco, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, João Nogueira, Martinho da Vila e tantos outros que nem dá para listar. Não somente os sambistas, mas artistas em geral, tinham no Teatro Opinião im dos poucos espaços de expressão. Foram 617 espetáculos ao longo de 13 anos. A Noitada de Samba durou até 1984, Recentemente virou um documentário, dirigido por Cely Leal, (preciso assistir!).
Este disco, um álbum histórico, reúne um pouco do que do que foi a Noitada de Samba, trazendo registros de Clara Nunes, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Odete Amaral, Xangô da Mangueira e muitos outros. É uma pena que seja um disco simples. Considerando o tempo que esse projeto durou, a centena de artistas que participaram e certamente as infinitas horas de gravação, poderiam ter gerado, no mínimo um álbum duplo. Mas é compreensível, tem sempre aquela questão dos direitos autorais, contratos de exclusividade e tantos outros obstáculos nesse grande negócio que foi o mundo da música.

seca do nordeste – clara nunes
tom maior – conjunto nosso samba
em cada canto uma esperança – dona ivone lara
tempos idos – odete amaral e cartola
ao amanhecer – cartola
estrela de madureira – roberto ribeiro
folhas caídas – odete amaral
eu e as flores – nelson cavaquinho
jurar com lágrimas – paulinho da viola
moro na roça – clementina de jesus
meu canto de paz – joão nogueira
verdade aparente – gisa nogueira
ah, se ela voltasse – baianinho
isso não são horas – xangô de mangueira
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Compactos – Giane (1965) – Silvana (1973)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados!  O TM oferece hoje mais uma seleção de compactos, dessas que tanto têm agradado a vocês. Esses dois tesouros de sete polegadas que hoje lhes oferecemos foram lançados nas décadas de 1960 e 70, e trazem um repertório essencialmente romântico. O mais antigo item de nossa seleção é o compacto simples de Giane (Georgina Morozine dos Santos), uma das precursoras da Jovem Guarda. Paulista de Bebedouro, ela se mudou ainda pequena para Jaboticabal, passando a infância entre essa cidade e Ribeirão Preto, onde começou sua carreira, na TV Tupi, Canal 3, atuando também como crooner da orquestra de Jaboticabal. Seu primeiro disco, em 78 rpm, foi lançado pela Chantecler em fevereiro de 1962, apresentando o samba médio “Quero ver” e o bolero “Por acaso”. É responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “Dominique”, “Angelita”, “Não saberás”, “Olhos tristes” (com participação especial de Barros de Alencar), “Saudade que não foi sequer saudade”, etc. Recebeu inúmeros prêmios ao longo de sua carreira, como o Troféu Chico Viola, em 1964, e, um ano depois, o Roquette Pinto de melhor cantora. O TM oferece um single de Giane lançado pela Chantecler por volta de junho de 1964. De um lado, “Preste atenção (Fais attention)”, versão de Paulo Queiroz para uma balada romântica de origem francesa, que no entanto faria mais sucesso na voz de Wanderley Cardoso, sendo por sinal o primeiro grande hit do cantor. No lado B, o divertido twist “Eu não posso namorar”, de Geraldo Nunes e Roberto Muniz, com um coral à la pato Donald simplesmente hilariante. Ambas as faixas apareceriam depois no segundo LP de Giane, lançado em março de 1965. Por outro, temos o compacto duplo de Silvana (Terezinha Almeida de Oliveira, Campos, RJ, 8/7/1941). Responsável por hits como “Amor, fonte da vida”, “Espinhos da saudade”, “Novilheiro  e “Pombinha branca”, formou uma bem-sucedida dupla com Rinaldo Calheiros interpretando tangos (“Cantando”, “Onde estás, coração?”, “Amor”…). Foi casada com o também cantor Marco Aurélio, já falecido, e igualmente gravaram músicas em dupla. Aqui, um compacto duplo Copacabana de 1973, no qual ela interpreta “Se tem que ser adeus… adeus”, de César e Cirus, lançada no ano anterior por Waldik Soriano, “Nunca mais eu te esqueci”, de Almir Rogério, aquele do “Fuscão preto”, em parceria com Jean Pierre, “Você é muito importante em minha vida”, composição de Cláudio Fontana, e “Avenida do amor”, de Carlos Bonani.  Enfim, uma seleção com repertório flagrantemente popular, apresentando letras simples e diretas, músicas como não se fazem mais atualmente. Confiram…

*Texto de Samuel Machado Filho

preste atenção – giane
eu não posso namorar – giane
se tem que ser adeus… adeus – silvana
nunca mais eu te esqueci – silvana
você é muito importante em minha vida – silvana
avenida do amor – silvana
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Lueli Figueiró – Nova Era (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Da minha viagem ao Sul, como disse anteriormente, achei muita coisa interessante que geralmente não se vê pelas bandas da cá. Eis aqui um outro exemplo, um disco da cantora, compositora e atriz gaúcha, Lueli Figueiró. Uma produção independe lançada no início dos anos 80. Disco bacana, que eu não conhecia. Estou adorando. “Nova Era” traz 10 faixas autorais, músicas de cunho mistico e espiritual da cantora, que a partir dos anos 70 passou a se dedicar ao Espiritismo e Astrologia. O álbum é uma produção independente, porém muito bem feita. Lueli vem acompanhada por um bom time de músicos, com participação do violonista Celso Machado. O trabalho agrada pela qualidade e pela voz na medida da cantora.
Vamos falar um pouco mais sobre Lueli (ou Luely) Figueiró numa próxima oportunidade através da sempre completa resenha de nosso amigo Samuel Machado Filho. Em breve ele estará aqui nos apresentando Luely Figueiró em sua fase de estrela do cinema e do rádio nacional, a fase das gravações em 78 rpm, reunidas em mais um número da nossa coleção Grand Record Brazil. Por enquanto, vamos apreciando este trabalho que merece toda a nossa atenção. Confiram!

a caravana  da cigarra
tres cruces
debandado de leque
canto de oxum
o cesto do nego
humaitá
angola de alumbará
ladainha de iaô
lamento de praieira
maculelê
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Viva A Gente (1969)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós de volta,.. E as nossas postagens de compactos ainda não encerrou. Vamos continuar trazendo os disquinhos de 7 polegadas, fiquem tranquilos!
Estive passeando, viajando pelo Sul e como sempre explorando pelas cidades onde passei, os sebos e lojas de discos que ainda resistem, espalhados por aí. Eu sempre tenho a esperança de encontrar alguma coisa rara e interessante. E geralmente eu encontro. Desta vez achei mais discos estrangeiros, que no caso, não serve para o nosso blog, mas ainda assim consegui alguns nacionais para compartilhar com vocês. Retomando as postagens, entre lps e compactos, vamos hoje trazendo um disco que eu fui descobri lá em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Por estranho que possa me parecer, nunca tinha visto ou ouvido este disco antes. De cara, pela capa e pelo selo já senti que tinha algo interessante aqui.Viva a Gente! O que seria isso? Pensei numa coletânea ou algo assim. Infelizmente, no momento da compra, não foi possível ouvir e nem pelo selo ou verso da capa eu consegui entender do que se tratava. Foi só agora, de volta, pude ouvir e pesquisar sobre ele. Descobri que se trata da ‘versão brasileira’ de um movimento jovem surgido nos anos 60, trazido por um grupo coral alemão chamado “Sing Out Deutschland”, que em 1966 se apresentou no Brasil. Este grupo trazia em sua música mensagens e sentimentos positivos, de motivação, buscando mobilizar a juventude da época para a construção de um mundo melhor. O lema era ‘honestidade, pureza, altruísmo e amor’. Uma ideia nova que surgia e encantava pelos seus objetivos. Era algo que, indiretamente, tinha um misto de movimento hippie (de paz e amor) com os movimentos jovens da igreja católica. O grupo Sing Out passou por diversas cidades da região sudeste e sul do país. Motivou muitos jovens a fazerem músicas com esse espírito positivista e deixou por aqui um embrião. Surgiu em Joinville, SC, um movimento/coral, o coletivo Viva a Gente, um grupo coral formado com mais de 50 integrantes. Este grupo, segundo contam, fez muito sucesso se apresentado por diversas cidades do sul, conseguindo inclusive gravar este disco, lançado em 1969 pelo selo Philips, com músicas, em sua maioria, versões do ‘Sing Out Deutschland’.
Existem na rede alguns sites e blogs que falam sobre o ‘Viva a Gente’, relatos de pessoas que participaram do movimento. Vale a pena conhecer. Quanto ao disco, com certeza, é uma peça rara, que eu só poderia ter encontrado mesmo no Sul. E olha que por lá ninguém sabia também do que se tratava! Creio que este disco nunca chegou a ser apresentado assim, para recordar e baixar… Só mesmo através de blogs como o Toque Musical, não é mesmo? 😉

viva a gente
américa latina
brasília
água para um país sedento
de que cor é a pele de deus?
sê jovem de coração
não estacione
olhe para o futuro confiante
escuta a voz
hoje, não amanhã
está errado
liberdade
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Duardo Dusek – Compacto (1978)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um compacto. Desta vez, é um single de início de carreira de um irreverente ator, cantor e compositor: Eduardo Dussek.  Batizado com o nome de Eduardo Gabor Dusek, nosso focalizado nasceu no Rio de Janeiro, no comecinho do ano de 1958, ou seja, a primeiro de janeiro. Começou sua carreira artística na adolescência, aos quinze anos, como pianista de peças teatrais, ocasião em que também estudava na Escola Nacional de Música. Mais tarde, passou a compor suas próprias músicas e montou uma banda, devidamente apadrinhada por Gilberto Gil.  Em geral, as composições musicais do então Eduardo Dusek aliam sátira e bom humor. Sua estreia em disco deu-se em 1975, ao interpretar “Ela não sabia nada (Piccadilly rock)”, parte da trilha sonora da novela “Bravo!”, da TV Globo, assinando-se a princípio como Duardo Dusek.  Já com músicas gravadas por nomes de peso da MPB (como, por exemplo, “Seu tipo”, na voz de Ney Matogrosso, e “Folia no matagal”, por Maria Alcina, mais tarde regravada por Ney e por ele mesmo), revelou-se para o grande público em 1980, no Festival de MPB da Globo, interpretando “Nostradamus”, de sua autoria, cantando e tocando piano de fraque, asas e ceroula branca! Ainda nesse ano, gravou seu primeiro álbum-solo, “Olhar brasileiro”. Mas o estouro definitivo aconteceria em fins de 1982, quando gravou o LP “Cantando no banheiro”, no qual se destacaram os hits “Barrados no baile”, “Rock da cachorra” e a faixa-título.  Entre outros sucessos, destacam-se: “Brega-chique – O vento levou black” (mais conhecida por “Doméstica”), “Cabelos negros”, “Eu velejava em você”, “Amor e bombas” (que tocava na abertura de outra novela global, “Bebê a bordo”) e “Aventura”.  Em 1989, atuou no musical “Loja de horrores”, no papel de um dentista. Seus trabalhos em televisão foram muitos, particularmente no especial infantil “Plunct plact zuuuum” (Globo, 1983), no papel de um professor de Matemática, e em novelas, como “Xica da Silva” (Manchete, 1996, na qual fez o Capitão-Mor Emanuel  Gonçalo). Na Globo, interpretou a si próprio nas novelas “As filhas da mãe” (2001), “Celebridade” (2004), “Tititi” (segunda versão, 2010) e no seriado humorístico “Sob nova direção”. Também fez personagens fictícios em outras produções da emissora. Quando este comentário estava sendo redigido, estava no ar em “I love Paraisópolis” (2015), interpretando o personagem Armandinho. No cinema, atou em “Federal” (2010) e “Os penetras” (2012). Sua discografia como intérprete abrange sete álbuns-solo, gravados entre 1980 e 2011, e o coletivo “Sassaricando – E o Rio inventou a marchinha” (2006), trilha sonora do musical teatral de mesmo nome.

 Aqui, o TM oferece um raro compacto simples deste artista notável e de talento, então assinando-se como Duardo Dusek.  Lançado em 1978 pela RCA, hoje Sony Music, foi produzido a quatro mãos por Nelsinho Motta e Eustáquio Sena, com arranjos de Don Charles, e apresenta duas composições dele mesmo em parceria com Cássio Freire. Abrindo o single, “Não tem perigo”, e, no verso, “Apelo da raça”. Um disco realmente difícil de se encontrar e bastante raro, mas revela  um talento de futuro bastante promissor. Desfrutem
*Texto de Samuel Machado Filho
não tem perigo
apelo da raça
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Paraguassú – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 141 (2015) Parte 2

Estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 141, apresentando a segunda parte do retrospecto que dedicamos a Paraguassu, “o cantor das noites enluaradas”.  São mais dezessete gravações de inestimável valor histórico e artístico que oferecemos aos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Abrindo esta seleção, o tango-canção “Tenho pena dos meus olhos”, de Angelino de Oliveira, gravação Columbia de 1931, lançada provavelmente no mês de maio, disco 22016-A, matriz 380982. Em seguida, a bela canção “Todo poeta nasceu para sofrer”, de Mílton Amaral, lançada pela Columbia em fevereiro de 1932, disco 22093-A, matriz 381122. “O violero do luá” (assim mesmo, em caipirês), é outra primorosa canção, do próprio Paraguassu com versos de Assumpção Fleury, e a Columbia a editou em janeiro de 1933, sob número 22183-A, matriz 381408. Ainda de 33 é “Esse boêmio sou eu”, outra canção, esta de Paraguassu sem parceiro, que abre o Columbia 22209, matriz 381409. “Portera  véia” (também com título em caipirês) é mais uma canção do próprio Paraguassu sem parceiro, em gravação Columbia de 1934, disco 22255-A, matriz 3003. Em seguida temos o clássico “Luar do sertão”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia também a ele creditada, mas que teria sido feita pelo violonista João Pernambuco a partir do tema folclórico nordestino “É do Maitá”. Lançada por Mário Pinheiro em 1914, como “toada sertaneja”, a canção tem várias gravações, e Paraguassu aqui a revive em registro Columbia de 1936, disco 8196-A, matriz 3261. “Zabumbo do bombo” é uma toada de Roberto de Andrade, que ele mesmo canta junto com Paraguassu em outra gravação Columbia de 1936, disco 8208-B, matriz 3315. Em seguida, outra modinha clássica, “Talento e formosura”, com versos de Catulo da Paixão Cearense e melodia de Edmundo Otávio Ferreira, também lançada originalmente por Mário Pinheiro, em 1904. A gravação de Paraguassu abre o disco Columbia 8280, de 1937, matriz 3430. A seguir, um outro clássico: a toada “Tristeza do jeca”, obra máxima de Angelino de Oliveira, verdadeiro hino do caipira paulista. Surgiu em disco pela primeira vez em 1925, na execução da Orquestra Brasil-América, e, um ano depois, Patrício Teixeira a gravou cantada, com sucesso. Merecedora de inúmeras gravações, é interpretada aqui por Paraguassu em registro Columbia de 1937, disco 8287-A, matriz 3431. No verso, matriz 3433, uma regravação da canção “A choça do monte”, outra obra totalmente creditada a Catulo da Paixão Cearense. Foi lançada por Eduardo das Neves em 1913, e Paraguassu já havia feito gravação anterior, pela Odeon, em 1927. Apresentamos em seguida as duas músicas do disco gravado por Paraguassu em dueto com Nhá Zefa (Maria di Léo), considerada a caipira mais preferida de Cornélio Pires, embora fosse paulistana do Brás, onde também nasceu Paraguassu, e, como ele, filha de imigrantes italianos. São duas batucadas que a Columbia editou sob número 8328, por certo visando o carnaval de 1938: “Baiana dengosa”, motivo popular adaptado pelo próprio Paraguassu, matriz 3581, e “Olá, seu Barnabé”, dele mesmo sem parceria, matriz 3582. Da curta passagem de Paraguassu pela Victor é a rancheira “Natal dos caboclos”, dele próprio em parceria com o já mencionado Capitão Furtado (Ariowaldo Pires), com participação vocal do Quarteto Tupã, formado pelo compositor Georges Moran, russo radicado no Brasil, e integrado pelas então jovenzinhas  Salomé Cotelli, Consuelo, Hedymar Martins (irmã de Herivelto Martins) e  Lourdes, que mais tarde fariam parte de outros grupos mais famosos. Gravação de 26 de setembro de 1938, lançada pela marca do cachorrinho Nipper em dezembro do mesmo ano, disco 34397-B, matriz 80904. É nesse período que, como já informamos, as gravações de Paraguassu ficam cada vez mais espaçadas. Tanto que as duas faixas seguintes são de 1945, na Continental, ambas com acompanhamento do conjunto do violonista Antônio Rago, e gravadas em 12 de julho desse ano. “Perdão, Emília”, outra famosa modinha brasileira, tem versos de José Henriques da Silva (1855-1930), poeta e jornalista português radicado desde menino na cidade de São João da Barra (RJ). Ele os escreveu em 1874, com apenas 19 anos, com o título de “Vingança no cemitério”, sendo musicada depois pelo sanjoanense Juca Pedaço (“Perdão, Emília foi título dado por batismo popular).  O registro de Paraguassu, o único feito na fase elétrica de gravação, foi lançado pela Continental em agosto de 1945, sob número 15411-A, matriz 10444. “Estela” é outra modinha clássica, com versos de Adelmar Tavares e melodia de Abdon Lyra. Feito na mesma sessão de “Perdão, Emília”, a 12 de julho de 1945, o registro de Paraguassu  foi lançado pela Continental em setembro do mesmo ano sob número 15419-A, matriz 10445. A moda campeira “Gaúcho guapo”, do próprio Paraguassu, foi por ele gravada na mesma Continental em 16 de abril de 1948, matriz 10849, mas o disco só saiu em março-abril de 49, sob número 16064-A. Por fim, apresentamos “Janela fechada”, valsa-canção do próprio Paraguassu, lado B de seu derradeiro disco 78, o Chantecler 78-0303-B, lançado em agosto de 1960, matriz C8P-606. Enfim, é a homenagem do GRB ao notável  e legendário Paraguassu, que através de seu canto resgatou inúmeras páginas musicais genuinamente nossas e lançou outras tantas, e deve ser sempre enaltecido pela contribuição preciosa que deixou para a MPB.

* Texto de Samuel Machado Filho

Gal Costa – Gilberto Gil – Torquato Neto- Os Últimos Dias De Pauperia (1973)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos. Espero que vocês não reparem, mas estarei dando uma pausa nas postagens, na próxima semana. Estarei viajando e sem condições de fazer muita coisa. Mas logo eu estarei de volta com boas e novas para vocês, ok? Para não dizerem que ficamos apenas em compactos medianos, vou deixando aqui uma raridade. Um tipo de disco que colecionadores adoram, Temos aqui um disquinho bacana, compacto que integra o livro “Os Últimos Dias De Paupéria”, de Torquato Neto, lançado em 1973. Uma produção bem limitada, difícil de achar até mesmo no Mercado Livre. No compacto temos duas músicas da parceria Torquato Neto com Carlos Pinto: “Todo dia é dia D”, com Gilberto Gil e “Três da madrugada”, com Gal Costa. Duas gravações raras, feitas especialmente para este trabalho. E também feita especialmente é essa capa/contracapa para o Toque Musical, pois o disquinho originalmente vem num simples envelope.

todo dia é dia d – gilberto gil
três da madrugada – gal costa
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Compactos – Roberton Riberti (1977) – Ataulfo Junior (1973)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguem aqui mais dois compactos, desta vez trazendo o cantor e compositor paulista Roberto Riberti neste compacto de pré lançamento de seu primeiro lp, disco este já postado aqui no Toque Musical em outros tempos. Na sequência, temos o filho do Mestre Ataulfo Alves, o Ataulfo Jr. figura de muito talento, sambista, compositor e intérprete consagrado, com muitos discos gravados, principalmente compactos, entre eles temos este aqui de 73. Confiram

apenas mais um – roberto riberti
canção popular – roberto riberti
teu reinado – roberto riberti
rendição – roberto riberti
canto de amor – ataulfo junior
o samba seguinte – ataulfo junior
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Barros De Alencar – Compacto (1975)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um compacto duplo de 1975, selo RCA Victor, com quatro músicas interpretadas pelo cantor, compositor e radialista Barros de Alencar. Nosso focalizado, na pia batismal Cristóvão Barros de Alencar, veio ao mundo na cidade de Uiraúna, Paraíba, no dia 5 de agosto de 1932. Sua carreira de comunicador começou na Rádio Borborema de Campina Grande. Com o objetivo de buscar novos horizontes, viajou por inúmeras capitais brasileiras, tais como Recife, Fortaleza, Belo Horiznte e São Paulo, onde finalmente conseguiu um  lugar ao sol, em meados da década de 1960, contratado pela PRG-2, Rádio Tupi, então “a mais poderosa emissora paulista”.  Seu programa “Só sucessos”, em que executava os hits da ocasião, foi durante anos campeão absoluto de audiência, sobretudo entre as camadas mais populares. Barros passou também pelas rádios Record, América e Super Tupi (hoje Super Rádio). Na televisão, foi sucesso de audiência na Record, entre 1982 e 1986, com o “Programa Barros de Alencar”, onde ficou famoso com o bordão “Alô, mulheres, sentem-se nas cadeiras! Alô, marmanjos, não façam besteiras!” Gravou seu primeiro disco como intérprete em 1966, pela Chantecler, um compacto simples com duas versões: “Agora sim (Adesso si)”  e “Não vá embora (Tu me plais et je t’aime)”.  Inúmeros foram seus sucessos como cantor (que, evidentemente, executava em seus programas de rádio): “Olhos tristes” (coma participação de Giane), “Noites”, “Ana Cristina” (“Teus olhos são rasgadinhos, de boneca japonesa”…), “Meu amor é mais jovem do que eu”, “Namorados”, “Emanuela”, “Prometemos não chorar”, “Apenas três minutos” etc. Ao todo, gravou sete compactos e cinco LPs, além de participações em inúmeras coletâneas.  Por causa de uma delicada cirurgia na garganta, Barros de Alencar teve de se afastar das atividades artísticas.

O compacto duplo de Barros de Alencar que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a vocês, oferece quatro músicas que fizeram muito sucesso quando lançadas, em 1975, captando muito bem o gosto e a sensibilidade popular, no que é chamado de música brega, termo em princípio pejorativo, sinônimo de “cafona”, mas hoje designa música popular facilmente assimilável. “Por esse amor que tu me dás”, a faixa de abertura, é versão de Jean Pierre para um hit do cantor espanhol Júlio Iglésias. Seguem-se “Estou ficando louco”, “Natali” (outra versão de Jean Pierre, esta para um sucesso do cantor italiano Umberto Balsamo) e, por fim, “A menina que cresceu”, composta por Tony Damito e Cézar para o filme “O conto do vigário”, dirigido por Kleber Afonso, e no qual Barros era o ator principal, contracenando com a também cantora Nalva Aguiar.  Enfim, um trabalho que mostra Barros de Alencar em um dos melhores momentos de sua carreira, e por certo vai reavivar as lembranças de muitos que vivenciaram esse tempo. Divirtam-se!
por esse amor que tu me dás
estou ficando louco
natali
a menina que cresceu
* Texto de Samuel Machado Filho

Compactos – Antonio Martins (1967) – Leonardo (1968)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Seguem aqui mais dois compactos. Dois ilustríssimos desconhecidos, pelo menos para mim e para o Google, onde também não consegui extrair grandes coisas. O que temos aqui são dois compactos dos anos 60. Dois cantores românticos, nitidamente Jovem Guarda, principalmente o Leonardo que num primeiro momento achei que fosse o Roberto Carlos em rotação acelerada. Este, certamente faz parte da turma obscura da JG> Antonio Martins é outro que trilha o caminho romântico popular. Ao que tudo indica, gravou um outro compacto pelo selo Cantagalo. O disquinho pode ser buscado no site do amigo Chico, o excelente Sanduíche Musical. E por aqui… vamos nessa casadinha, despertando a curiosidade 🙂

mais que antes – antonio martins
não somos nada – antonio martins
deixa-me chorar – leonardo
pra você – leonardo

Varig – Conheça O Brasil – Urashima Tarô (1971)

Olá, amigos cultos e ocultos! Nos próximos dias eu quero estar postando aqui no Toque Musical alguns compactos que andei adquirindo através de compras e doações. Disquinhos interessantes que eu até o momento não tinha ouvido com atenção. Começo com dois compactos curiosíssimos, discos promocionais que ganhei do meu amigo Fáres.  Lançados nos anos 60 pela saudosa Varig, quando então ela investia pesado em propaganda. Suas campanhas e jingles faziam tanto sucesso que chegaram a ser produzidos em discos. Esses eram distribuídos como cortesia e em forma de promoção pelas agencias de viagem, em aeroportos e em seus vôos. Na campanha “Conheça o Brasil”, dentro do plano de turismo nacional, quando a empresa voava para as maiores cidades brasileiras, eles criaram uma pequena coleção de compactos com temas dedicados as diferentes regiões do Brasil. Aqui temos o volume 1 que corresponde aos temas de quatro estados: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Esta campanha publicitária da Varig, se não me engano, é já do início dos anos 70. Na sequencia, temos outro sucesso, “Urashima Tarô”. Muitos devem lembrar… Este jingle foi criado em 1968 quando a Varig passou a operar com uma linha direta de vôos para o Japão. No compacto (em 78 prm!) a música aparece em duas versões, português e japonês, cantada pela apresentadora Rosa Miyake,
A Varig foi a primeira empresa comercial de aviação brasileira, criada nos anos 20, na cidade de Porto Alegre pelo alemão Otto Ernst Meyer. Esta empresa tem muita história e também tem quem já viajou por ela. Eu mesmo tenho as minhas, quando ainda criança fui para a Bahia nas asas da Varig, com direito a conhecer a cabine do piloto. Ah, nada como ser criança 🙂 Bons tempos! Foi uma das maiores companhias aéreas do mundo, atingindo o auge nos anos 60 e 70. Mas como tudo que é nacional, acabou falindo. Fechou as asas em 2006, para a tristeza de muita gente. Hoje, só nos resta recordar

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Máximo de Sucessos (1971)

Meus prezados amigos cultos e ocultos. Segue aqui uma coletânea das mais interessantes. Uma seleção com alguns dos mais expressivos artistas que gravavam pela Philips no início dos anos 70. Disco mono, porém de capa dupla. Um luxo que as gravadoras, na época, podiam se dar, ou nos dar, melhor dizendo. Esta é sem dúvida uma coletânea rara que muito colecionador gostaria de por a mão. Foi o disco inicial, o primeiro de uma série que viria a ser lançada pela gravadora durante aquela década. Não tenho muita certeza, nem tive tempo de pesquisar, mas creio que chegaram a quase 20 volumes. Uma boa estratégia da gravadora para apresentar seus artistas e lançamentos. E começou bem 😉

rosa dos ventos – chico buarque de hollanda
madalena – ivan lins
mano caetano – jorge ben e maria bethania
a próxima atração – ivan lins
chuvas de verão – maysa
o sorriso de narinha – trio mocotó
bloco da solidão – jair rodrigues
london london – gal costa
oba la vem ela – jorge ben
a semana inteira – erasmo carlos
quem viu helô? – claudette soares
deixa estar – mpb-4

Carlos Augusto – Juro (1961)

Nosso álbum de hoje já estava na web (até eu mesmo já baixei, não me lembro bem de que blog).  Ainda assim, o Toque Musical decidiu também oferecê-lo a seus amigos cultos, ocultos e associados, pois se trata de um produto de qualidade, além de ser bastante raro.  Trata-se de um LP lançado pela Odeon, em 1961, apresentando um dos maiores cantores brasileiros de sua época: Carlos Augusto. Na pia batismal, este nosso cantor chamava-se Carlos Antônio de Souza Moreira. Veio ao mundo em Fortaleza, capital do Ceará, no dia 10 de julho de1933. Foi em sua cidade natal que começou a cantar, na Rádio Iracema. Em 1950, mudou-se para a então Capital da República, o Rio de Janeiro, a fim de estudar no tradicionalíssimo Colégio Pedro II. Nessa ocasião, recebe convite para cantar na orquestra da Boate Night and Day. Pouco tempo depois, fez uma excursão pela região Nordeste do país, como parte de uma caravana de artistas que incluía, entre outros, a eterna “Favorita”, Emilinha Borba, então grande estrela da Rádio Nacional, que contrataria em seguida o nosso Carlos Augusto. Em maio de 1952, sai o primeiro 78 do cantor, pela Sinter, trazendo o fox “Meu sonho de amor” , de Paulo César, e o samba-canção “Briguei com você”, dos irmãos Haroldo e Hianto de Almeida.  Seu primeiro LP, de 10 polegadas, é lançado pela mesma gravadora em 1954, intitulado “O trovador  moderno”. Gravou mais de 40 discos  em 78 rpm, além de 7 LPs como solista, 4 compactos duplos, e participações em álbuns coletivos, sobretudo carnavalescos. Deixou sucessos inesquecíveis, tais como “Icaraí”, “Cigarro sem batom”, “Canção da eterna despedida”, “Negue”, “Esta noite ou nunca”, “Pecado ambulante”, “Vitrine”,  “Noite de saudade”, “Seria tão diferente” e outros mais. Infelizmente, Carlos Augusto morreria de forma trágica, em acidente automobilístico, no ano de 1968, quatro anos após gravar seu último disco, um compacto duplo, na Polydor/Philips. Este “Juro”, que o TM oferece hoje, vem a ser o sétimo e último LP-solo de Carlos Augusto, e depois dele o cantor só lançou compactos. A faixa-título é de Adelino Moreira, que, além de compor para Nélson Gonçalves, também criava números especialmente para outros cantores,como nosso Carlos Augusto. Adelino também comparece com “É mentira” (parceria com Oswaldo França), “Deus sabe o que faz” e “Seria tão diferente” (este, em parceria com Antônio Luna, nessa ocasião também gravado por Núbia Lafayette), todos sambas-canções românticos. Ele regrava aqui “Cigarro sem batom”, de Fernando César, por ele próprio lançado em 1955 como valsa,  em ritmo de bolero no presente LP,  e também revive “Boneca de pano”, expressivo samba de Assis Valente, originalmente lançado em 1950 pelos Quatro Ases e um Coringa. Composições de Ricardo Galeno (“A dor que mais dói”, “Deixa falar”, “Quem dá ordens sou eu”, “O sol da verdade”), Paulo Borges (“Cigarra”) e Cyro de Souza (“Volta”, também gravado na mesma ocasião por Marco Antônio) completam o disco, sem dúvida um dos melhores trabalhos fonográficos do inesquecível Carlos Augusto!
a dor  que mais dói
cigarra
deixa falar
é mentira
juro
quem dá ordens sou eu
boneca de pano
seria tão diferente
cigarro sem baton
o sol da verdade
deus sabe o que faz
volta
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* Texto de Samuel Machado Filho

Coisas De Hoje (1972)

Boa noite a todos os amigos cultos e ocultos! Para não espaçar muito nossas postagens, eu vou trazendo aqui mais um disquinho que tem sido procurado pelos japoneses. Este é outro que está indo para o Japão. Quando dizem que os gringos conhecem mais da nossa música que nós mesmos eu as vezes não duvido. Quais seriam aqueles que hoje pagariam 150 reais num lp como este? Ou ainda, quantos já ouviram ou tem interesse em ouvir este disco? Quantos serão aqueles que irão baixar ou compartilhar este lp? Certamente, pouquíssimos. Mesmo assim, antes de partir para a ‘terra do sol nascente’, vou deixar uma cópia dele aqui para os poucos que ainda acreditam nessa coisa de música e discos.
Temos uma seleção muito boa de músicas variadas, em sua maioria brasileira. tem Caetano Veloso, Moacir Franco, Roberto e Erasmo Carlos, Ivan Lins, Candeia e outros… Um pequeno leque de sucessos daquele final de anos 60, interpretados por um conjunto vocal anônimo, coisa bem comum naqueles tempos onde as gravadoras apostavam em regravações de sucessos com outros músicos, geralmente os de seus próprios estúdio. Projeto essencialmente comercial que de uma certa forma tinha lá seus interessados. Vender sucessos, coisas do momento

namoradinha
detalhes
rumo certo
como dois e dois
vai pro lado de lá
olha em torno e me encontrrás
me deixa em paz
e lá se vão meus anéis
capim barba de bode
deixa que eu vá
eu nunca mais vou te esquecer
a música do meu caminho
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Nadinho Da Ilha – Aluou, Serenou, Violonou, O Samba Serestou (1974)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o TM apresenta a vocês o primeiro  LP-solo de um artista completo (cantor, compositor, ator), que interpretava o samba de maneira particular e bem-humorada: Nadinho da Ilha. Com o nome de batismo de Aguinaldo Caldeira, nosso focalizado de hoje veio ao mundo no dia 11 de junho de 1934, no Rio de Janeiro. Seu apelido não era referência à Ilha do Governador, como muitos imaginam, mas à Ilha dos Velhacos, comunidade situada na Muda, subdistrito da Tijuca. Tinha 1,90m de altura, estatura pra lá de alta, e por isso mesmo foi diversas vezes comparado a Monsueto, com quem tinha impressionante semelhança física. Intérprete da linhagem dos cantores negros de voz encorpada, como Jamelão, Abílio Martins e, claro, o próprio Monsueto, ia da nota alta à mais baixa com muita facilidade. Nosso Nadinho começou na música muito cedo, sob influência familiar, uma vez que era sobrinho de nada mais nada menos que Nilo Chagas, que integrou o Trio de Ouro, liderado por Herivelto Martins, nas duas primeiras fases (com Dalva de Oliveira e, mais tarde, com Noemi Cavalcanti). Criado no Morro do Borel, lá mesmo na Tijuca, aos 12 anos foi levado pelo mítico Geraldo Pereira para tocar tamborim em seu programa de rádio. O contato com os sambas sincopados do mestre Geraldo ajudou o pequeno Nadinho a desenvolver um apurado senso rítmico. Ainda jovem , atuou como cantor no grupo de Heitor dos Prazeres, ao lado de outros nomes ilustres do samba, caso de Mestre Marçal, ingressando, logo em seguida, na ala de compositores da Escola Unidos da Tijuca. Antes de viver de música, trabalhava também como soldador elétrico e serralheiro na White Martins. Além do possante vozeirão, Nadinho da Ilha tinha outras qualidades que o tornaram um artista versatilíssimo, como eloquência, marcante presença de palco, elegância e suingue. E logo seria convidado para trabalhar como ator e humorista no teatro e na televisão. Atuou nos espetáculos teatrais “Deus lhe pague”, de Procópio Ferreira, e “´Ópera do malandro”, de Chico Buarque. Na TV , participou da “Buzina do Chacrinha”, na Globo, dos humorísticos “Balança mas não cai” (também na Globo) e “Cabaré do Barata” (Manchete), este último ao lado de Agildo Ribeiro, além do especial infantil “Tem criança no samba”, dirigido por Augusto César Vannucci para a Rede Globo. No cinema, atuou no filme ‘Loucuras cariocas”, de Carlos Imperial. Nadinho da Ilha teve sua primeira oportunidade fonográfica em 1971, quando participou do LP coletivo “Quem samba fica… Adelzon Alves mete bronca e a moçada do samba dá o recado”, interpretando as faixas “Caminhante solitário” e ‘Lapa”. Dois anos mais tarde, vem o primeiro compacto simples, com as músicas “Baianeiro” e “É o mal de muita gente”. Lançou quatro álbuns-solo (entre eles “Cabeça feita”, de 1977, considerado verdadeira obra-prima) e inúmeros compactos, além de participar de inúmeros projetos coletivos. Fez shows também ao lado de outros bambas do sambas, tais como Beth Carvalho, D. Ivone Lara, Monarco e Délcio Carvalho. Pois é justamente o primeiro álbum-solo de Nadinho da Ilha que o TM oferece com a mais grata satisfação a vocês hoje: é “O samba serestou”, lançado pela EMI-Odeon em 1975. Produzido para a Odeon pelo “cracão” Adelzon Alves, e com arranjos dos maestros Nelsinho e Luiz Roberto, este último violonista e contrabaixista, é um trabalho primoroso, com Nadinho mostrando o seu lado intérprete em todas as dez faixas, assinado por nomes respeitáveis, como Mano Décio da Viola (“Obsessão”), as duplas Délcio Carvalho-Avarese (“O maior show da terra”) e Maurício Tapajós-Mauro Duarte (“Sacrifício”) e Zinco (“Neuza”). Da discografia de Nadinho como cantor-solo ainda fazem parte os álbuns “O samba bem-humorado de Nadinho da Ilha (1995) e “Meu amigo Geraldo Pereira” (2009), uma homenagem a seu mestre e mentor, que acabaria sendo seu último trabalho em disco, pois, a 4 de agosto desse ano, ele faleceria, de complicações com diabetes e um câncer no abdômen. Enfim, apresentando este primeiro álbum-solo de Nadinho da Ilha, o TM presta uma merecida homenagem a um dos maiores sambistas que o Brasil já teve.

obsessão
o maior show da terra
ingrata mulher
adeus suspenso
aves de arribação
praia de pedra e pranto
sacrifício
olhos de azeviche
ação de despejo
neusa

*Texto de Samuel Machado Filho

Vários – Juventude E Ritmo (1969)

Olá amigos cultos e ocultos! Finalmente uma brecha nesta quinta-feira. Dá tempo de vir aqui e postar alguma coisa. Na verdade, estou cheio de coisas para se ouvir com outros olhos, mas o que tem pegado é a disponibilidade do Augusto aqui…
Estou trazendo hoje um disco que agora está lá no Japão. Comprei para um colecionador com quem negociei outros discos. Sinceramente, acho que ele pagou caro por uma coletânea como esta que traz, sem dúvida, algumas peculiaridades e sucessos do final dos anos 60. Jovem Guarda em seu último suspiro. Temos, por exemplo o Luiz Ayrão que passou pela Jovem Guarda, mas acabou fazendo sucesso mesmo foi no samba. A cantora Elizabeth vem com a faixa “Tanto amor sem ter ninguém prá dar”, música que segundo o meu amigo Samuca, só saiu neste lp. Fábio, aquele do LSD, canta desesperado a sua “Stella”, música de relativo sucesso na época. Seguem também outros ultra românticos Márcio Alexandre e José Ricardo. E também na fita, quero dizer, na faixa, A Turma do Embalo, dando um tom mais descontraído e divertido ao disco. Vale uma conferida…

tanto amor sem ter ninguém pra dar – elizabeth
preciso de você demais – josé ricardo
uma canção, eu e você – fabio
que vale a vida sem amor – luiz ayrão
pedrinha de gelo – márcio alexandre
those were the days – a turma do embalo
stella – fábio
banho de sorvete – a turma do embalo
não me deixe nunca mais – elizabeth
a palavra é você – josé ricardo
alucinado por você – márcio alexancre
três tempos – luiz ayrão
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Paraguassú – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 140 Parte 1 (2015)

Finalmente está chegando aos amigos cultos, ocultos e associados do TM uma novíssima edição do Grand Record Brazil, a de número 140. Apresentamos nesta quinzena a primeira de duas partes de um retrospecto dedicado a Paraguassu, certamente um dos pioneiros do disco  e do rádio no Brasil.

Batizado com o nome de Roque Ricciardi, o cantor nasceu em São Paulo, a 25 de maio de 1894. Seus pais, italianos, tiveram seis filhos, sendo nosso focalizado o terceiro deles, e primeiro a nascer no Brasil. O falecimento de seu pai, dono de armazém e ferraria, abalou a tranquila vida familiar, e o menino Roque foi logo encaminhado ao trabalho, como tipógrafo, por pouco tempo, e como seleiro, por muitos anos, chegando a mestre no ofício. Desde criança ele estava empolgado com a música e, ainda imberbe, depois do trabalho, já se apresentava em cafés-cantantes, serestas e rodas boêmias, de violão em punho. Mesmo falando perfeitamente o italiano e conhecendo as canções da terra de seus pais, ele só cantava modinhas brasileiras. Em 1908, o grande Eduardo das Neves, em temporada paulistana, tem a oportunidade de ouvi-lo no Café Donato e o convida para o espetáculo que daria. Foi uma emoção inesquecível para o menino de catorze anos. Contava Paraguassu que fez suas primeiras gravações em 1912, em São Paulo, sob o selo Phoenix, mas esses discos não têm sido localizados por nenhum colecionador.  Comprovadamente, gravou na pioneira Casa Edison (selo Odeon), em 1926/27, um total de sete discos com catorze músicas, ainda na fase mecânica. Já havia ingressado, em 1924, sem ganhar um só tostão, na pioneira Rádio Educadora Paulista, que funcionava nas torres do Palácio das Indústrias de São Paulo, e onde se cantava “num telefone”. Seus companheiros de então eram Alberto Marino e Américo “Canhoto” Jacomino, sendo que este último Paraguassu conheceu numa seresta, em plena rua. Em 1927, no início da fase elétrica de registros fonográficos, registra na Odeon dois discos com duas músicas. Em 1929, a convite, ingressa no elenco da nóvel Columbia, sob a direção artística do maestro Gaó  (Odmar Amaral Gurgel), então com apenas 20 anos de idade. Paraguassu, embora na casa dos 34 anos, já representava a “velha guarda”.  Até esse momento, tinha aparecido nos selos dos discos com seu nome verdadeiro, Roque Ricciardi. Cansado de ser chamado de “italianinho do Brás”, escolheu um pseudônimo bem brasileiro, Paraguassu, fazendo questão dos dois “ss”. Recordando episódios da história do Brasil, lembrou-se dos índios Caramuru e Paraguassu e escolheu este último, que aliás era índia, e não índio. E passaria a ser “o cantor das noites enluaradas”. Foi na Columbia que Paraguassu desfrutou de sua fase áurea, entre 1929 e 1937, gravando 77 discos com 146 músicas. Em seguida, suas gravações iriam se espaçar cada vez mais: na Victor (1938), Odeon (idem), novamente na Columbia (1939 e 1942), Continental  (1945 a 1949), Todamérica (1953) e Chantecler (1960), perfazendo um total de 101 discos 78 rpm com 192 músicas. Ainda gravaria LPs rememorativos, em 1958 e 1969. Também foi bom compositor, mas não se inibiria em apresentar, como suas, algumas canções tradicionais, inclusive gravadas por outros antes dele. Um expediente sobretudo prático de reservar para si direitos musicais que, na maioria dos casos, não seriam destinados a ninguém. Paraguassu faleceu em sua Pauliceia natal, no dia 5 de janeiro de 1976, aos 81 anos de idade.
De seu extenso e bastante expressivo legado fonográfico, o GRB foi buscar, nesta primeira parte, dezessete preciosas gravações, apresentadas em ordem cronológica. Abrindo esta seleção, temos  a modinha “Lua de fulgores”, com acompanhamento ao violão de Américo Jacomino, o Canhoto, gravação Odeon de 1926, disco 122938. Dada como “arranjo” do intérprete, é na verdade a famosa “Lua branca”, de Chiquinha Gonzaga, surgida em 1912 na burleta teatral

Pacífico Mascarenhas – Sambacana VI (1988)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês este lp do compositor mineiro Pacífico Mascarenhas, considerado o pioneiro da Bossa Nova em Minas Gerais. Já apresentei aqui outros discos dele. Este, inclusive, eu achava que já tinha postado. A capa é bem legal com fotos da turma da Savassi, nos anos 50. Savassi era o nome de uma padaria, depois também deu nome a praça onde um dia ela existiu. Pacífíco fazia parte desse grupo.
Neste álbum, de capa dupla, lançado com selo Bemol em 1988, Pacífico Mascarenhas nos apresenta um repertório autoral, com regravações e novas composições. Seu Sambacana VI conta com um time de músicos de primeiríssima: Helvius Vilela, Juarez Moreira, Ezequiel Lima, Rubinho e Lincoln Cheib. Na contracapa, como podemos ver, além das letras, temos também o método para acompanhamento de piano patenteado pelo artista.

amo você
poderia escrever um livro
serenata
demolição
praça da savassi
leva-me pra lua
rio de janeiro
outras noites assim
férias
eu gosto mais do rio
da sua própria voz
se eu tivesse coragem
dançando com você
nosso amor não deu certo
.

 

Paraguassú – Mágoas De Um Trovador (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje chegamos na postagem de número 3.000. Podia até ser mais, não fossem tantas pausas que de um tempo para cá eu tenho dado. As vezes até eu me espanto com esse número, uma prova de que já nos tornamos tradição.
E falando em tradição, em coisas das antigas, eu trago hoje Roque Ricciardi, mais conhecido como Paraguassú, um pioneiro do rádio e da fonografia nacional. Violonista, cantor e compositor paulista, autor de toadas clássicas da música popular brasileira. Não vou entrar em muitos detalhes, pois em breve teremos aqui uma nova edição do Grand Record Brazil, trazendo o Paraguassú em uma resenha completa feita pelo nosso amigo e colaborador, Samuel Machado Filho.
Quero apenas apresentar este disco, um verdadeiro clássico, muitas vezes desprezado pela grande mídia. Temos aqui “Mágoas de um trovador”, primeiro lp de 12 polegadas lançado pelo artista, trazendo uma seleção de suas antigas composições em uma nova releitura, com arranjos do maestro Erlon Chaves. Um disco muito bonito, que merece o nosso toque musical. Confiram

lamentos
meu violão
madrugada na roça
lua triste
porteira velha
madalena
nunca mais
esse boemio sou eu
mágoas
velho monjolo
luar da minha terra
rosário de lágrimas
.

Agepê – Tipo Exportação (1978)

Ele se chamava Antônio Gílson Porfírio. E foi da pronúncia fonética das iniciais de seu nome que se originou o pseudônimo com o qual ele ficaria para a posteridade: Agepê. Nascido no Rio de Janeiro, a 10 de agosto de 1942, filho de uma alagoana de origem índia e de pai músico, passou a infância quase na miséria, no Morro do Juramento, Zona Norte carioca. Órfão de pai ainda menino, foi à luta para ajudar a mãe faxineira. Aos 18 anos, enquanto prestava serviço militar na Aeronáutica, arregimentou uma gangue e fugia sistematicamente do quartel para namorar. Acabou sendo inevitavelmente expulso da corporação…  Como integrante da ala de compositores da Escola de Samba Portela, Agepê era uma espécie de ídolo de plantão, e estava sempre presente nos ensaios e desfiles da “azul e branco”. Antes de conquistar a almejada fama, trabalhou como transportador de bagagens, sendo conhecido, nesse tempo, como Ripinha, office-boy da Embaixada da Alemanha no Rio de Janeiro e técnico-projetista da extinta Telerj (Telecomunicações do Rio de Janeiro), ofício que abandonou para seguir a carreira artístico-musical. Em 1975, Agepê consegue seu primeiro êxito logo no primeiro compacto simples, pela Continental, com “Moro onde não mora ninguém”, que fez junto com Canário, seu mais constante parceiro, e que daria título a seu primeiro LP. Esse foi o pontapé inicial para uma trajetória repleta de sucessos, tais como “Todo prosa”, “Sete domingos”, “Moça criança”, “Menina de cabelos longos”, “A dança do meu lugar”, “Ela não gosta de mim”, “Deixa eu te amar” (talvez o maior de todos), “Me leva”, “Lá vem o trem” etc., conquistando um público cada vez mais fiel.  Seu eclético repertório, além de sambas, tinha também ritmos nordestinos, em especial o baião. Apresentando-se em impecáveis ternos de cetim branco e sapatos de cromo da mesma cor, Agepê era o símbolo do som romântico, que às vezes até beirava a sensualidade. Humilde, creditava seu sucesso ao fato de já ter vivido “de A a Z”, e, por isso, saber a linguagem do povo. Também obteve êxito com sua regravação de “Cama e mesa”, de Roberto & Erasmo Carlos, em 1992. Agepê faleceu no dia 30 de agosto de 1995, aos 53 anos, em seu Rio de Janeiro natal, vitimado por cirrose alcoólica, deixando uma discografia de quinze álbuns de carreira (o último deles, “Feliz da vida”, foi lançado um ano antes de sua morte, em 1994), e alguns compactos.  Dela, o Toque Musical oferece hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, o terceiro LP, “Tipo exportação”, lançado em 1978 pela Continental. Aqui, ele conta com músicos de primeiro time, a começar pelo arranjador e regente, Waltel Branco, o acordeonista Sivuca, o gaitista Maurício Einhorn, o violonista Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, o baterista Picolé, os percussionistas Chico Batera, Mestre Marçal  e Pedro Sorongo, o tecladista Lincoln Olivetti, etc. No coro, a curiosidade vai para a presença de Roberto Quartin, proprietário, nos anos 1960, da gravadora Forma, que produzia MPB de alta qualidade e era fã incondicional de Frank Sinatra, chegando a ter um completíssimo acervo a respeito do cantor norte-americano, inclusive com registros sonoros inéditos em disco. O próprio Agepê e seu inseparável parceiro Canário assinam cinco músicas deste trabalho, entre elas “Operário Pedrão” (o título talvez seja referência ao concurso Operário Padrão, durante anos promovido pelo Sesi em parceria com o jornal carioca “O Globo”), “A musa dos heróis” e “Dia de graça”. Marcam também presença neste primoroso trabalho composições de Ary do Cavaco (“Prece a Padim Ciço”), das duplas Romildo Bastos-Toninho Nascimento (“Morena da cor da Bahia”) e Wilson Moreira-Ney Lopes (“Samba Ioiô”).  Enfim, um trabalho musical da mais alta qualidade técnica e artística, que o TM tem a grata satisfação de oferecer. Dá pra pedir mais?

mundo bom
eu e a violinha
samba yoyô
bandeira de vilma
prece a padim ciço
operário padrão
a musa dos heróis
dia de graça
um samba no baú
morena da cor da bahia
* Texto de Samuel Machado Filho

 

Juca Chaves – Ninguém Segura Este Nariz (1974)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum de Juca Chaves, seguramente um dos maiores humoristas do Brasil. Jurandyr Chaves (seu nome na pia batismal) nasceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1938, mas foi criado em São Paulo. Músico de formação erudita, começou a compor ainda na infância. Iniciou sua carreira em fins dos anos 1950, cantando modinhas e trovas em estilo suave.  Fez o primeiro recital no Teatro Leopoldo Fróes, em 1957, e queria ser também jornalista, criando a revista “Augusta Chic”, onde publicava suas crônicas e poemas, e trabalhando nos Diários Associados e na “Última Hora”, mas preferiu se dedicar apenas à música e ao humorismo. Seu primeiro disco, em 78 rpm, saiu em outubro de 1959 pela Chantecler, apresentando dois sambas de sua autoria: “Nós, os gatos” e “Chapéu de palha com peninha preta”. No ano seguinte, gravou seu primeiro LP, “As duas faces de Juca Chaves”, lançado pela RGE. De um lado, sátiras musicais, e do outro, modinhas. Ferrenho crítico do poder dominante, da grande imprensa e do próprio mercado fonográfico (chegou a ter sua própria gravadora, a Sdruws Records), “Juquinha” chegou a se exilar em Portugal, nos anos 1960, mas, ao incomodar o governo salazarista com suas sátiras, então ganhando espaço no rádio e na televisão lusitanas, transferiu-se para a Itália. Voltando ao Brasil, apresentou programas de televisão e fez sucesso em espetáculos teatrais, quase sempre se apresentando descalço. Teve inclusive um circo nas proximidades da Lagoa Rodrigo de Freitas, onde apresentou o show “O menestrel maldito”.  Entre suas músicas mais conhecidas estão: “Por quem sonha Ana Maria”, “Presidente bossa nova” (referência ao então presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira), “Brasil já vai à guerra” (ironizando a compra, pelo governo, do porta-aviões “Minas Gerais”), “Nasal sensual” (alusão ao tamanho de seu nariz), “Verinha”, “Caixinha, obrigado”, “Pequena marcha para um grande amor”, “Paris tropical”, “Take me back to Piauí” e “I love you, bicho”.  Tem mais de vinte títulos em sua discografia, entre 78 rpm, compactos, LPs e CDs. É também conhecido por ser fanático torcedor do São Paulo Futebol Clube.

Pois hoje o TM apresenta um dos álbuns mais expressivos do “Juquinha”. É “Ninguém segura este nariz”, lançado em 1974 pela Philips/Phonogram com o selo MGM (gravadora norte-americana que a múlti holandesa então representava, subsidiária do estúdio cinematográfico de mesmo nome). É uma síntese do espetáculo “Vai tomar caju”, que ficou em cartaz durante três anos e meio,  e, evidentemente, foi gravado ao vivo. Com capa e contracapa do desenhista Juarez Machado, o álbum mostra o humor fino e inteligente que sempre caracterizou o “menestrel do Brasil”, entremeado por músicas de sua própria autoria. Há inclusive regravações de “Paris tropical” e “Take me back to Piauí”, e o destaque vai também para “A cúmplice”, grande sucesso na época, igualmente lançada em compacto simples e que foi até regravada anos depois por Fábio Júnior.  Portanto, é com muita alegria que o TM oferece hoje mais este álbum de Juca Chaves, que por certo irá proporcionar momentos de muita alegria e diversão.  Solta a franga, “Juquinha”!
* Texto de Samuel Machado Filho