Supersom T.A. (1972)

Seguimos nossas postagens alternando entre compactos e lps. Nesta postagem trazemos de volta o lendário conjunto de baile, talvez um dos maiores e melhores que já existiu nos bons tempos em que conjunto de baile era quase uma orquestra, um time completo de músicos profissionais, o conjunto Supersom T. A.. Não foi por acaso que esse super grupo, além de se apresentar semanalmente em bailes e casas de shows, também gravou alguns bons discos. O Supersom T. A. foi criado pelo maestro Enrico Simoneti, em sociedade com um dos músicos e cantor do conjunto, o Nilo (de Souza Melo) que é quem tocava o barco, era uma espécie de ‘bandleader’. O conjunto era mesmo muito bom e passeava com classe por todos os gêneros musicais. Nessa onda de redescobertas fonomusicais, o Supersom T. A. se tornou objeto de interesse, principalmente dos DJ’s gringos (que enxergam a mpb com outros olhos) e por consequência, despertou os daqui também, afinal os daqui só passam a dar valor depois de chancelados internacionalmente, ou indicados por algum Ed Motta ou coisa assim… 
 
brasileira roxa
maria de todo jeito
 
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Chucho Martinez – Compacto (1964)

E como é domingo… Continuamos… Desta vez trazendo outra curiosidade, Chucho Martinez, possivelmente um artista estrangeiro, mexicano talvez (Chucho Martinez Gil?), em compacto, pelo selo Fermata. O que nos traz a este compacto duplo, possivelmente de 1964, é a sua produção. Certamente gravado aqui mesmo no Brasil e o que deixa isso muito claro é o fato de termos no disquinho duas composições da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorin, “Oferenda” e “Que queres tu de mim” em versões feitas por Chucho Martinez. Outro detalhe importante é que o artista vem acompanhado pelo Trio Cristal e orquestração do maestro Daniel Salinas. (estou quase achando que não tem nada de mexicano aqui, só uruguaios). Para os amantes do bolero, eis aqui um pratinho cheio… 
 
ofrenda
la ultima lección
que quieres tu de mi
cuando te vayas
 
 
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Apollus Band (1984)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Me lembro ainda de uma viagem que fiz a São Paulo nos anos 80. Fiquei em um hotel no centro e por acaso fiquei conhecendo um rapaz que era do interior paulista. Estava na capital para assistir a apresentação de um conjunto musical de sua cidade que iria se apresentar num programa de televisão. Estive com ele em dois momentos, no café da manhã do hotel, onde conversamos e foi justamente no segundo dia que ele me mostrou este disquinho, da banda do primo. Creio que ele havia comprado ou ganhado na noite anterior, mas por infelicidade, acabou esquecendo o compacto na cadeira. Tomamos café e ele se foi. Meia hora depois alguém do hotel veio me trazer o disco, eu informei que não era meu, mas nessa altura o dono já estava voltando para a sua cidade. Sabendo eu da felicidade do cara, por conta do disquinho, achei por bem enviar a ele pelo Correios e foi o que fiz, peguei o endereço no hotel e ainda pela manhã enviei o disco para ele. Duas semanas depois recebi uma carta dele super agradecido. Coincidentemente, mais de trinta anos depois volto a encontrar esse disquinho e não poderia dessa vez deixar passar em branco, fui ouvir… 
A Apollus Band era um conjunto de baile que se apresentava em cidades do interior paulista. Acredito que eram da cidade de Apucarana. Gravaram este disquinho, com produção de Osmar Zan, músico, filho do lendário Mario Zan, que também é o autor das versões para as duas músicas deste compacto. Os arranjos e regências são de Hélio Santisteban, do conjunto Pholhas. Achei bem interessante, perfeito para o nosso ‘hall de curiosidades fonomusicais’. Confiram no GTM…
 
abre-me a porta (abreme la puerta)
o campeão (confusion)
 
 
 
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Aladdin Band (1968)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Fechando o nosso mês de janeiro temos aqui o Aladdin Band, grupo de rock vocal e instrumental que surgiu no final dos anos 60. Este grupo foi formado pelo guitarrista Romeu Montovani Sobrinho, mais conhecido como Aladdin, que outrora, na década de 50, havia também formado o The Jordans, grupo este um dos pioneiros do rock no Brasil. Mas em 1967, Aladdin resolveu sair e montar um novo grupo, uma super banda formada por oito elementos, com direito também aos metais, seguindo a ‘onda’ de grupos estrangeiros da época e ainda com boas pitadas de Jovem Guarda. O repertório é essencialmente de músicas estrangeiras, mas cabe também uma composição do próprio Aladdin, “Maldade”, que ele mesmo interpreta. É um disquinho curioso, mesmo não conseguindo fazer sucesso, se tornou item de coleção, voltou as rodas e ao interesse de novos colecionadores, a ponto de receber um relançamento através do selo Discobertas. Além deste disco, o grupo também lançou alguns compactos e mais um lp, em 1971. E se não me engano fecharam com um compacto lançado pelo selo Crazy, interpretando a música instrumental “Flash”, sucesso internacional dos anos 60. Confiram no GTM…
 
raunchy
zabadak
cornflake
harley davidson
congratulations
o vale das bonecas
happiness is
maldade
whistlin’ in the sunshine
washington square
 
 
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Osmar Milani E Sua Orquestra – Bossa Nova Das Americas (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje temos para o nosso toque este lp, de 1963, lançado pelo selo Fermanta, apresentado o maestro Osmar Milani e sua orquestra em, “Bossa Nova das Américas”. Este disco segue a receita de muitos outros lançados naquela época, um seleção musical que envolve sambas e standards da música americana, mas tudo com muita bossa, ou seja, ao ritmo do samba. Arranjos muito bons e com muito balanço. Confiram no GTM….
 
balanço das notas
i surrender dear
sambossa nº1
sophisticated lady
na cadência do samba
soletude
waltzing cat
neném
i’ll buy the ring and chance your name to mine
samba na madrugada
red roses for a blue lady
minha canção
 
 
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Marlene – É A Maior! (1970)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Então, finalizando nossas postagens de 2019, trago com prazer este raro lp com a cantora Marlene. Marlene é a maior! (e tenho dito!). Antes, porém, quero deixar aqui os meus votos de um feliz 2020. Desejo a todos um ano menos ruim do que foi este. Pois, sinceramente, não vejo muita luz no fim do túnel, pelo menos nesses próximos anos. Estamos vivendo hoje um momento de castigo, um país assolado pela ignorância, pela intolerância e pela falta de tudo que é básico, educação, saúde e cultura. Estamos tomados por uma onda de obscurantismo, uma regressão social de causar espanto. O brasileiro tem se mostrado um povo de uma tamanha ignorância que dá medo. Nessas horas fico pensando se vale a pena continuar levando cultura a essa gente. Aqui mesmo, entre nossos amigos cultos e ocultos há, com certeza, tipos reacionários retrógrados, pessoas toscas e mal informadas, gente que colaborou e ainda colabora para esse estado político crítico e polarizado. Na verdade, a polarização é uma consequência e essa, hoje, já não me permite sentir bem ao lado da toxidade de algumas pessoas. Acredito ter exorcizado boa parte desses diabos em minha vida e ao meu redor, mas eles continuam presentes, ocultos quase sempre. Toda essa situação é muito desanimadora e se nos últimos tempos nosso Toque Musical andou devagar, quase parando, podem ter certeza, foi mesmo por conta desses desencantos. Mas sei que não devemos parar, não é hora de entregar o jogo. O TM continua em 2020 acreditando no Brasil. Continuaremos nossas postagens, pois esse prazer que nós nos propomos não pode acabar. Ainda há sensibilidade por aqui… Feliz 2020!
Selando então 2019, vamos com este disco “É a maior! com Marlene” que é literalmente um show. Um show criado por  Fauzi Arap e Hermínio Bello de Carvalho, trazendo a extraordinária Marlene, que mesmo já longe dos tempos áureos do rádio continuava a fazer sucesso. Este disco é na verdade uma gravação ao vivo do show de sucesso, realizado em 1970. Neste, temos ainda a participação de gente importante com Arthur Verocai que foi o diretor musical e também fez parte do conjunto que acompanha a cantora formado por nomes de peso, Helvius Vilela (piano), Novelli (baixo) e Gegê (bateria). O álbum tem versões de clássicos da nossa música com composições de Caetano Veloso, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, Marcos e Paulo Sérgio Valle, Milton Nascimento e outros… Taí, finalizando a parada com este disco já visto em outros blogs, mas é no Toque Musical que ele encontra seu porto seguro. Confiram no GTM.

inimigo do batente
para o inferno ou para o céu
se é pecado sambar
mustang cor de sangue
lata d’água
cansado de sambar
país tropical
meu pai amarrou meus olhos
tropicália
fez bobagem
recenseamento
uva de caminhão
qui nem jiló
coração vagabundo
a onda
máscara da face
mora na filosofia
vagabundo
quixa
joia falsa
eu fui a europa
trio eletrico
beco do mota
pode ser
irene

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