Antônio Guimarães – Abrigo (1991)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Já há algum tempo atrás apareceu aqui no meu prato este disco, muito interessante, produção independente, feita nas Gerais. Gostei do disco logo a primeira vez que ouvi. E não era para menos, afinal trata-se de um álbum cujo os integrantes são artistas de primeiríssima linha, músicos super conceituados que atuam principalmente no cenário da música mineira. Logo na capa, contracapa ou encarte (digo isso porque não sei ao certo se esta é realmente a capa ou o encarte interno do álbum), temos a ficha técnica da turma. Arranjos, direção musical, piano, guitarra, flauta e violão por conta do mestre Mauro Rodrigues; bateria, Lincoln Cheib; saxofone, Chico Amaral; baixo, Ivan Corrêa e percussão, Bill Lucas. A gravação deste álbum independente foi feita por Dirceu Cheib, em seu tradicional Estúdio Bemol. Também não sei bem ao certo, mas creio que este disco foi gravado no início da década de 90. Mauro, Lincoln e Ivan faziam parte de um dos mais importantes grupos instrumentais daquela época, o “Edição Brasileira”. Por aí já dá para se ter uma ideia do que iremos encontrar neste “Abrigo”. Ficou, porém, a grande dúvida: quem é Antônio Guimarães? Taí uma coisa que vergonhosamente eu não saberei responder. Pensei até em ligar para o Mauro Rodrigues, pedindo a ele essas informações. Mas vou deixar em aberto, cutucando e aguçando a curiosidade de quem ler. Logo logo aparece alguém aqui esclarecendo o principal.

O certo é que “Abrigo” é um disco bonito de se ouvir. Já não digo aqui da parte instrumental, mas das composições e da poesia de Antônio Guimarães. Suponho que quem canta seja o próprio autor. Alguém aí tem uma lanterna?

anis
presa
abrigo
mal de amor
corações desatentos
balão
volta
coração urbano

Vital Farias (1978)


Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! É, pelo jeito as pessoas continuam entrando no blog sem ler antes as informações e orientações. Ficam pedindo renovação de links, mas nem sabem da existência do GTM. Assim fica difícil… Infelizmente eu não vou poder ficar aqui todos os dias explicando a situação e nem irei enviar links para e-mails pessoais. A coisa toda rola no grupo, no GTM, ok?
Segue hoje na postagem um disco que eu gosto demais e que por muitas vezes pensei em trazê-lo para o Toque Musical. Só não o fiz porque muitos outros blogs já o publicaram, não só este, mas toda a discografia do Vital Farias. Hoje, porém, fui obrigado a lançar mão do álbum, que já estava na gaveta há um bom tempo. Vamos juntos curtir esse belo lp de Vital que é, sem dúvida, um de seus melhores trabalhos, com participações especiais como Tânia Alves, Djalma Corrêa, Ivinho, além dos arranjos de Sivuca e Ronaldo Corrêa, que também é o produtor.
Desculpem, mas a minha pausa do lanche da tarde acabou, deixa eu voltar para a ‘ralação’. Vão conferindo aí… 🙂

canção em dois tempos (era casa era jardim)
o sobreassalto
bate com o pé xaxado
bandeira desfraldada
via crucis da mulher brasileira
alice no curral das maravilhas
deixe de afobação
expediente interno
poema verdade
caso você case
ê mãe
estudo nº 22

Sexteto Prestige – Música E Festa Nº 5 (1960)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de muitas solicitações, consegui mais um disco da série “Música e Festa”, do Sexteto Prestige. Este foi um dos que eu trouxe do Rio, havia até me esquecido dele. Pensei também que havia fechado a coleção, mas percebo que ainda falta o número 6. Vamos aguardar, ele ainda aparece… Observando a contracapa deste lp, vejo que da Prestígio, todos aqui já foram ou serão logo postados. É só uma questão de tempo 😉

No quinto volume de “Música e Festa”, temos o conjunto de José Menezes em quatro momentos, ou quatro extensas faixas, feitas para dançar, numa espécie de ‘pot-pourri’ de rock balada, boleros, sambas e mais boleros. Não deixem de conferir!
johnny guitar
boulevard of broken dreams
sua magestade o nenen
alguém me disse
espera cruel
sou eu
estou pensando em ti
menina moça
carinho e amor
meditação
não me culpem
violino cigano
olhos castanhos
tu és meu castigo
las muchachas de la plaza españa

Agostinho Dos Santos – A Presença De Agostinho (1961)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Por falar em associados, nosso GTM tem crescido assustadoramente. Já temos quase uns 700 filiados ao grupo. E por incrível que pareça, com essas mudanças, o blog ficou ainda melhor. Tá do jeito que eu gosto… 😉
E por falar também naquilo que eu gosto, eu hoje trago para vocês este álbum do Agostinho dos Santos, lançado em 1961 pela RGE. Neste lp, que mais parece uma coletânea, iremos encontrar o cantor desfilando um repertório cheio de sucessos, com a direção e os arranjos de dois mestres, Erlon Chaves e Waldemiro Lemke.

uma vez mais
escreva-me
nossos momentos
ajudai o próximo
lúcia
doente
lourdes
eu e tu
na casa do antonio job
mãos caladas
canção para acordar você
distância é saudade

Trio De Ouro, Trio Melodia, Trio Madrigal, Trio Marabá, Trio Nagô – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 14 (2012)

Encontros a três… vozes! É o que apresenta esta décima-quarta edição do Gran Record Brazil, apresentando trios vocais que marcaram época na história da música popular brasileira. Logo de saída, temos o Trio de Ouro. E em sua primeira fase, com o “rouxinol do Brasil” Dalva de Oliveira (Rio Claro, SP-1917-Rio de Janeiro, 1972), Herivelto Martins, seu fundador (Engenheiro Paulo de Frontin, RJ, 1912-Rio de Janeiro, 1992), e Nilo Chagas (Barra do Piraí, RJ-1917-Rio de Janeiro, 1973). O disco escolhido foi o Odeon 12185, gravado em 5 de junho de 1942 e lançado em agosto do mesmo ano, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro, Santa Luzia do Norte, AL, 1908-Atenas, Grécia, 1951). O lado A, matriz 6964, é simplesmente um clássico: o samba-canção “Ave Maria no morro”, uma das mais famosas obras-primas de Herivelto. Foi muitas vezes gravada, até mesmo em… esperanto! Uma joia apresentada em seu registro original, daqueles indispensáveis para quem não conhece. No verso, matriz 6965, o curioso “lamento negro” “Festa de preto”, de autoria de Humberto Porto (Salvador, BA, 1908-Rio de Janeiro, 1943), parceiro de outros dois grandes compositores, Assis Valente e Benedito Lacerda. A composição é característica da obra de Porto, que trata muito da religiosidade baiana e da história de escravidão dos negros. Porto morreu uma semana depois de seu pai… se suicidando! E o primeiro Trio de Ouro acabaria em 1949, com a ruidosa separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que organizaria mais duas formações do grupo vocal: a segunda ainda com Nilo Chagas mais Noemi Cavalcanti, e a terceira com Raul Sampaio e Lurdinha Bittencourt.

Em seguida temos o Trio Madrigal, formado na Rádio Mayrink Veiga do Rio de Janeiro, em 1946, pelo maestro Alceu Bocchino. Sua primeira formação tinha Edda Cardoso, Magda Marialba e Margarida de Oliveira (irmã de Dalva), que seis meses depois abandonou o trio para se casar, sendo substituída por Lolita Koch Freire. É esta a formação que aparece nos discos Continental aqui incluídos, com acompanhamento instrumental dirigido pelo maestro gaúcho Radamés Gnatalli, sob o pseudônimo de Vero. No primeiro, de número 16554, gravado em 10 de abril de 1952 e lançado em maio-junho do mesmo ano, elas estão junto com o Trio Melodia (integrado por Albertinho Fortuna, Nuno Roland e Paulo Tapajós e formado na lendária Rádio Nacional para apoio do programa “Um milhão de melodias”) acompanhando vocalmente o cantor Jorge Goulart, que por uma triste coincidência acaba de falecer, aos 86 anos, em sua cidade natal, Rio de Janeiro. São regravações de dois hits de João de Barro, o Braguinha, então diretor artístico da gravadora dos irmãos Byington, intimamente ligados às festas juninas. No lado A, matriz C-2836, a marchinha “Noites de junho”, parceria com Alberto Ribeiro e criação de Dalva de Oliveira em 1939, e, no verso, matriz C-2835, uma obra-prima de Braguinha sem parceiro: o samba-canção ‘Mané Fogueteiro”, originalmente lançado em 1934 por Augusto Calheiros. O segundo disco do Trio Madrigal aqui incluído, também de 1952, com lançamento em julho, leva o número 16586. No lado A, matriz C-2903, uma versão do especialista Lourival Faissal para o fox “Bom dia, mister Eco” (“Good morning, mister Echo), de Bill e Belinda Putman. Aqui, nota-se a criatividade do técnico de gravação Norival Reis, o Vavá, que até idealizou uma câmara de eco, fato que ajudou este registro, inclusive, a receber prêmio da Associação Brasileira de Discos naquele ano. No verso, matriz C-2809, a valsa “Convite ao amor”, na verdade uma versão com letra para “Sobre as ondas” (“Sobre las olas”), do uruguaio Juventino Rosas, versos de Lourival Faissal e Luiz de França. Valsa bastante gravada instrumentalmente no Brasil, e seu primeiro registro entre nós surgiu em 1910, com o rancho Ameno Resedá, sob o selo (olha só a coincidência)… Gran Record Brazil!!!

Em seguida temos os Trios Madrigal e Melodia novamente juntos no Continental 20106, lançado para os festejos natalinos de 1951, matrizes 2720 e 2721-R. Evidentemente, como diz o próprio título, é um popurri das mais expressivas”Cantigas de Natal”, de vários autores e/ou de origem folclórica, em arranjo de Paulo Tapajós e Radamés Gnatalli, com o sempre eficiente acompanhamento orquestral deste último, igualmente como Vero.

O Trio Marabá era formado por Pancho, Panchito e Cármen Duran (seriam mexicanos?). Aqui comparece com seu oitavo disco, o Copacabana 5044, lançado em março-abril de 1953, com regravações de dois hits da época: no lado A, matriz M-332, o baião “Mulher rendeira”, de origem folclórica, internacionalmente conhecido graças ao filme “O cangaceiro”, e nele interpretado pelos Demônios da Garoa. A película ganhou a Palma de Prata no festival de Cannes, França, como melhor filme de aventuras, mas quem mais se beneficiou de seu sucesso foi a distribuidora Columbia Pictures, sendo que a produtora, a lendária Vera Cruz, com estúdios em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, acabou falindo um ano depois. No verso, matriz M-333, o clássico samba-canção “Ninguém me ama”, de exclusiva autoria de Antônio Maria, mas com parceria de Fernando Lobo, por acordo que havia entre ambos. Originalmente saiu na voz de Nora Ney, em 1952.

Encerrando, vamos encontrar o Trio Nagô, integrado por Mário Alves de Almeida, Epaminondas de Souza e Evaldo Gouveia. Mário e Epaminondas cantavam na Rádio Clube do Ceará, quando conheceram o então estreante Evaldo Gouveia. Os três logo se tornaram amigos e passaram a cantar juntos na noite de Fortaleza. O grupo se chamava, a princípio, Trio Cearense, nome depois mudado para Trio Iracema e, finalmente, para Trio Nagô. Seu primeiro disco saiu em janeiro de 1953, pela Sinter, com o rasqueado “Moça bonita” e o maracatu “Paisagem sertaneja”. Eles estão aqui com o disco RCA Victor 80-1951, gravado em 24 de março de 1958 e lançado em junho do mesmo ano, com duas composições de Paulo Borges. No lado A, matriz 13-J2PB-0387, o conhecido e clássico rasqueado “Cabecinha no ombro”, lançado em fins do ano anterior por Alcides Gerardi e regravado inúmeras vezes, sendo conhecido até os dias de hoje (quem nunca ouviu?). No verso, matriz 13-J2PB-0388, o belo samba-canção “Cartão postal”. Enfim, uma edição do GRB que irá enriquecer o acervo de muitos amigos cultos e ocultos com algumas das melhores interpretações a três vozes. Divirtam-se!

* TEXTO SAMUEL MACHADO FILHO


Altamiro Carrilho – Revive Patápio E Interpreta Clássicos (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu de volta. Juro que tentei manter nossas postagens, mas infelizmente a internet dos lugares por onde passei não serviam nem para e-mail. Por essa razão, nem os ‘REPOSTs’ tiveram vez. Estou vendo aqui que temos algumas dezenas de e-mails, os quais eu irei abrindo e lendo na medida do possível e por ordem de entrada. Logo, todos estarão atendidos. Por hora, vamos apenas manter a postagem do dia.

Aproveitando esse finalzinho de domingo, aqui vai um toque musical, Altamiro Carrilho interpretando algumas pérolas do genial Pattápio Silva e também peças clássicas para flauta, inclusive “Galope”, do próprio Altamiro. Essas gravações foram feitas e lançadas originalmente em 1957. Foram relançadas pela Discos Marcus Pereira em 1977. Confiram aí essa beleza. Eu, de cá já vou dormir, pois a viagem foi longa. Zzzz…
primeiro amor (patápio silva)
margarida (patápio silva)
zinha (patápio silva)
sonho (patápio silva)
serata d’amore (patápio silva)
serebata oriental (e. koller)
despertar da montanha (eduardo souto)
canção triste (tchaikovsky)
hora staccato (dinicu)
canção da primavera (mendelssohn)
galope (altamiro carrilho)

Dalva Andrade (1963)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Aqui vai mais um disquinho para esta semana. Creio que nos próximos dias eu não terei como fazer postagens. A internet de hotel é uma tristeza, não dá nem para acessar comodamente os e-mails, o que direi de download e upload de 10o megas… é de amargar! Assim sendo, ficaremos até segunda feira ouvindo a Dalva Andrade.

Desculpem, mas o tempo é curto. Vou indo porque tem muita estrada pela frente. Prometo repor os dias parados, ok? 😉
sabe deus
mensagem
além da imaginação
sempre no meu coração
ilusão atoa
seu amor, você
que será de ti
castigo
tema do amor triste
rotina
reclamo
incerteza

Morgana – Fuga (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje, quase que iríamos passar batido, sem postagem. Mas, felizmente, achei uma brecha entre o sono e a vontade de dormir e nela é que vai o álbum da Morgana. Escolhi este disco porque sei que esta cantora faz muito sucesso por aqui e além do mais era o que eu tinha à mão no momento. Espero que os amigos apreciem. Temos assim, “Fuga”, álbum lançado em 1962 pela Copacabana, por sinal, com uma belíssima capa. Produzido por Nazareno de Brito e com arranjos de Pachequinho, Severino Araújo, Ted Moreno, Ary Silva, Hector Lagna Fietta e Britinho. Por aí já dá para ver o quanto sortido é esse lp, cheio de sambas e outras coisitas mas. Vão daí que eu de cá já estou dormindo. (isso sim é que é uma fuga) Zzzz…
fuga
areia branca
cravo vermelho
a volta
primeira estrela que vejo
caminho perdido
maldito
maldade
ninguém no mundo
quero paz
que tristeza é essa
para que me enganar

Francisco Carlos – O Internacional (1963)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Como eu já havia informado, esta vai ser uma semana imprevisível para mim e consequentemente para as postagens no blog. Estarei em viagens e não sei se terei tempo para nosso toque diário. Vamos ver…

Segue aqui uma solicitação de um grande amigo. Vamos mais uma vez com o ‘cantor galã’, ‘El Broto’, Francisco Carlos. Eis aqui um disco gravado por ele em 1963, álbum de estréia na Gravadora Chantecler. Não sei bem ao certo, mas creio que este tenha sido seu último disco, quando então abandonou a carreira de cantor para se dedicar às artes plásticas, no caso, a pintura. A capa deste disco nos mostra o cantor naquela foto típica, prova incontestável de uma ida à Europa. Ele, em 1962, participou da 5ª Caravana da UBC, se apresentado em algumas cidades européias. Com um repertório variado, trazendo principalmente versões de algumas músicas internacionais, veio a seguir este álbum, “O internacional Francisco Carlos”. Notem que neste lp temos 13 músicas. Seria esse um número de azar, que levou o cantor ao seu fim? Bom, se foi eu não sei. Só sei que aqui ele está de volta. Álbum raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vamos conferir? 😉
foge deste amor
as folhas verdes de verão (the green leaves of summer)
recife lindo
a barca (la barca)
e você não dizia nada
glória ao amor
samba na madrugada
suave é a noite (tender is the night)
esperança (esperanza)
reflete
geremoabo
ao nascer do sol (cuando caliente el sol)
e agora (et maintenant)

Pedro Raimundo – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 13 (2012)

Pois é, amigos cultos e ocultos! Esta décima-terceira edição do Gran Record Brazil vem regada a churrasco e chimarrão! É com muita satisfação que trazemos de volta o inesquecível Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Apesar de ter esse slogan, Pedro Raimundo era catarinense de Imaruí, nascido em 29 de junho de 1906, e falecido no Rio de Janeiro em 9 de julho de 1973. Era filho de um pescador e sanfoneiro, e aos oito anos começou a “afufar o fole”. Mais tarde, lá mesmo em Imaruí, fez parte da banda Amor à Ordem, além de se apresentar em festinhas. Aos 17 anos, Pedro largou o anzol e foi trabalhar na construção da Estrada de Ferro Esplanada-Rio Deserto. Casou-se em 1926, e morou nas cidades catarinenses de Lauro Muller, Blumenau e Laguna, fixando-se, em 1929, na capital gaúcha, Porto Alegre, onde foi condutor de bonde e inspetor de tráfego, e em seus momentos de folga se apresentava nos cafés do Mercado. Em 1939, ingressou na Rádio Farroupilha, onde fundou o Quarteto dos Taúras, atuando em quase todas as rádios portoalegrenses, e sendo muito solicitado para excursões, uma delas, em 1942, pelo interior riograndense. Um ano mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, a convite de Almirante, que o levou para a lendária Rádio Nacional. Ainda em 1943, gravou o primeiro disco, na Columbia, mais tarde Continental, com o choro “Tico-tico no terreiro” e o xote “Adeus, Mariana”, hits imediatos. Em suas apresentações, Pedro Raimundo alternava músicas alegres com outras sentimentais, e foi o primeiro artista típico gaúcho a alcançar fama nacional, inclusive com vestimentas típicas (bombachas, lenço no pescoço, botas, esporas, chapéu e guaiaca). Nesta edição do GRB, alguns dos melhores momentos da vitoriosa carreira de Pedro Raimundo, a maior parte em gravações Continental, e mais um disco de sua fase na Todamérica. Em ordem cronológica de lançamento, as músicas são as seguintes, quase todas de sua autoria com ou sem parceiros: do Continental 15127, lançado em abril de 1944, a toada “O carreteiro” (dele com Pirajá), matriz 734, e a valsa “Contigo no pensamento”, matriz 735. Em seguida, o disco 15404, lançado em agosto de 1946, com a toada “Gauchada”, matriz 1176, e o tango “Mágoas de amor”, matriz 1175. No 78 de número 15599, gravado em 12 de setembro de 1945 com acompanhamento do regional de Nélson Miranda e lançado apenas em março de 46, apareceram o xote “Gaúcha malvada” (dele com Mutt), matriz 1278, e a valsa “Sofrer sorrindo”, matriz 1279. Em seguida, o disco 15790, gravado em 30 de maio de 1947 e lançado em junho-julho do mesmo ano, com o chorinho “Chico da Ronda”, matriz 1673, e a polca “Na casa do Zebedeu”, matriz 1672. Ainda na Continental, vem em seguida o disco 16190, lançado em março-abril de 1950, trazendo a polca “Festa na fazenda”, de Pedro Sertanejo, ocupando os dois lados do 78 (matrizes 2265-2266) e com acompanhamento de conjunto. Por fim, do tempo em que Pedro Raimundo estava na Todamérica, o disco TA-5054, gravado em 16 de fevereiro de 1951 e lançado em abril do mesmo ano, com acompanhamento do conjunto do violonista Pereira Filho, trazendo a valsa “Pingo Mulato”, matriz TA-88, e o baião “Oriental”, matriz TA-87. Esta edição do GRB é a prova de que as canções, a sanfona e a alegria de Pedro Raimundo ficarão para sempre em nossa memória. Aproveita, tchê!


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO


Raul De Barros E Dilermando Pinheiro – Trombone Zangado (1955)

Upa! Finalmente liberado (nos próximos 15 minutos) para a postagem do nosso domingão! Como todos têm sido muito bonzinhos comigo eu, vou continuar retribuindo nas raridades fonográficas. Hoje eu tive mais tempo para preparar com calma um raro toque musical, que agora eu apresento a vocês. Eis aqui um disco bacana, coisa rara de se ver e ouvir por aí; “Trombone Zangado”. Chega a tal ponto, que tem um camarada vendendo um exemplar no Mercado Livre por nada menos que 900 reais. Ou ele perdeu o cabeção, ou eu estou com uma preciosidade aqui e não sabia. Sem dúvida, o disco é ótimo, mas pagar essa grana só se for colecionador apaixonado ou rico metido a besta. O meu está na mão, quem quiser me fazer uma proposta… hehehe… Bom, o que temos aqui é um lp, segundo o Dicionário Cravo Albim, gravado em 1955 pelo trombonista Raul de Barros ao lado do sambista Dilermando Pinheiro. Eu, sinceramente, nunca vi este disco, pois o que eu tenho, acredito, foi um relançamento de 1969, pelo mesmo selo Rádio. O encarte do álbum é bem simples, sem nenhuma informação além de título e artistas, chega a ser quase conceitual com a frase: “O bom está no disco, a capa é proteção”. A impressão que me passa é de um disco parte de uma caixa ou coleção. Mesmo assim, no selo vamos encontrar as informações básicas. “Trombone Zangado é na verdade, um disco dividido, com faixas alternadas entre Raul de Barros com Escola de Samba e Dilermando Pinheiro com conjunto. Fica claro, porém, que Raul de Barros está presente também no conjunto que acompanha Dilermando. Ouvindo hoje, com mais atenção, percebi uma coisa interessante nas músicas com Dilermando Pinheiro que até então eu não havia notado, o som do batuque do artista no chapéu de palha. Cheguei a pensar que fosse problema na digitalização e tratamento do som, era um barulho seco, mas ritmado. Era o chapéu de palha, no qual ele batucou por mais de 20 anos. O repertório, como podemos ver logo abaixo é formado por sambas, choros e maxixes, muitos deles, autênticos e expressivos clássicos. Viva a música brasileira!

ginga do candango – raul de barros com escola de samba
consolo de otário – dilermando pinheiro com conjunto
arrasta a sandália – raul de barros com escola de samba
não era por interesse – dilermando pinheiro com conjunto
sarambá – raul de barros com escola de samba
história antiga – dilermando pinheiro com conjunto
soprando ligeiro – dilermando pinheiro com conjunto
cigana do catumbi – raul de barros com escola de samba
coração de pedra – dilermando pinheiro com conjunto
se você soubesse – raul de barros com escola de samba
um bocadinho só – dilermando pinheiro com conjuto
implorar – raul de barros com escola de samba

1º Semana Nacional Dos Transportes – Música Popular Em Ritmo De Transportes (1969)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Sabadozinho puxado esse meu! Não tive tempo hoje nem para ler e-mails. Só agora, no final do dia é que vou tentar dar o toque de hoje. Digo tentar porque, mal cheguei em casa, tomei um banho e agora já vou para outro compromisso. Estou só esperando o meu filhote acabar de se ajeitar. Vamos sair para jantar e não sei a que horas eu volto aqui. Diante a pressa, melhor é recorrer aos meus infalíveis discos de gaveta.

Hoje é dia de coletâneas e como eu não tive tempo de preparar uma exclusiva, vamos com uma oficial, de gravadora. Escolhi para tal um disco diferente, ou melhor, uma coletânea singular. Temos aqui um álbum promocional, lançado pela RCA em 1969. Este lp foi criado, em edição especial, para o então Ministério dos Transpostes, na 1ª Semana Nacional Dos Transportes (23 a 31 de julho), data essa que nunca mais vi sendo comemorada em anos posteriores. O disco nos apresenta nove músicas cujos os temas se relacionam com transportes. O curioso é que embora o disco tenha sido lançado pela RCA, nem todos os fonogramas são da mesma gravadora. Na verdade há aqui também gravações da Odeon e da Columbia. Um caso interessante de se ver, pois dificilmente iremos encontrar coletâneas oficiais que não sejam fonogramas de um mesmo selo. Por outro lado, já que o Governo conseguiu essa façanha, podia ter incluído outras músicas que também tratam do mesmo tema. No cancioneiro popular o que não falta é referência. Mas está valendo… 😉
peguei um ita no norte – dorival caymmi
chofer de praça – luiz gonzaga
jangada – silvio caldas
o trem atrazou – roberto paiva
upa upa (meu trolinho) – dircinha baptista
trem azul – almirante
carango – erasmo carlos
bonde de são januário – cyro monteiro
fon fon – carmem miranda e silvio caldas

Deo Lopes – Noite Cheia De Estrelas (1993)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Chegamos enfim a mais uma sexta-feira (cerveja, cerveja, cerveja…) . Acredito que na próxima semana as postagens ficarão comprometidas diante ao fato de que estarei em viagem. Vou para Sampa, de lá para o Rio e do Rio para a cidade de Tiradentes, aqui em Minas. Levarei o notebook, mas não sei se terei tempo para manter diária as nossas postagens. Foi também por conta dessas viagens que eu me lembrei de postar hoje um disco do cantor e compositor Deo Lopes. Este álbum, assim como alguns outros, me foram emprestados pelo amigo Carlos Moraes, paulista que trocou a agitada São Paulo pela pacada Tiradentes (fora de temporada). Como irei no próximo final de semana para lá, vou levar de volta esses discos. Já faz mais de um ano que estão comigo. Assim, antes devolver, deixa eu passar logo tudo aqui para o computador.

O presente lp foi mais um belíssimo trabalho lançado pelo Deo, que pelo jeito de compor e também pelo seu repertório, me fazia crer ser uma artista mineiro. Suas produções sempre foram independentes, numa época em que fazer um disco nessas condições, não era para qualquer um. Seus álbuns são criativos e bem elaborados, em todos os sentidos. Uma prova de que o artista independente pode fazer mais e melhor, sem necessariamente contar com o ‘apoio’ de uma grande gravadora. Aliás, essas, diga-se de passagem, continuam pensando ‘monetariamente’. Cultura é apenas um item agregado. Neste belo lp, de capa dupla e tudo mais, vamos encontrar doze canções variadas, entre composições próprias, parcerias e de autores diversos. Destaca-se, obviamente, inclusive por dar nome ao disco, “Noite cheia de estrêlas”, um clássico da seresta, música de Cândido das Neves. Mas há outras, as quais eu, pessoalmente, gosto muito. “Praça Ramos”, do Wandy ‘Premê’ é ótima, notadamente inspirada em “Praça Clóvis”, de Paulo Vanzolini; “Incelença para o amor retirante”, de Elomar, super bacanda. Outra que gosto muito é “Açude encantado”, de Waldir da Fonseca e Charles, gravado originalmente pelo Grupo Raízes. Eu ouvia essa música direto nos anos 80. Bom, mas tem mais… o disco é todo reluzente e isso, muito graças à uma legião de músicos, cantores e técnicos da melhor qualidade. Não vou nem mencionar ou estender assunto, porque já estou atrasado. Confiem em mim e na bela capa, vale a pena ouvir de novo 😉
noite cheia de estrelas
praça ramos
relação natural
a resposta
toadinha cabocla
o sorriso da neguinha
conquistei a lua / linda garota
incelença para o amor retirante
as três estrêlas
coisas da minha terra
açude encantado
bola de prata

Sérgio Ricardo – Eu Não Gosto Mais De Mim (1960)


Bom dia a todos! Acho que estou precisando ir logo postando alguns discos que sempre ficam na boca de espera. Por um motivo ou outro, acabo deixando eles para trás e assim vão ficando esquecidos e vão parar na gaveta. Como voltei a rotina, ao corre corre da vida real, o tempo fica curto. Daí é hora de mandar ver nos que já estão prontos e os arquivos de gaveta.
Temos aqui um artista que eu gosto muito, Sergio Ricardo, embora poucas vezes eu tenha postados discos dele. A verdade é que os seus discos já foram todos apresentados em outros blogs. Este, por exemplo, já vi no Loronix e também no Abracadabra. Mesmo assim, vou novamente trazê-lo a tona, bem porque, este é um disco que caí muito bem aqui no Toque Musical, vocês não acham? Lançado no auge da Era Bossa Nova, este foi mais um álbum que hoje se tornou um clássico. Embora “Eu não gosto mais de mim” tenha aqui todos os requisitos de disco de bossa, a gente percebe nele algo que foge à cartilha da turma do banquinho e violão. Na verdade, o incômodo é do próprio artista, que a gente sabe, aos poucos foi pulando fora do rótulo. Músicas como “Pernas”, “Ausência de você”, “O nosso olhar”, “Puladinho” e outras, são bons exemplos da febre bossanovista, mas “Zelão” é mais, é samba e é também uma das músicas mais expressivas do artista. Mas, independente de qualquer observação, o disco é num todo ótimo. Quem ainda não teve o prazer de ouví-lo, pode agora conferir. Porém, tem que estar associado ao GTM. Quem ainda não o fez, leia com atenção o cabeçalho do blog, tá tudo explicadinho 😉

pernas
não gosto mais de mim
máxima culpa
poema azul
puladinho
ausência de você
o nosso olhar
zelão
bouquet de isabel
relógio da saudade
além do mais
amor ruim

Waldir Azevedo – Ao Vivo (1979)


Bom dia, amigos cultos, ocultos, associados e ‘mais perdidos que cego em tiroteio’! Aqui vamos nós como mais uma postagem. Pelo jeito, muita gente ainda está de fora por pura falta de interesse em ler o cabeçalho do blog. O nêgo entra aqui e vai direto na torneirinha, daí percebe que não há mais link. Ao invés de ler as informações do blog, prefere escrever pedindo link. Eu dou o toque, mas tem que ser no GTM. Em pouco mais de duas semanas já temos mais de 500 inscritos (olha aí, meu prezado, como eu disse, tá bombando!). Há uma certa dificuldade no início para entender o funcionamento das novas normas de utilização do blog, mas logo que se pega o jeito, percebe-se que ficou ainda melhor e mais fácil interagir com o Toque Musical. Não demora muito para que outros blogs sigam o mesmo caminho. Agora está perfeito 😉
Hoje temos para a nossa postagem um disco super legal, Waldir Azevedo, gravado ao vivo. Eu, geralmente, gosto de discos gravados ao vivo. Muitos ficam ainda melhor, sem falar no lado emoção, no momento em si… muito bom. Este álbum foi gravado em 1979, quando então o nosso grande compositor e instrumentista completava 30 anos de estrada. Foi um super show com a participação de alguns de seus amigos e admiradores. “Uma roda de choro, onde o calor humano, o sentimento e a emoção nasceram puros e simples, sem estrelismos nem truque. Uma festa por tudo que Waldir Azevedo fez pela música brasileira”. Como se pode ver, pela capa, temos participando do encontro as ilustres figuras de Ademilde Fonseca; Paulinho da Viola; Osmar (do Trio Elétrico); Paulo Moura; Rafael Rabelo, César Faria; Celso Machado; Copinha; Carlos Poyares, Isaias e Seus Chorões e Arthur Moreira Lima. Que timão, heim? Não dá para ficar sem ouvir esse disco. A música “Pedacinhos de céu” tem aqui uma interpretação improvisada e emocionante, no piano de Arthur Moreira Lima, o sax de Paulo Moura e o violão de Celso Machado. Esta música ocupa todo o lado B do disco. Vamos conferir?

mágoas de um cavaquinho
minhas mãos, meu cavaquinho
camundongo
acerte o passo
choro negro
carinhoso
viagem
vassourinhas
pedacinho de céu

Vários Sertanejos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 12 (2012)

Ê trem bão! A décima-segunda edição do Gran Record Brasil chega em clima bem caipira e sertanejo! Em dezesseis fonogramas raros e históricos, teremos uma amostra de como era o gênero sertanejo de antanho. Aqui comparecem duplas bastante conhecidas e lembradas, além de outras que o implacável passar do tempo foi esquecendo. É nesse último caso que se enquadram as Irmãs Cavalcanti, Noemi e Odemi. Elas deixaram uma discografia escassa: apenas seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia. Eis aqui o primeiro deles, lançado no comecinho de 1954, janeiro, com o número CB-10029. De um lado, matriz CBO-170, o baião “Lumiô lumiô”, delas próprias, e no verso, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Jamir da Silva Araújo e Pereirinha. Em seguida iremos nos encontrar com uma dupla muito querida e lembrada: Nenete (Waldemar de Franchesi, 1919-1989), natural de Pirassununga, e Dorinho (Isidoro Cunha, Bernardino de Campos, SP, 1933-Campinas, SP, 2011), apelido que ele carregava desde a infância. Gravaram seu primeiro disco em 1955, na RCA Victor, com a toada “O milagre das rosas” e o cururu “Toca sino”. Em 78 rpm, na mesma marca, foram mais de trinta discos, além de 13 Lps de carreira, nos selos RCA Victor, RCA Camden, Caboclo/Continental e Beverly, onde gravaram o último, em 1976. Depois disso, Nenete afastou-se do meio musical por motivo de saúde, e faleceu em uma tentativa de assalto! Nenete e Dorinho aqui comparecem com um disco gravado em 19 de junho de 1962, o RCA Victor 80-2485. No lado A, matriz N2CAB-1748, uma regravação do tango “Ouvindo-te”, lançado em 1935 por seu autor, Vicente Celestino. No verso, matriz N2CAB-1749, a moda campeira “Goiano valente”, de Nenete com Piraci (de famosa dupla com Diogo Mulero, o Palmeira). Ambas as composições também fizeram parte do LP “Pescadores de sucesso”, do mesmo ano. Por falar em Palmeira (Agudos, SP, 1918-São Paulo, 1967), eis que ele ressurge aqui em sua memorável dupla com Luizinho (Luiz Raimundo, São Paulo, 1916-idem, 1983) com dois discos RCA Victor, gravados em 12 de fevereiro de 1951 e lançados em maio do mesmo ano. O de número 80-0763 apresenta duas composições da própria dupla: a moda campeira “Chão de Minas”, matriz S-092841, e a valsa “São Judas Tadeu”, matriz S-092842. Já o disco 80-0764 apresenta a moda campeira “Santa Fé do Paraná”, de Palmeira e Ado Benatti, matriz S-092843, e o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, adaptado por Palmeira e Mário Zan, por sinal a música predileta do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que era mineiro de Diamantina. Em seguida, uma dupla que ainda hoje está em atividade e muito querida: Pedro Bento (José Antunes Leme, n.1934), nascido em Porto Feliz, e Zé da Estrada (Waldomiro de Oliveira, n.1929), que é de Botucatu. Acrescentando elementos da música regional mexicana, sem no entanto abandonar as raízes sertanejas, eles ficaram conhecidos como “os amantes da rancheira”, o que fica claro no disco aqui presente, de 1964, o Caboclo/Continental CS-652. De um lado, matriz 55-035-A, o huapango “Tens que beber”, de Zé da Estrada e Caçula, da dupla com Marinheiro, e no verso, matriz 55-035-B, a rancheira “Bebendo e chorando”, de Milano e Serafim, ainda hoje uma das mais aplaudidas criações da dupla. De longa carreira na música brasileira, Raul Torres (Botucatu, SP, 1906-São Paulo, 1970) aqui comparece em dupla com seu inseparável parceiro Florêncio (José Batista Pinto, 1909-1972), natural de Barretos, a atual capital brasileira do rodeio. No disco Todamérica TA-5617, de 1956, foram regravados dois hits de Raul como compositor e intérprete: no lado A, matriz TA-1318, em ritmo de baião, a pungente moda de viola “Boi amarelinho”, originalmente gravada pelo próprio Raul Torres em dupla com Ascendino Lisboa, em 1933. No lado B,matriz TA-1319, o valseado “Meu cavalo zaino”, originalmente gravado por Raul em dupla com Serrinha, em 1939. Em seguida, dois discos RCA Victor: o primeiro de número 80-0516, gravado em dezembro de 1946 mas só lançado em maio de 47. No lado A, matriz S-078685, a moda de viola “Égua branca”, em que Raul tem como parceiros Nhô Pai (autor de “Beijinho doce”) e Godoy, e no verso, matriz S-078686, o curiosíssimo “samba baiano” “Nêga, sai do sereno”, de Raul Torres sem parceiro. Em seguida o disco 80-0285, gravado em 13 de junho de 1944 e só lançado em maio de 45,. No lado A, matriz S-052992, um superclássico, “Moda da mula preta”, inúmeras vezes regravado, inclusive por Luiz Gonzaga (na voz dele por sinal a música fez ainda mais sucesso!). No verso, matriz S-052993, o corrido “No recanto onde eu moro”, de Raul Torres e Júlio Lopes. Encerrando esta edição sertaneja do GRB, a dupla Sucupira e Rosa Amélia, de discografia escassa: apenas cinco discos 78 rpm com nove músicas, gravados entre 1960 e 1963. Aqui está o último deles, do selo Orion, da Odeon, número R-138, do início de 63. No lado 1, matriz 51292, a canção rancheira “Passado feliz”, de Sotero Silveira e Ulisses Nascimento, e no verso, matriz 51291 , o bolero “Esqueça, meu amor”, de Álvaro Alvim e Joel Honorato. Existe também um LP de 1983, “Garça branca”. Enfim, uma boa oportunidade para as novas gerações conhecerem o estilo sertanejo de outros tempos, bem diferente do atual, que, com raríssimas exceções, é mais para público urbano. Ouçam, recordem e divirtam-se com esta edição bem sertaneja do GRB!


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

The Five – Jovem Embalo (1967)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Eu hoje estou numa preguiça de valer o domingo. Se pudesse, ficaria apenas deitado no sofá, cochilando em frente da televisão. Mas, já que eu levantei para beber água e o computador está bem aqui ao lado, vou logo salvar o dia com mais uma postagem. Escolhi para tanto, um disco que não me desse trabalho. Mas estou vendo que me enganei. Discos sem informações ou ficha técnica, ou a gente posta e não fala nada, ou perde um bom tempo do dia procurando possíveis peças para montar o quebra cabeça. “Jovem Embalo” é mais uma daquelas produções, tipo “sem lenço e sem documento”, criadas naqueles anos 60. “The Five” é o nome do grupo que o obscuro selo da “Gravações Tropicana Ltda” adota para esta produção. Não duvido nada que os mesmos fonogramas tenham também sido usados para dar nome a um outro grupo ou disco. Os mestres nessa prática eram os selos Paladium e Coledisc. Inclusive a capa do”Embalo Jovem” segue a mesma linha dos discos da mineira Paladium. A música então, nem se fala. É tudo farinha do mesmo saco. Mas farinha boa, claro, com suas qualidades… Temos aqui 14 temas instrumentais, muitos dos quais, sucessos internacionais daquele período. Puro ‘ei ei ei’ para embalar a tarde de domingo.

casino royale
i had to be you
call me
i’m comin’ home, cindy
cabelos longos ideias curtas
aonde você for eu não irei
trini’s tune
não vai passar
love letters
i will wait for you
solidão
desculpas
o barão vermelho
keep searchin

A Música De Makely Ka (2012)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Lá vamos nós para mais uma produção especial, uma coletânea bem bacana, reunida pelo meu amigo Edu Pampani, da Discoteca Pública e com a devida permissão do artista. Estamos falando aqui de Makely Ka, compositor, poeta e editor, um dos mais brilhantes e inquietos artistas mineiros dos últimos tempos. Suas canções já atravessaram as montanhas e tem sido gravadas por diversos intérpretes, no Brasil e exterior. O trabalho musical de Makely, como vocês verão (e ouvirão, claro), está bem acima da média do que é produzido hoje em termos música popular. É música honesta, para um público honesto. Estão reunidas aqui diferentes gravações e interpretes, inclusive o próprio Makely, em produções recentes da nova safra independente mineira.

Eu penso que para se fazer uma coletânea de um determinado artista, só vale se for uma homenagem póstuma, ou se o cabra for mesmo bom de serviço, merecendo assim a atenção e o toque musical. Podem ter certeza, Makely Ka merece e vocês irão confirmar. Vamos ouvir?
andante – marina machado e regina spósito
xote polaco – kristoff silca
o chamador – titane
atemporal – pablo castro, kristoff silva e makely ka
costura – leopoldina
samba sim – julia ribas
a luz é como a água – mariana nunes
monotonia gris – maísa moura
mar deserto – kristoff silva
solstício de inverno – maísa moura
o dragão da maldade contra o santo guerreiro – malely ka e aline calixto
impagável – leonora weissmann
eu não – titante
o amor – regina spósito
uma confábula – makely ka
camara escura – sergio pererê
santuário – mestre jonas
fio descapado – juliana perdigão
queixumes – alda rezende
samba solto – alda rezende

Chemako (1991)

Pronto, taí, para fechar o ciclo, mais uma super banda mineira, Chemako. Esta, infelizmente durou pouco tempo, mas o suficiente para nos deixar um dos melhores discos de rock já feito em Minas Gerais. Um trabalho lançado pelo também extinto selo Cogumelo, responsável por lançamento de outras históricas bandas do metal mineiro. O Chemako era formado por Magoo e Rogério nas guitarras, Ricardo no baixo e Mom na bateria. O Chemako já nasceu com um propósito de ser uma banda diferente no cenário do rock mineiro, com pretensões para vôos mais altos. Suas músicas são todas em inglês. Magoo, o principal fundador do grupo já tinha antes passado pela ‘trash metaleira’ Mutilator, uma das mais representativas bandas do movimento ‘Heavy Metal Brasileiro’ nas décadas de 80 e 90. Magoo também chegou a ser convidado para ingressar no Sepultura, mas se recusou, vindo assim a criar o seu próprio grupo, o Chemako, com um som cada vez mais distante do metal de origem. Magoo morreu em 2001 em Londres, segundo contam, vítima de uma overdose…

whiskey signs
alert
a spotight
howling wind
walking on the ashes
the cry of the banshees
hank song
blinds guiding blinds
find horn’s gardens
hoka hey
red cloud

Concreto – Compacto Quadrado (1994)

Boa noite a todos! Chegamos a mais uma sexta feira. Por aqui, super quente, merecendo logo mais umas cervejas para refrescar. Eu vou! Antes porém, vou deixando o meu recado. A semana foi para dar uma ‘arejada’, um clima diferente e inesperado, como condiz a um blog como o Toque Musical. Atirando para todos os lados, mas sempre no alvo 😉

Hoje eu vou fazer aqui duas postagens. Para salvar a semana e lavar a alma! Nesta primeira eu trago para vocês um raríssimo compacto da banda de ‘hard rock’ mineira, Concerto. Foi o seu primeiro disco, lançado pelo selo Azra International, de Los Angeles, em 1994. A peculiaridade do disquinho é ser um vinil quadrado que só toca de um lado e onde encontramos duas faixas, curiosamente sem nomes. Não há menção aos títulos das duas músicas. Eu até poderia procurar, mas vou deixar a minha preguiça fazer parte do conceito. Um compacto como este, hoje, vale uma grana!
O Concreto foi formando em Belo Horizonte em 1993. Seu integrantes são Marcelo Loss, baixo e vocal; Túlio de Paula, guitarra e voz; Fidélis, guitarra e vocal e Teddy na bateria. Ao longo desse tempo na estrada lançaram uns quatro discos ou cinco discos. São considerados por críticos de rock como uma das melhores bandas do ‘rock underground’ brasileiro. Há tempos não vejo a turma pela cidade, mas creio que eles continuam na ativa. Não deixem de conferir. a coisa está melhorando 😉

Tubarão – Perdidos No Deserto (1991)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Mantendo a temática pop/rock da semana, aqui vai mais um disco que eu estou descobrindo agora, junto com vocês, “Tubarão – Perdidos no deserto”. Embora seja um grupo pop nascido lá pelos idos dos anos 80, passou meio que despercebido pela minha praia. Assim como tantos outros daquela bendita época. Mas, nunca é tarde para a gente rever os conceitos, ou quando nada, fazer uma pirracinha e mudar o foco da turma. É como eu sempre digo, o Toque Musical é um blog onde se escuta de tudo, mas sempre com outros olhos.

Temos então o grupo Tubarão, quem vem lá de Santa Catarina. O nome tem a ver com a cidade de origem de alguns dos integrantes. Pelo que eu li lá no “MySpace” da moçada, o grupo gravou uns três discos, sendo este o último. Preciso ouvir os outros discos, pois segundo eles mesmo, “Perdidos no deserto” foi o trabalho mais comercial, feito de encomenda para as FMs. Tá certo, entendi tudo… E vou fazer vocês entenderem também 😉 Apesar de faltar aqui um ‘Spielberg’ na direção, ouvindo o álbum após 20 anos ele passa ter até um outro sabor, principalmente quando hoje vemos e ouvimos por aí tanto cação metido a besta.
Vamos nessa gente, pois como dizia a minha vó, toda araruta tem seu dia de mingau.
certo e errado
sem respostas
a tribo
pra saber quem eu sou
você não diz nada
tudo na vida é um sonho
todos por mim
vou conquistar o seu coração
vida comum
corações a mil

Ruban – Vitrine (1986)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! É, agora tem mais um para o meu jargão! Eu hoje, finalmente, retirei todos os links de postagens ativos no blog. Agora o terrorismo fica por conta apenas de algumas ameaças anônimas, que não devemos nem dar bola. Como dizia o Roberto Carlos, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente…” É isso aí, o Toque Musical continua bombando, fazendo a alegria de quem gosta de música brasileira e também daqueles como eu que escutam música com outros olhos.

Dando sequência à nossa semana pop/rock, ou coisa assim, eu tenho hoje para vocês o cantor e compositor Ruban. Lembram dele? Quem nos anos 80 nunca ouviu “Dancing Days”, que foi sucesso nas vozes das Frenéticas? Música esta feita em parceria com Nelson Motta. Tem também, “Eu sou free”, outra música de muito sucesso, dele e Patrícia Travassos, eternizada através do grupo pop Sempre Livre. Ah, já ia me esquecendo, tem outra, “Cinderela”, hit que fez a cabeça de muitas moçoilas naquela década. Pois é, o tempo passa e parece que as coisas acontecidas à vinte anos atrás estão mais esquecidas que as de quarenta. Ruban é um bom exemplo. O cara sumiu. Se procurar na rede vai ser difícil achar o seu rosto estampado na lista do Google. Mas aí eu me lembrei de verificar no Orkut e Facebook e achei. Lá estava ele, um senhor tipo bonachão, pai de família, rodeado por belos filhos e amigos. Já é até avô! Putz, o tempo passa! Embora eu o tenha encontrado, no Orkut ele não faz menção à sua carreira de músico, produtor e compositor. Deixei por lá um recado, quem sabe ele um dia por aqui apareça para nos contar o que anda fazendo. Enquanto isso a gente vai relembrando…
vitrine
só se for você
vem comigo
trinta anos
essa garota
suite de castanhas
dancing days
cinderela
eu sou free
vitrine (remix)

Zona Franca – Interpreta As Versões Históricas Dos Beatles (1994)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Aproveitando a folga do almoço, entre uma garfada e um teclada, aqui vou trazendo a postagem do dia. Estou achando ótima essa nova concepção do blog, em conjunto com o grupo, que é restrito. Sei que isso tem criado alguns inconvenientes para os amigos, mas como tudo que se modifica, existe um período de adaptação. Tenho certeza que logo, todos estarão afinados e seguiremos em harmonia aqui no Toque Musical. Volto a falar, quem está se dando mal por aqui são aqueles que se apressam em busca do link, sem ler o cabeçalho do blog. O mesmo vale para quem já está dentro do grupo. Este só existe, desde então, para a distribuição dos links. Embora tenha o nome de ‘grupo de discussão’, não deve ser usado para isso e nem para qualquer outra mensagem. Contudo, qualquer um pode postar mensagens no GTM, mas essas devem se limitar aos próprios links. Deixei essa possibilidade à vocês para que pudessem nos ajudar na reconstituição dos links de antigas postagens, já que todos se perderam na última limpeza do Mediafire. Até então, o único que se prestou a esse trabalho foi o nosso amigo do “300 Discos Importantes”, que repôs no grupo algumas dezenas de links. Quem tiver no GTM e quiser colaborar também com essa reposição, basta apenas enviar o link para o e-mail do grupo, lembrando-se de que o título do e-mail deve ser o mesmo da postagem e ao final, entre paranteses, a palavra em maiúsculo ‘REPOST’. São normas simples que irão facilitar o entendimento e a pesquisa de arquivos no blog.
Falando agora da postagem do dia, tenho aqui para vocês o grupo “Zona Franca”. Este é um conjunto que eu mesmo não conhecia, mas me chamou a atenção pelo fato de estarem tocando músicas dos Beatles. À bem da verdade, são as versões em português feitas na época da Jovem Guarda por figuras como Rossini Pinto; Roberto Carlos; Renato Barros (do Renato e seus Blue Caps); Lilian Knapp (da dupla Lilian e Leno) e Ronnie Von, além de versões mais recentes de Lulu Santos, Fausto Nilo e Rita Lee com Gilberto Gil. Achei curiosa essa coisa de ‘cover do cover’. E o resultado, ao contrário do que eu pensava, ficou, em alguns aspectos, melhores do que antes. Vamos conferir?

feche os olhos (all my loving)
hey jude
meu primeiro amor (you’re going to lose that girl)
eu te amo (and i love her)
menina linda (i should have know better)
quis fazer você feliz (if i feel)
lá vem o sol (here comes the sun)
viver e reviver (here, there and everywhere)
de leve (get back)
michelle
meu bem (girl)
até o fim (you won’t see me)

Muraro – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 11 (2012)

E chegamos à décima-primeira edição do Gran Record Brazil. Aqui apresentamos algumas das melhores gravações do pianista, maestro e compositor Heriberto Leandro Muraro (La Plata, Argentina, 1903-Rio de Janeiro, 1968). Este ilustre “hermano” aportou em terras brasileiras em 1932, logo se apaixonando pela nossa terra. Por décadas a fio percorreu todo o país exercendo sua arte de exímio pianista, excursionando em seguida por Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Itália com repertório de música brasileira. No rádio, atuou nas emissoras cariocas Mayrink Veiga, Nacional e Globo, na Record de São Paulo e na Farroupilha de Porto Alegre. Dirigiu a lendária Nacional por 18 anos, impulsionando a carreira de nomes como Dircinha Batista, Nélson Gonçalves, Joel e Gaúcho, e as irmãs Cármen e Aurora Miranda. Gravou seu primeiro disco na Victor, em 1939, solando ao piano, em ritmo de fox, os sambas “O homem sem mulher não vale nada” e “Meu consolo é você”, hits do carnaval daquele ano na voz de Orlando Silva. Foram mais de trinta discos gravados, entre 78 rpm e Lps. Nesta edição do GRB, um pouco da arte deste talentoso pianeiro portenho-brasileiro, em doze fonogramas. Pra começar, o disco Continental 15887, gravado em 18 de março de 1948 e lançado em maio-junho do mesmo ano, com duas conhecidas marchinhas do mestre João de Barro, o Braguinha, em ritmo de fox. No lado A, matriz 1813, “A mulata é a tal”, parceria com Antônio Almeida, e no verso, matriz 1812, “Tem gato na tuba”, que Braguinha fez com Alberto Ribeiro. Em seguida, registros certamente realizados fora do país. O Odeon 2987 apresenta no lado A, matriz 14719, o fox “Dragões canadenses” (“Canadian capers”), dos americanos Gus Chandler, Bert White e Henry Cohen, composto em 1915. No verso, matriz 14466, e igualmente como fox, “Estudo em vermelho” (“Study in red”), do também americano Larry Clinton, trompetista, trombonista e bandleader. De volta ao Brasil, a interpretação de Muraro para o fox “Narcissus”, do americano Ethelbert Nevin, lançada pela Continental em agosto de 1944 com o número 15182-A, matriz 835. No verso, matriz 836, outra interpretação de Muraro em tempo de fox para “Gigolette”, trecho da opereta homônima de Franz Lehar, nascido na cidade de Komárom, no antigo Império Austro-Húngaro, e hoje situada na Eslováquia, com o nome de Komarno. Prosseguindo, mais um disco gravado no exterior, o Odeon 2947. Abrindo-o, matriz 15662, “Linda flor” (na verdade o famoso “Ai, ioiô”, de Henrique Vogeler, cuja letra mais famosa foi a de Luiz Peixoto e Marques Porto, gravada por Aracy Cortes em 1929). No verso, matriz 15578, o chorinho “Tangará na dança”, de autoria de Lina Pesce, compositora, cantora, bandolinista e pianista, lançado em 1946 pelo acordeonista George Brass. Portanto, este disco, assim como outros dois aqui incluídos, deve ser de 1947, mais ou menos. Em seguida, mais um disco de Muraro aqui gravado, o Odeon 13043, de 22 de maio de 1950, lançado em setembro do mesmo ano. De um lado, matriz 8704, o famoso “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e no verso, matriz 8705, o célebre “Moto perpétuo”, de Paganini, que mais tarde recebeu outra ótima interpretação, a cargo de Edu da Gaita. Finalizando, mais duas gravações internacionais de Muraro, em disco Odeon 2912, apresentando dois chorinhos muito conhecidos. No lado A, matriz 14573, “Não me toques”, do mestre Zequinha de Abreu, e no verso, matriz 14465, “Bem-te-vi atrevido”, outra composição de Lina Pesce. Enfim, um resgate mais que oportuno, deste grande músico que foi o argentino-brasileiro Heriberto Muraro. Bom divertimento!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Elizete Cardoso – Magnífica (1959)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Pelo visto eu terei que ficar batendo na mesma tecla até que todos entrem no ritmo do nosso GTM (Grupo do Toque Musical). Alguns visitantes, no desejo aflito de ir logo baixando os discos postados, não se preocupam em ler as informações do blog, principalmente depois dos últimos fatos ocorridos e consequentemente das mudanças que fiz no Toque Musical. Há nesse caso dois pontos fundamentais que devem ser observados. O primeiro diz respeito à associação dos amigos no grupo. Muita gente fica mais perdida que cego em tiroteio, sem saber como se inscrever. A coisa é bem simples, leiam o cabeçalho do blog. As informações estão bem claras. Após fazerem a inscrição, aguardem até que eu os aprovem no grupo. Não estou fazendo restrições a ninguém, nem mesmo aos espíritos de porco, que apesar de serem chatos, sei que no fundo nutrem uma grande admiração por mim. Agindo com educação e respeito, terão os mesmo privilégios dos demais. Os inscritos após aprovados, podem configurar suas contas no site do GTM, escolhendo a maneira que melhor lhes agradarem para o recebimento das mensagens. O segundo ponto importante, diz respeito à utilização do endereço de e-mail do grupo. Este, nunca deve ser usado para mensagens ou solicitação de músicas ou links. Evitem usar esse canal, deixando-o exclusivamente para os ‘toques’ (links) referentes às postagens do Toque Musical. Mensagens e links de terceiros, enviados para lá, serão imediatamente retirados e seu autor, se repetir o erro, será excluído do GTM. Quando quiserem um novo link para uma postagem antiga, basta colocar a mensagem no Comentário referente à ela. Assim que eu tiver tempo, farei a reposição. Infelizmente, a situação tem piorado e o terrorismo passa a ser feito até por bossais, o que me levou a tomar essas medidas.

Tem gente (os bossais) que acha que tudo isso me prejudicou, que o Toque Musical tem perdido o seu ‘tesouro’. Lêdo engano. Eu não perdi nada, absolutamente nada! O blog continua inteiro, sem corte ou censura nas publicações. Estão aqui todas as postagens que fiz desde o início. Faço ‘back up’ diariamente do TM e quanto aos discos… aah… esses continuam na minha estante, no meu toca discos e nos quase 15 terabites já digitalizados. Daí, quando um ‘doente’ pensa que está me sacaneando, está na verdade fazendo mal a ele próprio e aos demais visitantes do blog. O povo aqui, que não é bôbo nada, já sabe o que fazer, deixa o cabra babando sozinho, ignora que ele acaba surtando. Não posso negar que acho tudo isso ótimo. Fale mal, mas fale (sempre) do Toque Musical 😉 Putz, até rimou… hehehe…
Bom, agora falando da postagem do dia, hoje eu estou só respondendo à altura. Como havia dito anteriormente, estou no momento voltado para a produção musical mais recente, mas nem por isso fácil de encontrar. Quero aqui também dar a vez a um público que sempre me prestigia e aos discos e artistas da minha geração. Não necessariamente que sejam todos lá do meu gosto pessoal. Como vocês já sabem, eu escuto música com outros olhos 🙂
Aqui então, o disco escolhido para o domingo. Vejam só que beleza, Elizete Cardoso (ou Elizeth, como queiram), neste ótimo álbum gravado por ela em 1959. “Magnífica” nos traz um repertório especial, exclusivo para as composições de Marino Pinto. Neste lp, Elizeth Cardoso interpreta suas canções, a maioria em parceria com grandes nomes, tais como Vadico, Mario Rossi, Carlos Lyra, Antonio Carlos Jobim e outros mais. Participam deste disco, além do próprio Marino Pinto, Altamiro Carrilho, que tocou e também dirigiu a gravação, o jovem violonista Baden Powell e também os maetros Mozart Brandão e Severino Filho que cuidaram da orquestração e o côro. Com um time desses e os valores agregados, não tem como dizer que este álbum da Elizete Cardoso não é magnífico.
música do céu
que dizer?
reverso
cidade do interior
herança
renúncia
madrugada
velhos tempos
velha praça
aula de matemática
até quando?

Pery Ribeiro – Apaixonadamente Na Memória (2012)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu estava pensando em manter neste fim de semana a postagens de discos mais recentes, algo mais ligado ao pop/rock nacional. Porém fui surpreendido com a triste notícia da morte do Pery Ribeiro. Deixei de lado as guitarras para prestar aqui a minha homenagem ao grande intérprete da nossa MPB. Acredito que muitos devem estar pesarosos, assim como eu. Embora eu poucas vezes tenha postado alguma coisa do Pery, sempre tive por ele uma grande admiração. Pery Ribeiro foi um cantor que marcou por diversas razões. Filho de dois outros grandes monstros sagrados da música brasileira, Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, não podia ser outra coisa senão um artista, de muito talento é bom dizer. Foi o primeiro intérprete de “Garota de Ipanema”, assim como também na Bossa Nova, foi quem estreou diversos ‘hits’, principalmente de Menescal e Boscoli. Pery foi um artista que sempre cantou o amor e a paixão. Não foi por acaso ou para rimar que Caetano Veloso cita o artista em uma de suas músicas: “…apaixonadamente como o Pery”. E foi lembrando dessa frase que eu me inspirei no título desta coletânea que montei e agora apresento a vocês. São 41 músicas que ilustram um pouco o trabalho do artista. Selecionei algumas das que eu mais gosto e que se destacaram e sua carreira. Lamentável essa perda e o pior é que não tem ninguém para ocupar o seu lugar. Vai fazer muita falta. Mas agora ele está no Céu, cantando ao lado dos pais e dos grandes amigos. Obrigado, Pery!

manhã (com o bossa três)
bola de meia, bola de gude – novo tempo
indecisão (com luiz eça)
samba do dom natural (com o bossa três)
manhã de carnaval
só quero você
eu gosto da vida
de volta
palmeira triste
de onde vens (com luiz eça)
oferenda (com luiz eça)
tristeza (com o bossa três)
canto de ossanha (com o bossa três)
noves fora nada
samba de orfeu
sangrando – ponto de interrogação
quero quero – cheiro de mato
saudosa mangueira
lamento da lavadeira
diariamente
alvorada
segredo
caminhemos
evolução
nós e o mar
rio
bossa na praia
se pelo menos você fosse minha
lamento negro
me lembro vagamente
garota de ipanema
só nos resta viver – meu amigo, meu herói
canção que morre no ar (com luiz eça)
bandeira branca
aruanda
laura
segredo (com dalva de oliveira)
ave maria (com dalva de oliveira)
ave maria do morro (herivelto martins)
réquiem

Matheus Nicolau – Todas As Flores Tem Espinhos? (2012)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu estava esperando passar essa fase do Carnaval para retomar nossa rotina, muita variedade, curiosidades e música rara. E o espaço do artista/disco independente continua, sejam antigos ou lançamentos, enviados pelo próprio artista.

Eis aqui uma boa novidade: “Todas as flores têm espinhos?”, especialmente enviado para nós pelo jovem e talentoso Matheus Nicolau. Ele nos enviou o seu disco, recém lançado, para a nossa avaliação. Da minha parte ele está aprovado. Gostei do trabalho e acho que muitos também irão gostar. Matheus me contou que uma de suas fortes influências é o cantor e compositor Dalto. Eu até então não havia percebido de onde vinha aquele seu som tão familiar aos meus ouvidos. Sua música tem sim aquele jeitão gostoso das músicas do Dalto. Mas não pensem vocês que o rapaz está de carona. Matheus Nicolau é um artista com brilho próprio e não demora, vai mais longe… Ainda vamos ouvir falar muito dele por aí, podem acreditar…
confissão
carol
plural e singular
se querendo
provando a eternidade
quando os deuses forem dormir
enquanto ela dorme
menina da praia
gosto
luana
jasmim
enquanto a tarde cai
saudade
carta a futura amante
espera por godot

Brylho – Noite Do Prazer (1987)

Olá amigos cultos e ocultos, do Toque Musical! Muito boa noite para todos. Na onda da radicalização, eu hoje estou da água para vinho, ou vice versa. De vez enquanto a gente tem que mudar um pouco também no repertório e na escolha das postagens. Nesse sentido, o TM é um blog onde se pode esperar de tudo. Depois de carnaval e quarta feira de cinzas, eu quero mais é uma ‘noite do prazer’, em todos os bons sentidos, claro!

Vamos aqui com este já bem manjado e único álbum gravado pelo grupo Brylho, que tinha com principais membros, Claudio Zoli e Arnaldo Brandão, que depois viria a formar a banda Hanoi Hanoi. Eu tinha por certo que este disco já havia sido postado aqui. Verificando meu index, percebi que ainda não. Assim sendo, com prazer, vamos ter uma bela noite, pelo menos ouvindo a faixa que virou um dos maiores hits da chamada ‘black music brazuca”. “Noite do Prazer” fez mesmo a cabeça de muita gente, inclusive a minha, adoro esse balanço, que aliás é uma das poucas que salva o disco. Ou talvez, ela é tão boa que as outras acabam passando meio que apagadas. Bom, mas isso é uma opinião pessoal, tem gente que vai gostar até mais de outras. Mas o que levou o álbum a ser reeditado e também lançado em cd, tempos atrás, foi o hit a la George Benson. Taí, um álbum que já é um clássico do pop nacional. Confiram… (lá no GTM ou em sua caixa de e-mails)
destrava, maria
jóia rara
pé de guerra
meditando
cheque sem fundos
noite do prazer
se você for a salvador
171
pantomina
jane e júlia

Corporação Musical N. S. Das Dores De Itapecerica – Concerto No Horto (1980)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Os ‘ocultos’ permanecem apenas para mantermos a saudação. A partir de agora, os amigos têm nomes, sobrenomes e endereço de e-mail, pelo menos lá no GTM. Agora, o blog Toque Musical incorpora mais ainda o site do Grupo Toque Musical. É isso aí, estamos expandindo! Como diz o outro, há males que vem para o bem, pelo menos é o que foi para mim. Essa mudança que muitos acham ter sido radial, na verdade, apenas acompanha o radicalismo imposto nos últimos tempos. Embora eu esteja ‘tomando Active com Johnny Walker’ para tudo isso, me preocupo mais com ações individuais. O mundo está cheio de loucos e por aqui alguns surtaram de vez, transformando a paixão em ódio (que coisa esquisita, e logo comigo?). Pois é, como bom mineiro, eu tenho mais é que ficar com um pé atrás e o olhar bem a frente para não tropeçar. Continuo fazendo o que eu gosto e da maneira que quero. As mudanças no blog, todos logo se adaptarão. Eu não terei tempo para ficar aqui todos os dias explicando o que aconteceu e como se faz para entrar no GTM. Espero que os amigos aqui, mutuamente se ajudem, como tem sido feito no site do grupo. Há pessoas que entram no blog mas não tomam o trabalho de ler os informativos. Precisam ficar mais atentas 😉

Para a postagem de hoje, muito apropriado, tenho aqui um disco interessante, lançado pela Bemol em 1980. Trata-se de uma gravação ao vivo feita na Igreja do bairro Horto, em Belo Horizonte. Quem é da cidade deve conhecer o santuário, hoje bem modificada. Esta minha escolha não foi atoa. Quando criança, eu frequentei esta igreja, morava no bairro Sagrada Família. Tenho boas lembranças daqueles tempo…
Mas como eu dizia, temos aqui um concerto musical singular (no bom sentido, claro!), uma tradicional banda, a Corporação Musical Nossa Senhora das Dores, da cidade de Itapecerica, apresentando dobrados e marchas, fúnebres e festivas. Gravado ao vivo na Igreja do Horto, esse evento musical ocorreu, por iniciativa da Paróquia do Senhor Bom Jesus do Horto, no sentido de aproximar duas comunidades, a do bairro na metrópole e a do interior. O bairro do Horto foi formado por moradores que vieram de cidades do interior, muitos deles da cidade de Itapecerica. A banda, tradicional desta cidade, veio se apresentar para os seus conterrâneos e teve aqui o seu registro gravado. Este talvez seja um álbum que vai mesmo interessar ao povo daqui. Mas não deixa de ser uma curiosidade, típica do nosso Toque Musical para quem sabe escutar com outros olhos 😉 Confiram… (lá no GTM)
dobrado major belchior mendes
dobrado padre gil
dobrado sinfônico muralhas de jericó
marcha festiva ilana
marcha festiva nossa senhora da glória
marcha festiva dona antonieta
marcha cidade das rosas
dobrado carlos felipe
marcha fúnebre saudades do dinho totonho
marcha fúnebre morte do justo