Olá amigos cultos e ocultos! Não tem jeito, não há como eu fazer uma semana só, quando resolvo postar um gênero específico de disco. Uma semana acaba sendo muito pouco e como eu já havia preparado alguns títulos, não vou parar agora, né? Vamos levando no riso mais alguns dias, depois eu até entro no choro, na fossa e na bossa, ok?
Seguindo, vamos com outro comediante, José Vasconcelos, um dos mais famosos humoristas brasileiros dos anos 60 e 70. Hoje em dia ele anda completamente afastado da vida artística. ‘Pendurou as chuteiras’ e vive recolhido em sua casa, no interior paulista.
Este disco, lançado em 1960 pela Odeon, fez muito sucesso e vendeu horrores. Embora discos de humor e humoristas em discos não fosse uma novidade, a partir deste álbum as gravadoras passaram a dar mais atenção ao gênero. Foi o primeiro disco de humor com mais de 55 minutos e surpreendeu a todos pelo sucesso de vendas. Confiram…
Premeditando O Breque – A Voz Do Premê (1986)
Salve! Aproveito o momento de pausa familiar para fazer a postagem do dia. Hoje eu estou um pouco preguiçoso. Bem que eu gostaria de uma programação postal de pelo menos alguns dias. Deixar que alguém cuidasse das postagens. Eu queria alguma coisa parecida com a ideia este álbum promocional do conjunto paulista “Premeditando o Breque”, dedicado ao radialista. Conforme nos informa a capa e salienta a contracapa, são 2700 segundos de folga para o radialista programador ‘voar à vontade’. “A voz do Premê” é um disco cujo o roteiro foi criado pelo grupo em parceria com Tim Rescala. Trata-se da apresentação das músicas do disco oficial, “O melhor dos iguais” em formato de programa de rádio, onde o conjunto é entrevistado. Participam da comédia Tim Rescala, Arrigo Barnabé, Lulu Santos, Herbert Vianna e Renato Russo. Escuta aí… bobinho como o domingo…
Juca Chaves – Muito Vivo
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Antes de sair para a já tradicional Feira do Vinil e CDs Independentes, vou deixando pronta aqui a postagem do dia. A semana de humor ainda não fez cócegas o suficiente nos nossos ouvidos, por tanto, acho que vou dar sequência. Farei mais uma semana dedicada ao sorriso.
Para o sábado, estou trazendo mais uma vez o Juca Chaves. “Muito Vivo” é um disco que pela capa engana a gente. Parece ser gravado ao vivo, mas não é, o que acaba sendo melhor, afinal disco do Juca ao vivo é piada. Mas aqui, o que temos são 12 de suas mais famosas canções, sempre satirizando o cotidiano social, político ou artístico brasileiro. Não tenho certeza, nem vou verificar isso agora, mas algumas das faixas deste disco estão contidas também no álbum anterior que postei aqui no Toque Musical.
Deixa eu ir… já estou atrasado… até mais…
Claymara Borges & Heurico Fidélis – Pirata Ao Vivo (2003)
Olá amigos cultos e ocultos! Enfim, chegamos à nossa sexta independente, o dia de divulgar os discos e artistas que fugiram do esquemão das grandes gravadoras, que aliás estão começando a entender que o barato agora é promover o artista e não mais o disco, como eles antes faziam. Com a tecnologia aí em nossas mãos, a produção e até a divulgação tornou-se mais fácil. Qualquer um agora pode gravar o seu disquinho independente. Por outro lado, não exatamente pelo fato da facilidade na produção, mas muito mais pela falta de qualidade e criatividade, ao chegarmos nessa situação, percebemos que a banalidade e a mediocridade, hoje impera em todas as áreas, na música, na literatura e nas artes visuais. E isso, por mais que pareça uma anomalia, não deixa de ser uma adequação natural. Vivemos um momento de transição e pelo jeito ainda estamos no início da curva. Muita coisa vai mudar radicalmente, podem esperar…
Putz! Olha eu fugindo, sem querer, do nosso assunto. Acho que comecei assim para chegar nessa dupla de artistas muito divertidos. Eu não sei muito sobre este ‘casal nota 10’, além dos dois discos que tenho deles. Há tempos atrás eu havia postado “Cascatas de Sucesso”, um cd da dupla, lançado pelo selo (?) independente Leblon Records. Agora, recentemente, tive a honra de receber este segundo disco, enviado especialmente para mim (com direito à autógrafos e a promessa de ingressos na primeira fila do ‘big’ espetáculo internacional que eles um dia virão a realizar na Broadway, em Nova York). Obrigado Heurico e Claymara! Fiquei na dúvida logo que recebi pelo correio o cd. Pensei que fosse uma gozação. Recebi um autêntico cd pirata, no estilo camelô 3 por 5. Por um momento eu pensei, “pô, isso é que é contenção de despesas, mais fácil teria sido eles me enviarem apenas o arquivo de áudio junto com as capinhas”. Mas passados alguns segundos, eu logo entendi o conceito da ‘coisa’. Só mesmo a criatividade e o bom humor poderiam criar uma peça fonográfica como essa. Realmente, tudo a ver… um cd pirata original 🙂 Em 1995 Claymara Borges e Heurico Fidélis fizeram um show no bar Sweet Home, no Rio de Janeiro. ‘Acidentalmente’ alguém gravou o espetáculo, o qual acabou se transformando neste inusitado e original cd, vendido apenas no Japão e por encomenda. Aqui no Brasil ele é distribuído gratuitamente, principalmente através do seu blog Toque Musical 😉
Para aqueles que ainda duvidam, ou melhor, desconhecem Claymara Borges & Heurico Fidélis, convido a dar uma pesquisada no You Tube (lá dá de tudo!)
Atenção amigos cultos e ocultos de Belo Horizonte e região! Amanhã, sábado, vai acontecer mais uma edição da Feira do Vinil e CD’s independentes. A festa acontece o dia inteiro, de 10 as 18 horas. Vai ter muita gente vendendo e comprando discos. Colecionadores, lojistas, donos de sebos, todos munidos com preciosidades para todo o gosto. Se você está na cidade, não deixe de conferir. Eu também vou estar!
Ary Toledo – Pois É (1982)
Pois é, dando sequência em nossa semana de humor, eu hoje trago para vocês o Ary Toledo. Este começou como cantor bem humorado e acabou se transformando em contador de piadas ‘manjadas’. Neste disco, um show gravado ao vivo no Teatro Zaccaro, em São Paulo, ele nos apresenta uma série de piadas amarradas em textos de sua própria autoria e também canta algumas músicas, entre elas o seu grande sucesso “Pau de Arara”, de Vinícius e Carlos Lyra.
Chico Anisio Show (1962)
Olá amigos cultos e ocultos! Na semana dedicada ao humor, uma figura que não poderia faltar é o Chico Anísio (ou Anysio). Entre os diversos discos que ele também gravou, contando, cantando ou fazendo piadas com seus tipos, não achei nada melhor que este álbum lançado pela Philips em 1962. Aqui ele interpreta dez dos seus famosos personagens no “Chico Anisio Show”, primeiro programa de humor da televisão brasileira a ser gravado e apresentado em vídeo tape.
Dercy Gonçalves – 80 Anos De Humor, Picardia e… (1987)
Aqui vamos nós com outro disco de humor. Desta vez não é musical, vamos com a Dercy Gonçalves, essa curiosa figurinha secular. Uma atriz e comediante que todos nós já conhecemos bem. Em 1987, comemorando os seus 80 anos, ela apresentou um espetáculo na boate Sambão & Sinhá, dirigido por Maurício Sherman. O show é um monólogo pautado no improviso, rico em palavrões, que nossas vovós não ousariam nunca pronunciar, muito menos ouvir. Dercy, a medida em que ia ficando mais velha, foi ficando também mais desbocada. Não tinha mais papas na língua, uma autêntica ‘língua de trapo’. Acredito que a Dercy Gonçalves chegou num ponto em que misturava Activia com John Walker, estava cagando e andando para tudo. (putz! já estou eu assimilando o espírito da dona…) Mas contam aqueles que a conheceram de perto, que ser desbocada era apenas um tipo, na vida real ela era mais contida. Será? O certo é que realmente não tem como a gente não dar umas boas gargalhadas com Dercy Gonçalves. Ela tem o dom de barbarizar sem chocar ou ofender. Confiram…
Língua De Trapo (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! Há muito eu venho pensando em fazer uma semana dedicada ao humor, mas sempre acabo adiando. Desta vez vai ser diferente, fiz aqui uma seleção que vai de grupos musicais à contadores de piadas. Dizem que rir é um ótimo remédio, então nossa semana vai ser curativa e em doses mais que homeopáticas.
Começo com um disco que eu acho ótimo, do grupo paulista Língua de Trapo. Eles começaram no início da década de oitenta e continuam ativos até hoje. Seu trabalho musical é todo pautado no humor, uma característica marcante na mpb daqueles anos. Eles estrearam em disco com este álbum, que para mim é insuperável, ou melhor dizendo, memorável. Ainda hoje guardo de cor as letras de todas as músicas. Em nossas festas, tocar Língua de Trapo numa rodinha ao violão era sagrado. Me lembro até do dia em que comprei este disco. Fui para casa levando as últimas aquisições, compradas na Cotec da Engenharia UFMG.Encontrei no caminho um amigo (recém chegado da Colombia) e fomos juntos ouvir meus novos discos. Chapados, demos boas gargalhadas ao longo de cada faixa que íamos escutando. Quando chegou no final da última música, escutamos uma vinheta, uma voz que parecia alguém falando em russo. Era na verdade uma gravação ao contrário, eu de curioso, soltei a agulha no sulco e rodei o prato do tocadiscos com a mão no sentido contrário. Escutamos então: “Você está estragando a sua radiola!” Essa foi a melhor… filhos da mãe! Eu lá, que nem um bobão, caindo na mais original pegadinha fonográfica. Por essa eu não esperava, mas foi ótima. Rolamos de tanto rir. Muito original…
Altamiro Carrilho – Clássico Em Choro (1979)
Por mais que eu queira fugir das homenagens, não posso esquecer que hoje é comemorado o Dia dos Pais. Melhor dizendo, o dia do papai. Salve, salve todos nós!
Embalando o fim do dia, escolhi este delicioso álbum do Altamiro Carrilho. Para quem não conhece está valendo mais o toque. Um disco muito bacana, ao estilo daqueles do Maestro Peruzzi misturando a música clássica com o samba. No caso de Altamiro o que temos são outros tantos clássicos (bem populares) em versões de choro. Um casamento interessante, que agrada a todos, principalmente ao papai aí, que agora pode escutar tranquilo o disquinho antes de ir dormir. 🙂
Adoniran Barbosa – Programa MPB Especial 1972 (2010)
Como eu havia dito, aqui vai mais uma dose de Adoniran Barbosa. Desta vez, um presentinho especial, exclusivo do Toque Musical para vocês. Temos aqui o áudio do programa de rádio MPB Especial, levado ao ar em 1972. Nessas gravações Adoniran nos apresenta alguns dos seus maiores sucessos, contando também um pouco das histórias dessas músicas. Estão com ele no programa, fazendo o acompanhamento, Luiz Mariozzi no violão e Tiãozinho no cavaquinho.
Esta gravação eu encontrei na rede já faz tempo. Eu sabia que um dia elas viriam abrilhantar nossas postagens, faltava apenas melhorar um pouco o som, refazer a edição das faixas e criar uma roupa modelito vinil, claro! Dei uma trabalhada no áudio retirando alguns chiados, mas resolvi fazer um caminho inverso na edição. Mantive as faixas editadas a seco, mas incluí uma outra versão inteira, sem cortes, onde se pode ouvir melhor todo o programa sem pausas. Acho que valeu o trabalho, não é mesmo? 🙂
PS.: hoje ainda tem mais comemoração, tem Caetano Veloso. Aguardem!
Adoniran Barbosa (1980)
Sábado, normalmente, é dia de festa e hoje pelo visto, teremos muitas celebrações. O Toque Musical, na medida do possível, vem sempre procurando homenagear nossos artistas, seja lembrando um aniversário ou mesmo um falecimento. Não gosto de fazer isso sempre, pois se entrar nessa, fico só por conta das datas. Mas sempre que posso, lembro e principalmente tendo alguma coisa legal para mostrar, eu o faço. Ontem, dia 06 de agosto, foi comemorado o centenário do compositor paulista Adoniran Barbosa. Eu até que não me esqueci, apenas não tive tempo para preparar uma postagem especial. Além do mais, sexta feira é dia do artista/disco independente e como já estava tudo ‘engatilhado’, resolvi transferir minha homenagem para o dia de hoje. Garanto a vocês que esse atraso vai valer a pena. Ainda hoje teremos mais uma dose de Adoniran, podem esperar…
Segue aqui o álbum lançado pela EMI Odeon em 1980, o qual se comemora os 70 anos do artista. Neste disco, super bem produzido, temos Adoniram acompanhado por um time de artista selecionadíssimos. Na linha de frente temos as figuras de Clementina de Jesus, Clara Nunes, Carlinhos Vergueiro, Djavan, Elis Regina, Gonzaguinha, MPB 4, Conjunto Nosso Samba, Roberto Ribeiro, Talismã e Vania Carvalho. A turma da cozinha vem formada por outros não menos ilustres, como Dino Sete Cordas, Cristina Buarque, As Gatas e muitos outros. Os arranjos são do maestro José Briamonte
Gonzaga Leal – E O Que Mais Aflore (2010)
Olá amigos cultos e ocultos! A semana passou voando e eu recomeço já enrolado, atrasado em meus compromissos. Enquanto for possível, vamos de postagens diárias, mas para este ano eu não vou dar garantias desse compromisso, ok? O bicho já está pegando…
Ely Camargo – Canção Da Guitarra (1968)
Seguindo a semana, que passou tão depressa, vou postando aqui mais um disco da Ely Camargo. Adoro essa artista e tenho certeza que muita gente também gosta. Os que não fazem parte desse grupo são talvez aqueles que ainda não abriram os olhos e ouvidos para conhecer melhor o seu trabalho. Ely é uma das mais importantes artista folclorista do Brasil e injustamente uma das menos lembradas. Neste disco de 1968, lançado pelo selo Chantecler, Ely nos apresenta um pouco da obra do compositor Marcelo Tupinambá. Este por sua vez, também é outro artista da nossa música, pouquíssimo lembrado, principalmente nos dias de hoje. Coincidentemente, seu verdadeiro nome era Fernando Lobo, igual ao outro compositor, pai de Edu Lobo. Ele adotou esse pseudônimo para continuar exercendo, paralelo à música, sua formação em engenharia. Só mesmo quem estuda música e história está a par dessas histórias e de quem são ou foram os verdadeiros nomes da música brasileira na primeira metade do século XX. Marcelo Tupinambá, talvez pela distância no tempo, talvez pelos gêneros trabalhados, hoje em dia fique mesmo no limbo, esquecido. Sua obra é muito abrangente, vai do erudito ao popular. Em “Canção da Guitarra”, Ely Camargo nos mostra uma faceta mais descontraida do artista. Temos no lp 14 belas músicas, que vão de batuque, canção, toada, valsa, maxixe e tanguinho. A interpretação de Ely Camargo dá às músicas de Marcelo Tupinambá um aspecto mais ‘folk’ e porque não dizer, até mais agradáveis. Sem dúvida, um belíssimo disco, tem que conferir…
Albertinho Fortuna – Tangos Inesqueciveis (1957)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Para mantermos sempre vivo o nosso ecletismo musical, hoje nós iremos de tango. Temos aqui este raro e precioso disquinho de dez polegadas pelo selo Continental com o cantor Albertinho Fortuna, gravado em 1957. Um disco interessante, a começar pela capa, escolheram uma modelo que encarna bem a figura da ‘amante argentina’, não acham? Levando-se em conta o sucesso do disco “Tangos de ontem e de hoje”, postado aqui em outubro de 2008, do mesmo cantor, acredito que este também irá agradar. Albertinho vem acompanhado pelo maestro Alexandre Gnattali e Sua Orquestra e traz o seguinte repertório:
Romeu Fossati – Música De Boate (1955)
Bom dia a todos! As férias acabaram e a rotina do corre corre está de volta. Por isso, antes que o tempo me tome, deixa eu fazer logo a postagem. Eu já havia anunciado há tempos atrás que depois de completarmos três anos algumas coisas poderia mudar por aqui. Me refiro especialmente ao ritmo das postagens. Talvez eu não consiga mais manter a sequência diária, pois já estou prevendo para este próximo semestre outras atividades, que certamente irão me ocupar por completo. De qualquer forma, procurarei não deixar a fonte secar, mesmo porque eu adoro isso aqui 🙂
Para começarmos a semana, vamos resgatar do limbo outro disquinho de 10 polegadas muito interessante. Temos desta vez o maestro, arranjador e pianista gaúcho Romeu Fossati, acompanhado de sua orquestra, num álbum lançado pelo selo Mocambo, em 1955. Romeu Fossati é mais um dos grandes nomes da era de ouro do rádio no Brasil, hoje praticamente esquecido. Romeu começou sua jornada ainda em Porto Alegre. Trabalhou com diversas orquestras, grupos musicais e artistas, tanto em rádios do sul como também em grandes emissoras, como a Rádio Nacional. Embora existam diversas citações na rede sobre o nome deste artista, pouca coisa sobre sua biografia ou atuação artística podem ser encontradas. Sei que ele gravou outros discos e também acompanhou muitos outros, mas eu mesmo, só conhecia este disco. No álbum temos duas músicas de sua autoria, uma versão para “Sábado em Copacabana” de Dorival Caymmi e Carlos Guile e também alguns temas clássicos internacionais do rádio. Confiram a bolachinha…
Ainda a tempo, incluo aqui um trecho do e-mail enviado por Romeu Fossati Filho, o qual nos apresenta melhor o seu pai:
Para minha surpresa, achei esse blog com o disco Músicas de Boite de Romeu Fossati (1906-1996), e gostaria de fazer algumas observações sobre seus comentários. Ele era Maestro, Arranjador e Pianista. Em Porto Alegre, Foi Maestro e Pianista na Rádio Farroupilha e Diretor Artístico da Rádio Difusora, em 1940. Após sua chegada definitiva ao Rio de Janeiro, em 1948, passou a atuar na música popular. Na Rádio Nacional, onde trabalhou por 16 anos, era um dos Diretores Musicais do Programa Cesar de Alencar, junto com Leo Peracchi e Radamés Gnatalli. Após produzir vários discos pelo selo Mocambo, inclusive esse de vocês, chegou a Diretor Musical da Gravadora. O fato de ser gaúcho e a proximidade da Argentina o fez um especialista em tangos, tendo gravado diversos discos como ‘Romeu Fossati e sua Típica’. Já no fim da década de 50 e início dos anos 60, gravou seus melhores discos para o selo Polydor, sob o pseudônimo de Tito Romero, como ‘Sambas Maravilhosos’, ‘Boleros Maravilhosos’, ‘Tangos Maravilhosos’ e Outros. O disco ‘Sambas Maravilhosos’, que infelizmente, não possuo nenhum exemplar, foi sua melhor obra, resumindo em som e estilo de fim de noite, o apagar das luzes de toda uma era, como o seu arranjo para ‘Suas Mãos’ de Antonio Maria e Pernambuco (para quem não conhece a música, no Youtube há uma versão da Maysa, de 1959). Após o fechamento da Radio Nacional, dedicou-se novamente ao piano clássico, tocando nas Orquestras Sinfônicas do Teatro Municipal e da Rádio Ministério da Educação. Nunca se interessou por uma carreira-solo em piano clássico, mas tinha excepcional formação para tocar em orquestra, desenvolvida e aprimorada com o famoso Professor Fontainha. Poucos pianistas no mundo poderiam dizer que tocaram o Pássaro de Fogo de Stravinsky, de primeira vista. E, finalmente, meu pai nunca foi violoncelista.
Sergio E Eduardo Abreu – Os Violões De Sergio E Eduardo Abreu (1971)
Opa! Cheguei a tempo… Domingo é assim, um dia imprevisível, nunca se o que vai rolar na programação. Acabei tendo a minha agenda toda tomada e só agora fiquei liberado. Vamos lá…
Antes de tudo, mais uma vez eu quero agradecer aos amigos e visitantes casuais do blog. Se estamos aqui a três anos e cada vez crescendo mais, é uma prova de que estamos agradando 😉
Sendo hoje um domingo e já entrado para um fim de noite, pensei em darmos ouvidos ao um batido de violão diferente. Na verdade são dois violões, dois excelentes instrumentistas e irmãos, interpretando obras de Telemann, Scarlatti, Bach, Scheidler, além de compositores espanhóis como Fernado Sor, Enrique Granados, Joaquín Rodrigo e Isaac Albéniz. Sergio e Eduardo Abreu foi um duo do violão clássico dos mais promissores nos anos 60 e 70. Reconhecidos internacionalmente, excursionaram pela Europa e Estados Unidos. Estudaram com Adolfina Raitzin de Távora, antiga aluna de Andrés Segovia. Eu não sei bem o motivo, mas ainda na década de 70 eles se separaram. Eduardo resolveu seguir a carreira científica e o Sergio tornou-se um dos mais conceituados luthiers brasileiros. Me parece também que eles não chegaram a gravar muita coisa. Um amigo me enviou as outras gravações deles. Se vocês gostarem, acredito que estarão disponíveis. Ouçam este disco, lançado pela CBS em 1971. Muito bom. Bom para um fim de noite. Até amanhã 🙂
3 Anos De Toque Musical
Show Lô Borges Convida Milton Nascimento (2009)
Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Está aberta a festa de aniversário do nosso blog Toque Musical. Fechem os olhos e procurem imaginar a celebração. Se quiserem, podem também fazer o contrario, abrindo um vinho ou qualquer outra bebida para brindarmos juntos esse terceiro ano. Vamos fazer uma festa virtual, cada um em seu canto, mas juntos no mesmo encanto.
Mais uma vez, quero agradecer a todos, principalmente àqueles que ao longo dos três anos vem acompanhando de perto nossas postagens. Obrigado a você amigo, seja culto ou oculto, anônimo ou não. O Toque Musical vem a cada dia se tornando um blog de verdade, sendo respeitado inclusive pelos artistas que aos poucos estão descobrindo nele um bom canal para divulgação de seus trabalhos. Fico muito feliz com tudo isso e é por essas e outras que vamos nos tornando tradição. Quando se faz um trabalho com amor e sem segundas intenções, não há porque dar errado. O conhecimento musical, as boas amizades e a aproximação com nossos ídolos, não há dinheiro que pague. Por isso, não faço do meu blog um caça níqueis. Não faço propaganda, não vendo e nem cobro nada. Só aceito doações de discos ou colaborações para postagens.
E aproveitando mais uma das boas contribuições de um dos nossos anônimos visitantes é que eu estou trazendo, como uma postagem de aniversário, este ‘bootleg’, editado e encapado especialmente e exclusivamente para o TM. Trata-se do show de encerramento do Festival No Ar Coquetel Molotov, edição 2009, que aconteceu em Recife – PE.
O encontro de Lô Borges com Milton Nascimento se deu na comemoração dos 35 anos de Clube da Esquina. Os dois artistas mineiros fizeram inicialmente este show em São Paulo e em virtude do sucesso, acabaram levando-o para um dos festivais de música jovem mais importante do país. Embora o Coquetel Molotov seja um evento voltado mais para o rock, pop e música eletrônica – o chamado som ‘indie’ – a presença da MPB deu ao festival um caráter mais maduro. O show da dupla começa nas dez primeiras músicas por conta de Lô Borges. Milton Nascimento só entra a partir da daí, como convém a um convidado. No repertório estão alguns dos clássicos da turma e também músicas dos últimos discos de Lô.
Este registro de show foi bem divulgado na rede e pode ainda ser encontrado em diferentes sites e blogs, porém e até então, só era possível baixá-lo como um arquivo bruto. O que fizemos foi apenas dar um trato na mixagem, separando as músicas e criando as capinhas para dar um charme a mais. Espero que tenha ficado no agrado de todos. Confiram no presente…
Orlando Silva – Uma Lágrima, Uma Dor, Uma Saudade (1989)
Olá amigos cultos e ocultos! Eu ainda não tive tempo de arrumar toda a casa, algumas postagens continuam com seus respectivos ‘toques’ desatualizados. Por isso, peço aos interessados que tenham um pouco de paciência, faremos tudo gradativamente, ok?
Hoje, sexta feira, é dia de disco/artista independente e também véspera do aniversário do nosso blog Toque Musical. Pode até parecer uma chatice essa de ficar o tempo todo lembrando o aniversário do blog, mas aqui o negócio foi sempre assim, eu naturalmente sou assim. Adoro anunciar a felicidade, a vitória e o sucesso. Até aqui temos ido muito bem. Alguns tropeços, algumas falhas, alguns desencantos… mas vamos resistindo. O Toque Musical cresce a olhos vistos e diariamente. E se ele chegou até aqui, foi graças à participação e incentivo de vocês. São nos comentários, nos e-mails e mensagens, são também pelos amigos seguidores registrados, que este encontro diário continua acontecendo. Se não houvesse o tal ‘feed back’ eu já não estaria mais aqui. Obrigado a todos pela participação 🙂
Mas voltando à sexta independente, hoje e especialmente, estou trazendo um disco muito raro do “Cantor das Multidões”, Orlando Silva. Este álbum me foi enviado como uma colaboração, por um de nossos amigos cultos, o Sr. José Carlos Martins. Ele foi o produtor e um dos responsáveis pelo lançamento do lp em 1989. Segundo ele, o disco teve uma tiragem muito pequena e foi distribuído entre os fãs do cantor. Em seu texto, na contracapa, ele nos fala do repertório selecionado, onde constam oito músicas da fase áurea do artista na RCA Victor, até então inéditas em lp. A canção “Despacho”, samba inacabado de Ary Barroso, foi gravado particularmente para o Laboratório Fandorine que a utilizava nos programas em que patrocinava apresentações do cantor. As palavras omitidas na música pelo Orlando Silva se constituíam em um desafio para que os ouvintes as adivinhassem. Esta música nunca chegou a ser gravada e ouvida novamente. Outra música de destaque é a famosa marcha de carnaval “A jardineira”, gravada por Orlando em 1938. Na ocasião, ele gravou a música por três vezes. Todas foram editadas, porém somente duas foram usadas. A gravação que temos aqui é justamente a que não foi publicada. O nosso colaborador teve também a generosidade de incluir no arquivo a letra original e completa do samba “Despacho”, de Ary Barroso. Isso é que é um presentão de aniversário, né não? E eu o compartilho com vocês 🙂
Copinha – Jubileu De Ouro (1975)
Muito bem, estamos próximos de completar 3 anos de existência. Sinceramente, eu não esperava chegar até aqui. Mas é interessante notar como, ao longo desse tempo, o blog foi se transformando e eu, como protagonista fui também aprendendo e me transformando. Só mesmo o meu cabelo eu ainda não mudei, ainda prezo muito o meu estilo ‘black power’ (e esse sorriso maroto que encanta as mulheres). Continuo com o mesmo visual, hehehe…
Bom, mas vamos ao que interessa… Hoje tem Nicolino Cópia, mais conhecido como Copinha. Eis aqui um artista merecedor da nossa atenção. Flautista, saxofonista e clarinetista. Acompanhou Francisco Alves, Gastão Formenti, Moreira da Silva, Orlando Silva, Elizeth, Lúcio Alves, Nora Ney, passando em seguida pelas outras gerações como Gil, Caetano, Milton Nascimento, Beth Carvalho e outros. Quer dizer, o cara tocou com e para os mais diversos artistas da MPB e em diversos períodos.
“Jubileu de Ouro”, conforme nos explica na contracapa Juarez Barroso, é um disco que busca mostrar a extensão do trabalho musical de Copinha, dentro de vários períodos de sua carreira. Outro grande barato do disco é a participação de diversos músicos instrumentistas, todos devidamente listados também na contracapa. Há porém de destacarmos a presença de Nora Ney e Luiz Bandeira, Radamés Gnattali no piano e também como arranjador. Os arranjos também correm por conta de Waltel Branco, K-ximbinho e o próprio Copinha. O repertório procura abranger todos os perídos da música popular brasileira até os anos 70. Temos assim músicas que vão de Pattápio Silva, Pixinguinha, Noel Rosa, passando por Tom Jobim, Carlos Lyra, até chegar em Paulinho da Viola. Não esquecendo de duas composições próprias, “Reconciliação” e “Lambada”. Para resumir, temos aqui um excelente trabalho que vale mesmo a pena conferir 😉
Waldir Calmon – Feito Para Dançar (1954)
Olá! Hoje e mais uma vez eu estou trazendo para um toque musical o aqui sempre festejado Waldir Calmon. Temos nesta postagem o álbum que deu origem à série “Feito para dançar”. Foi o primeiro ‘long play’ feito para se dançar, cujo o conceito não se limitava apenas ao estilo de música dançante, mas também à sua duração. Era a primeira vez que um álbum trazia em uma de suas faces uma única faixa longa, sem pausa, pensada exatamente para que se pudesse dançar mais. São quinze minutos num ‘pot pourri’ dançante que fazia a alegria do casal. A ideia pegou e logo todos os discos do gênero eram lançados dessa forma.
Este é mais um daqueles discos do Calmon que eu aprendi a gostar. Tem aqui duas músicas, as quais eu gostaria de destacar. A primeira, que faz parte da seleção de ‘pot pourri’ e abre o disco é a impagável “Sistema Nervoso”, de Wilson Batista, Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr.. Este samba foi gravado originalmente por Orlando Correia, em 1953, tendo se tornado um sucesso radiofônico da época e é uma das músicas mais curiosas que conheço. A letra fala de um homem que teve o seu sistema nervoso abalado pelo fantasma de uma mulher. Me lembro de, ainda bem pequeno, ouvir ouvir essa música e a associá-la à Familia Adams, me parecia a coisa mais assombrosa do mundo. Na versão instrumental de Waldir Calmon ela deixa de ter um aspecto estranho e agrada bem aos ouvidos e pés. “Sistema Nervoso” foi também gravada por Wilson Simonal, numa versão de tirar o chapéu. Outros que gravaram a música foram a cantora Simone e Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos. Esta música foi também alvo de inspiração para o curta metragem (e ainda inédito) de mesmo nome, do um cineasta mineiro C. Falieri. A outra música que eu gostaria de destacar é o mambo “Luar”. Observem a introdução desta música, não parece coisa feita em 1954. Calmon conseguiu o que outros viram a fazer só dez anos depois. Acho isso surpreendente…





