Embora tenhamos muitos outro discos Paladium para serem mostrados, vamos dar uma pausa nessa ‘novela’, como disse alguém há alguns dias atrás. Novela pra uns, programa de variedades para outros… O Toque Musical é sempre bem sortido. Tem para todo gosto 😉
Finalizando, aqui vai “Sidney Jones e Sua Orquestra”, mais uma produção da Bemol para as coleções Paladium. Este volume é composto totalmente por músicos que tocavam na noite belorizontina. Me parece, inclusive, que dele participam Aécio Flávio, Célio Balona e outros nomes bem conhecidos atualmente da música mineira. O repertório, como podemos ver logo a baixo, traz sucessos daquela época, tanto nacionais quanto internacionais. Gostosinho de ouvir 😉
Típica Rosário – Fumando Espero (S/D)
Buenas noches! Hoje eu me atrasei ‘un poquito’, mas antes tarde do que nunca. A postagem de hoje é dedicada à Evangelina, uma nova amiga culta, argentina, pero ligadona nos lançamentos da Bemol. Retribuindo sua gentileza nas últimas semanas, aqui vai para ela e também para todos os amigos cultos e ocultos que nos visitam, um outro álbum Paladium. Desta vez temos a “Típica Rosário”, outro grupo inventado pela Bemol para o selo Paladium. Por muito tempo eu pensei que quem tocava neste disco fosse o argentino, radicado no Brasil, Rufo Herrera. Alguém uma vez me contou isso, mas nunca consegui confirmar. A única vez em que eu tive a oportunidade de conversar com o Rufo foi em uma festa na casa do meu cunhado e não faz muito tempo isso. Pena eu não ter lembrado dessa história e esclarecido tudo. Também, naqueles dias eu nem pensava em vir fazer esta postagem. Seja ele ou não, não importa agora. Vale mais aproveitar o resto do sábado e ouvir essa série, essencialmente dedicada ao tango. Vamos dançar? 🙂
Adilson Adriano – Eu Gosto Tanto De Você (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Hoje é sexta feira, mas independente de qualquer coisa, continuamos batendo na mesma tecla. Ainda neste resto de semana irão ecoar os discos Paladium. Por isso, não teremos aqui o álbum/artista independente. Semana que vem a gente volta à normalidade, ok?
Seguimos com mais um disco sob o selo Paladium. Desta vez temos o cantor revelação da Bemol, Adilson Adriano. Seu primeiro disco, “Nasce um novo ídolo”, saiu pelo selo Bemol.
Embora eu nunca o tenha escutado, vejo pelo anúncio de venda do lp em vários sites, que se trata de um disco de Bossa Nova, mas eu duvido, considerando que este artista foi moldado para a Jovem Guarda. Além de cantor, o cara era também compositor. Existem músicas dele gravadas por artistas da Jovem Guarda. A Bemol também lançou ele em compacto, uma prova de que a gravadora tinha interesse em investir em sua carreira. Pelo que eu soube, ele começou a se destacar, fazendo páreo com figuras como Agnaldo Timóteo e aí, a Odeon resolveu contratá-lo, prometendo lhe um disco que nunca saiu. Ele foi colocado na geladeira. Uma estratégia típica das grandes empresas quando querem abafar o concorrente. Ele tentou voltar à Bemol, mas nessa altura a gravadora já não tinha mais interesse. Não sei que fim levou…
O presente álbum, parte de alguma caixa das coleções Paladium, reúne uma série de música de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, Luiz Ayrão e também composições próprias. Tudo isso revestido por uma atmosfera de Jovem Guarda romântica e brega. Acredito, pelo estilo Paladium, que essas músicas são as que forma lançadas em seu lp e compacto anterior pelo selo Bemol.

The Terribles – Brasa (1966)
Na onda da Jovem Guarda, aqui vai mais um disquinho a la Paladium. Desta vez temos o conjunto The Terribles. Segundo o site Jovem Guarda Obscura, o grupo era mineiro. Atuaram entre os anos de 1966 a 1968, gravando ao longo desse tempo cinco discos, quatro deles por um desconhecido selo NCV (Super Brasa Vol. 2, Brasa Três, Brasa Quatro e o psicodélico Genial! Universal Sound) e este que foi o primeiro, lançado pelo selo Itamaraty. Eu até então acreditava que o álbum Brasa fosse de 1968. Agora já sabemos que é de 66, embora eu o tenha ‘tageado’ com a data errada.
Neste disco encontramos um repertório de sucessos da Jovem Guarda. São doze faixas com músicas bem conhecidas de todos. Trata-se de um disco de ‘covers’. Mesmo assim, é uma brasa, mora?!
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The Rock Fingers – Hot Line (1981)
Olá amigos cultos e ocultos! Pela primeira vez ao longo de quase três anos de existência do blog recebi uma notificação do Blogger, à pedido do DMCA. O que mais me estranhou foi que eles censuraram dois discos que eu jamais pensei que o fizessem. O primeiro é “Simonetti, Mezzaroma e Wanderley – Música Para O Amor”, disco lançado em 1959! O segundo é um álbum da Ely Camargo, “Cantos da Minha Gente” de 1974. Fico aqui pensando, com tantos outros títulos mais sugestivos eles foram escolher justamente esses. Enfim…
Deixando de lado esse papo, vamos ao disco do dia. Hoje eu trago o grupo The Rock Fingers, mais uma cria da Paladium/Bemol, lançado ainda nos anos 60 e relançado pela Beverly/Copacabana nos anos 80. Segundo me contou o Dirceu Cheib, “The Rock Fingers” foi o nome dado a um grupo de ‘ie ie ie’, formado por jovens estudantes de Belo Horizonte. O nome do conjunto foi criado por ocasião da gravação. Embora fosse um grupo amador da época da Jovem Guarda, seus membros (ilustres desconhecidos), faziam um som bem ‘maneiro’. Vemos aqui um seleção totalmente internacional, com temas bem conhecidos dos anos 60. Disquinho bacana, podem conferir…
Geraldo Tavares – Noites Que Não Voltam Mais (1981)
Olha aí… Ontem eu falava dos ‘troca trocas’ das gravadoras, do uso de fonogramas, matrizes e artistas com pseudônimos. Postei um disco do selo Paladium e agora vamos com outro bem parecido (pelo menos na capa), originalmente lançado por este selo nos anos 60 e relançado vinte anos depois pelo Beverly, um selo da gravadora Copacabana.
Reparem que a foto é a mesma. Não tiveram nem a preocupação de tirar a palavra “seresta”, que até parece uma logomarca. Vemos aqui que não só a Bemol com seu selo para coleções fazia dessas loucuras. Muda-se nomes, muda-se artistas, mas a capa é a mesma. Isso sim é que é economia e reciclagem, hehehe…
Nosso artista da vez é Geraldo Tavares, um nome de verdade. Um dos poucos que tiveram oportunidade de se mostrar através do selo mineiro. Geraldo foi um seresteiro, nascido na cidade de Juiz de Fora. Trabalhou por mais de quaretenta anos em estações de rádios, principalmente na Rádio Guarani e Inconfidência, onde também apresentava um programa dos mais tradicionais da rádio mineira, o saudoso “Noites que não voltam mais”. Não foi por acaso que o presente lp, seu primeiro disco, teve este nome. Segundo as informações colhidas no blog A Música Que Vem de Minas, ele aqui vem acompanhado pelo Regional de Waldir Silva. Geraldo gravou também um outro lp, “Na Casa Branca da Serra” (suponho que seja também pela Bemol). Foi um dos maiores incentivadores da seresta, trazendo em seus programas radiofônicos os mais diversos artista seresteiros. Promoveu e atuou em serestas inesquecíveis, por diferentes lugares dessa Minas Gerais.
Oswaldo Silva – Seresta (S/D)
Bom, já se passaram duas semanas com postagens diretas dedicadas à Paladium. Se formos continuar nessa linha, provavelmente teremos ainda muitas outras semanas. Por essa razão e por outras também, estou pensando em criar um blog exclusivo para os discos do selo. Já até criei uma nova conta no Blogger e no WordPress para isso. Só me falta agora achar tempo para administrar mais um blog (ou dois). Vamos ver…
The Black Boys – I’m A Believer (S/D)
Olás! Eu pensei que teria mais tempo no fim de semana para me dedicar às postagens dos discos do selo Paladium. Fiquei de fazer aqui um relato sobre o meu encontro com o Sr. Dirceu Cheib, mas realmente não tive tempo. Além de problemas pessoais, estou também cheio de trabalhos que me roubam muitas horas e até a inspiração. Estou chegando a conclusão de que não adianta eu ficar planejando ou prevendo o que virá em seguida. Acabo me comprometendo e criando expectativas em vocês. Pelo jeito, ainda não vai ser hoje que irei relatar alguns fatos, os principais, sobre o selo mineiro e suas aventuras fonográficas.
Por hoje, vamos seguir com mais um exemplar das coleções. “The Black Boys” é outro daqueles discos sortidos e dirigidos ao público jovem da época. Uma série de ‘hits’ tanto da Jovem Guarda quanto internacionais, com direito até a uma versão de “Delicado” de Waldir Azevedo.
Dentro desse esquema de produção de discos, saber quem foram os “The Black Boys” é uma questão que nem mesmo o Dirceu Cheib saberia nos responder. Mas por certo, foi mais um grupo anônimo de músicos mineiros gravando na madrugada. Confiram aqui o repertório…
Conjunto Los Romanticos – Dos Almas (S/D)
Vamos hoje bater com o lado internacional da Paladium. Vai ganhar outro doce quem descobrir quem realmente foi o Conjunto Los Romanticos. 🙂
Luiz Humberto – Temas Para Dançar (S/D)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como eu havia comentado ontem, aqui vai mais um bom exemplo dessa história de discos relançados com nomes trocados pelo selo Paladium. Assim como o Rubens Bassini se tornou Raul Ferreira, o organista Celso Murilo se transformou em Luiz Humberto. E olha que pela selo mineiro ele saiu em dois disco, este e o “Dançando nas nuvens”, postado aqui em agosto do ano passado. “Temas para dançar” foi apresentado há tempos atrás pelo excelente blog Bossa Brasileira. Foi de lá que eu busquei mais este exemplo, o qual, como poderemos constatar era antes o “Ritmos na passarela”, lançado à uns três ou quatro anos antes, também pelo selo Pawal. Se formos pesquisar a fundo, veremos que talvez, muitos lançamentos da Pawal se tornaram novos discos nas versões da Paladium, Coledisc, Beverly e outros selos considerados obscuros ou de segunda linha. Ao contrário do que anunciou nosso amigo do blog Bossa Brasileira em sua postagem, “Luiz Humberto, Orgão & Ritmos – Temas para dançar (1962)”, o álbum foi lançado pela Paladium por volta de 64 ou 65. Foi nessa época que a Paladium começou a trabalhar com ‘as matrizes intercambiáveis’. Conforme me contou o Dirceu Cheib, o que era produzido de verdade na Bemol, muitas vezes era também relançado com outros nomes e em outras gravadoras. Este era um procedimento aparentemente normal entre as pequenas editoras (e nas grandes também!).Rubens Bassini E Os 11 Magníficos – Ritmo Fantástico (1961)
Excepcionalmente, estou abrindo espaço para mais uma postagem no dia, esclarecendo um pouco sobre este curioso fato do disco do Rubens Bassini que virou nas mãos da Paladium Raul Ferreira e Seus Ritmistas. É interessante perceber como um disco lançado em 1961, uns quatro anos depois, reaparece com outro nome e em outro selo como se antes nunca tivesse existido. Provavelmente deve ser o que pensaram os responsáveis pelo selo Pawal ao repa$$ar para outros os fonogramas. Tenho certeza que o pessoal da Paladium não se apropriou indevidamente dessas gravações. A coisa não chegava a esse ponto. Como eu havia dito anteriormente, a Bemol/Paladium fazia umas ‘transações fonográficas’ com uma turma do Rio de Janeiro que havia criado um selo, o Coledisc. Eles negociavam matrizes, relançando com outros nomes e capas. Ainda não havia no Brasil um controle de direitos autorais com os de hoje… quero dizer, no sentido técnico da coisa. Provavelmente o Rubens Bassini não ganhou muito com a gravação desse disco e com certeza não viu um centavo estando na pele de Raul Ferreira. Talvez ainda, nem tenha ficado sabendo dessa história (isso para não falar no álbum relançado lá fora, em cd, pela WhatMusic).
Por outro lado, a Bemol ao adquirir as gravações ou matrizes nem devia saber quem era o artista ou quanto este disco havia vendido. Certamente, embora seja um excelente trabalho musical, não deve ter despertado muito interesse na época. Tanto assim que poucos anos depois ele já tinha se transformado em outra coisa.
Amanhã postarei mais um caso, semelhante a este. Confiram também aqui as duas versões. Este disco é tão bom que vale a pena uma dose dupla 😉
Raul Ferreira E Seus Ritmistas – Céu E Mar (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Gostei de ver… responderam prontamente à última postagem. Alguns tiveram até a gentileza de enviar a capa e contracapa original, o que mais uma vez eu agradeço. Embora agora já tenhamos o disco completo, não irei mexer em nada, deixarei a postagem como está. Só assim ela faz sentido, não é mesmo?
Para hoje vamos com “Raul Ferreira e Seus Ritmistas”. Este disco é um dos poucos da Paladium que já foi bem divulgado em blogs e sites. Atualmente pode ser encontrado também no Acervos Origens, e para a venda do vinil, em diversos sites e no Mercado Livre. Entre os discos da Paladium este é um dos poucos que nos parece ser um álbum de carreira, ou melhor dizendo, um disco de artista de verdade. Pelo nome, pela capa, temos quase a certeza de que Raul Ferreira existiu. Mas, segundo o criador da Paladium, Dirceu Cheib, trata-se de mais um pseudônimo. Ele não se lembra mais quem interpretou esse papel, mas afirmou ser este mais um nome fictício. Eu desconfio que este disco em especial foi gravado no Rio de Janeiro, com músicos locais. Digo isso porque na conversa que eu tive com o Dirceu ele me contou que fazia um certo ‘intercâmbio fonográfico’ com uma editora musical do Rio, a Coledisc, que seguia na mesma onda da Paladium, fazendo discos para coleções e vendas a domicílio. Pelo estilo e repertório do ‘Raul Ferreira e Seus Ritmistas” eu tenho quase a certeza de que foi assim. Quem ainda não viu e nem ouviu o disco, tem aqui o prazer de conferir. Muito bom!
P. Trio – Embalo (S/D)
Olás! Diante a tantos discos e a toda oculta história da Paladium, eu acho que ainda iremos render mais uma semana postando seus títulos. Eu ontem estive no Estúdio Bemol recolhendo um depoimento com o Dirceu Cheib e ele me esclareceu muitas coisas sobre o selo. Sem dúvidas, muito do que eu já supunha e escrevi em postagens anteriores foi confirmado. Deixarei para fazer o relato de tudo no final de semana, quando terei mais tempo para escrevinhar a verdadeira história da Paladium e o meu encontro com este senhor, que foi o pioneiro e é um dos mais respeitados profissionais da gravação no Brasil.
Para compor o nosso dia, estou trazendo hoje um disco, o qual eu não tenho a capa. Descobri que se tratava de um exemplar com erro. O selo do lado B não corresponde às músicas das faixas. Consta como sendo do ‘conjunto’ The Black Boys, um grupo ao estilo da Jovem Guarda. Mas ao ouvir percebemos o engano. O selo foi colado no disco errado. O que temos na verdade não é ‘êi êi êi’ e sim um belo disco de bossa e jazz. O lado B é a sequência do disco do ‘grupo” P. Trio, pura Bossa Nova. Como eu não tenho a capa, não achei informações sobre o disco. Quanto ao “P. Trio”, não deve ser mineiro, possivelmente deve ter sido formado por músicos paulistas ou ainda cariocas. Havia um certo ‘intercâmbio fonográfico’ entre a Bemol/Paladium e um grupo de empresários cariocas responsáveis pelo obscuro selo Coledisc, que seguia a mesma onda do selo mineiro. Algumas das faixas do lado trocado, eu não soube imediatamente identificar. Estou deixando essa missão para os amigos cultos e ocultos do blog. Quem adivinhar ganha um doce 🙂 O concurso termina assim que todas as faixas forem nomeadas 😉
A capa original eu não consegui localizar, nem como exemplo. Daí, criei essa frontal que nada mais é que uma derivação da capa do disco dOs Abutres, já postado aqui. Notaram a semelhança? Confiram o disco. muito bom!
spanih feea
Eternamente Te Amarei – Coletânea Paladium
Olá amigos cultos e ocultos! Continuando… segue aqui mais um volume de coleção. Mais um raro entre os mais raros. “Eternamente te amarei” faz parte da série que vinha em ‘box’, ou seja, em uma caixa com outros volumes, como foi também o “Bem Bolado – Gravado Ao Vivo Na Boate Uai”. Esses discos, como vocês poderão perceber, não traziam nenhuma informação sobre seu conteúdo além da relação das músicas. Ficha técnica, nem pensar. Talvez alguma outra informação na caixa ou mais certo ainda no selo. Aqui temos uma coletânea que, por sorte, nos traz pelo menos os nomes dos artistas. Embora eu não me lembre, acredito que os artistas aqui são nomes de verdade. Seriam músicos mineiros, paulistas? Não se sabe… Pelo título do álbum a gente logo pensa que se trata de um disco com músicas suaves, românticas e até orquestradas, mesmo sendo a capa um tanto quanto psicodélica. Na verdade, em se tratando da Paladium, não se pode prever nada. O que temos aqui é uma salada mista que reúne bandas de rock, jovem guarda, pop internacional e um cantor chamado Jomar, que à ouvidos leigos irão dizer que é o Nelson Gonçalves versão pão de queijo. Infelizmente duas das faixas apresentam problemas. Foram atacadas por cupins, juro! Quem pensa que cupim come só madeira se enganou. Bichinho voraz! Isso é o que se pode chamar literalmente de um ‘jantar musical’. Confiram aí antes que ele coma mais… 🙂
Conjunto Paladium – Parada De Sucessos (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Como eu havia informado, continuaremos nesta semana apresentando mais alguns discos da série Paladium. Vamos assim, a cada dia, descobrindo um pouco mais sobre essa incrível aventura fonográfica nascida em Minas Gerais.
Ainda trabalhando com suposições, temos para hoje o Conjunto Paladium, nome dado ao grupo de instrumentistas (anônimos) que realizaram as gravações do volume “Parada de Sucessos”. Pensando um pouco melhor, ao conhecermos o exato sentido das Coleções Paladium e a maneira como tudo era feito, entendemos que realmente pouca importância faria na época os seus discos trazerem uma ficha técnica verdadeira, ou mais completa. Como já foi dito, a Bemol/Paladium não trabalhava exatamente com artistas renomados, não tinha em sua folha de pagamentos artistas contratados e exclusivos. Segundo as minhas investigações, os músicos eram recrutados para fazerem um ‘bico’, um trabalho musical sem grandes pretensões (para eles, claro!). Nos primeiros momentos da Paladium as gravações eram feitas em estúdios de São Paulo e com músicos paulistas. Depois, para reduzir as despesas, Dirceu Cheib e sua equipe, passaram a fazer as gravações em Belo Horizonte mesmo. Ele já estava planejando a criação de seu estúdio, que entrou em funcionamento a partir de 1967. Mas antes que o estúdio se tornasse uma realidade, ele adotou a capelinha de São Francisco de Assis, na Pampulha, criada por Oscar Niemayer, como o local ideal para suas gravações. Muitos desses discos do selo Paladium nasceram na igrejinha e foram concebidos de madrugada. Nessas aventuras pela noite a dentro participaram músicos que hoje são artistas mineiros famosos. Entre eles temos o maestro e arranjador Aecio Flávio de quem eu incluo parte de um texto onde ele descreve esse momento, leiam:
Havia um grupo de empresários mineiros liderados por Dirceu Cheib, que fabricava e distribuia de casa em casa, por todo o estado de M.G., Coleções de Discos LP como, por exemplo: “As melhores músicas romanticas italianas”,”Sucessos musicais do Cinema”, por aí a fora… Tinham um Selo próprio de nome Palladium; Aquilo devia vender mais que chuchú na feira. As gravações eram feitas em Estúdios de São Paulo, com arranjos e músicos de lá.
Com o surgimento de músicos da nossa geração, que “resolviam a parada”, esse pessoal resolveu gravar em Belo Horizonte mesmo, o que inclusive devia baratear a produção.
Um belo dia, fui chamado para participar da gravação de um desses LPs tocando acordeon, meu instrumento na época (anos 50). O mais curioso é que como ainda não existia Estúdio de gravação em Belô, O Dirceu Cheib teve a feliz ideia de experimentar a Acústica da famosa Igrejinha da Pampulha, projetada pelo Oscar Niemeyer, já famosa no Brasil e no exterior, não pela sua Acústica, mas pelo próprio Niemeyer e pelas pinturas de Portinari, que decoravam a Igreja, ao invez das tradicionais Imagens de Santos.
Pois bem, o pessoal da “Palladium” tinha lá um acordo com o padre responsável pela igreja, que a liberava para as gravações, desde que fossem realizadas depois da meia-noite e depois de verificar que as músicas do repertório não eram tão profanas assim. Se fosse nos dias de hoje seria todo mundo excomungado, por causa do repertório, com certeza, haja visto o que faz sucesso por aí! E lá fomos nós (violinos, metais, percussão violões, acordeon, etc) em várias Kombis, saindo do “Ponto dos músicos”, pra desembarcar na frente da Igrejinha da Pampulha, depois de meia-noite, que nem um bando de Saltimbancos (Eu disse “saltimbancos…). E não é que a acústica era boa mesmo? Principalmente para os violinos, violas e cellos. Tinha uma reverberação natural muito boa que, só era m pouco exagerada pra os instrumentos de rítmo (os santos deviam olhar desconfiados praqueles “instrumentos de Carnaval”) mas que com uma dinâmica caprichada de orquestra, não comprometia o resultado. Eu estava que nem “Pinto no lixo”né, gravando pela 1ª vez, com orquestra de cordas, na Igreja da Pampulha, era a glória! O repertório naquela noite era de músicas italianas de sucesso na época, tipo “Yo che no vivo sensa te” e outras do gênero. O Maestro que dirigia a gravação, responsavel pelos arranjos, era o falecido e engraçadíssimo pianista Zé Guimarães, que atuava tambem comigo na Orquestra do Delê, o dono dos bailes em B. Hte!
No final da gravação, percebendo que ainda faltavam algumas músicas pra completar o LP de italianas, eu me enchí de coragem e pedí pro Zé Guimarães:-“Oh Zé,deixa eu fazer um desses arranjos aí pra te ajudar?” (Na maior cara de pau, porque eununca tinha ousado fazer um arranjo pra ser gravado, só mesmo pro meu grupo de bailes, com 2 instrumentos de sopro e a cozinha) “Claro… disse o Zé, …ainda faltam esta e esta aquí, escolhe uma e manda brasa! E assim fiz e gravei , em outra sessão, o meu primeiro arranjo pra orquestra. Fiquei na maior emoção quando ouví o resultado. Algumas passagens soaram melhor do que eu esperava, mas outras, se eu pudesse mexia, melhorava… Mas, do “alto” dos meis 18 anos e em frente aqueles senhores, violinistas da Sinfônica, não tive coragem de parar a gravação e consertar alguma partitura. Mas mesmo assim, me orgulho mais daquele arranjo do que eu fiz anos mais tarde para a Grande Orquestra da Rede Globo, num dos extintos “Festivais Internacionais da Canção”, no Maracananzinho, já então como maestro-arranjador, contratado, onde tive a honra de conviver com os Maestros Radamés Gnatalli (grande figura), Kachimbinho, Leonardo Bruno Ferreira, Geraldo Vespar, Guto Graça Melo, Cipó, Mário Tavares e outros…
Pouco tempo depois das experiências na Igrejinha da Pampulha, Dirceu Cheib (não disse que vendia feito chuchú na feira?) construiu e inaugurou o primeiro estúdio de gravação de B Hte, o estúdio da “Gravadora Bemol”que existe até hoje e onde, convidado, trabalhei muitos anos como arranjador, aprendí muito, fazendo, experimentando; e levei o garôto Antônio Maurício Horta de Melo, pra fazer sua estreia como violonista em Estúdio de gravação… lembra, Toninho Horta ?*
Como podemos ver, a Bemol/Paladium tem muitas histórias para contar. Essa em especial, acho que tem a ver com o disco do dia. Seria o Aecio Flávio um dos músicos participantes desta “Parada de Sucessos”?
Paco Gonzalez – Harpa Sentimental (S/D)
Eu teria para hoje diferentes discos e bem apropriados para comemorarmos o Dia das Mães. Mas como estamos na semana dedicada aos discos do selo Paladium, achei melhor não quebrar o ritmo e procurar entre os álbuns da série algo condizente com a data.
Bem Bolado – Gravado Ao Vivo Na Boate Uai (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Vez por outra nossos arquivos para ‘download’ tem apresentado problemas na hora da descompactação. Isso na verdade acontece no momento do ‘upload’. É como se houvesse uma ruptura nos dados quando os mesmos são enviados. O jeito é reenviar o arquivo compactado para o servidor. Como vocês já sabem, eu não tenho tempo para checar se o arquivo está certo ou não. Por isso, peço que continuem avisando quando isso acontecer. A correção é rápida, mas depende do clima lá do céu ;).
Reservei para hoje um dos discos mais raros da série Paladium. Um álbum do qual eu não me lembro de já tê-lo visto anteriormente, nem em sebos. Dos discos lançados pelo selo, este talvez seja um dos mais importantes, pois registra um show ao vivo, um momento interessante na história da música popular em Minas Gerais. Não se trata, obviamente, de algum artista de renome ou especial, bem porque, sendo um disco da Paladium, não temos nenhuma informação nem sobre os músicos participantes, ou mesmo sobre a gravação (data e local). Mas o que o torna um álbum singular é o fato de ter sido gravado ao vivo, talvez o primeiro em Minas Gerais. Pelas poucas informações, sei apenas que foi gravado numa boate de Belo Horizonte chamada Uai (também não me lembro dela). Nesta época, um dos principais músicos da Bemol era o Célio Balona. Ele gravou vários discos pelo selo Paladium, muitas dessas gravações inclusive nem constavam o seu nome. É de se supor que neste “Bem Bolado” tenha também os dedos dele.
No álbum temos um repertório mesclado por temas nacionais e internacionais, sucesso da época num clima de ‘night club’. São doze músicas, as quais não trazem separação por faixas. Porém, para esta edição, fizemos o favor de desmembrá-las, dando um ‘trato’ também no som do nosso ‘chiadofone’. Outra curiosidade no disco, diz respeito a sexta faixa/música, um ‘standard’ do jazz americano, bem ao estilo do Dick Farney, a qual não foi listada na capa e nem no selo. Segundo me informaram ela só não entrou na lista impressa porque no dia da produção do disco ninguém sabia o nome da música. Incrível, não? 🙂 Eu até que conheço a música, só não sei o seu nome e nem vou procurar saber. Deixo essa para vocês.
Taí, uma postagem merecedora de comentários que vão mais além do que apontar erros ortográficos do escriba aqui. Quem tiver algo a complementar, por favor, não se faça de rogado. Eu ainda não consegui maiores informações sobre a Era Paladium, mas antes que o nosso tempo acabe, espero esclarecer alguns pontos ainda obscuros. Vamos conferindo…
Turma Da Lenha – É Uma Brasa (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos! Para que possamos dar sequência em nossa mostra de álbuns da série Paladium, nesta semana, não teremos o artista/disco independente. Agora que eu entrei no embalo, não dá para parar…
O disco de hoje ‘é uma brasa’, mora? Sim, uma seleção de ‘hits’ extraídos exclusivamente da Jovem Guarda. São doze músicas interpretadas pelo conjunto Turma da Lenha. Mais um grupo musical criado para complementar o disco (e vice versa). A respeito disso, soube que muitos dos (hoje famosos) músicos mineiros passaram pela Paladium e possivelmente até tocaram neste e outros discos do selo. Ao ouvir o lp percebemos que a turma mineira, embora batendo de ‘covers’, não deixa nada a desejar aos originais da Jovem Guarda. Confiram o toque…
Roy Miller E Sua Orquestra – Música Espetacular (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos, estão gostando da semana Paladium? Segurem a onda porque ainda tem mais. Só não sei se uma semana irá bastar. Existem muitos discos pelo selo, inclusive compactos. Um outro fato interessante sobre a Paladium é que quando ele nasceu, os primeiros discos (que eu não sei exatamente quais são) foram gravados em São Paulo, com músicos (anônimos) paulistas. Isto porque na terras das alterosas ainda não havia um estúdio profissional de gravação. Suponho inclusive que quem andou dando uma força musical nesses primeiros tempos foi o maestro paulista Edmundo Peruzzi. Foi ele quem deu a idéia à Dirceu Cheib de criar uma gravadora em Minas Gerais.
Nosso próximo título é “Roy Miller e Sua Orquestra”, conhecem o artista? Provavelmente não, ele nunca existiu, foi mais um no jogo dos pseudônimos. Como outros títulos do selo, temos aqui o mesmo formato de repertório misto, internacional e instrumental. Música ambiente, daquelas que tocavam em elevador. Hoje a chamamos de ‘lounge’. Chic, né? Para não ficarmos só nos internacionais eles resolveram incluir o então sucesso recente de Chico Buarque, a emblemática “Carolina”, uma música com cheiro de nostalgia, bem na estética das demais. Como sempre, a capa é a contradição do conteúdo, psicodelia na casa da vovó. Tem também uma outra versão para “You only live twice”. Tá valendo… 🙂
Beagá Band’s – Em Cima Do Sucesso
Taí, mais um álbum da Paladium. Desta vez temos o grupo Beagá Band’s. Pelo nome já deu para perceber que se trata de um conjunto formado por artistas da capital mineira, Belo Horizonte. Infelizmente não temos o nome dos integrantes. Na verdade seria mesmo difícil, visto que a Beagá Band’s pode ter sido ‘montada’ com diversos artistas e sessões de gravações. Pelo que eu pude entender, o selo Paladium não estava buscando criar um ‘cast’, não tinha artistas contratados e nem investia na carreira dos mesmos. Seu foco era mais a produção em cima do que já era conhecido, ou seja, o negócio era vender música e estilos musicais conhecidos. Para isso, criavam grupos e orquestras fictícias, nomes que só existiam para dar uma certa identidade ao disco. Podemos dizer que o selo Paladium foi o maior produtor fonográfico de ‘covers’, ou pelo menos o único exclusivo.
No presente álbum, temos uma seleção musical das mais improváveis. Fica claro ao ouvirmos, que este disco foi gravado entre diferentes dedos, mãos e bocas. Um trabalho inteiramente instrumental num repertório todo ‘demodê’. A única música que faz jus à capa com tema psicodélico é “Satisfaction” dos Stones. As demais caberiam em algo parecido com “Beagá Orquestra’s” ou coisa assim. Disquinho curioso…
Os Abutres – Let Kiss (S/D)
Como vocês perceberão, os discos do selo Paladium não trazem data. Em algumas postagens anteriores de discos dessa série, aqui no TM, os álbuns foram datados por suposição. Ainda não consegui descobrir a época certa em que as coleções da Paladium começaram a sair. Sei apenas que foram a partir da segunda metade dos anos 60. Vou ver se consigo mais informações com o Dirceu Cheib. Vou ligar para ele. Esta é uma história que precisa ser contada!
Seguindo, temos para hoje, entre os mais raros, o álbum “Let Kiss” do grupo Os Abutres. Ao que tudo indica, esses Abutres não são os mesmo do álbum (Os Abutres Atacam) postado aqui há quase três anos atrás. Segundo as informações da contracapa (como se valesse alguma coisa), esta foi a primeira gravação do grupo. O conjunto era integrado por cinco jovens (sem nomes) e a seleção musical feita com preocupação para agradar ao público cativo do selo. Ainda, segundo o texto, “o certificado da qualidade do conjunto foi conquistado no ‘Festival da Música Trepidante’ (nunca ouvi falar), através do troféu entregue ao Abutres pela inequívoca vitória alcançada. Participaram do festival 14 conjuntos considerados os melhores…” A seleção musical é bem na linha do famoso grupo dos anos 60, o The Pop’s. Aliás, Os Abutres mineiros fazem bem o gênero. Tem que conferir…
The Hot Gang – Explosive Young Impact (S/D)
Olá amigos cultos e ocultos. Logo nos primeiros meses de existência do Toque Musical, eu comecei a levantar a lebre sobre o selo mineiro Paladium.
Até então obscuro, não havia nada na rede falando sobre os discos lançados por essa etiqueta. O que víamos eram alguns desses discos sendo vendidos através do Mercado Livre e Ebays da vida. Eu já sabia que a Paladium era na verdade um produto da gravadora Bemol, ou antes disso, da MGL (Minas Gravações Limitada). Porém, na época, nem mesmo no site da Bemol havia informações a esse respeito. Foi meio que por acaso que eu encontrei uma entrevista com Dirceu Cheib, criador da lendária gravadora, feita pelo engenheiro de som Peron Rarez. Nessa entrevista, muito esclarecedora por sinal, Dirceu também fala sobre a criação da Paladium. Segundo ele: “Depois da fracassada tentativa de encarar as multinacionais e com grande quantidade de discos em estoque, meu irmão Afrânio Cheib, que também trabalhava comigo no estúdio, sugeriu a ideia de venda domiciliar. Criamos coleções de seis discos, montamos várias equipes de vendas e saímos pelo Brasil afora com as coleções Paladium, vendendo de porta em porta (loja em loja).” Não ficou muito claro se a Paladium foi criada naquele momento ou se já existia e não conseguia emplacar devido às grandes gravadoras. Segundo o maestro e arranjador Aecio Flávio, que no início de carreira também passou pela gravadora, os discos da Paladium vendiam mais que chuchu em feira. O fato é que a Paladium foi uma etiqueta mineira cujos os seus discos, hoje, são disputadíssimos por colecionadores (principalmente os estrangeiros). Uma das curiosidades da Paladium era a criação de títulos dos mais variados, buscando abranger os mais diversos gostos musicais. Assim, temos sambas, orquestras, músicas românticas internacionais, jovem guarda e até bossa nova. Nessa onda, eles criavam também nomes fictícios de artistas e orquestras, pseudo artistas internacionais com nomes realmente curiosos. Ao longo da semana vocês verão um pouco mais dessa fantástica iniciativa fonográfica. Eu pretendo apresentar aqui mais alguns discos dessas coleções. Digo mais, porque antes disso, já havíamos postado alguns outros, que podem também serem conferidos aqui.
Para começar, vamos como “The Hot Gang”. Gostaram do nome? Pois é, um disco jovem, feito para o gosto musical da rapaziada da época. Saber quem são os músicos verdadeiros é uma investigação trabalhosa e talvez impossível. Inicialmente a coisa era toda feita em estúdios e com músicos de São Paulo. Depois, para baratear as despesas, passaram a gravar em Belo Horizonte mesmo, mais precisamente utilizando a Igrejinha da Pampulha, construida por Niemayer. Mas essa história a gente continua nas outras postagens. Melhor agora é ouvirmos o “The Hot Gang” que traz em seu repertório uma verdadeira salada mista. Confiram…
Galo Campeão Da Raça – Itatiaia Campeã De Audiência (1970)
Depois de um banho de descarrego ao som do ‘heavy metal’ alvinegro, acrescento agora um disco de verdade, num tempo que o Atlético Mineiro se destacava até no campo fonográfico. O Galo foi talvez um dos times brasileiros que mais teve discos produzidos, tanto musicais quanto documentários. Eis aqui um bom exemplo. Um álbum lançado pela Bemol, celebrando a conquista do campeonato de 1970. São gravações feitas pela Rádio Itatiaia de Belo Horizonte com os comentaristas esportivos da rádio, sob o comando de outro lendário comentarista, Oswaldo Faria (coragem para dizer a verdade). Embora seja um disco sobre o Atlético Mineiro, não deixa de ser curioso e interessante para aqueles que curtem o futebol.
Galo – Campeão Mineiro de 2010
Caçulinha – Samba’ação (1965)
Não muito diferente do dia de ontem, hoje também eu estou sem pique e sem tempo para me envolver com mais empenho na postagem. Felizmente, sempre temos como salvar o dia. Os amigos, cultos ou ocultos, sempre sabem a hora de aparecerem, trazendo novidades e raridades.
O álbum de hoje é uma colaboração do amigo Sérgio Digital, que enviou além desse, outros discos, os quais ao longo de nossa jornada diária irão sendo apresentados.
Temos então, em nosso blog e mais uma vez, a figura de Caçulinha, um artista hoje lembrado apenas como animador musical no programa do Faustão. Mas como já vimos aqui, em outra postagem, Caçulinha é muito mais que isso. Mais uma prova de seu talento é este maravilho lp, lançado por ele na Continental, em 1965. Um álbum bacana e como disse o Sérgio, um momento raro de ver e ouvir Caçulinha dedilhando um Hammond ao lado de seu conjunto. O repertório é dos melhores, como se pode conferir logo abaixo. Um disco que nessa algura do meu cansaço vale mais a pena ouvir. Confiram o toque…
Tatiana Monteiro – Tati Canta (2010)
Olá! Hoje está sendo mais um desses dias difíceis para mim. Embora seja sexta feira, estou me sentindo como se fosse uma segunda brava. Aproveito o tempinho do café da tarde para fazer a postagem do dia. Se não for agora, hoje não tem mais… Com é sexta feira, dia do artista/disco independente, não posso dar o bolo. Reservei para o dia de hoje o nosso encontro com a cantora pernambucana Tatiana Monteiro. Ela ainda é pouco conhecida aqui para as bandas do sul. Só recentemente é que vim conhecer o seu trabalho. Segundo as informações que eu recebi, Tati, que também e compositora, estreou em disco (cd) em 2001, numa coletânea de músicas carnavalescas classificadas num concurso promovido pela Prefeitura do Recife. De lá para cá ela fez muitas outras coisas, não apenas se dedicou à música de carnaval, mas também abriu o leque cantando bossa nova, regional, jazz, músicas francesas e muito mais. Tatiana faz parte do “Bande Ciné”, um grupo dedicado a interpretar clássicos musicais do cinema americano. No disco, um cd lançado apenas para o amigos, temos reunidos todos esses momentos. São 16 músicas, sendo algumas de sua autoria. Poderemos ver e ouvir Tatiana Monteiro em diferentes fases. A cantora tem uma bela voz e um estilo bem prórpio. Ela canta e encanta. Podem conferir que eu garanto 😉
Dilermando Reis – Saudades De Ouro Preto (1968)
Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Hoje eu vou atender à um pedido que me foi feito a quase um ano atrás. Na época, realmente não foi possível, pois o disco que eu tinha estava em péssimo estado e em se tratando de música instrumental, solo de violão e principalmente sendo o Dilermando Reis, seria um pecado apresentá-lo nessas condições. Por outra, acho que não me preocupei mais porque acreditei que este lp, lançado em 1968 pela Continental, fosse uma coletânea. Ainda suspeito que sim, pois muitas das músicas contidas nele, Dilermando já havia gravado nos anos 50. Como não tive tempo para ouvir e comparar versões, deduzo que sejam as antigas gravações. Vou deixar essas questões para os comentários de vocês. Para variar, estou um pouco atrasado e como já dizia minha velha tia, ‘cheio de costuras’. Confiram e comentem…
Sexteto Prestige – Música E Festa (1958)
Olá amigos cultos e ocultos! Estou um pouco atrasado na postagem, mas ainda estamos em dia. Vejam vocês como são as coisas… O tal advogado me retornou após a minha resposta. Dizia ele: Prezado Senhor, Respeitando os seus argumentos – os quais já escutamos por diversas vezes de outras pessoas – reiteramos que retire de imediato o audio de seu blog, sob pena do devido processo legal. Atenciosamente, Dr. Francisco Rezende (taí o nome do hômi). Resolvi entrar na brincadeira e respondi novamente (o que é uma verdade), não tenho nenhum arquivo de áudio no blog e muito menos link. Há sim, uma indicação no Comentários de um endereço, o qual o visitante poderá copiar e depois colar no seu navegador e assim ir ao site onde o arquivo de áudio esta disponível para baixar. Dizer que o que eu faço é pirataria é aplicar errado o termo, no sentido de ofender. Mas eu não ligo, porque sei que a esses falta a consciência e sempre nos próximos capítulos eles tropeçam em suas próprias armadilhas. Quando a gente faz alguma coisa nessa vida por bem, é impossível que ela acabe mal.
Bom, deixando de lado essas questões desagradáveis, vamos ao disco do dia. Trago hoje este álbum, o primeiro disco lançado pelo selo Prestige. “Chama-se assim, justamente porque não pretende ser apenas mais uma nova marca a fazer lançamentos comuns, mas cercar seu nome de uma auréola de prestígio permanente, graças a uma série de discos da mais alta qualidade técnica e artística” Dessa maneira dizia o texto da contracapa, apresentando o primeiro disco e o conjunto da casa, o Sexteto Prestige, formado por músicos que alguns dizem ser integrantes, o pianista Waldir Calmon e o saxofonista Moacyr Silva. De fato, não existe uma informação, pelo menos eu não achei, sobre quem fazia parte do grupo. Suponho que o Sexteto Prestige, ao longo dos diversos álbuns lançados, teve várias formações. Vamos percebendo isso à medida em que eu for postando aqui os outros discos da série.
Quanto ao disco em si, o conteúdo musical, é realmente de prestigiar. Temos aqui apenas quatro faixas, mas em cada uma delas vem uma sequência em ‘pot pourri’. São 16 sucessos nacionais e estrangeiros, entre os quais os de grandes nomes como Antonio Carlos Jobim, Billy Blanco, Ary Barroso e outros. Vejam a baixo…
Rud Wharton Quarteto – Tempo De Dança Nº1
Bom, passado os desabafos, vamos ao disco do dia. Tenho para hoje este obscuro albinho de dez polegadas lançado pela Musidisc nos anos 50. Rud Whaton é um nome desconhecido para mim. Pesquisei exaustivamente na rede sobre esse artista, mas não tive muita sorte. Não encontrei quase nada, além do próprio disco sendo anunciado em diversos sebos para venda. Nesses anúncios, geralmente, também não há informações. Embora o lp nos apresente um repertório com temas nacionais, inclusive um autoral, um chorinho, chego a acreditar que Rud Wharton é um artista internacional ou um pseudônimo para algum instrumentista que por questões de contrato gravou com esse nome. Em algumas consultas e informações relacionadas, encontrei Rud Wharton com sendo um organista. Seria ele Ed Lincoln, Celso Murilo, Britinho, Waldir Calmon ou algum outro tecladista da época? Taí um mistério a ser revelado. Alguém saberia esclarecer? Ouçamos…
Um Desencontro No Au Bon Gourmet
Olá amigos cultos e ocultos! Começo a semana com uma postagem diferente, pelo menos inicialmente. Estou trazendo a público uma questão que eu gostaria de compartilhar com todos e por certo receber os comentários e opiniões.
Recebi neste fim de semana, para meu espanto (pois nunca passei por uma situação semelhante), um e-mail de um advogado (pelo menos é o que ele afirma ser), ‘informando’ que a gravação amadora do lendário show no restaurante Au Bon Gourmet, feito por Tom, Vinícius, João Gilberto e Os Cariocas é hoje de propriedade do Instituto Moreira Sales. Que esse registro fôra ‘vendido’ pelo radialista Pica Pau, segundo ele, detentor dos direitos autorais (embora a gravação tenha sido feita e era de propriedade de Jorge Karam). O advogado pede a retirada do arquivo imediatamente, sob pena de uma ação judicial. Como vocês todos devem saber, o Toque Musical não é uma loja virtual de discos. Aqui não há comércio ou ‘outros negocinhos’. Não estamos vendendo ou doando discos, fitas ou qualquer outro objeto do gênero. Aqui, apenas falamos desses e os indicamos. Será que encontraremos no site do IMS acesso à esses arquivos sonoros? Será que a história da Música Popular Brasileira só pode ser contada e ouvida através de grupos limitadores? Como é que é isso?
Publico a baixo a minha resposta, que foi enviada a este advogado. Para evitar possíveis ‘penas de talião’, estou retirando o link enviado. Caso alguém o procure, sabe-se que o mesmo eu poderei repassar por e-mail. Segue a baixo a minha resposta:
Sr Advogado,
a título de esclarecimento, gostaria de mais informações sobre o assunto. Pelo que eu sei, esta gravação, assim como tantas outras relacionadas à Bossa Nova estão disponíveis não apenas na Internet, em diversos sites para download, mas também (e principalmente) no Japão onde são comercializadas em cópias piratas. O mais curioso disso tudo é saber que os detentores de acervos dessa natureza, venderam (por um bom dinheiro) essas fitas (ou cópias) para colecionadores japoneses, os quais em seguida começaram a vender cópias (apenas no Japão) para interessados no mundo inteiro.
Se o senhor perceber bem, verá que no blog não há arquivos para serem baixados. O Toque Musical não disponibiliza produtos, apenas indica conteúdo. Por outro lado, gostaria também que o senhor me mostrasse esse contrato assinado. Como posso ter a certeza de que a gravação é a mesma e pertence ao IMS? Ela está acessível às pessoas, mesmo que para venda? Afinal, como é isso? Vocês tem o direito, estão usando esse material para alguma pesquisa? Estão disponibilizando à pesquisadores? Qual é o critério necessário para se ter direito a ouvir o conteúdo dessas gravações? Sinceramente, essas são questões que não apenas eu o faço, mas com toda a certeza muitos querem saber. Vivemos hoje um momento de revolução (e evolução). A lei do direito autoral ainda não foi mudada e nas condições atuais suas normas não se aplicam. Prova disso é que hoje qualquer conteúdo digital pode e está sendo compartilhado livremente. É bom lembrar que aqui, ninguém roubou nada de ninguém. Não há crime em falar publicamente sobre isso. A gravação que eu indico no meu blog está espalhada pela rede. Existem, que eu sei, pelo menos mais uns oito locais, sites ou blogs (isso para não falar em torrent, e-mule e tantos outros) compartilhando esses arquivos. Sugiro ao senhor fazer essa investigação, pois não será privando um blog respeitado como o Toque Musical que seu trabalho estará resolvido. Mesmo retirando a minha indicação de locais para se baixar os arquivos, eles continuarão existindo e com certeza estarão se multiplicando. Ao longo dos 3 anos de existência do blog, nunca tive problemas dessa natureza, isso porque não publico material que esteja em catálogo e nem os comercializo ou aceito doações em dinheiro em função do meu trabalho. Estou apenas preenchendo um espaço vazio, levando às pessoas interessadas um pouco de informação, história e cultura, a nossa cultura fonográfica e musical, que desde a muito tempo vem sendo sucateada, vendida ou entregue para estrangeiros, ou ainda capsuladas em museus que ninguém pode acessar.
Sugiro ainda que o senhor processe a Google, ao Rapidshare, Mediafire, Megaupload e tantos outros verdadeiros fomentadores, donos das ferramentas e responsáveis principais pelo que anda acontecendo no mundo, nesse sentido. São nesses que vocês devem focar. Não adianta aparar a grama, precisa mesmo é acabar com a praga. Resta saber o que é ou não é a praga. Eu, no meu entender, vejo que a praga é a ganância, o oportunismo vantajoso, a inveja e a ignorância…
Para finalizar, consultei o departamento jurídico do Instituto Moreira Sales sobre a sua pessoa e não encontrei o seu nome no quadro de funcionários ou de profissionais prestando serviços ao mesmo. Afinal, a quem mesmo o senhor está defendendo os direitos?
Cordialmente,
Augusto TM
