Rock Bamba (1985)

Prenunciando um novo momento, vamos gradualmente saindo do rock em busca de outros ritmos e gêneros, que fazem da música popular brasileira um leque dos mais variados. Hoje eu estou trazendo uma coletânea chamada Rock Bamba. Uma copilação de músicas e artistas tão insólita quando o desenho da capa. Rock Bamba estaria mais para rock samba ou samba rock, mas vai entender o que passa na cabeça de quem produziu este disco? Isso sem falar no desenho amador representando mais um estilo ‘break-street-dance’ (será que existe?) do que rock ou mesmo o samba rock. É preciso ser muito bamba para entender isso. Contudo e apesar dos pesares, eles conseguiram reunir alguns artista/fonogramas muito interessantes. Este disco, pelo que tudo indica, não foi feito para ser comercializado. Me parece que foi criado como brinde. Daí a razão pela qual ele não segue um padrão. Temos aqui quatorze faixas com músicas que foram sucesso no período de dez anos, de 1968 a 78. Algumas inclusive, gravações raras. Vejam só o que temos para ouvir com outros olhos…

como vovó já dizia – raul seixas
beira d’água (a festa) – erasmo carlos e marku ribas
magnólia – jorge ben
colcha de retalhos – marku ribas
a minha menina – mutantes
domingas – jorge ben
cuidado com o buldog – wilson simonal
haroldo o robot doméstico – erasmo carlos
a noite vai chegar – lady zu
a lenda de bob nelson – erasmo carlos
eu também quero mocotó – banda veneno de erlon chaves
sofre – tim maia
coqueiro verde – trio mocotó
a princesa e o plebeu – jorge ben

Grito Suburbano (1982)

Olá! Hoje o dia vai ser literalmente ‘punk’. Por isso estou trazendo para a postagem de hoje quatro bandas de punk rock. Peguei pesado? Pesado e sujo. De vez em quando a gente precisa radicalizar. Aliás esta semana foi um pouco assim. Quando penso no variado leque musical ou fonográfico publicado neste blog, imagino o que vocês devem pensar de mim. É, eu sou meio camaleão… uns dias chovem, outros fazem sol, outros fazem lua… O importante é que toda a emoção sobreviva!

Para fecharmos a semana do rock, temos uma sexta-feira agitada com as bandas punk Olho Seco, Inocentes, Cólera e de bônus a ilustre e desconhecida Cancro. As três primeiras fazem parte da coletânea “Grito Suburbano”, lançada em 1982, o auge do movimento no Brasil. São bandas paulistas, autenticas referências do punk rock nacional. Referencia inclusive para o Cancro, banda de Belo Horizonte, surgida em 1986. Temos aqui um raríssimo registro de uma fita demo desta também uma autêntica banda punk mineira. O som é tosqueira total, mas após resistir bravamente por três rodadas, você se torna fâ. Se duvida, basta conferir 😉
desespero – olho seco
sinto – olho seco
garotos do suburbio – inocentes
medo de morrer – inocentes
joão – cólera
gritar – cólera
lutar matar – olho seco
eu não sei – olho seco
pânico em sp – inocentes
morte nuclear – inocentes
subúrbio geral – cólera
hhei – cólera
bônus
anarkbusca – cancro
cotidiano – cancro
defenda os bichos – cancro
defenda os bichos (instrumental) – cancro
ministérios – cancro
cancro também é cultura – cancro

Academia do Medo (1992)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e visitantes em geral! E aí, já escovaram os dentes agora pela manhã? Com esta capa não há como esquecer. Curiosa, não? Curioso também fiquei eu querendo ouvir o que vinha por trás dessa dentadura. A Academia do Medo foi uma banda de Pernambuco que até bem pouco tempo atrás eu só conhecia de nome. Surgiu na cena rock recifence no início dos anos 90, tendo uma breve e modesta existência. A banda chegou a participar do “Abril Pro Rock” de 93, o que lhe garantiu ser lembrada juntamente com tantas outras que surgiram naquela época. Mas faltou fôlego ao ‘quarteto acadêmico’ e até onde eu sei, não duraram mais que três anos. Gravaram apenas este disco, um álbum independente, pretensioso como cabe à todos dessa geração, mas também como os outros, deficiente em alguns aspectos de produção. Contudo, não deixam de fazer parte de um marco histórico musical, a cena ‘mangue’ do Recife. Mesmo não estando totalmente atrelados ao movimento, fizeram parte daquele momento.

O disco, também conhecido como A Vila das Vozes, tem uma sonoridade agradável, oscilando entre o rock e o pop, mas o forte mesmo está nas letras. Sorria, meu bem…
a vila das vozes
o pêndulo
pintura do avesso do mundo
sombras de morfeu
dora e os lírios
olhos negros
os dentes de berenice
violinos
visões de izabel
força
poe’s hangover

Gash – A Mellow Project By Pin Ups (1992)

Bom dia moçada! Antes que eu me esqueça, sábado tem festa do vinil em Belo Horizonte. A Discoteca Pública do Edú Pampani está completando quatro anos de atividades e para comemorar, vai ter uma festa/feira com vendas de vinil e cd. Vários lojistas, colecionadores e amantes da música vão estar por lá. Vai ter mini-shows com a presença do nosso amigo Christophe Rousseau e a dupla do momento, Alexandre & Gabi, que não é sertanejo não. Essa festa nem eu vou querer perder. Nos próximos dias vou dando o toque e detalhes sobre a festa. Hoje foi só para esquentar os motores.

Seguindo nossa faceta ‘roquerrou’ (errou para alguns, acertou para outros), temos na sequência um disco bacana do pessoal do Pin Ups. “Gash A Mellow Project by Pin Ups” foi o segundo álbum da banda. Um belo disco de rock que, para mim, é melhor que o primeiro e até os sucessores. Neste álbum ele souberam dosar bem as influências, fazendo um rock que supera em muito seus contemporâneos nacionais e internacionais. Não deixam nada a desejar além do fato de cantarem sempre em inglês. Mas isso é compreensível, principalmente em se tratando de um grupo com ambições pra lá de nossas fronteiras. Quando disseram certa vez que eram a melhor banda do Brasil, não foi por pretensão. Sem dúvida, naquele momento ainda não havia no país uma banda ‘indie’ tão boa quanto eles. Foram mal interpretados, chamados de arrogantes, mas nesse mundo de ‘show business’, quem não clama, reclama e cai da cama. Pin Ups é banda para tocar aqui dentro e lá fora. Observem que mesmo passados quase vinte anos, a música dos caras continuam soando super atual. Quem escuta à primeira vez há de pensar que se trata de uma banda nova. Gash é um belo álbum que me faz lembrar o Velvet Underground, Lou Reed e seus seguidores. Fica ainda melhor com “A day in the life” dos Beatles fechando com chave de ouro.
Apenas para efeito de comparação, temos aqui as duas versões de Gash, em vinil original e em cd, relançado posteriormente. Confira e escolha o que vai ao ouvido 😉
candle
set your heart free
still can kiss
hard to fall
life’s gonna hit
most of the time
open wide
got that fire
can’t pretend
never learn
ganesha
a day in the life

Off The Wall – Hawaiian Dream (1992)

Confesso que hoje eu fiquei na dúvida sobre o que postar. Tudo que eu tinha em mãos, pronto para consumo, eram figurinhas já bem manjadas ou que fugiam totalmente da proposta inicial, o rock. Para não ficar repetitivo ou copioso, o jeito foi buscar outros caminhos. Ontem eu postei uma banda gaúcha e para não perder viagem até o sul, vamos com outra, Off The All, uma banda supostamente de ‘surf music’. Eu até então nunca havia ouvido este disco, portanto sou ainda suspeito para falar. Mas à primeira vista pensei que fosse algo parecido com Link Wray, The Ventures, The Shadows ou mesmo o nosso velho Jet Blacks. Pela capa tudo indicava algo assim. Me enganei redendamente. O som do Off The All está mais para um passeio calmo pelas areias da praia do que para uma onda quebradeira. Poderia chamar o som dos caras de ‘surf pop’ com algumas pitadas de rock. Não é exatamente um disco com músicas de ação. Por outro lado, a chamada ‘surf music’ atual virou balada, o que o pessoal das pranchas escuta hoje é o reggae, o pop rock, o Jack Johnson… nada contra, eu até gosto. Mesmo não sendo o que eu esperava, “Hawaiian Dream” do Off The Fall, não deixa de ter um sabor agradável. A autenticidade da banda está pelo menos em seu lider, Manglio Bertoluci, ex-surfista profissional dos pampas. O destaque vai para “Valentina” de Jack Green e “Hawaiian Dream”. Confira aí essa onda…

hawaiian dream
last blast
sky to hell
evidence
destiny
valentina
thinking tonight
moscow girl
ecologic soul
nobody else
la jolla

DeFalla (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Esticando por mais uma semana, vamos de rock e suas vertentes, trazendo à memória alguns momentos de uns vinte anos atrás. Tem coisa aqui que parece que foi ontem, mas o tempo insiste em passar e quando a gente olha para trás, lá se foram vinte ou trinta anos. A gente fica velho sem perceber.

Hoje vamos com a irreverência do DeFalla, banda gaúcha surgida nos anos 80. O DeFalla foi criado pelo inquieto Edu K, um artista antenado com tudo que tá rolando . O nome do grupo vem do compositor erutido da primeira metade do século XX, o espanhol Manuel DeFalla. Mas também está associado ao trocadilho com a banda inglesa The Fall, coisa típica de uma mente bem humorada de Edu K. Ao longo de mais de vinte anos, a banda conquistou o seu lugar ao sol (dos trópicos), no rock tupiniquim e até internacional. Gravou diversos álbuns e passou por outras tantas formações e estilos, mas sempre tendo como guia o seu criador, Edu K. A banda serviu de influência e referência para muitas que vieram depois, porém a busca constante por inovações, mudanças no estilo, o deboche e tantas facetas, os coloca numa posição de desagrado frente aos fans. Mesmo assim, o DeFalla não deixa a peteca cair. Depois de uma pausa, retornaram em 1996 sob a batuta do lider. Fizeram coisas na linha de bandas com Nine Inch Nails, Ministry, Prodigy e Marilyn Manson. Uma verdadeira salada, misturando o rock industrial, hardcore, eletrônico, pop, funk, punk e tudo que se pode chamar de estilo moderno. Uma banda verdadeiramente mutante, não apenas em suas diversas formações. Um verdadeiro leque de variedades. Temos aqui foi o primeiro disco e é talvez o que mais me agrada. Nele já dá para sentir toda a sua irreverência, esse ecletismo pop que faz de cada faixa uma nova onda. As letras, em sua maioria, são em inglês, mas cabe também um Raul Seixas numa releitura funk-beat-pop-industrial (ich!). Como destaque temos ainda o sucesso “It’s fuckin borin to death”, música tocada por mais de uma década nas rádios de todo o país. Disquinho bacana… 😀
como vovó ja dizia
revolution
repelente
(gotta hold) my five years old
i have to sing a song
china town
metallica
it’s fuckin borin to death
satã (é coisa do diabo)
kiss the chain saw
thirty six donald dicks
the woke of jo
i was trying to shoot
hey, girl!

Mercenárias – Trash Land (1988)

Bom, por certo que não vamos parar por aqui. A postagem do dia tem um toque de feminino, mas não fica em lantejoulas, brocados e rebolados. Nesta, a pegada é mais dura, é mais punk, é mais rock e é mais nova. Vamos agora para os anos 80, trazendo uma das melhores banda femininas da época, as Mercenárias. Já tivemos o prazer de ver e ouvir seu primeiro disco de 86, “Cadê as armas?”, publicado aqui no Toque Musical. Agora temos o segundo disco, lançado pela EMI. Um trabalho super produzido obviamente, mas que a meu ver não se compara ao primeiro, bem mais vigoroso e irado. Mesmo assim, “Trash Land” não fica atrás, tem lá o seu sabor e sua poesia. A capa é muito bonita com estampas florais projetadas sobre as moças da banda, um sinal claro de novos tempos. A banda, me parece, ainda continuam na ativa, tendo até um endereço no Myspace. Confiram aí o toque…

lembranças
há dez anos passados
somos milhões
tempo sem história
ação na cidade
matinê
mesmas leis
cadê as armas?
provérbios do inferno
kyrie
angelus
trashland

Cornelius (1978)

Olá! Ontem tivemos aqui o Made in Brazil e só depois foi que eu me lembrei deste compacto simples do vocalista da banda, o Cornélius Lúcifer. Nessa altura do campeonato o cara já estava abrindo as pernas para o sucesso fácil. Já havia lançado em 1976 o lp “Santa Fé” e no auge da discoteca, ele assumiu de vez o seu lado, digamos, ‘lantejoulas’ e foi para a pista dançar, para a amargura de seus antigos comparsas do Made. É, a tal da discoteca veio com força e arrebanhou artistas de vários gêneros, principalmente do pop e rock. Neste compacto Cornélius deixou de lado a voz rasgada e rouca, dando lugar a um passivo cantor pop romântico. O disquinho traz “Eu perdi o seu amor”, que fez um relativo sucesso nas pistas e rádio. Não sei se este compacto originou um lp. Aliás, depois disso nem sei o que foi feito desse artista. Me parece que ele ainda voltou a se apresentar com o Made In Brazil. Taí, apenas por curiosidade, pois de rock esse padeceu…

eu perdi o seu amor
não consigo te esquecer

Made In Brazil (1974)

E as pedras continuam rolando… O rock come solto neste fim de semana e também durante a próxima. Temos ainda muita coisa para ver e ouvir. Por certo, muito do que tenho postado se encontra com facilidade na rede, mas o que estou fazendo é uma questão de honra e um desejo pessoal. Passei a minha juventude toda ouvindo coisas como esta. Já tive discos que hoje se tornaram clássicos e muitos até raridades. A grande maioria eu já vendi e outros se perderam no tempo. Eu sempre sonhei em um dia poder mostrar melhor minha discoteca, mas nunca pensei no que estamos vivendo hoje. Os discos, quase todos se foram e direta ou indiretamente, acabaram voltando. Seria injusto comigo mesmo não relembrar em meu blog esses momentos. Mesmo já não fazendo a minha cabeça como antes, o rock ainda mora no meu coração. Ainda conservo a rebeldia, a postura e a atitude. Quem passou pelo rock não envelhece nunca! Por isso tento manter esse tônico da vitalidade. De vez em quando é preciso dar uma sacudida no esqueleto, chutar o balde e cair no rock.
Uma banda que jamais poderia deixar de faltar no Toque Musical e que até hoje não teve a sua vez é pioneira Made In Brazil, dos irmãos Celso e Oswaldo Vecchione. O Made In Brazil está na estrada há mais de trinta anos. Começaram ao lado dos Mutantes. Por ela passaram ou se espelharam os mais diversos nomes do rock nacional. Tiveram diversas formações, mas sempre encabeçada pelos ‘Vecchione Brothers’. Ao longo das décadas e com todos os modismos, os caras sempre se mantiveram fiéis ao rock’n’roll. Ainda hoje carregam uma legião enorme de fans. São verdadeiras lendas vivas. Pessoalmente, vejo no rock tupiniquim, principalmente os da década de 70, uma falha. Na maioria das bandas as letras são fracas e copiosas. Paradorxalmente, nas gerações posteriores, a preocupação poética se manifestou mais forte. Com raras exceções, nos anos 60 e 70, a preocupação era tocar direito, fazer o rock soar como o internacional. O Made é bem isso, uma banda com muito rock’n’roll, mas fraquinha na mensagem. Mesmo assim, não deixa de ter lá os seus encantos. O álbum que eu estou postando foi o primeiro, lançado em 1974. Já de estréia começaram bem, numa grande gravadora, a RCA. Neste álbum a formação era Oswaldo e Celso, respectivamente, baixo e guitarra solo; Cornelius no vocal; Onisvaldo Scavazzinni nos teclados; Rolando Castello Jr na bateria e Fenilli na percussão. Na gravação, os caras ainda contam com as participações (mais que necessárias) de Antonio Medeiros na guitarra base, Bolão no sax e flauta e o Daniel Salinas que cuidou dos arranjos para cordas e metais. Salinas ainda tocou piano em algumas faixas. Nada como a produção através de uma grande gravadora como a RCA. Na época isso fazia a diferença. O mais curioso neste disco é a faixa “Aquarela do Brasil”, ‘tortalmente’ desvirtuada de suas origens. Da melodia não sobrou nada, só se reconhece pela letra. Essa interpretação deve ter feito o Ary Barroso arranhar com os ossos a tampa de seu caixão. Mas tudo bem, o que vale é a intenção. hehehe…
anjo da guarda
a mina
doce
aquarela do brasil
intupitou o trânsito
você já foi vacinado?
tudo bem, tudo bom
vamos todos a festa
menina, pare de gritar
uma longa caminhada

Alpha III (Amir Cantúsio Jr) – Sombras (1986)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta-feira, dia em que normalmente temos usado para postarmos os artistas/álbuns independentes. À pedidos, estarei estendendo por mais uma semana a temática do rock e suas vertentes. Realmente, uma semana é pouco até que a turma entre no clima. Além do mais, temos ainda algumas pérolas, pedras e pedregulhos para resgatar e rolar por aqui. A postagem de ontem, o disco do Dialect, bem que poderia ser caracterizado como independente, na verdade ele é. Mas preferi deixar para o presente disco este mérito.

Já que estamos viajando no rock progressivo, nada melhor que buscarmos coisas do tipo Alpha III. Este é o nome do projeto/banda de um homem só, o tecladista Amir Cantúsio Jr. Paulista de Campinas, Amir é considerado um dos grandes nomes do cenário ‘underground’ do rock progressivo nacional. Segundo informações extraídas na rede, ele ganhou vários prêmios, sendo eleito por três vezes como o melhor tecladista do mundo (provavelmente no gênero prog). Além de sua própria obra, ele também produziu e participou de diversos outros trabalhos nacionais e internacionais. Contam também que ele fundou o primeiro selo de música eletrônica-progressiva-experimental no Brasil, o Faunus Records (eu achava que Faunus Records fosse do Zé do Disco e sua tradicional loja, a Faunus Discos, em Sampa. Tenho lá minhas dúvidas…) Eu li também, segundo a ‘crititica’ especializada, que embora tenha sido elogiado por suas habilidades como tecladista, em seus discos falta um pouco mais de substância. Isto se deve talvez ao fato de seu trabalho ser solitário. O cara segue uma linha tipo Mike Oldfield, porém, se limitando ou resumindo tudo no teclado. Alguns críticos sugerem que ele deveria injetar um pouco mais de criatividade, incluindo outros músicos e instrumentos. Talvez sua música falte mesmo algum tempero, mas pessoalmente, acho ele um cara batalhador. O que lhe falta mesmo é um bom produtor artístico, coisa que curiosamente para outros ele faz bem.
Entre seus discos, eu escolhi para postar o “Sombras”. Dos álbuns que conheço dele, este é o único que foge a regra, contando com a participação de outros músicos. É ao meu ver, seu trabalho mais consistente. Sua música se caracteriza por um som etéreo, devaneador e totalmente viajante. Com doce ou mesmo no sal, o som é bem legal. (Vixiii, até rimou! Acho que já bateu…)
patmos
patmos II
raio de sol
nebula
atlântida
sombras I
alpha III
sombra II
harlley
sombras III
orion

Dialect (1991)

Bom dia moçada! Cada vez me convenço mais da verdade da frase: “tudo que é bom dura pouco” Ou será que é por gostarmos tanto de alguma coisa, a gente nem se dá conta do tempo e só sentimos quando ela já está chegando ao fim? Sei lá… só sei que trem bão é coisa boa 🙂

Estou falando isso para iniciar e dar sentido ao que eu penso do disco que vamos apreciar hoje – Dialect – uma super banda paulista. Um ‘power trio’ de tirar o chapeú. O Dialect é uma dessas pérolas raras, nascida nos anos 80 que, com apenas este único disco, provou que a qualidade e o bom gosto ainda existia na mediocridade do ‘new wave’ reinante. Formada por Nelson Coelho (do Zero e Akira S) na guitarra e vocal, Andrei Ivanovic (do Durex e Sotaque) no baixo e Miguel Angel (também do Durex e Sotaque) na bateria – esta banda surgiu trazendo uma sonoridade totalmente diferente. Um rock sofisticado, com nuanças musicais complexas, bem elaboradas e improvisos. Mesclado o rock com jazz, o progressivo com o ‘new age’ (não confunda com new wave!), em suas composições predomina, ou se evidencia mais o instrumental, embora suas as músicas também tenham letras (em inglês). Todos os três são músicos notáveis e fazem deste seu único álbum, um disco nota 10! Ouvi dizer que após ha mais de uma década eles voltaram à cena musical. Relançaram este disco em cd, incluíndo novas músicas e continuam ativos. Infelizmente, para a grande maioria, a banda passou meio que despercebida, concentrada apenas na órbita paulista e ofuscada por grupinhos mais populares. É… fazer o quê? Fazer voltar, fazer lembrar, resgatar a pedra preciosa do fundo do rio. Então, mergulhem neste toque!
vermelha
madame blavatsky
existence
enigma
animal
anger
seven drunks
misty queen
gunga din

Patrulha Do Espaço – Patrulha 85 (1985)

Olá rapaziada do rock, cultos e ocultos, seguimos nesta quarta-feira nervosa e corrida com outra banda que marcou época e ainda hoje está na estrada fazendo a alegria de muita gente, a Patrulha do Espaço. Este grupo surgiu em São Paulo, na segunda metade dos anos 70, como banda de apoio do mutante Arnaldo Baptista. Na época, formada por Rolando Castello, Oswaldo Gennari e John Flavin. Um ano depois o trio saiu das asas (ou do disco voador, se preferirem) de Arnaldo viajante. Saiu também o irlandês John Falvin, dando lugar a Eduardo Chermont. Botaram mais peso na guitarra e foram conquistar um espaço ainda bem diluído do hard rock brasileiro. Participou também nesta época Percy Weiss, ex-vocalista do Made In Brazil. Entre trancos e barrancos foram aos poucos conquistando e ampliando seu público Lançaram em 1980 o seu primeiro álbum, conhecido como o Disco Preto, talvez o primeiro disco de hard rock independente do Brasil. O álbum era vendido através dos correios, outro pioneirismo no rock tupiniquim. Em pouco tempo a banda se consagraria como uma das melhores do cenário ‘roquemrou’. Passaram pelos anos 80 e 90 gravando vários discos, participando de todos os festivais de rock, fazendo shows por todo o país e também na Argentina. Em 1983 foram escolhidos para abrirem o show do Van Halen. Ao longo dessas três décadas a banda passou várias modificações em sua formação. Se consolidaram com um “power trio” de heavy metal e estão na ativa até hoje, graças ao seu fundador, Rolando Castello Jr. O “Patrulha 85” é quase um EP, gravado em apenas três dias, traz uma sonoridade ainda mais pesada e embora contando com a participação do exímio guitarista argentino, Pappo, o disco não decolou. Nos anos 90 saiu em cd a série Dossiês, trazendo em um box de quatro discos com toda a produção da banda. Mas eles não pararam por aí. Lançaram mais discos e continuam em crescente atividade até hoje. Salve, salve…

robot
mulher fácil
olho animal
deus devorador
el riff

Pholhas – Forever (1974)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! A semana do rock está apenas começando e o ‘ibope’ continua se mantendo num bom nível. Isso é legal 🙂

Hoje nós iremos com o Pholhas, grupo criado no final dos anos 60 em São Paulo. Começaram fazendo ‘covers’ de bandas de inglesas e americanas. Passaram logo em seguida à composições próprias, cantando em inglês. Lançaram em 1972 o seu primeiro álbum, “Dead Faces” e através de um compacto (viva o compacto!), conseguiram emplacar a música “My first girl”, que fez um grande sucesso, despertando o público para o grupo e seu lp. Em 1974 veio então este que seria o segundo álbum, “Forever”, também na mesma linha, fazendo um pop rock romântico que embalou muitas festinhas. Quem nessa época não chegou a dançar ao som do Pholhas? A banda continuou emplacando sucessos e sempre apoiada pelo tal do compacto. Muitos achavam que se tratava de um grupo estrangeiro pelo fato das composições serem todas em inglês e um repertório voltado inteiramente para um estilo pop internacional. Neste segundo disco várias faixas se tornaram sucesso. O Pholhas oscilava entre o pop romântico e o rock com algumas pitadas até de rock progressivo. Para os roqueiros da época essa mistura não era exatamente a ideal, mas mesmo assim a banda caiu no gosto popular. Nesta época eclodia no país a onda de artistas com nomes estrangeiros cantando em inglês. Muitos se deram bem e o Pholhas continuou nessa trajetória, gravando outros discos com uma boa pegada no rock até a chegada da discoteca. Para não perderem público, preferiram perder a autenticidade, se deixando levar pela mediocridade. Tornaram-se depois um grupo ‘cover’ de si mesmo. Me parece que ainda hoje, seus remanescentes continuam mantendo a chama acesa. Voltaram à origem. Continuam tocando seus antigos sucessos e principalmente músicas dos Beatles, Bee Gees, Creedence, Elvis e por aí a fora. Taí um grupo que pela competência poderia ter alcançado um lugar mais nobre na história do rock feito no Brasil. Este disco é uma prova incontestável. Pena terem tomado outro rumo, se deixando levar para o lado fácil, ‘mela cueca’ do romântico e popularesco. Como dizia um amigo, há vinhos que com o tempo se tornam melhores, outros viram vinagre. Vamos então fazer uma salada!
forever
good bye
flowers in the rain
alone and free
sally bell
i still remember
the king of space
special girl
so long folks
the game is getting money
we’re all mad
only one pineapple

Mutantes – Compacto (1976)

Complementando a postagem de hoje, me lembrei deste compacto dos Mutantes, lançado dois anos depois e ainda com a mesma formação: Sergio Dias, Túlio Mourão, Ruy Motta e Antonio Pedro de Medeiros. Sem perder a ginga progressiva, o grupo cria neste compacto uma sonoridade, fazendo a gente se lembrar que ali ainda tem Mutantes.

Para quem já estava sentido falta de compactos, taí mais um com tudo a ver e ouvir 🙂
cavaleiros negros
tudo bem
balada do amigo

Mutantes – Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Como eu havia dito, esta semana será dedicada ao rock e suas vertentes tupiniquins. Atendendo aos apelos de muitos que haviam solicitado um passeio por um gênero musical que tomou conta do mundo e temperou bem a música popular, inclusive no Brasil. Durante a semana teremos alguns discos que valem a pena relembrar, coisas produzidas nas décadas de 70 à 90. Por certo, alguns desses álbuns já se tornaram clássicos até mesmo para a blogosfera, mas mesmo assim, não deixam de ser parte do nosso toque musical. Aqui também terão seus lugares garantidos 🙂

Para começar, nada melhor do que um Mutantes 3.0, quer dizer, um Mutantes da terceira geração ou a fase progressiva de uma banda da qual só restou o nome e o Sérgio Dias. Lançado em 1974, “Tudo foi feito pelo sol” é o ‘supra-sumo’ da radicalização musical da melhor banda de rock brasileira. Com o desmantelamento do grupo formado inicialmente por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Baptista Dias, já em 1974 as mutações eram literalmente progressivas e rápidas. Haviam passado pelo grupo os agregados Liminha e Dinho. Na fase seguinte, que eu chamaria de terceira, Sergio continuou sozinho carregando a gloriosa bandeira, lançando em 1974 este álbum que curiosamente foi um dos seus álbuns mais vendidos. Formado por Sergio, Túlio Mourão, Rui Motta, Antonio e Pedro Medeiros (com algumas pitadas de Liminha), o lp de capa dupla saiuo pelo selo Som Livre e não deixa de ter o seu valor musical. Sem dúvida é muito bom e não deve ser comparado com os álbuns anteriores. A viagem aqui é outra. Temos uma autentica banda de rock dos anos 70, com todas as características que marcaram a época. Procuro entender essa fase como um desdobramento natural e inevitável, diante a tanta loucura que foi a trajetória desta incrível banda. Taí um disco que eu gosto muito e com toda certeza vocês também.
deixe entrar um pouco d’água no quintal
pitágoras
desanuviar
eu só penso em te ajudar
cidadão da terra
o contrário de nada é nada
tudo foi feito pelo sol

Orquestra Pan American – Samba Internacional (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui vamos nós neste domingo encalorado, finalizando a dobradinha compacto e long play. Sei que muitos gostariam de ver e ouvir mais compactos, mas por enquanto vamos dar uma pausa. Em breve retornaremos ao disquinhos, aguardando as doações prometidas pelo meu amigo culto Antonio Carlos (estou esperando, heim?).

Para encerrarmos o fim de semana, temos hoje um disco muito interessante. Vamos com um lançamento de 1959, da Musidisc de Nilo Sergio. O álbum “Samba Internacional” com a Orquestra Pan American, exclusiva desta gravadora, traz uma série musical mesclando temas nacionais e internacionais em ritmos de samba. Na verdade temos quatro sambas autênticos e mais oito clássicos da música popular internacional, esses em ritmo de samba. Um trabalho bem parecido com aqueles discos do maestro Peruzzi que eu postei a um tempo atrás. O samba, realmente, veste bem em qualquer tipo de música e aqui ele cai como um luva neste belo álbum de orquestra e côro, feito para ouvir com gosto e até dançar. Confiram aí enquanto eu planejo e seleciono as raridades da próxima semana. Como já dizia aquela música do Joelho de Porco, “se você vai de xaxado, eu vou de rock’n’roll”.
apito no samba
smoke gets in your eyes
besame mucho
é luxo só
granada
what is this thing called love
blue moon
samba maravilhoso
solamente una vez
chega de saudades
over the rainbow
la cumparsita

Compactos Diversos

Bom dia a todos! Inicialmente eu gostaria de explicar a situação de duas postagens que fiz nas últimas semanas. Me refiro aos discos de Orlando Silva e Francisco Alves pela Collector’s Editora. Recebi uma solicitação desta editora pedindo para retirar os links dos dois discos. Eu até então não sabia que os referidos discos ainda se encontram em catálogo. Os discos ainda estão em catálogo e podem ser adquiridos através do site da Collector’s. Foi uma surpresa saber disso, inclusive porque eu tenho interesse em completar a minha coleção. Os arquivos digitalizados são uma mão na roda, mas nada substitui ao fetiche do objeto disco de vinil. Vou logo comprar os que faltam em minha coleção e aconselho a todos que façam o mesmo. Sei que muitos irão dizer a vitrola já não faz mais parte de suas vidas e que o melhor mesmo é o mp3 ou semelhante. Para esses, eu aconselho também entrar no site ou enviar um e-mail aos donos da editora. Acredito que eles, além dos discos, devem estar vendendo as gravações digitalizada como fazem as gravadoras atualmente. Os preços não devem ser uma coisa muito absurda, mesmo considerando se tratar de um material tão precioso. Diante a tudo isso, não faz sentido e eu nem quero manter as tais postagens com links. Peço publicamente desculpas ao Ricardo Manzo, responsável pela Collector’s Editora, pelo inconveniente e só espero que esse fato tenha também um lado positivo, despertando a atenção e o interesse das pessoas pelo trabalho de resgate musical da editora. Para compensar, em breve teremos uma outra série, tão rara e interessante quanto a da Collector’s Editora.

Hoje estamos chegando ao final de nossa mostra de compactos. Sei que muita gente tem gostado e eu também, mas o Toque Musical não fica só numa faixa. Há tempos venho recebendo e-mails da moçada mais jovem e roqueira pedindo a vez. Tá na hora de virar o disco. Assim, na próxima semana, a temática vai ser o rock’n’roll ou coisa parecida.
Vamos seguindo em frente com mais seis compactos raros, todos da primeira geração dos disquinhos lançados no Brasil. Temos aqui um Altamiro Carrilho e Sua Bandinha, interpretando um repertório com clássico de toda banda típica de coretos, tradição que hoje em dia só comum em cidades do interior. Seguindo, temos um compacto do selo Cantagalo trazendo uma marchinha carnavalesca, cantada por Alventino Cavalcante e um samba também carnavalesco na voz de Luizito. Eu não conheço esses artistas, mas achei o disco interessante 🙂 Temos em outro disco a presença de Gilberto Alves interpretando o pioneiro Donga (e mais), num momento raro. Para dançar, seguimos com Paulinho e seu conjunto num quase ‘pot-pourri’ dançante com três temas de sucesso de cada lado. Uma autêntica dupla de música sertaneja, Torres e Florencio, em um raro compacto lançado pela Chantecler, possivelmente no final dos anos 50. Finalizando, vamos com o Trio Surdina, ainda com Fafá Lemos, interpretando quatro clássicos do mestre Ary Barroso pelo selo Musidisc. Uma maravilha. Momentos raros que não voltam mais 😉
Altamiro Carrilho e Sua Bandinha
saudades de matão
saudades de ouro preto
saudades de pádua
última inspiração
+
Alventino Calvalcante
casamento bossa nova
Luizito
amor, porque me faz sofrer
+
Gilberto Alves
pelo telefone
saudades de tatuí
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Paulinho e Seu Conjunto
samba de teleco-teco
lobo bobo
a felicidade
petite fleur
quem é
tom thumb’s tune
+
Torres & Florencio
campo grande
cavalo zaino
moda da mula preta
pingo d’agua
+
Trio Surdina
rio de janeiro
bahia (na baixa do sapateiro)
aquarela do brasil
risque

Francisco Alves – Os Ídolos do Radio Vol. II (1986)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Deus ajuda quem cedo madruga e hoje eu preciso correr, o trabalho me chama. Mas antes de sair, vou logo para a nossa postagem, pois eu não sei se terei tempo depois. E aí, vocês já ouviram a ‘web rádio’ Armazém da Saudade? Tenho certeza de que por lá também estão rolando os compactos que por aqui fazem tanto sucesso.

Hoje é sexta e vamos com o independente, mais um disco da Collector’s Editora, desta vez trazendo a figurinha, aqui já bem carimbada, mas sempre importante do grande Francisco Alves. Este disco ou esta coleção, talvez não seja exatamente uma produção independente, mas pelo fato de trazer gravações raras, que nunca foram lançadas comercialmente e pelo próprio sentido que levou os idealizadores a criarem, podemos entender o glorioso trabalho com algo fora do comum, uma produção independente. Como já foi mencionado no primeiro volume postado aqui, o do Orlando Silva, esta coleção reúne gravações raras, recolhidas por um longo tempo e foi criada pelo radialista e professor de marketing, José Maria Campos Manzo. Os discos desta coleção, são limitados, possuindo inclusive um número de série. A Collector’s Editora ainda mantém um site e ainda é possivel encontrar vários desses exemplares. Se alguém se interessar pelas preciosidades é bom correr atrás. Dificilmente elas voltarão a ser relançadas.
Temos então o Francisco Alves, que neste disco nos é apresentado interpretando músicas por ele nunca gravadas comercialmente. São composições do repertório de outros grandes nomes da época, como Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Paraguassu, Silvio Caldas, Dorival Caymmi e outros. Esses registros raros foram feitos ao vivo, no rádio e são muito interessantes também pela interpretação do Chico Viola. O álbum ainda traz um encarte com textos de Paulo Tapajós comentando cada faixa e a interpretação que lhe são dadas por Francisco Alves.
*Adendo: Em nome do bom senso e respeito por um trabalho tão importante. Estou retirando o link desta postagem. Fui informado que a Collector’s Editora continua na ativa e acho que é a ela quem vocês devem procurar. Desculpem-me amigos cultos e ocultos e ao pessoal da editora.
saia do caminho
azulão
inquietação
história joanina
joão valentão
segredo
louco (ela e seu mundo)
caboclo bom
da cor do pecado
jornal de ontem
saudade de itapoã
na baixa do sapateiro

Juca Chaves, Moreira Da Silva, Mauro Celso, Os Araganos, Raul Gil, Trio Esperança – Compactos!

Na sequência da nossa ‘dobradinha’, alternando entre compactos e long plays, vamos até domingo nesse ritmo variado. Para a próxima semana estou programando uma mostra de rock. As vezes é preciso ir de um extremo ao outro para que as pessoas percebam que o Toque Musical é um blog eclético. Rola de tudo e para todos, com exceção apenas aos novos lançamentos comerciais e algumas coisas que nem ouvindo com outros olhos se pode levar fé. Axé! Salve, salve!

Temos para hoje mais uma boa leva de compactos. Procurei desta vez concentrar músicas e artistas com algo em comum, o humor e a descontração. Começamos pelo Juca Chaves e o seu tão aguardado “Lé com lé, cré com cré”. Finalmente chegou a sua vez! Essa música é realmente muito legal e acredito que não tenha sido lançada em lp, somente em compacto. Seguimos com a malandragem do Moreira da Silva com seu grande sucesso “Morenguera contra 007” de Miguel Gustavo e “O analfabeto”, música que eu não me lembro de tê-la visto e ouvido em algum de seus lps. Outra curiosidade é o Mauro Celso, lembram dele? Aquele do “Farofa-fá” e de alguns outros sucessos populares. Esta música não poderia faltar em nosso blog (para desespero do Walter Franco). Mais um interessante e raro, o conjunto vocal e instrumental do Rio Grande do Sul, que fez sucesso nos anos 60, Os Araganos. Especializados em temas do cancioneiro gaúcho. Aqui eles interpretam as divertidas “Pára Pedro” e “Mexericos de vovó”. Tem que ouvir… Na mesma linha segue o Raul Gil, aquele apresentador de programas de calouros, do microfone dourado, também cantando o “Pára Pedro” e duas do Volta Seca, “Acorda Maria Bonita” e “Se eu soubesse”. Encerramos com “A festa do Bolinha”, sucesso nas vozes do Trio Esperança. Uma boa seleção musical, não é mesmo? Então, manda ver… e ouvir 😉
Juca Chaves
lé com lé, cré com cré
romina
+
Mauro Celso
farofa-fá
coceira
+
Moreira da Silva
morenguera contra 007
o analfabeto
+
Os Araganos
mexericos de vovó
pára pedro
+
Raul Gil
pára pedro
acorda maria bonita
se eu soubesse
+
Trio Esperança
a festa do bolinha
não me abandone (downtown)

Roberto Luna (1977)

Bom dia a todos! Estou aproveitando a semana para também atender alguns pedidos, que nunca saem na hora certa, mas que acabam aparecendo. É só uma questão de paciência. Nesse meio tempo, enquanto se espera, a gente vai ouvindo música 🙂 Por falar em ouvir, quero dar uma sugestão… Vocês já conhecem o Armazém da Saudade? É uma rádio web muito bacana, criada recentemente e com uma programação musical primorosa, dedicada à música popular brasileira, abrangendo os mais diversos estilos e épocas. O site tem uma programação musical perfeita, que combina bom gosto com qualidade. Quem ainda não conhece, depois do toque, não vai perder. Muito do que é postado aqui também se escuta por lá. O Hugo está de parabéns! No meu trabalho, eu e toda a turma já viramos ouvintes assíduos. É ligar e deixar rolar.

Bom, como eu dizia antes, estou atendendo à pedidos e o de hoje vai para um de nossos amigos visitantes que havia solicitado este disco do Roberto Luna. Comemorando vinte anos de sucesso, o selo RGE da Fermata lançou em 1977 uma série dedicada a alguns dos mais expressivos artistas que passaram pela gravadora. Me parece que esta série de aniversário era composta por grandes nomes, como Chico Buarque, Silvio Caldas, Paulinho Nogueira, Helena de Lima, o maestro Pocho e Roberto Luna. Trata-se, obviamente, de coletâneas, com músicas de sucesso desses artistas na RGE. O disco dedicado ao Roberto Luna reúne músicas gravadas por ele no período que vai de 1955 à 65. Temos aqui uma série de boleros famosos e canções apaixonadas, com destaque para o grande Lupicinio Rodrigues. Serve para relembrar e curtir uma coisa, que hoje nem sei se existe mais, ‘a dorzinha de cotovelo’. Confiram aí este toque, mas deixem o copo para depois das seis da tarde, ok? 🙂
vingança
história de um amor
nostalgias
confissão
relógio
seus olhos se cerraram
cadeira vazia
que murmurem
uma lágrima tua
castigo
wilma
o dia que me queiras

Silvio Caldas – Saudade (mini lp)

Olá! Bom dia a todos! Nessas duas últimas semanas temos falado aqui sobre os discos de vinil compactos. Como já foi dito, eles surgiram no Brasil no final dos anos 50 e ao contrário dos ‘singles’ americanos e europeus, de 45 rpm, por aqui eles vieram em 33. Ao longo do tempo de existência desses disquinhos algumas transformações ocorreram. A partir dos anos 80 eles foram substituidos pelos ‘singles’ de 12 polegadas, igual em tamanho ao LP. Tinha os de 33 e também de 45 rpm. Mas nos meados dos anos 60 a Musidisc apareceu com uma novidade, os mini lps. Estes eram discos no tamanho igual ao compacto, ou seja, de 7 polegadas, mas com um grande diferencial. Ao invés de duas ou até mesmo quatro faixas, os mini discos traziam dez faixas, ou dez músicas. Parece difícil de acreditar, mas ele conseguiram comprimir ainda mais os sulcos num espaço de 7 polegadas. A Musidisc chegou a lançar vários títulos nacionais e também internacionais. Eu tenho até hoje guardado um desses, do Donovan, com capinha igual ao lp. Mas o certo é que esse novo modelo não vingou. Não sei exatamente o motivo, mas em pouco mais de dois anos esses disquinhos deixaram de ser fabricados. Acredito talvez que o formato de compacto já carregava consigo a estigma de coisa barata e sem qualidade. Os compactos sempre tiveram essa conotação pejorativa. Outro motivo seria também o fato de esses discos necessitavam de um maior cuidado, pois qualquer arranhãozinho danificava ou prejudicava muito o som. Os sulcos, ficavam ainda muito mais próximos e a agulha saía com facilidade da trilha.

Temos aqui um exemplo de um mini lp, o primeiro nacional lançado pela Musidisc. Trata-se de Silvio Caldas numa reedição de seu antigo disco (de 10 polegadas), Saudades, lançado em 1952 pelo selo Rádio. Nesta nova edição a Musidisc manteve o mesmo nome (e provavelmente a mesma capa, que eu não tenho) e ao contrário do original que trazia oito músicas, neste temos dez. Foram incluídas as faixas, “Maria”, “Faceira” e “No rancho fundo”. Faltou apenas “Vestido das lágrimas”, música esta que não sei por que razão ficou de fora. Na imagem acima vocês podem ver a capa original e também o mini disco. A qualidade do som fica um pouco a desejar, mas como vocês já sabem, aqui é um lugar para se ouvir com outros olhos 😉
maria
suburbana
torturante ironia
faceira
quase que eu disse
favela
arrependimento
longe dos olhos
menos eu
rancho fundo

Zé Kéti – Sucessos de Zé Kéti (1964)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Iniciamos a semana como prometido, alternando entre o disquinho e o discão. Abrindo nossa programação semanal, temos assim o compositor Ze Keti.

O álbum que eu estou apresentando, consta como sendo de 1967 em alguns sites, mas eu tenho cá as minhas dúvidas. Isso se deve ao fato de que na bibliografia musical do artista algumas de suas composições foram lançadas em 67, como “Máscara negra”. Mas curiosamente, no texto de contracapa do disco, temos este como sendo seu primeiro LP. Se foi mesmo o primeiro, então a data certa seria 1964. Depois de alguns enganos por parte do Dicionário Cravo Albin, passei a não considerar este como única fonte de informação. Por outro lado, o site Memória Musical Brasileira anda fora do ar. Daí ficou a dúvida, já que o disco não tem o registro da data de lançamento. Alguém aí pode dar uma luz?
Seja como for, o mais importante nós temos aqui, o artista e sua obra. “Sucessos de Zé Kéti” foi lançado pelo selo pernambucano Mocambo, da fábrica de discos Rosenblit. É um disco muito bom, um clássico da nossa música popular. Temos o sambista em onze composições próprias, sucessos como “Máscara Negra”, “Opinião”, “Vestido tubinho” e “Diz que fui por aí”.
Zé Kéti foi um dos grandes artistas. Esteve ao lado de outros grandes nomes do samba e da Velha Guarda foi literalmente um apresentador, ressuscitando nomes como Nelson Cavaquinho e Cartola. Nos anos 60 se destacou também ao lado de Nara Leão e João do Vale no Show Opinão, onde alguns de seus sucessos foram lançados…
Desculpem, amigos, mas esse tal horário de verão atropelou todo o meu ritmo biológico. Hoje eu estou com a cabeça ainda mais no ar. Tá difícil até para escrever. Melhor é ouvir…
prece de esperança
viver!
máscara negra
cicatriz
opinião
mascarada
poema de botequim
queixa
o favelado
vestido tubinho
diz que fui por aí

Compactos De Cantoras II

Amigos cultos e ocultos, seguimos ainda no fim de semana com os compactos. Como eu havia mencionado, na próxima semana ainda teremos mais disquinhos, mas desta vez farei de maneira alternada, quer dizer, um dia Long Play, no outro Compacto, ok?

Bom, hoje, como se pode ver logo acima, teremos as cantoras: Brigite, Clara Nunes, Claudia e Marisa. Quatro grande vozes e intérpretes da música popular brasileira das décadas de 60 e 70.
Começamos por Irene Andrade, cujo o nome artístico era Brigite. Cantora pouco lembrada, dona de uma voz forte e impostada, ficou mais conhecida por participações na Jovem Guarda. Ela ganhou este nome pela semelhança com a atriz francesa Brigitte Bardot. Mas neste compacto, seu primeiro disco, não tem nada a ver com a turma do Roberto Carlos. Aqui ela canta “Viola Enluarada” de Marcos e Paulo Sergio Valle e “Nosso amor é bem melhor” de Léo e Gilberto Karan. Começou bem a moça, mas depois de alguns outros compactos na linha romântica, sumiu do mapa. É muito difícil achar informações sobre ela. Os discos, nem se fala…
A segunda cantora é Clara Nunes. Esta dispensa apresentações. Neste compacto duplo, lançado em 1968, ela ainda não era aquela intérprete do gênero que a consagrou. Aqui temos Clara cantando versões de temas famosos internacionais feitas por Geraldo Figueiredo. Das quatro faixas destaco “Sozinha” uma versão adaptada da Suite nº3 de Bach, muito bonita.
Seguindo, vamos com Cláudia num compacto de 1971 trazendo “Mudei de ideia”, de Antonio Carlos e Jocafi. Do outro lado ela interpreta dos irmãos Valle, “Minha voz virá do sol da América”, uma gravação que, me parece, não chegou a ser lançada em nenhum dos seus lps. Raridade!
Finalmente chegamos em Marisa, outra grande cantora em um dos seus melhores momentos. Neste disquinho ela canta o sucesso “Viagem” de João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro. Do outro lado vai “Samba do Estácio”, composição de Cesar Costa Filho com Jair Amorim. Também muito bom! Vamos conferir?
Brigite
viola enluarada
nosso amor é bem melhor
+
Clara Nunes
mamãe
sozinha
o amor é azul
adeus a noite
+
Claudia
minha voz virá do sol da américa
mudei de ideia
+
Marisa
viagem
samba do estácio

Compactos Independentes – Coletânea (2009)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência às nossas postagens de compactos, vamos hoje nas edições independentes. Seguindo a política do “lugar onde se escuta música com outros olhos” fiz aqui uma salada mista bastante curiosa. Não vamos levar em conta a qualidade artística dos trabalhos ou gostos pessoais. A ideia é mesmo ver e ouvir esses fonogramas com outros olhos. Tenho aqui quatro compactos distintos, com artistas que nada tem a ver um com outro em estilos ou gêneros, mas no conjunto formam uma curiosa experiência musical.

Inicio com um disquinho da Família Castro Teixeira, um grupo católico do Padre Nereu, sacerdote da diocese da cidade de Oliveira (MG). Trata-se de um trabalho bem amador, mas as músicas trazem uma mensagem fraternal bacana. Consta como destaque “Berimbau” de Vinícius e Baden Powell. Para que coleciona versões dessa música, como eu, esta é mais uma e rara!
Outro disco curioso é o Dilúvio. Composições de Danilo Horta na voz de Freddy, cantor da noite em Belo Horizonte nos anos 70. Danilo Horta, pelo que tudo indica tem um parentesco com o mago das cordas, Toninho Horta. Isto é bem evidente ao lermos a ficha técnica. Participam desta produção os músicos mineiros, Célio Balona, Geraldinho Lima, Fernando Boca, Laércio Villar, Nenem e (claro!) Toninho Horta. Não sei a data de lançamento deste compacto, mas imagino que seja do final dos anos 60. Coisa rara!
Temos também outro mineiro, o cantor, compositor e ator Maurício Tizumba em seu primeiro trabalho fonográfico. Imagino que nem ele tenha mais este disco. Bacaninha 🙂
Para finalizar, vamos com o ‘peça rara’ Thildo Gama. Este guitarista baiano, já apresentado aqui em um álbum solo, volta mais uma vez assombrando e ressuscitando seu maior trunfo, a amizade com Raul Seixas. Só mesmo embriagado ou muito louco… (amigos é pra essas coisas)
Família Castro Teixeira
balada da caridade
berimbau
canto da gente
folha de papel
vai amor
+
Danilo Horta
dilúvio
canção para gisele
joão pintor
+
Maurício Tizumba
lembrança do cativeiro
marasmo
+
Thildo Gama
raulzito e seus panteras
adeus oxum rainha
jegue da jamaica
merengue da galinha
tributo à bob marley

Compactos De Festivais (1968, 70, 72)

Compactos de Festivais ou festival de compactos? É, pelo jeito teremos que prolongar por mais uma semana as postagens de compactos. Está ‘bombando’, como diz o outro… Acho que vou fazer o seguinte, na próxima semana, colocarei intercalado às postagens tradicionais, os disquinhos, ou então irei revezando. Vamos ver…

Hoje temos aqui três compactos de três diferentes festivais de música. Como podemos ver logo acima (ou logo a baixo), temos: o III Festival Internacional da Canção Popular de 1968 trazendo Cynara & Cybele cantando “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, música vencedora, que levou o primeiro lugar da festa. Do outro lado temos o terceiro lugar, “Andança”, de Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, aqui cantanda por Danilo e Vânia (Santos Leal de Carvalho, irmã de Beth Carvalho). Segue com o III Festival Universitário da Música Brasileira, de 1970. Neste temos o MPB 4 com o samba, “Amigo é pra essas coisas” de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Jr. Do outro lado segue o Gonzaguinha com sua música “Parada obrigatória para pensar”. No terceiro compacto vamos ter o VII Festival Internacional da Canção, de 1972, aqui representados por Jorge Ben e seu “Fio Maravilha” e o MPB 4 com “Viva Zapátria”, dos mineiros Sirlan e Murilo Antunes. Os disquinhos desta série não chegam a ser totalmente raridades, considerando que praticamente tudo dos antigos festivais pode ser encontrados na blogosfera, mas não deixam de ser uma boa e interessante opção. Vamos conferir? 😉
andança – danilo caymmi e vânia
sabiá – cynara e cybele
+
amigos é pra essas coisas – mpb 4
parada obrigatória para pensar – luiz gonzaga jr
+
fio maravilha – jorge ben
viva zapátria – mpb 4

Erasmo Carlos, Bob Lin, George Freedman, Os Caçulas, Os Vips – Compactos (1967 e 68)

Bom dia! Inicialmente eu gostaria de informar que algumas postagens antigas já foram reativadas, tais como Victor Jarra, e o português Fausto. No caso de encontrarem outros vencidos, basta avisar no Comentários ou pelo e-mail toquelinkmusical@gmail.com

Dando sequência em nossas postagens de compactos, temos para hoje cinco disquinhos da fase da Jovem Guarda. Como representante do Rei, temos o Erasmo Carlos de 1967 com seu sucesso “O caderninho”. Do mesmo ano temos a dupla paulista Os Vips que traz como ‘carro chefe’ a balada romântica de Roberto Carlos, “Faça alguma coisa pelo nosso amor”. Ainda deste mesmo ano segue o cantor das versões, George Freedman e o sucesso “Something stupid” na versão criada por Gileno (da dupla Lilian & Leno) , “Coisinha estúpida”. De 1968, segue outro cantor de versões, o Bob Lin com “Daydream believer”, aqui chamada de “Vivo Sonhado”. Para finalizar, vem o melhor de todos, Os Caçulas. Este grupo vocal era ótimo e aqui neste compacto eles trazem duas músicas que eu gosto muito e fez parte do meu repertório de favoritos. Quem nunca ouviu “A chuva que cai” ou “A matinê”? Esta última então é uma delícia. Eu não entendo porque até hoje não foi regravada por algum conjunto ou artista. A letra ficou um pouco ultrapassada, mas mesmo assim ela ainda mantém uma sonoridade moderna e cola logo no ouvido. Taí a diversão desta quarta-feira. Confiram… 😉
Erasmo Carlos
estrelinha
o caderninho
Bob Lin
tristeza de broto
vivo sonhando
bonequinha (bônus)
George Freedman
coisinha estúpida
nossa infância
Os Caçulas
a matinê
chuva que cai
Os Vips
faça alguma coisa pelo nosso amor
volte benzinho

Alda Perdigão, Dorinha Freitas, Martha Mendonça – Compactos

Olá amigos cultos e ocultos! Realmente o tal do compacto faz um sucesso danado e dar o maior ‘ibope’. Por isso, essa semana vai ser quente 😉

Para hoje trago três disquinhos bacana, com três cantoras que embora não tenham muito a ver uma com a outra, não deixam de ter em comum o fato de serem excelentes intépretes e de terem iniciado suas carreiras nos anos 50. Como podemos ver logo acima, aqui estão: Alda Perdigão, cantora paulista de grande potencia vocal, fez muito sucesso nos anos 50 não apenas pela presença e voz, mas por estar ligada ao ‘cast’ de emissoras de televisão, o que lhe garantia mais popularidade. Chegou a ter um programa exclusivamente dela, de 30 minutos, na TV Cultura de São Paulo. Dorinha Freitas é outra cantora paulista. Começou a carreira em 1956, meio que por acaso ao se inscrever, sem pretensões, em um programa de calouros na TV Tupi. Tirou o primeiro lugar, foi contratada pela emissora e logo em seguida lançou seu primeiro disco. Considerada uma das melhores vozes da era final do Rádio, gravou uma dezena de discos pela RGE, Continental e Copacabana. A terceira cantora é a mineira Martha Mendonça, que também estreou nos anos 50 pela Chantecler. Cantou em casas noturnas de São Paulo. Gravou vários discos e fez muito sucesso até fora do Brasil. Casou-se com o cantor Altemar Dutra e logo abandonou a carreira, se dedicando apenas à familia. Segue assim três estilos femininos diferentes, todas de grande talento. Confiram o toque…

Alda Perdigão
desespero
primeiro beijo
Dorinha Freitas
aqui neste mesmo lugar
descendo o morro
lamento
vento vadio
você é a saudade
Martha Mendonça
canção cigana
eu mesma

Chico Buarque – Compactos (1967-68)

Bom dia das crianças, amigos cultos e ocultos! Já faz um tempinho que eu não promovo aqui uma semana temática. Resolvi então iniciar esta, não exatamente com um tema, mas dedicada à um tipo de disco muito comum nos anos 60 e 70, os compactos, aqueles disquinhos de 7 polegadas que traziam geralmente uma música de cada lado. Os compactos, ou ‘single play’ foram lançados no final dos anos 50 e era discos de 17 cm de diâmetro que tocavam em 45 rpm. No Brasil eles surgiram em 33 rpm e sua capacidade era a de até 5 minutos de cada lado. Esses disquinhos eram geralmente utilizados para difundirem as músicas de trabalho de um álbum. Era uma espécie de pré lançamento, um ‘test drive’ para sentir a aceitação do público. Em alguns casos eram como amostra grátis, mas no Brasil se tornaram também uma alternativa econômica para aqueles que se aventuravam no mundo fonográfico, artista em seu primeiro disco e coisas assim. A popularidade dos compactos no Brasil durou até o início dos anos 80, quando então vieram os chamados ‘maxi single’, discos de 12 polegadas, mudando todo o conceito e matando de vez os compactos. Mas quem, na faixa dos 40, nunca teve nas mãos (ou na vitrola) um compacto? Quem não se lembra pelo menos daqueles disquinhos coloridos de estórias infantis? Hoje, Dia da Crianças, bem que eu poderia ter iniciado com um daqueles, mas prefiro deixar os discos infantis para quem já é especialista, o Cantos & Encantos. Vou começar nossa mostra de compactos abrindo com chave de ouro e também em homenagem ao retorno do meu amigo Chris Rousseau, recém chegado do ‘Velho Continente’. Para ele e também para todos vocês, estou postando dois compactos do Chico Buarque de Holanda, um de 67 e o outro de 68. Acho que não carece falar sobre o artista e suas músicas. Chico é figura notória e suas músicas também. Apenas complemento dizendo (ou escrevendo?) que os dois discos que temos aqui são mais que simples amostras de pré lançamentos. Temos o compacto simples de 1967 com a presença do MPB 4 em “Roda Viva”. No de 68 o compacto é duplo, quer dizer, com duas músicas de cada lado, sendo a faixa “Sem Fantasia” com a participação da irmã, Cristina Buarque. Temos assim, seis músicas, quase um lp.


1967:
roda viva
até pensei
1968:
bom tempo
pedro pedreiro
sem fantasia
sonho de um carnaval

Souvenir Musical (1959)

Olás! Finalmente consegui listar todas as postagens na barra lateral do nosso blog Toque Musical. Há tempos que a janelinha de busca de postagens não funciona corretamente. A gente digita um nome de um determinado artista, mesmo sabendo que ele foi publicado, mas a resposta vem como se não constasse nas postagens. Como não descobri a razão do erro, achei melhor criar a lista, já que muitos não ‘sacaram’ que a pesquisa poderia ser feita pela letra inicial ou datas. Sem dúvida, para a maioria, a nova listagem será mais cômoda. Mas vai chegar um momento em que esta relação se tornará inviável, devido ao número de postagens com marcadores. Enfim, vamos levando até onde for possível…

Para o nosso domingo, estou trazendo um disquinho dos mais interessantes. Por apenas duzentos cruzeiros ou um ‘clic’ no Comentários, vocês terão a oportunidade de ouvir este belo ‘Souvenir Musical’. Este lp, lançado em 1959 pelo selo Fantasia/Philips, segundo o texto da contracapa, foi feito de encomenda para turistas. Em especial para o amigo sueco, compensando a dor da perda na Copa do Mundo para o Brasil em 58. Trata-se de um álbum que reúne um variado leque de músicas do repertório popular brasileiro. São clássicos do nosso cancioneiro, mapeados de norte ao sul. Músicas que se tornaram ainda mais conhecidas e internacionalmente, graças à iniciativas como esta. É um disco bacana, com diferentes ritmos e artistas dos mais competentes, como podemos ver logo a baixo. Confiram essa pérola 😉
luar do sertão – paulo tapajós
boiadeiro – trio nagô
ogun-yara – jorge fernandes
mulher rendeira – maciel e sua orquestra
a lenda do abaeté – vanja orico
quadrilha é bom – marinês e sua gente
cidade maravilhosa – aurora miranda
ai, que saudades da amélia – ataulfo alves e suas pastoras
cristo nasceu na bahia – lyra do xopotó
canta maria – hélio paiva
saudosa maloca – marlene
risque – leal britto e seu conjunto

Olmir Stocker (Alemão) – Longe dos Olhos Perto Do Coração (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje vamos de música instrumental, que é legal e não faz mal. Estou trazendo um disco bacana do guitarrista Olmir Stocker, mais conhecido no meio artístico como Alemão. Este álbum me foi enviado já algum tempo pelo amigo Nilo, professor de violão e compositor recatado. Depois de deixar o álbum na fila de espera por mais de quatro meses, achei que já era hora de apresentá-lo aqui no Toque Musical. “Longe dos olhos, perto do coração” é, sem dúvida, um disco muito bonito, que eu devo confessar, nunca cheguei a ouvi-lo direito. De ontem para hoje passei ele na agulha umas três vezes. Muito bom! Música instrumental do jeito que eu gosto, sem firulas intencionais, mas competente e original. O álbum é um passeio pelo Brasil (talvez na carroceria de um caminhão – a bela capa me inspirou) com ritmos e composições que ilustram diferentes paisagens. Alemão é um fera nas cordas, seja na guitarra ou no violão. Com mais de meio século de estrada ele já tocou com muita gente. Foi o guitarrista do conjunto de Breno Sauer no início dos anos 60. Participou como instrumentista da Jovem Guarda ao lado de Roberto Carlos e Wanderléa. Em 1968 formou com Casé, Hermeto Pascoal e outros o conjunto Brazilian Octopus, lançando no ano seguinte um excelente disco instrumental. Fez parte do Grupo Medusa, outro conjunto instrumental nota dez. Tocou em turnês por diversos países tendo sua arte mundialmente reconhecida. Se você ainda não viu e ouviu este disco em outras fontes, aproveite agora para matar a sede 😉

poço da panela
piranha
sereia santa
litorina
lado mouro
quase inocente
coco quadrado
turma do rio
no caminho tem pinguela
china buena de garupa