Chegança de Lagarto – Sergipe. Gravação realizada em Aracaju, em 1976.
Fandango Do Paraná – Documentário Sonoro Do Folclore Brasileiro N. 15 (1976)
Olá amigos cultos e ocultos! E vamos nós com mais um disquinho da série Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro. Desta vez destacando o Fandango do Paraná. Registro realizado em 1968, nos estúdios da TV Iguaçú, de Curitiba. O disquinho, como se pode ver foi lançado em 1976.
Tambor De Crioula – Documentário Sonoro Do Folclores Brasileiro N. 12 (1976)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Seguindo a ordem numérica, iniciamos no volume 6, agora vamos para o próximo que é o 12, Tambor de Crioula. Registro das toadas gravado em São Luís do Maranhão. Lançado em 1976.
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Cocos De Alagoas – Documentário Sonoro Do Folclores Brasileiro N. 6 (1975)
Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Entramos então, a partir desta postagem, numa nova era. Uma nova década musical, com muito pique e cheia de novidades. Continuamos nossas postagens no mesmo esquema de sempre, tendo nossa fonte em um clube privado (o GTM), porém sempre de portas abertas para novos associados, basta tomar o trabalho de ler as orientações. Como eu já disse, a partir de agora estaremos também postando discos e artistas internacionais. Na verdade, irei postar aqui algumas coisas da minha coleção particular, discos os quais eu tenho prazer de ter e ouvir. Irei assim compartilhar com vocês, além das curiosidades e raridades de sempre, também um pouco do meu gosto pessoal, da minha discoteca internacional. Por certo, serão apenas aqueles discos que realmente não se encontram por aí.
Para começarmos bem o décimo primeiro ano do Toque Musical eu vou trazendo aqui e ao longo dos dias alguns disquinhos de uma série, hoje rara, conhecida como Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro, produzida e distribuída gratuitamente pelo MEC durante as décadas de 70 e 80. No momento, não sei dizer quantos desses discos de 7 polegadas (os compactos) foram lançados, mas foram dezenas, cada qual trazendo um tipo de manifestação sonoro-musical, registros extraídos de diferentes regiões do Brasil, alguns, inclusive feitos em épocas anteriores, nas décadas de 50 e 60. Infelizmente, a série que eu apresento aqui está incompleta. São apenas 24 discos e com numeração quebrada. Postarei todos seguindo a ordem de lançamento. Ao longo das próximas postagens falaremos mais sobre essa importante coleção.
Começamos então pelo compacto “Cocos de Alagoas”, registro feito no município de Chã Preta, em Alagoas, pelo antropólogo e folclorista Théo Brandão, em 1952. As informações complementares vocês poderão obter na contracapa do disco, ok? Fiquem ligados que amanhã tem mais… 😉
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Toque Musical, 10 Anos!
Bom dia a todos os amigos, cultos, ocultos e todos os associados! Hoje é um dia muito especial para nós. Inacreditavelmente, conseguimos chegar a meta dos 10 anos de vida. Digo meta, porque depois que chegamos aos nove, para o dez era só mais um ano. E no que dependesse de mim, faria tudo para chegar a uma década, completando assim um ciclo de verdade. Parabéns para mim, parabéns para os meus colaboradores, parabéns para todos os amigos cultos, ocultos e associados! Fizemos ao longo desse tempo muita coisa. Foram mais de 3 mil postagens. Posso garantir que ajudamos a resgatar muita música, muitos discos, muitos artistas. Certamente, graças ao Toque Musical, assim como outros blogs, muito do que foi esquecido e até apagado da história da música brasileira, de seus artistas, discos e gravações, voltaram à vida, reencontraram seus ouvintes e conquistaram tantso outros. Se hoje poucos blogs, como o TM, ainda resistem é porque seus autores são assim como eu, amantes da música e dos discos e buscam divulgar seus acervos e compartilhar afinidades. Por outro lado, muitos migraram para outras plataformas tipo Youtube. Aliás, tudo o que hoje encontramos de raridades fonográficas no Youtube é dá por conta dos blogs. Foi e é o nosso trabalho transferido para um canal imediato, onde as pessoas já não precisam baixar nada para ouvir. Pois é, vivemos o momento da música digital, dos ‘streamings’… da música orfã de um disco, da música feita apenas para se ouvir, usar e jogar fora. O conceito de música pelo Youtube é algo assim. Ela está lá, mas você não sente que a tem. Você apenas tem acesso a ela enquanto estiver ali. Contudo, ainda existem pessoas interessadas no disco material, na música que seja pelo menos acessível enquanto arquivos digitais ou digitalizados. Tem gente, como eu, que quer baixar o disco, ver e ouvir as músicas separadamente, ver capa e contracapa, selos e outras informações disponíveis. Tem gente que coleciona música em mp3. Tem gente montando acervos digitalizados para fins educativos e de estudos.Tem gente que ama discos… É por conta dessas e de outras que a gente continua e não desiste. Eu, por muitas vezes pensei em parar, mas quanto mais eu andava, mais via o quanto já tinha feito e seria uma pena, de repente, jogar tudo pelo ralo. Não, a gente continua! Contando com os amigos e colaboradores, a gente acaba seguindo em frente. Vira também uma certa obrigação, mesmo sabendo que a cada ano o público diminui. Mas, é como eu já disse outras vezes, o Toque Musical já se transformou em uma referência. Uma fonte de consulta, uma esperança de download.
Pois bem, aqui estamos, 10 anos de vida! Possivelmente, nosso blog musical é hoje o mais antigo na rede e também um dos pioneiros, com um acervo que permitiu muitos outros blogs virem a surgir, seja pelo entusiasmo ou por replicancia e compartilhamento. Nessa altura, já podemos nos considerar um blog adulto 🙂
Buscando melhorar e reciclar nossas ideias e interesses, estarei adotando uma novidade as nossas postagens. A partir de agora o Toque Musical não se limita a música brasileira. Iremos adotar também a publicação de discos e artistas estrangeiros. Vamos ampliar o nosso leque de variedades. Teremos assim, para essa próxima década, um mostruário também internacional, não esquecendo, obviamente, das raridades nacionais, essas sempre continua. Mas de hoje em diante teremos também a música internacional. Discos raros, curiosidades, mas sempre aquilo que é realmente difícil de achar, mesmo que seja no Youtube.
O Toque Musical começa assim uma nova fase, abrindo espaço também para outros públicos, para outros discos. Mas, fiquem atentos, nossa política de relacionamento continua sendo a mesma. Para participar integralmente do Toque Musical a pessoa precisa se associar ao nosso grupo fechado, o GTM (Grupo do Toque Musical). Para tanto, basta ler as instruções de participação no texto lateral do blog. Seja todos muito bem vindo! Parabéns para todos nós!
Música é algo muito além daquilo que toca pelo autofalante!
Abraços a todos!
Augusto TM
Maria Bethânia – Box (1981)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de quase duas semanas postando discos de música latina, hoje damos uma pausa e também um ponto final para os nossos 10 anos de atividades. Para tanto, claro, precisava ser um ponto final que fizesse jus a uma década. Daí, escolhi este box da cantora Maria Bethânia, que é uma das maiores intérpretes da música popular brasileira e tem em sua bagagem uma infinidade de sucessos. E eu, percebendo aqui, vejo que ao longo de todo esse tempo de Toque Musical, poucas vezes publiquei discos dela. Assim, para a alegria de todos e também como um presente de aniversário (porque aqui quem dá o presente é o aniversariante), temos um box com seis lps, reunindo certamente o que de melhor ela fez durante sua fase no selo Philips. A seleção traz dezenas de músicas divididas por temas. Gravações ao vivo, temas de amor, interpretando compositoras, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gonzaguinha e também em duetos com outros artistas. Sem dúvida, um mostruário quase completo dessa grande artista. Um presente de 10 anos do Toque Musical, mas só para os amigos cultos e ocultos associados.
Se você está chegando agora e ainda não conhece o nosso espaço, sugiro que leia com atenção os textos laterais, caso tenha a intensão de participar do Grupo Toque Musical e usufruir do que postamos aqui. Uma nova fase irá começar. Sejam todos bem vindos!
Atahualpa Yupanqui – Tierra Querida (1968)


Conforme o prometido, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do cantor-compositor Atahualpa Yupanqui (1908-1992), considerado um dos mais importantes divulgadores de música folclórica de nossa vizinha Argentina, dando prosseguimento ao nosso ciclo temático dedicado aos latino-americanos. Desta vez, apresentamos “Tierra querida”, lançado pela Odeon portenha em 1968 (e presumidamente jamais editado por aqui), com 14 faixas e a indicação na contracapa: “reconstrucción técnica”. Certamente é uma coletânea de antigas gravações de Yupanqui para a Odeon, onde iniciou sua carreira fonográfica em 1936, ao tempo das 78 rotações por minuto (ele também gravou na RCA Victor, BAM, Chant du Monde e Antar-Telefunken). Das 14 faixas que compõem este disco, dez são cantadas e as demais em solo de guitarra (isto é, violão). A canción, a zamba, a chacarera, a milonga pampeana, enfim, os mais variados gêneros da música regional argentina batem ponto em mais este trabalho do grande Ataualpa Yupanqui, compilação expressiva e mais uma joia rara que o TM oferece com a satisfação e o orgulho de sempre. Aproveitem..
*Texto de Samuel Machado Filho
Manduka Y Los Jaivas – Los Sueños De America (1974)
Buenas tardes, amigos cultos e ocultos! Eu já havia selecionado os discos que entrariam nesta série de postagens dedicada a música latina, os países de língua hispânica, das Américas. Boa parte foi doação do meu amigo Fáres e alguns outros eram arquivos digitais que também me foram enviados, mas nem lembro mais que o fez. Contudo, percebi que ainda tinha uma leva de inéditos e agora fico nessa indecisão, não sei se publico todos ainda neste mês, ou se deixo para uma nova temporada. Ainda quero fechar os 10 anos com coisas nacionais. Vamos ver…
E aqui vai então um dos que recebi e até hoje nunca postei. Acho que fiquei esperando o vinil de verdade aparecer. Mas, por se tratar de um disco de 1974, importado e raro, acho difícil aparecer assim. No Mercado Livre há um compacto, trazendo a música ‘La Centinela’ e o maluco lá está cobrando 190 reais! Pior ainda é um outro que acha que vai conseguir vender a versão cd por 795 reais!!! Esses caras perderam o senso. A exploração corre solta para colecionadores, que são outros malucos. Só mesmo um colecionador endinheirado ou muito idiota seria capaz de pagar esses preços. Enfim, cada um vende e compra pelo preço que quer…
Temos então,”Los sueños de America”, disco gravado na Argentina, pelo músico brasileiro, Manduka, ao lado do grupo chileno Los Jaivas. Este disco nunca chegou a ser lançado no Brasil, porém, através de outros blogs, da internet e outras fontes, o disco circulou bastante, tempos atrás. Em 1995 ele foi relançado no Chile pela Alerce Producciones Fongráficas, em versão cd.
“Los sueños impresos en este álbum son el único resultado aparente de un simbólico Primer Encuentro Latinoamericano de la Soledad que los músicos concertaron en un rincón amado del litoral argentino, intentando conjugar la sabiduría de la montaña, la embriaguez del mar y el hermetismo de la selva”.
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Mercedes Sosa – Gente Humilde (1982)
Dentro do ciclo temático sobre a música popular e folclórica latino-americana, comemorativo de seu décimo aniversário, o TM tem a satisfação de oferecer hoje, a seus amigos cultos, ocultos e associados, mais um álbum desta notável intérprete do gênero que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009), a querida e sempre lembrada “La Negra”, cognominada “a voz da América Latina”. Desta vez, apresentamos “Gente humilde”, trabalho lançado em 1982 pela Philips/Polygram, hoje Universal Music, e produzido especialmente para o mercado brasileiro. Esse ano também marcou o retorno definitivo de Mercedes à sua Argentina natal, após alguns anos de exílio na Europa (ela fora acusada de subversão, dada sua proximidade com os movimentos comunistas e seu apoio a partidos de esquerda). Tanto é assim que este “Gente humilde” foi gravado, em sua maior parte, em Paris, onde então ela ainda morava. A faixa-título, vocês sabem, é um clássico da MPB, e ganhou versão em espanhol de Júlio César Isella, não por acaso o produtor deste álbum, e conterrâneo de Mercedes (ele também assina a faixa “Fuego em Anymana”). Há de se destacar ainda a participação especial do brasileiro Fagner (apenas um dos muitos artistas tupiniquins que tiveram o privilégio de gravar com a grande Mercedes), na faixa “Años”, do cubano Pablo Milanez (na verdade, faixa extraída do álbum “Traduzir-se”, que Fagner lançou em 1981 pela CBS). E o Brasil ainda está presente com “Guitarra enlunarada”, versão em espanhol para outro clássico de nossa música popular, “Viola enluarada”, dos irmãos Marcos & Paulo Sérgio Valle. Mercedes ainda revive o clássico “El dia que me quieras”, de Carlos Gardel, e apresenta, de seu conterrâneo Enrique Cadícamo, “Los mareados”. Outro cubano, Sílvio Rodriguez, aqui comparece com “Sueño com serpientes”. Tudo isso e muito mais compõem este que é outro imperdível trabalho da incomparável Mercedes Sosa, mais uma joia que o TM apresenta em seu ciclo latino-americano. Não dá pra pedir mais, não é mesmo?
a quien doy
zamba del laurel
gente humilde
el dia que me queiras
la flor azul
fuerza
guitarra enluarada
sueño con serpientes
cuando me acuerdo de mi pais
los mareados
fuego en anymana
años
*Texto de Samuel Machado Filho
Atahualpa Yupanqui (1967)


Dando prosseguimento ao seu ciclo latino-americano, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum daquele que é considerado um dos mais importantes divulgadores de música folclórica da nossa vizinha Argentina. Estamos falando de Atahualpa Yupanqui. Compositor, cantor, violonista e escritor, ele veio ao mundo com o nome de Héctor Roberto Chavero, na cidade de Pergamino, província de Buenos Aires, no dia 31 de janeiro de 1908, filho de pai quéchua e mãe basca. Ainda criança, mudou-se como a família para Agustín Roca, em cuja ferrovia seu pai trabalhava. Aos seis anos, começou a ter aulas de violino e, pouco tempo depois, de violão, com o concertista Bautista Almirón, viajando diariamente os 15 quilômetros que o separavam da casa do mestre. Em 1917, sua família mudou-se para Tucumán e, aos treze anos, ele teve suas primeiras obras literárias publicadas no jornal da escola. É quando começa a utilizar o nome Atahualpa, em homenagem ao último soberano inca. Alguns anos depois, em homenagem a Tupac Yupanqui, penúltimo governante inca, agregou “Yupanqui” a seu pseudônimo. Aos 19 anos, compôs a canção “Caminito del índio”, que se tornou um hino da identidade indígena na Argentina. Este seria, em 1936, o lado A de seu primeiro disco, em 78 rpm, pela Odeon, tendo no verso “Mangruyando”. Fez inúmeras viagens, percorrendo províncias argentinas, a Bolívia, os Vales Calchaquies e até mesmo o Sul do Brasil, muitas vezes montado em lombos de mulas, a fim de melhor conhecer antigas culturas sul-americanas. Em 1939, publicou seu primeiro livro de poemas, “Piedra sola”. Depois vieram mais onze, dois dos quais publicados postumamente. Em 1945, filiou-se ao Partido Comunista da Argentina, junto com um grupo de intelectuais, o que, inevitavelmente, provocou represálias: foi proibido de se apresentar em rádios, teatros, bibliotecas e escolas, além de ter sido preso várias vezes. Seu romance “Cerro bayo”, de 1947, serviu de base para o roteiro do filme “Horizontes de piedra”, com música e atuação do próprio Atahualpa Yupanqui, lançado em 1956 e premiado no Festival de Karlovy Vary, cidade da antiga Tchecoslováquia e agora da Republica Checa (Yupanqui apareceria em mais seis filmes, entre 1959 e 1981). Em 1949, viajou pela Europa, apresentando-se na Hungria, Tchecoslováquia, Romênia, Bulgária e França, Foi em Paris que conheceu Edith Piaf e Paul Eluard, apresentou-se no Teatro Aleneo e gravou o álbum “Minero soy” (cuja faixa-título está também no presente álbum), premiado em concurso internacional de folclore da Academia Charles Gross como melhor disco estrangeiro. Voltando à Argentina, em 1953, tornou público seu desligamento do Partido Comunista, na verdade acontecido dois anos antes. Entre suas músicas mais conhecidas (deixou um total de 325 composições), estão: “El arriero”, “Trabajo, quiero trabajo”, “Los ejes de mi carreta”, “Los Hermanos” (que Elis Regina tornou conhecida no Brasil, em registro memorável),”Milonga del solitario”, “Zamba del grillo”, “Luna tucumana” e “Nada mas”. Trabalhos estes interpretados por gente do porte de Mercedes Sosa, Alfredo Zitarrosa, Víctor Jara, Dércio Marques, Ángel Parra e Marie Laforet, e que continuam a fazer parte do repertório de vários artistas na Argentina e em outras partes do mundo. Em 1963-64, Atahualpa Yupanqui apresentou-se no Japão, Colômbia, Marrocos, Egito, Israel e Itália. Em 1967-68 fez temporada artística na Espanha e na França, voltando a residir em Paris. Em 1986, foi condecorado como Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras na França, e, um ano depois, homenageado pela Universidade de Tucumán. Em janeiro de 1990, já com a saúde abalada por problemas cardíacos, apresentou-se pela última vez em sua Argentina natal, participando do festival de Cosquín, e depois retornou a Paris a fim de cumprir contrato artístico. Foi casado duas vezes, a primeira com sua prima, Maria Alícia Martinez, entre 1931 e 1937, com quem teve os filhos Alma Alicia, Atahualpa Roberto e Lila Amancay, e a segunda com a pianista e compositora franco-canadense Paula “Nenette” Pepin, entre 1942 e 1990 (ano em que ela faleceu), com quem teve seu último filho, Roberto Chavero. Atahualpa Yupanqui faleceu em 23 de maio de 1992, em Nîmes, na França, aos 85 anos, e, por desejo expresso em testamento, foi sepultado em Cerro Colorado, na província argentina de Córdoba. Aqui, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados um álbum que a Odeon argentina lançou em 1967, dentro de uma série chamada “Galeria”, e, como quase toda a discografia de Yupanqui, nunca editado em território brasileiro. São catorze faixas imperdíveis, algumas cantadas, outras instrumentais, nas quais desfilam ritmos tipicamente argentinos, como a zamba, a canción, a chacarera, a baguala e a canción norteña. Enfim, é uma preciosa amostra do legado de Atahualpa Yupanqui, de quem brevemente estaremos postando mais um álbum. Aguardem!
canción del cañaveral
quiero ser luz
minero soy
la alabanza
zambita del alto verde
el vendedor de yuyos
payo sola
indiecito dormido
la finaldita
mi caballo perdido
zamba de vargas
viejo tambor vidalero
el coyita
no quiero que te vayas
*Texto de Samuel Machado Filho
Toque Musical É Dez!

Mercedes Sosa – Cantata Sudamericana (1980)
Prosseguindo o ciclo temático que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, em comemoração a seu décimo aniversário, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum dessa notável intérprete que foi a argentina Mercedes Sosa (1935-2009). Trata-se de “Cantata Sudamericana”, gravado na Philips portenha em 1972 e lançado no Brasil apenas em 1980. É uma verdadeira obra-prima, com todas as suas oito faixas assinadas pela dupla Ariel Ramirez-Félix Luna (também autores da “Misa criolla”), abrangendo ritmos, temas e motivos originários de várias regiões sul-americanas, ao mesmo tempo em que procura ressaltar valores étnicos e estéticos do continente . As músicas têm um ponto em comum e se relacionam, embora algumas já tenham sido gravadas anteriormente pela própria Mercedes, como “Canta tu canción” (esta, dedicada ao Brasil, com direito até a compassos de bossa nova) e “Antigos dueños de las flechas”. Destaque ainda para as duas últimas faixas, “Sudamericano em Nueva York” (com nítida influência do jazz) e “Alcen las banderas”, com muito de caribenho em sua concepção. Aqui, “La Negra” está em sua melhor forma, e há quem considere este “Cantata Sudamericana” seu melhor trabalho em disco. Com sua permanente atualidade, é um álbum que merece, com toda justiça, a postagem do nosso TM. Imperdível! E vem mais Mercedes Sosa por aí, aguardem…
* Texto de Samuel Machado Filho
Iván Pérez Rossi – Canciones De la Eterna Natividad (1990)
Prosseguindo o ciclo dedicado à música popular folclórica e latino-americana, o TM oferece hoje a seus amigos cultos e associados uma verdadeira raridade. Trata-se de um álbum originário da Venezuela, nunca lançado no Brasil. É “Canciones de la eterna natividad”, reunindo músicas compostas e interpretadas por Ivan Perez Rossi. Nascido em Ciudad Bolivar, no dia 3 de agosto de 1943, Rossi é fundador e integrante do grupo Serenata Guayanesa, quarteto vocal e instrumental executante de música típica venezuelana (abrangendo ritmos como o calipso, o bolero, o aguinaldo, o vals e o merengue caraqueño), surgido em 1971, e reconhecido como patrimônio cultural daquele país. Ivan gravou mais de 50 álbuns com o Serenata e outros cinco como intérprete-solo. Engenheiro de profissão, formado pela UCV (Universidad Central de Venezuela), é também escritor, e já publicou alguns livros para crianças. Como cantor, tem privilegiada voz de barítono, o que lhe permite entoar notas graves com grande sonoridade, e cantar notas altas, quase de tenor, com muito brilhantismo e afinação. Embora praticamente desconhecido no Brasil, é um autêntico ídolo na Venezuela (país que, no momento em que escrevo esta resenha, enfrenta uma grave crise política). Sendo assim, o TM oferece hoje uma rara oportunidade de conhecer a fundo o trabalho de Ivan Perez Rossi. Este “Canciones de la eterna natividad” é seu primeiro trabalho como solista, e foi lançado em 1990, em esquema de produção independente. Em doze faixas, todas de composição própria, iremos encontrar um pouco da melhor música típica venezuelana, alternando músicas românticas com outras dançantes. Um trabalho de qualidade que vale a pena conhecer, mostrando por que Ivan Perez Rossi é tão querido e apreciado pelos venezuelanos. Confiram…
*Texto de Samuel Machado Filho
Angel Parra – De Chile (1976)
Dando prosseguimento ao ciclo dedicado á música popular e folclórica latino-americana, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um dos mais expressivos títulos da discografia do chileno Ángel Parra, filho da imortal Violeta Parra (de quem já apresentamos aqui o disco “Canciones inéditas”). Lançado em 1976 pela Intermusique, de Luxemburgo, o disco se intitula “Ángel Parra de Chile”, e teve também os nomes de “La libertad” e “Yo tuve una pátria” (no Brasil, a extinta Copacabana manteve o título original). Com o nome completo de Ángel Cereceda Parra, este que, além de cantor e compositor, foi também escritor, veio ao mundo na cidade chilena de Valparaíso, no dia 27 de junho de 1943, fruto da união de Violeta Parra com o ferroviário Juan Cereceda Arenas. Teve início de carreira precoce, aos cinco anos, cantando em circos. Seu primeiro LP-solo viria em 1965, “Ángel Parra y su guitarra”, pontapé inicial para uma constante e prolífica produção musical. Participou do movimento denominado “Nueva Canción Chilena” e, durante um certo período, sua música situava-se entre a canção de protesto e o folclore do Chile, cantando ocasionalmente ao lado de sua irmã Isabel Parra. Ángel foi também um dos compositores chilenos a se abrir para outros gêneros musicais, como o rock, colaborando com o grupo Los Blops. Por suas ideias políticas e sua vinculação à Unidade Popular de Salvador Allende, em 1973, logo após o golpe de estado do general Augusto Pinochet, Ángel ficou detido no Estádio Nacional e no campo de concentração de Chacabuco. Na ocasião, escreveu “La pasión según San Juan, oratório de Navidad”, que gravou e lançou na Europa logo após ser libertado. No exílio, morou no México e na França, dedicando-se a denunciar ao mundo a triste situação de seu país. Nesse período, produziu um álbum de guitarra popular chilena (“La prochaine fois”) e, em 1981, gravou seu último disco em dupla com a irmã Isabel. A partir de 1989, estaria várias vezes em seu Chile natal para se apresentar artisticamente, mas continuou residindo na França. Nos anos 1990, gravou, entre outros discos, o que comemorou os 500 anos do descobrimento da América (com letras do escritor galego Ramón Chao, pai do músico Mano Chao), o que lembrou os 50 anos do falecimento da poetisa Gabriela Mistral, e outro em homenagem à mãe, Violeta Parra. Em fins de 2004, ao lado da irmã Isabel , recebeu a distinção de “Figura fundamental da música chilena”. Em 2006, publicou um livro sobre a vida de sua mãe, “Violeta se fue a los cielos”. Ángel Parra faleceu em 11 de março deste ano de 2017, aos 73 anos, em Paris, em consequência de um câncer pulmonar, deixando uma discografia que abrange quase 40 álbuns-solo, além dos seis gravados junto com a irmã Isabel. Este “Ángel Parra de Chile” mostra o cantor-compositor em sua melhor forma, apresentando onze faixas bastante expressivas, todas de autoria dele próprio. Isso comprova que Ángel Parra foi um digno continuador do trabalho de sua mãe, Violeta Parra, e mostra por que ele também é referência obrigatória quando se fala em música popular e folclórica latino-americana.
la liberdad
yo tuve una patria
tango en colombes
auto retrato
que sera de mis hermanos
porque manna se abriran las alamedas
el poeta frente al mar
el dia que vuelva a encontar
compañero presidente
america del sur
levantese compañero
*Texto de Samuel Machado Filho
Mercedes Sosa – Grandes Artistas (1972)
E eis que o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, dentro de seu ciclo dedicado à música folclórica e popular latino-americana, uma compilação daquela que, sem dúvida, foi um dos maiores ícones do gênero, “a voz dos sem voz”, e uma das expoentes do movimento “Nueva canción”. Estamos falando de Haydée Mercedes Sosa, que recebeu de seus fãs o apelido de “La Negra”, por sua ascendência ameríndia, e não por causa dos longos cabelos negros, como se erroneamente acreditava). Mercedes veio ao mundo na cidade de San Miguel de Tucuman, no noroeste da Argentina, em 9 de julho de 1935 (nessa data, curiosamente, em 1816, e na mesma cidade, foi assinada a declaração de Independência da Argentina). Sempre foi patriota, e também árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos latino-americanos. Criada durante o governo de Juan Domingo Peron, Mercedes cresceu embalada pela ideologia peronista, recebendo, como quase todos de sua geração, uma influência muito grande da mitológica Evita. Sua ascendência era mestiça (mistura de europeus com americanos e índios): francesa e dos indígenas do grupo diaguita. Sua carreira artística iniciou-se em 1950, quando venceu, na plenitude de seus quinze anos, um concurso de canto promovido pela rádio de sua cidade natal, ganhando um contrato de dois meses com a emissora. Em 1962 é lançado seu primeiro álbum, “La voz de la zafra”, gravado no ano anterior. Em seguida, ficou conhecida entre os povos indígenas argentinos ao fazer uma performance no Festival Folclórico Nacional. Sua preocupação sócio-política refletia-se no repertório que interpretava, tendo sido uma das maiores expoentes do movimento “Nueva canción”, movimento musical com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, marcado por uma ideologia de rechaço ao imperialismo norte-americano, ao consumismo e às desigualdades sociais. Além do sucesso na Argentina, apresentou-se também em países da América e da Europa. A temática social e ligação com a esquerda também lhe renderam dissabores. Em 1979, em La Plata, durante a ditadura argentina, por exemplo, um show da artista foi invadido pelos militares, e tanto ela quanto o público presente foi parar na prisão! Banida no próprio país, Mercedes decidiu se exilar, primeiro em Paris, depois em Madri. Voltou à Argentina em 1982, vários meses antes do colapso da ditadura militar argentina, resultado da fracassada Guerra das Malvinas, e deu uma série de shows no Teatro Cólon, em Buenos Aires, onde convidou muitos colegas jovens para cantar com ela (um LP duplo com gravações dessas performances logo fez sucesso). E continuou a se apresentar nos anos seguintes, não só na Argentina, como também no exterior, cantando em lugares como o Lincoln Center, o Carnegie Hall e o Teatro Mogador. Entre os artistas que gravaram com ela estão Fito Páez, Mílton Nascimento, Léon Gieco, Daniela Mercury, Beth Carvalho, Chico Buarque, Fagner, Sting, Andrea Bocelli e até mesmo a colombiana Shakira. Tem mais de 50 álbuns em sua discografia, e foi considerada a melhor intérprete das composições do argentino Atahualpa Yupanqui e da chilena Violeta Parra. Ganhou quatro vezes o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica (em 2000, por “Misa Criolla”, em 2003 por “Acústico”, em 2006 por “Corazón libre” e já postumamente, em 2009, por “Cantora 1”). E continuaria em atividade até falecer, em 4 de outubro de 2009, aos 74 anos, de problemas renais. Hoje, o TM oferece a vocês uma coletânea com algumas das melhores gravações da notável e imortal Mercedes Sosa, lançada pela Philips argentina dentro de uma série denominada “Grandes artistas”, e reunindo gravações feitas entre 1966 e 1972 (talvez o disco seja de 1975). São treze faixas em que ela nos apresenta um repertório de primeira linha, de renomados compositores populares latinos, como Atahualpa Yupanqui (“Duerme mi negrito”, tema folclórico recolhido por ele), Armando Tejada Gomez (“Canción com todos”), H. Rufo Herrera (“Zamba del chaguanco’), Ariel Ramirez (que também a acompanha ao piano em “Alfonsina y el mar”), Figueredo Iramain (‘Cancion del derrume índio”) e Violeta Parra (“Gracias a la vida”, clássico que mereceu interpretação inesquecível de Mercedes). Tudo isso mostrando a força e o talento desta inesquecível intérprete, com todos os atributos que a fizeram, com justiça, uma gigante da música latino-americana contemporânea. E atenção: brevemente, estaremos postando mais álbuns de Mercedes Sosa. Aguardem!
*Texto de Samuel Machado Filho
Óscar Chávez – Mariguana (1969)
1818
Buenas, amigos cultos e ocultos! Não sei mais nem porque ainda ficamos nessa de perguntar se estão gostando ou não da nossa mostra temática, dedicada aos nossos hermanos latinos. Digo isso porque já nem sei se ainda temos um grande público e também porque a nossa seção de comentários está desativada. Comunicação com a gente, só via e-mail e isso pouco também tem chegado para nós. Uma prova cabal de que essa onda de blog já era. Poucos são aqueles que ainda se aventuram em ‘download’. Aliás, poucos são ainda os blogs e sites que oferecem de mão beijada seus tesouros. E por outra, tudo que um dia já postamos aqui, hoje já está pronto para consumo no site do Youtube. Mas ainda assim blogs como o Toque Musical tem muito a mostrar e na pior das hipóteses não deixa de ser um catálogo, uma referência para aqueles que pesquisam sobre música e discos.
Bom, tenho para hoje este disco sensacional e raro do cantor, compositor e também ator, o mexicano Óscar Chávez. Um artista conhecido principalmente pela sua música de cunho político, crítico e de protesto. Foi um dos expoentes do movimento musical mexicano nos anos 60, conhecido como ‘Canto Nuevo’. Com suas canções apoiou também o Exército Zapatista de Libertação Nacional. Sua discografia inclui dezenas de discos e aqui no Brasil pouco se sabe sobre esse artista. Certamente, por se tratar de um cantor de protesto, deve ter sido censurado nos anos de chumbo aqui no nossa país. Nunca vi nada dele lançado aqui.
“Mariguana” é um álbum lançado em 1969, pela Polydor. Um trabalho de sua melhor fase cujo o repertório traz músicas das mais interessantes e curiosas, tais como a que dá título ao disco, Mariguana, que em espanhol que dizer maconha, uma planta que faz parte da cultura xamânica mexicana (pena que por aqui ninguém conheça). A letra dessa música é ótima. Na verdade o disco todo. Confiram… 😉
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Los Fortineros – Canção da América (1981)
Prosseguindo o ciclo que o TM dedica à música popular e folclórica latino-americana, aqui está, para deleite de nossos amigos cultos, ocultos e associados, um álbum dedicado à musica do Uruguai, que partilha suas origens gaúchas com a Argentina, de forma que o tango tem uma importância relevante no país. É “Canção da América”, gravado no Brasil em 1981 pelo grupo Los Fortineros. É mais um álbum cuja produção foi coordenada por Lucas Robles, que, como vocês já sabem, é argentino radicado em território brazuca. O álbum foi lançado pela gravadora Cristal Discos, ex-Bandeirantes, que já não tinha mais vínculo com a rede de televisão homônima. Na verdade, o Grupo Bandeirantes era sócio do músico Cláudio Petraglia na gravadora, e decidiu vender sua parte. Detalhes à parte, o disco é um apanhado interessante, reunindo expressivos trabalhos de compositores uruguaios, tipo Alfredo Zitarrosa (“Doña Soledad”, “El retobao”, “Milonga para uma niña’, “P’al que se va”), Edoardo Mateo (“Tamboriles”), Geronimo Yorio , Carmelo Imperio e Romeo Gavioli (os três assinando o clássico “Baile de los morenos”), Daniel Vigilieti (“Canción para mi América”) e Aníbal Sampayo (“Ki chororo”), com direito até uma obra-prima do venezuelano Eloy Blanco, “Angelitos negros”. Os cinco membros do grupo, apoiados pelo bandoneonista Hugo Abelo, pelo pianista Roberto Abitante e pelo baixista Ricardo Sorondo, mostram extrema competência, fazendo deste trabalho uma peça de colecionador digna de integrar o ciclo latino de nosso TM. A conferir, sem falta…
*Texto de Samuel Machado Filho
Violeta Parra – Canciones Ineditas (1980)
Dando prosseguimento a seu ciclo latino-americano, o TM hoje nos oferece um álbum daquela que é considerada a mais importante folclorista e fundadora da música popular chilena. Estamos falando de Violeta Parra. Compositora, cantora, artista plástica e ceramista, Violeta del Cármen Parra Sandoval nasceu na cidade de San Carlos, comuna da província de Ñuble, em 4 de outubro de 1917, filha de um professor de música (Nicanor Parra) e de uma camponesa (Clarisa Sandoval), ambos admiradores da música folclórica. Tinha oito irmãos e dois meio irmãos (filhos de um relacionamento anterior da mãe). Passou grande parte de sua infância em Lautaro, aos três anos teve varíola, e morou ainda em distintas localidades da zona de Chillán, onde teve suas primeiras experiências artísticas, compondo suas primeiras canções para violão em 1929. Estudou até o segundo ano do secundário, e abandonou os bancos escolares em 1934,para trabalhar e cantar com seus irmãos em bares e circos. Autodidata, cantora e violonista desde os nove anos, ingressou de vez na carreira musical aos quinze, após a morte do pai, deixando a casa da mãe, no interior chileno, e indo morar em Santiago com o irmão Nicanor, que estudava na capital. Na época, formou com sua irmã Hilda o duo Las Hermanas Parra, que cantava músicas folclóricas na noite. É quando conhece o ferroviário Luís Cereceda, com quem se casou em 1938 e teve dois filhos que também seguiriam carreira musical, Isabel e Ángel, separando-se em 1948. A desilusão desse relacionamento marcaria a vida e a obra de Violeta. Ela gravou seu primeiro disco em 1949, em parceria com a irmã Hilda, e contraiu segundas núpcias com Luís Arce, tendo com ele duas filhas, Luísa Cármen e Rosita Clara, que faleceu de pneumonia, antes de completar um ano de idade. Em 1952, começou a pesquisar as raízes folclóricas chilenas e compôs os primeiras temas musicais que a celebrizaram, ocasião em que também teve programa de rádio. Chegou a catalogar mais de 3 mil canções tradicionais! “Gracias a la vida”, “Míren como soríen”, “La carta” e “Volver a los 17” estão entre seus mais conhecidos trabalhos. Em 1955, visitou a União Soviética, Londres e Paris, cidade onde residiu por dois anos, e realizou gravações para a BBC, e para os selos Odeon e Chant du Monde. Em 1957 radicou-se em Concepción e voltou a Santiago para iniciar uma nova carreira, a de artista plástica. Em 1961, mudou-se para a Argentina, onde fez grande sucesso em apresentações públicas. Voltou a Paris e lá ficou por mais três anos, percorrendo várias cidades da Europa, inclusive Genebra, na Suíça. Violeta regressou ao Chile em 1965, apresentou-se na Bolívia e, de volta ao país natal, instalou uma grande tenda na comuna de La Reina, objetivando convertê-la em um grande centro de referência para a cultura folclórica chilena, junto com os filhos Ángel e Isabel, e os folcloristas Patrício Manns, Rolando Alarcon e Victor Jara. Entretanto, Violeta Parra não teve sucesso nesse empreendimento, o que coincidiu com o fim do relacionamento amoroso com seu terceiro marido, o músico suíço, Gilbert Favré, e, abatida emocionalmente, suicidou-se no dia 5 de fevereiro de 1967, na tenda de La Reina. Três anos depois, é publicado seu primeiro livro de poemas, por iniciativa do irmão Nicanor. De sua extensa discografia, o TM traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados “Canciones ineditas”, originalmente lançado em 1975 pela Intermusique, de Luxemburgo, e que aportou no Brasil em 1980, pela extinta Copacabana. Em onze faixas, encontraremos tudo que caracteriza a obra de Violeta: algumas músicas de extremo lirismo, associadas a outras de versos demolidores contra toda injustiça social, enfim, características que fizeram suas canções serem entoadas por gerações de revolucionários latino-americanos em ocupações e barricadas. Um álbum que merece ser baixado, ouvido e guardado, apresentando trabalhos então inéditos desta que é considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados. Ou seja: nada mais atual!
*Texto de Samuel Machado Filho
Vários – América Latina Canta Vol. 3 (1981)
Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Prosseguindo o ciclo latino-americano do TM, em comemoração ao décimo aniversário deste nosso blog, oferecemos mais uma expressiva compilação de música popular e folclórica dos países de língua hispânica, localizados sobretudo na América do Sul. É “América Latina canta 3”, lançada em 1981 pela mesma Bandeirantes Discos que produziu “Viva Argentina”, álbum já oferecido a vocês pelo nosso TM, e que faz parte de uma longa e vasta série do gênero, prova de que, mesmo vinculada a uma grande rede de televisão, a empresa ofereceu muito mais do que coletâneas ditas comerciais (ou seja, trilhas de novelas, hits do passado e do presente etc.), e procurava também atingir um nicho de mercado até então pouquíssimo ou nada explorado pelas “majors” do setor fonográfico. Aqui, saliente-se a presença de José Angel Robles Ramalho, argentino de Córdoba que se radicou no Brasil e adotou o pseudônimo de Lucas Robles. Ele fez versões de músicas do espanhol para o português, e vice-versa, para artistas como Vanessa da Mata, Zezé di Camargo e Luciano, Wando, Julio Iglésias, Trio Los Angeles (que aliás descobriu), etc., e passou por várias outras gravadoras como produtor de discos (hoje é dono de sua própria gravadora, a LR Music). Além de coordenar os trabalhos de gravação deste disco, Lucas também canta dois clássicos indiscutíveis da canção popular latina: “Gracias a la vida”, obra-prima da chilena Violeta Parra, e “Guantanamera”, originária de Cuba (o título refere-se à mulher nascida e/ou residente na cidade cubana de Guantánamo), com direito a poema declamado pelo próprio Robles. No repertório constam ainda, entre outras, “El humahuaqueño” (que ficou conhecida no Brasil graças a um registro do “rei” Roberto Carlos), com o grupo Ñancahuasu, que também executa “Alma llanera” (música originária da Venezuela, feita em 1914 e hoje considerada o segundo hino nacional daquele país), o clássico brasileiro “Asa branca”, de Gonzagão e Humberto Teixeira, aqui em ótima execução do grupo Los Inkamaru, e três faixas gravadas no México, devidamente cedidas por uma gravadora local: “Tierra humeda” (Amparo Ochoa), “Canto por la raza” (de e com Gabino Palomares) e “La maldición di Malinche” (Los Folkloristas). O lendário compositor Atahualpa Yupanqui aqui comparece com duas faixas autorais: “Los ejes de mi carreta”, com Buenos Aires 2, e o clássico “Los hermanos”, na interpretação de Tono Baz. Este ainda nos oferece “Si vas para Chile” e o Buenos Aires 2 ainda interpreta “Canción con todos”. Tudo isso compõe o programa de mais este álbum que nos oferece expressivas páginas da música popular latino-americana, e por certo irá agradar em cheio os que apreciam o gênero, além de surpreender agradavelmente quem ainda não conhece as páginas aqui incluídas. É ir para o GTM, baixar e conferir…
*Texto de Samuel Machado Filho
Vários – Viva Argentina (1979)
Prosseguindo o “ciclo latino-americano” do TM, oferecemos hoje a nossos amigos cultos, ocultos e associados uma compilação reunindo o melhor do melhor em matéria de música argentina. Quando se fala na música produzida pelos nossos “hermanos”, a primeira coisa que vem à cabeça de muitos é o tango. É claro que nem só de tango vivem os argentinos, pois trata-se de música urbana, nascida em Buenos Aires e restrita à capital portenha. Quem se der ao trabalho de percorrer o interior do país, por certo ficará surpreso ao deparar com manifestações musicais populares das mais diversas, singelas, contundentes e repletas de garra, sempre marcadas pelo amor à terra e ao homem argentino. Pois foi justamente com o objetivo de traçar um painel da música popular e folclórica da Argentina, que a Bandeirantes Discos, selo fonográfico de curta existência, ligado à rede de televisão de mesmo nome, lançou, em 1979, esta primorosa coletânea, com masters cedidos por três gravadoras portenhas e duas “majors”, a Polygram e a EMI, que hoje, ironicamente, são uma só, a Universal Music. Com o título de “Viva Argentina”, este disco reúne compositores e intérpretes consagrados, como Atahualpa Yupanqui (que canta sua “El alazán” e assina “Camino del índio”), Ariel Ramirez (“Alfonsina y el mar”) e Mercedes Sosa (“Cuando tienga la tierra”), além de apresentar outros nomes expressivos da música portenha, até então inéditos no Brasil. É o caso do Cuarteto Zupay (que interpreta “Camino del índio”, de Yupanqui), do quenista Uña Ramos (que interpreta “Mi linda humahuaqueña”, Jaime Torres (“Ireme pues’) e Jorge Cumbo, pesquisador e recriador do folclore argentino (aqui interpretando “Felices dias”). São músicas de vários gêneros populares argentinos: o zamba, a canción, a cueca, o ballecito, a cacharpaya etc. As letras dessas canções, sejam elas de cunho amoroso ou social, possuem algo em comum: a sensibilidade, seja índia ou “criolla”, abrangendo a paixão pelo pampa, suas colinas e cavalos (‘Mi alazán”, “La tropilla”), o culto à tradição e aos ancestrais (“Camino del índio”) e o clamor por liberdade e justiça social (“Cuando tienga la tierra”, “Chacarera al aire”, “No sé porque piensas tu”). Ou seja, este “Viva Argentina”, como informa a contracapa, “é um vigoroso testemunho da cultura popular, da essência e do caráter do povo argentino”, autêntica joia que o TM nos oferece hoje. É ir ao GTM e baixar, sem falta!
*Texto de Samuel Machado Filho
Silvio Rodríguez & Pablo Milanés – Cuba Nueva Trova (1978)
Buenos dias, hermanos cultos e ocultos! Pelo visto, completaremos o ciclo de uma década saudando não apenas a música brasileira, mas também a música feita pelos nosso irmãos latinos. Quando me propus criar este blog, pensei também em guardar um espaço para a música latinoamericana e também as de língua portuguesa, afinal essa é a produção musical que ainda merece ser revistada, visto que nos dias atuais são apenas subprodutos o que encontramos facilmente por aí. Assim, seguiremos pelos próximos dias, trazendo esse leque de variedades musicais latino americanas.
Hoje temos a presença de Pablo Milanés e Silvio Rodrigues, dois grandes nomes da música cubana, ou ainda, da ‘nueva trova cubana’. Artistas de destaque internacional surgidos após a revolução cubana. Se tornaram conhecidos internacionalmente graças ao movimento musical surgido nos anos 70, conhecido como Nueva Trova Cubana, assim como foi no Chile com o movimento Nueva Canción, que se espalhou por toda America Latina, com ecos também na Espanha. Para a nossa surpresa, Silvio e Pablo se desentenderam a partir dos anos 80 por questões políticas e ao que contam passaram a trocar farpas a ponto de não se falarem mais. Pablo vive em Miami e Silvio em Havana.
Neste lp, que só agora percebo que está com a capa trocada, temos ao invés de 12, 17 músicas, sendo que essas, em sua maioria não tem nada a ver com o outro. O que temos aqui é então uma coletânea, para a qual usaram a mesma capa original de 1978. Por conta disso, exclui a contracapa, que já é da versão 85, lançada no Uruguai. Por enquanto, deixo as coisas como estão. Logo que eu tiver o disco nas mãos prometo repor um novo link, ok?
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Elvira Rios – Noche De Ronda (1957)
Confesso que tive uma certa dúvida, ao receber este disco para resenhar, se poderia ou não fazê-lo (antes de saber que teríamos uma semana temática, dedicada a música latinoamericana). A maioria esmagadora dos álbuns postados pelo nosso TM é de produção exclusivamente brasileira, e este aqui foi gravado no México. Mas, como diz o ditado, “toda regra tem sua exceção”. Portanto, aqui vai hoje, para nossos amigos cultos, ocultos e associados, um álbum de Elvira Rios, primeira cantora mexicana a obter sucesso internacional na era de ouro dos boleros românticos, lançado em 1957 pela RCA Victor. Foi lá mesmo na cidade do México, a capital do país, que María Elvira Gallegos Rios veio ao mundo, no dia 16 de novembro de 1913. Desde muito cedo, ela manifestou o vivo desejo de ser cantora. Assim, bem jovem, e sem receio algum, apresentou-se para um teste perante o poderoso Emílio Azcarraga, diretor da Rádio XEW (um dos embriões do poderoso conglomerado Televisa). Devidamente aprovada e contratada, ali apresentou-se durante um ano e meio em três programas diários de 15 minutos cada. Em 1937, apareceu pela primeira vez no cinema, cantando no filme mexicano “Esos hombres!”. Manuel Riachi, então assistente de Arthur Hornlow Jr., dos estúdios Paramount, de Hollywood, gostou da voz de Elvira e a indicou a ele, o que possibilitou a Elvira sua primeira aparição como atriz, no filme “Feitiço do trópico (Tropic holiday)”, de 1938, estrelado por Ray Milland e Dorothy Lamour. Em seguida, Elvira apresentou-se na casa noturna La Martinique, de Nova York, conquistando o público com sua voz grave, quente, sincera e dramática, e sua figura misteriosa e desesperadamente romântica, ressaltada por seu tipo de índia. No início de 1939, apresentou-se no luxuoso Miami-Biltimiros, e, ao voltar para Nova York, fez suas primeiras gravações, para a Decca, que marcaram época e ainda hoje são bastante apreciadas, com arranjos de José Morand e Nuno Morales. Em Hollywood, participou ainda dos filmes “No tempo das diligências (Stagecoach)”, “Cupid rides the range” e “A verdadeira glória (The real glory”), os três de 1939. Ao voltar para o seu México, em gozo de merecidas férias, Elvira teve a satisfação de ser precedida pelos ecos de seus sucessos alcançados nos EUA, um mercado artístico sempre difícil, em especial para os latinos. E sua carreira de grande estrela da canção latino-americana prosseguiu por vários países. Na Argentina, filmou “Vem! Meu coração te chama” (1942) e “Tango vuelve a Paris” (1948). Em seu México de origem, atuou ainda no filme “Murallas de pasión” (1942). É claro que Elvira também ficou bastante conhecida aqui no Brasil, onde foi atração no Cassino da Urca e, na década de 1950, chegou a gravar um LP de dez polegadas na Musidisc, uma das pioneiras do vinil em território tupiniquim. Elvira Rios faleceu em seu México natal no dia 13 de janeiro de 1987, aos 73 anos de idade. Entretanto, sempre terá o carinho daqueles que não entendem a vida sem o romantismo, mesmo que para sofrer as consequências do amor feito de desencontros. Sendo assim, é digna merecedora da postagem de hoje do TM, com este “Noche de ronda”. A faixa-título e de abertura tem sido creditada a Maria Tereza Lara, irmã de Agustin Lara, mas na verdade é dele próprio, que a registrou em nome da “hermana”. Ao longo das catorze faixas, acompanhada pela orquestra de Chucho Zarzosa, Elvira nos traz um repertório com belas páginas da música popular latino-americana, compostas por nomes do quilate de Maria Grever (“Ya no me quieres”), Gonzalo Curiel (“Me aguerdo de ti”, “Calla tristeza”, “Noche de luna”), Mário Clavel (“Mi carta”, “Desencuentro”) e Consuelo Velasquez (“Franqueza”). E, de Agustin Lara, ela ainda interpreta “Santa” e “Janitzio”. Em suma, este disco é um prato cheio para os fãs da melhor música romântica latino-americana, oferecida pela inesquecível Elvira Rios em brilhantes interpretações. Para ouvir e sonhar…
*Texto de Samuel Machado Filho
Astor Piazzola – Mundial 78 (1978)
Como por certo já sabem nossos amigos, cultos e associados, o Toque Musical completa, em 30 de julho próximo, dez anos de existência. Uma longa e expressiva trajetória na qual, inúmeros tesouros raros da era do vinil, principalmente de música brasileira, foram resgatados, para alegria e satisfação de muitos colecionadores. E decidimos comemorar apresentando vários álbuns de música popular latino-americana, principalmente de países da América do Sul, o continente em que está o nosso Brasil. Para começar, apresentamos um disco gravado pelo notável bandoneonista Astor Piazzolla, também considerado o mais importante compositor de tangos da segunda metade do século XX. Foi no balneário argentino de Mar del Plata que Astor Pantaleón Piazzolla veio ao mundo, no dia 11 de março de 1921, filho dos italianos Vicente Piazzolla e Assunta Manetti. Aos quatro anos, mudou-se com a família para Nova York, EUA, em busca de melhores condições de vida. Em seu período norte-americano, tornou-se fluente em espanhol, inglês, italiano e francês, e começou a se interessar pela música. Em 1929, ganhou de seu pai o primeiro bandoneón, e, em 1933, começou a estudar piano com o húngaro Bela Wilde, discípulo de Sergei Rachmaninoff. Foi em Nova York que o jovem Astor conheceu nada mais nada menos que Carlos Gardel, quando esteve na cidade para filmar “El dia que me quieras”, e atuou nessa película como um garoto entregador de jornais. Quando jovem, Astor tocou e fez orquestrações para o bandoneonista, compositor e maestro Aníbal Troillo, além de estudar teoria harmônica e contraponto tradicional com a compositora, educadora e maestrina Nadia Boulanger. Ao regressar de Nova York, Piazzolla já mostrava forte influência do jazz em sua música, estabelecendo então uma nova linguagem, seguida até hoje. Ironicamente, quando começou a fazer inovações no ritmo, no timbre e na harmonia do tango, foi muito criticado por antigos tocadores do gênero, mais ortodoxos, que bradavam que sua música não era tango de fato. A eles, Piazzolla respondia que era música contemporânea de Buenos Aires, que seus seguidores e apreciadores consideravam de fato a cara da metrópole argentina. Deixou uma vasta e prolífica discografia, tendo gravado com nomes do porte de Gary Burton, Gerry Mulligan, o violinista Fernando Suarez Paz e o nosso mestre Tom Jobim. Entre seus mais destacados parceiros na Argentina, estão a cantora Amelita Baltar, o poeta Horacio Ferrer e o escritor Jorge Luís Borges. “Balada para um loco”, “Adiós, Nonino” (que fez quando seu pai faleceu, em 1959, e tem mais de 170 gravações) e “Libertango”, esta última constantemente executada por diversas orquestras em todo o mundo. Em 1973, algumas de suas composições foram aproveitadas no filme “Toda nudez será castigada”, de Arnaldo Jabor, o que valeu a Piazzolla uma menção especial do júri, como melhor trilha, no Festival de Gramado daquele ano. Seu currículo, aliás, registra também apresentações públicas no Brasil, EUA, Itália, França e, claro, na Argentina. Astor Piazzolla faleceu em sua Argentina natal, mais precisamente em Buenos Aires, em 4 de julho de 1992, aos 71 anos. Seus restos mortais estão sepultados no cemitério Jardin de Paz, em Pilar, ao norte da província de Buenos Aires, e, desde 2008, o Aeroporto Internacional de Mar del Plata, sua cidade natal, possui o nome de Astor Piazzolla. De sua vastíssima discografia, o TM foi buscar “Mundial 78”, gravado na marca italiana Carosello em 1978, por ocasião da Copa do Mundo de Futebol realizada na Argentina, e editado no Brasil pela RGE-Fermata, com o selo Pick. Por sinal vencida pela representação da casa, depois de uma polêmica semifinal em que goleou o Peru por seis a zero (os jogadores peruanos teriam recebido suborno para perder a partida e, assim, tirar do jogo final o Brasil, que acabou com o mesmo numero de pontos da Argentina mas ficou inferiorizado no saldo de gols, tendo de se contentar com o terceiro lugar, obtido em partida contra a Itália). Polêmicas à parte, o fato é que este disco (que trazia de brinde até mesmo a tabela da Copa 78) é muito bem produzido, confirmando a genialidade de mestre Piazzolla. São oito faixas, mostrando diferentes situações do futebol, como a faixa-título e de abertura, “Golazo” “Marcación”, “Córner” (o mesmo que escanteio) e, finalmente, “Campeón”. Um grande álbum que seguramente é um dos pontos altos da discografia de Astor Piazzolla, para sempre um ícone do tango e da música popular mundial. É só conferir…
*Texto de Samuel Machado Filho
Bravo – Trilha Sonora Original (1975)
Muito bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Ao longo de todo este mês, sempre que possível, estarei aqui lembrando que estamos completando 10 anos de atividades. Acredito que o Toque Musical seja talvez o blog musical mais antigo ainda em atividade. e histórias são o que não faltam… muita água rolou e continua rolando. Não teremos nenhuma festa, nem faremos atividades extras comemorativas, mas dentro do possível vamos presenteando os amigos. Nos próximos dias estaremos apresentando aqui alguns discos que não são de brasileiros, mas sim, como já fizemos antes, uma semana dedicada à música latino-americana. Tenho aqui uma série de discos, presentes que ganhei do meu amigo Fáres e penso que o momento é esse… Deixo as resenhas para o amigo Samuca, que sempre nos brilha com muita informação.
Hoje, vamos com a trilha sonora da novela Bravo, realizada em 1975. Tempo bom para a música brasileira, tempo bom para as trilhas da Globo. Nessa época, música e artistas eram coisas de primeira, bem se vê pela seleção escalada para musicar a novela. Só artistas de primeira. Música boa para um tempo bom. Não deixem de conferir
The Fevers – A Juventude Manda Vol. II (1967)
Boa tarde, amiguíssimos cultos e ocultos! Estamos entrando no mês de aniversário do Toque Musical. No penúltimo dia de julho, dia 30, completamos 10 anos de atividades. Ao que parece, o TM é hoje o mais antigo blog musical em atividade. Confesso que já estou um pouco cansado de tudo isso, mas com a pequena grande ajuda dos meus amigos, em especial o Samuca, vamos tocando o barco…
Hoje eu trago um lp dos Fevers (The Fevers),”A Juventude Manda”, volume 2, lançado pela Odeon, através do selo London, em 1967. Este foi o segundo lp gravado pelo grupo, que até então se limitava ao som instrumental. Uma sequência do disco gravado em 66 com todas aquelas músicas que eram sucessos da Jovem Guarda, muitas até executadas pelos próprios músicos do conjunto, em gravações e principalmente por conta de serem os músicos de base de Roberto, Erasmo, Wanderléia e todos no programa da Jovem Guarda.
Deo Lopes – Voar (1981)
Com o prazer e a satisfação de sempre, o TM traz de volta, em repost, para seus amigos cultos, ocultos e associados, o primeiro álbum do sempre notável Déo Lopes, “Voar”, de 1981. Anteriormente, oferecemos este disco junto com outro expressivo trabalho dele, “Certos caminhos”, que gravou três anos depois, e que já havia sido apresentado pelo TM em separado, exatamente o que fazemos agora com “Voar”. Déo Lopes nasceu em 1952, na cidade de Santo Antônio da Alegria, cidade paulista da região de Ribeirão Preto, na divisa com Minas Gerais, e desde 1994 reside no Vale do Paraíba, também no estado de São Paulo. Profissionalmente, iniciou-se em 1980, na capital bandeirante, apresentando-se em teatros como o Lira Paulistana, o Sesc Pompeia e o Tuquinha. Percorreu (e percorre até hoje) quase todo o Brasil (Minas, interior e litoral de São Paulo, Bahia, Maranhão, etc.) divulgando seu trabalho, suas composições, e aprendendo com muitos bons músicos de todas essas regiões. Como bem conceituou o amigo Augusto, Déo Lopes “é um músico com muitas paradas, assimilando um pouco de cada lugar por onde passa”. Tem uma discografia que abrange seis álbuns, entre LPs e CDs, inclusive três que também já foram oferecidos pelo nosso TM: “Canticorda” (com o violonista argentino Juan Falú, 1982), “Relação natural” (1988) e “Noite cheia de estrelas” (1993). Fundou, em 1998, um grupo de música regional, o Trem da Viração, com quem possui outros dois álbuns lançados, produziu concertos e discos de outros artistas, e tem participado da criação e desenvolvimento de inúmeros projetos culturais, tanto na música (em especial o fomento da música regional) quanto em outras artes. Em suas composições, Déo Lopes busca o que sempre acreditou: seus anseios, suas crenças, seu pensamento sobre a ecologia e o meio-ambiente, sobre o sentimento do amor, no sentido do entendimento, do encontro e do desencontro. Com todo este respeitável currículo de artista e incentivador cultural, Déo Lopes bem merece a nossa repostagem de hoje. “Voar”, seu primeiro álbum, lançado em meio ao “boom” de discos independentes produzidos nessa época (1981), é o começo de tudo, o pontapé inicial de uma carreira promissora, sempre apresentado um trabalho musical de assimilação bem natural e extremamente agradável. O curioso é que a capa teve duas versões, uma em preto e branco, conforme o desenho original, e a outra em azul e branco, mudança esta que foi solicitada pelo próprio Déo Lopes. São doze faixas, nove delas feitas por ele mesmo com parceiros, e apenas como letrista. É um dos melhores álbuns independentes surgidos nessa época, e dele participam, entre outros, os irmãos Dante e Ná Ozzetti, no coro e na percussão. Portanto, é digno merecedor de um “vale a pena postar de novo”! Agora, é ir direto para o GTM e desfrutar dessa autêntica preciosidade!
*Texto de Samuel Machado Filho
Sivuca – Forró E Frevo Vol. 2 (1982)
Olá amigos cultos e ocultos! O TM desacelera mas não para. Já não temos mais o gás de outrora, porém continuamos e hoje somos uma tradição.
Hoje eu trago para vocês o grande Sivuca em um lp muito bem apropriado para a ocasião, ou seja, o mês de junho e as festas juninas, “Forró e Frevo Vol. 2”, Finalmente, completamos assim a ‘trilogia’. Já havíamos postado aqui os volumes 1 e 3. Agora fechamos a série. Custou mais apareceu…
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Assando Milho – As Melhores Musicas Para Quadrinha (1981)
Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não dizerem que o São João passou em branco por aqui, eu hoje vou trazendo um disquinho ótimo para a festa. Embora já estejamos no fim de temporada, ainda cabe um festejo.
LP lançado pelo selo Cid, em 1981. Conforme indica, este é o segundo volume. Na capa não traz nenhuma informação sobre quem toca. Mas aqui isso pouco importa, pois o disco tem antes de tudo a função de oferecer a festa Junina, ou Festa de São João. Como o título mesmo indica, as melhores músicas para quadrilha. Boa festa a todos!
Leo Peracchi – Musikantiga (1975)
Os apreciadores da melhor música erudita ou clássica têm um prato cheio neste álbum que o TM oferece no dia de hoje. E não só eles, mas também todos os nossos amigos cultos, ocultos e associados. Estudos médicos têm comprovado, inclusive, que ouvir música clássica faz um bem danado pra nossa saúde… Aqueles que, em criança, assistiam a desenhos animados na televisão (caso deste vosso resenhista), reconhecem alguns temas clássicos ou eruditos assim que os ouvem. Os “cartoons” de Tom e Jerry, do Pernalonga e do Pica-Pau, por exemplo, estavam recheados de páginas da música clássica, assinadas por “cobras” do gênero. Portanto, foi com muita felicidade que a extinta Copacabana , selo AMC/Beverly, então sob a direção artística de Paulo Rocco, por certo um dos mais expressivos dirigentes que a indústria fonográfica brasileira já teve, decidiu lançar, em 1975, este “Musikantiga”, reunindo 14 dos mais expressivos temas clássicos de todos os tempos. Peças como a “Serenata”, de Haydn, a “Pastoral” de Cavalli, o “Hino de Ofeu”, de Peri, e a superconhecida “Jesus, alegria dos homens”, de Bach, ganham execuções bastante expressivas, com arranjos e regências a cargo de outro “cobra”: Léo Peracchi. Nascido em São Paulo, a 30 de setembro de 1911, Peracchi foi, incontestavelmente, um dos mais destacados orquestradores de nossa música popular, e seu estilo caracterizava-se pelo equilíbrio conferido aos instrumentos de palheta, metais e cordas, que manejava com extrema competência. Sua gloriosa carreira profissional começa em 1936, como pianista e maestro na Rádio Kosmos (hoje América), atuando depois em outros prefixos do rádio paulistano, como a Bandeirantes e a Educadora. Em 1941, Peracchi ingressa na lendária PRE-8, Rádio Nacional do Rio de Janeiro, então disputando audiência com a Mayrink Veiga e a Cruzeiro do Sul, participando de vários programas como orquestrador, regente e compositor, entre eles, “A canção antiga”, “Rádio-almanaque Kolynos”, “A canção da lembrança” e“Paisagens de Portugal”. Também na Nacional, criou, juntamente, com Haroldo Barbosa e José Mauro, o programa “Dona música”, que apresentava melodias de todas as partes do mundo. Participou ainda do célebre “Festival GE”, programa da Nacional patrocinado pela General Electric, no qual ele dirigia uma orquestra sinfônica organizada pela emissora da Praça Mauá, reunindo os maiores músicos da época, e que permaneceu cerca de dez anos no ar. Léo Peracchi ainda tem a seu crédito arranjos e regências para gravações de grandes nomes da MPB, como Orlando Silva, Trio Irakitan, Dorival Caymmi , Sylvia Telles etc. E, evidentemente, também gravou seus próprios álbuns como regente de orquestra, sobretudo na Musidisc (da qual foi diretor musical nos anos 1950) e na Odeon, tais como “Música de champanhe”, “Sambas e violinos” e “Canções de Tom e Jobim”. Léo Peracchi faleceu no Rio, em 16 de janeiro de 1993, aos 81 anos de idade. E sua extensa folha de bons serviços prestados à música, aliada à ótima qualidade técnica e artística, faz deste “Musikantiga” um trabalho digno de ser ouvido e apreciado pelos amigos do TM. Confiram…
*Texto de Samuel Machado Filho
Paulinho Pedra Azul – Papagaio De Papel (1990)
Quem apreciou o primeiro álbum de Paulinho Pedra Azul, “Jardim de infância”, lançado em 1982 e já oferecido pelo TM, por certo pediu mais. Portanto, é com muita satisfação que hoje oferecemos, a nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais um trabalho deste notável artista mineiro, talento múltiplo (cantor, compositor, poeta, artista plástico, escritor…), e perfeito em tudo que faz. Trata-se de “Papagaio de papel”, cronologicamente seu quinto álbum de carreira, editado em 1990, em esquema de produção independente. O título deste disco é o mesmo da faixa de abertura, composta por Sthel Nogueira, que também assina a faixa “Cantiga pro Gabriel”. E corresponde ainda a uma reminiscência da infância do artista, em sua Pedra Azul natal. Lá, um médico, apelidado de Doutor Moita, construía, e com extrema perfeição, belos papagaios gigantes e coloridos. Paulinho e seus amigos, então crianças, ficavam ao redor do Doutor Moita, esperando o momento de o papagaio subir ao céu. Tais pipas tinham um tamanho tão grande que eram necessárias cinco pessoas para segurá-las! Algumas horas depois de o papagaio subir, o Doutor Moita cortava a linha. Aí, o Paulinho e seus amigos (mais de trinta crianças) saíam correndo à procura da pipa, e andavam cerca de dez ou quinze quilômetros, até encontrá-la. E voltavam felizes para casa, maravilhados por trazer o papagaio de volta… Das nove faixas deste disco, o próprio Paulinho assina cinco: “Naiara” (parceria com João Evangelista), a instrumental “Uma canção pra Godofredo”, “Pro teu coração”, “Cristalina’ e “Vagas expressões”. Completam este trabalho composições da dupla Gonzaga Medeiros-Foka (“Sorriso menino”) e de Nilci Martins (“Vagas expressões”). Perfeito em tudo, artística e tecnicamente, este é mais um álbum que confirma todo o talento que existe em Paulinho Pedra Azul, a ponto de ser, e com justiça, o segundo cantor mais conhecido de Minas Gerais, perdendo apenas para Mílton Nascimento, o carioca que se criou em Três Pontas. É ouvir e conferir!
*Texto de Samuel Machado Filho