Cesar Mariano & Cia. – São Paulo Brasil (1977)

Boa tarde, meus prezados amigos cultos e ocultos! Hoje, logo cedo, escutei uma música vinda de um dos apartamentos do prédio onde moro. Estava alto o som e eu só não fui lá reclamar porque a música era boa, um instrumental que eu logo identifiquei. Era o Cesar Camargo Mariano. Peraí, pensei comigo, eu tenho esse disco! Achei até que já o tivesse postado no blog, mas verifiquei que não. Taí uma boa hora para fazê-lo. É um dos discos de música instrumental que eu mais gosto. É ousado, competente e de altíssima qualidade. Para mim, se iguala ou supera aos melhores do ‘fusion’ internacional. Quer dizer, ‘fusion’ no sentido mais amplo do termo. Foi o segundo disco solo de Cesar Mariano, ou Cesar Camargo Mariano. Um trabalho inspiradíssimo que projeta em nossas mentes as diversas facetas de Sampa. Uma homenagem e tanto! Mas este disco não seria o que é se não tivesse o Cesar Camargo acompanhado pelas feras, Crispim Del Cistia, Natan Marques, Wilson Gomes e Eduardo Portes. Os caras juntos formam uma química muito boa.

O certo é que eu fui procurar o lp na estante, onde esperava encontrá-lo. Qual o quê… nada de achá-lo. Verifiquei várias vezes toda a estante pensando que estivesse fora de ordem. Necas! Devo tê-lo perdido ou vendido, pois empréstimo é coisa que eu não faço, hehehe… Só pra um ou dois amigos muito chegados, que também me emprestam seus discos 🙂
Só de raiva, resolvi então postar a versão cd, que por incrível que pareça está tão boa quanto o vinil. Esta postagem foi mais por honra da firma do que propriamente pela necessidade manter acesa uma boa chama. É bom ver estampado aqui no Toque Musical este discão 😉 Quem, por acaso não conhece, faça me o favor… vai logo conferir!
metrópole
estação do norte
fábrica
poluição
imigrantes
metrô
litoral
futebol de bar

The Jungle Cats (1967)

Olhaí, na sequência, resolvi postar este compacto, que é outra raridade e muito bem cotado no Mercado Livre, acho até que vou vender o meu. DESAPEGA!!!

Temos aqui o The Jungle Cats, um dos grupos de ‘iê iê iê’ (como se dizia na época) mais expressivos no rock dos anos 60 aqui em Belo Horizonte. Um grupo pioneiro na cena jovem musical da cidade que teve a chance de gravar seu primeiro disco através do selo mineiro, Paladium. Me lembro bem deste disquinho rodando direto na casa dos meus primos, que não muito por acaso eram amigos do pessoal da banda. Todo mundo morava na Floresta, um bairro tradicional de Belô.
Este compacto eu o coloquei como sendo de 1967, considerando as informações que tenho sobre a produção da Paladium. Na contracapa do disquinho já aparece o nome Bemol como gravadora e isso foi lá pelos ‘meios fins’ dos anos 60. Acho que nem vou falar nada sobre os ‘gatos selvagens’ da Floresta. Vou direcionar a postagem para o texto do Fernando Rosa, o Senhor F. Leiam , muito legal 🙂
sapato novo
vai

Capitão Aza E Martinha – Compacto (1970)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Tem épocas em que eu esqueço a máxima deste blog, que é ‘ouvir com outros olhos’. Criei o Toque Musical no intuito não só de mostrar raridades da música brasileria, como também tudo aquilo relacionado à áudiotapes, fonogramas e curiosidades desse nosso universo sonoro. É certo que eu tenho muito mais discos de música do que propriamente essas tais curiosidades, mas é sempre bom lembrar, até porque eu quero mais é que apareçam essas gravações por aqui. Adoro receber aquelas ‘sobras de estúdio’, de gravações caseiras, ‘bootlegs’, fitas K-7, demos e etc… Quem tiver aí algo que considere relevante, não se acanhe, envie aqui para o nosso TM, ok?

Hoje eu farei da seguinte maneira, vou iniciar postando um compacto. Se ao longo do dia eu tiver tempo, irei postando outros. Separei aqui alguns disquinhos que me dão uma saudade danada, coisas que fizeram parte da minha infância ou serviram de trilha para muitos momentos bons da minha vida. Começo com este do Capitão Aza. Coisa mais curiosa, lá em casa tinha este disquinho, o qual eu, meus primos e amigos custumávamos a ouvir. A gente conhecia o tal Capitão Aza apenas pelo disco, só bem mais tarde é que viemos a saber que aquilo era parte de um seriado de televisão, que por acaso, não era transmitido na minha cidade. Mesmo assim a gente gostava de fantasiar e cantar o “ABC” e “Sideral”, as duas músicas do disco. Aquilo era legal. Acho que eu só vim mesmo a assistir o programa lá por volta de 74, quando então já era colorido.
“Capitão Aza” foi um programa infantil, surgido nos anos 60, no auge da ditadura. O nome era uma homenagem à um antigo aviador brasileiro, herói da FAB, que lutou na Segunda Guerra Mundial, o capitão aviador Adalberto Azambuja, conhecido com “Aza”, entre seus colegas. Quem encarnava o personagem era o ator (e policial civil) Wilson Viana. No programa eram apresentados aqueles desenhos que hoje são verdadeiros clássicos, mas havia também uma preocupação por parte dos produtores em trazer naquele divertimento um conceito de formação moral às crianças, tendenciosamente militar. O programa durou mais de uma década, sempre fazendo muito sucesso e cheio de atrações.
Este compacto, creio eu, já era da segunda fase, anos 70, talvez 1970, quando então o Capitão Aza tem como assitente mirim a garotinha loira chamada Martinha. Não sei bem ao certo, mas existem outros discos, até lps do CA. Neste diquinho, a produção é de Durval Ferreira, que também é co-autor das duas músicas. “Sideral” é uma parceiria com Tibério Gaspar.
Estou vendo aqui na rede que este compacto se tornou objeto de desejo de muitos fãs. Tem gente pagando bem para tê-lo nas mãos. Acho que vou anunciar o meu no Mercado Livre, quem sabe… Aliás, estou mesmo para fazer isso, juntar um monte de discos raros e colocá-los à venda. Quem gosta, fique ligado. Mais do que dinheiro, o que anda me faltando é espaço. Dizem que tudo aquilo que a gente guarda sem usar por mais de um ano é porque já não nos faz falta. Tô precisando entrar esse ano naquela do, DESAPEGA!!!
abc
sideral

Luiz Loy Quinteto – Interpreta Chico Buarque De Hollanda (1967)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Ontem a noite eu estive ouvindo algumas coisas do Luiz Loy e confesso, com uma atenção que me fez perceber o quanto eu desconhecia o talento deste artista. Acho que, na verdade, eu nunca havia parado para escutar dele um disco inteiro. Ontem ouvi dois, o álbum de 1966 e este, que apresento aqui, de 1967. Muito legal, gostei demais… A escolha pelo do Chico Buarque foi apenas porque o mesmo já não está mais acessível em outros blogs.

Taí um disquinho bacana, músicos de primeira! Luiz Loy comanda a turma formada por Papudinho (José Lídio Cordeiro), pistom; Mazzola (Renato Menconi), saxofone; Bandeira (João Roberto Martins Bandeira), contrabaixo, e Zinho (José Rafael Daloia), bateria. O quinteto neste álbum interpreta a música do jovem Chico Buarque, que na época despontava como um já grande compositor. Chico também escreve o texto da contracapa. É mesmo interessante notar, este foi o primeiro disco instrumental de músicas do Chico. Não sei se o lp alcançou uma boa vendagem, mas com certeza deve ter sido muito bem aceito por aqueles que o adquiriram. Eu tô adorando 🙂

quem te viu e quem te vê
noite dos mascarados
será que a cristina volta?
olê olá
você não ouviu
madalena foi pro mar
a banda
a rita
amanhã, ninguém sabe
sonho de um carnaval
meu refrão
tem mais samba

Raul De Barros, Ruy Rey, Risadinha E Roberto Ferri – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)

Amigos cultos e ocultos do Toque Musical, espero que vocês tenham tido uma excelente passagem de ano. E é com muita alegria que lhes apresentamos a sexta edição do Grand Record Brasil, a primeira deste novo ano de 2012. Para começar, aqui está um músico que foi também chefe de orquestra: Roberto Ferri. Junto com o pai, Orlando Ferri, ele animava bailes por todo o Estado de São Paulo, apoiado por músicos bastante qualificados e experientes. O disco desse notável músico escolhido para esta seleção foi o Odeon 13327, gravado no dia 29 de maio de 1952 e chegado às lojas em setembro seguinte. Ferri, atuando ao solovox (instrumento considerado o primeiro sintetizador monofônico da história da música) e apoiado por regional, executa no lado A, matriz 9325, dois clássicos do inesquecível poeta do mar da Bahia, Dorival Caymmi: ”A jangada voltou só” e “É doce morrer no mar” (esta última é uma parceria com o escritor, também baiano, Jorge Amado, que às vezes, como aqui, era omitido nos selos dos discos). No lado B, matriz 9324, por conseguinte gravada antes, Ferri executa o choro “Levanta poeira”, do mestre de Santa Rita do Passa Quatro, Zequinha de Abreu (1880-1935), editado como “chorinho sapeca”, e cuja primeira gravação só se deu em 1942, na Victor, pela Orquestra do maestro Passos. Em seguida, iremos relembrar Domingos Zeminian, que ganhou a imortalidade com o pseudônimo de Ruy Rey (São Paulo, 1915-Rio de Janeiro, 1995). Ator, cantor, compositor e “band-leader”, especializou-se na interpretação de ritmos hispânico-americanos (bolero, rumba, mambo, guaracha, chá-chá-chá, etc.). E também era de carnaval (quem não se lembra, por exemplo, da marchinha “A mulata é a tal”?). Tanto que o disco apresentado aqui é o Continental 15974, gravado em outubro de 1948 e lançado em janeiro de 49, claro, um mês antes da folia, com duas marchinhas. Com acompanhamento da Orquestra Tabajara de Severino Araújo, ele interpreta no lado A, matriz 1978, gravado no dia 8, “Espanhola diferente”, composta por Nássara, autor de inúmeros êxitos carnavalescos, e pelo alagoano Peterpan, que no gênero também nos deu hits como “Apanhador de papel” e “Marcha do caracol”. No lado B, gravado no dia 6, portanto dois dias antes, matriz 1974, temos “Legionário”, de João “Braguinha” de Barro, outro nome que muito contribuiu para engrandecer nosso repertório carnavalesco, em parceria com José Maria de Abreu, paulista de Jacareí, que concebeu vários hits clássicos de nosso cancioneiro, bastando lembrar “Alguém como tu”, “E tome polca”, “Se amar é bom” e “Boa noite, amor”, o prefixo pessoal de Francisco Alves. Aliás o carnaval de 1949 foi um dos mais ricos em termos musicais, bastando lembrar, por exemplo, “Chiquita bacana”, “Pedreiro Valdemar”, “Jacarepaguá”, “A Lapa”, “Nêga maluca”, “A coroa do rei”, “Balzaqueana”… A seguir, um mestre do trombone: Raul de Machado de Barros (Rio de Janeiro, 1915-Itaboraí, RJ, 2009). Músico e maestro dos mais notáveis, ele aqui executa dois choros à frente de seu regional, gravados na Odeon em 15 de junho de 1949 e lançados em setembro seguinte no disco 12948. No lado A, matriz 8521, temos “Eu, hein!”, de autoria de Felisberto Martins, à época também diretor artístico da Odeon. E o lado B, matriz 8520, é simplesmente um dos clássicos do chamado “repertório de gafieira”: “Na Glória”, composto pelo próprio Raul em parceria com Ary dos Santos. Um sucesso inesquecível, por ele regravado em outras oportunidades com a mesma competência. Até eu estava esperando para ter este registro original em minha coleção, tenho que confessar! Encerrando, temos Francisco Ferraz Neto, aliás, Risadinha (São Paulo, 1921-Rio de Janeiro, 1976), que evidentemente ganhou esse apelido por seu temperamento alegre. Ele marcou presença sobretudo no carnaval, com hits do porte de “O doutor não gosta” e “Se eu errei”. Risadinha aqui comparece com o disco Odeon 13599, gravado logo no comecinho de 1954 (4 de janeiro) e ido para as lojas em março seguinte. Acompanhado de regional, ele regravou dois sucessos: no lado A, matriz 10017, o rojão (espécie de baião mais acelerado) “Forró em Limoeiro”, de Edgar Ferreira, lançado no final do ano anterior por Jackson do Pandeiro em seu primeiro disco. No lado B, matriz 10018, um clássico do samba: “Se acaso você chegasse”, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, primeiro sucesso nacional de Lupi, originalmente lançado em 1938 pelo também estreante Ciro Monteiro. Samba esse que receberia inúmeros outros registros de sucesso, e que projetaria, em 1959, Elza Soares. Enfim, o GRB começa o ano novo com o pé direito, e faço votos que todos tenham um ótimo 2012, repleto de alegrias, realizações e conquistas!

*SAMUEL MACHADO FILHO


Agostinho Dos Santos E Yansã Quarteto (1967)

Muito bom dia e ano a todos os amigos cultos e ocultos! Começamos aqui o ano de 2012 com a esperança de continuar levando um pouco mais dessa luz, que é a música popular brasileira, que FOI a produção fonográfica brasileira e que é a parte mais rica da nossa história musical. Começo batendo na mesma tecla, lembrando o quanto o desinteresse de muitos e o oportunismo de poucos levaram a produção fonográfica brasileira ao sucateamento, ao desmantelamento e consequentemente ao esquecimento. Volto a afirmar o quanto anarquismo ‘cibernético’, ‘digital’ ou qualquer outro nome que vocês queiram dar, favoreceu à retomada e resgate do que foi levado embora ou se perdeu na música popular do Brasil ao longo das três últimas décadas. O surgimento de blogs como o Toque Musical, principalmente no Brasil, foi de suma importância, mesmo sendo visto com um grito marginal ou criminoso. Digo isso porque o Brasil foi um dos maiores produtores de discos no mundo! A melhor música popular do mundo está aqui! Aliás, como dizia o Aloysio de Oliveira, está aqui, em Cuba e nos Estados Unidos. A brasileira, para mim, é a melhor porque traz em si elementos genuínos e também os da música cubana e americana. Não é por acaso que todos querem e amam esse produto nacional. Observem que tudo que de bom neste nosso país acaba sendo adquirido e usufruído pelos de fora. Vejam o nosso café, o nosso ouro, a nossa mata… é tudo deles! Daí fica a pergunta, quem vendeu o Brasil? Resumidamente eu diria que foram os burros, os ingênuos encantados com espelhinhos brilhantes trazidos de fora, gente sem visão, sem coração, mas com muita fome de grana! Continuo mantendo a teoria da conspiração fonográfica, ‘trama do esfacelamento da produção fonográfica nacional’, do seu verdadeiro roubo, que tanto prejudicou grande parte dos artistas brasileiros e principalmente o acesso do nosso povo. A MPB deveria ser considerada um patrimônio cultural imaterial brasileiro, se é que isso é possível. É claro que sabemos o quanto é difícil, num país como no nosso, tentar gerenciar toda essa produção, que começa desde de quando o primeiro disco foi gravado por aqui. Não temos o mesmo poder dos americanos, europeus e japoneses, que sempre souberam valorizar seus produtos (e os nossos, claro!). Faltou-nos educação e investimento na cultura em geral. Faltou empenho por parte daqueles que estiveram sempre no poder. Agora, quando temos a oportunidade de rever isso, de mudar um pouco esse quadro, enfrentamos barreiras, que em outras palavras é o mesmo que dizer, estamos comprando de volta e pagando caro por aquilo que vendemos a preço de banana. Um disco, por exemplo, como muitos postados aqui, vocês só tiveram a oportunidade de conhecê-lo porque alguém, como eu, se deu ao trabalho de trazer de volta, de compartilhar e fazê-lo ser ouvido novamente. Podemos observar também que a maior quantidade de blogs que compartilham músicas, se concentram no Brasil e isso, eu creio que não é apenas porque não existe aqui de fato uma lei reguladora, com punições severas. A verdade é que ainda vale a pena manter o ‘anarquismo’ em prol do sucateamento, do resto do tesouro perdido pelas gravadoras, mas guardado com carinho nos lares brasileiros. À medida em que vamos soltando nossos discos, esses vão sendo novamente incorporados à lista de direitos autorais exclusivos. Como um termômetro, se alcança um bom nível de interesse e procura, logo nos será censurado e talvez relançado a preço de dólar. Diante à cruz ou à caldeirinha, melhor é continuarmos pondo nossos discos para rodar. A gente vai pagar mais caro por um cd ou uma faixa no iTunes, mas pelo menos vamos ter certeza de que a nossa música foi preservada, mesmo não tendo mais direito algum sobre ela.

E por falar em bater na mesma tecla, em discos raros e coisa e tal… Eu inicio o ano com este disco que é uma pérola negra. Um álbum realmente muito raro, tanto assim que até hoje nem em outros blogs vocês irão encontrar. Temos aqui o ‘lendário’ lp gravado pelo cantor Agostinho dos Santos acompanhado pelo Yansã Quarteto, um grupo instrumental pernambucano, berço primeiro do percussionista Naná Vasconcelos. Este álbum foi lançado em 1967 pela fábrica de discos pernambucana Rozenblit, através de seu selo Tecla. Trata-se na verdade de fonogramas lançados em três discos – EPs de sete polegadas – um formato diferente e raro com três furos (nem me perguntem, pois eu nunca vi um). Essas gravações foram feitas em Portugal (tá explicado), quando por um feliz acaso do destino, o Yansã Quarteto se encontrou em Lisboa com o Agostinho, que por lá passava suas férias. Contam que Agostinho já conhecia Naná Vasconcelos dos programas da TV Jornal, de Recife, quando o cantor se fez acompanhado várias vezes pelo percussionista nessas apresentações. Em Lisboa, Agostinho e o quarteto, se juntaram para diversas apresentações e as gravações, que se extenderam até em Angola. Este álbum, que eu saiba, nunca chegou a ser relançado. Quem sabe agora, ao verem ele todo lindão aqui? 🙂 Se virar REPOST, podem ter certeza, dentro em breve será relançado no mercado (internacional).
Não deixem de conferir… 😉
vem ouvir o mar
vem chegando a madrugada
tristeza
brisa
mona ami zeca
carnaval iolo buá
em luanda saudade de luanda
mulata é noite
a banda
canção triste
outra vez
aprende a viver

Tomaz Lima – Homem De Bem – Mantras Indianos (1989)

Que venha 2012!
Com último toque do ano, fica aqui a minha mensagem para todos os amigos cultos e ocultos. Que seja um ano mais iluminado e que esta luz possa clarear os caminhos de trevas os quais muitas vezes somos obrigados a percorrer. Que ilumine nossas ideias, nossos sentimentos de amor e fraternidade. O homem só vai ser de todo feliz quando souber compartilhar a sua felicidade.
Desejo a todos um ótimo ano, como muita saúde, paz e amor. O de resto virá como consequência!
Para fechar de vez nossas postagens, estou trazendo aqui algo para se ouvir com outros olhos, ouvidos e mente – mantras indianos para tocar logo que o ano novo nascer. Isso fará muito bem, podem acreditar!
Este disco foi lançado no final dos anos 80 pelo cantor, compositor, musicoterapeuta Tomaz Lima, também conhecido pelo nome artístico de “Homem de Bem”. Neste seu primeiro trabalho fonográfico, apoiado por uma grande gravadora, a RCA, ele conseguiu se projetar na mídia, levando à um público mais amplo o conceito musical dos mantras indianos. Acredito que tenha sido a primeira vez no Brasil que este tipo de música ganhou mais destaque e evidência. Mantra é uma espécie oração cantada, com sons repetitivos, que segundo os indianos, ajuda o homem a se energizar, trazendo-lhe a calma e o conforto, do corpo e do espírito. É algo bem mais complexo para se dizer em poucas palavras (embora sejam com poucas palavras que os mantras surtem efeitos). A mensagem do Homem de Bem é essa, a busca espiritual humana.
Tomaz Lima é também editor da Lótus do Saber e TTL Gravadora, uma das mais interessantes editoras brasileira dedicada a promover os milenares ensinamentos da filosofia indiana e seus correlatos orientais. No site da editora vocês irão encontrar muita coisa legal en termos de livros e discos lançados por eles.
Para fechar, vai aqui uma frase muito interessante do Tomaz Lima, que cai como uma luva num ambiente como este nosso: “Todos nós sabemos da importância do que comemos. Precisamos agora despertar para a importância do que ouvimos.”

madana morhana murari
baja shri krishna
hari om tat sat
bolo hare
maha mantra
shiva shankara
govinda jaya jaya
hare krishna hare rama
gopala
shri rama
om assatomá


Jacob Do Bandolim – Primas E Bordões (1962)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu ando mesmo perdendo a noção do tempo. Eu estava certo de que hoje era o último dia do ano, nem me toquei que ainda era dia 30. Já ia eu me preparando para levar a turma aqui de casa para ver os fogos na rua. Não fosse eles me avisarem, eu agora já estaria vestindo minha paramenta branca, tradicional de reveillon. Não sei se foi culpa do chocolate ou dos remédios que tenho tomado para dor. Depois que se passa dos 40, o bicho pega. Quando chega nos 50 é que então a gente percebe que o bicho tá na cola. Se não ficar esperto, ele come… A merda da coisa é quando a mente tá num pique dos vinte e poucos e o corpo acompanhado a realidade. Mas deve ser pior quando a mente também sucumbiu ao tempo. Sem essa, tô fora! Tô me sentindo agora muito melhor, sabendo que ainda tenho mais um dia no ano. Quer dizer, fiquei um dia mais novo, hehehe…

Eu havia planejado postar este disco do Jacob do Bandolim no primeiro dia do ano. E hoje, tivesse permanecido no engano, estaria aqui postando os meus votos de ‘feliz ano novo’. Vamos então passar o Jacob para o penúltimo dia do ano. Com certeza só irá abrilhantar nosso encerramento.
Eis aqui um belíssimo álbum, lançado em 1962, pela RCA Victor. Por certo, um lp bem conhecido de todos, divulgado em diversos blogs e sempre comentado quando o assunto é Jacob do Bandolim. Foi também relançado em 2006, no formato cd, pelo Instituto Jacob do Bandolim, dentro do livro “Tocando com Jacob”, onde foram publicadas as partituras, com transcrições para outros instrumentos e ainda os ‘play back’, de “Primas e Bordões” e “Chorinhos e Chorões”, para que se possa tocar, na base do ‘karaokê’ instrumental.
“Primas e Bordões” traz um belíssimo repertório de chôros e duas valsinhas, que hoje já se tornaram clássicos. Nem vou comentar. Mas vale destacar a presença dos músicos Benedicto César, Carlos Leite e Dino 7 Cordas, nos violões; Jonas Pereira da Silva, no cavaquinho; Luiz Marinho, no contrabaixo; o percussionista Pedro Santos (Sorongo) e os ritmistas Gilberto D’Avila, Plínio e Jaime, que fazem o som do Jacob ficar ainda mais rico. Uma beleza de disco que não poderia faltar aqui no Toque Musical. Confira aqui e corra depois atrás do livro/cd, que é ótimo!
teu beijo
falta-me você
araponga
minha gente
meu chorinho
glória
um bandolim na escola
naquele tempo
a gingra do mané
gorgulho
negrinha
o vôo da mosca

Billy Eckstine – Momento Brasileiro (1979)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Acabei por não postar mais um disco do Anisio Silva. Eu havia (quase) prometido mais um para hoje, com capa do César Villela, mas não rolou porque o disco que eu queria postar, embora tivesse todo o jeitão do ‘lay-out’ do César, não era da fase Odeon e como não havia créditos para esse disco, achei melhor deixá-lo para o ano que vem (tá logo ali…). Por consequência, decidi mudar o foco. Teremos hoje um artista internacional, Billy Eckstine.
Para os que não conhecem, Billy Eckstine foi um cantor, trompetista e ‘bandleader’ americano. Seu auge foi na época das ‘big bands’. Tocou com as mais diversas feras do jazz. Por sua orquestra passaram grandes nomes como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Charlie Parker e Art Blakey. Passada a fase das ‘big bands’, Billy se dedicou exclusivamente à carreira de cantor. Tornou-se um cantor romântico, um tanto comercial, diga-se de passagem, mas sempre encantando com sua voz de assombração (no bom sentido, claro!) Uma assombração afinadíssima! hehehe…
Em 1979, Aloysio de Oliveira, convida Billy, seu velho conhecido, para gravar alguns temas famosos da música brasileira. Claro que a coisa aqui rola em torno da Bossa Nova, principalmente porque além do produtor, o arranjador e regente era Oscar Castro Neves. Este disco foi gravado na California (EUA), em janeiro de 1979 e contou com uma equipe muito boa de músicos, quase todos americanos. Como já foi observado por tantos, os arranjos de Oscar Castro Neves deram o tempero certo para a interpretação de magistral Billy. “Cidade maravilhosa” ficou ainda mais maravilhosa e quase irreconhecível, vestida de jazz. Em abril do mesmo ano, Aloysio trouxe os ‘masters’ para o Brasil, finalizando as mixagens com a inclusão de uma orquestra de cordas, gravando no Studio Sigla, Rio de Janeiro. Ficou, realmente, um trabalho exemplar. Um disco super gostoso de ouvir, principalmente numa festa de fim de ano 😉
Uma curiosidade… as capas sempre me chamam muito a atenção. Esta então nem se fala… Se tamparem com o dedo a área do bigode do ‘homi’, fica parecendo uma senhora, principalmente tendo ainda o colarzinho de pérolas, quase gargantilha, que ele leva no pescoço. Ah, esses americanos e suas bizarrices… Só para finalizar, observem que há também um outro colar, certamente de ouro, trazendo como pingente uma lâmina de fazer barba, tipo Gillette. Hum…, sei não… Esses americanos… hehehe…
cidade maravilhosa
i apologize
quiet nights (corcovado)
where or when
dindi
dora
dreamer (vivo sonhando)
you and i (voce e eu)
how insensitive (insensatez)

Anisio Silva – Canta Para Você (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Felizmente, nesta última semana do ano, eu estou de folga, graças à Deus! Quero aproveitar o momento para colocar a ‘casa’ em dia, atender às pendências e preparar tudo para 2012. Continuaremos firme, enquanto pudermos resistir!

Hoje e mais uma vez eu quero trazer aqui outro disco do Anisio Silva, com capa assinada pelo César Villela. Taí um disco que venderia só pela capa, um estilo inconfundível que fez do Villela o melhor artista de capas do Brasil (pelo menos, eu acho).
Uma curiosidade que me chamou a atenção foi perceber o quanto o Anisio Silva, nessa época e neste disco se parece com o guitarrista e compositor mineiro Affonsinho (tocou no Hanoi Hanoi). Reparem bem, tirando o bigodinho é uma a cara do outro, hehehe…
Agora, falando do disco, temos aqui o baiano em um dos seus melhores trabalhos pela Odeon. desta vez acompanhado pelas orquestras dos maestros Astor, Gaya e Arcy Barbosa. Disco lançado em 1959, traz as tradicionais doze faixas, onde predominam os boleros, alguns inclusive, de sua própria autoria, como o sucesso “Onde estás agora”. Não deixem de conferir!
Se mais tarde eu ainda estiver animado, darei outro toque com Anísio Silva (e César Villela, claro!).
pressentimento
desilusão
onde estás agora
destino
desencanto
incompreendida
quero beijar-te as mãos
vai
palavras cruéis
devolva-me
tu, somente tu
não digo o nome

Anisio Silva – Com Oswaldo Borba E Sua Orquestra (1960)

Boa tarde/noite, amigos cultos e ocultos! Com este horário de verão a gente as vezes fica meio perdido… E por falar nisso, em estar perdido, eu hoje estou meio assim. Resolvi então fazer uma graça e atender aos pedidos de uma meia dúzia, que já a algum tempo vem me pedindo os discos do Anisio Silva. Sinceramente, devo confessar, o Anisio Silva é um daqueles artistas que eu nunca dei muita bola. Do pouco que conheço, sempre achei meio brega e mais ainda, a voz dele, sempre me pareceu brejeira e oscilante. Posso estar aqui falando bobagem, mas é o que eu penso. Por outro lado, uma coisa que sempre me chamou a atenção, foram as capas dos seus discos, mais exatamente as da fase na Odeon. Tem cada uma ótima, tanto em beleza quanto em curiosidades. Vejamos, por exemplo esta do disco gravado por ele e acompanhamento da orquestra do maestro Oswaldo Borba. Vejam que bela composição fotográfica, que resultado final bacana no ‘lay-out’. Pois é, só podia ser mesmo coisa do César Villela. E a fotografia, que com certeza foi feita numa 6×6, é de um tal Pierre (seria o Verger?). Vemos aqui um trabalho de arte gráfica de primeira linha. Para um estrangeiro, ao deparar com essa capa e à primeira vista, há de pensar que se trata de um músico de jazz. A arte tem todas essas características e consequentemente, tudo a ver com o grande Villela.

Bom, mas falando também do recheio, o disco em si, temos aqui uma seleção musical onde predominam os boleros. O Anisio Silva era um mestre nesse assunto e como poucos, talvez o único cantor romântico popular a vender milhares de discos, numa época em que a música brasileira estava sendo reformulada pela Bossa Nova. Anisio foi sempre um artista de sucesso, mas na minha opinião, acho que como cantor ele era um ótimo compositor. Porém, contudo e todavia, não deixo de reconhecer o seu talento e muito do seu repertório. Olhando e ouvindo a coisa com outros olhos, percebo que meu ranço está mesmo em sua interpretação, que certamente agrada a unanimidade. Por isso, quem sou eu frente a todos, prefiro não provocar… Melhor ainda, vamos ouvir… escutem daí que eu vejo de cá, estamos combinados? hehehe…
tu has de voltar
o mal da gente
meu amanhã
porque voltei
abra a porta por favor
há na saudade um segredo
tente sorrir
amar
noite e dia
nasci para te adorar
ausência
quero estar contigo

Januário De Oliveira, Quinteto Instrumental Columbia, Sirlene Brandão Nery – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 5 (2011)

Em sua quinta edição, o Grand Record Brazil nos leva ao início das atividades da gravadora Columbia. Na verdade, a Columbia, firma de origem americana, era representada, nessa época, pela empresa Byington & Cia., e tal concessão só foi possível graças ao empenho do também americano Wallace Downey, mais tarde produtor de filmes musicais para a Cinédia. Desta fase, oGRB nos apresenta seis raríssimas gravações. A primeira é do disco 5108, matriz 380338 (repare que nessa época, o número de catálogo dos discos Columbia era seguido da letra B, em ambos os lados, e este na verdade é o lado A), lançado em outubro de 1929, apresentando a valsa “Piraporinha”, de Alberto Candelízio, executada pelo Quinteto Instrumental Columbia. Esse disco seria relançado mais tarde, em 1939, com o número 55053. No verso, matriz 380339, temos a “Valsinha sertaneja”, de autor desconhecido. Em seguida, um disco de Januário de Oliveira (Rio de Janeiro, 1902-São Paulo, 1963). Sua discografia é quase toda na Columbia, com passagens pela Victor e Arte-Fone, num total de 59 discos com 103 músicas, entre elas a marchinhacarnavalesca “Quebra, quebra, gabiroba” , o motivo folclórico “Engenho novo” e a valsa “Cauã”, esta última de Sinhô. Januário aqui comparece com o disco 5208, e dois sambas. De um lado, matriz 380659, “Falsa jura”, de Pedro de Sá Pereira, também autor da clássica modinha “Chuá,chuá”. No verso, matriz 380660, “Macumbeiro”, composição de Mílton Amaral, autor também da célebre valsa “Folhas ao vento”. No acompanhamento, a Jazz-Band Columbia, liderada pelo maestro e pianista Gaó (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Foi lançado emjunho de 1930. Para encerrar, temos um raríssimo disco gravado por Silene Brandão Nery, filha da pianista Amélia Brandão Nery, mais conhecida por Tia Amélia. Ela só gravou dois 78 rpm para o carnaval de 1932, lançados bem em cima da folia, em fevereiro: um pela Victor e este pelaColumbia, todos interpretando composições da “mãezona” Tia Amélia. Aqui ela interpreta de um lado, matriz 381155, a marchinha “Não vá”, e no verso, matriz 381156, o samba “Reticências…”. Em ambos os lados, ela é acompanhada pela orquestra do maestro palestino Simon Bountman, que gravava na Odeon como Grupo Cassino Copacabana, Orquestra Pan American e OrquestraCopacabana. Na Parlophon, subsidiária da Odeon, gravava com o nome de Orquestra Parlophon(é claro), e na Columbia como “Simão e sua Orquestra Columbia”. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra… Enfim, mais três preciosidades para colecionadores que o GRB nos apresenta. Os irmãos Byington continuaram representando a Columbia americana até 1943, quando perderam a concessão da mesma para a Odeon, e isso levou o então diretor artístico da gravadora, João “Braguinha” de Barro, a criar um novo selo: Continental. E a matriz americana voltou ao Brasil, desta vez por conta própria, em 1953, transformando-se depois na CBS e convertendo-se na atual Sony Music.


macumbeiro – januário de oliveira e jazz band columbia
falsa jura – januário de oliveira e jazz band columbia
valsinha sertaneja – quinteto instrumental columbia
piraporinha – quinteto instrumental columbia
não vá – silene brandão nery
reticências – silene brandão nery

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Januário De Oliveira, Quinteto Instrumental Columbia, Sirlene Brandão Nery – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 5 (2011)

Em sua quinta edição, o Grand Record Brazil nos leva ao início das atividades da gravadora Columbia. Na verdade, a Columbia, firma de origem americana, era representada, nessa época, pela empresa Byington & Cia., e tal concessão só foi possível graças ao empenho do também americano Wallace Downey, mais tarde produtor de filmes musicais para a Cinédia. Desta fase, oGRB nos apresenta seis raríssimas gravações. A primeira é do disco 5108, matriz 380338 (repare que nessa época, o número de catálogo dos discos Columbia era seguido da letra B, em ambos os lados, e este na verdade é o lado A), lançado em outubro de 1929, apresentando a valsa “Piraporinha”, de Alberto Candelízio, executada pelo Quinteto Instrumental Columbia. Esse disco seria relançado mais tarde, em 1939, com o número 55053. No verso, matriz 380339, temos a “Valsinha sertaneja”, de autor desconhecido. Em seguida, um disco de Januário de Oliveira (Rio de Janeiro, 1902-São Paulo, 1963). Sua discografia é quase toda na Columbia, com passagens pela Victor e Arte-Fone, num total de 59 discos com 103 músicas, entre elas a marchinhacarnavalesca “Quebra, quebra, gabiroba” , o motivo folclórico “Engenho novo” e a valsa “Cauã”, esta última de Sinhô. Januário aqui comparece com o disco 5208, e dois sambas. De um lado, matriz 380659, “Falsa jura”, de Pedro de Sá Pereira, também autor da clássica modinha “Chuá,chuá”. No verso, matriz 380660, “Macumbeiro”, composição de Mílton Amaral, autor também da célebre valsa “Folhas ao vento”. No acompanhamento, a Jazz-Band Columbia, liderada pelo maestro e pianista Gaó (Odmar Amaral Gurgel, 1909-1994), paulista de Salto. Foi lançado emjunho de 1930. Para encerrar, temos um raríssimo disco gravado por Silene Brandão Nery, filha da pianista Amélia Brandão Nery, mais conhecida por Tia Amélia. Ela só gravou dois 78 rpm para o carnaval de 1932, lançados bem em cima da folia, em fevereiro: um pela Victor e este pelaColumbia, todos interpretando composições da “mãezona” Tia Amélia. Aqui ela interpreta de um lado, matriz 381155, a marchinha “Não vá”, e no verso, matriz 381156, o samba “Reticências…”. Em ambos os lados, ela é acompanhada pela orquestra do maestro palestino Simon Bountman, que gravava na Odeon como Grupo Cassino Copacabana, Orquestra Pan American e OrquestraCopacabana. Na Parlophon, subsidiária da Odeon, gravava com o nome de Orquestra Parlophon(é claro), e na Columbia como “Simão e sua Orquestra Columbia”. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra… Enfim, mais três preciosidades para colecionadores que o GRB nos apresenta. Os irmãos Byington continuaram representando a Columbia americana até 1943, quando perderam a concessão da mesma para a Odeon, e isso levou o então diretor artístico da gravadora, João “Braguinha” de Barro, a criar um novo selo: Continental. E a matriz americana voltou ao Brasil, desta vez por conta própria, em 1953, transformando-se depois na CBS e convertendo-se na atual Sony Music.

 
macumbeiro – januário de oliveira e jazz band columbia
falsa jura – januário de oliveira e jazz band columbia
valsinha sertaneja – quinteto instrumental columbia
piraporinha – quinteto instrumental columbia
não vá – silene brandão nery
reticências – silene brandão nery
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO
 

Robledo – No Claridge (1957)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Espero que vocês tenham tido uma ótima noite de natal. Espero também que o Papai Noel tenha sido mais generoso para vocês do que tem sido comigo nos últimos anos. Se bem que eu neste ano não estou podendo reclamar muito não. Apesar dos pesares que me cercam, este Natal não foi melancólico ou triste. Está passando tranquilo, sem alto ou baixo astral. Para melhorar, estamos tendo por aqui um belo dia de sol, coisa rara, normalmente, o 25 de dezembro é só chuva. Diante ao céu azul que está lá fora, me fazendo esquecer qualquer tristeza, eu vou deixando de lado os cânticos natalinos para voltar às raridades que fazem da ‘casa’ um dos melhores pontos para quem escuta música com outros olhos. Vamos logo com essa postagem, pois a tarde está me chamando para umas voltas de bicicleta 😉

Tenho para esse domingo de natal um disco que vai bem como trilha. Um fundo musical da melhor qualidade para se passar o resto do dia, por exemplo, curtindo aquela garrafa de vinho que sobrou da ceia de ontem (acho que farei o mesmo após voltar das minhas pedaladas).
Vamos com este álbum raríssimo, o segundo LP lançado pela RGE, em 1957! Encontramos aqui o pianista argentino Robledo e seu conjunto, um dos mais requisitados e conhecidos da noite paulista nos anos 50. Curiosamente, hoje em dia, quase nada se fala dele, pelo menos aqui na rede. Foi difícil encontrar informações. Mas juntando daqui e dalí, fui descobrir que Robledo (Antonio Rogelio Robledo) veio de Córdoba para o Brasil na década de 40. Tocou em diversas casas noturnas, principalmente em boates de grande hotéis da época, como o Claridge. Fizeram parte de seu conjunto nomes como Caco Velho, Toninho Pinheiro, Sabá, Bolão, Ed Maciel e outras feras, que hoje, também, são pouco lembradas. Neste álbum, de 1957, que eu acredito ter sido o seu segundo lp, vamos encontrar um repertório aos moldes do que ele apresentava no Hotel Claridge. Ou seja, samba e jazz, dois elementos que irão de imediato nos remeter à Bossa Nova, que ainda estava por vir, em 59. Taí, um excelente disco, mais um presente de Natal 😉
robledeando
tédio
yes sir, that’s my baby
conceição
lullaby of birdland
molambo
carioquinha
these are thing – want to share with you
maracangalha
ave maria
coração triste
favela

Côro Infantil do Club dos Garotos G9 – O Natal Já Vem…

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Guardei para hoje, noite de natal, este raríssimo álbum natalino, em 78 rpm. Eis um disco dos mais interessantes, que só podia mesmo aparecer aqui no nosso Toque Musical. Este disco, o qual eu não consegui localizar a data de lançamento, traz duas peculiaridades que fazem dele um disco singular e até mesmo histórico. Começamos pela capa, que na verdade, na época dos 78 rpm não tinha outra função a não ser a de proteger, ou, embalar a bolacha. Aqui ela também é feita para isso, mas foi talvez uma das primeiras a apresentar uma arte ilustrativa, com um conceito gráfico agregado. Eu suponho que este disco seja do final dos anos 50, muito embora a ilustração nos remeta aos anos 30 ou início dos 40. Outro diferencial neste disco é a quantidade de faixas. Normalmente, os discos de 78 rpm mais comuns, apresentavam apenas duas músicas, uma de um lado, outra do outro. Neste, ao contrário, temos oito, como passou a ser nos primeiros microsulcos de 33 rpm e dez polegadas. Pode talvez parecer impossível em 78 rotações e em um disco de 10 polegadas, conseguirem colocar mais que duas músicas. Acontece que isso é apenas uma questão de divisão do espaço e tempo. Ou seja, num espaço onde cabe uma música de até 4 minutos, pode-se por 4 de um minuto. Foi o que sucedeu… Pela numeração do selo, SE 001, fica claro que este foi o primeiro disco de uma Série Especial. Foi, talvez, um disco experimental e para tanto, nada melhor que uma produção especial, um disco de natal.

Temos assim, oito temas natalinos adaptados em cantigas de roda, com versos de Luiza Margarida e interpretação do Côro Infantil do Club dos Garotos G-9, sob a regência de Zita Martins. Esses nomes entram no texto mais por definição de créditos. Infelizmente eu não encontrei nenhuma informação sobre eles ou mesmo sobre o disco. Fica o assunto em aberto para complementos e comentários.
Finalizando, quero mais uma vez desejar a todos uma noite feliz de natal. Que seja hoje o nosso momento de maior reflexão sobre o verdadeiro sentido dessa natividade. É o momento onde podemos perceber melhor a nossa condição individual de fragmento… Do fragmento divino! Somos parte Dele 🙂 Quando nos unimos, nos encontramos e estamos juntos, podemos sentir melhor a Sua presença. Nesta noite de natal, procure não ficar sozinho, mesmo não tendo, fisicamente ao seu lado qualquer outro ser vivo. Quem tem consciência dessa condição, de fragmento, mesmo afastado consegue pela força do coração se agrupar e dar forma ao “Corpo Divino”. Putz, comecei a divagar… deve ser o chocolate… bolo de chocolate (uauuuu…)
FELIZ NATAL A TODOS!
o natal já vem…
o cravo
vamos maninha
o pastorzinho
nesta rua
lá no cimo
ciranda cirandinha
mal ninguém me quer

Feliz Natal – Vários (1978)

Na sequência, aqui vai mais um para encher o saco do bom velhinho, hehehe… Desta vez temos um álbum lançado em 1978 pelo selo Phonodisc. Uma coletânea de fonogramas natalinos com diferentes artistas da Continental. São, naturalmente, os sempre mesmos temas clássicos de Natal. Porém, vale a pena ouvir diferentes versões e interpretações, não é mesmo?

Confiram aí, porque eu aqui já vou dormir 🙂
feliz natal – waldomiro lemcke e walter forster
jingle bells – poly
o velhinho – papi galan
noites silenciosas – poly
boas festas – poly
natal das crianças – papi galan
sonho de natal – josé leão
natal de minha terra – francisco petronio
pinheirinho agreste – poly
adeste fidelis – papi galan
trenéo de papai noel – poly
jingle bells – os incríveis
sinos de amor – the bells
fim de ano – papi galan

Orquestra Esquena De Natal – Noite Feliz De Natal (196?)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem eu acabei furando com vocês. Foi uma das poucas vezes em que eu fiquei sem ‘bater o ponto’. Realmente, ontem não deu, nem para marcar o dia. Não pensei que eu fosse ficar assim tão atarefado nesses dias, embora estejamos próximos de natal e ano novo. De qualquer forma, acho que está tudo bem. Pelo visto, ninguém notou a minha ausência e por certo minha presença nessa hora é mesmo irrelevante. Mas tenho certeza que em breve isso muda.

Hoje vou postando o disco que seria de ontem e se ainda me sobrar tempo, teremos outro. Uma overdose de temas natalinos para ninguém botar defeito. Temos assim, este álbum, o qual eu não consegui localizar a data de lançamento, mas tudo indica ter sido no início dos anos 60. Trata-se de um lançamento pelo obscuro selo Esquema. Na contracapa podemos ler que os temas musicais são interpretados pela Orquestra Esquema de Natal. Pelo nome, deve ser uma orquestra formada por músicos da gravadora, que eu também não faço a menor ideia de quem sejam. Ao contrário do que aparenta – mais um disquinho bobo de natal – este traz um repertório da melhor qualidade, com temas autênticos e muito bem apresentados, sendo duas músicas para cada faixa. A Orquestra Esquema de Natal me surpreendeu e vai agradar a vocês também. Confiram esta “Noite Feliz de Natal” 🙂
noite feliz – anjos da terra
boas festas – alegria dos sinos
o velhinho – natal, paz e amor
natal das crianças – voltam os sinos a repicar
é natal – menino operário
white christmas – é noite de natal
jingle bells – flores de noel
natal de jesus – meu presente
mensagem de natal – papai noel há de vir
natal sem você – minha canção
silver bells – noites de dezembro
o tannembaum – estrela guia

Orquestra Ribeiro Bastos – Matinais Do Natal – Padre José Maria Xavier (1979)

Boa noite, amigos! Como ontem, hoje estou repetindo a mesma façanha, inicio a postagem do dia já no fim da noite. Inclusive, o disco de hoje deveria ter sido postado logo pela manhã, afinal, são as “Matinais do Natal do Padre José Maria Xavier. Mas não houve mesmo jeito, melhor guardar para a amanhã, bem cedinho vocês poderão ouvir 🙂

As Matinais do Natal do Padre José Maria Xavier são executadas a cada ano, em são João Del Rei, Minas Gerais, pelas duas antigas corporações musicais da cidade. Não se realizando mais o ofício de Matinais, os responsórios são tocados em diferentes momentos das missas, durante todo o período natalino.
Quem executa as obras musicais é a tradicional Orquestra Ribeiro Bastos, formada por músicos amadores de São João Del Rei. Este foi o segundo disco gravado por eles. É uma importante contribuição, como um documento musicológico, registrando rigorasamente a maneira como essas Matinais do Natal são executadas agora, dentro da linha interpretativa do passado, em São João Del Rei.
invitatorio
responsório I
responsório II
responsório III
responsório IV
responsório V
responsório VI
responsório VII
responsório VIII

Francis Chapelet – Natal Em Mariana (1986)

Boa noite, amigos cultos e ocutos! Tenho apenas dez minutos para salvar o dia. Hoje, tudo foi muito corrido, só agora estou tendo aquela brecha. E antes que ela se feche, aqui vai o disco de hoje. No clima de natal, para ninguém reclamar 🙂

O nosso álbum traz um registro do som do raríssimo orgão Arp Schnitger, da Catedral da Sé Mariana, cidade história mineira, bem próxima de Belo Horizonte. O lp nos apresenta um momento especial, quando este antigo orgão volta à cena, restaurado e pronto para cumprir sua missão, levar música àquela cidade e ao mundo (que for lá ver, claro). Pois bem, temos aqui o Concerto de Natal de Mariana. O Orgão Arp Schnitger é tocado por um mestre organista, o francês Francis Chapelet. Em 1984 o orgão foi totalmente recuperado, voltando a ser uma das grandes atrações de Mariana. O orgão esteve ativo na igreja desde a sua aquisição, em 1752, sendo tocado ininteruptamente até 1937. Só voltou a ser ouvido em 1984 e em 86 fizeram esta gravação, bem próxima do Natal. Os temas aqui apresentados são obras musicais do século XV a XVII. Este álbum foi uma produção independente, produzido pela Fundação Cultural da Arquidiocese de Mariana.
Eu acredito que no álbum havia um encarte dando informações mais completas, infelizmente, este eu não tenho. Não bem por conta disso, mas pela minha total ignorância musical, no que diz respeito à música clássica e erudita. Vergonhosamente, eu assumo que não soube separar as faixas deste disco. Assim, vai por inteiro, lado A e lado B.
louis claude d’aquin (1694-1772) – noel em sol
anônimo séc. XVI – villancico “jesu cristo, hombre y dios”
anônimo séc. XVI – villancico “de la virgen que parió”
johann sebastian bach – “do alto do céu venho eu”
johann sebastian bach – “este dia tão cheio de alegria”
samuel scheidt (1587-1654) – “ah, tu,belo cavaleiro
anônimos europeus dos séculos XV a XVII
jan pieterszoon sweelinck – variações sobre a canção “minha jovem vida terá um fim”
jan pieterszoon sweelinck – variações sobre a canção “sob as verdes tílias

Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Especial De Natal (2011)

É Natal, e a quarta edição do Grand Record Brazil, como não poderia deixar de ser, entra nesse clima de festa e fraternidade, apresentando mais uma seleção de raríssimas gravações.

Para começar, temos o “cantor que dispensa adjetivos”, Carlos Galhardo. Ele apresenta aqui justamente a música que inaugurou o gênero “musica natalina” entre nós: “Boas festas”, composta pelo baiano Assis Valente. Só que aqui, trata-se da segunda gravação da música, feita na Victor em 21 de novembro de 1941, matriz S-052428, sob número de disco 34865-A. O registro original data de 1933, com acompanhamento dos Diabos do Céu de Pixinguinha (aqui é com a orquestra do maestro Passos) e foi justamente com esta música que Galhardo se projetou nacionalmente. Foram vendidas tantas cópias do disco original que a matriz de cera ficou gasta de tanta prensagem, e isso fez com que Galhardo registrasse a música novamente em 1941, o que faria em outras oportunidades. No lado B, matriz S-052429, uma música então inédita: “Sonho de Natal”, outra marchinha, de autoria de Sanches de Andrade. Detalhe intrigante: registra-se como mês de lançamento desse disco o de janeiro de 1942, já perto do carnaval! Dá pra entender? Enfim… Galhardo encerra sua participação nesta edição natalina do GRB com a singela canção “Feliz Natal”, escrita por Peterpan (José Fernandes de Paula, Maceió, AL, 1911-Rio de Janeiro, 1983) e pelo jornalista e poeta Giuseppe Artidoro Ghiaroni (Paraíba do Sul, RJ, 1919-Rio de Janeiro, 2008), que trabalhou na Rádio Nacional (onde escreveu “Mãe”, uma das novelas de maior sucesso da emissora da Praça Mauá, que foi até levada ao cinema) e também assessorou Chico Anysio na TV Globo, quando este fazia a clássica “Escolinha do Professor Raimundo”. Galhardo gravou a música na RCA Victor de sempre em 4 de agosto de 1950, matriz S-092728, com lançamento em outubro (por aí se vê que antecedência nesses casos sempre foi fundamental), com o número 80-0697-A. Há também um registro posterior de Emilinha Borba, cantora da qual Peterpan era cunhado, feito um ano depois deste original de Galhardo, e a “favorita da Marinha” cantava a música todo santo Natal em suas apresentações na Nacional. Outra autêntica raridade é o disco da Continental com o número 15947, gravado em 20 de agosto de 1948 e lançado entre outubro e dezembro do mesmo ano. No lado A, matriz 10936-2, o coro Continental, dirigido por Alberto W. Ream, interpreta “Ó pinheirinho de Natal”, versão de Nice do Val para a canção “Tannenbaum”, de origem alemã, cuja versão mais conhecida foi escrita em 1824 pelo organista, professor e compositor Ernst Anschutz. A melodia é de origem folclórica, e sua primeira letra conhecida data de 1550. No lado B, matriz 10937-2, o próprio Alberto W. Ream interpreta a canção “Ó noite santa”, do compositor e crítico musical francês Adolphe Charles Adam (1803-1856), sem indicação do autor da versão. Alberto W. Ream foi missionário metodista, fundador da Escola de Música Sacra do Colégio Bennett e também ministro de música da Union Church (RJ), professor, compositor e escritor, autor de várias obras sobre música sacra.
Em seguida, “o rouxinol do Brasil”, Dalva de Oliveira, comparece com um disco gravado em 1952, nos estúdios londrinos da EMI, durante sua vitoriosa temporada pela Europa, com acompanhamento orquestral, regência e piano de Roberto Inglez, que apesar do nome era escocês de Elgin (seu nome era Robert Inglis, e o sobrenome mais próximo em português e espanhol é Inglês). Lançado pelas Odeon em seu selo azul internacional com o nr. X-3372, o disco traz duas músicas natalinas tradicionais: no lado A, matriz CE-14164, ela interpreta “Noite de Natal”, que nada mais é que a famosa “Noite feliz”, com uma letra de Mário Rossi diferente da que se costuma cantar. Seu título original é “Stille Nacht, heilige Nacht”, e a música surgiu em 1818, vejam vocês, por um capricho de ratos que entraram no órgão da igreja de Arnsdorf, Áustria, e roeram os foles! Aí, o padre Joseph Mohr saiu atrás de um instrumento que pudesse substituir o órgão (perigava de o Natal daquele ano não ter música) e começou a imaginar como teria sido a noite em que nasceu em Jesus, em Belém. Fez anotações, e procurou o maestro Franz Gruber para musicá-las. Deu no que deu: um clássico imortal! No lado B, matriz CE-14165, outra versão de Mário Rossi, “Lindo presente”, para “Adeste fideles”, um dos mais conhecidos hinos natalinos, com melodia atribuída ao britânico John Francis Wade, e cuja letra inglesa mais conhecida é do padre católico Frederic Oakeley, com o título “Oh come all ye faithful”.
Em seguida um bolachão inquebrável da Philips, nr. P61058H, de 1960 (lançado em dezembro, claro), trazendo um cantor português que teve imensa popularidade entre nós: Francisco José (1924-1988), aquele da música “Teus olhos castanhos”. Aqui, acompanhado pelos Pequenos Cantores da Guanabara, ele interpreta duas canções tradicionais do gênero natalino: outra vez “Noite feliz”, agora em versão do cantor e compositor Paulo Tapajós (que integrou o Trio Melodia com Albertinho Fortuna e Nuno Roland), e “É Natal”, outra versão de Tapajós, agora para “Jingle bells”, composta em 1850 pelo americano James Lord Pierpont, e publicada sete anos mais tarde com o título “One horse open sleigh”. A versão brasileira mais conhecida é a de Evaldo Ruy (“Sinos de Belém”), gravada em 1951 por João Dias.
Prosseguindo, duas notáveis cantoras brasileiras. A primeira é Lana Bittencourt, que se faz presente com o disco Columbia CB-10388-B, matriz CBO-1206, lançado ao apagar das luzes de 1957, trazendo o fox “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, responsável por inúmeros hits de meio-de-ano e carnaval. “Feliz Natal” foi lançada originalmente por Dick Farney, em 1949, e o registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”, igualmente postado no Toque Musical. Zezé Gonzaga (Manhuaçu, MG, 1926-Rio de Janeiro, 2008), por sua vez, interpreta “Um sonho que sonhei (Marcha dos anõezinhos)”, de autoria de dois expressivos compositores: Alcyr Pires Vermelho e José de Sá Roris, este último parceiro de Nássara no clássico carnavalesco “Periquitinho verde”, de 1938. Zezé lançou esta simpática marchinha ao apagar das luzes (mais um!)de 1951, pela Sinter, com orquestração e regência do sempre eficiente Lírio Panicalli, e o número 10.00.114-B, matriz S-245. O último trabalho de Zezé em disco foi o CD “Sou apenas uma senhora que ainda canta”, lançado em 2002 pela Biscoito Fino.
E, para encerrar com chave de ouro, o Rei da Voz, o eterno Francisco Alves, em disco gravado na sua Odeon de sempre em 5 de dezembro de 1950, mas só lançado um ano depois, ou seja, em dezembro de 51. De qualquer forma a espera valeu a pena. No lado A, a “Canção de Natal do Brasil”, matriz 8876, parceria dele com David Nasser (jornalista que inclusive fez uma série de reportagens sobre Chico na revista “O Cruzeiro”, mais tarde publicadas no livro “Chico Viola”) mais Felisberto Martins, então diretor artístico da “marca do templo”, e a matriz 8877, o lado B, tem “Sinos de Natal”, de Victor Simon e Wilson Roberto. Lembrando que Victor Simon fez também a clássica “Bom dia, café”, sucesso de 1958 na voz de Roberto Luna.
Estas são as relíquias natalinas que o GRB, em sua quarta edição, nos oferece. A todos os amigos cultos e ocultos do Toque Musical, os meus mais sinceros votos de um Natal maravilhoso, e um ano novo repleto de alegrias, realizações e conquistas!
*SAMUEL MACHADO FILHO

boas festas – carlos galhardo
canção de natal do brasil – francisco alves
é natal – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
feliz natal – carlos galhardo
feliz natal – lana bittencourt
lindo presente – dalva de oliveira
noite de natal – dalva de oliveira
noite feliz – francisco josé e os pequenos cantores da guanabara
ó noite santa – alberto w. ream e côro continental
ó pinheirinho de natal – côro continental e alberto w ream
sinos de natal – francisco alves
sonho de natal – carlos galhardo
um sonho que eu sonhei – zezé gonzaga


The Pop’s – Feliz Natal (1969)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Entramos de vez no espírito natalino. E como não poderia deixar de ser, um momento para se ouvir aquilo que um dia tocou no nosso Natal. Cada ano é um pouco diferente, as vezes triste, as vezes melancólico, mas sempre, em seu brilho e cores, faz nascer uma alegria e uma esperança, que acaba transformando o Natal em uma grande confraternização. Eu não sei explicar o sentimento que há em mim, quando vejo essas bolas de vidro coloridas de Natal. Hoje elas já nem são mais de vidro como as de antigamente. Elas eram lindas, encantadoras em seus reflexos, cores e tamanhos variados. Ah, que saudade daquele tempo em que a gente sentava na sala para ir montando aquela árvore, o pinheirinho cheio de bolinhas coloridas, luzes, algodão e isopor para ficar parecendo neve… Putz, que tempo bom! Me lembro que sempre deixávamos quebrar (sem querer, claro) algumas daquelas bolinhas e depois aproveitávamos os cacos para fazer cerol para passar nas linhas dos nossos papagaios (pipa). Ah, como era bom aqueles tempos! Ver essas bolas de Natal sempre me remetem à essas lembranças.

Este disco do The Pop’s é a personificação do meu saudosismo natalino. Como outros, este álbum também fez parte de muitos dos meus ‘natais’. Tinhamos esse disco em casa, depois, nunca mais vi. Fui reencontrá-lo certa vez no Loronix. Hoje, organizando minha ‘discoteca virtual’, coincidentemente achei o arquivo. Como ando sem condições para comprar de imediato um novo amplificador e tenho que lançar mão do que tenho já digitalizado, vou um pouco mais além, pego emprestado este The Pop’s, do Zecaloro, para começar o nosso Natal. Já pedi ao Papai Noel um novo amplificador, mas ele até agora não se manifestou. Quem sabe, através dos amigos cultos e ocultos, alguns entre vocês tenham um melhor relacionamento com o bom velhinho do que eu. Como o grande dia ainda está por vir, vou esperar ansioso, como quando eu era criança, rezando para o Papai Noel trazer atender ao meu pedido. Quem sabe ele ainda tenha atenção para essa criança aqui de 50 anos? Vou emocionar… 🙂
noite feliz
o tannenbaum
valsa da despedida
sleigh ride
o bom velhinho
e nasceu jesus
jingle bells
natal das crianças
boas festas
aleluia
adeste fidelis
white christmas

FM Stéreo – Disco 6 (1983)

Boa noite dia, amigos cultos e ocultos. Finalmente, a maioria de vocês agora terão uma fonte de água pura, onde todos poderão beber e matar a sede sem se preocupar com a chegada do lobo mau. Obviamente, eu estou me referindo à chegada ao Brasil do ITunes. Como no Brasil se reza a mesma cartilha dos americanos (embora não se coma, não beba e não se viva como eles), teremos em breve toda a música ‘relevante’ brasileira nas mãos dos gringos. Se antes eles já mantinham alguns direitos sobre muitas obras brasileiras, agora então é que eles vão nadar de braçada e, claro, cercar de todas as formas possíveis seus investimentos. Isso, em outras palavras quer dizer, “bye bye blogs de música!”, “saí fora Toque Musical!” Isso para mim, é evidente. É só uma questão de tempo, ou alguém aí ainda duvida? Prejudicada pela ação dos blogs, essa turma vai entrar de sola, calando a boca e os ouvidos de quem vai contra ela. Por certo que num primeiro momento o Toque Musical ainda resistirá, ou será pouco molestado, afinal, por aqui a gente ainda não postou a Ivete Sangalo, a irmã loira dela, Claudia Leite e toda essa turma que hoje representa a produção artística (?) brasileira. Outros ‘medalhões’ como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Milton, Chico, Gil e por aí a fora, isso sem falar na ‘velha guarda’, aos poucos nos serão também tirados. Por essas e por outras, vamos aproveitar o último momento, enquanto podemos compartilhar nossas afinidades.

Aqui vai o último disco da caixa “FM Stéreo”, finalizando assim esta postagem estendida, ministrada em doses homeopáticas 🙂 Temos reunidos medalhinhas e medalhões, artistas e sucessos garantidos e que todos já conhecem e esperavam. Músicas extraídas dos discos Polygram, selo Fontana, ao longo de três décadas. Aproveitem a ocasião 😉
tudo transformou – caetano veloso
o bem do mar – marília medalha
agora – ivan lins
não quero ver você triste – claudette soares
serenata para dois – wilson simonal
menino bonito – rita lee
retiros espirituais – gilberto gil
canto triste – elis regina
preciso aprender a ser só – os cariocas
sua estupidez – gal costa
a hora do trem passar – raul seixas
resposta – maysa
a sombra de uma árvore – hyldon
chão de estrelas – jair rodrigues

Eletro Fluminas (2001)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Os comentários andam escassos, será por falta de tempo ou de ter o que falar? Suponho que seja pelos dois e mais motivos… Talvez os títulos não venham correspondendo ao público certo, ultimamente eu tenho me dedicado mais aos velhos álbuns e seus artistas e entre esses, muitos já foram também postados em outros blogs. Bom, infelizmente eu não tenho tempo e nem paciência para sair pesquisando para saber se o disco que eu quero apresentar foi ou não já postado em outro lugar. O álbum de hoje, por certo, poderá ser encontrado em outros blogs, mas para que o Toque Musical continue mantendo a sua máxima de ‘ouvir com outros olhos’, é preciso sacudir o baú, misturar bem esses discos e ter a sorte de escolher algo diferente do que foi o dia anterior. Geralmente, nas sextas, dia de disco/artista independente, sempre tem algo diferente. É o caso do Eletro Fluminas. Um projeto musical concebido entre os anos de 1998 e 2000 pelos músicos Márcio Lomiranda, Paulo Rafael e Taryn Kern Szpilman. Durante esses dois anos o trio esteve reunido, criando um trabalho que mescla a experiência musical e individual de a cada um dos seus integrantes, além de suas influências. Trata-se de um disco com diferentes abordagens, passando pelo rock, pop, world… com pitadas doces salgadas e apimentadas, sempre apoiado no som eletrônico. Sem dúvida, na união desse trio encontraremos uma música composta, uma soma de elementos diferenciados que resulta em algo inclassificável, mas de extremo bom gosto. Para aqueles que ainda não se situaram na parada, Márcio Lomiranda é um músico, compositor, arranjador e produtor mineiro, que há anos vive no Rio de Janeiro. Fundou a Musimagem Brasil, uma associação de compositores de música para audiovisual. Já trabalhou com grande nomes da música nacional e internacional. Paulo Rafael já se tornou uma lenda, um dos maiores guitaristas brasileiros. Foi integrande do grupo pernambucano Ave Sangria, depois passou a tocar na banda do Alceu Valença (acho que toca até hoje). Me parece que atualmente ele mora no Rio e continua mandando bala 🙂 Finalmente, temos a Taryn Szpilman, uma cantora carioca super versátil, que eu acho ótima. Grande revelação musical nesta década, pena que para se encaixar nesse mundo ‘midiático’ ela acabe absorvendo trejeitos a la Amy Winehouse (o que não é ruim, pero…) Mas, longe de qualquer comparação, Taryn é uma excelente cantora e acima de tudo, uma gata (muito mais que a Amy). Ainda vamos ouvir muito falar dessa moça, podem acreditar.

baloô
stay together
espuma dos dias
bewere of darkness
ela e eu
black dog – sol e chuva
loopiano naná e jurim
a gente tá viajando por alguns dias
love love lovemapa de viagem
cavalo do cão
nightie night
zappa from heaven
what the world needs now is love

Tito Madi – Romance (1960)


Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu já devia ter me acostumado com as chuvas que caem por aqui no fim do ano, mas a de hoje pela manhã valeu pela temporada. Putz, como chove nessa cidade! Acabei ficando preso em casa (eu é que não sou bobo de sair num transito desses) e enquanto isso, adianto o que ficou no atraso e aproveito para fazer também nossa postagem.
Não é por acaso que eu hoje estou postando outro disco do Tito Madi. Quando chove, logo automaticamente me vem a cabeça o “Chove lá fora” do Tito Madi. Foi por conta desta canção que eu então decidi quem viria hoje nos embalar. “Romance” é um álbum de 1960, lançado pelo selo Columbia. Não tem o “Chove lá fora”, mas traz outras belas canções que caem como uma luva para se ouvir num dia chuvoso assim. Tito Madi vem acompanhado pela orquestra de Lyrio Panicali, que cuidou dos arranjos e regência. Destaco (sem bairrísmo) a gostosa bossa, “Pouca duração”, de Pacífico Mascarenhas. Adoro essa música 🙂
a menina sonha azul
a canção da esperança
ternura antiga
malagueña
cansaço
pedrinhas de cor
aí de mim
amor em pedaços
nunca me esqueça
mi ducha lejana
a voz dos sinos
pouca duração

Morgana – A Romântica (1963)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Temos aqui, mais uma vez, a cantora Morgana em um álbum de 1963. Neste lp ela nos traz um repertório bem condizente com esse romantismo intitulado. Músicas de autores bem variados, o que dá ao álbum um carácter mais abrangente, agradando gregos e troianos. Encontraremos aqui músicas de João Roberto Kelly, Alcyr Pires Vermelho, Dalton Vogeler, Vera Brasil, Rildo Hora, Ed Lincoln e por aí a fora… Este leque de variedades se dá também nos arranjos e acompanhamentos. Temos em diferentes faixas a presença das orquestras regidas por Pachequinho, Guerra Peixe, Sylvio Tancredi, Ted Moreno e Moacyr Santos. Vamos conferir? 🙂

nem deus
espero por ti, meu amor
confessa agora
meu grande amor
adeus à solidão
quatro letras
vê… lembra e pensa
tema do amor triste
tu
canção do amor perdido
mágoa
tristeza triste

Orquestra De Lyrio Panicali – Nova Dimensão (1964)

Boa tarde cultos e ocultos! Como eu havia dito, estou terminando o ano às custas do acervo já digitalizado e daqueles chamados ‘de gaveta’. Tudo isso por conta do meu amplifcador que pifou. Até segunda ordem, vamos por lenha no estoque.
Eis um disco que eu sempre pensei em postar aqui no Toque Musical, mas diante a tantas outras fontes fornecendo o mesmo conteúdo, a coisa acabou perdendo a graça. ‘Coisa’ não, alto lá! “Nova Dimensão” é na verdade um senhor disco, talvez o que eu mais gosto entre os trabalhos de Panicali. Neste lp, lançado pela Odeon em 1964, ele realmente toma uma nova dimensão, orquestrando com categoria a música moderna, então em voga, a Bossa Nova. O resultado é primoroso, moderno também para orquestra. Lyrio Panicali nos apresenta doze temas de autêntica bossa, em arranjos de tirar o chapéu. E isso também se deve muito ao fato de ser um dos raros discos gravados em estéreo naquela primeira metade dos anos 60 aqui no Brasil. Quem ainda não topou com este lp em outros blogs, aproveita aqui a ocasião 😉

lágrima flor
caranval triste
consolação
vou andar por aí
deus brasileiro
desafinado
lobo bobo
nanã
balanço zona sul
labareda
batida diferente
garota de ipanema

Belo Horizonte 114 Anos!

E Belo Horizonte completa hoje 114 anos de fundação. Parabéns Belô! Só quem conhece seus encantos sabe lhe dar valor. No mundo há muitas cidades para se conhecer, mas para morar, prefiro a minha Beagá 😉
Como eu nunca manifestei aqui diretamente sobre a cidade onde escolhi viver, achei nesta data comemorativa o melhor momento. E para saudá-la estou deixando aqui uma valsa de Anacleto Rosa Jr. e Arlindo Pinto, gravada pelo cantor Solon Salles (ou Sólon Sales) em 1948, pela Continental. Este fonograma faz parte da série que venho digitalizando a partir das bolachas de 78 rpm para o nosso selo virtual “Grand Record Brazil”. Em breve teremos mais Solon Salles, com resenhas do nosso amigo Samuel.
Fica aqui o meu abraço à Belo Horizonte. Parabéns BH!

Tito Madi, Juca Chaves, Jonas Silva E Baden Powell – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2011)

O Gran Record Brazil chega à sua terceira edição, e apresenta relíquias do final da década de 1950, começo da de 60, que certamente se constituem em autênticos presentes de Papai Noel para colecionadores. Para começar, um nome que dispensa qualquer tipo de apresentação: Chaiki Madi, aliás Tito Madi, paulista de Pirajuí. E ele abrilhanta a terceira edição do GRB com seu 78 rpm de estreia na gravadora Colúmbia, futura Sony Music, lançado ao apagar das luzes de 1959 (certamente em dezembro) com o número 3101, já emplacando dois sucessos estrondosos, com orquestração e regência de Lírio Panicalli (Queluz, SP, 1906-Niterói, RJ, 1984), autêntica fera do setor. Abrindo o disco, matriz CBO-2172, uma joia inspiradíssima de Luiz Antônio: “Menina-moça”, que fez parte da trilha sonora do filme “Matemática, zero… amor dez”, comédia dirigida por Carlos Hugo Christensen, filmada em cores (Agfacolor) e estrelada por Alberto Ruschel e Suzana Freire, tendo também no elenco Jayme Costa, Agildo Ribeiro, Heloísa Helena (não confundir com a política fundadora do PSOL), entre outros. E “Menina-moça” era o tema principal da película, cuja trilha sonora também saiu em LP pela Colúmbia (apenas o lado A foi disponibilizado em blogs). Teve inúmeras gravações, mas a melhor continua sendo a de Tito Madi. O lado B, gravado oito matrizes depois (CBO-2180) é outro carro-chefe do autor de “Chove lá fora”, mais um produto de sua inspiração: o belo samba “Carinho e amor”, outra pérola imperdível do cancioneiro romântico, e também regravada inúmeras vezes, inclusive pelo próprio Tito. “Carinho e amor” também fez do parte do LP de mesmo nome, que Tito dividiu com o pianista José Ribamar, e foi o primeiro álbum brasileiro da Colúmbia gravado em estéreo (esse sim esta inteiro nos blogs!). Em seguida, iremos nos encontrar com o “menestrel do Brasil”, Juca Chaves. Ele estreou em disco na Chantecler, em outubro de 1959, com dois sambas de sua autoria: “Nós, os gatos…” e “Chapéu de palha com peninha preta”. Apenas três meses depois, em janeiro de 1960, e já por outra gravadora, a RGE de José Scatena, foi para as lojas o segundo 78 do humorista, estampando no selo o número 10206, e com arranjo e regência do italiano Enrico Simonetti, então um dos maestros de plantão na gravadora. A matriz RGO-1440, no lado A, apresenta uma divertida gozação do “Juquinha” com o então chefe da nação Juscelino Kubitschek de Oliveira, a hoje clássica “Presidente bossa nova”, não faltando referências a seu característico sorriso, a suas viagens aéreas constantes, à nova capital que seria inaugurada em abril daquele ano (Brasília) e às aulas de violão que JK tinha com Dilermando Reis. Com a mesma mordacidade, o lado B, matriz RGO-1441, é o choro “Tô duro”, crítica clara à situação de miséria que vivia (e ainda vive) boa parte de nossa população. Aliás, era uma época de inflação galopante, que estava perto de 40% ao ano (diante disso, inflação de 6% ou 7% ao ano como a atual não é nada…). Ambas as músicas também constaram do primeiro LP do humorista, “As duas faces de Juca Chaves”. Outra preciosidade é o segundo e último 78 rpm do cantor Jonas Silva, sobre o qual não há informações disponíveis. Ele estreou em 1955 na Mocambo, com os sambas “Andorinha” e “Eu gosto de você”, e – um mistério! – só fez o segundo 78 seis anos mais tarde. Ele saiu pela Philips em julho de 1960, com o número P61068H e a vantagem de ser inquebrável, prensado em vinil! No lado A, uma das mais conhecidas composições de Tito Madi, o samba “Saudade querida”, hit absoluto naquele ano, gravado por inúmeros intérpretes e, claro, pelo próprio Tito. No lado B, outro samba, “Complicação”, dos mesmos Chico Feitosa e Ronaldo Bôscoli que nos deram, nesse mesmo ano, o samba-canção “Fim de noite”, na voz de Alaíde Costa. É a única gravação desta preciosidade, ao menos em 78 rpm, e o acompanhamento no selo diz apenas que é por conjunto. Para finalizar, temos o genial violonista Baden Powell de Aquino (Varre-Sai, RJ, 1937-Rio de Janeiro, 2000) em mais um bolachão inquebrável da Philips, com o número P61103H, lançado em julho de 1961. Abrindo o disco, uma “Lição de Baião” assinada por Jadir de Castro e Daniel Marechal. E o curioso é que o baião na época andava meio esquecido, com a bossa nova no apogeu, mas ainda com um público fiel ao gênero, particularmente a colônia nordestina, que sempre existiu nos grandes centros urbanos, São Paulo em especial. A letra é cantada por coral masculino, e começa até em francès! O lado B nos traz o belo samba instrumental “Do jeito que a vida quer”, assinado por nada mais nada menos do que o cearense de Fortaleza Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia, mais conhecido como Ed Lincoln. Ambas as músicas do 78 que encerra este volume do GRB saíram depois no segundo LP de Baden Powell, intitulado “Um violão na madrugada”. Enfim, oito joias imperdíveis para colecionadores. Não percam!

menina moça – tito madi
carinho e amor – tito madi
presidente bossa nova – juca chaves
tô duro – juca chaves
complicação – jonas silva
saudade querida – jonas silva
lição de baião – baden powell
do jeito que a gente quer – baden powell
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Dick Farney E Seu Quarteto De Jazz – Jazz After Midnight (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Êta dominguinho para me deixar irritado! Hoje foi o dia…

Se por um lado a minha gripe passou (agradeço a atenção dos amigos), por outro quem agora ficou doente foi o meu amplificador. Não sei o que deu nele, pifou! Tentei instalar um outro, mas esse por estar fora de uso à décadas, está cheio de ruídos e estourando as minhas caixas Lando. Sem chance! Vou ter que comprar outro 🙁 Nesse meio tempo terei que cair de sola nos meus ‘discos de gaveta’. Ainda bem que o ‘baú’ tá cheio, embora nem sempre tenha aquilo que eu penso em postar. Para que a noite também não fique um bode, vou bater de Jazz, de Dick Farney e Seu Quarteto. Eis aqui um discão raro, em todos os sentidos. Quem tem um desses pode se considerar um felizardo, pois além de musicalmente ser muito bom, já nasceu raridade, visto ter sido o primeiro LP de 12 polegadas lançado pela Columbia, em 1956! Na época, este disco foi lançado, talvez como um ‘piloto’ pela gravadora, embora a justificativa maior, no texto de Roberto Corte-Real, fosse a de que seria uma homenagem ao compositor americano, George Gershwin. Um bom pretexto para uma ‘jam session’ com Dick Farney ao piano; Casé no sax alto; Rubinho na bateria e Shoo Viana no contrabaixo. Reunidos no Teatro de Cultura Artística, de São Paulo, Dick e seu quarteto estão a vontade, tocando de improviso alguns dos mais belos temas de Gershwin. Como comentário final, eu não poderia esquecer de outra beleza, a fotografia da capa. Putz, lindona, não?

strike up the band
embraceable you
oh! lady be good
but not for me
i got rhythm
a foggy day
the man i love