Claudio Mourão – Cuma-É (1992)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estou devendo novos ‘toques’ para algumas postagens antigas. Já recebi os recados, mas ainda não tive tempo para fazer as correções. Por favor, aguardem até o início da próxima semana, ok?

Tenho hoje para apresentar um disco de produção independente do mineiro Cláudio Mourão, lançado orignalmente em 1992, ‘solamente’ em lp. Cláudio é um cantor e compositor que tem, como todos os músicos mineiros, um elo forte com o “Clube da Esquina”. Inspirado em Bossa Nova, rock progressivo, instrumental e jazz. Pelo que eu pude verificar, ele relançou o disco no formato cd. Vi no site. Porém, lá não consta datas. Suponho que tenha sido já há algum tempo. Ao saber disso, quase desisti de postá-lo. Mas como se trata de produção independente e de distribuição limitada, tenho certeza que a divulgação através do Toque Musical só irá favorecer.
Na rede não há muitas informações sobre este artista, eu mesmo não sei muito além do que há no álbum. Acredito que “Cuma É” foi seu primeiro e único disco. Por certo ele não ficou só neste disco por falta de qualidade. Ouvindo, vocês saberão que muito pelo contrário, o artista é bom e o disco também. As músicas são quase todas de sua autoria ou parceria. Tocam com ele um pouco da nata dos instrumentistas mineiros. Gente como Juarez Moreira, que faz aqui a direção musical e os arranjos; Flávio Venturini; Ezequiel Lima, Nenem, Ivan Correia e outros…
Diquinho bacana, podem conferir…

as sete cores
a era de aquário
os mistérios da paixão
cuma é
anjo
pala
imagem
refletino
sentimento de artista
os mistérios da paixão (instrumental)

Baião Para O Mundo – Seleções De Humberto Teixeira (1957)

Bom dia para todos do lado de cá e uma noite melhor para os que estão do lado de lá. É, o mundo está caindo e ainda nem aprendemos a levitar. Coisas estranhas estão acontecendo pelo nosso mundo. As profecias vem se cumprindo. O que podemos esperar em 2012? Sinceramente, estou preocupado. Se não abrimos as nossas mentes agora, poucas serão aquelas que estarão recriando o mundo depois. Tô meio pessimista? Desculpem…
Melhor seria se o mundo fosse invadido pelos ares do Baião, como foi o desejo desta produção, lançada pelo selo Rádio em 1957. Temos aqui um disco dos mais interessantes e também (para não variar) uma obra rara, que poucos hoje em dia devem conhecer. Obviamente me refiro ao disco e não às músicas que, com certeza, todos devem saber de cor. “Baião para o mundo – Seleção de Humberto Teixeira” é um disquinho de 10 polegadas que traz em suas faixas oito baiões do compositor cearense. É curioso falar de Humberto Teixeira sem comentarmos sobre seu grande parceiro, Luiz Gonzaga. Acontece que neste álbum, apenas “Asa Branca” é uma composição em parceria com o Rei do Baião. Todas as demais músicas do disco são exclusivamente de Humberto Teixeira. A execução, orquestração e os belos arranjos são do maestro pernambucano Guio de Morais. Ele dá ao baião uma roupagem mais nobre, uma noite de gala para um gênero tão popular. Embora nessa época o baião já fosse conhecido em outros países (inclusive no Japão!), um disco com este, surge mesmo é para afirmar a nós brasileiros o quanto esse ritmo nordestino ganhava projeção internacional. Taí um disco bem bacana e que merece muitos comentários, vocês não acham? 😉

kalú
xodó-xodó
dono dos teus olhos
asa branca
piririm
sem ele
benzim
eu vou pro ceará

Osmar Milani – Baile Dos Estados (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje o meu dia está curtíssimo, portanto preciso ser ainda mais breve. Apresento a vocês Osmar Milani e Sua Orquestra, em “Baile dos Estados”. Quem não se lembra dele nos programas do Silvio Santos? Ele era o maestro de confiança do Silvio e atuou ao seu lado por mais de trinta anos. Osmar também esteve com sua orquestra acompanhando cantores famosos como Orlando Silva, Vicente Celestino, Francisco Alves e Silvio Caldas. Trabalhou nas mais diversas emissoras de rádio e viu nascer e acompanhou o crescimento da televisão brasileira. Depois que ele largou o Silvio Santos, passou a se apresentar com sua orquestra em festas, bailes e show por todo o Brasil e alguns países da America do Sul.
O álbum que eu tenho aqui é de 1959, uma fase ainda dourada para as grandes orquestras e seus maestros. Lançado pela etiqueta Som, este lp é mais um daqueles álbuns (raridade total) da gravadora, onde a capa é forrada com um tecido, tipo pano de saco com a estampa aplicada em serigrafia. Acredito que neste conceito de capa eles foram os pioneiros. Não me lembro de nenhum outro disco da época, ou mesmo antes, com uma ideia tão original. O disco teve também uma segunda edição, com capa diferente, lançado no final dos anos 70 pelo selo Beverly.
Aqui no Toque Musical vocês poderão encontrar outro álbum no estilo, Odete Amaral e Cyro Monteiro Jr, “Do outro lado da vida”.
Em “Baile dos Estados” temos um repertório com temas variados, músicas nacionais e internacionais, obviamente, todas em ritmos dançantes. A qualidade do som está associada ao estado do disco, algumas boas, outras melhoradas na medida do meu toque musical. Vale a pena conferir… 😉

rancho fundo
chinchilla
piove
sede de anir
repouso para o trombone
um chorinho no parque são jorge
bikini
vagalume
boola
mine at last
trombone ginga
theme from ‘bell and candle’

Raul De Souza – Viva Volta (1986)

Seguindo a nossa jornada fono musical, vamos curtir agora um pouco de jazz, música instrumental de primeira linha com um dos maiores trombonistas do mundo, o fera, Raul de Souza. Dono de uma técnica única, este instrumentista se projetou a partir dos anos 60, ao lado de outros artistas da era bossa nova, segunda geração. Nos anos 70 ele trabalhou nos Estados Unidos com Sérgio Mendes, Flora Purim, Airto Moreira e Milton Nascimento. Ainda nos “States’ ele também tocou com grandes nomes da música americana, como os jazzistas Cal Tjader, Sonny Rollins, George Duke e outros mais. Por lá ele gravou alguns discos interessantes como, “Sweet Lucy” e “Don’t Ask My Neighbors”, produzidos por George Duke, sempre na linha do jazz. Seu trabalho diluiu um pouco quando se associou ao produtor Arthur Wright, na gravação do álbum “‘Til Tomorrow Comes”. Disco fraquinho, na onda da discoteca, coisa mesmo para o mercado americano. A partir dos anos 80 ele volta ao Brasil, se apresentando pouco, mas sempre as voltas com gravações, tocando no disco de um e de outro. Grava também dois discos, “The Other Side of The Moon” e este, “Viva Volta”. Ainda na década de 80 ele se muda para a França se apresentando com seu conjunto. Na década seguinte ele se fixa em Paris, retornando ao Brasil quase dez anos depois. Acho que foi nessa época que fizeram com ele um documentário, chamado também de “Viva Volta”, de 2005, onde o artista reconstrói sua trajetória, contando um pouco da sua história e tem ainda no filme um encontro (de arrepiar) dele com a cantora Maria Bethania (tem que ver).
O álbum “Viva Volta” é um disco gravado ao vivo, uma produção do empresário Romualdo Zanoni, dono da famosa casa de shows paulista Inverno & Verão. Nos anos 80 ele lançou diversos discos gravados ao vivo em seu restaurante. Nomes como Dick Farney, Tito Madi, Zimbo Trio e outros, também tiveram discos pela Inverno & Verão. Este lp de Raul de Souza foi relançado em 92 pela RGE, dentro da série “A arte do espetáculo ao vivo”. Sem dúvida, nada como uma gravação ao vivo, sem retoques, onde o músico se apresenta mais naturalmente. Melhor ainda quando a gravação é de qualidade e temos ainda a participação de outros grandes instrumentistas como é o caso aqui do pianista Guilherme Vergueiro, o batera Chico Melão, o contrabaixista Pixinga e os guitaristas Rui Yamamura e Jarbas Barbosa. Raul nos apresenta um repertório autoral e também músicas de João Bosco e Aldir Blanc, Milton Nascimento, Djavan, Noel e Vadico e outros… No disco-show Raul também mostra que de sopro ele também é fera no saxofone. Taí um artista que merece o nosso toque musical. Confiram…

manhã cedo
papel machê
viva volta
travessia
amor em paz
fato consumado
obi
inverno e verão
samba mestiço
feitio de oração
salve o rio

Sexteto Guanabara – Sorvete Dançante (1962)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossa semana começa chuvosa e para um segunda feira isso é desanimador, dá vontade de voltar para a cama e dormir mais um pouco, ou então ficar aqui ouvindo música (na cama).
Hoje eu tenho para vocês um disco do obscuro Sexteto Guanabara. Digo isso porque até hoje eu não encontrei informações sobre o grupo. Embora tenham lançado três lp’s, em nenhum deles há uma ficha técnica com o nome dos realizadores e músicos participantes. Por certo, este sexteto era formado por músicos de outras gravadoras, daí o fato de seus nomes não constarem na publicação. Além do mais, este foi o primeiro lançamento do selo Musiplay, que por sinal não deve ter ido muito longe, pois, eu mesmo nunca vi outros discos da gravadora.
O Sexteto Guanabara fazia uma linha dançante, aos moldes da época, como Waldir Calmon e tantos outros. Neste álbum, o primeiro da série, encontramos um repertório recheado de sambas, boleros e até o “Barquinho” de Menescal e Boscoli, tudo em ritmo bem dançante como mandava o figurino. Confiram aí…

juntinhos é melhor
palavras de amor
meu nome é ninguém
ele é engraxate
guanabara
castiguei
barquinho
mulata assanhada
cravo vermelho
quem eu quero não me quer
la barca
besame mucho

Bené Nunes – Telefone Para 27-9696 (1959)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Ontem, sábado é que era dia de festa, mesmo assim hoje ainda cabe um Bené Nunes para animar esse resto de domingo. Aliás, diga-se de passagem, foi também num domingo que postei um outro disco do pianista. Hoje ele volta em um álbum ainda inédito na blogosfera, o raro “Telefone para 27-9696”. Sei de muitos ‘causos’ de gente (fina) que ligava neste número para contratar o Bené Nunes. Será que ele atendia? hehehe… De fato ele era o rei da nota musical em bailes e festas particulares, e cobrava mesmo uma nota para essas apresentações. Era o pianista do então Presidente JK. Fico aqui imaginando as festas daquela época no Rio. Taí um artista que não devia ter nada a reclamar. Bené Nunes também atuou no cinema, em diversas produções da Atlântida e era chamado de “pianista galã”.
Neste álbum temos o artista desfilando o que ele melhor gostava de tocar em festas. O repertório é um mostruário, para não dizer uma propaganda para seduzir endinheirados como o “Coroné Antonio Bento”. Temos aqui uma seleção musical da melhor qualidade, com direção artística de Aloysio de Oliveira. Confiram aí mais uma raridade do Toque Musical 😉

recado
i love paris
se acaso você chegasse
carrocel
jeepers creepers
maracangalha
dançando em brasília
abre a janela
deserto
praça 11
garoto
pot pourri:
tea for two
holiday for strings
blue moon
c’est si bon
rapsódia húngara nº2

Djavan – Primeiras Gravações… (2011)

Olá amiguinhos cultos e ocultos! Demorei, mas cheguei… E como sempre, fazendo a diferença 😉
Ontem eu havia comentado sobre a possibilidade de criarmos aqui no Toque Musical um dia na semana para coletâneas. Já tenho algumas aqui selecionadas faltando apenas as famosas capinhas. Tive a ideia de convidar alguns amigos blogueiros, inicialmente os que constam na minha lista de indicação, para criarem coletâneas, as quais eu irei postando gradualmente. Ao longo do tempo teremos uma série bacana, vocês não acham?
Hoje eu vou trazendo uma coletânea especial. Há pouco mais de um mês, o amigo Tri-X (aquele que me mandou o Sérgio Sampaio no Cabaret Mineiro) me presenteou com outro arquivo bem interessante, algumas das primeiras gravações do Djavan. Encontramos aqui gravações feitas a partir do início dos anos 70, quando ele então era contratato da Globo/Som Livre. Djavan fazia parte do ‘cast’ musical da Rede Globo, era cantor de trilhas sonoras de novelas, para as quais grava músicas de compositores consagrados como Dori Caymmi, Toquinho e Vinícius e Paulo e Marcos Sérgio Valle. Paralelo a vida de intérprete ele também marcava presença como compositor. Sua música “Fato consumado” tirou segundo lugar no Festival Abertura e lhe garantiu o direito de gravar o seu primeiro lp, “A voz, o violão, a música de Djavan”, de 1976. Mas antes disso, porém ele lançou dois compactos compacto, em 1975 e 76 que estão reunidos aqui juntamente com algumas outras músicas do arquivo Som Livre datados a partir de 1973. O interessante desta coletânea, que eu aqui dei o nome de “Primeiras gravações…”, é que são de músicas, em sua maioria, inéditas ou nunca relançadas em coletâneas do artista.
Para embalar o nosso produto, criei esta capinha, partido da foto original da contracapa de um dos compactos. Modéstia a parte, acho que ficou apresentável, não é mesmo?

qual é
presunçosa
porta aberta
calmaria e vendaval
anastácio
olá
a escola
no silêncio da madrugada
samba da volta
fato consumado
rei do mar
um dia
é hora
romeiros
roque santeiro (bônus)

Cynthia Martins & Marcus Bolivar – Mais Que Nunca (1987)

Bom dia! Com a passagem do Carnaval eu quase me esqueci que hoje é sexta feira. Tô aqui com a cabeça na terça, pensando na semana longa que terei pela frente. Que bobeira! Hoje é sexta, dia da postagem dos independentes. A propósito, estou pensando em lançar aqui também o dia da coletânea. Sempre tem alguém me pedindo isso e outros, inclusive, já até me enviaram suas seleções musicais. Acho que coletâneas como o “Beleza Pura“, “A Bossa Pelo Mundo“, “Luiz Gonzaga Instrumental” e tantas outras têm caído bem no gosto da freguesia 🙂
Como hoje eu fui pego meio que de surpresa, tive que apelar para os meus ‘arquivos de gaveta’. Puxei o primeiro dos independentes que veio à mão. Felizmente era algo que eu já pretendia postar. Temos aqui a dupla mineira Cynthia Martins e Marcus Bolivar. Me lembro que na década de 80 eles fizeram um relativo sucesso por aqui. Cheguei a assistir certa vez uma apresentação dos dois em um bar da capital. Eram bem talentosos e isso pode ser conferido neste que foi o único disco da dupla, uma produção independente, gravado na Bemol em 1987. As composições são todas próprias, assim como os arranjos, que ficam por conta de Marcus Bolivar. A música de destaque é “Amanhecer”, vencedora de festival, também incluída no disco “O melhor dos Festivais de Minas – Ano I“. “Mais que nunca” é um álbum muito bem gravado pelo nosso Dirceu Cheib. Eles ainda contaram com a participação da nata musical mineira, músicos como Marilton Borges, Jairo Lara, Lincoln Cheib, Juliana Serra, José Marcos Almeida, Gilberto Diniz, Cleber Alves, Ivan Correia, Marcus Viana e tem mais… Um belo trabalho que merece o nosso toque musical.

fatia de ilusão
mais que nunca
espelho
arsenal
coisas do interior
cigano
navegante
rio da vida
antares
amanhecer

Bola Sete – Aqui Está O Bola Sete (1957)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa missão musical, hoje vamos com Djalma Andrade, mais conhecido como Bola Sete. Violonista prodígio, iniciou sua carreira nos anos 40. Trabalhou ao lado de Ary Barroso por alguns anos no Programa “Trem da Alegria”. Formou logo em seguida seu conjunto, tendo como cantora Dolores Duran. Nos anos 50 excursionou pela América Latina e também esteve na Europa, se apresentando na Espanha com sua orquestra. Já era um músico destacado e internacional. Entre os diversos artistas brasileiros que debandaram para os ‘states’, Bola Sete foi um deles. Seguindo os passos de Luiz Bonfá e Laurindo de Almeida nos anos 50, o violonista foi também em busca do estrelato. Participou da noite de estréia da Bossa Nova, no Carnegie Hall, com o seu trio formado por Tião Neto no baixo e Chico Batera na percussão. Depois de algumas apresentações na terra do Tio Sam, ele acabou sendo contratado como artista exclusivo da rede de hotéis Sheareton, onde trabalhou durante uns três anos. Tocou com feras do jazz como, Dizzie Gillespie e Vince Guaraldi. Era considerado por muitos como o precursor do chamado ‘Latin Jazz’. Gravou por lá uma dezena de discos, dos quais poucos chegaram ao Brasil. Como adotou os Estados Unidos como sua morada, acabou se tornando esquecido em seu pais natal. Morreu na California em 1987.
O álbum que temos aqui, foi seu primeiro lp, lançado pela Odeon, no Brasil. Neste disco temos o instrumentista desfilando na guitarra elétrica uma série de sambas de Ary Barroso, um chorinho de Radamés, três composições autorais e outras coisas da época. Um bom disco, que já demonstra as qualidades excepcionais do grande Bola Sete. Confiram o toque…

aquarela do brasil
rico vacilon
copacabana
na baixa do sapateiro
solamente una vez
morena boca de ouro
baccará
molambo
no rancho fundo
remexendo
czardas
por um amor

Noite Ilustrada – Depois Do Carnaval

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois do Carnaval, a gente ainda continua no embalo, afinal o Toque Musical não pode parar. A festa passou, mas a boa música continua passando. E vamos a ela! O álbum de hoje finaliza a nossa celebração ao Carnaval. Passados os quatro dias de folia, voltamos à realidade. “Depois do Carnaval” veio em boa hora. Um álbum bem apropriado para essa data, enviado pelo amigo Eduardo. Taí um disco do Noite Ilustrada que eu ainda não conhecia e possivelmente muitos de vocês também não. Inédito em blogs, é mais uma raridade de primiera mão que vocês poderão conferir no Toque Musical.
Temos aqui doze sambas bacanas, entre composições autorais e de outros, com destaque para “Tropeçando na idade”, de sua autoria; “Pedra 90”, de Dora Lopes e Linda Rodrigues; “Capela de São José”, de Herivelto Martins e a música que dá título ao disco, “Depois do carnaval”, de Jorge Costa e Paulo Roberto. Um bom disco, eu garanto! 🙂

rio, não és criança
tropeçando na idade
pra que lembranças
conselho de amigo
capela de são josé
depois do carnaval
realidade da vida
pedra noventa
preconceito
oração do morro
esteve aqui
minha cidade

Moacyr Silva E Conjunto – Carnaval De Boate Nº 4 (1967)

Bom dia, amigos foliões! Espero que não tenha ninguém aí de ressaca. Carnaval é foda, a gente sempre abusa. Pior é quando a ressaca é também moral, a gente acorda e começam a lembrar dos vexames, dos micos e chapação. Como eu não caí na farra, hoje estou uma jóia.
A sequência deste texto era antes uma piadinha infame, que graças à observação de uma boa amiga (e que me conhece bem), consegui tirar a tempo, evitando uma possível má interpretação por parte das leitoras do blog. Queriam (mesmo sem saber) aceitar as minhas desculpas. Hoje é o Dia Internacional da Mulher e eu até então nem havia me lembrado. Falha minha, mas que graças à própria mulher eu consigui corrigir o meu erro a tempo. Grande mulher! Parabéns para você 🙂
Mas vamos voltar para o salão, a festa continua. Ou melhor dizendo, vamos para a boate, o carnaval de boate do mestre Moacyr Silva e seu conjunto. Temos aqui o quarto volume de uma série criada pela Discos Copacabana, onde a cada ano eram apresentadas as novas músicas de carnaval, numa versão, segundo os produtores, mais leve e apropriada. O saxofonista Moacyr Silva reúne neste lp alguns dos maiores sucesso do carnaval de 1967. Algumas músicas, como “Máscara Negra”, lançada em 66, se tornariam clássicos, presentes desde então em todos os carnavais. O álbum, originalmente foi lançado com outra capa, como podemos ver aqui. Teve seu relançamento no início dos anos 80 pelo selo Beverly, da Copacabana. O disco se divide em seis faixas e as músicas são apresentadas numa espécie de ‘pot pourri’ carnavalesco. Moacyr vem acompanhado de um conjunto com piston, orgão, bateria e coro. Os arranjos são do Maestro Astor e a produção musical do próprio Moacyr. Um disco ótimo para se ouvir a qualquer momento, independente de festas de carnaval ou não.

.
máscara negra
linda mascarada
colombina ye ye ye
porta aberta
volta maria
construi meu lar
palmas no portão
sem ninguém
antes do sol raiar
basta acenar adeus
saudade
coração em paz
mãe- iê
garota, me dá um beijo
barra limpa
era boa companheira
amor de carnaval
carnaval que passou

Lamartine Babo – A Música Popular No Rio de Janeiro (1988)

Bom dia carnavalescos cultos e ocultos! Parece mentira, mas até o momento eu ainda não vi e nem saí no carnaval. Não vi pela televisão e nem nas ruas. Aliás, Belo Horizonte em termos de carnaval é um caso sério. Existe até a tradição, mas a turma por aqui não é muito animada. Neste ano, parece, estavam querendo ressuscitar os velhos blocos carnavelescos, mas eu não tenho visto muitas manifestações pela cidade. Acho que o problema por aqui é a chuva. Todo ano chove nessa época, daí o belorizontino prefere viajar e pular o carnaval na chuva de outra cidade. Aqueles que dizem que odeiam carnaval também fogem da cidade, procurando um retiro de paz no feriadão. Bobagem, melhor ficar por aqui mesmo. Eu adoro o carnaval, mas para ir para o agito prefiro sair com antecedência e voltar depois sem pressa. Se tem uma coisa que eu não tolero e pegar uma estrada cheia ou ficar mofando em salas de embarque de aeroporto. Como um bom mineiro, gosto de fazer as coisas sem afobação. Na pior das hipóteses, fico em casa. Faço o meu carnaval por aqui mesmo. Discos e músicas são o que não me faltam. Faço a festa e ainda de sobra mando ver aqui no Toque Musical.
Passar o Carnaval sem Lamartine Babo é o mesmo que assistir na Avenida dos Andradas ao desfile carnavelesco de Belô, uma tremenda frustração. Por isso, para salvar o dia e também a festa, vamos com um álbum do Lalá. Temos aqui este lp lançado pela Moto Discos, que a exemplo de outros selos como o Collectors, Revivendo e Filigranas Musicais, ajudou em muito no resgate e restauração de velhos fonogramas, dos primeiros discos e artistas da música popular brasileira. O álbum “Lamartine Babo – A música popular no Rio de Janeiro”, como diz o próprio texto da contracapa, procura prestar uma homenagem a um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, reunindo algumas de suas famosas criações. As músicas selecionadas aqui são da década de 30, em gravações feitas pelo artista ou outros intérpretes como, Carmen Miranda, Francisco Alves, Aracy de Almeida, Castro Barbosa, Mario Reis, Almirante, Diabos do Céu e outros… Em todas as músicas temos, de alguma forma, a presença de Lalá, mesmo quando na música ele não é o astro principal. Ele intervém para dar a essa um definitivo ‘toque’ lamartinesco. Confiram…

linda morena
grau dez
a e i o u
babo… zeira
rapsódia lamartinesca
senhorita carnaval
teu cabelo não nega
moleque indigesto
aí heim?
boa bola
infelizmente
vaca oxigenê
chegou a hora da fogueira

Carnaval 1970 (1970)

Bom dia foliões cultos e ocultos! Para o embalo do nosso carnaval, mantendo a linha ‘Toque Musical’, eu hoje trago um obscuro álbum lançado em 1970 pelo não menos obscuro selo Bandeirante. Este disco teria sido postado no carnaval do ano passado, não fosse o fato de que a capa e o disco estavam trocados. Pela capa seria “Carnaval do bons tempos – A banda do Pixinguinha“, mas no interior, o disco era “Carnaval 1970”. Por conta disso, acabei deixando a postagem de lado, fiquei com dois discos incompletos. Mas neste ano eu resolvi postá-lo, usando da criatividade, transformei a capa do Pixinguinha num novo encarte para o “Carnaval 1970”. Teria sido mais interessante se fosse o contrário, mas infelizmente esse grau de magia eu ainda não domino. Vamos então curtir essa seleção, orquestrada e dirigida pelo Maestro Severino Silva. Encontraremos aqui quatorze faixas onde predominam as marchinhas. São músicas carnavalescas pouco conhecidas do público, pelo menos eu suponho, considerando que eu também conheço dessas muito poucas. Os intérpretes também não são nomes muito comuns, apenas Alvarenga e Ranchinho aparecem na segunda faixa com a marcha “Pau de arara”. Mesmo assim, o lp não deixa de ser muito interessante, apresentando um carnaval como nos bons tempos. Vale a pena conferir… 😉

carnaval… carnaval – irene macedo
pau de arara – alvarenga e ranchinho
agora eu sou feliz – alzirinha miranda
quero mais – alzirinha miranda
se hoje eu sou feliz – bartira
meu sofrimento – irene macedo
não vim pedir perdão – magda elena
um mascarado a mais – nelson de lima
não chore assim dominó – bartira
quero confusão – humberto augusto
serpentina – humberto augusto
morena… morena -magda elena
copacabana – carlos chagas
chegou a minha vez – ulisse carlos

Baile de Gala – Teatro Municiapal Do Rio De Janeiro (1967)

Eu fiz hoje a chamada para o Carnaval, mas a postagem do dia está chegando agora.
Abrindo o nosso carnaval, vamos logo cair na folia e com toda a pompa. Começamos com um baile memorável. Vamos para o Baile de Gala do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, no ano de 1967. Temos aqui um raro disco lançado pelo selo Sideral, da Rozenblit, apresentando o que foi o baile daquele ano, numa gravação ao vivo muito empolgante. Este álbum eu escalei meio que encima da hora. Tive que refazer a capinha que se encontrava um pouco amarelada e desgastada pelo tempo. Ficou até bem próxima da original.
É interessante notar como, naquela época, se lançavam discos como este, literalmente uma gravação ao vivo de um baile de carnaval. A qualidade do som chega a ser um pouco sofrível, muito pelo fato de que o ambiente e as condições técnicas não deveriam ser lá muito propícias. Mesmo assim, não deixa de ser interessante e saudosista. Me faz lembrar dos bailes que um dia eu fui também.
Um fato interessante e de destaque neste disco é que nele aparece pela primeira vez a marcha rancho “Máscara Negra”, de Zé Ketti e Pereira Matos, gravada ao vivo e no melhor estilo carnavalesco. Esta música passaria a fazer parte do repertório de carnaval deste e de todos os bailes desde então, se tornando um verdadeiro clássico. Confiram aí…

afinando instrumentos
cidade maravilhosa
mácara negra
colombina yê yê yê
a banda
linda mascarada
mulata yê yê yê
bicho carpinteiro
maê iê
jardineira
mamãe eu quero
joga a chave
mulata yê yê yê
demonstração de ritmo
saudade
colombina yê yê yê
demosntração de ritmo
máscara negra
pout pourri de sambas
vem chegando a madrugada
oba
volta maria
pout pourri de marchas
pó de mico
linda morena
o teu cabelo não nega
as pastorinhas

Gilson Peranzzetta – Portal Dos Magos (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Quando todos esperavam pelo meu ‘grito de carnaval’, eu ainda continuo me guardando e tocando outros sons. Acho que eu ainda não entrei no embalo, no ‘espírito da coisa’. Mas a gente ainda chega lá… 🙂
Como hoje é sexta feira, dia do artista/disco independente, eu até pensei em unir o útil ao agradável e partir logo para o ataque carnavalesco. Mas, sinceramente ainda não estou no ‘pique’. Prova disso é que hoje eu vou bater de música instrumental. Estou postando aqui um disco do pianista e arranjador Gilson Peranzzetta, um nome que começou a se destacar na música brasileira e no cenário internacional a partir dos anos 70, quando ele fez parte do grupo Central do Brasil. Antes, porém Gilson já estava na estrada, sua relação com a música vem desde a infância, quando com seu irmão, fazia dupla no acordeon. Eram conhecidos como a dupla “Ping-Pong”, pois eram patrocinados pela marca da goma de mascar. Na segunda metade dos anos 60 ele estréia em disco, no álbum “Tema Três”, de 1967. Em 69 ele cria o grupo Gilmony e lança o disco “Algo Novo”. Ainda em 1969, lança o álbum “Madrugada 1:30” (editado também na Inglaterra). Quando vai para a Europa junto com o grupo Central do Brasil, acaba fixando residência na Espanha, onde passa um bom tempo estudando e fazendo apresentações. Quando volta ao Brasil passa a fazer arranjos para diversos artistas, principalmente para o Ivan Lins com quem passa então a trabalhar e compor, criando também a banda de apoio “Modo Livre”, que depois seguiria sozinha como um grupo instrumental. Sua fama cresce ainda mais, transformando-o num dos músicos instrumentistas brasileiros mais importantes. Em 1985 ele resolve partir para vôos solos, mostrando também o seu lado compositor, que já era interpretado por figuras como George Benson, Dianne Schurr, Quincy Jones, Sarah Vaughn e outros do mesmo ‘naipe’. Grava “Portal dos magos”, seu primeiro disco solo. Um álbum instrumental que eu considero como sendo um dos seus melhores trabalhos (não é por acaso que ele está aqui). Gilson vem acompanhado por um time de músicos de primeira linha. Tocam no disco Rafael Rabello no violão de sete cordas, Luizão e Arthur Maia no baixo, João Cortez na bateria e percussão, Ricardo Pontes na flauta e sax e Jorginho no pandeiro. O álbum traz sete faixas, todas assinadas por Gilson, sendo algumas em parceria. Belo trabalho que não pode deixar de ser conferido, mesmo já estando fantasiado para os bailes de carnaval.

pontes
nós, as crianças
setembro/caminho de ituverava
encanto
cheio de graça/portal dos magos
chorinho da vovó
miragem

Carlos José – Revelação (1958)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Vou aos poucos voltando a normalidade, depois de alguns dias meio pra baixo. Música é mesmo um santo remédio. Quem tem a música a seu lado nunca está sozinho. Acho que é por isso que eu tenho tantos amigos 🙂
Antes que seja decretado o Carnaval e caia todo mundo na folia, eu vou até sexta mantendo o mesmo ritmo. Talvez, a partir de sábado eu comece a postar alguma coisa relacionada à festa. Por enquanto, vamos de raridades e outras curiosidades. Tenho aqui o primeiro lp do cantor e seresteiro Carlos José. Dono de uma voz vigorosa, foi o cantor revelação do ano de 1957, descoberto e apoiado pelo polêmico apresentador Flávio Cavalcanti. Estreou muito bem em disco com um 78 rpm, trazendo duas grandes músicas, “Foi a noite” de Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça e “Ouça” de Maysa. O sucesso deste lançamento deu a ele a oportunidade de, no ano seguinte, gravar pelo mesmo selo Polydor, este que foi o seu primeiro lp. Começou mesmo muito bem, com um repertório fino e selecionado.
Aqui podemos encontrar, além das duas músicas gravadas anteriormente na bolacha de 78, uma série de boa média. Do lado A temos “Eu e Deus”, de Evaldo Gouveia e Pedro Caetano; “Se alguém telefonar, de Alcyr Pires Vermelho e Jair Amorim, música esta premiada no 1º Festival da Penha; “O amor acontece”, de Celso e Flávio Cavalcanti; “Aula de matemática” (Bossa Nova de primeira mão), de Antonio Carlos Jobim e Marino Pinto; a belíssima “Só louco”, de Dorival Caymmi e “Ouça” de Maysa. No lado B vamos encontrar também um bom repertório, com “Canção da volta”, de Ismael Neto e Antonio Maria; “Viva meu samba”, Billy Blanco; “Eu não existo sem você”, outra de Tom Jobim com Vinicius de Moraes; “Oferta”, música do próprio cantor; “Laura”, de Alcyr Pires Vermelho e Braguinha. Finalizando o disco, mais uma vez com Tom Jobim em parceria com Newton Mendonça, na belíssima “Foi a noite”. Vamos conferir? 😉
.

eu e deus
se alguém telefonar
o amor acontece
aula de matemática
só louco
ouça
canção da volta
viva meu samba
eu não existo sem você
oferta
laura
foi a noite

Pedrinho Mattar – Rapsódia (1966)

Olá, amigos cultos e ocultos! Enquanto o Carnaval não vem, vou mantendo a linha, com as nossas sortidas postagens. Como dizia o Chico Buarque, “estou me guardando pra quando o Carnaval chegar”.
Temos aqui o pianista Pedrinho Mattar, numa fase que eu chamaria de ‘agradável’, quando ele ainda, em seu virtuosismo, era um pouco mais contido e comedido em suas performances. Pessoalmente, nunca gostei muito do jeito dele tocar de maneira rebuscada, floreando demais nos arranjos, principalmente nos seus discos a partir dos anos 70. No meu entender, ele trocou o concerto pelo espetáculo, se tornando uma espécie de ‘showman’. Este seu estilo iria fazer escola, mas poucos ou quase nenhum conseguiu supera-lo. Pedrinho, por sua vez, parece ter seguido a escola do espalhafatoso Liberace, aquele pianista americano que se apresentava como se estivesse num carro alegórico de uma escola de samba, cheio de brilhos e lantejoulas.
Felizmente o disco que temos aqui ainda não é da época do ‘Pianíssimo’, programa de televisão da Rede Viva apresentado por ele. Em “Rapsódia”, temos o instrumentista em dois momentos distinto. Do lado A, abrindo o disco, temos a famosa “Rhapsody in blue”, de George Gershwin, aqui apresentada por ele em solo e com acompanhamento, também no piano, de sua irmã, a renomada professora de música, Mercedes Mattar Sciotti. A segunda e última faixa do lado A é “Abismos de rosas”, de Canhoto, num belo mas bem retocado arranjo (quase me escapa aos ouvidos a melodia). No lado B o pianista vem acompanhado de orquestra, sob a regência do Maestro Cyro Pereira. Ele nos apresenta seis temas pós (in) Bossa Nova, músicas de Edu Lobo e Vinícius, Chico Buarque, Menescal e Bôscoli, Maurício Einhorn e também músicas do Maestro Cyro Pereira.Disco bacana, valorizado ainda mais pela qualidade RCA de gravação e também pela belíssima capa de Telbado, com um desenho de Carlos Alberto Sartoretto. Confiram aí mais um toque musical de qualidade 😉

rhapsody in blue
abismo de rosas
canção do amanhecer
olê olá
a volta
certa vez
alvorada
nostalgia

José Luciano – Seu Piano E Seu Ritmo (1957)

Faça chuva ou faça sol, lá vou eu (na rima) com um novo toque musical. Sem muitas delongas, tenho para hoje o pianista José Luciano Studart. Um nome, talvez, pouco conhecido ou lembrado para a maioria dos mortais. Vindo do Ceará, de uma tradicional família de Fortaleza, iniciou seus estudos de piano ainda na infância. Na adolescência, veio morar no Rio de Janeiro, onde se encontrou totalmente com a música. Tocou no rádio, na televisão, em clubes e boates. Acompanhou os mais diversos artistas da nossa música. Seu piano está presente em muitos discos famosos. Gravou este que foi o seu primeiro lp, pela Copacabana, em 1957. Um disco bem sortido, com samba, fox, beguine e outros ritmos, dançantes, ou não.

Escolhi este lp muito por conta da postagem anterior, vi que havia nele o samba “Pois é” de Ataulfo Alves. Estão vendo? Uma coisa leva a outra. Acabei também na curiosidade e na dúvida. Há uma música, a primeira do lado B, de autoria de José Luciano e Mário Flávio, o samba “Brasilia”. Pelo título, imaginei que o disco tivesse sido lançado em 1960 ou 61, uma referência à nova capital federal. Mas só que o disco é de 1957. De onde será que veio ou qual foi a razão desse título? Deixo essas considerações para os amigos cultos e ocultos.

 
 
tarde demais
conceição
love is a many splendore thing
pois é
crepúsculo de amor
teus olhos entendem os meus
brasília
amar outra vez
quitandinha
so in love
canção da volta
dancing in the dark
do-ré-mi
sinfonia verde amarelo

 

 
.

Ataulfo Alves – Eu, Ataulfo Alves (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Espero mesmo que seja um bom dia. Os últimos, sinceramente não foram dos melhores. Como diz aquele samba do Cartola: “Quem me vê sorrindo pensa que estou alegre…” Mas eu não estou não. Está me voltando aquele velho estado depressivo. Se eu não me cuidar, não sei o que vai ser… Minha fuga, meu refugio, são talvez os 15 minutos que me dedico diariamente a compor este blog. Por mim, hoje, eu ficaria aqui sentado, ouvindo música, ou talvez voltasse para a cama, fugindo num sonho para um lugar que não existe. Desculpem a lamentação, mas eu realmente não estou legal.
Para espantar um pouco o bode, vamos logo ao disco do dia. Escolhi para hoje e mais uma vez, o grande Ataulfo Alves. Temos aqui um raro exemplar lançado em 1969, pelo selo Polydor, um mês após a morte do compositor. Trata-se de um registro histórico. São trechos de um depoimento dado por ele ao Museu da Imagem e do Som, quase três anos antes. Como disse Ricardo Cravo Albin, este lp tem a responsabilidade de mostrar algo do que o hoje lendário Ataulfo declarou para a história. Acompanhado apenas de seu violão, ele nos conta passagens importantes da sua vida e entre uma fala e outra, toca e canta alguns de seus maiores sucessos. Taí um disco depoimento que vale a pena ouvir. Confiram…

tempo perdido
saudade do meu barracão
saudade dela
sei que é covardia
boemio
errei… erramos
bonde de são januário
leva meu samba
ai! que saudades da amélia
infidelidade
mulata assanhada
pois é…
vai na paz de deus
você não quer, nem eu
lagoa serena
nem que chova canivete
meu pranto ninguém vê
laranja madura
na cadência do samba

Toninho Horta – Ao Vivo Em Moscou (1992)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje, para variar, eu acordei tarde. Dormi como uma pedra até as 10 da manhã. Tudo que eu havia planejado no sábado deu errado, inclusive a postagem. Só agora eu estou percebendo que não cheguei a publicá-la. Sinto muito, mas imprevistos acontecem, mesmo para um cara prevenido como eu. No caso aqui não foi só falta de atenção, esta foi apenas uma consequência. No sábado, a bruxa por aqui esteve solta. Nem a folia de pré carnaval, com Banda Mole e tudo mais conseguiram dar jeito no meu astral. Fui dormir as oito da noite e nem lembrei de blog. Mas hoje eu voltei com força total.
Estou trazendo para os amigos mais um albinho ‘made in TM’. Há poucos dias atrás o ‘brother’ Chris Rousseau me enviou vários arquivos interessantes, entre eles uma seleção que ele fez de Toninho Horta, extraída de uma caixa com três cds, o álbum triplo e internacional “Mockba MCMXCII – Live in Moscow”. Trata-se de uma edição que reúne apresentações ao vivo de grandes nomes do jazz moderno, como Airto Moreira & Fourth World, Eddie Gómez Trio, Igor Butman Quartet, Willian Galison e o nosso Toninho Horta e seu grupo, realizadas na cidade russa em 1999. Segundo informações colhidas no site do artista, este é um cd raro, difícil de achar até na Rússia. Tem neguinho aí vendendo a caixa com os três cds por 400 reais, pode? (até que se fosse um álbum em vinil eu aceitaria este preço). Vinil, para mim, é objeto. CD é quase dejeto.

era só começo o nosso fim
eternal youth (manoel o audaz)
no carnaval
aqui, oh!
paris cafe
waiting for angela
aquelas coisas todas
once i loved
serenade
vento

Manfredo Fest – Brazilian Dorian Dream (1976)

Olás! Quando penso em postar discos de Bossa Nova, fico sempre na dúvida se já foi ou não postado no Loronix. Às vezes eu acabo desistindo quando vejo que o disco já passou por lá e já está em outras fontes também. Mas como hoje em dia, no blog do loro, de ativo e crescente só tem mesmo o quadro de seguidores (talvez esperando o seu retorno), eu daqui vou postando os meus sem preocupação. Acontecem também coincidências com postagens de outros blogs, mas eu já vi que se for ficar preocupado com isso, acabo me limitando e seguindo uma linha que não me interessa. Quando percebo a tempo que o disco também foi postado em outro blog, daí eu posso até fazer uma menção. Mas nem sempre eu saio procurando pela rede para saber se o disco que quero postar foi ou não publicando. Minhas postagens não dependem disso.
O álbum de hoje não é de Bossa Nova, porém já foi publicado no Loronix. Eu o comprei ontem, mais como um investimento, pois trata-se de um álbum raríssimo do Manfred Fest, gravado nos Estados Unidos (importado) em sua fase internacional. No quesito raridade ele está no mesmo pé de igualdade do álbum “Krishnanda” de Pedro Sorongo, cotado no mercado internacional de colecionadores a mais de 500 pratas! Depois de devidamente digitalizado, eu o coloco a venda para quem se interessar, pela metade do preço. Aproveitem porque a oferta é por tempo limitado (hehehe…)
Temos então o instrumentista em um álbum lançado em 1976 pelo selo americano T&M Productions. Este disco nunca saiu no Brasil e ao que me parece foi o primeiro álbum gravado por ele ao se mudar para os ‘States’. Muitos o consideram como sendo o seu disco mais moderno. Um álbum realmente diferente de outros dos seus trabalhos. Em “Brazilian Dorian Dream”, Manfredo vem acompanhado pelo baixista neozelandês Thomas Kini, o baterista e percussionista costa riquenho Alejo “Joe” Poveda e a cantora americana Roberta Davis. Juntos eles fazem um som que bem nos lembra o Sérgio Mendes numa postura mais jazzística. É um disco de “fusion” e dos melhores, com elementos do jazz, do rock e também de suas raízes brasileiras. Foi um álbum muito bem recebido pela crítica e mesmo sendo um disco estrangeiro, nunca chegou a ser relançado no formato cd. Manfredo faleceu em 1999, aos 63 anos, na Flórida (EUA).

brazilian dorian dream
facing east
jungle cat
that’s what she says
slaughter on tenth avenue
who needs it
braziliana nº 1

Deo Lopes – Voar (1981) & Certos Caminhos (1984)

Bom dia a todos! Finalmente sexta feira! E antes que eu me esqueça, amanhã é dia de Feira do Vinil lá na Discoteca Pública, que fica na Rua Machado 207 – Bairro Floresta (próximo ao Colégio Batista). A feira que é mais uma festa vai rolar durante todo o dia, de 10 às 17 horas. Quem estiver em Belô, não pode perder!
Na semana passada eu estive na cidade de Tiradentes participando do Festival Foto Em Pauta e fiquei na pousada do meu amigo Carlos Moraes. Fiquei conhecendo ele através do blog. Foi ele quem doou, para mim, a coleção completa da “História da Música Popular Brasileira”, da Abril Cultural. Ele é de Sampa, mas há coisa de uns três anos resolveu trocar o agito da cidade paulista pelo agito da cidadezinha mineira. Tá por lá tocando a vida e nesse nosso reencontro, mais uma vez rendeu novos discos. Desta vez ele me emprestou uma série de discos (os quais eu prometi devolvê-los na próxima vez que for à Tiradentes). Ele deixou comigo, por exemplo, os primeiros discos do excelente cantor e compositor Déo Lopes. Eles foram muito amigos e inclusive a capa do seu primeiro álbum, “Voar” é de autoria do Carlos. Segundo ele, o desenho original era em preto e branco, o Déo foi quem resolveu mudar para o azul, o que faz sentido, considerando o título do álbum. Mesmo assim e em homenagem ao meu amigo, decidi publicar nesta postagem a capa no preto e branco. No embalo, resolvi também incluir uma ‘repostagem’, o álbum “Certos Caminhos”, de 1984. O exemplar que eu tenho é diferente do que o Carlos me emprestou. É uma edição especial, com uma capa diferente. Déo lançou “Certos Caminhos” trazendo também esta capa de série limitada, com o trabalho do artista plástico Fábio Pace. Trata-se de uma espécie de pintura em alto relevo, onde para cada exemplar houve um resultado diferente e exclusivo. Enfim, um álbum de arte (e para poucos!). Infelizmente, este eu vou ter que devolver.
Déo Lopes é um artista paulista, nascido na cidade de Santo Antonio da Alegria, no Vale do Paraíba. Mas ouvindo sua música, quem não o conhece, vai dizer que é mineiro. Isso se deve muito ao fato de que ele é um músico com muitas paradas, assimilando um pouco de cada lugar por onde passa. Sua música é extremamente agradável e de uma assimilação bem natural. Em “Voar”, seu primeiro trabalho, ele traz doze músicas, sendo nove delas de sua autoria ou parceria, onde nessas é apenas o letrista. Neste lp participam os irmão Dante e Ná Ozzetti, no côro e percussão. Eis aí um trabalho independente da melhor qualidade. Aliás, um não, dois! Tem também a reprise do delicioso “Certos Caminhos”. Quem ainda não os ouviu em outras fontes, não deixe de conferir por aqui. Eu recomendo… 😉

Voar:
canto de agora
voar
a química e o drama
pés no chão
a lua é de luiza
larissa
dia de festa
herança
nos olhos da serra
um bom partido
tassiana e rafael
retratos

Certos Caminhos:
tesouro da terra
certos caminos
o raio rubi que a romã reluz
pacífica
canção da quatro luas
bicho branco
voarás
boca de minas
respire fundo
ponto de cruz
bicho branco
aquela estrela

Marilia Batista – Poeta Da Vila (1953)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco raro e bem interessante. Como já se pode ver pela capa, temos aqui um Noel Rosa na voz de uma de suas intérpretes favoritas, a cantora e compositora Marília Batista. Este álbum, primeiro lançamento em ‘long play’ de 10 polegadas do selo Rádio, saiu em 1953, trazendo de volta a cantora que se encontrava afastada já há vários anos dos estúdios. No álbum de oito faixas, cinco das são interpretadas por ela. As demais são apenas orquestradas e ficam por conta do Maestro Aldo Taranto, que foi quem cuidou de toda a direção, fazendo os arranjos e orquestração.
Uma curiosidade que me chamou a atenção é que além de ser este um dos primeiros ‘lps’ lançados no Brasil, foi também o primeiro vinil mesclado, com manchas brancas, lembrando bem os discos de edições especiais, que mais adiante viriam a aparecer no mercado. Eu sempre acreditei que fosse um disco com defeito na fabricação, até o dia em que vi outros exemplares do mesmo álbum. Imagino que o mesmo deve ter passado pela cabeça daqueles que também adquiriram o disquinho. Mas roda que é uma beleza! Quer conferir?

feitio de oração
até amanhã
quando o samba acabou
pra esquecer
com que roupa
quem ri melhor
pela primeira vez
dama do cabaré

José Tobias – Rapsódia Brasileira (1984)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Esse pessoal do Blogger tá de sacanagem com a gente, só pode… Sua ferramenta ‘anti spam’ só detecta os meus toques celestiais. De agora para frente vai ser assim, terei que verificar, horas depois, se o ‘toque musical’ permanece no comentários. Não adianta certificar isso na hora, só fico sabendo quando alguém dá o grito.
Continuando nosso sortimento musical da semana, vamos hoje com mais um pernambucano, o grande cantor José Tobias, acompanhado por Radamés Gnattali, Octeto Brasilis e a Camerata Carioca. Um disco com um time desses só podia mesmo ser uma produção de Hermínio Bello de Carvalho. Em sua apresentação, no texto da contracapa, ele nos conta que a ideia foi produzir num disco “uma rapsódia, despudoradamente ufanista e romântica”, a qual seria entregue a um grande cantor. Uma rapsódia em dois movimentos, reunindo algumas das mais conhecidas melodias do nosso cancioneiro, interligadas tematicamente (no disco, não há pausa entre uma música e outra). Hermínio então escalou José Tobias, “um cantor de mil cantorias”, Radamés Gnattali para os arranjos e regência, o Octeto Brasilis (formado por Radamés – piano; Aloisio de Vasconcelos – teclados; Rafael Rabello – violão 7; Helio Capucci – violão 6; Wanda Cristina Eichbauer – harpa; Braz Limonge Filho – oboé; Zeca Assumpção – contrabaixo e Wilson das Neves – bateria) e a Camerata Carioca (formada por Joel Nascimento – bandolim; Joaquim dos Santos Neto – violão; Maurício Carrilho – violão baixo; Luiz Otávio Braga – violão 7; Henrique leal Cazes – cavaquinho; Dazinho – flauta e Beto Cazes – percurssão). Com um time desses, não precisa nem ficar na dúvida, é ouvir e gostar. Não é um trabalho comercial, ou ainda, feito para tocar no rádio. Segundo Hermínio, “feito para tocar os corações”. Ele realmente conseguiu. Uma bela produção independente que teima em aparecer no TM antes da sexta feira. Confiram a pérola…

1º movimento: sertaneja
meu caboclo
onde o céu azul é mais azul
minha terra
sertaneja
a última estrofe
luar do sertão
isso é o brasil
canta brasil
2º movimento: modinheira
azulão (de jaime ovalle e manuel bandeira)
maninha
casinha pequenina
modinha (de jaime ovalle e manuel bandeira)
modinha (de sergio bittencourt)
azulão (de hekel tavares e luiz peixoto)
azulão (de jaime ovalle e manuel bandeira)

Juarez – Sua Excia. O Sax (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como eu disse, esta vai ser uma semana bem sortida e variada, bem a cara do que é o Toque Musical. Curiosidades e raridades são o que não falta…
Este é Juarez. Juarez Assis de Araújo, para esclarecer melhor e logo de cara, foi um dos maiores saxofonistas do mundo! Reconhecido internacionalmente, este músico instrumentista, paradorxalmente, nos dias de hoje se tornou um ilustre desconhecido. Só mesmo quem conhece um pouco (ou mais) da história da nossa música poderá se lembrar desse grande artista. Nascido em Pernambuco em 1930, teve desde a infância contato com a música. Iniciou seus estudos no saxofone com 11 anos. Na adolescência já tocava em um grupo de jazz e se apresentava nas rádios do nordeste. Na metade dos anos 50 transferiu-se para o sudeste, vindo trabalhar em orquestras de São Paulo e logo em seguida foi para o Rio de Janeiro tocar com o Maestro Osvaldo Borba, em sua famosa orquestra da TV Rio. Juarez era um músico versátil, que passeava com muita desenvoltura pelos mais diversos gêneros, tanto os nacionais como os internacionais, principalmente o jazz. Seu talento e sua técnica eram de impressionar. Foi considerado, nos anos 60, pela revista americana especializada em jazz, “Downbeat”, como um dos cinco maiores saxofonistas do mundo. É mole? No final dos anos 50 e início dos anos 60 ele andava muito entrosado com Tom Jobim, Newton Mendonça e a turma da Bossa. Acabou absorvendo um leque musical rico e variado. Mas como músico instrumentista, ainda mais sendo saxofonista, sua atenção naquela época, naturalmente era o jazz. Isso fica bem claro em discos como “Bossa Nova nos States” ou “O inimitável Juarez”.
“Sua Excia, o Sax” foi o seu primeiro lp, lançado em 1961 pelo selo Carroussel. Como seus outros discos, nunca teve uma edição em cd e é com certeza um álbum ainda mais raro. Aqui encontramos uma seleção musical que vai do samba aos ‘standards’, clássicos da música americana. Ele vem acompanhado de um bom conjunto e sob a supervisão do Maestro Astor. Confiram aqui…

o menino desce o morro
deep purple
t’ll get by
chorou, chorou
julgamento
bye, bye blackbird
volta
indiscretion
samba de uma nota só
al di lá
súplica
bewitched

Os Carbonos – Instrumental Vol. 13 (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossa semana se inicia bem de acordo com o lema do blog: ouvir música com outros olhos. Nos próximos dias vou ir postando um pouco de cada monte de disco que arrumei nos últimos tempos. Entre os que eu já tinha, as doações, compras e empréstimos, estou com um saldo aqui para manter o Toque Musical por um bom tempo.
E por falar em tempo, deixa eu correr aqui, pois a semana vai ser ‘foda’.
Vamos mais uma vez com o grupo paulista Os Carbonos. Já postei aqui alguns discos deles e confesso, a cada vez gosto mais. Em outros tempos, na minha juventude adolescente (pois hoje vivo a juventude adulta), eu torcia o nariz para grupos musicais do gênero. Os Carbonos eram, para mim, o ‘supra sumo’ do ‘demodê’, uma caricatura daquilo que eles tocavam. Mas foi só eu abrir um pouco mais a minha cabeça, olhos e ouvidos, para descobrir que a coisa não era bem assim. O que eu tinha era literalmente, um pré conceito. O grupo surgido no início dos anos 60, na onda da Jovem Guarda, se tornou especialista no que hoje denominamos como ‘covers’, ou seja, tocar músicas de sucesso de outros conjuntos. Como eu já mencionei em outras postagens sobre a banda, o nome “Carbonos” vem muito apropriadamente por conta disso, de só gravarem músicas que faziam sucesso. Fizeram muitos discos ao longo de sua existência. Gravaram também com outros nomes, como Andróides, The Mackenzie Group, Carbono 14 e The Magnetic Sounds, sendo este último gravando a série de lps “Super Erótica”. O que fez dOs Carbonos um grupo musical de sucesso, não foi apenas a escolha de repertórios marcados, mas principalmente a qualidade de seus músicos e fidelidade na execução. Eles foram pioneiros nesse assunto…
Neste álbum, o volume 13, lançado em 1973, encontramos diferentes sucessos da música pop internacional, todos, em versões instrumentais. Há também espaço para temas nacionais. Temos duas faixas com as músicas, “Menina, vem dormir”, de Wando e, contrariando a condição de copistas, eles trazem na faixa 4 do lado B a autoral “Frases”, do vocalista (?) Raul Carezzato Sobrinho. Dentro dessa proposta eles, sem dúvida, fazem um disco bem interessante. Confiram…

skyline pigeon
nobody knows
my mother was her name
sunshine lover
bottoms up
trop belle pour rester seule
get down
my love
the devil and the angel
frases
hazy, hazy, crazy, crazy
menina, vem dormir

Ivon Curi – Eu Em Portugal Vol. 2 (1959)

Olá, amigos cultos e ocultos! O disco de hoje saiu no sorteio, escolhi de maneira aleatória para ficar mais fácil. Metendo a mão na gaveta, veio logo de primeira este álbum do Ivon Curi.
Lançado em 1959, o lp registra o retorno de Ivon Curi a Portugal. À convite de produtores de lá, devido ao grande sucesso que fez em sua primeira visita, ele volta se apresentando no Teatro São Luiz, em Lisboa. Assim como da outra vez, seus shows acabaram se transformando em discos, lançados pela RCA Victor, gravadora do artista. O álbum, obviamente é um resumo. O show de despedida durou mais de três horas! Temos aqui bons momentos, um Ivon Curi mais romântico e poético. O humor, que também não pode faltar, se manifesta de maneira moderada. Tudo muito bem dosado.

mensagem a portugal
exagerado
sai menina
lili
cala boca menino
destino de cantor
o xem nhem nhem
remincências
intimidade
poema da lágrima inoportuna

Bossa Pelo Mundo – Seleção Toque Musical (2011)

Quando eu era adolescente, tinha por hábito gravar fitas cassetes, fazendo seleções musicais para ouvir no meu ‘walkman’ e consequentemente fazia também para os amigos. Não havia um que não ficasse encantado com as minhas coletâneas. Na época eram mais de rock e pop, mas havia também espaço para a MPB. Eu gostava tanto de selecionar as músicas com também de compor as capinhas para essas fitas. Naquela época eu nem imaginava que um dia chegaríamos onde estamos. Hoje tenho todas as ferramentas necessárias para isso, com a vantagem de fazer ainda mais bem feito e com qualidade. Por várias vezes pensei em fazer um blog só para coletâneas. Modéstia a parte, eu acho que sou muito bom como programador musical, mais ainda se deixarem a escolha totalmente por minha conta (hehehe…). Mas a verdade é que eu não tenho aproveitado essa ideia como poderia. De vez em quando, se sobra um tempinho (ou melhor, um tempão), eu até faço.
Ontem à noite eu fiquei bem por conta do ‘atoa’. Ouvindo alguns discos de jazz e bossa, surgiu a ideia de uma seleção internacional de intérpretes da música brasileira. Criei duas coletâneas com os discos/arquivos que tinha disponível no momento, uma exclusivamente de Bossa Nova e a outra um pouco mais variada, que se for do gosto da freguesia, entra numa próxima oportunidade.
A seleção musical de “A Bossa Pelo Mundo” reúne uma série, extraídas de excelentes álbuns e artistas internacionais. Figuras como Quincy Jones, Les Baxter, Enoch Light, Stan Getz, Clare Fischer, Cal Tjader, Esquivel e outras tantas pérolas da boa música estrangeira, fazem parte desta minha coletânea exclusiva. Além de serem ótimas interpretações, com arranjos dos mais variados, são também gravações raras, que aguçam o nosso interesse em ouvir. Conhecer a visão do estrangeiro sobre a nossa maior cultura, a música, é também uma forma de entender como eles nos enxergam. É entender sem muitas explicações o porquê nossa música faz tanto sucesso pelo mundo. Espero que os amigos cultos e ocultos gostem da coletânea. A capinha não ficou lá essas coisas, pois foi a última parte do trabalho e nessa altura eu já estava com os olhos marejados de sono e a cabeça em outro mundo. De todo, acho que está apresentável, muito embora mais pareça capa de disco dos anos 80. Fiquem à vontade para criticar. Todo comentário é bem vindo se vem para somar. 😉

água de beber – esquivel
bim bom – stan getz
chega de saudade – paul winter sextet
corcovado – harry allen
desafinado – quincy jones
ela é carioca – stanley turrentine
a felicidade – les baxter
garota de ipanema – clare fischer
manhã de carnaval – quincy jones
maria ninguém – paul winter
meditação – alfredo urdian
minha saudade – herbie mann
não diga nada – cal tjader
noite triste – stan getz
o barquinho – enoch light
samba de uma nota só – enoch light
samba do avião – stanley turrentine
samba para dois – eddie harris
se é tarde me perdoa – cal tjader
só danço samba – clare fischer
surfboard – esquivel
vivo sonhando – los gamma

Raul Boeira – Volume Um (2009)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Deixa eu aproveitar a sentada aqui, enquanto tomo o meu café, para montar a postagem de hoje. Finalmente, depois de muita enrolação da minha parte, estou trazendo aqui para o Toque Musical o excelente álbum do cantor e compositor gaúcho, Raul Boeira. Há mais de um mês tenho ensaiado a apresentação deste trabalho, mas devido à alguns probleminhas e à própria agenda que criei no blog para os álbum/artistas independentes, só foi possível postá-lo agora. Com isso perdi a exclusividade de tê-lo em primeira mão, mas em se tratando de uma obra de excelente qualidade, como é “Volume Um” e também pela generosidade e atenção de Raul Boeira, eu jamais deixaria de postá-lo. Aproveitei a viagem para ouvir com carinho este disco e como nem sempre eu escuto música sozinho, acabei conquistando uma série de amigos, que logo perguntaram: que som legal é esse que está tocando? Pois é, um som muito legal mesmo, música gaúcha sem sotaque, ou por outra e acima de tudo, música popular brasileira da melhor qualidade. Raul é um artista que ultrapassa os limites fronteiriços e sua arte lhe dá asas (sem tomar Red Bull) para alcançar vôos até intenacionais. Música moderna, bem feita e bem executada. Raul me enviou tudo prontinho, o que facilitou ainda mais a minha vida de ‘blogueiro sem tempo para o blog’. Incluo, logo a baixo, parte do ‘release’ para que vocês possam conhecer melhor o nosso artista do dia e seu disco:
Em 2009, Raul Boeira lançou Volume Um, disco produzido no Rio de Janeiro, no legendário estúdio Nas Nuvens, com direção musical do pianista e arranjador Dudu Trentin, que atuou algum tempo em Passo Fundo, depois em Porto Alegre (Cheiro de Vida, Vitor Ramil, Nei Lisboa), Viena e hoje vive na capital carioca. O CD tem sambas, ijexá, xote, baião, partido alto, toada, além de candombe e milonga. O repertório traz doze canções: O poder da benzedura, Negro coração e Clariô (ambas em parceria com Alegre Corrêa), Oferenda, Doutor Cipó, Na beira do rio, Pro pandeiro não cair, Minha reza, Castelhana, Com o azul nos olhos (parceria com o porto-alegrense Mário Falcão), Tataravô e Laranjeira. O ‘cast’ conta com instrumentistas do primeiro time da MPB. Os guitarristas Ricardo Silveira, Lula Galvão, Celso Fonseca, Torcuato Mariano, Fernando Caneca, João Gaspar e Julio Herrlein; os baixistas André Vasconcellos e André Rodrigues; o baterista Alexandre Fonseca; os percussionistas Sidinho Moreira e Firmino; o flautista Marcelo Martins; o violinista Glauco Fernandes e o acordeonista Léo Brandão. A cantora carioca Barbara Mendes cantou em uma faixa. Atuaram como backing vocals Juliano Cortuah, Nina Pancevski e Lu Duque.
Outras informações, vocês poderão encontrar em anexo ao arquivo do disco. Quem ainda não o ouviu por aí, não devem perder esta oportunidade. Eu recomendo…

o poder da benzendura
negro coração
oferenda
doutor cipó
na beira do rio
pro pandeiro não cair
minha reza
castelheana
com o azul nos olhos
tataravô
laranjeira
clariô