Olá amigos cultos e ocultos! Hoje teremos uma sessão dupla especial. Como aqui no blog uma coisa leva a outra. Depois da postagem de ontem, da MGL e seu selo Paladium (o qual eu ainda um dia irei dedicar um blog exclusivo), achei oportuno trazer esses dois discos de um outro selo, na mesma linha do mineiro e também da mesma época. Trata-se da Coledisc, um selo carioca, segundo o Sr. Dirceu Cheib, concorrente e também parceiro em algumas produções. Quem conhece um pouco dos discos da Paladium e da Coledisc logo percebe nítidas semelhanças, não apenas nos encartes, nas artes e capas, mas também em artistas e fonogramas. A diferença básica é que a Coledisc, por ser sediada no Rio, tinha uma maior variedade e disponibilidade de músicos instrumentistas e até fonogramas prontos, o que lhe garantia produções e edições mais bem acabadas. Como a Paladium, a Coledisc tinah também as suas coleções, vendidas também pelo correiro e à domicílio. Entre essas caixas sortidas com vários lp’s, tenho aqui dois exemplares de alguma das séries, com versões orquestrais (bem semelhantes às originais) de temas de filmes da época. Na contracapa dos lp’s consta em um pequeno texto, que serve mais para compor do que como uma verdadeira informação, dizendo ser a “Romantic Players Of Beverly Hills”, uma das mais famosas orquestra de Hollywood. Só não contaram essa para os grandes compositores regentes do cinema americano, como o Alfred Newman.
Antoninho Pellicciari E Seu Conjunto – MGL Apresenta Sucessos Do Momento (1963)
Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu me atrasei na postagem por causa exatamente deste disco. Há tempos eu venho querendo postá-lo, mas faltava ainda um trato no áudio, retirar alguns estalhos e chiados e ganhar um pouco mais do no volume. Consegui fazer isso ontem, antes de ir dormir. Hoje, pela manhã, era só postar, mas eu fiquei com um dúvida. Vejam só, este álbum foi um dia postado pelo amigo Zeca em seu Loronix (eu nem sabia). Em sua publicação ele dizia que Antoninho Pellicciari era um pseudônimo, que quem estava por trás do obscuro nome era na verdade o Maestro Aécio Flávio. Por conta dessa afirmação, alguns outros sites passaram também a creditar o lp ao músico. Eu que já conheço um pouco a história da gravadora mineira, fiquei meio na dúvida. Sei que o Aécio começou sua carreira em estúdio junto com o surgimento da MGL/Bemol. Mas sabia também que a sua participação se deu a partir do surgimento do selo Paladium, já pelos idos de 1965 ou 66, conforme ele mesmo conta em sua biografia. Portanto, havia alguma coisa erra nessa história. Na dúvida, enviei um e-mail ao Sr. Dirceu Cheib, que agora a noite me retornou, respondendo de maneira lacônica, que “se trata de um músico paulista que tinha um conjunto famoso na capital”. Obviamente, Antoninho Pellicciari nunca existiu além deste disco. Também não foi o Aécio Flávio. Mas tudo me leva a crer que quem está por trás deste disco é na verdade o Maestro Edmundo Peruzzi. A MGL – Minas Gravações Ltda foi criada em Minas Gerais, incentivada pelo maestro paulista Peruzzi que convenceu o Dirceu Cheib e seu sócio a bancarem um disco seu, o já apresentado aqui, “O Samba Visita O Clássico“. Para não ficarem no negócio de um só disco, Peruzzi achou que seria bom eles terem outros lançamentos. Daí, nasceram mais três álbuns, todos gravados em São Paulo, já que a gravadora ainda não tinha estúdios. Segundo o Sr. Dirceu, todos esses primeiros lps foram gravados com músicos paulistas. Outro disco integrante, também postado aqui, é o do cavaquinista Xixa e Seu Conjunto. Como disse, para mim, Antoninho Pellicciari era mesmo o Maestro Peruzzi. Ele esteve envolvido diretamente na criação da gravadora e de seus quatro primeiros álbuns. Talvez, para não se fazer repetitivo, ou ainda, para criar a ideia de uma gravadora com artistas multiplos e diferentes, eles tenham preferido adotar o pseudônimo. Ao ouvir o disco e conhecendo um pouco o trabalho de interpretação e arranjos de Aécio Flávio e também o de Edmundo Peruzzi, vocês irão concordar comigo de que o segundo é o mais suspeito.
A propósito, o Zeca deve ter percebido isso, pois logo retirou este título e postagem de seu blog.
Bom, quanto ao conteúdo musical, temos aqui um desfile de temas feitos para dançar, como ensinou o mestre Waldir Calmon. O disco se divide de um lado com temas nacionais e do outro os internacionais. Todos, sucessos do momento. Confiram…
Johnny Alf – 1964 (2010)
Coisa mais esquisita… Acordei hoje com uma vontade danada de ouvir Johnny Alf. Enquanto prepara a o café, fui ouvindo o álbum “Diagonal”, que há muito eu não o escutava na íntegra. Adoro a interpretação do Johnny em “Seu Chopin, desculpe” e foi logo chegando na faixa para consequentemente eu me lembrar da versão que ele também canta em inglês. No dia em que ele faleceu eu fiz questão de postar um de seus discos aqui no Toque Musical, o “Nós”. Neste mesmo dia, a noite, um dos meus amigos cultos, o Tales, me enviou um presentinho para ser colocado no blog naquele dia. Pena que chegou depois que eu já havia feito a postagem. Mas o arquivo que ele me enviou era o tão falado (por mim nunca escutado) álbum de Alf, que nunca chegou a ser lançado, onde o artista canta em inglês. Naquele mesmo momento eu fui logo procurar na rede informações sobre o tal disco. Me lembro que haviam diversos sites falando sobre o assunto. Como eu já havia feito a minha homenagem, resolvi deixar o Alf em inglês para um outro momento. Coisa mais esquisita…, curiosamente hoje, ao procurar tais informações, numa vasculhada por alto, não vi uma referência sobre as gravações. Como estou com pouco tempo para ficar sentado na frente de um computador, vou deixar a questão para ser debatida no nosso Comentários. Para embrulhar o presente, entre as torradas e goles de café, fui criando uma capinha exclusiva para esta raridade. Afinal, este disco tem tudo a ver com o Toque Musical 😉
Villa-Lobos – O Intérprete, Choros Nº 1 E Outras Peças (1970)
Olá, amigos cultos e ocultos. O nosso sábado de hoje vai ser mais curto com a entrada do horário de verão. Daqui a uma hora será domingo. Eu, perdido entre tantas tarefas nem me dei conta disso, aliás pensei até que já tivesse feito a postagem do dia.
Então, para fechar o sábado e saldar o horário de verão (ups!), vou postar aqui uma raridade dessas que só o Toque Musical tem. Apresento a vocês este disco raro do selo Caravelle contendo ainda mais raros registros de Villa-Lobos como intéprete. Trata-se de gravações bem antigas, algumas de 1936, feitas pelo Maestro na Reichsrundfunk, em Berlim. Para essas, Villa-Lobos toca algumas de suas peças ao piano acompanhado pela cantora alemã Beate Rosenkreutzer. Outras gravações são de 1951, pelo que tudo indica, durante uma turnê no nordeste. Nesta, temos o Maestro tocando violão e também em um discurso de quase vinte minutos.
Desculpem, hoje eu não vou entrar muito em detalhes ou mesmo alertá-los ainda mais para a importância desse disco. Estou nessa altura do campeonato totalmente esgotado. Vou acabar dormindo sobre o teclado. Confiram aí e na sequência a gente fala mais do disco, ok?
Aum – Belorizonte (1983)
Êta diazinho puxado! Só agora estou tendo um momento para por em dia a nossa postagem. Ainda bem que amanhã é sábado. Vai ter aquela feira do vinil da Discoteca Publica e eu vou para lá logo cedo. Hoje, sexta feira, estava até me esquecendo que é o dia do disco/artista independente. Foi meio por acaso, conversando com um amigo, ele pela milésima vez me cobrou a gravação de um disco que eu havia lhe prometido. Por sinal, o disco também é dele, que me emprestou para que eu o passasse para cd. Eu o digitalizei, mas nunca lhe enviei o cd, apenas devolvi o disco. Mas desta vez eu lhe jurei que ainda no fim de semana ele teria a versão em cd. Comecei a queimar um cd aqui e logo me dei conta de que este disco é uma produção independente. Caiu como uma luva. É este o disco do dia!
Aum foi um grupo instrumental formado por cinco músicos de Belo Horizonte, na década de 80. Nadando contra a corrente, eles faziam um som híbrido, um ‘fusion’ de jazz com rock progressivo que desafiava o desinteressado público ‘new wave’ daquela década. Mesmo assim eles conseguiram chegar ao único lp. Gravaram de maneira independente na Bemol, em 1983, este álbum que hoje se tornou uma jóia rara, cotada bem cara nos sebos e mercados livres por aí.
Passados mais de vinte anos, a música do Aum continua intacta, causando-me surpresas. Pô, esses caras eram mesmo muito bons!
Luiz Roberto – Velha Guarda Em Bossa Nova (1960)
Hoje está sendo daqueles dias que nada parece resolvido para mim. Ou por outra, não estou conseguindo resolver tudo que precisava. O dia já se foi e eu aqui agarrado no trabalho, cheio de pendências. Para descansar um pouco, vou tentar por em dia a nossa postagem. Já havia preparado o disco logo cedo e agora faltava apenas publicar.
Estou trazendo este lp muito interessante, que vale a pena escutar. Pelo título já podemos ter uma ideia do que se trata. Sim, são velhos e celebrados sambas, apresentados em arranjos do que havia de mais moderno no momento, a Bossa Nova. O intérprete chama-se Luiz Roberto. No álbum não há uma foto do cantor e muito menos qualquer referência a seu respeito. Seu nome só aparece mesmo na capa e no selo. Quem seria este tal Luiz Roberto? Se pelo menos tivesse um sobrenome… Tentei achar alguma coisa pelo próprio título do disco. Acabei descobrindo que o álbum já havia sido postado no Loronix e lá também o Zeca não encontrou muita coisa, além da suspeita de ser este Luiz Roberto o mesmo dOs Cariocas, o que foi confirmado por um de seus visitantes. Seja ele ou não, o que mais importa é que é um disco muito bom. Se alguém passou batido nessa leva, a nova chance é agora. Confiram…
17º Feira do Vinil e CD’s Independentes!
Aos que estiverem em Belo Horizonte no próximo sábado, não deixem de conferir a super feira de vinil e cd, que acontece durante todo o dia lá na Discoteca Pública. Se você tem disco para vender, quer comprar ou trocar, este é o lugar! Eu acho que darei uma chegada por lá. Além dos discos, vai rolar uns comes e bebes e a participação especial do DJ Luiz Valente que também estará apresentando ao público da Feira, os discos da sua Vinil Land. Os lançamentos estarão a venda . Quem é apaixonado por vinil como eu, não vai ficar fora dessa. O convite taí… 😉
Martha Mendonça – Kimi Koishi (1964)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Há tempos alguns de nossos visitantes haviam citado e pedido discos da cantora Martha Mendonça. Eu confesso que acabei me esquecendo. Como já dizia o Roberto Carlos, “são tantas emoções”, que eu até me perco. As vezes, realmente, eu me esqueço de muita coisa que já foi postada aqui no Toque Musical. Tenho que recorrer ao index da barra lateral do blog para me certificar.
Bom, então, atendendo à pedidos, embora tardiamente, temos aqui a Martha Mendonça em seu álbum de 1964 pela Chantecler. “Kimi Koishi” é uma música japonesa famosa, que dá nome ao disco e que aqui recebeu o nome de “Saudade de você”, numa versão de Teixeira Filho. Acho que esta música ficou mais famosa na versão brasileira da Martha do que a original de Frank Nagai (pelo menos no Brasil). O álbum traz ainda outras versões e algumas músicas de Lúcio Cardim e da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Um disco romântico por excelência, para aumentar ou aplacar ‘dores de cotovelos’, com se dizia antigamente. Martha Mendonça tem um timbre de voz muito especial. Se tivesse levado a diante a sua carreira como cantora e também, se tivesse se dedicado a um repertório de todo romântico, talvez fosse hoje considerada uma das nossas mais importantes cantoras.
Villa Lobos Às Crianças (1987)
Olá amiguinhos cultos e ocultos. Hoje é dia de Nossa Senhora da Aparecida, padroeira do Brasil. Salve ela e salve o Brasil! Mas é também o Dia das Crianças, salve, salve… Na minha infância não tinha isso de ‘dia das crianças’. Aliás, eu só vim a saber que existia o tal dia depois que eu virei adulto. Sacanagem… Passei pelo menos uns dez anos ignorando meus direitos. Acho que vou processar todas as Associações do Comércio por terem negligenciado a propaganda de incentivo a compra de brinquedos nesse dia. Poxa, meus pais não foram avisados, fiquei chupando dedo. Quero de volta todos os meus Dia das Crianças! E com presente!
Eu, durante o tempo de existência do blog, não me lembro de ter dedicado uma postagem à esse dia. Acho que poucas vezes postei material infantil por aqui. Embora eu tenha acesso a milhares de discos infantis, prefiro deixar isso para o Cantos & Encantos, que é o blog especializado no assunto. Porém, contudo e todavia, vou deixando aqui um toquezinho interessante.
“Villa Lobos às crianças” é um trabalho criado pelo violinista polonês, naturalizado brasileiro, Jerzy Milewski. Jerzy é conhecido por suas interpretações instrumentais de artistas como Milton Nascimento, Djavan, Paulinho da Viola, entre outros… Neste disco ele foi o responsável pela criação e direção, em um trabalho voltado para o público infantil. Trata-se de uma adaptação da obra de Maria Clara Machado, “Clarinha na ilha”, cuja a trilha é pautada em Villa Lobos. A adaptação é de Hélio Bloch e a narração dos atores Lucinha Lins e Claudio Cavalcanti.
Agora, senta que lá vai a história…
Festival De Mùsica Popular Seleções Reader’s Digest – Nº 10 MPB (196?)
Olá amigos cultos e ocultos! Quantos de vocês ainda se lembrarão desta coleção, “Festival de Música Popular”, lançada pela Seleções do Reader’s Digest, no início dos anos 60 (creio eu)? Pois eu me lembro da caixa (ou caixas?), recheadas com diversos discos em diferentes estilos. Era o que podíamos chamar de ‘a discoteca básica da família moderna’, daquela época. Me lembro que na casa de uma tia haviam vários desses discos, todos com esta mesma capa, um envelope azul, sem maiores informações. Essas caixas eram vendidas à domicílio, juntamente com a revista Seleções. Acredito que o selo Paladium e toda a sua logística, se inspirou nas coleções da Seleções. Nos anos 60 essa era uma estratégia de vendas muito boa e além do mais, as pessoas ouviam discos 🙂 As caixas álbum desta coleção, embora buscasse um leque bem variado de estilos e gêneros, era baseado num formato orquestral, o que, de uma certa maneira, soava sempre igual. Isso se deve também ao fato de que quem fornecia o ‘sumo’, os fonogramas, era a RCA Victor. Ou seja, era sempre a mesma orquestra e possivelmente os mesmos arranjadores.
Me parece (não posso confirmar) que a RCA Victor manteve uma produção exclusiva para essa parceria com a Reader’s Digest. Não se trata de uma série reunindo coletâneas de coisas da gravadora. Ao que tudo indica, músicos e produção foram acionados para o grande trabalho. Não tenho em mão nenhum outro disco da coleção para comparar, mas deduzo que tudo tenha ficado à cargo dos anônimos artistas que compunham o coral e orquestra da gravadora. Outro fato interessante a ser ressaltado é que esses discos foram gravados num sistema estereofônico chamado “Cyclophonic”, que contrastava ainda mais os graves e agudos, salientando nuances e valorizando o instrumental.
O volume que eu tenho aqui é todo dedicado à música popular brasileira. Temos o Côro e Orquestra da RCA Victor Brasileria interpretando doze músicas tradicionais do cancioneiro popular e regional. O disco é sem dúvida muito gostoso de ouvir, porém merece uma crítica quanto aos arranjos. Embora tenham sido muito bem feitos, sofrem a influência do momento, onde quase tudo se transforma num forró orquestrado.
Taí uma coisa interessante de observar nesta coleção: quando um disco como este teria tido a chance de ser novamente editado? E eu pergunto mais: quando alguém pensaria em ver ou ouvir novamente esses discos? Só mesmo quem ainda os tem guardados ou quem visita regularmente os blogs, como o Toque Musical. Se todos os ‘piratas’ fosse nessa linha, os baús de tesouros não estariam perdidos no fundo do mar, soterrados em alguma ilha distante ou guardados em cofres fortes, onde nem mesmo quem os guarda tem acesso.
Carlos Poyares – Som De Prata Em Flauta De Lata (1965)
Olás! Em 1965, a Philips, através de seu selo Fantasia, lançava “Som de prata em flauta de lata”, primeiro disco solo oficial do flautista Carlos Poyares. Antes desse, ele já havia gravado dezenas de outros discos, mas apenas como solista no Regional de Canhoto. Ele entrou para o grupo no lugar de Altamiro Carrilho. Coincidentemente ou não, neste lp de estréia, quem o acompanha é também o mesmo Regional de Canhoto. Muita gente faz confusão, achando que este álbum é o mesmo lançado dez anos depois, pelo selo Marcus Pereira. Este se chama “Som de prata em flauta de lata”, o do Marcus Pereira é “Som de prata, flauta de lata“. Todos os dois álbuns foram discos premiados. Carlos Poyares, com sua flautinha de folha de flandres, extrapola os limites do imaginável do que é possível tirar do brinquedo. Com sua flautinha ele dá um ‘show’, acompanhado do Regional de Canhoto. Disco bacana, não deixem de conferir 😉
As Revelações Da Grande Chance 1 e 2 (1967 e 68)
Olá amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu nessa peleja diária, soltando os discos e os bichos (quando necessário). Estou trazendo para animar o sábado uma dose dupla em lp. Vamos relembrar alguns momentos pitorescos dos antigos programas de calouros e artistas iniciantes, apresentados no programa de auditório do ‘figuraça’ Flávio Cavalcanti. Quem, por volta dos 40 anos de idade (ou mais) não se lembra deste apresentador e seus programas? Flávio foi uma figura polêmica na televisão brasileira. Fazia (e era) um tipo conservador, daqueles que sempre se acham os donos da verdade. Tinha uma opinião própria a respeito de tudo e não poupava palavras para defender ou detonar. Era retrogrado, careta e as vezes até chato, mas tinha lá as suas convicções. Se eram certas ou erradas, não quero entrar no mérito. Dizem também que Flávio Cavalcanti era simpatizante do Regime Militar e uma ferramenta importante na difusão desses ideais. Se bem que as suas histórias são controversas. Da mesma forma que homenageava em seu programa, ao vivo, um general golpista, por outro lado, escondia artistas da perseguição militar, em sua casa, como foi o caso da Leila Diniz. Flávio acabou se desencantando com as mudanças políticas promovidas pelos militares. Acho que ele percebeu que estava sendo manipulado. Por outro lado, a partir dos anos 70, sua fama e seu ‘carisma’ começaram progressivamente a entrar em declínio. A televisão estava se modernizando, outros programas, artistas e apresentadores começavam a surgir. O formato de seu programa e toda a psicologia aplicada nele para envolver o público, serviu e ainda serve de modelo para os Silvios, Fautões e Ratinhos da vida. “A Grande Chance” era uma espécie de concurso para calouros e artistas iniciantes. Os doze finalistas ganhavam o direito de participarem do disco e as vezes até conseguiam um bom contrato com alguma outra gravadora. Muitos artistas hoje famosos, passaram inicialmente pelo crivo de jurados comandados por Flávio Cavalcanti.
Quadro Negro – Signo Do Sol (1985)
Para completar o dia do independente, aqui vai um compacto, também independente, de boa noite. Na década de oitenta eu morei numa espécie de república estudantil. Êta fase doida aquela! No auge da loucura e perdição, vivi momentos inesquecíveis. Foi por lá que eu tive contato com um grupo de rapazes que tocavam à noite. O irmão de um deles nos levava às apresentações e ensaios do grupo. Esses encontros eram ótimos, melhores ainda que os shows em churrascarias e restaurantes com público mal educado. O grupo se chamava Quadro Negro, um nome bem sugestivo para aqueles musicais anos 80. Se não me falha muito a memória eles faziam ‘covers’ de tudo o que rolava de sucesso naquela época. Ainda era um tempo onde gravar um disco se fazia um sonho para qualquer artista e também uma grande dificuldade. Me lembro quando o pessoal do Quadro Negro gravou este compacto. Aquilo foi para eles uma glória, uma vitória de verdade. Apenas duas músicas, mas que deram muito trabalho e foi motivo de muito orgulho para o grupo. Naquela época eu estava com a minha cabeça em outros ‘blues’. Aquela música tinha um certo ranço de Clube da Esquina. Digo ranço, porque naqueles dias, tudo que a gente queria ouvir era algo diferente daquilo que havia virado uma chatice. Os anos oitenta prometiam muitas novidades e a nossa macaquice foi até bem criativa. Mas naqueles dias eu achava o compacto meio sonso, não via muita graça nas duas músicas. Foi preciso mais de vinte anos para que, como um vinho, seu sabor se modificasse. Hoje posso dizer que ele tem um certo ‘buquê’.
Brasil Instrumental (1985)
Olás! Ontem eu cheguei em casa tão cansado que acabei não deixando um compacto de fim de noite para vocês. Contrariando as expectativas, achei de postar um texto do Luis Fernando Veríssimo sobre o disco de vinil e seus adoradores. E pensar que nenhum outro suporte para a música foi tão durável e charmoso quanto o disco de vinil. Realmente é uma experiência deliciosa manusear, colecionar, tocar e ouvir uma bolacha, seja ela 78, 45, 33 ou 16 rpm. Isso, para não falarmos das capas… só mesmo quem viveu os tempo áureos dos discos de vinil saberá entender essa emoção. Talvez seja por isso mesmo que ele ainda hoje continua dando sinais de vida.
Hoje para a nossa sexta independente eu estou trazendo um álbum duplo promocional. Temos aqui, como bem se pode ver pela capa, um álbum instrumental com um time da pesada, produzido pela extinta Karup para a CAEMI (Companhia Auxiliar de Empresas de Mineração), como brinde aos seus clientes e associados. Trata-se, obviamente, de um disco não comercial, de tiragem limitada. O álbum duplo se divide em dois momentos. O primeiro à cargo de Paulo Moura que reúne saxofone, violão, violoncelo e trombone numa aparente insólita mistura instrumental, ao lado de Jaques Morelembaum, Rafael Rabello e Zé da Velha. Eles tocam um repertório variado e essencialmente instrumental, música para músicos. Tem aqui Severino Araújo, Alcyr Pires Vermelho, Toninho Horta, Tom Jobim e outros… Já o segundo disco é dedicado ao trabalho instrumental de Paulinho da Viola, tendo a frente o violonista João Pedro Borges, acompanhado pelo próprio Paulinho e seu pai, Cesar Faria. Neste segundo volume, ao contrário do que se possa imaginar, não é um disco de samba instrumental. Aqui é mostrado a faceta, principalmente, de chorão de Paulinho da Viola. Talvez, pela fama de compositor de samba, muitos desconhecem a riqueza criativa musical desse artista, que também sempre se dedicou ao chorinho, tendo belíssimas peças no gênero. Não é por acaso ou qualquer semelhança que Paulinho da Viola também faz choro. Seu pai, Cesar Faria, foi um entusiasta do samba e choro. Paulinho cresceu em meio às rodas de choro promovidas pelo pai. No disco temos como intérpretes os três: João Pedro Borges, Paulinho e Cesar Faria. Taí um álbum que merece o nosso toque musical 😉
Nós, obsoletos…
Nenhuma notícia me animou tanto, nos últimos tempos, quanto a da volta do disco de vinil.
O vinil tinha sido declarado morto, definitivamente acabado, com a chegada do CD. Continuava à venda em nichos obscuros das lojas de disco, apenas para colecionadores de antiguidades e outros tipos esquisitos.
Mas aconteceu o seguinte: descobriram que as gravações em vinil eram superiores, em matéria de fidelidade sonora, às gravações digitais. Algo a ver com a reprodução dos harmônicos, não me peça detalhes.
E mais: concluíram que a desvantagem mais evidente do vinil em comparação com o CD, o ruído de superfície, o chiado da agulha no sulco, na verdade é uma vantagem, faz parte do seu charme.
As pessoas não sabiam bem o que estava faltando no CD e de repente se deram conta: faltava o chiado. Faltavam o poc da sujeira no disco e o crec-crec do arranhão.
Dizem que já se chegou ao cúmulo de acrescentar um chiado em gravações em CD, para simular o ruído de uma agulha lavrando um sulco inexistente. Não sei.
O que interessa a nós, obsoletos, no resgate do vinil é a perspectiva que ele nos traz do desagravo. Eu já tinha me resignado à obsolescência.
Como o disco de vinil, existia apenas como objeto de curiosidade e comiseração: sem telefone celular, sem nada nos bolsos que me informe instantaneamente as cotações na bolsa de Tóquio, a temperatura em Moscou e a raiz quadrada de 117 enquanto toca uma música e me faz uma massagem, sem nenhum outro uso para meu laptop além de escrever estes textos, mandar e receber e-mails e, vá lá, colar do Google, um homem, enfim, com saudade das pequenas cerimônias humanas do passado, como a de levar um rolinho de filme para ser revelado na loja.
E agora surge esse exemplo de regeneração para a nossa espécie, a dos relegados pela técnica. Ainda voltaremos ao convívio dos nossos contemporâneos sem precisar esconder que não temos tuiter.
Os discos de vinil saíram do seu nicho e hoje ocupam espaços respeitáveis, em contraste com os CDs, que perdem espaço.
Também podemos sair do pequeno espaço da nossa resistência e proclamar que os anúncios do nosso fim foram prematuros e ainda temos alguma utilidade.
É só nos explicarem algumas coisas. O que quer dizer a tecla “Num Lock” no computador, por exemplo?”
(Luís Fernando Veríssimo)
Yana Purim – Bird of Brazil (1990)
Diazinho cheio este meu… Só agora consegui sentar diante ao computador para nossa postagem. E tem que ser rápido, pois a labuta continua.
Tenho aqui “Bird Of Brazil”, um álbum dos mais interessantes da cantora e compositora Yana Purim, irmã de Flora Purim. Yana é uma artista tão respeitada lá fora quanto sua irmã, circula pelos mesmos ambientes do jazz e fusion. Este disco já havia sido lançado originalmente em 1989 com o nome de “For A Distant Love”, lá fora. Depois saiu também pelo selo Eldorado e teve uma segunda edição pela RGE/Young com um novo nome (Bird of Brazil), uma nova capa e o som remasterizado. O álbum foi produzido Yana e Arnaldo Souteiro, que também contribui na percussão. “Bird of Brazil” vem recheado de grandes nomes, nacionais e internacionais. Só para se ter uma ideia, temos Luiz Bonfá(!), Airto Moreira, Hugo Fattoruso, Artur Maia, Pascoal Meirelles, Toninho Horta e outras feras mais… O repertório é curto, com apenas nove faixas, mas é ótimo. Cheio de grandes músicas e grandes parcerias. É ouvir e gostar… 😉
Os Iguais – Compacto (1967)
Boa noite! Apesar do calor e do tempo curto, eu estou curtindo esse fim de noite com um compacto. Não sei até onde eu irei com isso, mas enquanto houver animação, lá vou eu… sem compromisso 😉
Segue aqui um compacto gostosinho de ouvir. Vocês se lembram do quarteto vocal “Os Iguais?” Este foi mais um daqueles interessantes grupos da época da Jovem Guarda. No compacto, gravado em 1967 pela RCA, eles cantam a divertida “Romance de uma caveira”, criada e eternizada por Alvarenga e Ranchinho. A outra música, “Volte”, é uma composição do grupo, com todos os elementos que fizeram a chamada onda da jovem dos anos 60.
Orquestra Violinos De Ouro – Boleros (1963)
Bom dia! Rapidinho, aqui vai a nossa postagem do dia. Estou trazendo este álbum orquestral, lançado no início da década de 60, um dos primeiros discos estereofônicos da Odeon. Para quem estava acostumado a ouvir discos monos e em vitrolinhas, ao ouvir este lp deve ter achado uma glória. E é interessante observar como a qualidade dos primeiros discos ‘stéreos’ eram bem mais caprichadas. Parece que os caras faziam os discos com mais carinho e preocupação. Esta gravação da ‘Orquestra Violinos de Ouro’ é fenomenal, mesmo vindo de um disco com quase 50 anos e já bem surrado. A gente consegue perceber com clareza toda a riqueza instrumental.
A ‘Orquestra Violinos de Ouro’ é o nome dado para este disco à orquestra de estúdio da Odeon sob a batuta do Maestro Lyrio Panicalli e com direção musical de José Ribamar. No disco encontraremos um repertório de sucessos internacionais ao ritmo orquestral de boleros. Uma pegada latina para temas do momento. Confiram…
Irmãs Castro – Compacto (1976)
Para acabar de fechar, principalmente os meus olhos que eu já não estou conseguindo mantê-los abertos, aqui vai um compacto duplo muito interessante. Trata-se dupla sertaneja, formada pelas irmãs Maria de Jesus e Lourdes Amaral Castro. Iniciaram a carreira no final dos anos 30. Foi a primeira dupla feminina a gravar música sertaneja. Aqui temos quatro de seus maiores sucessos. Me parece que são regravações feitas na década de 70. Músicas que vieram a ser também sucesso nas vozes de outros artistas. Confiram aí, porque eu já vou dormir…
Laila Curi – Laila, A Noite E A Música (1958)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Hoje eu estou trazendo uma cantora que talvez, poucos irão se lembrar, Laila Curi. Esta cantora de origem libanesa, surgiu em São Paulo nos anos 50, fez parte do ‘cast’ da RGE em sua fase de ouro. Gravou inicialmente dois discos de 78 rpm com temas folclóricos nacionais e também árabes. A singularidade ao cantar músicas libanesas e também em inglês, lhe garantiram um relativo sucesso e atenção por parte dos meios de comunicação da época. Laila foi vista e ouvida também no rádio e televisão, principalmente na capital paulista. Sei que ela gravou outros discos, compactos e lps.
Neste lp, que foi o primeiro, temos um repertório curioso, mesclando toadas, beguine, samba canção, música árabe e até uma espécie de rock libanês. Como destaque temos a música “Minha Véia” tema popular recolhido pela cantora e “Passado, Presente e Futuro”, samba canção de Billy Blanco. As orquestrações e arranjos são dos Maestros Simonetti e Rubens Perez “Pocho”.
Infelizmente eu estou meio sem tempo. Daí não tive como pesquisar sobre a sua discografia e trajetória artística. Mas sei que não é difícil obter informações. Deixo a postagem em aberto para para os fãs, amigos e parentes. Quem quiser complementar a postagem, fique a vontade. A seção de comentários foi feita também para isso 😉
Dom Salvador – Compacto (1970)
Aqui vai o meu boa noite… um compactozinho da hora, raridade total. Temos aqui Dom Salvador e sua turma neste compacto lançado pela CBS, após eles se classificarem no V Festival Internacional da Canção Popular”, em 1970. No ano seguinte Dom Salvador lançaria o álbum “Som, Sangue e Raça”, mas as duas músicas desse compacto não foram incluídas no lp. Em outras palavras, as músicas “Juazeiro”, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga e “Abolição 1860-1980”, de Salvador e Arnoldo Medeiros só saíram neste compacto.
*No dia 15 de outubro, a primeira eliminatória do V FIC teve início, sendo transmitida em cores para Estados Unidos e Europa. Além do júri oficial, presidido por Paulinho da Viola, foi criado um júri popular, com votação independente, sob o comando de Chacrinha. Os dois primeiros a apresentar foram Maria e Luís Antônio, à frente de um grupo com seis músicos negros, todos vestidos com batas africanas coloridas, para interpretar “Abolição 1860-1980” (Dom Salvador e Arnoldo Medeiros). Muito aplaudida, a apresentação deu a pista do que seria a tônica do festival em 1970: a soul music. (leia mais)
Ely Camargo – Cantigas Do Povo – Água Da Fonte (1983)
Bom dia para todos! Há pouco tempo atrás um de nossos visitantes estava à procura da discografia da Ely Camargo. Eu acredito que tenho disponível quase todos os seus discos. Mas mesmo no caso desta grande artista (que eu adoro), prefiro não postar tudo de uma só vez. Vou aos poucos, em dosagem homeopáticas. Um disco aqui, outro ali, assim vai… Não quero que por aqui ela caia logo no esquecimento. Vez por outra vamos ter sempre aqui a Ely Camargo.
“Cantigas do povo” foi um álbum lançado por ela no início dos anos 80, numa produção para a Edições Paulinas Discos. No lp vamos encontrar diversos cânticos populares ligados às danças e aos autos de natureza religiosa, como os hinos e benditos de procissão, além das canções de embalar, os pregões, cânticos de velórios e de pedir esmolas. São temas recolhidos, adaptados por Ely e o Frei Francisco Van Der Poel. Participam também do disco a Banda de Pífanos de Caruarú. Os arranjos e regência são do Maestro Jorge Kaszás. Um belo disco, podem conferir…
Jingles Políticos
Olá amigos cultos e ocultos, eleitores do meu Brasil! Vamos votar direito nesta eleição para depois não ficarmos ai tiririca da vida. Escolham bem o candidato que irá representar você e os seus interesses. Mas antes de chegar a alguma conclusão, priorize o interesse coletivo. Pense no bem estar de todos. Nosso país só vai ser mesmo grande no dia em que deixarmos de pensar apenas no nosso umbigo e aquilo que está em volta dele. Temos que pensar de forma coletiva. A base é essa. Chega de políticos profissionais, de popularescos, de celebridades e corruptos! Precisamos de gente honesta dutante todo o mandato. O difícil é isso acontecer, pois para se chegar a essa posição o camarada tem que passar pelo ‘crivo’ da ideologia ou da política maquiavélica de cada partido. Em outras palavras, querendo ou não ele vai se sujar, não tem jeito. Fazer política é como trocar o pneu de um carro, querendo ou não a gente sempre suja as mãos. Por isso é que alguns políticos preferem pagar pelo serviço completo do borracheiro.
Olha, sinceramente, eu acho um saco esse papo de política. De qualquer maneira, para marcarmos bem essa data, estou trazendo aqui uma série de jingles políticos da últimas eleições. Sinceramente eu não sei se alguém vai ter interesse em ouvir esses hinos à demagogia. De qualquer forma devem servir, nem que seja para torrar a paciência dos vizinhos. Já que o dia é de tortura eleitoral, toma aqui a minha colaboração… (disso tudo, o que eu mais gostei foi de criar a ilustração, essa ideia foi mal explorada pelos meios de comunicação, vocês não acham?)
angela amin prefeita florianopolis 96
The Fools – Embaladíssimo (1968)
Olás! Hoje eu estou com o dia tomado. Em pleno sábado, todo mundo se arrumando para a festa e eu agarrado no serviço. Estou dando uma pausa, apenas para fazer a nossa postagem. Sábado me faz lembrar as ‘horas dançantes” na casa da minha tia. Eu era menino e ficava lá vendo os meus primos mais velhos dançando ao som da Jovem Guarda. Todos os sábados tinham esses encontros, era ótimo!
Aqui temos um disco típico dos embalos de sábado a tarde. Um álbum, diga-se de passagem, muito bem conservado. Na estante do meu depósito ele ficou, por certo, uns 15 anos sem nunca ser tocado. É interessante pensar isso. Como as coisas ficam paradas no tempo e depois ressurgem num estalo. Temos aqui um obscuro grupo de ‘ei-ei-ei’ chamado ‘The Fools’. O estilo e repertório é idêntico ao The Pop’s. Eu até cheguei a pensar que fossem eles, afinal aquela turma estava por trás de tudo quanto é coisa ‘curiosa’ lançada por esses selos desconhecidos. Porém, o embaladíssimo The Fools aqui é formado por outros músicos. Consta até na contracapa o nome deles, mas em nada acrescenta essa informação. Melhor ficarmos apenas no “ei-ei-ei’.
Putz! Até esqueci que amanhã é dia de eleição.
FAÇA UM POLÍTICO TRABALHAR, NÃO VOTE NELE!
estrelita
Os Celestiais – No Copão (1971)
Paulo Britto – Mapa Da Alegria (1999)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Chegamos a mais uma sexta feira (êta dia bão, sô!). Virando o lado do disco, aqui vai mais um independente, especialmente para o Toque Musical.
Há exatos dois anos atrás eu postei aqui um disco do cantor e compositor baiano Paulo Britto, o “Atenção”. Naquela época eu não tinha muita informação sobre ele, além do fato de saber que era um compositor baiano e de conhecer algumas de suas músicas. Foi depois daquela postagem que o artista entrou em contato comigo, agradecendo a postagem e me prometendo outros trabalhos para serem apresentados aqui no blog. Ficamos amigos e durante esse tempo temos trocando e-mails, e eu enchedo o saco do cara para me mandar mais coisas. Finalmente, depois de muita insistência da minha parte, ele acabou enviando um pacote com diversas coisas. Eu não teria insistido se não acreditasse de verdade no trabalho dele. Sua música é mesmo muito boa. Aliás, essa geração de artistas baianos até o início dos anos 80 é fabulosa (daí pra frente eu não conheço muito). Se vocês gostam de Tom & Dito, Antonio Carlos & Jocafi, certamente irão gostar do Paulo Britto. Sua música segue a mesma linha e não é por acaso ou somente por ser da Bahia. São semelhanças de estilo e também de geração. Paulo tem músicas e parcerias com Antonio Carlos e Jocafi, inclusive gravadas em discos da dupla. Tom da Bahia, Oneida e Xangai, também são outros artistas que já gravaram ou fizeram parcerias com o Paulo Britto. Uma prova de excelência e qualidade. O cara é realmente muito bom.
Neste álbum, “Mapa da alegria”, lançado de maneira independente em 1999, ele nos traz doze composições próprias, sendo apenas “Querubim” uma parceria com o Dito, da dupla Tom & Dito. Outro detalhe interessante que merece destaque é a participação especial das cantoras Lana Bittencourt e Maria Creuza. A música de Paulo Brito é gostosa de ouvir. Temos aqui samba, forró, frevo, valsa e canções. Como bom baiano, seguindo a ideia do Dorival Caymmi, tem até uma receita em forma de canção. Quem não gostar do disco, pelo menos vai saber preparar um delicioso caçonete 🙂
João Só (1971)
Edu Lobo – A Música De Edu Lobo Por Edu Lobo (1967)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje nós vamos de Edu Lobo, acompanhado pelo Tamba Trio. Este álbum, por certo, não é novidade ou raridade que mereça mais explicações. Foi o primeiro lp do compositor que até então só havia gravado um compacto duplo pela Copacabana, 1963, como apoio do papai Fernando Lobo. Por volta de 65, impressionado com as qualidades do jovem Edu, Aloysio de Oliveira convidou-o a gravar seu primeiro disco para o então recente selo Elenco. Para não ficar no mesmo clima intimista do trabalho anterior e mesmo porque sua música tem essa tendência, Aloysio incluiu o Tamba Trio, que casou direitinho com as intenções musicais do jovem artista compositor. Se não me engano, este disco teve seu lançamento adiado por conta de uma das músicas que estava participando de festival. O álbum teve seu lançamento oficial marcado em 1967. Neste disco Edu interpreta ao lado de Luiz Eça, Rubens O’Hanna e Bebeto Castilho, suas composições e parcerias com Lula Freire, Ruy Guerra, Vianinha e Vinicius de Moraes. Sem dúvida, um trabalho antológico da maior importância, que mesmo sendo já bem ‘manjado’ através de outros blogs, não deixa de ter um encanto e ser, para mim, uma honra tê-lo listado no Toque Musical. Se você ainda não o viu e nem ouviu, taí uma boa hora! Este é básico!
Guarabyra (1973)
Depois daquele Sá, Rodrix e Guarabyra e da Coca com castanha de cajú, me lembrei deste compacto solo do Guarabyra, onde temos o famoso ‘jingle’ da Pepsi Cola e a primeira versão de “Pássaro”. Me lembrei agora também que já havia incluido este compacto como bonus na postagem do álbum do Guarabyra de 1969. Mas fica valendo para aqueles que não viram…
The Jet Black’s – Twist (1962)
Olás! Hoje eu não estou passando muito bem. Tive um mal estar durante a noite e o dia foi por conta dos desdobramentos, sono e indisposição. Acho que foi aquela bendita Coca Cola com castanha de cajú. Não sei onde eu estava com a cabeça na hora que fiz essa mistureba. Eu as vezes me esqueço que o meu ponto fraco é o estômago. Passei a madrugada acordado e para me destrair, fui visitar alguns blogs, ler e-mails atrasados e por em dia algumas pendências. Acabei também indo parar no site da Jovem Guarda, mais especificamente na página dedicada ao The Jet Black’s. Lá eu li um nota de repúdio, escrito pelo filho do Jurandy, um dos integrantes e fundadores do grupo, que me chamou a atenção. No texto ele fala da cara de pau de um sujeito que se apropriou do nome da banda, aproveitando-se de um momento conturbado com a morte do pai, onde os remanescentes tentavam ainda manter acesa a história do grupo. Segundo ele, dois antigos integrantes do grupo “The Spark’s”, registraram novamente o nome, passando a usá-los como se eles tivessem sido do grupo original. Pelo que parece, a turma do “The Spark’s” (Delamonica e Emílio Russo) resolveram se tornar Jet Black’s. Seria uma atitude louvável se já não houvessem remanescentes do grupo e eles quizessem com isso, realmente, resgatar a memória de um dos maiores conjuntos de rock twist brasileiro. Mas pelo que tudo indica foi apenas oportunismo. Diante do fato, resolvi postar aqui mais um disco do original e reforçar a lembrança dos verdadeiros Jet Black’s. Infelizmente o texto do site da Jovem Guarda não apresenta datas, assim, eu não sei dizer se essa ‘estória’ ainda continua. Mesmo assim, deixo aqui o meu recado…
O álbum “Twist” foi um disco de estréia e de muito sucesso, lançado no início dos anos 60, abriu ainda mais as portas para o grupo instrumental paulista, que interpreta aqui alguns dos maiores sucessos (internacionais) do gênero na época. Confiram…
