Boa tarde, amigos cultos e ocultos! A ideia de postarmos mais alguns compactos parece ser bem apreciada. Vamos ver se na próxima semana eu consigo preparar outros do pacote que comentei. Por enquanto, deixa eu por em dia algumas pendências, que por certo agradarão da mesma forma.
Tenho aqui um lp dOs Pequenos Cantores da Guanabara, um vocal formado por alunos, meninos de 9 a 14 anos, do Colégio Salesiano, do Rio de Janeiro. O coral nasceu em 1958, fundado pelo padre da escola, João Bedeschi. O grupo se tornou muito popular, fazendo apresentações por diversas cidades do Brasil, na televisão e no rádio. Influenciaram diversos outro grupos musicais estudantis. Gravaram diversos discos ao longo dos anos, mantendo sempre renovada as suas vozes com a entrada de novos alunos cantores. Em “Vozes da Cidade Maravilhosa” temos doze temas inspirados. Músicas escolhidas a dedo e interpretadas com um profissionalismo, hoje em dia difícil de comparar. No repertório, além de grandes sucessos da nossa música popular, destaco as composições do Padre Ralfy Mendes, são geniais. Gostaria até de saber um pouco mais sobre ele. Será que tem outras composições? E os meninos, heim? Vejam só que beleza… cantam muito bem 🙂
Johnny Alf – Compacto (1972)
Olás! Olha só o que eu achei aqui… Nem me lembrava mais desse disquinho. Na verdade nem me dei conta de um envelope escondido na estante, atrás dos lps. Eram alguns compactos daqueles em embalagens chamadas de ‘sanduiches’, onde a capa vem envolvida por um plástico. Eram muito comuns nos anos 60, principalmente nos lps. Me parece até que era patenteada, uma exclusividade da Odeon, embora existam discos assim de outras gravadoras, como a Som Livre. Fiquei rindo atoa com esse achado. Eu havia separado os disquinhos para um colecionador. Como o cara não me procurou mais, acabei deixando o embrulho no limbo.
Esse compacto do Johnny Alf eu ainda não tive tempo de ouvir e comparar as músicas com as gravadas em lps. Geralmente sempre encontramos uma gravação diferente, uma versão para os compactos. Por vezes até músicas que não chegaram a entrar nos álbuns. Seria o caso desse? Eu acho que sim 😉 Mas vamos conferir juntos…
Zimbo Trio – Fianca (1981)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos em mais uma sexta feira, dia do disco/artista independente. Como ando cada vez mais sem tempo, ainda não tive como preparar os discos de artistas independentes que me são enviados. Estou lançando mão do que já tenho pronto, na ponta da agulha. Hoje, por exemplo, iremos com este álbum do Zimbo Trio, criado especialmente como brinde de fim de ano pela Fiança, na época das ‘vacas gordas’, quando eles podiam se dar ao luxo de presentear seus clientes e parceiros com álbuns exclusivos. O que eu não sei ao certo é se essas gravações do Zimbo foram feitas com a mesma exclusividade. Normalmente, para discos promocionais e de brindes como este, o que temos são coletâneas, faixas extraídas de outros álbuns. Aqui, eu não saberia confirmar, embora no texto do encarte, como vocês poderão ler, nos passe essa ideia. Independente de qualquer coisa, temos aqui um disco de música instrumental da melhor qualidade. Estou vendo aqui agora que o mesmo disco já foi postado no Loronix. Se soubesse disso antes teria escolhido outro. Mas baixei e vi que o meu está mais completo. Duvidam? Então confiram… 😉
Victor Assis Brasil Quarteto – Pedrinho (1979)
O dia hoje é chuva só. Bom para ficar em casa, tomando um vinho e ouvindo um jazz. No que depender de mim, vou logo providenciando a trilha musical e de quebra atendendo aos pedidos. Vamos com o Victor Assis Brasil Quarteto, disco do saxofonista acompanhado pelo piano e vibrafone de Jota Moraes, Paulo Russo no contrabaixo e o americano Ted Moore na bateria. Este é mais um desses álbuns que eu sinto não ser duplo, ou tripo. Bom demais…
II Festival Internacional Da Canção Popular (1967)
Olá amigos cultos e ocultos! Como nesta semana eu já andei postando um disco de Festival, acho que vou mandar outro para vocês. Segue aqui um raríssimo e esperado exemplar do II Festival Internacional da Canção Popular, edição Rio, de 1967. Este álbum, com certeza, vai fazer muita gente dar pulinhos da alegria. Temos aqui momentos realmente memoráveis que jamais voltaram a ser vistos e principalmente ouvido pela grande maioria. Eu mesmo, que tenho o disco a tanto tempo, já faz um tempão que não o ouço. As vezes a gente precisa dar uma geral nas estantes de discos. Fico aqui matutando, tem discos que eu não escuto faz tempo. É, mas mesmo que eu quisesse… nem que eu tivesse mais 100 anos de vida, acho que não daria tempo de ouvir tudo. Por isso eu vivo numa constante overdose musical. No dia em que eu acabar de digitalizar todos os meus discos (hoje por volta de 6 terabites, com backup!), acho que não saberei o que fazer depois. Mas tenho a certeza de uma coisa, terei uma tremenda discoteca digital, capaz de suprir os mais variados gostos. Se um dia a música no mundo desaparecer, podem me procurar, eu tenho tudo guardado 😉 Como eu disse uma vez ao Zecaloro, eu não tenho só os meus, tenho também os seus 😉 e os de outros blogs que fazem um bom serviço completo. Meu alvo principal é sempre a música/disco fora de catálogo. São dos esquecidos é que precisamos nos lembrar e preservar. O novo terá o seu amanhã.
Bom, mas falando do álbum do dia, confesso estar um pouco confuso. Me lembrei agora que já havia postado um outro disco deste II Festival em maio do ano passado. Essas histórias de festivais bagunçam a minha cabeça, principalmente porque há discos que foram lançados com músicas de um determinado festival, mas necessariamente não são as representativas ou as que chegaram à final. No caso específico deste lp, as músicas e artistas não correspondem aos apontados com finalistas ou vencedores. Há, por exemplo, quatro faixas com a Gracinha Leporace. Será que ela defendeu essas quatro músicas no festival? Não estou bem certo e nem quero procurar agora essa informação. Vou deixar essa questão em aberto para ver se algum dos amigos cultos e ocultos esclarecem as coisas. As vezes é bom ter comentários que vão além, pertinentes ao disco postado e que complementam a informação. Me sinto mais motivado quando percebo esse interesse. Falem, Zuzas!
Tavinho Moura (1980)
Bom dia! Há três anos atrás eu postei aqui um disco do Tavinho Moura, na verdade o seu primeiro lp. Naquele início do blog eu ainda não estava muito certo se o levaria a diante ou não, as coisas seguiam meio sem propósito e o meu envolvimento era apenas superficial. Acabei deixando de falar um pouco sobre esse artista mineiro que eu gosto tanto.
Tavinho, para os que não o conhece, é um compositor mineiro, nascido lá em Juiz de Fora, mas criado em Belo Horizonte. É um artista da geração do pessoal do Clube da Esquina. Aliás, um membro do grupo, pois na adolescência ele já corria com sua bicicleta pelos lados de Santa Tereza e o Horto. Conheceu nessa época Toninho Horta, Nelson Angelo, Milton e os irmãos Borges. Dessa convivência só podia mesmo render frutos musicais. Tavinho já arranhava o violão e fazia lá as suas composições. Trabalhou inicialmente fazendo trilhas sonoras. Da convivência com o Clube da Esquina nasceu muita música e parcerias. Só veio a gravar seu primeiro disco no final dos anos 70 pela RCA. Um disco com cara de estréia, muito bem feito e que lhe rendeu boas críticas. Em seguida veio este, sem um título, apenas com o seu nome estampado. Eu, sinceramente, não sei qual é o melhor, gosto de todos os dois. Acho até que são muito parecidos, uma sequência do primeiro trabalho. Neste álbum praticamente quase todas as faixas são de sua autoria ou parcerias com Fernando Brant, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, além do ótimo poema musicado de Carlos Drummond de Andrade, “Cabaré mineiro”. De quebra, ainda temos sua interpretação de “A página do relâmpago elétrico”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Taí, um disco que um trem bão demais. Não deixem de conferir… 😉
IV Festival De Música Popular Brasileira Vol. 1 (1968)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começamos a semana bem, relembrando a ‘Era dos Festivais’. Há algum tempo atrás eu pensei em juntar todos os discos relativos aos Festivais, da década de 60 a 80 e postá-los no Toque Musical. Acontece que sempre falta um ou outro e além do mais se eu fosse entrar nessa, ficaria um mês inteiro só falando sobre o assunto. Por outro lado, já existe um blog especializado no assunto. Daí, prefiro ir de vez em quando postando os meus sem necessariamente ter que seguir uma ordem.
Tenho aqui o volume 1 do IV Festival de Música Popular Brasileira, realizado pela TV Record de São Paulo em 1968. Como disse bem Zuza Homem de Mello em seu livro “A Era dos Festivais”, o ano de 1968 foi marcado por uma fase de transição, “a Era dos Festivais entrava em sua curva descendente”. Os militares no poder, a Tropicália, o AI-5, Gil e Caetano presos, a perseguição política, os exilados… Era um momento político conturbado onde este 4º festival aconteceu. Terminaria aí a sua fase contestadora. Os Festivais que viriam depois já não teriam esse perfil.
No presente álbum temos relacionadas doze músicas classificadas…
Alexandre Trik e Helena Maia – Waldemar Henrique, O Canto da Amazônia (1982)
Caramba! A propaganda é mesmo a alma do negócio. Ontem eu fui lá na Feira, um pouco desanimado com a chuva que caiu durante todo o dia. Quase desisti, mas acabei indo. Pensei que não teríamos público. Na verdade o que faltou foi expositor. Os poucos que lá tiveram, fizeram a festa, não havia concorrência. No meu caso, nem com concorrência, pois boa parte do que levei já estava praticamente vendido, graças ao anúncio antecipado.
Como ontem nós tivemos um disco da Ely Camargo, achei que hoje seria um bom dia para postarmos este álbum, lançado através do Projeto Promemus (Projeto Memória Musical Brasileira) da Funart. Trata-se de um trabalho que procura divulgar um pouco da obra do compositor paraense Waldemar Henrique. Quem aqui conhece este compositor? Talvez poucos, mais fácil se lembrarem de suas composições. Waldemar Henrique foi um artista que se dedicou ao estudo do folclore amazônico, particularmente o paraense. Como Ely Camargo, recolheu temas de diferentes regiões amazônicas e motivos folclóricos que foram por ele adaptados e (ou musicados). Foi um dos primeiros e mais importante divulgador da cultura musical de sua região. Pode-se dizer que a música paraense, em sua maior pureza, está fundamentada nos trabalhos de Waldemar Henrique.
Para mostrar um pouco da obra do artista, temos a dupla Alexandre Trik e Maria Helena Maia. Alexandre é carioca, professor de canto lírico e também artista plástico. Seu nome está associado à música de câmara brasileira. Da mesma forma é Maria Helena Maia, pianista renomada, principalmente fora do Brasil. Lecionou nas Universidades Federais do Rio e do Pará. Foi também diretora musical do Instituto Cultural Brasil-Rússia e do Centro Cultural Franscico Mignone.
Um outro bom motivo para esta postagem é mostrar aos meus amigos paraenses que nunca me esqueço deles. O que me falta são os discos.
Ely Camargo – Canções Da Minha Terra Vol. 3 (1964)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Daqui a pouco eu estarei indo para a Feira do Vinil. O tempo está chuvoso, mas mesmo assim o vinil vai rolar solto. Juntei um monte de ‘preciosas raridades’, com disse o amigo visitante, e agora vou levar para as minhas trocas e vendas. Quem está em Belô e gosta de vinil e cds de artistas independentes, não deve perder. A feira abre às 12 horas e vai até às 20. Antes mesmo de chegar lá, já tem gente me enviando e-mails, pedindo para reservar discos. Não vou garantir sem garantia$. Quem realmente estiver interessado, vai chegar na hora. 😉
Entre os quase 200 discos que pretendo levar para a Feira, há também este da Ely Camargo. Artista maravilhosa, que todos por aqui já devem conhecer através dos vários discos que andei postando. Quem ainda não teve a oportunidade de ouvir este volume 3, eu recomendo. É tão bom quanto todos os outros da série. Este “Canções da minha terra”, como podemos ver pelos títulos das faixas logo a baixo, não se limita à música de seu estado, Goiás. O ‘minha terra’ aqui é o Brasil. E como uma genuína artista brasileira, ela conhece como poucos a música regional e folclórica, do Iapoque ao Chuí. Confiram aqui essas pérolas e gemas, já bem conhecida por todos nós, mas ainda mais belas através da interpretação de Ely Camargo.
Rodrigo Valle – Inesquecível Futuro (1983)
Para a nossa sexta feira independente, hoje vamos com mais um disco do mistérioso Rodrigo Valle. Digo misterioso porque mesmo sendo mineiro e estando a algumas poucas montanhas daqui, eu quase nada sei dele. Assim como na rede, também, sem nenhuma informação. Eis uma coisa que eu não consigo entender. Afinal o cara fez não foi apenas um ‘disquinho’ e mesmo que fosse, está bem acima da média, principalmente do que foi feito naquela década. Por onde anda Rodrigo Valle? Foi essa a pergunta que fiz desde que postei o seu primeiro disco, em setembro de 2007. Até hoje ninguém se manifestou oferecendo mais informações. Seja como for, com o pouco que temos, já dá para começar.
“Inesquecível Futuro” é um disco tão bom ou melhor que o primeiro. Uma fusão progressiva que o coloca na classe dos discos inclassificáveis. Seria rock, jazz, new age, mpb, mpm… tpm? Não sei… O que sei é que temos um trabalho de qualidade, com a participação de alguns dos melhores músicos mineiros como Nivaldo Ornellas, Nenem, Ivan Correa, Augusto Rennó, Laércio Vilar, entre outros. O disco é essencialmente instrumental. A música que eu faço questão de destacar é “Frequência Modulada”, além de ser um jazz a la Clube da Esquina, manifesta o verdadeiro e tradicional sentimento futebolístico mineiro. É Galoooo!
Sábado Na Feira Do Vinil
Já ia me esquecendo… sábado é dia de Feira de Discos! Fim de ano tá chegando e eu precisando fazer um dinheirinho, hehehe… Acho que vou levar alguns discos também para vender por lá. O foda é que eu sempre acabo comprando mais do que vendendo. Já começei a separar as minhas raridades para levar. Tô descendo da estante algumas coisas do acervo do Toque Musical e olha que já tem nego me ligando atrás de disco. Calma moçada! Tem para todos… Apareçam por lá e confiram as ofertas 😉
Irio De Paula – Jazz A Confronto (1974)
Eu havia dito que esta semana seria bem variada como uma colcha de retalhos, mas acabei ficando na música instrumental e jazz. Acontece que nesses dias eu estou em trânsito, pequenas viagens. Daí, acabei não tendo como cumprir o prometido. Mas, acredito eu, que as postagens estão de bom tamanho (e o ‘ibope’ também). Talvez, mais que vocês, eu estou me divertindo muito e aproveitando o momento para curtir também esses discos bacanas. Estou com a série toda da “Jazz A Confronto” em meu Ipod. São discos ótimos e no ‘cast’ do selo tem alguns músicos brasileiros que muitos poucos brasileiros ouviram falar. Além do Afonso Vieira que eu já postei, tem também o percussionista Mandrake (Ivanir do Nascimento) e o guitarrista Irio de Paula. A série criada pelo produtor Aldo Sinesio nos anos 70 teve 35 volumes, ou seja, 35 discos de um variado grupo de músicos jazzístas europeus, americanos e brasileiros. A ‘química’ do sucesso da “Jazz A Confronto” é justamente o entrosamento entre os músicos, criado pelo produtor. Os músicos tocam nos discos uns dos outros, surgindo assim parcerias inéditas e resultados surpreendentes. O disco que deu origem a série foi este álbum produzido inicialmente com o título de “Balanço” e lançado em 1972. Nele tocam Irio de Paula, Afonso Vieira, Ivanir do Nascimento (o Mandrake) e o baixista italiano Giorgio Rosciglione. Na contracapa, apresentado os artistas, temos um texto do maestro Enrico Simonetti, bem conhecido por todos nós aqui no Brasil através de seus discos e trabalhos pelo selo RGE. A capa que vemos acima já é a da série JAC, de 1974.
Antes de chegarem ao Simonetti, deixa eu clarear um pouco mais… Irio de Paula é um renomado guitarrista de jazz europeu. Já tocou com inúmeros e não menos famosos músicos de várias partes do mundo. Tem em seu currículo discográfico mais de 60 trabalhos. Nos anos 70 esteve na Europa acompanhado a cantora Elza Soares e por lá ficou, estabelecendo residência na Italia. O Afonso Vieira eu já citei no disco anterior da JAC, é outro na mesma linha. Quanto ao Ivanir do Nascimento, mais conhecido por Mandrake (apelido este adquirido por sua semelhança com o personagem da estória em quadrinhos, quando ainda usava um bigodinho), se estabeleceu na Europa no final dos anos 50. Gravou poucos discos autorais, mas participou de diversos projetos e álbuns de outros artistas, principalmente no Jazz e trilhas para cinema. Tanto Mandrake como Afonso Vieira estiveram na trilha criada pelo argentino Gato Barbieri para o polêmico filme de Bertolucci, “O Último Tango em Paris”. Outra curiosidade, Mandrake, falecido nos anos 80, era primo do nosso craque, o Rei Pelé. Confiram também este toque… 😉
Sonia Rosa – Golden Bossa Nova (1969)
A semana tem sido gratificante, em termos de música, aqui para nós. Hoje eu estou trazendo para vocês mais um disco garimpado, que não podia faltar no Toque Musical. Depois da dica de um de nossos visitantes sobre onde encontrar outros discos da série Reader’s Digest, fui parar no blog do “Mr. Snookles”, o Third Island. Caramba, super legal! Me lembrou a discoteca do tio de um amigo meu, lá por volta dos anos 70, cheio discos internacionais de orquestras e coisas de um gênero que só depois dos 40 fui dar valor (ups!). A gente paga língua, essa é uma grande verdade. Verdade também, que a medida em que vamos ‘crescendo’, vamos ficando mais seletivos e apurados. O foda é quando começamos a radicalizar, daí é melhor ‘pendurar as botas’ e vestir o pijama. Mas, longe disso e sem comparações, na terceira ilha há uma ‘fauna variada’, curiosa e das mais interessantes. De provedor, as vezes, também sou ‘provador’ e consumidor voraz de coisas curiosas e interessantes. Sonia Rosa é bem mais que isso e por alguns momentos nem me atinei quem seria essa cantora de voz (maravilhosamente) suave.
Foi preciso ouvir o disco para a memória voltar. Me lembro que a primeira vez que ouvi Sonia Rosa foi através do Zeca e seu Loronix, no disco “A Bossa Rosa de Sonia“. Eu já conhecia o disco pela capa, mas até então nunca o tinha ouvido. Que beleza! Que voz gostosa de se ouvir. Voz de Bossa Nova.
Sonia Rosa, pelo que eu pesquisei, gravou seu primeiro disco em 1968 e logo em seguida mudou-se para o Japão. Em 69 ela gravou em um moderníssimo estúdio em Tokyo, da EMI, este disco ainda mais bacana. O fato curioso é que “Golden Bossa Nova” é um disco com capas diferentes, assim como o seu lançamento. O álbum que eu baixei no Third Island, me parece, foi uma edição original de 1969, lançado (ou apenas prensado e encapado) na Austrália. Em 1970 o álbum aparece com outra capa, através do selo japonês Express, também postado no Loronix (e eu nem vi…).
“Golden Bossa Nova” é um trabalho onde Sonia contou com a colaboração de renomados músicos de jazz japoneses, como o saxofonista Sadao Watanabe e seu quarteto, Shunichi Makaino, Kunihiko Suzuki, Koichi Uzaki e Akio Miyazawa. O repertório, sem dúvida, é cavado na Bossa Nova e talvez pela suavidade da voz de Sonia e algumas semelhanças ritmicas, melódicas e harmonicas, foram incluídos também alguns temas internacionais como sucessos de Burt Bacharach, que a cantora Dionne Warwick jurava ser o criador da Bossa Nova.
Apenas para finalizar, Sonia Rosa, embora longe do Brasil, continua ligadíssima no que rola por aqui. Ela gravou a pouco tempo atrás, “Depois de nosso tempo”, um disco com músicas de autores da nova safra brasileira, como Wilson Simoninha e Jair de Oliveira. Taí uma cantora que eu recomendo com todos os toques. 🙂 Não deixem de conferir…
Joe Carter With Nilson Matta – 2for2 (2000)
Olás! O dia hoje, por aqui, está cinzento. Não animei nem a botar o pé para fora de casa. O tempo está bom para ficar na cama, vendo algum filme na televisão. Ou melhor ainda, ouvindo uma boa música e de papo pro ar. Eu estou fazendo a minha parte 😉
Acabei de ouvir (e por mais uma vez) este disco bacana, de um dos nossos ilustres amigos (cultos) visitantes, o violonista americano Joe Carter. Ele gentilmente me enviou e autorizou a publicação do trabalho aqui no Toque Musical. O disco, em formato cd, foi lançado nos Estados Unidos em 2000. “2for2” é um cd em parceria com o baixista brasileiro Nilson Matta, radicado nos “States” desde a década de 80. Um trabalho acústico, somente contrabaixo e violão. No repertório eles trazem, além de músicas próprias, coisas de Noel Rosa, Baden Powell e Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Dolores Duran, Carlos Lyra e Maurício Einhorn. Joe Carter é um músico de formação jazzística. É professor de violão e também escreve sobre o assunto. Tornou-se ainda mais apaixonado pela música brasileira depois de ter vindo ao país na década de 80. Nilson Matta é também um músico fera, com larga experiência profissional, já tocou com muita figurinha carimbada da música instrumental e jazz, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Ele integra o renomado Trio da Paz, formado também por Romero Lubano e Duduka Fonseca.
Não sei se por brincadeira ou mesmo pela humildade, ao me enviar o disco o Joe disse, que ter o seu trabalho no Toque Musical o faria famoso. Hehehe… A minha recíproca, talvez seja mais verdadeira. 🙂
Luis Agudo & Afonso Vieira – Jazz A Confronto 33 (1976)
Olá, amigos cultos e ocultos! Estamos para iniciar um novo Governo em nosso país. Independente da divergências políticas, desejo a todos nós brasileiros muita sorte. Escolher entre esses dois candidatos o que melhor poderia representar o Brasil não foi fácil. Agora é esperar…
Abrindo uma nova semana de postagens, eu desta vez vou fazer um mexidão para agradar tucanos, estrelas e indecisos. Vamos ver se a gente consegue fazer uma bela colcha de retalhos.
Eu ontem, procurando na rede por discos do genial compositor italiano, Piero Umiliani, acabei descobrindo um blog de jazz super bacana. Trata-se do Jazz A Confronto, um espaço dedicado aos famosos discos do selo italiano HORO Records. Este selo surgiu no início dos anos 70 através do cineasta e produtor Aldo Sinesio, um apaixonado por jazz. A série “Jazz A Confronto”, pelo que eu li no blog, teve 35 títulos, realizados de 1972 a 76. Uma boa média em apenas cinco anos.
Há tempos atrás eu tive um disco deste selo, mas nunca encontrei outros da série. São importados e hoje em dia muito mais raros. Felizmente, meio sem querer, acabei descobrindo a fonte e como dizem por aí, estou que nem pinto no lixo, baixando tudo antes que o seu autor mude de ideia. Entre os diversos álbuns há alguns que levam uma pitada brasileira. Músicos de alto nível que saíram do Brasil para tentar a sorte na Europa. Artistas que por aqui a gente nem lembrava mais. Mas vamos recordar… Pretendo ainda nesta semana postar um do Irio de Paula (lembram dele?).
Para começar, vai aqui um disco que eu fiquei de cara. A sensação foi a mesma de quando eu ouvi pela primeira vez “Krishnanda” do Pedro (Sorongo) Santos. Um ‘disbunde sonoro’ que me encantou e com certeza vai encantar vocês também. Me fez lembrar outro, os primeiros tempos do Naná gravando pela ECM. O disco em questão é de uma dupla percurssiva. Luis Agudo é um percussionista argentino, bastante familiarizado com os ritmos brasileiros. Ele aqui faz parceria com o mineirinho lá de Cataguases, o baterista Afonso Vieira (lembram dele também?). Este, começou a carreira sendo ‘apadrinhando’ pela cantora Sylvia Telles. Trabalhou com os mais diversos artistas da música mundial. Tem um currículo de dar inveja. É um artista brasileiro respeitadíssimo lá fora. Vocês precisam conferir… 😉
Balona e Seu Conjunto – Garota de Ipanema (1967)
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
Quem sobe nos ares não fica no chão,
É uma grande pena que não se possa
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
Não sei se brinco, não sei se estudo,
Mas não consegui entender ainda
Inezita Barroso – Danças Gaúchas (1955)
Olá, moçada culta e oculta! Pelo jeito, a turma lá do Sul anda visitando pouco o nosso blog. Não houve uma manifestação gaúcha durante a semana. Barbaridade, tchê! O jeito vai ser eu encerrar por aqui o meu chimarrão. Mas a gente ainda volta para um passeio nos Pampas 🙂
Para fechar com chave de ouro, deixei para hoje essa obra prima, uma raridade que poucos tem hoje a oportunidade de ouvir. Este lp foi o terceiro disco gravado no Brasil pelo selo Copacabana. Não sei se está incluído entre os 300 discos mais importantes da música popular brasiliera, mas se não estiver, merecia. A própria Inezita afirma ser esse seu melhor trabalho.
Embora um tanto quanto desgastado pelo tempo e bem arranhado, consegui dar uma boa melhorada no som. Temos pois, a grande cantora brasileira ao lado do Grupo Folclórico de Barbosa Lessa. Neste álbum eles interpretam da forma mais pura e tradicional as composições de Barbosa Lessa e seu parceiro de pesquisa Paixão Côrtes. Inezita viria a regravar todas essas músicas seis anos depois, acompanhada de orquestração, no álbum de 12 polegadas com o mesmo título. Falar de tradicionalismo gaúcho sem tocar no nome de Barbosa Lessa, chega a ser até um pecado.
Eu já comentei sobre ele logo nas primeiras postagens. Foi um personagem dos mais importantes para a cultura gaúcha. Reproduzo aqui um texto extraído do site do Governo do Rio Grande do Sul falando sobre ele:
Luiz Carlos Barbosa Lessa nasceu em 13 de dezembro de 1929 e faleceu em 11 de março de 2002. Destacou-se na música popular e na literatura. Entre suas músicas, sempre de cunho gauchesco, estão Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, Balseiros do Rio Uruguai, Levanta, Gaúcho!, Despedida, e as danças tradicionalistas em parceria com Paixão Côrtes. De sua obra literária com mais de 50 títulos, estão os romances República das Carretas e Os Guaxos (prêmio 1959 da Academia Brasileira de Letras), os contos e crônicas de Rodeio dos Ventos, o ensaio indigenista Era de Aré, a tese pioneira O sentido e o Valor do Tradicionalismo, o ensaio Nativismo, um fenômeno social gaúcho, Mão Gaúcha, introdução ao artesanato sul-rio-grandense, o álbum em quadrinhos O Continente do Rio Grande (com desenhos de Flávio Colin) e os didáticos Problemas brasileiros, uma perspectiva histórica, Rio Grande do Sul, pra zer em conhecê-lo, e Primeiras Noções de Teatro. Também há os dois volumes do Almanaque do Gaúcho. Foi fundador do primeiro CTG – Centro de Tradições Gaúchas, o “35”, em Porto Alegre. De 1950 a 1952, com o amigo Paixão Côrtes, realizou o levantamento das danças regionais e produziu a recriação de danças tradicionalistas. Dessa pesquisa, resultou o livro didático Manual de Danças Gaúchas e o disco Danças Gaúchas, na voz da cantora paulista Inezita Barroso. Barbosa foi, também, Secretário Estadual da Cultura e idealizou a Casa de Cultura Mário Quintana. Foi, também, Conselheiro Honorário do MTG – Movimento Tradicionalista Brasileiro.
Taí um disco pelo qual eu tenho certeza, vai levantar não só a gauchada 😉
Túlio Piva E Eneida Martins – Pandeiro de Prata (1979)
Bom dia a todos! As minhas ‘fotopotocas’ estão ficando bem mais divertidas do que eu imaginava, principalmente depois de serem publicadas no blog. Acho ótimo a reação das pessoas. Tem gente que pensa ser uma postagem normal, chegam até a me pedirem o ‘link’. Que ‘link’? Aqui não tem ‘link’, tem ‘toques’ 😉 Como a maioria já deve ter percebido, tenho feito essas postagens de humor, sempre partido de uma capa de disco. Achei a ideia interessante e dá ao Toque Musical um sentido mais alegre. Obviamente, estou puxando a sardinha para o meu lado, quando através desse humor também procuro promover a imagem do TM. Como já dia (ou pelo menos pensava) o jogador Dadá Maravilha (o Dario, Peito de Aço), a autopropaganda é alma do negócio.
Jaime Caetano Braun – O Payador (1983)
Olá, amigos cultos e ocultos! Continuando a nossa jornada pelos Pampas, vamos dessa vez com Jaime Caetano Braun. Se o Tio Bilia está para o gaúcho assim como Luiz Gonzaga para os nordestinos, Jaime Caetano seria algo parecido com a figura de Catulo da Paixão Cearense. Payador é aquele que cria rimas e versos improvisados como um repentista, acompanhado de um solo, normalmente de violão. É uma arte típica do Sul, não apenas no Brasil, mas também no Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile. Jaime Caetano é talvez um dos nomes mais famosos nesse gênero. Sua poesia é a essência do gaúcho, dos pampas e de tudo relativo a essa terra e seu povo. No dia 30 de janeiro é comemorado o Dia do Payador (ou Pajador, como dizem alguns), data essa escolhida por ser também o dia de nascimento de Jaime Caetano Braun.
O álbum que eu trago para vocês foi lançado no início dos anos 80. Como diversos outros trabalhos musicais e fonográficos, “Payador” teve pouco destaque na época de seu lançamento, ficou mais limitado ao público regional. No disco encontramos também a presença de Lucio Yanel e Chaloy Jara, músicos nativistas que acompanham o poeta e interpretam algumas faixas instrumentais. Gurizada, confira aí, que eu de cá vou tomando um chimarrão.
Os Araganos – Os Homens De Preto (1978)
Ao pensar nas postagens dedicada aos sulistas, me lembrei de imediato de dois grupos que eu mais conheço e sempre gostei, o Conjunto Farroupilha e Os Araganos. O primeiro eu vou deixar para uma outra ocasião, pois os que tenho também tem em outros blogs. Quanto aOs Araganos, eu ainda não vi nada. Tenho certeza que os amigos cultos e ocultos irão apreciar essa jóia, a qual eu já apresentei uma amostra, através de um compacto de 1967.
Os Araganos surgiram no início dos anos 60, segundo informação da própria capa, no Dia do Gaúcho. Começaram como um trio (Edu Teodoro, Ayrton Pimentel e Ary Marchi), mas ao longo do tempo o grupo foi crescendo e tendo outras formações. Me parece que estão (pelo menos no nome) na ativa até hoje. Durante os anos 60 eles fizeram muito sucesso, levando a tradição gaúcha não apenas para o Brasil e países vizinhos, mas também na Europa. O que levou os Araganos a fazerem tanto sucesso foi uma combinação exata de regionalismo com o que rolava naquela época e arredores. Isso para não falarmos da participação deles no cinema e na televisão. Ao ouvirmos músicas como “Pára Pedro”, “Malageña” e “Carnavalito”, percebemos que o grupo, pelo menos dentro dos anos 60, buscava um público além dos Pampas. Isso fica ainda mais claro no ‘pot pourri’ “Volta ao Brasil”, onde eles interpretam temas famosos de outras regiões do país. Outra música que não podemos nos esquecer, de grande impacto nacional, é “Os Homens de Preto”, do artista gaúcho Paulo Ruschel. Música esta também imortalizada na voz de Elis Regina, no disco da coleção Marcus Pereira, em 1975. Neste álbum, uma coletânea comemorativa de 14 anos do grupo, também podemos encontrar algumas composições próprias, prova do talento que não se limita apenas em interpretar. Confiram… 😉
Tio Bilia E Virgílio Pinheiro – Baile Gaúcho (1964)
Indico aos interessados no assunto, “A sanfona de oito baixos na música instrumental brasileira”, de Leonardo Rugero Peres. Uma boa leitura sobre sanfonas e sanfoneiros.
Um detalhe curioso sobre nossas raridades: este disco, por exemplo, não se encontra facilmente para comprar. Sua última edição foi em 1968. Não foi mais relançando no país, mas em compensação na EMI da Bélgica ele saí por pouco mais de uns 10 Euros (será que a família ou quem detém os direitos autorais está recebendo direitinho essa grana aqui no Brasil?). Ups!
Não sei porque, mas este disco eu gosto de ouvir quando está amanhecendo o dia. Fica completo com um galo cantando no fundo do quintal. Aliás e por falar nisso, o Galo ontem cantou direitinho (felizmente não havia prorrogação)
surungo do quintino
casório do batista
serra de cima
20 de setembro
gauchada do meu pago
tropeiro em apuro
lembrança do morro negro
baile no galpão
galpão dourado
capão alegre
dois corações
O Rio Grande Do Sul – Postais Sonoros 1 (1962)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Apesar do meu fim de semana não ter sido lá uma maravilha (o domingo então, nem se fala), vou tentar manter a linha… Cada vez percebo mais que a minha fixação com o blog está intimamente ligada aos meus problemas e aflições. O Toque Musical é às vezes, para mim, uma ‘válvula de escape’. Ou melhor dizendo, o local para onde eu fujo quando as coisas não estão muito boas. Como a minha vida é cheia de oscilações, acabo sempre ensaiando uma fuga diária. Falar de música não seria tão bom se não se pudesse ouví-la, eis a minha terapia contra a depressão.
Mas vamos deixar de lado essas minhas lamentações. Vamos ao que realmente lhes interessa… Para a semana que se inicia eu estou programando alguns discos do pessoal do Sul. Injustamente, eu não tenho dado a devida atenção à música brasileira feita no sul do país. De uma certa maneira, o que me falta são os discos. Às vezes eu tenho a impressão de que o sul do Brasil é um outro país. Existe uma certa falta de integração que mais parece partir deles próprios. Há um certo isolamento, sei lá… Mas independente de qualquer coisa, essa terra também chama Brasil e por lá também se faz uma boa e genuína música popular brasileira.
Tenho aqui um disco, o qual eu não consegui encontrar a data, uma produção independente, possivelmente do início dos anos 60, pelo obscuro selo Madrigal. Aparentemente, pelo título, supõem-se ser um disco de coleção. Mas eu não encontrei nenhum outro volume e muito menos informações sobre a coleção, além de uma pequena referência (por sinal errada) no Dicionario Cravo Albin de MPB. Como a contracapa também não traz essas informações, fui investigar as origens através do nome que mais se destaca no disco, o folclorista paulista/gaúcho Barbosa Lessa. Eu já conhecia alguma coisa do trabalho dele, como a trova “Nau Catarineta” e a toada “Negrinho do Pastoreio”, principalmente através do Conjunto Farroupilha, que gravou dele muita coisa. Barbosa Lessa era compositor, folclorista, radialista, publicitário e escritor. Este álbum, ao que tudo indica, foi um trabalho dele. A direção é de sua produtora e praticamente todas as músicas são de sua autoria, sendo duas delas interpretadas pelo seu conjunto. Como outros intérpretes temos nomes como José Tobias, Carla Diniz, Geraldo Príncipe, Chico Raymundo e Carlito Gomes, este último confundido pelo Cravo Albin com um homônimo atual de estilo brega romântico (nada a ver). Ao chegar já ao final do texto, descubro outra peça do quebra cabeça gaúcho. Este álbum, com certeza é de 1962. Pelo que eu pude entender do confuso (e errado) texto do Dicionário Cravo Albin, Barbosa Lessa produziu um disco com este nome naquele ano de 62, com o grupo vocal Titulares do Ritmo. Acontece que na discografia do grupo não consta este disco. Eu imagino que no final, por algum motivo que desconheço, os intérpretes foram mudados. Seja lá como for, o certo disso tudo é que se trata de um excelente trabalho e um disco dos mais importantes e raros. Merece toda a atenção, confiram…
Nelson Gonçalves – Prá Você (1971)
Bom dia, amigos cultos e ocultos. Ontem eu cheguei tão cansado que mal dei conta da postagem. Acho que a fiz mesmo só para não sair da sequência diária. Hoje, da mesma forma, vou logo garantido a postagem, visto que meu domingo não vai ser dos melhores. Nuvens negras rondam o meu céu. Mesmo assim e enquanto a água não cai, deixa eu fazer a lição…
Não pude resistir a este disco do Nelson Gonçalves. Tive que primeiro fazer uma ‘fotopotoca’, merecia, você não acham? A primeira vez que vi este disco tive a exata ideia de que o Nelson havia sido escalado para fazer parte do seriado Jornada nas Estrelas. Bom, pode até ter sido um engano de um menino com pouco mais de dez anos, mas que o ‘look’ foi inspirado no filme, isso eu não tenho dúvida. Taí uma história que eu gostaria de saber… como foi que o Nelson encarou essa, ele que era um homem avesso aos modismos. Mas o certo é que naquele início dos anos 70 a carreira do cantor andava meio em baixa. A Jovem Guarda já tinha virado adulta, Nelson que era da ‘velha guarda’, vivia uma fase incômoda. Era preciso renovar de alguma maneira. Nada melhor do que pela capa, pensaram eles. Mas a renovação não fica só no visual. Percebemos aqui também uma modernização no repertório e também nos arranjos de Elcio Alvarez, Ted Moreno e Portinho. Confiram…
Zimbo Trio – Opus Pop Clássicos Em Bossa (1972)
Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o tempo foi corrido e curtíssimo, daí, só agora estou chegando na parada. Mesmo assim, não vou me prolongar. Tô merecendo um descanso. A vida fora daqui não tá mole não. Mas a gente vai levando…
Segue aqui um Zimbo Trio. Depois dos ‘clássicos’ no samba, em discos da década de 60, agora é a de 70 com o Zimbo Trio acompanhado de orquestra, interpretando a música clássica em ‘ritmo’ de bossanova. Acho que é só no Brasil que se vê tanta criatividade. Não me lembro de nenhum outro ritmo ou gênero musical estrangeiro se mesclando com o clássico, além do rock e algumas coisinhas pop. O disco é muito interessante e gostoso de ouvir. Um resultado que mereceu uma continuação. Numa próxima oportunidade eu poderei vir a postá-lo, quem sabe…
Putz, tô babando de sono. Se não parar aqui vou apagar sobre o teclado. Amanhã a gente continua…
Marcos Ariel – Bambu (1981)
Olá amigos cultos e ocultos! Nosso encontro independente desta sexta feira é com o pianista, flautista e compositor Marcos Ariel. Ele inaugurou sua carreira fonográfica a partir de 1981 com esse elogiadíssimo lp, lançado de forma independente. É, para se fazer música instrumental nesse nosso país e ter discos na praça, o músico tinha mesmo que entrar na produção independente ou fazer seu nome lá fora primeiro. Ariel, literalmente, desceu o bambu. Correu atrás para chegar na frente. Lançou seu álbum “Bambu” que logo já estava ecoando na Europa e Estados Unidos. Por este trabalho ele recebeu o troféu Chiquinha Gonzaga, de música instrumental em 1983. Três anos depois o disco também seria lançado na Europa, através de um selo francês.
Confesso que conheço pouco do trabalho do Marcos Ariel, mas desse pouco que ouvi, não posso negar, o cara além de ótimo instrumentista é um excelente compositor. Quanto aos discos dele que eu já ouvi, tenho uma certa predileção por este primeiro. Geralmente o primeiro trabalho de um artista de qualidade é aquele que trás o melhor de si. No caso de Ariel, trás não apenas o melhor de si, mas também o de Dó, Ré, Mi, Fá, Sol e Lá. Um belo trabalho, podem conferir…
Trio Copacabana – Máscara Negra (1968)
Bom dia, amigos cultos e ocultos! Há pouco tempo atrás, navegando sem rumo pela rede, fui parar no Marcos Valle Amplified Discography, um blog muito legal, onde o seu autor vem reunindo não apenas os discos gravados pelo Marcos Valle, mas também aqueles que gravaram o artista. Fiquei admirado com o tamanho da listagem, obviamente, tanto artistas e discos nacionais como internacionais. Porém, no blog, não há links para ‘downloads’, o que é compreensível, afinal a música de Marcos Valle e muitos de seus discos continuam sempre em circulação comercial. Isso para não falar dos, também, infinitos sites e blogs onde se pode encontrar quase todos esses discos. Foi passeando pela lista do blog que cheguei ao Trio Copacabana. Bati o olho e pensei: esse, eu tenho à mão! Demorei um pouco para postá-lo, talvez por não ter encontrado informações suficientes sobre o grupo. Mas ontem, acabei novamente indo parar no blog quando, através do Google, vi por lá uma centelha de luz. Havia para a postagem um comentário, era a sobrinha de dois dos integrantes do trio. Embora não tenha acrescentado muita coisa, me motivou à postá-lo hoje para vocês.
Bom, pelo pouco que eu sei, “Máscara Negra” é o disco de estréia do Trio Copacabana. Ele não é datado, mas tudo leva a crer que tenha sido lançado em 1968. A música “Máscara Negra”, de Zé Keti, surgiu no Carnaval de 67. Pelo texto da contracapa eu deduzi que o álbum saiu em 68. Segundo o comentário do referido blog, o Trio Copacabana era de Niteroi. Dando uma aprofundada na pesquisa, concluí que eles, pelo menos com este nome, só gravaram um disco. Na rede encontramos referências relacionadas à venda do álbum, considerado por muitos uma obscura raridade da Bossa Nova. Acredito que nem o Caetano Rodrigues, recém falecido colecionador de discos do gênero e fornecedor oficial do Loronix, tinha este disco. O álbum é pautado realmente na bossa nova. Seu repertório, muito bom por sinal, foi montado nessa linha, embora nem tudo ali seja só bossa. Considerando que o álbum tenha sido realmente lançado em 68 e mesmo contendo nele músicas recentes para a época, há uma certa áurea nostálgica, até mesmo pela capa, que os remete (pelo menos para mim) à um retardo de uns 4 ou 5 anos. Mas, independente de qualquer coisa, o lp é mesmo muito bom. Agora vocês poderão conferir…
Manoel Da Conceição – Mão de Vaca – A Batucada Do Mané (1975)
Olá amigos! Nosso encontro hoje é com o violonista Manoel da Conceição, também conhecido como “Mão de Vaca”. Segundo contam, ele recebeu este apelido na época da Rádio Nacional. Era um violonista autodidata. Iniciou profissionalmente a carreira no início dos anos 50 com integrante da orquestra de Rui Rei. Ao longo de sua carreira, trabalhou com diversos artistas, entre esses, Angela Maria, Radamés Gnatalli, Elizeth Cardoso e até o Chico Anísio com quem ele trabalhou por mais de dez anos fazendo fundo musical. Teve também o seu próprio conjunto e um programa na Rádio MEC. Foi também compositor, tendo como seu maior destaque a música “Dizem por aí”. Ao longo de sua carreira ele gravou poucos discos, mas teve participação em muitos. Não sabia nada de teoria musical, mas tinha ouvido e uma noçao particular de composição.
“Batucada do Mané” foi um álbum lançado pela RCA, em 1975, com direção de Rildo Hora. Ao contrário de outros discos de instrumentistas, este não é de todo instrumental. Mão de Vaca também canta e faz coro ao lado (acho) dAs Gatas. De autoral temos apenas três faixas, as demais são sambas de Noel Rosa, Caymmi, Monsueto, Ary Barroso e outros. Como se vê, trata-se de um disco essencialmente de samba. Mas há ainda espaço para o famoso tango de Gardel, “El dia que me queiras”, aqui tocado como um bolero (ficou perfeito!).
Até onde eu sei, somente este disco chegou a ser relançado em formato digital. É uma jóia admirada por todo apreciador de violão. Agradeço ao amigo Ricardo que gentilmente me cedeu o disco (quando quiser, pode mandar mais…).


