Emilinha Borba E Jorge Goulart – Oh! As Marchinhas (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Nosso domingo começa quente, antecipando o Carnaval que já vem chegando. Como é do conhecimento dos frequentadores e já esclarecendo aos novos visitantes, o que não falta aqui é disco e músicas de carnaval. Se você está pensando em reviver momentos de pura folia, entrou no lugar certo. Para a sua consulta, sugiro que pesquise em nosso index por nomes em ordem alfabética, na barra lateral direita. Consultar pela barra de pesquisa do Blogger não adianta, algum sacana mudou a tempos atrás as diretrizes do html no intuito de sabotar o Toque Musical. Como eu não sei resolver esse problema, adotei o index por nome de artista, assim temos uma outra alternativa para consultar o que já foi postado aqui. A lista vem crescendo a cada dia. Vai chegar uma hora em que eu terei que tomar alguma outra providência. Por isso eu sugiro, inclusive, àqueles que ainda não se colocaram como seguidores do TM que o faça. Dessa forma não irão perder nada do que temos postado aqui diariamente. Como eu disse, o Carnaval está chegando aí e aqui você encontra tudo, inclusive o frevo e coisas do carnaval baiano. Por essas e por outras é que neste ano eu vou fazer diferente. Para a próxima semana (temática) só vai dar as ‘boas’.
Abrindo o nosso grito de carnaval, temos para hoje um disquinho sensacional (até rimou!). Vamos com Emilinha Borba e seu parceiro Jorge Goulart, desfilando as mais famosas marchinhas carnavalescas de todos os tempos. Um disco o qual podemos chamar de básico para os quatro dias de folia. Pode até ser que o Carnaval já não tenha mais o mesmo encanto daqueles que eram embalados por essas músicas. Mas elas serão eternas, independente do que hoje virou aquela festa inventada pelo diabo, mas que Deus abençoou. (o diabo antes tinha bom gosto)

raminho de café
joga a chave meu amor
israel
colombina yê-yê-yê
cabeleira do zezé
mulata yê-yê-yê
as pastorinhas
rancho da praça onze
história do brasil
touradas em madrid
pirata da perna de pau
pirulito
tem gato na tuba
lourinha
yes, nós temos banana
chiquita bacana
a água lava tudo
vai com jeito
pó de mico
tomara que chova
marcha do remador
passarinho do relógio
o passo do cangurú
miau… miau
índio quer apito
o teu cabelo não nega
grau 10
linda morena
zé pereira
o abre alas
o pé de anjo
balzaqueana

Os Demônios Da Garoa – Ói Nóis Aqui Tra Veis (1969)

Eu sei que ninguém pediu, ‘mas óia eles aqui tra veis’. Claro que estamos falando desse maravilhoso grupo vocal, Os Demônios da Garoa. Com este álbum vamos para o terceiro do grupo postado no Toque Musical. E como sempre buscando os mais raros, tendo eles custado um ou mil reais. O importante aqui é como eu sempre digo, ouvir com outros olhos. É dentro dessa teoria aparentemente absurda que eu procuro demonstrar que tudo pode ter um lado interessante. Tem gente que não pensa assim, mas à essas pessoas, quando se manifestam com suas ‘crititicas’ e insultos, eu incorporo o personagem mais lembrado dos sete mares, coloco o tapa olho e ponho elas para andar na prancha. Pega tubarão! hehehe… Sei que a maioria não deve estar entendendo nada dessa conversa e nem precisa, afinal ela já tem um endereço certo. Melhor voltarmos à música, aos Demônios da Garoa.
Temos aqui um álbum lançado em 1969. Um disco com todos os ingredientes que fizeram deste grupo um dos mais queridos e alegres do Brasil. Tem Noel e Adoniran, outros paulistas e também sambistas. Um lp que contempla humor, alegria, samba e futebol. Podemos quase dizer que se trata de uma homenagem ao Corinthians. A música que dá nome ao disco foi criada por um corintiano, Geraldo Blota, em parceria com Joseval Peixoto. Em 2008 a música foi usada exatamente para isso, homenagear o Corinthians pelo seu retorno triunfal. “Timão” também é outra a qual está mais do que na cara, feita por Samuel Andrade e Paulo Gallo. Agora, aqui para mim, acho que “Time perna de pau”, de Vicente Amar, foi feita para outra equipe da massa, o meu velho e surrado Galo. Êta que essa música vem servindo de trilha perfeita para o Atlético Mineiro! Mas nóis aqui também num disisti… Sofremos, mas não desistimos! Há de chegar o dia em que também cantaremos “Ói nóis aqui tra veis”, uai! (e por favor, sem gozação!) Como sempre digo, perco a noção, mas não perco a piada (ou algo assim).
Deixemos os partidarismo esportivo e partamos ao comunismo musical (ou algo assim). Ups!

felicidade
time perna de pau
ói nóis aqui tra veis
mulher, patrão e cachaça
vim te ver
maxi mini saia
vila esperança
não quero entrar
você passa eu acho graça
timão
estou ficando louco
seleção de sambas

Antonio Adolfo – Viva Chiquinha Gonzaga (1985)

Olá amigos cultos e ocultos, aqui vamos nós para mais uma sexta independente. Estou cozinhado esta postagem desde hoje cedo. A primeira parte já foi, agora só falta a resenha e jogar na rede. Então vamos lá…
Temos aqui Antonio Adolfo em mais uma de suas boas produções independentes. Desta vez interpretando a obra de uma compositora pioneira na nossa música popular brasileira, Chiquinha Gonzaga. Este trabalho de releitura feito por Antonio Adolfo é dos mais interessantes, apresentando onze músicas de Chiquinha, sendo algumas até então inéditas. Ou seja, nunca antes gravadas por qualquer artistas, inclusive a própria autora. O ‘Brazuca’ vem acompanhado por uma turma da melhor qualidade. Como se pode ver estampados na capa, temos os nomes de Paulo Moura, Vital Lima, Rafael Rabello, Nilson Chaves, Sivuca, Jorginho do Pandeiro, Ubirajara do Bandoneon, Dino Sete Cordas e o grupo de chorinho Nó Em Pingo D’água.
Enriquecendo mais o álbum, temos incluído um encarte de vinte páginas com informação sobre Francisca Gonzaga, sua obra e esta produção. Trabalho bacana de um artista preocupado em preservar a memória musical de Chiquinha, que ainda hoje só é lembrada pela trilha mais tradicional do Carnaval, “O abre alas”.

o abre alas
faceiro
a côrte na roça
satan
gaúcho
cordão carnavalesco
angá
ismênia
o forrobodó
lua branca
atraente

Walter Barbedo E Seu Conjunto – Deixe De Lado A Tristeza (1958)

Ufa! Finalmente consegui um tempinho para a postagem de hoje. Achei que ficaria apenas na marcação do ponto, liberando o este post só na madrugada ou no dia seguinte. Preparei para hoje um álbum na linha ‘super raros’ seguindo os ensinamentos de um de nossos amigos cultos, o Sérgio. Foi ele quem me deu a dica dos ‘tags’ e me enviou o programinha também. Confesso que ainda estou engatinhando nessas questões de identidade digital de arquivos. Estou mais focado nos discos, no trabalho arqueológico fonográfico e suas curiosidades. Acredito que essa inclusão de dados complementares de identificação vai acabar me tomando mais tempo. Sei não…
Bom, aqui está o disco do dia. Apresento a vocês o instrumentista, maestro e compositor Walter Barbedo. Alguém aqui o conhece ou tem informações sobre ele? Pergunto isso porque eu mesmo não saberia nada além do que temos na contracapa (que não informa nada) e nas pouquíssimas referências extraidas pela rede. Seria mais fácil encontrar ouro nas ‘minas geraes’. Walter Barbelo, por incrível que pareça, é hoje apenas uma citação. Um nome pinçado daqui e dali, mas somente como uma referência incompleta. Mesmo com pouco tempo, não poupei esforços em minha pesquisa. Infelizmente, pela web não há nada! O jeito é apelar para os nossos ‘universitários’, como dizia o Silvio Santos. Contudo, ou melhor, com nada, só nos restou falar de sua música e do disco em si. “Deixe de lado a tristeza” é um lp bacana, com um repertório bem combinado, onde predomina uma música dançante, alegre (claro!) e variada. Quase todas as faixas são de composição própria do artista, cabe também um Perez Prado com a gostosa “Patrícia” (tô falando da música, viu gente?) e outra boa “Cachito”, um mambo abolerado de Consuelo Velasquez que foi sucesso na voz de Nat King Cole. Disquinho bão, pode acreditar!
Outra curiosidade que eu chamaria a atenção é a qualidade do som. Para um disco com mais de 50 anos, embora muito bem conservado, possui uma gravação nota 10! Segundo a Chantecler o sistema de gravação, conhecido como VIK, é tecnicamente perfeito e para a época o ‘supra-sumo’ da alta fidelidade. Uma inovação que até então só se via e ouvia em discos americanos. Vamos conferir? 😉

maxixa meu bem
patrícia
conversa de pistões
vo tchi contá
felicidades
virado paulista
paula
deixe de lado a tristeza
polca do darcy
dona catarina
cachito
serenata de miados

Al Quincas & Nestor Campos – Boite Para Dois (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência às nossas postagens de ‘super raros’, trago aqui mais disquinho jóia (putz! quanto tempo eu não pronuncio essa palavra!). Mas é jóia mesmo. Se ontem tivemos ‘um em dois’, hoje teremos ‘dois em um’. Segue aqui o lp “Boite para dois”, um disco ‘mezzo a mezzo’. De um lado temos Joaquim Gonçalves, mais conhecido como Al Quincas e do outro Nestor Campos, dois ilustres representantes do lendário Trio Surdina, respectivamente violino e guitarra, fechando com Gaúcho no acordeon. Aqui, neste álbum, podemos conhecer um pouco mais das qualidades desses dois grandes músicos instrumentistas. Nestor Campos, um fera das cordas, pouco lembrado como um dos maiores guitarristas brasileiros, tem aqui a função não apenas de tocar maravilhosamente bem. É dele também os arranjos e a liderança num conjunto com piano, vibrafone, acordeon, baixo e bateria. Num estilo bem dançante, ele nos apresenta oito temas de sucesso, entre sambas, fox-trot e outros bailados. Por parte de Al Quincas, temos o músico acompanhado de orquestra. Só que em suas oito faixas, também composta por ‘standars’ de sucessos, ele toca é saxofone. E muito bem, como poderão verificar. Um discão que sem dúvida irá agradar a todos os que nos acompanham. Escutem aí…

morena boca de ouro
the rose tatoo
dance e não se canse
bailinho da madeira
agora é cinza
arriverdeci roma
c’est la vie
molly-o
lisboa antiga
stranger in paradise
moritat
cocktail for two
donne moi
memories are made of this
os pobres de paris
c’est a hambourg

Sambistas Da Guanabara – Show De Samba (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o ar matinal, enquanto preparo o meu café, vou logo fazendo a postagem do dia. Para manter o nível de excelência musical da semana, estou trazendo um disco que é pura emoção. Um disco de samba instrumental, ou seria de samba orquestrado? Não importa, o que vale é a qualidade. É mesmo um show de samba! E os intérpretes aqui são denominados os “Sambistas da Guanabara”. Na verdade, trata-se de uma produção planejada da Odeon. Os “Sambistas da Guanabara” é uma orquestra formada por músicos de estúdio da gravadora, os quais não aparecem nos créditos. Esses cabem apenas ao seu diretor artístico Ismael Corrêa e aos maestros e arranjadores Osvaldo Borba e Lindolfo Gaya. São eles os responsáveis por este álbum que nos remete a tantos filmes antigos das décadas de 50 e 60, que tem como fundo a cidade do Rio de Janeiro, a malandragem e obviamente o samba. As músicas que fazem parte deste lp são clássicos do samba de outras décadas, obras de artistas como Pixinguinha, Noel Rosa, Sinhô, Ary Barroso, Braguinha, Lamartine e outros… Há também espaço para o novo, uma faixa de Tom Jobim e Newton Mendonça. Tudo feito quase por encomenda, como qualidade e um profissionalismo musical de fazer inveja a estrangeiros. Em resumo, um disco muito bacana e imperdível.
Foi buscando informações complementares (que não se encontra), que acabei caindo no Loronix. Por lá encontrei mais um disco dos “Sambistas da Guanabara”, o volume 2, agora mais bossa nova. Este, também maravilhoso, lançado segundo o Loro, em 1964. Resolvi então incluí-lo nesta postagem, afinal, se um é show, dois é espetacular! Confiram aí essas duas pérolas…

volume 1
a tua vida é um segredo
se você jurar
samba de uma nota só
o apito no samba
o amor e a rosa
até amanhã
na baixa do sapateiro
carinhoso
não tenho lágrimas
jura
com que roupa
fita amarela
volume 2
bigorrilho
falsa baiana
sa-saure
eu não tenho onde morar
provei
sal e pimenta
berimbau
miss balanço
mas que nada
implorar
está nascendo um samba
o orvalho vem caindo

Carlos Monteiro De Souza – Metais Em Brasa Na Bossa Nova (1963)

Bom dia! Nossa semana começa muito bem, fazendo jus às duas últimas postagens, trazendo de volta aquilo que já se transformou em raros momentos. Já andei selecionado para os próximos dias alguns disquinhos literalmente fora de série. Só espero ter tempo para fazer o embrulho dos presentes e postá-los como gosto. As vezes falta tempo, outras vezes inspiração, mas o que não pode faltar é o compromisso diário. Seja ao meio dia, seja até a meia noite 🙂
Temos aqui este maravilhoso álbum na linha “Metais em brasa”. Lembram desse título, que serviu para dar nome a muitos discos de orquestras? Pois é, também serviu para a Bossa Nova. Aliás, este foi o primeiro disco a apresentar uma grande orquestra interpretando a bossa nova. É o que diz o texto da contracapa e deve ser verdade mesmo. Eu não me lembro de outro antes dele. Temos assim uma ‘big band’ formada por vinte e três músicos e um côro de oito vozes, dirigida e orquestrada pelo maestro Carlos Monteiro de Souza. Os arranjos de bossa nova para orquestra ficaram ‘finos’, um trabalho tipo exportação e que não deixa nada a desejar em comparação a outras orquestras pelo mundo. Do repertório, todas as músicas são bem conhecidas do público, exceto a faixa de abertura, “This is Bossa Nova”, música inédita de autoria do próprio Carlos Monteiro. Taí, um disco que vale a pena ouvir. Muito bom!

this is bossa nova
só danço samba
desafinado
corcovado
amor sincopado
sambadinho
o pato
samba de uma nota só
lôbo bôbo
este seu olhar
tristeza de nós dois
o barquinho

Conjunto Melódico Norberto Baldauf – Rock On Big Hits (1959)

Olá amigos cultos e ocultos! Demorei, mas cheguei. Antes das doze badaladas findando o dia, aqui estou eu para garantir a frequência. Desculpem, mas meu final de semana foi ‘ralação’.
Depois de um Walter Wanderley, acho que cai bem outra raridade da safra de 59. Tenho aqui um álbum muito interessante gravado pelo Conjunto Melódico Norberto Baldauf. Este grupo surgiu no Rio Grande do Sul, na década de 40. É considerado o conjunto musical mais antigo do mundo ainda em atividade e com seus membros originais. Gravaram diversos discos, principalmente nas décadas de 50. Mas o forte do do grupo eram mesmo os bailes. Segundo contam, “Rock On Big Hits” foi um disco imposto pela Odeon. Eles tiveram que gravar o álbum com uma seleção de musical que não era exatamente o estilo da turma. O rock’n’roll estava chegando ao país, dividindo o bolo das novidades e um grupo como o de Norberto veio a calhar para a Odeon. No álbum temos uma série ‘hits’ bem conhecidos de Paul Anka, Neil Sedaka e outros. “Melodias conhecidas em trepidantes rock’n’rolls”. E sem dúvida, muito bem executadas pelo conjunto. Este disco se tornou uma peça importante por sua raridade no cenário histórico do rock nacional. Muito se falou, pouco se ouviu. Taí, a grande oportunidade… toque este toque 😉

come prima
you are my destiny
just walkin’ in the rain
my special angel
the diary
only you
stupid cupid
have lips. will kiss in the tunnel of love
piove
sereno
petit fleur
just young

Walter Wanderley E Seu Conjunto – Feito Sob Medida (1959)

Olás! Hoje o meu sábado está mais parecendo um dia de semana comum. Em outras palavras, estou na ralação, com o tempo curtinho para me dedicar ao blog. Aproveitando a folga do almoço, entre uma garfada e outra vou fazendo esta postagem. Que correria! Hoje o papo é curto, mas o disco é grande 🙂
Vamos com Walter Wanderley em um de seus primeiros e raros lps. Temos aqui o álbum “Feito sob medida”, um disco bem na linha do que rolava nos anos 50, feito para dançar. Nele encontramos um repertório rico em rock balada, cha-cha-cha, bolero e samba. Tem Tom Jobim e João Gilberto, num prenúncio de bossa nova. Para a época era o ‘top’ de modernidade. Aliás, até na capa sentimos isso. A modelo, fotografada por Chico Pereira, parece ao estilo dos tempos atuais, nada convencional. Confiram aí…

este seu olhar
lamento
lobo bobo
siete notas de amor
el reloj
hô ba lá lá
the diary
stupid cupid
my heart sings
adiós
quizas, quizas, quizas
perfidia

Fred Williams – Ritmo Quente (1960)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta-feira, mas não será dia de disco/artista independente. Temos ainda uma gaita para tocar. Na verdade até teríamos mais, porém as que ainda estão na manga vão ficar para uma outra vez. Percebi que algumas delas ainda podem ser encontradas facilmente nos melhores blogs do ramo, hehehe… Quem sabe numa próxima oportunidade possamos também trazer outros Omar Izar, Edu da Gaita, Tavares da Gaita, Maurício Einhorn, Rildo Hora e inclusive o Fred Williams. Além do mais, para a próxima semana eu pretendo engrossar o caldo…

Seguindo em nossa jornada musical temos, como prometido, mais um disco de Manoel Xisto, o Fred Williams. “Ritmo Quente” é um álbum de 1960. Eu acredito que este veio a ser o seu quarto lp. Penso ainda que as músicas desses lp são relançamentos, reunidas de diversas bolachas gravadas por ele na RCA Victor, nos anos 50. Aqui encontramos as seguintes músicas…

rapasiada alegre
barrigudinha
horas de prazer
baião da serra do mar
menina romântica
pagode bom
pulo do gato
ritmo quente
baião das moreninhas
mambo para milhões
xote dos carecas
amor e gaita

Omar Izar – A Gaita Mágica De Omar Izar (1969)

Outro grande nome da harmônica no Brasil é Omar Izar. Como Edu da Gaita ele foi um dos primeiros a se profissionalizar. Dono de um técnica muito pessoal e sem dúvida um dos maiores nome do instrumento. Como Eduardo Nadruz ele ajudou a difundir a gaita no Brasil, que até então via o instrumento quase como um brinquedo. Omar, ao longo de mais de 50 anos de carreira já tocou em diversos países, e com os mais diferentes nomes da música nacional e internacional, sempre fazendo muito sucesso. Gravou também por diferentes selo, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, onde viveu alguns anos. Segundo informações colhidas na rede, ele ainda hoje continua muito atuante, principalmente em São Paulo, o seu reduto. Na capital paulista ele criou uma casa de espetáculos chamada “Obar” (o bar do Omar), onde ele se apresenta nas noites de quarta a sexta-feira. Quem já esteve por lá diz que o ambiente é ótimo, sempre uma festa, sempre com convidados ilustres dando canjas. “Obar” fica na Vila Mariana, na Av. Lins de Vasconcelos 2090. Se forem aparecer por lá é bom fazer a reserva antecipada. O local é discreto e para entrar tem que tocar a campainha.
Bom, agora falando do disco, temos aqui um álbum nota 10. Por ele, em seu repertório, podemos perceber logo na primeira faixa, o nível de excelência de Omar. O cara toca de tudo. O álbum, num geral é excelente, mas gostaria de destacar as faixas “Stormy Weather”, “Ebb Tide” e “Hot Canary” onde Omar abusa da técnica, tirando da gaita uma sonoridade criativa, muito além do convencional. Uma demonstração da riqueza do instrumento, que cabe nos mais diversos estilos e arranjos musicais. Outra música que chama a atenção é “Saint Louis Blues”, Omar segura uma nota num sopro de mais de um minuto (haja pulmão!). E além dos incríveis ‘pot pourris’, tem também o famoso “Tema (televisivo) de Roy Rodgers” e “Sem ninguém”, uma composição do próprio gaitista. Aqui encontramos um pouco de tudo, mas sempre com atmosfera ‘lounge’. Muito agradável, confiram…

rapsódia espanhola:
granada
la violetera
el gato montez
españa cañi
stormy weather
ebb tide
i love paris
lover
tres guarachas
el cubanchero
cumaná
oye negra
tema de roy rodgers
everybody somebody’s fool
pot pourri:
trenzinho do meu brasil
eh! são paulo
peguei um ita no norte
paraíba
vassourinhas
você já foi a bahia
oh, minas gerais
cidade maravilhosa
the hot canary
saint louis blues
sem ninguém

Edu Da Gaita – Uma Gaita Para Milhões (1959)

Quando falamos de gaita brasileira, inevitavelmenteo o nome de Eduardo Nadruz, o Edu da Gaita, está sempre presente. Em nossa semana temática, sobre o instrumento aqui no Toque Musical, também não podemos nos limitar a apenas um disco. Embora a sua discografia esteja quase fora de catálogo, ainda é nesta que nos apoiamos quando o assunto é a gaita. Obviamente existem outros músicos, gaitistas brasileiros importantes, mas poucos apresentam tamanha dedicação ao instrumento em termos fonográficos. Mais ainda no que diz respeito à música brasileira. A gaita ainda hoje no Brasil é considerada um instrumento exótico. Que eu saiba, não existe uma formação acadêmica para o instrumento no país. Ela ainda é tratada quase como um brinquedo. O interesse pela harmonica em nosso país hoje em dia, vem atrelada à tradição do blues, a música americana. Todo jovem que começa a tocar gaita, muitas vezes se inicia pensando no blues. Mas ao ouvirmos um artista como foi Eduardo Nadruz, percebemos logo que a gaita de boca não se limita a solos ou acompanhamento. Na mão e na boca de um artista sensível se pode fazer miséria, ou melhor dizendo, riquezas sonoras. Aqui temos mais um bom exemplo disso e principalmente da genialidade de Edu da Gaita. O presente álbum, relançado na década de 70 pelo selo Beverly da Copacabana é de 1959. Um lp interessantíssmo onde Edu procura mesclar sua técnica entre o erudito e o popular. Temos em seu repertório desde Jean Wiener, Chopin e Dvorak à Luiz Bonfá, Bororó e João Gilberto. No álbum, Edu da Gaita vem acompanhado de orquestra e côro. Severino Filho cuida da orquestração e regência. Há também a participação de Altamiro Carrilho na flauta e no assobio. Taí, mais um belíssimo e imperdível disco. Confiram…

le grisbi
noturno nº 2
humoresque
meu silêncio
xamêgo de yayá
dança espanhola nº 5
samba de orfeu
sorte é pra quem tem (basta olhar)
num jardim de um templo chinês
as coisas que eu não te disse
bom que dói
hô-bá-lá-lá

Rildo Hora – O Tocador De Realejo (1987)

Olás! Cá estamos de volta. Aos trancos e barrancos, vou recuperando o fôlego. Entre uma folguinha e outra vão saindo as postagens com o melhor da gaita nacional. E até que eu me reestabeleça, vamos com as reservas da gaveta 😉
Temos para hoje outra fera da gaita de boca, o excelente Rildo Hora. Para quem não conhece, Rildo é gaitista, compositor, arranjador e produtor musical. Está na estrada não é de hoje e já tocou com muita gente importante e passou por diversos caminhos das trilhas musicais. Já trabalhou com João Bosco, Luiz Gonzaga e Fagner. Alguns dos maiores nomes do samba como Beth Carvalho, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e muitos outros, são artistas cujos os discos já foram assinados por ele. Como músico e compositor, na linha de frente, tem gravado discos que são sempre festejados.
“O tocador de realejo” é um de seus discos mais bonitos. Realejo é o nome que se dá a gaita no nordeste e pelo jeito é como Rildo prefere chamar o instrumento. Neste álbum ele toca além de composições próprias, músicas de Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Tocam com ele as feras que nem preciso dizer o nome, estão na capa! Há também a presença do seu filho, Misael Hora. Os dois tocam junto a série “De pai para filho”, muito bonita!
Este álbum Rildo dedica ao gaitista Manoel Xisto, mais conhecido como Fred Williams.

arara
sinha tô
chorinho pra ele
morro velho
algodão
canto de sede
xengo
o ovo
brabeira
de pai para filho – a meu filho misael
coe coe – ameu filho ziraldo
cafuza – a minha filha patrícia

Edú Da Gaita (1979)

Pois é meus prezados, rapadura é doce mas não é mole. Hoje cedo levei meu computador para a manutenção. O problema desta vez foi no Windows, tivemos que reinstalar o programa. Com medo de perder alguma coisa ao ser formatado, achei melhor comprar um novo HD e instalar o Windows nele, assim eu não perderia o que estava no antigo. Assim foi feito. Depois, verifiquei que vários arquivos que eu havia feito download e os discos de gaita que já estavam digitalizados ficaram na pasta Meus Documentos. Em outras palavras, perdi tudo! Sinceramente, dei uma brochada… Também não tive tempo de instalar todos os programas que normalmente uso aqui. Fiquei meio sem opção, meio sem vontade de postar. Mas novamente, eu não quero deixar a peteca cair. Forçando a barra, já quase meia noite, aqui vou eu atrasadíssimo, trazendo a postagem do dia.
Vamos de gaita, vamos com o Edú da Gaita. Eis aqui um álbum lançado pelo Estúdio Eldorado em 1979. Produzido e dirigido por Theo de Barros, também responsável pelos arranjos ao lado de Leo Peracchi. O repertório, como disse o Sr. Aluízio Falcão em seu texto de contracapa, é bem brasileiro, “é uma boa amostra da peculiaríssima sonoridade e da variedade de timbres que uma gaita bem temperada pode alcançar.” Eduardo Nadruz foi mesmo o Paganini da harmonica de boca. Muito bom!

primeiro amor
tenebroso
por um beijo
banzo
melodias brasileiras
numa seresta
batuque nº 1
disparada
roda
murmurando
capricho nortista

Filigranas Musicais Volume XI – Carnaval da RCA (1988)

Olá! Como vocês podem ver, meu desejo de postar aqui alguns gaitistas teve que ser adiado Problemas, problemas, problemas… Como se já não bastasse o caso do meu HD, que aos poucos eu vou recuperando, agora veio mais uma merda. Como diz o pessimista, nunca está tão ruim que não possa ficar pior. Bela merda esse domingo! Não é atoa que nesse dia eu tenho a tendência de ficar deprimido. E hoje a bruxa está solta para o meu lado. Eu nem me arrisco a botar o pé para fora de casa. Hoje tá foda! Perdi a hora ao acordar, atrasado para um compromisso familiar, deixei a turma toda p… da vida. Perdi a hora e o almoço combinado. Na minha rua, a Cemig, estava fazendo um serviço de manutenção da rede elétrica, estávamos sem energia. Daí resolvi sair de bicicleta, dar umas voltas e espantar o mau humor. Longe de casa, já a uns cinco quilometros, o pneu furou. Não havia nas imediações nenhum borracheiro. Voltei, parei em um posto de gasolina e tentei enchê-lo para pelo menos não voltar carregando a bike. Não adiantou muita coisa, o pneu estava rasgado. Isso nunca aconteceu comigo. Voltei zangado, cheguei mais que suado, cansado. Nessa altura a luz já havia voltado, o que me poupou ter que subir cinco andares de escadas carregando a ‘magrela’. Tomei um banho, tomei um café e fui então preparar a postagem do dia. Foi aí que eu me lembrei que havia esquecido o computador ligado desde a noite anterior. Me dei mal… acho que como a manutenção da rede, uma sobrecarga talvez ao voltar, detonou alguma coisa nele. O fato é que não consegui fazer o computador funcionar. Ele liga, mas não abre. Fica apenas tentando acessar o ‘RWindows’. Tentei de tudo, passei o dia todo tentando resolver e nada… PQP!!! É hoje! Diante a merda, só me restou ligar o computador do meu filhote, aproveitando que ele não está por perto. Pensei em não fazer nenhuma postagem hoje, aliás eu não estou como o menor pique. Perdi mesmo o tesão.
Porém, já que tenho alguns ‘discos de gaveta’, para não perder também o dia, resolvi usar um deles. Escolhi entre as poucas opções este disco da série “Filigranas Musicais”. Embora a capa nos faça entender que seriam composições de Lamartine Babo e Haroldo Lobo, percebemos logo que a coisa não é bem assim. Na verdade o disco (pelo selo) chama-se “Carnaval da RCA” e nele estão reunidos diversos temas carnavalescos das décadas de 30 e 40. Necessariamente não são só músicas de autoria de Lalá e Haroldo. Confesso que eu não entendi qual era a razão de termos os dois estampados na capa. Mas tudo bem, não deixa de ser um disco bacana, que atende aos desejos daqueles que haviam me pedido discos da carnaval. Taí, caiam na folia… eu vou me guardando para fevereiro. Amanhã eu levo o computador para o conserto. Tomara que não seja nada sério. Eu já havia preparado alguns discos de gaitistas, mas até segunda ordem, ficaremos na gaveta. Torçam por mim, torçam por nós.

morena imperatriz – almirante e os diabos do céu
não pretendo mais amar – orlando silva
ali babá – odette amaral e os diabos do céu
louca – roberto paiva com benedito lacerda e seu regional
não resta a menor dúvida – bando da lua
quem é você – cyro monteiro
tapete de bagdá – carlos galhardo
mulher fingida – orlando silva e os diabos do céu
levante o dedo – moreira da silva e os diabos do céu
formosa mulher – nelson gonçalves
armas e os barões – almirante e os diabos do céu
chorei – silvio caldas e grupo da velha guarda

Fred Williams – O Mágico Da Gaita Em Hi-Fi (1959)

Trocando figurinha com o gaitista baiano Luiz Rocha, numa pesquisa que ele está fazendo sobre o instrumento no Brasil, acabei adotando a ideia de termos aqui uma semana temática com alguns discos disponíveis. Como sei que vai render, vou começar a partir de hoje mesmo. Vamos levar a semana na gaita 😉

Temos aqui, e mais uma vez, o gaitista carioca Fred Williams, um dos maiores nomes do instrumento, ao lado de Edú da Gaita. Eu já havia postado no TM um disco dele, de 1971, “Fred Williams e Dalila” (Uma coisa que eu acho curiosa é que nesse primeiro disco ele aparenta mais jovem, assim como o Waldir Calmon em “E seus multisons“que também estampa uma cara mais jovial, hehehe…). Agora vamos com este álbum pela RCA Victor, lançado em 1959. Um disco que atraí logo a atenção, vejam a variedade de gaitas do cara! Mas tem que ouvir também. O repertório é quase todo autoral, explorando ritmos como maxixe, choro, valsa, bolero, entre outros…
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um pagode no rio
saudades da paulicéia
lembranças do sertão
suspirando
recordações de minas
barril de chopp
uma noite em porto alegre
manhãs de sol
tarde feliz
na casa da filhinha
enconsta moreninha
um chorinho para aniversário

Eliane Salek – Baiôro (1985)

Olá amigos cultos e ocultos! Deixa eu aproveitar aqui a pausa para o café e fazer logo nossa postagem do dia, antes que o tempo me engula e o sono me ponha a nocaute nos últimos minutos. Hoje é dia de disco/artista independente. Caçando daqui e dali, cheguei à Eliane Salek. Eis aqui um nome, de uma certa forma, conhecido do público em geral. Poucos tem o prazer de conhecer o talento desta artista. Eliane Salek é uma das poucas mulheres no cenário musical brasileiro com um variado leque de atuação artístico. Ela é cantora, compositora, arranjadora e instrumentista. Toca excepcionalmente bem o piano e a flauta. Uma musicista de formação erudita, mas fortemente influenciada pela música popular, por onde transita com grande desenvoltura. É considerada uma artista do jazz, mas uma de suas grandes paixões é o choro. Até onde eu sei, ela gravou apenas dois discos. Mesmo assim é uma artista de reconhecimento internacional e possui um currículo invejável.

“Baiôro” foi seu álbum de estréia, uma produção independente lançada na década de 80. Segundo Eliane, “Baiôro é mais que um fusão dos ritmos, baião com o choro. É uma fusão de linguagens e estilos…” uma mistura de todas as suas influências. Sem dúvida, é um disco que contempla além de belíssimas composições próprias, músicas de Gershwin, Michel Legrand, Zequinha de Abreu e Luiz Gonzaga. Somando a tudo isso temos ainda uma turma de músicos excelentes como Romero Lubambo, Nilton Rodrigues, Raul Mascarenhas e muitos outros. Taí, um disquinho bacana, vamos conferir? 😉
baiôro
tico tico no fubá
verão 42
dia de festa
o xote das meninas
pra brincar
summertime
valsa triste
on the sunny side of the street

Waldir Calmon E Seu Novo Feito Para Dançar ‘C’ (1961)

Putz! Que diazinho duro esse. Fico pensando se hoje ainda terei tempo para mim mesmo. Tem gente que acha que só a terapia do blog já está de bom tamanho, mas nem isso eu conseguir fazer até agora. E sinceramente, já nem estou com muito tesão de fazer a postagem. Mas por honra da firma, em nome da palavra compromisso e para não quebrar o diário, aqui estou eu.

Eu nada, quem está aqui e mais uma vez o Waldir Calmon. A cada dia gosto mais desse cara e seus discos. Estou começando a descobrir um lado dele que eu até então não conhecia. Na verdade eu não conhecia era lado nenhum. O álbum que eu agora apresento ainda era inédito aos meus ouvidos. Fiquei encantado, muito legal… É por isso que eu digo, a gente tem que aprender a ouvir música com outros olhos. Taí um disco, que fala quase tudo pelo título, feito para dançar. Mas também, e principalmente nos dias de hoje, ele é feito para se ouvir. Já na primeira faixa temos a curiosa “Brigitte”, um cha cha cha incrementado com aquela famosa estória, uma crônica de Paulo Mendes Campos, “Chatear e Encher”. Ou seria o escritor quem transformou em crônica a piadinha em “Brigitte”? Taí uma coisa que eu gostaria de saber. Outra faixa interessante vem a seguir, “Las secretarias”, essa música se tornou um clássico do gênero e até hoje se escuta o seu eco. O ‘cha-cha-cha’ corre solto na sequência em mais duas faixas, “Makin’ love” e “Cha-Cha-Cha Latino. As outras duas faixas finais dão uma esfriada no balanço, mas a peteca não caí não. No lado B, o ritmo do samba restabelece a ginga. Sem separação de faixas, a agulha corre direto da margem ao centro do disco. Mas eu resolvi não obedecer essa estrutura e separei o ‘pot-pourri’ (ou pout-pourri?) em faixas, para o acesso direto a um determinada música. Taí um disco bacana, até mesmo na capa. Muito boa, não?
brigitte
las secretarias
makin’ love
cha cha cha latino
il nostro concerto
exodus
contos dos bosques de viena
stranger im paradise
abre a janela
mattinatta
batuque no morro
samba na gafieira

Almirante – A Maior Patente Do Radio (1986)

Recebi ontem a noite uma notícia que me deixou muito animando. Meu HD que havia pifado, pelo que parece, poderá ser recuperado. Estou cruzando os dedos para que tudo dê certo. Afinal, tenho nele quase um terabits de arquivos, se recuperar a metade já vou me dar por satisfeito. Vamos ver no que vai dar, estou muito confiante.

Temos aqui, pela segunda vez, a presença de Almirante, em um álbum criado pela Moto Discos, um dos mais importantes selos responsáveis pelo resgate de antigos fonogramas da música brasileira. Graças a um trabalho que contou com a colaboração da RCA e principalmente de diversos colecionadores (o que seria da memória musical brasileira se não fossem os colecionadores?), temos reunidos nessa edição doze números gravados por Almirante entre os anos de 1932 e 37, em sua fase áurea. São gravações reproduzidas e recuperadas das velhas bolachas de 78 rpm. A qualidade desses fonogramas é muito boa, se consideramos o tempo e os recursos técnicos da época. Temos reunidos neste lp momentos de Almirante acompanhado por Pixinguinha, Donga, pelos conjuntos de Benedito Lacerda, os Diabos do Céu e também pelo conjunto de estúdio da RCA Victor. Uma preciosidade que foi lançada em edição limitada há mais de vinte anos atrás e hoje já está fora de circulação. Confiram a jóia 😉
trem blindado
foguinhos
símbolo da paz
tarzan
ninguém fura o balão
contrastes
o orvalho vem caindo
história do brasil
vida marvada
assim como o rio
a benção papai noel
apanhei um resfriado

João Nogueira – Recado De Um Sambista (1985)

É, pelo jeito os amigos andam mais cultos que ocultos. Isso é bom, conviver com gente culta é sempre mais vantajoso. Eu estou sempre aprendendo, quando não o português correto, a maneira de como melhor lidar com certas situações embaraçosas. Me expondo assim, publicamente, sei que de vez em quando acabo ‘pagando mico’. Mas faz parte da ‘brincadeira’ e acaba sendo um bom motivo para um comentário. Fica claro que realmente existe vida inteligente (e culta, principalmente) orbitando pelo meu planeta Toque Musical. Daí é que eu estou sempre me lapidando. É vantajoso 😉

Bom, vamos ao assunto principal da postagem. Vamos hoje com o maravilhoso João Nogueira neste álbum que mais parece uma coletânea com tantas faixas de sucesso. Lançado em 1985, “Recado de um sambista” é mais um dos excelentes trabalhos do sambista compositor. Estão reunidas aqui composições próprias; grandes parcerias, como Paulo Cesar Pinheiro, Ney Lopes, Claudio Jorge, Eugênio Monteiro e Zé Catimba. Há também interpretações de outros compositores como Noel Rosa, Eduardo Gudim, Luiz Grande, Mauro Duarte e Walter Nunes. Este disco é, sem dúvida, um dos álbuns de maior sucesso de João Nogueira e pelo que eu pude verificar, ainda meio inédito na ‘blogosfera’. Escutem esse toque…
bate boca
maria rita
nó na madeira
batendo a porta
do jeito que o rei mandou
mineira
o homem de um braço só
pimenta no vatapá
e lá vou eu (mensageiro)
espere oh! nega
sonho de samba
gago apaixonado
recado ao poeta
baile no elite

Armandinho – Armando Macedo (1970)

Olá amigos cultos e ocultos! Começamos a semana com uma colaboração do amigo Tales, que nos enviou dentro da NTTM (Normas Técnicas do Toque Musical) este raríssimo álbum do baiano Armandinho (não confundir com o cantor de reggae que é gaúcho).

Com apenas 9 anos Armando Macedo iniciou sua carreira musical, dedilhando o bandolim de seu pai. E ao lado dele o garoto prodígio fez renascer o famoso e original Trio Elétrico da Bahia, também conhecido como o Trio Elétrico de Dodô e Osmar ou ainda, Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar. Durante os anos 60, o menino era a grande sensação e o diferencial entre os diversos grupos que os imitavam no carnaval da Bahia. Em 1969, Armando Macedo ou Armandinho, como ficou mais conhecido através dos Novos Baianos e de seu grupo A Cor do Som, gravou dois compactos pela Codil que lhe valeram a oportunidade de gravar este que seria o seu primeiro álbum. Nele encontramos o instrumentista e seu bandolim, acompanhado pelo Regional de Canhoto e também por Dino 7 Cordas, num repertório clássico e variado, dedicado essencialmente ao samba, seresta e choro. Armandinho mostra aqui o porque hoje em dia é considerado uma das maiores sumidades das cordas. Bacana! Confiram aí o toque…

arrependimento
viola enluarada
tico tico no fubá
martinha
desespero
hino do senhor do bonfim
aquarela do brasil
peguei um ita no norte
iracema
vassourinhas
prenda minha
minas gerais
são paulo quatrocentão
cidade maravilhosa
na baixa do sapateiro
pra frente brasil
molambo
divagando pelo cais
bentevi atrevido
carolina
o destino desfolhou

Conjunto Balambossa – Samba Ao Vivo (1966)

Nas décadas de 60 e 70, no auge da era dos LPs, havia no mercado de discos um leque dos mais variados títulos, gravadoras e selos dedicados à diferentes seguimentos fonográficos. Alguns deles surgiram buscando traçar um caminho alternativo, como vendas diretas a domicílio, através dos correios, pela televisão, em coleções vendidas em bancas de revistas ou mesmo através das próprias revistas em anúncios exclusivos. Nessas modalidades normalmente se encaixavam discos que poderíamos chamar de ‘segunda linha’ (o que necessariamente não quer dizer que sejam ruins). Aqueles suplementares, como as coletâneas, as coleções e os temáticos. Esses, em geral, não tinham a preocupação quanto à ficha técnica ou informações detalhadas sobre quem, quando ou como. Objetivavam apenas o produto acabado sem levar em conta os seus créditos, seja eles os autorais, de produção ou de execução. O selo Coledisc é bem um exemplo disso. Ele apareceu na segunda metade dos anos 60, atendendo ao lançamento de uma coleção em formato box de volumes temáticos com vários discos. Eu suponho que a origem do selo Coledisc é a mesma de outros como Nilsen e Distac. Provavelmente devem ser até mineiros, pois tem o mesmo estilão dos álbuns que a MGL/Bemol criou para o seu selo Paladium. Outro grande mistério são os conjuntos musicais que fazem parte ‘cast’. Pelo que podemos entender ou supor, esses nomes eram criados apenas e de acordo com o estilo de música dessas coletâneas. Se fosse um disco de bolero ou ritmos cubanos, eles procuravam criar um nome sugestivo, tipo “Orquestra Tropical qualquer coisa” ou “Don qualquer coisa também”. Se fosse música pop ou estilo Jovem Guarda era “Crazy Boys”, “Jet Boys”, “The Black Cats” ou coisa assim. Para a Bossa Nova e o Samba, também não seria diferente. Daí temos o “Conjunto Balambossa” que com este nome fizeram dois discos. “Samba ao vivo” faz parte da coleção nº 2, intitulada “Momentos de Ternura”. Um disco de samba e bossa muito bom, ao estilo e repertório de um Walter Wanderley, Ed Lincoln ou Waldir Calmon. Confiram aí…

samba triste
boato
moeda quebrada
amor e paz
volta
murmúrio
na roda do samba
dizem por aí
fica comigo
falsa baiana
fiz o bobão
zelão

Waldir Calmon – Uma Noite No Arpège Nº 3 (1959)

Vou confessar uma coisa. Até pouco antes de postar um primeiro disco do Waldir Calmon eu tinha uma certa antipatia (gratuita) dele. Não sei bem explicar isso, mas achava o seu ‘som’ algo meio cafona (cafona, que expressão antiga!). Acho que associei sua imagem com uma coisa fora do tempo. E realmente é, mas definitivamente não é cafona. Acho que no fundo eu não o conhecia bem. Não conhecia direito sua música e suas qualidades como instrumentista. Foi preciso ouvir com outros olhos e também com um melhor ouvido. Hoje posso dizer que sou fã (ou fan se quiserem) da música produzida pelo cara. Não é atoa que o presente álbum já é o quarto dele aqui no Toque Musical. E pelo jeito não sou o único o apreciador, todos que eu postei sempre deram o maior ‘ibope’. Assim, mais uma vez, vamos com ele em “Uma noite no Arpège Nº 3”. Este terceiro volume da série foi o primeiro lançado pelo selo Arpège, criado pelo próprio artista em sua “Produções Artísticas Waldir Calmon S. A.” Arpège, como todos sabem, também era o nome de sua casa noturna. Como podemos ver, o Waldir não era apenas bom como artista, também tinha um ‘olho empresarial’. O número 3, assim como os demais é um disco para dançar. Começa calmo, com músicas para se dançar a dois, juntinhos. O ritmo dançante, a cada faixa vai ficando mais animado, até chegar no lado B onde temos uma verdadeira festa de estilos ao compasso do samba e sem intervalo. Uma das coisas que me chama a atenção neste disco são os arranjos e o acompanhamento de uma guitarra (ou violão elétrico, sei lá) maravilhosa. Gostaria de descobrir quem era o músico que o acompanha. Muito bom! Se alguém aí sabe, conta pra mim, tá? 🙂

castigo
eu sei que vou te amar
a certain smile
piove
eso es el amor
el bodeguero
ginga das palmas
recado
ainda é tempo
viva meu samba
dança das horas
dança dos sabres

Carlos Lucena – Dança Das Flores (1985)

Olá! A semana passou tão rápido que eu nem me dei conta de já estarmos numa sexta feira. Quando a gente anda muito ocupado e com a cabeça cheia de problemas, as vezes essa percepção passa batida. Confesso que hoje, para mim, não é um dos melhores dias, embora seja o dia que eu mais gosto. Estou sem tesão até para escrever. Mas eu não vou deixar a peteca cair.

Segue aqui a postagem com o um disco independente da semana. Vamos hoje com o cantor, compositor e instrumentista mineiro Carlos Lucena. Para os que não o conhecem, Cacá é um artista dos mais interessantes. Sua música tem o sabor das coisas de Minas e uma poesia
que reflete elementos místicos relacionados a natureza e a ecologia. Como tantos outros artistas do interior mineiro, ele também seguiu para os grandes centros urbanos. Mas ao contrário da maioria, preferiu voltar às suas origens. Ele nasceu na cidade de Joaíma, no norte de Minas. Veio ainda muito novo para a capital. Participou de diversos festivais, inclusive em São Paulo, onde lá também ficou por um tempo, tocando na noite. Em Belo Horizonte ele tocou ao lado de grandes nomes mineiros como Lô Borges, Tadeu Franco, Paulinho Pedra Azul, Dércio Marques e muitos outros. Ele vive atualmente na cidade de Teófilo Otoni.
“Dança da folhas”, uma produção independente, foi seu segundo disco. Uma viagem às coisas místicas, ao mundo dos gnomos e fadas . Um trabalho que segundo ele é dedicado à magia da Divina Natureza, ao encantamento do doce canto dos elementais. Será que foi isso mesmo que eu entendi? Aaah… não importa, eu também acredito em duendes e adoro a sua música. (Desculpe, Cacá, mas hoje tá difícil…) Melhor mesmo é ouvi-lo 🙂
franco
sina de cantador
clara
a solidão nas estradas
os anjos da nova era
a danças das folhas
forró da boa esperança
hippie
romântica
uma canção na estrada do sol

Paulinho E Seu Piano – Ritmo Fascinante Nº 3 (1959)

Olá! Inicialmente eu gostaria de esclarecer, mais uma vez, uma questão que sempre vem a tona. Muitos ainda me perguntam sobre um outro Toque Musical que se encontra restrito à convidados. Como já informei, o blog restrito é o original, foi nele que as minhas postagens começaram. Quando postei, em primeira mão, as gravações caseiras de João Gilberto feitas pelo fotógrafo Chico Pereira, houve aquele grande ‘bum’, se tornando um dos assuntos mais comentados da rede, notícia em todos meios de comunicação. Coisa que ainda hoje ecoa pelo quatro cantos. Diante a tanto barulho, mas principalmente em razão de ameaças anônimas por parte de uns e despeito de outros, resolvi transformar o blog num espaço privado, restrito apenas àqueles que fosse amigos cultos e ocultos 🙂 Infelizmente havia um limite para o número de associados o que me obrigou a rever minha intenções. As ameaças contra o blog continuaram. Foi conversando com o amigo Zecaloro, do Loronix, que ele me sugeriu criar um ‘espelho’, ou seja um blog clone. Durante um tempo (alguns ainda se lembram) mantive os dois blogs funcionando publicamente, sempre com as postagens diárias. Depois percebi que tudo aquilo era em vão e só criava mais confusão para os amigos usuários. Daí resolvi retirar o primeiro da circulação pública, mantendo-o ainda como um refúgio em caso de possíveis retaliações. Desde então ele continua lá, desatualizado, sem links e limitado aos meus fantamas. Mesmo não estando acessível ele ainda continua criando confusão na cabeça de alguns. Talvez porque as vezes acontece de eu estar ‘logado’ (de login) com outro e-mail 😉 Mas enfim, o que vale está aqui, no endereço atual.
Putz, que introdução! Vamos agora ao álbum do dia. Hoje vamos curtir o “Ritmo Fascinante Nº 3” da gravadora Copacabana. Lançado em 1959, este é mais um ‘long-play’ da série onde só existem os volumes 1 e 3. Neste, temos o pianista Paulo Lima de Jesus, o Paulinho Preto, que tocou nas orquestras dos maestros Carioca, Silvio Mazzuca e Casé. Acompanhou também a cantora Leny Everson, cujo o álbum Nº 1 é dela. Possivelmente o Paulinho deve também ter participado deste disco, pois justamente no ano seguinte o ‘Caramujo’ iria chamá-lo para assinar o Nº 3 (por favor, não me pergunte qual e nem onde entra o Nº 2). Pelo texto da contracapa deste álbum se percebe que a Copacabana ficou mesmo impressionada com o talento do Paulinho.
Sem dúvidas, o pianista, arranjador e compositor é muito bom. Acompanhado por uma pequena banda com sax, flauta, contrabaixo, bateria e percussão eles tocam um variado leque que vai do samba ao bolero, do fox ao jazz. Paulinho entra ainda com quase todos os arranjos e a faixa “Paulinho no choro”. Um trabalho bacana que ainda contou com um apelo visual. Uma típica capa de um disco de jazz, né não? Só por ela já vale uma conferida 😉

seleção de clássicos
till
prelúdio
concerto d’autunno
mais um outono
i love paris
o rei do samba
love for sale
tente sorrir
poinciana
paulinho no choro
all the way

Wanda – Vagamente (1964)

Olá amigos cultos e ocultos! Começando bem o dia, trago para vocês um disco com a cara desta manhã ensolarada. Aí para os lados de vocês está chovendo, está nevando, está frio, já é tarde ou já é noite? Bom, tudo bem… Mas ao escutar este álbum, com certeza, uma linda manhã de sol virá na lembrança e tomara que assim permaneça pelo menos enquanto se está na companhia de Wanda. Este é mais um daqueles discos que voltou a tona e graças ao bom gosto e sensibilidade de muitos permanece bem acessível àqueles que o procuram, principalmente se for através do blogosfera. O Toque Musical não está interessado em ficar repetido fichas, mas em casos especiais, principalmente quando se trata de algo que o autor aqui admira, elas terão sempre vez. “Vagamente” é um álbum muito bonito, simples e literalmente tocante em todos os sentidos. Por isso faço questão de também tê-lo em nossas postagens. “Vagamente” foi o álbum de estréia da cantora e violonista Wanda Sá. Ela foi descoberta por Ronaldo Boscoli. Foi aluna de Roberto Menescal em sua famosa escolinha de violão. Participou do grupo de Sérgio Mendes, o Brasil 65, quado este foi se apresentar nos Estados Unidos. Por lá ela ficou um tempo chegando a gravar mais três disco, dois com o Brasil 65 e o solo “Softly”. Voltou ao Brasil no final dos anos 60 se apresentando com Baden Powell, Vinicius, o conjunto Bossa Três e outros. Nesta mesma época gravou com o saxofonista de jazz americano Paul Desmond. Depois casou-se com Edu Lobo e se afastou por um tempo das gravações e apresentações. No final dos anos 80 ela retomou a carreira, passando a gravar novamente. No álbum “Vagamente” ela vem acompanhada por mestres da bossa e seus conjuntos. Temos aqui Roberto Menescal, Tenório Jr. e Luiz Carlos Vinhas, Eumir Deodato e mais uma turma de outros músicos, que embora não sendo citados, foram e são tão importantes quanto esses. O repertório cheio de jóias, obviamente, é só Bossa Nova. Para aqueles que ainda não tiveram sua manhã de sol, taí uma boa pedida 😉
.
adriana
e vem o sol
encontro
só me fez bem
mar azul
também quem mandou
tristeza de nós dois
vivo sonhando
sem mais adeus
inútil paisagem
tristeza de amar
vagamente

Eduardo Araújo (1971)

Estou voltando hoje à rotina de trabalho, o que quer dizer que meu tempo para o blog se torna ainda mais curto. Com eu informei anteriormente, os links do Rapidshare serão aos poucos substituídos, conforme forem caducando. Fica difícil para eu trocar de imediato mais de mil títulos. A coisa será progressiva. Enquanto isso eu aconselho aos amigos cultos e ocultos tentarem baixar os “amarradinhos” a noite, fica bem mais fácil, podem acreditar.

Temos aqui e mais uma vez batendo ponto o roqueiro que virou ‘cowboy’, Eduardo Araújo. Quando falamos deste artista, quase sempre nos lembramos de seus dois extremos, o início na Jovem Guarda e os tempos atuais onde ele insiste nessa onda de música ‘country’. Pessoalmente, se eu tivesse que escolher, prefiro ficar na ingenuidade da turma do calhanbeque. Porém, a fase dele que eu mais gosto é essa dos anos 70, ou melhor dizendo, aquela onde ele já está amadurecido no rock. Este álbum de 71 é, para mim, um dos seus melhores trabalhos. É do período onde o rock nacional teve a melhor safra. Um momento onde tudo o que foi produzido, hoje se tornou coisa rara, muito procurada e difícil de achar. Neste álbum, Eduardo Araújo é rock puro. Para quem não conhece o disco deve até pensar que eu estou enganado, considerando o repertório destacadamente cheio de clássicos de Ary Barroso, Pixinguinha, Braguinha, Taiguara, Herivelto, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Mas aqui o cara deu para essas músicas uma nova roupagem, misturando o rock e a ‘black music’, criando uma sonoridade muito própria. Como no caso da Orquestra Serenata Tropical, alguns arranjos e interpretações podem fazer os puristas torcerem o nariz, mas ao contrário da linha discoteca, as versões roqueiras estão mais próximos do aceitável. Obviamente, eu não estou entrando no mérito dos arranjos do Waltel Branco para o disco anterior. Mas aqui, no álbum do ‘cowboy’, quer dizer, do roqueiro também tem batutas. O disco é produzido por Milton Miranda, a direção musical é de Gaya e a orquestração e regência de Kuntz Naegele. Entre tantos clássicos que se tornam ‘crássicos’ eu ainda destacaria do álbum a faixa “Salve, salve brasileiro”, das músicas autorais ela é a melhor. Confiram aí o toque…
no rancho fundo
salve salve brasileiro
ave maria do morro
preciso chegar
a canção do povo de deus
carinhoso
explosão norte sul
a ilha
porque a gente morre
meu pai não me avisou
asa branca

Musical Pop’s – The Sound’s (1967)

Olá! Acho que eu fiz bem em mudar nossos links para o Mediafire. Mesmo com as propagandas embutidas, ainda assim vale mais a pena do que ficar ‘mendigando’ downloads no Rapidshare. Fiquei tão puto com este último que resolvi, para os arquivos acima de 100 MB usar outro servidor, o Megaupload, que tem me surpreendido com a qualidade. Não tivesse eu já começado com o Mediafire, ficaria apenas com o Megaupload. Para o momento ficamos assim. Quanto às antigas postagens com links no Rapidshare, esses continuarão até caducarem, depois eu mudarei para o atual.

Para a nossa tarde de domingo, nós hoje teremos um disquinho curiosamente raro, até mesmo para aqueles que o criaram. Há algum tempo atrás eu recebi um e-mail de uma pessoa desesperada atrás deste disco. Como eu não me lembrava de tê-lo, retornei informando que infelizmente não poderia ajudá-lo. A pessoa em questão era um dos integrantes do The Pop’s e segundo ele, este disco foi um dos muitos que o grupo gravou com outro nome, por questões contratuais com gravadoras. Ele dizia que este foi único registro que ainda lhe faltava, que nem na gravadora, a Equipe (que nem existe mais) foi possível encontrar. Com certeza, depois de tantos anos, seria mesmo difícil encontrar as gravações ou sequer um exemplar preservado. No Brasil isso nunca aconteceu. Daí talvez o fato e razão para existirem tantos blogs desenterrando a música brasileira. Mesmo na contramão e de forma muitas vezes anárquicas, temos que reconhecer, o que seria da memória musical brasileira se não fosse nós, os apaixonados por discos, músicas e seus artistas? Independente da motivação que levou cada blogueiro a criar seu espaço e de sua política certa ou errada de compartilhamento, isso gerou uma nova onda. Aqueceu, com certeza, o mercado fonográfico e deu uma maior visibilidade para a música e o artista. Na minha opinião, o bom foi criar oportunidade para se conhecer melhor aquilo que muitas vezes estava inacessível. Quanta coisa eu fiquei privado de ver e ouvir nas últimas décadas. Coisas que eu nem sabia que existiam. Coisas que passaram por mim e eu nem soube. Isso sem falar naquelas que um dia existiram, que ficaram no anonimato, esquecidas até mesmo pelos seus autores ou responsáveis pela guarda. Felizmente chegou a era da ‘arqueologia digital’. Estamos vivendo tempos de mudanças e sempre quando elas acontecem levantamos poeira, descobrimos ou encontramos coisas perdidas, esquecidas… Este movimento é consequente e naturalmente necessário.
Putz! Lá vou eu me enveredando para outros assuntos… voltemos ao disco. Melhor, vamos ouvi-lo. Temos aqui o Musical Pop’s, um álbum instrumental recheado de ‘standards’ da música internacional. Há também duas faixas com as músicas “Mônica” de Ed Lincoln e “Eu compro essa mulher” de Erlon Chaves, sucessos da época. O disco saiu pelo selo Equipe, de Oswaldo Cadaxo, especializado em música jovem. Como tantos outros selos e gravadoras da época era comum utilizar músicos e artistas em outras produções e com nomes diferentes. Como eu disse, o Musical Pop’s e seu disco The Sound’s foi mais uma das aventuras (ou desventuras?) da turma da botinha sem meia, o The Pop’s. Vamos conferir esse toque? 😉
mônica
as tears go by
strangers in the night
gina
somewhere, my love (tema de lara)
copy cat
watermelon bag
eu compro essa mulher
call me
ce tu non fossi bella come sei (o dolar furado)

Orquestra Serenata Tropical – O Novo Som Da Orquestra Serenata Tropical (1976)

Depois de uma sexta-feira independente, nada como os embalos de sábado a noite. John Travolta, discoteca, purpurina, Frenéticas, ‘Dancin’ Days’… Foi pensando assim que eu resolvi postar este disco da intitulada Orquestra Serenata Tropical. Conhecem? Por certo, alguns de vocês já devem ter ouvido outros discos com esta orquestra. E pelo que eu pude verificar, superficialmente, ela está em atividade desde os anos 60, talvez até mais. Mas afinal, quem são os músicos dessa orquestra? Pelo que eu pude entender, a Orquestra Serenata Tropical é apenas um nome que veio servindo a indústria fonográfica durante algumas décadas. Me corrijam se eu estiver errado, mas esta é mais um produção de oportunidade, que procura se encaixar no que acontece em um determinado momento. E o momento aqui é a onda discoteca, 1976. Mas o que tem a ver a OST, com seu repertório essencialmente de mpb? A ver pode até não ter nada, tem mesmo é que ouvir. Juntemos Ary Barroso, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Vinícius, Tom Jobim, Braguinha, entre outros… ah, tem também os vivos, as duplas João Bosco e Aldir Blanc, Roberto e Erasmo Carlos. Imaginem essa turma no embalo dos anos 70. Novamente… ‘discotheque’, lança perfume, As Panteras… e vamos nós para a discoteca. Acredito que a turma da velha guarda, principalmente o Sr. Ary Barroso, se tivesse ouvido a versão deste disco, teria se remexido todo dentro da sepultura. Só não saberia dizer se de ódio, execrando ‘a modernidade’ ou de alegria, se deixando levar no embalo do ‘dancin’ days’. Bem, falando assim vocês logo vão achar que o álbum não está com essa bola toda. Os puristas certamente não irão gostar. O que temos aqui é um trabalho, cuja a eminência (semi) oculta é do versátil e internacional Waltel Branco. Este é mais um dos muitos discos onde ele atuou por trás das cortinas, ou na cozinha, no caso aqui como arrajador (e possivelmente também como instrumentista). Waltel foi um músico prolixo, dos mais importantes tanto dentro do Brasil como fora. Não vou render aqui a história que vai ficar para uma próxima oportunidade, num de seus discos solo. Voltemos ao ‘novo som’ da Orquestra Serenata Tropical, mpb com gostinho de discoteca, mas se observamos a música com outros olhos, veremos (e ouviremos) bem mais que uma simples trilha para ‘os travoltas’ se requebrarem. Só mesmo o Waltel Branco para subverter com classe o imaculado. No fundo, um bom disco, podem conferir… 😉

além do horizonte
na baixa do sapateiro
não tenho lágrimas
garota de ipanema
onde o céu azul é mais azul
a felicidade
mamãe eu quero
aquarela do brasil
o que é que a baiana tem?
dois prá lá, dois prá cá
asa branca
primavera

João Boa Morte – Planeta Coração (1991)

Aqui vamos com o primeiro disco independente do ano. Sexta-feira é um dia bom para isso, embora eu não queira oficializá-lo como tal, mesmo já tendo se tornado o dia mais comum para essas postagens.

Hoje nós iremos com o “Planeta Coração”, álbum do saudoso compositor mineiro João Boamorte, lançado em 1991 pelo selo independente Letra & Música. João faleceu prematuramente em 1993. Ele iniciou a carreira nos anos 70. Sua trajetória artística inclui diversas premiações em festivais de música, em Minas e também em outros Estados. Tocou e cantou ao lado de grandes nomes como Luiz Melodia, Tim Maia, Zezé Motta e muitos outros. Isso sem falar nos músicos mineiros com os quais também sempre compôs e gravou.
No álbum temos como destaque as músicas “Pedra de atiradeira”, classificada no Festival da Globo de 1981, “Astral de colibri” e “Bota lenha”, que foram sucesso, sendo esta última uma das mais tocadas até hoje na Bélgica, em rádios especializadas em música brasileira. Em 2006 uma nova versão de “Planeta Coração” foi lançada em cd, com um novo encarte produzido pelos próprios filhos do artista e incluindo mais duas músicas inéditas. A versão cd é distribuída pela editora/selo Sonhos & Sons, de Marcus Vianna, e pode ser adquirido em seu site.
centelha de ilusão
astral de colibri
grama vadia
cisne negro
bota lenha
planeta coração
distante
hora h
até sangrar os dedos
pedra de atiradeira