Rosa Baiana – Trilha Sonora Original Da Novela (1981)

No dia 13 de maio de 1967, era inaugurada em São Paulo a TV Bandeirantes, Canal 13, pertencente ao empresário João Jorge Saad, que seria convertida em rede nacional a partir de 1978, mais ou menos.  Desde o início, a emissora investiu em esportes, filmes e jornalismo, tripé que a caracterizou durante anos. Já nos primeiros dias de funcionamento, a emissora, hoje conhecida pela corruptela Band, pôs no ar sua primeira novela: “Os miseráveis”, adaptação do romance homônimo do escritor francês Victor Hugo, feita por Walther Negrão e Chico de Assis, com uma inovação: capítulos com 45 minutos de duração. Nesse período, a Bandeirantes fez outras novelas, tais como “Era preciso voltar” e “O bolha”. Em 1970, um ano após o desastroso incêndio que destruiu as instalações da Bandeirantes, encerrava-se o primeiro período de produção teledramatúrgica da emissora do Morumbi. Em 1979, já convertida em rede nacional, a Band retomou a produção de novelas, com “Cara a cara”. Seguiram-se outros títulos, tais como “Cavalo amarelo”, “Ninho da serpente”, “O meu pé de laranja-lima” (remake de uma produção da extinta Tupi, que a Band refaria novamente em 1998), “Maçã do amor”, “Sabor de mel”, “Os imigrantes” (talvez a novela de maior sucesso da emissora, e a que mais capítulos teve, 459), “Os adolescentes”, “Campeão” etc. Isso até meados da década de 1980. Por volta de 1995, inicia-se o terceiro e último período de produção novelesca da Band, com títulos como “A idade da loba”, “Serras azuis”, “Água na boca” e as infanto-juvenis “Floribela” e “Dance, dance, dance”.  Em 2008, a Band desistiu definitivamente da teledramaturgia de produção própria, e exibiu por algum tempo títulos produzidos na Turquia, tais como “Fatmagul – A força do amor”, “Mil e uma noites” e “Sila, prisioneira do amor”.  Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos e associados o álbum com a trilha sonora de uma novela pertencente à segunda fase teledramatúrgica da Bandeirantes. Trata-se de “Rosa baiana”, escrita por Lauro César Muniz (recém-saído da Globo, onde escrevera“Os gigantes”). Dirigida pelos experientes Waldemar de Moraes, Antonino Seabra e Sérgio Galvão, que substituíram David José, a novela estreou em 9 de fevereiro de 1981, substituindo a tumultuada “Um homem muito especial”,  e ficou em cartaz até 30 de julho do mesmo ano, com um total de 141 capítulos (90 deles totalmente gravados em locações).  A trama tinha como pano de fundo os campos de petróleo da Bahia, e teve até mesmo o patrocínio da Petrobras! Lá, vive a personagem-título,  interpretada por Nancy Wanderley, primeira esposa do comediante Chico Anysio, com os problemas de seus sete filhos: Agenor (Gianfrancesco Guarnieri), Ivan (Edgard Franco), Orestes (Walter Prado), Walter (Raimundo de Souza), Edinho (Taumaturgo Ferreira), Bráulio (Maurício do Valle) e Cláudia (Wanda Stefânia). Rosa espera que, um dia, Edmundo Lua Nova (Rafael de Carvalho), seu companheiro e pai de seus filhos, retorne novamente para casa. Ainda no elenco estavam Maria Luiza Castelli(Neide), João Signorelli  (Roberto), Jofre Soares (Frei Damião) e Ana Maria Magalhães (Natália), entre outros. Em meio às gravações da novela, no dia 3 de maio de 1981. Rafael de Carvalho, o Edmundo Lua Nova, morreu de infarto. Porém, Lauro César Muniz descartou a hipótese de matar o personagem ou substituír o ator. Assim sendo, ele fez Edmundo abandonar sua família, deixando a trama, retornando ao final em um show de circo, gravado antes do falecimento de Rafael (e com a presença dele, é lógico). Pois cá está a trilha sonora de “Rosa baiana”, devidamente editada pela Bandeirantes Discos, sob o selo Clack. Com sonoplastia do “cobra” Salatiel Coelho, e sob a coordenação de produção de Renato Viola, é um trabalho bem cuidado até mesmo graficamente, com uma capa dupla que mostra uma bela vista aérea do litoral soteropolitano. No disco, encontramos preciosidades como “Zanzibar (As cores)”, com  A Cor do Som, que até fez sucesso na época, “A vendinha da feira”, com Zé do Baião, “Hora de ser criança”, com Délcio Carvalho, “Estrela-guia”, com Joanna, “Litetratura de cordel”, com o Grupo Terra, e a faixa-título, “Rosa baiana”, interpretada por Xangai. Encerrando o álbum com chave de ouro, uma versão instrumental da imorredoura “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, pela Banda Bandeirantes. É mais um trabalho de qualidade a integrar, merecidamente, a retrospectiva músico-novelesca de nosso TM. É só conferir…

rosa baiana – xangai
zanzibar – a cor do som
desci ladeira – odair cabeça de poeta
literatura de cordel – grupo terra
zumbi – grupo agreste
maracanã – ponte aerea
estrela guia -joana
hora de ser criança – delcio carvalho
desencontro – barca do sol
jaíba – grupo agreste
a vendinha da feira – zé do baião
asa branca – banda bandeirantes

*Texto de Samuel Machado Filho

Eramos Seis – Trilha Sonora Da Novela (1977)

Em 1943, dois anos após estrear em livro com “O romance de Tereza Bernard”, a escritora Maria José Dupré (Botucatu, SP, 1/5/1898-Guarujá, SP, 15/5/1984) publicou o que seria sua obra-prima: “Éramos seis”, que, um ano mais tarde, receberia o Prêmio Raul Pompéia da Academia Brasileira de Letras. Esse foi seu maior sucesso literário, ao lado da série de livros infantis com o cachorrinho Samba. “Éramos seis” conta a história de dona Lola, uma mulher batalhadora e bondosa que faz tudo pela felicidade de sua família. Esposa de um vendedor, Júlio, teve com ele quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. A obra cobre cerca de duas décadas, iniciando-se em fins dos anos 1920, no final da República Velha, e terminando nos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, já no fim do Estado Novo. Um período de grandes transformações sociais e comportamentais da sociedade paulista que serve de pano de fundo ao romance, influenciando diretamente as ações dos personagens. A vida de dona Lola é narrada desde a infância das crianças, ao tempo em que a família morava na Avenida Angélica, em São Paulo, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e da matriarca à velhice. À medida que os anos passam, sua vida muda com as mortes de Júlio e Carlos, o sumiço de Alfredo pelo mundo (é até convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial), a união de Isabel com um homem desquitado, Felício, e a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de família da alta sociedade carioca. Ao fim da vida, dona Lola acaba sozinha num asilo, daí o título do livro: eram seis e, naquele momento, só restava ela. Um drama mais ou menos comum a todas as famílias. “Éramos seis” foi adaptado quatro vezes para a televisão, a primeira em 1958, pela Record, levada ao ar ao vivo (ainda não existia o videoteipe), estrelada por Gessy Fonseca; a segunda em 1967, pela extinta Tupi, estrelada por Cleide Yaconis; a terceira dez anos mais tarde, pela mesma Tupi, com Nicete Bruno na pele de dona Lola; e a quarta, em 1994, pelo SBT, estrelada por Irene Ravache. E é justamente o álbum com as músicas da terceira versão de “Éramos seis” que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, dando prosseguimento ao ciclo que dedicamos às trilhas sonoras de novelas. A estreia foi no dia 8 de junho de 1977, e o último capítulo, de um total de 165, foi exibido ao apagar das luzes daquele ano, ou seja, em 31 de dezembro. Dirigida por Atilio Riccó e Plínio Paulo Fernandes, e adaptada por Sílvio de Abreu (hoje diretor de teledramaturgia da Globo) e pelo também crítico de cinema Rubens Ewald Filho (que também assinam o remake exibido no SBT, em 1994), a novela foi ao ar num momento em que a Tupi já estava em grave crise financeira, mas ainda respirava (e, claro, foi produzida em cores). Além de Nicete Bruno como a matriarca, estavam no elenco: Gianfrancesco Guarnieri (Júlio), Carlos Augusto Strazzer (Carlos), Carlos Alberto Ricelli (Alfredo), Ewerton de Castro (Julinho), Maria Isabel de Lizandra (Maria Isabel), Geórgia Gomide (Clotilde), Jussara Freire (Olga), Chica Lopes (Durvalina, papel que ela também fez no remake do SBT), Beth Goulart (Lili), Geny Prado (a companheira de Mazzaropi no cinema, aqui no papel de tia Candoca), Ruthinéia de Moraes (Zulmira), Maria Luiza Castelli (Pepa), e outros mais. A Tupi reprisaria “Éramos seis” pouco antes de falir, em 1980. O álbum com a trilha da novela, que oferecemos hoje, teve seu lançamento por conta da GTA, gravadora que, como vocês já sabem, foi criada pela Tupi na esteira do sucesso da global Som Livre. Com produção executiva de Moacyr M. Machado, sob a direção artística do sempre notável Cayon Gadia, o disco é uma compilação muitíssimo bem feita, repleta de sucessos passados, feita a partir de masters cedidos por outras gravadoras. O disco abre com o tema de abertura de “Éramos seis”, “Toda uma vida”, na voz de Ederly Borba, uma cantora que infelizmente não teve muita sorte. Depois, temos Beth Carvalho, com “Domingo antigo”, o mestre do cavaquinho, Waldir Azevedo, com sua belíssima “Meu prelúdio”, Rosinha de Valença com “Madrinha lua”, os Titulares do Ritmo com “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, Wilson Simonal com “Queremos Deus”, o inesquecível dueto de Dorival Caymmi e sua filha Nana (então estreando em disco) em “Acalanto”, Chico Buarque com sua imortal “A banda”, Jacob do Bandolim executando a valsa “Capricho do destino”, Nara Leão revivendo a marcha-rancho “Malmequer”, os Violinos Mágicos (uma das orquestras de estúdio da Musidisc) com a imortal valsa “Branca”, de Zequinha de Abreu, Elizeth Cardoso e Sílvio Caldas interpretando juntos o clássico “Serra da Boa Esperança”, de Lamartine Babo, e, por fim, Fernando Lona, interpretando sua “Caiado”. Um repertório de primeiríssima qualidade que caiu como uma luva para embalar a trama de “Éramos seis”, e torna este disco absolutamente imperdível, e irresistível! Ouçam e confirmem.

toda uma vida – ederly borba

domingo antigo – beth carvalho

meu prelúdio – waldir azevedo

madrinha lua – rosinha de valença

modinha – titulares do ritmo

queremos deus – wilson simonal

acalanto – nada caymmi

a banda – chico buarque

capricho do destino – jacob do bandolim

mal me quer – nara leão

branca – violinos mágicos

serra da boa esperança – elizeth cardoso e silvio caldas

caiado – fernando lona

.

*Texto de Samuel Machado Filho

Nossa Filha Gabriela – Trilha Sonora Original (1972)

O Toque Musical prossegue seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas oferecendo mais uma raridade. O folhetim hoje posto em foco é “Nossa filha Gabriela”, da extinta TV Tupi, escrito por Ivany Ribeiro, dirigido por Carlos Zara (que também interpretou o personagem Tito) e levado ao ar, ainda em preto e branco, de primeiro de setembro de 1971 a 4 de março de 1972, totalizando 168 capítulos. E com um ótimo elenco, praticamente o mesmo da novela anterior de Ivany, “O meu pé de laranja lima” (adaptada de romance de José Mauro de Vasconcelos):  Eva Wilma (então grande estrela da Tupi, no papel-título), Gianfrancesco Guarnieri (Giuliano), Ivan Mesquita (Candinho), Abrahão Farc (Romeu), Cláudio Corrêa e Castro (Napoleão), Lélia Abramo (Donana), Dênis Carvalho (Rodrigo), Geny Prado (ela mesma, a companheira de Mazzaropi no cinema, como Rosária), Bete Mendes (Rosana), etc. Na trama, Gabriela é a estrela de um teatro mambembe que chega a uma pacata cidade e muda o comportamento de seus habitantes. Três simpáticos velhinhos, Candinho, Romeu e Napoleão, disputam entre si a atenção de Gabriela. O que ela desconhece é que, no passado, os velhinhos haviam se casado com trigêmeas, uma delas era sua mãe e um deles, seu pai. Aí então, os três passam a disputar a paternidade de Gabriela, um mistério que permaneceria até o fim da trama. O resultado foi uma história simples e divertida, que, curiosamente, iria se chamar “A fazenda”! Sim, esse foi o primeiro título pensado para a novela, quando nem se imaginava que haveria um reality show com esse nome, tempos depois…  Outra curiosidade é que Ivany Ribeiro escreveria, em 1986, um remake de “Nossa filha Gabriela”, produzido pela Globo, desta vez com o título de “Hipertensão”, e no qual o velhinho Napoleão foi interpretado pelo mesmo ator da versão original, Cláudio Corrêa e Castro. A trilha sonora de “Nossa filha Gabriela”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, foi composta e interpretada pela dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, então fazendo enorme sucesso, e editada sob a chancela da Philips/Phonogram (selo Polydor). Quer dizer, garantia de música de qualidade e de felizes reminiscências para quem viveu essa época, e, por certo, agradável surpresa para a geração atual. Devidamente produzida por Cayon Gadia, e gravada em São Paulo nos Estúdios Reunidos, a trilha teve os arranjos e regências a cargo de outro “cobra”, José Briamonte. Abrindo o disco, a conhecidíssima “Sei lá, a vida tem sempre razão”, tema principal da novela, interpretada por coro feminino. Entre as quatro faixas que o Poetinha Vinícius interpreta solo, dois destaques imperdíveis: “A casa” e “O pato”, poemas infantis que Toquinho musicou, e que seriam mais tarde reaproveitados nos dois volumes da “Arca de Noé”, marcando gerações de crianças ao longo do tempo. Vinícius ainda canta “O céu é o meu chão” e a “Valsa para uma menininha”, além de interpretar “A casa” também em diálogo com Toquinho. Este se apresenta  solo em “Modinha número 1” e “Amor em solidão”, e junto com uma certa Laís, canta “Ele e ela”. “O ceú é o meu chão” e “Modinha número 1” mereceram ainda versões instrumentais, também constantes deste disco. Completando o programa, outro tema exclusivamente instrumental, “Rosa desfolhada”. Tudo com o alto padrão técnico e artístico que sempre caracterizou as produções da Philips/Phonogram, fazendo da trilha sonora de “Nossa filha Gabriela” um produto simplesmente imperdível. É correr para o GTM, baixar e ouvir…

sei lá… a vida tem sempre razão
amor em solidão
ele e ela
modinha #1
o céu é o meu chão
lá casa (diálogo)
la casa
valsa para uma menininha
a rosa desfolhada
o pato
modinha #1

*Texto de Samuel Machado Filho

O Preço De Um Homem – Trilha Sonora Original (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Dando sequencia a nossa mostra de trilhas de novelas, aqui temos mais uma das famosas da extinta TV Tupi, ‘O Preço de Um Homem’, exibida entre os anos de 1971 e 72. História baseada no romance ‘Senhora’, de José de Alencar, escrita por Ody Fraga. Trazia como protagonistas os atores Adriano Reis e Arlete Montenegro. A trilha sonora se divide entre músicas nacionais e internacionais. O lado A é o nacional e traz Cesar Costa Filho, Zimbo Trio e Silvia Maria. E no lado B vão os sucessos internacionais da época, com destaque para Shocking Blue e Derek And The Dominos. Um disquinho interessante, vale uma conferida… 😉

seu preço – cesar costa filho
 por que você – cesar costa filho
bachianas brasileiras n. 5 – zimbo trio
hippie – silvia maria
nossa história – cesar costa filho
scheherazade – zimbo trio
blosson lady – shocking blue
leap up and down – st. cecilia
music from across the way – j. last
i want to go back there again – j. b. arnau
layla – derek and the dominos
rose garden – the three degrees

.

Assim Na Terra Como No Céu – Trilha Sonora Original Da Novela(1970)

Dando prosseguimento a seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de novelas, o TM orgulhosamente oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o álbum dedicado a mais um folhetim de sucesso da Rede Globo na era da TV em preto e branco: “Assim na terra como no céu”, escrita por Dias Gomes para a faixa das 22 horas (hoje extinta), e décima-terceira “novela das dez” produzida pela emissora. “Assim na terra” estreou em 20 de julho de 1970 e permaneceu em cartaz até 23 de março de 1971, perfazendo um total de 212 capítulos. No elenco, sob a direção de Walter Campos, verdadeiros astros e estrelas globais da época: Francisco Cuoco (padre Vítor Mariano), Dina Sfat (Heloísa, conhecida como Helô), Renata Sorrah (sim, ela mesma, a futura Nazaré Tedesco de “Senhora do destino”, aqui no papel de Nívea), Mário Lago (Oliveira Ramos), Jardel Filho (Renatão), Paulo José (Samuca, quase xará meu), Carlos Vereza (Ricardinho), Maria Cláudia (Suzy), Sandra Bréa (Babi), Carlos Vereza (Ricardinho), Arlete Salles (Jurema),  Henriqueta Brieba (tia Coió), Herval Rossano (Otto), Djenane Machado (Verinha), Ary Fontoura (Rodolfo Augusto), Ruth de Souza (Isabel), Suzana Moraes (Joana) etc. Na trama, que se passa na Ipanema (então) contemporânea, o padre Vítor Mariano, vindo do interior de São Paulo,  deixa a batina para se casar com a jovem Nívea, mas ela é misteriosamente assassinada (detalhe:  Renata Sorrah, intérprete de Nívea, retornaria depois em outra novela global, “A próxima atração”, no papel de Madalena). Vítor decide então voltar a usar a batina, porém, ao tentar resolver o mistério do assassinato de Nívea, conhece Helô, filha de um milionário, e se apaixona por ela, deixando novamente de ser padre. Tudo isso embalado por uma trilha sonora, como então de hábito, muito bem produzida, aqui sob a responsabilidade dos “cobras” Nélson Motta e Roberto Menescal , com o lançamento ficando por conta da Philips, gravadora que na época tinha grandes astros da MPB como contratados, alguns deles, por sinal, batendo ponto aqui. Os arranjos são do próprio Menescal, José Roberto, Waltel Branco, Antônio Adolfo e Pachequinho (este, na verdade, é o maestro Diogo Pacheco). Sem dúvida, a faixa de maior sucesso desse disco foi “Quarentão simpático”, dos irmãos Valle, interpretada pelo grupo vocal feminino Umas & Outras e tema do personagem Renatão. Elas também interpretam aqui o “Tema de Suzy”(parceria de Roberto Menescal com Paulinho Tapajós) e “Trem noturno” (tema de meu quase xará Samuca, de Paulo Machado e Márcio Borges, que creio eu ser o irmão do Lô Borges).  Maria Creuza, então em princípio de carreira, aqui nos oferece “Tomara”, uma das poucas composições do Poetinha Vinícius de Moraes na qual ele também assina a melodia, tema da personagem Joana. Temos ainda a presença luminosa de Claudette Soares em duas faixas: “Quem viu Helô?”, da dupla Antônio Adolfo-Tibério Gaspar, e “Amiga”, esta última em dueto com Ivan Lins, assinada pela dupla Roberto Menescal-Paulinho Tapajós, e tema do casal Vítor-Helô. Outro destaque fica por conta de Denise Emmer, filha de Dias Gomes, autor da novela, e Janete Clair, apresentando o “Tema verde”, dela própria em parceria com Guilherme. Enfim, mais uma grande produção músico-novelesca que o TM prazeirosamente nos oferece. E aguardem, ainda vai ter mais…

mon ami (abertura) – josé roberto

assim na terra como no céu – tim maia

quem viu helô – claudette soares

tema de suzi – umas e outras

tomara – maria creuza

amiga – claudette soares e ivan lins

sei lá – a tribo

quarentão simpático – umas e outras

tema da zorra – orquestra cbd

tema verde – denize emmer

que sonhos são os meus -milton santana

trem noturno – umas e outras

assim na terra com no céu – roberto menescal

*Texto de Samuel Machado Filho

Cavalo Amarelo – Fundos Musicais (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossa série de trilhas de novelas ainda não terminou. Ainda teremos mais alguns títulos a apresentar ao longo dos dias. Os próximos, deixei a cargo do nosso colaborador assistente, o amigo Samuca, que sabe como ninguém enriquecer nossas postagens.
Hoje eu estou trazendo a trilha de uma novela Cavalo Amarelo, exibida na TV Bandeirantes no início dos anos 80. Diferente de tantas outras trilhas, esta procura se pautar na música orquestrada e instrumental de maneira bem apropriada ao gênero ‘fundo musical incidental’. Temos uma seleção de 12 músicas, quase todas internacionais assinadas por alguns dos maiores maestros do mundo Daniele Patucchi, Riz Ortolani, Armando Trovaioli, Stelvio Cipriani e outros… Um disco bem interessante, que vale uma conferida lá no GTM. 😉

partido alto
castigo
all by myself
peppermint rainbow
casanova and company theme
grace
tem dendê
adesso e’ tutuo qui
cascate e fiori
goddess woman
small town pleasures
honeymoon in theme
.

A Patota – Trilha Sonora Original Da Novela (1972)

Prosseguindo seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas, o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos uma verdadeira raridade. O folhetim em questão é “A patota”, da TV Globo, única novela escrita pela dramaturga Maria Clara Machado (Belo Horizonte, MG, 3/4/1921-Rio de Janeiro, 30/4/2001), fundadora do Tablado, uma das maiores escolas de teatro do Brasil, e consagrada autora de peças teatrais para crianças, entre elas “O rapto das cebolinhas” (1954), “Pluft, o fantasminha” (1955, aliás verdadeira obra-prima no gênero), “A bruxinha que era boa” (1958), “O cavalinho azul’ (1960), “Maroquinhas Fru Fru” (1961) e “Tribobó City” (1971), só para citar algumas. Produzida em preto e branco, sob a direção de Reynaldo Boury, “A patota” foi exibida pela Globo entre 27 de novembro de 1972 e 29 de março de 1973, perfazendo um total de 101 capítulos, na faixa das 18 horas, tendo sido a terceira “novela das seis” da emissora  (as anteriores foram “Meu pedacinho de chão” e “Bicho do mato”, que ganharam remakes muitos anos depois). Na trama, um grupo de crianças, do qual fazia parte a então estrelinha Rosana Garcia, de futuro bastante promissor, tem um grande sonho:  viajar para a África (eles tinham visto um documentário sobre a vida dos animais selvagens no continente, e queriam ver os bichos de perto). Para ajudar na realização desse sonho, unem-se a professora de ciências Neli (Débora Duarte), seu namorado Jorge (Mário Gomes), e o dublê de professor e caçador de borboletas Adolfo Simões (Marco Nanini). No elenco ainda estavam, entre outros:  Renata Fronzi (dona Cármen), Reynaldo Gonzaga (Mílton), que na novela tinha um romance com Regina (Lúcia Alves), Antônio Carlos Pires (no papel do maltrapilho Manoel Vira-Latas), Flora Geny (Dona Aurélia), e até mesmo Zezé Motta, no papel de Maria José, a Zezinha. Apesar de ter conquistado boa repercussão, “A patota” não teve novela substituta no horário, que passou a ser ocupado pelo seriado “Shazan, Xerife & Cia.”, protagonizado por Paulo José e Flávio Migliaccio (os personagens tinham vindo de outra novela global de sucesso, “O primeiro amor”), com histórias que duravam um mês, em média. Com o término do seriado, em  1974, a Globo passou a exibir enlatados estrangeiros na faixa das 18 horas, e as “novelas das seis” só voltariam à grade da emissora um ano mais tarde, para dela nunca mais saírem, alternando tramas de época e contemporâneas.

A trilha sonora de “A patota” foi também a primeira de uma ”novela das seis” global a ser lançada em LP, obviamente pela Som Livre, com produção musical de Eustáquio Sena e coordenação geral de João Araújo, sócio-fundador da gravadora . Em sua maior parte, as faixas do disco são executadas por uma competentíssima banda de estúdio, The Clowns, ao que parece formada apenas para a gravação desse álbum. Eles apresentam, além dos temas especialmente compostos para a novela (“Professor borboleta”, “A garotada”, “Valsa dos anjos”, “Anjo da manhã”, “Nick e o vita-lata” e a faixa-títuio e de abertura do folhetim, “A patota”), alguns hits internacionais da época: “The pushbike song”, “Ooh-wakka doo, wakka day”, “Meet me on the corner”, o clássico romântico “You are everything” e “Beautiful sunday” (aquela que virou “Domingo feliz”, com Ângelo Máximo, lembram?). E, como atrativo todo especial, três outros sucessos internacionais com os intérpretes que os consagraram: “Echo valley 2-6809” (Wayne Newton), “Silly wasn’t I” (Valerie Simpson) e um verdadeiro clássico dos Temptations, “Papa was a rollin’ stone”. Tudo isso fazendo da trilha sonora de “A patota” uma autêntica viagem no tempo, particularmente ao início dos anos 1970. É só ir para o GTM, fazer o download e pronto… 

pushbike song – the clowns

a garotada – the clowns

echo valley – wayne newton

professor borboleta – the clowns

silly wasn’t i – valerie simpson

papa was a rollin stone – temptations

a patota – the clowns

anjo da manhã – the clowns

nick e o viralata – the clowns

ooh wakka doo wakka day – the clowns

valsa dos anjos – the clowns

beautful sunday – the clowns

you are everything – the clowns

meet me on the corner – the clowns



*Texto de Samuel Machado Filho

O Espigão – Trilha Sonora Original (1974)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu havia prometido postar aqui alguns temas de novelas da TV Tupi, mas verifiquei que alguns discos estavam bem ruins para uma digitalização. Assim, enquanto não aparecem discos mais conservados, vamos com outros temas e outras novelas…
Segue aqui uma trilha da melhor qualidade produzida para uma das boas novelas da Rede Globo, O Espigão, que foi ao ar em 1974. São treze faixas totalmente com músicas nacionais, trazendo um variado cast da gravadora Som Livre.

malandragem dela – tom e dito
botaram tanta fumaça – tom zé
subinod o espigão – betinho
alfazema – walker
você vai ter que me aturar – sonia santos
o espigão – zé rodrix
pela cidade – bertrami e conjunto azimute
retrato 3×4 – alceu valença
na sombra da amendoieira – os lobos
ciladas – pery ribeiro
nonô rei das gringas – djalma dias
berceuse – tuca
último andar

.

O Homem Que Deve Morrer – Trilha Sonora Da Novela (1971)

Olha amiguíssimos cultos e ocultos. Ainda não achei um tempo para começarmos a incrementar nosso canal no Youtube. O tempo é sempre o meu grande vilão, a desculpa inevitável. Mas a gente ainda chega lá 🙂
Hoje eu vou mandando um disco de trilha que é impecável. Uma boa safra daquele início dos anos 70, quando as emissoras investiam fundo numa produção musical para seus programas. Indiscutivelmente, a Rede Globo foi a grande investidora, trazendo muitas vezes trilhas originais, ou seja, feitas com exclusividade para um determinado programa, ou no caso aqui, novela.
O Homem Que Deve Morrer foi uma novela exibida entre os anos de 1971 a 72, trazendo como protagonistas o casal Tarcísio Meira e Gloria Menezes. Foi uma novela de grande sucesso e se estendeu por quase um ano. Taí um disco de novela exemplar, que merece uma audição. Confira no GTM 😉

menina do mar – marcos samy
por do sol – vanda e guto
solto no ar – sociedade anônima
um de nós – maria creusa
zambi rei – odylon
navegador – marcos samy
o homem que deve morrer – nonato buzar
wanda vital – o som livre
come to me together- otavio bonfá
um certo dia – ilka soares e o som livre
a lei da terra – luis carlos s
what greater gift could there be – guilherme lamounier
guerreiro jorge  nery
o mesmo sol – tarcísio meira e gloria menezes

Um Dia O Amor – Trilha Sonora Original (1975)

O TM oferece hoje aos seus amigos cultos e ocultos mais um disco apresentando a trilha sonora de uma novela produzida pela finada TV Tupi, em um tempo em que a emissora ainda respirava. O folhetim em questão é “Um dia, o amor”, escrito por Teixeira Filho, o mesmo que fizera sucesso pouco antes com “Ídolo de pano”, protagonizada por Tony Ramos. Estreada em 22 de setembro de 1975, “Um dia, o amor” ficou em cartaz até  29 de maio de 1976, perfazendo um total de 212 capítulos. No elenco, estavam Carlos Zara (então o principal galã da emissora, no papel de Ricardo), Maria Estela (falecida neste 2017, no papel de Marília), Henrique Martins (Amadeu), Rodolfo Mayer (Dr. Maciel), Lélia Abramo (Lucinha), Glauce Graieb (Maria Leonor), Lisa Vieira (Maria Cecília), Nádia Lippi (Maria Isabel), Felipe Carone (Zanata), Flávio Galvão (Valter)… Enfim, o melhor que a Emissora Associada então possuía em seus quadros. Com direito até à entrada de Cleide Yaconis no decorrer da novela, fazendo o papel de Maria Eunice (Fausto Rocha, que era Leonardo, saiu no meio para fazer “Anjo mau”, na Globo). Tudo isso numa trama envolvendo um viúvo (Ricardo) com três filhas (Maria Leonor, Maria Cecília e Maria Isabel) que teve um grande amor no passado (Marília), mas  que se casou com outro (Amadeu). Após residir durante algum tempo na Itália, onde Amadeu fora dirigir a filial da empresa da família, ele e Marília voltaram ao Brasil, e passaram a residir em frente à casa de Ricardo. Ambos redescobrem o amor da juventude e passam a se cortejar da sacada de suas mansões. A volta de Amadeu tinha um propósito: tirar seu velho pai, o dr. Maciel, do comando de suas empresas. Maciel, porém, distribuiu as ações com Ricardo, alto executivo da companhia (Maciel depois faleceria em acidente de carro, forjado pela esposa, Lucinha, causado por violação dos freios).  Um enredo com direito até mesmo a uma filha ilegítima, que, ao final, descobre-se que é Maria Leonor, criada por Ricardo, e cujos pais eram Amadeu e Maria Eunice. “Um dia, o amor” teve duas trilhas sonoras em disco: a nacional e a internacional, ambas lançadas pela Continental com o selo Teletema.  E é justamente o álbum com a trilha nacional desse folhetim que o TM hoje nos apresenta. Com supervisão musical de Cayon Gadia, direção de produção de Sidney Morais (integrante do Conjunto Farroupilha e, anos depois, dos Três Morais), Alberto Ferreira na coordenação de produção, e seleção musical do sonoplasta Pedro Jacinto, é um trabalho até muito bem concebido. Carlos Zara, o galã da novela, abre o disco interpretando “Tanto amor (Aurora)”, de Massimo Guantini em versão de Alexandre Cirus, em dueto com Maria Odette. Esta mesma música aparece também encerrando o álbum, na execução orquestral do sempre eficiente Luiz Arruda Paes, também presente na faixa “Tema triste”, exatamente o tema de Ricardo (Carlos Zara). Há músicas que, percebe-se, foram compostas para a novela: “Maria Isabel”, “Tema de Cecília”, “Leonor”. E também está aqui um grande sucesso da época: o samba “Nada na cuca”, composto e interpretado pelo paulistano Flávio Carvalho. Este, aliás, foi o único hit conhecido dele, que depois nada mais conseguiu emplacar, embora continuasse ligado aos meios musicais como produtor, inclusive do “Especial sertanejo”, que Marcelo Costa apresentou por bastante tempo na Record.  Em suma, este álbum com a trilha de “Um dia, um amor” é uma relíquia que merece ser conhecida e guardada pelos amigos do TM, digna de merecer nossa postagem de hoje. É ir direto para o GTM e conferir…

tanto amor – maria odete e carlos zara

solo pleno de sogni – flavio carvalho

é sempre o mesmo amor – os 3 morais

maria isabel – cleston teixeira

te quero amor – marcio prado

tudo bem – antonio carlos de carvalho

nada na cuca – flávio carvalho

tema triste – luiz arruda paes

brinquei de querer você – angelo antonio

leonor – os 3 morais

aurora (tanto amor) – luiz arruda paes

*Texto de Samuel Machado Filho

Tempo De Viver – Trilha Sonora Da Novela (1972)

Foi a partir do final dos anos 1960 que as telenovelas passaram a ser um novo – e bem-sucedido – canal de divulgação para cantores e compositores de nossa música popular. Pioneira em praticamente tudo que se fez na telinha brazuca, a extinta TV Tupi também iniciou, em fins de 1968, uma nova fase na história da teledramaturgia brasileira, com “Beto Rockfeller”, que até hoje dita o padrão das novelas. Ao contrário dos dramalhões de época ao estilo cubano ou mexicano, então predominantes, “Beto Rockfeller”, escrita por Bráulio Pedroso, e estrelada por Luiz Gustavo, era uma história contemporânea, com diálogos mais coloquiais, e uma forma mais natural de representação dos atores. “Beto” foi, também, a primeira novela a usar, em sua trilha sonora, músicas que faziam sucesso na época, como por exemplo, as internacionais “Nobody but me” (The Human Beinz), “I started a joke”  (Bee Gees), “Here, there and everywhere” (Beatles) e apenas uma nacional, “Sentado à beira do caminho”, com Erasmo Carlos. Nessa ocasião, a Rede Globo, rival da Tupi, e a caminho da liderança absoluta de audiência, abandonou os tais dramalhões de época e passou a produzir tramas mais contemporâneas, ao modo de vida dos brasileiros. A primeira novela global dessa nova fase foi “Véu de noiva” (1969), de Janete Clair (“a novela verdade, uma novela onde tudo acontece como na vida real”), estrelada por Regina Duarte. “Véu de noiva” foi também a primeira novela global a ter sua trilha sonora lançada em LP, pela Philips, por sinal já oferecida a vocês pelo TM. E a multinacional holandesa continuou a lançar em disco as trilhas sonoras das novelas da Globo até 1971, quando a emissora criou sua própria gravadora, a Som Livre, em atividade até os dias de hoje,  Evidentemente, a Tupi não quis ficar atrás, e passou a lançar também em disco as trilhas de seus folhetins. Chegou até a possuir uma gravadora, a GTA (Gravações Tupi Associadas), que acabou falindo junto com a emissora, em 1980. Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos um raríssimo álbum apresentando a trilha sonora de uma novela da pioneira Tupi, lançada em 1972 pela mesma Philips/Phonogram que até o ano anterior editava as trilhas globais, com o selo Intersong (que designava uma das editoras musicais do grupo holandês). A novela em questão é “Tempo de viver”, produzida pela Tupi do Rio de Janeiro e ali exibida entre 7 de agosto e 9 de dezembro de 1972. A Tupi de São Paulo boicotou “Tempo de viver” porque, em 1964/65, a co-irmã carioca não quis exibir o clássico “O direito de nascer”, feito na matriz paulistana (que, no Rio de Janeiro, passou na extinta TV Rio). Como resultado dessa briga toda, “Tempo de viver” acabou sendo exibida em São Paulo, a partir de novembro de 1972, pela TV Gazeta, emissora regional que existe até hoje. O folhetim contava a história de Juca (Reginaldo Faria), um porteiro que trabalhava na Zona Norte do Rio. Ele dividia seu tempo entre a amiga fiel Lúcia (Adriana Prieto) e a noiva Helena (Myriam Pérsia), e vivia sempre sendo seguido por um homem chamado Anjo (Jece Valadão, também diretor do folhetim junto com Marlos Andreucci). Produzido por Roberto Menescal, verdadeiro craque da MPB, este disco vem com treze faixas, três delas clássicos inesquecíveis: “Pérola Negra”, com a qual Gal Costa revelou para o Brasil seu autor, o recém-falecido Luiz Melodia, “Expresso 2222”, de e com Gilberto Gil, faixa-título do álbum que ele lançou após mais de dois anos de exílio em Londres, e “Vida de bailarina”, samba-canção de Chocolate e Américo Seixas, aqui em interpretação “arrasa-quarteirão” da não menos inesquecível Elis Regina. Destaque também para a faixa-título, instrumental, composta por Edu Lobo (então de volta ao Brasil após longo período nos EUA), “Um dia no circo”, com a sempre notável Claudette Soares, “Revendo amigos (Volto pra curtir)”, de Jards Macalé e Waly Salomão, com Lena (mais tarde regravada por outros intérpretes, inclusive o próprio Macalé), “A velha casa”, de Roberto Menescal e Paulinho Tapajós, aqui em gravação instrumental regida pelo próprio Menescal, “Badalação (Bahia volume 2)”, de Nonato Buzar e da dupla Tom e Dito, aqui com o MPB-4, e também gravada pelas cantoras Célia e Wanderléa, e “Pra valer”, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, com o próprio Baden.  E ainda tem o grupo vocal feminino Umas & Outras, interpretando o “Tango de Maurício”, personagem que, na novela, era interpretado por Rubens de Falco. Enfim, um disco interessante, um documento de sua época, que vale a pena ter em acervo. Aproveitem…

tempo de viver – instrumental
você amiga – ivan lins
vida de bailarina – elis regina
é natural – paulinho tapajós e dorinha
psicose – eklipse soul
perola negra – gal costa
tango de mauricio – umas e outras
expresso 2222 – gilberto gil
a velha casa – roberto menescal
revendo amigos (volto pra curtir) – lena
badalação (bahia vol. 2) – mpb4
um dia no circo – claudette soares
pra valer – baden powell

*Texto de Samuel Machado Filho

Sol Amarelo – Músicas Da Novela TSO (1972)

Olá, amigos cultos e ocultos! Conforme informei, nossas próximas postagens serão dedicadas as trilhas de novelas. Devo ter umas meia dúzia de discos aqui que ainda não postei. Então vamos a eles…
Hoje tem a trilha de Sol Amarelo, telenovela que foi ao ar nos meses entre 1971 e 72, exibida pela TV Record. A trilha sonora foi especialmente composta por Fernando Lona e Gianfrancesco Guarnieri. Contou também com a participação de Marilene e Vithal como cantores intérpretes em várias faixas. Esse último, creio eu, viria mais tarde a ser conhecido como Vital Farias. Sem dúvida, uma trilha muito interessante, bem melhor que a própria novela que pouco sucesso fez. Confiram no GTM 😉

sol amarelo (tema de abertura) – orquestra
por amor eu me perdi – marilene
letra de ouro – vithal
sol amarelo (tema de amor) – orquestra
cantiga santa – marilene
cândida – fernando lona
sol amarelo (tema dramático) – orquestra
não tenho tempo de amor – vithal
sol amarelo – marilene e fernando lona
vila rosário – vithal
sol amarelo (tema de encerramento) – orquestra

.

Salathiel Coelho Apresenta Temas De Novelas (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Na trilha das novelas, aqui vamos nós com mais um raro exemplar: Temas de Novelas, apresentado por Salathiel Coelho, um dos pioneiros da televisão brasileira. Locutor, sonoplasta, produtor musical de rádio e televisão. Figura de um currículo extenso, tendo atuado inclusive em emissoras internacionais, sempre envolvido na produção musical de trilhas para novelas. Ninguém mais certo, por tanto, para apresentar neste disco de 1965 uma sequência de temas que serviram de trilhas para as primeiras tele novelas.

O Sorriso de Helena
pequeno concerto que virou canção
tema de helena (a sonâmbula)
Tereza
tema de tereza (marcha nupcial)
tema do professor (summer love)
tema de aurora e mário (the end of the world)
O Direito de Nascer
tema de albertinho (amor eterno)
Se o Mar Contasse
tema de amor (eterna saudade)
O Cara Suja
se piangi se ridi
tema de amor (l’erba canta)
Quando o Amor é Mais Forte
tema de amor (the war lover)
Alma Cigana
tema de amor (romance de amor)

.

The Magnetic Sounds (1979)

Salve, amigos cultos e ocultos! Aqui estamos nós, espaçadamente, mas sempre presente, trazendo sempre uma raridade ou curiosidade fonomusical. Hoje iniciamos uma pequena mostra de trilhas de novelas. Tenho aqui alguns discos e gostaria de compartilha-los com vocês.
Para bem começar estou trazendo um lp que necessariamente não é de trilha, mas que tem algumas pérolas que foram usadas como temas de novelas. Temos aqui o lp The Magnetic Sounds, que segundo informações, trata-se de um projeto paralelo do pessoal dOs Carbonos. Consta que foram pelo menos uns quatro discos lançados com este nome durante os anos 70 e este aqui parece ser uma espécie de ‘best of’, ou, uma coletânea/resumo desse período. O repertório é bem variado, reunindo clássicos do pop internacional em versões caprichadas, geralmente instrumental. Confiram…

wigwam
concerto pour une voix
somewhere in love
song for guy
ready to take a chance again
rain and tears
tragedy
ballade pour adeline
allouete (tema de carina)
it’s all over
mirrors
for a change
.

Waltel Branco – Músicas Do Século XVI Ao Século XX (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM oferece a vocês hoje mais um álbum de qualidade produzido no Brasil, enfocando a música erudita. Trata-se de “Músicas do século XVI ao século XX”, lançado em 1969 pela CID (Cia. Industrial de Discos), gravadora independente carioca que existe até hoje, sob o selo Itamaraty, com distribuição da extinta Codil. O repertório, evidentemente, é primoroso, com obras de Villa-Lobos (“Prelúdio n.o 2”), Brahms (“Valsa n.o 15”), Chopin (“Prelúdio n.o 20”), Schumann (“Romanza”), Gluck, Weiss (ambas denominadas “Ballet”) e Poulnac (“Sarabanda”). Tudo isso em notáveis solos de violão a cargo de Waltel Branco, que também assina as faixas “Prelúdio, sarabanda e Bourrée” (que dedicou ao dr. Fernando Paes Leme) e “Moda de viola” (dedicada a meu xará Samuel Babo). Também notável arranjador, maestro e compositor, Waltel Branco nasceu em Paranaguá, litoral paranaense, no dia 22 de novembro de 1929. Oriundo de família musical, iniciou-se bem cedo nessa arte, por meio da bateria, do violão, e posteriormente do cavaquinho e do violoncelo, estudando ainda harpa e órgão. Sua infância e adolescência, alternadas entre Curitiba e Rio de Janeiro, foram marcadas pelo estudo da música e religião. No período em que esteve no seminário, estudou música com o chileno Joaquín Zamacois, e teve ainda outros mestres que contribuíram para sua formação, como Bento Mossurunga, Alceu Bocchino e o padre José Penalva. Em Curitiba, Waltel formou uma jazz-band junto com seu irmão, o baterista Ismael Branco, e o pianista Gebran Sabag, então grande revelação. Em 1949, ainda jovem, foi para o Rio de Janeiro e, em seguida para Cuba, junto com a cantora Lia Ray, a fim de ser violonista, diretor musical e arranjador do conjunto que formaram. Lá, nosso Waltel teve oportunidade de tocar com Perez Prado, Mongo Santamaria e Chico O’Farrel, ajudando a criar a mistura de jazz, música cubana e brasileira que influenciaria a “jazz fusion”, estilo do qual ele é considerado um dos precursores. Seu currículo inclui passagens pelos EUA, Europa, Ásia e até mesmo pela Índia, onde até lecionou música ao lado de maestros renomados. Poucos sabem, mas foi Waltel Branco quem compôs, à época em que trabalhava com o maestro norte-americano Henry Mancini, o famoso tema da “Pantera Cor-de-Rosa”, ouvido e conhecido até hoje. Teve importância fundamental na formatação da bossa nova, morando em uma pensão junto com nada mais nada menos que João Gilberto, com quem desempenhou longa parceria, sendo seu amigo e arranjador desde então. Waltel Blanco também foi, em 1965, um dos pioneiros da TV Globo, onde, a convite do próprio dr. Roberto Marinho, viria a compor um seleto time de músicos da emissora, junto a Radamés Gnattali, Guerra Peixe e Guio de Moraes, ficando lá por mais de vinte anos. Tem mais de 5.000 composições (ao longo da carreira), incontáveis arranjos e participações, além de espetáculos e shows que até hoje realiza no Brasil e no exterior. É difícil, aliás, encontrar artista brasileiro (ou mesmo internacional) com quem Waltel não tenha trabalhado. Tocou com Dorival Caymmi e a filha Nana, além, claro, de João Gilberto, fez arranjos para gente do porte de Roberto Carlos, Mercedes Sosa, Cazuza, Tim Maia, Djavan, Cartola, Astor Piazzola, Zé Kéti, Elis Regina, Vanusa, Gal Costa, Tom Jobim, Maria Creuza e muitos mais. Em 2012, recebeu o título de doutor “honoris causa” pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), aliás o primeiro título da entidade concebido a um músico. Em suma, Waltel Branco é um grande mestre de nossa música, o que por si só credencia este “Músicas do século XVI ao século XX”, oferecido hoje pelo TM com a satisfação e o orgulho de sempre. A conferir, sem falta…

canção do século XVI

ballet – gluck

romanza – schumann

valsa n. 15 – brahms

ballet – weiss

prelúdio n. 20 – chopin

estudos 16 – sor

sarabanda – poulenc

prelúdio n. 2 – villa lobos

andante – p. van der staak

moda de viola

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Continental 30 Anos De Sucessos (1973)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos! Olha, vou ser sincero com vocês… estamos em total decadência. Sim, o Toque Musical nunca esteve tão em baixa. E isso se deve a uma série de fatores, a começar por essa plataforma que embora seja perfeita, já não atende aos requisitos que hoje pedem mais interação e imediatismo. As redes sociais, mais especificamente o Facebook e o Youtube passaram a ser a bola da vez. Tudo pode ser encontrado nesses dois ambientes de uma maneira muito mais rápida e interativa e de uma certa forma o interesse do público está mudando, se generalizando. Ampliando os horizontes, mas numa profundidade cada vez mais rasa. Daí, ninguém tem mais saco para acompanhar postagens. O que dizer então quando para se ter acesso ao que se publica aqui precisa antes se associar a um grupo? Sem dúvida, isso é desestimulante e só mesmo que está muito interessado é que encara o jogo. E o jogo hoje se faz muito mais rápido. Demorou, dançou… Por isso, se quisermos nos manter ativos por mais 10 anos, o jeito é acompanhar os novos tempos e implementar novas alternativas. Daí, penso em migrar definitivamente o Toque Musical para o Youtube. Há tempos venho pensando nisso, talvez agora seja a nossa hora. Fiquem ligados, logo o nosso canal vai estar na rede com tudo aquilo que já postamos por aqui. Será um trabalho longo, afinal, repor mais de 3 mil postagens não é moleza. Mas vamos tentar 🙂
Marcando esse momento, eu hoje trago para vocês um álbum triplo comemorativo, da gravadora Continental, lançado lá pelos idos de 1973, ano de uma das melhores safras da indústria fonográfica brasileira. 73 foi o ano em que essa gravadora completou seus 30 anos de atividade e lançou este álbum cujo os discos são de 10 polegadas. São três lps percorrendo todas as fases da gravadora, trazendo os mais diferentes artistas em ordem cronológica. Começa em Vicente Celestino, indo até aos Novos Baianos. São trinta músicas que expressam bem os 30 anos desta histórica gravadora.
Confiram já no GTM 😉

Disco 1
noite cheia de estrelas – vicente celestino
positivismo – noel rosa
implorar – moreira da silva
ondas curtas – orlando silva
brasil – francisco alves e dalva de oliveira
cai, cai – joel e gaúcho
brasil pandeiro – anjos do inferno
é doce morrer no mar – dorival caymmi
mágoas de um trovador – silvio caldas
copacabana – dick farney
Disco 2
felicidade – quarteto quitandinha
flamengo – jacob do bandolim
na paz do senhor – lúcio alves
delicado – waldir azevedo
feitiço da vila – araci de almeida
jura – mario reis
risque – aurora miranda
menino grande – nora ney
linda flor – elizete cardoso
dúvida – luiz bonfá e antonio carlos jobim
Disco 3
tristeza do jeca – tonico e tinoco
fechei a porta – jamelão
dor de cotovelo – elis regina
mas que nada – jorge ben e conjunto de zá maria
o baile da saudade – francisco petronio
nhem nhem nhem – martinho da vila
dela – ciro monteiro
adeus batucada – célia
você mudou demais – claudia barroso
o samba da minha terra – novos baianos
.

Quarteto Oficial Da Escola Nacional De Música (1966)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos mais um trabalho de nível abrangendo a música erudita brasileira. Desta vez, apresentamos um álbum com o Quarteto Oficial da Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, hoje também denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro, lançado em 1966 pela CBS, hoje Sony Music. O grupo era um dos melhores da época, graças à perfeição técnica e conhecimento musical de seus integrantes, com execuções impecáveis, tendo em seu currículo excursões e recitais em várias partes do mundo, especialmente na América do Norte, Ásia e Europa, difundindo obras de compositores eruditos nacionais e internacionais.  E toda essa perfeição é encontrada justamente neste disco, apresentando obras de Radamés Gnattali (Porto Alegre, RS, 27/1/1906-Rio de Janeiro, 13/2/1988) e José Siqueira (Conceição, PB, 24/6/1907-Rio de Janeiro, 22/4/1985). No lado A do disco, são apresentados os “Quatro noturnos para quarteto de cordas e piano”, então obras recentes de Radamés Gnattali, cuja importância na história de nossa música popular e erudita, tanto como compositor,  quanto como pianista, orquestrador e maestro, é inquestionável. Ele dedicou os noturnos ao próprio Quarteto de Cordas Oficial da Escola Nacional de Música, e ainda participa ao piano dos registros dessas obras, até então jamais levadas a disco. Já no lado B, o quarteto executa duas composições do maestro e acadêmico José de Lima Siqueira, o “Tríptico negro número 2” e “Toada”. Formado em Direito, composição e regência,  tendo sido inclusive professor da Escola Nacional de Música, Siqueira foi reconhecido internacionalmente pelo papel de liderança que exerceu no meio musical de sua época e por sua participação na criação de várias entidades de classe (como a Ordem dos Músicos do Brasil, fundada em 1960, da qual foi o primeiro presidente) e culturais, ornando-se uma das grandes figuras da música erudita brasileira no século XX. Regeu orquestras nos EUA, Canadá e na Europa, tendo inclusive frequentado, em 1953, o curso de musicologia da Sorbonne. Fundou ainda a Orquestra Sinfônica Nacional, em 1961, e a Orquestra de Câmara do Brasil, em 1967. Em 1969, José Siqueira foi aposentado pela ditadura militar por defender o comunismo e, proibido de lecionar e exercer qualquer atividade artística no Brasil, encontrou abrigo na antiga União Soviética, onde regeu a Filarmônica de Moscou e participou como jurado de grandes concursos de música internacionais. Foi em Moscou, inclusive, que boa parte da obra de Siqueira foi editorada e preservada, incluindo óperas, cantatas, concertos, oratórios, sinfonias e obras para conjuntos de câmara. Publicou ainda livros didáticos, tais como “Canto dado em catorze lições”, “Música para a juventude” (quatro volumes) e “Curso de instrumentação”.  Com a abertura política, em 1979, José Siqueira voltou a residir no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, onde faleceu. Como se pode perceber, este trabalho oferecido hoje pelo TM apresenta alto padrão técnico e artístico, e merece ser incluído entre os mais expressivos álbuns eruditos já gravados no Brasil. Simplesmente impecável!

quatro noturnos para quarteto de cordas e piano – radamés gnattali

triptico negro n. 2 – josé siqueira

toada – josé siqueira

*Texto de Samuel Machado Filho

As Três Marias Com Leal Brito E Orquestra – Baião Vol. 1 (1953)

Ritmo popular especialmente no Nordeste do Brasil, o baião ou baiano provém de uma das modalidades do lundu – estilo musical gerado pelo retumbar dos batuques africanos produzidos pelos escravos bantos de Angola, trazidos à força para o Brasil. Foi em outubro de 1946 que o Brasil inteiro tomou conhecimento desse ritmo nordestino, quando foi lançada, na interpretação dos Quatro Ases e um Coringa, a primeira música do gênero de que se tem notícia: exatamente intitulada “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Assumindo nova tonalidade, com a incorporação um tanto inconsciente das características do samba e da conga cubana, o baião disseminou-se por todo o país e até alcançou êxito internacional. Além de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, vários outros cantores obtiveram sucesso no gênero, tais como Marlene, Emilinha Borba, Ivon Cúri, Ademilde Fonseca e Dalva de Oliveira (que gravou em Londres o clássico “Kalu”, de Humberto Teixeira).  Carmélia Alves era a “rainha do baião”, Claudette Soares, “a princesinha”, e Luiz Vieira, o “príncipe”.  O sucesso do baião até popularizou o acordeom, um dos instrumentos musicais utilizados em sua execução. Merece também ser lembrado Waldyr Azevedo, mestre do cavaquinho, que em 1950 lançou o baião instrumental “Delicado”, êxito em todo o mundo.  Depois de um período de relativo esquecimento, no decorrer dos anos 1960, o interesse pelo baião renasceu a partir do advento da Tropicália, com Gil e Caetano à frente, e marcante influência nos trabalhos de músicos nordestinos desde então. Até mesmo Raul Seixas, o maior astro do rock brasileiro em toda a sua história, criou o que chamava de “baioque”, mistura de baião e rock. Em 1953, quando o baião ainda estava no auge da popularidade, a Musidisc de Nilo Sérgio decidiu lançar uma série de LPs (naquele tempo, de dez polegadas) dedicados ao ritmo nordestino, com o título de “Baião”. É justamente o primeiro desses álbuns (depois vieram mais três) que o TM oferecer hoje a seus amigos cultos e ocultos. A interpretação coube ao grupo feminino As Três Marias, na época formado por Hedinar Martins (irmã de Herivelto), Consuelo Sierra e Maria Tereza, com acompanhamento da orquestra de Leal Brito, isto é, Britinho. Em suas oito faixas (duas músicas em cada uma delas!), reúnem-se  alguns dos baiões de maior sucesso, tipo “Paraíba”, o já citado “Delicado”, “Esta noite serenou”, “Pé de manacá”, “Saia de bico”, “Baião de dois”, “Ê boi”, “Adeus, adeus, morena”, o pioneiro “Baião”, assinados pelos mais expressivos compositores do gênero, como Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Hervê Cordovil. Com direito até a uma composição do próprio Britinho, “Marilu”, e outras três músicas transformadas em baião, “Maringá” e o clássico carnavalesco “Taí”, ambas de Joubert de Carvalho, mais o motivo folclórico mineiro “Peixe vivo”, canção predileta do então futuro presidente da República, Juscelino Kubitschek. Tudo isso faz deste “Baião número 1” um verdadeiro documento histórico, merecedor, com todas as honras, da postagem de hoje do TM. Confiram…

paraiba – delicado

baião vai baião vem – maringá

esta noite serenou – chuva miudinha

pé de manacá – ta-hi

eh boi – adeus adeus morena

marilu – macapá

saia de bico – baião

peixe vivo – baião de dois

*Texto de Samuel Machado Filho

Saudosa Minas Gerais (1956)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos rara e preciosa parcela do rico acervo musical do estado de Minas Gerais. A música, inclusive, está presente em Minas desde o período colonial, mais precisamente desde a segunda metade do século XVI, quando a Companhia de Jesus trouxe para o estado os primeiros instrumentos musicais, com o objetivo de converterem os indígenas aos costumes europeus, difundindo a música barroca. Por décadas, os jesuítas foram responsáveis tanto pelo ensino da gramática e do latim quanto pela alfabetização musical nas escolas. Outro marco de identidade cultural de Minas são as bandas de música, que se desenvolveram a partir do século XIX. Sem esquecer as serestas de Diamantina, verdadeira tradição na cidade, terra natal do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976). Compositores nascidos em Minas, como Ary Barroso (nascido em Ubá), Ataulfo Alves (de Miraí) e Alcyr Pires Vermelho (de Muriaé) deram expressiva contribuição para nossa música popular. Assim como a turma do Clube da Esquina, liderada por um mineiro de coração, Mílton Nascimento, surgida nos anos 1970. Sem esquecer grupos de rock como o Skank e o Jota Quest, ainda hoje em plena atividade. “Saudosa Minas Gerais”, o álbum que o TM nos traz hoje, foi lançado por volta de 1955/56 pela Columbia, hoje Sony Music, num tempo em que o LP estava em fase de implantação entre nós e tinha dez polegadas. Trata-se de uma compilação reunindo alguns intérpretes então contratados da gravadora, evidentemente extraídas de 78 rpm, e suas oito faixas, direta ou indiretamente, possuem elos de ligação com a música e a cultura popular mineira.  A curiosidade fica por conta da presença de Zilá Fonseca (Iolanda Ribeiro Angarano, São Paulo, 12/4/1919-Rio de Janeiro, 30/5/1992) em três faixas, uma em dueto com Cauby Peixoto, então despontando para o estrelato (“Elvira”, que abre o disco, adaptação em ritmo de baião da modinha “Elvira, escuta”),  e outras duas com Carlos Henrique (“Minha zabelê” e “Mineiro apaixonado”, ambas também baiões). Carlos Henrique ainda interpreta outro baião, “Alice”, em dueto com Aracy Costa, outra cantora de sucesso na época.  “Peixe vivo”, a música predileta do já citado ex-presidente JK, motivo folclórico de sua Diamantina natal, é aqui interpretada por Mary Duarte e Paulo Fernandes, e também em ritmo de baião, que nesse tempo ainda tinha força. As Irmãs Cavalcanti (Odemi e Noemi, esta última vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase) vêm com outras duas faixas bastante expressivas: o rasqueado “Terra distante” (parceria de Noemi com Sílvio Pereira de Araújo, o Pereirinha) e a faixa-título, que aliás encerra o disco, a “valsinha” “Saudosa Minas Gerais”, das próprias Cavalcantis. Por fim, temos um verdadeiro clássico da música sertaneja de raiz, a canção “Felicidade de caboclo”, de Gino Alves e Pichincha, no registro original de Caxangá e Sanica, lançado originalmente em bolacha de cera no finalzinho de 1954. Enfim, uma compilação rara e de valor histórico inestimável, que agora o TM possui a grata satisfação de nos oferecer. É ir pro GTM correndo, baixar e conferir…

elvira – cauby peixoto e zilá fonseca
minha zabelê – zilá fonseca e carlos henrique
alice – carlos henrique e aracy costa
mineiro apaixonado – carlos henrique e zilá fonseca
peixa vivo – mary duarte e paulo fernandes
terra distante – irmãs cavalcanti
felicidade de caboclo – caxangá e sanica
saudosa minas gerais – irmãs cavalcanti

*Texto de Samuel Machado Filho

Paulinho Boca De Cantor – Cantor Popular (1984)

Seu nome, na pia batismal, é Paulo Roberto Figueiredo de Oliveira. E é como Paulinho Boca de Cantor que todos o conhecem. Também compositor, é claro, ele veio ao mundo na cidade de Santa Inês, na Bahia, no dia 28 de junho de 1946. Começou sua carreira musical em 1962, como crooner da orquestra de Carlito (mais tarde Orquestra Avanço), que animava bailes em Salvador e no interior da Bahia. Em 1969, funda, juntamente com Pepeu Gomes, Baby Consuelo (hoje Baby do Brasil), Moraes Moreira e Luiz Galvão, um dos mais importantes grupos da história de nossa música popular: os Novos Baianos, do qual seria um dos principais compositores. O grupo, que revolucionou a MPB nos anos 70 e ainda é referência para novas gerações, lançou dez LPs de estúdio, entre eles o premiadíssimo “Acabou chorare”, de 1972, considerado o melhor álbum brasileiro da história, segundo a revista “Rolling Stone”. Com o fim dos Novos Baianos, em 1979, Paulinho Boca de Cantor partiu para a carreira-solo. Sua carreira no exterior começou em 1983, em Roma, capital da Itália, apresentando-se no show “Bahia de todos os sambas”, ao lado de ilustres  conterrâneos, tais como João Gilberto, Nana e Dorival Caymmi, Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil. Em 1988, passa a residir em Nova York, EUA, lá fundando a Bahia Band e com ela fazendo shows em várias cidades norte-americanas. Em 1990, Paulinho voltou a morar em Salvador, participando de inúmeros projetos culturais importantes. Em 1997, reuniu novamente os Novos Baianos, com quem gravou ao vivo o CD “Infinito circular”, e realizou shows históricos por todo o Brasil. Paulinho Boca de Cantor tem em sua discografia-solo onze álbuns, sendo o mais recente deles “Forró do Boca”, lançado em 2013 (o LP “Valeu”, de 1981, que trouxe o hit “Rock Mary”, foi um dos discos independentes mais vendidos no Brasil nessa época). Destaca-se ainda como pesquisador de nossa música popular, e lança, em 2002, em parceria com Edil Pacheco, o CD duplo “Do lundu ao axé – Bahia de todas as músicas”, homenagem aos maiores compositores do século XX (entre 1902 e 2002), com a participação de importantes nomes da MPB, tais como Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Armandinho, Luiz Caldas e Moraes Moreira. Foi também produzido por ele o álbum comemorativo do centenário do Esporte Clube Vitória, lançado em 1999, com participação de artistas-torcedores da agremiação, tipo Daniela Mercury, Durval Lélis, Ivete Sangalo , Tatau (do Araketu) e Gilmelândia (então vocalista da Banda Beijo). Da discografia-solo de Paulinho Boca de Cantor, o TM traz para seus amigos cultos e ocultos “Cantor popular”. Trata-se do terceiro LP-solo do artista, lançado no início de 1984, e o primeiro que fez para a todo-poderosa EMI, incorporada anos mais tarde pela Universal Music. Com produção executiva de Guilherme Maia e Tôni Costa, também responsáveis pelos arranjos, orquestrações e regências, ao lado de Jorginho Gomes, e direção de produção de Renato Corrêa (que integrou os Golden Boys), o disco tem dez faixas, seis delas assinadas pelo próprio Paulinho com parceiros, e dele podemos destacar a autobiográfica faixa-título, “Cantor popular”, que conta inclusive com a participação de Pepeu Gomes, a irreverente “O enviado”, “Salsa morena” (com influência de ritmos caribenhos) e “Voltar ao zero”, de Mauriçola. Tudo isso num trabalho impecável, tanto técnica quanto artisticamente, de um dos maiores nomes de nossa música popular, agora também com credenciais de pesquisador. E que continua na ativa, felizmente.

ecologia astral

quanto mais quente melhor

semente do prazer

cantos de fada

um peixe vivo

volta ao zero

cantor popular

salsa morena

alegria de doido

o enviado

*Texto de Samuel Machado Filho

Trio Patinhas – O Mundo Maravilhoso De Walt Disney (1975)

Outubro, mês das crianças. É também a ocasião de despertar um pouco da criança que sempre existe em cada um de nós, relembrando um tempo feliz e cheio de recordações gratas e agradáveis. As brincadeiras, os tempos de escola, amigos e colegas que ficaram para sempre na memória e no coração… Muita gente, tanto no Brasil como no mundo, teve sua infância embalada pelas imortais criações dos estúdios de Walt Disney (1901-1966), cartunista e produtor cinematográfico norte-americano. Ele e seus auxiliares criaram tipos inesquecíveis, que todos conhecem, tanto das histórias em quadrinhos  (até hoje publicadas entre nós pela Editora Abril) quanto dos desenhos animados: Mickey (o primeiro deles, surgido em 1928), Pluto, Pato Donald e seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luizinho, Clarabela, Margarida, Pateta, Mancha Negra, Zé Carioca, Esquálidus, o pato Peninha… Um dos mais expressivos argumentistas e desenhistas da Disney foi Carl Barks, que criou para o velho Walt personagens como Tio Patinhas, Irmãos Metralha, a feiticeira Maga Patalójika e o Professor Pardal, além de ter transformado os sobrinhos de Donald em escoteiros-mirins. Nunca esquecendo que Walt Disney foi o pioneiro dos “cartoons” em longa-metragem, ao lançar, em 1937, o inesquecível “Branca de Neve e os Sete Anões”. Seguiram-se outros sucessos, tais como “Dumbo”, “Bambi”, “Pinóquio”, “Cinderela”, “Música, maestro”, “Alice no país das maravilhas”,  “A dama e o vagabundo”, “A bela adormecida”,  “Cento e um dálmatas”, “A espada era a lei” (em que apareceu outra bruxa famosa do estúdio, Madame Min),  “Mógli, o menino-lobo”, “Aristogatas”, “A pequena sereia” e também produções em “live action”, ou seja, com atores, tais como “Mary Poppins”, “A ilha do tesouro”, “Felpudo, o cão feiticeiro”, “O fantástico super-homem”, “A lenda dos anões mágicos”, “O fantasma do Barba Negra”, “Se meu fusca falasse” (“Cento e um dálmatas” também foi refilmado com atores, inclusive com Glenn Close fazendo uma Cruela de Ville impagável), “A montanha enfeitiçada”…  E como esquecer as séries “Disneylândia” e “Zorro” (baseada no personagem de Johnston McCulley), que a televisão exibiu por décadas, inclusive no Brasil? Ainda hoje, a Disney é um dos maiores conglomerados de entretenimento do mundo, atuando ainda no setor de TV aberta (é dona da rede ABC, ainda hoje uma das maiores dos EUA) e por assinatura, e continuando a produzir filmes animados (agora por computador, tipo “Toy story”, “Carros”, “Monstros S.A.”, “Up – Altas aventuras”, “Bolt – Supercão”, “Frozen”) e de “live action” (“Encantada”, “High School Musical”, “Jamaica abaixo de zero” etc.). Atualmente, a Disney também é proprietária da Marvel, detentora dos direitos de super-heróis como Capitão América, Hulk, Thor, Surfista Prateado, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e Homem de Ferro. Pois o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos um álbum lançado em 1975 pela Som Livre (com o selo Disneyland), muito apropriadamente denominado “O mundo maravilhoso de Walt Disney”. O disco foi produzido pelo professor Theotônio Pavão (Pratânia, SP, 27/4/1915-São Paulo, 25/2/1988), o que por si só já o credencia. Ele assina a maior parte das faixas, apresentando cada um dos principais personagens clássicos da Disney, como Tio Patinhas, Donald, Gastão (aquele da sorte infalível), Zé Carioca, Zorro, Mickey, Pluto, Vovó Donalda etc. Abrindo o álbum, um trecho do tema principal do filme “Pinóquio”, de 1940, “When you wish upon a star”, e seguem-se as músicas, na interpretação do Trio Patinhas, do qual Meire Pavão, filha do professor Theotônio e cantora de sucesso na Jovem Guarda, é por certo a vocalista principal. E para fechar com chave de ouro, uma regravação de “Papai Walt Disney”, versão de Sidney Morais (que assina como Espírito Santo, uma vez que seu nome completo é Sidney do Espírito Santo de Morais) que tanto sucesso fez em 1962 com o Conjunto Farroupilha. Enfim, um trabalho que merece ser ouvido por crianças e adultos, e uma justa homenagem ao criador do chamado “mundo da fantasia”, Walt Disney. É ouvir e sonhar…

when you wish upon a star
lobo mau e os três porquinhos
zé carioca
peninha
huguinho, zezinho e luizinho
os sobrinhos
vovó donalda
pateta e mickey nu burgestão
madame min
alô walt disney
pato donald
o grilo falante
professor pardal
zorro
moedinha do tio patinhas
coelho quincas
primo gastão
pluto
papai walt disney

*Texto de Samuel Machado Filho

A Moreninha – Trilha Sonora Da Peça Teatral (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês este compacto bem raro da trilha musical da peça teatral “A Moreninha”, que conforme podemos ver na capa teve a sua estréia em 29 de dezembro de 1968 no Teatro Achieta de São Paulo, trazendo um grande elenco e tendo como protagonistas os atores Perry Sales e Marília Pêra. Essa peça foi uma comédia musical escrita por Miroel Silveira e Cláudio Petraglia adaptada a partir do romance escrito por Joaquim Manuel de Macedo. As músicas são de autoria de Cláudio Petraglia, também produtor da peça e os arranjos e orquestração de Sandino Hohagen. Confiram já este compacto no GTM 😉

paquetá, paquetá – o elenco
cafuné – zezé motta e gésio amadeu
balada ‘a moreninha’- marília pêra
marcarei o seu nome – marília pêra e perry salles
  • Produção original do blog Sintonia Musikal, do amigo Chico.

Eddie Osborn – Baldwin Organ And Bongos (1960)

Olá amigos cultos e ocultos! Mesclando ainda mais a nossa salada mista de músicas e curiosidades fonográficas, aqui vai um disquinho estrangeiro e dos mais interessantes. Gosto muito das produções que surgiram em função e a partir dos sistemas HiFi (alta fidelidade) onde as gravadoras buscavam ao máximo explorar as nuances sonoras para demonstrar as qualidades de um novo som que os olhos acompanham. Para tanto, escolhiam orquestras que provocassem uma sonoridade exótica e nisso há muito dos ritmos latinos incluídos.
Temos aqui um disco da série Doctored For Super Stereo, apresentando o organista americano Eddie Osborn pilotando um tradicional teclado eletrônico da Baldwin, uma empresa que desde o início do século XX já fabricava pianos e posteriormente orgãos eletrônicos. Numa fusão interessante, temos aqui orgão e bongôs para um repertório bem variado de músicas bem conhecidas internacionalmente. Muito legal, vale uma conferida 😉

el cumbachero
barbara polka
buttons and bows
south of the border
frenesi
saints
washington post
tennesse waltz
perfidia
muskrat ramble
sid’s blues
ma, he’s making eyes at me

.

Claudio Zoli (1988)

Considerado o príncipe da soul music brasileira, Cláudio Zoli é posto em foco hoje em nosso TM. Zoli veio ao mundo na cidade de São Gonçalo, litoral do estado do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1964. Desde cedo, interessou-se pela música, e cresceu ouvindo a “soul music” de feras como Tim Maia, Stevie Wonder e Marvin Gaye. Ainda garoto, começou a cantar e a tocar violão, e sua estreia profissional aconteceu aos 17 anos de idade, tocando na banda de Cassiano (criador de hits como “A lua e eu” e “Coleção”), que se tornaria o seu guru. Zoli também aprendeu muito com o mestre Tim Maia. Em 1982, fundou a banda Brylho, que, um ano mais tarde, lançou seu único LP. Nele, está o também único hit do grupo, “A noite do prazer”, relembrado até hoje (“Na madrugada a vitrola rolando um blues, tocando B. B. King sem parar”…) e sempre presente nos shows de Cláudio Zoli.  Após o fim da banda Brylho, em 1986, Cláudio Zoli grava seu primeiro álbum-solo, “Livre pra viver”. Nessa ocasião, obteve sucesso com músicas gravadas por outros intérpretes, caso de Marina Lima (“À francesa”, parceria dele com o irmão da cantora, Antônio Cícero) e Elba Ramalho (“Felicidade urgente”, parceria de Zoli com Ronaldo Lobato Santos, incluída na novela global “Vamp”, de 1991). Em um momento de baixa na carreira-solo de intérprete, Zoli formou, ao lado de Ritchie e Vinícius Cantuária, o grupo Tigres de Bengala, que lançou um único álbum em 1993. Seis anos mais tarde, entretanto, voltou a gravar como solista, lançando o álbum “Férias”, no qual acrescentou elementos do rap e do rhythm and blues ao seu tradicional soul-funk-samba. Casado com  Carol Duarte, também sua empresária, Cláudio Zoli tem três filhos, Lucas, nascido em 1986, Pedro, nascido em 1989, e João, em 1992. Dos três, apenas João optou por não seguir carreira musical, dedicando-se ao bodyboard (variante do surfe) e conquistando inúmeras premiações. Ao todo, Zoli gravou, até o presente momento,  treze álbuns, incluindo os que fez com o Brylho e o Tigres de Bengala, e o mais recente deles é “Amar e amanhecer”, lançado em 2014. Dessa discografia, o TM hoje apresenta o segundo álbum-solo de Cláudio Zoli, editado pela EMI em 1988. Aqui, o destaque fica por conta de “Não foi em vão”, versão de Cláudio Rabello para o clássico “What’s going on?”, de Marvin Gaye. Temos ainda a regravação de outro clássico, ‘’Azul da cor do mar”, eterno hit do “síndico” Tim Maia, e mais oito faixas do próprio Cláudio Zoli, por ele assinadas ao lado de parceiros como Bernardo Vilhena, Ronaldo Lobato Santos e Cassiano. Enfim, um bom trabalho de Zoli, que pode ser incluído entre os melhores já gravados por ele. É só ir pro GTM e conferir…  (A acrescentar que, quando do relançamento deste disco em CD, foram incluídas duas faixas-bônus, a instrumental “Funk house” e “Horizonte”).

criminoso sutil
não dá pra entender
quero te amar
último beijo
sem explicação
não foi em vão
noites de onda
azul da cor do mar
em nome do prazer
sangue negro
*Texto de Samuel Machado Filho

Laurindo Almeida – Virtuoso Guitar (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Embora eu tenha decidido passar a publicar aqui também discos internacionais, com artistas internacionais, sinto ainda um certa resistência na própria tradição do blog. Seria mesmo interessante postarmos discos estrangeiros tendo ainda tanta coisa brasileira a ser mostrada? Acho que vou reavaliar essa ideia, ou por outra, me permitir postar o que quiser, mas preferencialmente coisas ligadas ao Brasil.
E nessa, eu hoje trago um disco estrangeiro. Um interessante lp com o grande violonista Laurindo Almeida, um dos primeiros grandes artistas brasileiros a fazer sucesso e carreira lá fora. Violonista e compositor, Laurindo Almeida mudou-se para os ‘States’ na década de 50, tornando-se um requisitadíssimo músico de jazz. Gravou centenas de discos e tocou ao lado dos maiores nomes da música mundial. Resumir a atuação deste artista aqui neste post é até pecado, mas o que não falta na internet é informações sobre ele. Vale pesquisar e conhecer esse gênio do violão.
“Virtuoso Guitar” é um disco que não consta em sua discografia. Em edição limitada, este lp foi gravado em um processo especial, direto para o vinil e roda em 45 rpm. Nele temos dois momentos, um primeiro jazzístico e o outro mais erudito, trazendo uma sonata de  Radamés Gnattalli. Sem dúvida, um disco raro que merece nossa atenção. Confiram o conteúdo no GTM.

yesterday
jazz-tuno at the mission
late last night
sonata for guitar and cello in three movements:
allegretto comodo
adagio
com espírito

.

Cana-Verde/ Ceará – Documentário Sonoro Do Folclore Brasileiro N. 36 (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Por enquanto, nossa mostra da série Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro termina aqui. Como disse, infelizmente, eu não tenho essa coleção completa. Ficaremos aguardando os números que nos falta. Caso alguém tenha algum ou o que falta, por favor, compartilhe aqui com o Toque Musical. 🙂

a minha caninha verde (abetura)
sorri, quá quá
eu não vendo
galo galo
menina tu vai ao baile
caninha verde, adeus adeus (despedida)

.

Gastão Formenti – Os Grandes Sucessos (1962)

Hoje, o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos um LP que a RCA (selo Camden) lançou em 1962, reunindo doze sucessos de um dos maiores expoentes da MPB  nos primórdios da era do rádio. Estamos falando de Gastão Formenti. Foi em Guaratinguetá, SP, no dia 24 de junho de 1894, que ele veio ao mundo, filho do italiano Cesare Alessandro Formenti, pintor, decorador e cantor lírico amador, e da escultora Sara Formenti.  Aos nove anos de idade, começou a estudar pintura com seu pai, artista decorador de mansões e igrejas, e com Pedro Strina. Em 1895, a família se transfere para São Paulo. Gastão fez o primário na Escola Fiorette Fondacari, na capital bandeirante, e o secundário no Ginásio São Bento, no Rio de Janeiro, para onde sua família se mudou em 1910. Nessa ocasião, passa a trabalhar na firma do pai, pintando vitrais, frisos e painéis. Em sua casa tudo era propício à arte, inclusive ao bel-canto.  Em 1927, já casado com Otília de Oliveira, em visita à pioneira Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de surpresa, surge uma oportunidade para nosso Gastão cantar. A aprovação dos ouvintes determinaria o início de sua carreira. Logo em seguida, vem a ser um dos primeiros cantores a serem contratados pela Odeon, na nova fase da gravação elétrica. Em novembro de 1927, a “marca do templo” lança o primeiro disco de Gastão Formenti, apresentando a canção sertaneja “Anoitecer” e o tango sertanejo “Cabocla apaixonada”. Foi o pontapé inicial para inúmeros sucessos, sempre permanecendo no primeiro patamar da admiração e do respeito do público: “Tutu Marambá”, “Casa de caboclo”, “Sussuarana”, “Nhá Maria”, “Nhapopé”, “Boca pintada”, “Lua branca”, “Glória”,  “Sabiá mimoso”, “Maringá”, “De papo pro á”, “Zíngara”, “Joia falsa”, “Boi bumbá”, “Cobra grande”, “Samba da saudade”, “Jangadeiro do Norte”, “Retalhos d’alma”, “Moleque sarará”, “Eternamente”, “Folhas ao vento”, “Maria Fulô” e outros mais, além dos incluídos no presente álbum. No rádio, atuou na Mayrink Veiga e na Transmissora, ambas do Rio. Talvez seja o intérprete de mais técnica que tivemos, sem, todavia, deixar de lado a emoção. Em 1941, Gastão Formenti praticamente encerra a carreira, que sempre conduziu mais pelo amor à arte. Seria, daí por diante, somente o pintor de quadros a óleo, que nunca deixou de ser, de talento consagrado por vários prêmios. Voltaria ao disco em ocasiões esporádicas, inclusive lançando, em 1959, pela RCA Victor, seu único LP-solo, “Quadros musicais”, no qual regravou alguns de seus maiores sucessos, ainda com a mesma voz de antes. Após esse vinil, Formenti retirou-se definitivamente da vida musical, e faleceria em 28 de maio de 1974, no Rio de Janeiro, um mês antes de completar 80 anos de idade. Em 78 rpm, Gastão Formenti registrou um total de 153 discos com 299 músicas. Este álbum oferecido hoje pelo TM, com o orgulho e a satisfação costumeiros (postagem, aliás, solicitada pessoalmente por este vosso resenhista), tem doze preciosas faixas, gravadas na antiga Victor entre 1931 e 1937, e recuperadas tecnicamente após paciente trabalho de laboratório. É um repertório brasileiríssimo e de excelente qualidade, do qual podemos destacar “Foi boto, Sinhá”, “Tem pena do nêgo” (ambas da dupla Waldemar Henrique-Antônio Tavernard), “Um agradinho é bom” (tema popular adaptado pelo mestre Almirante), “Coração, por que soluças?” (bela valsa de José Maria de Abreu e Saint-Clair Senna), “Pai João” (toada de Almirante e Luiz Peixoto) e “Na Serra da Mantiqueira”, clássico de Ary Kerner, que faz referência ao movimento constitucionalista de 1932, acontecido em São Paulo.  Em suma, um disco de valor histórico inestimável, imprescindível nos acervos de quem aprecia o melhor de nossa música popular. 

foi bôto, sinhá
o segredo dos teus olhos
um agradinho é bom
tem pena do nêgo
azulão
coração, porque soluças?
no baile de máscaras
pai joão
teu olhar
alma do sertão
para a ventura imensa de te amar
na serra da mantiqueira
*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Loy Quinteto (1966)

Uma das grandes perdas da música popular brasileira neste ano de 2017 foi a do pianista e acordeonista Luiz Loy. Ele faleceu no dia 24 de maio passado, aos 78 anos, fato que poucos órgãos de imprensa noticiaram. Uma pena, porque Luiz Loy foi um músico notável, com larga folha de serviços prestados à nossa música. Ele nasceu em São Paulo, em julho de 1938, tendo na pia batismal o nome de Luiz Machado Pereira, e a música sempre existiu em sua vida. Aos 13 anos de idade, já participava de audições cantando músicas de Luiz Gonzaga, evidentemente acompanhando-se ao acordeom. Profissionalmente, começou sua carreira como integrante do regional do clarinetista Siles, contratado pela PRF-3, TV Tupi. Atuava na extensa programação musical da emissora e também em shows, que aconteciam a cada inauguração de retransmissoras da Tupi em cidades do interior de São Paulo (Batatais, Ribeirão Preto, Franca), e ainda na capital paranaense, Curitiba. Luiz Loy trabalhou ainda na noite paulistana, como músico free-lancer de grupos como o de Mário Augusto e do maestro Francisco Dorce. Isso o afastou da televisão por algum tempo e, em 1960, quando foi novamente contratado pela Tupi, Luiz Loy já tinha seu próprio conjunto. Em 1962/63 atuou na TV Excelsior e no Jardim de Inverno Fasano. Em 1964, fez temporada artística na Argentina, apresentando-se no Cassino  Internacional, de Mar del Plata, e no Canal 13 de Buenos Aires.  De volta ao Brasil, em 1965, Luiz Loy é contratado pela TV Record de São Paulo, então a emissora dos grandes programas musicais, onde permaneceria até 1970. Lá, estreou seu famoso quinteto, formado por ele mesmo ao piano, Papudinho ao pistom, Mazzola ao saxofone, Bandeira ao contrabaixo e Zinho à bateria. O grupo participou, em 1966, da gravação ao vivo do segundo LP da série “Dois na bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues. Luiz Loy ainda apresentou-se, como free-lancer,  novamente na TV Excelsior, na TUPRO Artel de Buenos Aires, na TV Rio, Canal 13, no evento Profissionais do Ano, promovido pela TV Globo para premiar os melhores da publicidade, e na Teleonce Universidad, de Santiago do Chile. Fez cursos de arranjo e regência na Academia Paulista de Música, ampliando cada vez mais sua atuação.  Nos últimos anos de sua vida, apresentou-se com seu grupo, já como trio, em bailes e eventos nos principais grandes clubes da capital paulista, sempre conquistando, merecidamente, o aplauso e o carinho do público. Luiz Loy deixou ainda, com seu conjunto, quatro LPs gravados, dois deles com seu quinteto. E é justamente o primeiro deles, “Luiz Loy Quinteto”, lançado em 1966 pela RGE, que o TM oferece com a grata satisfação de sempre a seus amigos cultos e ocultos. Produzido por um verdadeiro “cobra”, Manoel Barembeim, sob a direção artística de Júlio Nagib, o disco é credenciado principalmente por sua contracapa, na qual é recomendado por grandes nomes da MPB na época, todos então colegas de Luiz Loy na TV Record:  Elis Regina, Agnaldo Rayol, Elza Soares, Wilson Simonal e Elizeth Cardoso. No repertório, figuram basicamente sucessos da MPB na época, a começar pela primeira faixa, “Upa, neguinho”, então uma coqueluche na voz de Elis Regina. Temos ainda “Tristeza que se foi”, “Tem mais samba”, “Flor da manhã”, ‘Estamos aí”, entre outras, assinadas por grandes compositores da época, tipo Edu Lobo, Chico Buarque, Durval Ferreira, Gilberto Gil, Adílson Godoy… Com direito até a uma faixa no estilo jequibau, ritmo criado pelos maestros Mário Albanese e Cyro Pereira, e a  apenas uma música de origem internacional, o standard norte-americano “Fly me to the moon”. Tudo isso com a competência e o balanço do Quinteto de Luiz Loy, um músico para se ouvir e dançar, cuja performance, tanto dele quanto a dos demais integrantes de seu conjunto, eram sempre bastante apreciados. A presente postagem é, também, uma merecida homenagem póstuma do TM àquele que foi um dos maiores músicos que o Brasil já teve. A conferir, sem falta…

upa negrinho

nosso amor existe

clichê

tristeza que se foi

mais samba

deixa prá lá

estamos aí

brinquedo sim

fly me to the moon

flor da manhã

no balanço do jequibau

chora céu

*Texto de Samuel Machado Filho

Altamiro Carrilho, Conjunto E Côro – Bossa Nova In Rio (1963)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Para abrilhantar ainda mais o nosso mês de setembro eu hoje trago para vocês esse delicioso lp com o flautista Altamiro Carrilho, Conjunto e Côro. Fiz questão de frisar o conjunto e o côro, pois embora, como o flautista Hamelin, Altamiro que vem à frete, mas que segura a bossa é a turma de trás. Aliás, quem mais se destaca neste disco me parece ser o acordeon e nesse sentido,o toque lembra muito o Chiquinho e também o Sivuca, mas este segundo, nessa época estava morando na Europa. Infelizmente não há no disco nenhuma informação a respeito dos músicos além do próprio Altamiro Carrilho.
Seguindo a tendência da época, no auge da Bossa Nova, a gravadora Copacabana lançou em 1963 este lp onde o flautista, seu conjunto e côro nos apresentam um repertório moderno, com músicas que já se despontavam como clássicos de um novo movimento. Aliás, este é também um lp clássico de bossa nova, um item indispensável em qualquer coleção do gênero. Confiram no GTM…

menina feia
desafinado
tristeza de nós dois
gamação
mania de maria
confissão
corcovado
samba de uma nota só
morreu num adeus
o barquinho
tudo é bossa
fundo do mar

.