Vanusa (1973)

Bom dia! Quando eu glorifico os anos 70 não é atoa. Uma época onde até o que era considerando popularesco na música brasileira se tornou nos dias atuais e numa visão comparativa, uma coisa cheia de qualidades. Acho que o tempo, o amadurecimento, leva a gente a perceber isso. O nível da qualidade artística e criativa já foi bem melhor. Era um tempo onde ainda havia uma preocupação e um respeito com o público. O artista podia ser brega, simples, popularesco ou mesmo um ultraromântico e produzido, mas era um profissional de gabarito, tinha realmente qualidade. Hoje, basta ser bonitinho, saber rebolar e fazer o que o mestre mandar. Seguindo as tendências daquilo que leva ao dinheiro fácil, minando ainda mais a mediocridade do povão. O jeito é ir engolindo os Ídolos, neo sertanejos, funks e fuck…
Hoje eu trago aqui este disco da Vanusa. Uma excelente cantora, dona de uma voz poderosa, mas que poucas vezes conseguiu demonstrar este talento em discos. Dizendo assim, vocês hão de pensar que eu estou redondamente enganado. Mas se observarmos bem a sua trajetória, veremos que ela sempre esteve à serviço de um repertório irregular. Isso é uma coisa que pode acabar com o artista ou levá-lo para outros caminhos. Vanusa sempre foi uma artista batalhadora e eu acredito que em seu percurso, cheio de atribulações, a acabou levando por caminhos oscilosos. Neste disco de 1973 temos a cantora no auge da carreira, num de seus melhores momentos. O disco é produzindo por Wilson Miranda e conta com a participação e apoio de nomes com Lincon Olivetti, os maestros Portinho e Élcio Alvares, o saudoso Zé Rodrix e a dupla Antonio Carlos e Jocafi. O repertório é variado, com altos e médios, mas num todo um álbum muito bom. Duas das faixas são composições sua em parceria com Mário Campanha, entre elas o seu grande sucesso, “Manhãs de Setembro”. Tem também “Coisas Pequenas” de Zé Rodrix e Tavito (adoro essa música!). Um versão mais balançada e pop de “Neste Mesmo Lugar”, de Armando Cavalcanti e Klétus Caldas que ficou muito boa. Há espaço até para um pseudo-hard-rock com uma introdução de “Sabbath Bloody Sabbath” do Black Sabbath em “What To Do”, música de Papi e Alf Soares. E tem mais… confiram aí…
manhãs de setembro
você não morreu
o mago de pornois
quebra cabeça
neste mesmo lugar
what to do
estou fazendo hora
coisas pequenas
quero você
retrato na parede
mercado modelo
entre cinzas

Alaide Costa & Oscar Castro Neves (1973)

Bom dia amigos cultos & ocultos! Neste fim de semana eu tive a honra de ser convidado pelo amigo blogueiro, o sérvio Milan Filipovic, a participar da série de coletâneas de artistas brasileiros que ele está promovendo em seu espaço, o Parallel Realities. Trata-se de um convite onde eu escolhi o artista e as músicas para que ele criasse a coletânea. Achei a ideia dele ótima e me dispus a colaborar, enviando minha seleção musical de uma das cantoras que eu mais gosto, a grande Alaide Costa. Para aqueles que ainda não conhecem o blog do cara, eu sugiro uma visita. Milan é um apaixonado pela música brasileira. No Parallel Realities há discos muito interessantes e raros. Ele também é um fã incondicional da cantora Waleska e mantém um outro blog exclusivo para ela. Se vocês querem ouvir a minha seleção exclusiva de Alaide Costa e também a de outros convidados, vai lá e confiram. Tenho certeza de que vocês irão gostar muito.

E por falar na Alaide, eu resolvi hoje postar este sensacional álbum da cantora ao lado de Oscar Castro Neves. Este é também um dos discos da cantora que eu mais aprecio. Lançado no início dos anos 70 pela Odeon, numa fase onde ela retomava gradualmente a sua carreira, depois de ter ficado afastada do disco na segunda metade dos anos 60 por motivos de saúde. Ela teve um problema grave de audição, mas nos anos 70 estava de volta e ainda melhor. Cantando ao lado de Milton Nascimento, participando da faixa “Me deixa em paz” do celebre disco do Clube da Esquina, esta foi sua nova arrancada para o lp de 1973 com Oscar Castro Neves. Aqui temos um repertório escolhido a dedo e apoiado por feras como Milton Miranda e Aloysio de Oliveira, que cuidaram da produção. A direção musical é do maestro Gaya e a orquestração e regência de Castro Neves. Um álbum imperdível que merece o nosso toque musical. Confiram…
obrigada meu bem
sabe você
só não vem você
caminhos
noturno
companheira da manhã
cala meu amor
outono
murmúrios
retrato em branco e preto
amigo amado
a dama de vermelho

Coral De Joab – O Melhor Das Novelas (1972)

Olá amigos cultos e ocultos! Em janeiro deste ano eu postei um compacto com o tema da Copa do Mundo de 70, o famoso Prá frente Brasil”, um disquinho com a orquestra do maestro Guerra Peixe em conjunto com o Coral de Joab. Ficou desde então uma dúvida ou uma questão a ser esclarecida: quem era o Coral de Joab? Taí uma pergunta que eu não soube responder, embora tenha insistentemente procurado informações. Passado todo esse tempo, ainda continuo na mesma… Nem com meu faro de detetive Olho Vivo consegui chegar às vias de fato. O pouco que eu sei é que este coral foi muito atuante nos anos 60 e 70. Gravaram muitos jingles, trilhas, discos comemorativos e também atuaram como ‘pano de fundo’ para diversos artistas.

Eu não achei mais informações, mas encontrei um outro disco deles com temas de novelas. Eis aqui o álbum “O melhor das novelas”. São temas bastante conhecidos, principalmente para a turma que está acima dos 40. Um disco muito interessante. Vale uma conferida e se possível uma luz… um complemento informativo sobre o grupo. Estou aguardando… 😉
o bofe (tema de o bofe)
love’s whistle (tema de bandeira 2)
o primeiro amor (tema de o primeiro amor)
a música do meu caminho (tema de o preço de um homem)
candida (tema de sol amarelo)
rock and roll lullaby (tema de selva de pedra)
bel-ami (tema de bel-ami)
você não tá com nada (tema de bandeira 2)
na selva de pedra (tema de selva de pedra)
mariana (tema de o primeiro amor)
hippie (tema de o preço de um homem)
selva de pedra (tema deo primeiro amor)

Thildo Gama – Conexão Raul Seixas (1992)

Olá! Pelo jeito parece que a sexta-feira, aqui no Toque Musical virou mesmo o dia do artista independente, pois eu só me lembro de postá-lo quando a semana já vai acabando. Na verdade eu até prefiro não ter um dia certo para essas postagens especiais. Já fui muito criticado por tomar essa iniciativa, mas não vou desistir. O espaço continua sempre aberto…

Hoje vou pegar dois coelhos numa ‘bodocada’ só. Temos aqui um curioso disco independente lançado em 1992 pelo baiano Thildo Gama. Para aqueles que não sabem ele foi um dos integrantes das duas primeira bandas de rock de Raul Seixas – Os Relâmpagos do Rock e Os Panteras. Amigo de infância do ‘maluco beleza’, Thildo Gama se tornou uma espécie de porta-voz das memórias baianas de Raulzito. Tem carregado a bandeira do Raul, através do seu “Raul Seixas Forever Fã Clube”. Este disco, pelo que eu pude entender, é o volume 3 de uma série em homenagem ao seu amigo e ídolo. Trata-se de um álbum daqueles feitos para se ouvir com outros olhos, uma curiosidade típica do Toque Musical. Curioso até na capa, tem que ver… Sobrou inclusive para a Irmã Dulce, que também é homenageada no canto inferior da contracapa (essa nem eu entendi…). Chamo a atenção, em especial, para um registro incluído no disco, uma gravação caseira de Raul Seixas, cantando em inglês para Edith em 1967. A segunda pedra do bodoque corresponde à minha homenagem ao saudoso roqueiro tupiniquim, relembrando os vinte anos de sua morte. Incluí no arquivo, como bônus, uma música de Raul e Paulo Coelho, a censurada “Por quê?”, que fez parte da trilha da novela “o Rebú”. Aqui ela é cantada pelo próprio autor, numa reconstituição remix e volta com nome e letra original “Gospel”. Salve Raul! “Faça o que tu queres. Há de ser tudo da lei”

lá vai meu sol
princesa dourada
não pude te esquecer
músico frustrado
o amigo que se foi
raul cantando para edith em 1967
tributo a raul seixas
opus 666
nunca mais
acabou-se o que era mole
meninos de rua
sonhei com o rei do rock
canto para a minha morte
rauzito e seus panteras
Bônus
gospel – raul seixas
por quê – trilha da novela o rebu

Jackson Do Pandeiro – O Cabra Da Peste (1966)

Olás! Eu estou chegando num ponto em que já começo a perder a noção do que já postei aqui no Toque Musical. Para piorar, a ferramenta de pesquisa de postagens no blog não está funcionando como em outros blogs semelhantes. Ainda não consegui entender o motivo. Esta era uma das maneiras que eu usava para checar o que já havia sido publicado. O jeito agora é buscar outras alternativas. O que mais me preocupa é saber que muitos de vocês acabarão passando pelo TM sem ter conhecido inteiramente o seu acervo. Por isso, tenho insistido na alternativa de procura pela letra inicial do artista. Imagino que existam mil outras maneiras de resolver isso, só que ainda não as encontrei.

Hoje eu estou trazendo um disco que já não é mais nenhuma novidade/raridade e eu só fui me dar conta disso depois de tudo pronto e preparado. Foi só na hora da postagem que percebi que “O Cabra da Peste” é um disco clássico, que não sai de moda (se é que podemos dizer assim). Aliás, o Jackson do Pandeiro é que é o classico. Lançado nos anos 60, foi relançado nos anos 70 e 80 em vinil. Nos 90 ele saiu em cd e no novo millenio ele foi novamente reeditado e relançado com uma nova capa. Ainda está a venda! Assim sendo, não haveria motivo para que eu o publicasse. Para mim, não faz sentido publicar o que pode ser encontrado facilmente ou que ainda esteja a venda. Mas depois do todo trabalho que tive, sinto muito… mas agora já foi… Não carece nem de muitas apresentações, não é mesmo?
Vamos nessa, já que som é do pandeiro 🙂
capoeira mata um
tá roendo
a ordem é sambá
pinicapau
forró quentinho
bodocongô
secretária do diabo
vou sambalançar
alegria do vaqueiro
forró do biá
papai vem de trem

Francisco Alves – Recordações de Chico Viola (195…)

Ufa! Cheguei a tempo… Conforme prometido, segue mais um raro exemplar de 10 polegadas do Chico Alves. Este também é outro que eu não encontrei data, nem no site do Instituto Memória Musical ou Cravo Albin. Acredito que também seja de 53 a 55. Quando o disco passou de duas faixas para oito, no formato ‘Long Play’ de 10 polegadas, grande parte da discografia de Chico Viola foi imediatamente reeditada.

Segue aí então mais um belo disquinho para vocês comentarem. Parabéns ao Francisco Alves! Leva aqui o meu abraço!
barcarola
dizem que sou um mal rapaz
tarde de setembro
tipo 7
sandália de prata
cavaquinho teimoso
diga-me
adeus

Francisco Alves – Álbum Da Saudade Vol. 1 (195…)

Bom dia! No dia 19 de agosto de 1898 nascia no Rio de Janeiro um dos maiores artistas da nossa música popular, o grande Chico Alves. Para comemorar esta data eu hoje estarei postando dois discos do cantor, dois ‘albinhos’ de dez polegadas lançados na primeira metade da década de 50. Por questão de tempo, serei breve e também para extendermos até o fim do dia nossa celebração, postarei em duas etapas. Iniciando, vamos com “Álbum da Saudade”, um disco póstumo. Uma homenagem onde estão reunidas algumas de suas últimas gravações em bolachas de 78 rpm. Me parece que foi o primeiro disco de 33 polegadas de Francisco Alves. Infelizmente não consegui localizar a data, mas suponho que tenha sido lançado por volta de 1954 ou 55. Até onde eu sei, o Chico Viola não chegou a lançar, em vida, algum ‘long play’. Taí um bom motivo e uma boa questão para um comentário. Alguém se habilita?

malandrinha
canção da criança
boa noite amor
são paulo coração do brasil
a mulher de meu amigo
brasil de amanhã
cinco letras que choram (adeus)
a voz do violão

Roberto Riberti (1977)

Olá, amigos cultos e ocultos! Segue aqui mais uma postagem, relembrando e resgatando quem merece e para quem merece. Vamos com o cantor, compositor, instrumentista e produtor musical, o paulista Roberto Riberti. Ouvi este disco há uns dez anos atrás, um trabalho muito interessante, essencialmente música popular brasileira. Reencontrei-o novamente a pouco tempo e confirmei minhas boas impressões. Ao pensar e preparar esta postagem, acabei descobrindo o site de Riberti. Nele o artista mapeia toda a sua vida e também vende sua discografia em formato de cd, inclusive este álbum que foi seu disco de estréia. Por um momento pensei em não publicar esta postagem com link, afinal o cara ainda acredita na venda de fonogramas e tem lá o ‘cedezinho‘ pronto. Se tem uma coisa que eu não gosto de atrapalhar é o negócio e a vida dos outros. Mas em se tratando de um artista tão bacana e nessa altura do campeonato, vou arriscar a postagem, sem mesmo tê-lo pedido a permissão, acreditando que o faço na melhor das intenções, com o mesmo propósito de todos os outros artistas e títulos postados aqui. Para um álbum de estreante, percebe-se logo que o cara é um artista acima da média e vem muito bem acompanhado por Eduardo Gudin, Paulinho da Viola e MPB 4, que fazem participações especiais. Riberti interpreta “Ruas que sonhei” de Paulinho da Viola. As outras faixas são composições próprias e parcerias com Gudin, Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro. Os arranjos e regência são do maestro José Briamonte. Por aí dá para se ter uma ideia do que vamos encontrar. Muito bom!

apenas mais um
ruas que sonhei
vidraça
dilema
não demore
canção popular
rede de espera
proezas do coração
rendição
mestiça
em pedaços
brincadeira
luzia
teu reinado

Grupo Capote – No Forrock (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu começando a semana num pique só. Cheio de coisas por fazer e novamente com o tempo reduzido. Mas não vou deixar a peteca cair. Nossa postagem diária é sagrada! Para despertar mais atenção, eu hoje vou começar trazendo um disco que muitos têm constantemente me pedido, o primeiro do Grupo Capote. Depois de ter postado recentemente um disco do Odair Cabeça de Poeta, achei que seria uma boa repetir a dose, com direito a mais dois dedos de choro. Segue então o “Grupo Capote No Forrock”, sem dúvida, o melhor disco do grupo de Odair. Lançado no início dos anos 70, este álbum trazia como diferencial uma proposta musical até então inédita, a fusão de ritmos nordestinos com a música jovem, o pop/rock. O disco traz dez músicas com letras bem humoradas e descontraídas. Tem composições de Gordurinha, Dorival Caymmi e Tom Zé. Mas o destaque vai para a faixa “A feira”, música que chamou muita atenção pelo seu refrão, que ao ser cantado soava como se tivesse dizendo ‘filha da puta’ e chegou a ser proibida de execução em rádios. Me lembro que esta música era o máximo e toda a vez que gente queria provocar as pessoas era só colocar “A feira” para tocar. E pensar que hoje em dia se ouve em público, alto e em bom som a ‘podrera’ do chamado “funk carioca”. Esta sim é a autêntica feira da puta (ups!), quer dizer, da fruta – com direito a mulher moraguinho, melância, jaca, melão, jaboticaba, mixirica e por aí a fora… Nesta hora é que lembro da minha vó dizendo: onde iremos parar???

Mas enfim, taí o discão tão esperado do Grupo Capote. Este álbum eu guardei comigo por muito tempo, até que recebi uma oferta irrecusável. Na pressa, ripei o disco mas sem perceber que estava em baixa qualidade e também, na época, não me importei em copiar direito a capa. Mas quem tem amigos não passa dificuldades e o que é do homem o bicho não come. Salve o ‘brother’ Ricardo Boi! Valeu a colaboração!
xeque-mate blue
bomlero
carolina vai, carolina vem…
paulada no coqueiro
a feira
forrock
fiz uma viagem
tu tá comendo vrido
eu disse que disse
minha calma espiritual imediata

Odette Ernest Dias – Historia Da Flauta Brasileira (1981)

Por alguma razão que eu desconheço a ferramenta de consulta do blog localizada à esquerda da barra superior, não está funcionando de acordo. Por ela eu não consigo mais localizar um determinado disco, música ou artista. Pelo jeito, parece que isso acontece só no meu blog. Como se alguma coisa estivesse impedindo a consulta. Em outros blogs eu não tenho percebido isso. Sugiro a todos consultarem o acervo do Toque Musical através da sequência pela letra inicial ou a sequência mensal. Se alguém tiver alguma ideia ou sugestão, por favor me avise. Eu só não estou querendo é colocar um índice por nomes na lateral, isso também não resolve.

Aproveitando a paz do domingo, vou postando hoje um disco que cabe como uma trilha de fundo para esta tarde de sol e frio. Estou falando “História da flauta brasileira – Revelações”, um álbum bem apropriado, interpretado pela flautista Odette Ernest Dias. Nele encontramos algumas peças selecionadas pela instrumentista, obras estreitamente ligadas às tradições musicais brasileiras, que expressam a importância e a popularidade da flauta no Brasil. Acompanham a flautista neste trabalho a pianista Norah de Almeida e o violonista Alencar
Complementando… Odette Ernest nasceu em Paris, formou-se pelo Conservatório Nacional superior de Música, que lhe concedeu o Primeiro Prêmio de Flauta em 1951. No ano seguinte, chegou ao Brasil contratada pelo Maestro Eleazar de Carvalho para integrar a Orquestra sinfônica Brasileira (O.S.B.), tornando-se Professora do Departamento de Arte da Universidade de Brasília em 1974. Nos últimos anos, vem se dedicando à pesquisa da música barroca mineira e da música brasileira do século XIX e do princípio do século XX. Odette é possuidora de um acervo de referências do maior interesse para todos os estudantes e pesquisadores da música brasileira. Em seus discos Recital, Sarau Brasileiro e História da Flauta Brasileira, estão registradas algumas das mais importantes peças descobertas em suas pesquisas. *

la coquette – a faceira
souvenir de bahia
cruzes minha prima!!!
só para moer (não vê-la mais)
oyapock
solo de flauta da ópera joana de flandres
porquoi
fantasia sobre “il guarany de a. c. gomes


Luiz Humberto – Dançando Nas Nuvens (1965)

Olá amigos cultos e ocultos, pelo Brasil e o mundo a fora, boa noite! Só agora estou conseguindo colocar a postagem do dia. Depois de 3 horas de viagem, estou em casa! Lar, doce lar! Embora eu não tenha comentado, estive fora a semana inteira, ganhando o meu quinhão. Minhas últimas postagens foram retiradas da gaveta, previamente estocadas para momentos que estou em trânsito. Bendito seja o computador daquele hotel que pelas manhãs sempre esteve liberado, salvando os dias. Isso até a chegada de uma família, cujos filhos grudaram na internet com seus malditos orkuts, twitters e fotologs. Na concorrência matinal eu acabei desistindo. Pelo jeito, eu vou ter mesmo que comprar um ‘notebook’ para mim. Tenho resistido porque sei que esta será mais uma corrente que eu terei de arrastar. Mais um peso, mais uma preocupação…

Bom, vamos ao que interessa. Vamos, ainda na salada mista, desta vez com um disco especial. Ótimo para a noite de sábado. “Dançando nas nuvens” é o título deste álbum lançado nos anos 60 pelo selo mineiro Paladium. Ele faz parte do pacote com seis lp’s do “Esquema Musical 65”, uma série vendida à domicílio pela Bemol na época. Temos aqui Luiz Humberto, mais conhecido como Celso Murilo. Ou, o pseudônimo do organista Celso Murilo. No disco temos um repertório variado e de qualidade, com pinceladas de samba e bossa, apresentando uma sonoridade extremamente agradável inclusive para os dias de hoje. As faixas aqui selecionadas fazem parte de alguns dos discos do artista, lançados pelo selo Pawal. Achar informações sobre essa história de pseudônimos é uma coisa tão difícil quando falar da Paladium. Precisaríamos de mais tempo para uma pesquisa detalhada. Mas essa eu deixo para vocês, com direito a comentários, correções e complementos ao que foi postado.
Aqui é assim… eu faço o esboço e deixo a arte final para vocês. Cada um lapida a pedra ao seu gosto. Isso é que é interação, não é mesmo? 😉
samba triste
chorou, chorou
rosa morena
volta
boato
menino desce daí
corcovado
zelão
teleco-teco nº1
arrivederci roma
almost like being in love
silbando mambo

Odair Cabeça de Poeta – Repolho Podre E Os Rabanetes Delinquentes (1986)

Olá, meus prezados! Antes que a semana acabe, vamos celebrar o Dia do Independente. Como todos sabem, tenho procurado manter um dia na semana para postagem de artistas independentes. Como a nova safra de artistas e bandas têm procurado outros blogs para divulgação ou simplesmente se contentam com o Myspace, eu vou mostrando os independentes do vinil, artistas que um dia deram uma boa banana para as grandes gravadoras e partiram para a produção desvinculada.

Desta vez temos, para a alegria de muitos, o Odair Cabeça de Poeta nos brindando com este álbum independente, cujo o título tem tudo a ver com os anos 80. Felizmente a música não, ela se mantém como sempre, muito boa. Na verdade este foi um dos melhores álbuns de música brasileira lançados em 1986 e ninguém sabe disso (só eu). Todas as composições são do Odair, sendo que algumas em parceria com Paulinho Boca de Cantor e Marina Cortopassi. Um disco no nível dos anteriores. O cara não deixou a peteca cair. Confiram mais este toque 😉
rocambole
quanto a gente caminhou
o índio
repolho podere e os rabanetes delinquentes
novo planeta
toque toque
balanço das ondas
toda a vez que se fala no mar
baton na boca
quegrando esquinas

Som Nosso De Cada Dia – Snegs (1977)

Olá, meus prezados! Dando continuidade às nossas postagens e ainda no espírito do ecletismo musical, iremos hoje de rock. Mais exatamente rock progressivo dos saudosos anos 70. Tenho para hoje um disco que me acompanha desde o seu lançamento e está entre os meus ‘1001 discos para ouvir antes de morrer’. Tenho o vinil comprado em 1977 e sua versão em cd, lançado em 93. Tenho por este álbum um apego que vai além de sua raridade e beleza. Este disco foi a trilha sonora da minha louca adolescência. Desbundei ao assistir no antigo Cine Brasil, um dos maiores e mais tradicionais cinemas de Belo Horizonte, o show da banda. Foi a primeira vez que eu fui ver um show de rock ao vivo. Fiquei muito impressionado com toda aquela loucura, tanto no palco como na platéia. Numa época onde ainda reinava o poder ditatorial se refletindo em todas as instâncias, inclusive a policial. O show do Som Nosso não durou muito tempo. A polícia militar e civil foram acionadas, cercando todas as saídas do prédio. Invadiram o espaço com a sua peculiar truculência, fazendo o “Sinal da Paranóia” se tornar uma realidade. Tomei um baita susto quando as luzes se acenderam entre muita fumaça e um acorde incompleto. Estávamos todos presos, foi esta a frase que ouvimos. Foi um rebú geral. Aliás foi uma ‘puta geral’, todos de mãos na parede, revistas e algumas porradas. Tinha na porta até ônibus fretado para levar o público em massa para a prisão. Tudo isso por conta dos diversos baseados que se acenderam logo depois que as luzes se apagaram e a banda entrou. Nesta época, pelo menos em Belo Horizonte, a tolerância com atitudes jovens era zero. Cabelo grande já colocava o sujeito como um maluco, um suspeito em potencial. E maconheiro era sinônimo de marginal, uma chaga para a sociedade. “A juventude está perdida”, foi uma frase comum de se ouvir naquele tempo. Eu só me livrei da ‘cana’, talvez porque ainda era de menor e no teste do “cospe aí” eu passei com louvor. Levei apenas um tapa nas costas que me fez sair correndo assustado pela avenida Afonso Pena até a altura do Parque Municipal. Meus amigos, todos de maior idade, ficaram por lá. Foram passear de ônibus e conhecer de perto a Metropol. Mas não foi nada traumatizante. No dia seguinte já estávamos todos reunidos contando cada qual a sua versão do fatos. Juntei meus poucos ‘cruzeirinhos’ e fui logo cedo na loja de discos Pop Rock comprar o último “Snegs” que havia na estante. Ao longo do tempo essa história foi tomando um outro sabor. Se tornou uma boa lembrança que só mesmo quem a viveu pode saber. Bons tempos aqueles…

Mas, falando do disco, este foi um dos melhores álbuns de rock nacional que eu já ouvi. Não apenas pela história que contei. “Snegs” foi o primeiro álbum do Som Nosso, uma banda formada pelo ex-Incríveis Manito que pontuava seu som no rock progressivo. Manito, Pedrinho e Pedrão faziam um som de peso. Música de alta qualidade, ao nível das melhores bandas internacionais. No mesmo ano lançaram o segundo Som Nosso, só que desta vez sem a presença de Manito que havia partido para os Mutantes. Em 1993 os músicos se reuniram novamente para o relançamento deste álbum em cd. Gravaram uma versão de “O Guarani” de Carlos Gomes que embora destoando, entrou como bônus, a faixa extra do cd. “Snegs’ é um disco já bem manjado por rockeiros de plantão e não é mais nenhuma novidade na blogosfera. Contudo, eu vou me dar o direito de tê-lo postado também no Toque Musical. Se você ainda não o ouviu, não perca a oportunidade. Este disco é 1001! 😉
sinal da paranóia
bicho do mato
o som nosso de cada dia
snegs de biufrais
massavilha
direccion de aquarius
a outra face

Sargentelli – Ao Vivo No Oba Oba (1976)

Dando sequência ao nosso ‘drops misto musical’, iremos hoje com o Osvaldo Sargentelli e suas mulatas. De uma certa forma estou também atendendo aos pedidos de algumas pessoas que me escreveram. Como disse, uma hora saí…

Temos assim este lp, um registro ao vivo e sem pausas, na famosa casa de espetáculos Oba Oba, comandada por Sargentelli, logo quando ela foi inaugurada. Como ele mesmo afirmava, o Oba Oba era um ambiente impregnado com o samba. Um ponto de encontro entre a cultura popular afro-brasileira e do morro com a elite da zona sul carioca, turistas do Brasil e do mundo. Com o samba e as mulatas que deixam os gringos loucos, com água na boca (oba, oba!). No disco desfilam diversos sambas cantados pelo próprio Sargentelli em forma de ‘pout-pourri’, mesclados com bate-papos descontraídos, contando suas histórias. Um disco sem interrupção, direto, mantendo todo o clima do espetáculo daquela noite.
Desta vez, como vocês mesmo podem observar, eu não vou colocar a relação das músicas de maneira tradicional. Ao invés disso, neste, vai a contracapa que além do mais é ilustrada por uma bela mulata. Um chamarisco a mais para olhos e ouvidos 😉 Quem não gosta?

Heraldo Do Monte – Cordas Vivas (1983)

Olás! Esta semana eu procurarei ser bem variado, conforme anda o meu espírito eclético musical. No último fim de semana acho que ouvi mais música que o de costume. Talvez até prolongue por mais tempo, afinal quando falamos de música popular brasileira temos um leque de possibilidades que não se limita apenas à bossa e samba. Assim, se ontem fomos de Dick e Claudette, hoje iremos com o instrumental do Heraldo do Monte. E que instrumental, diga-se de passagem!

“Cordas Vivas” é um álbum muito bonito, a começar pela capa ilustrada com a pintura do artista plástico Michinori Inagaki. Tinha que ser, afinal um disco do Heraldo merece uma capa a altura de sua música, ainda mais neste disco onde temos a participação especial do ‘Mago do Som’, Hermeto Pascoal e do não menos mágico Edson José Alves que segura no ‘ovation’ da primeira à última faixa do lp. A música de Heraldo do Monte é recheada de sotaques nordestinos e ao mesmo tempo é universal. Não tem como errar. Não há como desagradar, é mesmo linda. O álbum traz apenas Heraldo, Edson, Hermeto (em duas faixas) e Pernambuco no triângulo e percussão. É difícil, para mim, destacar esta ou aquele música. Posso dizer com certeza, “Cordas Vivas” é um disco bom de cabo a rabo. Confiram aí…
caboclo elétrico
mordida de abelha
moreneide
valsa pra tutuca
mareado
esperando a feijoada
pingo a pingo
coisa de lá
teia de aranha
um cantinho e dois violões
fugidinha pro d’alma
giselle
lágrima nordestina
dois na brncadeira

Dick Farney & Claudette Soares – O Amor Em Paz (1987)

Olá amigos, bom dia! Começamos a segunda-feira num pique total. Tem que ser, porque um novo semestre nos aguarda e a gripe suína não pode nos parar. Vamos trabalhar!

Quero antes de tudo, aproveitando o momento, dizer que várias postagens que estavam com seus respectivos links vencidos já foram revistos. Obviamente, o primeiro sinal vem de vocês. O “peça o link” funciona direto e a reposição é de no máximo 24 horas. Outra coisa que quero chamar a atenção é o fato de que os buscadores de pesquisa do blog não anda funcionando de acordo. Procurar um disco ou artista por eles é perda de tempo. Sugiro a pesquisa pela letra inicial, conforme se pode ver na barra lateral à direita, logo a baixo de “Arquivos do Blog”. Assim que eu tiver um tempinho, pretendo criar um index mais eficiente, fácil para localizar os arquivos de nosso acervo. Tem gente que ainda não faz idéia do que está perdendo.
Seguindo em frente, vamos com o Dick Farney em dupla com a Claudette Soares neste álbum que eu ainda não vi por aí, “O amor em paz”. Não tive tempo de confirmar, mas acredito que este disco é na verdade uma coletânea, reunindo algumas das gravações que a dupla fez nos anos de 1976 e 77, respctivamente para os álbuns, “Tudo isso é amor” volumes 1 e 2. Em 1993 esses dois discos foram remasterizados e lançados em conjunto no formato cd. Um belo álbum que com certeza irá agradar. Confiram…
preciso aprender a ser só
apelo
este seu olhar
castigo
nós
chuva
o amor em paz
minha namorada
fotografia
fim de caso
demais
o que é amar
de você, eu gosto
somos dois

Carlos Drummond de Andrade – Interpretado Por Lima Duarte E Roberto Corrêa (1987)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje é um domingo especial, é o Dia dos Pais! Deixo aqui, logo de início, as minhas saudações à todos e ao meu que já se foi. Parabéns senhores pais! Eu também, logo cedo, fui surpreendido ainda na cama pelo meu amado filhão. Ganhei até um presente. Ganhei um livro que há muito vinha namorando, “1001 Discos Para Se Ouvir Antes De Morrer”. Quem gosta de música pop/rock, discos e coisas assim, não podem deixar de tê-lo. Não se trata obviamente do essencial ou do que realmente vale a pena em termos de discos, bem porque ele só contempla, em sua maioria, álbuns americanos e ingleses. Mas nos dá uma boa visão de alguns dos discos que mais se destacaram a partir dos anos 50, indo até os dias atuais. Como um bom virginiano (ou seria mal?) não deixo de fazer minhas ‘crítiticas’. Começando pelo formato do livro, algo próximo do 18×24 cm para um número de páginas que chegam quase a mil. Depois da primeira folheada ele começa a ficar desformado, descola e perde aquele ‘status’ de ‘finebook’, uma pena. Tem que abrir pouco e folhear com cuidado. Ideal seria o formato utilizado no 300 do Gavin. Quanto ao conteúdo, vejo ao ir passando suas páginas o que disse logo de início, só há vez para discos de língua inglesa, em sua maioria. Citação a algum brasileiro ficou só no Tom Jobim, João e Astrud Gilberto e um único disco dos Mutantes. Não que eu queira puxar a sardinha, mas em se tratando de música, deixar o Brasil fora dessas, chega a ser um sacrilégio. Por outro lado eu procuro entender a proposta do livro e a cabeça dos gringos. Sei que no fundo a música que reina no mundo nos últimos 50 anos é o pop e o rock. Esta passou a ser a linguagem musical universal. Toda a música jovem lá fora (para não falar aqui dentro) está baseada no pop/rock. Daí, pensar na inclusão de artistas nacionais seria pedir muito. Tudo bem, tá valendo…. Dos 1001 discos ali apresentados, posso dizer que bem mais da metade eu já ouvi ou tenho em minha coleção. Outros eu nem conhecia e outros ainda eu nem faço questão de ouvir, acho que morreria ao fazê-lo. Seja como for, apesar dos pesares, este livro não deixa de ser uma ótima pedida. Ironicamente, é nessas horas que eu penso: puta merda, nossa música é um tesouro! É prata, é pura, é ouro! Não podemos deixá-la de lado, esquecida e suplantada por ritmos alienados. Viva a música brasileira!

Bom, agora vamos ao principal… voltemos a postagem do dia. Hoje, especialmente comemorando o Dias dos Pais, resolvi contrariamente postar um disco de poesia. Acho que pode ser um bom presente para o papai. Vamos com a poesia de Carlos Drummond de Andrade neste álbum promocional, interpretado pelo ator Lima Duarte e fundo musical do mestre da viola caipira, Roberto Corrêa. Este disco foi feito especialmente como brinde de aniversário da empresa Makro no seu aniversário de 15 anos e oferecido aos seus clientes e fornecedores. Portanto, não é um álbum comercial e muito menos conhecido do grande público. Um brinde que agora eu repasso à vocês, papais e filhos. E tenham um bom domingo!
poema das sete faces
no meio do caminho
sentimento do mundo
confidência do itabirano
cidadezinha qualquer
josé
em face dos últimos acontecimentos
certas palavras
o enterrado vivo
consolo na praia
também já fui brasileiro
a vida passada a limpo
encontro
para sempre
obrigado
amar
quadrilha
canção para ninar mulher
quero me casar
estes crepúsculos
toada do amor
amor, sinal estranho
o quarto em desordem
quero
amor e seu tempo
coitosob o chuveiro amar
ainda que mal

Dalto – Muito Estranho (1982)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos! Hoje, sábado, é dia de feira do vinil em Belo Horizonte. Fui convidado e não irei faltar. Quem sabe aparece alguma coisa diferente e interessante para eu trazer aqui para o Toque Musical. Desta vez, pretendo fazer um registro do evento e vou publicar aqui para você verem. Quem está na cidade e gosta de música não pode faltar à festa. Eu já estou indo, mas não sem antes deixar aqui a postagem do dia.

Hoje iremos com o Dalto, um artista do qual eu gosto muito. Sinto que ele nunca teve seu merecido reconhecimento pela ‘crítititca’ e os meios de comunicação como a tv. Isso realmente é muito estranho, pois o cara é um artista com um público fiel, cheio de composições de sucesso, tanto em sua voz quanto na dos mais diversos intérpretes. Está na estrada não é de hoje. começou como integrante do grupo de rock Os Lobos. “Muito Estranho (Cuida bem de mim)” foi seu primeiro lp, lançado em 1982. Um álbum bem produzido que trazia além do sucesso, a faixa título, outro hit já bem conhecido, a música “Flash Back”, gravada em compacto ainda nos anos 70. Me parece que a gravação é a mesma do compacto. Vão conferindo aí que eu preciso ir… a feira me espera. Tô levando um penca de rock’n’roll, raridades internacionais que espero, vão salvar o dia. Deixa eu ir…
muito estranho (cuida bem de mim)
club central
falta dizer
salto alto
relax
pernas para o ar
pronto pro teu amor
bocas fatais
flash back
rock rouco
curta metragem (vinheta final)

Êta Nóis! (1984)

Muito bem, hoje eu estou começando mais cedo que de costume. Aliás, a essa hora eu deveria estar dormindo, mas o sono não veio eu fui ficando… São agora quase 1:30 da manhã. Acredito que esta postagem só estará finalizada daqui a algumas horas. Sem pressa… Vou sair agora, dar um ‘tapa na onça’ e volto, tomo uma dose de Dranbuie, fico babando de sono e vou dormir. Êta nóis! – pausa de seis horas…

Retomando… onde parei? Ah, sim, estamos na postagem do dia e hoje vai ser a vez dos independentes. Vou trazendo para vocês este disquinho que é uma delícia de se ouvir. Um álbum produzido por uma turminha de artistas singulares. Gente que fez a minha cabeça com sua música simples, direta e encantadora. Gente que sempre batalhou para levar ao público uma arte musical rica de vivências, acima do convencional. Uma outra música que se faz no Brasil.
“Êta Nóis!” é o que se pode chamar de um álbum cooperativo, envolvendo uma turma de artistas oriundos de vários cantos do Brasil, ligados pela mesma emoção e espírito musical. Uma produção singela no sentido da pureza, mas de uma extrema sensibilidade e muitas qualidades, que se destacou entre tantos discos lançados naqueles (medonhos) anos 80. Fazem parte deste trabalho a dupla Luli e Lucina, que eu já apresentei aqui em pelo menos uns dois discos (maravilhosas). São elas que encabeçam o projeto que traz também os irmãos Jean e Paulo Garfunkel, outra dupla talentosa pouco divulgada além da estratosfera paulista. Tem o mato-grossense zen, Bené Fonteles, que é uma jóia rara. A compositora sergipana Joésia Ramos, criadora do “forró rabecado”que é um misto de suas composições com a dos mestres da cultura popular nordestina. Tem o grupo paulista de Araraquara, Flor do Campo (do qual eu não sei nada, me desculpem!). Tem também a Marta Strauch (seria a artista plástica carioca?), parceira aqui do indomável e saudoso poeta Paulo Leminski na faixa “Moto Contínuo”. Além dos titulares, o disco ainda traz como convidado especial, Ney Matogrosso, cantando a faixa que dá nome ao lp. Não bastasse as ilustres figuras, ainda temos nos bastidores nomes como Natan Marques, Milton Edilberto, Murilo Fonseca e outros que vocês poderão conferir ao fazerem este contato quase mediúnico pelo Rapidshare 🙂 Confiram…
mazzaropi – jean e paulo garfunkel
lira mulata – luli e lucina
amor roxo – joésia
lua pequena – flor do campo
moto contínuo – marta strauch
êta nóis! – ney matogrosso e luli e lucina
gosto que eu gosto – jean e paulo garfunkel
barcos e beijos – joésia
dentro da nuvem – bené fonteles
viola apocalíptica – flor do campo

Os Grandes Momentos – O Fino… (1978)

…E por falar em coletânea fina, aqui vai mais uma que com certeza irá agradar aos amigos cultos e ocultos. Literalmente o fino da música popular feita no Brasil. Temos hoje este disco onde estão reunidos vários dos nossos grandes nomes em momentos ao vivo e que foram transmitidos pela televisão nos anos 60. Não tenho muita certeza (e nem vou tomar meu tempo pesquisando), mas acredito que esses registros fazem parte do saudoso programa da TV Record, “O Fino da Bossa”, comandado por Elis Regina e tendo sempre ao lado o Jair Rodrigues e o Zimbo Trio. Este foi, sem dúvida, o melhor e mais completo programa de música da televisão brasileira. Num tempo em que as emissoras de tv podiam se dar ao luxo contratar e ter em seu ‘cast‘ centenas de artistas de alto nível e de renome. “O Fino da Bossa” estreou em 1965 e durou por quase três anos, com apresentações transmitidas diretas do Teatro da Record onde o programa acontecia, sempre nas segundas-feiras. Um outro diferencial do programa era o tempo de duração, chegava a quase três horas! E a Elis cantava como nunca. Ela era a grande estrela que lotava o teatro toda a semana. Programas igual a este eu nunca vi igual, bons tempos, heim? Confira aí a bolacha, pois eu acredito também que há faixas aqui nunca antes ouvidas além daquele tempo. Taí uma das coisas boas de coletâneas, sempre tem uma azeitona a mais 🙂

pout pourrielis regina e jair rodrigues
pau de arara – ary toledo
opinião – nara leão
pedro pedreiro – quarteto em cy
reza – edu lobo
upa neguinhozimbo trio
pout pourrielis regina e jair rodrigues
porta estandarte – geraldo vandré e tuca
olê olá – chico buarque
dá-me – dorothy
samba em prelúdio – agostinho dos santos e rosana toledo
preciso aprender a ser só – os cariocas

Tons Do Brasil (1984)

Para os amantes da música instrumental, eu hoje estou trazendo este disquinho promocional que é o fino! Trata-se de uma coletânea reunindo alguns dos nossos mais expressivos e talentos músicos instrumentistas, interpretando obras consagradas do nosso repertório popular.

Um amigo, ao ouvir o disco ficou encantado, mas me perguntou se ao apresentá-lo no blog eu não deveria “remasterizar”, dar um trato no som do vinil. Para ele o som do vinil com seus estalinhos característicos não é legal. Talvez não seja mesmo, afinal os estalos não fazem parte da música. Mas acontece que a música faz parte do disco e é baseada nele, no fonograma em formato de vinil, cd ou fita magnética. O barato está aqui… Quem quiser que dê o seu ‘trato’.
Sem muitas ‘delongas’, vamos conferir o que temos em “Tons do Brasil”. Uma seleção especial que não se encontra fácil por aí. Olha só…
lamento – heraldo do monte
conversa de botequim – nelson ayres e roberto sion
casinha pequenina – odette ernest dias
manhã de carnaval, felicidade e samba de orfeu – laurindo almeida
tenebroso – edu da gaita
marina – tania maria
viola enluarada – marcos valle
melodias brasileiras – edu da gaita
bachiana n.5 – edson josé alves
disparada – paulinho nogueira
tatuagem – nelson ayres e roberto sion
as rosa não falam – joão maria de abreu

Bethania Gil Gal Vandré & Caetano – MPB Espetacular (1975)

Olá amigos cultos e ocultos, bom dia! Hoje eu trago para vocês esta curiosa e muito interessante coletânea lançada pela RCA Victor em 1975 (me parece que originalmente foi lançado em 1970). Trata-se de uma seleção rara, pouco comum de se ver. Nela temos os quatro baianos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethania e Gal Costa em um de seus primeiros momentos, ainda nos anos 60 quando gravaram pela Victor. No meio das faixas dos baianos vem uma única, “Disparada”, ao vivo, do paraibano Geraldo Vandré, acompanhado pelo Trio Marayá. Como não poderia deixar de ser, uma coletânea um tanto incompleta como é comum à discos desse tipo feitos no Brasil. Não há exatamente um critério de seleção, ou melhor, uma produção criteriosa. Juntam o que tem à mão e mandam ver… Mas independente disso tudo, não deixa de ser um excelente disco reunindo momentos raros. Taí um disco que eu cheguei a ver no Mercado Livre por 5 reais. Tá barato, sem dúvida (e talvez por ser coletânea e sabe-se lá em que estado), mas é um vinil com um conteúdo reunido raro, que vale muito mais do que aparenta. Independente de qualquer coisa é mais um disco que merece o nosso toque musical. Toca aí… 😉

samba em paz – caetano veloso
sim, foi você – gal costa
procissão – gilberto gil
nunca mais – maria bethania
disparada – geraldo vandré
no carnaval – maria bethania
roda – gilberto gil
eu vim da bahia – gal costa
cavaleiro – caetano veloso
eu vivo num tempo de guerra – maria bethania
iemanjá – gilberto gil
pra que mentir – maria bethania

Uma Noite No Bataclan (1975)

Olá amigos cultos e ocultos! Começando a semana, aqui vamos nós para mais uma jornada… As férias se foram e as obrigações se acumularam. Volto à minha rotina, sempre correndo, sempre com pouco tempo. Ontem nem tive como preparar algumas novidades (ou raridades?). Terei que recorrer à minha reserva de gaveta.

Hoje iniciamos com este disco, muito interessante, lançado pela Som Livre em 1975. “Uma Noite No Bataclan” foi uma espécie de continuação musical da trilha da novela Gabriela, escrita por Walter George Durst, numa adaptação do romance “Gabriela, Cravo e Canela” de Jorge Amado. Bataclan era o nome de um famoso cabaré e cassino em Ilhéus, frequentado pelos coronéis na década de 20. Na novela era o ponto de recreação e encontro dos ‘senhores da cidade’, o cabaré e bordel onde todos se encontravam para beber, conversar sobre política, dançar e namorar com ‘as moças’ da casa. Através da novela este famoso e memorável reduto se tornou ainda mais conhecido e seu nome seria adotado em diversas casas noturnas pelo Brasil a fora (eu mesmo conheço uns três). Mas o Bataclan baiano foi inspirado no francês e hoje em Ilhéus é um centro cultural. Devido ao sucesso da novela e seus ícones, a Som Livre lançou esta coletânea boêmia associada ao Bataclan. Embora não corresponda à música da época, me parece, foi o suporte complementar musical que trilhava algumas cenas da novela naquele ambiente. Nesta seleção variada encontraremos as seguintes músicas e intérpretes:
a volta do boemio – nelson gonçalves
malagueña – los indios
vingança – linda batista
siboney – orquestra serenata tropical
bigurrilho – jorge veiga
mano a mano – carlos lombardi
o meu boi morreu – cravo e canela
bar da noite – nora ney
história de un aor – pepe avila y los bronces
castigo – roberto luna
mambo jambo – perez prado
tortura de amor – waldick soriano
perfume de gardenia – bienvenido granada
jura – altamiro carrilho

Novos Baianos – Praga De Baiano (1977)

Hoje eu acordei pensando no que iria postar. Existem alguns discos que independente de já terem sido amplamente divulgados, ainda merecem uma segunda chamada (ou seria terceira ou quarta?). Não se trata de uma falta de opção, pois temos ainda milhares de títulos a serem apresentados e realmente não me interessa postar coisas que estão em catálogo ou dando sopa por aí. Acontece, que além das coincidências, existe o meu desejo de ter também aqui títulos na sua integralidade e de maneira correta. Se tem uma coisa que me dá nos nervos é baixar algo que muito me interessa e depois perceber que faltou isso ou aquilo. No meu entender e como ponto fundamental deste blog, o que é postado aqui não é somente a música, mas também todo o conceito que a envolve, fonograficamente falando. Quanto mais dados tivermos a respeito do disco melhor. Assim, aqui vou eu batendo na mesma tecla. Dó, ré, mi, fá…

Segue então este álbum dos Novos Baianos que era para ter entrado nos dias de carnaval, mas acabou ficando de fora. “Praga de baiano” foi um dos últimos discos da banda, que nessa altura já estava desfalcada de Moraes Moreira e Galvão. Este disco abriu as portas para um novo momento, o dos trios elétricos. Os Novos Baianos, liderados por Pepeu Gomes, passaram a fazer parte das festividades carnavalescas de Salvador de uma forma ainda mais intensa e explícida a partir deste disco. Segundo contam, Baby Consuelo foi a primeira cantora a fazer o povo tirar o pé do chão na Praça Castro Alves. Uma época em que não havia o Axé e nem Ivetes Sangalos.

Aproveitando o ensejo, estou incluindo este compacto duplo, lançado posteriomente pela CBS para o Carnaval de 1979, onde encontramos os últimos ecos de uma década cheia de muita ‘porraloquice’. Neste temos também o mesmo espírito de “Praga de baiano”, trio mais que elétrico. Um disco sem compromisso com carreiras, que nestas alturas já corria para individual. Já estavam todos com seus projetos solos, criando filhos e outras ‘coisitas mas’.

Os Novos Baianos só voltariam a se encontrar integralmente uma década depois, exatamente no Carnaval de Salvador de 1990. Em 97 eles se reuniram novamente para gravar o álbum duplo “Infinito Circular”. Será que ainda rola mais um?
praga de baiano
vassourinha
o clube do povo
haroldinho, filho e peixe
o petroleo é nosso
caia na estrada e perigas ver
campeão dos campeões
o patrão é meu pandeiro
pegando fogo
luzes do chão
pout-pourri
Compacto:
casei no natal, larguei no reveillon
pra enlouquecer na praça
alibabá, alibabou
apoteose do trio pra dodô

Painel De Controle – Desliga O Mundo (1978)

Bom dia! Hoje eu acordei meio de ressaca depois da festança de ontem. Ao contrário do que sempre acontece, desta vez foi o Toque Musical que ganhou muitos presentes. Mas como já fazia a minha tia, vou repassar todos para vocês (hehehe…). Ontem, no ‘batidão’, rolou muito som dos anos 70 e na inspiração, no clima da ‘night’, resolvi que postaria hoje o memorável disco do grupo Painel de Controle, “Desliga o Mundo”. Digo memorável porque me fez lembrar de velhos tempos, da cena dance, discoteca e embalos de sábados a noite. Quando saiu pelas caixas o balanço de “Black Coco” eu disse a mim mesmo, “vai ser este o post de amanhã!”. Embora já tenha sido rodado em outras tantas ‘pick ups’, “Desliga o Mundo” é o disco ideal para o nosso sábado no Toque Musical. Por certo vai haver aqui muitos que ainda não o ouviram. Na época em que este álbum saiu eu não dei muita bola. Eram tempos em que eu não ouvia música com outros olhos, tinha lá minhas restrições. Além do mais este grupo foi muito boicotado pela ‘crítitica’ da época. Havia um certo preconceito, sei lá… Mas nada como o tempo para fazer as coisas amadurecerem (só não pode deixar caducar, que fica melhor ainda).

O Painel de Controle surgiu no final dos anos 60, vindo do subúrbio carioca. Em 78, com uma nova formação, gravaram este que foi o seu grande disco de sucesso. Puxado pelo ‘hit’ “Black Coco”, tema de uma novela da Globo, a banda finalmente alcançou seu maior destaque. Acredito que depois deste álbum a turma se separou. “Desliga o Mundo” foi um disco muito bem produzido, começando pelo diretor de criação que era o Osmar Zan. Os arranjos e a regência são de Lincoln Olivetti. Confesso que gostei de ouvir novamente o Painel de Controle. A voz do Papi (vocalista) me fez lembrar o Manito do Som Nosso… Bons tempos…
black coco
malandrinha
meu destino mudou
coisas bobas
desliga o mundo
chegue, chegue, chegue (mais perto)
cada um na sua
sombras na parede
quero mais um rock’n’roll
vem
amantes

Grupo Ponte Aérea – Ponte Aérea (1981)


Bom dia meus caros amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente, retomando nossas atividades dentro do maravilhoso universo fonográfico e musical nacional. Recomeçar numa sexta-feira não podia ser melhor, afinal, dos dias da semana este é o que dá mais ‘ibope’. Além do mais, hoje, o Toque Musical está completando 2 anos de atividades! Confesso que não esperava chegar até aqui, principalmente mantendo o blog ativo diariamente, com postagens muitas vezes inéditas em discos. Ao longo desse tempo percebo quanta coisa aconteceu, o quanto foi bom para mim o exercício musical e o da palavra. Tenho aprendido muito lendo, ouvindo e escrevendo. Através do blog fiquei conhecendo muita gente bacana, vocês meus eternos amigos cultos e ocultos, como sempre me refiro. Encontrei por aqui e através da música pessoas formidáveis que sempre me apoiaram (e sei que o fizeram não apenas pelo que eu tenho a oferecer, mas pela simpatia, pela empatia ou semelhança). Fiz amigos e até troquei figurinhas. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente artistas que sempre admirei e descobrir tantos outros admiráveis.

Quando eu disse não ganhar nada com o Toque Musical eu menti. Na verdade eu ganho muito, mas não é dinheiro não. Eu ganho amigos, que é muito melhor. Eu ganho prazer, satisfação e muita alegria. Vocês não fazem ideia, mas isso aqui é muito terapêutico. Se estamos aqui já há dois anos, pode crer, não foi graças aos inúmeros discos que tenho, mas sim a vocês. Obrigado pela presença e apoio! Parabéns para todos nós!
Seguindo… e voltando pela ponte aérea, não me lembrei de nada melhor que o Grupo Ponte Aérea. Retornando, verifiquei (para meu espanto) que até hoje ninguém postou esta jóia do instrumental nacional. Pelo menos até onde eu o procurei, não vi postando por nenhum outro blog, este que foi o primeiro disco do grupo que era até então a banda de apoio da dupla Sá & Guarabyra. Lançado em 1981, o Ponte Aérea surgiu em grande estilo, numa produção vigorosa que fez esta nave subir num vôo perfeito. Formada por Constant Papineanu (teclado), Beto Martins (violão e guitarra), Pedro Jaguaribe (baixo) e Nonato Teixeira (bateria e percussão), esta turma tem estrada. Só para nos situarmos: Constant foi integrante do Peso, grande banda de rock dos anos 70; Beto foi dos grupos Flor de Lotus e Apaluza, rock paulista e carioca dos anos 70; Pedro Jaguaribe tocou no Lôdo e Veludo ao lado de Lulú Santos, Fernando Gama e Túlio Mourão; finalizando com Nonato Texeira, grande batera que tocou com muita gente, inclusive Raul Seixas. A Ponte Aérea lançou apenas dois discos, sendo o primeiro, sem dúvida, o melhor. Todas as músicas são composições próprias, exceto “Brilho das pedras” de Sá e Guarabyra e”Rio da rã”, cuja a letra é de Guarabyra. A dupla do rock rural também participa do disco como convidados especiais, além dos sopros de Roberto Sion, Hector Costita, Marco Bosco, Paulinho, Otávio Bangla, Boccatto, Lino e Claudio Farias.
Para não ficarmos em meia boca, resolvi incluir o segundo álbum, que também é muito bom, mas já foi mostrado em outros blogs. Apenas para aqueles que ainda não o viram ou ouviram. Espero que vocês gostem 🙂 No mais, vamos ao bolo… vamos soprar as duas velinhas…
maracanã
movimento das ondas
rio da rã
mandrake
rio comprido
brilho das pedras
benvinda
promenade
baião I
bananal