Beto Mi (1983)

Compositor, cantor, arranjador, regente, produtor e diretor musical. Este é o perfil de Beto Mi, nome artístico de Humberto Miranda Neto, paulista de Guaratinguetá, nascido em 4 de julho de 1958. Filho de funcionários públicos, que também tocavam acordeom e piano, é primo dos músicos Sérgio, Geraldo e Marcelo, e das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Ainda menino, o nosso Beto dedilhava intuitivamente o acordeom de seus pais, repetindo sons ouvidos na casa de um vizinho que tocava sanfona. Na adolescência, participou de corais, bandas marciais e grupos musicais que, entre outras coisas, tocavam em missas jovens na região. Nos anos 1970, mudou-se para a capital paulista, e cursou alguns períodos da Faculdade de Música e Educação Artística do Instituto Musical de São Paulo. Frequentou bares de estudantes e a noite paulista, e atuou como diretor musical do Teatro Experimental Universitário (TEU). Em seguida, começou a participar de festivais de música, tendo sido premiado em vários deles como compositor e intérprete. Em 1982, venceu o festival de Ubá (MG) com a música “Ói u trem”, e a convite de diretores da RCA presentes ao evento, gravou um compacto simples distribuído somente no estado de Minas. Um ano depois, novo single, agora com distribuição nacional, e em seguida vem o primeiro LP, justamente o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, produzido por Durval Ferreira e dedicado ao irmão de Beto Mi, Lucas. O disco tem as participações especiais do saxofonista Hector Costita, de Ubirajara (bandoneon) e do percussionista Mílton Banana, recebeu elogios da crítica e vendeu mais de cem mil cópias. Ainda em 1983, participou do III Festival do Disco Visão, em Canela (RS). Residiu durante algum tempo no Nordeste, época em que lançou os discos “Espelhos” e “Um tempo pra sonhar”. Ao todo, tem sete álbuns gravados, entre LPs e CDs, e um DVD, em seus mais de 35 anos de carreira artística, nos quais armazenou diversas vitórias e conquistou vários amigos e parceiros (Sá & Guarabyra, Vanusa, Ronnie Von, Ivan Lins, Flávio Venturini etc.), com seu trabalho e sua simplicidade. Além de cantar e compor, Beto Mi criou e desenvolveu o projeto educativo, cultural, musical e ambientalista “Planeta caipira”, em parceria com a Fundação Abrinq e a ONG SOS Mata Atlântica, o que resultou em um CD lançado em 2003. Desde 1997, atua ainda como professor, arranjador, maestro e regente dos corais do Instituto Salesiano Nossa Senhora do Carmo e Albert Einstein/Objetivo, em sua Guaratinguetá natal.  Enfim, este primeiro álbum de Beto Mi, que o TM oferece a vocês hoje, documenta o promissor início de carreira deste notável músico da MPB. É ouvir e conferir. 

anjo da guada
oi u tem
o ano que virá
companheiro
o poeta (vandré)
apocalipse
prá não dizer que não falei de verso
o canto do curupira
luzes do extermínio
coração do mundo

* Texto de Samuel Machado Filho

Carlos Walker – Frauta De Pã (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Entramos em dezembro, a reta final para o fim de ano. Eu, de cá, já comecei a preparar a casa, digo, o blog para começarmos 2012 com mais vitalidade, uns retoques aqui, outros ali… novos projetos, ideias e parcerias. Continuamos bombando, sempre! Como vocês devem ter percebido, as mudanças já começaram. Aliás, essas mudanças começaram desde de aquele fatídico dia de setembro, em que o Toque Musical foi tirado da rede. Posso dizer que a partir de então começamos um novo blog. No cabeçalho tradicional de fim de ano eu também inovei, incluí nossa nova meta, o “Grand Record Brazil”, o selo virtual do TM, que contará em suas postagens semanais com um verdadeiro conhecedor da história fonográfica e musical brasileira, nosso já conhecido comentarista, o Samuca. 2012 promete!

Para hoje, vamos com um disco muito bacana, “Frauta de Pã”, do músico, escritor (e astrólogo) Carlos Walker. Ele começou a cantar no final dos anos 60, através de festivais. Em 1974 teve sua música, “Alfazema”, incluída em uma novela da Rede Globo. A música fez um relativo sucesso e contava com arranjos de Waltel Branco. Essa música abriu a chance de Walker gravar pela RCA Victor o primeiro lp, este, chamado “Frauta de Pã”. Neste álbum ele conta com um elenco de primeiríssima: João Bosco, Hélio Delmiro, Piry Reis, Gilson Peranzetta, Zé Roberto Bertrami e outros… Há também os arranjadores, Radamés Gnatalli, Alberto Arantes e Laércio de Freitas. Com um time desses, difícil alguém dizer que o disco é ruim, muito pelo contrário.

Nesta postagem e num pacote só estão incluídos o lp e o compacto, assim vocês poderão comparar as duas versões da bela “Alfazema”. Confiram o toque 😉
a frauta de pã
serenata do meio dia
estrada da intemperança
pote de mel
via láctea
cidade americana
o cavaleiro e os moinhos
modinha
debaixo do sol
um dia
alfazema
Bonus compacto:
alfazema
dizem

Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Candeia & Elton Medeiros – Quatro Grandes do Samba (1977)

Este disco é uma maravilha! Quatro feras do samba num registro histórico. Um álbum já conhecido por toda a comunidade blog-musical, mas que eu faço questão de apresentá-lo aqui no TM. Este lp só tem um ‘grave defeito’, não é um álbum-duplo. Num ‘encontro’ assim, bem que merecia. Tenho a impressão que os quatro juntos tocando no disco, só mesmo na ilustração da capa (mais uma vez, me corrija se eu estiver errado). O Candeia só canta suas composições. A gente não percebe sua participação em outros momentos. Mas mesmo com o aparente encontro-montado o disco não perde o seu encanto. Quem não conhece, tem aqui a chance…