Camiranga – Da Afonso Pena À Paulista (2011)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Chegamos a mais uma sexta feira independente e como na semana passada, nesta também temos um lançamento, disco novo no pedaço 😉 Hoje iremos com o novo disco do grupo mineiro Camiranga, chamado “Da Afonso Pena à Paulista”. Eles estarão lançando o álbum em São Paulo, no auditório do SESC Pinheiros, no próximo dia 24 de novembro. Tenho certeza que depois de ouví-los, através do disco que eles generosamente nos enviaram, quem estiver em Sampa, não irá perder. Além de um ingresso barato, quem estiver por lá vai presenciar o que há de melhor na criatividade musical mineira. Eu ouvi o disco e aprovo (e sem bairrismo, eles são ótimos).

O Camiranga surgiu em Belo Horizonte, um projeto idealizado pelos músicos Léo Nascimento e Fernanda de Paula, que antes eram integrantes dos grupos Sagarana e Madeira de Lei. Foi a partir de 2007 que eles adotaram o nome de Camiranga e chegaram a lançar um cd, o qual, infelizmente, não chegou a tempo em minhas mãos. Para compensar, estou incluíndo também esse primeiro trabalho. Assim, quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-lo, vai também poder ouví-lo juntamente com o novo.
“Da Afonso Pena à Paulista”, se refere às duas principais avenidas das cidades de Belo Horizonte e São Paulo. Uma certa migração do grupo, um vôo mais alto em busca de novas oportunidades, uma transição natural para quem quer crescer. E nesse sentido, o nosso urubú está cada vez voando mais alto e bonito.
A música do Camiranga, eu diria, não é fácil de classificar, mas é fácil de identificar. A sonoridade mineira continua presente, talvez até mais neste segundo disco, por consequência da própria necessidade de afirmação do grupo, que agora se encontra trabalhando em São Paulo. Há aqui uma busca de fusão, um estranhamento inicial, mas que se amálgama perfeitamente nesta paulicéia desvairada. Confiram os discos e estando em Sampa, não percam o show. Vale a pena 😉
banzo brabo
curral
palavra
raça
desacordo
mar de morros
libercanto
peixe tolo
rei galanga
boto
boca miúda
da afonso pena à paulista
espiral do caminho

Silvio Caldas – A Estória Da Música Popular Brasileira Vol. 1 (1987)

Se vocês pensaram que o disco anterior foi o álbum do dia, se enganaram. Para hoje, vamos mesmo é de Silvio Caldas. Temos aqui um disco interessante, gravado ao vivo no restaurante Inverno & Verão, o mesmo onde outros grandes artistas como Dick Farney, Tito Madi e Raul de Souza se apresentaram e tiveram lançados em disco esses shows. Da mesma forma, este show de Silvio Caldas virou disco. É interessante notar que o álbum segue o mesmo caminho de um outro disco do artista, gravado ao vivo em 1973, também chamado “Histórias da Música Popular Brasileira”. Silvio Caldas, de uma certa forma, não deixava de ser uma enciclopedia musical, testemunha viva dessa história, quando não, também seu protagonista. O disco é um encontro com o artista, uma conversa musical bem agradável. No álbum informam ser este o primeiro volume. Sinceramente, eu desconheço a existência de um segundo volume. Talvez até exista mesmo, eu é que não fui procurar. Segue assim o nosso ‘post’ musical da quinta feira. Divirtam-se!

aquarela do brasil
onde o céu azul é mais azul
viva meu samba
maria
risque
vou andando
sarambá
goodbye
cinema falado
lenço no pescoço
rapaz folgado
palpite infeliz
dá nela
rancho fundo
serra da boa esperança
nunca mais
as rosas não falam
perfil de são paulo

A Gonfie Vele (196…)

Olá amiguíssimos! Ontem eu acabei furando com vocês. Na verdade, acho que furei comigo mesmo. Havia prometido uma postagem extra, mas acabei não fazendo. Felizmente, não houve reclamação, o que me leva a crer que isso é mesmo uma preocupação só minha. Melhor é eu relaxar e entrar na dança…
Estou postando aqui este álbum lançado pela Fermata na década de 60. Não achei informações sobre o dito cujo, mas até onde importa, “A Gonfie Vele” é uma coletânea lançada originalmente pelo selo italiano Style. Saiu no Brasil através da Fermata e fez muito sucesso. Aliás, as músicas dessa coletânea é que foram sucesso. Temos aqui John Foster cantando “Amore Scusami”, Leo Sardo com “Tu vivevi per me”, Vanna Scotti no tema de Godfinger e outras belas… Mas peraí, vocês devem estar se perguntando o que este disco tem a ver como as postagens do Toque Musical, não é mesmo? De uma certa forma não há nada, além do fato de em uma das faixas termos o Juca Chaves cantando em italiano “Piccola Marcia per un grande amore”. Esta gravação deve ter sido feita na época em que ele morou na Itália. Achei interessante postar este disco, pois além do Juca, temos aqui um belíssima seleção, capisci? Controllare il tocco 😉

arriverderci amore mio – john foster
stasera partiro – nelia bellero
piccola marcia per un grande amore – juca chaves
meritero il tuo amore – robert giamba
amore scusami – john foster
tu vivevi per me – leo sardo
a gonfie vele – john foster
i giorni miei – nelia bellero
se tornerai – robert giamba
ho visto pregare il mio amore – vittorio bellani
goldfinger – vanna scotti
bistecche e spinaci – i mimmo’s

Juca Chaves – Personalidade (1961)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Coisa mais curiosa, ao longo desse mês de outubro que passou umas quatro pessoas, em momentos diferentes, me perguntaram sobre o Juca Chaves e este seu disco, o “Personalidade”. Eu tinha por certo que já havia postado o álbum. Diante a confusão e atendendo aos pedidos, aqui vai o tal disco.

“Personalidade” foi seu segundo lp, lançado em 1961, pela RGE, com orquestração e regência do maestro italiano Simonetti. O álbum nos traz algumas de suas personalissimas composições, músicas que marcaram uma época. Algumas, inclusive, vieram a ser relançadas em outra edições e coletâneas, constam inclusive em disco já postados aqui no Toque Musical.
Hoje, se ainda me sobrar algum tempo, vou fazer mais um agrado, uma postagem extra para quebrar o ritmo. Vamos ver se rola…
verinha
que saudade
segurei seus dúbios passos
quando partiste
os teus olhos
verde olhar encantado
mudança de destino
caixinha, obrigado
chapéu de palha com peninha preta
auto retrato
por teu sorriso
se tu soubesses

Gilberto Tinetti – Trio 1960 – H. Villa Lobos E Brenno Blauth (1960)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Na brecha do tempo, lá vou eu…

Para esta terça feira dedicada à música clássica, eu hoje estou trazendo Heitor Villa Lobos e sua “Bachianas Nº 4”, interpretado aqui em piano solo por competente Gilberto Tinetti. Do outro lado do disco temos um raro momento com obras do compositor gaúcho Brenno Blauth, interpretado pelo Trio 1960 (Trio Juventude Musical Brasileira), formado por Luiz Carlos Castro (piano), Wilhelm Martin (violino) e Antonio Guerra Vicente (violoncelo). Confesso que eu não conheço nenhum outro disco com trabalhos deste compositor, o que me leva a acreditar que suas composições estão limitadas a um pequeno círculo de entendidos e estudiosos. Mesmo não tendo muito conhecimento da música erudita no Brasil, sei que Brenno Blauth é coisa rara de se ouvir por aí em discos ou mesmo em apresentações. Sua obra, do pouco que conheço, acho instigante. Já tive o prazer de assistir concertos com a sua música. Ótima para se ouvir depois de um chocolate (salve Tim Maia!). Não deixem de conferir 😉 (o disco também) hehehe…
Villa-Lobos
prelúdio (introdução)
coral (canto do sertão)
ária (cantiga)
dança (miudinho)
Brenno Blauth
chôro
noturno
galhofa

A Fábrica – Trilha Original Da Novela (1971)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ainda na estrada, sem saber direito a que horas eu estarei de volta, vou aproveitar enquanto tomo o café para fazer esta postagem. Hoje iremos com outra trilha de novela, a única que eu tinha à mão, ou melhor, no meu computador.

Vamos com a trilha de “A Fábrica”, novela levada ao ar em 1971. Escrita e dirigida por Geraldo Vietri, teve uma trilha preparada especialmente para o drama e contou para isso com a Grande Orquestra Copacabana e alguns de seus regentes/arranjadores. A trilha é totalmente orquestral com alguns temas criados a partir da música erudita, clássica e outras em arranjos criados pelos maestros Portinho, Leo Peracchi, Renato de Oliveira, Edmundo Vilani, Salinas e Moacyr Portes. Para quem gosta de orquestra, taí um prato cheio. Vão conferindo aí, porque eu aqui já estou de saída.
canção da alegria (baseado no último movimento da 9ª sinfonia, de beethoven
tema da sinfonia nº 40 em sol menor, de mozart
concert for a lover’s ending
cinismo
tema de izabel
nosso primeiro amor
opus nº 3
opus nº 4
a força do amor
or-nan
a canção anti tóxico

Vera Lúcia – Leva-me Contigo (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Para um domingo bonito e de sol como o de hoje, eu trago mais uma vez ao Toque Musical a cantora Vera Lúcia. Há pouco mais de um mês eu havia postado aqui o álbum “Confidências…” desta cantora, lançado pela Sinter em 1959. No ano seguinte ela voltaria em disco, desta vez através da Companhia Brasileira de Discos, que se transformava naqueles anos na gravadora Philips. O álbum foi muito bem produzido, afirmando a qualidade da nova gravadora. Vera Lúcia não entrou nessa por acaso, foi sim uma escolha bem pensada, assim como o repertório, músicos e direção musical (regência e orquestração) que ficou a cargo do Maestro Carlos Monteiro de Souza. Mais uma vez Vera Lúcia se supera, fazendo um disco perfeito, segundo o cronista Ary Vasconcelos no texto de contracapa. Pessoalmente, ainda fico com o primeiro, mas isso é questão de gosto. Independente disso, temos aqui mais um belo trabalho desta, hoje, esquecida cantora. Quem ainda não o ouviu por outras fontes, aproveita agora. “Quem sabe faz a hora, não espera aconteder…”

dói, dói, dói…
só deus
chora tua tristeza
canção de sorrir, de chorar
quando a esperança vai embora
esquecendo você
discussão
leva-me contigo
pela rua
sou feliz
meditação
se eu pudesse ir embora

Instrumental Vol. 1 – Ao Gosto Do Augusto (2011)

Olá amigos cultos e ocultos! Quando a gente está fora de casa, longe da discoteca e surpreendido por algumas eventualidades que nos afastam da rotina produtiva musical, o jeito é apelar para o que se tem à mão. Como hoje é dia de coletânea, o jeito foi eu recorrer ao que eu tinha no meu ‘notebook’. Por precaução, eu sempre trago no meu portátil um pouco dos meus ‘arquivos de gaveta’. Daí, foi só ir selecionando as músicas instrumentais que mais gosto. Obviamente, minha seleção não se limita à vinte e poucas músicas. Por isso foi que eu dei o nome a essa coletânea de Instrumental Vol. 1. Quem sabe, mas adiante, eu resolva criar aqui mais uma seleta instrumental, não é mesmo?

Mais uma vez, criei também a capinha (com direito a contracapa), desta vez utilizando um detalhe de um desenho da minha amiga, a artista plástica e professora Conceição Bicalho. Ficou bacana, vocês não acham?

Pois bem, segue aqui então 23 músicas que eu gosto muito. Temas variados, mas procurando sempre manter entre esses uma unidade, além do fato de serem músicas simplesmente sem vocal. Espero que os amigos apreciem e comentem se estou ou não agradando. Isso faz bem e reanima (ou não), hehehe…
maria fumaça – banda black rio
papasong – azymuth
folk song – marco antonio araújo
metrópole – cesar mariano e cia
azymuth – marcos valle
maracanã – grupo ponte aérea
nordestina – grupo medusa
fábrica – cesar mariano e cia
dear limmertz – azymuth
correnteza – grupo d’alma
metrô – cesar mariano e cia
mr. funky samba – banda black rio
bananal – grupo ponte aérea
o bofe – som ambiente
promessas do sol – oficina instrumental uakti
viver de amor – toninho horta
palhaço – egberto gismonti
latin flute – eumir deodato
cascavel – antonio adolfo
do it again – eumir deodato
viralata – antonio adolfo
freio aerodinâmico – marcos valle
rocking with mocotó – trio mocotó e dizzy gillespie

Dani Turcheto – Madeira Torta (2011)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Vez por outra (e mesmo sem tempo) eu procuro dar uma mexida no blog, inserir alguma coisa, implementar com alguma novidade e por aí a fora… O importante é estar sempre nessa mutação. Aqui, a única coisa que não muda é o visual do avatar Augusto TM. Esse é marca registrada, hehehe…

No sentido de manter a popularidade do Toque Musical eu estou sinalizando para as minhas contas no Facebook e Orkut. Embora eu não tenha a menor paciência com esses sites de relacionamento, sei que são ferramentas importantes e necessárias nesse nosso mundo globalizado. Não sei se terei saco para abrir esses portais do social, mas vou tentar. O Orkut eu já tinha a mais tempo, agora surgiu o primo rico, o Facebook, que para mim, é a mesma geléia. Enfim, estamos aí, sintonizados também com esse público. Por favor, me adicionem… hehehe…
Bom, ainda no pique das novidades, eu tenho outra que vai agradar. Estou fazendo aqui uma promoção e quem vai sair ganhado são vocês, quer dizer, alguns, os mais sortudos 🙂
Há quase dois meses atrás eu postei aqui o primeiro disco do cantor, compositor e sambista Dani Turcheto, que desde então tem feito muito sucesso no Toque Musical, pelo menos no número de acesso ao ‘download’ do seu “Sobremesa”. Como eu havia dito, Dani é um músico que busca uma relação diferente com o público. Eu entendo que o valor de sua arte está nele próprio e que os discos são mais uma consequencia, um produto promocional de sua música e um registro do seu feito. Na sua concepção, o público paga pelo que acha que vale. Considerando essa sua ideia, acho que ele foi muito espertinho, pois só mesmo na ignorância, pãodurísmo ou teimosia alguém diria que sua obra é ruim. Muito pelo contrário, o cara é muito bom. Sua música tem originalidade, qualidade e está acima de qualquer suspeita. Eu, sinceramente, chego a estranhar o fato dele ainda não ter alcançado um maior destaque na mídia. Onde estão os nossos críticos especializados que ainda não ouviram o Dani Turcheto? Será que foi preciso ele lançar mais um excelente álbum para se confirmar o seu talento? Se for isso, então vamos lá… vamos conhecer melhor esse artista da nova geração da MPB. Tenho certeza que vocês não irão se decepcionar, muito pelo contrário. “Madeira Torta” é mesmo uma confirmação de que bom gosto não surge por acaso. Um disco disco ainda mais bem produzido que o primeiro. Gravado em Sampa e em Nova York pelo músico e produtor João Erbetta. As mixagens e masterização também foram feitas nos “States’. Por aí já se vê o cuidado na elaboração desse projeto. Dani também contou com um time de músicos de primeira. Me chamou a atenção também os arranjos, finos! Ele teve a feliz ideia de colocar um Harmmod floreado os seus sambas. Convidou o fera, Jon Cowhert, para tocar o Fender Rhodes e o B3. Putz, como eu gosto do som daquele orgão! Deu um aspecto de nobreza, um misto oscilando entre o moderno e o antigo. Como ele mesmo diz, fazendo samba novo com cara de antigo. Em resumo, temos aqui um discaço! “Madeira Torta” foi lançado em formato CD e vinil (importado!) E é com muito prazer e honra que eu estou divulgado este trabalho, o qual, como disse anteriormente, alguns sortudos poderão ganhar o disco de verdade. Para isso, basta apenas que os interessados entrem para curtir a ‘fan page‘ do artista, no Facebook, comentem que conheceram o trabalho aqui no Toque Musical e que querem receber gratuitamente um exemplar. Agora, para ganhar, o cabra tem que dizer porque prefere o vinil ao invés do cd, ou vice versa. Os autores das melhores frases ganharão os discos. Corram, pois o prazo é limitado! Mas, independente de sorteio, acho que vale a pena adquirir os discos.

madeira torta
um samba em cada esquina
deu zoeira
amor de lágrima
enchente
amanhã ninguém sabe
coração de gato
atol
tempo de voar
festa de reis
você acha que eu gosto?

Tito Madi – De Amor Se Fala (1964)

Bom tarde, amigos cultos e ocultos! Aproveitando a brecha do pós almoço, vamos nós…
Hoje eu trago para vocês, e mais uma vez, o excelente Tito Madi. Tenho aqui um de seus melhores álbuns, lançado em 1964. Foi o disco de estréia do cantor e compositor na Odeon. Um lp dos mais bacanas, que contou com a direção musical, orquestração e regência de Lyrio Panicalli, que por sua vez teve a assistência o então jovem Eumir Deodato. Eumir também participa do disco tocando orgão. No lp encontramos algumas músicas que marcaram a carreira de Tito Madi. Ele regrava seu maior clássico “Chove lá fora”. Ficou mesmo muito boa a versão, mas, pessoalmente, prefiro a gravação e o arranjo da original. Outro destaque é “Balanço Zona Sul”, que viria a ser mais um de seus grandes sucessos.

ah! eu não sei
se meu coração pedir
balanço zona sul
final sem adeus
canção praieira
chove lá fora
vai dizer adeus
garota paulista
rio triste
meu mar
de amor se fala
rio moço

José Tobias – Poema Triste (1965)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos. Hoje é Dia de Finados e talvez, para muitos, não fosse apropriado falarmos de música. Muitos talvez prefiram o silêncio, um momento de reclusão e respeito aos nossos que já se foram. Também compartilho desse momento, penso nos meus pais, irmã, tia, avós e amigos. Mas procuro pensar não quando eles se foram, mas quando eles ainda estavam presentes em minha vida. Daí, não há tristeza. Há, sim, uma saudade e essa vem das boas lembranças. Inevitavelmente, não há como desvincular, na nossa cultura, o dia de hoje com um sentimento de tristeza. Faz parte. Por essa razão, eu procurei trazer nesta postagem um disco com um espírito mais contemplativo.

“Poema Triste” foi um belíssimo trabalho lançado no início dos anos 60 pelo selo Audio Fidelity, trazendo o cantor e compositor José Tobias. Eis aí um nome que eu considero injustiçado no cenário musical brasileiro. Pouco se ouve falar deste magnífico cantor, dono de uma voz única. José Tobias surgiu nos anos 50, se apresentando na Rádio Jornal do Comércio de Recife. Pelas suas evidentes qualidades vocais encantou milhares de ouvintes, não demorando muito para ser apresentado também no Rio de Janeiro e São Paulo, onde seguiu carreira em diversas rádios. Gravou também alguns discos nos anos 50. Muitas dessas músicas, gravadas em discos de 78 rpm, vieram novamente a serem regravadas para este disco. Encontraremos no álbum um repertório fino, como músicas marcantes, algumas inclusive de autoria do próprio cantor.
“Poema Triste” é um disco que prima pela excelência e qualidade, tendo um ótimo cantor, rodeado por ótimas músicas. Para assim ser, só mesmo contando com um time de primeira de orquestradores, os maestros Ciro Pereira, Nelsinho, Lyrio Panicalli e Zico Mazagão. Tudo isso gravado em alta fidelidade 😉
negro
balada da solidão
jangada
prelúdio para ninar gente grande
rio triste
acauã
só voltou de madrugada
praia comprida
canção do esquecimento
vai poema triste
hoje é domingo outra vez
despertar da montanha

Duo Pianístico Maria Josefina E Francisco Mignone – Ernesto Nazareth (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Novembro, por aqui, chegou gelado. É de estranhar e comentar essa manhã fria, que mais valia continuar na cama. Mas como eu sou apenas o filho do dono do mundo, o jeito é levantar e correr para o trabalho. Antes porém, deixa eu tomar e também dar a vocês uma dose de ânimo, um toque musical para o dia seguir feliz e aquecido 😉

Tenho hoje, para a nossa ‘terça erudita’, a música de Ernesto Nazareth numa interpretação magnífica, em duo, de Francisco Mignone e sua esposa, a excelente pianista Maria Josefina. Imaginem, ouvir a música de Nazareth ao piano solo já é muito bom. Tocada então pelo genial ‘Chico Bororó, nem se fala… Melhor ainda com um segundo piano, nas mãos de Maria Josefina. Juntos, os dois chegam a emocionar, valorizando ainda mais a obra de Ernesto Nazareth.
Encontraremos aqui um repertório muito agradável, com algumas de suas composições mais populares, realizadas no auge de sua carreira. Um belo trabalho e que merece ser lembrado 🙂
batuque
turbilhão de beijos
odeon
coração que sente
ouro sobre azul
janota
brejeiro
cavaquinho, porque choras?
eponina
apanhei-te cavaquinho
sarambeque

Véu De Noiva – Trilha Original Da Novela (1969)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Entre tantos temas e trilhas postados aqui no Toque Musical, um disco que eu sempre pensei em postar foi este da trilha da novela da Rede Globo, “Véu de Noiva”. Da novela eu não me lembro, mas a sua trilha é inesquecível. Isso, para mim, se deve ao fato de que naqueles tempos as trilhas eram feitas exclusivamente para as novelas. Era um trabalho dedicado e primoroso, de identificação imediata com seus personagens ou ação. Para compor temas com esse conceito, só mesmo recrutando artistas e compositores talentosos. Embora eu não assista à novela, sei que as de hoje em dia, somente os temas de abertura são realmente valorizados, as vezes oficiais. As demais, acabam entrando na trilha por conveniência, jabás, oportuni$mo e outras incompetências, típicas das novas gerências, que de música não entendem nada.

Em “Véu de Noiva”, novela de Janet Clair, encontraremos um excelente exemplo de trilha sonora. Músicas perfeitas, valorizando os temas instrumentais. As músicas cantadas foram escolhidas a dedo, dentro de uma sintonia com o drama. Também, nessa época, quem estava por trás da produção era gente competente, era o Nelson Motta. Podemos encontrar aqui pérolas como “Teletema”, de Tibério Gaspar e Antonio Adolfo; “Tema de Luciano”, de Cesar Camargo Mariano (interpretada aqui por Luiz Eça); a belíssima “Azimuth”, de Marcos Valle e Novelli… Putz, só musicão! Segue a baixo a relação de todas elas. Quem ainda não ouviu essa trilha, não sabe o que está perdendo. Taí mais uma chance…
tema de luciano – luiz eça
tele tema (tema de amor) – regininha
azimuth (mil milhas) – apolo IV
gente humilde – márcia
depois da queda (tema de flor) – roberto menescal
irene – elis regina
andréa – joyce
azimuth (tema de marcelo) – apolo IV
teletema (tema de amor) – regininha e laércio
irene – wilson das neves
abertura – the youngsters
teletema (tema de amor) – claudio roditi

Vesperal Dançante Columbia Vol. 2 (1956)

Olha eu aqui de novo! Por essa ninguém esperava, não é mesmo? Pois é, acho que ainda há tempo de uma vesperal dançante. Sinceramente, não fiquei satisfeito… Resolvi incluir mais um disquinho da mesma safra. Temos aqui uma coletânea da gravadora Columbia, reunindo seis de seus artistas: Maranhão, Carlinhos, Ribamar, Luizinho, Indio e Nestor Campos. Essas gravações, certamente, foram extraídas de bolachas de 78 rpm e mais certo ainda, nunca vieram novamente à público. A série “Vesperal Dançante Columbia”, em três volumes, foi lançada em 1956. Estou atrás do volume 3, se alguém souber ou tiver para me enviar, eu agradeço. 🙂

sh-boom – maranhão
nós três – ribamar
refúgio – luizinho
contigo – carlinhos
juca – carlinhos
é tão gostoso, seu moço – maranhão
araponga – índio
as lavadeiras – nestro campos

K. Ximbinho E Seu Conjunto – Ritmo E Melodia (1956)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Tenho percebido o crescente número de blogs dedicados à música brasileira, em especial aos raros e antigos álbuns, como acontece aqui no Toque Musical. Isso é muito bacana. As pessoas estão descobrindo um sentido a mais para aqueles velhos discos do papai e do vovô. Aqueles tantos discos que até então ficavam restritos ao espaço familiar, vão ressucitando e através da tecnologia e seus recursos digitais, vão sendo aos pouco compartilhados com aqueles que acessam sua nova morada, um blog, por exemplo 🙂 Acho que foi mais ou menos assim que aconteceu comigo.

Para o nosso domingo, eu escolhi um disco do clarinetista potiguar Sebastião Barros, mais conhecido como K-Ximbinho. Este instrumentista (clarineta e sax) era também compositor, arranjador e maestro. Participou das principais orquestras de gafieira, como a Tabajara de Severino Araújo. Também flertou com o jazz, o que era natural, sendo ele um músico de orquestra. Fez diversos arranjos para discos e músicos de jazz, sendo, de uma certa forma, um inovador na fusão dos ritmos brasileiros (samba e choro) com o americano (jazz).
Neste álbum de dez polegada, lançado em 1956, temos K.Ximbinho e seu conjunto, em seu primeiro lp, desfilando oito temas entre ‘hits’ nacionais e internacionais. “Rock around the clock”, acredito, teve aqui a sua estréia, na primeira versão do que se tornaria um clássico do rock’n’roll.
Segundo um texto que li sobre o K.Ximbinho, a concepção das capas dos seus discos eram idealizadas pelo próprio. Ele também se preocupava com a apresentação do produto (o disco) e buscava uma semelhança com os discos americanos de jazz. Interessante também notar a sua preocupação com os músicos de seu conjunto. Na contracapa, ao invés de um texto sobre o disco, ou a relação das músicas, aparecem os nomes dos músicos: Leal Britto, Orlando Silveira, José Scarambone, Geraldo Miranda, Walter Rosa, Júlio Barbosa, Orlando Trinca, Jorge Marinho, Júlio Viñolas e Mário Godoy. Como se vê, uma turma da pesada 🙂
Este álbum já havia sido postado no Viniyl Maniac. E eu crente que estava trazendo alguma novidade (hehehe…). Mas tá valendo… Confira aqui ou lá, o que não pode é deixar passar 😉
jura
unchained melody
washer woman
love me or leave me
gosto que me enrosco
rock around the clock
i’d never forgive myself
murmurando

1 É Pouco 2 É Bom 33 É Demais – Favoritas Do Augusto Vol. 1 (2011)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Tenho em meu computador uma pastinha exclusiva, onde coloco as músicas que eu mais gosto. Vez por outra, carrego ela comigo, no Ipod ou no celular e ponho para tocar no modo aleatório. Como são centenas, quase milhares de músicas, elas nem sempre se repentem, ou se repente eu também acho ótimo, afinal são aquelas músicas que verdadeiramente me tocam. As favoritas do Augusto 😉

Foi desta pasta que eu separei 33 músicas, que trazem em comum o fato de serem ótimas numa roda de violão. Basta apenas que todos na roda estejam na mesma sintonia.
Procurei selecionar um repertório variado, com canções a partir dos anos 70. Alguns artistas se repente, como é o caso do Fagner e do Péricles Cavalcanti, que aqui aparecem em mais de duas músicas. Tem certos artistas e discos que são como Bis, não dá para ficar só em um. Incluí também, na faixa final, a música “Goodbye”, de Paul McCartney, num belíssimo ‘cover’ da melhor banda ‘cover’ dos Beatles de todos os tempos, a Sgt Peppers Band, uai! 🙂
Segue assim a minha coletânea especial, que vale por um álbum triplo. Espero que a seleção despretensiosa agrade aos gregos e aos troianos. E que sirva de luz para os ‘Zé Viola’ espalhados por esse Brasil.
terral – ednardo
cretina – tom e dito
povo da montanha – sirlan
canção da américa – 14 bis
lenha – zeca baleiro
elegia – péricles cavalcanti
cabras pastando – sergio sampaio
enrosca – guilherme lamounier
serenou na madrugada – fagner
taxi lunar – geraldo azevedo
travessia – milton nascimento
canteiros – fagner
pó da estrada – sá, rodrix e guarabyra
telhados de paris – nei lisboa
pavão misterioso – ednardo
blues da passagem – péricles cavalcanti
artemanhas de lourenço, filho de serafim – rui maurity
filho único – erasmo carlos
artigo 26 – ednardo
tudo sobre eva – péricles cavalcanti
o vento, a chuva, o teu olhar – 14 bis
voarás – déo lopes
viajante – fábio
poesseu, poessua (pérnalas) – péricles cavalcanti
a palo seco – ednardo
marimbondo – sá e guarabyra
telegrama – zeca baleiro
odeio música – péricles cavalcanti
penedo – alberto rosenblit e mário adnet
a massa – raimundo sodré
coração de maça – sá e guarabyra
fim do dia – nei lisboa
goodbye – sgt. peppers band

Cid Ornellas – Caçador de Lua (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Chegamos a mais uma sexta feira dedicada à música/artista independente. Aproveito a ocasião para, novamente, convidar e avisar à esses artistas que o espaço do blog continua aberto para a divulgação de seus trabalhos. Vez por outra me chagam links e discos de artistas independentes, mas se a solicitação não partir do próprio artista e prefiro não postar. Por outra, as vezes aparecem por aqui coisas que ultrapassam os limites do bom senso, do curioso e daquilo que merece, pelo menos, ser escutado com outros olhos. Se for um trabalho com qualidade, mesmo que simples, solo, acústico ou à capela, tudo bem, o importante é que tenha uma alma musical, artística e seja original. Em virtude dessa situação, tenho pensado em não mais manter as sextas feiras com exclusivas para os independentes. Teremos também os títulos convencionais quando não houver um independente à mão.

Hoje iremos com o músico mineiro, Cid Ornellas, irmão do saxofonista Nivaldo Ornellas. Cid é um músico de formação acadêmica. Seu instrumento é o violoncelo, mas neste disco ele também toca violão, canta, faz arranjos e orquestração. “Caçador de lua” é um disco de música popular e as composições são todas do próprio Cid, ou em parceria. Ele vem acompanhado por uma turma de excelentes músicos e convidados, tudo mineirinho, como manda o figurino. O álbum foi gravado na Bemol, aos cuidados do Dirceu Cheib. Não precisa dizer mais nada, não é mesmo? Melhor é conferir… 😉
bente altas
joão rosa
pele de índio
respiração natural
o arquiteto
minaõ caçador de lua
sonho brasileiro
lindinha
neons

Paulo André Barata – Nativo (1978)

Boa noite! Hoje eu fiquei na dúvida do que deveria postar. A ideia era permanecer publicando velhos álbuns de 10 polegadas, mas os que eu quero apresentar ainda precisam de uns tratos, melhorando ou pelo menos eliminando um pouco os estalos e chiados do áudio. Enquanto essa ‘limpeza’ vai sendo feita, o jeito é apelar para os ‘álbuns de gaveta’, ou aqueles que já não são uma novidade na blogosfera.

Dessa feita, hoje vamos com o cantor e compositor Paulo André Barata, um dos nomes mais respeitados da música paraense. Em 1976 a cantora Fafá de Belém fez sua estréia em disco com o álbum “Tamba Tajá”, o qual trazia várias músicas de Paulo André. No ano seguinte, em seu segundo disco, ela continuaria gravando músicas do compositor. Através do sucesso alcançado por Fafá, consequentemente o compositor também passou a ser reconhecido nacionalmente. Em 1978, Paulo André Barata viria a lançar “Nativo”, seu primeiro lp. Este álbum é uma jóia, muito bem recebido pela crítica. Um belíssimo trabalho onde ele conta com a participação de amigos ilustres, começando pela própria Fafá de Belém, Sivuca, Márcio Montarroyos, Copinha, Jamil Jones e muitos outros… As compositções são todas de Paulo André e parcerias, sendo a maioria feita com seu pai, outro grande nome da música popular paraense, Ruy Barata. Os arranjos e regências são do Maestro José Briamonte.
pacará
pauapixuna
marujada
nativo
este rio é minha rua
carta noturna
indauê tupan
enchente amazônica
mesa de bar
garras e guitarras
baiuca’s bar
bela fatal

Orlando Silva – Pixinguinha E Sua Orquestra Diabos Do Céu (1985)

Boa tarde amigos cultos e ocultos! Eu não me esqueci das últimas solicitações de alguns de vocês. Não se preocupem, pois assim que eu tiver um tempinho (o que não vai demorar), atenderei a todos, ok? Infelizmente, nesses últimos dias andei meio agarrado de serviço, mas na semana que vem, acho, vai dar uma aliviada.
Apesar da correria, não deixo a peteca cair. Mantendo sempre a tradição, aqui vai mais uma inédita raridade, Orlando Silva e Pixinguinha, em gravações raríssimas, lançadas em 33 rpm pela primeira vez em 1985. São registros da década de 30, de Orlando Silva acompanhado na maioria das vezes pela Orquestra Diabos do Céu, de Pixinguinha. Registros que até então nunca chegaram a ser relançados. Por iniciativa da Rádio América de Belo Horizonte e produtores associados, um grupo de fãs, colecionadores e radialistas resgataram essas músicas, lançando-as em uma produção quase independente e de tiragem limitada. Mesmo após esse ‘relançamento’ essas gravações ainda continuam raras. Tenho quase a certeza de que nunca mais vieram a ser ‘tocadas’, relançadas em formato cd. Só mesmo aqui, num blog como o Toque Musical, isso poderia acontecer. Não deixem de conferir 😉

não pretendo mais amar
primeira mulher
céu moreno
não foi por amor
cancioneiro
tenho amizade a você
quem pela vida passou
cidade do arranha céu
amar uma mulher
mulher fingida
dom quizote
ponto de interrogação

Orquestra Sinfônica Municipal De Campinas – Geração Do Século XXI (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! Chegamos à mais uma terça feira erudita, um dia dedicado à música clássica e seus derivados 🙂 Em especial, eu trago então um disco raro, que poucos devem conhecer, mesmo os amigos mais eruditos. Trata-se de duas belíssimas peças escritas por Omar Fontana, empresário da aviação, dono da extinta Transbrasil. O cara, além de empresário e piloto comercial tinha lá seus caprichos musicais, era um pianista e compositor. Mas nesse campo da música, seu projeto levantou vôo graças a experiência e o talento de um mestre, Rogério Duprat. Fontana apresentou à Duprat as composições e deixou que o compositor e arranjador tivesse total liberdade em seu esboço, criando o que lhe viesse à cabeça, porém com a condição de que o resultado pudesse ser tocado e gravado por uma orquestra sinfônica. Rogério Duprat assumiu a parceira de bom grato e tomando as composições de Omar Fontana como base, criou dois impecáveis poemas sinfônicos. Uma celebração ao novo milênio que estava para chegar.Escolheram uma excelente orquestra, a Sinfônica Municipal de Campinas, tendo como regente o Benito Juarez. Ensaiaram bastante e nos dias 02 e 03 de julho de 1982, gravaram ao vivo, no Teatro Interno do Centro de Convivência de Campinas, este disco de tiragem limitada. Conforme informa na contracapa, uma iniciativa cultural da “Transbrasil”.

Não deixem de conferir. Muito legal 🙂

poema sinfônico à geração do século XXI
as quatro estações irmãs

Ninho da Serpente – Trilha Original Da Novela (1982)

Boa noite! Antes que o horário de verão leve o resto do dia, deixa eu fazer aqui a postagem de hoje. Ainda naquela preguiça , vou ser breve…
Temos aqui a trilha sonora da novela da Band, “Ninho da Serpente”. Alguém aí assistiu? Provavelmente muito poucos. Lembrar então, nem se fala… Mas a trilha, essa sim, todo mundo sabe. Composta, em sua maioria, por gravações de sucesso pinçadas dos arquivos da Polygram. Nada muito original, mas vale a pena ouvir (de novo) Chico Buarque, Gal Costa, Elis, Fafá de Belém… e por aí a fora.
Pronto, cumprida a tarefa! Não muito boa, não muito ruim… perfeita para uma segunda feira ‘lombada’.

atrás da porta – elis riegina
outra vez – emilio santiago
vida – chico buarque
baby – gal costa
como é grande o meu amor por você – claudette soares
tudo mudou – chico da silva
bilhete – fafá de belém
as rosas não falam – emilio santiago
chuvas de verão – caetano veloso
pra não dizer que não falei de flores – jair rodrigues
as aparências enganam – tunai
maior desejo – wando

Coral do Colégio Arte E Instrução – Alvorada De Vozes (1964)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Nos últimos dias eu tenho andado meio desmotivado com o blog. Não é por qualquer motivo específico, apenas uma onda, creio eu. Percebo que se eu não fizer logo pela manhã a bendita postagem, acabo, no resto do dia ficando assim… Hoje então, que é domingo, nem se fala. Só partindo mesmo para o ‘chocolate’. Mas vamos ao que é esperado, o disco do dia.

Nos anos 60 e 70 era muito comum vermos (e ouvirmos) por aí discos de grupos vocais e corais formados em instituições de ensino. Parece que naqueles tempos havia uma preocupação maior com o ensino e a prática musical. Em qualquer escola, mesmo a mais simples, o estudante tinha uma noção básica do que é a música. Aprendia pelo menos a conhecer as notas musicais. Hoje não é bem assim. Talvez, por isso mesmo é que eu acho interessante postar esses discos, na pior das hipóteses pela curiosidade. Há sempre alguma surpresa…
Temos então este trabalho lançado no início dos anos 60 pelo grupo coral do Colégio Arte e Educação, uma tradicional entidade de ensino técnico, fundada no Rio de Janeiro. Me parece que esta escola já não existe mais. Um bom motivo para que a gente puxe aqui pela memória, não é mesmo? Certamente deve passar por aqui alguém que um dia estudou nessa escola. Talvez até algum dos integrantes do disco.
Por falar no disco, o álbum traz um repertório bem variado, contemplando a música nacional e a estrangeira. Temas populares e de sucesso da época garantem a simpatia e a aprovação de quem escuta. Os arranjos são bons, principalmente os instrumentais (por favor, não entendam essa observação como uma ironia), pois dão aos vocais um complemento importante, valorizando ainda mais a música. Confiram aí… Eu de cá vou de Tim Maia… “eu só quero chocolate…”
i could have danced all night
canção do exôdo
it had to be you
ave maria do morro
os peixinhos do mar
over the rainbow
chica da silva
the green leaves of summer
lisboa antiga
caterine
aquarela do brasil
blue tail fly

Coletânea Trash Total (2011)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Cruzando as palavras, blogs e músicas, hoje nós teremos uma seleção especial e exclusiva, feita pelo amigo Chico, do blog Sanduiche Musical. Ele criou, com direito a capa e tudo mais, uma coletânea com ‘hits’ bem populares, conhecidos também como bregas e para ele ‘trash total’. Esta não é a primeira vez que postamos aqui uma seleta relação coomo esta. Quem ainda não ouviu a coletânea “Beleza Pura“, não sabe o que está perdendo. Disco feito para aquelas festas onde tudo acaba na ‘zuação’. “Trash Total” também tem essa mesma proposta, uma série de músicas feitas para alegra a festa. Hoje é sábado, dia de agito dessa natureza. Taí um ‘disquinho’ ótimo para fim de festa, quando todo mundo já está mesmo calibrado e enfrenta na boa qualquer pagação de mico. Vamos nessa…

festa dos insetos – gilliard
vem fazer glu glu – sérgio mallandro
dorival o lobo mal – nahin
amante profissional – erva doce
vamos dançar o bambolê – trio los angels
40 grados – los angeles
melô do pata pata
é bom para a moral – rita cadillac
a dança do tiro liro – roberto leal
fuscão preto – magazine
massagem for men – sharon
ligeiramente grávida – o espirito da coisa
tia regina – absyntho
ela não gosta de mim – dominó
isso é tremendo – tremendo
meu gatinho – sol
maldito dinheiro – eduardo dusek
comer comer – brazilian genghin khan
saudades – odair josé
prenda o tadeu – clemilda e sandro becker
rock do jegue – genival lacerda

Junia Horta – Espaços (1981)

Bom dia a todos! Eu havia digitalizado alguns discos de artistas mineiros, independentes para um amigo. Indiquei a ele o Mediafire como suporte de armazenamento de seus arquivos. Mas acho que o cara deixou a ‘torneira’ aberta, pois percebo que agora que esses mesmos arquivos estão a deriva, espalhados pela rede e o coitado nem deve ter se dado conta disso. Lá vou eu então resgatando os independentes perdidos. Deixa eu trazê-los para o lugar certo. De volta a fonte, com direito a uma nova filtragem.

Entre os tantos que vou encontrando, para hoje temos este belíssimo trabalho da Júnia Horta, “Espaços”, disco independente lançado em 1981. Há uns dois anos atrás eu postei aqui um outro disco dela e até pensei que fosse o primeiro, o trabalho era de 83. Como eu não conheço nenhum outro álbum da artista, na dedução, imagino que o primeiro foi este que agora apresento.
Na mesma linha de “Não me lembre demais e nem me esqueça“. “Espaços” é um trabalho muito consistente e agradável. Todas as músicas são de Júnia, algumas em parceria. Ela conta neste lp com a participação e a força de muita gente boa. Figuras como o primo Toninho Horta, Aécio Flávio, Marco Antonio Araújo e Jane Duboc não deixam de ser destaque na produção e gravação deste disco. O álbum foi gravado, parte em Belo Horizonte, pelo Dirceu Cheib e outra no Rio de Janeiro, pelo Ed Lincoln. A capa, por sinal, muito bonita (se o álbum estiver novo!) traz uma gravura da artista plástica mineira Miúra Bellavinha. As duas faixas instrumentais, “Espaços” e “Sinais da pedra” foram compostas para a trilha sonora do filme “Sinais da Pedra, de Paulo Augusto Gomes. Taí uma boa pedida para a sexta independente 😉
tartaruga voou
nave estrela
pois sim, pois é
visita
espaços
quem dera
as irmãs
estrela escondida
e agora?
valsa do juca
sinais da pedra

Ases do Ritmo – Ritmo Do Brasil (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Olha eu aqui fazendo mais uma confusão. Depois de mais de mil títulos publicados no Toque Musical até eu faço, as vezes, confusão com o que já foi ou não postado. Eu tinha certo de que o álbum de hoje, este aqui, era uma rara novidade. Me enganei… Na verdade fui enganado pela capa. Este ‘long play’ eu já o havia postado, a coisa de uns dois anos atrás. A diferença foi mesmo a capa. Em fevereiro de 2009 eu trouxe para vocês o primeiro disco brasileiro gravado em estéreo. Um marco na história da indústria fonográfica e também um belíssimo disco, dos mais bem gravados até hoje. Uma raridade disputada a tapas por qualquer colecionador (o que eu dei de porrada para conseguir esse disco, não está no gibi). Agora, sem ter percebido antes, ele está de volta e não é como repostagem não. O exemplar que temos aqui é diferente em dois pontos: na capa e na gravação monatural. Mesmo sem ter a confirmação, eu acredito que este álbum tenha sido lançado posterior ao estéreo. Pela capa e estilo é bem provável que ele seja do ano seguinte, 59 ou no máximo 1960. Vou considerar como sendo de 1959 até segunda ordem (fala Samuel, cadê você?).

Se fosse um outro lp, eu talvez tivesse logo mudado a postagem, mas em se tratando de um discaço como este, vale a pena ver e ouvir de novo! Tenho certeza que para muitos este álbum passou batido. Tá na hora de conferir…
falsa baiana
lamento
baião
chega de saudade
os quindins de yaya
1 X 0
se acaso você chegasse
atira a primeira pedra
kalú
cai, cai…
copacabana
andré de sapato novo

Conjunto Melódico Norberto Baldauf – Week End No Rio Nº 2 (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Esse tal de horário de verão é mesmo um saco! Eu que vivo correndo do atraso, nessa época fica pior. Vou aproveitar a pausa antes de ir dormir e mandar logo a postagem do dia.

Temos aqui o Conjnto Norberto Baldauf no segundo álbum de “Week End No Rio”. Eu estava certo de que já havia postado o primeiro. Comecei de trás pra frente, mas não tem nada não. A gente ainda chega no primeiro, é só esperar 😉 Neste disco, feito para dançar, como já indica o selinhho logo a baixo na capa, encontramos uma salada musical bastante variada, entre ritmos nacionais e internacionais. O lado A é um grande ‘medley’, sem pausa para os dançarinos. Do outro lado temos seis temas, desta vez, separados, mas também dançantes. Zzzz…
Desculpem, mas eu hoje cheguei no meu limite. Vamos conversando sobre o disco no comentários, ok? Até amanhã!
tu
sueño azul
sabra dios
el humanuaqueño
vou vender meu barco
se todos fossem iguais a você
mama look a boo boo
é luxo só
já vai
the continental
el reloj
around the world
an affair to remember
porque você casou
por causa de você

João Pedro Borges – Interpreta… (1983)

Bom tarde! Tenho percebido que o índice de audiência começou a cair nas terças feiras. Seria por conta da programação voltada para os clássicos e eruditos? Talvez eu devesse estabelecer aqui uma outra em substituição. Quem sabe uma terça feira dedicada aos (mais) populares? Pelo visto, eu tenho recebido mais amigos ocultos do que cultos. Ou, por outra, mais passantes que pensantes. Nesse país de banguelas todo mundo só quer sopa. Pois é, mas aqui a coisa é na base da rapadura, é doce mas não é mole não! Continuo na peleja… catequizando…

Hoje eu tenho, para os que querem, mais um erudito. Dessa vez, um pouco mais agradável aos olhos e ouvidos da maioria. Vamos de violão, afinal este é um instrumento, por aqui, com melhor aceitação. Seja lá que tipo de música for, ao som das cordas de um pinho não há quem não se encante (e cante). Assim, para o remédio descer melhor eu dou uma adoçada, ok?
Temos aqui o instrumentista maranhense João Pedro Borges, um dos maiores violonistas brasileiros, um artista premiado e reconhecido internacionalmente. João Pedro iniciou seus estudos de violão clássico com outro maranhense, o professor Luís Almeida. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1970 onde continuou seus estudos com outros mestres do violão, Jodacil Damaceno, Ian Guest e Turíbio Santos. Com este último fez cursos de técnica e interpretação e também se tornou um grande parceiro. De lá pra cá, o nome de João Pedro Borges só foi crescendo, se destacando como músico concertista nos principais teatros brasileiros e também estrangeiros. Integrou a Camerata Carioca, foi solista em diversas orquestras, tocou ao lado de outros grandes do violão como Baden Powell, Léo Brouwer e Turíbio Santos. Um músico que atua tanto no campo do erudito como no popular, quer dizer, no choro 🙂 Basta ver discos como “Choros do Brasil”, “Valsas e Choros” e “Brasil-Violão” em duo com Turíbio Santos; “Tributo a Jacob do Bandolim”, “Vivaldi e Pixinguinha” com a Camerata Carioca e Radamés Gnatalli; “Mistura e Manda”, com Paulo Moura; “Melodias Populares de Villa-Lobos” com Turíbio Santos, Arthur Moreira Lima, José Botelho e Paulo Moura; gravou a “Cantilena” das “Bachianas Brasileiras No 5” com o tenor Aldo Baldin; “Melodias Populares de Heitor Villa-Lobos” com o soprano Leila Guimarães; e “Noites Cariocas” ao lado dos grandes do choro, gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, num espetáculo do qual foi o Diretor Musical.
O álbum que eu apresento hoje a vocês foi o segundo disco solo gravado por João Pedro Borges. Lançado pela Kuarup em 1983, o disco nos traz as magnificas interpretações do vilonista para obras de Domenico Cimarosa, Fernando Sor, Mauro Giuliani, Gaspar Sanz, Isaac Albéniz e Enrique Granados. Quem aprecia violão, com certeza, conhece bem esses nomes e se não ouviu o disco é ainda mais certo de que vai gostar. Confiram daí, que eu de cá já vou indo…

domenico cimarosa
sonata em ré menor
sonata em lá maior
sonata em si menor
(transcrições para o violão de julian bream)
fernando sor
allegro non troppo
minueto (da sonata nº2 opus 25)
mauro giuliani
allegro (da sonata opus 15)
gaspar sanz
cenários
zarabanda
la caballeria de nápoles
isaac albéniz
mallorca (transcrição para violão de andrés segóvia)
enrique granados
dança espanhola nº 10 (triste) (transcrição de turíbio santos)
la maja de goya (tonadilla) (transcrição de miguel llobet)

Salário Mínimo – Trilha Original Da Novela (1978)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Começamos a segunda feira com o Salário Mínimo, mas garanto que até o fim de semana seremos os donos da empresa! Isso aqui, no Toque Musical, é claro!

Hoje é dia de trilha e aqui vou eu com outra de novela. Essa é outra que eu também não me lembrava, mas as músicas, com certeza, são inesquecíveis, na maioria. “Salário Mínimo” foi uma novela da Rede Tupi, em seu último fôlego. Escrita por Chico de Assis e dirigida por Antônio Abujamra. Foi ao ar no final de 1978. Nessa altura a Globo já tinha tomado o poder e formatado as telenovelas de uma tal maneira que não tinha muito para as outras emissoras. Só sobrou mesmo o salário mínimo. Este, por sinal, até hoje, continua uma novela…
Mas, peraí, do que é mesmo que eu estou falando? Que confusão, melhor eu me ater às músicas do disco. Como disse, o salário é mínimo, mas a trilha é boa. Além de alguns medalhões e sucessos populares inquestionáveis, temos também raros e curiosos momentos que a gente só vê e ouve em coletâneas ou trilhas como esta. Um bom exemplo é a faixa “Baião Collection”, uma espécie de ‘pot pourri’ do baião interpretado pelo cantor Fernando Mendes (aquele da ‘menina da cadeira de rodas), com participação de Luiz Gonzaga. O interessante nessa gravação é o arranjo moderninho, com guitarra e uma levada que parede assustar ao velho Lua. Num certo momento da música ele até brinca dizendo: “olha onde foi o meu baião… isso é discoteca… eu conheço isso aí…” E era mesmo, era o tempo da ‘dance music’ e se não dava para distorcer totalmente o baião, pelo menos no nome, “Baião Collection”(o ‘collection’ era um termo comum naquela época das discotecas). Outro encontro feliz é a faixa “Calçadas”, interpretada pelo Wilson Miranda, com participação do Paulo César Pinheiro. Tem também um Tom Zé em “Amor de estrada”, Marcelo cantando “Um sonho” de Gil, Marília Medalha em “Iceberg”, de Sueli Costa e Aldir Blanc, o impagável Sidney Magal e seu sucesso “Tenho”… É, tem muita música interessante, não deixem de conferir. 😉
então vale a pena – simone
sampa – caetano veloso
inconveniencia – lula carvalho
iceberg – marilia medalha
vida norturna – zizi possi
calçadas – wilson miranda e paulo cesar pinheiro
tico tico no fubá- waldir azevedo
tenho – sidney magal
baião collection – fernando mendes e luiz gonzaga
pode chegar – peninha
um sonho – marcelo
de vez em quanto – elizabeth
amor de estrada – tom zé
ai que filosofia – neuber

Zaccarias E Sua Orquestra – O Samba De Black Tie (1956)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! O dia de hoje esteve bem preguiçoso, pelo menos para mim. Sinceramente, se não fosse esse meu compromisso obsessivo com o blog, eu hoje nem ligava o computador.

Mas vamos lá… Hoje eu tenho aqui um diquinho de dez polegas que só pela capa já vale. Ótima, vocês não acham? Felizmente, não fica só nisso. É um disco de samba, porém revestido numa linguagem orquestral, mais a gosto da granfinagem. Hehehe…
Temos aqui o Maestro Zaccarias e Sua Orquestra, pela RCA Victor, comandando a festa num desfile de sete clássicos do samba e um choro, de Chiquinha Gonzaga.
Desculpem, mas eu estou num sono bravo. As ideias se misturam… fico por aqui…
agora é cinza
feitio de oração
canta brasil
último desejo
peladinho
favela
gaúcho
rancho fundo

Rosa Maria, Filó, Márcia, Lazzo – Antes Do Sucesso… (1983)

Eu queria ter preparado uma seleção especial para vocês, mas, realmente, não deu mesmo. Felizmente eu já tinha engatilhado o ‘plano B’ e é com ele que nós vamos hoje, ok? Temos aqui um álbum promocional do selo Pointer, uma editora criada pelo empresário gaúcho, José Maurício Machline, que lançou nos anos 80 uma série de discos interessantes com um variado e seleto grupo de artistas da música popular brasileira. Entre esses artistas aparecem quatro nomes distintos: Márcia, Filó Machado, Rosa Maria e Lazzo Matumbi. Juntos eles compõem este álbum, distribuído apenas para promoção. Eu suponho que esta capa, seja na verdade um encarte interno de uma coisa maior, uma caixa com mais discos e também com outros artistas do selo. Não encontrei nada na rede que fale sobre isso ou mesmo sobre o disco. O álbum tem o curioso nome de “Antes do sucesso…”, por certo se referindo, paradoxalmente, ao sucesso que esses artistas viriam a fazer com seus respectivos discos pelo selo. Temos apenas oito músicas, mas isso é só por falta de espaço no vinil, as faixas é que são longas. Taí, um pequeno mostruário que vale a pena conhecer 😉 Se aparecerem outros, imediatamente eu publico para vocês, ok?

o passo do jacarezinho – rosa maria
quero pouco, quero muito – filó
topo do mundo – márcia
do jeito que o seu nego gosta – lazzo
gato e sapato – rosa maria
não houve nada – filó
bem e mal – márcia
coisas que não entendo – lazzo