Damião Experiença – Damião Experiença Nu Planeta Lamma (1974)

Olá, amiguinhos cultos e ocultos! Fazendo jus à tradição, o Toque Musical, nesta semana tem procurado ser curiosamente interessante. Lembrando que aqui, mais que nunca, é um lugar para se ouvir com outros olhos 😉

Reservei para a nossa sexta independente um disco, no mínimo curioso, que há poucos dias caiu na minha mão. Não encontrei coisa melhor. Vamos hoje com o ‘peça rara’ Damião Ferreira da Cruz, mais conhecido por Damião Experiência. Um louco genial, marinheiro aposentado e cafetão, que um dia cismou de gravar em discos suas experiências musicais (ups!). Mais que isso, produziu um universo para o seu ‘Planeta Lamma’. Vixiii… essa história é muito louca! Melhor é eu passar a bola para quem conhece, o fã clube do Damião.
Ouvir Damião Experiência me deixou ainda mais confuso. Pelo que eu entendi, este foi o seu primeiro disco, totalmente independente, produzido na década de 70. Gravou, segundo contam, 34 discos!
Ao ler a história do Damião em seu portal/site, criado por um grupo de fãs (músicos da banda/projeto Supersimetria), fiquei ainda com uma dúvida: como ele conseguiu gravar dezenas de discos? Quem ou qual estúdio acreditava em todo aquele ‘experimentalismo’? Sem dúvida é uma história que merece atenção. Os discos lançados por Damião Experiência são peças raras (e caras) que passaram a ser disputados a tapas por colecionadores em todo o mundo. Considerado internacionalmente por alguns críticos (mais loucos que ele, claro!) como um gênio da música experimental brasileira. A turma do Supersimetria também acha. E vocês, o que pensam disso?
universo
pérola de ouro
viagem
infinito
kanacubana

Lelo Nazario – Se… (1989)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Continuando na proposta do ‘ouvir com outros olhos’, hoje nós iremos com a música instrumental do pianista e compositor paulista Lelo Nazario. Para os que não conhecem, Lelo é um músico na sua melhor concepção, inquieto e investigador. Tocou ao lado de nomes como Hermento Pascoal, Naná Vasconcelos, Toninho Horta, Márcio Montarroyos e por aí a fora (isso sem citar os internacionais). Músico considerado um dos melhores do ano (2007 e 2008) pela crítica internacional. Tem gravado uma meia dúzia de discos solos, além de outros tantos com grupos os quais participou. Foi o líder integrante do experimental Grupo Um, um conjunto instrumental de vanguarda, surgido no início dos anos 80. Depois veio a fazer parte de outro grande e premiado grupo de música instrumental, o Pau Brasil. Foi nesse hiato, entre o Grupo Um e o Pau Brasil que Lelo gravou este álbum, o “Se…”, em 1987, lançado dois anos depois através do seu selo independente. Pelo pouco que eu conheço do trabalho deste músico, considero este um dos mais interessantes. Um disco denso e ao mesmo tempo leve, com estruturas experimentais complexas, mas também melodioso nos momentos certos. Lelo vem muito bem acompanhado por outras feras do jazz e instrumental brasileiro. Tocam com ele Teco Cardoso no sax e flauta; Rodolfo Stroeter no baixo e Nenê na bateria. Para engrossar ainda mais o caldo ele ainda traz os convidados, Zeca Assumpção (baixo); Paulo Bellinati (guitarra com sintetizador); Edgar Gianullo (guitarra) e Zabelê (vocal).

“Se…” foi remasterizado e relançado em formato cd pela Editio Princeps, assim como todos os outros seus discos. Na nova produção, o álbum ganha também uma capa diferente (bem apropriada para cd) e a inclusão de mais duas músicas de bonus. Portanto, se gostarem, basta correr atrás do disquinho, que pode ser adquirido em diferentes pontos do país (e fora também), indicado no próprio site da EP.
valsa
anônima
sete léguas
o elo perpétuo
se…
post scriptum

Histórias De Bichos E De Gente (1967?)

Olá criançada culta e oculta! Hoje eu estou aqui tentando por a casa em ordem, refazendo alguns velhos toques e criando outros. Hoje, além de ser o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é também o Dia das Crianças. Embora pouquíssimas vezes eu tenha recebido aqui a visita dos pequenos, não vou deixar de pensar neles, em mim mesmo a algumas décadas atrás. Sinceramente, fui, talvez, em busca da minha infância, das boas lembranças e de um tempo que eu não desisto de perseguir. Sim, sou saudosista, até demais. Porém, procuro sempre não deixar que a saudade se torne o meu presente. Viver é mesmo o agora!

Foi pensando na minha infância que eu me lembrei de uma coleção infantil, lançada pelo selo Paladium, naqueles inocentes anos 60 (pelo menos para mim). Me lembrei da casa de minha tia, da radiola e dos diversos discos guardados no compartimento para os álbuns. Havia lá também uma caixa com cinco ou seis lps (não me lembro mais) trazendo uma série de histórinhas que faziam a festa para eu, minha prima e nossos amiguinhos. Ainda hoje me recordo bem de algumas passagens. Aliás, hoje eu passei o dia recordando tudo isso.
Há pouco tempo atrás, caiu nas minhas mãos novamente essa tal coleção. Como os discos estavam demasiadamente ‘sambados’, acabei deixando-os de lado, esperando um momento de coragem para tentar restaurá-los. Infelizmente, os discos estavam sem capa, o que me tirou ainda mais o ânimo de ressuscitá-los. Mas como hoje foi um dia especial e mais folgado para mim, decidi botar a mão na massa, ou melhor, nos discos. Percebi que além da capa, faltava também outro (s) disco (s). Mesmo assim, achei por bem recuperar o que tinha e trazer como a postagem do dia. Apesar das limitações, principalmente no áudio, senti que o momento era esse. Refiz tudo o que pude e ainda dei o toque musical…
Temos então a coleção infantil criada pelo jornalista e desenhista André de Carvalho, chamada “Histórias de bichos e de gente”. Trata-se de uma série de historinhas infantis, algumas até bem conhecidas, adaptadas por André. Ele convidou o maestro e arranjador Aécio Flávio, até então um jovem músico ainda inexperiente, para musicar algumas letras que entrariam na série de contos infantis. Segundo relata o próprio músico, ele foi pego de surpresa e nunca, até então, havia passado pela experiência de compor músicas a partir de letras prontas, ainda mais infantil. Assumiu o trato com o jornalista e só veio mesmo a fazer as tais músicas poucos dias antes de entrarem no estúdio. O trabalho ficou muito bom e nem parece coisa feita às pressas. E olha que não foi uma tarefa pequena, afinal a série era de lps e não compactos, como geralmente conhecemos os discos infantis. No site “Recanto da Letras” temos o relato deste episódio, descrito por Aécio Flávio, que vale a pena conferir. Outra curiosidade é sabermos que foi nessas gravações a estréia do grande Toninho Horta. Foi, de uma certa forma, o mestre Aécio quem levou o jovem para o mundo da música profissional. Toninho não devia ter ainda nem 18 anos. Foi com o mestre pirata que tudo começou. Obviamente não vai ser aqui que iremos reconhecer o talento do Aécio e também do Toninho, mas vale saber que eles fizeram parte dessas histórinhas 🙂
Temos aqui, na minha produção, apenas quatro discos dessa série. A qualidade do som deixa muito a desejar, principalmente pelo estado lastimável dos vinis. Tenho a esperança de ainda conseguir um áudio em melhor estado, quem sabe até outros novos lps (e na caixa, porque não? hehehe…).
Ah! Já ia me esquecendo… No pacote eu incluí, já separadas (e mais tratadas), as músicas de todas as histórinhas. Vale um outro disco. Aliás, ao todo são quatro. Presentão, heim?!
Salve a Criança que ainda vive em todos nós!
cocori, o galo que diminuiu
o cuco fujão
história do passarinho que era uma jóia
a galinha dos ovos de ouro
o burrinho quixadá
o grilhinho desprezado
o passo do elefantinho
a borboleta e a bruxa
o pedido do perú
Aécio Flávio – Músicas
cocori, o galo que diminuiu
o cuco fujão
o cuco fujão II
tema de yasmimim
tema da galinha dos ovos de ouro
o elefantinho
tema do elefantinho
a borboleta e a bruxa
o perú alexandre
pavanito
PS. não resisti… os nomes para os temas musicais são apenas sugestão, uma maneira de identificação, claro 🙂

Conjunto Metal Brasil – Havens (1989)

Bom noite, amigos cultos e ocultos! Eu sei que a cada vez eu falo uma coisa diferente. Havia dito que nesta semana eu me dedicaria às postagens de discos bem velhos (raros), mas de um dia para o outro muita coisa acontece, imprevistos e outros relâmpagos inesperados. Isso para não falar na minha bipolaridade musical (aliás, polipolaridade!). Me convenci, desde ontem, a fazer desta semana algo diferente e para alguns até radical. Postar alguns trabalhos musicais curiosos, herméticos e experimentais. Para não chocar os tradicionais de imediato, comecei pegando de leve, postando ontem um Egberto Gismonti. Hoje, ainda azeitando os ouvidos, vou trazendo a música do compositor Daniel Richard Havens, um nome que, por certo, a grande maioria deve desconhecer. Principalmente porque estamos falando aqui de música erudita e essa nem sempre está no cardápio do dia de nós, brasileiros.

Como amanhã é feriado e Dia das Crianças, dei um passo atrás, pensando se na semana ainda caberia alguma homenagem… tenho até alguns discos, já no ponto para a meninada. Mas como este blog reflete meu estado de espírito e (porque não dizer) mais ainda o psicológico, o maluco aqui vai desbundar, misturar Pires de Oliveira com pratinho de azeitona, hehehe…

Mas deixa eu voltar ao foco principal. Continuando…
Havens é um compositor, regente e instrumentista americano que desde o início dos anos 70 passou a fazer parte da Orquestra Filarmônica de São Paulo como seu o primeiro trompa, a convite do então maestro John Neschling. Logo em seguida se transferiu para a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo. Formou também na década de 70 o conjunto DeCamara, com o qual realizou diversos concertos no Teatro Municipal de São Paulo. Nos anos 80 funda com outros músicos instrumentistas o conjunto Metal Brasil, sendo responsável pela regência, arranjos e composições. Passa a se dedicar apenas à composição, deixando de lado a sua carreira de trompista. O conjunto Metal Brasil, que foi o pioneiro do gênero no país, com uma formação exclusiva de metais e percussão era o único grupo profissional existente na época. Na verdade, eu nem sei se depois dele sugiram outros. O certo é que o conjunto era formado por 4 trompetes, 4 trompas, 4 trombones, uma tuba e dois percussionistas. Neste disco, ao que tudo indica, o único gravado por eles, foi lançado em 1989, de forma independente e sob o auspício do empresário Albino Bacchi Jr. O trabalho é todo voltado para as composições de Havens. Destacam-se nele como intérpretes principais a pianista Terão Chebl e o trompista Mário Sérgio Rocha. Vamos conferir?
1º movimento – north
2º movimento – south
3º movimento – east
4º movimento – west
fanfarra
cenários I
cenários II

Kuarup – Trilha Sonora Original (1989)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Eu ainda estou em dívida com alguns de vocês, neste fim de semana não tive condições para refazer velhas postagens. Mas, gradualmente, irei repondo os solicitados, basta que vocês fiquem atentos…
Hoje é dia de trilha. Para variar, vamos dessa vez com uma do filme Kuarup, do cineasta Ruy Guerra. A trilha, maravilhosa, é assinada por Egberto Gismonti, através de sua produtora, a Carmo Produções Artísticas e distribuída em discos pelo selo Kuarup (tudo a ver). O álbum é praticamente instrumental e Egberto conta com um excelente naipe de músicos, uma verdadeira orquestra. Aliás, não, são duas orquestras, uma sob a regência de Jacques Morelenbaum e a outra, a Transarmônica, do próprio Egberto.
Me lembro de já ter visto este filme umas três vezes. Não só pela sua história, baseada no romance de Antonio Calado, ou pelo competente trabalho do Ruy Guerra e seus auxilares. Mas, devo confessar, pela beleza que era a Claudia Raia. Meu Deus, que avião! Desculpem, não resisti, tinha que falar…êta mulher bonita! Que corpão! Morro de inveja do Edson Celulari e mais ainda do ‘bad boy’ Alexandre Frota, que na época, me parece, era o namorado da garota.
Realmente, o filme é todo bom. Se não agrada por um lado, agrada por outro. Porém, a trilha, não tem como não gostar. Egberto Gismonti é um gênio!

senhores da terra
ossuário
valsa de francisca I
anta
urucum
a força da floresta
a dança da floresta
águas
sônia
a morte da floresta
valsa de francisca II
o som da floresta
jogos da floresta
jogos da floresta II
mutação

Severino Araújo E Sua Orquestra Tabajara – Dançando Com Severino Araújo (1954)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Finalmente chegamos à postagem de hoje. Meio que empurrado, lá vou eu salvar o dia. Tenho aqui comigo alguns álbuns de 10 polegadas, os quais eu pretendo ir postando durante a semana. Observo, porém, que os disquinhos estão bem surrados e nem mesmo no Sound Forge eu consegui melhorá-los. Mesmo assim irei postando, pois além de belíssimas as capas podemos superar, na base da boa vontade, o incômodo som de radinho de pilha que acabou resultando. Por via de dúvidas temos duas versões de cada faixa com diferentes resultados de filtragem. Melhor que isso só se aparecer por aqui um disco mais conservado. Afinal este lp foi lançado a quase 60 anos atrás. Alguém aí sabe ser esses fonogramas chegaram a ser relançados no formado 12 polegadas? (hehehe… suponho que não) E certamente, se não for através de blogs, pode dar por esquecido.
Vamos então conferir o grande Severino Araújo e sua imortal Orquestra Tabajara neste disco que foi o terceiro lançamento da Continental em 10 polegadas. Aqui encontraremos um repertório bacana, com sambas, choros e até um baião. Tudo feito com maestria, comprovando o porquê essa orquestra já foi considerada uma das melhores do mundo! (pelo menos eu acho). Confiram aí…

não poe a mão
tema lógico
meiguice
chorinho na gafieira
não tem solução
brincando com o trombone
uma coisa diferente
prefixo

Ronnie Cord – Singles & Raridades Do Sanduiche Musical (2011)

Olá amigos cultos e ocultos! Ontem, sexta feira, eu infelizmente não tive como ‘bater o ponto’, muito menos preparar alguma coletânea especial para vocês. Estou meio mal, desde ontem, com uma dor muscular nas costas que reflete no estômago. Passei a madrugada no pronto socorro, onde por lá fui medicado, mas ainda não estou bem. É nessas horas que a gente tem que recorrer aos amigos. No caso, aos amigos blogueiros.
Esta coletânea do Ronnie Cord foi criada pelo amigo Chico em seu blog Sanduiche Musical e também apresentada por ele no GTM (Grupo Toque Musical). Quem ainda não conhece o blog e nem se inscreveu no nosso grupo, não sabe o que está perdendo. Tomei a liberdade de publicar também aqui no Toque Musical essa ótima seleção, visto que, como dizem na roça, estou que nem um jacú baleado, sem ânimo e força para novos vôos.
Apesar dos pesares, a postagem do domigo já está vindo. Deixa só o Tandrilax fazer efeito… eu volto logo 🙂 Enquanto isso, confiram essa bela seleção com raridades que eu mesmo não conhecia. Valeu Chico!

você me venceu
pretty blue eyes
teen angel
oh carol
dream’in
look for star
bat masterson
parabéns 15 anos
rapaz do banjo
pêra madura
brotinho de pulover
roda meu amor
sandy
boliche legal
amor perdoa-me
eu vou a praia
a força do destino
giorno grigio
eu, a noite e ningém
disco voador
só eu e você
felizes juntinhos
o jogo do simão
se você gosta
sonho de amor
por ser jovem demais
sou louco por você
m… de mulher
eu te daria minha vida
rua augusta

Tarancón – Ao Vivo (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu acordei tarde e já estou atrasado para ir ao trabalho. Por essa razão serei breve. Escolhi, propositalmente, para o nosso dia do artista/disco independente este álbum do grupo Tarancón, gravado ao vivo no início dos anos 80. Uma fase muito boa e ao vivo fica ainda mais emocionante. Como já postei por aqui outros tantos discos do grupo, acho desnecessário tecer, nessa hora, qualquer outro comentário além de dizer: Eu adoro o Tarancón!!! E vocês? (se gostarem, avisem, tá?)

promessas del sol
pobre del cantor
el cantar tiene sentido
pitanga
cara de índio
verde maravilha
el hombre es un creador
canción y huayno
boquita de cereza

Boleros, Choros e Baiões (1960)

Olá amigos cultos e ocultos! Neste próximo sábado vai ter feira do vinil em Belo Horizonte. É mais uma oportunidade para aqueles que apreciam a bolacha preta. Há sempre por lá uma variedade muito grande de discos, que atende ao gosto de qualquer um. Raridades por lá não faltam. Para aqueles que estiverem na cidade, a feira do vinil fica na galeria de um prédio (esqueci o nome) na esquina de Rua Inconfidentes com Pernambuco, na Savassi. É bem fácil de achar. Apareçam…
Para hoje eu reservei este disco do selo Prestige, um álbum muito agradável, que já pela capa atrai a gente. Trata-se de uma seleção musical extraída de dois outros discos deste selo: o “Sucessos Em Ritmo De Tango E Outras Bossas” e “Música, Amor E Festa”. Um álbum que podemos entender como sendo uma versão econômica criada pela gravadora, com um preço mais barato, sendo também uma forma de promover suas produções. O texto da contracapa é todo essa justificativa. Seria mesmo um disco ao alcance dos menos abonados ou aquilo que logo a diante se tornaria um disco de coletâneas, que geralmente são mesmo mais baratos. Em virtude disso eles economizaram na lista das músicas e na ficha técnica. Quem pega no álbum fica a mercê das limitações. Mas, fora isso, a qualidade de gravação e o disco no seu conteúdo são ótimos. O que temos aqui na verdade é o Zé Menezes e seu conjunto e supostamente o Sexteto Prestige. Taí um conjunto lendário e misterioso. Até hoje eu não descobri quem fazia parte desse sexteto. Já ouvi mil e uma suposições, mas nada de concreto. Por isso mesmo é que não dei sequência à publicação da série “Música e Festa“, creditado a eles. Não se tem em nenhum desses os nomes dos músicos. Por outro lado, ou, de um outro lado (do disco) temos um nome que eu logo identifiquei, o guitarrista Zé Menezes (e seu conjunto). O disco “Música, Amor e Festa (que por acaso eu não tenho) é dele! Cabe aqui também uma informação pertinente ao Zé Menezes. Eu que tinha, para mim, a suposição de que este grande guitarista – que já havia tocado com Radamés e lançado diversos discos por trás de seus Velhinhos Transviados – já havia falecido, fiquei feliz e surpreso ao saber que ele, ao longo dos seus noventa e uns anos, ainda estava na ativa. Descobri o site da Artbraz (ABZ Produções), que lançou a pouco tempo atrás novas gravações do Zé Menezes, com direito a um site exclusivo para o artista. Fiquei realmente emocionado. Quero logo adquirir esses discos (me parece, são três cds).
Bom, quanto ao nosso disco aqui, não precisamos dizer muita coisa. Se divide em faixas longas, feitas para dançar, em forma de ‘pot-pourri’, destacando o bolero e o choro-samba, com leves pitadas de baião na passagem de uma música para outra.
Não deixem de conferir 😉

pecado
quizas… quizas… quizas…
que te parece
yo no se que me passa
hipócrita
eclipse
palabras de mujer
tres palabras
señora tentacion
vem
xô sabiá
pau de arara
aproveita a maré
uma farra na churrascaria
eu vou te contar, heim
um chorinho pro gilberto
vem amor

Dionysio E Seu Quinteto – Romance No Texas Bar (1959)

Como eu sei que iriam me pedir o primeiro disco do Dionysio e Seu Quinteto, decidi postá-lo também.
Pessoalmente, eu gosto mais deste primeiro lp, talvez pelo repertório, pela capa e também pela qualidade do som, que aqui está exemplar.
Vamos aguardar agora é o “Sax Magia”, quem sabe ele aparece por aqui numa próxima oportunidade?
Vão aí… na dose dupla especial ;0

cem por cento
nêga
se todos fossem iguais a você
que murmurem
i love paris
falam meus olhos
it’s not for me to say
mocinho bonito
o apito no samba
cha cha cha no texas
tequila
saudade da bahia

Dionysio E Seu Quinteto – Sax & Ritmo (1959)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Segue aqui mais uma raridade, que segundo contam é um álbum muito procurado por colecionadores, principalmente estrangeiros. Isso, muito por conta dos músicos que fazem parte do quinteto do saxofonista Dionísio de Oliveira (ou Dionysio com Y, se preferirem). Antes, porém, de entrarmos nesse mérito, o certo é apresentarmos o ‘bandlearder’. Dionysio era paulista, iniciou-se na música tocando bateria, mas acabou trocando a percussão rítmica pelo sopro, tocando saxofone e clarinete. Integrou diferentes e renomadas orquestras em São Paulo e no Rio de Janeiro, para onde se mudou e seguiu carreira. Tocou também em diversas rádios e fez parte do ‘cast’ de instrumentistas da antiga TV Tupi, do RJ. Foi nos meados dos anos 50 que ele formou o seu conjunto, contando com músicos talentosos, que alguns anos mais tarde se tornariam célebres instrumentistas. Me refiro ao violonista Baden Powell, o baterista Edson Machado e o contrabaixista Wilson Marinho. Os outros músicos do quinteto eu só consegui  identificar pelo primeiro nome – Lucas (piano), Alcides (bongô) e Perez (pandeiro) –  relação essa que apareceu a primeira vez no blog do Zecaloro, através da dica de um de seus visitantes. A mesma lista foi transposta para o Dicionário (in)Cravo Albin, que é talvez a única fonte de informação sobre Dionysio e o seu quinteto. Conforme também podemos identificar por lá, Dionysio e Seu Quinteto gravou apenas três discos, todos pelo selo Internacional CID Hi-Fi. “Sax & Ritmo” foi o segundo álbum, lançado em 1959, no mesmo ano e embalo do primeiro disco, “Romance no Texas Bar”. O terceiro lp viria no ano seguinte, 1960, “Sax Magia”, que para mim, é o mais raro, afinal é o único que ainda falta na minha coleção 🙂
O repertório é misto composto de ‘standards’ da música internacional, além de sambas e chorinhos, um deles de autoria do próprio Dionysio.
Acho que eu nem preciso dizer para os amigos conferirem… tá na mesa! 😉

ave maria lola
sabbosito asi
saia do meu caminho
vento vadio
my blue heaven 
broadway melody
a certain smile
i’m in the mood for love
el reloj
tu me acostumbraste
zangadinho
manhoso

Baptista Siqueira – Caatimbó E Melodias Para Canto E Piano (196?)

Boa tarde , amigos cultos e ocultos. Hoje, terça feira é aquele dia dedicado (até segunda ordem) à música clássica e erudita. Estou sempre lembrando isso para que nossos novos visitantes possam entender o esquema por aqui.
Eu fiquei meio na dúvida se deveria ou não postar hoje este raro e belo lp. Trata-se de um álbum lançado pelo obscuro selo Uirapuru, dedicado à música brasileira de cunho erudito e também folclórico. Este selo lançou outros diversos discos e a partir dos anos 70 passou a ser uma espécie de subsidiária da CBS, produzindo discos de música folclórica e sertaneja. Temos assim este lp, um disco realmente raro, que infelizmente eu não localizei a data, mas eu suponho que seja dos anos 60. Nos traz um pouco da obra de Baptista Siqueira, um nome pouco lembrado (ou sou eu o esquecido?).
Baptista Siqueira vem da Paraíba, iniciou na música através das bandas, muito comuns no nordeste, onde era mestre e compositor, se apresentado em várias cidades nordestinas. No final dos anos 20 transferiu-se para o Rio de Janeiro onde atuava na banda militar e também em pequenas orquestras. Fez seus estudos no Instituto Nacional de Música e na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, onde viria a ser professor de harmonia. Em razão de estudos acadêmicos, se interessou pelo conhecimento das tradições musicais de sua região e pelas questões relacionadas à cultura indígena. Seu trabalho como compositor se destaca a partir dessa fase e fica marcado através de obras como o bailado “Muiraquitãs”, os poemas sinfônicos “Guriatã” e “Jandaia”. Baptista Siqueira era acima de tudo um musicólogo, defensor da contribuição indígena para a formação da música brasileira nordestina. Seu nome está intimamente ligado aos estudos dessas tradições folclóricas, sendo ele figura das mais importantes neste cenário. Escreveu também vários livros
A música de Baptista Siqueira é voltada à natureza folclórica e também erudita. Me corrijam se eu estiver errado. Na minha pressa habitual, não tive tempo de colher outras informações ou ser mais preciso. Mas o que não falta é fonte rica e detalhada para os amigos cultos consultarem. Minha missão aqui é apenas acender o fogo.
No presente lp vamos encontrar um trabalho bem interessante que se inicia do lado A com “Caatimbó”, ritual de pescaria, em seis belíssimos cantos que trazem como solistas Roberto Miranda e Abelardo Magalhães. O lado B são “Melodias para canto e piano”, poemas musicados de Lucídio Freitas e Wilson W. Rodrigues, tendo como solista Roberto Miranda e ao piano Rosete Miranda. Um belo e incomum trabalho musical. Erudito, porque não? 🙂

Caatimbó – Cantata Ritual de Pescaria:
taguaíba
guajupiá
evocação a tupã
ipupiara
baepapina
caruana
Melodias para Canto e Piano:
yemanjá
folhas mortas
cantiga 
cairé
cantiga tapuia

Vitoria Bonelli – Trilha Original Da Novela (1972)

Muito bom dia a todos! Mais uma semana… mais discos 🙂 Essa onda não acaba. Então vamos surfar 😉
Tenho hoje para vocês mais uma trilha de novela. Quero até aproveitar o momento para informar que o dia de hoje não é só dedicado às trilhas de novelas, mas trilhas em geral, de filmes, teatro e outras mais…
Taí uma outra novela da qual eu não me lembro, mas que sei, fez muito sucesso na ocasião. Escrita por Geraldo Vietri e produzida pela extinta TV Tupi em 1972. O disco da trilha é uma salada mista, mas com destaque para a música italiana, afinal o tema da novela fala de imigrantes italianos (creio eu). A maioria das faixas são instrumentais, com excessões curiosas, como a super banda de rock ingleza Golden Earring (ainda em sua boa fase). Tem também o Sergio Endrigo e o Ennio Morricone, muito bons. As demais são temas orquestrados sob o comando do Maestro José Briamonte. Ah, tem também o Paul Mauriat e o James Last, morou?

casthily (abertura) – orquestra phonogram
la prima compagnia – sergio endrigo
blues for strings – orquestra phonogram
casthity (tema romântico) – orquestra phonogram
mademoiselle – george baker selection
irene – ennio morricone
last summer day – paul mauriat e orquestra
wedding song (there is love) – james last e orquestra
buddy joe – golden earring
no mar negro (am scowarzem meer) – orquestra phonogram
aiutami amore mio – orquestra phonogram
tema do encontro (baseado no concerto “imperador” de beethoven)

Carolina Maria de Jesus – Quarto de Despejo (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje, pela manhã, estive tentando dar uma ajeitada na minha discoteca digital/virtual e também na real, buscando alguns discos realmente raros e que afaste o Toque Musical dessa nefasta onda de perseguição. Quero ver se publico aqui coisas que realmente andam fora do contexto comercial. Já comecei a seleção, agora só falta ir preparando as bolachas, gravações e outros áudios para as postagens diárias.

Foi nessas mexidas que eu acabei encontrando, entre os digitalizados, este disco enviado por alguém que eu já nem me lembro (desculpe, são tantas emoções que me vem, acabo me perdendo e também essas colaborações). O certo é que eu fiquei curioso para ouvir, ainda não conhecia. Meu interesse foi crescendo à medida em que as músicas iam passando. Para não ficar replicando postagens de outros blogs, tomei o cuidado de verificar se o mesmo já havia sido postado em outra fonte. Percebi que não, pelo menos não entrou nos mecanismos de busca do Google. Assim sendo, olha o toque chegando…
Carolina Maria de Jesus não foi uma cantora, embora neste disco ela seja a intérprete e compositora. Seu nome se destaca, mais exatamente, na literatura. Foi através da escrita, dos seus escritos, que ela se tornou conhecida mundialmente. Uma mulher negra, pobre que viveu na antiga e extinta favela paulista do Canindé, onde é hoje a Marginal do Tietê. Foi em 1960 que ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, ao fazer uma matéria sobre a favela. Ele viu ali uma mulher, que mesmo na sua humildade e pobreza, trazia dentro de si uma sensibilidade incomum. Ela gostava de escrever, compor em palavras escritas seu sentimento frente a dura realidade da vida na favela. Foi desse encontro que nasceu “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, um livro onde ela relata uma face da vida social e cultural brasileira no, então, grande centro urbano de São Paulo, quando este se expandia e se modernizava. Eu não li o livro e me baseio aqui em informações diversas colhidas na rede sobre ele. O fato é que a partir deste livro Carolina se tornaria conhecida internacionalmente. Sua obra foi publicada em mais de dez idiomas, se tornou um ‘best seller’ e também, pelo que percebo, um problema para o governo brasileiro e sua sociedade segregadora. Digo isso porque ao longo dos meus tantos anos de vida, só agora estou tomando conhecimento de sua existência. Não posso acreditar que no meio onde eu cresci e vivo, essa história não tenha chegado. Por certo que sim, mas de alguma forma, veladamente, me impediram de conhecê-la, ou eu fui mesmo relapso em minhas leituras. Mas, nada como o compartilhamento de informações, ideias e conteúdos. Graças à bendita tecnologia, à revolução digital, eu hoje e agora posso ter acesso ao que não tive e até passar para vocês. Com certeza, ainda vou ler esse livro!
Carolina, ‘a escritora favelada’, não ficou apenas no seu “Quarto de despejo”. Pelo que vi, ela escreveu outros. Foram cinco livros, sendo um póstumo, lançado após a sua morte em 1977.
Como disse, por conta do primeiro ela se tornou conhecida e também, consequentemente acabou sendo intérprete de suas histórias, no cinema, em um filme rodado para a televisão alemã (até hoje inédito no Brasil) e neste disco, lançado em 1961 pela RCA Victor. Ao ouvir o lp é que tive a real noção do talento e capacidade desta mulher. Suas composições são autênticas e de muito boa qualidade, capaz de deixar muito compositor famoso no chinelo. Para que as suas músicas ganhassem mais teor (digamos, fonográfico), ela contou com o valioso apoio do Maestro Francisco Moraes nos arranjos e a direção artística de Júlio Nagib. Sem dúvida, um belíssimo trabalho, recheado de sambas, marchas rancho, xote, canção e até uma valsinha. Tem que ouvir…
rá, ré, ri, ro, rua
vedete da favela
pinguço
acende o fogo
o pobre e o rico
simplício
o malandro
moamba
as granfinas
macumba
quem assim me ver cantando
a maria veio

As Doze Mais – Volume 3 (1960)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Custei mas cheguei… e vou confessar uma coisa, mais uma vez eu esqueci do blog. Esqueci de preparar a postagem. Logo hoje que é dia de coletânea, eu não preparei nada e nenhum dos amigos blogueiros, também, não mandaram nada. O jeito foi apelar, mais uma vez, para as coletâneas oficiais, verdadeiramente lançadas no mercado.

Temos assim, uma seleção da gravadora Columbia, um disco trazendo alguns de seus artistas de maior sucesso. E como se pode ver pela capa, não são apenas os artistas nacionais, tem também estrangeiros. Confiram aí…
siete notas de amor – trio panchos
jambalaya – jo stafford
serenata do adeus – silvio caldas
a certain smile – johnny mathis
noite – cauby peixoto
lamento – alexandre gnattali
meu segredo – luiz claudio
chega de saudade – os cariocas
till – precy faith
ontem e hoje – os seresteiros
ave maria lola – sylvio mazzucca
come prima – os trigemeos vocalistas

Nilson Chaves E Vital Lima – Interior (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje é sexta feira, dia da nossa postagem dedicada ao artista/disco independente. Preparei este álbum com muito carinho, pensando nos amigos paraenses que eu muito prezo. Égua, esses são dois grandes artista do Pará! Dois grandes artista entre os que mais gosto, da região. Nilson Chaves já é uma figura bem conhecida aqui no Toque Musical, já postei dele dois excelentes discos. Vital aparece aqui pela primeira vez, mas seu lugar no nosso blog estará sempre garantido. Mais para frente a gente publica algum álbum solo dele.

Nilson e Vital são amigos de longa data, praticamente cresceram juntos, eram vizinhos desde a pré adolescência 🙂 Talvez por essa razão haja entre eles tamanha harmonia.
“Interior” foi uma produção independente, a estréia já com sucesso de Vital. Nilson, nessa ocasião, já era um artista de renome. O álbum foi gravado no Rio de Janeiro e contou com participações importantes como Leila Pinheiro, Antônio Adolfo, Maurício Einhorn, entre outros… Um trabalho muito bem elaborado, com bons arranjos, boas músicas e instrumentistas. Há neste disco uma música lindíssima, que me emociona a ponte de me deixar arrepiado… linda… “Tempodestino”. Para mim, só esta música já vale o disco. Os caras ainda me fazem o favor de convidar a Leila Pinheiro e o Maurício Einhorn, matou a pau! Essa música embora seja de artista do norte, me lembra muito a que é feita aqui nas montanhas das Gerais. Deve ser a tal da sintonia, consciente coletivo ou algo assim. Taí, um discaço que ninguém pode perder. Confiram já!
flor do destino
outro interior
do nada prá lugar nenhum
tum tá tá
mucuri
tempodestino
olho de boto
interior
a seu jeito
a estrada do sertão
das frutas

Peruzzi E Sua Orquestra – Páginas Inesquecíveis (1963)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Uma coisa que eu tenho percebido, depois da faxina que a turma do Blogger começou a fazer, é o receio das pessoas frente a repressão que vemos crescer cada dia mais no mundo digital. É impressionante e mesmo temeroso os rumos que toma a Internet. Cada vez mais ela deixa de ser um território livre para ser ocupado pelos mesmos latifundiários do mundo real e concreto. Querem aplicar as mesmas leis caducas, uma adaptação forçada que nos leva à mesma situação. Ou por outra, a ideia é manter tudo do mesmo jeito que sempre foi. Qualquer entendimento, reconhecimento ou ação isolada nesta ‘revolução digital’ pode ser considerado como uma conspiração contra o Sistema. Acontece que o Sistema, nos moldes atuais, está falido. Uma nova onda está por vir e nessa, quem ainda não aprendeu a surfar vai ser engolido pelas águas. O que me preocupa mais é pensar no tamanho dessa onda e até onde ela nos levará. A verdade é que as pessoas estão temerosas, estão sendo (veladamente) ameaçadas e sufocadas. Se não reagirmos, tenho certeza, cairemos todos, o mundo inteiro, numa ditadura mundial. Vivemos hoje um paradoxo, num mundo que para continuar existindo depende do coletivo, do compartilhamento, da fusão do individual no todo. Porém, essa ‘necessidade’ vai contra o formato anterior, o da sociedade industrializada e capitalista. Estamos vivendo um momento crítico, de transformações e cabe a cada individuo reconhecer seu coletivo. Somente assim nós não nos tornaremos os escravos do futuro. A união faz a força.

Mas eu comecei esse papo, na verdade, mais para dizer como me espanta o espanto e medo das pessoas. Depois da última represália, muitos dos amigos cultos passaram a ser ocultos e provavelmente, muitos ocultos sumiram da praça ou se tornaram ainda mais ocultos. Prova disso é que dos 700 seguidores que tinha o Toque Musical, apenas uns 20, até então, voltaram e se juntaram aos outros que já estavam nesta versão do blog. Por outro lado, no Grupo de discussão do Toque Musical, criado recentemente, temos um número crescente de amigos cultos, que vêm descobrindo ser esse (ainda) o único território livre, apesar de restrito, para o compartilhamento dos mesmos interesses. No caso, a música e seus correlatos. Que cresca esse Grupo, não apenas defendendo a bandeira do Toque Musical, mas a de todos os outros blogs e sites afins. O Grupo, embora tenha o nome do TM funciona não apenas para prestar serviços ao blog, mas a todos os outros que tenham algo semelhante a oferecer. Somos uma sociedade anônima, mas não estamos ocultos. Antes que isso acabe virando um manifesto e também porque já estou passando da hora, melhor partirmos para o disco do dia.
Hoje eu estou trazendo mais um raro exemplar do selo MGL (Minas Gravações Ltda), precursor da Paladium e Bemol. Este disco foi mais um que o Maestro Edmundo Peruzzi convenceu ao Dirceu Cheib de produzir. Como todos (imagino) devem saber, através de outras postagens que eu fiz dos primeiros discos desta gravadora, a MGL produziu pouquissimos discos. Eu até cheguei a comentar que foram só 4 discos, inclusive porque foi algo assim que o Sr. Dirceu me informou certa vez, numa entrevista. Percebo, porém, que havia mais discos. Descobri recentemente este outro álbum do Peruzzi que pela numeração deve ter sido o quarto disco e não o do Lauro Paiva como eu antes imaginava.
Em “Páginas Inesquecíveis” temos o Maestro Peruzzi comandando sua orquestra em um repertório totalmente nacional. Na contracapa do álbum temos um texto do compositor Victor Simon, o qual é (por acaso?) o autor de duas músicas do disco. Ele exalta as qualidades da orquestra e os arranjos do maestro. Realmente o Peruzzi era mesmo muito bom e até versátil. Porém, neste repertório ele acabou transformando tudo em marcha, o que, pessoalmente, acho meio chato e monótono. Me fez lembrar os desfiles escolares em 7 de setembro. Mas não se prendam à minha crítica. Isso é mesmo bem pessoal…

velho realejo
cano na praia
ave maria
caçador de esmeraldas
evocaçõa
chão de estrelas
o vagabundo
chuá chuá
pastorinhas
história antiga

Morgana Com Renato De Oliveira E Sua Orquestra (1960)

Boa tarde a todos! Aviso aos amigos cultos, parceiros e colegas blogueiros que devido as alterações aqui no Toque Musical, os links para os blogs e sites estão sendo recolocados aos poucos e na medida em que eu vou me lembrando. É bem possível que eu esqueça de alguns, por isso, peço a vocês que me envie seus respectivos endereços.
Para encher de água a boca de muitos por aqui, hoje estou trazendo mais um disco da cantora Morgana. Taí um álbum que eu ainda não vi ‘nas bocas’. Que eu saiba ou tenha visto, nenhum outro blog ainda o postou. Tá pra nós então… Lançado em 1960 pela Copacabana, este disco foi gravado numa sentada só. Quer dizer, depois de tudo pronto (repertório, arranjos e músicos da orquestra) o Maestro Renato de Oliveira só precisou esperar algumas horas a chegada da cantora que se atrasou porque tinha de dar de mamar ao filhote recém nascido. Segundo nos conta a jornalista Lenita Miranda, no texto de contracapa, eles passaram toda a noite e madrugada gravando, até amanhecer o dia.
Neste álbum podemos encontrar um repertório fino, com músicas de Dolores Duran, Fernando Cezar, Tito Madi, Edson Borges, Vera Brasil e outros. Realmente muito bacana. Para embelezar ainda mais a coisa, temos esta belíssima capa, onde a fada loira parece mais ser uma morena. Bela foto (e sem crédito!). Na verdade, a Morgana era loira, mas a Isolda morena.
Morgana se chamava, na verdade, Isolda Corrêa Dias. Não sei se já comentei isso em outras postagens de discos da cantora (e nem vou verificar), mas a Morgana era antes uma cantora lírica. Como cantora de música popular ela foi sucesso e contam também que ela abandonou a carreira quando estava no auge, trocando a música por uma pizzaria. O fim desta cantora foi muito triste. Com um tiro na boca, tentou tirar a própria vida. Foi socorrida, mas ainda no hospital, num momento de consciência, arrancou todos os tubos e fios que a mantinha viva. Faleceu ali mesmo no hospital.

tome continha de você
encontrei o amor
a rosa
carinho e amor
leva-me contigo
sonata sem luar
menina moça
falar por falar
segredo para dois
só falta aqui você
a flor
elegia ao violão

Mestres Do Barroco Mineiro (196?)

Boa tarde, amigos clássicos e eruditos! Ah, viu só? Hoje eu mudei a chamada, afinal as terças feiras tem sido de interesse mais daqueles que apreciam a música erudita, creio eu. Acho importante valorizarmos também a música dos grandes mestres, trazer à luz nomes e obras de autores que muitas vezes ficam limitados a pequenos concertos ou direcionado a um público específico. Tenho para mim, como teoria, que não é o povão quem não gosta de música clássica/erutita. No meu entendimento, o que faltou foi a educação musical. Infelizmente, no Brasil, não existe essa preocupação no ensino da música. Quando falo assim, me refiro não à necessidade de que todos aprendam a tocar instrumentos musicais e saiam tocando por aí, mas sim de que fosse dado ao povo subsídios para um conhecimento musical básico e histórico. A Música deveria ser uma matéria tão importante quanto a Matemática ou o Português. Bem porquê, através da música também se aprende matemática ou se afina o português. A música e as artes, num geral, precisam ser (mais) inseridas no contexto educacional, da mesma forma que no social. “Rock In Rio” é um espetáculo, mas não oferece nada além do que foi proposto, diversão… Acho que ainda falta a arte. E arte não é só diversão, é também coisa séria e pensada. Acho que nos falta é isso, uma coisa mais pensada. Voltada não para nichos específicos, mas aberto e a todos. Enquanto houver a crença de que o poder se faz com controle e retenção do conhecimento, a sociedade humana continuará em conflitos. Os carentes, embrutecidos, continuarão revoltados e rebelados contra aquilo que os limita e sem saberem realmente como e o que lhes faltam.

Tivesse tido eu uma melhor educação musical, estaria aqui agora descrevendo e discursando as qualidades deste belo e raro lp de uma outra forma. Talvez, quem sabe, nem fosse preciso estar aqui. Talvez não precisaria de blogs como este. Seríamos educados o suficiente para mantermos uma conduta como os americanos, europeus ou japoneses, respeitando regras e leis. Mas, fazer o quê quando o nosso único recurso para sair da lama é o nosso próprio esforço?
Putz, acho que viajei nas minhas divagações… melhor falarmos do disco…
Eis então “Mestres do Barroco Mineiro”, um belíssimo e raro lp lançado por Irineu Garcia e seu selo Festa. Nele encontramos obras do repertório sacro mineiro, no período áureo da mineração (Sec. XVIII), recolhidas pelo musicólogo Curt Lange, sob os auspícios de Clóvis Salgado, então Governador de Minas Gerais. Curt Lange reuniu um conjunto de documentos importantíssimos da música brasileira, principalmente a reconstituição de uma série de obras de cunho religioso, produzidas por compositores mineiros. José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Netto, Francisco Gomes da Rocha e Ignácio Parreira Neves, foram esses compositores e tiveram suas obras apresentadas na Europa, na Argentina e, claro, no Brasil. Segundo nos conta o texto de contracapa, esta gravação que gerou o disco foi feita em 1958, por ocasião do “Festival de Música Religiosa de Minas Gerais, realizado no Rio de Janeiro pela Associação de Canto Coral e Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do Maestro Edoardo De Guarnieri.
Este álbum, embora não apresente data, eu suponho que tenha sido lançado na primeira metade dos anos 60. Foi o segundo volume, como consta na capa. Porém eu não consegui saber sdo primeiro e nem ficou claro se havia outros volumes. O selo Festa durou até o ano de 1967 e pelo jeitão do disco e seu número de série, com certeza, deve ser um dos últimos.
No final dos anos 90, a artista plástica Gracita Garcia Bueno, sobrinha de Irineu Garcia, conseguiu resgatar uma boa parte do acervo do selo Festa que estavam mofado nos arquivos da Polygram. Com muito esforço ela conseguiu trazer de volta, em versão cd, alguns dos mais importantes títulos lançados na época pelo selo. Quem conhece um pouco do catálogo criado por Irineu sabe que são jóias raras, música e poesia, o melhor do Brasil.
antifona de nossa senhora – josé joaquim emérico lobo
credo – ignácio parreira neves
maria mater gratiae – marcos coelho neto
novena de nossa senhora do pilar – francisco gomes da rocha

Cinderela 77 – Trilha Original Da Novela (1977)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! A ‘segundona’ começou puxada, por isso, deixa eu aproveitar a folga para um café e mandar brasa aqui, na postagem de hoje.
Vamos com a trilha de uma novela, que eu nem me lembrava, “Cinderela 77”, uma história baseada no clássico conto de Charles Perrault, que trazia como seus protagonistas os cantores, Vanusa e Ronnie Von. A novela foi uma produção da extinta TV Tupi e segundo contam, chegou a fazer um certo sucesso. A trilha é quase toda de músicas originais, feitas mesmo para a novela, com excessão das cantadas por Ronnie Von e Vanusa, que são músicas de seus discos individuais. Pessoalmente, nada me chama mais atenção no lp que sua própria capa. Mas não deixa de ser uma boa curiosidade fonomusical para fazer jus ao nosso lema: ouvir com outros olhos 😉

palavras mágicas – vera lúcia e côro
dia de folga – ronnie von
sonho encantado – quarteto maior
quero você – vanusa
tempo de acordar – ronnie von
cinderela e o anjo (dois amores) – vera lúcia e marcos
apocalipse – neuber
o rei das abóboras – quarteto maior
quem é você – joão luiz
o mago pornois – vanusa
eu era humano e não sabia – ronnie von
dia feliz (canção da cinderela) – vera lúcia

Vera Lúcia – Confidências… (1959)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! As vezes eu fico achando que não estou dando a devida atenção às nossas cantoras, compositoras e instrumentistas. Por certo não é a falta dessas artistas, que muito pelo contrário, tem até demais. Eu é que acabo me esquecendo delas na hora de escolher qual disco postar. Para tirar essa cisma, vou aqui postando neste domingo o disco de uma grande artista, que por acaso era portuguesa, a cantora Vera Lúcia. Ela surgiu no cenário musical brasileiro no final dos anos 40. Fazia parte do ‘cast’ da Rádio Nacional. Gravou diversos discos de 78 rpm, pela Odeon e outros selos. Vera era uma ótima cantora e não trazia em sua voz qualquer sotaque português. Isso talvez conferisse a ela uma maior identificação com o público brasileiro. Chegou a ser a Rainha do Rádio em 1955, desbancando a popular Angela Maria. Recebeu a coroação de outra portuguesa/brasileira, a nossa Carmem Miranda, que estava de passagem pelo Brasil. Vera Lúcia fez sucesso com músicas como, “Amendoim torradinho”, “Molambo”, “Cansei de ilusões”, entre outras… Em 1958 ela assinou contrato com a gravadora Sinter, onde lançou, no ano seguinte, este que o seu primeiro ‘long play’. Um álbum realmente muito bom, com um repertório fino, praticamente todo de sambas, que já apontava para a Bossa Nova. Há inclusive, na faixa de abertura, “Janela do mundo”, música de Billy Blanco, uma referência à Bossa Nova. O termo, em 59, ainda era uma gíria, que naquele momento começava a ganhar força. Reforçando ainda mais o lance da bossa, no repertório encontramos composições famosas de Antonio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, Dolores Duran e Ribamar, Djalma Ferreira, Cyro Monteiro e Radamés. Vera Lúcia vem acompanhada por côro e orquestra, sob a regência do Maestro Carlos Monteiro de Souza e participação do violonista Zé Menezes, em várias faixas do disco. Sem dúvida, um excelente e raro lp que vai agradar a muitos por aqui.

Não deixem de conferir 😉
janela do mundo
brigas nunca mais
serenata do adeus
quem foi que prometeu
conversa
confidências
se eu tiver
castigo
ideias erradas
amargura
recado
madame fulano de tal

Falam De Mim – 4 Versões (2011)

Na sequência da dobradinha, aqui vai meu desabafo em forma de canção. Quatro versões de um samba de Aníbal Silva, Éden Silva e Noel Rosa de Oliveira: “Falam de mim”. Uma delícia musical interpretada por Zé da Gilda, Nana Caymmi, Jards Macalé e Elza Soares. Gosto de todas as quatro versões. Maravilha de samba, que representa aqui o meu momento.

Para completar, vai aqui um texto, bem apropriado, que me foi enviado pelo amigo Fred, da escritora e filósofa americana Ayn Rand que diz o seguinte:
“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que a sua sociedade está condenada.”

Coletânea Selo Velas – Audio News Collection Gold (1995)

Olá fiéis amigos cultos e ocultos! No nosso sábado, que continua até o fim do ano na onda das coletâneas, eu hoje quero fazer duas postagens. Nesta primeira eu trago uma seleção musical do memorável e extinto selo Velas, criado por Ivan Lins, Victor Martins e Paulinho Albuquerque. Esta coletânea promocional saiu exclusivamente para a revista Áudio News, uma publicação muito boa que também existiu nos anos 90. A gravadora independente lançou e revelou talentos com o Chico César, Lenine, Guinga, Vânia Abreu, Rosa Passos, Edvaldo Santana e muitos outros. Também apostou em artistas já conhecidos e consagrados como Flávio Venturini, Boca Livre, Almir Sater, Pena Branca & Xavantinho… O próprio Ivan Lins também lançou discos pela gravadora, claro… São alguns desses artistas que aparecem neste “Momento MPB”. Disquinho bem bão 🙂 Vale a pena conhecer 😉

mama áfrica – chico césar
cabeça ocupada – edvaldo santana
clareou – vânia bastos
o ganso – almir sater
trem das gerais – pena branca e xavantinho
anjo de mim – ivan lins
juras – rosa passos
luz viva – flávio venturini
folia – boca livre
à primeira vista – chico césar
na cumbuca – almir sater
no cabaret da sereia – flávio venturini
são luis dos montes belos – botocotô
prenda minha – iluminuras

Radamés Gnattali – Ao Vivo (1984)

Olá, amigos cultos e ocultos! Estou me sentido hoje como se estivesse iniciando um novo blog. O que não deixa de ser uma verdade, afinal este aqui renasce com uma outra fachada (não muito diferente do anterior, para que não perca a sua identidade e propósito).
Eu havia preparado um desabafo longo e protestante, mas achei melhor fazê-lo num outro momento, bem porque hoje é sexta feira, dia do álbum/artista independente e eu escolhi a dedo o disco que hoje abre oficialmente a nova versão do Toque Musical. Tenho o prazer de abri a casa com este belíssimo disco do Mestre Radamés Gnattali. Um álbum de produção independente, lançado pela Editora 3º Mundo (que me parece, era do compositor e violonista Francisco Mário, irmão do cartunista Henfil). Aqui encontramos Radamés Gnattali solo ao piano, em uma apresentação na Sala Cecília Meireles. Nesta gravação ao vivo temos nove clássicos da MPB em improvisos desconcertantes (hehehe…) que só mesmo um Radamés seria capaz.
Para um dia de renascimento, este álbum é a melhor trilha 😉
carinhoso
ponteio
preciso aprender a ser só
corcovado
chovendo na roseira
manhã se carnaval
cochicho
do lago à cachoeira
nova ilusão

Elton Medeiros (1980)

Amigos, segue aqui outro disco que foi levando na tempestade, o último publicado antes de fecharem a matriz. Este também não pode passar batido, sem pelo menos eu dizer que é um excelente álbum, lançado pelo selo Eldorado, o segundo trabalho solo deste grande sambista e compositor carioca. Aqui encontramos um sambista parceiro, onde ele nos apresenta doze sambas em dobradinha com outros compositores, alguns já bem conhecidos, mesmo antes do lançamento deste lp. Não vou me ater a essas informações, que os amigos poderão encontrar na contracapa, onde Moacyr Andrade descreve cada uma das faixas do disco (o tempo está mais curto). Só quero lembrar, para finalizar, que este disco, gravado há 31 anos atrás, que eu saiba, nunca foi lançado em cd. Aliás, vejo aqui agora que parece que sim, com outra capa. Mas se procurar para comprar, vai ser difícil achar. Uma prova cabal de que, se fossemos depender das gravadora$, ficaríamos esperando, sabe Deus até quando um novo relançamento. Uma prova cabal da importância dos blogs de música no mundo de hoje. Só não vê isso quem vê i$$o…
na mesa de um botequim
peito vazio
lágrimas de amor
contradição
retrato da vida
a ponte
sentimento perdido
unha de gato
vida
meu viver
dentro de mim
último verso

Carlinhos Vergueiro – Pelas Ruas (1977)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Esta é uma postagem que foi perdida nesses dias de tempestade. Me deu preguiça de refazê-la, mas em se tratando de um artista como o Carlinhos Vergueiro e este se quarto disco solo, eu não poderia deixá-lo apenas estampado aqui no Toque Musical. Além do mais tinha aquele caso que contei a respeito da figura de galã roqueiro do Carlinhos, que enganou muitos que ainda não o conheciam. Foi o que aconteceu com uma prima minha, que comprou o disco apenas pela capa, achando ser este uma artista de pop rock ou algo assim. Ficou decepcionada ao botar o disco na vitrola. Não era samba o que ela esperava ouvir. Pois é, não era o que ela queria ouvir, mas com certeza nós queremos.
Taí mais um excelente trabalho deste cantor e compositor de sambas, de música popular brasileira… Pessoalmente, gosto mais dos discos do Carlinhos dessa primeira fase, a setentona. Aliás, no meu entendimento, esta década de 70 foi a última grande fase da MPB, daí para frente o que veio (salvo as excessões) foi ‘tiriricas’ (por favor não perguntem o que eu quis dizer com isso, é exatamente o que vocês entenderem). Melhor que falar do ruim é pensar no que é bom. “Pelas ruas” é um ótimo trabalho, onde eu destaco as faixas “Porque será”, uma parceria de Carlinhos com Toquinho e Vinícius e ainda “Teimosia”, música com a participação da cantora Cristina Buarque, muito bem lembrada pelo amigo 300. Confiram…
briguemos
marginais da manhã
valsa
galo, o último cantor
conhaque
porque será
teimosia
mormaço
noção da batalha
ferve na noite
em nome dos amantes
boa noite morte

Música Na Corte Brasileira Vol. 5 – A Ópera No Antigo Teatro Imperial (1966)

Olá amigos! Pois é, as denúncias e perseguições continuam… Estou vendo a hora em que o tolo mata a galinha dos ovos de ouro só para ver o que tem dentro. Infelizmente é assim… Enquanto isso não acontece a gente vai se segurando, desviando das mordidas e tocando sempre.
Mais uma vez, para abrilhantar a nossa ‘terça erudita’ temos aqui outro volume da “Série Brasiliana – Música na Côrte Brasileira”, lançada nos anos de 65 e 66 pelo selo Angel, da Odeon. Na verdade, este é o quinto e último volume (pelo menos eu acho que é).
Neste álbum, como podemos ver, o destaque é a Ópera, na época do Império. O disco nos apresenta uma seleção (como nos volumes anteriores) de algumas das mais representativas e raras obras produzidas no período, principalmente de D. Pedro I, que por sinal e como vimos, também se destaca na música erudita. Bacana, não? Antes desta série, grande parte dessas obras musicais eram totalmente desconhecidas do público (e olha que eu me refiro ao público de música erudita, clássica).
Acredito que os amigos, ao longo das outras postagens já sabem o que os esperam. Um belíssimo trabalho da Orquestra Sinfonica Nacional da Rádio MEC, regida pelo Maestro Alceo Bocchino, pelos cantores Maria Helena Buzelin, soprano; Fernando Teixeira, barítono e Juan Thibault, tenor. A produção é de Milton Miranda e Maurício Quadrio, com direção musical de Lyrio Panicali e assistência de Marlos Nobre. Como se vê, um trabalho feito por mestres, da música e da indústria fonográfica.

o basculho (abertura) – marcos portugal
o basculho (dueto rosina e pierotto – marcos portugal
os doidos fingidos por amor (abertura) – bernardo josé de sousa queiroz
os doidos fingidos por amor (ária de cacilda) – bernardo josé de sousa queiroz
o vagabundo (abertura) – henrique alves de mesquita
o vagabndo (cena e dueto traído, esquecido) – henrique alves de mesquita
joana de flandres (ária de raul) – carlos gomes

O Julgamento – Trilha Sonora Original Da Novela (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! A ‘segundona’ foi meio pesada, o tempo curto, acabei deixando vocês na mão. Finalzinho do dia, aqui vai a trilha, emergencialmente colhida nos ‘discos de gaveta’. Não tive tempo de escolher e preparar algo melhor. Por outro lado, e fazendo um novo ‘julgamento’, acho que de todo não foi uma má escolha. Embora seja uma trilha onde 80% das músicas são internacionais – por sinal com alguns temas instrumentais interessantes – há aqui duas faixas nacionais, uma pelo menos já vale o disco: MPB-4 interpretando “Galope”, de Gonzaguinha (vamos procurar imaginar que se trata de um compacto, hehehe…). 
Não me lembro desta novela, mas pelo jeito deve ter sido uma produção da TV Bandeirantes, ou SBT (será?)… O que me deixa encabulado é pensar de onde é que esses produtores tiram esses temas internacionais. Na verdade, me chama atenção os nomes dos intérpretes: Glen Wood, Steven Schlaks, Barry Mann e Phil Trim (esse último é ótimo)
Quando eu já estava para finalizar esta postagem, já nos últimos minutos do dia, o computador deu uma travada. Eu, como estava cansado e morrendo de sono, acabei furando com vocês. Deixei para finalizar isso agora cedo. Depois dessa, não tenho nem mais o que comentar. Façam vocês… Eu ainda tenho outra postagem para (tentar) soltar agora cedo. Vamos ver…
le bonheur – claire chavalier
loneliness – francis goya
a thousand voices – phil trim
brivido – mersia
the kiss – steven schlaks
e ele disse – daniel
kitty – steven schlaks
contigo aprendi – armando manzanero
galope – mpb-4
quiero (love less time) – glen wood
ven (i’m lost) – barry mann
enamorados (my sweetheart) – the mystics

Clementina de Jesus – Clementina & Convidados (1979) REPOST

Clementina de Jesus, figura emblemática do samba, reverenciada por grandes e muitos artistas da música brasileira. Foi descoberta por Hermínio Bello de Carvalho, estrelando em seu show “Rosas de Ouro” (os álbuns estão postados aqui no TM). Clementina passou por aqui deixando sua marca, numa pegada entoada inconfundível.
Neste disco, temos Quelé ao lado de grandes nomes como Cristina Buarque, Carlinhos Vergueiro, João Bosco, Adoniran Barbosa, Clara Nunes, Martinho da Vila… puxa… e tem mais…. Isso sim é que é constelação! Este álbum não é simplesmente um registro musical marvilhoso, é uma homenagem. Salve Clementina!

tantas você fez
embala eu
cocorocó
olhos de azeviche
boca de sapo
laçador
assim não, zambi
na hora da sede
sonho meu
torresmo a milaneza
caxinguelê das crianças
papel reclame

Ney Matogrosso – Destino De Aventureiro (1984) REPOST

Acho que vou continuar nesta semana postando figurinhas repetidas. Digo repetida por serem alguns títulos já postados em outros blogs. Contudo, quero deixar claro que as fontes são outras. Quem já baixou por aqui sabe disso. Sou um tipo caprichoso e isso se vê com clareza no TM. Procuro sempre trazer um diferencial, como por exemplo capa e contracapa incluídos e ao contrário de outros blogs, prefiro manter o registro sonoro sem filtragens ou correções que muitas vezes acabam ficando pior. Aqui o disco vai ‘na íntegra’. Deixo o tratamento sonoro para que cada um o faça como quiser. Eu dou a vara, linha, anzol, mostro onde é o rio, pesco; mas quem vai ter que preparar o peixe para comer são vocês.

Hoje vamos de Ney Matogrosso, no lp “Destino de Aventureiro”. Este disco reflete, de uma certa forma, os primórdios do artista na época dOs Secos & Molhados, no sentido do visual. Este disco é resultado do espetáculo que Ney criou em 1984 e lhe rendeu vários prêmios. O cara alugou o Circo Tihany e mandou bala num show que permaneceu em cartaz durante cinco meses no Rio e seguiu em turnê pelo Brasil. Não sei dizer se ele levou pela turnê a tenda do Tihany.
Destino de aventureiro
Por que a gente é assim

Pra virar lobisomem
Êta nóis
Retrato marrom
Namor
Tão perto
O rei das selvas
Bate-boca
Vereda tropical