Francisco Alves – Os Ídolos do Radio Vol. II (1986)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Deus ajuda quem cedo madruga e hoje eu preciso correr, o trabalho me chama. Mas antes de sair, vou logo para a nossa postagem, pois eu não sei se terei tempo depois. E aí, vocês já ouviram a ‘web rádio’ Armazém da Saudade? Tenho certeza de que por lá também estão rolando os compactos que por aqui fazem tanto sucesso.

Hoje é sexta e vamos com o independente, mais um disco da Collector’s Editora, desta vez trazendo a figurinha, aqui já bem carimbada, mas sempre importante do grande Francisco Alves. Este disco ou esta coleção, talvez não seja exatamente uma produção independente, mas pelo fato de trazer gravações raras, que nunca foram lançadas comercialmente e pelo próprio sentido que levou os idealizadores a criarem, podemos entender o glorioso trabalho com algo fora do comum, uma produção independente. Como já foi mencionado no primeiro volume postado aqui, o do Orlando Silva, esta coleção reúne gravações raras, recolhidas por um longo tempo e foi criada pelo radialista e professor de marketing, José Maria Campos Manzo. Os discos desta coleção, são limitados, possuindo inclusive um número de série. A Collector’s Editora ainda mantém um site e ainda é possivel encontrar vários desses exemplares. Se alguém se interessar pelas preciosidades é bom correr atrás. Dificilmente elas voltarão a ser relançadas.
Temos então o Francisco Alves, que neste disco nos é apresentado interpretando músicas por ele nunca gravadas comercialmente. São composições do repertório de outros grandes nomes da época, como Carmen Miranda, Dalva de Oliveira, Paraguassu, Silvio Caldas, Dorival Caymmi e outros. Esses registros raros foram feitos ao vivo, no rádio e são muito interessantes também pela interpretação do Chico Viola. O álbum ainda traz um encarte com textos de Paulo Tapajós comentando cada faixa e a interpretação que lhe são dadas por Francisco Alves.
*Adendo: Em nome do bom senso e respeito por um trabalho tão importante. Estou retirando o link desta postagem. Fui informado que a Collector’s Editora continua na ativa e acho que é a ela quem vocês devem procurar. Desculpem-me amigos cultos e ocultos e ao pessoal da editora.
saia do caminho
azulão
inquietação
história joanina
joão valentão
segredo
louco (ela e seu mundo)
caboclo bom
da cor do pecado
jornal de ontem
saudade de itapoã
na baixa do sapateiro

Juca Chaves, Moreira Da Silva, Mauro Celso, Os Araganos, Raul Gil, Trio Esperança – Compactos!

Na sequência da nossa ‘dobradinha’, alternando entre compactos e long plays, vamos até domingo nesse ritmo variado. Para a próxima semana estou programando uma mostra de rock. As vezes é preciso ir de um extremo ao outro para que as pessoas percebam que o Toque Musical é um blog eclético. Rola de tudo e para todos, com exceção apenas aos novos lançamentos comerciais e algumas coisas que nem ouvindo com outros olhos se pode levar fé. Axé! Salve, salve!

Temos para hoje mais uma boa leva de compactos. Procurei desta vez concentrar músicas e artistas com algo em comum, o humor e a descontração. Começamos pelo Juca Chaves e o seu tão aguardado “Lé com lé, cré com cré”. Finalmente chegou a sua vez! Essa música é realmente muito legal e acredito que não tenha sido lançada em lp, somente em compacto. Seguimos com a malandragem do Moreira da Silva com seu grande sucesso “Morenguera contra 007” de Miguel Gustavo e “O analfabeto”, música que eu não me lembro de tê-la visto e ouvido em algum de seus lps. Outra curiosidade é o Mauro Celso, lembram dele? Aquele do “Farofa-fá” e de alguns outros sucessos populares. Esta música não poderia faltar em nosso blog (para desespero do Walter Franco). Mais um interessante e raro, o conjunto vocal e instrumental do Rio Grande do Sul, que fez sucesso nos anos 60, Os Araganos. Especializados em temas do cancioneiro gaúcho. Aqui eles interpretam as divertidas “Pára Pedro” e “Mexericos de vovó”. Tem que ouvir… Na mesma linha segue o Raul Gil, aquele apresentador de programas de calouros, do microfone dourado, também cantando o “Pára Pedro” e duas do Volta Seca, “Acorda Maria Bonita” e “Se eu soubesse”. Encerramos com “A festa do Bolinha”, sucesso nas vozes do Trio Esperança. Uma boa seleção musical, não é mesmo? Então, manda ver… e ouvir 😉
Juca Chaves
lé com lé, cré com cré
romina
+
Mauro Celso
farofa-fá
coceira
+
Moreira da Silva
morenguera contra 007
o analfabeto
+
Os Araganos
mexericos de vovó
pára pedro
+
Raul Gil
pára pedro
acorda maria bonita
se eu soubesse
+
Trio Esperança
a festa do bolinha
não me abandone (downtown)

Roberto Luna (1977)

Bom dia a todos! Estou aproveitando a semana para também atender alguns pedidos, que nunca saem na hora certa, mas que acabam aparecendo. É só uma questão de paciência. Nesse meio tempo, enquanto se espera, a gente vai ouvindo música 🙂 Por falar em ouvir, quero dar uma sugestão… Vocês já conhecem o Armazém da Saudade? É uma rádio web muito bacana, criada recentemente e com uma programação musical primorosa, dedicada à música popular brasileira, abrangendo os mais diversos estilos e épocas. O site tem uma programação musical perfeita, que combina bom gosto com qualidade. Quem ainda não conhece, depois do toque, não vai perder. Muito do que é postado aqui também se escuta por lá. O Hugo está de parabéns! No meu trabalho, eu e toda a turma já viramos ouvintes assíduos. É ligar e deixar rolar.

Bom, como eu dizia antes, estou atendendo à pedidos e o de hoje vai para um de nossos amigos visitantes que havia solicitado este disco do Roberto Luna. Comemorando vinte anos de sucesso, o selo RGE da Fermata lançou em 1977 uma série dedicada a alguns dos mais expressivos artistas que passaram pela gravadora. Me parece que esta série de aniversário era composta por grandes nomes, como Chico Buarque, Silvio Caldas, Paulinho Nogueira, Helena de Lima, o maestro Pocho e Roberto Luna. Trata-se, obviamente, de coletâneas, com músicas de sucesso desses artistas na RGE. O disco dedicado ao Roberto Luna reúne músicas gravadas por ele no período que vai de 1955 à 65. Temos aqui uma série de boleros famosos e canções apaixonadas, com destaque para o grande Lupicinio Rodrigues. Serve para relembrar e curtir uma coisa, que hoje nem sei se existe mais, ‘a dorzinha de cotovelo’. Confiram aí este toque, mas deixem o copo para depois das seis da tarde, ok? 🙂
vingança
história de um amor
nostalgias
confissão
relógio
seus olhos se cerraram
cadeira vazia
que murmurem
uma lágrima tua
castigo
wilma
o dia que me queiras

Silvio Caldas – Saudade (mini lp)

Olá! Bom dia a todos! Nessas duas últimas semanas temos falado aqui sobre os discos de vinil compactos. Como já foi dito, eles surgiram no Brasil no final dos anos 50 e ao contrário dos ‘singles’ americanos e europeus, de 45 rpm, por aqui eles vieram em 33. Ao longo do tempo de existência desses disquinhos algumas transformações ocorreram. A partir dos anos 80 eles foram substituidos pelos ‘singles’ de 12 polegadas, igual em tamanho ao LP. Tinha os de 33 e também de 45 rpm. Mas nos meados dos anos 60 a Musidisc apareceu com uma novidade, os mini lps. Estes eram discos no tamanho igual ao compacto, ou seja, de 7 polegadas, mas com um grande diferencial. Ao invés de duas ou até mesmo quatro faixas, os mini discos traziam dez faixas, ou dez músicas. Parece difícil de acreditar, mas ele conseguiram comprimir ainda mais os sulcos num espaço de 7 polegadas. A Musidisc chegou a lançar vários títulos nacionais e também internacionais. Eu tenho até hoje guardado um desses, do Donovan, com capinha igual ao lp. Mas o certo é que esse novo modelo não vingou. Não sei exatamente o motivo, mas em pouco mais de dois anos esses disquinhos deixaram de ser fabricados. Acredito talvez que o formato de compacto já carregava consigo a estigma de coisa barata e sem qualidade. Os compactos sempre tiveram essa conotação pejorativa. Outro motivo seria também o fato de esses discos necessitavam de um maior cuidado, pois qualquer arranhãozinho danificava ou prejudicava muito o som. Os sulcos, ficavam ainda muito mais próximos e a agulha saía com facilidade da trilha.

Temos aqui um exemplo de um mini lp, o primeiro nacional lançado pela Musidisc. Trata-se de Silvio Caldas numa reedição de seu antigo disco (de 10 polegadas), Saudades, lançado em 1952 pelo selo Rádio. Nesta nova edição a Musidisc manteve o mesmo nome (e provavelmente a mesma capa, que eu não tenho) e ao contrário do original que trazia oito músicas, neste temos dez. Foram incluídas as faixas, “Maria”, “Faceira” e “No rancho fundo”. Faltou apenas “Vestido das lágrimas”, música esta que não sei por que razão ficou de fora. Na imagem acima vocês podem ver a capa original e também o mini disco. A qualidade do som fica um pouco a desejar, mas como vocês já sabem, aqui é um lugar para se ouvir com outros olhos 😉
maria
suburbana
torturante ironia
faceira
quase que eu disse
favela
arrependimento
longe dos olhos
menos eu
rancho fundo

Zé Kéti – Sucessos de Zé Kéti (1964)

Bom dia amigos cultos e ocultos! Iniciamos a semana como prometido, alternando entre o disquinho e o discão. Abrindo nossa programação semanal, temos assim o compositor Ze Keti.

O álbum que eu estou apresentando, consta como sendo de 1967 em alguns sites, mas eu tenho cá as minhas dúvidas. Isso se deve ao fato de que na bibliografia musical do artista algumas de suas composições foram lançadas em 67, como “Máscara negra”. Mas curiosamente, no texto de contracapa do disco, temos este como sendo seu primeiro LP. Se foi mesmo o primeiro, então a data certa seria 1964. Depois de alguns enganos por parte do Dicionário Cravo Albin, passei a não considerar este como única fonte de informação. Por outro lado, o site Memória Musical Brasileira anda fora do ar. Daí ficou a dúvida, já que o disco não tem o registro da data de lançamento. Alguém aí pode dar uma luz?
Seja como for, o mais importante nós temos aqui, o artista e sua obra. “Sucessos de Zé Kéti” foi lançado pelo selo pernambucano Mocambo, da fábrica de discos Rosenblit. É um disco muito bom, um clássico da nossa música popular. Temos o sambista em onze composições próprias, sucessos como “Máscara Negra”, “Opinião”, “Vestido tubinho” e “Diz que fui por aí”.
Zé Kéti foi um dos grandes artistas. Esteve ao lado de outros grandes nomes do samba e da Velha Guarda foi literalmente um apresentador, ressuscitando nomes como Nelson Cavaquinho e Cartola. Nos anos 60 se destacou também ao lado de Nara Leão e João do Vale no Show Opinão, onde alguns de seus sucessos foram lançados…
Desculpem, amigos, mas esse tal horário de verão atropelou todo o meu ritmo biológico. Hoje eu estou com a cabeça ainda mais no ar. Tá difícil até para escrever. Melhor é ouvir…
prece de esperança
viver!
máscara negra
cicatriz
opinião
mascarada
poema de botequim
queixa
o favelado
vestido tubinho
diz que fui por aí

Compactos De Cantoras II

Amigos cultos e ocultos, seguimos ainda no fim de semana com os compactos. Como eu havia mencionado, na próxima semana ainda teremos mais disquinhos, mas desta vez farei de maneira alternada, quer dizer, um dia Long Play, no outro Compacto, ok?

Bom, hoje, como se pode ver logo acima, teremos as cantoras: Brigite, Clara Nunes, Claudia e Marisa. Quatro grande vozes e intérpretes da música popular brasileira das décadas de 60 e 70.
Começamos por Irene Andrade, cujo o nome artístico era Brigite. Cantora pouco lembrada, dona de uma voz forte e impostada, ficou mais conhecida por participações na Jovem Guarda. Ela ganhou este nome pela semelhança com a atriz francesa Brigitte Bardot. Mas neste compacto, seu primeiro disco, não tem nada a ver com a turma do Roberto Carlos. Aqui ela canta “Viola Enluarada” de Marcos e Paulo Sergio Valle e “Nosso amor é bem melhor” de Léo e Gilberto Karan. Começou bem a moça, mas depois de alguns outros compactos na linha romântica, sumiu do mapa. É muito difícil achar informações sobre ela. Os discos, nem se fala…
A segunda cantora é Clara Nunes. Esta dispensa apresentações. Neste compacto duplo, lançado em 1968, ela ainda não era aquela intérprete do gênero que a consagrou. Aqui temos Clara cantando versões de temas famosos internacionais feitas por Geraldo Figueiredo. Das quatro faixas destaco “Sozinha” uma versão adaptada da Suite nº3 de Bach, muito bonita.
Seguindo, vamos com Cláudia num compacto de 1971 trazendo “Mudei de ideia”, de Antonio Carlos e Jocafi. Do outro lado ela interpreta dos irmãos Valle, “Minha voz virá do sol da América”, uma gravação que, me parece, não chegou a ser lançada em nenhum dos seus lps. Raridade!
Finalmente chegamos em Marisa, outra grande cantora em um dos seus melhores momentos. Neste disquinho ela canta o sucesso “Viagem” de João de Aquino e Paulo Cesar Pinheiro. Do outro lado vai “Samba do Estácio”, composição de Cesar Costa Filho com Jair Amorim. Também muito bom! Vamos conferir?
Brigite
viola enluarada
nosso amor é bem melhor
+
Clara Nunes
mamãe
sozinha
o amor é azul
adeus a noite
+
Claudia
minha voz virá do sol da américa
mudei de ideia
+
Marisa
viagem
samba do estácio

Compactos Independentes – Coletânea (2009)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência às nossas postagens de compactos, vamos hoje nas edições independentes. Seguindo a política do “lugar onde se escuta música com outros olhos” fiz aqui uma salada mista bastante curiosa. Não vamos levar em conta a qualidade artística dos trabalhos ou gostos pessoais. A ideia é mesmo ver e ouvir esses fonogramas com outros olhos. Tenho aqui quatro compactos distintos, com artistas que nada tem a ver um com outro em estilos ou gêneros, mas no conjunto formam uma curiosa experiência musical.

Inicio com um disquinho da Família Castro Teixeira, um grupo católico do Padre Nereu, sacerdote da diocese da cidade de Oliveira (MG). Trata-se de um trabalho bem amador, mas as músicas trazem uma mensagem fraternal bacana. Consta como destaque “Berimbau” de Vinícius e Baden Powell. Para que coleciona versões dessa música, como eu, esta é mais uma e rara!
Outro disco curioso é o Dilúvio. Composições de Danilo Horta na voz de Freddy, cantor da noite em Belo Horizonte nos anos 70. Danilo Horta, pelo que tudo indica tem um parentesco com o mago das cordas, Toninho Horta. Isto é bem evidente ao lermos a ficha técnica. Participam desta produção os músicos mineiros, Célio Balona, Geraldinho Lima, Fernando Boca, Laércio Villar, Nenem e (claro!) Toninho Horta. Não sei a data de lançamento deste compacto, mas imagino que seja do final dos anos 60. Coisa rara!
Temos também outro mineiro, o cantor, compositor e ator Maurício Tizumba em seu primeiro trabalho fonográfico. Imagino que nem ele tenha mais este disco. Bacaninha 🙂
Para finalizar, vamos com o ‘peça rara’ Thildo Gama. Este guitarista baiano, já apresentado aqui em um álbum solo, volta mais uma vez assombrando e ressuscitando seu maior trunfo, a amizade com Raul Seixas. Só mesmo embriagado ou muito louco… (amigos é pra essas coisas)
Família Castro Teixeira
balada da caridade
berimbau
canto da gente
folha de papel
vai amor
+
Danilo Horta
dilúvio
canção para gisele
joão pintor
+
Maurício Tizumba
lembrança do cativeiro
marasmo
+
Thildo Gama
raulzito e seus panteras
adeus oxum rainha
jegue da jamaica
merengue da galinha
tributo à bob marley

Compactos De Festivais (1968, 70, 72)

Compactos de Festivais ou festival de compactos? É, pelo jeito teremos que prolongar por mais uma semana as postagens de compactos. Está ‘bombando’, como diz o outro… Acho que vou fazer o seguinte, na próxima semana, colocarei intercalado às postagens tradicionais, os disquinhos, ou então irei revezando. Vamos ver…

Hoje temos aqui três compactos de três diferentes festivais de música. Como podemos ver logo acima (ou logo a baixo), temos: o III Festival Internacional da Canção Popular de 1968 trazendo Cynara & Cybele cantando “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, música vencedora, que levou o primeiro lugar da festa. Do outro lado temos o terceiro lugar, “Andança”, de Danilo Caymmi, Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, aqui cantanda por Danilo e Vânia (Santos Leal de Carvalho, irmã de Beth Carvalho). Segue com o III Festival Universitário da Música Brasileira, de 1970. Neste temos o MPB 4 com o samba, “Amigo é pra essas coisas” de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Jr. Do outro lado segue o Gonzaguinha com sua música “Parada obrigatória para pensar”. No terceiro compacto vamos ter o VII Festival Internacional da Canção, de 1972, aqui representados por Jorge Ben e seu “Fio Maravilha” e o MPB 4 com “Viva Zapátria”, dos mineiros Sirlan e Murilo Antunes. Os disquinhos desta série não chegam a ser totalmente raridades, considerando que praticamente tudo dos antigos festivais pode ser encontrados na blogosfera, mas não deixam de ser uma boa e interessante opção. Vamos conferir? 😉
andança – danilo caymmi e vânia
sabiá – cynara e cybele
+
amigos é pra essas coisas – mpb 4
parada obrigatória para pensar – luiz gonzaga jr
+
fio maravilha – jorge ben
viva zapátria – mpb 4

Erasmo Carlos, Bob Lin, George Freedman, Os Caçulas, Os Vips – Compactos (1967 e 68)

Bom dia! Inicialmente eu gostaria de informar que algumas postagens antigas já foram reativadas, tais como Victor Jarra, e o português Fausto. No caso de encontrarem outros vencidos, basta avisar no Comentários ou pelo e-mail toquelinkmusical@gmail.com

Dando sequência em nossas postagens de compactos, temos para hoje cinco disquinhos da fase da Jovem Guarda. Como representante do Rei, temos o Erasmo Carlos de 1967 com seu sucesso “O caderninho”. Do mesmo ano temos a dupla paulista Os Vips que traz como ‘carro chefe’ a balada romântica de Roberto Carlos, “Faça alguma coisa pelo nosso amor”. Ainda deste mesmo ano segue o cantor das versões, George Freedman e o sucesso “Something stupid” na versão criada por Gileno (da dupla Lilian & Leno) , “Coisinha estúpida”. De 1968, segue outro cantor de versões, o Bob Lin com “Daydream believer”, aqui chamada de “Vivo Sonhado”. Para finalizar, vem o melhor de todos, Os Caçulas. Este grupo vocal era ótimo e aqui neste compacto eles trazem duas músicas que eu gosto muito e fez parte do meu repertório de favoritos. Quem nunca ouviu “A chuva que cai” ou “A matinê”? Esta última então é uma delícia. Eu não entendo porque até hoje não foi regravada por algum conjunto ou artista. A letra ficou um pouco ultrapassada, mas mesmo assim ela ainda mantém uma sonoridade moderna e cola logo no ouvido. Taí a diversão desta quarta-feira. Confiram… 😉
Erasmo Carlos
estrelinha
o caderninho
Bob Lin
tristeza de broto
vivo sonhando
bonequinha (bônus)
George Freedman
coisinha estúpida
nossa infância
Os Caçulas
a matinê
chuva que cai
Os Vips
faça alguma coisa pelo nosso amor
volte benzinho

Alda Perdigão, Dorinha Freitas, Martha Mendonça – Compactos

Olá amigos cultos e ocultos! Realmente o tal do compacto faz um sucesso danado e dar o maior ‘ibope’. Por isso, essa semana vai ser quente 😉

Para hoje trago três disquinhos bacana, com três cantoras que embora não tenham muito a ver uma com a outra, não deixam de ter em comum o fato de serem excelentes intépretes e de terem iniciado suas carreiras nos anos 50. Como podemos ver logo acima, aqui estão: Alda Perdigão, cantora paulista de grande potencia vocal, fez muito sucesso nos anos 50 não apenas pela presença e voz, mas por estar ligada ao ‘cast’ de emissoras de televisão, o que lhe garantia mais popularidade. Chegou a ter um programa exclusivamente dela, de 30 minutos, na TV Cultura de São Paulo. Dorinha Freitas é outra cantora paulista. Começou a carreira em 1956, meio que por acaso ao se inscrever, sem pretensões, em um programa de calouros na TV Tupi. Tirou o primeiro lugar, foi contratada pela emissora e logo em seguida lançou seu primeiro disco. Considerada uma das melhores vozes da era final do Rádio, gravou uma dezena de discos pela RGE, Continental e Copacabana. A terceira cantora é a mineira Martha Mendonça, que também estreou nos anos 50 pela Chantecler. Cantou em casas noturnas de São Paulo. Gravou vários discos e fez muito sucesso até fora do Brasil. Casou-se com o cantor Altemar Dutra e logo abandonou a carreira, se dedicando apenas à familia. Segue assim três estilos femininos diferentes, todas de grande talento. Confiram o toque…

Alda Perdigão
desespero
primeiro beijo
Dorinha Freitas
aqui neste mesmo lugar
descendo o morro
lamento
vento vadio
você é a saudade
Martha Mendonça
canção cigana
eu mesma

Chico Buarque – Compactos (1967-68)

Bom dia das crianças, amigos cultos e ocultos! Já faz um tempinho que eu não promovo aqui uma semana temática. Resolvi então iniciar esta, não exatamente com um tema, mas dedicada à um tipo de disco muito comum nos anos 60 e 70, os compactos, aqueles disquinhos de 7 polegadas que traziam geralmente uma música de cada lado. Os compactos, ou ‘single play’ foram lançados no final dos anos 50 e era discos de 17 cm de diâmetro que tocavam em 45 rpm. No Brasil eles surgiram em 33 rpm e sua capacidade era a de até 5 minutos de cada lado. Esses disquinhos eram geralmente utilizados para difundirem as músicas de trabalho de um álbum. Era uma espécie de pré lançamento, um ‘test drive’ para sentir a aceitação do público. Em alguns casos eram como amostra grátis, mas no Brasil se tornaram também uma alternativa econômica para aqueles que se aventuravam no mundo fonográfico, artista em seu primeiro disco e coisas assim. A popularidade dos compactos no Brasil durou até o início dos anos 80, quando então vieram os chamados ‘maxi single’, discos de 12 polegadas, mudando todo o conceito e matando de vez os compactos. Mas quem, na faixa dos 40, nunca teve nas mãos (ou na vitrola) um compacto? Quem não se lembra pelo menos daqueles disquinhos coloridos de estórias infantis? Hoje, Dia da Crianças, bem que eu poderia ter iniciado com um daqueles, mas prefiro deixar os discos infantis para quem já é especialista, o Cantos & Encantos. Vou começar nossa mostra de compactos abrindo com chave de ouro e também em homenagem ao retorno do meu amigo Chris Rousseau, recém chegado do ‘Velho Continente’. Para ele e também para todos vocês, estou postando dois compactos do Chico Buarque de Holanda, um de 67 e o outro de 68. Acho que não carece falar sobre o artista e suas músicas. Chico é figura notória e suas músicas também. Apenas complemento dizendo (ou escrevendo?) que os dois discos que temos aqui são mais que simples amostras de pré lançamentos. Temos o compacto simples de 1967 com a presença do MPB 4 em “Roda Viva”. No de 68 o compacto é duplo, quer dizer, com duas músicas de cada lado, sendo a faixa “Sem Fantasia” com a participação da irmã, Cristina Buarque. Temos assim, seis músicas, quase um lp.


1967:
roda viva
até pensei
1968:
bom tempo
pedro pedreiro
sem fantasia
sonho de um carnaval

Souvenir Musical (1959)

Olás! Finalmente consegui listar todas as postagens na barra lateral do nosso blog Toque Musical. Há tempos que a janelinha de busca de postagens não funciona corretamente. A gente digita um nome de um determinado artista, mesmo sabendo que ele foi publicado, mas a resposta vem como se não constasse nas postagens. Como não descobri a razão do erro, achei melhor criar a lista, já que muitos não ‘sacaram’ que a pesquisa poderia ser feita pela letra inicial ou datas. Sem dúvida, para a maioria, a nova listagem será mais cômoda. Mas vai chegar um momento em que esta relação se tornará inviável, devido ao número de postagens com marcadores. Enfim, vamos levando até onde for possível…

Para o nosso domingo, estou trazendo um disquinho dos mais interessantes. Por apenas duzentos cruzeiros ou um ‘clic’ no Comentários, vocês terão a oportunidade de ouvir este belo ‘Souvenir Musical’. Este lp, lançado em 1959 pelo selo Fantasia/Philips, segundo o texto da contracapa, foi feito de encomenda para turistas. Em especial para o amigo sueco, compensando a dor da perda na Copa do Mundo para o Brasil em 58. Trata-se de um álbum que reúne um variado leque de músicas do repertório popular brasileiro. São clássicos do nosso cancioneiro, mapeados de norte ao sul. Músicas que se tornaram ainda mais conhecidas e internacionalmente, graças à iniciativas como esta. É um disco bacana, com diferentes ritmos e artistas dos mais competentes, como podemos ver logo a baixo. Confiram essa pérola 😉
luar do sertão – paulo tapajós
boiadeiro – trio nagô
ogun-yara – jorge fernandes
mulher rendeira – maciel e sua orquestra
a lenda do abaeté – vanja orico
quadrilha é bom – marinês e sua gente
cidade maravilhosa – aurora miranda
ai, que saudades da amélia – ataulfo alves e suas pastoras
cristo nasceu na bahia – lyra do xopotó
canta maria – hélio paiva
saudosa maloca – marlene
risque – leal britto e seu conjunto

Olmir Stocker (Alemão) – Longe dos Olhos Perto Do Coração (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje vamos de música instrumental, que é legal e não faz mal. Estou trazendo um disco bacana do guitarrista Olmir Stocker, mais conhecido no meio artístico como Alemão. Este álbum me foi enviado já algum tempo pelo amigo Nilo, professor de violão e compositor recatado. Depois de deixar o álbum na fila de espera por mais de quatro meses, achei que já era hora de apresentá-lo aqui no Toque Musical. “Longe dos olhos, perto do coração” é, sem dúvida, um disco muito bonito, que eu devo confessar, nunca cheguei a ouvi-lo direito. De ontem para hoje passei ele na agulha umas três vezes. Muito bom! Música instrumental do jeito que eu gosto, sem firulas intencionais, mas competente e original. O álbum é um passeio pelo Brasil (talvez na carroceria de um caminhão – a bela capa me inspirou) com ritmos e composições que ilustram diferentes paisagens. Alemão é um fera nas cordas, seja na guitarra ou no violão. Com mais de meio século de estrada ele já tocou com muita gente. Foi o guitarrista do conjunto de Breno Sauer no início dos anos 60. Participou como instrumentista da Jovem Guarda ao lado de Roberto Carlos e Wanderléa. Em 1968 formou com Casé, Hermeto Pascoal e outros o conjunto Brazilian Octopus, lançando no ano seguinte um excelente disco instrumental. Fez parte do Grupo Medusa, outro conjunto instrumental nota dez. Tocou em turnês por diversos países tendo sua arte mundialmente reconhecida. Se você ainda não viu e ouviu este disco em outras fontes, aproveite agora para matar a sede 😉

poço da panela
piranha
sereia santa
litorina
lado mouro
quase inocente
coco quadrado
turma do rio
no caminho tem pinguela
china buena de garupa

Thiago De Mello – Estatutos Do Homem & Poemas Inéditos (1989)

Enfim chegou a sexta-feira! Mais uma vez vai ser ela o dia do artista/disco independente. Escolhi a dedo o disquinho para hoje, com todo o carinho para os amigos cultos e ocultos. O dia já está quase no fim, mas a intenção e a postagem permanecerão eternamente enquanto durarmos.

Hoje eu quero poesia, daquelas que atinge a sensibilidade e percepção de qualquer um. Coisa bonita de se ouvir. Que emociona até um coração de pedra. Foi por isso que escolhi um poeta dos meus favoritos, o grande Thiago de Mello. Sua poesia é direta, definida, feita para ser lida e cantada, assim como fez Drummond, Vinícius e como faz Paulo César Pinheiro. Não se trata de comparações, são apenas alguns dos meus poetas mais queridos, daqueles que nunca me canso de ouvir. Tenho certeza que muitos aqui compartilham do meu gosto e é mesmo para esses que eu trago este lp. Lançado no final dos anos 80, o disco do poeta reúne poemas, até então inédito, juntamente com um dos seus mais famosos, “Estatutos do Homem”, escrito em 1964, no Chile, quando foi adido cultural da embaixada brasileira naquele país. Tornou-se logo uma das mais consagradas poesias brasileiras, sendo conhecida e divulgada em vários países. No presente álbum podemos ter o prazer de ouví-las declamadas pelo seu autor, tendo ao lado a companhia de seu filho, o também poeta e músico, o saudoso Manduka. É dele a trilha sonora musical que embeleza ainda mais os “Estatutos do Homem & Poemas Inéditos”. Eis aí um disco para fechar com chave de ouro a semana. Confiram…
os estatutos do homem
a vida verdadeira
para repartir com todos
é natural mas fede
andirá – cantiga de caboclo
o silêncio da floresta
amazonas, pátria da água
tercetos de amor
linda vida
feliz insuportavelmente
num campo de margaridas
ontem sonhei com três rinocerontes
cantiga de natal quase de roda
***
Estatuto do Homem

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.


Orlando Silva – Orlando Silva, Hoje (1973)

Muito bem… vocês devem ter notado que as postagens estão com um pequeno atraso. Isto se deve a uma série de problemas aqui pelos meus lados. Falta de energia elétrica, falta de ânimo, falta de humor e principalmente falta de tempo. Comecei esta postagem hoje a tardinha, mas só agora estou tendo tempo para terminá-la. Acho que agora vamos regularizar…
Taí um álbum muito esperado, “Orlando Silva, Hoje”. Este disco, gravado em 1973 traz o “Cantor das Multidões”, já em fim de carreira, interpretando pela primeira vez compositores contemporâneos. Nomes como Taiguara, Caetano Veloso, Giberto Gil, Edu Lobo, Antonio Carlos & Jocafi, entre outros, formam o repertório deste disco singular na carreira de Orlando Silva. Curiosamente, entre seus discos, inclusive os mais antigos, este se tornou um dos mais procurados. Talvez por ter sido seu último álbum em vida. Fala-se muito no processo degenerativo de sua voz, devido ao álcool e a morfina. Mas, cá prá nós, seja ontem ou seja hoje, Orlando Silva foi sempre um grande cantor e intérprete. Este disco é uma prova de suas qualidades, mesmo já bem debilitado. Pessoalmente, acho o álbum nota 10! Confiram…

hoje
chuvas de verão
desespero
tua canção
rancho da mulher amada
prá dizer adeus
clarice
mancada
canção da lágrima
este é meu rio
o amor e a flor

Tito Madi – Quem É Da Noite Canta (1987)

Olá amigos cultos e ocultos. Depois de tantos afetos e desafetos, eu resolvi colocar uma campainha na porta. Em outras palavras, os comentários de agora em diante passarão por uma verificação prévia antes de serem publicados. Sinceramente, sempre achei isso um saco. É mais um fator que inibe o comentário. Mas, diante aos fatos quem vem ocorrendo, achei melhor fazer como os outros blogs. Chega de bate boca e polêmicas que não acrescentam nada ao objetivo principal. Não peço mais comentários e não publico mais ‘crititicas’. Chega de ameaças e hipocrisia. Antes um amigo oculto que um inimigo culto, muito embora eu saiba que todos os meus amigos e os demais visitantes são cultos. Afinal, música é cultura!

Vamos dando sequência com mais um disco bacana. Desta vez temos o grande Tito Madi em um disco muito bom. Lançado pelo selo 3M em 1987, este álbum, traz três músicas em parceria com Paulo César Pinheiro, a que dá nome ao disco, “Força nova” e “Estranhos”. Tem a clássica “Deusa da minha rua” de Newton Teixeira e Jorge Faraj, numa interpretação belíssima. Destaco ainda a faixa “Belo Horizonte”, composição de Tito em homenagem à capital mineira, muito bonita. Há outras também que fazem do álbum um trabalho de grande sensibilidade. Somando a tudo isso temos a participação de Nana Caymmi e músicos feras como Hervius Vilela, Célia Vaz, Nivaldo Ornelas, Mauro Senize entre outros… Um grande disco, pode conferir!
força nova
estranhos
cansei de ilusões
saudade envelhecendo
quem é da noite canta
deusa da minha rua
belo horizonte
morrer nos braços teus
fracassos de amor
clara paixão
se preciso eu choro
está nascendo um samba
cais do porto

Orlando Silva – Os Ídolos Do Rádio Vol.1 (1985)

Olá a todos! Como eu havia dito anteriormente, nesta semana, estarei postando alguns discos do Orlando Silva, alternando dia sim, dia não. Teríamos começado na segunda feira, não fosse a homenagem mais que merecida à cantora argentina Mercedes Sosa, falecida no domingo.

Seguimos com mais homenagens. Vamos então ao “Cantor das Multidões”. Trago hoje este álbum, lançado em 1985 pela Collector’s Editora Ltda. Trata-se do primeiro volume de uma série chamada “Os ídolos do rádio”, criada especialmente para colecionadores. As gravações contidas neste disco são muito raras e foram apresentadas ao público apenas uma única vez e em edição limitada. Até onde eu sei, a coleção não chegou a ser relançada em formato CD. A Collector’s Editora foi idealizada pelo radialista José Maria Campos Manzo. Formado em Economia, foi professor de Marketing e Propaganda na Fundação Getúlio Vargas e também na PUC Rio. Era um homem de boas idéias e seu grande sonho foi criar esta editora, resgatando a memória musical brasileira através da coleta de antigos fonogramas. Iniciou o trabalho ainda nos anos 60, mas somente na década de 80 conseguiu registrar a Collector’s. Durante todos esses anos ele reuniu mais de dois mil discos de 78 rpm e por volta de uns 200 programas de rádio. A partir dos anos 80 a empresa entrou em ação publicando em edição limitada e numerada os discos da coleção “Assim era o rádio” e “Os ídolos do rádio”. Ainda hoje (acho) é possível adquirir alguns dos discos dessas coleções através do seu site.
Nesta série temos os principais ídolos do rádio em apresentações ao vivo e exclusivas feitas para suas respectivas emissoras nas décadas de 40 e 50. Segundo informações contidas no texto dos álbuns, essa gravações eram feitas pelas rádios no sentido de permitir aos artistas e produtores um estudo de suas performances em cada programa. Depois eram descartadas ou empilhadas em depósitos sem maiores cuidados. Apenas alguns poucos colecionadores conseguiram o direito de conservar em seus arquivos pessoais essas preciosidades. No volume 1, dedicado à Orlando Silva, temos momentos impagáveis como o dueto com Francisco Alves no samba “Longe dos olhos” de Cristovão de Alencar e Djalma Ferreira, ou ainda, com Marília Batista na bem humorada “Recordações”, de Haroldo Barbosa e Newton Teixeira.
*Adendo: Em nome do bom senso e respeito por um trabalho tão importante. Estou retirando o link desta postagem. Fui informado que a Collector’s Editora continua na ativa e acho que é a ela quem vocês devem procurar. Desculpem-me amigos cultos e ocultos e ao pessoal da editora.
despacho
alma dos violinos
mentirosa
felicidade
serenata
recordações
canção do pavilhão
quero dizer-te adeus
brasil novo
faixa de cetim
e o vento levou
longe dos olhos

Mercedes Sosa – La Negra En Familia

Buenos dias! É com um tremendo pesar que inicio hoje a semana. Ontem, como já é sabido, faleceu La Negra, a grande cantora argentina Mercedes Sosa. Sem dúvida, uma grande perda, não apenas para a música argentina, mas também para todo o povo latino americano. Em sinal do nosso agradecimento, estou postando aqui um registro da cantora em uma apresentação ao vivo com seu irmão Cacho, seu filho Fabian e seus sobrinhos Coqui e Claudio. Essas gravações eu fui buscar em um blog argentino chamado “Los que no se consiguen“. A gravação nos traz 15 músicas e tem uma boa qualidade. Para tal, eu criei uma capa e contracapa, dando uma melhor identidade a este registro, que agora se faz histórico. Viva em nossos corações Mercedes Sosa!

si llega a ser tucumana
pescadores de mi rio
la soledad
serenatero de bombos
de fiesta en fiesta
la tucumanita
la plañidera
camino a quimili
zamba de los humildes
la estrella azul
zamba a monteros
el pais de las manzanas
el cosechero
puente de los suspiros
corazon vagabundo

Paraguassu – Canções De Amor (1970)

Olá! Ontem tivemos um dia cheio. Teve Baden Powell e antes que o dia findasse eu ainda postei um Orlando Silva, homenageando o artista na data de seu nascimento. Eu havia me esquecido… Como dizem, a pressa é a inimiga da perfeição e tanto ontem como hoje eu estou correndo contra o tempo. Perfeccionistas de plantão, queiram me perdoar! Fim de semana trabalhando, como diz a minha empregada, ninguém merece!

Para o nosso domingo ficar com um gostinho das antigas serestas, tenho aqui um artista pouco lembrado nos dias de hoje. Trago para vocês o cantor e compositor conhecido como o “Cantor das noites enluaradas”, o Paraguassu. Filho de imigrantes italianos, seu nome verdadeiro era Roque Ricciardi. Não sei ao certo se ele nasceu na Itália ou na capital paulista, mas no início de carreira era ironicamente chamado de “o italianinho do Brás”, embora só cantasse música brasileira. Por isso, resolveu mudar o nome artístico para Paraguassu, uma palavra essencialmente brasileira. Podemos encontrar seu nome escrito com cê cedilha, mas o certo (né não, Pasquale?) é com dois esses 🙂 Paraguassu foi um dos cantores/compositores mais populares do início do século passado. Compôs e gravou centenas de músicas, muitas bastante conhecidas e lembradas até os anos 60. Daí para frente seu nome caiu no esquecimento, como de certa forma vem acontecendo com a música de seresta. Tem gente que pensa que a música popular brasileira se resume ao samba e bossa nova. Gêneros como a valsa, a seresta, a toada e tantos outros precisam ser relembrados (isso para não falar dos regionais e folclóricos). Taí um desafio, gostaria de ver uma releitura moderna desses tipos de música. Acho que as novas gerações (na qual eu também me incluo, porque não) estão mais interessadas em gêneros que mexem mais com o corpo do que com espírito (o espírito da coisa).
“Canções de Amor” foi um álbum gravado no final dos anos 60 para o selo Premier da Fermata, onde o artista registrou alguns de seus maiores sucessos, acompanhado pelo Regional de Carlinhos Mafasoli. Confiram aí este toque, pois como este é difícil de achar.
canção de amor
luar do sertão
talento e formusura
ontem ao luar
u poeta du sertão
os teus olhos
reconciliação
mentirosa
perdão emília
amar em segredo

Orlando Silva – Depoimento RCA (1978)

Putz! Como pude deixar (quase) passar em branco a data de hoje?! Ainda bem que eu cheguei a tempo… Hoje, dia 3 de outubro, é a data do aniversário do ‘Cantor da Multidões’, o grande Orlando Silva. Eu deixei passar batido, nem lembrei… Ainda bem que o dia ainda não acabou, assim posso me redimir desta falha. Estou postando agora, mas acho que só vai entrar mesmo amanhã. Para compensar farei desta próxima semana um festival de Orlando Silva. Dia sim, dia não, vamos relembrar o saudoso cantor. Começo por este álbum duplo, um registro para ficar na história. Trata-se de um álbum depoimento onde o cantor fala de sua carreira, de sua vida e seus sucessos. Como convém a um disco tão importante, este é duplo e foi gravado em abril de 1978. Foi produzido e coordenado por Zuza Homem de Mello. O disco traz não apenas a fala do cantor, temos também as músicas, 31 gravações originais que ilustram bem toda a história contada por ele. Eis ai um trabalho dos mais interessantes e raro. Procurei não desmembrar a gravação, mantendo uma sequência linear dos lados A e B, conforme o disco. Temos assim, sem pausa ou intervalo o disco 1 e 2. Isso nunca saiu em cd (e nem vai). Confira aqui e vamos juntos soprar a velinha :*

carinhoso
rosa
mimi
lágrimas
mágoas de caboclo
lábios que beijei
juramento falso
boêmio
a última canção
abre a janela
caprichos do destino
neusa
nada além
enquanto houver saudade
meu pranto ninguém vê
eu sinto vontade de chorar
uma saudade a mais… uma esperança a menos
balalaika
a jardineira
meu consolo é você
dá-me tuas mãos
por ti
número um
como tu, ninguém
malmequer
súplica
coqueiro velho
em pleno luar
naná
lágrimas de homem
noite de garoa
carinhoso

Baden Powell – Gravado Ao Vivo Em Paris (1973)

Olá! Correndo contra o tempo, aqui vai a postagem do dia. Hoje eu já sei que nem a noite vou ter tempo para afinar a viola, portanto vamos com o que já está na agulha. Vamos mais uma vez com o grande violonista Baden Powell neste álbum gravado ao vivo em Paris. Escolhi este ‘álbum de gaveta’ porque é de um artista que não precisa de muitas apresentações, ainda mais aqui no Toque Musical. Baden é figurinha cativa. Neste show predominam as composições em parceria com Vinícius de Moraes e tem mais… inclusive Chopin e Bach. Disco lindo! Mas vou deixar os complementos e comentários por conta de vocês, amigos cultos e ocultos. Desculpem, mas estou atrasadíssimo! O trabalho me chama! Bye, bye…

garota de ipanema
valsa de eurídice
jesus alegria dos homens
marcha escocesa
berimbau
tristeza
samba triste
tristesse
consolação

Orestes Barbosa – Emílio Escobar – Grandes Autores Grandes Intérpretes (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Finalmente é sexta-feira, prenúncio do descanso, dia nacional da cervejada. Mas nessa eu vou apenas ficar olhando. Não posso beber e no sábado e domingo irei trabalhar 🙁 . Não sei nem se terei tempo para ir à Feira de Vinil & CDs Independentes, que neste fim de semana será em dose dupla, no sábado e domingo. Ela desta vez acontece na Praça da Savassi, mais exatamente no quarteirão fechado da Rua Antonio de Albuquerque, entre Cristovão Colombo e Alagoas. A feira acontece em paralelo ao Festival OutroRock, onde diversas bandas irão se apresentar. Um bom programa para o fim de semana. Quem estiver na cidade, não pode perder a festa. Eu vou fazer o possível para ir, pois sempre encontro raridades.

Bom, agora vamos ao disco do dia. Segue aqui um álbum da série Grandes Autores, Grandes Intérpretes, idealizada por Marcus Pereira para o selo Copacabana. Esta série é muito interessante porque busca resgatar antigos autores interpretados por cantores pouco conhecidos, mas de notável talento. Sem dúvida, uma grande sacada, uma coleção com autores de peso na voz de artistas que não circulam pela mídia. Neste álbum, o de número 3, temos o compositor Orestes Barbosa sendo apresentado ao lado dos parceiros Silvio Caldas e Francisco Alves em interpretações muito sóbrias do cantor da noite, Emílio Escobar. Os arranjos e regências são dos maestros Cyro Pereira e Marcus Vinicius. Participam também do disco músicos de calibre como Heraldo do Monte, Amilson Godoy, Dirceu Medeiros e muitos outros. O disco tem tudo de bom, só peca na prensagem. A qualidade do plástico vinil também não é lá grandes coisas, o que compromete a qualidade do som. Somado ao tempo em que ele ficou guardado juntando poeira, mesmo estando aparentemente novo, o resultado deixa um pouco a desejar. Contudo, vale a pena conferir o toque musical…
arranha céu
a mulher que ficou na taça
serenata
santa dos meus amores
por teu amor
chão de estrelas
quase que eu disse
suburbana
torturante ironia
não sei

Rio, Cidade Maravilhosa (1960)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui vou eu me repetido no discurso e na saudação. Fica difícil ser diferente quando, mesmo sem querer, eu fui criando um formato tão pessoal para o meu blog. Isso se deve muito ao fato de que em um determinado momento eu precisei provar a todos que este espaço é estritamente amador, sem prentensões que vão além do meu desejo de trazer até vocês discos raros e que não se ouve mais. Não faz sentido para mim possuir ou ter acesso a riquezas fonográficas que eu não possa compartilhar. Amor como este não se faz sozinho. É preciso levá-lo a quem precisa ou àqueles que estão em mesma sintonia. Isso é diferente de querer sair na frente. De estar em busca de outros propósitos e objetivos. Isso aqui não é feito por jornalistas, estudantes de comunicação, ensaístas ou profissional do ramo de entretenimento pela web. Também não é o blog do ‘Gerson’, pois não penso em levar vantagem em nada. O Toque Musical é apenas um espaço amador e pessoal. Daí, cheio de falhas como deve caber a quem não é profissional. (putz! até rimou!)
Deixando de lado a polêmica (dizem que eu adoro!), vamos ao que interessa… Tenho aqui um álbum maravilhoso cujo o tema é uma cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Em 1954, o maestro Radamés Gnattali foi chamado para orquestrar a “Sinfonia Popular em Ritmo de Samba”, uma obra criada pelos então jovens compositores Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco. O disco, de 10 polegadas, saiu naquele ano contando com a participação de grandes nomes como Dick Farney, Elizete Cardoso, Lúcio Alves, Gilberto Milfont, Os Cariocas, Doris Monteiro, Emilinha Borba, Jorge Goulart e Nora Ney (será que eu esqueci alguém?). Em 1960, Radamés é novamente chamado para uma segunda versão, agora neste álbum de 12 polegadas intitulado, “Rio, Cidade Maravilhosa” que eu apresento a vocês. Diferente do primeiro, neste, também da Continental, temos uma homenagem à cidade carioca, onde desfilam algumas das mais famosas músicas feitas louvando a belíssima capital fluminense. O álbum se divide em dois momentos. No lado A temos a referida segunda versão da Sinfonia do Rio de Janeiro, tão boa ou melhor que a primeira. Pessoalmente gosto mais desta. Nela encontramos um novo grupo de estrelas, algumas até da versão anterior. São eles: Os Cariocas, Risadinha, Luely Figueiró, Albertinho Fortuna, Nelly Martins, Maysa, Jamelão e Ted Moreno. No lado B temos outras sete músicas interpretadas pelo Coral de Severino Filho, Maysa e Albertinho Fortuna. Maravilha total! Este disco voltou a ser relançado com outra capa no início dos anos 80 e até já foi postado no amigo Loronix (aliás, os dois!). Tomei a liberdade de incluir o disquinho de 54, postado pelo Zeca, juntamente com este que eu estou apresentando agora. Assim fica mais fácil entender e com certeza, com esta capa, vai encher a boca de muito colecionador. Taí, uma pura raridade…

sinfonia popular em ritmo de samba – radamés gnattali
cidade maravilhosa – coral de severino filho
copacabana – maysa
valsa de uma cidade – coral de severino filho
fim de semana em paquetá – albertinho fortuna
corcovado – coral de severino filho
primavera no rio – coral de severino filho

Taiguara – Canções De Amor E Liberdade (1983)

Olá a todos os amigos cultos, ocultos, tensos e pretensos! (tenho cada amigo…)

Ontem eu alarmado, havia anunciado o fim do blog A Música Que Vem De Minas. Na verdade, o seu próprio administrador foi quem me avisou de que o blog havia sido retirado. Isto realmente me deixou preocupado, pois uma nova onda de caça às bruxas está de volta. Vimos aí o caso recente do blog Um Que Tenha, fechado a pedido das gravadoras e de alguns artistas (mas parece que ele já está de volta em novo endereço). Para piorar alguns artistas que antes carregavam a bandeira do liberalismo total, agora estão dando para trás (leiam aqui). Esse ‘mundo’ é muito doido mesmo, enquanto for vantajoso, “coloca aí o meu disco, mas não fala que fui eu quem liberou”. É por essas e por outras que eu só viajo no’ túnel do tempo’. Novidade aqui só se for independente, por solicitação, simpatia ou intimidade.

Agora, vamos ao disco… Depois de ter passado mais de década sem gravar, Taiguara retorna ao Brasil e lança em 1983 o álbum “Canções de amor e liberdade”. A concepção deste álbum nasceu quando ele ainda estava na Tanzânia. Como sempre, muitas das faixas foram cortadas pela censura e logo em seguida liberadas, apenas para não perderem o costume. Não se trata de um trabalho de protesto, embora sua obra seja pautada nas questões sociais. O disco traz músicas lindas. São canções inspiradas em ritmos sulistas e uruguaios como a zamba portenha, o rasqueado… tem também um bolero, “Anita”, uma composição dedicada à Anita Leocádia, filha de Olga e Luis Carlos Prestes. “Estrela vermelha”, composição antiga feita por seu avô. Taiguara regravou também “Índia” em sua forma original, com a partitura para piano de José Assunción Flores. “Voz do leste” é uma toada com participação da dupla sertaneja Cacique e Pagé. A orquestração, em muitas faixas, é do maestro Gaya. O disco realmente busca uma nova retomada para o cantor. Contudo, não chegou a ser uma sensação, talvez porque Taiguara, como ele mesmo disse, se sentia um tanto estagnado, necessitando reaprender, reciclar seu momento como músico numa era dominada pela tecnologia. Percebe-se que o artista ainda naquele momento se sentia deslocado e desencantado com situações semelhantes as que o levou ao auto exílio nos anos 70. Depois deste álbum ele ainda chegou a gravar mais um disco, o cd “Brasil Afri” pela Movieplay em 1994. Faleceu dois anos depois, vitíma de um tumor na bexiga. Uma pena… uma grande perda 🙁
Nesta postagem eu resolvi incluir também uma entrevista dele dada à reporter do programa de rádio Notícias do Brasil, logo depois de lançar seu último trabalho. Confira aí…

anita
índia
voz do leste
mais valia
che tajira
moina me sorriu
o amor da justiça
estrela vermelha
guarânia, guarani
marília das ilhas
américa del índio
avanzada

Eles Fizeram O Sucesso (1970)

Olá amigos cultos e ocultos, do Brasil e do mundo, bom dia! Como diz o outro, o bambú racha mas não quebra. O condor tá com dor, mas ainda voa 😉

Ontem tive a desagradável surpresa de ver que o blog A Música Que Vem De Minas foi fechado. Conversei com o dono do blog e este me informou não saber o motivo. Ele não recebeu nenhuma notificação, apenas o tiraram arbitrariamente. O cara já estava a oito meses postando, só música mineira ou de artista deste estado. Já tinha um público fiel e não era do tipo que faz alarde. Suas postagens eram como a do Toque Musical, apenas discos fora de catálogo, exclusivamente retirados de vinil. Uma pena… Espero que ele não desista e retome o trabalho em outro endereço. Pelo jeito que vai a caravana, os cães estão mais ousados. Sem coleira, já começam a atacar. O melhor é ficar vacinado…
Bom, aqui vai o disco do dia… Hoje estou trazendo esta coletânea da Odeon, através de seu selo Imperial, especializado em vendas diretas a domicílio. O álbum, lançado em 1970, traz seis nomes importantes da ‘velha canção’, como pode ser conferido na capa logo acima. São gravações ainda do período das bolachas de 10 polegadas em 78 rpm. Acredito que temos neste lp coisas raras. Fonogramas que se perderam no tempo (quiçá, até mesmo nos arquivos da gravadora). Confiram aí antes que o Totó apareça… 😉
até quando – silvio caldas
no apartamento discreto – carlos galhardo
um pedaço de mim – gilberto alves
assunto velho – déo
há sempre alguém – orlando silva
canta maria – candido botelho
boneca – silvio caldas
morena faceira – carlos galhardo
meu amor – gilberto alves
tu és esta canção – déo
não terminei tua canção – orlando silva
cena de senzala – candido botelho

Dick Farney – Ao Vivo (1986)

Bom dia! Começamos a semana super bem acompanhado pelo nosso ‘jazzman’ Dick Farney. Um artista que já não carece de tantas apresentações aqui no Toque Musical. Seu talento e sua história são notórios. Excelente instrumentista, cantor e compositor. Talvez nos dias atuais (e após a sua morte) ainda mais conhecido e reconhecido do grande público como um dos precursores da Bossa Nova. Seus discos passaram a ter um interesse ainda maior. Até os seus primeiros álbuns, raridade total, voltaram a pipocar em todos os lugares e principalmente nos blogs musicais. Tenho para mim a certeza (e sem pretensões) de que nós blogueiros contribuímos muito para que isso acontecesse. A onda da Bossa Nova é eterna e se constitui na modernidade como a base de criação para muitos artistas, não apenas no Brasil. Daí, tudo ligado a ela é de interesse. Dick jamais ficaria fora dessa, mas seu valor não se limita a um único gênero. Dick Farney foi demais…

O álbum que apresento foi seu último trabalho fonográfico. Gravado ao vivo, em agosto de 1986, no restaurante Inverno & Verão de Romualdo Zanoni. Naquela década o empresário da noite trazia para a sua casa grandes nomes da MPB como Cauby Peixoto, Zimbo Trio, Raul de Souza, Tito Madi e muitos outros. As apresentações eram todas gravadas para a produção em discos com tiragens exclusivas, os quais eram distribuídos aos seus clientes. Entre os diversos artistas e títulos lançados, Dick Farney também foi um deles. Neste álbum não há nada inédito, seu repertório é formado de ‘standards’, músicas que marcaram a sua carreira. O que não deixa de ser ótimo, ainda mais sendo ao vivo. Dick vem acompanhado por músicos que já o seguiam de outras jornadas, como o baterista Antonio Pinheiro Filho, o Toninho, que faz com ele a parceria vocal em “Tereza da praia”. Exatamente um ano depois Dick Farney viria a falecer. Se Zanoni tivesse uma bola de cristal, talvez tivesse gravado um álbum triplo.
Este álbum, embora tenha sido lançado pela Band Discos, pode ser considerado como independente. Daí, a ‘segundona’ fica valendo como tal… Confiram o toque…
perdido
copacabana
este seu olhar
nick bar
a saudade mata gente
aeromoça
tereza da praia
uma loura
pouporri cassino da urca
(i only have eyes for you)
(embraceable you)
(tea for two)
(night and day)

Dalva de Oliveira – Homenagem À Francisco Alves (1952)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu ainda na reserva, parecendo um ‘junk’, cheio de furos de agulha nos braços. Falando assim, parece até que eu estive hospitalizado por semanas, mas não foi nada disso. Apenas tive uma indisposição alimentar, daí fui ao pronto-socorro, tomei na agulha Buscopan, Omeprazol e soro. Seriam no máximo três picadas se não fosse a inexperiência do enfermeiro que me atendeu. Para completar a peneira, no dia seguinte tirei sangue e ainda me aplicaram um contraste para uma tomografia no estômago. Vejam só vocês o que passa um ‘condor’ (realmente, com dor).

E falando em dor, hoje, dia 27 de setembro fazem 57 anos que morreu o Chico Viola. Como é sabido, Francisco Alves morreu tragicamente em um acidente de automóvel na Via Dutra, em 1952. Sua morte causou comoção nacional e até hoje temos ecos daquele momento. Uma grande perda de um dos artistas mais populares e queridos do Brasil.
Em homenagem póstuma, Dalva de Oliveira gravou naquele mesmo ano a marcha rancho “Meu rouxinol”, composição feita por Pereira Mattos e Mário Rossi. Até onde eu sei, esta gravação foi lançada apenas em uma bolacha de 78 rpm. Uma raridade que merece ser revista. O curioso deste disco fica por conta do seu conceito simbólico, temos de um lado a canção interpretada por Dalva e do outro o silêncio. A agulha corre por uma trilha silenciosa da borda ao centro do disco. O Rei da Voz se cala.

João Nogueira – O Homem Dos Quarenta (1981)

Meus amigos, atrasei com a postagem de ontem porque não estou podendo digitar textos devido às inúmeras picadas de agulha que recebi no braço para tirar sangue, tomar sôro e outros exames que andei fazendo. Comecei a escrever e meu braço inchou. Por isso irei devagar…

Segue aqui um João Nogueira ‘de gaveta’, num disco já bem conhecido por todos, mas que é sempre bom relembrar. Paro por aqui… meu braço está doendo, desculpem…
homem dos quarenta
meu dengo
besouro da bahia
pimpolho moderno
transformação
minha missão
dinheiro nenhum
juramento falso
coisa ruim demais
temores

Adler São Luiz – Tambô De Criola

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje está sendo um dia de recuperação para mim. Estou ainda um pouco baqueado e ao contrário das outras sextas-feiras eu pretendo ficar ‘pianinho’ em casa, quieto para sair logo desse desconforto.

Como durante a semana eu ainda não postei um artista independente, vamos fazê-lo hoje. Aliás, a sexta-feira tem sido mesmo para isso. Mas eu não quero instituir o dia para esta única finalidade. Os discos independentes virão sem hora marcada, mas procurarei mantê-los semanalmente.
Hoje temos aqui um artista maranhense, pouco conhecido (ou divulgado?) aqui pelas bandas do sul – Adler São Luiz – que trocou corretamente o Z pelo S (provavelmente depois da ‘chamada’ do nosso amigo professor Pasquale). Ele agora atende por Adler São Luis 🙂 e continua mandando ver (e ouvir). Adler é um cantor e compositor com músicas gravadas por artistas importantes. Zezé Motta, por exemplo, gravou dele “Merengue” no disco Quarteto Negro.
Neste álbum que, me parece, foi seu primeiro e único, temos o artista apresentando dez composições próprias ao lado de convidados especiais como Luiz Melodia, Marcos Suzano, Paulo Moura e outros mais… Pessoalmente, gostei do disco que até então eu não conhecia. Vale o toque musical. Confiram…
louco feliz
nó-destino
sanfoneiros do brasil
choro chinez
bateu tambô
vida cigana
a metamorfose
aquele merengue
eu sinto seu sentimento
yrarapurana

Saudades Da Minha Terra (1988)

Olá! Bom dia para todos nós! Nessa saudação eu também me incluo. Estou precisando que meu dia seja ainda mais feliz. Não quero estar sentindo o mesmo mal estar de ontem. Até agora vai tudo bem… É interessante como o poder da música nos é curativo. Realmente, ela cura o corpo e alma. O que seria de mim se não fosse a música. Isso me fez lembrar agora de uma composição do genial Péricles Cavalcanti, chamada “Eu odeio música”, a qual define exatamente o que eu sinto pela música. Mas vou deixar o Péricles (completo) para um outro momento. Vamos de volta aos antigos…

Hoje eu estou postando um trabalho dos mais interessantes e importantes para o resgate da nossa música. Mais um álbum criado por Paulo Iabutti e seu selo Evocação. Não tive tempo de me aprofundar na pesquisa sobre quem ele é, mas do pouco que tenho de informação sei que foi o responsável por trazer de volta nomes esquecidos e dos primórdios da música popular brasileira. A produção, seleção musical e até a arte da capa são de Paulo. Bacana! Isso é que é paixão pela música! Neste álbum, como se pode ver pela capa, estão incluídos doze fonogramas raros que certamente só voltaram a ser ouvidos uns 5o anos depois. Acredito que antes deste disco, nenhuma das gravações chegaram a ser relançadas. São obras que correspondem ao período que vai de 1929 a 45. Na contracapa do lp temos um texto de apresentação onde o autor, Estevam de Andréa, nos fala sobre cada uma das músicas, um dado fundamental e que valoriza ainda mais o álbum. Há também um encarte interno onde são apresentados os artistas. Perfeito! Todo disco deveria ser assim. Fica aí o meu toque musical do dia. Espero que apreciem…
nancy – moacyr bueno rocha e orq. de concertos columbia (1932)
nem que chova canivete – patrício teixeira e orq. columbia (1933)
amarga serenata – jorge amaral e orq. de salão (1936)
japonezinha – dalva de oliveira, dupla preto & branco c/ benedito lacerda (1939)
allô john – jurandyr santos e orq. columbia (1933)
nossa senhora do amparo – arnaldo pescuma e conjunto serenata (1937)
saudades da minha terra – januário de oliveira e conjunto serenata (1937)
é batucada – antonio moreira da silva e gente do morro (1933)
perdão emília – paraguassu com rago e seu conjunto (1945)
saudades – jayme redondo e trio ghiraldini (1929)
eu sou celibatário – deo com nicolini e sua orquestra (1937)
amando sobre o mar – ubirajara e orq. colbaz (1932)