Carlos De Alencar – Jóias Da Canção Brasileira (1964)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Estou no atraso com vocês. Voltei da minha licença médica cheio de pendências e outras providências. Muito trabalho para compensar o tempo parado. A cobrança é geral, mas eu agora estou aprendendo a relaxar. Vou na medida do possível. Espero que vocês tenham paciência, ok?

Hoje é aniversário do Caetano Veloso. O baiano completou 70 anos e nem parece, não é mesmo? O cara está envelhecendo bem. É isso aí, salve Caetano! Parabéns, que ele merece. Merecia talvez uma homenagem, aqui do Toque Musical, mas infelizmente não houve tempo. Mas fica valendo aqui o nosso abraço ao grande artista.

A postagem de hoje, pra compensar, é uma preciosidade. Um disco raro que só se vê mesmo num blog como o TM. Tenho para vocês algumas das mais belas “Jóias da Canção Brasileira”, interpretadas pelo tenor Carlos de Alencar. Pernambucano de Olinda, mudou-se para o Rio de Janeiro e depois Belo Horizonte, onde fixou residência, tornando-se na capital mineira um dos seus mais destacados cantores eruditos. Integrou o Madrigal Renascentista e o Orfeão Mineiro. Este lp foi lançado de maneira independente pelo selo da “Edições e Produções Galáxia. Ao que tudo indica no texto da contracapa, Galáxia também era o nome do grupo, do conjunto que acompanha aqui o cantor. O álbum é, sem dúvida, muito bonito e vale conhecer. Uma seleção de canções clássicas do folclore brasileiro. Raridade total!

foi o boto, sinhá

casinha pequenina

uiarapuru

maringá

manhã nungara

guacira

canção da felicidade

noite cheia de estrelas

tamba tajá

chuá chuá

sabiá

quizera

cobra grande

dei ao mar pra guardar

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 29 (2012)

Após uma semana de ausência, motivada pelo aniversário do nosso Toque Musical, estamos de volta com o Grand Record Brazil, em sua edição de número 29. O coquetel da semana tem quinze fonogramas com os mais variados intérpretes, para enriquecer os acervos de muitos colecionadores.

Para começar, apresentamos uma cantora incluída entre as pioneiras na interpretação e gravação de temas folclóricos: Elsie Houston (Rio de Janeiro, 1902-Nova York, EUA, 1943), soprano que era filha de um dentista americano do Tennessee, no Rio desde 1892, e de uma carioca descendente de portugueses da Ilha da Madeira. Estudou canto lírico na Alemanha em 1922 e tomou o gosto por nosso folclore ao conhecer o maestro e compositor Luciano Gallet. Casou-se, em 1927, com o poeta e militante trotskista Benjamin Peret, durante temporada em Paris, e tiveram um filho em 1931. No mesmo ano, hostilizado pelo governo getulista, o casal mudou-se para a França. Em 1936, Peret foi lutar na Guerra Civil Espanhola e se envolveu com uma pintora hispano-americana, motivo que faria Elsie, um ano mais tarde, mudar-se para Nova York. Em 1939-40 apresentou na rede de rádio NBC o programa “Fiesta pan-americana”, onde divulgava nossa música. No dia 20 de fevereiro de 1943, Elsie Houston foi encontrada morta em seu apartamento na Park Avenue, não se sabe até hoje se por assassinato ou suicídio! Aqui, poderemos ouvi-la numa gravação de 26 de setembro de 1933, feita na Gramophone Company de Paris,  na qual interpreta dois temas harmonizados por ela mesma: “Berceuse africano-brasilienne” e Óia o sapo”, disco original K-7055-B, matriz OPG 1017-1. Em seguida, Gastão Formenti (Guaratinguetá, SP, 1894-Rio de Janeiro, 1974) apresenta um de seus mais queridos e conhecidos sucessos: o cateretê (que mais parece rumba) “De papo pro á”, da parceria Joubert de Carvalho-Olegário Mariano, em gravação Victor de 28 de agosto de 1931, lançada em outubro do mesmo ano, disco 33469-A, matriz 65226. Convém lembrar aliás que jereré, citada na letra, não é uma cidade mas sim um tipo de rede de pesca. Pescar de jereré equivale a pescar de anzol. Editado como “canção regional”, “De papo pro á” tem vários registros e é até hoje muito conhecida e lembrada. O contracanto é feito por Castro Barbosa, sem crédito no selo e o acompanhamento por “orquestra típica”. Dilú Mello (Maria de Lourdes Argollo Oliver, Viana, MA, 1913-Rio de Janeiro, 2000) também foi séria pesquisadora de nosso folclore, e deixou mais de cem composições. Aqui, um de seus hits, bastante conhecido: a toada “Fiz a cama na varanda”, dela em parceria com Ovídio Chaves, lançada pela Continental em abril de 1944, disco 15126-A, matriz 724, com acompanhamento do Conjunto Tocantins, que também faz coro. Outra peça que tem inúmeros registros, entre eles os de Stelinha Egg, Inezita Barroso e Nara Leão. De ascendência alemã, o carioca Breno Ferreira Hehl (1907-1966) foi cantor enquanto estudava direito, e abandonou a advocacia depois de se formar. Também foi pioneiro do cooperativismo no Brasil, tendo publicado vários livros técnicos, e foi o descobridor de Dolores Duran. Eis Breno Ferreira em sua obra mais conhecida, por certo: a embolada “Andorinha preta”, por ele composta em 1925, e que gravaria sete anos depois, na Columbia, neste registro lançado em maio de 1932, disco 22136-B, matriz 381255. Foi regravada mais tarde, entre outros, por Nat King Cole, Trio Irakitan e (vejam vocês!) Hebe Camargo. Os Trigêmeos Vocalistas aqui comparecem com um corimá (gênero afro-brasileiro) de João da Baiana, “Ogum Nilê”, por eles gravado na Odeon em 31 de maio de 1950, com lançamento em agosto seguinte com o n.o 13033-A, matriz 8633. No selo original, é dado como co-autor Raul Carrazatto, um dos Trigêmeos, mas em 1957, quando o próprio João da Baiana regravou a música, Raul sumiu da parceria, nem sequer sendo creditado! Por que será? Vamos agora comentar sobre três gravações do GRB desta semana, feitas em 7-8 de agosto de 1940, a bordo do navio “S.S.Uruguai”, então atracado no porto carioca, sob a supervisão do maestro britânico Leopold Stokowski (Londres, 1882-Hampshire, 1977), que então excursionava com sua All American Youth Orchestra. A nata da MPB naqueles tempos foi escalada para fazer uma série de 40 gravações, com plateia formada pelos músicos da orquestra de Stokowski. Destas, dezessete saíram em disco nos EUA pela Columbia, no início de 1942, em dois álbuns de 78 rpm com quatro cada um, intitulados “Native brazilian music”. O GRB apresenta, desta série que só saiu no Brasil em 1987, em LP da Funarte, três registros preciosíssimos: o ponto de macumba “Caboclo do mato”, de Getúlio “Amor” Marinho e João da Baiana, interpretado por ele mesmo em dupla com Janir Martins, sendo a flauta do mestre Pixinguinha (disco 36504-B, matriz CO-30151),  a embolada “Bambo do bambu”, de Donga e Patrício Teixeira, interpretada por Jararaca e Ratinho (disco 36505-B, matriz CO-30156), e o samba, também de Donga, “Passarinho bateu asas” (disco 36508-B, matriz CO-30149), na voz de Zé da Zilda. Histórico! Isaura Garcia, a “personalíssima”, cantora de longa carreira e inúmeros sucessos, vem aqui com um deles, em dueto com o mineiro (de Viçosa) Hervê Cordovil: o baião “Pé de manacá”, de Hervê com Mariza Pinto Coelho, em gravação RCA Victor de 22 de junho de 1950, lançada em setembro do mesmo ano, disco 80-0686-A, matriz S-092695. Eles já cantavam a música em dueto na Rádio Record de São Paulo, e o sucesso se repetiu em disco. Conhecidos como “os reis do riso”, Alvarenga e Ranchinho aqui estão em uma das páginas mais conhecidas e apreciadas de seu repertório: a “valsa fúnebre” “Romance de uma caveira”, deles próprios mais Chiquinho Sales, em gravação Odeon de 2 de fevereiro de 1940, lançada em março seguinte, disco 11831-A, matriz 6301. No acompanhamento, o conjunto do violonista Rogério Guimarães. Quem nunca ouviu que atire a primeira pedra! A seguir, duas gravações lançadas somente em LP: a primeira é a conhecida toada “Chuá, chuá”, de Pedro de Sá Pereira, Ary Pavão e Marques Porto, os três por coincidência gaúchos. Foi lançada na revista teatral “Comidas, meu santo!”, em 1925,  por Roberto Vilmar, sendo depois levada a disco pelo cantor Fernando. Aqui, quem a interpreta, acompanhada pela orquestra de Rafael Puglielli, é a dupla Cascatinha e Inhana, em registro lançado pela Todamérica em 1958 no álbum “Os sabiás do sertão” (LPP-TA-316). A outra é a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, cuja primeira gravação, na voz de Paraguassu (1930), apresentamos na edição anterior do GRB. Aqui, a regravação de Patrício Teixeira, feita em 1956 para o LP de dez polegadas da Sinter “Festival da velha guarda” (SLP-1074), o único registro por ele feito após seu último 78 rpm, que saiu em 1944. Stefana de Macedo (Recife, PE, 1903-Rio de Janeiro, 1975) também foi séria pesquisadora do folclore brasileiro. Ela aqui comparece com o coco “Ronca o bisouro na fulô”, recolhido por ela mesma, em gravação lançada pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5147-A, matriz 380432. Pra finalizar esta nossa edição do GRB, duas composições do mestre baiano Dorival Caymmi. A primeira, interpretada por ele mesmo, é a clássica canção praieira “O mar”, em registro Columbia de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, disco 55247, matrizes 328-329, ocupando os dois lados do disco. O acompanhamento orquestral foi concebido por Guerra Peixe, conduzido com maestria por Lírio Panicalli. A segunda é uma canção de ninar interpretada pelo Trio de Ouro em sua primeira fase (Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Chagas): “História pra sinhozinho”, gravação Odeon de 15 de março de 1945, lançada em maio seguinte com o n.o 12573-B, matriz 7779, e acompanhamento de conjunto de estúdio da “marca do templo”, faixa esta que encerra com chave de ouro o nosso GRB da semana. Para apreciar e sobretudo guardar!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

**ESTA SELEÇÃO MUSICAL FOI EXTRAÍDA DO SITE GOMA-LACA, RESPONSÁVEL PELA DIGITALIZAÇÃO DOS FONOGRAMAS.

Pixinguinha – Vida E Obra (1978)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Como primeira postagem dentro dos 5 aninhos do blog, fiz questão de escolher um artista que representasse a grandiosidade (hum…) do momento. Entre os melhores e que mais gosto está o Mestre Pixinguinha. Afoito, ao escolher o disco, eu não percebi que o mesmo era um álbum duplo e estava incompleto, faltando o disco 2. Xiii… essa foi mal. Foi mal porque terei que procurar novamente este álbum e infelizmente não vai ser possível faze-lo de imediato. Inclusive, nos próximos dias, não poderei fazer novas postagens. Acabou as férias, a licença médica e tem um montão de serviço me esperando neste resto de semana. Estou viajando a trabalho e só volto na segunda feira seguinte. Até lá, deixo vocês apreciando o Pixinguinha incompleto, mas prometo que assim que voltar, dou um jeito.

Este álbum é bem bacana, reunindo vários momentos da música do Mestre. Foi lançado pelo selo Som Livre em tiragem limitada, como brinde exclusivo de fim de ano da Rede Globo. O álbum além de ser duplo, traz encadernados 58 páginas com textos e fotos históricas, a discografia completa e seus intérpretes. Realmente um álbum que vale não só pelo conteúdo musical. O texto e seleção musical foram do jornalista Sérgio Cabral. Uma belíssima coletânea que vale a pena conhecer. Fico devendo o outro disco, aguarde…

carinhoso – pixinguinha

urubú – os oito batutas

os cinco companheiros – paulinho da viola

rosa – orlando silva

patrão prenda seu gado – almirante

1 x 0 – pixinguinha e benedito lacerda

vou vivendo – dilermando reis

os oito batutas – conjuto época de ouro

benguelê – conjunto rosa de ouro

ingênuo – jacob dobandolim

 

Toque Musical – 5 Anos De Resistência!

Muito bom dia a todos! Hoje a data é especial aqui no blog, pois estamos completando cinco anos de atividades. Mais uma vez eu vou repetir, não esperava chegar até aqui. E quando eu digo isso, não é por conta da pressão, do descrédito e do despeito de alguns que passaram por aqui como nuvens negras. Isso eu sempre tirei, literalmente, de letra. O que eu não acreditava é ter tempo e paciência para uma empreitada diária. Se bem que, quando a gente faz uma coisa que gosta muito, não vê o tempo passar e em se tratando de música, discos e gravações, eu me dedico com afinco. Meu prazer é estar envolvido neste universo musical e ter o privilégio de poder ouvir, ditar e manusear discos raros, coisas super bacanas, que poucos podem ter acesso. Sinto-me bem podendo levar aos outros um pouco dessa minha riqueza. Nessa vida, só é feliz de verdade quem sabe compartilhar. Não há um prazer completo quando não se tem com quem dividir. Somos naturalmente dependentes e precisamos uns dos outros. Sinceramente, eu não estaria envolvido nessa história se achasse de verdade que estou prejudicando alguém. Muito pelo contrário, na aparente transgressão e anarquia, creio que fiz mais o bem do que o mal. É talvez por essa razão que eu permaneço e chego a ponto de criar um Toque Musical independente, bancando do próprio bolso o custeio de hospedagem do site. Felizmente, quando se faz o bem, a gente sempre encontrará no caminho outras pessoas dispostas a ajudar. E amigos, sejam eles cultos ou ocultos, nunca me faltarão. Aproveito, desde já, para agradecer os votos recebidos via e-mails, mensagens nos comentários e facebook. Obrigado a todos!

 

Victor Pilla Orq – Brazilian New Sound (1969)

Boa noite amigos cultos, ocultos e associados. Sem ressaca e de cara limpa, eu hoje estou trazendo um disquinho raro e dos bons. Um álbum pouco conhecido, mas que vale cada uma das duas 12 faixas. Repertório enxuto e de qualidade. Victor Pilla Orq é um nome em discos que eu não conhecia. Depois de muito procurar pela rede, começo a desconfiar que este conjunto/orquestra foi um nome que só aconteceu em disco. Não há na internet nenhuma informação ou pista que nos leve a este conjunto. Assim sendo, esta postagem fica passível de aliterações e está aberta a comentários e informações complementares. Ao invés de ficarmos quebrando cabeça tentando descobrir quem eram, vamos primeiro ouvi-los. Pede aí que a gente toca no GTM e também na WRTM numa nova programação musical 😉

 

correnteza

roda de palmas

sinhazinha

wave

andança

memórias de marta sare

zazueira

meia volta

o cantador

timidez

sá marina

canto de fé

Marcos Roberto – Singles E Raridades (2012)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estava certo de que iria faltar à postagem, pois o dia foi puxado. Literalmente puxado e arrastado. Estou com uma sensação de derrota perante a minha própria e impiedosa autocrítica. Ser virginiano é uma merda!  Mas depois de mais uma dose de whisky para acalmar (e acalmei), decidi sair do bode e voltar atrás. Quem posta, seus males espanta. Lá vou eu…

Me lembrei que estava em falta com o amigo Marujo. Na semana passada ele enviou esta seleção musical, montada com capricho, em homenagem ao cantor Marcos Roberto, falecido no sábado, dia 21 deste mês. Confesso a vocês que nunca dei muita boa para uma boa parte de artistas da Jovem Guarda que acabaram caindo no gênero brega fácil. Marcos Roberto, dentro do que eu conheço, foi um desses artistas que acabaram entrando no esquemão para não cair no esquecimento. Posso estar parecendo meio injusto, mas estou dizendo essas coisas diante ao que eu vi e agora estou ouvindo. Temos aqui uma seleção de ‘singles’ e raridades do cantor. Coisas que eu mesmo nem conhecia. E para o meu espanto e contradição, descubro aqui um artista que eu não conhecia. Algumas de suas músicas, do período da Jovem Guarda, superam em muito a maioria da turma (sem falar, obviamente, em Roberto e Erasmo). Pô, estou aqui delirando com músicas como “Bem mais de 100”; “Prisioneiro”; “Quem pôs tanta coisa em sua cabeça” e “Queime as minhas roupas”. Bom, se o Black & White ajudou eu não sei. O fato é que estou gostando. Por favor, não me falem de ressaca. Confiram aí a seleção, que acima de tudo foi feita com muito carinho e é também a nossa homenagem ao artista.

i love you, i do

encontrei o amor

vou rir de ti

pedacinho de sabão

no te tengo a ti

yo te quiero asi

la ultima carta

si tu quieres partir

prisioneiro

quem pôs tanta coisa na sua cabeça

maria rosa

queime minhas roupas

ah, antes que eu me esqueça

erros

vida, minha vida

bem mais que 100

muito obrigado

querida

vontade de voltar

deixa é comigo

lembranças de você

menina triste

te amo, te amo, te amo

Simonetti – É Disco Que Eu Gosto (1977)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje, sexta feira, seria convencionalmente o dia do artista/disco independente. Eu, porém, não tenho nada à mão no momento para salvar o dia. Se nossos artistas e seus discos independentes não vierem aqui para divulgar, eu é que não irei fazê-lo sem permissão. O espaço está aberto. Modéstia a parte, uma bela vitrine para qualquer artista apresentar seu trabalho. Fica aqui, novamente, o convite. Se está lançando um álbum, manda pra cá, pois é de disco que eu  gosto! Eu e todos por aqui 🙂 Como se pode ver, essa simpatia ao disco não é de hoje. Temos aqui um álbum lançado pela RGE em 1977. Uma coletânea trazendo alguns dos melhores momentos o maestro e arranjador italiano Enrico Simonetti, cujo o título é o inspirado “É disco que eu gosto”. Este era o nome de um programa da Rádio Bandeirantes, de São Paulo, apresentado por Henrique Lobo nos anos 60. A música de abertura, o prefixo do programa, com o mesmo nome foi orquestrada e arranjada por Simonetti. Em 77 a RGE lança este lp reunindo alguns dos melhores momentos de seu internacional maestro. Simonetti atuou no Brasil nos anos 50 e 60. No início dos anos 70 ele voltou para a Itália onde continuou gravando, principalmente trilhas para tv e cinema. Pessoalmente, adoro os compositores italianos que trabalhavam com trilhas, são geniais e o Simonetti é um bom exemplo. Neste elepê podemos perceber bem as suas qualidades numa seleção musical totalmente brasileira, temas clássicos muito bem arranjados e orquestrados. Muito bom!

é disco que eu gosto

delicado

samba de uma nota só

favela

madureira chorou

divino espírito santo

evocação

se acaso você chegasse

tico tico no fubá

lampião de gaz

saudades da bahia

meditação

o orvalho vem caíndo

patorinhas

The Cuban Boys – Cha Cha Cha (1962)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Não sei se vocês já perceberam, mas estamos com mais um agrado no Toque Musical. Refiro-me ao nosso tocador de músicas, que agora passa a fazer parte do blog, trazendo semanalmente uma lista de músicas extraídas de diferentes postagens. Como o Toque Musical é por excelência um blog variado, teremos também uma programação sortida, agradando aos gregos, troianos e romanos 🙂 Por enquanto, ainda estamos em fase da adaptação e teste, mas mesmo assim já é possível conferir a programação musical. Basta clicar no quadro da Web Rádio Toque Musical e uma nova janela se abrirá para o tocador. Esta por sua vez não depende de estar nas páginas do TM. Obrigatoriamente ninguém precisa estar no blog para ouvir a WRTM. Fiquem a vontade para comentar. Tenho certeza que muitos farão desta, sua web rádio favorita.

Ainda  não está na programação, mas logo chega: The Cuban Boys, vocês conhece? Não estou me referindo ao grupo cubano de rap. Os garotos cubanos aqui são outro. Na verdade, nem cubanos eles são. O time aqui é mesmo de brasileiros. Um grupo criado e produzido para o selo Pawal, que naquele início dos anos 60 era também responsável pelos lançamentos de Celso Murilo e Seu Conjunto. Bom…, na verdade o The Cuban Boys e Celso Murilo e Seu Conjunto é a mesma coisa. A Pawal, como diversas outras gravadoras e selos, usavam desse artifício, criando pseudônimos para seus artistas, de maneira que esses pudessem atuar com sendo outros artistas. Para a Pawal isso era bom, pois ampliava o seu catálogo fonográfico.

Mas como eu dizia, temos aqui The Cuban Boys, uma produção feita para atender a demanda do mercado da época. A onda era então o Cha Cha Cha e Pawal mais que depressa lança lá o seu conjunto. Realmente, mataram a pau, um p… disco para se ouvir de cabo a rabo. Desfilam aqui alguns clássicos desse gênero delicioso, assim como também composições do organista, aqui chamado pelo nome real de Celso Pereira. Imperdível!

los marcianos

september song

carinito

esto es el ritmo

love for sale

cha cha celso

tea for two

rico vacilon

mirage

ritmo sabroso

cha cha cha na passarela

cha cha cha en copa

 

Mike Falcão – Sonhei Que Estávamos Dançando (1960)

Aproveitando o embalo, já que falamos ontem sobre Walter Wanderley, vamos hoje, novamente falar sobre ele. Ou melhor, vamos ouvi-lo, desta vez como Mike Falcão, outro codinome atribuído a ele. Seguindo a mesma linha e estilo, propostos pela Odeon para o Ivan Casanova, Mike Falcão é também mais um nome por trás de grandes instrumentistas, que por razões diversas jamais foram citados. Penso que esses grupos musicais criados pela Odeon, não foram apenas no sentido de desviar questões contratuais. Mas sim de gerar novos nomes para o ‘cast’ do selo paralelo da gravadora, no caso, o Imperial.

Neste álbum a presença de Walter Wanderley se faz ainda mais presente, através de seu estilo inconfundível ao piano e órgão. O repertório mescla doze temas variados, entre músicas nacionais e internacionais. Também, um excelente elepê, que merece o nosso toque musical.

how high the moon

i love paris

ao pés da cruz

saudade da bahia

i’ll never fall in love again

diana

lá vem a baiana

praça onze

around the world

moulin rouge

this can’t be love

besame mucho

Ivan Casanova E Seus Conjuntos – Melodias Célebres Do Cinema (196?)

Boa noite, amigo cultos, ocultos e associados! Antes que a terça vire quarta, aqui vai nossa postagem do dia. Hoje trazendo, mais uma vez, Ivan Casanova e Seus Conjuntos. Desta vez apresentado vários temas clássicos do cinema internacional. Um nome de fachada criado para esconder estrategicamente, por questões contratuais, artistas como Walter Wanderley. Muitos afirmam que este foi um codinome adotado por Walter, assim como outros. Porém ao ouvirmos este disco, quem ainda não sabe da história, há de pensar que Ivan Casanova é um saxofonista. Isto porque em quase todas as doze faixas o que mais se destaca é o saxofone. Daí, eu concluo que o tal codinome não se refere necessariamente ao Wanderley. Certamente ele está tocando neste elepê, percebe-se logo pelo estilo ao piano, mas, como dizem, uma andorinha só não faz verão. Havia ali outros grandes nomes que vale também ser citados, mas nessa história só vazou o Wanderley. Taí, um assunto bom para ser comentado aqui. Vamos lá amigos, demonstrem interesse! Quem sabe alguma coisa além, vem cá contar para nós 🙂

singing in the rain

blues skies

an affair to remember

ebb tide

unchained melody

around worldbe my love

stella by starlight

over the rainbow

love is a tender trap

high society

whatever wil be, will be

Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 28 (2012)

Fratura no joelho é um troço bem complicado… O nosso Augusto TM que o diga! Mas depois de mais um período de ausência forçada (até eu senti saudades), eis aqui a vigésima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, apresentando mais dez preciosos fonogramas da era das 78 rotações por minuto para enriquecer os acervos de nossos amigos cultos e associados. E começamos com um sucesso de Patrício Teixeira (1893-1972), carioca da Rua São Leopoldo, na lendária Praça Onze, que começou a gravar ainda pelo processo mecânico e continuou de maneira bem sucedida na fase elétrica, até quando saiu seu último disco, em 1944. (depois disso, ainda gravaria a canção “Azulão”, de Hekel Tavares e Luiz Peixoto, para um LP da Sinter).  Foi até professor de violão, e entre suas alunas mais ilustres estão Nara Leão e as irmãs Linda e Dircinha Batista. E Patrício aqui comparece com um clássico: o samba “Gavião calçudo”, do mestre Pixinguinha, com letra de Cícero “Baiano” de Almeida, cujo sucesso desaguaria no carnaval de 1930. Saiu em duas gravações de Patrício: a primeira no selo Parlophon, em março de 1929, e esta segunda, com o selo Odeon, lançada em agosto do mesmo ano com o n.o 10436-A, matriz 2685, na qual o intérprete canta a letra completa, acompanhado de piano e violão (no registro original era com orquestra, e nele só foram apresentados o estribilho e uma das estrofes). “Azulão” também está aqui, mas no registro original do “cantor das noites enluaradas”, Paraguassu (Roque Ricciardi, 1894-1976), lançado pela Columbia em fevereiro de 1930, disco 5141-A, matriz 380474.

Em seguida, um monólogo divertidíssimo interpretado pelo ator Pinto Filho. Trata-se de “Guerra ao mosquito”, de Luiz Peixoto e Marques Porto, lançado pela Parlophon em agosto de 1929 com o n.o 12989-A, matriz 2670. Mais atual impossível, uma vez que o Brasil tem sido, nos últimos tempos, atingido por endemias tropicais como a dengue, especialmente no verão. Não faltam farpas a políticos de prestígio na época, como o então candidato a presidente da República Júlio Prestes.

A próxima faixa vem a ser o primeiro grande sucesso nacional de Ary Barroso como compositor: a marchinha “Dá nela”, interpretada por Francisco Alves com a Orquestra Pan American de Simon Bountman, e um dos hits do carnaval de 1930. Gravação de 9 de janeiro daquele ano, lançada pouco depois sob n.o 10558-A, matriz 3258. No dia 18, a música venceu um concurso promovido no Teatro Lírico do Rio de Janeiro, e com o dinheiro ganho (cinco contos de réis!), Ary Barroso teve condições de se casar (com Yvonne Belfort Arantes) e ainda recebeu seu diploma de advogado. De letra extremamente machista (característica da época), “Dá nela” também deu nome a uma revista do Teatro Recreio, nela interpretada (de calça comprida!) por Zaíra Cavalcanti.

Um dos clássicos de Ary Barroso em parceria com Luiz Peixoto, o samba-canção “Na batucada da vida” (subintitulado “A canção da enjeitada”) tornou-se inovador na época do lançamento, pelo realismo com que tratava uma temática de cunho social. Originalmente saiu em 1934, na voz de Cármen Miranda, e aqui é apresentada no registro de Dircinha Batista, feito na Odeon em 14 de abril de 1950 e lançado em agosto seguinte, disco 13031-B, matriz 8685, com acompanhamento de piano do próprio mestre de Ubá. Como bem sabem os fãs de Elis Regina, em 1974 ela também fez um registro memorável desta composição.

O inesquecível Kid Morenguera, o grande Moreira da Silva (1902-2000), insubstituível rei do samba de breque, aqui comparece com o raríssimo disco Star 225, datado de 1951, com acompanhamento do conjunto do violonista Claudionor Cruz, destacando-se o saxofone de Portinho (Antônio Porto Filho), também maestro e arranjador de prestígio. De um lado, o samba-choro “Entrevista”, do próprio Moreira, e no verso, nesse mesmo ritmo, a homenagem do GRB aos motoristas na semana do dia deles e de seu santo padroeiro, São Cristóvão: “Sou motorista”!

Humberto Marsicano fez parte da geração de artistas paulistas surgidos no final dos anos 1920. De sua escassa discografia como cantor (apenas 16 fonogramas distribuídos em nove 78 rpm), apresentamos o disco Columbia 5051, lançado em julho de 1929, com acompanhamento da orquestra de Álvaro Ghiraldini. Abrindo-o, matriz 380143, o samba-choro “Mulher sem coração”, composto por um nome que iniciava então sua carreira, José Maria de Abreu (1911-1966), paulista de Jacareí, responsável por sucessos inesquecíveis, tais como “E tome polca”, “Alguém como tu”, “Dançando com você” e muitos outros. No verso, matriz 380144, o delicioso “sambinha-embolada” Tico-tico vuô”, de Juca Paulista e Juvenal de Abreu.

Para encerrar, uma marchinha do carnaval de 1957, lançada pela Continental em janeiro desse mesmo ano, com o n.o 17375-B, matriz C-3912. É “Seu Romeu”, de João Rosa, Arnaldo Moraes e do paulistano Ruy Rey (1915-1995), sendo este último o intérprete. Ruy, que se chamava Domingos Zeminian, foi também exímio “bandleader”, e especializou-se em ritmos hispano-americanos, precursores da atual salsa. Enfim, um belo apanhado com o qual o GRB mata as saudades de todos que estavam aguardando esta retomada. Divirtam-se e recordem!

*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Orquestra Sonora Tropical – Chacrinha Apresenta A Orquestra Sonora Tropical (196?)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Já que retomamos às postagens, as solicitações voltaram com força total. Se bem que há muitas onde eu só poderei ajudar se a pessoa se associar ao GTM. Infelizmente ainda existem aqueles que se precipitam e não lêem as informações e orientações do blog. Aos demais, peço que aguardem com paciência. Todos serão atendidos, ok?

Mantendo o espírito de curiosidade, estou trazendo para vocês este raro álbum da Mocambo. Vejam que interessante, “Chacrinha apresenta a Orquestra Sonora Tropical”. Logo de relance me chamou a atenção. Mesmo não entendendo bem a razão do nome do Chacrinha está neste disco, apesar do texto de contracapa que o coloca como uma autoridade no assunto musical. Realmente, o Abelardo Barbosa era, mas creio que acima de tudo era um chacrinha, o Chacrinha. Esperaria dele uma seleção musical mais popular, num universo mais diversificado de artistas, como era comum em seus programas. Música orquestral soou assim meio que esquisito, não parecia ser a praia dele. A tal Orquestra Sonora Tropical ao que parece só gravou este disco, que por sinal nem data de lançamento eu encontrei. A Orquestra, todavia é muito boa. A qualidade da gravação ficou um pouco a desejar. Um repertório variado. Duas faixas me deixaram muito curioso para ouvir logo esse disco, “Ensinando Bossa Nova” (Blame It On The Bossa Nova) e “Garota de Ipanema”. Se a primeira já não tinha bossa, a segunda então, nem se fala, virou um tremendo chachacha. Mesmo assim, vale a pena conhecer essa raridade…

ensinando bossa nova

doce amargura

garota de ipanema

sonhar contigo

non ci credo

amor sincero

coeur blesse

tudo de mim

al di la

chariot

roberta

.

.

Trios Em Bossa, Samba E Jazz – Uma Coletânea Toque Musical (2012)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Estamos preparando para breve a nossa web rádio, ou mais exatamente o nosso ‘player’, recheado de músicas para acompanhar vocês como uma rádio. Semanalmente estaremos aqui apresentando uma seleção de tudo o que rola nas postagem do Toque Musical. Eu tenho certeza de que vai agradar 🙂

E por falar em agradar, hoje eu estou trazendo para o nosso sábado de coletâneas uma seleção de tirar o chapéu. Esta logo vai estar rolando também na nossa rádio, aguardem!

Criei para vocês uma coletânea especial, dedicada aos diversos trios musicais de samba, bossa e jazz dos anos 60. Temos aqui 19 diferentes trios que eu fui reunindo ao longo da semana. Por certo que existem muitos outros e eu até gostaria de incluí-los nesse time, mas se for o caso, ficam para um segundo volume. Com toda certeza vai agradar em cheio.

A pressa nem sempre é inimiga da perfeição. Prova disso foi essa capinha que eu produzi aqui rapidinho, inspirada na boa música e na arte gráfica daquele momento. Ficou bonitinha, não é mesmo?

 

vamos embora uau – bossa jazz trio

nanã – sambalanço trio

farjuto – rio trio 65

zimbo samba – zimbo trio

samba novo – le trio camara

canto de ossanha – manfredo fest trio

samblues – som três

sambete n. 4 – bossa três

nós e o mar – tamba trio

seu chopin, desculpe – jongo trio

cidade vazia – milton banana trio

tema pro gaginho – salvador trio

água de beber – trio 3d

sambrasa – sambrasa trio

aleluia – trio boliche

estatuto da gafieira – trio plaza

primavera – sansa trio

o barquinho – trio harmônico

azul contente – trio seleno

.

.

Nostalgia Eletrônica Orquestra (1975)

Bom tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Vamos aos poucos nos adaptando à nova casa. Eu, principalmente, tenho ainda muito a aprender com essas novas ferramentas da plataforma WordPress. Felizmente, estou bem assessorado e isso me encoraja a tocar o barco. Hoje eu estou trazendo o disco que havia programado para ontem, mas acabei ficando sem condições para faze-lo. Como já havia postado uma dose de humor, deixei essa reinar mais um pouco.

Vamos assim com a “Nostalgia Eletrônica Orquestra”, um albinho curioso que logo que vi me chamou a atenção. Inicialmente eu pensei que se tratasse de um disco de música eletrônica, não essa ‘eletrônica pop ecstasyada’, mas aquela experimental onde se usava teclados moogs, sintetizadores e até teremins, muito comuns nos anos 60 e 70. Bom, na verdade não é nem um, nem outro, mas continua sendo curioso, um disco bem diferente.

Temos aqui o maestro, arranjador e produtor paulista, Daniel Salinas à frente desta orquestra, que é na verdade um conjunto no qual estão inseridos outros grandes músicos, mais conhecidos em trabalhos de estúdio. Salinas, além dos arranjos e direção, pilota diferentes tipos de teclados eletrônicos e o piano. Acredito que a escolha do nome Nostalgia Eletrônica Orquestra se deu por conta de um repertório de músicas antigas, principalmente chorinhos e serestas, frente a uma roupagem instrumental moderna para a época, com destaque para os teclados eletrônicos com poder de orquestra e em arranjos desconcertantes. Para quem conhece um pouco o trabalho do Daniel Salinas sabe o quanto o cara é eclético. Já trabalhou com o pessoal da Jovem Guarda e até com bandas de rock, como o Made In Brazil. Eu conheço uns três ou quatro discos dele e o que me atrai é justamente essa sua capacidade de misturar as coisas. Vai do jazz a dance music, do samba ao rock, do brega ao clássico e por aí… tudo sempre de maneira competente. Vale a pena conferir este elepê que é um bom exemplo da variações musicais de Salinas e a sua Nostalgia Eletrônica Orquestra.

jura

luar do sertão

mestiça

tico tico no fubá

rapaziada do brás

casinha da colina

aquarela brasileira

casinha pequenina

andré de sapato novo

club XV

odeon

 

Ed Lincoln – Boite (1963)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Eu ainda estou em fase de adaptação com a nova versão do blog. Estou usando uma plataforma do WordPress e pelo jeito ainda terei muito que aprender. Não fosse a ajuda de alguns amigos cultos e ocultos, eu talvez nem teria me aventurado em mudanças tão radicais. Enfim, o barco já está no mar, agora é aprender remar e contar com o vento.

Hoje, em nosso terceiro dia de postagem, quero prestar uma homenagem ao Ed Lincoln, que para a nossa tristeza, faleceu na última segunda feira, aos 80. Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia era cearense. Iniciou sua carreira como músico nos anos 50, inicialmente tocando contrabaixo. Temos, inclusive aqui no Toque Musical um de seus primeiros discos, gravado ao lado de Dick Farney. Depois ele mudou para o piano e órgão eletrônico, onde viria a criar o seu estilo. Nos anos 60, na febre dos bailes em clubes, ele ficou conhecido como “O Rei dos Bailes” por conta de seu jeito inconfundível de tocar. Mesclando na dose certa o seu Hammond com um repertório de samba, ele criou um ‘swing’ que logo seria copiado por outros e viria a ser chamado de ‘samba rock’.

Em “Boite”, álbum lançado em 1963 pelo selo Pawal, podemos ouvir o artista numa fase de transição. Aqui ele ainda toca piano e pelo que contam, também o contrabaixo. O repertório é bem variado, com sambas, boleros e outros sucessos da música internacional.Mas o órgão já começa aqui a pedir mais espaço e anuncia um novo som que iria muito além do ambiente de boate.

 

stoping’ at the savoy

carioca

se você soubesse

sedução

e daí

mon oncle

adios

saudade

gicolete

hino ao amor

tenderly 

se eu pudesse

.

.

.

Dilermando Reis – Melodias Da Alvorada (1960)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Finalmente, após uma pausa de quase 30 dias, aqui estou eu de volta! Minha ideia era a de voltar só em agosto, mais exatamente no dia 30 de julho, quando então o Toque Musical completa 5 anos de atividades. Porém, devido às circunstâncias em que eu me encontro, com mais uns quinze dias de licença médica, achei por bem ocupar esse tempo me dedicando ao blog e sua nova versão. Como todos já sabem, estamos agora em um espaço independente. Não há mais perigo do blog sair do ar (ou da rede), somente se no fim do ano eu deixar de pagar a conta. Mas isso não vai acontecer, o TM vai vingar, nem que eu precise passar o chapéu e recolher algumas contribuições (hehehe…)

Estamos inaugurando o novo Toque Musical, mas vamos deixar as comemorações para o dia do aniversário. Quem tem em seu computador uma tela ‘widescreen’ poderá visualizar plenamente a nova face do blog e verá também a citação aos 5 anos. Contudo, o que mais importa é que estamos de volta e eu garanto, vai ter muito coisa boa rolando. Para começar, e não por acaso, escolhi este disco do violonista Dilermando Reis, “Melodias da Alvorada”. Tem tudo a ver com a ocasião, a alvorada, o renascimento do Toque Musical. Este álbum me foi presenteado pela frequentadora, amiga culta, Maria Ignez, a quem eu mais uma vez agradeço o carinho. 

Temos assim, Dilermando Reis interpretando dez belíssimas melodias dirigidas a uma nova era. Uma homenagem à nova Capital Federal, a então recém inaugurada cidade de Brasília. E não poderia ser outro o artista, Dilermando era amigo íntimo do Presidente Juscelino. Acompanhou JK em serenatas e foi deste até professor de violão. Neste álbum, lançado pela Continental em 1960, teremos o prazer de ouvir temas escolhidos, literalmente a dedos, sendo em sua maioria composições do próprio Dilermando. A este disco caberia um pouco mais de informações e história, mas vou deixar essas por conta dos comentaristas, afinal uma boa (ou má) postagem se faz de comentários, principalmente quando são complementares.

 

lembro-me ainda

despertar da montanha

canção para alguém

sons de carrilhões

sons de carrilhões

oiá de rosinha

abandono

quando os olhos falam

caxinguelê

exaltação à brasília

.

.

.

Sílvio Caldas – Seleção Grand Record Brazil – Vol. 27 (2012)

Este é o segundo volume do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil, o vigésimo-sétimo  no geral, dedicado a este grande nome da MPB que foi o carioca Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas. Além de cantar e contar interessantes histórias da MPB com um pique invejável, o “titio” possuía espírito aventureiro, gostava de caçar e pescar, e até se embrenhou nos sertões para garimpar ouro, vejam só! Era também um cozinheiro de mão cheia (suas peixadas, por exemplo, eram bastante apreciadas), e obviamente foi proprietário de restaurantes e casas noturnas. Sílvio Caldas era também um especialista em… despedidas. “Aposentou-se” várias vezes oficialmente, mas quando menos se esperava… lá estava ele de novo! Aposentadoria mesmo, só com a sua morte, em 1998.

Aí vão, para deleite e apreciação de tantos quantos apreciem nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo, mais doze preciosas gravações de Sílvio. Em ordem cronológica de lançamento, temos, para começar, o lado A do disco Victor 33911,  gravado em 12 de outubro de 1934 e lançado em março de 35: a famosa valsa “Serenata”, matriz 79729, de sua profícua parceria com Orestes Barbosa, cuja introdução, sem palavras, tornou-se prefixo pessoal de Sílvio.  Dois violões e um bandolim (o de Luperce Miranda) acompanham Sílvio nessa gravação, sem dúvida uma das melhores e mais importantes de sua carreira. Logo depois, do Odeon 11255, gravado em 25 de junho de 1935 e lançado em setembro seguinte, apresentamos o lado A, matriz 5082: o samba “Inquietação”, uma das obras-primas do mestre Ary Barroso, que Sílvio também interpretou no filme “Favela dos meus amores”, de Humberto Mauro. No acompanhamento, a Orquestra Odeon, do palestino Simon Bountman, que também teve os nomes Pan American, Copacabana, Parlophon (quando gravava nessa marca, coligada da Odeon)e Simão e sua Orquestra Columbia. Quer dizer, todas eram a mesmíssima orquestra. Falando na Columbia, eis um  importantíssimo disco de Sílvio nessa marca, lançado em dezembro de 1938 com o número 55002 e acompanhamento do regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955), trazendo duas joias de altíssimo quilate: no lado A, matriz 3716, a canção “Mágoas de um trovador”, de J. Cascata e Manezinho Araújo (o “rei da embolada”, aqui mostrando seu lado sentimental). O verso, matriz 3715, traz mais uma conhecidíssima página da parceria de Sílvio com Orestes Barbosa: a clássica valsa “Suburbana”. Curiosamente, em 1943, quando a Columbia converteu-se na Continental, esse disco foi escolhido para inaugurar a nóvel marca, sendo relançado com o número 15001, inclusive os primeiros cem títulos da Continental foram relançamentos da antiga Columbia. De volta à Victor, temos depois o lado B do disco 34804, gravado em 4 de julho de 1941 e lançado em outubro seguinte, matriz S-052258, apresentando o fox-canção “Sempre você”, de Cristóvão de Alencar e Newton Teixeira. Em seguida, outro disco de Sílvio na marca do cachorrinho Nipper, o de número 80-0080, gravado em 2 de março de 1943 e lançado em maio seguinte, com duas valsas-canções de Georges Moran, russo que se radicou entre nós, e autor de outro hit de Sílvio, “Kátia”, além de outros dois clássicos imortalizados por Orlando Silva, “Balalaika” e “Zíngaro”. Abrindo-o, matriz S-052732, “Não voltarás nem voltarei”, parceria de Moran com Walter Nogueira da Silva e, no verso, matriz S-052733, “Ninotchka”, em que desta vez o parceiro é Cristóvão de Alencar, certamente inspirada no filme de mesmo nome, da MGM, de 1939, estrelado por Greta Garbo e Melvyn Douglas, sob a direção de Ernst Lubistch. Completando nosso roteiro da semana, dois discos gravados por Sílvio Caldas na Continental, em 1949, com acompanhamento da orquestra do maestro, compositor e flautista Nicolino Cópia, o Copinha. O primeiro deles é o de número 16034, lançado em março-abril desse ano, com duas composições do paulista (de Jacareí) José Maria de Abreu (1911-1966). No lado A, matriz 2030, o samba (estruturalmente um samba-canção) “Não me pergunte”, parceria de Abreu com outro consagrado nome da MPB, Jair Amorim. No verso, matriz 2031, a toada “Você de mim não tem dó”, de Abreu sozinho. O outro é o de número 16086, abrindo com outra composição de José Maria de Abreu, agora com a parceria de Alberto Ribeiro, a valsa “Chuva e vento”, matriz 2121. Alberto também assina, em parceria com Osvaldo Sá, a música do lado B, matriz 2120, o samba-canção “Tarde de maio”. Enfim, é tudo isso que apresentamos esta semana com Sílvio Caldas, e eu, particularmente, espero que ele volte a ser focalizado pelo GRB, dada a extensa bagagem fonográfica que deixou registrada em cera. Ouçam esta seleção e irão concordar comigo: ela nos dá aquele irresistível gostinho de quero-mais!

 

Texto Samuel Machado Filho

Caminho Da Roça – Quadrilha Marcada (1978)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! Eu ontem informei a vocês que estaria adiantando as minhas férias, devido ao tombo que levei. Tive uma fratura no joelho e o médico me mandou ficar de repouso absoluto. Nem precisava, pois a dor está de amargar. Agradeço desde já à todos as mensagens de solidariedade recebidas. Isso faz um bem que vocês não imaginam. Talvez por isso mesmo foi que eu resolvi voltar, pelo menos hoje, e fazer uma postagem que neste mês não poderia faltar. Todos os anos eu sempre postei um ou mais discos relacionados às festividades juninas. Seria uma grande falta se eu tivesse deixado passar em branco, não é mesmo? Assim sendo, está aqui o meu representante, “Caminho da Roça – Quadrilha Marcada” foi um lp lançado pela Odeon, através de seu selo Imperial em 1978. No álbum não consta créditos para os intérpretes, o que me faz pensar que sejam essas gravações mais antigas, ‘fonogramas de gaveta’ prontos para serem utilizados comercialmente nessas ocasiões. O que vale mesmo é o repertório, com músicas tradicionais e bastante conhecidas do público. O lado B do disco é feito mesmo para a quadrilha dançar, sem pausa e marcadinha, como manda o figurino 🙂
Agora eu posso fazer o meu repouso tranquilo e dar aquela parada necessária. Porém, estando eu aqui de molho, eventualmente, farei mais algumas postagens e repostagens (êta cachaça, sô!)
Em julho, o Toque Musical completa 5 anos! E eu não posso deixar essa data também passar em branco. Farei aqui algumas chamadas de celebração e também estarei reforçando o aviso da nossa mudança em agosto. Cinco anos já merece uma certa independência, não é mesmo? Fiquem ligados, a festa ainda vai começar 😉

o sanfoneiro só tocava isso
antonio, pedro e joão
capelinha de melão
isso é lá com santo antonio
noites de junho
sonho de papel – pula fogueira
cai, cai, balão – chegou a hora da fogueira
vamos dançar a quadrilha (pot pourri)

FÉRIAS ANTECIPADAS – PAUSA FORÇADA

Olá meus prezados amigos cultos, ocultos e associados! Como eu já venho informando e muitos de vocês já sabem, julho é o mês das minhas férias e eu queria aproveitar parte desse tempo livre para os preparativos de transferência e inauguração do novo Toque Musical. Penso em transferir nossas atividades para uma base mais independente, sem ter de ficar nas mãos do Blogger, sujeito à chuvas e trovoadas. Por essa razão, já está em fase de conclusão o novo site/blog do TM. Em agosto, com certeza, estaremos de casa nova. Os endereços antigos, as filiais, deverão permanecer temporariamente, mas nossas atividades ficarão concentradas no novo endereço. Logo que tudo estiver concluído, todos os associados ao GTM receberão o aviso da mudança, ok?
Mas o motivo maior desta atípica postagem é na verdade outro. Ontem, eu tive um acidente, num tropeço caminhando pela rua. Levei um belo tombo de bobeira e fui de joelho no chão. Resultado: trinquei um osso e fui parar no Pronto Socorro. O que parecia ser uma bobagem, acabou se transformando num problema mais sério. Estou eu agora aqui sem condições para me locomover, de repouso absoluto por uns 30 dias ou mais. Fui obrigado a usar um tutor para manter a minha perna reta. As dores vão sendo controladas a base de remédios, que também me deixam muito sonolentos. Diante a esse quadro de incapacidade, creio que terei que antecipar as minhas férias. Ou melhor dizendo, antecipar minha pausa no blog. Infelizmente eu não tenho condições de ficar preparando novos discos e postagens para vocês. Até que eu consiga voltar a rotina, vamos dar uma parada, ok? Se ao longo dos próximos dias eu me sentir melhor, talvez até arrisque me levantar da cama para preparar novos toques musicais.
Nessas horas, música é um dos melhores remédios, mas no meu caso eu só tenho condições mesmo de ouvir deitadinho e quieto em meu quarto. E por falar nisso, deixa eu voltar para a cama. Minha perna voltou a doer, ai, ai, ai…

Nestor Amaral And His Continentals – Holiday In Brazil (1958)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de uma bela lua de mel no Brasil, os gringos voltam para as férias. Eis aqui mais um delicioso lp, lançado na terra do Tio Sam. Este disco também já deu seu ‘ar da graça’ em outros blogs, mas é no Toque Musical que ele oficializa sua presença.
Temos aqui Nestor Amaral, violonista brasileiro, hoje pouco lembrado. Foi integrante do grupo “Bando da Lua”, acompanhando Carmem Miranda nos Estados Unidos. É difícil achar na rede informações sobre este músico. Pelo que eu entendi, ele após passar belo Bando da Lua, acabou ficando na América onde teve uma promissora carreira. Gravou diversos discos e também trabalhou em Hollywood, em clássicos do cinema americano. Em 1958 a gravadora Tops Records lançou este disco, que trazia oito faixas já apresentadas num álbum também americano, do ano anterior, chamado “Brazil”, pelo selo Golden Tone. Ao que tudo indica, Nestor Amaral And His Continentals, gravaram também outros discos na mesma linha para a Tops Records. Álbuns como  Holiday In Spain, France e Italy, são todos dele. Nestas gravações Nestor conta também com a participação de seu amigo, o violonista Laurindo Almeida. Taí, um belíssimo disco que não demora muito alguém solicitar no GTM. Estamos aí… 😉

brazil
pra quê discutir
currupaco
porto alegre
ba tu ca da
tico tico
playtime in brazil
baia
nossa amizade
belem bayonee
bamba no samba
halem samba

Carolina Cardoso De Menezes E Orlando Silveira – Honeymoon In Rio (1956)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje eu estou trazendo aqui um álbum o qual eu acreditava ser ainda inédito nas bocas. Eu estava certo de que seria uma boa surpresa, principalmente por ser um disco antigo, importado e lançado exclusivamente nos Estados Unidos. Mas, qual o quê… Também não é para menos, um lp bacana como esse, que chama a atenção logo pela capa, não passaria despercebido por muito tempo e seja lá onde tenha sido lançado. Sem dúvida, trata-se de um disco primoroso, tanto pelos artistas escolhidos e seus repertórios, como também pela capa e os cuidados na gravação. Trata-se de um ‘long play’ de 12 polegadas, gravado no Rio de Janeiro e prensado com super qualidade nos ‘States’. Disco de gringo e para gringo, coisa fina! Lançado por lá em 1956, quando por aqui ainda rodavam os 78 rpm e os 33 de 10 polegadas. O álbum chama-se, “Honeymoon In Rio”, com o subtítulo, “Authentic Brazilian Sambas and Baions”. Um álbum cujo o propósito é mostrar a música brasileira, mais especificamente, o samba e o baião, que eram os dois gêneros mais conhecidos fora daqui. Para tanto, escolheram dois artistas de expressiva atuação, a pianista Carolina Cardoso de Menezes e o acordeonista Orlando Silveira. Os dois se alternam nas faixas, cabendo à Carolina os sambas e ao Orlando os baiões.
Quem ainda não conhece, vale a pena dar uma conferida, bem porque a qualidade do disco e da digitalização superam em muito a que já foi apresentada no Loronix.

baião – orlando silveira
na pavuna – carolina cardoso de menezes
cabeça inchada – orlando silveira
me leva seu rafael – carolina cardoso de menezes
paraiba – orlando silveira
cabelos brancos – carolina cardoso de menezes
baião da garôa – orlando silveira
atire a primeira pedra – carolina cardoso de menezes
qui nem jiló – orlando silveira
com que roupa – carolina cardoso de menezes
asa branca – orlando silveira
é com esse que eu vou – carolina cardoso de menezes

Sílvio Caldas – Seleção Grand Record Brazil – Vol. 26 (2012)

Nesta vigésima-sexta edição, o Grand Record Brazil começa a nos trazer alguns dos momentos mais expressivos de um cantor e compositor que marcou época: Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas, o sempre festejado “caboclinho querido”, também carinhosamente chamado de “titio”. Era carioca do bairro de São Cristóvão, onde veio ao mundo no dia 23 de fevereiro de 1906, mas só seria registrado em 1908, segundo ele próprio declarou ao pesquisador, de saudosa memória, Abel Cardoso Júnior. Seu pai, Antônio (autor da valsa “Neusa”, hit de Orlando Silva), era dono de uma pequena loja de instrumentos musicais, e sua mãe, a gaúcha Dona Neném, era afamada modista. Nosso Sílvio foi um talento precoce, pois já com cinco anos de idade apresentou-se no Teatro Fênix, sendo presença requisitada também nas festas e nos clubes de São Cristóvão. No carnaval, era saudado como “o rouxinol” do bloco Família Ideal. Embora macérrimo, foi o primeiro Rei Momo do carnaval carioca! Após deixar  o grupo escolar, trabalhou como mecânico de automóveis na Garagem Esperança, nessa condição transferindo-se para São Paulo em 1924. Mas não esqueceu o violão. Quando volta ao seu Rio natal, atraído pelo desenvolvimento por que então passavam o rádio e o disco, Sílvio resolve entrar pra valer na carreira artística, e é levado pelo cantor de tangos Milonguita (Antônio Gomes) para cantar na Rádio Mayrink Veiga. No disco, iniciou-se em fevereiro de 1930 na Victor, alternando gravações nessa marca e na Brunswick, até ficar apenas na Victor, em virtude do fechamento da Brunswick. A princípio, Sílvio cantava basicamente marchinhas e sambas, e seu talento seresteiro iria se revelar a partir de 1934, através de sua importantíssima parceria com Orestes Barbosa, que produziu clássicos inesquecíveis, tais como “Serenata”, “Chão de estrelas” e “Suburbana”. Um dos maiores defensores da MPB, Sílvio Caldas jamais deixava de enfatizar a necessidade de sua preservação, e até preconizava a inclusão de seu ensino nas escolas. Nos últimos anos de vida, residiu em um sítio na cidade de Atibaia, interior de São Paulo, onde morreu no dia 3 de fevereiro de 1998.
Nesta nossa primeira edição do GRB com o grande Sílvio Caldas, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados doze preciosíssimas gravações. Abrindo esta seleção, esta joia de valsa, de autoria de Newton Teixeira e Jorge Fáraj, a clássica “Deusa da minha rua”, imortalizada por Sílvio na Victor em 10 de julho de 1939, matriz 33118, e editada em setembro seguinte com o número 34485-A. Muitíssimo gravada, até mesmo por Roberto Carlos. A segunda faixa também é muito conhecida e regravada: o samba (ou choro) “Da cor do pecado”, principal produto da inspiração do carioca Alberto de Castro Simões da Silva, o Bororó (1898-1986). Vem a ser o lado B da faixa anterior, porém gravado quatro dias antes, a 6 de julho de 1939, matriz 33110. Logo depois, da fase de Sílvio na Continental, trazemos o choro “Pastora dos olhos castanhos”, do violonista Horondino Silva, o Dino Sete Cordas, com letra de Alberto Ribeiro, e acompanhamento do regional do clarinetista potiguar (de Taipu) K-Ximbinho (Sebastião de Barros, 1917-1980). Gravação de 5 de agosto de 1946, porém só lançada em julho de 47 com o número 15786-B, matriz 1565. Trazemos também o lado A, que é o samba “Não chores assim”, do próprio Sílvio Caldas mais Alberto Ribeiro, em gravação de 28 de agosto de 46, matriz 1585, e desta vez quem acompanha Sílvio é o regional do violonista Laurindo de Almeida (Miracatu, SP, 1917-Los Angeles, EUA, 1995), que desenvolveu bem-sucedida e premiada carreira nos EUA. Voltando à Victor, um disco com duas regravações, o de número 34496, lançado em outubro de 1939. No lado A, um nome que começa na palma da mão de todo mundo: o samba-canção “Maria”, dos mestres Ary Barroso e Luiz Peixoto, originalmente registrado pelo próprio Sílvio em 1932 e aqui em regravação de 10 de julho de 1939, matriz 33119. O outro lado, gravado em 6 de julho desse ano, matriz 33115, é outro clássico de Ary, e também samba-canção, agora com letra de outro mestre, Lamartine Babo: “No rancho fundo”, originalmente lançado em 1931 por Elisa Coelho e regravado até mesmo por Chitãozinho e Xororó! A preciosidade seguinte é o samba “Algodão”, de Custódio Mesquita com letra do jornalista David Nasser, também parceiro de Francisco Alves em inúmeros hits. Aludindo ao sofrimento dos negros à época da escravidão no Brasil, foi imortalizado por Sílvio na Victor em 7 de junho de 1944 com lançamento em agosto seguinte, disco 80-0200-A, matriz S-052972. No lado B, que apresentamos em seguida, matriz S-052973, “Noturno em tempo de samba”, também de Custódio Mesquita, agora com seu parceiro mais constante, Evaldo Ruy. Em ambas as faixas, Sílvio é acompanhado pela orquestra do próprio Custódio. Recuando no tempo, encontraremos outro clássico da valsa tupiniquim, “Sorris da minha dor”, do niteroiense Paulo Medeiros, compositor e professor falecido prematuramente, aos 30 anos de idade, em 1941. Gravação Victor de 18 de agosto de 1938, lançada em outubro seguinte, disco 34367-B, matriz 80872, do qual apresentamos em seguida o lado A, do mesmo autor, matriz 80871, a valsa-canção “Falsa felicidade”. Encerrando esta primeira parte, duas composições de Joubert de Carvalho, lançadas em outubro de 1946 pela Continental no mesmo disco, o de número 15712, gravado em 2 de agosto desse ano: a conhecida canção “Minha casa”, matriz 1563, clássico regravado aos cachos, até mesmo por Agnaldo Timóteo, e a valsa “Nunca soubeste amar”, matriz 1564. Vocês não acham que está muito bom pra começar uma retrospectiva do grande Sílvio Caldas? Então recordem, apreciem e aguardem, que na semana que vem tem mais. Até lá!

* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO.

Light Reflections – One Way (1973)

Boa noite, meus prezados! Acabo de chegar em casa e tenho ainda muita coisa para fazer. Assim, nos próximos dez minutos, me dedico exclusivamente à esta postagem. Para tanto, lanço mão de um ‘disco de gaveta’, um lp cujo o arquivo me foi enviado por um de nossos visitantes, em forma de uma contribuição. Hoje, finalmente, ele entra encerrando de vez o ciclo pop/rock. Eu havia dito que teria sido na postagem anterior, mas vamos considerar mais uma.
Vamos nessa com um dos mais expressivos conjuntos brasileiros que fizeram sucesso nos anos 70 cantando em inglês. Ao lado do Pholhas, o Light Reflections foi um dos grupos que melhor encarnou a onda, emplacando sucessos como “Tell me once again”, “That love” e “Send it for tomorrow”. O LR também encarava outros nomes e seus integrantes atuavam em outros projetos do selo Cash Box. Penso que, apesar do sucesso, esses grupos sofreram um certo preconceito, sendo encarados como grupos pop ligeiramente bregas. Mas que ouve com carinho e porque não dizer, com outros olhos, logo percebe as muitas qualidades dessa turma. Faziam um som bacana e com competência. Vale conferir…

mine only mine
my great love
lucky
anna lee
love doesn’t need weight or size
understand
good bye mother
without your eyes i feel alone
give you love anyhow
she said bye
tell me once again
a life with him

Clip Independente – Volume 1

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Fechando a nossa semana pop/rock/auternativo, aqui vai uma coletânea bem apropriada. Produzido pelo radialista Osmar Santos, através de seu programa pela Rádio Brasil 2000 FM, o “Clip Independnte”. Este lp reuniu nove grupos de rock paulista escolhidos pelo próprio público. As bandas foram gravadas ao vivo, no estúdio da rádio, o que dá ao som um vigor especial. Encontraremos aqui alguns nomes que chegaram a fazer um relativo sucesso nos anos 90, como é o caso  do Mickey Junkies, Malaco Soul, Lara Hanouka, Zero Vison, e outros… Algumas dessas bandas qainda continuam na ativa. Vale dar uma conferida, pois parece que este álbum não chegou a ser comercializado.
cucaloloca (no recife) – malaco soul
holiday in ice – mickey junkies
the game is over – lara hanouka
worms – zero vision
the longest way back home – all of us
sol do japão – a casa caiu
geladeira amarela – tres hombres
deadly fuck – canis
na noite somos todos iguais – anjo dos becos

Beach Comberes – Ninguém Segura Os Beach Combers (2012)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos, ocultos e associados! Encerrando a semana, vou agora botar lenha na fogueira, engrossar mais o caldo e fazer valer a sexta feira. Vamos hoje com os Beach Combers, um super ‘power trio’ carioca de ‘Beat Music’, que é o termo mais indicado para uma banda que passeia como poucas pelos diferentes gêneros do rock, como o surf, o psicodélico, garagem e instrumental retrô.
Formado por Bernar Gomma na guitarra, Gustavo (Guzz The Fuzz) no baixo e Lucas Leão na batera, os caras dão um show de competência. Eu confesso que fiquei impressionado com o nível dessa moçada. Sem querer puxar o saco, achei o disco todo bom. Não há uma faixa a qual a gente deixa de ouvir. Quem gosta de rock, não tem como não apreciar o trabalho. À propósito, “Ninguém segura os Beach Combers” foi lançado apenas em vinil. Um luxo para poucos, aqueles que sabem como é bom curtir um som de um toca discos. Gostei tanto deste álbum que até entrei numa de promovê-los entre os amigos e lá na Feira do Vinil, onde vendi alguns exemplares. O que faz essa banda ter um disco tão bancana é uma certa lineariedade entre as faixas, o fato de ser totalmente rock básico e instrumental, que agrada o papai e o filhinho (aqui em casa foi assim, hehehe…)
Os Beach Combers estão com a bola toda. Onde quer que eles se apresentem, fazem um sucesso danado. Por isso, escutem este ‘web album’, comprem o lp e passando pela sua cidade, não deixe de conferir o show. Dizem que ao vivo os caras são ainda melhores 🙂
Quem estiver interessado na compra do lp, pode fazer contato… (eu recomendo!)

ninguém segura os beach combers
a lenda do funcionário fantasma
mesa de bar (onde tudo acontece)
bote da cobra
garota honky tonk
me perdi na rua augusta
beach combers
eu não estou dentro do seu corpo
psychofuzz pt I
psychofuzz pt II

Aum Soham (2009)

Boa noite, meus prezados! Inicialmente, quero avisar a todos que a versão Toque Musical pelo WordPress está agora fechada ao público. Achei melhor fazer dessa forma, evitando deixar os desatentos ainda mais confusos. Tínhamos, até então, quatro versões do TM na rede. Uma fartura que tem lá suas razões. Porém, em julho, faremos uma pausa para as férias e também para as mudanças definitivas, como eu já havia comentando aqui. Completando 5 anos de atuação, o Toque Musical passará a ter o seu espaço próprio, sem mais sofrer ameaças de cortes como várias vezes já ocorreu. Continuaremos mantendo a mesma política de acesso, através do GTM. Fiquem ligados, leiam os toques para não se perderem.
Dando sequência à essa semana do alternativo independente, vamos com mais um artista que merece ser ouvido com outros olhos. Apresento a vocês Aum Soham, artista mineiro com uma formação multifacetada em artes plásticas, dança, literatura, fotografia e música. Sua atuação na música começa a partir dos anos 80, em São Paulo, na efervecência da chamada “Vanguarda Paulista”. Seu trabalho se iniciou no uso da tecnologia aplicada à música, explorando diferentes recursos vocais numa estética não muito convencional. Nessa época, se apresentou em diversos espaços culturais de Sampa, Como no Teatro Lira Paulistana, Sesc Anchieta, Centro Cultural de SP, entre outros…
Repleto de experimentalismo vocais e inovações sonoras, o EP “Aum Soham” nos apresenta um mix de elementos eletrônicos e acústicos em composições onde a voz transmutada e em incontáveis sonoridades e ruidos, alcança uma nova característica, com resultados surpreendentes. “É incrível perceber, por exemplo, que os sons de água pingando numa suposta caverna, no final da faixa “Douan”, tenha sido  produzido pelo artista, apenas com ruídos de saliva, respiração e estalos de língua”
“Aum Soham” foi lançado primeiro no mercado americano, em 2008 e posteriormente em São Paulo e Belo Horizonte. Aqui vamos encontrar duas músicas, “Cânticos” e “Douan” e suas versões remixadas. Incluí também, em forma de bônus, uma nova versão de “Canticos”, feita pelo artista para um clipe com imagens de filmes do Zeitgeist. Quem quiser conferir, é só dar um toque. Tá na mão, tá no GTM 🙂

cântico (original remix)
douan (original remix)
douan
cântico
cântico (remix zeitgeist movie)

Eletrotauro (2007)

Boa noite, meus prezados amigos cultos, ocultos e associados! Aqui vou eu trazendo mais uma dose de música para se ouvir com outros olhos. Desta vez eu apresento o “Eletrotauro”, um projeto também criado por um músico e artista visual, o mineiro Sandro Medeiros. Segundo o artista, o Eletrotauro é um SER (Som Eletro Regional). Por aí já deu para se ter uma ideia do que vamos encontrar. Uma música que mistura elementos rítmicos extraídos da cultura  regional e popular brasileira com batidas eletrônicas, samplers e outros efeitos sonoros. Para conhecer melhor o trabalho deste artista, convido vocês a conhecerem também o site. Vão daí que eu vou de cá…

cosmofulia
passaraí
curral bit
pindorama
erectai
psicosonoro
11 de setembro
o levante
dita mole
no ar
pro boi sambar
s.e.r. (sincretismo eletro regional)

Objeto Amarelo – Deus Da Pedrada (2003)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Depois de haver postado “O Ápice” do Vzyadoq Moe, não resisti a tentação de fazer desta uma semana diferente, trazendo para o Toque Musical um pouco mais do experimentalismo, alternativo e porque não dizer, conceitual (humm…)
Vamos hoje conhecer, ou dar mais vazão, a um projeto criado no final dos anos 90 pelo músico e artista visual paulistano, Carlos Issa – o “Objeto Amarelo”. Há tempos atrás, quando este cd caiu nas minha mãos eu não dei muita bola, achando-o uma coisa meio tosca, artesanal e de um conteúdo até então duvidoso, visto que naquela época eu não encontrei nenhuma informação sobre quem era e o que era exatamente o Objeto Amarelo. Foi preciso que o seu autor se manifestasse através da criação de um site e seu trabalho ganhasse um maior espaço na mídia e consequentemente territorial, atingido um público além da capital paulista. Hoje a coisa está um pouco mais clara e eu já consigo ouvir esse trabalho com outros olhos. “Deus da Pedrada” é um híbrido conceitual. Como música nos traz em seu experimentalismo um misto de pop, punk, rock, industrial, eletrônico e sei lá mais o quê… Literalmente, um objeto sonoro e porque não dizer, um objeto de arte. A primeira série deste trabalho, lançada em 2003, era realmente um objeto de arte, com direito a numeração (o meu é o 087!). Cd artesanal, tosco (sem dúvidas), gravado e produzido em casa pelo próprio artista, porém com um conceito que envolve não apenas a música, mas também o seu suporte, o cd com sua  forma bem peculiar de apresentação. Realmente um objeto (amarelo) de arte, que alguns anos depois viria a ser relançado pela Tratore Records. Obviamente, já nesta segunda leva, o trabalho adquiri uma identidade mais comercial, de disco simplesmente.
“Deus da pedrada” não foi a primeira e nem seria a última empreitada artística sonoroa de Carlos Issa. Antes deste cd o projeto “Objeto Amarelo” já existia através de outros dois lançamentos anteriores e seguiu posteriormente com outros lançamentos, sendo o último um cd gravado em 2009. No disco virtual desta postagem eu incluí também uma música bônus e três clips, afinal aqui no TM tem que ter um algo mais, não é mesmo?
Melhor do que eu ficar aqui tentando explicar o trabalho do cara é dar a dica da fonte, ou seja, para saber melhor sobre o Carlos Issa e seu Objeto Amarelo, visite o site.

tonta maria morta
deus da pedrada
disco
eu governo o ar
tundra
astronomy domine cavalo
pogo em poa
a draga que vem
coisa zen (bonus)

Vocalistas Tropicais – Vol. 3 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)

E eis aqui a terceira edição (no geral, a de número 25) que o meu, o seu, o nosso Grand Record Brazil dedica a este grande conjunto vocal-instrumental que foram os Vocalistas Tropicais. Mais doze fonogramas raros que certamente irão parar nos arquivos de muitos colecionadores. Continuando nossa retrospectiva, ainda com originais Odeon, abrimos esta terceira parte com o samba “Como é que vai ser?”, de Marino Pinto e Mário Rossi, dupla respeitável da MPB, gravado em 3 de setembro de 1948 com lançamento em novembro seguinte sob número 12883-B, matriz 8410 (o outro lado de “Ester”, de nossa edição anterior). Em seguida, uma versão bastante conhecida: “Trevo de quatro folhas (I’m looking over a four leaf clover)”, de Harry Woods e Mort Dixon, fox composto em 1927 e sucesso na voz de Al Jolson, cantor americano que costumava pintar o rosto de preto, interpretado por Larry Parks em dois filmes da Columbia: “Sonhos dourados” e “O trovador inolvidável”, sendo a música reapresentada neste último. Nilo Sérgio fez a letra brasileira e a gravou na Continental em 1949, com grande sucesso. Logo em seguida, em 13 de maio desse ano, os Vocalistas Tropicais fizeram nosso registro desta edição, lançado pela “marca do templo” em julho seguinte com o número 12934-A, matriz 8493. No verso, matriz 8492, a faixa seguinte, “Irmão do samba”, de Nestor de Holanda (também escritor e jornalista, pernambucano de Vitória de Santo Antão) e Jorge Tavares. Eles também foram parceiros, vale ressaltar, no samba-canção “Quem foi?”, gravado por Aracy de Almeida exatamente com os Vocalistas Tropicais junto. A quarta faixa, que até eu queria ter na coleção, é o samba “A maior Maria”, de Waldemar Ressurreição e Gerôncio Cardoso, lado B do disco de “Minha terra”, de nossa edição anterior, o Odeon 12952, gravado em primeiro de agosto de 1949 e lançado em outubro seguinte, matriz 8540. Temos depois outro samba, agora para o carnaval de 1950: “Supremo poder”, de Fernando Martins e Victor Simon (este último autor dos clássicos “Bom dia, café” e “O vagabundo”), gravado pelos Vocalistas em 4 de novembro de 1949 e lançado um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12979-B, matriz 8580 (é o verso de “Ela é falsa”, de nossa edição anterior). A faixa seguinte é o maracatu “Maracatucá”, de Geraldo Medeiros e Jorge Tavares. É o lado B do disco em que saiu a versão “Bebê (Baby face)”, apresentada em nossa edição anterior, o Odeon 12989, gravado em 16 de dezembro de 1949 e lançado bem depois do carnaval de 50, em março, matriz 8608. Depois tem o samba “Não devemos mais brigar”, do cantor Gilberto Milfont em parceria com Mílton de Oliveira, lado B do disco de outra faixa de nossa edição anterior, “Ilha dos amores”, o Odeon 13005, gravado em 13 de junho de 1949 mas só lançado em março de 50, matriz 8519. Continuando a completar os discos de nossa edição anterior, vem o samba “Trinta dinheiro” (assim mesmo, sem “s”!), também de Waldemar Ressurreição, agora em parceria com Amaro Gonçalves. É o lado B do 78 de “Diamante Negro”, o Odeon 13024, gravado em 20 de março de 1950 e lançado em julho seguinte, matriz 8656. Em seguida completamos o 78 de “Desculpa”, o Odeon 13042, apresentando o lado A, “Quem é que não sente?”, samba assinado pelo mestre Ataulfo Alves. Gravação de 3 de julho de 1950, lançada em setembro seguinte, matriz 8718. A próxima faixa é simplesmente um clássico de nosso cancioneiro carnavalesco: a famosa marchinha “Tomara que chova”, de Paquito e Romeu Gentil, da folia de 1951. Foi criada pelos Vocalistas Tropicais na Odeon em 6 de setembro de 1950, com lançamento ainda em dezembro sob número 13066-A, matriz 8792 (como se sabe, Emilinha Borba fez outro registro desta composição na Continental, também com sucesso, e  a cantou no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida). Apresentamos também o lado B de “Tomara que chova”, o samba “Já é noite”, de Fernando Lobo, Paulo Soledade e Nestor de Holanda, gravado dias depois, em 12 de outubro de 1950, matriz 8823. E, para encerrar esta terceira parte, completamos o disco da “Marcha da vizinhança” (de nossa edição anterior), o Odeon 13081, oferecendo o lado B, outra composição de Waldemar Ressurreição: o samba “Mulher de carnaval”, gravação de 12 de outubro de 1950, lançada em janeiro de 51, matriz 8822, e obviamente também destinada à folia daquele ano. Como vêem os amigos cultos e ocultos do Toque Musical e do GRB, mais doze preciosas gravações dos Vocalistas Tropicais, para enriquecer os acervos de tantos quantos apreciem a boa música brasileira. Imperdível! 


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO