Vários – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 21 (2012)

E chegamos à vigésima-primeira edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brasil. E esta particularmente me orgulha, pois foi feita com a minha humilde colaboração. Alguns dos fonogramas preciosos que a compõem são de minha coleção particular, e nesse caso sinto-me feliz em ter ajudado a fazer a edição desta semana do GRB.
Para começar, apresentamos um disco do Quarteto Quitandinha, que teve uma atuação curta porém marcante. Era formado pelos gaúchos Alberto Ruschel (mais tarde ator de cinema), Francisco Pacheco, Luiz Teles e o violonista Luiz Bonfá, autêntico precursor da bossa nova que, evidentemente, integrou-se ao movimento, e é autor de clássicos como “De cigarro em cigarro” e “Manhã de carnaval”, este em parceria com Antônio Maria. O nome do grupo foi dado pelo produtor Carlos Machado quando o mesmo se apresentava no Hotel Quitandinha, na cidade serrana de Petrópolis, RJ. Em 1946, com o fim dos cassinos no Brasil, por decreto do então presidente Dutra, o conjunto foi para o Rio de Janeiro em busca de novos horizontes para continuar sua carreira, apresentando-se em rádios como a lendária e então poderosa Nacional. Seu primeiro disco saiu pela Continental, em setembro de 1946, apresentando o samba-jongo “Vou vender meu barco” e a popular canção mexicana “Malagueña”. Nesta edição do GRB, o segundo disco dos Quitandinhas, o Continental 15835, gravado em 25 de setembro de 1947 e lançado em outubro seguinte. O lado A, matriz 1729,  é a clássica toada “Felicidade”, um dos maiores hits de Lupicínio Rodrigues como compositor, e que voltaria a fazer sucesso em 1974, mesmo ano da morte do autor, numa regravação de Caetano Veloso. No verso, matriz 1730, uma canção típica gaúcha, da autoria de Artur Elzner e Ney Messias, “Minuano”, vento frio e gelado, típico da Região Sul. O Quarteto Quitandinha, depois Quitandinha Serenaders, gravaria mais tarde seis discos pela Odeon, e se desfez em 1952.
Sílvio Caldas, o sempre festejado “caboclinho querido”, aqui comparece com o disco Sinter 00.00-186, lançado em abril de 1953, com duas composições de Joubert de Carvalho, e acompanhamento da orquestra do sempre eficiente Lírio Panicalli. Abrindo o disco, matriz S-413, a pungente canção “Silêncio do cantor”. Os versos de David Nasser foram escritos a pedido de Francisco Alves, que imaginava com tristeza o dia em que se aposentasse da carreira artística. Chico musicou a letra, mas a melodia se perdeu, sem ser gravada, justamente por causa do acidente automobilístico que o vitimou, em 27 de setembro de 1952. A letra estava dentro do violão de Chico, e salvou-se milagrosamente do fogo do acidente. Então David Nasser recorreu a Joubert de Carvalho, que fez nova melodia, e “Silêncio do cantor” acabou se tornando uma homenagem póstuma àquele que foi o Rei da Voz. Completando o 78, matriz S-395, a valsa “Flamboyant”, de Joubert sozinho.
Em seguida apresentamos o pernambucano e recifense José Tobias de Santana, que veio ao mundo no dia 6 de março de 1928. Iniciou sua carreira na Rádio Jornal do Commércio, e pouco depois mudou-se para o Rio de Janeiro, contratado pela PRG-3, Rádio Tupi (“o cacique do ar”), atuando na também na Rádio Record de São Paulo, PRE-8 (então “a maior”). Estreou em disco na Star, em 1952, interpretando dois baiões de Zé Dantas, “Acauã” e “Chora baixinho”. O disco daqui é o Copacabana 5276, lançado em meados de 1954, provavelmente em junho. No lado A, matriz M-605, o samba (tendendo mais para toada) “Criança má”, de Luiz Gonzaga em parceria com o escritor e radialista Giuseppe Ghiaroni. E o lado B, matriz M-606, é um verdadeiro clássico: a rancheira “Você vai gostar”, muitas vezes regravada, e também conhecida com os títulos “Casinha branca” e “Lá no pé da serra”. Seu autor, Elpídio dos Santos, apelidado de Conde (1909-1970), era paulista de São Luiz de Paraitinga, cidade que, lamentavelmente, teve seu patrimônio histórico destruído por enchentes, mas atualmente em processo de reerguimento. Elpídio era também o compositor predileto do comediante Mazzaropi, tendo feito inúmeras músicas para seus filmes.
Em seguida apresentamos as músicas do disco de estréia do cantor Carlos Antunes, sobre o qual há pouquíssimas informações biográficas disponíveis. Mineiro de Guarani, chamava-se Joaquim Sérgio Ferreira, e residiu por muitos anos em São Paulo, onde ganhou a vida como professor. Depois disso, voltou à sua Guarani para desfrutar da aposentadoria, direito aliás de qualquer cidadão, e faleceu por volta de 1998. Sua discografia como cantor, que vai de 1952 a 1959, tem apenas 7 discos com 13 músicas, a maioria pela Continental e apenas um na RCA Victor. E sua estréia deu-se justamente com nosso disco desta semana, o Continental 16525, gravado em 28 de agosto de 1951, porém só lançado em março-abril de 1952 , com duas composições de João Manoel Alves (português de Monção, que se radicou no Brasil em 1929) e Arlindo Pinto (São Paulo, 1906-idem, 1968), este parceiro de Mário Zan e Palmeira em inúmeros sucessos. Abrindo o disco, matriz 11251-R, o tango-canção “Farrapo humano”, ao que parece inspirado em um filme americano de mesmo nome, de 1945, dirigido por Billy Wilder e estrelado por Ray Milland, retratando de forma realista o problema do alcoolismo. A película ganhou quatro Oscars: filme, ator (Milland), direção (Wilder) e roteiro original. No verso, matriz 11250-R, a canção “Cigana”. Ambas as músicas, com acompanhamento do regional do violonista Nélson Miranda, alcançaram expressivo sucesso, em particular no Nordeste, graças à interpretação única que Carlos Antunes lhes soube dar, e ainda hoje comovem o sentimento popular, sendo muito lembradas e procuradas por colecionadores.
Por fim, apresentamos o grande Tito Madi, verdadeiro ícone de nosso cancioneiro romântico. E seu disco desta semana no GRB, o Continental 17416, lançado em março-abril de 1957, apresenta dois clássicos de sua autoria, muito lembrados até hoje. Abrindo o disco, matriz C-3917, a valsa “Chove lá fora”, sucesso fulminante, inclusive no exterior, sendo gravada em inglês pelo grupo vocal americano The Platters com o título “It’s raining outside”. No verso, matriz C-3916, o samba-canção “Gauchinha bem querer”, que Tito compôs quando participou de festejos promovidos pela Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Ambos os registros têm acompanhamento orquestral do gaúcho Radamés Gnattali, e são portanto bem diferentes dos que estão nos LPS disponibilizados pelo Toque Musical. Nunca tiveram qualquer relançamento, e portanto são verdadeiras relíquias, como aliás todos os que compõem esta edição do GRB, para você guardar com carinho e desfrutar de verdadeiras joias raras de nossa música popular. Bom divertimento! 

Samuel Machado Filho

Jorge Goulart – Rodolfo Mayer – Mãe (196…)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Hoje é o Dia das Mães e eu quero aqui prestar a minha homenagem a esta figura fundamental em nossa vida. Quero antes de tudo, me abrir um pouco mais, deixando de lado o personagem Augusto TM e mostrando a vocês um pouco do outro cara aqui, isso obviamente, relacionado às minhas mães. Eu posso me considerar nesse ponto uma pessoa de muita sorte, pois tive nessa vida duas ‘mãezonas’. Poderia até dizer que tive mais, pois sempre fui muito bem acolhido e amado por diversas mulheres. Me refiro, claro, ao amor maternal e espiritual.
Quando iniciei este blog, o Toque Musical, estava vivendo um momento muito difícil em minha vida. Minha mãe natural havia acabado de falecer, vítima de um câncer silencioso e agressivo que nos pegou a todos de surpresa. Ela, coitada, nunca soube que mal era aquele que a levou a morte. Abandonei minha mulher e filho e fui viver os últimos três meses cuidando da minha mãe, sozinho! Dois anos antes, havia também perdido a minha irmã, que não chegou a completar 33 anos. Isso, por certo abalou muito a minha mãe e esse câncer deve ter se originado aí, em sua imensa tristeza. Foram três meses de barra pesadíssima, eu sozinho, sem ter muito com quem contar. Fui filho, médico, enfermeiro, conselheiro e tudo que pedia aquele momento. Sofri demais carregando a minha velha para hospitais, desesperado e contando realmente só com a ajuda de Deus. Estava para abandonar também o meu emprego, não fosse a solidariedade e pena dos colegas e chefe, que souberam nessa hora compreender a minha situação. Rezei a Deus para que não me desamparasse e não deixasse a minha mãe morrer comigo sozinho naquela casa. Eu estava meio que perdido, enfraquecido e como disse, sozinho principalmente nas noites, onde eu mal dormia. Eu não saberia o que fazer se ela morresse em casa. Mas já nos seus últimos dias a situação se agravou e eu fui obrigado a levá-la para o hospital. Lá, eu também encarei as noites dormindo na cadeira do seu quarto, mas pelo menos tinha a assistência das enfermeiras e médicos. Em sua última noite eu já não suportava mais de cansaço e numa cama ao lado, que estava vazia, dormi um sono que nunca dormi antes, sem sobressaltos, tranquilo. Acordei as 5:30 e fui logo pegando em sua mão. Ela me olhou já meio distante e em seguida faleceu. Parecia até que ela estava só esperando eu acordar para em seguida morrer. Foi muito triste, foi barra… (desculpem, mas agora eu estou chorando)
Mas essa história de mãe não termina aqui. Meu sofrimento seria ainda muito maior algum tempo depois. Como disse, tive duas mães. A outra foi a minha tia, irmã de meu pai. Essa, coitada, só não me ajudou com a minha mãe porque também estava numa cama já há dois anos, vítima de um AVC que a deixou paralisada nas pernas, o braço direito e na fala. Era uma mulher dinâmica, super ativa, dona de sua vida e da dos outros que ela sempre cuidou. Tinha sua casa, seu carro, sua independência… De repente, num péssimo dia,  ela sofreu um derrame e daí, nunca mais se recuperou. Perdeu tudo, agora entravada numa cama. Ela tinha apenas um filho, que eu o considerava como meu irmão mais velho. Por cinco anos ela ficou em sua casa, sendo assistida por uma pessoa contratada por meu primo. Este, um professor doutor universitário, envolvido em seus projetos e uma família, não tinha lá muito tempo para a mãe. Abasteceu com os cuidados que achava necessários, mas o que ela mais queria ele nunca deu, atenção, afeto e carinho. O cara era naturalmente seco e suas emoções eram outras, que nem vale a pena aqui eu comentar. Entregou os cuidados da mãe à uma pessoa descontrola, um mulher com distúrbios bipolares, que mais prejudicou a minha tia do que a ajudou. Implicava com as pessoas que iam visitar a minha tia, inclusive eu, que independente disso, forçava para vê-la todos os dias. Meu primo só aparecia por lá nos finais de semana, fica na casa por pouco tempo e logo ia embora. Só ia mesmo para levar remédios, fraudas e o dinheiro da maluca. Meu envolvimento com a minha tia aumentou, principalmente depois da morte da minha mãe, quando então eu tinha mais tempo para acompanhá-la. Minha tia, embora não pudesse se locomover e se comunicar pela fala era uma pessoa lúcida e mesmo com todos os seus males ainda esboçava uma alegria esperança na vida. Mas essa mulher, a acompanhante, que passou a viver com ela transformou sua vida num inferno. Afastou da casa todos os amigos e implicou até com a fisioterapeuta. Meu primo, afastado do que realmente acontecia por lá, estendeu a tortura até chegar a um ponto em que a acompanhante resolveu abandonar a casa. A mulher era totalmente louca, mas o comodismo desse primo o impedia de procurar outra pessoa para cuidar de sua mãe. Ele bem que podia ter a levado para ficar em sua casa, que por sinal é enorme, com vários cômodos, uma grande e bela casa, onde vivia só ele, a esposa e um cachorrão fedorento. Os dois filhos já eram independentes e moravam em suas próprias casas. Em suma, ele tinha todas as condições para cuidar e estar mais próximo da mãe. Mas ele não queria isso. Quando então, a acompanhante deu no pé, ele imediatamente levou minha tia para um asilo. Asilo de rico chama-se ‘clínica da vovó’, mas no fundo não tem muita diferença. Meus amigos, vocês não fazem ideia do que é sofrimento. Do sofrimento que esse primo impôs à minha tinha e também a mim, que nessa altura já estava muito envolvido com a situação. Pedi a ele, insistentemente, que não a deixasse naquele lugar, era o inferno em dose dupla. Cheguei a propor que voltasse com ela para a sua casa e que eu mesmo cuidaria dela. Mas aquele imbecil sem coração, não quis me dar ouvidos. Vou dizer para vocês, acho que sofri mais do que com a minha mãe. Isso por que a minha tia era uma santa e merecia ter sido tratada de outra forma. Eu a considero como minha segunda mãe porque foi ela quem me criou dos 11 aos 30 anos, período em que fui morar na casa dela. Minha mãe nessa época havia casado com um outro homem e eu acabei sendo criado pela minha tia. Daí uma das muitas razões pelas quais eu tinha um laço muito forte com essa mulher. Meu Deus, como foi difícil acompanhar todo aquele sofrimento desnecessário pelo qual a minha tia-mãe passou.
Eu ia todos os dias visitá-la no asilo e sempre prometendo a ela que faria de tudo para tirá-la de lá. Insisti, insisti e insisti… mas nada! Aquele coração de ferro era inabalável. Em um ano e meio que a minha tia ficou por lá ela foi aos poucos se definhado e pelos maus tratos acabou tendo uma infecção na perna e já nos seus últimos momentos, teve que amputá-la. Que coisa horrível! Como foi triste. Vejam vocês, depois de amputada, já num hospital, sofrendo horrores, o médico lhe deu alta, ou melhor dizendo, mandou que ela voltasse para casa (para desocupar a vaga no quarto). Meu primo então me avisa que iria levá-la de volta ao asilo.Eu chorei por dentro e implorei dizendo, “não leva pra lá não, leva para a sua casa, deixa ela morrer lá…” O cara levantou-se da cadeira onde estava e me mandou calar a boca. Disse que estava cheio de ouvir as minhas reclamações, que a mãe era dele e que faria da forma que achasse melhor. Aquilo me deu tanto ódio que se não fosse pelo fato de estarmos no quarto do hospital com aquele resto de vida, eu teria partido para cima dele. Meu desejo naquele momento foi quebrar a cara daquele safado. Não fosse pela presença (?) da minha tia ali eu iria bater muito naquele cara. Mas, eu me controlei. Com lágirmas nos olhos, fui até a cama, despedi da minha tia e disse a ela: “Meu bem, vai agora. Aqui não há mais nada para você. Vá em paz, eu me despeço aqui. Que Deus lhe acolha como você merece.” Saí de lá com o coração ainda mais partido. Minha tia morreu um dia depois. Nunca mais olhei na cara daquele sujeito e espero nunca mais vê-lo. Tomei um verdadeiro ódio. Hoje, agora nesse dia, não tive como não lembrar de tudo. Não vou nunca perdoá-lo, mas confesso, tenho pena dele.
Desculpem por esse desabafo… eu não esperava chegar a tanto…
Fiquem hoje apenas com esse compacto, lançado pelo selo Mocambo. Onde temos de um lado o cantor Jorge Goulart interpretando a música “Ser mãe”, dos irmãos Coelho e Silvino Netto e do outro o poema/canção “Carta a mãe distante”, também de Silvino Netto. Pode parecer meio piegas esse disquinho para os dias de hoje. Mas quem tem uma mãe no coração, não acha não!

carta a mãe distante – rodolfo mayer
ser mãe – jorge goulart

Céu – Extras E Com… (2012)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão. Hoje o sábado foi pesado, com tantas caixas de elepês que eu carreguei para a Feira do Vinil, que tem acontecido sempre no segundo sábado de cada mês, numa galeria que fique ali na Savassi, rua Pernambuco com Inconfidentes. Quem é de Belô, certamente deve conhecer. O dia foi pesado sim, mas só pelas pilhas de discos, de resto foi ótimo ficar ali o dia inteiro ouvido músicas variadas, folheado os álbuns e falando sobre a Música e seus artistas. Bom demais essa convivência. Para melhorar, ainda me encontrei com pessoas super simpáticas, entre essas, uma de nossas amigas cultas, Madame Mignez, que generosamente me presenteou com um disco de Dilermando Reis (muito obrigado, mais uma vez). Em resumo, a feira foi ótima! Tudo azul!
Este azul então me remeteu ao azul do céu e o céu à Céu, entendeu? Não? Eu explico… Estou falado dessa lindeza que é a cantora Céu. Acredito que todos devam conhecer, quem não conhece, faça-me o favor! Temos aqui uma seleção enviada pelo amigo André Stangl, reunido 22 músicas, que essa jovem cantora nos apresenta ao lado de outros artistas e bandas da nova geração da música ‘pop’ brasileira.
Eu estava quase disposto a escrever mais sobre essa coletânea bem variada, mas percebo que já vamos entrar no domigo e antes que o sábado acabe de vez, vamos dar a ele a sua postagem. Segue aqui mais uma produção exclusiva do Toque Musical. Amanhã tem mais 🙂

nação postal – céu e beto villares
salve – céu e dozna zica
tempo de carne e osso – céu e mombojó
inferno – céu e nação zumbi
caimbo – céu e sonantes
miopia – céu e sonantes
defenestrando – céu e sonantes
quilombo te espera – céu e sonantes
braz – céu e sonante
frevo de saudade – céu e sonantes
visgo de jaca – céu
skate phaser – céu e guizado
tempo de amor – céu e herbie hancock
neverland – céu e anelis assumpção
doce demora – céu e gui amabis
fim de tarde – céu e gui amabis
swell – céu e gui amabis
it’s a long way – céu  (in red hot rio II)
música – céu e lucas santana

Itamar Assumpção E As Orquideas Do Brasil – Bicho De Sete Cabeças (1993)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Independente de ser sexta feira, hoje por aqui eu vou de Itamar Assumpção. Taí um artista, que vez por outra eu gosto de escutar e que para mim, já estava postado aqui no Toque Musical. Mas, são tantas as emoções que eu nem mais sabia se já o havia postado ou não. Pessoalmente, “Beleléu e a Banda Isca de Polícia” é insuperável e por acaso eu já postei. Assim, vamos com este outro álbum, de 1993, lançado pelo selo independente Baratos Afins. Aqui encontramos Itamar acompanhado do grupo feminino “As Orquídeas do Brasil”. “Bicho de sete cabeças” foi um álbum onde Itamar contou apenas com mulheres. Além das Orquídeas, participam também outras artistas de destaque como, Rita Lee e as irmãs Alzira e Tetê Espíndola. Segundo o texto do encarte, o ‘aviso aos navegantes’, este disco é a primeira parte da trilogia “Bicho de Sete Cabeças”, todos gravados em 1993. Neste primeiro, Itamar se encontra muito a vontade, desfilando suas composições e parcerias. Apenas a faixa “Balaio” não é de sua autoria. Me parece que este disco chegou a ser relançado com outra capa ou algo assim. Foi lançado também em cd, mas duvido que ainda se encontre para venda, a não ser por sorte em algum sebo por aí… Não deixe de conferir… mas antes, tem que pedir, ok?  😉

sujeito a chuvas e trovoadas
venha até são paulo
custa nada sonhar
quem é cover de quem
noite torta
balaio
vou tirar você do dicionário
logo que eu acordo
orquídeas
se a obra é a soma das penas
quem descobriu, descobriu

Benedito Costa – Homenageia O Imortal Ataulfo Alves (197..)

Boa noite a todos! Eu como sempre chego na última hora, mas como bom mineiro, não sou de perder o trem. E o trem hoje é bão, vocês vão ver (e ouvir, claro). Estou exausto, trabalhei que nem gente grande, mas vamos lá…
Meio que por acaso, escolhi este álbum do cavaquinista Benedito Costa. Aqui ele homenageia um dos maiores compositores brasileiros, o imortal Ataulfo Alves. São doze músicas escolhidas a dedo por Benedito e excepcionalmente para um selo que só gravava música sertaneja, o Califórnia. Eu não consegui localizar a data de lançamento do álbum, mas acredito que tenha feito sua estréia no início do anos 70. Benedito Costa, um mestre no cavaquinho nos apresenta, de maneira totalmente instrumental, uma seleção de clássicos de Ataulfo. Benedito, que vem acompanhado por um regional bem bacana e dá à gravação um sabor mais próximo do gosto do Mestre.
Putz! O sono chegou pra valer! Mas será o Benedito? Ainda tenho que tomar um banho antes de cair na cama. Vou ficando por aqui. Já sabem, quem quiser, basta avisar. Tô cheio de solicitações para atender, mas essas ficarão para o fim de semana. Tenha paciência, ok?

meus tempos de criança
aí que saudade da amélia
é hoje
atire a primeira pedra
leva meu samba
mulata assanhada
você passa eu acho graça
sei que é covardia
vai na paz de deus
vida minha vida
laranja madura
pois é

VI Festival Internacional Da Canção Popular – Parte Nacional – As Favoritas (1971)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Aqui vamos nós com mais um albinho da melhor qualidade. Uma seleção musical para quem gosta e se lembra dos grandes festivais de música popular. Aqui temos reunidas algumas das músicas favoritas do público (segundo a Rede Globo), no VI Festival Internacional da Canção Popular, realizado em 1971, pela Secretaria Municipal do então estado da Guanabara. Era um período onde a ditadura militar corria solta e nossos artistas passavam maus bocados, sendo sempre ‘tosados’ em suas criações. Foi também um momento onde grandes nomes da MPB estavam de volta. O cantor e compositor Gutemberg Guarabyra era o diretor musical do festival e sugeriu um plano para minar de vez os abusos da Censura. Convidou grandes artistas, como Chico Buarque, Sérgio Ricardo, Tom Jobim, Edu Lobo, Vinícius e outros para participarem como ‘convidados”, uma espécie de ‘hors concours’ . Mas a ideia era bem outra, na verdade nenhum desses artistas iram se apresentar, o negócio era fazer protesto em forma de desistência na última hora, colocando em sinuca o Governo Militar, frente aos olhos do mundo. Mesmo sem a participação desse time de estrelas, o VI Festival teve lá sua glórias. Foi nessa edição que nasceram músicas como “Desacato”, de Antônio Carlos e Jocafi, defendida por Claudia; “Você não tá com nada”, de Silvio Cesar, com Marlene; “Casa no campo”, de Zé Rodrix e Tavito e outras que vocês podem conferir neste lp. Quem faturou o primeiro lugar foi o Trio Ternura, interpretando “Kiryê”, de Paulinho Soares e Marcelo Silva. Se eu não tiver enganado, muitas dessas músicas aparecem aqui, em suas versões  primárias, exclusivamente lançadas neste álbum da Som Livre. Quer conferir? Então peça que eu mando lá para o GTM. Como eu já havia dito, os ‘toques’ só chegam por e-mail se alguém no grupo pedir 😉
lourinha – marilia pêra
américa do sol – lucinha e osmar milito
kyrie – trio ternura
desacato – claudia
julia – odylon
é proibido pisar na grama – betinho
você não tá com nada – marlene
voltar eu não – golden boys
mêdo – jacks wu
canção prá janaína
palavras perdidas – maysa
casa no campo – zé rodrix

Os Terríveis – Barra Limpa (1967)

Olá amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Segue aqui a postagem de hoje. Tô numa correria brava, mesmo assim, não vou querer deixar o Toque Musical sem seu registro diário. Puxei do gavetão, e por acaso, este álbum dos áureos tempos da Jovem Guarda. Aqui vai mais um daqueles conjuntos instrumentais que habitavam o universo musical pop dos anos 60 no Brasil. Temos desta vez Os Terríveis, que em outros discos da época poderiam ter sido, Os Brasas, Os Gatões, Os Cabeludos ou coisa assim. Sinceramente, não tenho nenhuma informação sobre eles e o nosso discos aqui é prova disso. Um álbum sem compromisso, feito com o intuito puramente comercial, aproveitando a onda, mora? Em seu repertório desfilam músicas que eram o sucesso da época, temas nacionais e internacionais. De Roberto Carlos, Martinha e Carlos Imperial à Herman’s Hermits, The Monkees, Luigi Tenco e outros. Pessoalmente, acho tudo jóia, barra limpa. A cara dos discos da Paladium 🙂

georgy girl
ciao amore ciao
eu não presto mais te amo
i’m believer
sunny
ma (he’s making eyes at me)
no milk today
barra limpa
penny lane
faça alguma coisa pelo nosso amor
quando dico che ti amo
a praça

PS.: Logo após postar este álbum, um de nossos amigos nos enviou um esclarecimento sobre quem eram Os Terríveis. A fonte foi o blog “La Playa Music – Oldies”   cujo texto eu replico aqui:
Os Terríveis foi um grupo formado em Recife, Pernambuco, que foi para o Rio de Janeiro em 1965 buscar um maior espaço no cenário musical. Inicialmente tinham a denominação de “Os Lords”, mas como já existia uma banda com o mesmo nome e mais famosa foram obrigados a mudá-lo para “Os Terríveis”. O empresário do grupo era chamado Galindo. Ao chegar ao Rio de Janeiro, o grupo se apresentou nos programas de Rádio de José Messias e Célia Mara na Rádio Mauá e nos Programas de TV (Rio Hit Parade) no canal 13, chegando a acompanhar Roberto Carlos na música “É papo firme”. Também tocaram no Programa de Jair de Taumaturgo. 

Os integrantes da Banda por ocasião da gravação do primeiro disco “Long Play”, chamado de “Hit Parade” selo SBA, eram: Heronildes Alves Ferreira, apelidado de “Nido Mau” (guitarra solo), Beto (baixo), Geo (sax), Nado (guitarra base) e Nando (bateria). Por ocasião da gravação do segundo disco, “Onda Jovem”, selo SBA, saiu o guitarrista Nado e entrou o Milton, apelidado de “Zé Colmeia”, na guitarra base. 

Já por ocasião da gravação do terceiro disco “Barra Limpa”, Selo Parlophone, pela gravadora Odeon, incluído nesta postagem, saiu o saxofonista Geo, não tendo substituo. Marcos Fontenely, o “Nely”, foi o guitarra base neste disco, substituindo o guitarrista Nilton. 

O conjunto se dissolveu em 1968. O grupo gravou também um compacto duplo com músicas de natal, hoje raríssimo. (Fonte: livro “O Rock and Roll – origem, mitos e o rock instrumental no Brasil e em outros países”, de Laércio Pacheco Martins, editora própria.)

A Era Getúlio Vargas Vol. 2 – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 20 (2012)

O Grand Record Brazil está de volta com a segunda e última parte da crônica musical da era Getúlio Vargas. Obedecendo à cronologia dos fatos, começamos com a deposição de Getúlio pelos militares, acontecida em 29 de outubro de 1945. O “pai dos pobres” teria de deixar o poder, após quinze anos, pois as eleições estavam marcadas para 2 de dezembro daquele ano. Mas Getúlio articulava sua candidatura e mesmo um novo golpe, como em 1937, e a campanha “Queremista” (“Queremos Getúlio”) estava nas ruas. Os militares entraram em cena e tiraram Getúlio do poder à força. Nem bem Getúlio saía do Catete, Herivelto Martins e Ciro de Souza compuseram uma marchinha para o carnaval de 1946: “Palacete no Catete”. Apenas um dia depois, 30 de outubro de 45, lá estava Francisco Alves no estúdio da Odeon para gravar, acompanhado da orquestra de Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), “Palacete no Catete”, em que Getúlio é apresentado como o “inquilino”que se mudou de lá após morar nele quinze anos. Em dezembro de 1945, o disco já estava nas lojas com o número 12649-A, matriz 7927. Nas eleições daquele ano, a vitória foi do candidato apoiado por Getúlio, o marechal Eurico Gaspar Dutra.
Cinco anos depois, a 20 de janeiro de 1950, Jorge Goulart grava na Continental, para o carnaval desse ano, a marchinha “Ai, Gegê”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, expressando a saudade que o povo então sentia de Getúlio e mostrando como a situação piorou depois de sua saída do poder, até mesmo a inflação. O disco saiu pela Continental com o número 16172-A, matriz 11110, em março-abril de 1950, detalhe intrigante, uma vez que o carnaval já havia passado…
 A deposição de Getúlio fez com que seu retrato oficial, com a faixa de presidente, datado de 1934, fosse retirado das repartições públicas e até mesmo das paredes de muitos lares, sendo que até não simpatizantes o mantinham pendurado em casa, por precaução. Mas o tempo passou e, em 1950, Getúlio foi o grande vitorioso das eleições presidenciais, acontecidas em 3 de outubro daquele ano. Ironizando os anti-getulistas, Haroldo Lobo e Marino Pinto compõem a espirituosa marchinha “Retrato do velho”, concitando a volta do mesmo. Gravada por Francisco Alves na Odeon, em 16 de outubro de 1950, com acompanhamento de regional, e lançada um mês antes do carnaval de 51, janeiro, com o número 13078-A, matriz 8826, “Retrato do velho” foi um grande sucesso na folia daquele ano, e na edição impressa dos irmãos Vitale os autores homenageiam o jornal “O Radical”, então “líder dos órgãos trabalhistas brasileiros”.
Em seu segundo mandato, Getúlio cria o Ministério da Economia, e isso inspira Geraldo Pereira e Arnaldo Passos a compor um interessante samba-crônica a respeito, com perspectivas bastante otimistas, inclusive com barateamento do custo de vida. A música, também chamada “Ministério da Economia”, é lançada pelo próprio Geraldo na Sinter, em agosto de 1951, com o número 00-00.071-B, matriz S-150, e mereceu mais tarde inúmeras regravações, uma delas inclusive com Bebel Gilberto, em dueto com Pedrinho Rodrigues.
E, como a moradia sempre foi problema, Horácio Felisberto, o Dácio, compõe para o carnaval de 1952 o samba “Coisa modesta”, na qual um operário, morando embaixo da ponte por causa de despejo, pede a Getúlio uma moradia bem simples, nada sofisticada, apenas um barracão para poder morar com um mínimo de conforto. Alcides Gerardi o gravou na Odeon em 22 de outubro de 1951, com lançamento um mês antes da folia de 52, janeiro, com o número 13213-A, matriz 9165.
 O bordão com que Getúlio Vargas iniciava seus discursos, “Trabalhadores do Brasil”, inspira o humorista e compositor Silvino Neto a lançar um samba mostrando que naquela ocasião a vida estava “de amargar”. Ele próprio o lança na Copacabana, em janeiro de 1953, com vistas, claro, ao carnaval desse ano, disco 5035-B, matriz M-301. O próprio Silvino Neto é quem imita Getúlio no início do registro, como fazia no programa de rádio “Pimpinela escarlate”.
 Já naquele tempo, o funcionalismo público já era aquilo que chamamos de “cabide de emprego”. É o que comprova a marchinha de Arlindo Marques Jr. e Roberto Roberti aqui incluída: “Se eu fosse o Getúlio”, na qual, através do vozeirão do grande Nélson Gonçalves, eles pedem que toda essa gente seja mandada para a lavoura, ou seja, o setor agro-pecuário. Gravação RCA Victor de 16 de novembro de 1953,  lançada para o carnaval de 54 um mês antes do mesmo, janeiro, com o número 80-1248-B, matriz BE3VB-0308. Creio que seja adequada para qualquer presidente brasileiro que esteja no poder, até mesmo a atual titular do posto…

Em 5 de agosto de 1954, ocorre um atentado em frente ao prédio em que residia o jornalista e político Carlos Lacerda, ferrenho opositor de Getúlio Vargas, em frente ao edifício em que residia, na Rua Tonelero, no bairro carioca de Copacabana. Lacerda é ferido no pé  e o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, que o acompanhava, acabou morto. O atentado foi atribuído a membros da guarda pessoal de Getúlio, sendo seu líder, Gregório Fortunato, acusado de ser o mandante do crime, e além disso a FAB, à qual pertencia o major Vaz, tinha como grande herói o brigadeiro Eduardo Gomes, derrotado por Getúlio nas eleições de 1950. Isso desencadeia grave crise política, na qual o povo e os militares pedem a renúncia de Getúlio. Não tendo outra alternativa, e após aquela que seria sua última reunião ministerial como presidente da República, Getúlio se suicida com um tiro no coração, na fatídica madrugada de 24 de agosto de 1954, deixando uma famosa carta-testamento e causando forte comoção em todo o pais. Por isso mesmo, encerramos esta retrospectiva musical da era Vargas com duas homenagens póstumas. A primeira é o rojão (espécie de baião mais acelerado) “Ele disse”, lançado na Copacabana por Jackson do Pandeiro dois anos após a morte de Getúlio, em 1956, com o número 5579-A, matriz M-1503, citando inclusive uma frase dessa carta: “O povo de quem fui escravo jamais será escravo de ninguém”. E a segunda, composta por João “Braguinha” de Barro, é o “Hino a Getúlio Vargas”, lançado por Gilberto Milfont na Continental em setembro-outubro de 1958 com o número 17579-A, matriz C-3478. Curiosamente, no verso do disco, a música aparece em versão apenas instrumental, com a Orquestra Continental. Enfim, esta é a segunda e última parte de uma retrospectiva que apresentou interessantes crônicas musicais da era getulista, inclusive mostrando a comoção que seu trágico suicídio desencadeou. Mas, como diz o hino de Braguinha, Getúlio ficará para sempre no coração do Brasil! 


*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Orquestra Brasília Pixinguinha (1988)

Olás! Já que falamos em Projeto Pixinguinha e até ouvimos algumas coisas do Mestre, com Abel Ferreira e Ademilde Fonseca, que tal ouvirmos um pouco mais? Me lembrei deste disco, lançado pelo extinto selo Kuarup em 1988. Este disco é muito interessante porque traz uma coleção inédita de arranjos feitos por Pixinguinha, em 1948. Um trabalho concebido para um orquestra de salão, chamada por ele de “Orquestra Brasília”. Esta coleção, segundo nos conta o texto de contracapa do presente lp, foi encontrada por acaso pelo músico e pesquisador Henrique Cazes na Biblioteca Nacional. Uma coleção de 26 arranjos escritos que nunca foram gravados. Para o álbum foram escolhidos apenas 12 músicas, sendo que entre essas, uma inédita, o choro “Sedutor”. O álbum foi produzido e interpretado pelo próprio Henrique Cazes e uma dezena de excelentes músicos.
Acho que esqueci de gravar a última faixa do lado B, “Um a zero”. Aguardem, logo que eu puder vou pegar o disco emprestado novamente.

cheguei
naquele tempo
o gato e o canário
sofres porque queres
descendo a serra
lamentos
yaô
ainda me recordo
sedutor
ele e eu
carinhoso
um a zero

Abel Ferreira E Ademilde Fonseca – Projeto Pixinguinha Vol. 2 (2012)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Enquanto as prováveis novas mudanças no Blogger não acontecem, eu continuo seguindo no mesmo ritmo. Vamos mantendo as postagens diárias e se possível, sempre com coisas e músicas para se ouvir com outros olhos. Afinal, capengando ou não, aqui ainda é o Toque Musical. Aliás, é bom dizer, a cada novo golpe eu fico mais criativo 🙂 De burro eu só tenho mesmo a teimosia.
Hoje, embora seja um dia onde me dedico às coletâneas, por falta de tempo e de lembrança, acabei optando por mais um número do Projeto Pixinguinha. Vamos para o volume 2, com Ademilde Fonseca e Abel Ferreira, em show realizado em 1977, na primeira edição do evento. Como já havia informado, não entrarei no mérito da questão. Estas postagens servirão sempre como um chamarisco, uma porta a mais de entrada para o site Brasil Memória das Artes. Tenho certeza que todos que entrarem aqui, irão de imediato buscar no site da Funarte as informações. Essa é a minha contrapartida, dar mais  visibilidade à esse site maravilhoso. Não deixem de visitar!

rapaziada do brás
corta jaca
cochilando
chorando baixinho
odeon
andré de sapato novo
acariciando
títulos de nobreza
o que vier eu traço
dinorah
pedacinhos do céu
choro chorão
coração trapaceiro
ingênuo
chorinho do suvaco de cobra
saxofone, porque choras?
luar de coromandel
apresentação dos músicos
chora moçada
lamentos
doce melodia
paraquedista
tece teco
tico tico no fubá – apanhei-te cavaquinho
brasileirinho – urubu malandro

Nelson Piló – Seu Violão E Sua Arte (1970)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Tenho, infelizmente, uma triste notícia para todos. Vou noticiá-la primeiramente por aqui para ver até onde o escriba Augusto tem chegado, ou seja, quantos realmente estão lendo o que eu escrevo. A notícia não é boa, mas dependendo da repercussão, posso até achar que não foi tão mal assim. O negócio é o seguinte… ao chegar no fim deste mesmo de maio, o blog Toque Musical vai mesmo pendurar a chuteira. Isso porque, segundo a equipe do Blogger, a partir de junho todos os autores do blog, deverão assumir uma identidade verdadeira, Quer dizer, se eu quiser manter o TM, terei que obrigatoriamente revelar a minha verdadeira pessoa. Pelo menos para eles eu terei que deixar de ser o ‘misterioso baixinho black power’ e mostrar de vez a minha cara. Bom, eu sou feio, mas não sou bobo. Não vou entrar nessa e me expor de bandeja assim. Prefiro então que eles encerrem o blog. Preferia mesmo que fosse no final de junho, assim o Toque Musical estaria encerrando com chave de ouro, completando os seus 5 aninhos de existência e resistência. Talvez, dependendo do meu estado de espírito, eu continue levando o blog em frente, na versão desatualizada do concorrente, WordPress. Talvez até eu crie uma nova versão por lá, o que me dará menos trabalho do que ficar incluindo as postagens que faltam. É provável também que o WordPress acabe seguindo o mesmo caminho do Blogger e isso é que me desestimula. Sinceramente, se for rolar, fica aqui já o convite para o velório do Augusto TM. Assim sendo, aproveitem bem os últimos dias de Pompéia e rezem para que haja vida após a morte!
Mas enquanto isso, vamos dando os toques, até que a morte nos separe 🙁  Hoje é dia de artista/disco independente, porém o presente álbum não é exatamente um disco independente, foi apenas lançado por uma pequena editora, em 1965 e mais tarde, relançado pelo obscuro selo Hot, supostamente em 1970, que é a versão que eu apresento a vocês. Temos assim, Nelson Emmanuel Piló, um grande compositor e violonista, mineiro de ‘Belzonte’, que num passado agora distante era muito tocado nas rádios da capital mineira. Nos anos 50 ele se tranferiu para o Rio de Janeiro, indo trabalhar como arranjador na Rádio Nacional. Foi amigo de Dilermando Reis e segundo nos conta Fábio Zanon em seu programa pela Rádio Cultura FM, era Piló quem transcrevia para o papel as músicas do outro mestre. Dilermando, por sua vez chegou a gravar músicas de Piló. Nosso compositor e instrumentista mineiro também foi responsável pela transcrição e arranjos de obras de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense. Gravou também outros discos, álbuns hoje muito raros, conhecidos apenas por quem é do pinho. Voltou a Belo Horizonte onde foi professor de muita gente. Neste álbum, praticamente quase todo autoral, vamos encontrar uma pequena amostra das qualidades e da ténica desse grande artista. Pessoalmente, gosto muito da faixa 2, “Suspiro da negra”, música esta também gravada por Dilermando. Vamos conferir…

saudades de aracaju
suspiro da negra
oração da tarde
relembrando o recife
dança da princesa
bossa nova internacional
márcia
bailado das estrelas
tema do conde de eden
dança dos astros

Hermeto Pascoal – Hermeto (1978)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o meu dia foi osso, não tive tempo nem de piscar. Acabo de chegar e antes que o dia acabe, vou logo batendo o ponto. E a coisa aqui vai ser mesmo rapidinha, pois estou realmente cansado e preciso acordar e sair logo cedo.
Tenho aqui para vocês o primeiro disco do Hermeto Pascoal gravado nos ‘States’. Uma produção do casal Airto Moreira e Flora Purin. O disco foi gravado em 1972 e contou com orquestra e um time de músicos americanos do jazz de primeiríssima linha, entre esses, alguns mais conhecidos do público brasileiro, como Joe Farrell, Ron Carter e Hubert Laws. Airto e Flora também estão presentes em todas as faixas. Aqui no Brasil, o disco foi lançado pelo selo Imagem, seis anos depois e traz na contracapa um texto de apresentação de José Domingos Raffaelli, um grande especialista em Jazz. Deixarei por conta dele as informações complementares, porque o cansaço e o sono me pegaram de vez. Vão conferindo aí, amamhã a gente continua… no Comentários 😉

mourning
pliers
bells
yogurt
the marianas
hermeto
the love flower
fabíola

Carlos Magno – O Bom É O Juca (1974)

Muito boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados! Há tempos eu estou para postar aqui no Toque Musical este disco. Só não o fiz antes porque achava tê-lo perdido, ou vendido, sei lá… O certo é que neste final de semana, para a minha felicidade, acabei achando o disco em meio a outros tantos que nem me lembrava. Assim sendo, vamos a ele… Acredito que este álbum ainda não foi apresentado em ‘outras praças’. Trata-se de um dos discos mais difíceis de se achar, do selo Marcus Pereira e é, para mim, um dos mais bonitos.
“O bom é o Juca”, creio eu, foi o único lp gravado por esse grande artista. Digo grande artista, não é atoa ou simplesmente pelo excepcional trabalho fonográfico, lançado no início dos anos 70. Carlos Magno, embora só tenha gravado um compacto nos anos 60 pela Philips e este lp pelo Marcus Pereira, tem em seu currículo como compositor dezenas de outras belas canções. Suas músicas já foram gravadas por artistas como Benito Di Paula, Originais do Samba, Elza Soares, Jair Rodrigues e Noite Ilustrada. Este último, inclusive, foi quem lhe abriu as portas na noite paulista. Carlos Magno, por muito tempo, se apresentou em casas noturnas de Sampa, sendo um músico até bem conhecido. Não foi por acaso que Marcus Pereira o convidou para gravar em seu Jogral.
Carlos Magno de Almeida é mesmo um artista de muitas facetas. Além de compositor e intérprete é também poeta e um premiado artista plástico (pintor e escultor), com várias exposições individuais e coletivas.
Em “O bom é o Juca”, temos músicas, que para um ouvido atento, percebe-se de imediato a sensibilidade criativa do artista. Composições com letras simples e direta, mas que ganham ainda mais força em comunhão como as belas melodias. Sempre que escuto o Carlos Magno me faz lembrar o Jards Macalé e vice versa. Para mim, os dois tem algo em comum, acho que talvez no timbre da voz, sei lá… O Macala bem que podia gravar alguma coisa do Carlos Magno, cairia como uma luva, justinho 🙂 Inclui nesta postagem a música “Senhora de Nazaré”, extraída do seu compacto pela Philips.
Vamos lá, moçada, confiram este toque e me digam lá se eu não tenho razão 🙂

o bom é o juca
dedos entre dedos
quando a gente se casar
faz de conta
a rosa virou saudade
o garimpeiro
o chão
palácio de madeira
tristeza que maria me deu
lâmpada da vida
formiga desunida
manhã de noite de chuva
senhora de nazaré (bônus)

Caetano Veloso E Fagner – Tom Jobim E João Bosco – Disco De Bolso (1972) REPOST

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ontem eu fiquei tão animado com a coletânea de compactos e achei por bem manter ‘o clima’ também no domingo. Desta vez não se trata de coletânea, mas sim dos dois compactos da série “Disco de Bolso”. Para os que não sabem, o projeto “Disco de Bolso” foi idealizado por Sérgio Ricardo e o pessoal do jornal O Pasquim em 1972. Era uma espécie de revista, com suas folhas em papel jornal, trazendo em seu interior um disco compacto. Neste disco vinham apenas duas músicas, de um lado um artista celebrado e do outro um novato. A ideia, segundo o Sérgio Ricardo, partiu da necessidade de sair de um esquema montado pelo ‘Sistema de Comunicações’, o controle e imposição da televisão. Apenas quem fazia sucesso em festival é que acontecia. Isso, para não falar da mediocridade reinante na indústria fonográfica, apresentando apenas aquilo que fosse realmente vendável. Foi então lançado o primeiro número, trazendo no compacto Tom Jobim e o até então desconhecido João Bosco. Tom apresenta, em primeira mão, a sua recente e inédita criação, “Águas de Março”. João Bosco, o estreante, vem com “Agnus Sei”, despertando a atenção de todos (esse tem futuro!). O segundo disco da série não foi muito diferente do primeiro. De um lado Caetano Veloso canta (ao vivo) “A volta da Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. Do outro lado, outro desconhecido até então, Raimundo Fagner. Aqui ele canta uma versão solo de “Mucuripe”, composição sua em parceria com Belchior. A série “Disco de Bolso” ficou mesmo só nesses dois números. O terceiro volume seria (e já estava pronto) Geraldo Vandré e Elomar. O quarto Egberto Gismonti e Geraldo Vandré. Até o quinto já estava planejado, Gilberto Gil e Alceu Valença. Acabaram não vingando por diferentes motivos, mas principalmente por conta da repressão do Governo da época, que via naquele projeto algo bem mais que musical ou artístico. Tendo Sérgio Ricardo e o Pasquim como mentores, tudo isso já era previsível. Em menos de um ano os milicos deram fim ao que podia ter sido uma belíssima coleção.
disco 1
tom jobim – águas de março
joão bosco – agnus sei
disco 2
caetano veloso – a volta da asa branca
fagner – mucuripe

Antonio Carlos Jobim – Jobim (Matita Perê) (1973)

Boa tarde trabalhadores cultos, ocultos e sindicalizados do meu Brasil! Hoje estão todos por conta do atoa. Muitas visitas no Toque Musical, comentários e solicitações. É isso aí… estou gostando de ver. Aos poucos vamos retomando o ‘Ibope’ 😉
Para um dia especial, um disco especial. Estou trazendo aqui um Tom Jobim, que com essa capa eu ainda não vi em ‘outras praças’. Trata-se de um álbum importado, a versão europeia (italiano) de “Matita Perê”, disco lançado simultâneamente nos Estados Unidos e Europa, em 1973. Nesta versão, como capa diferente, ilustrada com uma aquarela do filho, Paulo Jobim. Na versão italiana o disco chama-se apenas “Jobim”. As músicas são as mesmas do disco gravado em New York City, sendo que neste álbum temos também “Águas de março” cantada em inglês. No disco lançado no Brasil não temos essa versão. “Jobim/Matita Perê”, como disse, foi gravado nos Estados Unidos, nos estúdios da gravadora Columbia em Dezembro de 1972. O álbum foi produzido e arranjado por um dos mais importantes arranjadores, o alemão polonês naturalizado americano, Claus Ogerman. Como se não bastasse, Tom contou ainda com um time de feras, começando com os músicos brasileiros João Paulma, na bateria e Airto Moreira na percussão. De estrangeiros, foram escalados Richard Davis e Ron Carter nos contrabaixos; George Devens também percussão; Urbie Green no trombone; Jerry Dodgion, Romeo Penque, Phil Bodner, Don Harmmond e Ray Beckenstein nas flautas. Como maestro, Harry Lookofsky. O repertório traz pérolas que se tornaram ainda mais lustrosas. “Águas de março”, por exemplo, uma de suas mais representativas composições, foi lançada neste lp. Esta música saiu inicialmente em um compacto da malfada coleção “Disco de Bolso”, editada por Sérgio Ricardo, que ficou apenas em dois volumes. Esses compactos, inclusive, foram postados aqui no Toque Musical, mas misteriosamente as postagens foram também excluídas do blog, supostamente pela Equipe do Blogger (eles adoram dar uma de censores). Temos também no repertório, em novas versões, músicas das trilhas dos filmes “Tempo do Mar”, de Pedro Moraes e “Crônica Da Casa Assassinada, de Paulo Sarraceni, essas, inclusive, tiveram como assistente de gravação nos filmes, Dori Caymmi. Como podemos ver, temos aqui uma jóia rara, que agora o TM traz para também ouvir 😉
PS.: Só de teimosia, vou repostar os dois compactos da série (que foi sem nunca ter sido) “Disco de Bolso”, mantendo inclusive o texto original. Hoje os meus amigos ‘trabalhadores’ vão passar bem 😉

águas de marco
ana luiza
matita perê
tempo do mar
mantiqueira range
crônica da casa assassinada
um rancho nas nuvens
nuvens douradas
waters of march

A Era Getúlio Vargas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol.19 (2012)

Nenhum outro presidente da República no Brasil ficou tanto tempo no poder quanto o gaúcho Getúlio Dornelles Vargas (São Borja, RS-1882-Rio de Janeiro, 1954). Ele chegou à presidência em 1930, após a deposição de Washington Luís, de quem ironicamente havia sido ministro da Fazenda, e consequente fim da “política café com  leite”, em que São Paulo e Minas Gerais se.alternavam no comando da Nação. Daí em diante, ficou quinze anos ininterruptos, até ser deposto em 1945. Em 1951, Getúlio voltou ao poder, desta vez pelo voto direto, mas em virtude de forte oposição a seu governo (no qual inclusive foi criada a Petrobrás), acabou se suicidando no dia 24 de agosto de 1954, provocando comoção geral em todo o país. Somando-se esses dois períodos, Getúlio ficou no poder durante dezoito anos e sete meses, um recorde absoluto.
O Grand Record Brazil começa hoje a nos transportar para esse que foi um dos mais importantes períodos da História brasileira: a era getulista. Tudo começa com a derrota de Getúlio Vargas para Júlio Prestes, na eleição de 1930. A 26 de julho daquele ano, João Pessoa, candidato a vice na chapa derrotada, foi assassinado a tiros na Confeitaria A Glória, do Recife, por seu desafeto João Dantas, por motivos estritamente pessoais. Apesar disso, a oposição transformou o fato em instrumento político, jogando o povo contra o governo. Daí nasce a Aliança Liberal, formada pelos estados do Rio Grande do Sul, da Paraíba e de Minas Gerias, que depõe Washington Luíz e põe Getúlio no poder, a famosa Revolução de 30.
O disco que abre nossa seleção musical desta semana é o Columbia 5117, lançado em dezembro de 1929, com duas marchinhas de Hekel Tavares e Luiz Peixoto (parceiros na clássica canção “Casa de caboclo”) para o carnaval de 30, interpretadas pelo paulistano Jayme Redondo (1890-1952), com acompanhamento de grupo regional, e que refletem muito bem os momentos acirrados da sucessão de Washington Luís.  No lado A, a matriz 380430 apresenta “Harmonia! Harmonia!”, e o verso, matriz 380431, “Comendo bola”. Nessas duas músicas, há todo um rico documentário político de fatos e personagens: Barbado (Washington Luís), Antônio Carlos (então governador mineiro), as cartas turcas, 17 Estados a favor de Prestes e só três contra, etc. “Comendo bola” é nitidamente a favor de Júlio Prestes: “Getúlio, você tá comendo bola/ Não te mete com seu Júlio/ Não te mete com seu Júlio/ que seu Júlio tem escola”.
Evidentemente, por questão de bom senso, mostramos aqui também o outro lado, ou seja, o dos getulistas. Vitoriosa a Revolução de 30, com Getúlio já no poder, Lamartine Babo lança, para o carnaval de 1931, a marchinha “G-E-Gê (Seu Getúlio)”, fazendo velada propaganda do novo chefe da nação, com a exaltação da nova ordem para o povo brasileiro, a mudança custe o que custar. Possivelmente teria sido executada como “jingle” político na construção do apoio ao golpe contra Prestes. Almirante e o Bando de Tangarás ficaram incumbidos de lançá-la, pela Parlophon, em janeiro de 1931, no disco 13274-B, matriz 131057, com acompanhamento da Orquestra Guanabara.
Seis anos mais tarde, durante o chamado “governo provisório” getulista, fala-se na possibilidade de eleições para a escolha do sucessor de Getúlio na presidência, com dois fortes candidatos: o então governador de São Paulo Armando Salles de Oliveira (o seu Manduca), este com a candidatura já lançada, e o ministro Osvaldo Aranha (o seu Vavá), que na verdade nem sequer chegou a se candidatar. A 28 de novembro de 1936, Sílvio Caldas grava na Odeon, para o carnaval de 37, com lançamento em janeiro (11450-A, matriz 5468), a marchinha “A menina presidência”, de Nássara e Cristóvão de Alencar, vencedora de um concurso chamado “Quem será o homem?”, antecipando o desfecho nos versos finais do estribilho: “Na hora H quem vai ficar é seu Gegê”. E, de fato, as eleições não aconteceram, pois a 10 de novembro de 1937, Getúlio implanta no país o Estado Novo, com maior centralização do poder, ficando na presidência até sua deposição, em 1945.
Do Estado Novo já é a faixa seguinte, a marchinha “Glórias do Brasil”, de Zé Pretinho e Antônio Gilberto dos Santos. Foi gravada na Odeon em 16 de agosto de 1938, com lançamento em outubro seguinte com o número 11646-A, matriz 5902, na interpretação de Nuno Roland (Reinold Correia de Oliveira, 1913-1975), catarinense de Joinville, então em princípio de carreira. É uma verdadeira exaltação de cunho patriótico ao então chefe da Nação.
Mais tarde, seguindo o exemplo do governo fascista italiano, Getúlio decreta o aumento do imposto de renda dos solteiros, e incentiva com benefícios as famílias numerosas. Isso inspira o  poeta de Miraí, Ataulfo Alves, a compor com Felisberto Martins o samba “É negócio casar!”, que ele próprio grava na Odeon em 12 de junho de 1941, com acompanhamento da orquestra do maestro Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), sendo o disco lançado em outubro seguinte com o número 12047-A, matriz 6686. Uma autêntica e interessante crônica.
Um ano mais tarde, foi lançado um sem número de canções patrióticas, refletindo a tensão provocada pela Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939  e que já preocupava e afetava o Brasil, visando levantar o orgulho e a consciência nacionais. Dessa época é o samba “Brasil brasileiro”, gravado por Carlos Galhardo na Victor com acompanhamento da orquestra do maestro Passos, em 9 de junho de 1942, com lançamento em agosto seguinte, disco 34951-A, matriz S-052546. Pouco tempo antes, em maio de 42, a Columbia lançou, na voz de Déo (Ferjallah Rizkallah, “o ditador de sucessos”), acompanhado por Chiquinho e seu ritmo, o samba “O sorriso do presidente”, de Alcyr Pires Vermelho e Alberto Ribeiro, disco 55336-A, matriz 525. Nesse mesmo ano, por força do torpedeamento de navios mercantes brasileiros, o Brasil declarava guerra aos países do Eixo, Alemanha, Itália e Japão, assim entrando no conflito.
Finalizando esta primeira parte, temos o grande Moreira da Silva, o eterno Kid Morenguera, inimitável rei do samba de breque, interpretando, de Henrique Gonçalez, “Diplomata”, gravado na Odeon em primeiro de outubro de 1942, com a declaração brasileira de guerra já consumada,  e lançamento em janeiro de 43 sob número 12252-A, matriz 7075. Devidamente acompanhado pelo regional do multi-instrumentista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955, autor de “Duas contas”, “São Paulo quatrocentão” e “Gente humilde”), Moreira exalta a figura de Getúlio, um “homem de fibra”, e conclama o povo brasileiro à luta.

Enfim, são autênticas crônicas musicais desse período importante de nossa História. E fiquem ligados, pois semana que vem tem mais. Até lá!


TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Rosana Toledo – Sorriso E Lágrimas (1961)

Olá amigos cultos, ocultos e associados! As postagens, a partir de agora não terão de imediato aquele ‘toque’ no GTM. Eu agora só colocarei o link do arquivo para o Grupo, mediante a uma solicitação.
Ufa! Finalmente terminei os meus ‘sete trabalhos’ do mês. Sei que outros virão, mas agora eu quero mesmo é chocolate, uma pausa para o descanso e muita música para ouvir e compartilhar. Hoje, eu vou ainda acelerando e aqui com um disco já postado em outros blogs. Este é mais um daqueles meus ‘arquivos de gaveta’, sempre prontos para uma emergência. Como estou ‘pregado” (trabalhei hoje o dia inteiro), vou catando o primeiro que aparecer. Temos aqui o segundo disco gravado pela cantora mineira Rosana Toledo. Lançado em 1961, pela RCA Victor, o álbum nos apresenta um repertório romantico, onde úma boa parte das músicas são de autoria da dupla Evaldo Gouveia e Jair Amorim. Mas também tem espaço para composições próprias, ao lado da irmã, Maria Helena Toledo, ou do marido, Luiz Bonfá. Duas músicas de Fred Chateaubriand e Vinícius de Carvalho. Além “Nosso amor, fim de tristeza”, de Baden e Vandré e “Tristeza de nós dois”, de Durval, Bebeto e Maurício.
Vão conferindo aí, que eu de cá quero mais é uma boa cama. Namorem aí, se acharem por bem, me avise para aquele ‘toque musical’ no GTM 😉

eu e tu
se houver você
maldade
me leva pra longe
canção do amor perdido
saudade vem correndo
saudadezinha
quando existe adeus
nosso amor fim de tristeza
se ele pergunta
ninguém chora por mim
tristeza de nós dois

Erasmo Carlos, Jean Carlo, The Clevers, The Youngsters – Compactos Do Toque Musical Vol. 5 (2012)

Boa noite, meus prezados… Voltando ao tempo daquelas ‘tardes de domingo’, aqui vão (no sábado),quatro diferentes momentos da música jovem nos anos 60. Temos aqui reunidos num só ‘toque’, quatro compactos, direta ou indiretamente ligados à Jovem Guarda. Temos, inicialmente o cantor cego, Jean Carlo num compacto duplo, com quatro faixas bem românticas de fazer inveja ao falecido Paulo Sérgio. Melhorando, temos The Clevers que vem de balada italiana e rock twist, também chamada de ‘surf music’ das antigas. Subindo mais um degrau encontraremos The Youngsters, a banda que por muito tempo acompanhou Roberto Carlos, trazendo aqui dois sucessos da música italiana e francesa. Para finalizar temos o Erasmo Carlos, que é o único que não vem de ‘covers’, apresentado dois de seus sucessos dos anos 60.
Taí, quatro compactos para relembrar o tempo das ‘horas dançantes’, morou? Se gostarem, tá na mão! Ou melhor dizendo, tá no GTM 😉

sentado a beira do caminho – erasmo carlos
johnny furação – erasmo carlos
eu nasci pra você – jean carlo
fim de romance -jean carlo
tão solitário – jean carlo
uma casa sobre o mundo – jean carlo
in ginocchio da te – the clevers
raunchy – the clevers
mah-há, mah-ná – the youngsters
je t’aime…moi non plus – the youngsters

Bebel Gilberto – Stadtgarten Koln Germany 2000 (2012)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! “A necessidade faz o sapo pular”. Hoje o dia foi puxado e o final de semana promete… Estou com o meu tempo todo tomado. Ainda assim me sobra um último fôlego para a postagem do dia. Eu não tive tempo de preparar nada. Aliás, hoje é dia de artista/disco independente. Mas, especialmente hoje, vou fazer diferente. Como tenho à mão algo mais prático, vamos a ele. Vamos de Bebel Gilberto em um ‘bootleg’ exclusivo. Temos aqui a cantora Bebel Gilberto em apresentação na Alemanha, em 2000. São dez músicas extraídas de sua apresentação em 24 de novembro de 2000, no ‘Stadtgarten’ de Koln, na Alemanha. Informações sobre o show? Necas! Não vou me dar ao trabalho, na pressa em que eu estou, ficamos apenas na apresentação. Vale a pena dar uma conferida, a qualidade do áudio é dez 🙂

samba da benção
alguém
samba de verão (so nice)
sem contenção
tanto tempo
mais feliz
august day song
samba e amor
lonely
bananeira

The Supersonics – É Papo Firme Vol. 2 (1969)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Embora eu saiba que a maioria não lê nada do que eu escrevo aqui, deixo inicialmente duas informações. Primeiro, com relação aos links de indicação para outros blogs, sites, etc… Eu estou progressivamente repondo todos que eu me lembro, pois não tenho mais registro da lista anterior. Caso eu tenha me esquecido de algum, é só me lembrarem, ok? O segundo toque diz respeito a uma novidade que criei (ainda em fase de teste), um outro blog, talvez mais uma filial cujo o sentido é ser unicamente um mostruário de todas as postagens feitas no Toque Musical. Vocês entram e logo de cara verão as (literalmente) milhares de capas de discos, referentes às postagens. Isso, de uma certa forma, ajuda na hora de pesquisar e encanta o olhar dos apreciadores. Vocês poderão ter acesso a ele clicando, na barra lateral, o item, VITRINE TOQUE MUSICAL. Espero que os amigos gostem 😉
Falando agora do disco do dia, hoje vamos ainda na onda da Jovem Guarda. Eis aqui mais um desses grupos criado nos anos 60. The Supersonics não é um grupo de destaque da época, porém, pelo que vemos aqui, gravaram pelo menos dois discos. Não achei informações sobre eles, mas suponho que seja mais um ‘arranjo’ de gravadora. Provavelmente, nem deve ser os mesmo músicos o disco de volume 1. Geralmente, discos e conjuntos como este eram criados da noite para o dia, escalando um grupinho de músicos de estúdio, aproveitando as sobras de fitas, tempo livre de estúdio e mesmo para fazer uma produção barata e paralela. Por certo esses discos também tinha muita saída. Era uma parcela pequena de jovens daquele tempo que tinha acesso á verdadeira música moderna juvenil, que vinha, naturalmente, de fora, o rock…
Temos assim, um álbum ‘papo firme’, recheado de ‘covers’ de sucessos da música pop sessentona, principalmente do período da Jovem Guarda. Divertido, vale ouvir…

stormy
goodbye
stella
será
tormenta
vou pedir outra vez
i started a joke
sentado a beira do caminho
dizzy
não há luar nem céu bonito
vou recomeçar
ninguém vai tirar você de mim

The Dallans – Esses Jovens Cabeludos E Suas Guitarras Vibrantes (1967)

Bom dia, amigos cultos, cultos e associados! Na ‘onda jovem’ do instrumental, agora aqui vai outro disquinho bem procurado por colecionadores. O pessoal da turma da Jovem Guarda, com certeza, vai gostar desta postagem. Este disco não é novidade na Rede, eu inclusive já havia ensaiado a sua postagem, mas o exemplar que eu tinha antes trazia um defeito no lado A e era intócavel. Agora, com este que adquiri recentemente, devidamente limpo, posso apresentá-los a vocês.
The Dallans foi mais um daqueles grupos de ‘rock’, surgidos na ‘onda da Jovem Guarda’. Para não variar (e para a minha surpresa), a gente encontra este disco em pencas pelo Google, mas são apenas as capas, anúncios de vendas no Mercado Livre e um arquivo em mp3, de 128 kbps, que com toda a certeza é o mesmo compartilhado por diversos blogs. O repertório é composto de ‘roquinhos dos anos 60’ e outras baladas da turma do Roberto Carlos, tudo em instrumental. Informações sobre o grupo é que é difícil. Como eu ando meio sem tempo, não vou nem tomar o trabalho de ficar pesquisando. Eu acredito que este tenha sido mais um daqueles grupos que acompanhavam os cantores da Jovem Guarda. O básico já está na mão. Se alguém tiver e quiser complementar as informações sobre o grupo, faça-nos o favor… Acredito que este tenha sido o único disco gravado pelo ‘conjunto’. Confiram aí…

o gênio
coração de papel
i don’t want to spoil the party
something stupid
eu não sabia que você existia
o bom rapaz
vem quente que eu estou fervendo
só vou gostar de quem gosta de mim
bus stop
you won’t see me
nossa canção
last train to clarkville

Edu Leslie (1973)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Estou tendo algumas dificuldades em me adaptar ao novo formato do Blogger. Eles mudaram tudo e eu fiquei pedidão, tendo que reaprender a usar o blog. Mas vamos lá…
Hoje eu estou trazendo um disco muito interessante, um álbum raro que até hoje eu não vi postado em outros blogs. Ganhei de presente de um amigo, ele comprou especialmente para mim, no Mercado Livre pela bagatela de 30 reais! Por ser um obscuro álbum dos anos 70, pouca gente deve conhecer. Nesta época havia um selo da gravadora Continental, o Cash Box, voltado para a música pop. Com um detalhe, música pop cantada em inglês. Foi daí que nasceram diversos artistas brasileiros com pseudônimos que faziam o público acreditar que eram estrangeiros. O responsável por essa jogada era um produtor italiano, Cesare Benvenutti que trabalhou para a Copacabana, coordenando as produções do selo Cash Box. Até hoje tem muita gente que acha que artistas e bandas como Lee Jackson, Light Reflections, Funny Thing, Danny Anderson, Jennifer, Tobruk e mais uma penca de coisas lançadas pelo selo Cash Box, eram estrangeiros. (Já vi até colecionador de MPB desprezar esses discos por achar que se tratava de pop estrangeiro de segunda linha). O certo é que através de Benvenutti, muita música pop estrangeira e também criações nacionais cantandas em inglês fizeram sucesso e a cabeça da moçada na época. Outras gravadoras viriam adotar o mesmo esquema, lançando seus Mark Davis, Morris Albert, Chrystian, Pholhas…
Edu Leslie foi outra criação do italiano. Uma coletânea daquilo que foi lançado em compacto pela Cash Box encarnado por Daniel Taubkin, produtor do Light Reflections e Tobruk e principalmente pianista e arranjador Eduardo Assad, que segundo o próprio Taubkin, foi o responsável pelos arranjos e foi quem pilotou os teclados. Talvez por isso mesmo o disco se chame “Edu Leslie”. Neste álbum iremos encontrar uma surpresa, um disco todo instrumental, com alguns temas internacionais conhecidos, além do autoral, “Funny Bobby (The master of the masters), em arranjos, sinceramente, muito gostoso de se ouvir. Quem é chegado no som de uma Hammond, não pode deixar de ouvir esta coletânea
christine
poetry song
no connection
something in the wy she moves
goodbye, my love, goodbye
we can work it out
long time
along the way
ben
funny bobby
don’t cry
don’t want to say goodbye

 

Dalva De Oliveira, Dolores Duran, Lana Bittencourt, Linda Batista, Neide Fraga, Nora Ney – Seleção 78 RPM Do Toque Musical (2012)

Após uma semana de ausência (involuntária, pelos motivos conhecidos de todos), aqui está a décima-oitava edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Desta vez apresentamos cantoras que deixaram sua marca na história de nossa música popular, em alguns de seus melhores momentos.

Abrindo nossa seleção desta semana, temos a grande Nora Ney (Iracema de Souza Ferreira, Rio de Janeiro, 1922-idem, 2003), uma das precursoras da bossa nova, com seu canto quase falado e sua voz calma e grave. E em um de seus melhores discos, o Continental 16728, gravado em 23 de janeiro de 1953 e lançado em março-abril do mesmo ano, com dois sambas-canções clássicos. No lado A, a matriz C-3043 apresenta esta obra-prima de Luiz Bonfá, “De cigarro em cigarro”, uma das mais apreciadas páginas do repertório de Nora, e que foi gravada até em Espanhol por Gregório Barrios. No verso, matriz C-3044, “Onde anda você?”, assinada por um mestre da dor-de-cotovelo, Antônio Maria, junto com Reinaldo Dias Leme. No acompanhamento, a orquestra do maestro Copinha.

A sempre lembrada Linda Batista (Florinda Grandino de Oliveira, São Paulo, 1919-Rio de Janeiro, 1988) dá prosseguimento a esta seleção com dois discos. Primeiro, um do auge de sua carreira, o RCA Victor 80-0802, gravado em 19 de maio de 1951 e lançado em agosto seguinte, com dois sambas-canções do mestre Lupicínio Rodrigues e acompanhamento do conjunto do violinista Fafá Lemos. O lado A, matriz S-092961, é o famoso “Vingança”, uma verdadeira coqueluche na interpretação de Linda. Já havia sido gravado anteriormente pelo Trio de Ouro, já sem Dalva de Oliveira, substituída por Noemi Cavalcanti e mantendo Nilo Chagas e Herivelto Martins, seu fundador, porém o sucesso foi mesmo de Linda. E acredite: teve gente que até se suicidou ao som de “Vingança”! No verso, a matriz S-092962 nos traz “Dona Divergência”, parceria de Lupi com Felisberto Martins, também sucesso, embora um pouquinho menor que o de “Vingança”. Em seguida, seremos transportados para o início de carreira de Linda, mais exatamente sua estreia fonográfica, na Odeon, com o disco 11631, gravado em dupla com Fernando Alvarez no dia 20 de junho de 1938, com acompanhamento orquestral do palestino Simon Bountman, e lançamento em agosto do mesmo ano, trazendo duas rumbas de Djalma Esteves, um especialista nesse gênero cubano. No lado A, matriz 5868, “Churrasco”, de Djalma com Augusto Garcez, e no verso, matriz 5869, “Chimarrão”, só de Djalma. Bah, tchê!

A carioca Irlan Figueiredo Passos, aliás Lana Bittencourt (n. 1931), aqui comparece com o disco Columbia CB-10388, lançado ao apagar das luzes de 1957. Abrindo o disco, a matriz CBO-902 apresenta sua personalíssima interpretação de “Little darlin’”, de Maurice Williams, em ritmo de rumba, que fez muito mais sucesso que o registro original americano, em ritmo de calipso, com o grupo The Diamonds, sendo depois incluída no LP “Lana em musicalscope”. No verso, matriz CBO-1206, uma regravação em ritmo de fox da canção “Feliz Natal”, da dupla Klécius Caldas-Armando Cavalcanti, originalmente lançada por Dick Farney em 1949. Este registro de Lana também saiu no LP-coletânea “Nosso Natal”. Passado o dito cujo, o 78 de “Little darlin”” foi relançado com o número CB-10395, e no verso foi relançado o baião “Zezé”, de Humberto Teixeira.

Embora mais conhecida como compositora, a carioca Dolores Duran (Adiléa Silva da Rocha, 1930-1959) foi também uma intérprete versátil, cantando em todos os idiomas (até mesmo em esperanto!). É o que comprova o disco desta seleção, o Copacabana 5917,lançado em junho de 1958, com acompanhamento do conjunto de Severino Filho, fundador do grupo Os Cariocas. O lado A, matriz M-2236, apresenta o clássico fox italiano “Nel blu dipinto di blu”, mais conhecido como “Volare”, primeira palavra do estribilho, com o qual Domenico Modugno venceu o Festival de San Remo daquele ano. No verso, matriz M-2237, o clássico samba-canção ‘Quem foi?”, de Nestor de Holanda e Jorge Tavares, originalmente lançado em 1947 por Aracy de Almeida, ao lado dos Vocalistas Tropicais. As duas faixas saíram também em LP (era uma época de transição de formatos), ou seja, nos dois volumes de “Dolores Duran canta para você dançar”, sendo “Quem foi?” do primeiro e “Nel blu dipinto di blu” do segundo.

A sempre lembrada Dalva de Oliveira (Vicentina de Paula Oliveira, Rio Claro, SP, 1917-Rio de Janeiro, 1972) comparece aqui com uma marcha-rancho de Pereira Mattos e Mário Rossi, composta em homenagem a Francisco Alves, morto em trágico acidente automobilístico na Via Dutra, em 27 de setembro de 1952. Seis dias depois, a 3 de outubro, Dalva, recém-chegada de uma longa excursão à Europa, compareceu ao estúdio da Odeon para gravar “Meu rouxinol”, matriz 9451, e o disco chegou às lojas em dezembro com o número 13350, sem gravação no lado B, em sinal de luto pela morte de Chico Viola, com direitos revertidos a instituições de caridade auxiliadas pelo cantor, se houvesse registro dele nesse disco.

Neide Fraga (São Paulo, 1924-Rio de Janeiro, 1987) nos apresenta sua gravação da “Canção de aniversário”, de Joubert de Carvalho, feita na Odeon em 16 de outubro de 1953 e lançada em dezembro seguinte com o número 13562-B, matriz 9919. Originalmente a música saiu em 1950, pela Sinter, com a orquestra e o coral de Lírio Panicalli. Quatro versos apenas, mas isso é apenas um detalhe, pois afinal boa música não é Lusíadas.

Finalmente, temos a paulistana Vitória de Martino Bonaiutti, aliás, Marlene, interpretando um baião junino de Rômulo Paes e Haroldo Lobo, “Canção das noivas”, lançado em maio-junho de 1952 pela Continental com o número 16556-B, matriz C-2843. No acompanhamento, o conjunto do sempre eficiente Radamés Gnatalli. Mais uma diversão garantida para nossos amigos cultos e ocultos!

 
* TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO

Erasmo Carlos, As Frenéticas E Sérgio Sampaio – Projeto Pixinguinha (1981)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Há pouco mais de uma semana atrás, eu postei aqui uma coletânea com alguns variados momentos de shows do Projeto Pixinguinha. Foi uma maneira de levar a muitos de vocês a dica do maravilhoso site da Funarte, que a cada dia vem nos apresentando um imenso tesouro de informação e cultura. Infelizmente ainda pouco explorado. Entre tantas opções que lá nos reserva temos o projeto “Brasil – Memória das Artes”, uma iniciativa que procura promover a comunicação da Funarte com seu público, tornando acessível a todos o seu acervo da memória cultural brasileira digitalizado. Entre esse, temos o Projeto Pixinguinha, uma série memorável de espetáculos musicais que se iniciou em 1977. Nas páginas do Projeto Pixinguinha a gente pode ouvir, na íntegra, os registros sonoros dos diversos shows que aconteceram pelo Brasil a fora. É realmente uma maravilha que a gente precisa mesmo compartilhar. Nas páginas do site só se é possível ouvir as gravações, mas copiar esses registros para o computador é coisa fácil e com certeza, muita gente já tem feito. Sem dúvida, fica muito mais prático ter acesso às gravações já tendo elas em nosso computador. Acredito que quem tem uma conexão fraca, mesmo de banda larga, acaba não conseguindo acessar aos shows sem picos de paralisação e isso é mesmo um saco! Foi também pensando nisso que eu decidi ir gradualmente postando esses shows. Vou editando todo o material, quando necessário até um remix, mas principalmente separando música por música, resultando assim num álbum virtual, com direito a capa e contracapa.

Neste que eu chamo de primeiro volume, temos o show de Erasmo Carlos, As Frenéticas e o saudoso Sérgio Sampaio. Essas edições e postagens funcionarão como iscas, um atrativo inicial que irá direcioná-los ao conteúdo informativo original. Em outras palavras, eu anuncio aqui, vocês escutam no GTM e completam as informações no site da Funarte. Quem ainda não conhece o “Brasil Memória das Artes“, não sabe o que está perdendo. Vamos prestigiar!
cala boca zebedu – sergio sampaio
meu pobre blues – sergio sampaio
eu quero é botar meu bloco na rua -sergio sampaio
odara – as frenéticas e sergio sampaio
a felicidade bate a porta – as frenéticas e sergio sampaio
joujoux e balangandãs – as frenéticas
linda morena – as frenéticas
dancing days – as frenéticas
perigosa – as frenéticas
o preto que satisfaz – as frenéticas
marcha da tietagem – as frenéticas
vem quente / festa de arromba – as frenéticas
o caderninho – erasmo carlos
o teu cabelo não nega – as frenéticas
a beira do caminho – erasmo carlos
panorama ecológico – erasmo carlos
sou uma criança não entendo nada – erasmo carlos
se você pensa – erasmo carlos e as frenéticas
filho único – erasmo carlos
é proibido fumar – erasmo carlos
negro gato – erasmo carlos

Brazil Fantastico – 24 Original Hits From Brazil (1977)

Boa tarde, amigos cultos, ocultos e associados de plantão! Ontem foi o Dia Nacional do Vinil. Eu, sinceramente, nem sabia que havia uma data comemorativa para as bolachas. Escolheram o dia 20 de abril em homenagem à Ataulfo Alves, na data de sua morte. Estranho, podiam talvez terem escolhido a data do nascimento. Eu não tenho nada contra, mas vejo tantas outras opções. 5 de abril, por exemplo, para não sair do mês, faria mais sentido. É a data de nascimento de outro compositor, o Donga, autor do primeiro samba gravado no Brasil. Bom… mas enfim, viva o vinil! Vamos continuar mantendo a cultura da bolacha, seja ela 33, 45 ou 78 rpm 😉

Para o dia de hoje, que eu tenho então tomado para as postagens de coletâneas (em geral), trago para vocês este curioso álbum duplo, lançado na Alemanha nos anos 70. Curioso mesmo: música popular brasileira, lançado na Alemanha e com o título em inglês. Ah, o texto interno é todo em alemão e o repertório é uma verdadeira ‘gemischte salat’. Uma seleção das mais improváveis, só mesmo possível na mentalidade do estrangeiro. Observando o álbum num todo, não vi nenhuma referencia às gravadoras e editoras nacionais. Não duvido nada que este lp tenha sido lançado lá fora sem autorização das editoras e seus artistas. É bem provável que eles nem saibam da existência do disco. O certo é que temos aqui 24 músicas que procuram passear por diferentes gêneros na então ‘MPB setentona’. Vejam só o que o ‘Fritz’ nos preparou:
quem for flamego – angelo antonio
mercado modelo – vanusa
a dança do meu lugar -a gepê
rei da paz – os famks
açucar candy – ney matogrosso
birinaites blues – fábio
lá vem o trem – agepê
mundo invisível – sá e guarabyra com marisa fossa
água viva – tom e dito
camisa 10 da gávea – maria alcina
na baixa do sapateiro – waldir azevedo
bambeia/sertões/madeira de lei – grupo sambariô
baião – severino araújo e sua orquestra tabajara
vinte meninas – tom e dito
carta de auforria/zagueiro/verde e branco – grupo sambariô
vai atrás da vida que ela te espera – guilherme lamounier
todo prosa – sonia lemos
moro onde não mora ninguém – agepê
curta metragem – tetty
para o mundo que eu quero descer/soy latino americano/eu nasci a dez mil anos atrás – os motokas
baianinha boa – sonia lemos
fracassos – fagner
a espera – painel de controle

Oswaldo Montenegro – Aldeia Dos Ventos (1987)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e acomodados 🙂 Por enquanto, quase ninguém se manifestou, quanto a tudo o que tenho dito aqui. Está claro que a maioria não perde tempo com leitura, ainda mais se o principal vier de bandeja, por e-mail. Outros, ainda, que estão chegando agora, também não se dão ao trabalho de ler as informações e orientações do blog. Eu, de agora em diante, não vou ficar dando explicações para o que é óbvio e explícito. Quem não se tocar, vai ter que rebolar. Seja feio ou bonito, fraco ou espirituoso, inexpressivo ou insignificante, o que eu escrevo aqui é para ser lido. Quem não se dá ao trabalho da leitura também não merece ser lido (no meu caso, respondido). Pronto, já fiz a ‘pagação’ do dia. Agora vamos à postagem…

Temos aqui o Oswaldo Montenegro estreando em grande estilo em nosso Toque Musical. Curiosamente, eu até então nunca havia postado nada desse artista. E não é por falta de discos ou simpatia pela sua obra, muito pelo contrário. Acho o Oswaldo Montenegro um grande artista e de uma certa forma, meio injustiçado, figurando como uma estrela de segundo plano. Isso talvez me pareça devido ao seu estilo plural. O cara passeia bem por diferentes caminhos, faz uma música que ultrapassa estilos e se coloca bem mais como um compositor do que como intérprete. Acho que isso se deve muito ao fato da sua ‘veia teatral’. Sua música tem sempre algo de cênico e no geral sua estrutura melódica é complexa e de muita qualidade. Isso talvez afaste a sua arte do chamado ‘gênero popular’.
Neste álbum, gravado em 1987, vamos encontrar um pouco de tudo isso que eu falei. “Aldeia dos ventos” foi concebido para ser um musical. Teve além desta, mais duas edições posteriores com capas diferentes. Como se pode ver pela ilustração da capa, participaram da gravação grandes nomes da nossa música, com destaque para Ney Matogrosso, Sivuca, Gonzaguinha, José Alexandre, Antonio Adolfo e Lucinha Lins. Pessoalmente, acho este um dos melhores trabalhos do Oswaldo, o qual eu chamaria de uma espécie de ‘progressivo’. Até na capa a ideia nos remete à um estilo de música ‘viajante’. Mas, peraí… não me entendam mal, não estou me referindo aqui à bandas de rock. Eu viajei foi em outras paradas 😉
a lenda do castelo – ney matogrosso
sempre não é tod dia – zizi possi
canário amarelo – lucinha lins
o desajeitado e feliz – oswaldo montenegro e antonio adolfo
o país dos tristes – josé alexandre
o travesti – oswaldo montenegro e nejandro arbo
simpatia de giz – oswaldo montenegro
o país das atrizes – glória pires
o país da esperança – gonzaguinha
o apís dos apressados – sivuca e oswaldo montenegro
o pais das bruxas – josé alexandre
o país da vaidade – noel devas

Sexteto Prestige – Música E Festa Nº 6 (1960)

Boa noite, amigos cultos, ocultos e associados! Tenho a impressão de que depois que eu criei o GTM, a turma por aqui ficou ainda mais oculta e acomodada. Realmente é muito bom receber em casa, sem muito trabalho, os links do Toque Musical. Mas o fato é que as visitas ao blog se tornaram escassas, não fazendo justiça aos quase 900 associados do nosso grupo. Bom, tudo bem, eu por enquanto vou apenas observando, mas pelo andar da carruagem, acho que logo teremos novas mudanças por aqui. Devo confessar, ando meio desmotivado. Acho que está na hora de deixar de ser diarista e perceber que este compromisso é só comigo mesmo.

Segue aqui, finalmente, o último disco da série “Música e Festa”, do Sexteto Prestige. “Positivamente! Quando o Toque Musical postou o ‘Música e Festa’ Nº 1, estava previsto o sucesso da sequência…” Enfim, chegamos ao último número desta série feita para dançar. José Menezes e seu conjunto dão mais um show de interpretação, trazendo um repertório rico de sambas e boleros. Como sempre, músicas em bloco, num ‘pot pourri’ dançante que é para ninguém parar. Confiram…

nunca aos domingos
mercadora do mal
perdoa-me pelo bem que te quero
time on my hands
não és ninguém
negue
queixas
doidivana
ninguém é de ninguém
beija-me depois
se eu pudesse
devaneio
cheiro de saudade
chora tua tristeza
amigo
você passou

Mané Baião E Seus Cangaceiros – Pagode No Guarani (1977)

Bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Quero, inicialmente, avisar a todos que as solicitações de reposição de links no GTM serão todas atendidas, naturalmente. Porém, como estou sozinho nessa empreitada e além do mais, com o blog em reforma, peço a vocês que tenham paciência. Todo mundo será atendido, de acordo com a ordem de entrada dessas solicitações. Contudo, a prioridade é sempre para a postagem do dia, ok?

Hoje vamos de baião (for all), para espantar a tristeza e outros males. Tenho aqui Mané Baião e Seus Cangaceiros, um grupo de forrozeiros da melhor qualidade. E eu pensando que ninguém conhecia, pelo menos o disco já foi bem rodado na Rede. Mané Baião, segundo as poucas informações que encontrei, veio de Alagoas. Ainda na adolescencia transferiu-se para São Paulo, nos anos 60. Gravou seu primeiro disco pela RCA, em 1967, com texto de apresentação na contracapa de Manezinho Araújo. É considerado um dos primeiros forrozeiros na cidade de São Paulo. “Pagode no Guarani” foi um álbum nascido dez anos depois. Neste temos um repertório bem elaborado, com músicas autorais e até uma pitada de Gonzagão (e Humberto Teixeira, claro!). Não sei se antes disso ele gravou outros discos. Como disse, não encontrei muitas informações. Aliás, o pouco que comentei foi graças aos blog Tati Cabeluda e Forró em Vinil, neste último, inclusive, tem os dois discos do Mané Baião.

minha alencarina
assum preto
lírio verde
duquinha
quem manda é o baião
lamento cearense
pagode no guarani
carnaval em salvador
beata mocinha
puxa e repuxa
sonhei com meu amor
a bahia tem

Carioca And His Cuban Percussion Orchestra – Chachacha Explosivo (1962)

Muito bom dia, amigos cultos, ocultos e associados! Enfim, após passar uma semana me recuperando das perdas e danos, retomo nossas postagens em um novo endereço. Aliás, em novos endereços. Por loucura ou pura teimosia, repliquei o Toque Musical em 10 vezes. Ou seja, criei, além deste, mais nove blogs iguaizinhos. Com a ajuda de alguns amigos, pretendo ainda criar mais. Numa próxima onda terrorista como foi essa, vou ‘poluir’ a rede de Toque Musical. Colocarei na rede pelo menos umas 20 cópias do blog, com o detalhe de serem atualizados todos, simultâneamente. Por enquanto, só estará público este endereço. Lembro também que existe uma outra versão do blog pelo WordPress, o qual muitos de vocês já conhecem e que funciona como uma filial, sem link, obviamente. Assim sendo, não vai ser por falta de toques que vocês irão ficar sem música. Quanto aos vilões do Toque Musical, eu quero mais é que morram secos de ódio, sufocados e mudos na inveja, infiltrados ou não no nosso GTM. Quanto ao Blogger, mais uma vez, obrigado pelos ‘espaços cedidos’. Viva a hipocrisia! (desde que me permitam continuar existindo)

Aproveito também o momento para pedir a todos um voto de confiança e amizade em forma de um gesto, que aparentemente pode parecer, de minha parte, um pedido de pura vaidade, mas não é não. Gostaria de ver uma demonstração de simpatia através do quadrinho de seguidores. Acho que não seria pedir muito aos amigos que se colocassem como seguidores, como já o fizeram alguns. É uma coisa boba, eu sei, mas demonstra, para mim, uma outra força, um estímulo e a simpatia. Se o número de seguidores for igual ou próximo ao crescente GTM, eu ficarei muito satisfeito e verei que vale a pena continuar a empreitada. Para um blogueiro como eu, o importante é o ‘feed back’. Se não escuto nem o eco do meu toque, não há mais porque continuar ‘cantando’.
Como prova de gentileza, dou sequência ao Toque Musical com um disco super bacana, que eu acredito, venha a agradar a todos. Não bastasse a bela capa, temos aqui um belíssimo disco. Eis aqui o que eu considero o melhor disco de ‘Cha Cha Cha’ já gravado no Brasil: Carioca And His Cuban Percussion Orchestra. Este álbum eu reencontrei, após muito procurar, em uma banca de feira da Praça 15, no Rio. Para a minha felicidade o álbum ainda era ‘zero bala’, virgem até no selo de proteção, coisa típica dos discos da Imperial/Odeon. Nunca havia sido tocado antes, vejam que beleza!
Assim sendo, temos aqui o já apresentado Ivan Paulo da Silva, mais conhecido como Maestro Carioca, que na verdade era paulista. Acredito que o ‘Carioca’ veio do fato dele ter a sua atuação artística mais concentrada no Rio de Janeiro. Apenas por curiosidade, é dele aquele famoso prefixo do “Reporter Esso”, da Rádio Nacional. O cara era mesmo muito bom.
Neste belíssimo álbum, como se pode ver logo de cara, Carioca se dedicou a explorar (com maestria, diga-se de passagem e com retundâncias) o que era, ainda então, um dos gêneros mais populares daquela época, o ‘cha-cha-cha’. O Maestro Carioca engana bem (no bom sentido, claro!) se fazendo passar por um ‘bandleader’ cubano. Sinceramente, não deixa nada a desejar, chegando mesmo a superar muitos cubanos. Aqui encontraremos um repertório fino, com músicas bem conhecidas do público, em arranjos de matar de inveja a Orquestra Aragón (ou vice-versa, hehehe…)

o terceiro homem
limelight
stranger in paradise
las secretarias
temptation
monalisa
el bodegueiro
me lo duo adela
again
rum and coca-cola
chachacha nº 5
alexander’s sagtime band

Alfredo Moretti, Blackout, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Francisco Alves – Seleção 78 RPM Do Toque Musical – Vol. 17 (2012)

Esta já é a décima-sétima edição do meu, do seu, do nosso Grand Record Brazil. Uma trajetória excelente, mas olha, certamente iremos muito além, se Deus quiser. Aqui temos, treze fonogramas raros, a maior parte de cantores bastante conhecidos e que deixaram sua marca na história da música popular brasileira. Exceção feita, claro, ao paulistano Alfredo Moretti (c.1925-?). Com timbre semelhante ao de Francisco Alves (também aqui lembrado), ele ficou esquecido com o passar do tempo, talvez pela escassa discografia que deixou: apenas nove discos 78 com dezoito músicas, entre 1953 e 1957, nos selos Columbia (oito) e Todamérica. (o último). Nesta edição do GRB, eis seu sexto disco, o Columbia CB-10182, lançado em agosto de 1955. No lado A, matriz CBO-543, o samba-canção “Violão amigo”, de Ítalo Moretti, e no verso, matriz CBO-541, o bolero “Porque te quero”, de autoria do acordeonista Mário Gennari Filho em parceria com Joamar (quem seria?), e certamente é o próprio Gennari quem o acompanha com seu acordeão e seu conjunto, ambos não-creditados no selo original.
Já que falamos anteriormente de Francisco Alves, o eterno e eclético Rei da Voz, cuja trágica morte em acidente rodoviário completa 60 anos em setembro próximo, ele aqui comparece com cinco faixas bastante apreciadas. Uma delas é seu eterno carro-chefe, a “canção brasileira” “A voz do violão”, melodia sua e versos de Horácio Campos, feita para uma revista teatral chamada “Não isso é que eu procuro”, encenada no Teatro Carlos Gomes, no Rio. E foi a música que Chico mais gravou de todo o seu repertório: “apenas” quatro vezes, a primeira em 1928 (selo Parlophoin), a segunda em 1929 (feita a pedido do letrista Horácio, que não gostou de ter seu nome omitido na primeira gravação), a terceira em 1939 e esta aqui, a quarta e última, todas pela Odeon. O registro daqui é de 5 de abril de 1951, matriz 8943, lançado em julho seguinte com o número13143-A. No verso, matriz 8941, outra regravação, a da canção “Lua nova”, também com melodia dele próprio e versos de Luiz Iglésias, lançada originalmente por Chico em 1928, e aqui com o subtítulo de “Lua nova”, com versos do homem de teatro Luiz Iglésias, que inclusive foi marido da atriz Eva Todor, estrela de sua companhia teatral. Em seguida, o disco Columbia 55248-B, de 7 de novembro de 1940, lançado em dezembro seguinte, matriz 338, apresentando a lírica marcha-rancho “A flor e o vento”, da parceria João “Braguinha” de Barro-Alberto Ribeiro, com acompanhamento orquestral de Radamés Gnatalli. O lado A, já revivido aqui anteriormente, é “Onde o céu azul é mais azul”, dos mesmos autores mais Alcyr Pires Vermelho. Em seguida temos uma versão, das muitas que Haroldo Barbosa fez para o Rei da Voz, gravação Odeon de 8 de setembro de 1944, lançada em agosto seguinte com o número 12505-B, matriz 7647 (o outro lado de “Para sempre adeus”, também já revivida aqui), com acompanhamento orquestral de Fon-Fon. É o fox “Lagoa adormecida (Sleepy lagoon)”, de Eric Coates e J. Lawrence, do filme “Minha secretária brasileira (Springtime in the rockies)”, da 20th Century Fox, dirigido por Irving Cummings (tendo nada mais nada menos do que Cármen Miranda no elenco!). Nele, a música é executada pela orquestra do bandleader Harry James. Encerrando a participação do Rei da Voz nesta edição, temos a primeiríssima e originalíssima gravação do samba-canção “Marina”, de autoria do mestre baiano Dorival Caymmi. Ela foi feita por Chico na sua Odeon de sempre em 11 de março de 1947, com lançamento em maio seguinte com o número 12773-B, matriz 8191 (é o outro lado do fox-canção “Maria”, que já oferecemos antes também). Um mês mais tarde, Dick Farney também gravou “Marina”, na Continental, acompanhando-se ao piano, com lançamento em junho seguinte, e esse acabou sendo o registro de maior sucesso, fazendo muitos pensarem que foi Dick o lançador do samba-canção de Caymmi (ele regravaria a música outras quatro vezes). Ainda em 1947, Nélson Gonçalves e o próprio Caymmi fizeram seus registros de “Marina”, ambos pela RCA Victor.
Falemos agora de Otávio Henrique de Oliveira. Quem? É nada mais nada menos que Blecaute, o eterno “general da banda” (Espírito Santo do Pinhal, SP, 1919-Rio de Janeiro, 1983), que recebeu esse apelido do Capitão Furtado, radialista e compositor, sobrinho de Cornélio Pires, por causa dos apagões frequentes na época do pós-guerra. São três gravações relacionadas a datas comemorativas. Pra começar, o baião junino “Santo Antônio não gosta”, da profícua parceria Haroldo Lobo-Mílton de Oliveira (também responsável por muitos hits carnavalescos), gravado na Continental em 10 de abril de 1952, com lançamento em maio-junho desse ano sob número 16556-A, matriz C-2834, com acompanhamento do conjunto do trombonista Astor Silva, o Astor do Trombone. Em seguida o Copacabana 5502, lançado em dezembro de 1955. No lado A, matriz M-1273, um clássico natalino brasileiro: a “valsinha de roda” “Natal das crianças”, de autoria dele mesmo e ainda hoje muito lembrada. No verso, matriz M-1272, Blecaute homenageia as noivas com a marcha “Noiva querida”, de Silvino Neto, também humorista de rádio e autor dos clássicos “Cinco letras que choram” e “Valsa dos namorados”, ambos hits de Francisco Alves.
Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, está de novo presente no GRB, com mais uma homenagem às noivas: é a valsa “Aniversário de casamento (Anniversary waltz)”, do romeno Ian Ivanovici em versão do especialista Lourival Faissal. Gravação RCA Victor de 4 de agosto de 1950, lançada em agosto seguinte com o número 80-0697-B, matriz S-092727. Essa mesma gravação foi reeditada em dezembro de 1952 com o número 80-1060-B, e é mais uma prova que as datas comemorativas (aniversário, Natal, bodas de prata, etc.) foram gfravadas por Galhardo mais que qualquer outro intérprete.

Para encerrar, um intérprete que tem resistido ao tempo, e já octogenário, ainda em franca atividade: é o grande Cauby Peixoto, que aqui comparece com um disco “internacional”, o Columbia CB-11000. Ele foi gravado em Hollywood, Califórnia, EUA, em 1955, quando da primeira temporada do “professor da MPB” naquele país, com acompanhamento orquestral de um dos mais expressivos maestros da época, Paul Weston. No lado A, matriz RHCO-33427, o samba-canção “Final de amor”, composto pelo empresário do cantor, Di Veras, em parceria com Haroldo Barbosa. No verso, matriz RHCO-33426, o bolero “A pérola e o rubi (The ruby and the pearl)”, da dupla Jay Livingstone-Ray Evans, vertida por outro especialista na matéria, Haroldo Barbosa. Ambas as gravações também saíram no primeiro LP de Cauby, o dez polegadas “Blue gardenia”, junto com outras duas também gravadas por ele nessa temporada americana, “Sem porém nem porquê” e “Nossa rua”. Enfim, mais um presente do TM para todos os amigos ocultos e ocultos que apreciam o que é bom. Diversão garantida!

 
*TEXTO DE SAMUEL MACHADO FILHO