José Luciano Vol. 2 (1956)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Há três meses atrás eu postei aqui o primeiro lp do pianista cearense José Luciano. Como já estava mesmo a mão, ou na ‘gaveta’, esperando um novo momento, porque não postá-lo de uma vez? Aqui então segue este segundo lançamento pelo selo Mocambo, o volume 2 trazendo “oito de suas melodias favoritas”, conforme salienta o texto de contracapa. Um repertório eclético e muito gostoso de ouvir. O que pega são os chiados e fritação, coisa que infelizmente eu não consegui amenizar. Enfim, fica valendo este até segunda ordem…
 
mambo em espanha
rio antigo
helli, bluebird
sob os céus de paris
tenderly
passarinhando
canta brasil
perdão
 
 
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José Luciano E Seu Piano – Sambas (1955)

Amigos cultos e ocultos, cá estamos, ainda na dobradinha, alternando discos de dez e doze polegadas. Hoje é dia dos pequenos. E aqui temos este lp do pianista e compositor José Luciano. Vindo do Ceará, de uma tradicional família de Fortaleza, iniciou os estudos de piano ainda na infância, Na adolescência  veio morar no Rio de Janeiro, onde se encontrou totalmente com a música. Tocou no rádio e na televisão e também em boates. Acompanhou os mais diversos artistas e seu piano está presente em muitos discos famosos. Já tivemos a oportunidade de postar aqui um outro disco dele, de 1957, pelo selo Copacabana. Neste lp “Sambas”, lançado em 55 pelo selo Mocambo, nosso artista nos apresenta um repertório de oito seletos sambas, clássicos, que sempre é bom reviver. Confiram no GTM…
 
nem eu 
de cigarro em cigarro
palpite infeliz
copacabana
carinhoso
feitiço da vila
risque
aquarela do brasil
 

Ronaldo Lupo – Varietée… Variedades (1956)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Ah! Nada como uma manhã fria e ensolarada, um céu azul e uma bike esperando seu dono para sair por aí. Mas antes disso, vou  logo deixando aqui o toque musical dessa quinta feira.
Como podemos ver, temos aqui um raríssimo lp de 10 polegadas do “cancioneiro galante do Brasil”, o cantor, compositor, ator, produtor e cineasta, Ronaldo Lupo. Já tivemos a oportunidade de apresentá-lo aqui no Toque Musical, dentro da série Grand Record Brazil, só para discos de 78 rpm. Agora nós o trazemos de volta neste lp lançado pelo selo Mocambo, em 1956. Acredito que este disco seja uma seleção das gravações que fez nesta época para o selo pernambucano, de discos inicialmente lançados em 78 rpm. Como sabemos, a partir dos anos 50, surgem os discos de 33 rpm aqui no Brasil, os primeiros ‘long plays’, se é que podemos dizer assim, de dez polegadas e que traziam geralmente e no máximo quatro faixas de cada lado. Disquinhos charmosos que agora estão voltando a serem procurados por conta do colecionismo. Vamos então conferir mais este…
 
mile rococó
sem ti
dançando com lágrimas nos olhos
vocÊ nasceu pra mim
suave melodia
bambu-lê-lê
j’attendral
fim de semana em paquetá
 
 
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Jair Pimentel – E Sua Bossa Em Chorinhos E Boleros (1966)

Bom tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Atendendo aos pedidos de nosso público cativo, temos para hoje um pouco de choros e boleros. E nesse quesito, nada melhor que este disco do multi-instrumentista pernambucano Jair Pimentel, um mestre no clarinete, sax e outros instrumentos de sopro. Aqui temos dele este que foi o segundo lp gravado por ele para a fábrica de discos Rosenblit. Antes, porém, se não me engano, ele havia gravado em 1960, também pela Rosenblit/Mocambo um outro disco, inclusive com o mesmo nome e a mesma capa deste, porém era um disco de 10 polegadas e o repertório é outro. Neste, temos uma seleção onde metade da músicas são de sua autoria, entre choros e boleros. Os arranjos e orquestração são do maestro Nelson Ferreira. Não deixem de conferir…
 
saudades de alagoas
adilia neuza
minha vida é um pagode
sonhando com você
o preço de uma vida
minha vida é você
estrellita
recordar é sofrer
vivo na solidão
agustin lara o inesquecível
 
 
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João Roberto Kelly E Os Garotos Da Bossa (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje temos aqui um disco raro, difícil de encontrar, porém muito badalado, João Roberto Kelly e os Garotos da Bossa. Lançado em 1961 pelo selo Mocambo, este foi o primeiro disco gravado por João Roberto Kelly. Pianista, compositor, autor de grande sambas e marchinhas, músicas até hoje na memória do povo. Iniciou sua carreira musicando um espetáculo de Geysa Boscoli e Leon Eliachar, no final dos anos 50. Suas músicas fizeram sucesso na voz de grandes intérpretes e logo de início já havia emplacado músicas como “Boato”, “Brotinho Bossa Nova”… Músicas essas que estão presentes neste lp. Disco bacana, gostoso de se ouvir. Quem não conhece, a oportunidade é essa… Confiram no GTM
 
samba do teleco-teco
não sou atleta
porque foi que eu voltei
dor de contovelo
samba da cabrocha
passaporte pra titia
chega de lero lero (é teleco-teco que eu quero)
boato
brotinho bossa nova
consolo de otário
figurinha de boite
tempos modernos
 
 
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Claudette Soares (1965)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Aqui um autêntico compacto, Claudette Soares em dois momentos de seu disco de 1965 pela Rosenblit/Mocambo: “A Resposta”, de Durval Ferreira e Pedro Camargo e “Chuva”, de Marcos e Paulo Sergio Valle. A capa deste compacto é diferente do lp e acho que tem mais charme, mais condizente com o conteúdo.
 
a resposta
chuva
 
 
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Clóvis Pereira – Velhos Sucessos Em Bossa Nova (1963)

Boa noite a todos, amigos cultos e ocultos! Aqui vai mais um disco bacana para se encaixar nessa mostra de fim de ano. Tenho para vocês “Velhos Sucessos em Bossa Nova”, lp do maestro e pianista Clóvis Pereira, disco lançado em 1963 pelo selo Mocambo, da Rosenblit. 
Eu estava buscando mais informações sobre este disco quando me deparei com um texto do jornalista José Teles, achei tão completo que tomo a liberdade de reproduzi-lo aqui:
“…estreia em disco do maestro Clóvis Pereira, com um time formado por craques do instrumental pernambucano, recriando sucessos de décadas anteriores, em roupagem bossa nova. Na época, depois dos intérpretes de BN, quase tudo na cola de João Gilberto, a onda eram os combos de samba jazz. Clóvis Pereira foi além, e formou uma orquestra de bossa nova, com instrumentação inovadora, com um naipe de saxes, dois trompetes, um trombone, celo, contrabaixo, percussão, violões, e ele, o maestro no piano. Talvez o desnecessário neste disco é o “velhos sucessos”, até porque João Gilberto, no LP que modernizou a música popular brasileira, interpreta quatro Ary Barroso, Dorival Caymmi, Marino Pinto e Zé da Zilda, duas das canções, estão neste LP de Clóvis Pereira, Aos Pés da Cruz, e Morena Boca de Ouro. O repertório do LP vai de Sinhô (Gosto que me enrosco), a João de Barro, Noel Rosa, Ary Barroso, e Ataulfo Alves, o menos conhecido Waldemar Gomes e Afonso. Teixeira, do então ainda recente sucesso Nega (gravado por Jorge Veiga em 1958). Se o repertório é impecável, o que dizer dos músicos que Clóvis arregimentou? Sivuca toca um dos três violões, o trombonista é o também compositor Senô (autor de, entre outras, Duda no Frevo), os quatro saxes são de Valderedo (soprano), Ivanildo (alto), Maurício (barítono), e Duda (tenor). Assim como estes, os demais, Miro, Zezinho, Chagas, são tudo cobra criada, de talento calejado em orquestras de baile e de frevo, ou nos estúdios da Rozenblit, então no auge. Os arranjos são todos muito bons. Amélia, por exemplo, começa com um uníssono de saxes. O maestro Duda mostra seu lado Stan Getz, dialogando com o sax de Ivanildo, na abertura do álbum, com Não me diga adeus (Paquito/Soberano), mais para o jazz West Coast (o que mais influenciou os bossa novistas).
Fim de Semana em Paquetá (João de Barros/Alberto Ribeiro) tem um toque de Stan Kenton, com a cozinha de contrabaixo, bateria e ritmistas (como se chamavam então percussionistas) firmes e discretos, enquanto saxes e trompetes se revezam nos improvisos. 54 anos depois ete álbum não perdeu o frescor, é daqueles trabalhos aos quais o tempo não causa danos, pelos contrário os torna ainda melhores.”
 
não me diga adeus
fim de semana em paquetá
madalena
morena boca de ouro
no rancho fundo
helena, helena
gosto que me enrosco
fita amarela
o orvalho vem caindo
aos pés da cruz
nêga
amélia

 

 
 

 

Carmélia Alves – Vamos Dancar Bossa Nova (1964)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Segue o toque musical do dia… Hoje temos a presença da ilustre cantora Carmélia Alves, também mostrando que é boa de bossa, num lp que é pura Bossa Nova. “Vamos dançar bossa nova” foi um disco lançado pelo selo Mocambo, da fábrica pernambucana Rosenblit, em 1964. O disco traz uma série musical de sucessos que permeiam o universo da chamada Bossa Nova. Carmélia é realmente uma grande cantora e desfila com desenvoltura nesse repertório impecável. Não deixem de conferir…
 
o samba brasileiro
quem quiser encontrar o amor
rede de mangueira
eu preciso de você
samba de uma nota só
você e eu
na cadência do samba
valsa de uma cidade
só danço samba
o barquinho
deixa a nega gingar
corcovado
 
 
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The Brazilian Boss (1966)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Vez por outra, além dos tradicionais ‘arquivos de gaveta’ e colaborações de todo tipo, tenho apresentado aqui a herança do Sintonia Musikal, do amigo Chico. Infelizmente o blog dele fechou as portas e acabou deixando muita gente ‘a ver navios’. O Toque Musical, na sua incansável existência tem buscado resgatar o que por lá já foi publicado. Inclusive, porque muitos dos discos que foram postados no SM são muitas vezes os mesmos discos do acervo TM. Assim, considerando a qualidade dos arquivos do SM e também para facilitar a nossa labuta na hora da digitalização, preferimos apenas usar os arquivos que já estão prontos. Eventualmente fazemos algumas correções, trocamos o áudio ou mesmo as imagens. O importante, como já dizia Paulo César Pinheiro, é que a nossa emoção sobreviva. Então, aqui temos este delicioso instrumental, a la Jovem Guarda, The Brazilian Boss, lançado em 1966 pelo selo Mocambo. Por certo, trata-se de um conjunto de ocasião, ou seja um grupo musical criado para dar corpo ao disco e seu repertório. Embora, em 1968 tenha sido lançado um outro disco do The Brazilian Boss, não se sabe ao certo quem eram os seus músicos. Eu imagino que por ser um disco da Mocambo, talvez os artistas sejam do ‘cast’ da gravadora, músicos de estúdio, que geralmente não são citados nas ficha técnicas. Independente disso, temos aqui um disquinho curioso e que muito irá agradar aos amantes da Jovem Guarda. Confiram…

les cornichons

a volta

juanita banana

brincadeira de esconder

oi ti daro dipiu

é papo firme

mexericos da candinha

pobre menina

mamãe passou açúcar em mim

les marionettes

escreva uma carta de amor

a tartaruga

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Gallo E Seu Conjunto – Em 4 Tempos (1959)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje estamos apresentando o pianista Fernando Gallo e seu conjunto, em LP editado pela Mocambo, do Recife, em 1959. Este trabalho segue a linha dançante em voga na época, apresentando uma seleção de sucessos da ocasião, tais como “O apito no samba”, “Mocinho bonito”, “Charmaine”, “Tudo ou nada” e “Camponês alegre”.  Enfim, um repertório que transmite bem a época, feito sob medida para ouvir e dançar. Não encontrei nenhuma informação biográfica sobre Fernando Gallo, mas este “Em quatro tempos” vale muito a pena, e é digno merecedor de nossa postagem de hoje.

samba do teleco-teco
mocinho bonito
apito no samba
mi nuovo ritmo
puente de pedra
camponê alegre
noites cruéis]melodia d’amore
tudo ou nada
charmaine
so in love
on the street where you live


*Texto de Samuel Machado Filho

Eladir Porto E Oquestra Típica De Romeu Fossati – Tangos Sempre Tangos (1959)

Os amantes do tango certamente irão se deliciar com o álbum que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. Lançado pela Mocambo em 1960, o disco reúne seis tangos cantados, em versão, interpretados pela cantora Eladir Porto, e outros seis instrumentais, na execução da Orquestra Típica de Romeu Fossati, que também acompanha Eladir em suas faixas. Nascida em Santos, litoral paulista, em 15 de outubro de 1917 (não há informações quanto a data e local de falecimento), Eladir Maria da Silva Porto iniciou sua carreira após vencer um concurso de beleza, estreando em 1936 na Rádio Cajuti, do Rio. Em disco, estreou na Victor, com duas músicas para o carnaval de 1942: a marchinha “Salomé” e o samba “Comprei uma baiana”. Essa era a base de seu repertório inicialmente, ou seja, sambas e marchinhas, e nessa época (era o Estado Novo de Getúlio Vargas) Eladir era presença constante em eventos no Palácio do Catete. Atuou em várias outras rádios até viajar para a Argentina, onde residiu alguns anos, o que acabaria por fazê-la mudar seu repertório, especializando-se em tangos. Voltou ao Brasil em 1950, e foi contratada pela Rádio Nacional. Neste disco, ela canta seis versões de tangos bastante conhecidos, já lançadas anteriormente em 78 rpm: “Silêncio”, “Cantando”, “Noite de Reis”, “Lencinho querido”, “Tarde chuvosa” e “Quero ver-te uma vez mais”, todas com o acompanhamento da Típica de Romeu Fossati. Esta, por sua vez, executa instrumentalmente “Una lágrima tuya”, “Sentimento gaúcho”, “Dora”, “Gricel”, “Caminito” e “El amañecer”. Em suma, um cardápio sob medida para quem gosta de tango, através do álbum que o TM nos oferece hoje. 

silencio 
una lagrima tuya
cantando
sentimento gaúcho
noite de reis
dora
lencinho querido
gricel
tarde chuvosa
camininto
quero ver-te uma vez mais
el amañecer



*Texto de Samuel Machado Filho