Orquestra E Coro Odeon – Carnaval Odeon (1955)

Uma autêntica preciosidade! É como se pode definir o álbum carnavalesco que o TM possui a grata satisfação de oferecer hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados. Ele foi lançado pela Odeon, no primitivo formato de dez polegadas,  apresentando músicas para a folia de 1955, na interpretação de seu cast na época. Evidentemente, as músicas também saíram em 78 rpm, uma vez que o LP estava ainda em processo de implantação e poucos tinham o toca-discos adequado para reproduzi-lo. Sempre lembrando que o primeiro LP brasileiro, editado pela Sinter em 1951, era também com músicas de carnaval, para aquele ano, que igualmente saíram em 78 rpm. O diferencial aqui fica por conta da abertura e do encerramento, a cargo da orquestra da “marca do templo”, fazendo o disco ser ouvido como se estivéssemos em um baile de carnaval. Logo no início, ouvimos a introdução do clássico “O teu cabelo não nega”, de Lamartine Babo, mais os irmãos Raul e João Vítor Valença.  Em seguida, desfilam as oito faixas então inéditas para a folia de 55. No lado A, só marchinhas. De cara, temos um grande sucesso: “Ressaca”, feita e interpretada pela “dupla da harmonia”, Zé e Zilda, novamente voltando ao tema da bebida, por eles abordado um ano antes em outro hit, “Sacarrolha”, com direito até a advertência contra o abuso da mesma: “Ela não é amiga, desce pra barriga e depois sobe pra cabeça”. Zé da Zilda, entretanto, não conheceu o sucesso de “Ressaca”, pois faleceria menos de um mês antes da gravação, em 10 de outubro de 1954, vitimado por um AVC. As outras sete faixas também apareceram, ainda que em menor proporção, constituindo-se em verdadeiras relíquias para os colecionadores. Francisco Ferraz Neto, o Risadinha, responsável por inúmeros hits na folia de Momo, brinda-nos com “Zum zum ba ê”,dele próprio em parceria com Sebastião Gomes. Roberto Paiva, outro grande intérprete, apresenta “O casamento da Rosa”, de Oldemar Teixeira Magalhães e Luiz Costa. Alcides Gerardi vem em seguida com “Água não!”, de Erasmo Silva e Américo Seixas, outra música tendo a bebida em foco, no caso o chope, que sempre desfrutou da preferência dos foliões nos bailes carnavalescos, tornando-se neles imprescindível. E bem geladinho, é claro… No lado B, é o samba que pede passagem. A eterna “rainha da voz”, Dalva de Oliveira, nos oferece “Chama do nosso amor”, de Oswaldo Martins e Dias da Cruz. Roberto Luna, então despontando para a fama, interpreta  “Deus me ajude”, assinado por Vicente Longo e Oswaldo Morigge.  A eterna “rainha da televisão brasileira”, Hebe Camargo, brinda-nos com “Madalena”, de Blecaute (intérprete festejado de carnavais, aqui como compositor) e Oswaldo França. João Dias, “o príncipe da voz”, eleito pelo próprio Francisco Alves para sucedê-lo, por ter voz idêntica à dele, vem com “Meu último reinado”, de Herivelto Martins e Raul Sampaio, este último integrante da terceira formação do Trio de Ouro, junto com Herivelto e Lourdinha Bittencourt. E o disco termina com a Orquestra Odeon executando a introdução da clássica marchinha “Cidade maravilhosa”, de André Filho. Enfim, é um álbum que surpreende pelas verdadeiras raridades nele contidas, que se constituem em agradáveis e surpreendentes descobertas para os colecionadores. E enriquece brilhantemente a discoteca da memória músico-carnavalesca do Brasil. Divirtam-se!
o teu cabelo não nega
ressaca
zum zum ba ba e
o casamento da rosa
agua não
chama do nosso amor
deus me ajude
madalena
meu último reinado
cidade maravilhosa

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* Texto de Samuel Machado Filho

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Vários – Carnaval 1972 (1972)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados. Depois de oferecer a vocês o álbum que a Continental lançou com músicas para o carnaval de 1968, o TM apresenta mais um LP carnavalesco da mesma gravadora, editado com o selo Musicolor (braço dito “econômico” da empresa), agora dedicado à folia momesca de 1972. Na verdade, foram dois LPs, e este é o primeiro deles. Alguns dos intérpretes deste disco são conhecidos:  Wilma Bentivegna (cantora de hits românticos, aqui presente com “Carnavais do passado”, marcha-rancho na linha saudosista), Leila Silva (“Falando comigo”, que tem co-autoria do músico Adilson Godoy), Miguel Ângelo, ex-integrante da Dupla Ouro e Prata (aqui com “A marcha do bebum”, explorando temática comum em músicas carnavalescas) e Durval de Souza, comediante e apresentador de TV, então integrante do cast da Record, interpretando aqui “A tonga da mironga”, marchinha que, de certa forma, repercutia o grande sucesso obtido por Toquinho e Vinícius de Moraes com “A tonga da mironga do kabuletê”. Entre os compositores, a curiosidade fica por conta de Nascim Filho, notório apresentador de programas sertanejos no rádio paulistano, parceiro em “É hoje”, faixa de encerramento  deste disco, interpretada pelo Coro Musicolor. Temos ainda a presença de Nélson Silva, com “Dá de pinote” e “Vara verde”.  Completam o programa, os obscuros Arthur Miranda, Dalva Pedrezani e os grupos Imperiais do Ritmo e As Damas. Se você que viveu nesse tempo não conseguir se lembrar de nenhuma das músicas deste disco, não se preocupe. Creio que muitos remanescentes dessa época não se lembram, uma vez que a canção carnavalesca já atravessava um período de grave crise, principalmente pela falta de divulgação, a tempo e hora, das composições então novas. Muitos estudiosos afirmam, inclusive, que o último grande sucesso do carnaval brasileiro foi “Bandeira branca”, lançado por Dalva de Oliveira em 1970. Portanto, dois anos antes deste nosso álbum.  Como já registramos anteriormente, o carnaval de salão passou a ser dominado por sucessos antigos de outros tempos (tipo “Mamãe eu quero”, “Jardineira”, “Cabeleira do Zezé” etc.), e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas passaram a dar as cartas. De maneira que este álbum da Continental para a folia de 1972 acaba se tornando um verdadeiro documento, de uma época em que a canção carnavalesca ainda respirava, ou tentava respirar. E esta é mais uma oportunidade que o TM nos dá, de ouvir músicas que  possivelmente não foram bem-sucedidas na folia momesca, com toda a atenção da qual não desfrutaram quando de seu lançamento. Afinal, todo mundo merece uma segunda chance, não é mesmo?

carnavais do passado – wilma bentivegna

dá pinote – nelson silva

marcha do bebum – miguel angelo

a onda da cafonagem – as damas

doido varrido – arthur miranda

a marcha do corujão – dalva pedrezani

amor – as damas

a tonga da mironga – durval de souza

esquecendo o mal – imperiais do ritmo

falando comigo – leila silva

vara verde – nelson silva

é hoje – côro musicolor

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  • Texto de Samuel Machado Filho

Carnaval 68 (1968)

Está chegando mais um carnaval. É hora de esquecer as tristezas e as frustrações da vida e brincar, sambar, fazer tudo a que se tem direito. Mas sem cometer excessos, principalmente na bebida.  Entrando nesse clima, o TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum lançado pela Continental, com músicas para o carnaval de 1968. Com o advento dos LPs no Brasil, na década de 1950, as gravadoras passaram a lançar, anualmente, álbuns com os contratados de seu cast interpretando músicas feitas para a folia de Momo. Era um tempo em que os artistas se engajavam de corpo e alma na gravação e divulgação de tais músicas, pois, como se dizia, eram também “da fuzarca”.  Nunca é demais lembrar que o primeiro LP editado no Brasil, de 1951, foi o dez polegadas “Carnaval em long playing” (selo Capitol/Sinter).  À medida em que o LP foi se popularizando, e as vendas dos antigos discos de 78 rpm despencando, todas as gravadoras passaram a seguir o exemplo da Sinter, botando praticamente todos os seus contratados para gravar músicas destinadas à grande festa do povo.  E foi justamente o caso da Continental, com o álbum oferecido hoje a vocês pelo TM, com músicas destinadas à folia momesca de 1968. Nessa época, a música de carnaval já estava em acentuado declínio, agravado pela precária e escassa divulgação, e muito poucos tomavam conhecimento das novidades para a folia momesca. Nos salões, repetiam-se hits do passado, e, nas ruas, os sambas-enredo das escolas, sobretudo do Rio de Janeiro, tomaram o poder. Foi nesse ano, por sinal, que aconteceu o primeiro desfile oficial de escolas de samba de São Paulo, na Avenida São João, com a Nenê de Vila Matilde sagrando-se campeã. Mas os compositores e intérpretes não se apertavam, mostravam que ainda permaneciam vivos na folia. Das dezesseis faixas deste álbum da Continental, pelo menos uma foi êxito espetacular no carnaval de 68: a marcha-rancho “Até quarta-feira”, de Paulo Sette e Umberto Silva, aqui em ritmo mais acelerado, de marchinha, na interpretação do sempre excelente Noite Ilustrada (foi também gravada por Marcos Moran, na Caravelle). Praticamente dominou aquela folia, sendo até hoje relembrada. Os oito intérpretes escalados para este disco, em sua maioria, eram cadeira cativa nos carnavais: Jorge Veiga (”Não tira a máscara”, “Amar não é pecado”), Francisco Egydio (“Vou deixar cair”, “Quem bate”), Risadinha (“Barqueiro de folga”, “Nem Pierrô nem Colombina”), Mário Augusto (“Garota do plá”, que aproveita um termo de gíria então usado para designar bate-papo ou conversa, “”A maior invenção”), a vedete Angelita Martinez, aqui interpretando “A bela Otero” e “Um instante maestro, pare”, esta última uma clara referência a Flávio Cavalcanti, polêmico apresentador de TV que chegava até a quebrar os discos musicais que considerava ruins, diante das câmeras. Francisco Petrônio, “o rei do baile da saudade”, mesmo não tendo lá muita tradição no setor carnavalesco, aqui comparece com “Palhaço” e “Drama de Pierrô”. Entre os compositores, há também nomes de destaque assinando algumas faixas: a dupla Dênis Brean-Oswaldo Guilherme, Newton Teixeira (autor de clássicos como “Malmequer” e “Deusa da minha rua”), o próprio Risadinha (como Francisco Neto), Elzo Augusto, Arnô Provenzano. São detalhes, que por si só, credenciam este álbum da Continental, apesar da crise que, já em 1968, atingia a canção carnavalesca. É a oportunidade de se redescobrir, inclusive, músicas que possivelmente não obtiveram sucesso, e que agora, graças a esta oportunidade proporcionada pelo TM, poderão ser ouvidas com a atenção da qual não desfrutaram quando lançadas. Divirtam-se!

palhaço – francisco petrônio
até quarta feira – noite ilustrada
não tire a máscara – jorge veiga
um instante maestro, pare – angelita martinez
vou deixar cair – francisco egydio
barqueiro de folga – risadinha
amor e falsidade – wilson roberto
garota do plá – mario augusto
vai trabalhar – noite ilustrada
drama de pierrot – francisco petrônio
amar não é pecado – jorge veiga
a bela otero – angelita martinez
quem bate – francisco egydio
nem pierrot, nem colombina – risadinha
vem quente – wilson roberto
a maior invenção – mário augusto

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* Texto de Samule Machado Filho

Banda Do Canecão – 100 Anos De Samba (1973)

Olá amigos cultos e ocultos! Entramos, enfim, na semana do Carnaval. E logo de saída eu trago este box, uma autêntica festa de carnaval. São três discos, com 131 músicas que ilustram uma boa parte do repertório do samba carnavalesco de todos os tempos. Um trabalho dos mais interessantes lançado pela Phonogram, através de seu selo Polydor, em 1973, ano fértil para a música brasileira. Temos aqui a tradicional Banda do Canecão, que como o próprio nome diz, era a banda da casa de shows Canecão, no Rio de Janeiro, surgida nos anos 60. A banda fez tanto sucesso que acabou sendo contratada do Phonogram. Segundo consta, eles gravaram mais de 20 discos, sempre na ‘atmosfera’ da apresentação ao vivo, numa sequencia de músicas tal qual um pot-pourri. Nesta coletânea homenageando os 100 anos de samba. Uma caixa essencial para quem coleciona discos e mais, para quem quer conhecer um pouco esse vasto repertório. Desta vez, eu nem vou listar as músicas dos discos, são tantas… Confiram esta postagem no GTM. Como sempre, completa, inclusive com imagens do encarte em forma de libreto, que vem acompanhando os discos. E viva o Carnaval!

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Trio Espacial – Trio Elétrico Dodô & Osmar (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Enfim, vamos dando uma pausa nas guitarras e focando no momento que é de carnaval. Estrategicamente escolhi para hoje um disco para marcar a transição do rock para o som da folia, a música inspirada no Trio Elétrico de Dodô e Osmar. A guitarra continua, mas dessa vez ela é baiana. Vamos no embalo de dois trios. De um lado o Trio Espacial e do outro o Trio Elétrico Dodô & Osmar. Não confundir como o original, o Trio Elétrico de’ Dodô & Osmar. Este é um trabalho dos irmãos Aroldo e Armandinho Macedo, filhos de Osmar. Os dois, integrantes do grupo A Cor do Som (que foi oque faltou aqui em nossa mostra de influencias rock’n’roll). Uma produção de Aroldo Macedo, com participação especial de Armandinho e Moraes Moreira.
Neste lp, lançado em 1988 pelo selo SBK vamos encontrar um trio elétrico ‘remodelado’. Uma releitura musical que eleva o trio elétrico a um estilo próprio, caracterizado principalmente pela tal guitarrinha baiana, a qual não há melhores representantes e interpretes que os irmãos Macedo. A música do trio elétrico, aqui, ultrapassa a um simples gênero carnavalesco. Vai além dos dias de Carnaval.

trio espacial
paz de espírito
um beijo na vitória
é carnaval o ano inteiro
deus do fogo e da justiça
baticum do olodum
aquidabã
fases
manda dizer
amar é
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Pholhas (1977)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Quando penso que vou dar uma pausa nos discos do gênero rock, acabo me lembrado de alguma coisa que faltou, ou que eu  gostaria de postar.
Hoje vamos como o Pholhas, grupo que fez muito sucesso nos anos 70. Lançaram vários discos, lps e compactos, sempre com músicas cantadas em inglês, Fizeram muito cover de bandas gringas, mas se destacaram mesmo foi na produção autoral, tendo seus discos sempre muito bem vendidos. Emplacaram hits que são lembrados até hoje. Foram dezenas de discos gravados, sempre buscando acompanhar o gosto padrão imposto pelas rádios. Um pop/rock que muitos consideravam meloso, mas que agradava em cheio o gosto popular (como esse nosso povo gosta de música estrangeira, hehe…) Ao longo do tempo a banda sofreu algumas alterações, tanto entre seus músicos como também no gênero. Gravaram até discoteca. Mas isso só serve para provar a versatilidade dos caras. Com a saída do tecladista Hélio Santisteban, entrou em seu lugar Marinho Testoni, do Casa das Máquinas, que deu a banda um outro rumo. Lançaram este disco, um álbum verdadeiramente rock, com muitas pitadas do progressivo e com letras totalmente em português. Ao contrário do que se esperava, o disco não vendeu muito, espantou a turma do mela cuecas e acabou ficando meio esquecido. Só quem gosta de rock se antenou para o disco que acabou se tornando a ‘obra cult’ dos Pholhas. O disco é, sem dúvida um empolgante trabalho do rock tupiniquim. Músicas boas, letras em português, enfim, o único da espécie na discografia da banda. Ao que consta, o Pholhas continua em atividade, com sua formação original, trazendo de volta um bom momento para os saudosistas.

panorama
imigrantes
somente rock’n’roll
solidão
águas passadas
metrô-trem
anoiteceu
dr silvana
pra ser mais eu
luzes, câmaras, ação
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Fellini – O Adeus De Fellini (1985)

Trazendo mais um disco do gênero rock brazuca, tenho hoje para os meus amigos cultos e ocultos o grupo paulista Fellini, banda paulista formada nos anos 80 por Catão Volpato, Thomas Pappon, Jair Marcos e Ricardo Salvagni.
“O Adeus de Fellini” foi o disco de estréia dessa banda, classificada como pós-punk. O álbum saiu pelo selo independente da Baratos Afins. Segundo Catão Volpato, o título do disco foi uma homenagem a banda  inglesa, The Durutti Column, que havia lançado em 1980 o lp ‘The Return of The Durutti Column’. O som do Fellini se inspira nesse tipo de rock, o europeu, ou mais exatamente em bandas inglesas, que traziam um novo fôlego para o cenário pop-rock-alternativo da época. Neste primeiro trabalho eles misturam batuques com guitarras, letras em inglês, alemão e português. Cabe até trecho de poemas do beatnik Lawrence Ferlighetti.
Das bandas brasileiras que iniciaram nos anos 80, o Fellini, com certeza, tem seu lugar de destaque garantido. Seus discos continuam sendo vendidos, sejam em mp3, cd ou vinil (hoje raridade de colecionador) Confiram este adeus de estréia no GTM.

funziona senza vapore
rock europeu
história do fogo
cultura
outro endereço outra vida
bolero
bolero 2
shiva shiva
nada
zäune
nada (bônus)
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Riff Raff (1973)

Prezados amigos cultos e ocultos, boa noite! Creio que seguiremos nessa onda do rock por mais uns dias. Ainda tenho alguns discos que eu gostaria de apresentar aqui no Toque Musical.
Para hoje eu tenho um disco que, particularmente, eu adoro. Um lp que me acompanha desde a minha primeira adolescência. Logo de cara dá para ver que não se trata de banda de rock brasileira. E realmente, não é. Este é o Riff Raff, um grupo inglês de rock com pitadas de progressivo e fusion. Um trabalho de alto gabarito lançado na melhor safra, 1973, pelo selo RCA Victor. O Riff Raff foi uma super banda que pelo seu estilo não emplacou nenhum sucesso, mas marcou presença na cena rock internacional dos anos 70 ao lado de outras grandes. O que faz este disco está entre as nossas postagens é o fato de ter entre seus componentes um músico brasileiro, o baterista Aureo de Souza. Ele fez parte da formação inicial da banda, participando dos dois primeiros álbuns. Para aqueles que não conhecem o batera, ele já tocou com meio mundo de gente importante. No início dos anos 70 ele foi para Londres, com a cara e a coragem, tentar uma carreira. Encontrou por lá o Caetano Veloso e sua turma e passou a fazer parte do grupo do baiano. Depois surgiu o convite para entrar no Riff Raff, através do lider, o tecladista Tommy Eyre. Além dos discos gravados, participou de alguns importantes shows e festivais de rock pela Europa. O Riff Raff era uma banda respeitada. Como disse, de alto nível musical. Somente este primeiro disco chegou a ser lançado por aqui e como grande parte dessas bandas internacionais, só foram notados por um público muito restrito. Aureo de Souza acabou voltando ao Brasil e daí passou a tocar e gravar em discos de diversos artistas. Tocou com Caetano Veloso, Gil, Raul Seixas e muitos outros. Hoje vive no interior de Minas, mas continua mandando ver. Continua sendo um grande baterista. Estou postando aqui somente o primeiro disco, porém, no arquivo pelo GTM estão os dois discos. Não deixem de conferir…

your world
for every dog
little miss drag
dreaming
time lost
youmust be joking
la meme chose
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Vários – Rock Conexão Bahia (1988)

Olá amigos cultos e ocultos! Dando sequência aos discos de rock (ou coisa assim), tenho para hoje mais uma coletânea interessante. Desta vez vamos para os roqueiros da Bahia. Aqui estão sete bandas baianas do cenário pop/rock de Salvador nos anos 80. O disco foi produzido e gravado por Filipe Cavalieri, que na época teve a preocupação de registrar a efervescência do rock em sua cidade. Um trabalho pioneiro, visto que até então nada havia sido produzido nesse sentido para a turma da guitarra (que não é a baiana). Filipe gravou em estúdio, no bairro da Liberdade, de forma independente uma leva bandas e músicos. Selecionou um leque de sete bandas e lançou o disco “Rock – Conexão Bahia”, que teve distribuição pela Continental, através de seu selo Gel.
É um disco bacana, mas assim como o BHCore II, que eu apresentei nessa leva, vale mais pelo contexto histórico do rock local. Confiram essa, meus reis
explodindo – moisés, ramses e os hebreus
cenas de uma tela – cravo negro
vida em carne viva – treblinka
vinho e flores – elite marginal
gravitação – quíron
lamento sem eco – utopia
a porta está aberta – 14. andar
piscina da maldade – 14. andar
podes crer – elite marginal
nosso tempo – utopia
ninfomaria – moisés, ramsés e os hebreus
brasil com f – cravo negro
marginal indefeso – quíron
queda de sodoma – treblinka
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Júpiter Maçã – A Sétima Efervescência (1997)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Seguimos hoje com uma homenagem ao cantor e compositor gaúcho, Júpiter Maçã, falecido há poucas semanas atrás, infelizmente. Era um músico jovem ainda e certamente teria muito mais para nos mostrar. Mas, enfim, fatalidades acontecem… Uma pena, ou como diriam os próprios gaúchos, uma judiaria…
Júpiter Maçã fez parte de duas bandas do Sul, o TNT e Os Cascavelletes, que chegaram a gravar discos. ‘Sétima Efervercência’ foi seu primeiro disco solo, lançado em 1997, somente em formato cd. Um trabalho que, para mim, foi seu melhor momento. Inclusive, é neste cd que está uma de suas músicas de maior sucesso, “Um lugar do caralho”, que muita gente achava que fosse música do Raul Seixas, o que na verdade só serviu de inspiração.
um lugar do caralho
as tortas e as cucas
querida superhist x mr. frog
pictures and paintings
eu e minha ex
walter victor
as outras que me querem
sociedades humanóides fantatsticas
o novo namorado
miss lexotan e 6 mg garota
the preaning alice (hippie under groove)
essência interior
canção par dormir
a sétima efervescência galática
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Vários – BH Core II (1991)

Olá, amigos cultos e ocultos! Dando sequencia a nossa semana rock, vou agora partindo logo para o estupro. Vamos hoje de hardcore, música punk. Temos aqui o BH Core II, uma continuação de um projeto da Cogumelo, uma lendária loja de discos de Belo Horizonte que também virou produtora musical lançando nos anos 80 e 90 uma série de discos de bandas mineiras, entre essas a mais famosa, a banda de trash metal Sepultura, que depois se lapidou e virou uma super banda de heavy metal. A Cogumelo investiu nessa época em várias bandas de rock, dando oportunidade para que a turma da garagem viesse a mostrar seu som.
O lp que temos aqui é uma continuação da coletânea de bandas hardcore da cidade. Nele estão quatro bandas punks: Militofobia, Dejetos da Humanidade, Komando Kaos e Morte Social. Certamente esta postagem é bem específica, apenas quem passou por essa fase é capaz de gostar do som. Temos mais de 30 músicas em apenas duas faces de disco. Todas relativamente curtas, como convém ao hardcore, por isso fiquei até com preguiça de listá-las, apenas copiei e colei. Ficou assim ‘meia boca’, mas acho que tem tudo a ver com o assunto. Noise, noise e noise

Militofobia
Parabens Pra Voce
Mundo Violento
KOMANDO KAOS
Chega
Vaticano
Bebados de Rua
Deem Chance a Paz
Vitimas I
DEJETOS DA HUMANIDADE?
Pobre Ser Humano
Miseravies
Collor
Televisao
E o Futuro?
Sistema
Vote
Dinheiro Vivo, Morta Humanidade
Shiplish, Spleshe
EUA, URSS!!
3ª Guerra
Soldado
Natal
Vegetais
Vai Se Fu…
Marcha Soldado
Nuclear
Paz Armada
Asco
Bocas Que Calam
Grind Noise
MORTE SOCIAL
Sexo Ate Morrer
Alternativa Linguistica
O Que Fazer
Crise Existencial
Para Que? por Que?

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Astro Venga – Explodiram A Perimetral (2014)

Boa noite, meus prezados roqueiros cultos e ocultos! É, hoje ainda é dia de rock! Na verdade, nem começamos. temos ainda mais alguns trabalhos que eu pretendo apresentar ao longo dos próximos dias. Como sempre, uma boa salada mista, que afinal é a verdadeira cara do nosso Toque Musical.
Ano passado eu estive algumas vezes no Rio e por essas idas, tive a felicidade de trombar na praia e no centro da cidade com dois trios que me surpreenderam desde a primeira vez que os ouvi: Beach Combers e o Astro Venga. O Beach Combers eu já conhecia de outras rodadas. Tive o prazer de apresentá-los aqui ha algum tempo atrás. Agora  é a vez do Astro Venga. Um autêntico power trio, mandando ver, apenas com guitarra, baixo e bateria. Os caras detonam em apresentações feitas no meio da rua, em praça pública e beira de praia. Aliás, pelo que soube, a banda foi criada com esse propósito, levar o som pras ruas. E um som da melhor qualidade, diga-se de passagem, considerando as circunstâncias e um aspecto assim meio mambembão. O Astro Venga surpreende, chama a atenção dos que passam, não apenas pelo inusitado, mas também pela provocante batida de um rock’n’roll instrumental, cheio de garra e atitude por parte dos músicos. Eles fazem uma verdadeira ‘jam session’ misturando MIlton Nascimento, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Roberto Carlos… e vai por aí a fora. Conforme disse um dos integrantes da banda, eles já transcenderam a questão de autoria e cover, bem como de estilos. Mas a pegada é sempre o velho e bom rock’n’roll. A guitarra sempre grita mais alto. Formado por Antonio Paoli, no baixo, Dony Escobar, na guitarra e Zozio, na bateria. o Astro Venga lançou no ano passado este cd, que nada mais é que um registro ao vivo. Gravado em uma apresentação na Praça XV, debaixo do extinto viaduto da Perimetral, bem precário, diga-se de passagem, mas impecável enquanto registro de um grupo que acima de tudo curte o que faz. Isso é muito legal, é autêntico e é disso que o rock precisa. Por conta de fazerem de sua música uma colagem de diversas outras músicas, as vezes improvisada, o disquinho acaba não trazendo uma lista do que é tocado. Mesmo assim, para facilitar o entendimento e identificação, estou dando nome as jam’. Ah, de quebra, inclui o áudio de um vídeo que fiz (está no Youtube) do trio numa apresentação no Largo da Carioca. Para a minha surpresa, fiquei sabendo ainda a pouco que houve mudanças na escalação do trio. Saíram o guitarrista e o baterista. Em seus lugares entraram Tutuka, na bateria e Christian Dias, na guitarra. A proposta continua sendo a mesma e certamente a nova formação deve mandar tão bem quando foi a primeira. Confiram aqui...

back in bahia-gil
não há dinheiro que pague-roberto carlos
não vou ficar-roberto carlos
se você pensa-roberto carlos
jam
jam crosstown traffic-hendrix
fé cega faca amolada-milton
ao vivo na carioca
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Yo-Ho-Delic (1995)

Olá amigos cultos e ocultos! Como havia comentado, vamos nesta semana com uma leva de rock. Uma série variada e distinta como cabe ao nosso blog. Discos que estavam aguardando um momento especial, o meu, quando de Dr. Jekyll me transformo em Sr. Hyde. E o senhor Hyd(rix) aqui adora um som de guitarra elétrica 😉 Tô nessa fase…
Hoje eu trago para vocês um grupo de rock dos anos 90, o Yo-Ho-Delic. Uma banda paulista com influências do hard rock e do autêntico funk americano setentão. Segue bem a linha de bandas como Living Colour e Red Hot Chili Peppers, mas com uma identidade própria. Os caras são super competentes e mandam muito bem. Todas as músicas são cantadas em inglês. O Yo-Ho-Delic foi, certamente, uma das melhores bandas que surgiram naquela década. Infelizmente, gravaram apenas este lp, que saiu também em versão cd. É outro disco que num futuro não muito distante vai ter muito nêgo atrás. Ainda hoje no Mercado Livre é possível encontrá-lo a preços bem razoáveis. Confiram aí quem ainda não conhece

shut up
tijuana drems
kraziod
peace
brasil banana samba
edge of insanity
innocent animal sex
frontiers of thailand
phunk
sister needle
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Celso Zambel – Espírito Da Noite (1979)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Nesta semana, se tudo der certo, pretendo por em dia alguns discos e toques prometidos e ainda não postados. A semana vai ser meio rock’n’roll, ou algo assim… E para começar, estou trazendo um disco aqui que certamente passou despercebido pelos blogs, fóruns e comunidades musicais do facebook. Um tremendo e obscuro lp lançado por um também obscuro artista chamado Celso Zambel. Um disco com uma super pegada, que curiosamente poucos conhecem. Nessa, eu também me incluo, pois até bem pouco tempo eu nunca tinha visto ou ouvido falar deste disco. Foi uma grata surpresa, que caiu nas minhas mãos por acaso, encontrei numa banca de promoções de um sebo, por apenas 15 reais! Sem sombra, mais uma jóia da árvore do rock tupiniquim que ficou na obscuridade.
Lançado em 1979 pelo selo Som Livre,”Espírito da Noite” é um lp do cantor e compositor Celso Zambel, um artista, o qual, pouco temos informações. Eu quase nada encontrei sobre ele além do fato de ter sido lá por volta de 1976, o intérprete  de “Those Shadows”, música que fez muito sucesso na época, pois tocava em horário nobre da TV Globo. Era aquele tempo em que muitos artistas brasileiros gravavam músicas em inglês, usando pseudônimos de estrangeiros. Nessa ocasião, Celso Zambel era Paul Jones. Seu compacto com essa música vendeu horrores.
Em “Espírito da Noite” há também outra obscura curiosidade, o parceiro de Zambel é o violonista André Geraissati, músico hoje consagrado no mundo do jazz e música instrumental brasileira. Nessa fase e neste disco André divide com Zambel a maior parte das músicas. Apenas os dois músicos tocam no disco, mas fazem a gente pensar que tem um banda. André arrasa nas cordas elétricas e acústicas, revelando um lado rock’n’roll que muitos não devem conhecer. Celso Zambel, por outro lado, me faz lembrar o Ritchie, no Vímana, cantando (em português) como um autêntico estilo ‘popsinger’. Eis aí um disco que muita gente ainda precisa conhecer. E vou logo avisando, é um lp raro, difícil de encontrar e muito bem contado no mercado japonês. Colecionadores de vinil, fiquem espertos! Corram logo no Mercado Livre e busque os seus enquanto ainda é realmente obscuro e barato. Não dou um ano para que este disco tenha chegado à cotação de 200 pratas. Vai vendo

espírito da noite
notícia pra você
dr. rock and soul
divino espírito santo
o mágico
parada dos livres
eu não sei, você sabe?
rei do lugar
abmas
mágica dos anos 60

A Música De Getúlio Marinho (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 144 (2016)

Iniciando com o pé direito o ano de 2016, o Grand Record Brazil apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos mais expressivos compositores de nossa música popular, também instrumentista e dançarino: Getúlio “Amor” Marinho. Nosso focalizado nasceu em Salvador, Bahia, no dia 15 de novembro de 1889, o mesmo da Proclamação da República, recebendo na pia batismal o nome de Getúlio Marinho da Silva. Filho de Paulina Tereza de Jesus e Antônio Marinho da Silva, o “Marinho que Toca”, mudou-se para o Rio de Janeiro aos seis anos de idade, junto com a família, é claro. Com a mesma idade, ingressou no Rancho Dois de Ouro.  Foi criado frequentando as casas de tias baianas como Gracinda, Bebiana, Calu Boneca e a lendária Ciata. Participou dos primeiros ranchos carnavalescos cariocas criados por baianos, então residentes no bairro da Saúde. Getúlio saía como porta-machado no Dois de Ouros, e ainda desfilava no Concha de Ouro. Frequentou as rodas de samba organizadas por baianos que se reuniam no Café Paraíso, então situado à Rua Larga de São Joaquim, atual Avenida Marechal Floriano. Mestre-sala de inúmeros ranchos carnavalescos (Flor do Abacate, Quem Fala de Nós Tem Paixão, Reinado de Silva), aprendeu a coreografia com o pioneiro Hilário Jovino Ferreira, tornando-se grande especialista nessa arte. Estava sempre vestido de forma impecável, com roupas de fidalgo, sapatos de fivela e salto alto, de luvas e cabeleira empoada, como se fosse alguém vindo das cortes francesas. Sua coreografia era sóbria, sem acrobacias nem presepadas, e  exatamente por sua finesse, recebia os aplausos do público presente aos desfiles. Em 1916, iniciou sua carreira artística, atuando como dançarino na revista “Dança de velho”, encenada no Teatro São José. Sua primeira composição gravada foi o samba “Não quero amor”, em 1930, pelo Conjunto Africano. Frequentou terreiros de macumba e conheceu  pais de santo afamados, como João Alabá, Assumano e Abedé, recolhendo pontos do gênero e levando-os ao disco, juntamente com Elói Antero Dias, o Mano Elói. Outros pontos de macumba por ele compostos foram gravados por Moreira da Silva. De 1940 a 1946, Getúlio foi o “cidadão-samba” do carnaval carioca. Entre suas composições de maior sucesso, destacam-se o samba “Apanhando papel” e a marchinha junina “Pula a fogueira”. Era também considerado grande tocador de omelê, antigo nome da cuíca. Em 1963, já quase esquecido, adoeceu seriamente, e foi internado no Hospital dos Servidores da então Guanabara, vindo a falecer a 31 de janeiro do ano seguinte, 1964. Nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Getúlio “Amor” Marinho, apresentamos oito de seus pontos de macumba, um jongo e  um samba, perfazendo um total de dez fonogramas históricos e importantes. Começamos com o “Ponto de Inhansan” (ou Iansã), que ele  gravou com seu Conjunto Africano na Odeon em 9 de março de 1937, com lançamento em junho do mesmo ano, disco 11481-A, matriz 5533. Logo em seguida temos o lado B, “Ponto de Ogum”, matriz 5534, regravação de música que já lançara em 1930, em dueto com Mano Elói. Foi lançada justamente nesse ano, mais precisamente em outubro de 30, nossa faixa seguinte, o “Canto de Exú”, de domínio público, igualmente pelo Conjunto Africano, disco Odeon 10690-A, matriz 3879.  Depois temos o lado B desse disco, “Canto de Ogum”, outro motivo popular, matriz 3880. Apresentamos em seguida as músicas do único disco de João Quilombô, o Parlophon 13400, lançado por volta de abril de 1932, justamente dois pontos de macumba de “Amor”: “Pisa no toco”, matriz 131362, e “Quilombô”, matriz 131363. “Vou te dar”, samba do carnaval de 1933, é uma parceria de “Amor” com Alcebíades “Bide” Barcellos, e foi lançado pela Odeon em janeiro desse ano, na voz de Luiz Barbosa, disco 10971-B, matriz 4586.  O jongo “Ê timbetá”, de “Amor” sem parceiro, foi gravado na Victor por J. B. de Carvalho, acompanhado de seu Conjunto Tupi, em 27 de maio de 1936, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 34075-B, matriz 80168. Encerrando esta primeira parte, dois pontos de macumba que “Amor” compôs com João da Baiana, interpretados pelo parceiro com seu conjunto, em gravações Victor de 21 de março de 1938, lançadas em maio seguinte no disco 34313. No lado A, matriz 80707, “Sereia”, e no B, matriz 80708, “Folha por folha”.  Na próxima edição do GRB, mais um pouco da obra musical de Getúlio “Amor” Marinho. Até lá!

* Texto de Samuel Machado Filho

Tito Madi – Carinho E Amor (1976)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! É… chove lá fora… Chuva que não pára. Melhor mesmo é ficar dentro de casa ouvindo uma boa música. E porque não, postar um bom disco. Chuva lá fora me fez pensar no Tito Madi e coincidentemente eu tenho a mão este lp que chegou em boa hora. Segue assim, “Carinho e Amor”, que apesar do título, não é uma reedição do disco gravado por Tito Madi e Ribamar, em 1960. Este é mais um lp autoral e de carreira do artista, lançado em 1976 pelo selo London. Um disco muito bem produzido, como cabe a um grande artista. Um time de músicos de primeiríssima que dão ao disco um sabor todo especial e contemporâneo. Digo isso porque muitas vezes, quando falamos de um artista como Tito Madi, somos levados a pensar em músicas e arranjos do passado, mas neste lp, em especial, temos a música moderna e popular brasileira em seu melhor momento. No repertório iremos encontrar além de regravações de sua autoria, outros tantos clássicos da mpb muito bem escolhidos, que fazem deste um dos seus melhores discos nos anos 70. Confiram

minha mangueira
menina moça
sorriu pra mim
lígia
so vive quem morreu de amor
gaúchinha bem querer
carinho e amor
não foi pra ficar só
tomara
crises
canção do nosso amor
deus me perdoe – helena, helena
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Rosemary – Igual A Ti Não Há Ninguém (1964)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês a ‘Fada Loura da Juventude”, a eterna Rosemary, cantora e atriz que todos conhecem desde os tempos da Jovem Guarda, onde foi uma das grandes atrações (musicais) do movimento. A carreira artística de Rosemary começa quando ela ainda era praticamente criança. Aos 14 anos gravou seu primeiro disco compacto. Em 1964 veio este que foi se álbum de estréia, um lp lançado pela RCA Victor, com produção de Paulo Rocco, diretor artístico da gravadora. Rosemary nos traz um repertório romântico, pré-jovem guarda, com temas nacionais e versões internacionais. Destaco aqui a faixa “O sonho de todas as moças”, música do Tremendão Erasmo Carlos. Os arranjos ficaram a cargo dos mestres José Menezes e maestro Carioca. Taí um disco que eu ainda não em outras fontes. Aproveitem para conferir logo, pois o tempo é curto e links nem sempre tem retorno, ok?

igual a ti não há ninguém
lágrimas de tristeza
como sinfonia
sempre aos domingos
o sonho de toda moça
vinte e quatro mil beijos
que me importa o mundo
a dança dos brotos
ninguém como você
o doutor do amor, menino
meu coração
poema de ternura
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O Som De Status – MPB (1977)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Percebo que muita gente que compra e ouve disco, costuma não dar muita bola para coletâneas. Sem dúvida, é difícil encontrar uma coletânea montada exclusivamente pela qualidade ou estilo da música. Geralmente, coletâneas comerciais aconteciam para promover os artistas de uma determinada gravadora e dessas, muitas vezes, tínhamos as coisas das mais variadas, um leque de opções para todos os gostos. Eu também não sou muito fã de coletânea, exceto aquelas que monto. Mas eventualmente aparecem algumas que me surpreendem. Foi mais ou menos o caso deste disco que encontrei num saldão, por 5 reais! Uma coletânea montada para a antiga revista masculina, Status. Provavelmente selecionada pelo pessoal da redação da revista. Tive que levar, afinal a safra é ótima, 1977. E a seleção, o melhor do ‘cast’ da Continental, vejam só

uma vez um caso – edu lobo
o samba da minha terra – novos baianos
carolina – aquarius
haragana – almondegas
cabras pastando – sérgio sampaio
mulheres de atenas – ney matogrosso
pássaro ferido – paulo chaves
onde estão os tamborins – célia
além de arembepe – bendegó
fracasso – fagner
marcha de quarta feira de cinzas – os três morais
feito gente – walter franco
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Brazil – Musique Folklorique Du Monde (1970)

Bom dia, amigos cultos e ocultos. Segue aqui mais um disco francês com conteúdo musical brasileiro. Seguindo a mesma linha do ‘Découvrez Le Brésil’, este é um disco que procura fazer um apanhado de diferentes ritmos e festas tradicionais brasileiras, mas acabam mesmo ficando no samba, carnaval e capoeira, que é o que eles mais conhecem do Brasil. São registros feitos ‘in natura’, ou seja, diretamente na fonte, gravador a tiracolo e microfone na mão. Um registro curioso e parte de uma coleção que eu mesmo gostaria de ter. ‘Musique Folklorique du Monde’ traz uma série com 36 discos de diferentes países. Outra curiosidade vai por conta da gravadora/selo, a Musidisc, selo francês, mas igualzinho ao brasileiro. Daí, minha dúvida, quem é quem no Piauí? Ou melhor dizendo, que história é essa? Será que o Nilo Sérgio era mesmo o detentor do selo, da marca e logomarca Musidisc? Ou será que ele apenas a representava aqui no Brasil? Eu sempre achei meio que mal contada essa história do artista brasileiro, visionário, que após voltar dos Estados Unidos, resolveu criar a sua própria gravadora. Por sinal, uma super gravadora, com os mais modernos estúdios da época. Foi também a que produziu os álbuns mais luxuosos, com encartes exclusivos, com um ‘cast’ cheio de talentos e títulos nacionais e internacionais. No meu entendimento, creio que o Nilo Sérgio foi apenas detentor do direito de uso da marca aqui no Brasil, muito embora, eu nunca vi nenhum disco da Musidisc francesa mais antigo que os brasileiros. Daí é que eu pergunto: quem é quem no Piauí?
baião januaria
roza vermeilha
air de carnaval
o vapor da cachoeira
air de capoeira
air de carnaval
carnval a rio
instruments de carnaval
rico conhece pobre
viola minha viola
macumba
macumba
na varginha
air de carnaval sur bahia
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Zélia Barbosa – Brésil Sertão & Favela (1974)

Bom dia, meus prezados amigos cultos e ocultos. Tenho hoje para vocês um disco especial, um álbum raro, porém já apresentado em outros sites e blogs por aí. Mas vocês sabem, é aqui que eles aparecem realmente completos, com toda a qualidade e atenção. Estou falando, claro, deste belíssimo lp,”Brésil – Sertão & Favela”, disco produzindo na França, por Turíbio Santos, na segunda metade dos anos 60, com a cantora pernambucana Zélia Barbosa. Ela vem acompanhada pelos também brasileiros, a violonista Raquel Chaves, (artista de quem a gente pouco ou quase nada sabe) e Nelson Serra de Castro, baterista carioca que tocou no conjunto 3D, de Antonio Adolfo, com Elis Regina, Osmar Milito, Baden Powell e muitos outros. Ao que tudo indica, este, este foi o único lp gravado pela cantora. Foi lançado também em outros países da Europa e nos Estados Unidos saiu com o título “Songs of Protest”. Foi relançado posteriormente em vinil e também em cd. No Brasil, pelo que sei, nunca foi editado. A edição que apresento aqui é de 1974, um luxuoso álbum de capa tripla trazendo as letras de todas as músicas em português e traduzidas para o francês. Para complementar uma postagem tão especial, incluo a baixo um ótimo texto que eu havia extraído de uma ‘fan page’ da artista no facebook e que infelizmente já foi apagado e não traz o autor. Segue…
Zélia Barbosa atua no mundo artístico do Recife e do mundo; é atriz, cantou e encantou. No teatro, Zélia integrou no final da década de 50 e início dos anos 60, o elenco do TUCAP – Teatro da Universidade Católica de Pernambuco, onde se apresentou em vários espetáculos dirigidos por Clênio Wanderley, a exemplo de “A Farsa do Advogado Pathelin”, de Antoine de la Sale, além do elenco do TAP – Teatro de Amadores de Pernambuco, tendo participado do espetáculo “Bodas de Sangue”, de Federico García Lorca, dirigido por Bibi Ferreira. Como cantora, iniciou sua carreira no Coral Bach do Recife, então regido pelo maestro Geraldo Menucci, com o qual se apresentou em festivais mundo afora; Zélia destaca o “VII Festival Internacional da Juventude”, em Moscou, no ano de 1957 e o acompanhamento da trilha sonora dos espetáculos da Paixão de Cristo, ainda na Vila de Fazenda Nova, por trás dos cenários, também em 1957. Já como profissional, participou de Festivais de Música Brasileira, de Shows e de Espetáculos Musicais, a exemplo do “Cantochão”, dirigido por Benjamim Santos, onde cantou ao lado de Teca Calazans, acompanhados por Marcelo Melo, Paulo Guimarães, José Fernandes e Naná Vasconcelos; “O Samba, a Prontidão e Outras Bossas”, show em que Zélia apresentou ao Recife o ainda desconhecido sambista carioca Paulinho da Viola, acompanhados por Naná Vasconcelos e Paulo Guimarães; “Paroli Paroliado”, espetáculo escrito e dirigido por Benjamim Santos, especialmente para Zélia e Carlos Reis, quando foram acompanhados pelo violão de Geraldo Azevedo – recém chegado de Petrolina e que nesse espetáculo assinou, também, a Direção Musical -, pela Flauta de Generino Luna e pela bateria e percussão de Luciano Pimentel, e, finalmente, o “Recital Zélia Barbosa”, que estreou no Teatro Popular do Nordeste – TPN, em 04 de dezembro de 1968, espetáculo solo em que foi acompanhada por Sérgio Kyrillos, Marcelo Melo, Toinho Alves e Luciano Pimentel – estes três últimos que, em 1971, fizeram, juntamente com Fernando Filizola e Sando, a primeira formação do “fenômeno” Quinteto Violado. Isso entre os anos 65 e 70, época efervescente, de grande riqueza musical – quando se atravessou a ditadura, a Bossa Nova e o Tropicalismo (este último, movimento ao qual Zélia não aderiu, pois não combinava com seu estilo); participou, ainda, dos Grupos de Música de Protesto – mas, apesar das circunstâncias da época, eram todos muito românticos. “A música naquele momento não era só música. Era um movimento, era uma maneira de se fazer política, era protestadora, levantava a multidão e mexia com a Censura. Era a verdadeira Música Popular Brasileira”, comenta Zélia, empolgada ao lembrar daquele período. Em 2008, durante as comemorações dos 50 anos da Bossa Nova, Naná Vasconcelos, ele que é o hoje internacionalmente conhecido e respeitado percussionista, em entrevista ao Jornalista e Pesquisador José Telles, do Jornal do Commercio, dispara : “participei do Bossanorte, com Toinho Alves e Marcelo Melo. Fiz, também, vários shows com Teca Calazans e Zélia Barbosa, que era a nossa Elis Regina”. Nesse mesmo período, participou de programas locais de Televisão, a exemplo de “Hora do Coquetel”, apresentado por Alex; “Convocação Geral”, de José Pimentel e “Recife, Modéstia à Parte”, apresentado por Zezito Neves e pela atriz Heloísa Helena – isto sem contar com os inúmeros convites para participações em programas a nível nacional, como os de Hebe Camargo, que Zélia teve de recusar, “porque cantar não era a minha profissão – à época eu era funcionária da então Companhia de Eletricidade de Pernambuco – CELPE e nem sempre podia me afastar”, acrescenta Zélia. Em março de 1966, seguiu para a França, onde permaneceu até maio de 1967, quando cumpriu uma bolsa de estudo em Paris na área de canto, concedida pelo Comitê Católico Contra a Fome, coordenado por Jacqueline Fabre – hoje, grande amiga de Zélia. A Bolsa foi resultado de seu trabalho com Dom Helder Câmara, no MEB – Movimento de Educação de Base, época em que Zélia estava à disposição da Arquidiocese de Olinda e Recife; como consequência dessa Bolsa, gravou o compacto “Borandá”, editado pela UNIDISC, com músicas de Chico Buarque, Edu Lobo, Tuca Nascimento e Zé Kétti, todas traduzidas para o francês, acompanhada pelo violão de Raquel Chaves (falecida em 1996). Devido ao sucesso, foi convidada pela gravadora ‘Le Chant du Monde’, para abrir a Coleção ‘La Chanson Rebelde’, com a gravação do LP “Brèsil – Sertão & Favelas”, dirigido por Turíbio Santos, editado na França, Espanha, Alemanha, México, Estados Unidos, Japão, Itália e Argentina, recebendo o Selo Charles Cros, e que foi reeditado em CD, pela mesma ‘Le Chant du Monde’, no ano de 1995, 28 anos depois de gravado – e seu livreto para o CD, foi traduzido para o francês, inglês e português. Em 1967, já de volta ao Brasil, vence, como Melhor Intérprete e Melhor Música, a I Feira de Música do Nordeste, defendendo “Chegança de Fim de Tarde”, de Marcus Vinícius, com Geraldo Azevedo ao violão. Em 1972, participa, a convite de Marcus Pereira, da coleção “Música Popular do Nordeste”, série histórica de 4 LP’s, resultado de grande pesquisa do Escritor e Teatrólogo Hermilo Borba Filho sobre os ritmos nordestinos – o frevo, o coco, o samba de roda, o caboclinho, os pífanos, a ciranda – e que recebeu o Prêmio MIS – Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro; Zélia foi acompanhada pelo Quinteto Violado, ficando responsável pela parte de frevos, tendo interpretado Capiba, Luiz Bandeira, João Santiago e Nélson Ferreira – este último, com quem já havia trabalhado no Serviço Radiofônico de Educação, juntamente com os radialistas Jorge José e Nilson Lins, como rádio-apresentadores dos Programas Educativos do MEC – Ministério da Educação e Cultura. A Coleção “Música Popular do Nordeste”, também foi reeditada em CD, em 1995, pela Eldorado. Em 1973, participa, no Teatro TUCA, em São Paulo, do show de lançamento da Coleção Música Popular do Nordeste. Em 1974, participa, no Teatro de Santa Isabel, da gravação do LP “Frevo ao Vivo”, também produzido por Marcus Pereira e pelo Quinteto Violado, onde interpretou “Pinga Fogo”, de autoria de Fernando Filizola, acompanhada pela Orquestra de Frevos do Recife, regida pelo Maestro José Menezes. Em 1983, especialmente convidada por Geninha da Rosa Borges – então Diretora do Teatro de Santa Isabel -, retorna aos palcos e abre a temporada de Saraus, no Salão Nobre daquele Teatro, acompanhada pelo violonista Henrique Ánnes – uma noite onde Zélia reencontrou os amigos que acompanharam sua carreira. Na noite de 02 de outubro de 1984, participa, ao lado de Carlos Reis, Claudionor Germano e Expedito Baracho, acompanhados pelo Maestro Guedes Peixoto e sua Orquestra de Câmara da UFPE, de um grande Espetáculo com 2 atos, intitulado “Capiba, Seus Poemas e Seus Poetas”, dentro das comemorações dos 80 anos de Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba, também no Teatro de Santa Isabel, produzido pela Fundarpe e GrupoNove; do show, resultou a gravação de um LP, patrocinado pelo Bandepe e Governo de Pernambuco, e que foi oferecido como brinde de fim de ano aos clientes e funcionários daquele Banco, sendo lançado em 15 de dezembro de 1984, numa grande tarde/noite de autógrafos do mestre Capiba. Após 18 anos sem cantar e gravar profissionalmente, e dentro das comemorações dos 35 anos de lançamento de seu primeiro LP, seu filho, Pedro Francisco de Souza, produziu em parceria com a Celpe – patrocinadora exclusiva através do Sistema de Incentivo à Cultura do Estado de Pernambuco, na gestão do governador Jarbas Vasconcelos, o CD “Pra Se Viver Um Amor Maior”, onde Zélia regravou clássicos que marcaram sua carreira; ela contou com as participações especiais e amigas de Carlos Reis (atual diretor dos espetáculos da Paixão de Cristo da Nova Jerusalém), Claudionor Germano, Cussy de Almeida (falecido em 2010), Quinteto Violado, Fernando Rocha e Geraldo Azevedo – que fez questão de gravar a música que haviam defendido na final da I Feira de Música do Nordeste. Em 2009, em uma visita ao Brasil, o Crítico, DJ e Produtor Francês Rémy Kolpa Kopoul, em entrevista ao Jornal do Commercio, diz : “Entre momentos marcantes de minha primeira vinda ao Brasil, guardei encontros com a cantora Zélia Barbosa e Dom Helder Câmara e, de uma outra vinda, lembro-me de uma visita ao ex-presídio do Recife (atual Casa da Cultura), onde encontrei e conhecí o seu Diretor, Pedro de Souza, que me convidou à sua casa e eis que me encontro com sua mulher, falando francês, e que para minha surpresa era Zélia Barbosa – que a esta altura já havia estudado na França e gravado um compacto e um LP de músicas de sertão e de protesto que se tornou um grande sucesso internacional”. Hoje, Zélia está aposentada; realiza trabalhos voluntários com a Federação de Bandeirantes do Brasil – FBB; o Instituto Dom Helder Câmara – IDHEC e a entidade francesa Edelweiss Accueill. Curte a família ao lado do seu marido – o executivo, cerimonialista e ator, Pedro de Souza, com quem é casada desde 1970; é mãe de Pedro Francisco e Catarina, e avó de Pedro Victor, Pedro Arthur e Maria Júlia.
carcará
funeral do lavrador
canção da terra
sina de caboclo
chegança
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opinião
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pedro pedreiro
feio, nào é bonito
zelão
cicatriz
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