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Geraldo Flach – Alma (1981)

Olá amigos cultos e ocultos! Aqui estamos novamente, entre falhas e atrasos, porém sempre vivo. Hoje trago para vocês um disco muito bacana de um dos grandes nomes da música gaúcha. Pianista, maestro, arranjador e compositor, Geraldo Flach é considerado o maior nome da música instrumental no Sul do país. Dono de um estilo muito pessoal, mistura elementos do folclore e da música urbana com uma concepção altamente jazzística, repleta de brasilidade. Geraldo tem músicas gravadas por Elis Regina, Emilio Santiago, Taiguara e Borghettinho, entre outros, somando ao seu currículo trilhas para cinema, ballet e especiais para televisão. Atuou no Brasil e no exterior com o seu quarteto ou em parceria com outros artistas de renome nacional e internacional. Até onde eu sei, gravou uns cinco discos, sendo este, “Alma”, seu primeiro lp, lançado em 1981. Um trabalho realmente envolvente. Confiram no GTM.

choro da alma

reencontro

parceira

fantasma

momento

vilarejo

último adeus

piano baião

solitude

c e b (duas meninas)

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Jessé – O Sorriso Ao Pé Da Escada (1983)

Cantor dos melhores que nossa música popular já teve, Jessé volta a bater ponto aqui no Toque Musical. Desta vez, apresentamos “O sorriso ao pé da escada”, quarto álbum de carreira do cantor e primeiro dele gravado ao vivo, no Teatro Tuca de Guarulhos, Grande São Paulo, editado em 1983 pela RGE, com capa assinada por Elifas Andreato, também responsável pela criação e direção geral do espetáculo. Neste disco, Jessé está em sua melhor forma, apresentando sucessos de seu repertório (“Porto solidão”, “Voa liberdade”, “Solidão de amigos”) e de outros cantores, com direito até a uma homenagem a Elis Regina, ouvindo-se um pequeno trecho de “O bêbado e a equilibrista”, com ela mesma. Um trabalho primoroso, parte do precioso legado do inesquecível Jessé, tão prematuramente desaparecido, e merecedor de mais esta postagem do TM. 

a deusa da minha rua
moonlight serenade
concerto parta uma só voz
bridge over troubled water
let it be
rock around the clock
sabor a mi
dois pra lá dois pra cá
nos bailes da vida
campo minado
a noite do meu bem
meu mundo caiu
bandeira branca
romaria
onde está você
 


*Texto de Samuel Machado Filho

 

Grupo Acaru – Aqualouco (1981)

Um pouco da melhor música instrumental brasileira é oferecido hoje pelo Toque Musical a seus amigos cultos e ocultos. Trata-se do único LP do Grupo Acaru, intitulado “Aqualouco” e lançado em 1981, de forma independente, com distribuição da Fermata. O grupo era formado por Ruriá Duprat (teclados), Turquinho Alves (bateria), Marco Bosco (percussão) e José Pienasola (baixo elétrico). Este trabalho tem oito faixas, quase todas de Ruriá Duprat e uma de Marco Bosco, “Perdido no seringal”, que encerra o disco, com direito a improvisações sobre tema de Moacyr Santos. Entre os músicos convidados está o trombonista Bocato, sempre notável presença.  Maestro, compositor e tecladista, nascido em 1959, o carioca Ruriá Duprat vem de uma família de musicistas. É sobrinho inclusive do maestro Rogério Duprat e fundador da Banda Sonora Produções Artísticas. Estudou no Berklee College of Music ao ser contemplado com uma bolsa de estudos integral pelo renomado maestro e produtor norte-americano Quincy Jones. Já trabalhou com alguns dos maiores artistas nacionais e internacionais, e teve suas composições e arranjos executados por inúmeras orquestras no Brasil e no exterior. Fez ainda a trilha sonora de 18 filmes de longa metragem, 23 curtas e mais de mil fonogramas publicitários, além de vários trabalhos para CDs e DVDs. Enfim, uma credencial de peso para este disco do Grupo Acaru, mais uma raridade que o TM orgulha-se em oferecer.

aqualouco
morango platônico
sublime caroço
improvisações sobre tema de moacyr santos
havia láctea
alvorada em balda
temarisco
perdido no seringal



*Texto de Samuel Machado Filho 

Perfume Azul Do Sol – Nascimento (1974)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Hoje temos um disco que só viria a ser conhecido graças a internet e em especial aos blogs de compartilhamento musical. Por certo, muita coisa do mundo fonográfico só foi ressuscitado por conta desse resgate e talvez nos dias atuais sejam mais conhecidos do que em sua época. A banda Perfume Azul do Sol é um exemplo clássico do obscurantismo que agora vem a tona. Depois de bem divulgado nos blogs e sites de música nos últimos dez anos, ele finalmente recebeu uma segunda edição, também tímida, que creio eu, não chegou a 500 cópias. Segundo contam, “Nascimento”, embora bem produzido e lançado por uma grande gravadora, não passou de 120 cópias, as quais foram apenas distribuídas entre amigos. A banda também não durou muito, talvez somente o tempo de gravarem esse trabalho. O disco apresenta boas composições, passeando num misto de rock e mpb bem comum às bandas daquele período. Boas pitadas de guitarra para disfarçar um vocal que funcionaria melhor se fosse mpb. A banda ainda conta com a participação de Pedro Baldanza, do Som Nosso de Cada Dia e também Daniel Salinas, dando assistências musical nos metais e flauta. Taí, um disco que embora já bem rodado ainda faltava bater o ponto por aqui. Confira o cheiro no GTM. 😉

20.000 raios de sol
sopro
calça velha
deusa sombria
o abraço do baião
equilíbrio total
nascimento
pé de ingazeira
canto fundo
a ceia
 
 

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Conjunto Bossa Jeca – Samba Jeca (1963)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Somando nossas fileiras, eu hoje trago para vocês o “Samba Jeca”, um disco muito interessante, lançado no início da década de 60, bem no auge da Bossa Nova. A ideia, concebida pela produção da RCA Victor tinha como figura central o grande Chiquinho do Acordeon que recrutou um excelente grupo de instrumentistas, formando assim o Conjunto Bossa Jeca. Conforme informa o texto da contracapa, trata-se de um trabalho que buscava mesclar o samba a música sertaneja, uma espécie de fusão entre o samba e o calango, misturando ritmos, criando assim um disco com resultados surpreendentes. E não é para menos, afinal, quem está por trás de tudo isso é outro fera, o multi-instrumentista Zé Menezes, quem também tocou e cuidou dos arranjos. As músicas são de autoria de José Messias, sim, aquele mesmo que fazia parte do corpo de jurados do programa do Silvio Santos. Não deixem de conferir, no GTM! Só para associados e agora, mais que nunca, em tempo limitado.

samba jeca
já deu meia noite
vergonha de ficar
canção de sofrer
não diga a ninguém
saudade da saudade
madrugada e amor
dorme
vez de voar
maria do mau fim
sereno 
receita


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Feira Livre (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! O dia de hoje está bom para se fazer uma feira… Que tal então uma Feira Livre? Claro, estou falando do grupo vocal Feira Livre, formado ainda lá pelos idos dos anos 70. Um grupo acústico vocal que aqui comparece em seu segundo disco, um trabalho lançado em 1982. Pode parecer estranho eu não esclarecer melhor sobre esse conjunto e disco, mas na verdade, achei melhor deixar falar o texto da contra-capa. Tá tudo explicadinho. De cá, eu só posso garantir que se trata de um trabalho muito bacana e vale muito conhecer 😉

vida marvada
canção da seca
incertezas
deus é testemunha
nada
briga de faca
derramaro o gai
rio solitariio
entre os soluços da noite
retrato morto
o cearense
me sempre
 
 

Banco Da Lavoura – Compacto (1962)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Mantendo sempre a tradição de apresentar aqui coisas raras e curiosas, discos para se ouvir com outros olhos, hoje temos esse saudoso compacto do Banco da Lavoura. Certamente, muita gente ainda há de se lembrar, em especial os mineiros, pois o Banco da Lavoura foi criado em Minas Gerais, creio, ainda nos anos 40. Foi, sem dúvida uma das instituições financeiras mais importantes do Brasil. Nos anos 70 se transformou no Banco Real e hoje, ao que parece, pertence ao Santander. A relação do povo mineiro com este banco é muito forte, pois foi por um longo tempo o banco da família e porque não dizer, o banco da criançada. Digo isso porque foi o Banco da Lavoura quem criou a primeira agência infantil, ou seja, uma agencia bancária voltada para a poupança a partir da infância, isso no final dos anos 50. Para tanto, criaram campanhas publicitárias e até mesmo um setor dedicado a criançada, com direito a programas na televisão, suplementos literários, revistinhas, cofrinhos e este disquinho. Havia também na época, em Belo Horizonte, a TV Itacolomi, que ficava no Edifício Acaiaca e era lá que acontecia um programa infantil de muito sucesso, apresentado pela própria gerente do banco, a Dulce, ou como viria a ser conhecida, Tia Dulce, isso já no início dos anos 60. O presente disquinho, um compacto simples, foi lançado, acredito eu, por volta de 1961 ou 62 e traz duas músicas. A primeira e principal é a “Marchinha Banlavoura”, um jingles de autoria de Marina Aparecida Timponi, que era então funcionária recém contratada do banco. Contam que no segundo dia de trabalho ela fez a música, que logo se tornaria conhecida pelo Brasil. A outra faixa é “Na minha casa tem”, música de cunho folclórico-infantil, gravada anteriormente pelo Trio Irakitan nos anos 50. Taí um disquinho que vai fazer muita gente matar a saudade daqueles tempos que não voltam mais 🙂 Confiram no GTM.

na minha casa tem
marchinha do banlavoura


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Irwin Wiener – Ao Piano – Ray-O-Vac (1968)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez por aqui temos um disco promocional da tradicional pilha Ray-O-Vac. Já postamos aqui alguns outros desses discos com o maestro Tibor Reisner, húngaro naturalizado brasileiro. Agora temos Erwin Wiener, um nome também pouco conhecido entre nós. Segundo a contracapa, “pertenceu au um grupo de pianistas internacionais e criou fama na Europa pelo seu estilo inconfundível, melódico e rítmico. Atuou durante muitos anos nas mais importantes emissoras do velho mundo. Em 1946 radicou-se no Brasil, aqui trabalhando em muitas boates, estações de rádio e televisão. Gravou vários lps pela Odeon, RGE, Fermata e Imperial.”
“Melodias para ouvir e dançar” segue o padrão de outros discos do gênero, uma seleção de temas famosos. nacionais e internacionais. Pessoalmente, achei o disco bem interessante, com arranjos envolventes e um repertório variado, sendo na maioria, duas músicas para cada faixa. Disquinho curioso, que vale uma conferida 😉

colonel bogey
sarie marie
valsa do imperador
amen
dominique
retorna aos meus braços
unchained melody
sukyaki
sonho azul
bolinha de sabão
pandeiro triste
java
kissin cousin
ritmo da chuva
31 sabores
sweet september
roberta
o terceiro homem
ha cha cha
sinos de lisboa
benfica


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Chiquinho E Sua Orquestra De Danças (1959)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos mais um álbum na linha dançante, desses que eram lançados aos cachos nas décadas de 1950/60, sempre com vendagem garantida. Aqui, quem bate o ponto com sua orquestra de danças é o maestro Chiquinho (Francisco Duarte), também trompetista e compositor. Nasceu no Rio de Janeiro, no bairro da Gamboa, em 3 de dezembro de 1907, e era um dos maestros mais requisitados para os programas de auditório do rádio, pois sua risada, que era engraçadíssima, era utilizada pelos apresentadores como um recurso para contagiar o público presente. Sua simpatia, reconhecida por todos que conviveram com ele, lhe rendeu o slogan de “maestro da simpatia”, conferido pelo apresentador César de Alencar. Chiquinho também era conhecido como “maestro do lenço”, pois tinha mania de usar um lenço na mão enquanto regia, por suar muito nas mãos. O lenço, de dimensão maior que a usual, era colocado na lapela, fazendo dele uma figura de aparência original, fato que lhe deu grande notoriedade. Faleceu em seu Rio natal, em primeiro de novembro de 1983. Neste LP, lançado pela Polydor  em 1959, figuram, como sempre acontecia, sucessos da época, tais como “Ave Maria Lola”, “Ontem e hoje”, “Siete notas de amor” e “Apito no samba”. Tudo com a competência do maestro Chiquinho, em mais uma raridade que o TM nos oferece.

apito no samba
ontem e hoje
ave maria lola
viale d’autunno
padre don josé
trágica mentira
sambando em paris
why wait
vogliamoci tanto bene
calor do samba
siete notas de amor
gostosinho


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*Texto de Samuel Machado Filho

Eladir Porto E Oquestra Típica De Romeu Fossati – Tangos Sempre Tangos (1959)

Os amantes do tango certamente irão se deliciar com o álbum que o Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos. Lançado pela Mocambo em 1960, o disco reúne seis tangos cantados, em versão, interpretados pela cantora Eladir Porto, e outros seis instrumentais, na execução da Orquestra Típica de Romeu Fossati, que também acompanha Eladir em suas faixas. Nascida em Santos, litoral paulista, em 15 de outubro de 1917 (não há informações quanto a data e local de falecimento), Eladir Maria da Silva Porto iniciou sua carreira após vencer um concurso de beleza, estreando em 1936 na Rádio Cajuti, do Rio. Em disco, estreou na Victor, com duas músicas para o carnaval de 1942: a marchinha “Salomé” e o samba “Comprei uma baiana”. Essa era a base de seu repertório inicialmente, ou seja, sambas e marchinhas, e nessa época (era o Estado Novo de Getúlio Vargas) Eladir era presença constante em eventos no Palácio do Catete. Atuou em várias outras rádios até viajar para a Argentina, onde residiu alguns anos, o que acabaria por fazê-la mudar seu repertório, especializando-se em tangos. Voltou ao Brasil em 1950, e foi contratada pela Rádio Nacional. Neste disco, ela canta seis versões de tangos bastante conhecidos, já lançadas anteriormente em 78 rpm: “Silêncio”, “Cantando”, “Noite de Reis”, “Lencinho querido”, “Tarde chuvosa” e “Quero ver-te uma vez mais”, todas com o acompanhamento da Típica de Romeu Fossati. Esta, por sua vez, executa instrumentalmente “Una lágrima tuya”, “Sentimento gaúcho”, “Dora”, “Gricel”, “Caminito” e “El amañecer”. Em suma, um cardápio sob medida para quem gosta de tango, através do álbum que o TM nos oferece hoje. 

silencio 
una lagrima tuya
cantando
sentimento gaúcho
noite de reis
dora
lencinho querido
gricel
tarde chuvosa
camininto
quero ver-te uma vez mais
el amañecer



*Texto de Samuel Machado Filho

Kleber E Norma Suely – Compacto (1966)

Olá, amigos cultos e ocultos, bom dia! Temos para hoje um compacto, um disquinho promocional da cantora Norma Suely. Quando digo promocional é porque entendo que os discos compactos sempre tiveram essa função, promover um determinado artista antes do lançamento do lp. Por certo e por diversas razões muitos ficam só no compacto. Mas isso é uma outra história…
Norma Suely foi um nome consagrado, uma cantora lírica mineira que se destacou na música popular nos anos 50 e 60. Conforme texto em seu site, de 1951 a 67 reinou a cantora Norma Sueli. Desde a sua primeira aparição no programa “Pescando Estrelas”, da Radio Clube do Brasil. Contratada pela Rádio Nacional, viajou pelo Brasil em caravanas. Gravou vários discos, entre os quais, “A voz e o violão”, de Luiz Bonfá. Esteve ao lado de outros grandes astros do rádio. Nos anos 60 esteve também muito atuante. Gravou pela Odeon um disco cantando todas as músicas do Festival de San Remo 65. Arrendou a boate Samba Top, no posto 6, em Copacabana. Por lá se apresentavam grandes feras da mpb e ela também, ao lado do cantor Kleber com quem viria a gravar este compacto no qual se destaca “Juanita Banana”, um de seus maiores sucessos.

j’ai changé (por ti)
juanita banana


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Evita – Trilha Sonora Original Nacional (1983)

Hoje, o Toque Musical oferece a seus amigos cultos e ocultos o álbum com a trilha sonora do musical “Evita”, com o elenco brasileiro do espetáculo, lançado pela Som Livre em 1983. O musical foi escrito pelos britânicos Andrew Lloyd Weber (música) e Tim Rice (texto), e foi inspirado na vida e morte de Maria Eva Duarte de Perón, a Evita (1919-1952) e sua influência na história argentina a partir da ascensão ao poder de seu marido Juan Perón, como presidente do país. “Evita” surgiu em 1976, como álbum conceitual de ópera-rock, e seu sucesso levou a produções em Londres, em 1978, ganhando o Prêmio Lawrence de melhor musical, e na Broadway, um ano mais tarde. Foi, inclusive, o primeiro musical britânico a receber o Prêmio Tony de melhor. Em 1998, “Evita” foi adaptado para o cinema, tendo a cantora norte-americana Madonna no papel-título, e a canção “You must love me” faturou o Oscar da categoria. Em 12 de janeiro de 1983, no Teatro João Caetano do Rio, estreou a primeira produção brasileira de “Evita”, sob a direção de Maurício Sherman, tendo no papel-título a cantora Cláudya, Mauro Mendonça como Perón, Carlos Augusto Strazzer como Che, Sílvia Massari como amante de Perón e Hildon Prado como Magaldi (considerado pela história como amante de Evita). O musical fez sucesso, aliás foi o grande momento da carreira de Cláudya, a ponto de ela ser considerada a melhor intérprete do mito político argentino entre todas as versões internacionais do espetáculo. Em 1986, “Evita” foi apresentado no Palace, em São Paulo. E com o mesmo elenco que fez sucesso no Rio de Janeiro, e que gravou o presente álbum com sua trilha sonora. É uma grande produção, caprichada, sob a direção musical de Edson Frederico, em que Cláudya está de fato em sua melhor forma como Evita. E seguramente é mais um produto de nível que o TM hoje nos oferece, com a satisfação e o orgulho de sempre. É ouvir e conferir.

réquiem

esta noite

buenos aires

boa noite e obrigado

ponho o mundo aos teus pés

outra maleta outro portão

nova argentina

o último amor de peron

balcão da casa rosada

já estão aos teus pés

talismã

a valsa

lamento



*Texto de Samuel Machado Filho

Eduardo Marques (1973)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago um disco, que por certo, nunca vi postado em outros blogs (no tempo em que haviam blogs). Aliás, nunca vi este disco além da capa, conhecia talvez uma ou outra música. Certamente, ao pesquisarmos no Google as informações aparecem, mas posso dizer, sem dúvidas que este disco passou batido pela mídia recente. Permaneceu no obscurantismo dos nossos holofotes, esquecido entre outras pérolas da música popular brasileira. Observo que este lp, lançado pela Odeon, no ano de 73 segue um padrão de capa ao estilo de outros discos lançados pela gravadora naquela época, como os de Edu Lobo e do Francis Hime. São capas criadas pelo fotógrafo Cafi e pelo compositor Ronaldo Bastos, que naqueles tempos cuidavam das criações visuais da Odeon.
Não fosse a colaboração do meu amigo Fáres, este disco hoje não estaria aqui e talvez continuasse na penumbra, no esquecimento musical. Confesso que me apaixonei de cara logo na primeira faixa e a coisa seguiu de cabo a rabo. Onde eu estava que até então desconhecia essa preciosidade? Tardou, mas não faltou.
Mas afinal, quem é Eduardo Marques? Compositor, instrumentista e cantor carioca. Nasceu em Vila Isabel, zona norte do Rio, no berço do samba, vindo de uma família também musical. Seu avô foi violonista e seu pai cantor, chegando inclusive a gravar um disco com Jacob do Bandolim. Dentro desse ambiente, Eduardo Marques desde a adolescência já frequentava as rodas de samba e no início dos anos 70 começou uma parceria com Hermínio Bello de Carvalho. Suas composições começaram a ser gravadas por gente de peso como Elza Soares, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Simone e muitos outros. Apadrinhado por Cartola, Clementina, Carlos Cachaça e outros bambas, gravou este que foi o seu primeiro disco. Na verdade, antes, no mesmo ano de 73, saiu um compacto promocional com duas músicas, “Não esquente a cabeça” e “Jerusalém”.
Vou deixar aqui o relato do próprio artista sobre o lançamento deste belíssimo lp que encontrei em seu blog pessoal. Vale a pena a leitura:
Era o Tempo do “milagre brasileiro”, ano de 1973, na cidade do Rio de Janeiro. Eu mal completara vinte e um anos de idade. O local era o estúdio da gravadora Odeon, que ficava na sobreloja daquela galeria, ali próximo à Praça Paris, no finalzinho da Avenida Rio Branco, no Centro. Então, acontecia a gravação de…meu primeiro disco, um long-play, vulgo “bolachão”, de composições e interpretações minhas, produzido por meu parceiro Hermínio Bello de Carvalho, com arranjos musicais do Maestro Nelsinho do Trombone, e uma única faixa, dentre as doze, intitulada “Casa de Ferreiro”, arranjada por Luizinho Eça, do “Tamba Trio”. Essa faixa já estava gravada, quando recebemos a notícia de que fora vetada, com mais algumas outras, pelo serviço de censura vigente. Por orientação de Hermínio modifiquei letras e rimas, para que não se perdesse de todo o material de base já gravado, e até adotamos recursos, como simplesmente substituir um título original de uma determinada composição, por um outro bem babaca, que não tivesse qualquer sentido. Foi assim que um samba meu e de João de Aquino, originalmente intitulado “30 Moedas”, foi renomeado para “Fica, Amor” , gravado pelo João de Aquino e por Jorginho do Império. Então assim era feito e funcionava. Submetidas novamente à censura, as mesmas letras com títulos alterados eram, por fim, liberadas. As imagens de capa e contracapa do long-play foram das lentes precisas de Cafi e do compositor Ronaldo Bastos, além do traço delicado do pintor Luiz Canabrava, em uma imagem minha para o encarte do disco. O Hermínio preparara um esquemão para a divulgação do disco. Ele convidou para serem meus padrinhos artísticos: Cartola, Paulinho da Viola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus, e o General da Banda de Ipanema Albino Pinheiro. Houve a distribuição de convites, feita também com discos promocionais em formato de compacto simples, também de vinil, com duas músicas em parceria com Hermínio, extraídas do long-play, “Não Esquente A Cabeça” e “Jerusalém”, sendo uma em cada lado da “bolachinha”. A capa do compacto simples era de caricaturas impressas e assinadas pelo cartunista Lan, comigo ao colo de minha madrinha Clementina de Jesus, com meus outros padrinhos, como em um “batizado”, e na contracapa um texto de Hermínio. Os compactos foram endereçados à imprensa, à artistas, críticos, empresários, enfim. Os técnicos de gravação eram Toninho e Nivaldo, com a direção geral do Maestro Gaya. Uma produção vultosa, que me apavorou de tal forma, a ponto de eu me ausentar do “meio artístico”, em longa reclusão, tal me parecia a responsabilidade. O timaço de Músicos participantes nas gravações foi de primeiríssima grandeza: Regional do Canhoto, Maestro Orlando Silveira do acordeão, Chiquito Braga na guitarra elétrica, Hugo Belardi nos teclados, Dino 7 Cordas, Damázio no violão de 6, Luizão Maia no contrabaixo de pau, Luna na bateria, Pedro Sorongo nos efeitos, Erastro, irmão do percussionista Nana Vasconcellos, de berimbau e tambores, Luizinho Eça de piano, e nos vocais o Coral do Joab e d’As Gatas.

eu não digo nada
acostumado
não esquente a cabeça
meu chorinho
roseira
o que eu chorei de amor
toc toc
o solitário
deixa comigo
cumplicidade
casa de ferreiro
jerusalém



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Sergio Mendes – The Swinger From Rio (1966)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Sem delongas… Hoje temos um clássico que faltava, The Swinger From Rio, do Sérgio Mendes, álbum lançado nos EUA em 1966 pela Atlantic. Sem a menor dúvida, um dos melhores discos de Bossa Nova produzidos lá fora. E para não deixar por menos, tem ainda a participação do peixe grande, o genial Antonio Carlos Jobim. Falar mais sobre esse disco é chover na roseira, quer dizer, chover no molhado. Imperdível

maria moita
sambinha bossa nova
batida diferente
só danço samba
pau brazil
the girl from ipanema
useless panorama
the dreamer
primavera
consolação
favela


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Walter Wanderley Trio – Chegança (1966)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como vocês devem saber, um dos artistas mais queridos aqui no Toque Musical é o Walter Wanderley, figura a qual e por aqui já dispensa comentários, afinal já postamos aqui muitos discos dele. E desta vez eu trago o “Chegança”, álbum lançado originalmente nos EUA em 1966. No Brasil, creio, chegou no ano seguinte. A versão que eu tenha aqui é a original, de capa dupla e o selão que dá moral, da Verve. Neste disco Walter Wanderley vem na formação de trio, ao lado de Bobby Rosengarden e Sol Gubin, ambos na percussão. Um discaço, sem dúvida, tanto na interpretação quando na produção. Um repertório bem bossa nova, clássico, marcado pelo estilo inigualável desse grande organista. Não deixem de conferir no GTM…

chegança
amanhã
take care my heart
agua de beber
here’s that rainy day
o ganso
mar amar
você e eu
o menino desce o morro
dá-me
amor de nada
a man and a woman



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Antonio Carlos & Jocafi – Ossos Do Ofício (1975)

Muito bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Estamos começando mais um ano e como já disse anteriormente, ando prá lá de desanimado. Já tivemos momentos ruins, mas creio que agora estamos chegando no fundo do poço. Claro, me refiro a situação do Brasil, à merda que virou isso aqui. Estou literalmente enjoado com a mentalidade de boa parte desse povo burro brasileiro. Puta que pariu, elegeram um imbecil para Presidente da República! Que retrocesso! Que falta de visão! Creio, não, tenho certeza que vamos nos ferrar por conta dessa maldita escolha. O Brasil levou um golpe. O povo caiu no golpe e ainda ajudou ao carrasco a colocar a corda em seus pescoço. Agora, vamos comer o pão que o diabo amassou, vão vendo…
Isso tudo tem me incomodado muito e meu desgosto se reflete também aqui, nesse projeto de mais de uma década, o Toque Musical. Percebo que entre os amigos cultos, ocultos e agregados há muita gente que pisou na bola, seja por ingenuidade, seja por antipatia, seja mesmo por burrice e falta de senso. Sinceramente, não estou mais disposto a compartilhar com essa gente as coisas que aqui eu publico. Começo neste ano a fazer a faxina. Estarei banindo do GTM toda e qualquer pessoa que apoiou essa besta que assume o Governo. Estarei rastreando todos os perfis, qualquer indício de ‘bostonarismo’, eu deleto na hora. Agora, só atendo a pedidos de reposição de arquivos de quem tiver perfil no Facebook. Se não tiver, não precisa nem se dar ao trabalho de me mandar e-mails, ok? Se me obrigam a engolir esse governo idiota, serão aqui também tratados como idiotas. Quero distância dessa gente tosca. Coisas boas a gente deve compartilhar com quem é do bem. ‘Cidadão de bem’ não é ‘do bem’.
Mas, mudando de assunto, vamos ao principal… Começo o ano com este disco de Antonio Carlos & Jocafi, “Ossos do Ofício”, um lp lançado em 1975, quando ainda eles estavam no auge do sucesso. Na verdade, a dupla sempre fez muito sucesso, mesmo quando nos anos 80 a onda das bandas de rock tomaram a cena pop. Aliás, é bom dizer que foi a partir dos anos 80 que a verdadeira música brasileira de qualidade entrou em declínio. Por certo, muitos artistas sobreviveram e isoladamente um ou outro fez coisas bacanas, mas os tempos mudaram e numa visão generalizada, só pioramos… Felizmente, ainda podemos buscar no passado pérolas como esse disco. Um trabalho muito bacana, produção de primeira com artistas de primeira para ouvidos de primeira. Não deixem de conferir no GTM.

que me importa
ossos do ofício
indagorinha
pra uma mulher
trinta por cento
é de nicocó
perspectiva
contra-veneno
dou a mão a palmatória
baiada
armadilha
cada um sabe onde dói

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Carmen Miranda – A Pequena Notável (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Este ano de 2018 não foi fácil e ao que tudo indica, 2019 vai ser ainda pior. Infelizmente, boa parte do povo brasileiro está cego. Está sendo manipulado e vão, com certeza, fazer merda. Não vou entrar no mérito da coisa, mas acho que vivemos a era da imbecilidade. As redes sociais deram vozes aos idiotas. E até na política eles acham que entendem de alguma coisa. Até faz sentido, afinal essa gente elege seus pares e pelo andar da carruagem, vamos ser governado por idiotas. Estou dizendo isso porque toda essa situação é brochante, em todos os sentidos. Se eu já não estava achando tempo e gosto para dar sequencia nas postagens do Toque Musical, agora então é que perdi mesmo o tesão. Por essas e por outras é que estou com novos planos para o TM em 2019. Vamos mais uma vez mudar a nossa tática. O Toque Musical vai mudar (bad music for bad people).
Para fechar o ano, deixo aqui este lp de Carmen Miranda, lançado pelo Museu da Imagem e do Som, no final dos anos 60. Uma seleção definitiva, com doze gravações clássicas da cantora. Por certo, todas as essa músicas já foram apresentadas aqui através de outros discos postados, inclusive na série Grand Record Brazil, exclusiva do blog Toque Musical. Mas Carmen Miranda sempre vale repetir. Sempre é bom de ouvir. Confiram no GTM.

cachorro vira-lata
camisa listrada
eu dei…
quem é
deixa falar
na baixa do sapateiro
me dá, me dá
como ‘vais’ você
e o mundo não se acabou
na bahia
disseram que voltei americanizada
no tabuleiro da baiana

 

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Acordel (1980)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Seguimos aqui em nossas postagens trazendo hoje o grupo Acordel, que tinha como idealizador o músico e compositor Hilton Acioli, figura cuja carreira começa ainda nos anos 50, quando fazia parte do Trio Marayá. Hilton foi parceiro de Geraldo Vandré em várias canções, sendo as mais conhecidas, “Ventania”, “O plantador”, “João e Maria” e “Guerrilhia”. Fez arranjos para disco de Diana Pequeno e teve suas músicas gravadas por diversos artistas nacionais. Uma curiosidade, Alcioli foi o autor do famoso jingles “Lula lá”. O grupo Acordel foi mais um de seus projetos, um conjunto vocal e instrumental, que infelizmente só gravou este disco.Um belo trabalho, por sinal, sendo a faixa de abertura “Chama” uma música que fez parte de trilhas e chegou a ser executada nas rádios. Confiram mais essa joinha no GTM, ok?

chama
brasileira
estrada de ferro madeira-marmoré
ladrão de terra
amanhecerá
em nome do pai e do filho
trabalhadores do metrô
cria corvos
gado bom quem tem sou eu
clarão
era uma vez


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Força – Coletânea (1976)

Olá, amigos cultos e ocultos! Temos aqui um disco de coletânea criado pela CID, em 1976. Selecionando aqui alguns de seus mais importantes artistas. Música extraída de discos de Nana Caymmi, Emílio Santiago, Jaime & Nair, Astor Piazzolla, Buenos Aires 8 e o Quinteto de Vitor Assis Brasil. Como se vê, uma coletânea que contempla artistas nacionais e argentinos, com músicas extraídas de seus discos lançado por essa gravadora/selo. Não deixem de conferir 😉

só louco – nana caymmi
porque somos iguais – emílio santiago
olhos para são paulo – jaime e nair
seção das dez – emílio santiago
la cumparsita – astor piazzolla
adios nonino – buenos aires 8
ponta de areia – nana caymmi
não valia tanto – jaime e nair
verano portenho – buenos aires 8
waving – quinteto de vitor assis brasil

Erasmo Carlos – Promocional (1982)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Nosso encontro hoje é com o Tremendão, o grande Erasmo Carlos. Olha só… Em 1982, Erasmo estava lançando o álbum “Amar pra viver ou morrer de amor”, um disco que viria a ser um dos mais importantes em sua discografia. Para tanto, a Polygram criou este disco promocional aqui. Feito para o radialista promover o então recente lp do artista. Um lp bem curioso, pois traz um roteiro de entrevista no qual, ao tocar o disco, Erasmo responde, espaçado, as perguntas feitas em off. Basta então o radialista dar aquela personalizada, fazendo por cima as mesmas perguntas. Grande sacada! Todos saem satisfeitos e o disco vende muito bem, obrigado. Taí, façam os seus programas 😉

entrevista com erasmo carlos
mesmo que seja eu
meu boomerangue não quer mais voltar



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Gran Orquesta De Estudio – Latin American Folk Songs (1966)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa jornada fonomusical, temos para hoje um disco muito interessante, que nunca foi postado em outros blogs. Temos aqui o maestro Peruzzi, a frente de mais um projeto, a Gran Orquesta de Estúdio. Certamente e até pelo título, “Latin American Folk Songs”, este disco foi gravado com pretensões internacionais. Acredito que tenha sido lançado também fora do Brasil, em 1966 pela Odeon, através do selo internacional London. Como podemos ver pela capa, trata-se de um disco que reúne canções tradicionais de diferentes regiões da América Latina. Um repertório clássico para quem conhece a música latino-americana. Não deixem de conferir no GTM 😉

alma llanera
asa branca
la paloma
de mim esperanza
lamento borincano
pajaro amarillo
de papo pro á
la flor de la canela
el copihue rojo
galopera
peguei um ita no norte
la colondrina
 

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Canto Livre (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o TM traz a vocês mais uma raridade: o primeiro LP do grupo gaúcho Canto Livre, gravado nos estúdios da ISAEC e lançado em outubro de 1982, de forma independente (aliás houve muitos lançamentos independentes nessa época), com produção e mixagem de Ricardo Garay e Calique Ludwig, também responsável pelo arranjo de vozes na faixa “Eta negro”. O grupo era formado pelos irmãos Jair e Jairo Kobe, Fernando Cardoso, Míriam Kelm, Elaine Marques e as irmãs Selma e Vânia Martins. Um excelente septeto, como poderemos confirmar ouvindo as nove faixas deste trabalho, considerado síntese da melhor música nativista gaúcha da nova geração de então. E todas elas com a parceria de Sérgio Napp  (1939-2015), também compositor e escritor. Foi com uma das faixas deste trabalho, “Desgarrados”, feita junto com Mário Barbará, que ele venceu a décima-primeira edição da Califórnia da Canção Nativa, evento que acontece desde 1971 e considerado patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. A faixa de encerramento, “Juventude”, é também muito apreciada até hoje. O grupo ainda faria mais um LP em 1984, “Comunicação”, e voltaria à cena em 2014, com novos integrantes em sua formação. Ainda hoje continuam na ativa, fazendo shows nos quais apresentam músicas típicas gaúchas, faixas marcantes da MPB e destaques internacionais. Enfim, este primeiro álbum do Canto Livre é um documento histórico, mais um trabalho raro e de qualidade que o TM oferece a vocês, com o orgulho e a satisfação de sempre. 

recuerdos
e quando isso acontece
eta negro
dia de graça
desgarrados
entre na roda
janeiro
gente boa
juventude



*Texto de Samuel Machado Filho

Jair Rodrigues – Jair De Todos Os Sambas N.2 (1969)

Um dos mais importantes nomes de nossa música popular, Jair Rodrigues (Igarapava, SP, 6/2/1939-Cotia, SP, 8/5/2014) bate ponto novamente hoje aqui no Toque Musical. O álbum em questão é “Jair de todos os sambas número 2”, lançado pela Philips em 1969 (o primeiro é do mesmo ano). Sob a direção de produção de Manoel Barembein, com arranjos e regências de José Briamonte e texto de apresentação de Armando Pittigiliani, então diretor artístico da Philips, Jair apresenta sambas clássicos de todos os tempos, no formato de pot-pourri, numa seleção que inclui “Carinhoso”, “Da cor do pecado”, “A mesma rosa amarela”, “Não tenho lágrimas” e outras belezas da MPB. Falar das qualidades do intérprete e do repertório é totalmente desnecessário, pois Jair Rodrigues sempre foi um cantor muito prestigiado por aqueles que gostam de samba e de MPB. Enfim, é mais um álbum de qualidade que o TM oferece a seus amigos cultos e ocultos, com a satisfação de sempre. O que dizer mais?

camisa listrada
estatuto da gafieira
piston na gafieira
arrasta sandália
morena boca de ouro
cai cai
da cor do pecado
carinhoso
por causa dessa cabocla
rosa maria
quem é que não chora
samba
viva meu samba
é com esse que eu vou
o teu cabelo não nega
linda morena
aurora
sei que é covardia
não me diga adeus
implorar
helena helena
abre a janela
era de madrugada
a mesma rosa amarela
rosa de ouro
o amor e a rosa
rosa morena
das rosas
o amor e a rosa
está chegando a hora
até amanhã
já vai
 



*Texto de Samuel Machado Filho 

Dominguinhos – Após Tá Certo (1979)

Olá, amiguinhos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença em nosso Toque Musical, temos o grande Dominguinhos, sanfoneiro arretado que infelizmente nos deixou em 2013. Gravou dezenas de discos e participou de outros tantos ao longo de sua carreira. Sem dúvida, um artista genial que estará sempre em nossa memória e na história da música popular brasileira.
” Após, tá certo” é um disco lançado no final dos anos 70. Um trabalho totalmente autoral, sendo algumas faixas em parcerias. Um disco de forró, de cabo a rabo. Imperdível!

de altamira a campina grande
chega morena
chorinho pro mudinho
no forró da dona zefa
após tá certo
penitente
pode morrer nessa janela
forrozinho aperreado
lamento sertanejo
homenagem a jackson do pandeiro
beijo de brejo
a costureira
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Maria Bethania – As Canções Que Você Fez Pra Mim (1993)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Até agora há pouco estava eu ouvindo este disco da Maria Bethânia. Um álbum o qual eu nunca tinha parado para ouvir por inteiro e com atenção. Fiquei de queixo caído com a interpretação dela, cantando canções de Roberto e Erasmo Carlos. Aliás, num todo, o disco é excelente. São apenas 11 canções, mas que chegam na medida certa. Repertório perfeito e interpretações impecáveis. Merece o toque, merece a nossa atenção. Confiram no GTM.

as canções que você fez pra mim
olha
fera ferida
você não sabe
palavras
costumes
detalhes
eu preciso de você
seu corpo
você
emoções



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Beto Mi (1983)

Compositor, cantor, arranjador, regente, produtor e diretor musical. Este é o perfil de Beto Mi, nome artístico de Humberto Miranda Neto, paulista de Guaratinguetá, nascido em 4 de julho de 1958. Filho de funcionários públicos, que também tocavam acordeom e piano, é primo dos músicos Sérgio, Geraldo e Marcelo, e das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Ainda menino, o nosso Beto dedilhava intuitivamente o acordeom de seus pais, repetindo sons ouvidos na casa de um vizinho que tocava sanfona. Na adolescência, participou de corais, bandas marciais e grupos musicais que, entre outras coisas, tocavam em missas jovens na região. Nos anos 1970, mudou-se para a capital paulista, e cursou alguns períodos da Faculdade de Música e Educação Artística do Instituto Musical de São Paulo. Frequentou bares de estudantes e a noite paulista, e atuou como diretor musical do Teatro Experimental Universitário (TEU). Em seguida, começou a participar de festivais de música, tendo sido premiado em vários deles como compositor e intérprete. Em 1982, venceu o festival de Ubá (MG) com a música “Ói u trem”, e a convite de diretores da RCA presentes ao evento, gravou um compacto simples distribuído somente no estado de Minas. Um ano depois, novo single, agora com distribuição nacional, e em seguida vem o primeiro LP, justamente o disco que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, produzido por Durval Ferreira e dedicado ao irmão de Beto Mi, Lucas. O disco tem as participações especiais do saxofonista Hector Costita, de Ubirajara (bandoneon) e do percussionista Mílton Banana, recebeu elogios da crítica e vendeu mais de cem mil cópias. Ainda em 1983, participou do III Festival do Disco Visão, em Canela (RS). Residiu durante algum tempo no Nordeste, época em que lançou os discos “Espelhos” e “Um tempo pra sonhar”. Ao todo, tem sete álbuns gravados, entre LPs e CDs, e um DVD, em seus mais de 35 anos de carreira artística, nos quais armazenou diversas vitórias e conquistou vários amigos e parceiros (Sá & Guarabyra, Vanusa, Ronnie Von, Ivan Lins, Flávio Venturini etc.), com seu trabalho e sua simplicidade. Além de cantar e compor, Beto Mi criou e desenvolveu o projeto educativo, cultural, musical e ambientalista “Planeta caipira”, em parceria com a Fundação Abrinq e a ONG SOS Mata Atlântica, o que resultou em um CD lançado em 2003. Desde 1997, atua ainda como professor, arranjador, maestro e regente dos corais do Instituto Salesiano Nossa Senhora do Carmo e Albert Einstein/Objetivo, em sua Guaratinguetá natal.  Enfim, este primeiro álbum de Beto Mi, que o TM oferece a vocês hoje, documenta o promissor início de carreira deste notável músico da MPB. É ouvir e conferir. 

anjo da guada
oi u tem
o ano que virá
companheiro
o poeta (vandré)
apocalipse
prá não dizer que não falei de verso
o canto do curupira
luzes do extermínio
coração do mundo

* Texto de Samuel Machado Filho

Coisas Nossa (1980)


O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos o primeiro LP do conjunto carioca Coisas Nossas, lançado em 1980 de forma independente. Formado por Aluísio “Luíta” Didier e seu irmão Carlos, o Caola (ambos violonistas), mais Dazinho (flauta e sax), Henrique Cazes (cavaquinho), Zé Pité (piano) e Oscar Bolão (pandeiro), todos também vocalistas, o grupo apresentou-se pela primeira vez em 1975, com o espetáculo “Noel Rosa”, dedicado à obra do imortal compositor, no auditório da PUC-Rio e em algumas escolas públicas (o nome do conjunto, aliás, foi tirado de um samba de Noel). No ano seguinte, montaram o espetáculo “Novos músicos tocam velhos mestres”, com músicas de Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso, inaugurando o Museu de Arte de Campo Grande, zona norte do Rio. A partir de 1977, o grupo incorporou esquetes teatrais aos seus espetáculos, mesclando músicas cariocas dos anos 1920/30 com composições próprias e brincadeiras cênicas. Finalmente, em 1980, veio este primeiro álbum, que o TM nos apresenta hoje (depois vieram mais três). A maior parte das músicas é dos integrantes do grupo, e temos ainda duas composições de Noel Rosa: a já citada “Coisas nossas” e “Disse-me-disse”, até então inédita em disco e aqui em sua primeira gravação. Em suma, um trabalho interessante e digno da postagem de nosso Toque Musical.

deixa de ser burro
texas, etc, documentos s/a
santa luzia
barremoto
lundu
bandeira
o que é isso companheiro?
coisas nossas
disse me disse
índios
berços do samba
praia de angra III

*Texto de Samuel Machado Filho

Chico Anísio – Roberval Taylor (1976)

Olá, amiguíssimos cultos e ocultos. Nosso encontro hoje é com o humor, com o grande radialista Roberval Tayyyylor!, personagem inesquecível do genial Chico Anísio. Roberval Taylor é uma divertida caricatura do radialista ‘das antigas’. Fazia parte do quadro no programa de grande sucesso da televisão, Chico City, que foi ao ar de 73 a 80. Neste lp temos um autêntico programa de rádio e por ser assim, a gravação é apresentada de forma linear e única. Muito divertido, vale a pena ouvir de novo. 🙂

tango
ya no quiero
tristeza mora comigo
all by myself
saudade jovem
ah! ah! ah!
cobra criada

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Bocato E Banda Bloco – Lixo Atômico (1985)

Um dos maiores trombonistas brasileiros, reconhecido internacionalmente,  Itacyr Bocato Júnior, ou simplesmente Bocato, bate ponto hoje no Toque Musical. Paulista de São Bernardo do Campo, nascido em 30 de novembro de 1960, começou a tocar em bandas escolares e estudou composição e regência na Universidade Estadual de São Paulo (UNESP). Destacou-se à frente da Banda Metalurgia, e atuou ao lado de alguns dos maiores nomes de nossa música popular, tais como Elis Regina, Seu Jorge, Rita Lee, Ney Matogrosso, Carlinhos Brown, Leny Andrade, João Donato e Itamar Assumpção, além de ter participado da Banda Domingão, do programa “Domingão do Faustão”, da Rede Globo. Ao longo de sua produção discográfica, Bocato já compôs e interpretou músicas que vão do funk-jazz ao samba tradicional, o que comprova sua versatilidade. O TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos “Lixo atômico”, álbum que gravou com a Banda Bloco, lançado em 1985 pelo selo independente Baratos Afins. São seis faixas, sendo a que dá título ao disco apresentada em versões vocal e instrumental. Em suma, um banho de competência musical, é o que este álbum oferece. Imperdível!

lixo atômico
estados bonitos do brasil
epaminondas
big ben
130 milhas
lixo atômico (instrumental)



*Texto de Samuel Machado Filho