Lauro Miranda E Seu Conjunto (1959)

O Toque Musical põe hoje em foco mais um músico brasileiro de renome, cujo centenário de nascimento comemoramos neste 2017: o pianista Lauro Miranda. Irmão do também músico Geraldo Miranda, ele veio ao mundo no dia 16 de junho de 1917, na cidade de Vitória, capital do Espírito Santo, com o nome completo de Lauro Osório Miranda. Autodidata, começou a aprender piano aos dez anos de idade. Sua carreira artística tem início aos 18 anos, como pianista profissional da orquestra do Automóvel Clube de Campos, litoral do estado do Rio de Janeiro. Em 1934, venceu o concurso de músicas carnavalescas de Campos com a música “Tá bom, deixa”. Em 1937, acompanhou as irmãs Cármen e Aurora Miranda em show no Teatro Trianon, ocasião em que também foi chefe da Orquestra do Cassino de Campos, onde conheceu o bandolinista uruguaio Miranda. Chegou a estudar na Faculdade de Agronomia, ainda em Campos, mas aos 21 anos largou tudo para dedicar-se apenas à música. É nessa ocasião que se transfere para o Rio de Janeiro, onde, em 1939, acompanhou o trio Gentile-Damian-Miranda em uma temporada no Cassino Atlântico, em Copacabana. Trabalhou ainda no restaurante Lido, também em Copacabana, na Rádio Tupi com o Trio Lalo Marenales e na orquestra do maestro Otaviano Romero Monteiro, o Fon-Fon. Em 1941, fez temporada de seis meses em Buenos Aires, como pianista da Orquestra Amazônia, inaugurando o programa “A hora do Brasil”, na Rádio El Mundo. No ano seguinte, atuou nas orquestras de Napoleão Tavares (Rádio Ipanema) e Guilherme Pereira. Em 1943, participa das orquestras dos maestros Pompeu Nepomuceno e Claude Austin, assumindo a chefia desta última até 1946. Em 1947, nova turnê internacional, agora com a orquestra de Fon-Fon, e percorrendo várias cidades da Europa: Paris, Milão, Barcelona, Madri, Roma, Nápoles e Knock, esta na Bélgica, passando ainda por Bagdá e Beirute, no Oriente Médio. E é em Beirute que fixa residência, entre 1947 e 1956, atuando como pianista da Orquestra Copacabana, que trabalhava na boate Le Grillon. De volta ao Brasil, atuou como pianista na boate Sacha’s, do Rio de Janeiro, e, mais tarde, ingressa no conjunto Sete de Ouros, do maestro Cipó, onde permanece até 1962, ano em que assume a direção artística do Hotel Nacional de Brasília. Nesse mesmo ano, faz nova turnê pela Europa, a convite do cantor Ernâni Filho, com ele percorrendo países como Portugal, França, Itália, Suíça, Alemanha e Inglaterra. De volta ao Brasil, ambos fazem temporada de três meses na boate Oasis, de São Paulo. Entre 1966 e 1974, foi pianista da extinta TV Tupi do Rio de Janeiro. Trabalhou ainda nos restaurantes Vice-Rei  (de 1985 a 1994) e Palhota (1995), transferindo-se depois para o Piano Bar St. Moritz, da Casa da Suíça, onde permanece até 2000, encerrando sua carreira. Como compositor, Lauro Miranda tem mais de 150 músicas gravadas, e foi um dos sócios-fundadores da Sbacem. Acompanhou ao piano, em toda a sua trajetória artística, vários nomes de prestígio na MPB, como Francisco Alves, Orlando Silva, Helena de Lima, Carlos Galhardo, Lana Bittencourt, Agnaldo Rayol, Lucienne Franco, Ellen de Lima, Carlos José, Aracy de Almeida… Com este respeitável currículo, Lauro Miranda bem merece a postagem de hoje do TM, oferecendo a seus amigos cultos, ocultos e associados o único LP que gravou com seu próprio conjunto, lançado em 1959 pela Drink Discos, gravadora que pertencia a outro músico de renome, o organista Djalma Ferreira, então dono da boate carioca de mesmo nome. E com direito até a uma capa dupla, verdadeira ousadia gráfica para a época, como de praxe nos lançamentos da Drink, e a um entusiasmado texto de contracapa de Carlos Machado, o então “rei da noite carioca”, descrevendo minuciosamente a trajetória de Lauro Miranda até então. No repertório, mesclam-se sucessos nacionais e internacionais da ocasião (“Poinciana”, “Fracassos de amor”, “Manhattan”, “O apito no samba”, “Foi o teu olhar”, “All the things you are”, “The ruby and the pearl”) e trabalhos autorais do próprio Lauro (“Cipolândia”, em parceria com o maestro Cipó, “Saudade”, “Recanto de rua” e “Será?’), dentro do padrão que caracterizava os álbuns dançantes da época. Enfim, uma homenagem a altura do TM aos cem anos de nascimento de Lauro Miranda! Em tempo: será que ele ainda vive? Em todo caso, se alguém souber do Lauro, favor enviar email para toquelinkmusical@gmail.com. Eu e o Augusto, desde já, agradecemos…

my funny valetine – where or when – more than you know
manhattan – all the things you are – saturday night
foi o teu olhar – sax cantabile
o apito no saba
cipolandia
the ruby and the pearl – poiciana
saudade – recanto da rua
será – fracassos de amor

*Texto de Samuel Machado Filho

Os Populares (1969)

A alegria do reencontro. É o que o TM proporciona hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, ao fazer o “repost” de um dos álbuns do conjunto Os Populares.  O grupo vocal-instrumental foi formado em 1967, ainda no auge da Jovem Guarda, tendo como líder e guitarrista-solo o excelente Júlio César, dissidente de outro conjunto famoso na época, The Pop’s. A ele juntaram-se Paulo Sérgio (guitarra rítmica), vindo do conjunto Os Aranhas, João Carlos (baixo elétrico), ex-Os Bárbaros, Pedrinho (bateria), vindo dos Youngsters, e Carlinhos (teclados). Em princípio, o grupo tinha um estilo basicamente instrumental, com solos de guitarra e órgão, bem na linha “conjunto de beira de piscina e bailes”. A estreia em disco deu-se através de um compacto com músicas de Natal, hoje muito raro. Os Populares apresentaram-se em diversos programas de rádio e TV divulgando seus trabalhos, entre eles o “Rio Jovem Guarda”, “Festa do Bolinha” (ambos da TV Rio), “Tevefone” (Globo), “AP show”, de Aérton Perlingeiro (Tupi) e “Euclides Duarte” (TV Continental). Com apuradíssima qualidade técnica, os álbuns dos Populares obtiveram excelente vendagem. Os quatro primeiros LPs do grupo saíram pela RCA, hoje Sony Music, compostos não apenas de releituras de hits da ocasião, como também apresentando  músicas de autoria do próprio guitarrista-líder, Júlio César, por sinal um dos melhores do Brasil. Em 1971, eles passaram a gravar na Polydor/Philips, hoje Universal Music, só que com execuções em que predominavam os vocais. O grupo se desfez em 1978. Pois hoje o TM traz de volta o quarto álbum dos Populares, e o último que fizeram para a RCA, lançado em 1969. E num clima bem de festa mesmo, a partir da primeira faixa, “Aniversário de casamento”, de Ivanovici (erroneamente creditada a Lourival Faissal, que na verdade fez a versão em português que Carlos Galhardo gravou em 1950). Outro destaque fica por conta da “Canção da criança”, um dos derradeiros sucessos de Francisco Alves, lançado pouco depois de sua morte em desastre rodoviário, em 1952. A estas, juntam-se músicas de cunho tradicional (“Lenda do beijo”, “Ai, mouraria”), hits da ocasião (“Não há dinheiro que pague”, de Roberto Carlos, “Obladi oblada”, dos Beatles,” Ferry ‘cross the Mersey”, de Gerry and The Pacemakers, “Toi toi toi”), e um medley com as belas marchas-rancho “Estrela do mar” e “Pastorinhas”, além de dois trabalhos autorais  do próprio Júlio César, “Mara” e “Balançando”.  Tudo naquele ritmo jovem e vibrante que caracterizava essa época, com o Júlio César dando aquele “banho” característico nos solos de guitarra. Enfim, é com muita alegria que trazemos de volta o quarto LP dos Populares, e com uma resenha bem mais coerente com seu conteúdo, pois da primeira vez repetiu-se a do primeiro álbum, o da “pipoca”, de 1967. Agora está tudo certo, felizmente…

aniversário de casamento
toi toi
canção da criança
não há dinheiro que pague
estrela do mar
obla di obla dá
atravessando o rio mersey
lenda do beijo
ai mouraria
mara
balançando

*Texto de Samuel Machado Filho

Sylvia Telles – Bossa Balanço Balada (1963)

Sylvia Telles (para os íntimos, Sylvinha) foi, sem sombra de duvida, uma das melhores intérpretes da  chamada “moderna música brasileira” das décadas de 1950/60. Ela veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro, então capital da República, em 27 de agosto de 1934, filha de Paulo Telles, carioca amante da música clássica, e Maria Amélia D’Atri, francesa radicada no Brasil. Era irmã do também cantor e compositor Mário Telles, nascido oito anos antes dela. Sylvinha estudou no Colégio Sagrado Coração de Maria e sonhava em se tornar bailarina. Porém, ao fazer um curso de teatro, descobriu que tinha talento, de fato, para cantar. Dom esse que foi notado, em 1954, pelo compositor Billy Blanco, amigo da família, que apresentou a jovem Sylvinha a amigos músicos. Nas reuniões que eles faziam, ela teve a grata satisfação de conhecer os grandes nomes do rádio na época, entre os quais estava o grande violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), que a ajudou a encontrar trabalho em boates para o início de sua carreira profissional. Na ocasião, Sylvinha conhece seu primeiro namorado, nada mais menos que João Gilberto, amigo de seu irmão Mário Telles. Tal relacionamento, porém, acabou porque os Telles não gostavam do futuro papa da bossa nova, então vivendo de favor na casa dos outros.  Em 1955, a convite do humorista Colé Santana (tio do “trapalhão” Dedé), Sylvia Telles participa do musical “Gente bem e champanhota”, apresentado no Teatro Follies de Copacabana, interpretando o samba-canção “Amendoim torradinho”, de Henrique Beltrão, acompanhada ao violão por José Cândido de Mello Matos, o Candinho. A música seria o lado A de seu disco de estreia, um 78 rpm lançado pela Odeon em  agosto de 55, tendo no verso outro samba-canção, “Desejo”, de Garoto (falecido três meses antes), José Vasconcelos e Luiz Cláudio. “Amendoim torradinho” foi enorme sucesso, e deu à nossa Sylvinha o prêmio de cantora-revelação de 1955, outorgado pelo jornal ‘O Globo”.  Em 1956, Sylvinha e Candinho se casam, passando a apresentar juntos, na TV Rio, o programa “Música e romance”, no qual recebiam ilustres convidados, tais como Dolores Duran, Tom Jobim, Johnny Alf e Billy Blanco. Desse matrimônio, de curta duração, resultou a filha Cláudia, mais tarde também cantora, nascida em 1957, ano em que Sylvinha lança seu primeiro LP, o dez polegadas “Carícia”. Integrou-se à bossa nova, prestes a irromper, frequentando as reuniões de músicos que aconteciam no apartamento de Nara Leão (na época com apenas 15 anos de idade), em Copacabana. É nessa ocasião que Sylvinha participa de um espetáculo no Grupo Universitário Hebraico, juntamente com Carlos Lyra, Roberto Menescal e outros. Foi nesse show, “Carlos Lyra, Sylvia Telles e os seus bossa nova”, que foi divulgada pela primeira vez a expressão que deu nome ao movimento considerado divisor de águas da MPB. O currículo de Sylvinha incluiu também apresentações em países como EUA, França, Suíça e Alemanha. Entre as músicas que ela imortalizou em sua voz, destacam-se “Foi a noite’, “Por causa de você”, “Luar e batucada”. “Suas mãos”, “Cala, meu amor”, “Fotografia”, “Dindi”, “Eu preciso de você”, “Eu sei que vou te amar”, “Esquecendo você”, “Demais”, “Se é tarde me perdoa”,  “Só em teus braços” e muitas mais. Uma gloriosa carreira que, infelizmente, terminou de forma trágica e prematura, a 19 de dezembro de 1966, quando Sylvinha, então com apenas 32 anos de idade, faleceu em um desastre automobilístico na Rodovia Amaral Peixoto, em Maricá, litoral fluminense. Ela estava em companhia de seu então namorado Horacinho de Carvalho, filho da socialite Lily de Carvalho, também falecido no acidente (ele dormiu no volante), e ambos se dirigiam à fazenda dele, em Maricá. Sylvia Telles já teve alguns de seus álbuns postados aqui no TM, dada sua importância para a história da MPB. Agora, oferecemos a nossos amigos cultos, ocultos e associados, mais um primoroso trabalho desta inesquecível cantora. É “Bossa, balanço, balada”, editado em 1963, e por sinal o primeiro LP que fez para a recém-fundada Elenco, gravadora que pertencia a seu segundo marido, Aloysio de Oliveira, ex-integrante do Bando da Lua, e que antes passara pela Odeon e pela Philips como diretor artístico. Gravado nos estúdios Riosom, com caprichada e cuidadosa produção de Aloysio, tem um repertório, como não poderia deixar de ser, estupendo, com arranjos a cargo dos supercompetentes  Lindolfo Gaya e Moacyr Santos, e músicas assinadas por verdadeiros “cobras”, como, por exemplo, Vinícius de Moraes, em parcerias com Tom Jobim (“Amor em paz”, “Insensatez”) e Carlos Lyra (“Você e eu”). A dupla Roberto Menescal-Ronaldo Bôscoli assina mais três clássicos bossanovistas, “Rio”, “Só quis você” e “Vagamente”, Johnny Alf entrou com “Ilusão à toa”, Tom Jobim assina sozinho o não menos antológico “Samba do avião”, e a dupla Pery Ribeiro-Geraldo Cunha vem com “Bossa na praia”. O programa se completa com “Rua deserta”, de Dorival Caymmi e Carlinhos Guinle, “Sol da meia-noite” (versão de Aloysio de Oliveira para “Midnight sun”, standard do repertório popular norte-americano) e “Dorme”, da parceria Candinho-Ronaldo Bôscoli.  Com estes três bês, a bossa, o balanço e a balada, Sylvia Telles mostra por que foi uma das mais expressivas intérpretes da moderna MPB de então, sendo este disco, portanto, mais um presente do TM  a todos que apreciam a arte de cantar no que ela tem de melhor e mais expressivo.

rio
amor e paz
você e eu
ilusão a toa
só quis você
rua deserta
sol da meia noite
samba do avião
insensatez
bossa na praia
vagamente
dorme

*Texto de Samuel Machado Filho

We – Ouriço (1971)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! As postagens deste mês acabaram sendo poucas. Infelizmente em abril é o período em que eu fico mais ocupado e daí, consequentemente sem tempo para as postagens. Mesmo com a pronta colaboração do amigo Samuca, ainda assim estamos devagar. Mas o pulso ainda pulsa…
Hoje eu trago um lp que pelas fontes, das mais variadas, indicam que se trata de um trabalho paralelo do conjunto The Fevers. Lançado em 1971 pela Odeon, através de seu selo Parlophone que servia para publicações obscuras como esta. Na verdade, trata-se de lançamentos do que poderíamos chamar de projetos pilotos, utilizando de seus artistas contratados para outros trabalhos e geralmente com outros nomes. Naquele início dos anos 70 estava em voga conjuntos e artistas brasileiros cantando em inglês, reforçando a máxima de que para se fazer sucesso nas rádios tinha que cantar em inglês (afinal, nosso povo sempre foi muito culto e bilingue, né?). É daí que nasce esse disco que eu até hoje não sei se a banda se chama Ouriço ou We. Para não variar, deixando sempre o público com a pulga atrás da orelha, no lp, não temos nenhuma informação plausível, além da lista de um repertório cujas as músicas eram extraídas de discos estrangeiros da época, como Chicago, Nilsson, Jesse Colin Young, Bachaman e outros, além de algumas ‘composições próprias’. Outra curiosidade, talvez para encher linguiça, colocaram nun canto da capa a definição enciclopédica do que é um ouriço. Bom, podemos não saber quem é realmente esse conjunto, mas com certeza agora sabemos o que é um ouriço.

yo yo
second thoughts
living
25 or 6 to 4
cherr me up
i’m gonna be a rich man
us thumbstyle
down to the valley
when you pass near me
please believe me
.

Jorge Henrique Alan Gordon & Hugo Lander – Dançando Face A Face (1959)

O TM traz hoje para seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do selo Rádio, marca que, como vocês já sabem, lançou apenas e tão somente LPs, em toda a sua existência, sendo, por tabela, uma das pioneiras do vinil em território brasileiro. Trazemos, desta vez, “Dançando face a face”, lançado em 1959, com o pianista Alan Gordon, o baterista Hugo Lander e o organista Jorge Henrique. A ressaltar que Alan Gordon, já falecido, foi proprietário da lendária boate Stardust, em São Paulo, e é pai de Lanny Gordin, autêntico mestre da guitarra e um dos ícones da MPB.  Os três, então se apresentando com muito sucesso nas casas noturnas do eixo Rio-São Paulo,  já haviam gravado juntos, pela mesmíssima Rádio,  os dois álbuns da série “Cheek to cheek”, o último deles já oferecido a vocês pelo TM (Alan e Hugo ainda se encontrariam no álbum “Dois americanos no Rio”). Pois este “Dançando face a face” também é um trabalho de inquestionável qualidade, dentro do padrão dos álbuns dançantes que tanto faziam sucesso naquele final de anos 1950. São onze faixas marcantes, selecionadas entre standards sempre queridos e apreciados do repertório popular nacional e internacional. Na parte brasileira, há quase que apenas sambas: “Cinco letras que choram (Adeus)”, “Dois corações”, “Reconciliação”, “Cabelos brancos”, “Juramento falso” e duas composições então inéditas de Jorge Henrique, “Preto velho” e “Tédio” (esta, um bolero). Completando o programa, quatro clássicos internacionais: os boleros “Acercate más”, “Incentidumre” e “Concerto d’autumno” (originalmente fox-canção), e o fox “Because of you”.  Arranjos primorosos, aliados à competência e à técnica do trio de instrumentistas, fazem deste “Dançando face a face” um LP digno de merecer mais esta postagem de nosso TM, oferecendo o melhor em matéria de música ambiente, seja para simples audição, como “relax”, seja para se dançar bem juntinhos, de rosto colado. Aproveitem…

cinco letras que choram
dois corações
acercate mas
because of you
reconciliação
incertidure
cabelos brancos
juramento falso
concerto d’autunno
preto velho
tédio

*Texto de Samuel Machado Filho

Los 13 Soñadores – Amor… Love… L’Amour (1963)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um precioso álbum do selo Plaza, de Henrique Gandelman, do qual  já postamos outros títulos anteriormente. Desta vez, trata-se de um disco essencialmente romântico, a começar pelo título: ”Amor… Love… L’amour”, lançado em 1963 pelo grupo (ou orquestra?) Los 13 Soñadores. Por certo, este foi o único LP deles. Nas doze faixas deste trabalho, encontraremos verdadeiros hits românticos, tanto de ocasião quanto mais antigos, executados em ritmo de bolero, que, como já sabemos, é um gênero sempre muito apreciado, sobretudo em países latino-americanos, como o Brasil. Trabalhos como “Maria” (do filme “West Side Story”, no Brasil, “Amor, sublime amor”), “I’ve got you under my skin”, “Tender is the night” (o famoso “Suave é a noite”, do filme de mesmo nome), “Always in my heart” (ou seja, “Sempre no meu coração”, de outro filme famoso), “L’hymne a l’amour” (de Edith Piaf), “On the street  where you live” (de “My fair lady”, musical da Broadway que curiosamente só foi para as telonas um ano mais tarde), “Non dimenticar”, “Ansiedad” e duas faixas mesclando temas eruditos, “Amor.. Love… L’amour”, que dá título ao álbum, e “Guitarras & romance”, que o encerra, são apresentadas bem na medida para aqueles que gostam de dançar “coladinho”, ou então para aqueles que só desejam ouvir, de preferência à noite, ao lado de quem a gente gosta. Tudo isso com o invejável padrão técnico e artístico que eram a marca registrada dos lançamentos da Plaza Discos, tanto que este álbum foi lançado nas versões mono e estéreo.  Afinal, como diz a contracapa, o amor sempre foi inesgotável tema de poesias e canções, como as aqui incluídas. Portanto, aproveitem o “super áudio” deste disco, amigos: afinal de contas, o amor está no ar!

maria
i’ve got you under my skin
amor amor
all the things you are
l’hymne à l’amour
amor love l’amour
non dimenticar
always in my heart
ansiedad
tender is the night
on the stree where you live
guitarras e romance

*Texto de Samuel Machado Filho

Som 3 (1966)

É indiscutível a contribuição dada à música popular brasileira por César Camargo Mariano, músico, arranjador, compositor, produtor, diretor musical e empresário de renome internacional. Nascido em São Paulo, a 19 de setembro de 1943, César começou a tocar piano por conta própria, e, aos 14 anos, passaria a ser apresentado como “menino prodígio” em espetáculos no qual acompanhava bandas de jazz. Logo em seguida, fez amizade com Johnny Alf, que o incentivou a estudar harmonia, arranjo e composição. Ao longo de sua vitoriosa carreira, César Camargo Mariano foi agraciado com vários prêmios, como o Sharp e o Grammy Awards, foi jurado de festivais de música, apresentador de TV (comandou o musical “Um toque de classe”, na extinta Rede Manchete), compôs jingles publicitários, foi o primeiro a utilizar teclado sintetizador em arranjos musicais e acompanhou inúmeros astros de nossa música popular, sobretudo Elis Regina, com quem se casou e estabeleceu marcante parceria em shows e discos. Desse enlace matrimonial, vocês sabem, resultaram dois filhos, hoje também cantores, Pedro Mariano e Maria Rita. César reside nos EUA desde 1994, mas continua em contato permanente com os maiores nomes da nossa música popular, dirigindo e produzindo discos e espetáculos.  César Camargo Mariano começou a atuar como músico profissional na orquestra de William Furneaux, e, em 1962, formou o grupo Três Américas, que tocava em festas e bailes. Um ano mais tarde, integra o Quarteto Sabá, com quem grava o primeiro LP. Em seguida, ao lado de Aírto Moreira e Humberto Claiber, forma o Sambalanço Trio, que grava um álbum com o cantor e dançarino Lennie Dale, e ganha prêmios. Contratado pela antiga TV Record de São Paulo, passa a se apresentar com um novo grupo, o Som Três, ao lado de Sabá no contrabaixo e Antoninho Pinheiro na bateria, os dois últimos egressos do Jongo Trio, com o qual grava cinco LPs, sem contar um ao vivo, em que acompanharam o grande e inesquecível Wilson Simonal. E é justamente o primeiríssimo álbum do Som Três, lançado em 1966 pela Som Maior, selo que pertencia ao grupo RGE-Fermata, que o TM oferece hoje, em grande estilo, a seus amigos cultos, ocultos e associados. Nas onze faixas deste trabalho, há trabalhos autorais dos próprios integrantes (“Samblues”, “Tema 3”, “Cristina”, “Margarida B”, de César, e “Um minuto”, de Sabá e Antoninho), sucessos da ocasião (“O morro não tem vez”, “Canto de ossanha”, “O bolo”) e composições de Lula Freire com parceiros (“Cidade vazia”, com Baden Powell, e “Deixa pra lá”, com Sérgio Augusto), além do clássico “Na Baixa do Sapateiro”, do mestre Ary Barroso.  Tudo isso criando, conforme diz a contracapa, uma personalidade musical exatamente como  exigia o gosto do público musical dessa época, com execuções primorosas. Portanto, este primeiro LP do Som Três é mais um trabalho de qualidade que o TM possui a grata satisfação de oferecer, simbolizando uma significativa parcela do melhor da música instrumental brasileira.

samblues
canto de ossanha
na baixa do sapateiro
o bolo
um minuto
cidade vazia
deixa pra lá
tema 3
cristina
o morro não tem vez
margarida b

*Texto de Samuel Machado Filho

Tania Maria, Boto & Helio – Via Brasil (1975)

Conforme o prometido, o TM coloca seus amigos cultos, ocultos e associados em contato, mais uma vez, com o talento, a competência e a versatilidade de Tânia Maria, esta notável cantora, compositora  e pianista brasileira de prestígio mais que merecido internacionalmente. Com o nome completo de Tânia Maria Corrêa Reis, essa extraordinária jazzista veio ao mundo na cidade de São Luís, capital do Maranhão, em 9 de maio de 1948. Aos sete anos de idade, ela começou a estudar piano, e, aos treze, ganhou o primeiro prêmio em um concurso de música local como líder de um conjunto que seu pai havia começado. Em 1963, aos quinze anos, fez sua estreia em disco, lançando, pelo obscuro selo Pedestal, um 78 rpm com a valsa “Papaizinho”, de Francisco de Paula, e a marcha “Serão do papai”, de Amâncio Cardoso. Aos dezesseis anos, casou-se e começou a estudar Direito, mas, em 1966, abandonou os estudos para gravar seu primeiro LP, exatamente o que o TM já ofereceu a vocês, “Apresentamos Tânia Maria”, mostrando, logo de saída, um estilo todo peculiar, combinando jazz e ritmos brasileiros, que ela iria desenvolver posteriormente. O segundo álbum viria em 1971, pela Odeon, “Olha quem chega”. Em meados da década de 70, Tânia Maria decide fixar residência no exterior, mais precisamente em Paris, capital da França, onde voltou a morar com sua família após alguns anos de permanência em Nova York, EUA. Desde então, desenvolveu uma sólida carreira internacional, com mais de 25 álbuns gravados, além de turnês e apresentações em praticamente todos os festivais de jazz do mundo. Em 1980, seu álbum “Piquant” venceu o Golden Leonard Feather Award. As principais 07influências de nossa Tânia Maria são Oscar Peterson, Bill Evans, Luiz Eça, Sarah Vaughan, Tom Jobim e Mílton Nascimento, e sua música abrange desde melodias pop às harmonias complexas do jazz, passando pelo soul, samba e funk. Usa sua voz para executar complicadas improvisações de “scat”, em uníssono com o piano, sendo uma das expoentes nessa técnica. Um estilo musical e uma voz inconfundíveis, que a tornaram, com justiça, um dos grandes talentos da cena contemporânea. A ponto de, em 2009, ser nomeada “officier” da Ordem de Artes e Letras da França. Segundo informa seu site oficial, Tânia Maria está preparando um novo álbum, a ser lançado ainda em 2017. Enquanto aguardamos este novo trabalho, o TM nos oferece um disco por ela gravado quando já havia se estabelecido na França. É “Via Brasil”, lançado naquele país pela Barclay (hoje subsidiária da Universal Music e denominada EmArcy Records) em 1974, e que chegou ao Brasil um ano depois, através da RCA, futura Sony Music. Aqui ela está acompanhada pelo baterista e percussionista Boto, e pelo contrabaixista Hélio, oferecendo um repertório, como não poderia deixar de ser, de primeiríssima qualidade, com sucessos já consagrados no Brasil (“Samba de Orly”, “Abre alas”, “Até quem sabe”, o clássico jobiniano “Águas de março”, “Fio maravilha”),  dois pot-pourris, um com hits de Jorge (então) Ben e outro com sambas da velha guarda, denominado “Via Brasil”. Nessa época, o trio se apresentava no bar musical A Batida, então recém-inaugurado, que ficava no complexo Via Brasil, no centro comercial da “Torre” Maint-Montparnasse.  Foi lá que Eddie Barclay, então proprietário da gravadora, ouviu Tânia, Boto e Hélio, e, entusiasmado, logo os contratou.  O resultado aí está, como os amigos cultos, ocultos e associados do TM terão a grata satisfação de conferir.  Um segundo volume de “Via Brasil”, ao que parece não editado por aqui, viria em seguida. E este primeiro é simplesmente espetacular!

samba de orly
pot pourri de jorge ben
até quem sabe
abre alas
fio maravilha
a cruz
aguas de março
bedeu
não tem perdão
pot pourri

* Texto de Samuel Machado Filho

Sandoval Dias – Um Saxofone Em Ritmo De Bolero Nº 2 (1959)

Ritmo de origem cubana, mesclando raízes espanholas com influências locais de vários países hispano-americanos, o bolero sempre foi muito popular, inclusive no Brasil. Influenciou o samba-canção, o mambo, o chá-chá-chá e a salsa. Existe inclusive uma variante do bolero surgida na República Dominicana, nos anos 1960, a bachata.  Entre os mais conhecidos intérpretes de boleros, podemos citar: o chileno Lucho Gatica, o espanhol Gregorio Barrios (que até radicou-se no Brasil), o argentino Roberto Yanés , o cubano Bienvenido Granda (“o bigode que canta”), o mexicano Armando Manzanero, o Trio Los Panchos (formado por mexicanos radicados nos EUA), e os brasileiros Anísio Silva, Orlando Dias e Altemar Dutra, além do Trio Irakitan. Até Maysa gravou boleros, e dizia gostar do gênero, sem se envergonhar disso (com razão, convenhamos). E Sidney Morais, ex-integrante do Conjunto Farroupilha e dos Três Morais, fez sucesso nos anos 80 com a série de álbuns “Boleros con amor”, sob o pseudônimo de Santo Morales. Mais recentemente, iriam destacar-se no gênero o portorriquenho Luís Miguel e as cantoras brasileiras Tânia Alves e Nana Caymmi. O bolero também influenciou, e muito, a música sertaneja brasileira, e até hoje é cultivado por intérpretes desse gênero. Sendo um ritmo musical bastante apreciado até hoje pelos brasileiros, o bolero também dá ibope até em blogs dedicados a raridades discográficas, como o Baú de Long Playing, o Estação Saudade  e, claro, o nosso TM. Tanto que já colocamos à disposição de nossos amigos cultos, ocultos e associados, títulos como os das orquestras Românticos de Cuba, Namorados do Caribe, e Serenata Tropical. Pois hoje apresentamos mais um grande álbum do gênero: trata-se do segundo volume de “Um saxofone em ritmo de bolero”, editado em 1959 pela Sinter, hoje Universal Music. E novamente trazendo o expressivo e talentosíssimo Sandoval Dias (1906-1993), agora pondo seu sax de ouro a serviço de alguns dos melhores e mais expressivos boleros de todos os tempos.  Como frisado na contracapa, a disposição das faixas  segue o esquema “dance o máximo com o mínimo de descanso”, distribuindo os catorze clássicos do bolero aqui incluídos (como “Santa”, ‘Amor”, “Desesperadamente”, “Palabras de mujer”, “Dize minutos mas”, “Lagrimas de sangre”) em seis faixas, com duas ou três músicas executadas seguidamente. Portanto, este disco é um prato cheio para quem aprecia boleros, seja para dançar ou apenas ouvir. É mais uma joia rara que o TM posta com a satisfação e o orgulho de sempre, e por certo fará os ouvintes recordarem momentos inesquecíveis ao som destes boleros mundialmente consagrados. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?

amor…
desesperadamente
buenas noches mi amor
marimba
maria bonita
porque ya no me quieres
pecadora
palabras de mujer
santa
lágrimas de sangre
solamente una vez
sin motivo
condicion
diez minutos mas

*Texto de Samuel Machado Filho

Osmar Milito – E Deixa O Relógio Andar (1971)

Cantor, compositor e pianista de renome, Osmar Milito já é um nome com quem os amigos cultos, ocultos e associados de nosso TM já se familiarizaram, pois já temos dois de seus álbuns postados, “Nem paletó nem gravata” (1973) e “Lígia” (1978), além de LPs mistos que contaram com sua participação. Irmão do também músico Hélcio Milito, percussionista e baterista que integrou o Tamba Trio, Osmar nasceu em São Paulo, no dia 27 de maio de 1941. Iniciou seus estudos de piano aos sete anos de idade. Foi aluno de Armando Lacerda, professor do Conservatório de Música de São Paulo, e, no Rio de Janeiro, de Wilma Graça e Glória Maria Fonseca. Considerado um dos maiores pianistas de jazz e bossa nova de todos os tempos, tendo alcançado renome internacional, começou sua carreira artística em 1964, acompanhando inúmeros “cobras” da MPB, tais como Sylvia Telles, Nara Leão, Leny Andrade, Maria Bethânia, Elis Regina, Pery Ribeiro, Gilberto Gil, o Poetinha Vinícius de Moraes,  e Jorge (então) Ben. Em seguida, foi convidado a se apresentar nos México e nos EUA, onde residiu por dois anos e atuou com Sérgio Mendes realizando shows em Las Vegas e em diversas universidades norte-americanas. No início dos anos 1970, Osmar Milito retornou ao Brasil, participando de apresentações de Chico Buarque, Ivan Lins, Nana Caymmi  e Marcos Valle, entre outros. Acompanhou ainda inúmeros artistas de renome internacional, tipo Liza Minelli, Sarah Vaughan, Tony Bennett, Sammy Davis, Pat Metheny, Shelly Mane, Randy Brecker e Spanky Wilson. Inaugurou e atuou como pianista em diversas casas noturnas de sucesso no Rio de Janeiro, inclusive o extinto Mistura Fina, montando grupos que contaram com a participação de Márcio Montarroyos, Pascoal Meirelles, Djavan, Mauro Senise e a já citada Leny Andrade, entre outros. Seu respeitável currículo inclui ainda trilhas sonoras para novelas da TV Globo (“O primeiro amor”, “O bofe”, “Uma rosa com amor”, “Carinhoso” etc.) e filmes do cinema brasileiro. A discografia individual de Osmar Milito abrange oito LPs e quatro CDs. E o TM apresenta justamente seu primeiríssimo álbum, “E deixa o relógio andar”, lançado em 1971 pela Som Livre, gravadora do Grupo Globo até hoje em atividade, da qual Osmar foi um dos pioneiros, contando ainda com a participação do Quarteto Forma. Produzido por outro músico de renome, Nonato Buzar (que assina a faixa-título, “E deixa o relógio andar”),  o disco apresenta um repertório formado por hits nacionais e internacionais da ocasião, como “Garra”, “To Rio for love”  e “Que bandeira” (dos irmãos Valle), “Tá falado” (de Ivan Lins), “Mudei de ideia” (da então festejada dupla Antônio Carlos e Jocafi), a irreverente “Rita Jeep” (de Jorge Ben Jor, então Jorge Ben), “What are you doing the rest of your life?”, “Cantaloupe island”, “Mercy, mercy, mercy”, e a autoral “João Belo”, que encerra o álbum. Merece destaque também, é claro, “Chovendo na roseira”, uma das mais belas páginas do repertório do mestre Tom Jobim. Tudo isso formando um conjunto admirável, e documentando o promissor início da carreira discográfica de Osmar Milito, para o deleite e a apreciação de todos aqueles que apreciam música de qualidade. Como, aliás, é raro a gente encontrar nos tempos atuais…

e deixa o relógio andar

a famous mith

que bandeira

canteloupe island

garra

chovendo na roseira

rita jeep

what are you doing for the rest of your life

to rio for love

mercy mercy mercy

mudei de ideia

tá falado

joão bello

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Tania Maria – Apresentamos (1966)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje nós trazemos para vocês um disco raro e muito especial. Por certo já foi postado em diversos outros blogs, porém é aqui que ele se perpetua. Apresentamos, Tânia Maria, cantora, compositora e pianista. Artista que ganhou prestígio na Europa e Estados Unidos, fazendo por lá uma sólida carreira internacional. Respeitadíssima no mundo do jazz, já tocou com os mais diversos e importantes músicos dos quatro continentes. Aqui temos ela fazendo sua estréia, neste lp lançado pela Continental, em 1966. Ao lado de outros grandes músicos da época, Neco na guitarra; Luiz Marinho no contrabaixo; Edson Machado na bateria e ainda Maurício Einhorn e sua gaita, em três faixas do disco, Tania Maria é um verdadeiro show de competência. Disco gravado ao vivo, um registro mais que histórico da competência desses excelentes músicos.
Ainda neste mês vamos postar aqui mais dois discos dessa artista. É só aguardar, pois as apresentações mais detalhadas vão ficar por conta do nosso super amigo resenhista, Samuel Machado Filho. Confiram este lp no GTM 😉

não tem tradução
com que roupa
três apitos
feitiço da vila
feitio de oração
viver morrer
a voz do povo
nêgo são
papão
ficou na saudade
de manhã
terra de ninguém
a paz
agora
paz de espírito
o verão vem aí

Plaza Sensacional – 14 Sucessos (1963)

O Toque Musical oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum do selo Plaza Discos, gravadora  idealizada e dirigida por Henrique Gandelman, advogado, maestro, violonista e pai do notável saxofonista Léo Gandelman.  Apresentamos , desta vez, um  “the best of” da Plaza, ou seja, uma compilação que foi editada em 1963, reunindo 14 faixas extraídas de LPs lançados anteriormente por essa marca, na execução de seis conjuntos e orquestras de seu cast. O interessante é que, na contracapa, aparecem os LPs de que as gravações foram extraídas, com a relação completa das faixas,  e, em negrito, as que foram escolhidas para esta compilação. Se não, vejamos: do álbum “Beguine solamente beguine”, da Orquestra Serenata Tropical (já postado aqui no TM), escolheram-se as faixas “Nunca aos domingos” e “La violetera”. Outras faixas com essa orquestra (regida pelo idealizador da Plaza, Henrique Gandelman) aqui incluídas são: “El manisero”, “Vereda tropical” (do LP “Rumbas solamente rumbas”) , “El reloj” e “Perfume de gardênia” (de “Boleros solamente boleros”). Os Saxsambistas Brasileiros comparecem aqui com três clássicos: “Tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu, “Na Baixa do Sapateiro”, do mestre Ary Barroso, do álbum “Percussão em festa” (também já postado aqui no TM) e o jobiniano “Samba de uma nota só”, do LP “Saxsambando”. A Orquestra Rio de Janeiro vem com outro samba clássico de Tom Jobim, “A felicidade”, em gravação originalmente lançada no LP “Velhas ideias novas (Trinta anos de samba)”. O Billy Parker Septet nos apresenta sua versão para o clássico “The man I love”, dos irmãos Gershwin, extraída do álbum “It’s latin now”. Os Populares e seu Ritmo aqui interpretam o tema folclórico “Meu limão, meu limoeiro”, originalmente do LP “Dance conosco – As músicas que todo o Brasil canta”. Por último, a Banda Real de Momo revive a divertida marchinha “Touradas em Madri”, que gravou para o álbum “Carnaval em marcha”.  Enfim, uma compilação que reúne alguns dos melhores momentos dos álbuns da Plaza Discos, que então representavam, como dizia seu slogan, “o melhor repertório gravado em alta fidelidade”. E o disco faz jus ao título: é mesmo “Sensacional”!  Ouçam e constatem…

nunca aos domingos – orquestra serenata tropical
na baixa do sapateiro – os saxsambistas brasileiros
el manisero – orquestra serenata tropical
menina moça – os saxsambistas brasileiros
el reloj – orquestra serenata tropical
a felicidade – orquestra rio de janeiro
the man i love – the billy parker septet
la violetera – orquestra serenata tropical
samba de uma nota só – os saxsambistas brasileiros
vereda tropical – orquestra serenata tropical
tico tico no fubá – os saxsambistas brasileiros
perfume de gardênia – orquestra serenata tropical
meu limão, meu limoeiro – os populares e seu ritmo
touradas de madrid – banda real de momo

*Texto de Samuel Machado Filho

Quarteto Excelsior – Coquetel Dançante N. 1 (1958)

Clarinetista, maestro e compositor, paulista de Jaboticabal, porém criado em São José do Rio Preto, Aristides Zaccarias (1911-?) prestou inestimável contribuição à música popular brasileira. Sua orquestra, por exemplo, animou os bailes de carnaval do Clube Internacional do Recife, ao som contagiante do frevo, durante a maior parte dos anos 1950 e até 1961. Além disso, Zaccarias teve também o Quarteto Excelsior, cujo primeiro LP, o dez polegadas “Jantar dançante” (Copacabana, 1955),  já foi oferecido a vocês pelo Toque Musical, e foi regente da Orquestra Namorados do Caribe, que só existiu em estúdio, revezando-se com o maestro Carioca, e de quem o TM, claro, também tem títulos postados, criada pela RCA Victor para fazer frente aos Românticos de Cuba, da Musidisc.  Pois agora apresentamos aos nossos amigos cultos e associados, com a satisfação e o orgulho costumeiros, o segundo LP do Quarteto Excelsior. Trata-se de “Coquetel  dançante”, que a marca do cachorrinho Nipper editou em 1957/58, mais ou menos, já no formato-padrão de doze polegadas. O disco mantém a mesma formação do álbum anterior, com o mestre Zaccarias ao clarinete, Fats Elpídio ao piano, Bill no contrabaixo e Romeu na bateria. E Zaccarias e Romeu ainda atuam como vocalistas, cantando em uníssono.  No repertório, sucessos nacionais (no lado A) e internacionais (no verso), bem no clima das boates e casas noturnas da época. Abrindo o LP, uma composição própria de Zaccarias, “Baião do lavrador”, com a parceria de Walfrido Silva. Seguem-se outros sambas e baiões, com destaque especial para “Tiradentes” (ou “Exaltação a Tiradentes”), samba-enredo clássico que deu à escola Império Serrano o título de campeã do carnaval carioca de 1949, mas que só chegou ao disco em  1955, na voz de Roberto Silva. O lado B nos traz boleros e foxes de sucesso mundial, até hoje lembrados, com destaque para “Angustia”, “Que murmuren”, “True love”, “Anastasia” e até mesmo “Love me tender”, um dos primeiros hits do eterno rei do rock, Elvis Presley. Enfim, uma “brilhante coletânea”, como diz a contracapa, da qual a RCA Victor já pressentia o sucesso de vendas, tanto que colocou  “número 1” no título. E, até 1961, de fato, viriam mais três “Coquetéis dançantes”, sendo este primeiro uma amostra dos que viriam a seguir. É baixar, ouvir e dançar…

baião do lavrador

abre a janela

lá no norte

tiradentes

pau de arara

batuque no morro

the veru thougt of you

love me tender

anastasia

petticoats of portugal

angústia

espérame en el cielo

que murmuren

you’re sensational

i love you, samantha

true love

*Texto de Samuel Machado Filho

Luiz Eça & Jerzy Milewski Ensemble – Duas Suítes Instrumentais (1988)

Após os dois volumes de “Piano e cordas”, o TM tem a honra de oferecer a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um primoroso trabalho de Luiz Eça (1936-1992), músico, arranjador e compositor que deu extraordinárias contribuições para a nossa música. E desta vez ele está muitíssimo bem acompanhado, ao lado do violinista Jerzy Milewski, polonês de Varsóvia, nascido a 17 de setembro de 1946 e naturalizado brasileiro. Milewski começou sua carreira bem cedo, aos seis anos de idade. Graduou-se pela Academia de Música de Varsóvia, onde também fez um mestrado. Foi solista e membro da Orquestra de Câmara da Filarmônica Nacional da Polônia, com a qual tocou, na Europa, América e Ásia. Recebeu do governo polonês a Medalha Henryk Wienawski. Em 1968, conheceu, em sua Polônia natal, a pianista brasileira Aleida Schweitzer, com quem se casou, e ambos residem no Brasil desde 1971. Aqui gravou álbuns diversos interpretando composições de “cobras” da MPB, como Djavan e Mílton Nascimento. Também faz apresentações divulgando obras de compositores poloneses para o público brasileiro, sempre acompanhado ao piano pela esposa, com a qual forma o Milewski Duo. Além disso, faz “Concertos Didáticos” em escolas e universidades, mas também com crianças da mais tenra idade. Às vezes é solicitado para ser jurado em concursos internacionais, e seu currículo ainda inclui turnês pelo Canadá (1998-99) e Escandinávia (1999-2000). Este “Ensemble – Duas suítes instrumentais de Luiz Eça”, no qual o violino de Jerzy Milewski se une ao piano do notável músico brasileiro, é um ponto altíssimo na discografia de ambos. Produzido por Milewski, com a participação do baterista e percussionista  Robertinho Silva, e do contrabaixista Luiz Alves, e editado com o selo JAM, pertencente ao violinista, é um trabalho que contou com o patrocínio da Nestlé, empresa alimentícia de origem suíça, que se instalou no Brasil no início do século passado. O resultado não poderia ser outro: um LP de indiscutível qualidade técnica e artística, muitíssimo bem cuidado.  A parte gráfica também merece destaque, com a capa dupla repleta de informações sobre os intérpretes, os músicos acompanhantes e o álbum em si. É mais um trabalho primoroso que o TM orgulhosamente nos apresenta, digno de figurar no acervo de todos os que apreciam a melhor música instrumental do Brasil.

duro na queda

imagem

alegria de viver

sempre será

daniele

lá vamos nós

tranquilamente

dolphin

três minutos para aviso importante

melancolia

mestre bimba

*Texto de Samuel Machado Filho

Paulo Barreiros – Violão Amigo (1959)

Violonista, compositor, arranjador e professor de violão. Trata-se de Paulo Medeiros, autêntico virtuose das cordas, que o TM focaliza hoje. Paulo veio ao mundo na cidade de Botucatu, interior de São Paulo, em janeiro de 1909. Teve suas primeiras aulas práticas de violão com Silvério Paes. Angelino de Oliveira (autor, entre outras, do clássico “Tristeza do jeca”) deu-lhe os primeiros conselhos práticos no campo da composição popular, como também Guido Bisacó e Mário Cacace, este último professor de canto orfeônico. Paulo aprofundou seus estudos de violão, teoria musical e harmonia deslocando-se periodicamente para São Paulo. Foi aluno dos professores Atílio Bernardini e Isaías Sávio, e estudou também no Conservatório Paulista de Canto Orfeônico, sob a direção do maestro Batista Julião. Nessas idas e vindas, conheceu e atuou com grandes nomes que despontavam para o mundo violonístico, caso de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, Ângelo Apolônio, o Poly, Laurindo de Almeida e Aymoré.  No Rio de Janeiro, Paulo Barreiros foi aluno de orquestração e regência do maestro Guerra Peixe. Trabalhou como músico profissional ao lado de outros grandes nomes da MPB e foi ativo membro-fundador da Sadembra (Sociedade Arrecadadora de Direitos de Execução Musical do Brasil). Deixou um substancial número de composições próprias e transcrições para o violão e, entre suas obras, destacam-se: “Coração de poeta”, “Choro típico” (números 1 e 2), “Velha saudade”, “Canção de outono”e “Mara”. Transcreveu para o violão obras de compositores eruditos (Bach, Liszt, Beethoven, Chopin) e populares (Ary Barroso, Dorival Caymmi, Ernesto Nazareth, Lírio Panicalli, etc.), revelando-se habilidoso arranjador, talvez um dos melhores de sua geração. Como violonista, formou ainda, juntamente com o professor Aymoré ao violão-baixo, e Manoel Marques na guitarra portuguesa, um trio que se apresentou durante muito tempo em programas de rádio, televisão e teatros por todo o Brasil. Paulo Barreiros faleceu em São Paulo, em março de 2004, com a avançada idade de 95 anos,  deixando gravados dois LPs-solo, além de outros acompanhando cantores como Roberto Fioravante e Ely Camargo. E é justamente seu primeiro LP como solista de violão editado pela Chantecler, em 1959, que o TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados. Trata-se de “Violão amigo”, que mereceu um entusiasmado texto de contracapa assinado por Moraes Sarmento, então notório apresentador de programas musicais de cunho saudosista na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Neste disco, teremos oportunidade de ouvir alguns de seus notáveis arranjos para violão, de peças como “Aquarela do Brasil” e “Na Baixa do Sapateiro”, do mestre Ary Barroso, os tangos “El choclo” e “La cumparsita”, o dobrado “Capitão Caçulo” (conhecido também como “Canção do Exército” ou “Canção do soldado paulista”), além de trabalhos assinados por Armandinho (“Guru”, “Doloroso” e “Sempre no meu coração”) e Santana (“Sublime esperança”). O segundo LP de Paulo Barreiros, “Um violão em duas épocas”, só sairia em 1963, e ambos os discos seriam relançados juntos em CD com o título de “Violão brasileiro”. E o TM oferece hoje uma rara oportunidade, através deste primeiro LP, de apreciarmos o talento e a versatilidade deste notável violonista, tanto como arranjador quanto como executante, que infelizmente poucos brasileiros conhecem ou sequer sabem que existiu. Confiram…

aquarela do brasil

el choclo

guru

la cumparsita

concerto d’autunno

doloroso

na baixa do sapateiro

sublime esperança

marcha dos marinheiros

sempre no meu coração

moonlight fiesta

capitão caçula

*Texto de Samuel Machado Filho

Osmar Milito – Nem Paletó Nem Gravata (1973)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Trago para vocês um disco que há tempos espera a sua vez de ser postado por aqui. Temos hoje o álbum ‘Nem paletó, nem gravata”, do pianista, cantor e compositor Osmar Milito. Lançado em 1973 pela Continental através do selo internacional Atco, o lp nos traz um repertório de 13 faixas com músicas, muitas famosas, de diversos outros artistas. Apenas a música “Mais cedo ou mais tarde” que é uma parceria dele com a cantora Lilian Knapp, da dupla Lilian & Leno. O disco, no geral, é muito bom e certamente carrega nele o espírito genial de 73. Um ano mágico para a música. Uma das melhores safras da música popular brasileira. Confiram…

eu dei
a briga
bom conselho
mais cedo ou mais tarde
morre o burro fica o homem
um jeito novo de viver
nem paletó, nem gravata
dose pra leão
tem dendê
regra três
quem mandou
minhas razões
chiclete com banana

.

Ney de Castro – Brasilia An 2000 (1963)

O TM hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum produzido na França, porém com muito de brasileiro em sua concepção. Trata-se de “Brasília an 2000 – Rythmes à go go” (é “an” mesmo, sem “o”!), lançado por volta de 1960 (ano de inauguração da atual capital do Brasil), mais ou menos, pela gravadora Le Chant du Monde, fundada em 1938 por Léon Moussinac e até hoje em franca atividade, com um catálogo em que predominam títulos de música erudita e jazz. Sobre o responsável por este trabalho, Ney de Castro, quase nada se sabe. Por certo é (ou era) brasileiro radicado na França. O fato é que se trata de um álbum de cunho futurista, a começar pelo título, em que se utilizaram exclusivamente instrumentos de percussão, perfazendo um total de sete faixas. Além dos tradicionais pandeiro, reco-reco, agogô, bateria, berimbau, etc., usaram-se placas de metal, garrafas e até mesmo a voz humana. Uma produção, como se percebe,  bastante criativa, tornando  este disco único. No lado A, reproduz-se a batucada do carnaval carioca, e do maracatu do Recife, além de movimentos representando a Amazônia e os índios, já demonstrando preocupações de cunho ecológico. No lado B, após a faixa “Parapapa”, são destacados dois monumentos arquitetônicos de Brasília, o Palácio da Alvorada e a catedral, que por sinal está na capa deste disco, em foto tirada quando ainda estava em construção.  Enfim, um trabalho de primeira linha, no qual a percussão é utilizada com muita criatividade, procurando reproduzir com a máxima fidelidade os ritmos brasileiros. Verdadeira explosão rítmica que o TM oferece com a satisfação de sempre. E agora… que comece a batucada, maestro!
PS. Augusto TM: Ao que tudo indica, Ney de Castro parece ser o mesmo artista já postado aqui, em um lp gravado na Polônia, sob o título “Melodias do Brasil – De Castro“.

batucada
mracatú
chasse en amazonie
le chagrin de l’indien
parapapa
palácio da alvorada
cathedral de brasília

*Texto de Samuel Machado Filho

Lucien Studart – Quem Dera… (1957)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Vez por outra eu também dou as caras por aqui, ok? Hoje é uma dessas vezes. Tenho tempo e um pouco de disposição. Então vamos lá…
Trago hoje para você um lp dedicado ao grande Herivelto Martins. Naquele ano de 1957 ele completava 25 anos de carreira artística e em sua homenagem a gravadora Sinter lançou o álbum “Quem dera”, título de uma de suas famosas composições, tendo como solista principal a pianista Lucien Studart. O disco, como se pode ver pelas fotos e na contracapa, traz um repertório amplo, com até 17 composições, sendo que em algumas faixas temos até três músicas. Trata-se de um disco instrumental que bem nos lembra outra pianista, a Carolina Cardos de Menezes. A propósito, Lucien Studart é hoje uma desconhecida. Pouco, ou quase nada, podemos encontrar sobre ela na internet. Pelo nome, eu suponho que seja uma artista estrangeira, que como outros passaram pelo Brasil deixando lá algum contribuição. Qualquer referência se limita aos discos por ela gravado e pelo que vi, foram pouquíssimos. Qualquer informação complementar será muito bem vinda.

ela
praça onze
laurindo
lá em madureira
palhaço
rei sem coroa
duas lágrimas
não posso nem comigo
se é por falta de adeus
e o vento levou
a lapa
segredo
caminhemos
madrugada
quem dera
fidelidade
bonita

.

Sandoval Dias – Um Saxofone Em Hi-Fi (1957)

Saxofonista, trompetista, clarinetista e arranjador, muito admirado entre os grandes nomes musicais de seu tempo. Este é o perfil de Sandoval Dias, que o TM põe novamente em foco no dia de hoje. Foi no dia 4 de maio de 1906, na capital baiana, Salvador, que ele veio ao mundo, com o nome completo de Sandoval de Oliveira Dias. Filho de músico, iniciou seus estudos de harmonia, solfejo e teoria musical ainda em Salvador, com Vivaldo Figueiredo, aos doze anos de idade.  Em 1921, Sandoval muda-se para a então capital da República, o Rio de Janeiro. Um ano depois, já participava da banda de música de Arcozelo, interior fluminense, dirigida por ele. Em 1927, troca o trompete pelo sax-tenor, instrumento que o celebrizou. Dois anos mais tarde, inicia sua carreira artística, tocando na Orquestra Pan American Jazz, no Cassino Assyrio. Pouco depois, excursionou com a companhia de revistas teatrais do ator Raul Roulien. Sandoval teve intensa atuação como músico de orquestra no Rio de Janeiro, a partir da década de 1930. É quando participa pela primeira vez de uma gravação, executando ao sax a música “Deliciosa”, junto com a orquestra de Harry Kosarin. Em 1931, passa a atuar na Orquestra Victor Brasileira, que acompanhava os cantores nas gravações da marca do cachorrinho Nipper, sob a direção do mestre Pixinguinha. Dois anos mais tarde passa-se para a orquestra de Napoleão Tavares, que atuava na Rádio Mayrink Veiga. A partir de 1938, exerce sua arte de saxofonista tocando em diversos cassinos: na Urca, com a orquestra de Romeu Silva, no de Icaraí, com a orquestra do maestro Sousa, e no Cassino Copacabana, com a orquestra do palestino Simon Bountman. Em 1941, é contratado pela lendária PRE-8, Rádio Nacional, onde permaneceria por vinte anos, tocando sob a regência de autênticos “cobras”: Léo Peracchi, Lírio Panicalli, Radamés Gnattali, Fon-Fon, Chiquinho, Aristides Zaccarias, etc., participando assim, das grandes orquestras da Era do Rádio. Em março-abril de 1952, lança seu primeiro disco, em 78 rpm, pela Continental, executando dois choros  de Radamés Gnattali: “Pé ante pé” e “Amigo Pedro”. Em 1957, organiza seu próprio conjunto, e, um ano depois, grava as “Brasilianas” números 7 e 8,  de Radamés Gnattali, que as dedicou ao próprio Sandoval e até participou da gravação do LP, ao lado dele e da pianista Aida Gnattali, esposa de Radamés. Em 1961, Sandoval transfere-se para a Rádio MEC, onde atuou como claronista (clarinete-baixo) na Orquestra Sinfônica Nacional do MEC, sob a regência de Eleazar de Carvalho. Mais tarde, na mesma emissora, atua no grupo Os Boêmios, com repertório que misturava sambas, chorinhos, valsas e sambas-canções. Sandoval Dias aposentou-se nos anos 1970, e passou a dedicar-se á regência de bandas, nas cidades fluminenses de Cordeiro e Nova Friburgo. Mais tarde, assume a função de maestro da Banda Civil do Rio de Janeiro, que exercerá até 1993, quando vem a falecer, no dia 6 de setembro, com a avançada idade de 93 anos.  Entre 1957 e 1965, Sandoval Dias gravou um total de catorze LPs, a maior parte na Sinter e em sua sucessora, a Philips/Polydor. E o TM traz hoje para a apreciação de seus amigos cultos, ocultos e associados, exatamente o primeiríssimo álbum dele. É “Um saxofone em hi-fi”, lançado em 1957 pela Sinter. Era um tempo, nunca é demais lembrar, em que os chamados discos “dançantes”, com orquestras e conjuntos, eram produtos que vendiam bastante, ideais para animar bailes e festas em residências e salões que não dispunham de música ao vivo. Para ajudar na venda do disco, foi posta na capa uma foto da atriz norte-americana Jayne Mansfield, verdadeiro “sex symbol” da época, vestindo “baby-doll” preto! Com texto de contracapa do compositor J. Cascata, que inclusive relata o entusiasmo do mestre Pixinguinha ao ouvir  o disco, ainda em fita, este álbum tem uma maravilhosa seleção musical, na qual se comprova sua preferência por canções românticas e dançantes, nas quais sentia-se muito á vontade para impor seu fraseado envolvente, suave, repleto de emoção, como aliás bem registra seu sobrinho Gilberto Gonçalves em seu blog “Na era do rádio”. Entre pérolas de sucesso dessa época (“Pensando em ti”, “No rancho fundo”, “Around the world”, “Love letters in the sand’, “Maria la ô”, etc.), o destaque fica por conta das “Czardas”, de Monti, mais apropriada para cordas e de execução difícil, mas aqui brilhantemente apresentada ao saxofone por Sandoval Dias, e em ritmo de samba, numa gravação espetacular , antológica e bastante elogiada, suficiente, por si só, para alçar o nosso Sandoval à condição de um dos maiores músicos de seu tempo. Um disco que, como também informa o Gilberto Gonçalves, nos traz saudosas recordações de uma época romântica e musical, quando tudo que se fazia era alimentado pela música que vinha de um aparelho de rádio. E era com fundos musicais como os deste álbum que o TM nos oferece, que se vivia nesse tempo. Verdes anos…

pensando em ti
love letters in the sand
maria lá o
encabulado
dejame en paz
neptuno18
nereidas
no rancho fundo
autumm leaves
czardas
aroud the world
deixa o meu coração cantar

*Texto de Samuel Machado Filho

Anastácia – 30 Anos De Forró (1985)

Um dos maiores nomes da música regional nordestina é posto em foco hoje no TM. Estamos falando de Anastácia, na pia batismal Lucinete Ferreira. Ela é pernambucana do Recife, onde nasceu no dia 30 de maio de 1941. E foi muito cedo, aos sete anos de idade, que surgiu seu interesse pela música, acompanhando um cantador de cocos no bairro de Macaxeira, onde residia. Iniciou sua carreira artística em 1954, cantando na Rádio Jornal do Commércio, de seu Recife natal, cujo slogan era “Pernambuco falando para o mundo”. Seu repertório compunha-se, basicamente, de músicas que faziam sucesso no Sul do Brasil, inclusive hits da então rainha do rock nacional, Celly Campello. Em 1960, Anastácia transfere-se para São Paulo, e passa a interpretar gêneros nordestinos.  Fez shows pelo interior paulista, participando da “Caravana do peru que fala”, comandada por nada mais nada menos do que Sílvio Santos, apresentando-se em seguida ao lado da dupla Venâncio e Curumba. Um ano mais tarde, em setembro de 1961, é lançado seu primeiro disco, no selo Sertanejo da Chantecler, um 78 rpm com as músicas “Noivado longo” (rancheira) e “Chuliado’ (baião), aparecendo no selo como Lucinete. Mais tarde, por sugestão do cantor e compositor sertanejo Palmeira, então dirigente da Chantecler e, depois, da Continental, muda seu nome artístico para Anastácia. Em 1963, ela tem sua primeira composição gravada, “Conselho de amigo”, de parceria com Italúcia, na voz de Noite Ilustrada. Em 1965, lança seu primeiro LP, pela Continental, “Anastácia no forró”.  Seguem-se mais três álbuns nessa marca, que obtêm sucesso especialmente no Nordeste. Daí por diante, Anastácia não parou mais… Em meados dos anos 60, num programa que Luiz Gonzaga apresentava na extinta TV Continental, do Rio de Janeiro, ela conheceu Dominguinhos, com quem se casou, participou de uma caravana artística ao lado de Gonzagão e fez uma parceria musical que resultou em mais de 50 músicas, entre elas sucessos como “De amor eu morrerei”, “Eu só quero um xodó” (maior hit autoral da dupla, popularizado por Gilberto Gil e merecedor de inúmeras regravações), “O bom tocador” e “Contrato de separação”. É também autora, sem parceiro, de um dos maiores sucessos de Ângela Maria, “Amor que não presta não serve pra mim”, de 1973. Com mais de trinta álbuns gravados, Anastácia continua sendo um dos maiores nomes do forró. Teve também músicas gravadas por Nana Caymmi, Jane Duboc , Dóris Monteiro, José Augusto, Cláudia Barroso, e pelos internacionais Paul Mauriat, Timmy Thomas e Ornella Vanoni.  Da vasta bagagem fonográfica de Anastácia, o TM hoje oferece, a seus amigos cultos, ocultos e associados, “30 anos de forró”,  lançado em 1985 pela Continental. Evidentemente, a produção é caprichada, com arranjos a cargo da própria Anastácia, Osvaldinho do Acordeom e Gino Vicente, e convidados muito especiais: Gilberto Gil (que com ela revive “Eu só quero um xodó”, logo na faixa de abertura) e Belchior (que canta com ela o clássico ‘Vozes da seca”, de Gonzagão e Zé Dantas).  No restante do programa, composições da própria Anastácia em parceria com Dominguinhos (“Sanfoneiro de pé de serra”, “Que diabo tem você?”), Zé Carlos (“Fogueirão do amor”), Zé Lagoa (“Forró dos coroas”), Geraldo Nunes (“Amor na rede”), Hélio Alves (“A hora do frevo”), Ciríaco (“Sorte tirana”), Hélio Andrade (“O toque do Mané”) e, sem parceria, “O sucesso da Zefinha”. Tudo terminando com um animadíssimo pot-pourri de forró, incluindo uma música sua com Dominguinhos, “Tenho sede”. Em suma, um impecável trabalho de Anastácia, no qual ela demonstra todo seu talento como autora e intérprete, firmando-se, com justiça, como uma das mais expressivas estrelas da música regional nordestina. Puxa o fole, maestro!

eu só quero um xodó

fogueirão do amor

sanfoneiro de pé de serra

que diabo tem você

forró dos coroas

vozes da seca

o sucesso da zefinha

amor na rede

a hora do frevo

sorte tirana

o toque do mané

pot pourri

*Texto de Samuel Machado Filho