Carlinhos Vergueiro – Contra Corrente (1978)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, fora Temer! E vamos em frente que atrás tem gente. Vamos de Carlinhos Vergueiro em seu álbum de 1978, lançado pelo selo Som Livre. Como se pode ver pela capa e contracapa, trata-se de um trabalho da melhor qualidade. Eu o considero como um de seus melhores discos. Carlinhos vem muito bem assessorado por um time de músicos de primeira. Não vou nem listá-los para não cometer a injustiça de esquecer de algum. Mas vale lembrar que além dos instrumentistas temos também um outro time (este de futebol de salão) de arranjadores: Zé Menezes. Edson Alves, Marcos de Castro, Waltel Branco e Edson Frederico. As doze faixas são todas autorais, em parceria com J. Petrolino, sendo a faixa “As duas margens do rio” de autoria também do violonista e compositor Toquinho. Embora este seja mais um disco já bem manjado entre caçadores e colecionadores de música digitalizada, vale a pena postar. Vale a pena relembrar 😉

prendas do lar
contra corrente
orelhão de avenida
a fugitiva
panela de pressão
homem calado
trilha sonora
noturno paulistano
rendição
as duas margens do rio
toque outra vez
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Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

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O Sonho De Alice – Trilha Sonora Original (1982)

Olá. amigos cultos, ocultos e associados! Após o disco de “Chapeuzinho Amarelo”, baseado no livro infantil homônimo de Chico Buarque, até hoje best-seller, e que virou bem-sucedido musical teatral, o TM apresenta hoje mais um álbum para crianças de todas as idades, com a trilha sonora de outro grande sucesso do teatro infantil brasileiro no início dos anos 1980. Trata-se de “O sonho de Alice”, concebido por Fred Pinheiro e Thanah Corrêa, adaptando os dois livros do escritor britânico Lewis Carroll protagonizados pela famosa personagem-título, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”. No enredo, a menina Alice acorda em um estranho reino e sai à procura da sua gatinha Diná. E é no País das Maravilhas que ela encontra personagens diferentes, como o coelho branco, o Gato Quem, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco (em uma festa de “desaniversário”),  Tocatim e Tocatum, que lhes ensinam noções de amizade, respeito e liberdade.  Estrelado por Myrian Rios (que afastou-se da vida artística e hoje é membro da comunidade católica Canção Nova),  e produzido por ela juntamente com seu então marido, o “rei” Roberto Carlos, “O sonho de Alice” alcançou grande repercussão, tanto que, segundo depoimento da própria Myrian, “tinha até cambista na porta do teatro, e isso é raro numa peça infantil”.  O espetáculo foi apresentado no Teatro Villa-Lobos, do Rio, e, em São Paulo, no antigo Teatro Zaccaro, encantando crianças e adultos. E, vez por outra, “O sonho de Alice” é remontado, com outros elencos.  Agora, o TM apresenta o álbum com a trilha sonora de “O sonho de Alice”, com seu elenco original, tendo, claro, Myrian Rios à frente, lançado em 1982 pela CBS, a mesma gravadora de seu então cônjuge, Roberto Carlos. Evidentemente, como co-produtor do espetáculo, ele também compôs a maior parte das músicas, tendo a colaboração de nomes como o eterno amigo e parceiro Erasmo Carlos, Paulo Sérgio Valle, e o maestro Eduardo Lages, então figura de proa nos shows e discos de Roberto. O disco reproduz a magia e o encanto da versão teatral, e o encarte dá-se ao trabalho de incluir um roteiro da história, junto com a reprodução das letras das canções. Enfim, uma orientação e tanto para se apreciar melhor este álbum que o TM hoje nos oferece. É ouvir e sonhar…

reino encantado

alice

as flores

marcha soldado

tocatum e tocatim

lagarta oriental

parabéns pelos 364 dias

a ciranda do mosquito

o gordinho

o gato que ri

tema da rainha

professor sabe tudo

a tartaruga

o cavaleiro

oitava casa

valsa real

no reino da felicidade

.*Texto de Samuel Machado Filho

Panorama Da Música Popular Brasileira (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa que eu não dispenso aqui no blog são as coletâneas. Acho elas ótimas, pois nos permite uma visão mais panorâmica de um determinado tema ou artista. Não é atoa que aqui a gente também acabe produzindo nossas próprias coletâneas exclusivas, sempre fazendo muito sucesso.
Hoje temos uma coletânea oferecida pela Organização Philips Brasileira. Um disco não comercial, promocional, lançado pela gravadora e selo Philips, em 1967, provavelmente como cortesia de fim de ano. A empresa e sua marca chegou ao Brasil em 1924, mas só depois da Segunda Guerra Mundial foi que as atividades industriais se iniciaram por aqui. A Philips produzia lâmpadas e aparelhos eletrônicos e ao longo do tempo foi se tornando uma gigantesca organização, atuando em campos diversos da produção industrial de eletroeletrônicos. A sua indústria fonográfica e selo surgem no final dos anos 50. E ela investe pesado na música, principalmente como gravadora. Tem entre seus contratados artistas dos mais importantes, tanto nacionais quanto internacionais. É inegável a contribuição da gravadora para com a música brasileira. São muitos os títulos lançados por ela e aqui, nesta coletânea, vamos encontrar um leque especial com alguns dos melhores momentos de sua produção até o ano de 1967. Certamente, tudo isso já passou por aqui, mas vale a pena ouvir de novo 😉

preciso aprender a ser só – os cariocas
disparada – jair rodrigues
apelo – silvio aleixo
a praça – ronnie von
upa, negrinho – elis regina
dia das rosas – claudette soares
no cordão da saideira – edu lobo
laranja madura – ataulfo alves
pedro pedreiro – nara leão
depois do carnaval – noite ilustrada
ensaio geral – gilberto gil
e nada  mais – os gatos
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Fernando Santos – Samba De Caboclo (1975)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados parcela substancial e importantíssima da cultura musical afro-brasileira, através do álbum “Samba de caboclo”, gravado em 1975 por Fernando dos Santos, o Ilê de Egunajara, para a Continental (selo Musicolor). Houve uma reedição em 1978, com a marca Popular.  O samba de caboclo, de acordo com o “Dicionário banto do Brasil”, é um cântico ritual dos candomblés de caboclo. Tais cânticos são entoados em festas que geralmente acontecem uma vez por ano, nas quais são oferecidas aos caboclos todas as iguarias alimentares de que eles gostam, inclusive frutas, e uma be

Arco Íris – Coração Coração (1982)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguindo nossa jornada musical (ainda estou no embalo de julho) eu hoje trago uma das excelentes produções independentes lançadas na década de 80. Este foi um período onde muita coisas independente começou a pipocar por aí. Uma fase que precisamos passar um pente fino para resgatar trabalhos de altíssima qualidade, como é o caso deste aqui… Quem olha pela capa há de pensar que se trata de uma coletânea de músicas românticas, algo até meio infantil ou feminino, sei lá… Mas quem vê cara e não olha a bunda, perde a chance de um rebolado. E aqui, no caso há bem mais que rebolado. Temos o quarteto vocal Arco-Íris, formado por Marcos Dantas (voz e violão), Fernando Veloso (voz), Ophélio Walvy (voz e violão) e Nelson Wellington (voz e violão). No ano de 1982 eles lançaram este, “Coração, coração”, um lp muito bem produzido, com grande parte das composições autorais, ou em parcerias. Quem escuta pela primeira vez acredita ser este outro grupo vocal, o Boca Livre, ou ainda a dupla Burnier e Cartier. Mas quase não é um engano, a essência é a mesma. Inclusive há músicas e participação desses artistas (Cláudio Nucci e Cláudio Cartier) no disco.  Outro destaque importante é também o Azimuth, presente aqui, com Alex Malheiros e Zé Roberto Bertrami. Duas músicas deste disco tiveram um relativo sucesso, chegando a tocar em rádios, “Maria Clara”, de Cláudio Cartier e Paulo Feital e “Porteira”, de Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington. Vale muito a pena conferir…

maria clara
porteira
a um passo
reluzir
veleiro
flor de lilás
cometa
invasão
marujada
coração, coração
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Sivuca 73 (1974)

Boa tarde, prezados amigos cultos e ocultos! Entre os tantos discos do Sivuca que eu já postei aqui no nosso Toque Musical, este é mais que não podia faltar. Belíssimo trabalho de Sivuca gravado e lançado nos Estados Unidos, em 1973. Nesta época, Sivuca estava morando em Nova York, gravando muito e trabalhando com o ator e cantor Herry Belafonte. surgiu então a oportunidade de gravar este disco pelo selo Vanguard. No mesmo ano também lançaria outro, ao vivo, o ‘Live in from Village Gate”. Todos os dois lps vieram a ser lançados também no Brasil no ano seguinte, 1974. Neste disco Sivuca toca acompanhado por músicos americanos, o que dá ao trabalho uma atmosfera meio jazzística, ou ainda bem aos moldes de outro brasileiro, o Sérgio Mendes. O repertório é fino, com uma seleção que nos traz dez faixas com músicas, entre essas, também autorais e algumas até bem conhecida do público. Para o meu gosto pessoal, este é um dos discos do Sivuca que eu mais aprecio e que tive a felicidade de ganhar o lp do meu amigo Fáres. Mais que nunca, este é um que não podia mesmo faltar aqui 😉

ain’t no sunshine
você abusou
tunnel
ponteio
rosa na favela
adeus maria fulô
inquietação
amor verdadeiro
lament of berimbau
arrasta pé
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Bimba – Morena (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje temos aqui um disco independente, álbum solo da cantora Bimba. Bimba? Este talvez seja o questionamento de muitos e foi também o meu no primeiro momento que vi a capa. Quem é essa cantora que atende pela alcunha de Bimba? De Bimba, que eu me lembrasse era apenas o mestre Manoel dos Reis, precursor da Capoeira. Chegou a me causar estranheza esse nome, que irremediavelmente me levou para um lado irônico e malicioso (ups! sem comentários). Mas não demorou muito para que eu caísse na real. Bastou por o disco para tocar e ler a ficha técnica no encarte. Claro, agora me lembrei… Bimba, na verdade é Semíramis, cantora que fez parte do grupo A Brazuka, de Antonio Adolfo e do quinteto Samba S.A., de Mário Castro Neves. Antes disso porém, em 1967, ela fez parte do Quarteto em Cy, passando a assinar Cymiramis. E com este grupo feminino ela excursionou pelos Estados Unidos. A partir da década de 80 ela volta em disco solo, já com o nome de Bimba. Até onde eu sei, ela gravou dois discos, um em 79 e este de 80, todos os dois sendo produção independente. Para este álbum que apresentamos, Bimba contou com a produção, arranjos e regências de Antonio Adolfo. Participam do discos instrumentista importantes, tais como Rick Ferreira, Márcio Montarroyos, Leo Gandelman, Luis Claudio Ramos, Claudio Stevenson e outros…

potes de amor
morena
candelabro
por que sos
abolerado
chuva ee prata
de todas as cores azuis
vela presa
paraiba do sul
merengue remelexo
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Mário Pereira – Na Praia (1965)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o clarinetista Mário Pereira, um músico capixaba, que atuou pela CBS nas décadas de 60 e 70. Fez parte do Regional de Canhoto, que foi quem o trouxe para a gravadora. Na CBS, gravou pelo menos uns seis discos, além de participação em discos de outros artistas. Formou na década de 80 seu próprio regional, sendo consagrado com um dos grandes músicos do choro. Também tinha um conjunto de baile e alegrou muita festa, principalmente nos subúrbios do Rio. Este lp foi o segundo disco gravado por ele. Seu último trabalho, pelo menos até onde eu sei, foi o cd independente “Gafierando”, com temas de sua própria autoria. Confiram…

chorinho no morro
o trenzinho
sem você tudo é tristeza
um clarinete triste
deixa-me chorar
gingando
la playa
garota tentação
quando a noite chegar
prazer das morenas
até quando
chorinho na cinelância
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Beth Carvalho – Beth (1986)

O TM oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum desta grande dama do samba que é Beth Carvalho. Com mais de 50 anos de carreira, ela já recebeu dezessete discos de ouro, nove de platina, e dois DVDs de platina, além de centenas de troféus e premiações. E, desta vez, o TM nos traz “Beth”, lançado em 1986 pela RCA (depois BMG, e hoje Sony Music). Produzido por Renato Corrêa, dos Golden Boys, foi dedicado pela própria Beth a Nara Leão, também sua amiga pessoal, a quem sempre admirou por ter buscado os compositores do povo, cantando suas tristezas e alegrias, e captar os anseios populares. Conforme assinala a jornalista Lena Frias no texto de apresentação, o disco traz uma Beth “ainda mais engajada político-ideologicamente, comprometida com o país e seus destinos”. O que comprova a faixa de maior sucesso do álbum, “Corda no pescoço”, de Almir Guineto e Adalto Magalha, a primeira desse trabalho a chamar a atenção das rádios e do público. E cuja letra, infelizmente, continua atualíssima.  Há boas regravações de “Chega de saudade”, clássico da bossa nova, e “Coisa de pele”, originalmente sucesso na voz de seu co-autor, Jorge Aragão. De quebra, as participações especiais de Zeca Pagodinho em “Dor de amor”, e da cantora argentina Mercedes Sosa, então símbolo vivo da resistência na América Latina, em “Eu só peço a Deus”, num vigoroso “protesto da latinidade”. Com direito a um trabalho inédito de Cartola, falecido seis anos antes, “Espero por ti”, e uma composição do forrozeiro Jorge de Altinho, “Eu quero mais”. Em suas treze faixas, “Beth” é um trabalho impecável, muito bem produzido, de uma artista que sempre acreditou na arte gestada e nascida em terreiros, botecos e tendinhas, tanto que, quando este disco foi lançado, o chamado “pagode de mesa” estourou nas emissoras de rádio, tornando-se mania nacional. Há ainda composições de Arlindo Cruz, Sombrinha, Luiz Carlos da Vila, verdadeiros “cobras” do samba, enriquecendo ainda mais este LP, sem dúvida um ponto altíssimo na discografia de Beth Carvalho. Um verdadeiro manifesto de brasilidade e latinidade! Confiram…

nas veias do brasil

dor de amor

caxambu

partido alto mora no meu coração

padroeira

fogo de saudade

corda no pescoço

coisa de pele

falso reinado

chega de saudade

eu quero mais

espero por ti

eu só peço a deus

*Texto de Samuel  Machado Filho

Expósito E Sua Orquestra – Motivo D’Amore (1965)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ainda continuo no embalo que vim do mês de julho. É como se a festa de aniversário ainda não tivesse chegado ao fim. Ou por outra, no embalo final e etílico do fim de festa. Daí, a gente continua e parece que ainda mais inspirado, hehehe…
Pois é, e assim temos mais um disco do maestro Expósito em nossas fileiras. Depois de termos postado aqui, pelo menos uns quatro disco dessa maravilhosa orquestra, agora me aparece mais este, “Motivo D’Amore”, outro álbum com um sortido repertório contemplando temas nacionais e internacionais. Como em outros lançamentos da RCA Victor, este também não fica a desejar, exceto pelas informações a respeito de Expósito e Sua Orquestra. Este é um nome que só veio a ser desvendado depois que passamos a postar os seus discos. Foi graças aos amigos cultos que conseguimos desvendar o misterioso Expósito. Segundo informações colhidas nos próprios comentários de postagens, Expósito foi um maestro argentino que esteve no Brasil durante a década de 60 fazendo arranjos e regências para a Orquestra da RCA Victor. Gravou com ‘sua’ orquestra pelo menos uma meia dúzia de lps, todos geniais. Possivelmente, deve ter feito mais coisas para a gravadora, que naquela época produzia muito. Na contracapa deste lp podemos ver três lançamentos da gravadora, sendo que um deles é da Orquestra Namorados do Caribe (disco também já postado aqui no TM). Eu suponho que esta também foi outra contribuição de Expósito. Tudo leva a crer, pelo estilo, pelos arranjos, pela orquestra e pela gravadora. Enfim, estamos aos poucos mapeando todo o circuito musical desse maestro argentino pelo Brasil. Confiram mais este disco, que com certeza é um bom motivo para amar 🙂

michael
amore scusami
cheat cheat
motivo d’amore
berimbau
meglio stasera
in ginocchio da te
my boy lollypop
rhythm of the rain
una lacrima sul viso
it’s a mad, mad, mad, mad world
samba de verão
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Fagner – Manera Fru Fru Manera (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Partido para os 10 anos, aqui vai o primeiro passo… Aliás, um passo muito especial. Hoje eu vou postar um dos discos que eu mais gosto. Embora já tenha prá lá de 40 anos, quando foi lançado, ainda hoje é um disco muito comercial. Na verdade um clássico que nunca deixou de ser sucesso. E muito por conta disso eu até então nunca pensei em postá-lo aqui. Por outro lado, trata-se de um lp bem manjado e que se pode encontrar em qualquer lugar. Mas, pensando agora aqui com os meus botões, acho que já está na hora dessa joinha’ figurar em nossa lista’. Assim, aqui temos “Manera Fru Fru Manera”, primeiro álbum do cantor, compositor e produtor cearense, Raimundo Fagner. O disco, originalmente, foi lançado em 1973. Produzido por Roberto Menescal, com coordenação de Paulinho Tapajós, arranjos de Ivan Lins e Luiz Cláudio e direção musical do próprio Fagner. Há participações especiais, de Nara Leão e Nana Vasconcellos. Na primeira edição o disco trazia a música “Canteiros”, que era na verdade um poema de Cecília Meirelles adaptado e musicado por Fagner e Belchior. Nesta edição não havia os créditos do parceiro e muito menos era citado o nome da poeta. Em 1976 o disco foi relançado e a música “Canteiros” se tornou um grande sucesso. Nesta segunda tiragem já constava o nome de Belchior e de Cecília Meirelles. Porém a família da poetisa entrou na justiça pedindo a exclusão da música, a qual foi substituída por “Cavalo ferro”, que ocupou o lugar da outra nesta edição de 1980. Para não ficarmos com a sensação de que está faltando alguma coisa, inclui no nosso arquivo a música original, “Canteiros”. Confiram lá no GTM, pois o tempo é limitado…

último pau de arara
nasci para sofrer
penas do tiê
sina
mucuripe
como se fosse
pé de sonhos
canteiros
cavalo ferro
moto I
tambores
serenou na madrugada
manera fru fru manera
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Madrugada e Seu Conjunto – Só Sucessos Vol. 10 (1970)

O TM já havia oferecido a seus amigos cultos, ocultos e associados o primeiro LP do misterioso Madrugada e seu Conjunto, “Apaixonadamente”, lançado em 1964 pela CBS, selo verde Entré. Segundo depoimento do organista Lafayette Coelho, músico que continua na ativa, para o site www.jovemguarda.com.br, era ele quem fazia as bases para o conjunto de Madrugada, cujo violinista, conforme muito bem frisado por nosso amigo Alceu, era Homero Gelmini, o “velhinho” ao qual Lafayette se refere na mesma entrevista, que inclusive fez parte do grupo Os Boêmios, da Rádio MEC do Rio de Janeiro, além de ter sido spalla da orquestra do Teatro Municipal carioca.  Alguns dos músicos que colaboravam com o Madrugada também participaram dos álbuns da Orquestra Brasileira de Espetáculos, da mesma CBS, vários deles apresentando versões instrumentais dos sucessos do astro número 1 da gravadora, o “rei” Roberto Carlos. Incógnitas e mistérios à parte, o fato é que Madrugada e seu Conjunto  tiveram longa e vitoriosa carreira fonográfica. Logo em seguida ao álbum de estreia,  “Apaixonadamente”, viria o primeiro volume da bem sucedida série “Só sucessos”, sempre com a marca Entré/CBS. E viriam, até 1975, mais 19 volumes. Pois agora, o TM oferece a vocês o décimo volume de “Só sucessos”, editado em 1970. Sempre com o violino de Homero Gelmini se destacando, o grupo nos oferece, em doze faixas, sucessos dessa época em clima dançante, de bailinho mesmo.  Entre eles, “A namorada que sonhei” (“Receba as flores que lhe doooooou”, lembram-se do Nílton César cantando esta pérola?), “Se eu pudesse conversar com Deus” (música de Nélson Ned consagrada por Antônio Marcos e até hoje lembrada), “A festa dos seus quinze anos” (de Ed Wilson, sucesso-solo do cantor Leno, ex-parceiro de Lilian em famosa dupla da Jovem Guarda), “Se ela voltar” (de Rossini Pinto, então hit de Wanderley Cardoso), “O amor é tudo” (aliás, “Love is all”, que Malcolm Roberts imortalizou no Festival Internacional da Canção de 1969, tendo a versão sido gravada por Agnaldo Rayol), “Eu vou sair para buscar você” (outro sucesso de Nélson Ned, este na voz de Agnaldo Timóteo), a clássica modinha “Quem sabe?”, de Carlos Gomes (que o mesmo Agnaldo Timóteo havia então relembrado), e, do repertório de Roberto Carlos, astro maior da CBS, “Não adianta” e “Nada tenho a perder”. “Vivamos o momento” e “Conta-me tua vida” foram hits de Roberto Muller, e “De mãos dadas” foi popularizado por Carlos Alberto, ambos os cantores então também contratados da “marca do olho caminhante”.  Tudo isso em um álbum perfeito para animar qualquer bailinho ou festa de cunho nostálgico. E aí? Dá-me o prazer desta contradança?

não adianta

a namorada que sonhei

a festa dos seus 15 anos

de mãos dadas

conta-me tua vida

eu vou sair para buscar você

nada tenho a perder

se eu pudesse conversar com deus

o amor é tudo

quem sabe

vivamos o momento

se ela voltar

*Texto de Samuel Machado Filho31

 

Toque Musical – Comemorando 9 Anos Com você!

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje, dia 30 de julho, estão completando 9 anos em que inaugurei o blog Toque Musical. Foi justamente nesse dia que eu resolvi retomar as atividades de blogueiro, após ter ficado quase 5 anos publicando e compartilhando discos, até então raros, no que foi um dos primeiros blogs do gênero, o Acesso Raro. Neste primeiro blog eu postei também de tudo, tanto discos nacionais quanto internacionais. Era uma época em que poucos ainda compartilhavam músicas/discos e o grande barato era o Napster. Depois vieram os Torrents e junto com esses os blogs. Foi também nesse período que eu passei a colecionar a música digitalizada. Percebi que não era só eu quem estava interessado na coisa. Tanto aqui no Brasil como fora, muitos já estavam intercambiando seus acervos. Foi um momento profícuo para aqueles que gostam de música e de discos. Descobri e redescobri muita coisa que eu nem lembrava, principalmente os internacionais. Mas, até então, tudo isso era distribuído e compartilhando de forma confusa por quem publicava, inclusive eu, no meu Acesso Raro. Não levava em conta uma boa apresentação, nem sempre trazia textos informativos ou orientação sobre oque estava sendo postado, não havia respeito ou preocupação com direitos autorais, os links oferecidos nem sempre eram completos e ainda havia a questão dos vírus em arquivos. Era um verdadeiro ‘samba do crioulo doido’. Era mesmo o momento de coletar tudo e reorganizar. E foi o que eu fiz, criei um acervo digital, com boa parte sendo discos e músicas internacionais, principalmente rock, jazz e blues. Sentia falta, na época, da presença da mpb, dos discos da indústria fonográfica brasileira. Ainda era pouco o que havia sido publicado em termos discos nacionais. No Acesso Raro eu comecei então a postar os discos nacionais, mas este blog começou a ser muito visado depois de uma matéria que saiu na Folha de São Paulo falando sobre o ‘bum’ dos blogs musicais de compartilhamento. O público aumentou e nele vieram os acusadores de que aquilo era um ato de pirataria. Começaram então com a vigilância e as denúncias. Muitos blogs fecharam as portas, obrigatoriamente. Cansando da peleja, resolvi então fechar o meu boteco também. Alguns meses depois resolvi retomar, mas dessa vez com uma nova proposta, um novo blog, o Toque Musical. Incentivado pelo amigo Mauro e seu Loronix, voltei novamente as postagens, Só que desta vez com uma nova proposta, publicar apenas discos e artistas da música brasileira. Era hora de eu colocar para fora os meus discos de mpb. E foi o que eu fiz, comecei a digitalizá-los e postar diariamente. Assim como o Loronix, eu também tive a sorte de encontrar colaboradores. Amigos, donos de lojas de discos, me permitiam digitalizar alguns lps. Pouco tempo depois conheci o Edu Pampani, dono da Discoteca Pública, em Belo Horizonte. Ele generosamente abriu seus arquivos para mim. Me permitiu digitalizar tudo que quis e assim o Toque Musical se tornou um dos mais interessantes blogs de música, trazendo em primeira mão centenas de discos raros, obras importantes da mpb que até então estavam esquecidas. Ao longo de todos esses anos muita coisa aconteceu, inclusive diversas alterações no blog que o levou a se desdobrar em três versões para se manter ativo.
Hoje temos a matriz como um site independente em www.toque-musicall.com e duas versões pelo blogspot, a galeria em http://toque-music-all.blogspot.com.br/?view=flipcard e versão para apenas as produções exclusivas do TM, em http://toque-musica.blogspot.com.br/. As postagens atualmente já não são mais diárias como eram antes e até mesmo o público que já chegou a casa de mais de mil acessos, hoje talvez não chegue a 300. Isso se deve ao fato de que os tempos mudam e o que ofereciam os blogs, hoje se pode adquirir através até do Facebook, Youtube… Por outro lado, muito do que foi postados nos blogs de músicas, os discos antes raros, hoje são novamente relançados, tanto em formato digital quanto em vinil. Penso que o Toque Musical só resistiu a tanto tempo devido as escolhas que eu fiz, ao ter criado para ele regras e formatos. Por ter conseguido encantar as pessoas certas, um público certo que sabe valorizar esse meu trabalho. Foi graças aos amigos que fiz, que conquistei sendo honesto. Nunca fiz deste espaço um lugar para se lucrar. Nunca ganhei dinheiro com isso e só mesmo de um tempo para cá foi que passei a aceitar doações. E para a minha felicidade, as verdadeiras doações foram as que me trouxeram amigos. Aliás, esses vieram antes, ou com eles vieram as colaborações. Entre tantos amigos cultos e ocultos que fiz por aqui, destaco e agradeço principalmente a três figuras: ao Chris Rousseau pelos sempre inéditos, raros e polêmicos arquivos enviados. Ao Fáres, cuja a simpatia e impatia (recíproca, é bom que se diga) promoveu um novo momento no blog, enviando-me mais de uma centena de discos, os quais tem sido o produto da maioria das postagens desse ano. E finalmente o Samuca (Samuel Machado Filho), que passou a ser o segundo e mais completo resenhista do Toque Musical. É graças ao incentivo desses e de outros amigos, sejam eles cultos ou ocultos, que o TM chega a essa marca de 9 anos e com mais de 3 mil postagens. A todos que tem me apoiado eu só posso agradecer. Com já dizia o poeta Paulo Cesar Pinheiro: ‘O importante é que a nossa emoção sobreviva”. E vamos nós, porque ainda tem muita água pra rolar…

Abraços a todos!
Augusto TM

Shopping Tops (1976)

Bom dia, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Trazendo mais um disco na linha promocional, hoje temos uma coletânea elaborada pela gravadora e selo Crazy para o Shopping Center Ibirapuera, um dos primeiros e gigantes centros de compra que surgiam no Brasil a partir da década de 70. Eu não achei informações, mas creio que este lp foi lançado como brinde aos fornecedores e clientes do Shopping. No álbum vamos encontrar uma verdadeira salada mista, com os mais variados e obscuros artistas e gêneros da época. Entre esses temos também os destaques, que são os artistas/conjuntos do cast da gravadora, tipo Tarancon e Joelho de Porco. Por aí já dá para se ter uma ideia do variado leque dessa seleção…

that’s the way – the last trio
altar de primavera – moacir morales
bonna cera – merry boys
gracias a lavida – tarancon
bumping joe – sweet corporation
aimer quelqu’un d’heureux – caroline verdi
monkey bump – baby champ
eu me recordo – kleber
season of assassins – sammy barbot
reza folia – grupo raizes
coração em recesso – cloves dalem
mardito fiapo de manga – joelho de porco
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O Som Brasileiro Do Bamerindus (1981)

Em 1929, ano de grave crise financeira mundial, o empresário e político Avelino Antônio Vieira  resolveu fundar uma empresa bancária na cidade paranense de Tomazina, em sociedade com amigos: o Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná, incorporado, em 1944, ao Banco Comercial do Paraná, do qual Avelino tronou-se diretor comercial. Em 1951, Avelino Vieira comprou o Banco Meridional da Produção, que tinha apenas quatro agências, mudando seu nome para Banco Mercantil e Industrial do Paraná, que ficaria conhecido pela sigla Bamerindus. Tanto que, em abril de 1971, a empresa passou a ser Banco Bamerindus do Brasil S.A., e tornou-se uma das maiores  instituições do setor na América do Sul durante os anos 1970/80. Quem não se lembra do jingle “O tempo passa, o tempo voa, e a Poupança Bamerindus continua numa boa”?  Ou então da série de minidocumentários “Gente que faz”, patrocinada pelo banco e veiculada em horário nobre da televisão, que teve 230 episódios, e foi até premiada? Entretanto, nos anos 90, o Bamerindus entrou em dificuldades financeiras  e acabou liquidado pelo Banco Central, sendo parte de seu espólio incorporada pelo HSBC, de capital britânico (mais tarde, o HSBC é quem deixaria o Brasil, sendo suas agências incorporadas pelo Bradesco, processo esse ainda não concluído quando da elaboração desta resenha). Agora, o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos  e associados um raríssimo álbum oferecido como brinde aos clientes do extinto banco da família Andrade Vieira. É “O som brasileiro do Bamerindus”, produzido como parte da campanha “Integração”, criada pela agência de publicidade Umuarama, e lançada em 1981 nas emissoras de rádio de todo o Brasil, aproveitando regionalismos e outras características próprias de determinadas cidades e estados. O objetivo era mostrar a proximidade do Bamerindus com a cultura local, e o presente álbum se enquadra nele perfeitamente. Nessa época, o principal garoto-propaganda do banco (e também seu cliente) era o eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que participa com duas faixas, a de abertura (“O homem da terra”, que foi até jingle do Bamerindus) e a de encerramento (“Erosão”), tendo na sanfona, em ambas, o não menos eterno Dominguinhos. São, ao todo, dez faixas, com arranjos de Luiz Arruda Paes, Nélson Ayres, Heraldo do Monte e Luiz Roberto, e ainda contando com as participações especiais do acordeonista Oswaldinho e do regional de Evandro. A capa dupla é muitíssimo bem ilustrada, e tem um ótimo texto de apresentação do pesquisador e jornalista  Zuza Homem de Mello, que nessa época também apresentava o programa “Com música nas veias”, na Rádio Jovem Pan AM de São Paulo. Este foi também um dos primeiros lançamentos (se não o primeiro) da gravadora Som da Gente, criada pelo casal de músicos Walter Santos e Tereza Souza (autores, por sinal, de todas as faixas deste álbum que o TM hoje oferece), e até hoje referência obrigatória quando se fala em produção musical independente.  Enfim, um trabalho primoroso, de qualidade, sob medida para quem aprecia o que há de melhor em nossa música popular.

homem da terra

para sempre

natal

homem de palavra

vinte e cinco anos

um grande abraço

amanhã, com certeza

viver a vida

essas coisas simples

erosão

*Texto de Samuel Machado Filho

Lyra Do Xopotó – Mestre Filó Apresenta a Lira De Xopotó (1957)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Só agora estou me dando conta de que já havia enviado este disco para o Samuca resenhar, eu acho… Fiquei meio na dúvida e ao mesmo tempo com preguiça de verificar. Vou eu mesmo fazer a postagem, pesaroso por vocês não terem aqui um texto, sempre muito informativo, do nosso amigo. Prometo que o próximo disco da Lira de Xopotó vai ser apresentado por ele, ok? Para este, não carecemos de muitas apresentações, visto que na contracapa já temos tudo que precisamos, um texto de Paulo Tapajós, em letras bem graúdas que nos permite ler até sem precisar ampliar a imagem. Já falamos da Lira de Xopotó em outros discos postados aqui. Mas é sempre bom esclarecer. A Lira de Xopotó foi idealizada pelo radialista da Rádio Nacional, Paulo Roberto, em seu programa de mesmo nome, em 1954. O programa foi criado com o objetivo de promover o estilo das bandinhas de cidades do interior, aquelas típicas de coreto, ou coisa parecida. O programa contava com o apresentador Paulo Roberto contracenando com o ‘Mestre Filó’, personagem interpretado por Jararaca (da dupla Jararaca e Ratinho). Porém, quem comandava mesmo a banda era outro, o maestro Lírio Panicali, responsável pela regência e arranjos. O programa Lira de Xopotó foi um tremendo sucesso, a ponto de levar a bandinha para além das ondas do rádio, dando origem ao lançamento de uma série de discos. Este, lançado em 1957, foi o primeiro em 12 polegadas e com doze faixas. No repertório, como se pode ver, temos uma série onde predominam os maxixes e dobrados. Um trabalho muito bonito que merece toda a nossa atenção. Não deixem de conferir…

serra negra
mestre filó
flor do mal
baile no galpào
alfredo rotay
tá no ré
alô niteroi
as pastorinhas
ídolo quebrado
aboliçào
pirilampo
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Globo De Ouro Vol. 5 (1979)

O TM oferece hoje, prazeirosamente, aos seus amigos, ocultos e associados, mais um álbum da série “Globo de ouro”, baseada no programa de mesmo nome, exibido pela Rede Globo de Televisão entre 1972 e 1990, seguindo a linha do “hit parade”, ou seja, apresentando músicas que faziam sucesso em sua época. Desta vez, é oferecido o volume 5, lançado, como sempre, pela Som Livre, braço fonográfico da emissora, em 1979. E, como vocês irão perceber, esta seleção apresenta catorze hits da época que ainda estão na memória de muitos que a viveram, interpretados, em sua maioria, pelos artistas que os consagraram, em gravações originais cedidas pelas co-irmãs da Som Livre.  A seleção musical ficou a cargo de um verdadeiro craque das montagens, Toninho Paladino, e transmite bem a época do lançamento desta compilação. Só pra começar: a faixa de abertura é “Sou rebelde (Soy rebelde)”, com Lilian (ex-parceira de Leno em famosa dupla da Jovem Guarda). Com letra em português do futuro escritor best-seller Paulo Coelho, é considerado o maior sucesso-solo da cantora. Ídolo junto às camadas mais populares, Júlio César aqui comparece com seu maior hit, “Tu (Du)”, versão de Cleide Dalto para uma canção de origem alemã, lançada em 1977 e que foi conseguindo êxito aos poucos. O inesquecível “cachorrão”, Jair Rodrigues, vem com um ótimo samba, “Gotas de veneno”. Outro ídolo das camadas populares, este também já falecido (e de forma trágica, em acidente de automóvel), Carlos Alexandre (pseudônimo de Pedro Soares Bezerra), potiguar de Nova Cruz, vem com seu maior sucesso: “Feiticeira”, que ele até interpretava como cantor mascarado no programa do Chacrinha (então transmitido pela Bandeirantes).  O conjunto Superbacana aparece com a maliciosa “Tá com medo, tabaréu? (Melô da pipa)”, cujo sucesso até desaguaria no carnaval de 1980. Francis Hime vem com a ótima “Pivete”, parceria dele próprio com Chico Buarque, em faixa extraída do álbum “Se porém fosse portanto”, da própria Som Livre. A curiosidade fica por conta do argentino Danny Cabuche, interpretando “Para esquecer”, versão em português de um sucesso seu em terras portenhas, “Que hay que hacer para olvidar?”.  Outro argentino, Palito Ortega, assina “Por muitas razões eu te quero (Por muchas razones te quiero)”, em versão de Walter José, e então sucesso absoluto nas vozes de Jane e Herondy, aqueles do “Não se vá”. Ruy Maurity, conhecido por músicas como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”,  aqui interpreta “Bananeira mangará”, regravação de um êxito da forrozeira Marinês em 1973. Outro inesquecível nome da MPB, Roberto Ribeiro, apresenta aqui um samba realmente antológico, “Todo menino é um rei” (“e eu também já fui rei”), sucesso merecido na época. Em seguida, temos o primeiro grande hit de Fábio Júnior, “Pai”, que ele apresentou pela primeira vez ainda em fins de 1978, num episódio do seriado “Ciranda, cirandinha”, também da Globo, e explodiu no início de 79, ao ser tema de abertura da novela “Pai herói”, de Janete Clair, estrelada por Tony Ramos, Paulo Autran e Glória Menezes, entre outros. Carlos Alberto de Oliveira, o Dicró, outro nome da MPB que deixou muitas saudades, interpreta aqui a maliciosíssima “Olha a rima”. Composta por Chico Buarque para sua peça teatral “Ópera do malandro”, a conhecidíssima “Folhetim” é interpretada aqui por Neuza Borges, expressiva atriz negra, catarinense de Florianópolis, e com inúmeros trabalhos de sucesso na TV e no cinema em seu currículo (no momento em que esta resenha foi elaborada, julho de 2016, ela estava no ar como a Mãe Quitéria da novela “Escrava mãe”, da TV Record). Para encerrar, a roqueira Bianca (pseudônimo de Cleide Domingos Franco), interpretando o hit que a consagrou, “Os tempos mudaram (O que me importa)”, composto por Cléo Galanth.  Enfim, esta quinta edição do “Globo de ouro” traz de volta um pouco do que foi sucesso em nossa música popular no final dos anos 1970, para recordação de muitos e conhecimento de quem só veio depois dessa época. Diversão garantida!

sou rebelde – lílian
tu – julio cesar
gotas de veneno – jair rodrigues
feiticeira – carlos alexandre
tá com medo tabaréu – conjunto super bacana
pivete – francis hime
pra esquecer – danny
por muitas razões eu te quero – jane e herondy
bananeira mangará – ruy maurity
todo menino é um rei – roberto ribeiro
pai – fábio jr
olha a rima – dicró
folhetim – neusa borges
os tempos mudaram – bianca

* Texto de Samuel Machado Filho

Milton Carlos – Inédito (1978)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Começando a semana, vamos com um disco já bem conhecido dos exploradores de sites e blogs musicais. Temos aqui o cantor e compositor paulista, Milton Carlos em seu álbum póstumo, lançado pela RCA dois anos após sua trágica morte em um acidente automobilístico. Para os que não sabem, Milton Carlos era um jovem músico, que ao lado de sua irmã Isolda, compôs diversos sucessos, interpretados por diferentes artistas, em especial o Roberto Carlos, que os credenciou como autores em sucessos como, “Amigos, amigos”, “Pelo avesso” e “Um jeito estúpido de te amar”. Foi um artista de uma carreira curta, porém deixou o seu legado em, pelo menos, quatro lps, além de diversas canções de sucesso. É curioso também notar a interpretação, a voz desse artista. Quem escuta pela primeira vez há de pensar que quem canta é a irmã, Isolda, mas a voz fina, quase feminina é mesmo do Milton Carlos. E não era falsete, ele realmente tinha uma voz infantil, cantando parecia uma mulher. Isso também foi um diferencial que ajudou o artista a se ingressar na RCA. Já havia, na época, o Ney Matogrosso no Secos & Molhados cantando assim. Acho que os produtores viram aí uma oportunidade…  Neste álbum, como o próprio título diz, temos uma seleção de inéditas. Músicas que ele gravou, mas que não chegaram a ser lançadas antes, ou outras em novas versões.

eu e a companhia
saudade do bixiga
entre seis milhões de pessoas
ana claudia
amigos, amigos
jogo de damas
dados biográficos
maria de tal
feira de artesanato
enredo
elas por elas
samba quadrado
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