Salinas – Alice Street Gang (1976)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu, como sempre inicio justificando as pausas e falhas de postagem em nosso Toque Musical. Vocês já sabem, é falta de tempo! Não foi a toa que eu resolvi incluir outros textos do amigo Samuel Machado Filho, além dos habituais em nossa coleção Grand Record Brazil. Se dependesse apenas dele, nossas postagens continuariam diárias e sem furo. Já tenho aqui uma dezenas de textos prontos para os diferentes discos que enviei para ele. Falta agora, tão somente, eu publicar, mas nem para isso eu tenho tido tempo. Hoje, por acaso, a manhã tá livre, daí eu me divirto mais e tomo a direção e apresentação.
Trago para este sábado um disquinho curioso. Comprei este lp há alguns anos atrás. Achei a capa interessante, pensei até se tratar de uma banda de rock, daquelas obscuras dos anos 70. Levei o disco sem olhar muito, afinal haviam outros na compra e como estava barato, foi na leva. Só alguns dias depois foi que eu vim a conhecê-lo realmente. De saída fui logo percebendo que não se tratava de rock e sim de algo no gênero ‘disco music’. E para a minha surpresa o tal Alice Street Band era conduzido por Daniel Salinas. Quer dizer, trata-se de um trabalho do eclético maestro Daniel Alberto Salinas, produzido, arranjado e tocado por ele. Eu já cheguei a postar aqui outro disco dele, o “Paz, Amor e… Samba”, de 1972. Salinas foi um maestro e arranjador muito atuante nos anos 60 e 70, trabalhando com artistas da Jovem Guarda e tantos outros dos mais variados gêneros nas décadas seguintes. Agora voltamos com este, da era ‘discoteca’. Naquele estilo inconfundível da música americana da segunda metade dos anos 70, quando a ‘disco music’ tomou conta do pedaço. Lembram aquelas músicas de aberturas em seriados tipo ‘As Panteras’, ‘Casal 20′, ‘Chips’… é por aí… Lembra também, inevitavelmente, o Eumir Deodato, principalmente na música de abertura, ‘Also Sprach Zarathustra’ em fusão com ‘Bahia’, clássico de Ary Barroso. Salinas mostra em seus arranjos que não fica por menos, apresentando um trabalho de primeira linha. Tenho certeza de que se algum desavisado ouvir este álbum é capaz de dizer que é coisa de gringo, estrangeiro. E tem tudo a ver, não só pela qualidade dos arranjos e execução. Um trabalho bacana, digno de muitos toques musicais. Pessoalmente, nunca fui muito fã do estilo, mas hoje, sou capaz de ouvir e dizer, realmente foi um trabalho bem feito. Fiquei pensando de onde foi que o Salinas tirou esse nome de ‘Alice Street Gang’. Desconfio que trata-se do endereço do estúdio da Amazon Records, na Rua Alice, do bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, onde a gang tocou. Tá no selo:)

alson sprach zarathustra – bahia
it’s now or never (o sole mio)
copacabana
flamengo
medley jorge ben:
chove chuva – mas que nada
i’llnever fall in love again
white wings
brasilian hustle
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Saraiva – Saraiva… É Sucesso (1965)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum na linha “dançante”. Desta vez, é um trabalho lançado pela Continental em 1965, talvez em fevereiro, por um dos melhores saxofonistas brasileiros, talvez até mesmo o melhor de sua época: Saraiva. Luiz Saraiva dos Santos, seu nome na pia batismal, nasceu na cidade de Belo Monte, Alagoas, cidade às margens do Rio São Francisco, em 8 de março de 1929. Filho do maestro da banda de Belo Monte, logo passou a ter contato com a arte musical. Ainda criança, mudou-se para Santos (SP) , onde construiu sua carreira artística, imortalizando paisagens litorâneas paulistas nas capas de vários de seus LPs (inclusive na deste aqui). Estudou cavaquinho, mas se identificou de verdade com o sax-soprano. Trabalhou na extinta Companhia Docas de Santos, no cais do porto, e nas horas de folga, geralmente no período noturno, tocava em bailes de gafieira, demonstrando criatividade e capacidade técnica inesgotáveis. Numa primeira entrevista para contratação na PRB-4, Rádio Clube de Santos, na frente do então diretor artístico Arnaldo Dias, Saraiva tocou ali mesmo e surpreendeu agradavelmente Arnaldo, chamando a atenção do “staff” da emissora pelo seu desempenho no sax. Foi imediatamente contratado pela rádio, iniciando assim uma carreira de muito sucesso. Saraiva tocava de tudo, ou quase: baião, samba de gafieira, bolero, frevo, choro, valsa e até bossa nova. Teve uma casa de shows em Santos chamada Recanto do Saraiva, que sempre contava com visitantes ilustres e fãs de outras regiões, inclusive da capital paulista. Além de fixar seus shows na Região Sudeste, viajou por todas as outras do Brasil (Norte, Centro-Oeste, Sul e Nordeste), e,para onde ia, compunha alguma música como gratidão ao lugar visitado. Torcedor roxo do Sport Club Corinthians Paulista, compôs o choro “O corintiano”, considerado seu trabalho de maior sucesso e uma espécie de identificação de sua maestria no sax-soprano, apesar desse instrumento ser considerado pouco versátil para solos. Sua arte ficou imortalizada em pelo menos 30 LPs,  4 compactos e 3 CDs remasterizados.
Neste “Saraiva é sucesso”, um pouco da notável arte desse magnífico executante de sax-soprano, em doze faixas, a maior parte de sua própria composição (assinando como Luiz dos Santos), sozinho e com parceiros, entre eles Palmeira, então diretor artístico da Continental. . São seis choros, dois boleros, dois baiões, uma valsa e um samba-choro, neste que foi  seu segundo LP (o primeiro, lançado no ano anterior, 1964, foi “Sobre o ritmo das ondas”). Vale frisar que as informações biográficas contidas nesta resenha foram obtidas nas contracapas dos LPs e encartes dos CDs de Saraiva, e em depoimentos de pessoas que o conheceram e/ou trabalharam com ele. Não existe nenhuma outra fonte informativa a respeito do músico, seja em revistas, jornais, livros ou na própria web. Qualquer outro dado ou informação a respeito de Saraiva será recebido pelo TM de muito bom grado. Por ora, é ouvir este seu trabalho, e conferir a sua versatilidade e criatividade ao sax-soprano.
parabéns… rio de janeiro
acompanhe se puder
lágrimas de namorados
o sapato do zé
alegria de campeões
chapeu de couro
vida ingrata
es vaidosa
soluço de amor
estela
bate papo
de um amigo só lembranças
* Texto de Samuel Machado Filho

Os Violinos Mágicos – Música Maravilhosa Dos Grandes Filmes (1961)

Hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos,ocultos e associados, mais um álbum dedicado à música de cinema. Anteriormente, oferecemos a vocês “Devaneio”, com a orquestra de Guio de Morais. Desta vez, a execução de temas de grandes filmes hollywoodianos está a cargo de outra orquestra que ponteava na Musidisc, ao lado da Românticos de Cuba: os Violinos Mágicos. É claro que o nome da orquestra foi outra obra de gênio do fundador e dono da Musidisc, Nilo Sérgio. Por certo os músicos eram praticamente os mesmos da Românticos de Cuba, com regência a cargo principalmente de Severino Araújo, o criador da Orquestra Tabajara (e da Orquestra Romântica de Severino Araújo, outro nome usado pela mesma). Existiu entre 1959 e 1969 e, embora não tivesse durado tanto tempo quanto a Românticos de Cuba (gravou apenas sete álbuns), ficou na memória de tantos quantos apreciem o chamado “easy listening”, ou seja, a música instrumental e orquestrada.
 O presente álbum é o sexto dos Violinos Mágicos, com a indefectível produção de Nilo Sérgio, sem dúvida um craque em tudo que fez, dentro da série Masterpiece, com ótima qualidade sonora. Os apreciadores da música de cinema poderão ouvir os Violinos Mágicos, devidamente reforçados por um naipe de metais, ditos “de ouro”, executando um bom punhado de canções inesquecíveis de filmes hollywoodianos. O programa inclui “Tema do concerto em mi menor”, de Chopin (do filme “A noite sonhamos”),  “Concerto n.o 2” de Rachmaninoff (de “Canção da Rússia”), “Love me or leave me” (de “Ama-me ou esquece-me”), “Why do I love you?”  e “Make believe’ (de “O barco das ilusões”), “Begin the beguine” (clássico de Cole Porter, do filme “Canção inesquecível”) e “Summertime” (outro clássico, este dos irmãos Gershwin, executado junto com “It ain’t necessary”, ambos daópera “Porgy and Bess”, que virou filme,é claro). Em suma, um cardápio de extremobom gosto,para arrepiar os que gostam da música de cinema. Luzes, câmera, ação… e música!
blue skies
begin teh beguine
summertime – it ain’t necessarily so
stranger in paradise
chopin – tema do concerto em mi menor
love me or leave me
make believe
why do i love you
rachimaninoff – concerto n. 2
a pretty girl is like a melody
* Texto de Samuel Machado Filho

Cezar De Mercês – Nada No Escuro (1979)

Boa noite, amigos eleitores cultos e ocultos! Desta vez, nesta eleição, eu procurei não me manifestar. Minha candidata era a Luciana Genro, mas eu já sabia que não ia dar em nada. Escolher entre Aécio e Dilma foi difícil, mais ainda por conta dos diversos amigos, cada um me puxando para um lado. Para evitar discussão, disse a todos que iria anular o meu voto. E me deu vontade mesmo, principalmente por conta das campanhas e propostas apresentadas pelos dois candidatos. Enfim, acabou… A Dilma venceu e vamos ver o que nos espera por aí. De resto, que quero mais é chocolate ;)
Eu poderia hoje estar postando algo mais condizente com o momento. Mas, sinceramente já estou de saco cheio disso tudo. Prefiro aplicar aqui um som mais legal, um disco que nos leve para outros caminhos mais iluminados. Nada no escuro… Sim, é este o nome do primeiro disco solo do cantor e compositor Cezar de Mercês, um músico que faz parte da história do rock nacional. Foi um dos integrantes do Terço, grande banda dos anos 70, em dois momentos, de 70 a 74 e depois entre 77 e 78. Em 2013 ele voltaria a se reencontrar com a turma, ao lado de Sergio Hinds, Flávio Venturini e Magrão para o lançamento, na época, de um show em DVD. Cezar de Mercês compôs muitas músicas, não apenas par o Terço. Gravaram suas composições artistas como Roberto Carlos, Jane Duboc, Nico Rezende, 14 Bis e outros. Em 1979 lançou através do selo Epic (CBS) este que foi o seu primeiro disco solo, o álbum “Nada no escuro”, nome de uma das onze músicas que compõe o lp, em parceria com Luiz Carlos Sá. Ainda com parceiros ele conta com Sergio Magrão, em “Pequenas coisas” e Rogério Duprat, em “Sopro no coração”. As demais músicas são composições próprias. Este disco chegou a ser relançado há coisa de uns cinco anos atrás, na versão cd, mas novamente hoje volta a ser uma boa raridade.

simplesmente
pequenas coisas
nada no escuro
são sebastião
reencontrando
grande pequen
acapulco
sopro no coração
pequeno acidente
descoberta
barco de pedra
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Nova Canção Do Sul (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença, trago para vocês outra boa doação do amigo Fáres. Tenho aqui um disco bem interessante. Um verdadeiro mostruário da música popular brasileira feita no sul do Brasil. Uma série de artistas vindos do Rio Grande, músicos que se despontaram naquele início de década. Repetindo o que está no texto da contracapa, desde Lupicínio Rodrigues não se ouvia falar em personalidades musicais gaúchas inseridas no processo criativo da MPB. Porém, a música no Sul sempre existiu, presente nos bares, boates, festivais e no rádio da região. No início dos anos 80 surgia com muita força uma nova e expressiva geração de artistas que viriam a ganhar espaço não apenas no estado, mas em todo o país. Nomes como Bebeto Alves, Kleiton & Kledir, Carlinhos Hartlieb, José Vicente e muitos outros, como vocês verão aqui, formam essa excelente e rara coletânea. Produzida pela Cristal Discos, com selo Clack. A capa é um trabalho do artista gráfico Elifas Andreato. Não deixem de conferir ;)

pialo de sangue – raul ellwanger
que se passa – bebeto alves
ú zifiu – fernando ribeiro
velhas brancas – mario barbará
ruínas de um sonho – claudio vera cruz
lugarejo – nana chaves
cuña pajé – kleiton e kledir
maria da paz – carlinhos hartlieb
ponta do anzol – josé vicente
águias – nelson coelho de castro
vingado – cao trein
terra vermelha – cenair maicá
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Sertanejos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 122 (2014)

Já em sua edição de número 122, o Grand Record Brazil volta a oferecer significativa parcela do rico acervo da chamada música sertaneja de raiz aos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Uma seleção de quinze preciosíssimas gravações, que por certo farão a alegria dos apreciadores do gênero,  especialmente aqueles que estão decepcionados com o dito “sertanejo universitário”, que tanto tem infestado a mídia nos dias correntes.

Abrindo esta seleção, um representante da música regional nordestina, Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB, 18/12/1908-idem, 2/10/1979). Ele nos apresenta aqui uma bela toada que fez em parceria com José Martins, “Lua bonita”, por ele mesmo interpretada no filme “O cangaceiro”, da Vera Cruz, êxito internacional que, no entanto, não impediu a falência do estúdio, pois tal repercussão beneficiou apenas sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures. Gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril do mesmo ano, disco 80-1100-B, matriz SB-093595. Conhecido como “a maravilha negra das Américas”, Edson Lopes (c.1930-?) aqui nos oferece o jongo “Cafuné”, assinado pelo campineiro Dênis Brean (Oswaldo Duarte Ribeiro) em parceria com Gilberto Martins. Originalmente lançado por Aracy de Almeida, em 1955, é revivido aqui por Edson em gravação Odeon de primeiro de fevereiro de 1957, lançada em maio do mesmo ano, disco 14202-A, matriz 11543. Da escassa discografia da dupla Coqueiro e Belinha (apenas cinco discos 78 com dez músicas), foi escalada a guarânia “Lei de um mandamento”, de Coqueiro sem parceria.  Foi gravada na Odeon em 13 de junho de 1960, e lançada emjulho do memso ano, disco 14639-A, matriz 50567, sendo que a “marca do templo” o reeditou mais tarde com o selo Orion, sob número R-072. Em seguida apresentamos as faixas do único 78 da dupla Ibirama e Maruí, o RCA Camden CAM-1092, gravado em 17 de outubro de 1961 e lançado em janeiro de 62,com músicas assinadas por Pavãozinho. No lado A, matriz M3CAB-1508, o xote “Linda gaúcha”, em que Pavãozinho tem a parceria de Sereno. No lado B, matriz M3CAB-1509, a canção rancheira “Deixe eu sofrer”, de Pavãozinho sem parceiro.  O “trio orgulho do Brasil”, Luizinho, Limeira e Zezinha, aqui bate ponto com o conhecidíssimo baião “Casamento é uma gaiola”, de autoria do Compadre Generoso (muita gente se lembra dessa música na voz do Sérgio Reis, e aqui vai o registro original) , por eles gravado na Odeon em 2 de abril de 1959 e lançado em junho do mesmo ano sob número 14463-B, matriz 50108, sendo depois relançado com o selo Orion sob número R-058, além de figurar em LP sem título.  A dupla Mariano e Cobrinha, ambos de Piracicaba, SP, apresentam aqui a toada “Mágoas de carreiro”, de autoria do comediante e ventríloquo Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Lançada em 1929 pelo próprio autor, é aqui apresentada em gravação feita por Mariano e Cobrinha na Continental em 6 de abril de 1948 e lançada em maio-junhoi do mesmo ano, disco 15902-B, matriz 10839. O próprio Batista Júnior, aliás, agradeceu pessoalmente a dupla por esta regravação. Do único 78 da dupla Oswaldinho e Vieirinha, o RCA Victor 80-1818, gravado em 25 de março de 1957 e lançado em julho do mesmo ano, aqui está o lado B, a toada “Canção do tropeiro”, de exclusiva autoria de Vieirinha, matriz 13-H2PB-0078. Temos em seguida, as faixas do único disco da dupla feminina Chiquita e Chinita,o Columbia CB-10280, lançado em outubro de 1956, ambas de autoria de Francisco Lacerda com parceiros, um em cada música. No lado B, o valseado ‘Cavalinho pampa”, matriz CBO-821, o parceiro de Lacerda é Ricardo Jardim, e no lado A, o tango “Parabéns, meu amor”, matriz CBO-820, o co-autor é José Maffei.  Outra dupla feminina de discografia escassa (seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia), as Irmãs Cavalcanti (Noemi, que foi vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase,  e Odemi) aqui comparecem com as faixas do disco de estreia, número CB-10029. No lado A, delas próprias, matriz CBO-170, o baião “Lumiô, lumiô”, e no lado B, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. As Irmãs Maria (Thereza Gadotti e Maria Aparecida Oliveira), também de curta carreira discográfica, aqui apresentam o huapango “Por te querer”, de Piaozinho e Maria Aparecida Oliveira, lançadopela Continental, selo Caboclo, em julho de 1961, disco CS-457-A.  Silveira e Barrinha, “a dupla dos 22 Estados”, nos oferece a clássica moda campeira “Coração da pátria”, de Silveira, Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravação RCA Camden de 25 de maio de 1962, disco CAM-1133-A, matriz N3CAB-1712. E, encerrando esta seleção, Zé Carreiro e Carreirinho, “os maiores violeiros do Brasil”, apresentam o cururu clássico “Saudades de Araraquara”, de exclusiva autoria de Zé Carreiro, gravado na Continental em 9 de maio de 1952 e lançado entre esse mês e junho do mesmo ano, disco 16580-A, matriz 11381. Enfim, a mais autêntica música do sertão brasileiro, para fazer a gente recordar, como diz meu colega de YouTube Adalésio Vieira, “um tempo em que realmente havia música sertaneja”…  Deliciem-se!

*Texto de Samuel Machado Filho

Tobias Troisi – Valsas Brasileiras N. 2 (1959)

Surgida na Áustria e na Alemanha, a valsa chegou ao Brasil em 1808, com a transferência da corte portuguesa ao país. O gênero foi apresentado em salões onde a elite do Rio de Janeiro dançava  e, mesmo com o surgimento da polca, em 1845,a valsa continuou a ter grande aceitação no decorrer  da segunda metade do século XIX, que se estendeu,logicamente, até o século XX.
Inúmeros compositores brasileiros conceberam valsas: Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Pixinguinha, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga etc.  O gênero foi inclusive absorvido pela música sertaneja, destacando-se Zé Corrêa e a dupla José Fortuna e Pitangueira. Até hoje, tradicionalmente,a valsa é muito utilizada em casamentos e bailes de debutantes.
Pois hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos,ocultos e associados uma antologia que reúne algumas das melhores composições brasileiras do gênero valsa.Trata-se do segundo volume de “Valsas brasileiras”, lançado pela Odeon em 1959,com execução a cargo do violinista Tobias Troisi. Nascido em São Paulo, em 1918, Troisi foi considerado por muito tempo o melhor violinista do Brasil. Com acentuada inclinação para a música, formou-se, com distinção e louvor, em 1938, no curso de concertista do Conservatório Musical e Dramático de São Paulo. Com uma bolsa de estudos do governo brasileiro, Troisi percorreu toda a Europa, fazendo cursos de aperfeiçoamento. Embora dedicando-se à música erudita, nunca desprezou os gêneros populares. Mais tarde, foi para o litoral de São Paulo, atuar no Cassino de São Vicente com a orquestra de Luiz Argento. Casou-se com uma santista, e da união resultaram dois filhos.
 A convite do maestro Vicente Paiva, Tobias Troisi foi para o Rio de Janeiro, atuando no Cassino da Urca. Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, encerrando a era dos cassinos, integrou a fabulosa Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman, que tocava na Boate Meia-Noite, do Copacabana Palace Hotel. Integrou também a Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo. Comparado ao extraordinário violinista francês Georges Boulanger (de quem regravou, entre outras,o clássico “Avant de mourir”, conhecido como “My prayer”), Troisi formou, na década de1960, ao lado do bandoneonista argentino Ramon Torreyra, uma orquestra típica especializada em tangos, talvez a melhor surgida no Brasil.
Tobias Troisi faleceu em Santos, em 1986. Deixou uma discografia escassa porém brilhante, abrangendo seis discos 78 rpm com doze músicas, entre 1951 e 1957, e quatro LPs, entre 1958 e 1960. Neste segundo volume de “Valsas brasileiras”,algumas das melhores e mais expressivas composições do gênero, tais como “E o destino desfolhou”, “Cascata de lágrimas”, “Saudades de Ouro Preto”, “Lágrimas de virgem”, “Caprichos do destino”, assinadas por autores de primeira linha (como Luiz Americano, Claudionor Cruz, e o próprio Troisi, que assina “Ida”).  É toda uma história da valsa em território brazuca, magistralmente contada pelo violino de Tobias Troisi. Deliciem-se
e o destino desfolhou
cascata de lágrimas
sombras que vivem
melodia perdida
dirce
ida
pic nic trágico
saudades de outropreto
amorosa
adda
lágrimas de virgem
caprichos do destino
* Texto de Samuel Machado Filho

Maria Creuza – Sedução (1981)

Maria Creuza Silva Lima. Este é o nome de batismo da cantora de quem o Toque Musical oferece hoje, aos seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum por ela gravado na RCA em 1981, “Sedução”. Maria Creuza veio ao mundo na cidade de Esplanada, na Bahia, no dia 26 de fevereiro de 1944. Aos dois anos de idade mudou-se com a família para Salvador. Quando cursava o ginásio, no Colégio Ipiranga, passou a se interessar por música, nas aulas de canto orfeônico. Ainda na adolescência, destacou-se como “crooner” do grupo Les Girls, o que lhe valeu convites para apresentações  em emissoras de rádio. Por quatro anos, apresentou na TV Itapoan (hoje Record Bahia) o programa “Encontro com Maria Creuza”, e começou em disco gravando músicas em inglês, contratada por uma gravadora local. Em 1965, conhece o compositor Antônio Carlos Pinto, da dupla Antônio Carlos e Jocafi,ainda iniciante como ela, com quem se casaria três anos mais tarde. Em 1966, participou do festival  O Brasil Canta, da TV Excelsior, defendendo uma composição de Antônio Carlos Pinto, “Se não houvesse Maria”, incluída um ano depois em seu primeiro LP, “Apolo 11”. Em 1967, no festival de MPB da Record, defendeu outra composição do futuro cônjuge, “Festa no terreiro de Alaketu”. Em fins de 1969, através do compositor Chico ‘Fim-de-Noite” Feitosa, conheceu o Poetinha Vinícius de Moraes, com quem,  um ano mais tarde, a convite dele, fez um show do qual também participou Dori Caymmi, em Punta Del Este, no Uruguai, gravado ao vivo e que marcou o início de uma feliz parceria com Vinícius. Sua discografia inclui quase 30 álbuns (em português e espanhol), entre LPs e CDs, e vários compactos, nela se destacando títulos como “Yo… Maria Creuza” (1972, considerado seu melhor trabalho em disco), “Eu disse adeus” (1973),  “Sessão nostalgia” (1974), “Maria Creuza e os grandes mestres do samba”, “Meia-noite” (1977),“Poético” (homenagem a Vinícius de Moraes, 1982), “Todo sentimento” (2003) e “É melhor ser alegre que ser triste” (outra homenagem ao Poetinha, 2007). Entre seus sucessos destacam-se “Maria vai com as outras”, “Desmazelo”, “Diacho de dor”, “Patota de Ipanema”, “Chega pra lá”, “Dom de iludir” e “Feijãozinho com torresmo”. Seu respeitável currículo inclui shows  dentro e fora do Brasil, e a cantora continua em franca atividade, alternando concertos no Vinícius Bar, do Rio de Janeiro, e apresentações pela Europa.
Este “Sedução”, de 1981, é dedicado por Maria Creuza a seus filhos e,por tabela, à família, e também à presença em seu coração do Poetinha Vinícius de Moraes, morto no ano anterior. Com produção de Dori Caymmi e Raymundo Bittencourt (que também assinam os arranjos,ao lado de Lincoln Olivetti e João Luiz Avelar),tem um repertório romântico de bom gosto, como de hábito nos trabalhos da cantora. Regravações de “Me deixa em paz” (Monsueto), “Frenesi”, “A felicidade”, “Alumbramento”, “Caminhos cruzados” e “Dejame ir”, alternam-se com outras páginas então inéditas em disco, inclusive uma composição da própria Maria Creuza, em parceria com Zé do Maranhão, “Regras de um jogo”. Curiosamente, no coro, está nada mais nada menos do que Jane Duboc! Enfim, um trabalho impecável e imperdível da notável Maria Creuza, que o TM hoje nos oferece.
me deixa em paz
tordesilhas
deixe
dejame ir
caminhos cruzados
frenesi
alumbramento
regras de um jogo
assovio
 a felicidade

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Núbia Lafaette (1977)

Verdadeiro ídolo popular, Núbia Lafayette volta a bater ponto aqui no Toque Musical, desta vez com seu álbum de 1977, selo Entré/CBS, gravado no outono daquele ano. Nossa Núbia chamava-se, na pia batismal, Idenilde Araújo Alves da Costa. Veio ao mundo na cidade de Assu (ou Açú, na grafia atual), Rio Grande do Norte, no dia 21 de janeiro de 1937. Ali morou até os três anos de idade, quando aconteceu a mudança da família para o Rio de Janeiro. Mais um talento precoce entre muitos que despontaram para a cena artística, a pequena Idenilde apresentou-se em programas infantis do rádio, entre eles o famoso “Clube do Guri”, da PRG-3, Rádio Tupi, desde os 8 anos de idade, evidentemente demonstrando talento para a música.  Quando exercia o humilde ofício de vendedoras nas famosas Casas Pernambucanas (“onde todos compram”), resolveu participar do programa de calouros “A voz de ouro”, da TV Tupi, Canal 6. Um dos jurados era o proprietário da Boate Cave, Jordão Magalhães, e, a convite deste, foi “crooner” daquela casa noturna, e estreou interpretando músicas do repertório de Dalva de Oliveira, de quem era fã e muito a influenciou. Em 1959, exatamente no dia 25 de maio, com o pseudônimo de Nilde Araújo, gravou seu primeiro disco, na Polydor, com o devido apoio de seu então diretor artístico, o cantor Joel de Almeida. O 78 rpm apresentava os sambas-canções “Vai de vez” (Ricardo Galeno e Paulo Tito) e “Sou eu” (Waldir & Rubens Machado, regravado mais tarde por Orlando Dias). Cantou também na Boate Michel de São Paulo. Em 1960, no Cave, ela conheceu o compositor Adelino Moreira, que mudou seu nome artístico para Núbia Lafayette,com o qual ficaria para a posteridade. Com o apoio de Nélson Gonçalves, principal intérprete de Adelino, o compositor a levou para a RCA. Em agosto de 60, com o selo econômico RCA Camden, era lançado o primeiro 78 da cantora como Núbia Lafayette, apresentando duas músicas de Adelino Moreira que logo obtiveram êxito,marcando sua definitiva projeção: “Devolvi” e “Nosso amargor”, logo se firmando também como expressiva intérprete das obras do autor de “A volta do boêmio”.  Em 1961, vem o primeiro LP, “Solidão”, com a faixa-título também assinada por Adelino. A partir daí, conseguiu sucessos sobre sucessos (“Seria tão diferente”, “Minha história”, “Figuras de jornal”, “Samba do adeus”, “Casa e comida” – talvez o maior deles, de autoria de Rossini Pinto, grande nome da Jovem Guarda  -, “Jamais estive tão segura de mim mesma” – este, composto por Raulzito, aliás, Raul Seixas -, “Coração condenado” etc.).  Vários cantores foram influenciados por Núbia Lafayette, e a lista inclui Alcione, Fafá de Belém, Elymar Santos, Tânia Alves e a alagoana  Rose d’Paula. A discografia de Núbia inclui dezessete discos 78 com trinta e quatro músicas, mais de 20 álbuns, entre LPs e CDs,  e alguns compactos.  Seu último trabalho em disco foi o CD “Núbia Lafayette canta Dalva de Oliveira”, lançado em 1998 pela Polydisc, dentro de sua longa série “Vinte super-sucessos”, e no qual homenageia aquela que mais a influenciou em sua trajetória musical. Na década de 1990, Núbia passou a morar em Maricá, litoral norte fluminense, de lá saindo apenas para atuar esporadicamente em shows especiais, e como convidada de programas de rádio e televisão. Faleceu em Niterói, RJ, no dia 18 de junho de 2007, aos 70 anos, de complicações causadas por um AVC que sofrera pouco antes. Aqui no TM, mais um encontro de nossos amigos cultos,ocultos e associados com Núbia Lafayette, em impecável trabalho com produção do cantor Luís Carlos Ismail e arranjos dos “experts” Waltel Blanco e Lincoln Olivetti, sob a direção artística de outro “cobra” do setor fonográfico,  Jairo Pires. Aqui, ela regrava seu primeiro grande hit, “Devolvi”, e hits que outros intérpretes consagraram: “Espinita”,  “Pra não morrer de tristeza”, “Conformada”, “Uno” e “Migalhas”.  Trabalhos até então inéditos em disco, caso de “À maneira antiga” , “Eu morrendo por você” e “Coisa à toa”, completam o cardápio deste álbum, um prato cheio para os fãs da dor-de-cotovelo e, por tabela, de Núbia Lafayette.  Ouçamos
não te esquecerei
coisa atoa
uno
a maneira antiga
e eu morrendo por você
conformada
migalhas
devolvi
espinita
sem você
prá não morrer de tristeza
noite de amor
.
* Texto de Samuel Machado Filho

Waleska – Um Novo Jeito De Amar (1988)

Hoje o Toque Musical tem a satisfação de trazer a seus amigos cultos, ocultos e associados, através de um álbum de 1988, uma autêntica rainha contemporânea da chamada”música de fossa”. Estamos falando de Waleska.
Batizada com o nome de Maria da Paz Gomes, a cantora nasceu em Afonso Cláudio, cidade do interior do Espírito Santo, no dia 29 de setembro de 1941, filha de uma numerosa família de  oito irmãos. Passou sua infância em várias cidades do interior capixaba, pois seu pai, Fiscal do Estado, era de tempos em tempos transferido para outra cidade. Sua influência musical veio justamente do pai, exímio bandolinista, que costumava tocar para a família após o jantar. Aos oito anos, quando morava em São José do Calçado, a pequena Maria da Paz era sempre convidada para cantar nas festinhas da sua escola, e o fazia também na igreja, na festa da coroação de Nossa Senhora, no mês de maio. Aos dez anos deidade, ela teve a infelicidade de perder a mãe,e a família se mudou para Vila Velha, onde continuou seus estudos. Participava sempre de programas de calouros em parques de diversões, e seu primeiro “troféu” foi… uma lata de goiabada! Também aparecia com frequência no programa “Clube do Guri”, apresentado na Rádio Espírito Santo (onde uma irmã mais velha,  Walkiria Brasil, igualmente cantava) por Bertino Borges. Profissionalmente, sua carreira se inicia em Belo Horizonte, no limiar da década de 1960, atuando na Rádio Inconfidência (“o gigante do ar”) e na TV Itacolomi, ao lado de futuros astros da MPB , como Clara Nunes e Mílton Nascimento. Transferindo-se imediatamente para o Rio de Janeiro, foi “crooner” da Boate Arpège, do tecladista Waldyr Calmon, que ficava em Copacabana, e cantou no Beco das Garrafas. Com o pseudônimo de Maria Waleska, estreou em disco no efêmero selo Vogue, em 1962, gravando um compacto simples com as músicas “És tu” e “Noite fria”. Dois anos mais tarde, lança pela CBS um compacto duplo, também como Maria Waleska. Em 1966, fundou, no bairro do Leme, a casa noturna PUB (Pontifícia Universidade dos Boêmios), recebendo de Vinícius de Moraes, que muito a admirava, o apelido de “rainha da fossa”, por seu jeito intimista de interpretar os sambas-canções de Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Antônio Maria e outros. Foi também amiga do jornalista Sérgio Bittencourt, filho de Jacob do Bandolim e outro fã incondicional seu, e da cantora Maysa, sua principal influência estilística. Waleska foi também proprietária das boates Fossa (frequentada por artistas , intelectuais e políticos como Carlos Lacerda e o ex-presidente  JK), e Fossanova.  Cantando  músicas “barra pesada” em estilo “cool” (a denominação “fossa” está inclusive nos títulos de vários de seus álbuns), Waleska nunca foi grande sucesso de execução no rádio, mas, ainda assim, sempre teve público cativo e fiel no circuito das boates e casas noturnas.  Tem mais de vinte discos gravados (com músicas de Ary Barroso, Tom Jobim e Cartola, entre outros “cobras”) , e é considerada uma das mais fiéis interpretes românticas da MPB. Seu respeitável currículo inclui turnês pelo exterior, apresentando-se  em Portugal,  nos EUA, na Itália e no Uruguai.  Entre seus shows de maior sucesso está “Mito, mulher, Maysa”, ao lado do ator Gracindo Júnior, sob a direção de Bibi Ferreira.Também é autora do livro “Foi a noite”, contando histórias da boemia carioca nos anos 1960/70. Este “Novo jeito de amar”, lançado em 1988 pela 3M (gravadora de existência efêmera, subsidiária da indústria de abrasivos homônima), mantém a linha de trabalho da notável Waleska. Produzido pelo experiente Mílton Miranda, com arranjos e regências de Hélvius Vilela  (que também atua aos teclados), tem músicas da dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim (“Ora eu,ora você”), Luiz Vieira (“Guarânia da lua nova”), Luiz Antônio (“Pergunte a você”), entre outros. Há ainda regravações da valsa “Fascinação” e de um antigo hit de Maysa, “Bronzes e cristais”, de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito.  Ainda em plena atividade, Waleska continua a receber os aplausos merecidos, como expressiva intérprete romântica de nossa música popular.
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ora eu, ora você
jeito de amar
o homem que eu amo
meiga presença
canção da manhã feliz
fascinação
anseio
desejo maior
pergunte a você
conversa com a saudade
guarânia da lua nova
bronzes e cristais
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* Texto de Samuel Machado Filho

4 Ases & 1 Coringa (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 121 (2014)

O Grand Record Brazil, em sua edição de número 121, apresenta a segunda parte de sua retrospectiva dedicada aos  Quatro Ases e um Coringa,  grupo vocal e instrumental cearense que, de fato, deu as cartas durante sua carreira, tanto no rádio quanto no disco.
São mais catorze gravações históricas e indispensáveis para quem estuda , pesquisa e cultua a música popular brasileira dessa época,  feitas pelo grupo cearense na Odeon e na RCA Victor. Abrindo esta seleção, o samba “Meu bairro canta”, de Waldemar Ressurreição, gravado na RCA Victor em 14 de abril de 1950 e lançado em julho do mesmo ano com o número 80-0663-B, matriz S-092658. A faixa seguinte é o clássico baião “Paraíba”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, lançado pouco antes por Emilinha Borba e regravado pelos Quatro Ases e um Coringa na marca do cachorrinho Nipper em 10 de agosto de 1950, com lançamento em outubro seguinte sob número 80-0698-B, matriz S-092732. Temos depois outro clássico, o samba “No Ceará é assim”, de Carlos Barroso, gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 12183-B, matriz 6565. O divertido samba “Coisas do carnaval”, de Ary Barroso (história de alguém que se apaixona por uma bela mulher e no fim… ) é gravação de 3 de março de 1942, que a “marca do templo” lança em abril seguinte com o número 12137-B, matriz 6909. Outro clássico que temos em seguida é a marchinha “Trem de ferro”, composta pelo cearense (e conterrâneo do grupo) Lauro Maia (1912-1950)e imortalizada na mesma Odeon em 3 de agosto de 1943 e lançado em setembro seguinte sob número 12355-A, matriz 7350. Foi regravada inclusive por João Gilberto, em seu terceiro LP, de 1961. Lauro Maia aqui comparece também com o batuque “Eu vi um leão”, sucesso inclusive na Argentina, onde os Quatro Ases e um Coringa se apresentaram durante uma excursão pelos países da região do Rio Prata. Foi por eles imortalizado na “marca do templo” em 16 de abril de 1942, e lançado em junho seguinte sob número 12160-A, matriz 6943. Voltando à RCA Victor, temos o samba “O dinheiro que ganho”, de Assis Valente,  gravação de14 de abril de 1951, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0791-B, matriz S-092954. Traduz muito bem as dificuldades financeiras por que passava Assis, que o levariam ao suicidio, em 1958 (ele bebeu uma mistura de guaraná com formicida), depois de várias tentativas.  “Garota dos discos”, de Wilson Batista e Afonso Teixeira, gravação de primeiro de julho de 1952 e lançado em setembro do mesmo ano, disco 80-0975-B, matriz SB-093343. A garota em questão trabalhava, logicamente, em uma loja de discos, tipo de estabelecimento comercial que praticamente perdeu força com o advento da internet e posterior surgimento de portais de aquisição de músicas, como o iTunes (hoje existem pouquíssimas lojas de discos no Brasil). A “Marcha do caracol”, de Peterpan e Afonso Teixeira, que os Quatro Ases e um Coringa também interpretaram no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida, foi merecido sucesso no carnaval de 1951, mostrando que o problema da falta de moradia nas grandes cidades brasileiras vem de muito tempo.  Gravação RCA Victor de 4 de outubro de 1950, lançada ainda em dezembro sob número 80-0728-A, matriz S-092771. O samba “Maria Luiza”, de Pedro Caetano e Hélio Ribeiro, foi gravado na Odeon pelo conjunto cearense em 13 de abril de 1945, e lançado em junho do mesmo ano, disco 12585-A, matriz 7800. Em seguida temos o lado A do disco de estreia oficial dos Quatro Ases e um Coringa, o Odeon 12066, gravado em 23 de setembro de 1941 e lançado em novembro do mesmo ano, matriz 6794: é a marchinha “Os dois errados”, de Estanislau Silva, Álvaro Nunes e Nélson Trigueiro. O samba “Rendeira”, outra composição de Carlos Barroso,é gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em outubro seguinte sob número 12204-B, matriz 6967. Evenor Pontes (líder e fundador do grupo) e Luiz Assunção assinam a rancheira “Sá Mariquinha”, gravado na “marca do templo” em 18 de abril de 1947 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12784-A, matriz 8212. Encerrando esta seleção, temos o clássico “Baião de dois”, outro grande produto da parceria Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira lançado por Emilinha Borba, em 1950, e que os Quatro Ases e um Coringa regravariam na RCA Victor logo em seguida, no lado A de “Paraíba”, matriz S-092731. Sem dúvida, uma merecida homenagem aos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiro tributo ao legado de um dos mais expressivos conjuntos vocais e instrumentais que a música popular brasileira já teve!
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

José Domingos – Exemplo (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco muito bacana e que há tempos venho ensaiando a postagem, mas sempre aparecia outra coisa, me tirando do alvo. Hoje, finalmente, ele sai…
Temos aqui o álbum “Exemplo” do cantor e compositor José Domingos, um artista que pouco se houve falar, embora tenha lá muitos anos de estrada e alguns bons discos gravados. Nascido em Guaxupé, Minas Gerais, logo cedo se mudou com a família para São Paulo. Foi por lá que iniciou sua carreira artística, no início dos anos 60 como cantor da noite, se apresentando em boates ao lado de outros grandes nomes da época. Eu sempre confundi ele com o Noite Ilustrada, talvez pela semelhança física e pelo estilo musical. E pelo que pude verificar, essa não era uma confusão só minha, muita gente pensava assim. Ao que consta, ele gravou até então seis discos. Eu mesmo só conheço este e mesmo sem saber dos demais digo sem medo de errar, este foi seu melhor trabalho. Não se trata de um álbum essencialmente autoral. Há nele suas belas composições e também a de outros como o Lupicínio Rodrigues de quem ele interpreta três clássicos, entre eles a música “Exemplo” que dá nome ao disco. Para acabar de embelezar a coisa, temos um time de músicos de primeiríssima. Não vou aqui listá-los, mas só para se ter uma ideia, Zé Domingos vem acompanhado por Amilson Godoi, que também foi responsável pelos arranjos e regência; Cláudio Henrique Bertrami; Heraldo do Monte; Isidoro Longano (o Bolão); Hector Costita e outra feras mais…
Ao que parece, discos do Zé Domingos nunca chegaram a ser divulgado em blogs musicais. Nunca vi um. Este está sendo o primeiro e o Toque Musical  se sente muito honrado em dar o primeiro toque. Álbum bacana, produção independente que as grandes gravadoras não souberam dar o devido valor. Um grande artista. Vale a pena conhecer!

universo de um copo
exemplo
santa ignorância
 é sempre amor
brasa
vou partir
deusa da minha rua
minha casa
ela disse-me assim
lágrimas
grande ciúme
canção do amor sem fim
são paulo fim do dia

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5º Festival De Músicas De Favela (1974)

Olá amigos cultos e ocultos! Aproveitando uma encomenda de digitalização de discos, escolhi entre os tantos este curioso e obscuro lp. Digo isso porque além de ser um trabalho antigo, deve ter sido também um disco de edição limitada. Uma produção da CID (Companhia Industrial de Discos), de Harry Zuckermann, mas com o selo OBA (a Etiqueta do Sambista), criado especificamente para atender ao propósito que era a quinta edição do Festival de Músicas de Favela. Este festival, por certo foi um evento tradicional na cidade do Rio de Janeiro, como podemos ver aqui, já estava em sua quinta edição. Inclusive, fui buscar na rede mais informações, mas não há nada além do fato de que na terceira edição, de 1965, quem se saiu vencedor foi a cantora e compositora Aparecida com seu samba “Zumbi, Zumbi”, defendendo a favela da Cafúa. Numa pesquisa rápida ao Google não passamos disso. Há referencias sobre outras edições, mas principalmente no Mercado Livre, onde ainda se pode encontrar esses discos. E pelo que vi, houve outros festivais de música nessa linha como o “I Festival de Favelas”, gravado ao vivo e lançado nos anos 60 pelo selo Caravelle e o “Festival de Favela”. Em 1976 saiu pela Top Tape um lp  que eu entendo como sendo a sexta edição do Festival de Músicas de Favela. Pelos artistas participantes, acredito que seja o mesmo festival e pelo jeito deve ter sido o último que mereceu um registro fonográfico.
Nesta quinta edição que eu apresento a vocês temos doze sambas de qualidade. Aliás, qualidade e originalidade é o que não faltava nessa época. Músicas muito boas, com compositores e intérpretes muito bem selecionados. Se fosse hoje, um festival como este teria a maldição do funk, do rap e outras merdas que vem ajudando a destruir a cultura musical dos morros, das favelas do Rio de Janeiro. Aqui ainda podemos encontrar o “Morro original”, que é também o título da música vencedora desta edição, composta por Fabrício Silva e Dodô Marujo e defendida por João de Deus. Sem dúvida, um disco interessante, que merece seu destaque no universo histórico do samba.

morro original – joão de deus
apolo do samba – zé dedão
é o dendê – jeremias
amor e fantasia – as sublimes
fuga – leninha
no bico – bené silva
noite fria – trio moreno
samba do criolo falado – colorido
a batucada chegou – quinteto santos
vida x luto – rubens da mangueira
negro dez – cleto
caso sério – wilson diabo
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A Bossa De Ontem É De Sempre (1975)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Finalmente é sexta feira e aqui estou eu, de novo ao ‘volante’. É muito bom poder contar com o amigo Samuel, seus textos são ótimos, bem informativos, mas isso aqui precisa também ter um lado pessoal, passional e até tendencioso, porque não? :) Daí, o Augusto aqui volta para que o Toque Musical não perca essas características (tem que ter o lado irritante, kkk…)
Para esta sexta feira ficar mais feliz eu estou trazendo outra boa doação, feita pelo nosso amigo Fáres. Vamos de bossa nova, nesse lp lançado pela CBS em 1975. Trata-se de uma coletânea reunindo alguns dos artistas do seu ‘cast’, da década de 60: Tito Madi, Conjunto Farroupilha, Thelma Soares, Maysa e a Elis Regina (do tempo que ela assinava o nome com dois L). Esta era uma boa maneira das gravadoras reapresentarem artistas, que muitas vezes já nem faziam parte do seu elenco, mas que tinha deixado ali um legado de sucesso. E a Bossa Nova, que nunca morreu, vez por outra acendendo paixões, estava naquele 75 em alta. Daí talvez um bom motivo para acionar alguns de seus artistas ‘bossanovistas’. O repertório é, sem dúvida, muito bom e bem conhecido de todos. Um deguste sempre necessário que acaba fazendo a gente revisitar velhos álbuns.

o barquinho – maysa
carinho e amor – tito madi
o pato – conjunto farroupilha
samba de uma nota só – thelma
amor e paz – tito madi
1, 2, 3, balançou… – ellis regina
menina moça – tito madi
depois do amor -maysa
a mesma rosa amarela – conjunto farroupilha
garota de ipanema – thelma
silêncio – ellis regina
manhã de carnaval – thelma
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Dalva De Andrade – Prece (1964)

O Toque Musical hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados um álbum dedicado à obra de Marino  (do Espírito Santo) Pinto (Bom Jardim, RJ, 18/7/1916-Rio de Janeiro, 28/1/1965), sem dúvida um dos maiores compositores brasileiros. Filho de um violonista e cantor amador, Marino fez sua primeira composição aos onze anos de idade, “Ilka”, dedicada a uma namorada. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1927, e um ano depois iniciou seus estudos. Com 13 anos, passou a frequentar aos domingos a Rádio Philips, tornado-se grande fã de Sílvio Caldas. Em 1934, foi aprovado no vestibular de Direito, mas não concluiu o curso. Dedicando-se mais tarde ao jornalismo, trabalhou em veículos diversos, abandonando o ofício em 1943 e tornando-se comerciante, mais precisamente na Casa Waldeck,onde era gerente, e onde eram vendedores nada mais nada menos que os também compositores Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira. Deixou o emprego em 1945 para se dedicar à carreira artística e, um ano depois, foi sócio-fundador da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música). Em 1957, foi presidente do conselho deliberativo dessa entidade, sendo eleito , dois anos mais tarde, seu conselheiro vitalício, e,em 1960, presidente  da SBACEM, sendo reeleito em 1962 e 1964. A primeira composição gravada de Marino Pinto foi “Fale mal, mas fale de mim”,de parceria com Ataulfo Alves,na voz de Aracy de Almeida. Em 1942, obteve estrondoso sucesso com “Aos pés da cruz”, que fez com Zé da Zilda, na voz de Orlando Silva.Outros hits de Marino Pinto como autor são “Que será?” (com Mário Rossi),  “Estrela do mar” (com Paulo Soledade), “Segredo” (com Herivelto Martins)“Prece” (com Vadico, que o próprio parceiro considerava sua obra-prima), “Aula de matemática” (com Tom Jobim), “Sucedeu assim” (idem), a marchinha carnavalesca “Pula, caminha” (com Manezinho Araújo), “Vulto” (com Wilson Batista)etc.  “Prece” ,um samba-prelúdio, vem a ser o título deste álbum-homenagem a Marino Pinto, com texto de contracapa dele próprio.Lançado pela Odeon em fins de 1964, pouco antes da morte do compositor, foi gravado por uma das mais expressivas cantoras da época, Dalva de Andrade, carioca nascida em 2 de abril de 1935. As orquestrações e regências foram entregues a um verdadeiro “expert” na matéria, Lírio Panicalli, com a direção e coordenação artística de outro “cobra”, Mílton Miranda. No repertório, várias composições de Marino com parceiros diversos, grande parte já conhecida nas vozes de outros intérpretes, a saber: a própria faixa-título, parceria com Vadico (criação de Helena de Lima), “Reverso”, “Talvez”,ambas feitas por Marino em  parceria com o cantor Gilberto Milfont, “Se o tempo entendesse”,  “Que seja eu” , ambas em parceria com Mário Rossi (e todas quatro originalmente lançadas por Lúcio Alves), “Velha praça” (Elizeth Cardoso), ‘Vulto” (com Wilson Batista, lançada por outra Batista, a Dircinha), “Segredo” (parceria com Herivelto Martins, pontapé inicial definitivo da carreira-solo de Dalva de Oliveira), “Sucedeu assim” (com Tom Jobim, criação de Vanja Orico) e “Renúncia” (sem parceiro, lançada por Orlando Silva). Completando o repertório, as então inéditas “Céu azul” (com Paulo Valdez) e “Boa noite, esperança” (com Mário Rossi).  Por ironia do destino, Marino Pinto faleceria pouco depois do lançamento deste álbum.  Já Dalva de Andrade deixaria a carreira artística alguns anos depois, em virtude de problemas de deficiência auditiva, só lançando depois disso (1979/80) dois compactos de produção independente.  São dois fatores que, por si só, recomendam e dão ainda mais valor histórico a este “Prece”. Ouçam e apreciem
prece
reverso
velha praça
se o tempo entendesse
céu azul
vulto
que seja eu
segredo
sucedeu assim
talvez
boa noite esperança
renúncia
*Texto de Samuel Machado Filho

Marion Duarte (1986)

O Toque Musical hoje apresenta a seus amigos cultos,ocultos e associados, um álbum de Marion Duarte. E, acreditem se quiser, foi o primeiro disco de longa duração gravado pela cantora-compositora, embora sua carreira artística já tenha mais de 50 anos.  Nossa focalizada, cujo nome verdadeiro é Marion Pereira de Carvalho Gonçalves,  é carioca do subúrbio de Bento Ribeiro, onde nasceu no dia 18 de março de 1938. Iniciou sua carreira em 1957, atuando no programa “Valores novos”, apresentado por Marcos Alexandre na Rádio Solimões de Nova Iguaçu, Estado do Rio de Janeiro, nessa ocasião adotando o pseudônimo de Valéria Duarte. Daí seguiu se apresentando em vários outros programas radiofônicos, entre eles os de César de Alencar e Paulo Gracindo, na lendária Nacional,e no de Raymundo Nobre de Almeida, na Mayrink Veiga, neste último recebendo a faixa de Favorita da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Também participou da Caravana da Alegria, comandada pelo comunicador Luiz de Carvalho, então na Rádio Globo. Marion ganhou da imprensa carioca o apelido de “Maysa dos pobres”, dada a semelhança entre seus olhos verdes e os da então “musa da fossa”, tendo sido até citada pelobiógrafo Lyra Neto em um livro sobre Maysa, “Só numa multidão de amores”. Contratada pelas Emissoras Associadas, de Assis Chateaubriand  (Rádio e Televisão Tupi, Rádio Tamoio etc.), foi capa de várias revistas, entre elas a “Radiolândia”, nesta junto com o lendário “velho guerreiro”, Chacrinha. Seu primeiro disco, em 78 rpm, saiu pela Copacabana em 1958, apresentando o samba-canção “Eu sou assim”, de Lina Pesce, e o bolero “Eu acuso”, de Getúlio Macedo. Um ano depois, no segundo disco, obtém seu maior sucesso, com o samba “Triste palhaço”, de Carlos Silva e Antônio Cruz. Outro sucesso seu bastante conhecido é “Quando corre uma estrela”, samba-toada de Hílton Simões, Luiz Lemos e Antônio Correia (1961). Nessa época recebeu inúmeros prêmios,como o Troféu Revelação, da “Revista do Rádio’ (1958), o Troféu Zé da Zilda, do programa “Discoteca do Chacrinha” (1962) e o Troféu Sete Dias em Destaque, da TV Marajoara de Belém do Pará (1964). Marion Duarte tem, em sua discografia, sete discos 78 rpm com treze músicas, na Copacabana e na Continental, além de alguns compactos e participações em projetos coletivos.  E foi somente em 1986, pela Top Tape, que Marion finalmente conseguiu gravar seu primeiro álbum-solo, exatamente este que o TM ora nos oferece. Produzido pelo cantor Renato Alfaya (que também participa da faixa de encerramento do disco, “O outro”), é um trabalho primoroso, com repertório bem escolhido, no qual inclusive ponteiam composições de autoria da própria Marion, com ou sem parceiros. Destaque também para a faixa “Sou pagodeira”, maior sucesso do álbum,que teve arranjos a cargo de Luiz Antônio Porreca e Darcy da Cruz. Marion Duarte ainda gravaria mais quatro ábuns-solo após este: “Pelos caminhos” (1993), “Doce amor” (1999), “Fonte de energia” (2003), e, o mais recente,sem titulo, em 2011. Foi muito ligada ao radialista Collid Filho, que apresentou durante anos os programas ”Salão grená” e “Collidisco”, e com quem compôs alguns trabalhos. Em 2006,foi homenageada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, recebendo do então vereador Brizola Neto a moção pelo Dia Internacional da Mulher. Marion continua em franca atividade, com seu timbre de voz praticamente inalterado, e recebendo sempre o carinho e o aplauso do público por toda a parte.  Nada mais justo!
dono de mim
sou pagodeira
final feliz
é paixão
quero mesmo lhe dizer
mulher de verdade
jovem suicida
é tarde demais
sem dinheiro nada faço
outro
*Texto de Samuel Machado Filho
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4 Ases & 1 Coringa (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 120 (2014)

Prosseguindo sua brilhante trajetória, o Grand Record Brazil, em sua edição de número 120, apresenta a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a um dos maiores conjuntos vocais e instrumentais que o Brasil já teve: os Quatro Ases e um Coringa. A história do grupo começa em 1939, quando os irmãos cearenses Evenor, Permínio e José Pontes de Medeiros, que estudavam no Rio de Janeiro, decidiram formar um quarteto vocal e instrumental juntamente com seu amigo Andre Batista Vieira, o Melé. Dois anos mais tarde, após formar-se em Química, eles viajaram para Fortaleza, apresentando-se na Ceará Rádio Clube com o nome de Bando Cearense (Evenor e José aos violões, Permínio na gaita e André ao pandeiro, além, é claro, dos vocais). Foi então que se juntou a eles o violonista e vocalista Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca. Por sugestão do poeta e jornalista Demócrito Rocha, eles passaram a se chamar Quatro Ases e um Melé. De volta ao Rio, apresentaram-se por três meses na Rádio Mayrink Veiga, mas não houve contrato. Foram então encaminhados à Rádio Tupi por João Dunmar, diretor da Ceará Rádio Clube, que estava no Rio por acaso, e substituiu o termo “melé” por “coringa”, termo mais conhecido no sul, que, no baralho, significa a mesma coisa. O sucesso foi imediato. No primeiro disco, lançado pela Odeon em setembro de 1941, sem menção no selo, acompanharam Dircinha Batista nos sambas “Ele disse que dá” e “Costela de cera”. Estreia pra valer acontece em novembro do mesmo ano, quando a “marca do templo” lança “Os dois errados”, e, do outro lado do disco, “Dora, meu amor”.  O grupo teve inúmeros sucessos,tais como: “No Ceará é assim”, “Onde estão os tamborins?”, “Baião”, “Terra seca”, “É com esse que eu vou”, “Siridó”, “Cabelos brancos”, “Eu vi um leão”, “Trem de ferro”, “Eu vou até de manhã”, “Chega, chega, chegadinho”, “Marcha do caracol”, “O periquito da madame”,  “Apanhador de papel”.  Em 1945, fizeram uma longa temporada no Prata, principalmente na Argentina, seguida do Chile. No cinema, atuaram nos filmes  “Fogo na canjica”, “Essa é fina”, “Aviso aos navegantes” e “Tudo azul”. Em 1952, o Coringa André desligou-se do conjunto, e outros três o sucederam: Jorginho do Pandeiro, Nilo Falcão e,por último, Miltinho. Nessa ocasião,a carreira do conjunto começa a declinar,até sua dissolução, nos anos 1960. Em cerca de vinte anos de carreira, os Quatro Ases e um Coringa gravaram mais de100 discos em 78 rpm, nos selos Odeon, RCA Victor, Mocambo, Todamérica e Marajoara, além do LP “É com esse que eu vou”, também pela Odeon, com regravações, e alguns compactos. Só lançariam um segundo e último LP em 1975, “Novamente… Quatro Ases e um Coringa”, selo Alvorada/Chantecler, e depois sairiam de cena definitivamente.
Nesta primeira parte, o GRB oferece catorze preciosas gravações dos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiras joias da música popular brasileira, a maior parte em gravações Odeon. Abrindo o programa,”Terra seca”, samba que Ary Barroso considerava sua obra-prima, inspirado na triste fase da escravidão dos negros no Brasil. O grupo cearense o imortalizou na “marca do templo”  em 20 de setembro de 1943,com lançamento em novembro do mesmo ano, disco 12375-A, matriz 7387. Da dupla Bide-Marçal, autora de sambas clássicos da MPB, é “Pra que chorar?”, também samba, este do carnaval de 1943, gravação de 27 de outubro de 42, lançada ainda em dezembro, disco 12235-A, matriz 7121. Outro clássico é o balanceio “Eu vou até de manhã”, do cearense (como eles) Lauro Maia, gravado em 8 de fevereiro de 1945 e lançado em abril do mesmo ano sob número 12568-A, matriz 7760. Temos depois a deliciosa marchinha “Pica-pau”, outra composição do mestre Ary Barroso, do carnaval de 1942, gravação de 14 de novembro de 41, lançada um mês antes da folia, em janeiro, com o número 12096-A, matriz 6849. “Barão das cabrochas” é outro samba da grande dupla Bide-Marçal aqui incluído, sucesso do carnaval de 1946. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram  em 22 de novembro de 45, e o lançamento se deu um mês antes do carnaval, em janeiro, disco 12655-A, matriz 7939. Depois tem… “Feijoada”! É uma marchinha de Rubens Soares, gravada  em 2 de fevereiro de 1943 e lançada em março seguinte com o número 12277-A, matriz 7196. Torcedor fervoroso do América Futebol Clube, Lamartine Babo compôs os hinos não só desse como também de todos os grandes clubes do futebol carioca. Caso do famoso “Sempre Flamengo” (“Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”), marcha-hino que os Quatro Ases e um Coringa imortalizaram na “marca do templo” em 2 de dezembro de 1944, com lançamento em janeiro de 45, disco 12541-B, matriz 7719. Do carnaval de 1947 é a marchinha “O periquito da madame”, de Nestor de Holanda, Carvalhinho e Afonso Teixeira, um sucesso que o grupo cearense gravou na Odeon em 9 de julho de 46 (vejam só a antecedência!) com lançamento ainda em novembro, disco 12735-B, matriz 8070. Do carnaval de 1943 é a marchinha “Deixai para mim as cabrochinhas”, de Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano, gravada na “marca do templo” em 21de novembro de 42,lançada um mês antes da folia, me janeiro, disco 12246-A, matriz 7150. “A ribeira do Caxia” é uma “ligeira” de Lauro Maia, gravação de 29 de junho de 1945, lançada em agosto seguinte sob número 12612-A,matriz 7868. Lançado em 1945 por Manezinho Araújo, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos”, motivo folclórico adaptado por Luiz Gonzaga e Miguel Lima, foi regravado pelos Quatro Ases e um Coringa em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho seguinte com o número 12784-B, matriz 8213 (conta errada, mas sucesso certeiro). As duas últimas faixas são da safra do grupo cearense na RCA Victor. “Xaxado”, de Luiz Gonzaga e Hervê Cordovil, é gravação de 14 de maio de 1952, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0938-B, matriz SB-093346, merecendo logo em seguida registro do próprio Gonzagão. O xaxado é definido como “primo do baião” e foi divulgado pelo Nordeste do Brasil por Lampião e seu bando de cangaceiros. O nome da dança é derivado da onomatopeia xa-xa-xa, que os dançarinos fazem ao arrastar as alpercatas no chão. Por fim,o samba “Boneca de pano”, de Assis Valente, considerado seu último grande sucesso como compositor. Os Quatro Ases e um Coringa o imortalizaram na marca do cachorrinho Nipper em 10 de julho de 1950, com lançamento em setembro do mesmo ano sob número 80-0693-B, matriz S-092712. E na próxima semana traremos mais gravações desse notável conjunto cearense. Aguardem!
*Texto de  SAMUEL MACHADO FILHO.

Roberto Fioravante – Valsas De Zequinha De Abreu (1964)

Incontestavelmente, José Gomes de Abreu, aliás, Zequinha de Abreu (1880-1935) é um monumento  entre os compositores de nossa música popular.  Sua obra-prima, o choro “Tico-tico no fubá”, é conhecida internacionalmente, e tem várias gravações. O mestre de Santa Rita do Passa Quatro (SP) deixou um total de 122 músicas conhecidas e editadas, incluindo marchas, tanguinhos, foxes, choros,sambas, dobrados etc.  E o gênero que mais cultuou foi exatamente a valsa, com  47 títulos. As valsas de Zequinha são primorosas, de cunho paulista-interiorano e brasileiro, um gênero criado por ele mesmo. Quem as ouve, mesmo pela primeira vez, reconhece sua brasilidade e paulistanidade típicas. Pois este álbum que o Toque Musical hoje oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados, é dedicado justamente às valsas de Zequinha de Abreu, e foi lançado em 1964 pela Chantecler. Para interpretá-las, a “marca do galinho madrugador” escalou um autêntico seresteiro à moda antiga, Roberto Fioravanti, paulistano da Bela Vista, o velho e bom Bixiga, nascido em 1913 e neto de italianos.  Seu amor pela música cresceu ainda na adolescência,quando o pai o levava a serestas. Sua carreira artística começou na Rádio Educadora Paulista, onde fazia pequenas participações. Ali conheceu o compositor e versionista Fred Jorge, que o levou para a recém-inaugurada Chantecler. “Fiorindo”, como era conhecido,  foi, por sinal, um dos pioneiros da gravadora, e por ela registrou, em 1958, seu primeiro LP, “Seresteiro da saudade”, primeiro de uma série de cinco com o mesmo título.  Lançou ainda, entre 1959 e 1961, cinco discos 78 rpm com nove músicas, e, até 1970, gravou um total de dez LPs. Enquanto se dedicava à carreira, conseguiu um emprego na Rádio São Paulo (“a voz amiga”), como responsável pelo setor de cópias,mantendo as duas funções até se aposentar.  Chegou até a receber uma proposta de contrato da lendária Rádio Nacional do Rio de Janeiro, mas recusou no ato, pois era muito apegado à família. Em 1987, participou de um álbum de produção independente dedicado à obra do compositor  Mauro DaMotta, interpretando “Volta ao interior” e “Valsa de Pouso Alegre”, tendo sido esta sua derradeira aparição em disco.  Nos últimos anos de vida, o cantor residiu na Mooca, e faleceu em primeiro de junho de 1998. Hoje, há um espaço a ele dedicado no Museu Memória do Bixiga, reunindo tudo o que foi possível a respeito de sua vida e carreira, inclusive o chapéu preto com que ele costumava se apresentar. No presente LP, Fioravanti interpreta doze das valsas mais conhecidas de Zequinha de Abreu, que aliás só compunha música instrumental.  Os versos  eram  colocados depois, geralmente por encomenda dos editores. O disco abre com a valsa mais famosa de Zequinha, “Branca”,por ele composta em 1917, em homenagem a uma menina de 13 anos,Branca Barreto, filha do então chefe da estação ferroviária de sua Santa Rita natal. Zequinha adorava a menina, e, a pedido do pai, deu o nome de Branca à valsa, que estava sem título. Mais tarde, recebeu letra o poeta e escritor Décio Abramo, que adotou o pseudônimo de Duque d’Abramonte. Outros trabalhos memoráveis de Zequinha  no gênero valsa também marcam presença, tais como “Tardes em Lindóia”, “Amando sobre o mar”, “Aurora”, “Rosa desfolhada” (homenagem a Santa Terezinha do Menino Jesus), “Morrer sem ter amado” e “Só pelo amor vale a vida”, a faixa de encerramento. Enfim, um trabalho que só reafirma a brasilidade e a paulistanidade da obra de Zequinha de Abreu, cuja obra, sem sombra de dúvida, ficou e ficará para sempre na memória de tantos quantos apreciem o melhor de nossa música popular. Um autêntico “rosário de valsas”, conforme diz a contracapa.
branca
alma em delírio
morrer sem ser amado
último beijo
amando sobre o mar
tardes em lindóia
aurora
nosso ideal
rosa desfolhada
amor imortal
longe dos teus olhos
só pelo amor vale a vida

*Texto de Samuel Machado Filho

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Luiz Eça E Radamés Gnatalli – Os 6 Mais Numa Imagem Barroca (1968)

Boa noite, meus prezados amigos cultos e ocultos! Aqui estou eu marcando o ponto, que é para não perder o costume. Ultimamente eu tenho andado muito preguiçoso até mesmo para ir mantendo as postagens do Toque Musical com textos preparados pelo nosso amigo Samuca. Enviei para ele uma dúzia de discos para serem ‘resenhados’ e mais que de pressa já recebi tudo pronto. Só falta agora eu achar um tempinho e sair dessa ‘lomba’. Infelizmente, eu não tenho conseguido manter regular e diária as nossas postagens. Tá tardando… mas não falha ;)
Hoje eu resolvi `tomar o volante` e fazer a postagem deste sábado. Estou trazendo um lp que ganhei de presente do amigo Fáres. Aliás, foram vários discos que ele me deu, mas este, em especial, está valendo o dia. Trata-se de um lp lançado pela CBS em 1968. Uma produção de Helcio Milito para dois grande artistas, Luiz Eça e Radamés Gnattali. Este é mais um daqueles lps maravilhoso da CBS, que nasciam por acaso, como foi o disco “Krishnanda”, do Pedro (Sorongo) Santos, onde os artistas tiveram total liberdade de criação, aproveitando quem sabe os momentos de folga, ou horas que sobravam em fitas do estúdio. Essa descontração sempre faz gerar bons frutos. E o resultado é um disco surpreendente, pois traz a música de seis grandes compositores: Milton Nascimento, Sidney Miller, Dori Caymmi, Chico Buarque, Johnny Alf e o próprio Luiz Eça em uma faceta musical barroca. Quer dizer, são doze composições desses artistas arranjadas e interpretadas por Radamés e Luiz Eça, num clima de música barroca, caraterizada, principalmente, pelo cravo e a flauta. É bom lembrar que arranjos com esses, naqueles anos 60, estavam muito em voga. Basta lembrarmos do Lalo Schfrin que em vários de seus discos explorou essa sonoridade. Pela própria CBS teve o Roberto Carlos em “É por isso que eu estou aqui”, que tem essa mesma atmosfera ‘barroca’. E também naquela mesma década a gravadora lançou o álbum “Música Barroca Francesa” com o cravista Roberto de Régina. Os anos 60 foi bem sortido de música clássica e a barroca foi a que mais se destacou em popularidade. Lembram do conjunto Musikantiga? Acho que foi nessa onda que Radamés e Luiz Eça resolveram surfar e se deram muito bem. Boa música popular brasileira interpretada e arranjada por dois dos maiores músicos deste nosso Brasil. Um disco que agrada em cheio! Eu tô adorando :)

carolina
eu e a brisa
morena do olhos d’agua
rialejo
travessia
oferenda
o circo
com açucar e com afeto
o cantador
imagem
lua cheia
a praça
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Maysa (1969)

Sem sombra de dúvida, Maysa Figueira Monjardim (1936-1977) foi uma figura singular na história da música popular brasileira. E, como tal, teve uma vida atribulada, como bem frisado na resenha da edição do Grand Record Brazil que lhe dedicamos. Seu estilo singular de composição e interpretação, que a fez um dos maiores nomes da canção intimista,  influenciou ao menos meia dúzia de músicos de sua geração, e principalmente os que surgiram muito depois dela, tais como Ângela Rô Rô, Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Simone e até mesmo Cazuza e Renato Russo. Em 1969, após residir por cinco anos na Espanha, Maysa  retornou definitivamente ao Brasil, bem mais magra,animada e alegre. Dizia ter perdido não quilos mas litros, em inúmeras clínicas de emagrecimento. É desse ano o álbum que o Toque Musical apresenta a hoje a seus amigos cultos,ocultos e associados. Mas, como ela mesma escreveu na contracapa, “eu nunca parti. Eu fui ali e já vim. Eu nunca parti. Eu só reparti. Só não reparti partidas. E nem sempre quem reparte fica com a melhor parte. Eu por exemplo fiquei com o pior. Fiquei com as saudades de vocês”. E não gostava da palavra “volta”.  Quem está na foto da capa com ela é o filho Jayme Monjardim, mais tarde talentoso diretor de programas de televisão, em especial novelas e minisséries (como a que focalizou a própria mãe, na Globo, em que Larissa Maciel a encarnou à perfeição). Gravado na extinta Copacabana, este disco, o décimo-quinto álbum de carreira, mostra uma Maysa bastante afinada com as manifestações musicais que ocorriam à sua volta.  Tanto que os acompanhamentos foram entregues a músicos de extrema competência e bastante conceituados, Antônio Adolfo e Egberto Gismonti, além dos então já veteranos Lindolfo Gaya e Severino Filho. São doze músicas de compositores que ainda iniciavam sua trajetória na MPB e eram ainda pouco conhecidos, mas que iriam se consagrar com o tempo. O próprio Antônio Adolfo assina três faixas em parceria com Tibério Gaspar: “Rosa branca”, “Tema triste” e “Você nem viu”.O irmão de Antônio Adolfo, Ruy Maurity (responsável por hits como “Serafim e seus filhos” e “Nem ouro nem prata”) assina,em parceria com José Jorge, “Estranho mundo feliz” (que parece ser obra da própria Maysa, dada sua personalíssima interpretação) e “Quebranto”. Egberto Gismonti  (que mais tarde faria bem-sucedida carreira internacional) vem com “Um dia” e “Indí”, esta em parceria com Arnoldo Medeiros, cujas letras, sensíveis e muito singelas, chegam a abordar elementos da natureza, o que iria caracterizar a obra de Gismonti futuramente. A faixa de abertura, “Pra quem não quiser ouvir meu canto”, é de César Roldão Vieira”, nome que então começava a se destacar em festivais de MPB.  O recém-falecido Nonato Buzar assina “Canto de fé”, em parceria com Willian Prado, Paulinho Tapajós vem com “Catavento”, que fez com Arthur Verocai, e Durval Ferreira comparece com “Eu e o tempo”, parceria com Flávia,que também assina “Imensamente”, junto com Hedya. O resultado disso tudo é um dos trabalhos mais delicados e modernos de toda a carreira de Maysa, verdadeiro achado em sua discografia, com sua sonoridade suave e sofisticada. Um trabalho irretocável de ponta a ponta, da primeira à última faixa, sendo impossível não se encantar. E, como ela mesma escreveu na contracapa, “agora, muito simplesmente, eu quero pedir a vocês que me ouçam”…

pra quem não quiser ouvir meu canto
estranho mundo feliz
catavento
rosa branca
tema triste
eu e o tempo
um dia
imensamente
canto de fé
indi
quebranto
você nem viu

* Texto de Samuel Machado Filho