Banda Do Canecão – 100 Anos De Carnaval (1973)

Pois é, amigos cultos e ocultos… Já estamos em clima de carnaval! É hora de esquecer as tristezas e brincar, pular, cantar, ao som de marchinhas e sambasque marcaram época. Esse , por sinal, é o objetivo do álbum que o TM prazeirosamente oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, gravado pela Banda do Canecão. Originalmente, o grupo foi formado em 1967, para a cerimônia de inauguração do Canecão, uma casa de shows do Rio de Janeiro que marcou época, situada no bairro de Botafogo, e onde se apresentaram artistas dos mais variados estilos e tendências musicais, como Elis Regina, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maysa, Elymar Santos, Chico Buarque, Maria Bethânia, Cazuza, Los Hermanos, RPM, Marisa Monte… Infelizmente, em 2010, o Canecão, após algumas retomadas, fechou definitivamente suas portas. Entre 1967 e 1975, a Banda do Canecão lançou cerca de 20 álbuns gravados ao vivo, todos pela Polydor/Philips (depois Phonogram, Polygram e atualmente Universal Music). E o álbum triplo que apresentamos (ou melhor, reapresentamos) hoje é um dos mais expressivos trabalhos da banda, tanto é assim que permaneceu em catálogo por mais de quinze anos: “Cem anos de carnaval”, que o TM já havia postado anteriormente como “Cem anos de samba”. Acontece que esse é o título de um outro álbum da mesma gravadora, com sambas interpretados pelo grupo Os Caretas. Agora, estamos colocando tudo no lugar certo, e trazendo de volta esta autêntica preciosidade. Em três LPs, a Banda do Canecão oferece uma autêntica retrospectiva do que melhor se produziu para embalar a maior festa popular brasileira. E a gravadora não regulou mixaria: preparou até um folheto histórico, ricamente ilustrado, contando uma verdadeira epopeia do carnaval brasileiro, num trabalho de pesquisa iconográfica e de texto caprichadíssimos. Os discos propriamente ditos ficaram sob a batuta de dois autênticos “cobras” em produção fonográfica: Paulinho Tapajós e Jairo Pires. Jairo, inclusive, fez parte do grupo de pesquisa que resultou na seleção musical deste álbum, e do qual também participaram José Ramos Tinhorão, Maurício Quadrio e Sérgio Cabral (autor, inclusive, de um livro sobre as escolas de samba). A direção de estúdio é de Guti e Fernando Adour, com Zezinho na coordenação musical, arranjos do maestro Peruzzi e o aparato técnico de gravação e mixagem impecável, sempre característico dos trabalhos da então Phonogram, a cargo de Ary Carvalhaes, Luís Cláudio Coutinho e Paulo Sérgio. Todo esse timaço nos oferecendo esta beleza que o TM traz de volta, reunindo, em pot-pourris, nada mais nada menos que CENTO E TRINTA E UMA músicas, entre sambas e marchinhas, com títulos jamais esquecidos pelos foliões, tipo “Jardineira”, “Mamãe eu quero”, “Alá-lá-ô”, “A-E-I-O-U”, “O teu cabelo não nega”, “Não tenho lágrimas”, “Confete”, “Sassaricando”, “Aurora”, “Ai, que saudade da Amélia”, “Bigorrilho”, “A lua é dos namorados”, “Cabeleira do Zezé”, “Cidade maravilhosa”, “Máscara negra”…  Músicas que marcaram época, dessas que ninguém esquece. Com direito a alguns sambas-enredo de escolas, tipo “Bahia de todos os deuses”, “Festa para um rei negro’ (“Pega no ganzê, pega no ganzá”)… Um trabalho impecável, que sem dúvida irá proporcionar momentos de pura animação e entretenimento, fazendo a gente cantar, pular e dançar até se acabar. E agora, ó abre alas, que a Banda do Canecão quer passar!

Bom Carnaval a todos!

*Texto de Samuel Machado Filho

Fátima Guedes – Coração De Louca (1988)

Uma autêntica diva de nossa música popular volta a bater ponto em nosso TM. É Fátima Guedes, talentosíssima cantora e compositora. Ela veio ao mundo na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro da Tijuca, zona norte do município, a 6 de maio de 1958. Ali fez o curso primário, no Instituto de Educação e na Escola Abreu Sodré. Aos 8 anos, mudou-se para o Rio Comprido, onde passou a juventude lendo muito e, evidentemente, ouvindo música: clássicos, por influência do padrasto, hits românticos por influência da moda, e MPB por influência da mãe, professora de literatura, que a introduziu no mundo das palavras, e até lhe deu de presente o quarto LP de Chico Buarque, lançado em 1970. Foi aos 15 anos de idade que nossa Fátima começou a compor, e já em 1973 ela saía-se vencedora do Festival de Música da Faculdade Hélio Alonso, com sua música “Passional”. No júri, entre outros, estavam Maria Bethânia, o produtor Mariozinho Rocha, o poeta e letrista Paulo César Pinheiro, e o jornalista Roberto Moura, responsável pela apresentação de Fátima Guedes às pessoas do meio musical da época. Mais tarde, conheceu Elis Regina, que a apresentou num especial de fim de ano da TV Bandeirantes. Numa reunião na casa do músico João de Aquino, Fátima conheceu Renato Corrêa, cantor, compositor e então produtor da gravadora EMI-Odeon, que a convidou para gravar seu primeiro disco. Esse LP, lançado em 1979, é um trabalho totalmente autoral, e já foi oferecido a vocês pelo TM. Como compositora, Fátima Guedes tem músicas gravadas por grandes nomes de nossa música popular, tais como Ney Matogrosso, Jane Duboc, Simone, Alcione, Beth Carvalho, Wanderléa, Verônica Sabino, Emílio Santiago, Zizi Possi, Nana Caymmi, Vânia Bastos, Mônica Salmaso e outros mais. Seu currículo tem ainda apresentações em casas de jazz de Los Angeles, EUA, onde residiu por algum tempo. Casada com o baixista Zeca Winicki, tem com ele a filha Beatriz, e atualmente reside em Teresópolis, região serrana do estado do Rio, ela que é uma verdadeira amante da natureza. Entre suas músicas mais conhecidas, podemos citar: “Onze fitas”, “Flor de ir embora”, “Condenados”, “Cheiro de mato”, “Tanto que aprendi de amor”, “Mais uma boca”, “Arco-íris”, “Pelo cansaço”, “Muito intensa”, “Ar puro”, “Tanto que aprendi de amor” e “A bailarina”. Como intérprete, sua discografia abrange catorze álbuns, e seu mais recente trabalho  é “Transparente”, lançado em 2015. Em 2006, no disco “Outros tons”, resgatou canções esquecidas do mestre Tom Jobim. O TM oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o sexto álbum da vitoriosa carreira de Fátima Guedes. É “Coração de louca”, lançado em 1989, e por sinal um dos primeiros trabalhos editados pela gravadora Velas (hoje Galeão), pertencente à dupla de compositores Ivan Lins-Vítor Martins. São nove faixas, incluindo trabalhos autorais (“Saia rodada”, “Chora brasileira”, “O rouxinol e a rosa”, a versão “Lição de amor” e a faixa-título e de abertura, “Coração de louca”), e regravações que ela fez de músicas de Chico Buarque com parceiros: “Retrato em branco e preto” (que ele fez com Tom Jobim), “Beatriz” (com Edu Lobo) e “Bye bye Brasil’ (com Roberto Menescal. Além da então inédita “Itajara”, de Moacyr Luz e Aldir Blanc. Em suma, este é mais um trabalho irrepreensível de Fátima Guedes, que, para a alegria dos apreciadores da boa música, continua na ativa, em discos e shows, recebendo os aplausos que bem merece como autêntica diva da música popular brasileira!

coração de louca29
chora brasileira
saia rodada
retrato e branco e preto
itajara
lição de amor
o rouxinol e a rosa
beatriz
bye bye brasil

*Texto de Samuel Machado Filho

Guttemberg Guarabyra – So Tem Amor… (1973)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Vejo que por conta das nossas postagens espaçadas, muitos acham que o barco aqui está a deriva. Me refiro especialmente ao nosso grupo, o GTM, onde por lá todos os inscritos podem usufruir dos links de postagens. Percebi que alguns do grupo andaram mudando a configuração para o recebimento automático dos links. Como é sabido e avisado, a participação neste grupo é de forma passiva, ou seja, ninguém pode postar nada, apenas ter acesso aos links de forma segura. Mas, infelizmente alguns não se dão por satisfeitos e acabam invadindo a área do administrador, alterando assim as configurações de participação. Eu já avisei aqui e volto a repetir, qualquer alteração nas configurações do grupo a pessoa pode ser banida e isso é feito automaticamente e sem o meu controle. Neste caso, para que a pessoa volte a fazer parte do grupo vai precisar de um novo e-mail, pois o que foi banido não volta mais. Peço que fiquem atentos e evitem essas alterações para que assim possamos manter o blog sempre funcionando direitinho, ok?
Hoje eu estou trazendo para vocês um compacto, um disquinho o qual já foi postado aqui anteriormente, mas sem a sua capa original. Agora, recentemente, consegui um exemplar completo e assim, volto novamente a postagem como manda o nosso figurino. Temos aqui o compacto promocional da Pepsi Cola cujo o jingle faz sucesso até hoje. Quem não se lembra dessa música? Ficou tão conhecida que acabou merecendo um disquinho, um compacto que tem também uma primeira versão para a música ‘Pássaro’. Embora o disquinho seja do Guttemberg Guarabyra, as duas faixas são da dupla Sá & Guarabyra. Disquinho raro e muito bom, vamos conferir?

só tem amor quem tem amor pra dar
pássaro

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O Grupo (1968)

Olá, amigos cultos e ocultos! O TM apresenta a vocês hoje o LP de um conjunto vocal-instrumental que infelizmente durou pouco tempo, aliás foi  o único álbum que registraram. O nome é o mais sintético possível: O Grupo. Formado por quatro rapazes pra lá de talentosos, Roberval, Raimundo, Jaime e Maurício, O Grupo ficou conhecido do público ao acompanhar Roberto Carlos no samba “Maria, carnaval e cinzas”, de Luiz Carlos Paraná, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Esta música, inclusive, foi o lado A do compacto simples de estreia do Grupo, lançado ainda em 67 pela Odeon, tendo no verso “Canto de perdão”, de Roberval, um dos integrantes, em parceria com Hedys Barroso Neto. “Maria, carnaval e cinzas” também está neste único LP do Grupo, como faixa de encerramento. E é um trabalho de primeira, concebido sob a batuta de Mílton Miranda, com direção musical de outro “cobra”, Lírio Panicalli, e assistência de produção de Orlando Silva (que, certamente, não era o “cantor das multidões”). Os competentísssimosrapazes do Grupo, literalmente, “botam pra quebrar” em um repertório basicamente composto de sucessos nacionais da ocasião. Nas orquestrações e regências, além do próprio Lírio Panicalli em “Passa por mim” e “Morrer de amor”, temos ainda Antônio Adolfo em “Sá Marina” (por sinal um de seus maiores hits autorais), “Januária”, “Eu e a brisa” (eterno clássico de Johnny Alf) e “Diane”, Carlos Monteiro de Souza no clássico “Travessia”, inesquecível obra-prima de Mílton Nascimento, Ugo Marotta em “O bonde”, e Nelsinho em “Maria, carnaval e cinzas”.  Tudo isso com a irrepreensível qualidade técnica então característica das produções da Odeon, e recomendado por um entusiasmado Paulo Sérgio Valle no texto de contracapa. Um resultado de fato magnífico, que merece mais esta postagem do TM e irá agradar muito. Após esse disco, eles ainda gravariam algumas faixas esparsas em álbuns mistos e desapareceriam de cena. De qualquer forma, este LP do Grupo vale como um documento musical precioso daquele que é conhecido como “o ano que não terminou”, 1968, para desfrute de todos aqueles que apreciam nossa música popular no que ela tem de melhor e mais expressivo. Aproveitem…

alegria de carnaval
januária
passa por mim
pelas ruas do recife
rosa branca
o bonde
sá marina
eu e a brisa
morrer de amor
travessia
diane
maria carnaval e cinzas

*Texto de Samuel Machado Filho

Francisco Mário – Terra (1979)

Olá, amigos cultos e ocultos! Trago hoje para vocês o violonista e compositor mineiro, Francisco Mário. Já tivemos aqui a oportunidade de apresentar alguns de seus trabalhos e agora ele volta neste belíssimo trabalho. Aliás, seu primeiro disco, lançado de forma independente, em 1979. Chico Mário, como era também conhecido foi irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho. Todos três hemofílicos, faleceram vítimas de transfusões de sangue contaminado com o vírus da aids. Chico começou a estudar música ainda na infância. Estudou arranjo e harmonia com Roberto Gnattali, responsável pelos arranjos de seu primeiro show, em 78. No ano seguinte lançaria este seu primeiro trabalho. Um disco totalmente autoral, com participações importantes como o Quarteto em Cy, Joyce, Antonio Adolfo e muitos outros… “Terra” foi, na época, lançado também no México. Um disco realmente muito bom e que merece ser relembrado aqui no nosso Toque Musical. Confiram no GTM!

ouro preto
terra
bateia
passarinho preto
quitute mineiro
exílio
moda do tio geraldo
bandeiras ao alto
maria leal
carro de boi
manto
bicho fantasiado
reses tensas
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Olivia Hime – Segredos Do Meu Coração (1982)

O Toque Musical começa 2018 em grande estilo, oferecendo hoje a seus amigos cultos e ocultos um dos melhores trabalhos de uma das mais respeitadas cantoras, letristas e produtoras de nossa música popular. Estamos falando de Olívia Hime, na pia batismal Maria Olívia Leuenroth, nascida no Rio de Janeiro em 25 de junho de 1943. É filha de Cícero Leuenroth e neta de Eugênio Leuenroth, ambos pioneiros da propaganda no Brasil, sendo ainda sobrinha-neta do militante anarquista Edgard Leuenroth. No início de sua carreira, Olívia integrou, com Miúcha e Telma Costa, um grupo vocal com o qual atuou em um show de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Ao se casar com o cantor-compositor Francis Hime, em 1969, relutou por alguns anos em abraçar a carreira profissional de cantora, pois temia esbarrar no rótulo de “mulher do Francis” ou de amiga de medalhões da MPB tipo Chico Buarque e Tom Jobim. Em 1977, ano em que produziu para o marido Francis o álbum “Passaredo” (logo passando também a compor e participar dos discos e shows dele), Olívia lançou seu primeiro disco-solo, pela Tapecar, um compacto simples com as músicas “Bela adormecida” e “Diana”, pouco divulgado e sem nenhumarepercussão. Em 1980, novo single, pela RGE, apresentando “Três Marias” e “Céu de estio”, músicas que, um ano mais tarde, fariam parte de seu primeiro LP, sem título, produzido por Dori Caymmi, reunindo músicas dela mesma em parceria com Francis, e de outros autores. O casal tem três filhas – Maria, Joana e Luiza – e três netas. Como produtora musical, seus mais notáveis trabalhos são os álbuns “A música em Pessoa”, em parceria com Elisa Byington, reunindo quinze poemas de Fernando Pessoa, musicados por grandes compositores brasileiros, lançado em 1985, por ocasião do cinquentenário da morte do poeta lusitano (e por sinal já oferecido a vocês pelo TM), e “Estrela da vida inteira”, com poemas musicados de Manuel Bandeira, editado em 1986 por ocasião do centenário do poeta. Em 2000, fundou, com Kati de Almeida Braga, a gravadora Biscoito Fino, da qual é diretora artística, responsável pelos melhores lançamentos de MPB dos últimos anos. Com sensibilidade e bom gosto, Olívia Hime vem conseguindo o respeito dos músicos e da crítica com seus trabalhos pessoais, burilados e originais, sempre procurando não ser associada a um único estilo musical. Seu mais recente álbum, em dupla com o marido Francis, é “Sem mais adeus – Uma homenagem a Vinícius”, lançado em 2017, verdadeiro tributo ao PoetinhaVinícius de Moraes.“Segredo do meu coração”, o disco que o TM nos oferece hoje, é o segundo álbum-solo de Olívia Hime, lançado em 1982 com o selo Opus/Columbia (ou seja, pela Som Livre, com distribuição da CBS, hoje Sony Music), e que hoje faz parte do catálogo da Biscoito Fino. Com produção executiva e direção de estúdio de Dori Caymmi e do marido Francis Hime, ela percorre, como de hábito, vários gêneros musicais, explorando as riquezas da alma brasileira, e mantendo um ambiente sonoro bem cuidado e variado. O disco é também o documento de uma época marcada pela esperança da abertura e pelo fim das interdições impostas pela censura federal. A faixa-título, na verdade, é o subtítulo de “Saiçú”, composição do gaúcho Kleyton Ramil, da dupla com o irmão Kledir. No total, são onze músicas de extraordinária qualidade, entre elas, “Mariposa”, “Cartão postal” (assinadas pelo casal Francis-Olívia), regravações de “Zabelê”, da dupla Gilberto Gil-Torquato Neto, “Canção da noiva (História de pescadores)”, do mestre Dorival Caymmi, e “Gongoba (Pra você que chora)”, da parceria Edu Lobo-Gianfrancesco Guarnieri, e ainda “Flor das estradas”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, também gravada pelo próprio Dori e mais tarde pela irmã, Nana. Enfim, um trabalho muito bem cuidado, em termos técnicos e até mesmo gráficos, digno de merecer a postagem de nosso TM e um dos pontos altos da carreira da notável Olívia Hime. É só conferir…

estrela guria

zabelê

cartão postal

deveria

a flor das estradas

próxima partida

saiçu (segredo do meu coração)

gongoba (pra você que chora)

amazônia

mariposa

canção da noiva

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Grupo Queluz de Minas – Pra Vida (1982)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Depois de um merecido descanso, 20 dias de férias, retomamos nossas publicações para 2018. Neste ano pretendo ainda colocar funcionando plenamente o nosso canal no Youtube. Minha ideia é publicar em paralelo as postagens feitas aqui. Difícil vai ser postar por lá tudo o que já foi publicado aqui, muito embora outros canais já tenham feito isso. Certamente quase tudo que postamos aqui já está rodando direto no Youtube. Mas vamos direcionar isso. Está na hora de pegar de volta tudo que plantamos, não é certo?
Bom, recomeçando nosso toque musical para 2018, temos aqui uma produção independente, o grupo mineiro Queluz de Minas e seu único álbum “Prá Vida…”, lançado em 1982. Há algum tempo atrás nós chegamos a postar aqui um compacto do grupo, lançado no ano anterior, também produção independente, feito aqui em Belô.
Conforme já apresentamos, o Grupo Queluz de Minas foi formado no final dos anos 70, na cidade mineira de Conselheiro Lafaiete. Surgiram a partir de um show que fizeram em homenagem ao músico da cidade, João Salgado, que vem de uma das famílias de fabricantes da famosa ‘viola de queluz’. Queluz é uma região no município de Conselheiro Lafaiete,onde, entre o final do século XIX e inicio do XX eram fabricadas por duas famílias, Meirelles e Salgado, as violas de pinho que hoje se tornaram raríssimas e cobiçadas por todo bom violeiro. O grupo se dissolveu anos depois, porém alguns de seus integrantes seguiram em carreira individual e em outros grupos. Ao que parece, eventualmente eles se reúnem. Existe inclusive uma página no Facebook mantida por eles.
O disco é realmente muito bom. Música regional e autoral com um time de excelentes músicos. Vale a pena conferir… 😉

rumo ao sol
prá vida
veludo
quebrança
autofagia
to be
tema I
esse meu coração
espelho
pro nada, pra nada

 

Elis Regina – Box WEA Collection (1990)

Muito bom último dia do ano para todos vocês, amigos cultos e ocultos! Embora saibamos que em 2018 ainda iremos penar muito por conta de decisões tão erradas, sinceramente eu espero que um milagre aconteça. Que a luz da divina sabedoria caia sobre a cabeça desse povo tomado pela ignorância, ódio, preconceito e falta de discernimento. Que nossa nação não precise ir mais ao fundo do posso, recorrendo ao extremismo, ao ponto de mais uma vez meterem as mãos pelos pés, votando, por exemplo num crápula, oportunista, como é o caso dessa besta chamada Jair Bolsonaro. Esse sujeito representa a encarnação do anti-cristo, aquele que irá levar o país ao caos. Espero que as pessoas de sensibilidade tenham essa clareza. Que a música os ajude a exorcizar essa simpatia pelo diabo. Estou vendo que se essa peste vencer, darei por encerrado o nosso Toque Musical. Não terei mais ânimo para continuar. Nessa perspectiva, 2018 e os próximos que virão vai ser osso. Quero estar bem longe desse vale de estupidez. Sinceramente, espero um milagre…
Para encerrar então este ano, mais uma vez, procuro fechar com chave de ouro. E para tanto, escolhi este box da WEA, lançado em 1990, com quatro lps, reunindo vários momentos da maravilhosa cantora Elis Regina em apresentações ao vivo. Um trabalho póstumo e uma homenagem a essa que foi uma das maiores cantoras do Brasil.
Deixo assim este box, uma colaboração do amigo Fáres (a quem muito agradeço por tantas doações), que hoje trago com prazer para enfileirar nossas postagens, finalizando mais um ano musical. Aproveito também para agradecer ao amigo Samuca, o Samuel Machado Filho, a quem muito devo pela sempre brilhante colaboração de textos para nossas postagens. Muito obrigado a todos que ainda acompanham nossas publicações. A todos, um feliz 2018!

abertura
arrastão
lapinha
terra de ninguém
menino
aos nossos filhos
o primeiro jornal
o bêbado e a equilibrista
canção da américa
conversando no bar
redescobrir
sabiá
mundo novo vida nova
aquarela do brasil
o que foi feito devera
na baixa do sapateiro
corcovado
garota de ipanema
asa branca
essa mulher
as aparências enganam
moda de sangue
beguine dodói
basta de clamares inocência
presidente bossa nova
onze fitas
bolero de satã
pé sem cabeça
altos e baixos
alô alô marciano
eu, heim rosa
cai dentro
agora tá
marambaia
cobra criada
madalena
ponta de areia
fé cega faca amolada
maria maria
upa neguinho

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Paulinho Boca de Cantor – Prazer De Viver (1982)

Olá, amigos cultos e ocultos! Este disco está entrando hoje em nossas postagens, pois já estava agendado, de maneira a controlar cronologicamente tantas outras postagens durante o ano de 2017. Só que lida com blogs saberá do que eu estou falando. Em outras palavras, este era para ser o último disco postado neste ano. Como ainda temos mais três dias pode ser que eu ainda poste alguma coisa, nem que seja apenas os votos de um feliz 2018.
Segue então mais um disco do Paulinho Boca de Cantor, um dos fundadores do lendário Novos Baianos. Este foi o seu terceiro álbum solo ainda na fase de produção independente, lançado em 82. No ano seguinte ele partiria para  excursões no exterior, consagrando ainda mais sua carreira de sucesso. Pessoalmente, este é um dos discos dele que eu mais gosto. Vale dar uma conferida 😉

prazer de viver (barra)
corta cebola
sonho de salsa
ferro na boneca
a flor do afoxé
se houver céu
do-in na cama
saudades da terra
terra virgem
gente coisa é outra fina
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Datas Felizes (1965)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Como de costume, a gente atrasa, mas não falta. Ainda, para fecharmos esse ano de 2017 (e como estou mais folgado nesses dias), temos aqui mais alguns disquinhos para complementar ‘os finalmente’. Deixo aqui este lp que se por acaso eu já não o postei, certamente quase todas as músicas deste disco já foram apresentadas aqui ao longo dos nossos dez anos. Trata-se de uma coletânea dedicada a temas de datas felizes, como Natal, Dia dos Namorados, da Mães, dos Pais, dos Avós e muito mais… Carlos Galhardo foi um dos cantores que mais gravou temas desse tipo e assim, nesta seleção ele praticamente é quem comanda o espetáculo. Mas ainda sobra espaço para o maestro Zaccarias e sua orquesta, The Three Suns e as então crianças Maria Regina e Zaira Cruz. Enfim, um disco para se encaixar em várias comemorações (curiosamente, não tem de Ano Novo). Vamos conferir? 😉

parabéns pra você – zaccarias e sua orquestra
valsa dos quinze anos – carlos galhardo
maezinha querida – carlos galhardo
a música do papai – maria regina e coro
valsa da vovozinha – carlos galhardo
jingle bells – the three suns
valsa dos namorados – carlos galhardo
bodas de prata – carlos galhardo
aniversário de criança – zaira cruz e coro
aniversário de casamento – carlos galhardo
boas festas – carlos galhardo
valsa de formatura – carlos galhardo

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Especial De Natal – Pacote GRB Repostagem (2017)

Olá amigos cultos e ocultos! Diante de um momento onde tudo a cada hora piora, não seria diferente as coisas também por aqui. Já se foram os tempos dourados, postagens diárias e um público crescente e entusiasta. Tempos em que valia mesmo a pena me sacrificar para manter diária as postagens no Toque Musical. Infelizmente esse tempo passou, as coisas mudaram. O prazer de postar um novo velho disco a cada dia ainda existe. Mas de que me vale ocupar meu pouco tempo em função de algo que já não atrai? Penso em alternativas, mudanças e atualizações. Mas não é fácil transpor 10 anos para uma nova ‘plataforma’. E qual seria? Segue então o barco com alguns poucos tripulantes. Uma carga valiosa boiando num mar morto. Até onde iremos eu não sei. Porém, enquanto respiramos seguem alguns sinais de vida.
Para que nosso Papai Noel não passe batido, eu estou repostando aqui alguns discos da série Grand Record Brazil cujos os temas eram o Natal.
Desejo a todos uma noite feliz. Que Deus nos abençoe e nos ilumine.
Paz para todos!

Augusto TM

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Você É O Artista (1962)

Olá, amigos cultos e ocultos! Depois que terminamos as postagens das trilhas de novelas, não achei mais um momento para selecionar coisas interessantes e fazermos valer o último mês do ano. Normalmente, nessa época, estaríamos aqui pipocando com novas e boas postagens, celebrando Natal e Ano Novo. Mas, qual nada… Os tempos são outros e muitos por aqui já abandonaram o barco, novas embarcações chegaram… Em outras palavras, o que oferece o Toque Musical, hoje perdeu o sentido. Não há mais a febre de buscar, de baixar, de conhecer… Os tempos são outros e o ‘ibope’ por aqui vai só descendo. Desestimulado, mantenho tudo isso apenas para não parar de vez, sigo agora sem obrigações, postando quando der…
E antes que 2017 acabe, aqui vai uma raridade bem ao estilo do Toque Musical. Um disco tão raro que até hoje nunca o vi anunciado/publicado em sites ou blogs com o nosso. Aliás, até bem pouco tempo eu nem sabia da existência deste lp. Mas afinal, o que tem ele de interessante, de especial? Muito bem, aqui temos um precursor do chamado disco de karaokê. Um lp lançado pela Companhia Brasileira de Discos, através do selo Philips, no início dos anos 60. Trata-se de um disco curioso, pois traz seis músicas da então moderna Bossa Nova interpretada por seis artista do cast da gravadora: Sônia Delfino, Carlos Lyra, Laís, Vera Lúcia, Lúcio Alves e Silvia Telles. Aqui esses artistas cantam e convidam o ouvinte para cantar também e para tanto, trazem sempre na sequência uma outra faixa apenas com a música no instrumental. Parece ser simples acompanhar cantando numa orquestra (isso para não falarmos na afinação), mas na verdade é difícil pra caramba. Karaokê bom é aquele que traz a coisa bem direta. As nuances aqui, nas músicas desse disco, são bem complexas e só mesmo um cantor de verdade (ou os próprios) saberão interpretá-las de maneira perfeita.
E no geral, o disco é bem legal. Recomendo ;)\

tome continha de você – sônia delfino
tome continha de você – para você cantar
chora tua tristeza – carlos lyra
chora tua tristeza – para você cantar
patinho feio – lais
patinho feio – para você cantar
leva-me contigo – vera lúcia
leva-me contigo – para você cantar
dindi – lúcio alves
dindi – para você cantar
samba de uma nota só – silvia telles
samba de uma nota só – para você cantar
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Braço De Ferro – Temas Nacionais Da Novela (1983)

Hoje o TM oferece a seus amigos cultos, ocultos e associados, dentro de seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas, mais uma autêntica relíquia. Trata-se de um álbum trazendo os temas musicais de “Braço de ferro”, novela para público infanto-juvenil escrita por Marcos Caruso, produzida pela Rede Bandeirantes sob a supervisão de Roberto Talma, dirigida por Sérgio Galvão (com um de seus capítulos dirigido pelo então estreante Jayme Monjardim), e exibida entre 9 de maio e 30 de julho de 1983. Na trama, um grupo de crianças funda um clube num casarão abandonado que fica em terreno desapropriado, onde conversa sobre seus problemas e busca soluções para cada um deles. Embora a novela tenha durado pouco (teve apenas 50 capítulos), a carreira de alguns de seus atores-mirins continuou por longo tempo, caso de Selton Mello (que interpretou Raimundo) e Marcos Roberto Quintela (o Luisão), que mais tarde seria cantor da “boyband” Dominó. Além das crianças (que constituíam 60% do elenco), havia também atores adultos que serviam de apoio: Jussara Freire (Odete), Régis Monteiro (Mílton), Walter Stuart (Márcio), Paulo Novaes (Ricardo), Elizabeth Hartmann, Geraldo del Rey, Mirian Mehler, etc. “Braço de ferro” tinha uma linguagem inocente e inteligente, que atraía os telespectadores-mirins da Band, além do ritmo de desenho animado. Porém, apesar da ideia inovadora e muito boa, a atração sofreu um pouco com a falta de recursos, em virtude do baixo orçamento oferecido pela emissora. A escassez de recursos também prejudicou a escolha do elenco e a qualidade das locações da novela, feitas na Vila Sônia, bairro proletário de São Paulo. Mas pode-se dizer que valeu a batalha… Pois então cá está a trilha sonora de “Braço de ferro”, para deleite dos amigos do TM. Nessa época, a gravadora Bandeirantes Discos, vinculada à emissora, já não existia mais, e eles passaram a trabalhar de forma diferenciada com relação às trilhas sonoras de suas novelas, entregando a co-produção e a distribuição das mesmas a outras companhias fonográficas, e identificando-as com a marca Discoban. No caso de “Braço de ferro”, a produção de sua trilha sonora foi responsabilidade da então poderosa RCA (depois BMG, SonyBMG e hoje Sony Music), ficando a cargo dos experientes Cayon Gadia, Romeu Giosa (estes representando a Band), Renato Figueiredo e João C. Montanaro. Nos arranjos e regências,  os supercompetentes Sérgio Sá, Eduardo Assad, Laércio de Freitas e Júlio Caesar. Das onze faixas do disco, cinco são interpretadas pelo grupo Pipoca Voadora (formado, ao que parece, apenas para esses registros): as então inéditas “Cavalo selvagem” e “Aventureiro”, e regravações dos clássicos “O vira” (dos Secos & Molhados, lembram?), “O pato” (“Vinha cantando alegremente, quem, quem”…) e “O gênio” (lançada por Roberto Carlos no tempo da Jovem Guarda). O Projeto XK (outro grupo formado, ao que parece, apenas para participar deste disso) tem outras duas faixas, ambas compostas por Sérgio Sá: “Fórmula mágica”, e o tema-título e de abertura da novela, “Braço de ferro”. Mas o principal destaque fica por conta da sempre luminosa presença do inesquecível Wilson Simonal, interpretando a versão “Cê tem que ser um menino (Jereveviens um bebe)”. Enfim, a trilha de “Braço de ferro” constitui-se em mais um precioso documento histórico, digno de figurar nos acervos dos amigos do TM. A conferir, sem falta…

cavalo selvagem – pipoca voadora
o vira – pipoca voadora
o pato – pipoca voadora
louco criador – a turma toda
blusa de lã – shampoo
aventureiro – pipoca voadora
fórmula mágica – projeto xk
banho de cachoeira – cesar rossini
braço de ferro – projeto xk
ce tem que ser um menino – wilson simonal
o gênio – pipoca voadora

*Texto de Samuel Machado Filho

Rosa Baiana – Trilha Sonora Original Da Novela (1981)

No dia 13 de maio de 1967, era inaugurada em São Paulo a TV Bandeirantes, Canal 13, pertencente ao empresário João Jorge Saad, que seria convertida em rede nacional a partir de 1978, mais ou menos.  Desde o início, a emissora investiu em esportes, filmes e jornalismo, tripé que a caracterizou durante anos. Já nos primeiros dias de funcionamento, a emissora, hoje conhecida pela corruptela Band, pôs no ar sua primeira novela: “Os miseráveis”, adaptação do romance homônimo do escritor francês Victor Hugo, feita por Walther Negrão e Chico de Assis, com uma inovação: capítulos com 45 minutos de duração. Nesse período, a Bandeirantes fez outras novelas, tais como “Era preciso voltar” e “O bolha”. Em 1970, um ano após o desastroso incêndio que destruiu as instalações da Bandeirantes, encerrava-se o primeiro período de produção teledramatúrgica da emissora do Morumbi. Em 1979, já convertida em rede nacional, a Band retomou a produção de novelas, com “Cara a cara”. Seguiram-se outros títulos, tais como “Cavalo amarelo”, “Ninho da serpente”, “O meu pé de laranja-lima” (remake de uma produção da extinta Tupi, que a Band refaria novamente em 1998), “Maçã do amor”, “Sabor de mel”, “Os imigrantes” (talvez a novela de maior sucesso da emissora, e a que mais capítulos teve, 459), “Os adolescentes”, “Campeão” etc. Isso até meados da década de 1980. Por volta de 1995, inicia-se o terceiro e último período de produção novelesca da Band, com títulos como “A idade da loba”, “Serras azuis”, “Água na boca” e as infanto-juvenis “Floribela” e “Dance, dance, dance”.  Em 2008, a Band desistiu definitivamente da teledramaturgia de produção própria, e exibiu por algum tempo títulos produzidos na Turquia, tais como “Fatmagul – A força do amor”, “Mil e uma noites” e “Sila, prisioneira do amor”.  Pois hoje o TM oferece a seus amigos cultos e associados o álbum com a trilha sonora de uma novela pertencente à segunda fase teledramatúrgica da Bandeirantes. Trata-se de “Rosa baiana”, escrita por Lauro César Muniz (recém-saído da Globo, onde escrevera“Os gigantes”). Dirigida pelos experientes Waldemar de Moraes, Antonino Seabra e Sérgio Galvão, que substituíram David José, a novela estreou em 9 de fevereiro de 1981, substituindo a tumultuada “Um homem muito especial”,  e ficou em cartaz até 30 de julho do mesmo ano, com um total de 141 capítulos (90 deles totalmente gravados em locações).  A trama tinha como pano de fundo os campos de petróleo da Bahia, e teve até mesmo o patrocínio da Petrobras! Lá, vive a personagem-título,  interpretada por Nancy Wanderley, primeira esposa do comediante Chico Anysio, com os problemas de seus sete filhos: Agenor (Gianfrancesco Guarnieri), Ivan (Edgard Franco), Orestes (Walter Prado), Walter (Raimundo de Souza), Edinho (Taumaturgo Ferreira), Bráulio (Maurício do Valle) e Cláudia (Wanda Stefânia). Rosa espera que, um dia, Edmundo Lua Nova (Rafael de Carvalho), seu companheiro e pai de seus filhos, retorne novamente para casa. Ainda no elenco estavam Maria Luiza Castelli(Neide), João Signorelli  (Roberto), Jofre Soares (Frei Damião) e Ana Maria Magalhães (Natália), entre outros. Em meio às gravações da novela, no dia 3 de maio de 1981. Rafael de Carvalho, o Edmundo Lua Nova, morreu de infarto. Porém, Lauro César Muniz descartou a hipótese de matar o personagem ou substituír o ator. Assim sendo, ele fez Edmundo abandonar sua família, deixando a trama, retornando ao final em um show de circo, gravado antes do falecimento de Rafael (e com a presença dele, é lógico). Pois cá está a trilha sonora de “Rosa baiana”, devidamente editada pela Bandeirantes Discos, sob o selo Clack. Com sonoplastia do “cobra” Salatiel Coelho, e sob a coordenação de produção de Renato Viola, é um trabalho bem cuidado até mesmo graficamente, com uma capa dupla que mostra uma bela vista aérea do litoral soteropolitano. No disco, encontramos preciosidades como “Zanzibar (As cores)”, com  A Cor do Som, que até fez sucesso na época, “A vendinha da feira”, com Zé do Baião, “Hora de ser criança”, com Délcio Carvalho, “Estrela-guia”, com Joanna, “Litetratura de cordel”, com o Grupo Terra, e a faixa-título, “Rosa baiana”, interpretada por Xangai. Encerrando o álbum com chave de ouro, uma versão instrumental da imorredoura “Asa branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, pela Banda Bandeirantes. É mais um trabalho de qualidade a integrar, merecidamente, a retrospectiva músico-novelesca de nosso TM. É só conferir…

rosa baiana – xangai
zanzibar – a cor do som
desci ladeira – odair cabeça de poeta
literatura de cordel – grupo terra
zumbi – grupo agreste
maracanã – ponte aerea
estrela guia -joana
hora de ser criança – delcio carvalho
desencontro – barca do sol
jaíba – grupo agreste
a vendinha da feira – zé do baião
asa branca – banda bandeirantes

*Texto de Samuel Machado Filho

Eramos Seis – Trilha Sonora Da Novela (1977)

Em 1943, dois anos após estrear em livro com “O romance de Tereza Bernard”, a escritora Maria José Dupré (Botucatu, SP, 1/5/1898-Guarujá, SP, 15/5/1984) publicou o que seria sua obra-prima: “Éramos seis”, que, um ano mais tarde, receberia o Prêmio Raul Pompéia da Academia Brasileira de Letras. Esse foi seu maior sucesso literário, ao lado da série de livros infantis com o cachorrinho Samba. “Éramos seis” conta a história de dona Lola, uma mulher batalhadora e bondosa que faz tudo pela felicidade de sua família. Esposa de um vendedor, Júlio, teve com ele quatro filhos: Carlos, Alfredo, Julinho e Isabel. A obra cobre cerca de duas décadas, iniciando-se em fins dos anos 1920, no final da República Velha, e terminando nos anos 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, já no fim do Estado Novo. Um período de grandes transformações sociais e comportamentais da sociedade paulista que serve de pano de fundo ao romance, influenciando diretamente as ações dos personagens. A vida de dona Lola é narrada desde a infância das crianças, ao tempo em que a família morava na Avenida Angélica, em São Paulo, passando pela chegada dos filhos à fase adulta e da matriarca à velhice. À medida que os anos passam, sua vida muda com as mortes de Júlio e Carlos, o sumiço de Alfredo pelo mundo (é até convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial), a união de Isabel com um homem desquitado, Felício, e a ascensão de Julinho, que se casa com uma moça de família da alta sociedade carioca. Ao fim da vida, dona Lola acaba sozinha num asilo, daí o título do livro: eram seis e, naquele momento, só restava ela. Um drama mais ou menos comum a todas as famílias. “Éramos seis” foi adaptado quatro vezes para a televisão, a primeira em 1958, pela Record, levada ao ar ao vivo (ainda não existia o videoteipe), estrelada por Gessy Fonseca; a segunda em 1967, pela extinta Tupi, estrelada por Cleide Yaconis; a terceira dez anos mais tarde, pela mesma Tupi, com Nicete Bruno na pele de dona Lola; e a quarta, em 1994, pelo SBT, estrelada por Irene Ravache. E é justamente o álbum com as músicas da terceira versão de “Éramos seis” que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, dando prosseguimento ao ciclo que dedicamos às trilhas sonoras de novelas. A estreia foi no dia 8 de junho de 1977, e o último capítulo, de um total de 165, foi exibido ao apagar das luzes daquele ano, ou seja, em 31 de dezembro. Dirigida por Atilio Riccó e Plínio Paulo Fernandes, e adaptada por Sílvio de Abreu (hoje diretor de teledramaturgia da Globo) e pelo também crítico de cinema Rubens Ewald Filho (que também assinam o remake exibido no SBT, em 1994), a novela foi ao ar num momento em que a Tupi já estava em grave crise financeira, mas ainda respirava (e, claro, foi produzida em cores). Além de Nicete Bruno como a matriarca, estavam no elenco: Gianfrancesco Guarnieri (Júlio), Carlos Augusto Strazzer (Carlos), Carlos Alberto Ricelli (Alfredo), Ewerton de Castro (Julinho), Maria Isabel de Lizandra (Maria Isabel), Geórgia Gomide (Clotilde), Jussara Freire (Olga), Chica Lopes (Durvalina, papel que ela também fez no remake do SBT), Beth Goulart (Lili), Geny Prado (a companheira de Mazzaropi no cinema, aqui no papel de tia Candoca), Ruthinéia de Moraes (Zulmira), Maria Luiza Castelli (Pepa), e outros mais. A Tupi reprisaria “Éramos seis” pouco antes de falir, em 1980. O álbum com a trilha da novela, que oferecemos hoje, teve seu lançamento por conta da GTA, gravadora que, como vocês já sabem, foi criada pela Tupi na esteira do sucesso da global Som Livre. Com produção executiva de Moacyr M. Machado, sob a direção artística do sempre notável Cayon Gadia, o disco é uma compilação muitíssimo bem feita, repleta de sucessos passados, feita a partir de masters cedidos por outras gravadoras. O disco abre com o tema de abertura de “Éramos seis”, “Toda uma vida”, na voz de Ederly Borba, uma cantora que infelizmente não teve muita sorte. Depois, temos Beth Carvalho, com “Domingo antigo”, o mestre do cavaquinho, Waldir Azevedo, com sua belíssima “Meu prelúdio”, Rosinha de Valença com “Madrinha lua”, os Titulares do Ritmo com “Modinha”, de Sérgio Bittencourt, Wilson Simonal com “Queremos Deus”, o inesquecível dueto de Dorival Caymmi e sua filha Nana (então estreando em disco) em “Acalanto”, Chico Buarque com sua imortal “A banda”, Jacob do Bandolim executando a valsa “Capricho do destino”, Nara Leão revivendo a marcha-rancho “Malmequer”, os Violinos Mágicos (uma das orquestras de estúdio da Musidisc) com a imortal valsa “Branca”, de Zequinha de Abreu, Elizeth Cardoso e Sílvio Caldas interpretando juntos o clássico “Serra da Boa Esperança”, de Lamartine Babo, e, por fim, Fernando Lona, interpretando sua “Caiado”. Um repertório de primeiríssima qualidade que caiu como uma luva para embalar a trama de “Éramos seis”, e torna este disco absolutamente imperdível, e irresistível! Ouçam e confirmem.

toda uma vida – ederly borba

domingo antigo – beth carvalho

meu prelúdio – waldir azevedo

madrinha lua – rosinha de valença

modinha – titulares do ritmo

queremos deus – wilson simonal

acalanto – nada caymmi

a banda – chico buarque

capricho do destino – jacob do bandolim

mal me quer – nara leão

branca – violinos mágicos

serra da boa esperança – elizeth cardoso e silvio caldas

caiado – fernando lona

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*Texto de Samuel Machado Filho

Nossa Filha Gabriela – Trilha Sonora Original (1972)

O Toque Musical prossegue seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas oferecendo mais uma raridade. O folhetim hoje posto em foco é “Nossa filha Gabriela”, da extinta TV Tupi, escrito por Ivany Ribeiro, dirigido por Carlos Zara (que também interpretou o personagem Tito) e levado ao ar, ainda em preto e branco, de primeiro de setembro de 1971 a 4 de março de 1972, totalizando 168 capítulos. E com um ótimo elenco, praticamente o mesmo da novela anterior de Ivany, “O meu pé de laranja lima” (adaptada de romance de José Mauro de Vasconcelos):  Eva Wilma (então grande estrela da Tupi, no papel-título), Gianfrancesco Guarnieri (Giuliano), Ivan Mesquita (Candinho), Abrahão Farc (Romeu), Cláudio Corrêa e Castro (Napoleão), Lélia Abramo (Donana), Dênis Carvalho (Rodrigo), Geny Prado (ela mesma, a companheira de Mazzaropi no cinema, como Rosária), Bete Mendes (Rosana), etc. Na trama, Gabriela é a estrela de um teatro mambembe que chega a uma pacata cidade e muda o comportamento de seus habitantes. Três simpáticos velhinhos, Candinho, Romeu e Napoleão, disputam entre si a atenção de Gabriela. O que ela desconhece é que, no passado, os velhinhos haviam se casado com trigêmeas, uma delas era sua mãe e um deles, seu pai. Aí então, os três passam a disputar a paternidade de Gabriela, um mistério que permaneceria até o fim da trama. O resultado foi uma história simples e divertida, que, curiosamente, iria se chamar “A fazenda”! Sim, esse foi o primeiro título pensado para a novela, quando nem se imaginava que haveria um reality show com esse nome, tempos depois…  Outra curiosidade é que Ivany Ribeiro escreveria, em 1986, um remake de “Nossa filha Gabriela”, produzido pela Globo, desta vez com o título de “Hipertensão”, e no qual o velhinho Napoleão foi interpretado pelo mesmo ator da versão original, Cláudio Corrêa e Castro. A trilha sonora de “Nossa filha Gabriela”, que o TM oferece hoje a seus amigos cultos e ocultos, foi composta e interpretada pela dupla Toquinho e Vinícius de Moraes, então fazendo enorme sucesso, e editada sob a chancela da Philips/Phonogram (selo Polydor). Quer dizer, garantia de música de qualidade e de felizes reminiscências para quem viveu essa época, e, por certo, agradável surpresa para a geração atual. Devidamente produzida por Cayon Gadia, e gravada em São Paulo nos Estúdios Reunidos, a trilha teve os arranjos e regências a cargo de outro “cobra”, José Briamonte. Abrindo o disco, a conhecidíssima “Sei lá, a vida tem sempre razão”, tema principal da novela, interpretada por coro feminino. Entre as quatro faixas que o Poetinha Vinícius interpreta solo, dois destaques imperdíveis: “A casa” e “O pato”, poemas infantis que Toquinho musicou, e que seriam mais tarde reaproveitados nos dois volumes da “Arca de Noé”, marcando gerações de crianças ao longo do tempo. Vinícius ainda canta “O céu é o meu chão” e a “Valsa para uma menininha”, além de interpretar “A casa” também em diálogo com Toquinho. Este se apresenta  solo em “Modinha número 1” e “Amor em solidão”, e junto com uma certa Laís, canta “Ele e ela”. “O ceú é o meu chão” e “Modinha número 1” mereceram ainda versões instrumentais, também constantes deste disco. Completando o programa, outro tema exclusivamente instrumental, “Rosa desfolhada”. Tudo com o alto padrão técnico e artístico que sempre caracterizou as produções da Philips/Phonogram, fazendo da trilha sonora de “Nossa filha Gabriela” um produto simplesmente imperdível. É correr para o GTM, baixar e ouvir…

sei lá… a vida tem sempre razão
amor em solidão
ele e ela
modinha #1
o céu é o meu chão
lá casa (diálogo)
la casa
valsa para uma menininha
a rosa desfolhada
o pato
modinha #1

*Texto de Samuel Machado Filho

O Preço De Um Homem – Trilha Sonora Original (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Dando sequencia a nossa mostra de trilhas de novelas, aqui temos mais uma das famosas da extinta TV Tupi, ‘O Preço de Um Homem’, exibida entre os anos de 1971 e 72. História baseada no romance ‘Senhora’, de José de Alencar, escrita por Ody Fraga. Trazia como protagonistas os atores Adriano Reis e Arlete Montenegro. A trilha sonora se divide entre músicas nacionais e internacionais. O lado A é o nacional e traz Cesar Costa Filho, Zimbo Trio e Silvia Maria. E no lado B vão os sucessos internacionais da época, com destaque para Shocking Blue e Derek And The Dominos. Um disquinho interessante, vale uma conferida… 😉

seu preço – cesar costa filho
 por que você – cesar costa filho
bachianas brasileiras n. 5 – zimbo trio
hippie – silvia maria
nossa história – cesar costa filho
scheherazade – zimbo trio
blosson lady – shocking blue
leap up and down – st. cecilia
music from across the way – j. last
i want to go back there again – j. b. arnau
layla – derek and the dominos
rose garden – the three degrees

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Assim Na Terra Como No Céu – Trilha Sonora Original Da Novela(1970)

Dando prosseguimento a seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de novelas, o TM orgulhosamente oferece hoje, a seus amigos cultos e ocultos, o álbum dedicado a mais um folhetim de sucesso da Rede Globo na era da TV em preto e branco: “Assim na terra como no céu”, escrita por Dias Gomes para a faixa das 22 horas (hoje extinta), e décima-terceira “novela das dez” produzida pela emissora. “Assim na terra” estreou em 20 de julho de 1970 e permaneceu em cartaz até 23 de março de 1971, perfazendo um total de 212 capítulos. No elenco, sob a direção de Walter Campos, verdadeiros astros e estrelas globais da época: Francisco Cuoco (padre Vítor Mariano), Dina Sfat (Heloísa, conhecida como Helô), Renata Sorrah (sim, ela mesma, a futura Nazaré Tedesco de “Senhora do destino”, aqui no papel de Nívea), Mário Lago (Oliveira Ramos), Jardel Filho (Renatão), Paulo José (Samuca, quase xará meu), Carlos Vereza (Ricardinho), Maria Cláudia (Suzy), Sandra Bréa (Babi), Carlos Vereza (Ricardinho), Arlete Salles (Jurema),  Henriqueta Brieba (tia Coió), Herval Rossano (Otto), Djenane Machado (Verinha), Ary Fontoura (Rodolfo Augusto), Ruth de Souza (Isabel), Suzana Moraes (Joana) etc. Na trama, que se passa na Ipanema (então) contemporânea, o padre Vítor Mariano, vindo do interior de São Paulo,  deixa a batina para se casar com a jovem Nívea, mas ela é misteriosamente assassinada (detalhe:  Renata Sorrah, intérprete de Nívea, retornaria depois em outra novela global, “A próxima atração”, no papel de Madalena). Vítor decide então voltar a usar a batina, porém, ao tentar resolver o mistério do assassinato de Nívea, conhece Helô, filha de um milionário, e se apaixona por ela, deixando novamente de ser padre. Tudo isso embalado por uma trilha sonora, como então de hábito, muito bem produzida, aqui sob a responsabilidade dos “cobras” Nélson Motta e Roberto Menescal , com o lançamento ficando por conta da Philips, gravadora que na época tinha grandes astros da MPB como contratados, alguns deles, por sinal, batendo ponto aqui. Os arranjos são do próprio Menescal, José Roberto, Waltel Branco, Antônio Adolfo e Pachequinho (este, na verdade, é o maestro Diogo Pacheco). Sem dúvida, a faixa de maior sucesso desse disco foi “Quarentão simpático”, dos irmãos Valle, interpretada pelo grupo vocal feminino Umas & Outras e tema do personagem Renatão. Elas também interpretam aqui o “Tema de Suzy”(parceria de Roberto Menescal com Paulinho Tapajós) e “Trem noturno” (tema de meu quase xará Samuca, de Paulo Machado e Márcio Borges, que creio eu ser o irmão do Lô Borges).  Maria Creuza, então em princípio de carreira, aqui nos oferece “Tomara”, uma das poucas composições do Poetinha Vinícius de Moraes na qual ele também assina a melodia, tema da personagem Joana. Temos ainda a presença luminosa de Claudette Soares em duas faixas: “Quem viu Helô?”, da dupla Antônio Adolfo-Tibério Gaspar, e “Amiga”, esta última em dueto com Ivan Lins, assinada pela dupla Roberto Menescal-Paulinho Tapajós, e tema do casal Vítor-Helô. Outro destaque fica por conta de Denise Emmer, filha de Dias Gomes, autor da novela, e Janete Clair, apresentando o “Tema verde”, dela própria em parceria com Guilherme. Enfim, mais uma grande produção músico-novelesca que o TM prazeirosamente nos oferece. E aguardem, ainda vai ter mais…

mon ami (abertura) – josé roberto

assim na terra como no céu – tim maia

quem viu helô – claudette soares

tema de suzi – umas e outras

tomara – maria creuza

amiga – claudette soares e ivan lins

sei lá – a tribo

quarentão simpático – umas e outras

tema da zorra – orquestra cbd

tema verde – denize emmer

que sonhos são os meus -milton santana

trem noturno – umas e outras

assim na terra com no céu – roberto menescal

*Texto de Samuel Machado Filho

Cavalo Amarelo – Fundos Musicais (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Nossa série de trilhas de novelas ainda não terminou. Ainda teremos mais alguns títulos a apresentar ao longo dos dias. Os próximos, deixei a cargo do nosso colaborador assistente, o amigo Samuca, que sabe como ninguém enriquecer nossas postagens.
Hoje eu estou trazendo a trilha de uma novela Cavalo Amarelo, exibida na TV Bandeirantes no início dos anos 80. Diferente de tantas outras trilhas, esta procura se pautar na música orquestrada e instrumental de maneira bem apropriada ao gênero ‘fundo musical incidental’. Temos uma seleção de 12 músicas, quase todas internacionais assinadas por alguns dos maiores maestros do mundo Daniele Patucchi, Riz Ortolani, Armando Trovaioli, Stelvio Cipriani e outros… Um disco bem interessante, que vale uma conferida lá no GTM. 😉

partido alto
castigo
all by myself
peppermint rainbow
casanova and company theme
grace
tem dendê
adesso e’ tutuo qui
cascate e fiori
goddess woman
small town pleasures
honeymoon in theme
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A Patota – Trilha Sonora Original Da Novela (1972)

Prosseguindo seu ciclo dedicado às trilhas sonoras de telenovelas, o TM hoje oferece a seus amigos cultos e ocultos uma verdadeira raridade. O folhetim em questão é “A patota”, da TV Globo, única novela escrita pela dramaturga Maria Clara Machado (Belo Horizonte, MG, 3/4/1921-Rio de Janeiro, 30/4/2001), fundadora do Tablado, uma das maiores escolas de teatro do Brasil, e consagrada autora de peças teatrais para crianças, entre elas “O rapto das cebolinhas” (1954), “Pluft, o fantasminha” (1955, aliás verdadeira obra-prima no gênero), “A bruxinha que era boa” (1958), “O cavalinho azul’ (1960), “Maroquinhas Fru Fru” (1961) e “Tribobó City” (1971), só para citar algumas. Produzida em preto e branco, sob a direção de Reynaldo Boury, “A patota” foi exibida pela Globo entre 27 de novembro de 1972 e 29 de março de 1973, perfazendo um total de 101 capítulos, na faixa das 18 horas, tendo sido a terceira “novela das seis” da emissora  (as anteriores foram “Meu pedacinho de chão” e “Bicho do mato”, que ganharam remakes muitos anos depois). Na trama, um grupo de crianças, do qual fazia parte a então estrelinha Rosana Garcia, de futuro bastante promissor, tem um grande sonho:  viajar para a África (eles tinham visto um documentário sobre a vida dos animais selvagens no continente, e queriam ver os bichos de perto). Para ajudar na realização desse sonho, unem-se a professora de ciências Neli (Débora Duarte), seu namorado Jorge (Mário Gomes), e o dublê de professor e caçador de borboletas Adolfo Simões (Marco Nanini). No elenco ainda estavam, entre outros:  Renata Fronzi (dona Cármen), Reynaldo Gonzaga (Mílton), que na novela tinha um romance com Regina (Lúcia Alves), Antônio Carlos Pires (no papel do maltrapilho Manoel Vira-Latas), Flora Geny (Dona Aurélia), e até mesmo Zezé Motta, no papel de Maria José, a Zezinha. Apesar de ter conquistado boa repercussão, “A patota” não teve novela substituta no horário, que passou a ser ocupado pelo seriado “Shazan, Xerife & Cia.”, protagonizado por Paulo José e Flávio Migliaccio (os personagens tinham vindo de outra novela global de sucesso, “O primeiro amor”), com histórias que duravam um mês, em média. Com o término do seriado, em  1974, a Globo passou a exibir enlatados estrangeiros na faixa das 18 horas, e as “novelas das seis” só voltariam à grade da emissora um ano mais tarde, para dela nunca mais saírem, alternando tramas de época e contemporâneas.

A trilha sonora de “A patota” foi também a primeira de uma ”novela das seis” global a ser lançada em LP, obviamente pela Som Livre, com produção musical de Eustáquio Sena e coordenação geral de João Araújo, sócio-fundador da gravadora . Em sua maior parte, as faixas do disco são executadas por uma competentíssima banda de estúdio, The Clowns, ao que parece formada apenas para a gravação desse álbum. Eles apresentam, além dos temas especialmente compostos para a novela (“Professor borboleta”, “A garotada”, “Valsa dos anjos”, “Anjo da manhã”, “Nick e o vita-lata” e a faixa-títuio e de abertura do folhetim, “A patota”), alguns hits internacionais da época: “The pushbike song”, “Ooh-wakka doo, wakka day”, “Meet me on the corner”, o clássico romântico “You are everything” e “Beautiful sunday” (aquela que virou “Domingo feliz”, com Ângelo Máximo, lembram?). E, como atrativo todo especial, três outros sucessos internacionais com os intérpretes que os consagraram: “Echo valley 2-6809” (Wayne Newton), “Silly wasn’t I” (Valerie Simpson) e um verdadeiro clássico dos Temptations, “Papa was a rollin’ stone”. Tudo isso fazendo da trilha sonora de “A patota” uma autêntica viagem no tempo, particularmente ao início dos anos 1970. É só ir para o GTM, fazer o download e pronto… 

pushbike song – the clowns

a garotada – the clowns

echo valley – wayne newton

professor borboleta – the clowns

silly wasn’t i – valerie simpson

papa was a rollin stone – temptations

a patota – the clowns

anjo da manhã – the clowns

nick e o viralata – the clowns

ooh wakka doo wakka day – the clowns

valsa dos anjos – the clowns

beautful sunday – the clowns

you are everything – the clowns

meet me on the corner – the clowns



*Texto de Samuel Machado Filho