Rede Globo Especial (1973)

Olá, amigos cultos e ocultos! Demorei, mas voltei… ou por outra, tô vivo e ativo. Não bastasse a sempre e contante falta de tempo, desta vez tive uma torção no ombro direito que acabou se espalhando por todo o braço. Fui obrigado a recorrer a fisioterapia, pois a situação foi agravando. Daí, fiquei impossibilitado de mexer no computador durante esses últimos dias. Ficar velho é uma merda! Tem sempre uma novidade… E por falar em novidade, também para compensar a ausência, eu hoje estou trazendo uma postagem joinha… Um presente que vale por quatro.
Relembrando os bons tempos da Rede Globo, quando ainda se amarrada cachorro com linguiça… Temos aqui um álbum especial, um brinde de fim de ano oferecido pela emissora aos seus associados. Juro que este eu também não conhecia. Mais um bom presente do meu amigo Fáres. Como podemos ver aqui, temos um álbum com quatro lps distintos, lançamentos recentes da Som Livre, ainda naquele início dos anos 70. Numa singular embalagem, a Rede Globo selecionou 4 discos da sua gravadora: a trilha nacional de sua novela “Os Ossos do Barão”, com músicas compostas por Marcos Valle e interpretada por diversos artistas; Luiz Bonfá em seu diferentaço ‘Jacarandá”, disco produzido e arranjado por Eumir Deodato; a trilha internacional da novela “O Bem Amado” e de quebra temos ainda Astor Piazzolla em seu clássico disco “Adios Nonino”, lançado em 72 no Brasil pela Som Livre. Sem dúvida, um leque bem agradável, que amostra bem a produção fonográfica do selo/gravadora. Não deixem de conferir…
Os Ossos Do Barão – TSO
qual é – djavan
meu velho pai – djalma dias
chega de enganar a nega – betinho
tenha juízo – márcio lott
e tem mais – eustáquio sena
os ossos do barão – marcos valle
tango – claudia regina
mundo em festa – bibi vogel
ebo exú – coral som livre
cafezinho – trama
canto da sereia – claudia regina
tu ca num chiagne – paulo fortes
Luiz Bonfá – Jacarandá
apache talk
jacarandá
gentle rain
you or not to be
strange message
don quixote
song thoughts
danse v
empety room
sun flower
O Bem Amado
also spreach zarathustra – eumir deodato
fleur de lune – françoise hardy
listen – paul bryan
masterpiece – the temptations
i’ve been  around – nathan jones group
poor devil – free sound orchestra
dancing in the moonlight – david jones
shine shine – david hill
harmony – ben thomas
take time to love me – john wagner coalition
dancing to your music – archie bell and the drells
i could never love – chrystian
give me your love – the sister love
daddy’s home – germaine jackson
Astor Piazzolla – Adios Nonino
adios nonino
atoño porteno
michelangelo 70
coral
fugata
soledad
final
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Rock De Autor (1991)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Depois de quase 10 anos de atividades e um infinito de mais de três mil títulos postados, confesso a vocês que as vezes eu esqueço o que já postei. E na ânsia de ver logo um disco postado, muitas vezes eu nem me dou ao trabalho de verificar se já postei ou não. Este é o caso do presente lp que só agora eu me toquei de já tê-lo postado há uns 6 anos atrás. Como a postagem anterior é antiga e o link nem existe mais, vou repostá-lo ainda mais completo.
Só relembrando e esclarecendo… este disco foi o segundo e último trabalho do selo independente Manifesto, lançado no segundo semestre de 91. O que temos aqui é uma coletânea de artistas/autores/poetas da cena pop e underground paulista. Pela contracapa podemos ver: Paulo Miklos, Arnaldo Antunes, Aguilar, Ricardo Salvagni, Jimi Joe, Miranda, Maria Andrade, Zaba, Dequinha, Nasi, Miguel Barella, Giuseppe Lenti, Charlie C., Akira S, Minho K, Cid Campos, P. Antunes e RH Jackson, este último um dos produtores do Manifesto. Rock de Autor é um disco diferente e acima de rótulos. Infelizmente, como toda produção independente, teve pouca repercussão e uma edição um pouco limitada.

we bop – p. antunes
as gangs – aguilar
esse é o lugar – paulo miklos
drunk rock – minho k
o verme e a estrela – cid campos
tokei – akira s e charlie c
sote inglês – miranda, neneco, m andarde, jimi joe e r salvagni
o gato de schrodinger – rh jackson
preposições – dequinha e zaba
e só – arnaldo antunes
o gato vermelho -maria andrade
borgo san freiano – m barella e g lenti
arabia maldita – nasi

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Daltony – Cirrose (1983)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Há algum tempo atrás eu trouxe aqui um compacto do cantor, compositor e violonista Daltony Nóbrega. Hoje temos o lp, disco integral, com todas as faixas, incluindo as duas do compacto. Daltony (Nóbrega) é mineiro, de Juiz de Fora. Iniciou sua carreira musical nos anos 60 participando do Grupo Mineiro, um conjunto vocal que atuou em festivais e também ao lado de artistas como Beth Carvalho, Marlene e outros, já no início dos anos 70. Nessa década, passou a se apresentar sozinho e suas composição foram gravadas por Evinha, Cláudia, Eliana Pittman, Célia, Trio Mocotó, Simone, Roberto Ribeiro e por aí a fora… Continuou participando de festivais e tendo suas músicas defendidas inclusive por outros intérpretes. Foi diretor musical na TV Globo e por lá fez também muita música, inclusive para projetos infantis, como foram os casos de “Plunct plact zum”, “Turma do Pererê” e “Pirlimpimpim”. Durante as décadas de 80 e 90 esteve sempre muito autuante, trabalhando para a televisão, compondo, produzindo, escrevendo roteiros e também gravando seus discos.
Seguimos assim como este lp e caso tenham interesse, já consegui também o segundo disco do Daltony. Num próximo momento a gente publica ele aqui, ok?

cirrose
tereza iná
cadeira de dentista
batista
ode ao detran
amigo malandro
barafunda
só pra faturar
cozinheira granfina
samba da cascata
nouveau riche
falso amor sincero
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Porto Alegre 83 (1983)

Olá, amigos cultos e ocultos! Entre as obscuridades musicais vindas do Sul, temos aqui um disco dos mais interessantes. Produção independente para uma coletânea trazendo alguns dos mais expressivos artistas da cena musical gaúcha, nos anos 80. Este disco figura como um dos mais importantes trabalhos da mpb gaúcha. Infelizmente, pouco conhecido além das fronteiras da capital, Porto Alegre. Confiram, pois só aqui você conhece e escuta isso…

radiko laps
boca da noite
para dija – fernando o
solidão – caio trein
saias rodando – giba giba
saudade – caio trein
sacudindo – geraldo flach
sopapo – giba giba
rosa formosa – kim ribeiro
evasão – marcelo nadrus
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Vários – Enquanto Isso… ?! (1991)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui vai mais um disco de rock e independente, lançado em 1991 pelo selo independente Manifesto, criado pelos músicos Alex Antunes e RH Jackson (Voluntários da Pátria). Um projeto musical que nasceu ainda nos anos 80 e só foi se concretizar no início dos anos 90. “Enquanto Isso…?!” foi o disco de estréia, uma coletânea que reúne seis bandas da cena ‘underground’ paulista da época: Vzyadoq Moe, Notícias Popular (Akira S & As Garotas Que Erraram), Solano Star, AKT2 Frauen Kreisen, 3 Hombres e Killing Chainsaw.
Ao que parece, o selo Manifesto só lançou dois lps. No semestre seguinte de 91 sairia outro disco, o excelente “Rock de Autor”. Infelizmente, projetos como esses, que fogem do padrão do momento, nunca são muito bem aceitos, ou acabam se limitando a um seleto grupo de pessoas, aquelas que escutam música com outros olhos ;). Confiram…

santa brígida – vzyadoq moe
the cabinet – vzyadoq moe
notícias popular – notícias popular
4:33 – notícias popular
só meu beijo cala a sua boca – solano star
yellow eyes – solano star
principe no deserto vermelho – akt 2 frauen kreisen
wir brauchen helfen – akt 2 frauen kreisen
aventura – 3 hombres
leviatã – 3 hombres
prudence – killing chainsaw
lollypop – killing chainsaw

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Cão Fila (1980)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Como dizem por aqui, a gente tarda, mas não falha (muito). Entre passos e espaços segue o nosso toque musical. E como todos sabem, aqui é um lugar para quem escuta música com outros olhos. É bem nessa ‘vibe’ que hoje dou sequência a nossa mostra ‘pop-rock-ou-coisa-assim’. Desta vez saindo um pouco da produção independente. Vamos às curiosidades do mercado fonográfico no início da década de 80. Temos aqui a banda Cão Fila em seu único disco lançado pela gravadora Continental em 1980. Um álbum que impressiona pela capa, pela produção gráfica que contempla até encarte em papel cartão. À primeira vista o álbum nos passa a ideia de uma banda de hard rock, Algum daqueles discos obscuros do rock nacional que voltam a cena, ou coisa assim… Taí um trabalho que, ao meu ver, teria tudo para dar certo, não fosse o fator principal, a própria música. Explico… Temos aqui um álbum muito bem produzido nas mãos de Toni Bizarro e Pena Schmidt e com participações especiais de músicos como  Eduardo Assad e Lincoln Olivetti. A capa nos remete mesmo a ideia de ser uma banda de rock pesado. Mas é quando o disco rola que a gente percebe que a coisa não é bem assim. O Cão Fila fica um pouco a desejar no quesito agressividade, tanto instrumental quanto em sua mensagem. A banda tem mais uma pegada pop romântica, talvez até um pouco adocicada graças aos arranjos do Eduardo Assad. Formada por Demian, Tarcíso, Denis e Tigues, o Cão Fila não durou muito para contar história, Demian e Denis, irmão gêmeos, alguns anos mais tarde voltariam a cena como dupla ‘sertaneja’ interpretando versões do pop internacional. Parece que realmente encontraram o seu lugar.

pecado madrigal
idilio08
perdas e danos
adeus
cão fila
menina dos sonhos
coração vazio
noite em claro
a volta
non ducon ducoi
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Porto Alegre/Rock (1985)

Amigos cultos e ocultos, continuamos nossa saga pop rock musical, que por curiosidade, na sequencia, tem sido produções independentes. E aqui vai mais uma, certamente rara e pouco conhecida pros lados de cá. Como já disse em outras ocasiões, os sulistas tem seu próprio universo e em alguns aspectos parece até que se bastam. É o um outro Brasil.
Aqui temos a coletânea  P. Alegre Rock, lançada de maneira independente em 1985. Um disco que marca o retorno à cena musical do cantor da lendária banda dos anos 60, Liverpool, Fuguetti Luz. Tem também nomes como Lionel Gomes, Vôo Livre, Byzarro, Astaroth, Sodoma, V-2 e Pupilas Diladas, bandas que marcaram o pop rock gaúcho nos anos 80.

abertura – fuguetti luz
dia de rock – lionel gomes
relâmpagos do progresso – byzarro
tempo futuro – vôo livre
novas pulsações – bandaliera
alienado legião de bestas – astaroth
buscando a eternidade – sodoma
anarquia – v-2
planeta estranho – pupilas dilatadas
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Ayrton Mugnaini Jr – A Coragem de Ayrton Mugnaini Jr (1992)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje temos mais um lançamento independente, do inicio da década de 90. Apresento, Ayrton Mugnaini Jr, jornalista, pesquisador de MPB, compositor e produtor paulista. Ayrton foi um dos mentores/integrantes da impagável ‘Língua de Trapo’, banda que tinha no humor seu sucesso garantido, lá pelos idos dos anos 80. Também fez parte da banda Magazine, de Kid Vinil. “A coragem de Ayrton Mugnaini Jr” foi seu primeiro trabalho solo e de uma certa forma, inevitavelmente, muito do Língua de Trapo se pode perceber neste disco. O Magazine também tinha essa pegada de humor. E é mais ou menos nessa linha que nosso artista segue, cheio de coragem, nos trazendo um álbum com 14 faixas, em sátiras inteligentes, típicas de um bom virginiano 🙂

tributo a língua presa
imunologia
veterinária
virginiano
gorda
minhas pestinhas
velho amor
prove esta emoção
posso dar uma canja?
conformática
claudinha
acalanto
a garota do quinto andar
rebel dog blues
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São Quixote (1981)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Entre os tantos discos generosamente cedidos e doados pelo meu amigo Fáres, temos aqui um álbum o qual eu me apaixonei a primeira vista. E isso não é de hoje. Sempre corri atrás deste lp e agora tive o grande prazer de tê-lo na minha coleção. Digo isso porque não pode haver satisfação maior que uma deliciosa e coincidente surpresa. Claro que estamos falando aqui de uma questão de gosto pessoal, o meu gosto. Mas podem acreditar nele, afinal, sou virginiano, hehehe… um filtro crítico que despreza o banal e a mediocridade. Em outras palavras, quero dizer que este disco está acima da média.
Apresentando, esta é a banda paulista São Quixote,  originária de outra, o Moto Perpétuo, banda de onde surgiu o cantor e compositor Guilherme Arantes. O Moto Perpétuo era uma banda com pitadas de rock progressivo, surgida em 1973, da qual faziam parte além de Guilherme, os músicos Egydio Conde, Diogenes Burani, Gerson Tatini e Cláudio Lucci. Guilherme Arantes partiu para uma muito boa carreira solo. Egydio seguiu para o Som Nosso de Cada Dia. Porém, no início da década de 80, três membros da banda, Claudio Lucci, Gerson Tatini e Diógenes Burani voltaram a se reunir, juntamente com a violonista e cantora Mônica Marsola para gravar este lp, o São Quixote, que para muitos é também considerado um disco do Moto Perpétuo. Até porque, neste trabalho há ainda a participação especial de Guilherme Arantes, presente em cinco faixas do disco. Em resumo, trata-se de um disco na mesma linha do primeiro e único do Moto Perpétuo. Uma produção independente, limitada e hoje ainda mais rara. Para mim, musicalmente perfeito. Compartilho com os amigos e espero que gostem 😉

são quixote
buon giorno, boy
só para raros velhos
fumaça
livre demais
mea culpa
mais um longo dia
confraria
cem anos de solidão
soy criatura
buenos dias
america
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Acidente – Guerra Civil (1981)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Ampliando nossos horizontes pop-brazuca-musicais, trago hoje o primeiro lp da banda carioca Acidente. Formada no final dos anos 70, sem grandes pretensões, por estudantes de Comunicação e Jornalismo, lançaram este lp, “Gerra Civil”, de maneira independente em 1981. Um momento ruim para o rock, principalmente sendo uma banda independente. Mas mesmo assim o Acidente conseguiu emplacar umas duas músicas em rádios do Rio de Janeiro. O trabalho, embora um tanto amador, traz uma característica bem pessoal, talvez porque todas as músicas sejam autorais. Ao que tudo indica, a banda continua na ativa e ao longo de todos esses anos gravaram mais de uma dezena de discos. Numa próxima oportunidade postaremos aqui mais alguma coisa desse quase obscuro grupo.

loucos
tudo vai passar
o assassino de trotsky
e a verdade não é sempre a mesma
seu pai não vem aqui
providência
o vaqueiro e a debutante
eu ainda amo vocês
pingo
canto
não me mate agora
árvore
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May East – Charites (1990)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Passamos agora a uma fase mais moderna, ou pelo menos mais contemporânea e por que não dizer, música pop e rock nacional. Estou aqui com uma pilha de coisas para postar, mas como sempre, o que me falta é tempo.
Hoje eu trago a cantora, compositora e ativista Maria Elisa Capparelli Pinheiro, mais conhecida como May East. Ela fez parte da banda Gang 90 e As Absurdettes nos anos 80. Depois seguiu em carreira solo lançando alguns discos em que misturava  ritmos brasileiros com o technopop, depois passa para uma fase que lembra o new age, música eletrônica e outras experimentações. “Charites” foi lançado em 90 e segue a mesma linha experimental, num misto de música eletrônica, ritmos brasileiros, new age e mensagens ecológicas e místicas. Sem dúvida, um trabalho diferenciado e instigante. Confiram…

joy in arcadia
olulu
homens solares
pujança
uranus e cronus
beyond
rotações
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Fausto Fawcett – Imperio dos Sentidos (1989)

Jornalista, autor teatral, escritor de ficção-científica, compositor. Assim é Fausto Borel Cardoso, nascido no Rio de Janeiro em 10 de maio de 1957, e que escolheu o nome artístico de Fausto Fawcett, segundo consta, em homenagem à atriz norte-americana Farrah Fawcett, famosa na década de 1970 com o seriado de TV “As Panteras” e falecida em 2009. Este performático artista apareceu na noite carioca em meados da década de 1980, com esquetes misturando teatro, música e poesia, então muito em voga na Zona Sul do Rio de Janeiro. Suas músicas e livros frequentemente têm como cenário uma versão “cyberpunk” da “princesinha do mar”, Copacabana, onde foi criado. Ingressou no curso de comunicação da PUC-Rio em 1976, mas só se formou em 1983, uma vez que interrompeu seus estudos por dois anos. Foi na universidade que conheceu seu mais constante parceiro, Carlos Laufer, e começou a fazer suas performances, em 1981, na área do pilotis da PUC. De acordo com ele próprio, sua obra é profundamente marcada por quatro obsessões: Copacabana, louras, Rolling Stones e o Fluminense Futebol Clube. Outras influências foram o poeta pré-romântico inglês William Blake, o simbolista brasileiro Cruz e Souza, os Sex Pistols, a Jovem Guarda e até mesmo os Flintstones(!), tudo isso resultando em uma colagem de informações multifacetadas, misturando erudito e popular. Em 1987, devidamente acompanhado por seu grupo Robôs Efêmeros, fez sucesso em todo o Brasil com “Kátia Flávia, Godiva do Irajá”, inspirada numa personagem real, uma prostituta da boate Kiss Me. A música foi incluída na trilha sonora da novela “O outro”, da TV Globo, reaproveitada por Roman Polanski no filme “Lua de fel”, e regravada por Fernanda Abreu. Entre seus livros, todos baseados em suas performances, destacam-se “Santa Clara Poltergeist” (1990), não por acaso também título de uma das músicas do disco que comentamos a seguir,  “Básico instinto” (1992), “Favelost” (2012) e “Cachorrada doentia” (2015). Fausto Fawcett tem três álbuns-solo gravados, além de participações em trilhas sonoras de filmes e álbuns de outros artistas, como a já citada Fernanda Abreu e Toni Platão, ex-vocalista da banda de rock Hojerizah. É justamente o segundo álbum-solo de Fausto, “O império dos sentidos” , lançado pela WEA/Warner em abril de 1989, que o TM prazerosamente disponibiliza hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados, com produção assinada pelo “paralamas do sucesso” Herbert Vianna, que ainda atua na guitarra e nos teclados . São apenas sete faixas, que, segundo o jornalista Luiz Antônio Giron, estão “povoadas de recitativos obcecados pela técnica, simulacros simulados, figuras que se movem  por um universo sem gravidade, em suspensão”.  Entre elas, a já citada “Santa Clara Poltergeist”, a faixa-título, “O império dos sentidos” (por certo inspirada no filme japonês de Nagisa Oshima, clássico do cinema erótico), “Cicciolina, o cio eterno” (homenagem à atriz húngara naturalizada italiana, então diva do cinema pornô), “Shopping de vodus”, “Andróide nissei”,  e “Judith Rachel” (uma falsa santa armamentista). A última faixa, “Sílvia Pfeiffer”, homenageia  a atriz e manequim gaúcha, que, segundo o próprio Fausto, “encarna epicamente um certo sentimento de mundo, e tem uma beleza desumana que me faz produzir”. Não por acaso, é ela quem está na capa e na contracapa deste segundo álbum de Fausto Fawcett, o que a catapultou definitivamente para o estrelato, um ano mais tarde, ao estrelar a minissérie “Boca do lixo” e, em seguida, a novela “Meu bem, meu mal”, ambas na TV Globo. E ela continua em franca atividade, tanto na TV quanto no cinema. Enfim, este “Império dos sentidos”  é um trabalho primoroso, com imagens que nos fazem pensar em mundos não-humanos, e universos paralelos. Para ouvir e pensar!

império dos sentidos

facada leite moça

androide nissei

mapas alemães

shopping de voodoos

santa clar poltergeist

cicciolina

judith raquel

silvia pfeiffer

*Texto de Samuel Machado Filho

Carlinhos Vergueiro – Contra Corrente (1978)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, fora Temer! E vamos em frente que atrás tem gente. Vamos de Carlinhos Vergueiro em seu álbum de 1978, lançado pelo selo Som Livre. Como se pode ver pela capa e contracapa, trata-se de um trabalho da melhor qualidade. Eu o considero como um de seus melhores discos. Carlinhos vem muito bem assessorado por um time de músicos de primeira. Não vou nem listá-los para não cometer a injustiça de esquecer de algum. Mas vale lembrar que além dos instrumentistas temos também um outro time (este de futebol de salão) de arranjadores: Zé Menezes. Edson Alves, Marcos de Castro, Waltel Branco e Edson Frederico. As doze faixas são todas autorais, em parceria com J. Petrolino, sendo a faixa “As duas margens do rio” de autoria também do violonista e compositor Toquinho. Embora este seja mais um disco já bem manjado entre caçadores e colecionadores de música digitalizada, vale a pena postar. Vale a pena relembrar 😉

prendas do lar
contra corrente
orelhão de avenida
a fugitiva
panela de pressão
homem calado
trilha sonora
noturno paulistano
rendição
as duas margens do rio
toque outra vez
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Moreira Da Silva – Compacto (1964)

Boa tarde, amigos cultos e ocultos! Primeiramente, Fora Temer! Essa é uma abertura que eu já devia ter adotado. Desde que o golpista tomou o Poder, eu ainda não havia me pronunciado. Aliás, eu não estava querendo misturar o que nos uni, que é a música, com o que nos separa, que é a política. Infelizmente, neste (es)quisito não se pode esperar bom senso nem do amigo mais culto. A percepção política do brasileiro ainda se baseia na simpatia e na cumplicidade. Melhor deixarmos esse assunto de lado. Voltemos nossa atenção para a música, para os discos e coisas mais agradáveis…
Hoje eu trago, para variar, um disco de 7 polegadas. Temos aqui o grande Moreira da Silva em um disquinho raro, um compacto simples Odeon lançado em 1964, possivelmente para o Carnaval daquele ano. Aqui encontramos duas marchinhas de sua própria autoria, “Adão sem Eva” e “Cassa o mandato dele”, essa última é bem apropriada para os dias de hoje. Coincidentemente, no ano do Golpe Militar (e se caçava com dois S!)

cassa o mandato dele
adão sem eva

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O Sonho De Alice – Trilha Sonora Original (1982)

Olá. amigos cultos, ocultos e associados! Após o disco de “Chapeuzinho Amarelo”, baseado no livro infantil homônimo de Chico Buarque, até hoje best-seller, e que virou bem-sucedido musical teatral, o TM apresenta hoje mais um álbum para crianças de todas as idades, com a trilha sonora de outro grande sucesso do teatro infantil brasileiro no início dos anos 1980. Trata-se de “O sonho de Alice”, concebido por Fred Pinheiro e Thanah Corrêa, adaptando os dois livros do escritor britânico Lewis Carroll protagonizados pela famosa personagem-título, “Alice no País das Maravilhas” e “Alice através do espelho”. No enredo, a menina Alice acorda em um estranho reino e sai à procura da sua gatinha Diná. E é no País das Maravilhas que ela encontra personagens diferentes, como o coelho branco, o Gato Quem, a Lebre de Março, o Chapeleiro Maluco (em uma festa de “desaniversário”),  Tocatim e Tocatum, que lhes ensinam noções de amizade, respeito e liberdade.  Estrelado por Myrian Rios (que afastou-se da vida artística e hoje é membro da comunidade católica Canção Nova),  e produzido por ela juntamente com seu então marido, o “rei” Roberto Carlos, “O sonho de Alice” alcançou grande repercussão, tanto que, segundo depoimento da própria Myrian, “tinha até cambista na porta do teatro, e isso é raro numa peça infantil”.  O espetáculo foi apresentado no Teatro Villa-Lobos, do Rio, e, em São Paulo, no antigo Teatro Zaccaro, encantando crianças e adultos. E, vez por outra, “O sonho de Alice” é remontado, com outros elencos.  Agora, o TM apresenta o álbum com a trilha sonora de “O sonho de Alice”, com seu elenco original, tendo, claro, Myrian Rios à frente, lançado em 1982 pela CBS, a mesma gravadora de seu então cônjuge, Roberto Carlos. Evidentemente, como co-produtor do espetáculo, ele também compôs a maior parte das músicas, tendo a colaboração de nomes como o eterno amigo e parceiro Erasmo Carlos, Paulo Sérgio Valle, e o maestro Eduardo Lages, então figura de proa nos shows e discos de Roberto. O disco reproduz a magia e o encanto da versão teatral, e o encarte dá-se ao trabalho de incluir um roteiro da história, junto com a reprodução das letras das canções. Enfim, uma orientação e tanto para se apreciar melhor este álbum que o TM hoje nos oferece. É ouvir e sonhar…

reino encantado

alice

as flores

marcha soldado

tocatum e tocatim

lagarta oriental

parabéns pelos 364 dias

a ciranda do mosquito

o gordinho

o gato que ri

tema da rainha

professor sabe tudo

a tartaruga

o cavaleiro

oitava casa

valsa real

no reino da felicidade

.*Texto de Samuel Machado Filho

Orchester Kurt Edelhagen – Olympia Parede (1972)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Aproveitando o clima de olimpíadas, vou hoje postando este lp, a título de curiosidade. Trata-se de um lp lançado na Alemanha, em 1972 pelo selo Polydor, promovendo as Olimpíadas de Munique que aconteceu naquele ano. Por sinal uma das edições mais conturbada da história dos Jogos Olímpicos, quando então ocorreu a invasão do grupo terrorista ‘Setembro Negro’ n

Panorama Da Música Popular Brasileira (1967)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Se tem uma coisa que eu não dispenso aqui no blog são as coletâneas. Acho elas ótimas, pois nos permite uma visão mais panorâmica de um determinado tema ou artista. Não é atoa que aqui a gente também acabe produzindo nossas próprias coletâneas exclusivas, sempre fazendo muito sucesso.
Hoje temos uma coletânea oferecida pela Organização Philips Brasileira. Um disco não comercial, promocional, lançado pela gravadora e selo Philips, em 1967, provavelmente como cortesia de fim de ano. A empresa e sua marca chegou ao Brasil em 1924, mas só depois da Segunda Guerra Mundial foi que as atividades industriais se iniciaram por aqui. A Philips produzia lâmpadas e aparelhos eletrônicos e ao longo do tempo foi se tornando uma gigantesca organização, atuando em campos diversos da produção industrial de eletroeletrônicos. A sua indústria fonográfica e selo surgem no final dos anos 50. E ela investe pesado na música, principalmente como gravadora. Tem entre seus contratados artistas dos mais importantes, tanto nacionais quanto internacionais. É inegável a contribuição da gravadora para com a música brasileira. São muitos os títulos lançados por ela e aqui, nesta coletânea, vamos encontrar um leque especial com alguns dos melhores momentos de sua produção até o ano de 1967. Certamente, tudo isso já passou por aqui, mas vale a pena ouvir de novo 😉

preciso aprender a ser só – os cariocas
disparada – jair rodrigues
apelo – silvio aleixo
a praça – ronnie von
upa, negrinho – elis regina
dia das rosas – claudette soares
no cordão da saideira – edu lobo
laranja madura – ataulfo alves
pedro pedreiro – nara leão
depois do carnaval – noite ilustrada
ensaio geral – gilberto gil
e nada  mais – os gatos
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Fernando Santos – Samba De Caboclo (1975)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados parcela substancial e importantíssima da cultura musical afro-brasileira, através do álbum “Samba de caboclo”, gravado em 1975 por Fernando dos Santos, o Ilê de Egunajara, para a Continental (selo Musicolor). Houve uma reedição em 1978, com a marca Popular.  O samba de caboclo, de acordo com o “Dicionário banto do Brasil”, é um cântico ritual dos candomblés de caboclo. Tais cânticos são entoados em festas que geralmente acontecem uma vez por ano, nas quais são oferecidas aos caboclos todas as iguarias alimentares de que eles gostam, inclusive frutas, e uma be

Arco Íris – Coração Coração (1982)

Olá amiguíssimos cultos e ocultos! Seguindo nossa jornada musical (ainda estou no embalo de julho) eu hoje trago uma das excelentes produções independentes lançadas na década de 80. Este foi um período onde muita coisas independente começou a pipocar por aí. Uma fase que precisamos passar um pente fino para resgatar trabalhos de altíssima qualidade, como é o caso deste aqui… Quem olha pela capa há de pensar que se trata de uma coletânea de músicas românticas, algo até meio infantil ou feminino, sei lá… Mas quem vê cara e não olha a bunda, perde a chance de um rebolado. E aqui, no caso há bem mais que rebolado. Temos o quarteto vocal Arco-Íris, formado por Marcos Dantas (voz e violão), Fernando Veloso (voz), Ophélio Walvy (voz e violão) e Nelson Wellington (voz e violão). No ano de 1982 eles lançaram este, “Coração, coração”, um lp muito bem produzido, com grande parte das composições autorais, ou em parcerias. Quem escuta pela primeira vez acredita ser este outro grupo vocal, o Boca Livre, ou ainda a dupla Burnier e Cartier. Mas quase não é um engano, a essência é a mesma. Inclusive há músicas e participação desses artistas (Cláudio Nucci e Cláudio Cartier) no disco.  Outro destaque importante é também o Azimuth, presente aqui, com Alex Malheiros e Zé Roberto Bertrami. Duas músicas deste disco tiveram um relativo sucesso, chegando a tocar em rádios, “Maria Clara”, de Cláudio Cartier e Paulo Feital e “Porteira”, de Eduardo Souto Neto e Nelson Wellington. Vale muito a pena conferir…

maria clara
porteira
a um passo
reluzir
veleiro
flor de lilás
cometa
invasão
marujada
coração, coração
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Sivuca 73 (1974)

Boa tarde, prezados amigos cultos e ocultos! Entre os tantos discos do Sivuca que eu já postei aqui no nosso Toque Musical, este é mais que não podia faltar. Belíssimo trabalho de Sivuca gravado e lançado nos Estados Unidos, em 1973. Nesta época, Sivuca estava morando em Nova York, gravando muito e trabalhando com o ator e cantor Herry Belafonte. surgiu então a oportunidade de gravar este disco pelo selo Vanguard. No mesmo ano também lançaria outro, ao vivo, o ‘Live in from Village Gate”. Todos os dois lps vieram a ser lançados também no Brasil no ano seguinte, 1974. Neste disco Sivuca toca acompanhado por músicos americanos, o que dá ao trabalho uma atmosfera meio jazzística, ou ainda bem aos moldes de outro brasileiro, o Sérgio Mendes. O repertório é fino, com uma seleção que nos traz dez faixas com músicas, entre essas, também autorais e algumas até bem conhecida do público. Para o meu gosto pessoal, este é um dos discos do Sivuca que eu mais aprecio e que tive a felicidade de ganhar o lp do meu amigo Fáres. Mais que nunca, este é um que não podia mesmo faltar aqui 😉

ain’t no sunshine
você abusou
tunnel
ponteio
rosa na favela
adeus maria fulô
inquietação
amor verdadeiro
lament of berimbau
arrasta pé
.