Marília Batista – Vai Marília (1989)

Olá amigos cultos e ocultos! Nesta semana que passou fiquei conhecendo um antigo radialista, o Sr Luiz Pedro Rodrigues. Ele foi cantor, apresentador e diretor de várias rádios no Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente em Belo Horizonte. Era mais conhecido por Pedro Luiz, uma inversão do nome, que segundo ele, para um artista do rádio, era ‘mais sonoro’. Ele trabalhou ao lado de grandes nomes da música brasileira. Foi também compositor. Para a minha grande surpresa, autor de jingles que eu cantava na minha infância, como o do arroz Paranaíba, da TV Itacolomi e algumas chamadas da Rádio Inconfidência. Ele conheceu de perto pessoas que fizeram parte desse universo, inclusive do lado do público. Figura da mais interessantes e discursivas, me contou alguns fatos interessantes, memórias e coisas ligadas ao rádio. Muitas dessas histórias fazem parte de um de seus livros: “Show do Rádio – Pessoas e Fatos Ligados Ao Rádio de Minas Gerais”, lançado pela editora Armazém de Ideias em 2002. Mais uma fonte de informação que eu até então desconhecia. Fiquei amigo do moço e por conta disso, logo vou postar aqui uma seleção com alguns dos seus trabalhos… Do nosso encontro também surgiu o presente um raro disquinho que eu aqui apresento a vocês. Um compacto da cantora e compositora Marília Batista que ele mesmo recebeu da artista. Segundo consta, este foi o último trabalho realizado por Marília antes de vir falecer, em 1990. Para os desatentos, Marília Batista foi uma das mais importantes intérpretes da obra de Noel Rosa. (Em uma próxima oportunidade postarei aqui as gravações dela com Noel.)
Ao lado do Regional Recordando, de Vadinho do Bandolim, Marília nos traz em um compacto duplo e independente quatro de suas composições, entre elas “Garota Sapeca”, gravada por Aracy de Almeida. Mesmo para um compacto e gravado de maneira independente, o disquinho é encantador, samba e choro com muita qualidade. Taí um disquinho que merece fazer parte do nosso acervo. Falou que é raro e curioso, é aqui mesmo, no Toque Musical ;)

vai marília
noite tão noite
garota sapeca
itajubá
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Adelaide Chiozzo (parte 1) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 125 (2014)

Esta semana o Grand Record Brazil, o “braço de cera” do TM,  oferece a primeira de duas partes de uma retrospectiva dedicada a uma notável estrela dos áureos tempos do rádio e dos filmes musicais, extraordinária cantora, acordeonista e atriz: Adelaide Chiozzo. Nossa homenageada veio ao mundo em São Paulo, no dia 13 de maio de 1931, na Rua Martim Buchard, no bairro do Brás, tradicional reduto de italianos e seus descendentes. Residia perto das porteiras do Brás, nas quais costumava se dependurar quando elas se moviam para dar passagem ou impedir o trânsito, autêntico divertimento das crianças nessa época. Seu pai,Geraldo Chiozzo, era natural de Botucatu, interior paulista, e a mãe,Leonor Cavallini, era de Sorocaba. . Hábil marceneiro e mestre-entalhador, Geraldo Chiozzo era gerente da fábrica de móveis Paschoal Bianco. Mais tarde passou a trabalhar por conta própria, recebendo encomendas da mesma empresa.  Certa vez, uma loja de músicas pagou os serviços do “seu” Geraldo com um acordeão, que ele não conseguia tocar (o forte dele era o violão).  Quem acabou se interessando pelo  instrumento foi Adelaidinha, que às escondidas tirou a primeira música, a valsa “Saudades de Matão”, sem auxílio de professor.  Os quatro filhos de Geraldo e Leonor, aliás, tinham inclinação musical. Carolina, a mais velha, cantava e tocava violão. O segundo filho, Afonso, também era de acordeão. A filha caçula, Silvinha, cantava, e Adelaide,a terceira filha, é o que sabemos. Aos 11 anos, Adelaidinha se inscreveu num programa de calouros da PRH-9, Rádio Bandeirantes (então “a mais popular emissora paulista”), apresentado por Vicente Leporace, apenas solando músicas como “Branca” e “Saudades de Matão”.  Cumpridas  quatro etapas, ganhou o primeiro prêmio, em dinheiro, e o convite para atuar em um programa sertanejo matinal da mesma emissora, “Na Serra da Mantiqueira”, dirigido pelos Irmãos Mota, que também faziam seus números.  Para maior segurança da garota, seu pai, homem rígido, determinou que Afonso, com seu acordeão, fizesse dupla com ela: os Irmãos Chiozzo.  Durante alguns anos, eles passaram a excursionar pelo interior junto com os Irmãos Mota. E toda a família Chiozzo  ia em peso, inclusive “seu” Geraldo, de violão em punho,  e Dona Leonor, a única não incorporada à parte artística.  Durante uma apresentação na cidade mineira de Andradas, em 1945, alguém adentrou o recinto e anunciou, aos gritos, o fim da Segunda Guerra Mundial. Artistas e público imediatamente saíram às ruas, cantando, para comemorar. Em 1946, o pai de Adelaide Chiozzo se muda para Niterói e monta uma pequena fábrica de móveis. O compositor Irany de Oliveira, por acaso, redescobre a futura estrela e a leva ao prestigioso programa de calouros “Papel carbono”, de Renato Murce, na lendária Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Renato exigia uma imitação e ela escolhe a de Pedro Raimundo, “o gaúcho alegre do rádio”. Após quatro semanas, ganha o primeiro prêmio e um contrato da Nacional, mas apenas como acordeonista , pois acreditavam que ela tinha mesmo aquela voz imitativa. Assim passa a fazer parte do regional do flautista Dante Santoro, um dos melhores do Brasil, mesmo sendo mulher e jovenzinha, porém à altura daqueles músicos experientes. Um ano e meio depois, uma cantora falha durante a transmissão e Adelaide, que a acompanhava ao acordeão, a substitui na emergência. Só assim descobrem sua bela voz, passando a aproveitá-la também como cantora. Permaneceria na Rádio Nacional por 25 anos. Foi também Irany de Oliveira quem levou Adelaide, em 1946, com quinze anos, para um teste de cinema na Atlântida, sendo aprovada. Ela e o irmão Afonso acompanham o cantor-caubói Bob Nélson em dois filmes: “Este mundo é um pandeiro” (1947) e “É com esse que eu vou” (1948). Em “E o mundo se diverte” (1949), consegue um quadro só seu, interpretando a rancheira “Tempo de criança”, que mais tarde gravaria e estará em nosso próximo volume. Estreou como atriz no filme “Carnaval no fogo” (1949), onde também interpretou a polca “Pedalando”, que seria para sempre seu carro-chefe e consta deste volume.  Atuou também em “Aviso aos navegantes” (Atlântida, 1950), “O petróleo é nosso” (Brasil Vita Filmes, 1954) e “Garotas e samba” (Atlântida, 1957), entre outros filmes. Em janeiro de 1951, casou-se com o violonista e professor de violão Carlos Azevedo Matos (entre namoro, noivado e casamento foram apenas seis meses, pois “seu” Geraldo  não abria mão da marcação cerrada). Tiveram uma única filha, Cristina Maria, nascida em 1955, que lhe deu três netos, também músicos talentosos, que passariam também a acompanhar Adelaide em suas apresentações:  o baixista e guitarrista Bruno, o tecladista e cavaquinista Fábio Leandro, e o baterista Roberto.  O casamento durou até a morte de Carlos Matos, em 2006, aos 80 anos de idade. Por sugestão de Paulo Gracindo, a “Revista do Rádio” promoveu um concurso para escolher a Namoradinha do Brasil, por votação dos leitores. Adelaide ganhou, e ostentaria esse título para sempre, pois não houve outra eleição. Em 1975, seu espetáculo “Cada um tem o acordeão que merece” foi considerado pela crítica o melhor daquele ano. Em 2003, recebeu da Assembleia Legislativa do Ceará o título honorário de “cidadã cearense”. Adelaide Chiozzo gravou,em 78 rpm, 18 discos com 36 músicas, entre 1950 e 1958, sendo oito delas em dueto com Eliana Macedo, também atriz e sobrinha do cineasta Watson Macedo, e duas com sua irmã Sylvinha, todos pela Star e sua sucessora, a Copacabana.  Ainda gravou, em 1957, o LP “Lar… Doce melodia”, também na Copacabana.  Na televisão, atuou nas novelas “Feijão maravilha” (1979), “Cambalacho” (1986), “Deus nos acuda” (1992-93), todas pela Rede Globo, e na segunda versão de “Uma rosa com amor” (2010), pelo SBT.
Nesta primeira parte da retrospectiva que o GRB dedica a Adelaide Chiozzo, temos onze gravações históricas, nas quais, em sua maior parte, é acompanhada pelo conjunto do marido Carlos Matos.  Para começar, temos o clássico “Beijinho doce”, valsa ou corrido de José Alves dos Santos, o Nhô Pai, originalmente lançado pelas Irmãs Castro em 1945. Adelaide o interpretou junto com Eliana Macedo no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida, e ambas repetiram o dueto em disco, o Star 263-A, em gravação de 1951. Na faixa seguinte, Adelaide recorda, em ritmo de baião (em moda na época),  a canção “Minha casa”, de Joubert de Carvalho, originalmente gravada por Sílvio Caldas em 1946. O registro de Adelaide saiu pela Star em julho-agosto de 1952, disco 367-B. Em seguida, a toada “Meu sabiá”, de Carlos Matos em parceira com Antônio Amaral. Saiu pela Copacabana  em 1954, sob número 5201-A, matriz M-689, sendo também cantada por Adelaide no filme “O petróleo é nosso”,  da Brasil Vita Filmes. A orquestração e a regência são de Alexandre Gnattali, irmão de Radamés.  “Sabiá na gaiola”, clássico baião de Hervê Cordovil e Mário Vieira, é outro duo de Adelaide com Eliana Macedo, que o interpretaram no filme “Aí vem o barão”, outra produção da Atlântida.  Originalmente lançado por Carmélia Alves, em 1950, seria regravado um ano mais tarde por Adelaide e Eliana na Star, disco 264-A. “Nossa toada”, feita para outro filme da Atlântida, “Garotas e samba” (onde Adelaide faz par romântico com o cantor Francisco Carlos, “El Broto”),  é gravação Copacabana de 1957, lançada com o número  5750-A, matriz M-1890. Foi composta por Carlos Matos em parceria com Luiz Carlos, um jovem compositor que logo faleceria sem poder assistir ao filme nem ouvir a gravação. Em seguida, temos a marchinha junina “Cada balão uma estrela”, de Zé Violão e Carrapicho, lançada pela Star em julho-agosto de 1952, disco 356-B. O clássico “Cabeça inchada”, outra composição de Hervê  Cordovil, foi originalmente lançado como balanceio, em 1949, por Sólon Sales. Aqui Adelaide Chiozzo e Eliana Macedo o recordam em ritmo de baião, em gravação lançada pela Star no lado B de “Beijinho doce”, disco 263, em 1951, mesmo ano do registro de Carmélia Alves pela Continental.  Adelaide e Eliana voltam a se encontrar nas duas faixas seguintes, lançadas em janeiro de 1953 para o carnaval,pela Copacabana, sob número 5026: o samba “Com pandeiro na mão” (lado B, matriz M-283), de Manoel Pinto,  D. Ayrão e Jorge Gonçalves, e a marchinha “Queria ser patroa” (lado A, matriz M-282), só de Manoel Pinto e D. Ayrão,  que Eliana interpretou solo no filme “Carnaval Atlântida”. A seguir, a música que consagrou Adelaide Chiozzo:  a polca “Pedalando”, com melodia do pianista Benê Nunes e letra do ator e futuro cineasta Anselmo Duarte. Adelaide a cantou no filme “Carnaval no fogo”, da Atlântida, sob a direção de Watson Macedo,  num cenário holandês, com moinhos de vento e tudo o mais. É a faixa de abertura de seu primeiro disco, o Star 192, lançado em janeiro de 1950, e aqui o acordeão que acompanha Adelaide é de Alencar Terra. Para terminar, outro clássico de Nhô Pai, agora em parceria com outro grande acordeonista, Mário Zan: o rasqueado “Orgulhoso”, criação das Irmãs Castro em 1947, e aqui apresentada em novo dueto de Adelaide com Eliana Macedo, que saiu pela Star em 1951, no lado B de “Sabiá na gaiola”, disco 264. Na próxima semana, concluiremos esta retrospectiva  que o GRB dedica a Adelaide Chiozzo. Até lá!
*Texto de Samuel Machado Filho

Gazolina Do Brasil & News Brasas Samba Show – Ao Vivo (197…)

Olá amigos cultos e ocultos! Nos últimos dias andei meio sumido. Para não variar, sem tempo e cada vez mais distante desse objetivo. Acho que, de certa forma, a fase máxima, a febre dos blogs musicais já passou. Por outro lado, paradoxalmente, os discos de vinil que eram seu assunto principal, a fonografia, passam agora por uma revitalização, com o retorno de diversos títulos raros, tudo sendo relançado em cópias quase perfeitas. Acredito que uma das razões para o retorno do vinil está diretamente relacionada aos movimentos de blogs como o Toque Musical. Creio que isso despertou muita gente e o interesse pelo vinil voltou aqui no Brasil. Eu mesmo, que pensava em apenas compartilhar e desfazer dos lps após digitalizar, também mudei de ideia e retomei minha coleção. Realmente isso é uma cachaça. Penso que por conta de me preocupar mais com a retomada da minha coleção, acabei direcionando o meu foco musical só para isso. O blog foi perdendo um pouco do sentido, sei lá… Mas, por outro lado, sei que não dá para abandonar um compromisso de quase oito anos. Ou por outra, não dá para abandoná-lo assim. Vamos seguindo então, em frente e a cada dia nos adaptando às regras e ao jogo. O TM não pára, segue ao ritmo e dança conforme a música.
Nos últimos dias andei meio afastado, pois estive viajando. Fui ao meu sempre querido Rio de Janeiro e por lá não deixei de sair no garimpo, em busca de discos que considero interessantes e principalmente para a minha própria coleção. Me lembrei também do Toque Musical, claro! E por lá adquiri algumas que aos poucos irão chegando aqui para vocês. Entre tantos, começo com este lp que eu mesmo não conhecia (adoro coisas assim). Trata-se de um curioso álbum lançado pela Tapecar, sem data, mas creio que deve ser do início dos anos 70, com o cantor Antônio Monte de Souza, mais conhecido como Gasolina. Um nome hoje pouco lembrado. Segundo consta, Gasolina veio da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre, onde foi descoberto pelo radialista Ivan Castro. Conheceu o sucesso quando veio para as rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. Cantou ao lado e foi impulsionado por grandes nomes como Nelson Gonçalves, Noite Ilustrada, Silvio Caldas e tantos outros. Foi também ator, fez teatro e cinema (O Auto da Compadecida, O Cantor e o Milionário) e na televisão se apresentava no programa “Copacabana Show”, lá pelos anos 60. O que foi feito dele, qual o seu paradeiro, isso é coisa que não consegui descobri. Mas aqui neste álbum ele aparece como “Gazolina do Brasil”, com Z. Talvez por conta de contratos com outra gravadora, ou por erro mesmo. O álbum não é qualquer coisa não. É de um tempo que a produção podia esbanjar. Neste lp temos uma capa dupla com fotos e mais detalhes sobre o trabalho. Diz a capa que é uma gravação ao vivo, porém pela qualidade da gravação e pela falta do público eu diria que não. Ou talvez até tenha sido, mas sem público, apenas aproveitando o espaço e o clima da churrascaria Las Brasas, onde os shows comandados por Gasolina aconteciam. Este álbum é uma síntese do show ;) São 13 faixas na quais estão distribuídas 42 músicas entre sambas, machinhas, pontos e outros batuques. Gazolina vem acompanhado do conjunto New Brasas Samba Show e da cantora Célia Reis. Infelizmente não consegui localizar a data, mas certamente é um disco dos anos 70. No arquivo não nomeei as faixas devido a quantidade de músicas. Deixo que cada qual resolva isso ao seu modo, ok?

meu rio de janeiro
dora s(embora)
200 milhas pra lá
morte de um pescador
manhangangue
canto do pescador
yemanjá soba
cata cata ogum meguê
folhas secas
não me diga adeus
pois é
já vai alta madrugada
morro velho
poxa
o teu cabelo não nega
allah la ô
mulata iê iê iê
grau dez
touradas de madrid
sacarolha
mamãe eu quero
império do samba
mexe mexe
arrasta a sandália
cae cae
nêga do cabelo duro
nêga malucapais tropical
a lapa
contos de areia
ilu aê
madureira chorou
tá chegando a hora
tá legal
tristeza
balança povo
estrela de madureira
tudo é samba
samba do avião
mundo encantado de monteiro lobato
macunaima
cidade maravilhosa
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Cantores – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 124 (2014)

E chegamos à edição de número 124 do Grand Record Brazil. Para esta semana, o amigo Augusto preparou uma seleção variada, interessante e como sempre de grande valor histórico e artístico. Aqui estão catorze gravações, por certo bastante representativas de nosso glorioso passado musical, interpretadas por sete cantores, com duas faixas para cada um.
Para começar, apresentamos Carlos Alberto Ferreira Braga, o João de Barro, também conhecido por Braguinha (Rio de Janeiro,  29/3/1907-idem, 24/12/2006), compositor de inúmeros e expressivos sucessos no carnaval e no meio-de-ano. Nesta edição de GRB, apresentamos duas gravações que ele fez como intérprete, à frente do Bando de Tangarás, na Parlophon, ambas do disco 13173, lançado em junho de 1930. Começamos com o lado B, matriz  3539, uma toada de autoria dele próprio, “A mulher e a carroça”. Depois temos o lado A, matriz 3538, por certo o que mais apareceu. Trata-se do samba “Minha cabrocha”, de autoria de Lamartine Babo, então definindo seu estilo.  Este, aliás, foi o primeiro grande sucesso autoral de Lalá, e, embora samba de meio-de-ano, também alcançaria êxito no carnaval de 1931. “Minha cabrocha” é conhecido até hoje e tem várias regravações. Nélson Gonçalves (Santana do Livramento, RS, 21/6/1919-Rio de Janeiro, 18/4/1998), o sempre querido e lembrado “metralha do gogó de ouro”, cujos álbuns têm sido presença cativa no Toque Musical, está presente nesta edição do GRB com outras duas faixas, que gravou na Victor em princípio de carreira. A primeira é o clássico fox-canção “Dos meus braços tu não sairás”, de autoria de Roberto Roberti. Nélson o imortalizou na marca do cachorrinho Nipper em 27 de abril de 1944,com lançamento em junho do mesmo ano, disco 80-0186-A, matriz S-052950. Depois temos “A valsa de Maria”, de Custódio Mesquita e David Nasser, gravada em 28 de janeiro de 1943 e lançada em abril do mesmo ano, disco 80-0066-A, matriz S-052706. Em ambas as faixas, o acompanhamento é da orquestra do próprio Custódio Mesquita. Temos,  em seguida, as músicas do único 78 rpm de Jonas Corrêa Tinoco (Niterói, RJ, 14/9/1918-Rio de Janeiro, 1/12/1986), o Victor 33639, gravado em 13 de julho de 1932 e lançado somente em abril de 33, quando ele tinha 15 anos incompletos. O lado A, matriz 65543, sem dúvida foi o que se tornou mais conhecido:  a “Canção do jornaleiro”, de autoria de Heitor dos Prazeres, que popularizou Jonas de imediato e motivou a realização de uma campanha de amparo aos pequenos jornaleiros. Êxito permanente, teve regravações por Franquito, Enéas Fontana e até mesmo por Wanderley Cardoso, um dos futuros astros da Jovem Guarda.  No lado B, matriz 65544, Jonas gravou outra pungentíssima canção, “Não tenho mais felicidade”, composta pelo mesmo autor de “Cidade maravilhosa” e “Alô, alô”, André Filho. Entretanto, Jonas Tinoco abandonou de repente sua carreira, que começara bastante promissora, por motivos até hoje desconhecidos. Sylvio Vieira (Jacareí, SP, 28/5/1899-Petrópolis,RJ, 7/2/1970) tinha origem nobre: era Baronete da Pedra Negra. Estudou canto lírico e sua estreia profissional se deu em 23 de abril de 1920, no Teatro São José de São Paulo, interpretando o papel de Valentim na ópera “Fausto”, de Gounod. Atuou em companhias populares e em revistas, nos principais teatros da então capital da República, o Rio de Janeiro (João Caetano, Glória. Cassino, Recreio). Em 23 de novembro de 1935, fez parte da primeira apresentação completa, em português, da ópera “O guarani”, de Carlos Gomes, no Teatro Municipal carioca, sendo figura constante nas temporadas líricas oficiais dessa casa de espetáculos até o início dos anos 1960. Sylvio Vieira comparece nesta edição do GRB com as músicas do disco Victor 33558, gravado em 29 de abril de 1932 e lançado em junho do mesmo ano. O lado A, matriz 65477, apresenta o maior sucesso do cantor na área da música popular: a canção “Frô do ipê”, de autoria do pistonista Bomfiglio de Oliveira, em parceria com Nélson de Abreu. No lado B, matriz 65478, ele nos apresenta outra canção, esta de André Filho, “Como é lindo o teu olhar”. Carlos Galhardo,  o eterno “cantor que dispensa adjetivos”, é aqui apresentado em dois momentos distintos de sua vitoriosa carreira. De início, ele interpreta aqui “Felicidade… é quase nada”, de Joubert de Carvalho e Gilberto de Andrade, em ritmo de samba-canção (no original era rumba). Seu criador, nos palcos e no disco, foi Roberto Vilmar, em  1933.A regravação de Galhardo foi feita na RCA Victor em 24 de maio de 1950, com lançamento em agosto do mesmo ano, disco 80-0674-B, matriz S-092682. Pulamos em seguida para o início da carreira de Galhardo, apresentando a faixa de abertura de seu primeiro disco, o Victor 33625, gravado em 5 de janeiro de 1933 e lançado em março do mesmo ano, matriz 65658: é o frevo-canção (então chamado de “marcha pernambucana”) “Você não gosta de mim”, de autoria dos irmãos Raul e João Victor Valença. Carlos Galhardo,por sinal, seria o cantor do Sul mais fiel ao frevo, lançando músicas do gênero em vários carnavais, sempre com sucesso certo no Recife e, por tabela, em todo o Nordeste. Autêntico precursor da bossa nova, Mário Reis (Rio de Janeiro, 31/12/1907-idem, 5/10/1981) aqui interpreta dois sambas do mestre de Ubá, Ary Barroso, por sinal seu colega de Faculdade de Direito. Primeiro, “Deixa esta mulher sofrer”, gravação Columbia de 13 de outubro de 1939, lançada em  dezembro do mesmo ano, disco 55189-A, matriz 218. A faixa seguinte vem a ser a primeira composição gravada de Ary, “Vou à Penha”, aludindo a uma festa que acontece no Rio de Janeiro entre os meses de outubro e novembro, no caminho de subida para a Igreja da Penha, ao lado do Parque Shangai, com barraquinhas, venda de artigos religiosos, alimentação típica, etc. O samba saiu no quarto disco de Mário Reis, o Odeon 10298-A, em dezembro de 1928, matriz 2078, e teria uma continuação trinta anos mais tarde, composta pelo próprio Ary, “Eu fui de novo à Penha”, gravada por Lucienne Franco. Por fim, apresentamos Roberto Vidal, cantor que teve sua época, mas foi esquecido com o passar do tempo.  Aqui temos as faixas do disco RCA Victor 80-2159, gravado em 28 de outubro de 1959 e lançado em janeiro de 60. O lado A, matriz 13-K2PB-0805, é um clássico bastante conhecido: “Negue”, samba-canção de Adelino Moreira em parceria com  Enzo de Almeida Passos, criador, no rádio, do “Telefone pedindo bis” e da “Grande parada Brasil”. Teria seu sucesso confirmado e aumentado pelas regravações que recebeu posteriormente:  Carlos Augusto, Linda Rodrigues, Nélson Gonçalves, Cauby Peixoto… e, em 1978,  “Negue” voltaria às paradas de sucesso, na voz de Maria Bethânia.  Este registro original de Roberto Vidal para “Negue”chegaria, em 1961, a seu primeiro LP, sem título (RCA Camden CALB-5038). Entretanto, o lado B do 78, matriz 13-K2PB-0806, estranhamente, não teria a mesma sorte. Trata-se do samba “Triste coração”, de autoria da cantora Linda Rodrigues em parceria com Aldacir Louro. Portanto, é mais uma raridade que o GRB nos apresenta, encerrando a seleção desta semana, apresentando sete cantores e catorze interpretações que têm em comum seu inestimável valor artístico e histórico. Bom divertimento e até a próxima!
*Texto de Samuel Machado Filho

Orquestra Românticos De Cuba – Românticos De Cuba No Rio (1983)

Em 2013, a gravadora Musidisc, uma das pioneiras do LP de vinil em território brasileiro, encerrou definitivamente suas atividades. Nilo Sérgio Pinto, filho do músico Nilo Sérgio, fundador da empresa, morto em 1981, pretende relançar digitalmente vários títulos dessa gravadora, que funcionou efetivamente de 1952 a 1971, e depois disso passou a operar apenas como estúdio de gravação e mixagem  para terceiros. Nilo também pretende contar a história da Musidisc em livro. A gravadora lançou, durante todo esse tempo, títulos de gêneros diversos, com pérolas do sambalanço (Ed Lincoln, Sílvio César, o próprio Nilo Sérgio), da pré-bossa nova (Trio Surdina), do rock (“F15 Espacial”, de Célia Vilela, editado em 1964, foi o primeiro LP de rock brasileiro gravado em estéreo),do samba de raiz (como a trilogia “Roda de samba”, com o grupo A Voz do Morro, na qual se iniciaram talentos como Elton Medeiros e Paulinho da Viola)  e da música orquestrada.
Nesse setor, a principal atração da Musidisc era a Orquestra Românticos de Cuba. Apesar do nome, nada tinham de cubanos, eram brasileiros mesmo. O nome foi uma criação do “big boss” da Musidisc, Nilo Sérgio. Seus músicos eram bastante experientes, e a orquestra tinha em seus quadros vários naipes de instrumentos.  E os regentes também eram de primeira linha: Severino Araújo, Radamés Gnattali, Léo Peracchi, Waltel Blanco, Ivan “Carioca” Paulo, Karl Faust, Henrique Nuremberg, etc.  Basicamente eram arranjos na base dos ritmos caribenhos, em especial o bolero, que sempre teve bastante aceitação por parte de nosso público, com sucessos passados e de sua própria época. Os primeiros LPs dos Românticos de Cuba saíram em 1959, e o artifício do nome internacionalizado deu certo. Ao todo, a orquestra lançou cerca de TRINTA álbuns, com sucesso de vendagem garantido. E todos tecnicamente impecáveis, embora gravados em estúdios simples. Dizem que a orquestra encerrou suas atividades por ter sido perseguida pelos militares, então no poder, dado o fato de ter Cuba em seu nome, o que certamente não corresponde à verdade, pois o último álbum deles, com músicas de Roberto Carlos, saiu em 1979, já no ocaso do regime militar (foi desgaste mesmo, por certo). Ainda recentemente, uma coletânea tripla em CD dos Românticos de Cuba, lançada pela Som Livre, e comercializada apenas por mala direta, logo tornou-se um dos títulos mais vendidos da gravadora do Grupo Globo.
Pois agora o Toque Musical apresenta, para deleite de seus amigos cultos, ocultos e associados, um dos títulos de maior destaque na discografia da Orquestra Românticos de Cuba. Trata-se de “Românticos de Cuba no Rio”, lançado originalmente pela Musidisc em 1964, com o número HI-FI-2095, e reeditado outras duas vezes pela Continental, a primeira em 1970 e a segunda em 1983, com o selo Phonodisc. A foto de capa, nas três tiragens, é a mesma, com a diferença de que a relação das músicas, constante da capa na primeira edição, desapareceu nas duas posteriores.  O título diz tudo: são músicas brasileiras em arranjos essencialmente bolerísticos, várias delas clássicos: a indefectível “Aquarela do Brasil”, “Samba em prelúdio”, “Insensatez”, “Se alguém telefonar”, ”Manhã de carnaval”, “Mulher rendeira”, etc. Tudo sob medida para se ouvir e dançar a dois. E aí, dá-me o prazer desta contradança?
aquarela do brasil – inquietação
se alguém telefonar – castigo
viver em paz – nuvens
a flor do amor – confidência
samba em prelúdio – adeus nossa canção de amor
laura – a canção dos seu olhos
dos perdidos – ranchero
suas mãos – eu não exiatou sem você
manhã de carnaval – mulher rendeira
insensatez – meditação
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Beto Saroldi – Metrô (1988)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Quebrando um pouco o ritmo, saindo um pouco do antigo para algo mais próximo da nossa atualidade, tenho hoje para vocês o primeiro disco do compositor e instrumentista Beto Saroldi. Para quem não conhece, Beto Saroldi é um saxofonista, compositor e produtor musical que já tocou com grandes nomes da música brasileira como, Fafá de Belém, Gilberto Gil, Lulu Santos, Lô Borges e muitos outros. Isso também, sem falar em outros grandes nomes da música instrumental, que é a verdadeira praia deste artista.
“Metrô” é o nome do seu primeiro lp lançado em 1988, uma produção independente que teve a graça de ver incluída uma de suas faixas como tema da novela “Bebê a bordo”, da poderosa Rede Globo. O disco, num geral é bom. Quem curte música instrumental é que vai gostar :)

funk busy
our love
apenas uma noite
aqui e agora
metrô
tony
as bruxas
6l-6
marize
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Pedroca E Seu Piston – As Garotas Gostam De Dançar Com Pedroca E Seu Piston (1958)

Com o advento dos LPs no Brasil, logo passou a ser comum o lançamento de álbuns ditos “dançantes”, com sucessos nacionais e internacionais antigos e/ou da ocasião executados por conjuntos e orquestras.  Como nesse tempo não havia fitas cassete para gravar nossas músicas prediletas, esses discos animavam qualquer festa que houvesse em residências familiares, assim como em casas noturnas que não tinham condições financeiras de manter a chamada “música ao vivo”.  E, claro, esses LPs vendiam muito bem, constituíam-se em produtos de retorno garantido.  Vários desses álbuns já foram disponiblizados pelo Toque Musical a seus amigos cultos,ocultos e associados. E aqui está mais um, gravado em 1958 na Sinter, hoje Universal Music, pelo pistonista Pedroca, na pia batismal Carmelino Veríssimo de Oliveira. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1913, em data controversa (a contracapa do disco afirma que foi em 31 de janeiro, mas outras biografias grafam 5 de abril). Autodidata, aos oito anos de idade já executava cavaquinho, sem auxílio de nenhum professor. Aos 17 anos, ingressou como voluntário no Exército apenas para prosseguir seus estudos musicais, já tendo o pistão como seu instrumento. Ao dar baixa, seu sopro já era um dos mais bonitos e potentes do Brasil.Em 1950, gravou seu primeiro disco-solo,  na Todamérica, executando dois choros de sua autoria: “Nena” e “Ando preocupado”. Durante anos, Pedroca foi pistonista da Orquestra All Stars, da lendária Rádio Nacional, e atuou também em inúmeros filmes, tais como “Tudo azul” e ‘Carnaval Atlântida”.  Gravou um total de vinte discos 78 rpm  com quarenta músicas, na Todamérica e na Sinter, entre 1950 e 1957, e cinco LPs, lançados entre1956 e 1959, todos pela Sinter. Nessa época, seu conjunto  era bastante requisitado para animar bailes e festas. Em 1961, passou a residir na recém-inaugurada capital do país, Brasília, e depois desapareceu misteriosamente.  O álbum que o TM oferece hoje é o terceiro gravado por Pedroca, e o primeiro no formato-padrão de 12 polegadas.  Ao lado de composições próprias (“Perto das estrelas”, “Rasgando seda”, “Port Said”, “Corcovado”, “Luar do meu Rio”,”Desavença”, “Ouvindo o além”), há outros cinco hits da ocasião (“Little darilng”, “Confissão”, “Incerteza”, “Apaixonada” e “Abismo”).  Ideal para animar qualquer festa na base da nostalgia. Aproveitem
abismo
perto das estrelas
rasgando seda
port-said
confissão
incerteza
apaixonada
corcovado
luar do meu rio
desavença
ouvindo o além
* Texto de Samuel Machado Filho

Sambas – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 123 (2014)

E prossegue a gloriosa trajetória do Grand Record Brazil. Já estamos na edição de número 123, e nela estamos apresentando uma seleção especialmente dedicada ao samba. São 15 gravações, com sambas de autores consagrados do gênero, interpretados pelos melhores cantores de sua época.  Abrindo esta edição, temos “Capital do samba”, de José Ramos (1913-2001), fluminense de Campos, que ajudou a fundar a ala de compositores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, na interpretação do sempre notável Gilberto Alves. Gravação Odeon de 9 de setembro de 1942, lançada em outubro do mesmo ano, disco 12214-A, matriz 7053. Dos cariocas João da Baiana (João Machado Guedes, 1887-1974) e Babaú da Mangueira (Waldomiro José da Rocha, 1914-1993) é “Sorris de mim”, a faixa seguinte, interpretada por Odete Amaral, “a voz tropical do Brasil”. Ela o gravou na Victor em 9 de julho de 1940,com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34657-B, matriz 33463. De Paquito (Francisco da Silva Fárrea Júnior, 1915-1975) e do lendário Paulo da Portela  (Paulo Benjamin de Oliveira, 1901-1949), foi escalado “Arma perigosa”, na interpretação de Linda Rodrigues (Sophia Gervasoni, 1919-1995). É o lado A de seu terceiro 78, o Continental 15423, lançado em setembro de 1945, matriz 1136. Na quarta faixa, um clássico indiscutível do mestre Ary Barroso: é “Morena boca de ouro”,  na interpretação de Sílvio Caldas, que o imortalizou na Victor em 4 de julho de 1941, com lançamento em setembro do mesmo ano, disco 34793-A, matriz S-052259. Foi várias vezes regravado,inclusive por João Gilberto, que o incluiu em seu primeiro LP, “Chega de saudade”, em 1959. O dito popular “Quem espera sempre alcança” dá título à nossa quinta faixa, mais uma composição do lendário Paulo da Portela. Quem canta este samba é Mário Reis, em gravação lançada pela Odeon em setembro de 1931, disco 10837-B, matriz 4272, com acompanhamento da Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman. “Quem mandou, Iaiá?” é de Benedito Lacerda (também no acompanhamento com sua flauta mágica e inconfundível) e Oswaldo “Baiaco” Vasques, e foi lançado pela Columbia  para o carnaval de 1934, em janeiro desse ano, na voz de Arnaldo Amaral, disco 22262-A, matriz 1005. Também de Baiaco, em parceria com João dos Santos, é nossa sétima faixa, “Conversa puxa conversa”, gravação Victor de Almirante (“a maior patente do rádio”) em 24 de abril de 1934, lançada em julho do mesmo ano com o n.o 33800-A, matriz 79615, com acompanhamento da orquestra Diabos do Céu, formada e dirigida por Pixinguinha.  Babaú da Mangueira volta em nossa faixa 8, “Ela me abandonou”, samba do carnaval de 1949, em parceria com Taú Silva. Novamente aqui comparece Gilberto Alves, em gravação RCA Victor de 23 de dezembro de 48, lançada um mês antes da folia,em janeiro,disco 80-0591-B, matriz S-078852. Autor de clássicos do samba, Ismael Silva (1905-1978) mostra seu lado de intérprete em “Me deixa sossegado”, que assina junto com Francisco Alves e Nílton Bastos, e foi lançado pela Odeon em dezembro de 1931, disco 10858-B,matriz 4281. De família circense, sobrinho do lendário palhaço Piolim,  o comediante paulista Anchizes Pinto, o Ankito (1924-2009), considerado um dos cinco maiores nomes da era das chanchadas em nosso cinema, bate ponto aqui com “É fogo na jaca”, samba de Raul Marques, Estanislau Silva e Mateus Conde. Destinado ao carnaval de 1954, foi lançado pela Columbia (depois CBS e hoje Sony Music) em janeiro desse ano, sob n.o  CB-10017-B, matriz CBO-152. Paulo da Portela volta na faixa 11, assinando com Heitor dos Prazeres “Cantar pra não chorar”, do carnaval de 1938. Quem canta é Carlos Galhardo, “o cantor que dispensa adjetivos”, em gravação Victor de 15 de dezembro de 37, lançada um mês antes da folia, em janeiro, disco 34278-B, matriz 80634. Na faixa 12, volta José Ramos, agora assinando com o irmão, Marcelino Ramos, “Jequitibá”. Gravação de Zé e Zilda (“a dupla da harmonia”), em 1949, na Star, disco 151-B, por certo visando o carnaval de 50. A eterna “personalíssima”, Isaura Garcia, vem com o samba “Mulher de malandro”, de Hervê Cordovil.  Gravado na Victor em 23 de outubro de 1945, seria lançado apenas em  setembro de 46, sob n.o 80-0431-B, matriz S-078380. Ernani Alvarenga, o Alvarenga da Portela, assina “Fica de lá”, samba do carnaval de 1939, em gravação Odeon de Francisco Alves, datada de 16 de dezembro de 38 e lançada bem em cima da folia,em fevereiro, disco 11700-A,matriz 5995. Por fim, temos o samba “Não quero mais”, samba de autoria de Zé da Zilda (também conhecido por Zé com Fome e José Gonçalves) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Castro, que apareceu no selo com o sobrenome errado, “da Silva”),  gravado na Victor por Aracy de Almeida  em 9 de setembro de 1936 e lançado em dezembro do mesmo ano, disco 34125-A, matriz 80214, certamente com vistas ao carnaval de 37. Note-se, a respeito deste samba, que Cartola tinha feito duas segundas partes, mas Zé da Zilda fez uma outra segunda parte por conta própria e, assim, eliminou Cartola da co-autoria. Enfim, é uma excelente seleção de sambas que o GRB  nos oferece, para apreciação de todos aqueles que apreciam o melhor de nossa música popular.

* Texto de Samuel Machado Filho

Zimbo Trio – Vol. 2 (1966)

Olá, amigos cultos e ocultos! Nesta semana nós acabamos por não publicar aqui o volume 123 da coleção exclusiva Grand Record Brazil. Sei que tem muita gente que nos acompanha e os e-mails não param de chegar. Calma, a coleção ainda não acabou. Só termina no dia em que não tivermos mais nada em 78 rpm para apresentar. Amanhã tem mais um volume, garantido!
Para a noite de domingo ficar ainda mais gostosa, eu trago para enriquecer nossa lista um disco que há muito já devia ter entrado: Zimbo Trio Vol. 2. Aliás, eu também já deveria ter postado o volume 1 e outros mais, afinal o que é bom a gente deve sempre manter. Mas o Zimbo Trio, embora acima da média, é figurinha fácil e repetida. Muitos outros blogs já postaram ele por aí e por certo, deste não há muito o que dizer além do que já foi dito. Um super trio que teve em seu elenco original Luiz Chaves, Rubens Barsotti e Hamilton de Godoy.
Este lp foi o terceiro gravado por eles. Lançado em 1966 pelo selo RGE, o álbum traz um repertório fino, com doze temas impecáveis e hoje clássicos, alguns autorais. Música instrumental de alto padrão, que agrada cultos e ocultos.

arrastão
balanço zona sul
zomba
insolação
zimba
reza
samba 40 graus
garota de charme
vai de vez
balada de um sonho meu
o rei triste
aleluia
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Salinas – Alice Street Gang (1976)

Muito bom dia, amigos cultos e ocultos! Eu, como sempre inicio justificando as pausas e falhas de postagem em nosso Toque Musical. Vocês já sabem, é falta de tempo! Não foi a toa que eu resolvi incluir outros textos do amigo Samuel Machado Filho, além dos habituais em nossa coleção Grand Record Brazil. Se dependesse apenas dele, nossas postagens continuariam diárias e sem furo. Já tenho aqui uma dezenas de textos prontos para os diferentes discos que enviei para ele. Falta agora, tão somente, eu publicar, mas nem para isso eu tenho tido tempo. Hoje, por acaso, a manhã tá livre, daí eu me divirto mais e tomo a direção e apresentação.
Trago para este sábado um disquinho curioso. Comprei este lp há alguns anos atrás. Achei a capa interessante, pensei até se tratar de uma banda de rock, daquelas obscuras dos anos 70. Levei o disco sem olhar muito, afinal haviam outros na compra e como estava barato, foi na leva. Só alguns dias depois foi que eu vim a conhecê-lo realmente. De saída fui logo percebendo que não se tratava de rock e sim de algo no gênero ‘disco music’. E para a minha surpresa o tal Alice Street Band era conduzido por Daniel Salinas. Quer dizer, trata-se de um trabalho do eclético maestro Daniel Alberto Salinas, produzido, arranjado e tocado por ele. Eu já cheguei a postar aqui outro disco dele, o “Paz, Amor e… Samba”, de 1972. Salinas foi um maestro e arranjador muito atuante nos anos 60 e 70, trabalhando com artistas da Jovem Guarda e tantos outros dos mais variados gêneros nas décadas seguintes. Agora voltamos com este, da era ‘discoteca’. Naquele estilo inconfundível da música americana da segunda metade dos anos 70, quando a ‘disco music’ tomou conta do pedaço. Lembram aquelas músicas de aberturas em seriados tipo ‘As Panteras’, ‘Casal 20′, ‘Chips’… é por aí… Lembra também, inevitavelmente, o Eumir Deodato, principalmente na música de abertura, ‘Also Sprach Zarathustra’ em fusão com ‘Bahia’, clássico de Ary Barroso. Salinas mostra em seus arranjos que não fica por menos, apresentando um trabalho de primeira linha. Tenho certeza de que se algum desavisado ouvir este álbum é capaz de dizer que é coisa de gringo, estrangeiro. E tem tudo a ver, não só pela qualidade dos arranjos e execução. Um trabalho bacana, digno de muitos toques musicais. Pessoalmente, nunca fui muito fã do estilo, mas hoje, sou capaz de ouvir e dizer, realmente foi um trabalho bem feito. Fiquei pensando de onde foi que o Salinas tirou esse nome de ‘Alice Street Gang’. Desconfio que trata-se do endereço do estúdio da Amazon Records, na Rua Alice, do bairro das Laranjeiras, Rio de Janeiro, onde a gang tocou. Tá no selo:)

alson sprach zarathustra – bahia
it’s now or never (o sole mio)
copacabana
flamengo
medley jorge ben:
chove chuva – mas que nada
i’llnever fall in love again
white wings
brasilian hustle
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Saraiva – Saraiva… É Sucesso (1965)

O Toque Musical oferece hoje a seus amigos cultos, ocultos e associados mais um álbum na linha “dançante”. Desta vez, é um trabalho lançado pela Continental em 1965, talvez em fevereiro, por um dos melhores saxofonistas brasileiros, talvez até mesmo o melhor de sua época: Saraiva. Luiz Saraiva dos Santos, seu nome na pia batismal, nasceu na cidade de Belo Monte, Alagoas, cidade às margens do Rio São Francisco, em 8 de março de 1929. Filho do maestro da banda de Belo Monte, logo passou a ter contato com a arte musical. Ainda criança, mudou-se para Santos (SP) , onde construiu sua carreira artística, imortalizando paisagens litorâneas paulistas nas capas de vários de seus LPs (inclusive na deste aqui). Estudou cavaquinho, mas se identificou de verdade com o sax-soprano. Trabalhou na extinta Companhia Docas de Santos, no cais do porto, e nas horas de folga, geralmente no período noturno, tocava em bailes de gafieira, demonstrando criatividade e capacidade técnica inesgotáveis. Numa primeira entrevista para contratação na PRB-4, Rádio Clube de Santos, na frente do então diretor artístico Arnaldo Dias, Saraiva tocou ali mesmo e surpreendeu agradavelmente Arnaldo, chamando a atenção do “staff” da emissora pelo seu desempenho no sax. Foi imediatamente contratado pela rádio, iniciando assim uma carreira de muito sucesso. Saraiva tocava de tudo, ou quase: baião, samba de gafieira, bolero, frevo, choro, valsa e até bossa nova. Teve uma casa de shows em Santos chamada Recanto do Saraiva, que sempre contava com visitantes ilustres e fãs de outras regiões, inclusive da capital paulista. Além de fixar seus shows na Região Sudeste, viajou por todas as outras do Brasil (Norte, Centro-Oeste, Sul e Nordeste), e,para onde ia, compunha alguma música como gratidão ao lugar visitado. Torcedor roxo do Sport Club Corinthians Paulista, compôs o choro “O corintiano”, considerado seu trabalho de maior sucesso e uma espécie de identificação de sua maestria no sax-soprano, apesar desse instrumento ser considerado pouco versátil para solos. Sua arte ficou imortalizada em pelo menos 30 LPs,  4 compactos e 3 CDs remasterizados.
Neste “Saraiva é sucesso”, um pouco da notável arte desse magnífico executante de sax-soprano, em doze faixas, a maior parte de sua própria composição (assinando como Luiz dos Santos), sozinho e com parceiros, entre eles Palmeira, então diretor artístico da Continental. . São seis choros, dois boleros, dois baiões, uma valsa e um samba-choro, neste que foi  seu segundo LP (o primeiro, lançado no ano anterior, 1964, foi “Sobre o ritmo das ondas”). Vale frisar que as informações biográficas contidas nesta resenha foram obtidas nas contracapas dos LPs e encartes dos CDs de Saraiva, e em depoimentos de pessoas que o conheceram e/ou trabalharam com ele. Não existe nenhuma outra fonte informativa a respeito do músico, seja em revistas, jornais, livros ou na própria web. Qualquer outro dado ou informação a respeito de Saraiva será recebido pelo TM de muito bom grado. Por ora, é ouvir este seu trabalho, e conferir a sua versatilidade e criatividade ao sax-soprano.
parabéns… rio de janeiro
acompanhe se puder
lágrimas de namorados
o sapato do zé
alegria de campeões
chapeu de couro
vida ingrata
es vaidosa
soluço de amor
estela
bate papo
de um amigo só lembranças
* Texto de Samuel Machado Filho

Os Violinos Mágicos – Música Maravilhosa Dos Grandes Filmes (1961)

Hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos,ocultos e associados, mais um álbum dedicado à música de cinema. Anteriormente, oferecemos a vocês “Devaneio”, com a orquestra de Guio de Morais. Desta vez, a execução de temas de grandes filmes hollywoodianos está a cargo de outra orquestra que ponteava na Musidisc, ao lado da Românticos de Cuba: os Violinos Mágicos. É claro que o nome da orquestra foi outra obra de gênio do fundador e dono da Musidisc, Nilo Sérgio. Por certo os músicos eram praticamente os mesmos da Românticos de Cuba, com regência a cargo principalmente de Severino Araújo, o criador da Orquestra Tabajara (e da Orquestra Romântica de Severino Araújo, outro nome usado pela mesma). Existiu entre 1959 e 1969 e, embora não tivesse durado tanto tempo quanto a Românticos de Cuba (gravou apenas sete álbuns), ficou na memória de tantos quantos apreciem o chamado “easy listening”, ou seja, a música instrumental e orquestrada.
 O presente álbum é o sexto dos Violinos Mágicos, com a indefectível produção de Nilo Sérgio, sem dúvida um craque em tudo que fez, dentro da série Masterpiece, com ótima qualidade sonora. Os apreciadores da música de cinema poderão ouvir os Violinos Mágicos, devidamente reforçados por um naipe de metais, ditos “de ouro”, executando um bom punhado de canções inesquecíveis de filmes hollywoodianos. O programa inclui “Tema do concerto em mi menor”, de Chopin (do filme “A noite sonhamos”),  “Concerto n.o 2” de Rachmaninoff (de “Canção da Rússia”), “Love me or leave me” (de “Ama-me ou esquece-me”), “Why do I love you?”  e “Make believe’ (de “O barco das ilusões”), “Begin the beguine” (clássico de Cole Porter, do filme “Canção inesquecível”) e “Summertime” (outro clássico, este dos irmãos Gershwin, executado junto com “It ain’t necessary”, ambos daópera “Porgy and Bess”, que virou filme,é claro). Em suma, um cardápio de extremobom gosto,para arrepiar os que gostam da música de cinema. Luzes, câmera, ação… e música!
blue skies
begin teh beguine
summertime – it ain’t necessarily so
stranger in paradise
chopin – tema do concerto em mi menor
love me or leave me
make believe
why do i love you
rachimaninoff – concerto n. 2
a pretty girl is like a melody
* Texto de Samuel Machado Filho

Cezar De Mercês – Nada No Escuro (1979)

Boa noite, amigos eleitores cultos e ocultos! Desta vez, nesta eleição, eu procurei não me manifestar. Minha candidata era a Luciana Genro, mas eu já sabia que não ia dar em nada. Escolher entre Aécio e Dilma foi difícil, mais ainda por conta dos diversos amigos, cada um me puxando para um lado. Para evitar discussão, disse a todos que iria anular o meu voto. E me deu vontade mesmo, principalmente por conta das campanhas e propostas apresentadas pelos dois candidatos. Enfim, acabou… A Dilma venceu e vamos ver o que nos espera por aí. De resto, que quero mais é chocolate ;)
Eu poderia hoje estar postando algo mais condizente com o momento. Mas, sinceramente já estou de saco cheio disso tudo. Prefiro aplicar aqui um som mais legal, um disco que nos leve para outros caminhos mais iluminados. Nada no escuro… Sim, é este o nome do primeiro disco solo do cantor e compositor Cezar de Mercês, um músico que faz parte da história do rock nacional. Foi um dos integrantes do Terço, grande banda dos anos 70, em dois momentos, de 70 a 74 e depois entre 77 e 78. Em 2013 ele voltaria a se reencontrar com a turma, ao lado de Sergio Hinds, Flávio Venturini e Magrão para o lançamento, na época, de um show em DVD. Cezar de Mercês compôs muitas músicas, não apenas par o Terço. Gravaram suas composições artistas como Roberto Carlos, Jane Duboc, Nico Rezende, 14 Bis e outros. Em 1979 lançou através do selo Epic (CBS) este que foi o seu primeiro disco solo, o álbum “Nada no escuro”, nome de uma das onze músicas que compõe o lp, em parceria com Luiz Carlos Sá. Ainda com parceiros ele conta com Sergio Magrão, em “Pequenas coisas” e Rogério Duprat, em “Sopro no coração”. As demais músicas são composições próprias. Este disco chegou a ser relançado há coisa de uns cinco anos atrás, na versão cd, mas novamente hoje volta a ser uma boa raridade.

simplesmente
pequenas coisas
nada no escuro
são sebastião
reencontrando
grande pequen
acapulco
sopro no coração
pequeno acidente
descoberta
barco de pedra
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Nova Canção Do Sul (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença, trago para vocês outra boa doação do amigo Fáres. Tenho aqui um disco bem interessante. Um verdadeiro mostruário da música popular brasileira feita no sul do Brasil. Uma série de artistas vindos do Rio Grande, músicos que se despontaram naquele início de década. Repetindo o que está no texto da contracapa, desde Lupicínio Rodrigues não se ouvia falar em personalidades musicais gaúchas inseridas no processo criativo da MPB. Porém, a música no Sul sempre existiu, presente nos bares, boates, festivais e no rádio da região. No início dos anos 80 surgia com muita força uma nova e expressiva geração de artistas que viriam a ganhar espaço não apenas no estado, mas em todo o país. Nomes como Bebeto Alves, Kleiton & Kledir, Carlinhos Hartlieb, José Vicente e muitos outros, como vocês verão aqui, formam essa excelente e rara coletânea. Produzida pela Cristal Discos, com selo Clack. A capa é um trabalho do artista gráfico Elifas Andreato. Não deixem de conferir ;)

pialo de sangue – raul ellwanger
que se passa – bebeto alves
ú zifiu – fernando ribeiro
velhas brancas – mario barbará
ruínas de um sonho – claudio vera cruz
lugarejo – nana chaves
cuña pajé – kleiton e kledir
maria da paz – carlinhos hartlieb
ponta do anzol – josé vicente
águias – nelson coelho de castro
vingado – cao trein
terra vermelha – cenair maicá
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Sertanejos – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 122 (2014)

Já em sua edição de número 122, o Grand Record Brazil volta a oferecer significativa parcela do rico acervo da chamada música sertaneja de raiz aos amigos cultos, ocultos e associados do TM. Uma seleção de quinze preciosíssimas gravações, que por certo farão a alegria dos apreciadores do gênero,  especialmente aqueles que estão decepcionados com o dito “sertanejo universitário”, que tanto tem infestado a mídia nos dias correntes.

Abrindo esta seleção, um representante da música regional nordestina, Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, Cajazeiras, PB, 18/12/1908-idem, 2/10/1979). Ele nos apresenta aqui uma bela toada que fez em parceria com José Martins, “Lua bonita”, por ele mesmo interpretada no filme “O cangaceiro”, da Vera Cruz, êxito internacional que, no entanto, não impediu a falência do estúdio, pois tal repercussão beneficiou apenas sua distribuidora, a multinacional Columbia Pictures. Gravação RCA Victor de 29 de janeiro de 1953, lançada em abril do mesmo ano, disco 80-1100-B, matriz SB-093595. Conhecido como “a maravilha negra das Américas”, Edson Lopes (c.1930-?) aqui nos oferece o jongo “Cafuné”, assinado pelo campineiro Dênis Brean (Oswaldo Duarte Ribeiro) em parceria com Gilberto Martins. Originalmente lançado por Aracy de Almeida, em 1955, é revivido aqui por Edson em gravação Odeon de primeiro de fevereiro de 1957, lançada em maio do mesmo ano, disco 14202-A, matriz 11543. Da escassa discografia da dupla Coqueiro e Belinha (apenas cinco discos 78 com dez músicas), foi escalada a guarânia “Lei de um mandamento”, de Coqueiro sem parceria.  Foi gravada na Odeon em 13 de junho de 1960, e lançada emjulho do memso ano, disco 14639-A, matriz 50567, sendo que a “marca do templo” o reeditou mais tarde com o selo Orion, sob número R-072. Em seguida apresentamos as faixas do único 78 da dupla Ibirama e Maruí, o RCA Camden CAM-1092, gravado em 17 de outubro de 1961 e lançado em janeiro de 62,com músicas assinadas por Pavãozinho. No lado A, matriz M3CAB-1508, o xote “Linda gaúcha”, em que Pavãozinho tem a parceria de Sereno. No lado B, matriz M3CAB-1509, a canção rancheira “Deixe eu sofrer”, de Pavãozinho sem parceiro.  O “trio orgulho do Brasil”, Luizinho, Limeira e Zezinha, aqui bate ponto com o conhecidíssimo baião “Casamento é uma gaiola”, de autoria do Compadre Generoso (muita gente se lembra dessa música na voz do Sérgio Reis, e aqui vai o registro original) , por eles gravado na Odeon em 2 de abril de 1959 e lançado em junho do mesmo ano sob número 14463-B, matriz 50108, sendo depois relançado com o selo Orion sob número R-058, além de figurar em LP sem título.  A dupla Mariano e Cobrinha, ambos de Piracicaba, SP, apresentam aqui a toada “Mágoas de carreiro”, de autoria do comediante e ventríloquo Batista Júnior, pai das cantoras Linda e Dircinha Batista. Lançada em 1929 pelo próprio autor, é aqui apresentada em gravação feita por Mariano e Cobrinha na Continental em 6 de abril de 1948 e lançada em maio-junhoi do mesmo ano, disco 15902-B, matriz 10839. O próprio Batista Júnior, aliás, agradeceu pessoalmente a dupla por esta regravação. Do único 78 da dupla Oswaldinho e Vieirinha, o RCA Victor 80-1818, gravado em 25 de março de 1957 e lançado em julho do mesmo ano, aqui está o lado B, a toada “Canção do tropeiro”, de exclusiva autoria de Vieirinha, matriz 13-H2PB-0078. Temos em seguida, as faixas do único disco da dupla feminina Chiquita e Chinita,o Columbia CB-10280, lançado em outubro de 1956, ambas de autoria de Francisco Lacerda com parceiros, um em cada música. No lado B, o valseado ‘Cavalinho pampa”, matriz CBO-821, o parceiro de Lacerda é Ricardo Jardim, e no lado A, o tango “Parabéns, meu amor”, matriz CBO-820, o co-autor é José Maffei.  Outra dupla feminina de discografia escassa (seis discos 78 com doze músicas, todos pela Columbia), as Irmãs Cavalcanti (Noemi, que foi vocalista do Trio de Ouro em sua segunda fase,  e Odemi) aqui comparecem com as faixas do disco de estreia, número CB-10029. No lado A, delas próprias, matriz CBO-170, o baião “Lumiô, lumiô”, e no lado B, matriz CBO-171, a guarânia “Ponta Porã”, de Pereirinha e Jamir da Silva Araújo. As Irmãs Maria (Thereza Gadotti e Maria Aparecida Oliveira), também de curta carreira discográfica, aqui apresentam o huapango “Por te querer”, de Piaozinho e Maria Aparecida Oliveira, lançadopela Continental, selo Caboclo, em julho de 1961, disco CS-457-A.  Silveira e Barrinha, “a dupla dos 22 Estados”, nos oferece a clássica moda campeira “Coração da pátria”, de Silveira, Lourival dos Santos e Sebastião Victor, gravação RCA Camden de 25 de maio de 1962, disco CAM-1133-A, matriz N3CAB-1712. E, encerrando esta seleção, Zé Carreiro e Carreirinho, “os maiores violeiros do Brasil”, apresentam o cururu clássico “Saudades de Araraquara”, de exclusiva autoria de Zé Carreiro, gravado na Continental em 9 de maio de 1952 e lançado entre esse mês e junho do mesmo ano, disco 16580-A, matriz 11381. Enfim, a mais autêntica música do sertão brasileiro, para fazer a gente recordar, como diz meu colega de YouTube Adalésio Vieira, “um tempo em que realmente havia música sertaneja”…  Deliciem-se!

*Texto de Samuel Machado Filho

Tobias Troisi – Valsas Brasileiras N. 2 (1959)

Surgida na Áustria e na Alemanha, a valsa chegou ao Brasil em 1808, com a transferência da corte portuguesa ao país. O gênero foi apresentado em salões onde a elite do Rio de Janeiro dançava  e, mesmo com o surgimento da polca, em 1845,a valsa continuou a ter grande aceitação no decorrer  da segunda metade do século XIX, que se estendeu,logicamente, até o século XX.
Inúmeros compositores brasileiros conceberam valsas: Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Pixinguinha, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga etc.  O gênero foi inclusive absorvido pela música sertaneja, destacando-se Zé Corrêa e a dupla José Fortuna e Pitangueira. Até hoje, tradicionalmente,a valsa é muito utilizada em casamentos e bailes de debutantes.
Pois hoje o Toque Musical oferece a seus amigos cultos,ocultos e associados uma antologia que reúne algumas das melhores composições brasileiras do gênero valsa.Trata-se do segundo volume de “Valsas brasileiras”, lançado pela Odeon em 1959,com execução a cargo do violinista Tobias Troisi. Nascido em São Paulo, em 1918, Troisi foi considerado por muito tempo o melhor violinista do Brasil. Com acentuada inclinação para a música, formou-se, com distinção e louvor, em 1938, no curso de concertista do Conservatório Musical e Dramático de São Paulo. Com uma bolsa de estudos do governo brasileiro, Troisi percorreu toda a Europa, fazendo cursos de aperfeiçoamento. Embora dedicando-se à música erudita, nunca desprezou os gêneros populares. Mais tarde, foi para o litoral de São Paulo, atuar no Cassino de São Vicente com a orquestra de Luiz Argento. Casou-se com uma santista, e da união resultaram dois filhos.
 A convite do maestro Vicente Paiva, Tobias Troisi foi para o Rio de Janeiro, atuando no Cassino da Urca. Quando o jogo foi proibido no Brasil, em 1946, encerrando a era dos cassinos, integrou a fabulosa Orquestra Copacabana, do palestino Simon Bountman, que tocava na Boate Meia-Noite, do Copacabana Palace Hotel. Integrou também a Orquestra do Teatro Municipal de São Paulo. Comparado ao extraordinário violinista francês Georges Boulanger (de quem regravou, entre outras,o clássico “Avant de mourir”, conhecido como “My prayer”), Troisi formou, na década de1960, ao lado do bandoneonista argentino Ramon Torreyra, uma orquestra típica especializada em tangos, talvez a melhor surgida no Brasil.
Tobias Troisi faleceu em Santos, em 1986. Deixou uma discografia escassa porém brilhante, abrangendo seis discos 78 rpm com doze músicas, entre 1951 e 1957, e quatro LPs, entre 1958 e 1960. Neste segundo volume de “Valsas brasileiras”,algumas das melhores e mais expressivas composições do gênero, tais como “E o destino desfolhou”, “Cascata de lágrimas”, “Saudades de Ouro Preto”, “Lágrimas de virgem”, “Caprichos do destino”, assinadas por autores de primeira linha (como Luiz Americano, Claudionor Cruz, e o próprio Troisi, que assina “Ida”).  É toda uma história da valsa em território brazuca, magistralmente contada pelo violino de Tobias Troisi. Deliciem-se
e o destino desfolhou
cascata de lágrimas
sombras que vivem
melodia perdida
dirce
ida
pic nic trágico
saudades de outropreto
amorosa
adda
lágrimas de virgem
caprichos do destino
* Texto de Samuel Machado Filho

Maria Creuza – Sedução (1981)

Maria Creuza Silva Lima. Este é o nome de batismo da cantora de quem o Toque Musical oferece hoje, aos seus amigos cultos, ocultos e associados, o álbum por ela gravado na RCA em 1981, “Sedução”. Maria Creuza veio ao mundo na cidade de Esplanada, na Bahia, no dia 26 de fevereiro de 1944. Aos dois anos de idade mudou-se com a família para Salvador. Quando cursava o ginásio, no Colégio Ipiranga, passou a se interessar por música, nas aulas de canto orfeônico. Ainda na adolescência, destacou-se como “crooner” do grupo Les Girls, o que lhe valeu convites para apresentações  em emissoras de rádio. Por quatro anos, apresentou na TV Itapoan (hoje Record Bahia) o programa “Encontro com Maria Creuza”, e começou em disco gravando músicas em inglês, contratada por uma gravadora local. Em 1965, conhece o compositor Antônio Carlos Pinto, da dupla Antônio Carlos e Jocafi,ainda iniciante como ela, com quem se casaria três anos mais tarde. Em 1966, participou do festival  O Brasil Canta, da TV Excelsior, defendendo uma composição de Antônio Carlos Pinto, “Se não houvesse Maria”, incluída um ano depois em seu primeiro LP, “Apolo 11”. Em 1967, no festival de MPB da Record, defendeu outra composição do futuro cônjuge, “Festa no terreiro de Alaketu”. Em fins de 1969, através do compositor Chico ‘Fim-de-Noite” Feitosa, conheceu o Poetinha Vinícius de Moraes, com quem,  um ano mais tarde, a convite dele, fez um show do qual também participou Dori Caymmi, em Punta Del Este, no Uruguai, gravado ao vivo e que marcou o início de uma feliz parceria com Vinícius. Sua discografia inclui quase 30 álbuns (em português e espanhol), entre LPs e CDs, e vários compactos, nela se destacando títulos como “Yo… Maria Creuza” (1972, considerado seu melhor trabalho em disco), “Eu disse adeus” (1973),  “Sessão nostalgia” (1974), “Maria Creuza e os grandes mestres do samba”, “Meia-noite” (1977),“Poético” (homenagem a Vinícius de Moraes, 1982), “Todo sentimento” (2003) e “É melhor ser alegre que ser triste” (outra homenagem ao Poetinha, 2007). Entre seus sucessos destacam-se “Maria vai com as outras”, “Desmazelo”, “Diacho de dor”, “Patota de Ipanema”, “Chega pra lá”, “Dom de iludir” e “Feijãozinho com torresmo”. Seu respeitável currículo inclui shows  dentro e fora do Brasil, e a cantora continua em franca atividade, alternando concertos no Vinícius Bar, do Rio de Janeiro, e apresentações pela Europa.
Este “Sedução”, de 1981, é dedicado por Maria Creuza a seus filhos e,por tabela, à família, e também à presença em seu coração do Poetinha Vinícius de Moraes, morto no ano anterior. Com produção de Dori Caymmi e Raymundo Bittencourt (que também assinam os arranjos,ao lado de Lincoln Olivetti e João Luiz Avelar),tem um repertório romântico de bom gosto, como de hábito nos trabalhos da cantora. Regravações de “Me deixa em paz” (Monsueto), “Frenesi”, “A felicidade”, “Alumbramento”, “Caminhos cruzados” e “Dejame ir”, alternam-se com outras páginas então inéditas em disco, inclusive uma composição da própria Maria Creuza, em parceria com Zé do Maranhão, “Regras de um jogo”. Curiosamente, no coro, está nada mais nada menos do que Jane Duboc! Enfim, um trabalho impecável e imperdível da notável Maria Creuza, que o TM hoje nos oferece.
me deixa em paz
tordesilhas
deixe
dejame ir
caminhos cruzados
frenesi
alumbramento
regras de um jogo
assovio
 a felicidade

Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Núbia Lafaette (1977)

Verdadeiro ídolo popular, Núbia Lafayette volta a bater ponto aqui no Toque Musical, desta vez com seu álbum de 1977, selo Entré/CBS, gravado no outono daquele ano. Nossa Núbia chamava-se, na pia batismal, Idenilde Araújo Alves da Costa. Veio ao mundo na cidade de Assu (ou Açú, na grafia atual), Rio Grande do Norte, no dia 21 de janeiro de 1937. Ali morou até os três anos de idade, quando aconteceu a mudança da família para o Rio de Janeiro. Mais um talento precoce entre muitos que despontaram para a cena artística, a pequena Idenilde apresentou-se em programas infantis do rádio, entre eles o famoso “Clube do Guri”, da PRG-3, Rádio Tupi, desde os 8 anos de idade, evidentemente demonstrando talento para a música.  Quando exercia o humilde ofício de vendedoras nas famosas Casas Pernambucanas (“onde todos compram”), resolveu participar do programa de calouros “A voz de ouro”, da TV Tupi, Canal 6. Um dos jurados era o proprietário da Boate Cave, Jordão Magalhães, e, a convite deste, foi “crooner” daquela casa noturna, e estreou interpretando músicas do repertório de Dalva de Oliveira, de quem era fã e muito a influenciou. Em 1959, exatamente no dia 25 de maio, com o pseudônimo de Nilde Araújo, gravou seu primeiro disco, na Polydor, com o devido apoio de seu então diretor artístico, o cantor Joel de Almeida. O 78 rpm apresentava os sambas-canções “Vai de vez” (Ricardo Galeno e Paulo Tito) e “Sou eu” (Waldir & Rubens Machado, regravado mais tarde por Orlando Dias). Cantou também na Boate Michel de São Paulo. Em 1960, no Cave, ela conheceu o compositor Adelino Moreira, que mudou seu nome artístico para Núbia Lafayette,com o qual ficaria para a posteridade. Com o apoio de Nélson Gonçalves, principal intérprete de Adelino, o compositor a levou para a RCA. Em agosto de 60, com o selo econômico RCA Camden, era lançado o primeiro 78 da cantora como Núbia Lafayette, apresentando duas músicas de Adelino Moreira que logo obtiveram êxito,marcando sua definitiva projeção: “Devolvi” e “Nosso amargor”, logo se firmando também como expressiva intérprete das obras do autor de “A volta do boêmio”.  Em 1961, vem o primeiro LP, “Solidão”, com a faixa-título também assinada por Adelino. A partir daí, conseguiu sucessos sobre sucessos (“Seria tão diferente”, “Minha história”, “Figuras de jornal”, “Samba do adeus”, “Casa e comida” – talvez o maior deles, de autoria de Rossini Pinto, grande nome da Jovem Guarda  -, “Jamais estive tão segura de mim mesma” – este, composto por Raulzito, aliás, Raul Seixas -, “Coração condenado” etc.).  Vários cantores foram influenciados por Núbia Lafayette, e a lista inclui Alcione, Fafá de Belém, Elymar Santos, Tânia Alves e a alagoana  Rose d’Paula. A discografia de Núbia inclui dezessete discos 78 com trinta e quatro músicas, mais de 20 álbuns, entre LPs e CDs,  e alguns compactos.  Seu último trabalho em disco foi o CD “Núbia Lafayette canta Dalva de Oliveira”, lançado em 1998 pela Polydisc, dentro de sua longa série “Vinte super-sucessos”, e no qual homenageia aquela que mais a influenciou em sua trajetória musical. Na década de 1990, Núbia passou a morar em Maricá, litoral norte fluminense, de lá saindo apenas para atuar esporadicamente em shows especiais, e como convidada de programas de rádio e televisão. Faleceu em Niterói, RJ, no dia 18 de junho de 2007, aos 70 anos, de complicações causadas por um AVC que sofrera pouco antes. Aqui no TM, mais um encontro de nossos amigos cultos,ocultos e associados com Núbia Lafayette, em impecável trabalho com produção do cantor Luís Carlos Ismail e arranjos dos “experts” Waltel Blanco e Lincoln Olivetti, sob a direção artística de outro “cobra” do setor fonográfico,  Jairo Pires. Aqui, ela regrava seu primeiro grande hit, “Devolvi”, e hits que outros intérpretes consagraram: “Espinita”,  “Pra não morrer de tristeza”, “Conformada”, “Uno” e “Migalhas”.  Trabalhos até então inéditos em disco, caso de “À maneira antiga” , “Eu morrendo por você” e “Coisa à toa”, completam o cardápio deste álbum, um prato cheio para os fãs da dor-de-cotovelo e, por tabela, de Núbia Lafayette.  Ouçamos
não te esquecerei
coisa atoa
uno
a maneira antiga
e eu morrendo por você
conformada
migalhas
devolvi
espinita
sem você
prá não morrer de tristeza
noite de amor
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* Texto de Samuel Machado Filho

Waleska – Um Novo Jeito De Amar (1988)

Hoje o Toque Musical tem a satisfação de trazer a seus amigos cultos, ocultos e associados, através de um álbum de 1988, uma autêntica rainha contemporânea da chamada”música de fossa”. Estamos falando de Waleska.
Batizada com o nome de Maria da Paz Gomes, a cantora nasceu em Afonso Cláudio, cidade do interior do Espírito Santo, no dia 29 de setembro de 1941, filha de uma numerosa família de  oito irmãos. Passou sua infância em várias cidades do interior capixaba, pois seu pai, Fiscal do Estado, era de tempos em tempos transferido para outra cidade. Sua influência musical veio justamente do pai, exímio bandolinista, que costumava tocar para a família após o jantar. Aos oito anos, quando morava em São José do Calçado, a pequena Maria da Paz era sempre convidada para cantar nas festinhas da sua escola, e o fazia também na igreja, na festa da coroação de Nossa Senhora, no mês de maio. Aos dez anos deidade, ela teve a infelicidade de perder a mãe,e a família se mudou para Vila Velha, onde continuou seus estudos. Participava sempre de programas de calouros em parques de diversões, e seu primeiro “troféu” foi… uma lata de goiabada! Também aparecia com frequência no programa “Clube do Guri”, apresentado na Rádio Espírito Santo (onde uma irmã mais velha,  Walkiria Brasil, igualmente cantava) por Bertino Borges. Profissionalmente, sua carreira se inicia em Belo Horizonte, no limiar da década de 1960, atuando na Rádio Inconfidência (“o gigante do ar”) e na TV Itacolomi, ao lado de futuros astros da MPB , como Clara Nunes e Mílton Nascimento. Transferindo-se imediatamente para o Rio de Janeiro, foi “crooner” da Boate Arpège, do tecladista Waldyr Calmon, que ficava em Copacabana, e cantou no Beco das Garrafas. Com o pseudônimo de Maria Waleska, estreou em disco no efêmero selo Vogue, em 1962, gravando um compacto simples com as músicas “És tu” e “Noite fria”. Dois anos mais tarde, lança pela CBS um compacto duplo, também como Maria Waleska. Em 1966, fundou, no bairro do Leme, a casa noturna PUB (Pontifícia Universidade dos Boêmios), recebendo de Vinícius de Moraes, que muito a admirava, o apelido de “rainha da fossa”, por seu jeito intimista de interpretar os sambas-canções de Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues, Antônio Maria e outros. Foi também amiga do jornalista Sérgio Bittencourt, filho de Jacob do Bandolim e outro fã incondicional seu, e da cantora Maysa, sua principal influência estilística. Waleska foi também proprietária das boates Fossa (frequentada por artistas , intelectuais e políticos como Carlos Lacerda e o ex-presidente  JK), e Fossanova.  Cantando  músicas “barra pesada” em estilo “cool” (a denominação “fossa” está inclusive nos títulos de vários de seus álbuns), Waleska nunca foi grande sucesso de execução no rádio, mas, ainda assim, sempre teve público cativo e fiel no circuito das boates e casas noturnas.  Tem mais de vinte discos gravados (com músicas de Ary Barroso, Tom Jobim e Cartola, entre outros “cobras”) , e é considerada uma das mais fiéis interpretes românticas da MPB. Seu respeitável currículo inclui turnês pelo exterior, apresentando-se  em Portugal,  nos EUA, na Itália e no Uruguai.  Entre seus shows de maior sucesso está “Mito, mulher, Maysa”, ao lado do ator Gracindo Júnior, sob a direção de Bibi Ferreira.Também é autora do livro “Foi a noite”, contando histórias da boemia carioca nos anos 1960/70. Este “Novo jeito de amar”, lançado em 1988 pela 3M (gravadora de existência efêmera, subsidiária da indústria de abrasivos homônima), mantém a linha de trabalho da notável Waleska. Produzido pelo experiente Mílton Miranda, com arranjos e regências de Hélvius Vilela  (que também atua aos teclados), tem músicas da dupla Evaldo Gouveia-Jair Amorim (“Ora eu,ora você”), Luiz Vieira (“Guarânia da lua nova”), Luiz Antônio (“Pergunte a você”), entre outros. Há ainda regravações da valsa “Fascinação” e de um antigo hit de Maysa, “Bronzes e cristais”, de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito.  Ainda em plena atividade, Waleska continua a receber os aplausos merecidos, como expressiva intérprete romântica de nossa música popular.
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ora eu, ora você
jeito de amar
o homem que eu amo
meiga presença
canção da manhã feliz
fascinação
anseio
desejo maior
pergunte a você
conversa com a saudade
guarânia da lua nova
bronzes e cristais
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* Texto de Samuel Machado Filho

4 Ases & 1 Coringa (parte 2) – Seleção 78 RPM Do Toque Musical Vol. 121 (2014)

O Grand Record Brazil, em sua edição de número 121, apresenta a segunda parte de sua retrospectiva dedicada aos  Quatro Ases e um Coringa,  grupo vocal e instrumental cearense que, de fato, deu as cartas durante sua carreira, tanto no rádio quanto no disco.
São mais catorze gravações históricas e indispensáveis para quem estuda , pesquisa e cultua a música popular brasileira dessa época,  feitas pelo grupo cearense na Odeon e na RCA Victor. Abrindo esta seleção, o samba “Meu bairro canta”, de Waldemar Ressurreição, gravado na RCA Victor em 14 de abril de 1950 e lançado em julho do mesmo ano com o número 80-0663-B, matriz S-092658. A faixa seguinte é o clássico baião “Paraíba”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, lançado pouco antes por Emilinha Borba e regravado pelos Quatro Ases e um Coringa na marca do cachorrinho Nipper em 10 de agosto de 1950, com lançamento em outubro seguinte sob número 80-0698-B, matriz S-092732. Temos depois outro clássico, o samba “No Ceará é assim”, de Carlos Barroso, gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em agosto do mesmo ano, disco 12183-B, matriz 6565. O divertido samba “Coisas do carnaval”, de Ary Barroso (história de alguém que se apaixona por uma bela mulher e no fim… ) é gravação de 3 de março de 1942, que a “marca do templo” lança em abril seguinte com o número 12137-B, matriz 6909. Outro clássico que temos em seguida é a marchinha “Trem de ferro”, composta pelo cearense (e conterrâneo do grupo) Lauro Maia (1912-1950)e imortalizada na mesma Odeon em 3 de agosto de 1943 e lançado em setembro seguinte sob número 12355-A, matriz 7350. Foi regravada inclusive por João Gilberto, em seu terceiro LP, de 1961. Lauro Maia aqui comparece também com o batuque “Eu vi um leão”, sucesso inclusive na Argentina, onde os Quatro Ases e um Coringa se apresentaram durante uma excursão pelos países da região do Rio Prata. Foi por eles imortalizado na “marca do templo” em 16 de abril de 1942, e lançado em junho seguinte sob número 12160-A, matriz 6943. Voltando à RCA Victor, temos o samba “O dinheiro que ganho”, de Assis Valente,  gravação de14 de abril de 1951, lançada em julho do mesmo ano, disco 80-0791-B, matriz S-092954. Traduz muito bem as dificuldades financeiras por que passava Assis, que o levariam ao suicidio, em 1958 (ele bebeu uma mistura de guaraná com formicida), depois de várias tentativas.  “Garota dos discos”, de Wilson Batista e Afonso Teixeira, gravação de primeiro de julho de 1952 e lançado em setembro do mesmo ano, disco 80-0975-B, matriz SB-093343. A garota em questão trabalhava, logicamente, em uma loja de discos, tipo de estabelecimento comercial que praticamente perdeu força com o advento da internet e posterior surgimento de portais de aquisição de músicas, como o iTunes (hoje existem pouquíssimas lojas de discos no Brasil). A “Marcha do caracol”, de Peterpan e Afonso Teixeira, que os Quatro Ases e um Coringa também interpretaram no filme “Aviso aos navegantes”, da Atlântida, foi merecido sucesso no carnaval de 1951, mostrando que o problema da falta de moradia nas grandes cidades brasileiras vem de muito tempo.  Gravação RCA Victor de 4 de outubro de 1950, lançada ainda em dezembro sob número 80-0728-A, matriz S-092771. O samba “Maria Luiza”, de Pedro Caetano e Hélio Ribeiro, foi gravado na Odeon pelo conjunto cearense em 13 de abril de 1945, e lançado em junho do mesmo ano, disco 12585-A, matriz 7800. Em seguida temos o lado A do disco de estreia oficial dos Quatro Ases e um Coringa, o Odeon 12066, gravado em 23 de setembro de 1941 e lançado em novembro do mesmo ano, matriz 6794: é a marchinha “Os dois errados”, de Estanislau Silva, Álvaro Nunes e Nélson Trigueiro. O samba “Rendeira”, outra composição de Carlos Barroso,é gravação Odeon de 14 de maio de 1942, lançada em outubro seguinte sob número 12204-B, matriz 6967. Evenor Pontes (líder e fundador do grupo) e Luiz Assunção assinam a rancheira “Sá Mariquinha”, gravado na “marca do templo” em 18 de abril de 1947 e lançado em julho do mesmo ano, disco 12784-A, matriz 8212. Encerrando esta seleção, temos o clássico “Baião de dois”, outro grande produto da parceria Luiz Gonzaga-Humberto Teixeira lançado por Emilinha Borba, em 1950, e que os Quatro Ases e um Coringa regravariam na RCA Victor logo em seguida, no lado A de “Paraíba”, matriz S-092731. Sem dúvida, uma merecida homenagem aos Quatro Ases e um Coringa, verdadeiro tributo ao legado de um dos mais expressivos conjuntos vocais e instrumentais que a música popular brasileira já teve!
*Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.