Celso Murilo – Sambas Na Passarela (1961)

Olá amigos cultos e ocultos! Amanhã o Toque Musical estará completando 8 anos de postagens. Desta vez não vai ter bolo e nem festa, mas a música continua. Com a maturidade chegando, a gente começa a deixar a vaidade de lado. E o encanto que era celebrar mais uma data, hoje é só uma lembrança.
Para hoje temos este disco bem legal do organista mineiro, Celso Murilo. Ao que entendi, este foi seu disco de estréia. Um lp recheado de bons sambas, em interpretações das mais simpáticas.
Curiosamente, hoje em dia não se ouve mais falar neste artista. Parece que ele resolveu sair do mapa, do cenário musical. Não há registros dele a partir dos anos 70. Descobri que Celso está vivo e mora em sua cidade natal, Baepenti, em Minas Gerais. E pensar que ele já esteve ao lado de outros grandes artistas, chegando inclusive a ser convidado para morar e tocar nos ‘States’ , acompanhando João Gilberto e Astrud. O ‘mineirão’, como era chamado por João Gilberto, vacilou… Ainda muito novo, recusou o convite. Ficou por aqui, gravou diversos discos, fez lá a sua fama, mas depois se recolheu. Seus discos só voltaram a tona graças a ação de blogs de música, como o Toque Musical.

boato
atire a primeira pedra
murmúrio
jarro da saudade
samba triste
samba na passarela
guarde a sandália dela
volta
dizem por aí
fica comigo
a fonte secou
zelão

João Daltro De Almeida – A Música Brasileira E O Violino (1980)

Boa noite, prezados amigos cultos e ocultos! Segue aqui um disco raro de se ver e ouvir, uma produção para ouvidos eruditos, mas que também agrada a um público em geral. Temos aqui um disco dedicado à música erudita brasileira com destaque para um dos seus nobres instrumentos, o violino. Aliás, são peças criadas para execução neste instrumento. Composições de grandes músicos brasileiros e estrangeiros radicados no Brasil. Como solista temos o violinista carioca João Daltro de Almeida, Spalla da Orquestra Sinfônica Brasileira por muitos anos. Foi solista em mais de 30 conjuntos sinfônicos e de câmara. Atuou sobre regência dos maiores maestros brasileiros e estrangeiros. Ao lado de João Daltro temos também a pianista Lia Gualda de Sá, que o acompanha em diversos momentos deste selecionado repertório. Confiram!

rapsódia – ernest mahler
batuque – flaustino valle
rabeca triste – guera peixe
fantasia capricho – carlos de almeida
romance – henrique oswald
toada – abdon lyra
modinha – nelson macedo
ária – radamés gnattali
tango brasileiro – francisco braga
mariposa na luz – villa-lobos

Altamiro Carrilho – Boleros Em Desfile N. 2 (1959)

Olá, amigos cultos, ocultos e associados! Hoje o TM apresenta a vocês o segundo volume de “Boleros em desfile”, com o notável flautista e maestro Altamiro Carrilho (Santo Antônio de Pádua, RJ, 21/12/1924-Rio de Janeiro, 15/8/2012) e seu misterioso “conjunto de solistas”. O primeiro volume, que já lhes oferecemos, saiu em 1958. E, já naquela ocasião, a Copacabana não revelou nem mesmo quem seriam os tais solistas recrutados por mestre Altamiro para gravar o álbum, e estes não foram listados nem mesmo na contracapa da edição original, que inclusive traz uma caricatura do mestre da flauta, feita por Mendez, e cedida pela revista “Radiolândia”.  Segundo o texto, o primeiro “Boleros em desfile”, lançado pela então “marca do caramujo” como parte de uma série chamada “Selo de ouro”, iniciada pouco antes com o LP “Quando os astros se encontram”, de Ângela Maria e Waldyr Calmon, tinha o objetivo de acrescentar  “novas cores e tonalidades”  nas gravações de álbuns ditos “dançantes”, produzidos em grande escala na época, e ideais para animar festas de família e salões dançantes que não possuíam música ao vivo,  portanto, produtos de retorno garantido nessa ocasião. Valem inclusive os palpites feitos pelo amigo Augusto na resenha do primeiro volume, Sivuca, Moacyr Silva, Fafá Lemos etc.

Eis na íntegra o texto de contracapa da edição original deste segundo “Boleros em desfile” , de fins de 1959, de autor desconhecido:
“Altamiro Carrilho volta ao salão de danças com os seus ‘Boleros em desfile n.o 2’. Já esperávamos o sucesso do primeiro volume. As características modernas da apresentação, a seleção de músicas e músicos, o jeito novo de tocar os velhos sucessos, tudo fazia prever a aceitação expressiva por parte do público. Novo e cuidadoso desfile foi então organizado. Doze boleros que fizeram a delícia de nossas festas voltam aos salões, no sopro, nas cordas e na batida espetacular do moderno conjunto de Altamiro Carrilho. Cada pequeno trecho desses boleros tem um solista. Muito maior se torna a fixação das melodias. Mais colorido. Mais vibrante. Com originalidade. Com gosto. Há uma nova forma, um sentido novo de valorização dos temas. ‘Boleros em desfile n.o 2’ é, antes de mais nada, um desfile de músicas de classe, um desfile de instrumentação nova, um desfile de trechos musicais que se unem, e formam um todo esplêndido, conduzidos cada qual com acento e características próprias”.
Como se percebe, nem mesmo neste segundo volume o mistério dos solistas que o gravaram sob a batuta de mestre Altamiro foi desfeito. Afora isso, o repertório é realmente de extremo bom gosto, trazendo clássicos desse gênero que os brasileiros  sempre prestigiaram. Predominam hits internacionais (“Cachito”, ‘Que murmuren”, “Quien será”, “Hipocrita”, “Frenesi”, “Perfume de gardenia”etc.).  Mas há também um sucesso nacional do gênero, “Jamais te esquecerei”, do violonista Antônio Rago, que apareceu em versão apenas instrumental , em 1947, e um ano depois recebeu letra de seu primo, Juracy Rago, ficando o registro cantado por conta de Nélson Novaes. Mistério à parte, vale a pena curtir mais este volume de “Boleros em desfile”, que Altamiro Carrilho e seus solistas anônimos nos ofereceram. Dá-me o prazer desta contradança?
hipócrita
quem será
cachito
que murmurem
aquellos ojos verdes
frenesi
perfume de gardênia
desamparada
camino verde
jamais te esquecerei
nosotros
donde estará mi vida
* Texto de SAMUEL MACHADO FILHO

 

Renato Mota – Brasileiro (1992)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Fazendo jus a tradição, coisa que há muito eu não faço, tenho para este domingo um disco de artista aqui de Minas. Estamos falando do cantor e compositor Renato Mota, um dos grandes talentos da atual música mineira. Iniciou sua carreira nos anos 80. De lá pra cá tem produzido uma obra de alta qualidade. Já gravou uma série de discos (CDs e DVD) e este lp foi seu primeiro trabalho, “Brasileiro”, lançado de forma independente pelo selo Bemol. O disco viria a ser relançado em cd alguns anos depois pela Movieplay com outro nome, “Caixa de Sonhos”, nome de uma das faixa do disco. “Brasileiro” é um trabalho bem elaborado, com músicas sofisticadas, num estilo que lembra bem o Ivan Lins internacional e jazzístico. Renato conta com a participação de altas feras como Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Marcus Viana e outros mais

caixa de sonhos
só pra te ver feliz
coisas de minas
aprendiz
menina da lua
brasil brasileiro
peregrino
além do sol
montanhas
navio de partida
.

 

Flora Purim – Encounter (1977)

Olá amigos cultos e ocultos! Para hoje eu havia preparado um disco do Hermeto Pascoal, mas na hora de postar, percebi que já o havia publicado aqui no Toque Musical há algum tempo atrás. Daí, tive que passar a vez para outro, que por sinal traz também o Hermeto. Estamos falando aqui de “Encounter”, álbum da brasileira-americana, Flora Purim, lançado em 1977 pelo selo Milestone. Este álbum não chegou a ser lançado no Brasil e em verdade, tirando o fato de termos artistas brasileiros, o disco em si não tem muitas referências. Trata-se de um disco de jazz moderno e neste sentido Flora vem acompanhada por um time de músicos de primeiríssima do jazz americano. Dos brasileiros temos Aito Moreira, Hermeto Pascoal e Raul de Souza.

windows
latinas
uri (the wind)
dedicated to bruce
above the rainbow
tomara (i wish)
encounter
black narcissus
.

Paulinho Nogueira – Mais Sambas De Ontem E De Hoje (1963)

Olá amigos cultos e ocultos! A postagem de hoje estava reservada para o “Boleros em desfile N. 2″, do Altamiro Carrilho, conforme eu havia anunciado. Porém, nosso resenhista colaborador está de férias e eu é que não vou tirar o sossego do rapaz. Vamos aguardar o seu retorno. Logo ele vem com o Altamiro, ‘bolerando’ um pouco mais. :)
Aproveitando então a ‘deixa’, vamos para um outro disco. Saímos do bolero e caímos nos samba. No samba e na bossa do samba. Temos aqui o quarto lp de sambas do violinista Paulinho Nogueira, lançado pelo selo RGE. Este talvez seja um dos melhores lps da série, trazendo um repertório totalmente escolhido pelo artista, dando a ele total liberdade de interpretação. O álbum traz, como diz o próprio título, ‘mais sambas de ontem e de hoje’, ou seja, uma continuação de um repertório de sambas antigos e sambas modernos, na época, o novo samba bossa. Há ainda espaço para suas composições autorais. Hoje, todos são clássicos. E este disco é também um clássico. Não deixem de conferir

na cadência do samba
o coelho
o pato
foi ela
quando o menino crescer
favela
contracanto
samba em prelúdio
a mesma rosa amarela
garota de ipanema
desafinado
violão chamando
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Altamiro Carrilho E Seu Conjunto De Solistas – Boleros (1958)

Olá amigos cultos e ocultos, boa noite! Peço desculpas a todos que nos acompanham, pelas pausas, as vezes tão longa e sem postagens. Sei que muitos ainda visitam o TM diariamente e para esses, principalmente, que eu ainda continuo na ativa. Além do mais, este é o mês de aniversário do Toque Musical. Estamos completando 8 anos! Não vai ter festa, não vai ter bolo… Mas a música continua rolando, espaçada ou não. Para ouvir ou para dançar.
Segue nesta noite um disco que eu acho ótimo. Creio que já comentei aqui, adoro bolero e cha-cha-chá e é nessa que nós vamos hoje. Tenho para vocês este excelente lp do grande Altamiro Carrilho, safra dos anos 50. Coisa muito boa! Lançado originalmente em 1958 pela discos Copacabana, o álbum trazia uma outra capa e se chamava “Boleros Em Desfile”. Foi relançado nas décadas de 60 pelo selo Som e nos 80 pelo selo Beverly. Nessas gravações Altamiro Carrilho vem acompanhado por outros grandes músicos solistas, os quais eu não sei informar, pois não há registro de quem eram os instrumentistas. Porém, pelo estilo de cada instrumento tocado a gente arrisca nomes como Moacyr Silva, Sivuca, Fafá Lemos… Será? Serão? Vamos deixar essa história para o “Boleros Em Desfile N. 2, que é a postagem que virá em seguida, na competente resenha do meu amigo Samuel Machado Filho. Ele com certeza deve saber quem eram os tais solistas que acompanham o Altamiro. Enquanto isso, o melhor é mesmo saborear este repertório cheio de clássicos

perfídia
dos almas
nas horas de sonho
angústia
nunca jamás
contigo en la distancia
vereda tropical
pecadora
sinceridad
historia de un amor
pecado
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Conjuntos Vocais – Seleçao 78 RPM Do Toque Musical Vol. 139 (2015)

E aí vai, para os amigos cultos, ocultos e associados do TM, a edição de número 139 do Grand Record Brasil.  Desta feita, apresentamos gravações de conjuntos vocais  e instrumentais que marcaram época na história de nossa música popular, perfazendo um total de dezessete faixas.

Abrindo a seleção desta quinzena (com atraso, diga-se de passagem)*, temos o grupo Os Namorados, uma continuação dos antigos Namorados da Lua sem Lúcio Alves, que iniciara carreira-solo ainda no final dos anos 1940, e contando inclusive com o cantor Miltinho entre seus componentes. Eles aqui comparecem com as músicas do disco Sinter  00-00.249, lançado em julho de 1953. No lado A, matriz S-532, uma regravação de “Eu quero um samba”, de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida.  E, no verso, matriz S-533, um outro bom samba, “Três Aves-Marias”, de Hanníbal Cruz.
 Encontraremos em seguida os Quatro Ases e um Coringa,  conjunto criado em 1941, no Rio de Janeiro, pelos irmãos cearenses Evenor, José e Permínio Pontes de Medeiros, a eles juntando-se Esdras Falcão Guimarães, o Pijuca,  e André Batista Vieira, o Coringa. A princípio, o grupo chamava-se Bando Cearense, nome com o qual se apresentavam na Ceará Rádio Clube. Por sugestão do poeta e jornalista Demócrito Rocha, o nome foi alterado para Quatro Ases e um Melé. De volta ao Rio de Janeiro, ao serem contratados pela Rádio Mayrink Veiga, adotaram o nome definitivo de Quatro Ases e um Coringa, pois “melé” era um termo desconhecido na então Capital da República. Em cerca de vinte anos de carreira, o grupo deu de fato as cartas, o que comprovam as três faixas aqui reunidas, todas gravadas na Odeon.  Para começar, o “calango mineiro” “Dezessete e setecentos” (conta errada mas sucesso certeiro), de Luiz Gonzaga e Miguel Lima, originalmente lançado por Manezinho Araújo em 1945. Os Quatro Ases e um Coringa registraram sua versão na “marca do templo” em 18 de abril de 1947, com lançamento em julho do mesmo ano, disco 12784-B, matriz 8213. Em seguida, a marchinha “Feijoada”, de Rubens Soares, gravação de 2 de fevereiro de 1943 lançada em março do mesmo ano, disco 12277-A, matriz 7196. Por fim, outra marchinha, “Lili… Lili”, de Assis Valente, do carnaval de 1944. Foi gravada pouco antes do Natal de 43, no dia 21 de dezembro, com lançamento bem em cima dos festejos de Momo,em 44, disco 12414-A, matriz 7459.
As seis faixas seguintes são com o Bando da Lua, criado no início dos anos 1930, e pioneiro no Brasil em harmonizar as vozes, como estava então na moda nos EUA , criando com isto, uma mania nacional. Sempre acompanhavam Cármen Miranda em suas apresentações, e acabaram indo para os EUA junto com ela, em 1939. O grupo desfez-se após a morte de Cármen, em 1955. Não por acaso, a participação do Bando da Lua neste volume do GRB inicia-se com duas gravações que o grupo fez nos EUA, pela Decca. Primeiramente, o samba “Na aldeia”, de Sílvio Caldas (seu criador em disco, em 1933), Carusinho e De Chocolate, em gravação  feita no dia 4 de julho de 1941 e, ao que parece, só lançada no Brasil em 1974 pela Chantecler (então representante da Decca/MCA entre nós), no LP “Bando da Lua nos EUA”, produzido por João Luiz Ferrete. A segunda é “O passarinho do relógio (Cuco)”, marchinha de Haroldo Lobo e Mílton de Oliveira, lançada para o carnaval de 1940 na voz de Aracy de Almeida. Este registro do Bando da Lua não chegou a ser lançado comercialmente, e ficou inédito em disco. Passando para a fase inicial brasileira do grupo, temos um clássico do carnaval: a marchinha “Pegando fogo”, do carnaval de 1939, de autoria de José Maria de Abreu e Francisco Matoso. Foi imortalizada pelo Bando da Lua na Victor em 3 de novembro de 1938, com lançamento ainda em dezembro, disco 34393-B, matriz 80927. Temos em seguida outra marchinha, de meio-de-ano, de autoria do mestre Lamartine Babo, “Menina das lojas”. Também gravação Victor, datada de 8 de abril de 1937, com lançamento em maio do mesmo ano, disco 34161-B, matriz 80358. O samba “Quero  ver”, de Léo Cardoso, Ademar Santana e Vicente Paiva, pertence à época em que Cármen Miranda fez sua última apresentação artística no Brasil, no Cassino da Urca, e obviamente o Bando da Lua a acompanhou. Gravação Columbia de 19 de outubro de 1940, lançada em novembro do mesmo ano sob número  55245-B, matriz 324. De volta aos EUA, o grupo acompanha nada mais nada menos do que Bing Crosby, na gravação que ele fez do clássico samba “Copacabana”, de João “Braguinha” de Barro e Alberto Ribeiro, originalmente lançado em 1946 por Dick Farney. O registro do cantor a ator norte-americano, ao lado do grupo brasileiro, com letra em inglês de Stillman, data de 1950, e foi lançado nos EUA pela Decca sob número  M-33399-A, matriz L-6040. No Brasil, foi lançado pela Odeon sob número 288455-A. Ainda da fase brasileira do Bando da Lua (só que gravado na Victor da Argentina, durante uma excursão que o grupo fez com Cármen Miranda) é o belo samba “Uma voz de longe me chamou”, de Hervê Cordovil e Alberto Ribeiro. Foi registrado em Buenos Aires a primeiro de dezembro de 1935, sendo lançado no Brasil sob número 34010-B, matriz 93019. E, encerrando a participação do Bando da Lua neste volume, a gravação que fizeram nos EUA, pela Decca, para o sambatucada “Nêga do cabelo duro”, de Rubens Soares e David Nasser (cujo registro original, aqui também incluso, é dos Anjos do Inferno). Datada de 26 de maio de 1949, a gravação só chegaria ao Brasil, ao que parece, em 1974, no já citado LP “Bando da Lua nos EUA”.
Logo depois, temos um enigma. O conjunto Emboabas só gravou um disco na Victor, em 1946, com os sambas  “A geada matou” e “Mania dela”.  Aqui, eles comparecem com uma gravação, ao que parece, editada em disco particular, não-comercializado, interpretando o conhecido samba “General da banda”, de Sátiro de Melo, José Alcides e Tancredo Silva, sucesso no carnaval de 1950 nos registros de Linda Batista e Blecaute. Será que este registro foi para as lojas?
Formado por deficientes visuais, o sexteto Titulares do Ritmo surgiu em 1941, em Belo Horizonte, logo conquistando notoriedade pelas harmonizações e vocalizações requintadas  e bastante elaboradas. Eles aqui marcam presença com o samba “Não põe a mão”,  grande sucesso no carnaval de 1951, de autoria de Bucy Moreira, Mutt e Arnô Canegal. Foi gravado na Odeon em 9 de novembro de 1950 e lançado ainda em dezembro, disco 13072-B, matriz 8848.
Cearenses como os Quatro Ases e um Coringa, os Vocalistas Tropicais interpretam neste volume “Irmão do samba”, de Nestor de Holanda e Jorge Tavares, gravação Odeon de 13 de maio de 1949, lançada em  julho do mesmo ano, disco 12934-B, matriz 8492.
Para finalizar, trazemos os Anjos do Inferno, justamente com a gravação original do clássico sambatucada “Nêga do cabelo duro”, já mencionado aqui, de Rubens Soares e David Nasser. O grupo liderado por Léo Vilar imortalizou a composição na Columbia, e o lançamento se deu em janeiro de 1942, sob número de disco 55315-A,matriz 478. “Nêga do cabelo duro” foi absoluto sucesso no carnaval daquele ano, merecendo vários outros registros, inclusive de Elis Regina, sendo até hoje lembrado, e com justiça.  Um fecho realmente de ouro para esta edição do GRB, que reverencia alguns dos melhores e mais famosos conjuntos vocais  que a música popular já teve em toda a história. É ouvir e recordar
Texto de SAMUEL MACHADO FILHO.

Claudio Marcelo – Som De Boite (1968)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje ainda estarei indo para o Rio. Viajo logo mais a noite e só devo voltar no início da semana que vem. Nesse meio tempo ficaremos sem novas postagens. Mas para embalar o fim de semana, estou deixando aqui um disquinho especial da Paladium. Há tempos eu não postava nada deste selo. Na verdade tinha planos de criar um blog exclusivo só para falar da Paladium. Criei o blog, mas nunca passei da primeira postagem. Como a coisa não andou para um lado, que ande por outro. Segue aqui mais um disco deste selo mineiro, que publicou uma penca de trabalhos, alguns, produção própria, outros, edições montadas por gêneros e sucessos populares, normalmente sem os créditos musicais, o que permitia gravadoras/selos obscuros lançarem um determinado disco com diferentes nomes e capas. Já falamos sobre isso aqui no Toque Musical. Na época dessas gravadoras o controle do direito autoral e os dribles em contratos eram muito comuns. Vários músicos gravaram com nomes diferentes, assumiram identidades falsas e coisas assim. No caso deste disco não foi diferente. Claudio Marcelo é com certeza um nome fantasia, um psedônimo, embora este nome apareça em dois outros lps, um deles inclusive pelo obscuro selo Itamaraty. Alguns dizem que é o Ed Lincoln, eu achava que fosse o Célio Balona. Sinceramente, não sei afirmar, mas definitivamente, Cláudio Marcelo, não existe. Mas ao final isso pouco importa. O que vale mesmo é o conteúdo musical. Sem dúvida, dos discos lançados pela Paladium, este faz parte do acervo mais interessante, pois ele nos traz um repertório praticamente de música brasileira e para a época, música jovem, em arranjos bem inspirados. Taí um dos excelentes discos que com um pouco de sorte se pode comprar barato no Mercado Livre. Colecionadores, aproveitem

vesti azul
alegria, alegria
carolina
maria bonita
se a gente grande soubesse
maria carnaval e cinzas
travessia
manifesto
eu te amo mesmo assim
meugrito
because of you
só vou gostar de quem gosta de mim
.

Orquestra Nilo Sérgio – Canções Para Uma Noite De Chuva (1969)

Boa noite, caríssimos amigos cultos e ocultos! Eu já comentei isso aqui várias vezes… Adoro a sonoridade dos anos 60. E isso se destaca muitas vezes de forma surpreendente. Não faz muito tempo, descobri este lp do Nilo Sérgio que eu até então não conhecia. Lançado em 1969, pela gravadora dele próprio, a Musidisc. Disco bacana! Um repertório onde ele mescla suas composições (por sinal belíssimas) com outras tantas do mesmo nível, sucessos nacionais e internacionais. Um disco mesmo muito bom para se ouvir numa noite de chuva. E tá precisando

let me live
copacabana concerto
carolina
oração para uma menina
wait until dark
modinha
winter love
my sin
meia volta
o parque
the fox
joana
.

Pixinguinha 70 (1977)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para um mês especial, nada melhor que discos especiais… Fui buscar para esta semana alguns lps bem interessantes. Se tudo correr bem, teremos uma semana sortida.
Seguimos hoje com um disco já bem tocado em muitas fontes. Mas é aqui que ele faz sua estréia e se ‘oficializa’ como mais um ‘toque musical’. Temos hoje, “Pixinguinha 70″, lp que registra o show comemorativo de 70 anos do Mestre Pixinguinha no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1968. Estão presentes no disco como destaque, Jacob do Bandolim, Radamés Gnatalli e os conjuntos Época de Ouro e Os Boêmios. Este lp foi lançado e faz parte do acervo do MIS – Museu da Imagem e do Som. Um registro histórico, com certeza!

carinhoso – jacob do bandolim e radamés gnatalli
uma rosa para pixinguinha – radamés gnatalli
vou para casa – os boêmios
os cinco companheiros – trio de flauta do teatro municipal e conjunto época de ouro
lamento – jacob do bandolim e conjunto época de ouro
ingênuo – jacob do bandolim e conjunto época de ouro
passatempo – os boêmios
gargalhada – os boêmios
rosa – radamés gnatalli
marreco quer água – orquestra radamés gnatalli
pixinguinha – radamés gnatalli e jacob do bandolim
.

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Carioca E Sua Orquestra – Orquestra De Baile (1958)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Celebrando mais um dia musical no nosso mês de aniversário, trago par vocês o excelente (e famoso) lp do Maestro Carioca, Orquestra de Baile. Disco de 12 polegadas lançado pelo selo Rádio, em 1958. Já tivemos aqui outros discos do maestro Ivan Paulo da Silva, mais conhecido por ‘Carioca’. Trombonista, compositor e orquestrador, estreou na orquestra de Fon-Fon, no Rio de Janeiro. Foi diretor da orquestra All Stars, da Rádio Nacional. Gravou dezenas de discos, escreveu arranjos importantes e também foi diretor de diversas gravadoras. Atuou até o final da década de 80. Seus discos continuam por aí, mais na memória do que em rádios. Mais nos blogs, como o Toque Musical do que na televisão. Quem busca ouvir seus discos só mesmo assim, pela internet, nos blogs e no Youtube (alimentado por blogueiros).
“Orquestra de Baile” é um daqueles discos feitos para dançar, onde as músicas vão se sucedendo quase como um ‘pot-pourri’. No repertório temos sambas e fox em arranjos realmente maravilhosos. Taí um disco que vale a pena ouvir. Ouvir e até dançar, porque não?

samba no arpege
apito no samba
alexander’s ragtime band
bernadine
pinguinho de gente
torcida organizada
i had the crasiest dream
não troquemos de mal
fascinação
conversa de botequim
boa pinta
ginga das palmas
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Caco Velho E Seu Conjunto – Vida Noturna N. 1 (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Este nem parece o mês de aniversário do Toque Musical. Em outros tempos, eu numa hora dessas já estaria aqui enchendo vocês de pérolas e raridades. Mas, infelizmente, este tempo passou. Com dizem por aí, a cada hora piora. Realmente, parece que tudo está piorando nessa nossa vida e consequentemente isso afeta também ao autor aqui das produções. Por favor não me culpem. O Judas da vez é a Dilma. Tudo culpa da Dilma. (quando a gente não encontra um responsável pela merda, o negócio é passar a bola pra Dilma, agora é moda). Porém, antes que culpem a mim, também, vou logo dar um jeito aqui e retomar as postagens…
Em nova postagem, trago para hoje o Caco Velho e seu Conjunto, no seu primeiro lp de 12 polegadas, lançado pela gravadora Copacabana, em 1958. Desta vez, temos o lp integralmente, com capa e selo, conforme manda o figurino do Toque Musical. Este disco, conforme se pode ler no texto da contracapa nos traz dois momentos. O lado A temos o Caco Velho e seu conjunto em gravação de estúdio. O lado B é uma gravação ‘ao vivo’, um registro do artista (com Hervé Cordovil ao piano) em apresentação na boate Delval Bar, uma das famosas casas noturnas de São Paulo nos anos 50. Eis aí um disco raro que vale a pena ver e ouvir de novo.

botinha estranha
não consigo entender
adoro a dora
silêncio
minueto
teu olhar
caco velho
nêga
minha candidatura
mulher infernal
se acaso você chegasse
vegeto sem mulher
.

Abel Ferreira E Seu Conjunto – Chorando Baixinho (1985)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Entre o café e o pão achei um tempinho aqui para uma postagem. Tenho hoje para vocês o grande Abel Ferreira, figura que dispensa maiores apresentações. Também o lp em questão, que agora eu apresento, é outra obra clássica da discografia do choro. Um disco que não pode faltar aos amantes da boa música. E certamente nunca faltou. Este lp, lançado originalmente em 1962, pela Odeon, teve depois umas três ou quatro reedições e com capas diferentes. A última em vinil foi esta, de 1985, pelo selo Fenix. Se vocês ainda não viram este lp em outras fontes, aproveitem, o tempo é limitado!

chorando baixinho
doce melodia
saxofone porque choras
doce mentira
sedutor
ternura
linda flor que morreu
pedacinho do céu
é do que há
chorinho do norte
chorinho do bruno
acarinhando
.

Elis Regina / Gal Costa – Comapctos (1970-69)

Boa noite, amigos cultos e ocultos. Graças a Deus, recuperei todos os arquivos que haviam em um velho computador. Foi mesmo muita sorte. consegui resgatar tudo no último suspiro da antiga máquina. Agora ela pifou de vez. Havia deixado no hd mais de 500 gigas de mp3, coisas inclusive que eu nem me lembrava de ter arquivado. Entre tanta coisa, achei aqui os arquivos de dois compactos, um da Elis Regina e outro da Gal Costa. Me lembro de já ter tido esses disquinhos e foi por isso mesmo que achei de boa postá-los aqui. Não sei mais de onde tirei esses arquivos, certamente foi coisa já postada em algum blog. Mesmo assim, independente de qualquer coisa achei por bem de postá-los. Hoje, mais que nunca eu estou compartilhando. Vamos de Elis em compacto duplo lançado em 1970 e Gal Costa em seu também compacto duplo de 69. todos dois lançados pela Philips. Duas boas safras, duas boas pedidas

Elis Regina
madalena
fechado pra balanço
falei e disse
vou deitar e rolar
Gal Costa
baby
a coisa mais linda que existe
saudosismo
mamãe coragem
.

Angela Maria E Orquestra (1958)

Olá amigos cultos e ocultos! Há tempos atrás alguém me pediu para postar aqui discos da Angela Maria. Naquele momento eu achei por bem não postar devido ao fato de que a sua discografia havia sido reeditada. Ao que eu entendi, todos os seus discos, ou músicas, foram relançados em cd, mais exatamente os das décadas de 50 e 60. Não creio que tenham sido relançados todos, até porque, comercialmente, para as editoras, um investimento desse lhe traria prejuízo, mesmo sendo a Angela Maria. Há lançamentos musicais que se tornam clássicos os álbuns, em outros, apenas a faixa. Daí é que as gravadoras preferem, nesse último caso, lançar coletâneas. Comercialmente elas tem mais saída.
Neste álbum, lançado pela Copacabana, em 1958, vamos encontrar a Sapoti desfilando sambas, boleros e outros gêneros tão comuns na época, acompanhada pela orquestra da casa. Creio que quase todas as faixas deste disco foram antes lançadas em discos no formato 78 rpm. O álbum, ao que consta teve uma reedição nos anos 70, pelo selo Som.

ontem e hoje
pretexto
flor de madrid
maria do cais
bicha coirana
tédio
voltei
intenção
apaixonada
oração triste
papai mamãe e eu
.

Osny Silva – Capricho (1963)


Olá amigos cultos e ocultos! Sobrou aqui uma brecha no meu tempo. Lá vamos nós para mais uma postagem. Segue aqui um disco do cantor Osny Silva, ‘Capricho’, lp lançado originalmente em 1963. se não me engano, voltou a ser relançado em vinil nos anos 70 e mais tarde recebeu sua versão cd. Aqui o cantor vem acompanhado da Orquestra Continental, apresentando uma série com muito  bolero, tango, valsa e por aí a fora...

capricho cigano
só pra você
adeus mariquita linda
jura me
te quiero dejiste
beio nos olhos
torna sorriento
coimbra
jamais te esquecerei
besame mucho
marita romana
adeus

 

The Pops – 5. Aniversário (1969)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Eu sou mesmo um cara avoado. Estava crente que era 30 de junho a data de aniversário do nosso Toque Musical e já estou nessa não é de agora. Os dois últimos anos foram comemorados assim. E até a data de aniversário do Augusto TM/Toque Musical no Facebook, parece que também está com data errada, 30 de junho. Mas o certo mesmo é 30 de julho. Isso eu só fui perceber hoje quando pensava em postar uma coletânea de aniversário. Que sorte, errei… tenho ainda mais um mês para pensar em algo especial :)
E já que falamos de aniversário, que tal um disco do The Pop’s comemorando, em 1969, cinco anos de disco? Este álbum vem recheado em suas doze faixas com mais de o dobro de músicas, reunidas muitas delas em ‘pot pourri’. Assim como outros discos do The Pop’s, este também foi relançado nos anos 80 e 90 e se não estou enganado até em cd. Por enquanto, vamos apenas comemorar o aniversário do The Pop’s, ok? :)

eu te amo, eu te amo , eu te amo
live for live
loves is blue
with a little help my friends
o forasteiro
poinciana
day tripper
johnny guitar
as 7 maravilhas n. 2
valsa da despedida
cinco letras que choram
chão de estrelas
meu consolo é você
palpite infeliz
o orvalho vem caindo
estrela do mar
a lenda do beijo
samba canção
folhas mortas
marina
tchinf
besame mucho
que murmurem
vereda tropical
sabor a mi
quando tu me quieras
atravessando rio wersey
as 7 maravilhas n. 1
eu sonhei que tu estavas tão linda
maria
linda flor
saudades da bahia
ai que saudades da amélia
casinha pequenina
as pastorinhas
.

The Trepidant’s – Remember Me (1978)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje eu trago para vocês um disco que está em meus arquivos há tempos, assim como o lp, que até na semana passada, eu ainda guardava. Na verdade, nem me lembrava mais deste lp. Ele veio a tona por conta de um colecionador japonês que esteve em minha casa buscando algumas ‘pepitas’ para compor estoque em sua loja, em Nagoya. Pensei que o cara fosse querer Bossa Nova e samba, qual nada! O foco dele foi coisas da obscura e curiosa fonografia brasileira. O cara só catou coisas que nem eu mesmo conhecia direito. Entre tantos, ele pirou neste lp do grupo Trepidant’s, principalmente quando colocamos o vinil para tocar. Nessa hora, até eu comecei a analisar o som. Ele achou muito curioso um conjunto brasileiro cantando em inglês. Daí eu enchi ele com uma vasta coleção de lps e compactos, discos exatamente dessa fase dos anos 70, com os mais diferentes ‘gringos-brasileiros’, aquela turma toda que gravava cantando em inglês. Desovei todos os Pholhas, todos os compactos da Cash Box, Mark Davis, Dave Maclean, Chrystian, Terry Winter… O japa saiu daqui carregado e eu feliz da vida por ter feito um ótimo negócio. Já me enviou mensagem dizendo que em breve volta para buscar mais. É isso aí… tem gente que não se contenta apenas com os toque musicais’, querem o disco de verdade’. Como digo sempre, estando disponível, basta fazer uma oferta ;)
Quanto ao Trepidant’s, a essa hora já está lá no Japão. Só espero que não provoque nenhum terremoto. Aqui, só ficou na lembrança… Remember me… Tudo a ver… Este foi o primeiro lp gravado pelo grupo pernambucano que trazia um repertório de música pop, autoral e todo cantado em inglês. Um pop romântico, com letras simples, mas com uma boa pegada e qualidades necessárias para alegrar qualquer programação de rádio da época.
Os Trepidant’s, ao longo do tempo gravaram diversos discos pela Tapecar, RCA Victor, 3M e Estúdio Eldorado. Passaram depois a incluir em discos e repertório músicas cantadas em português.  Me parece que continuam na ativa até hoje, com novos músicos, graças ao seu principal componente, o ‘Porra Doida’, José Geraldo, que foi quem deu origem ao conjunto. Confiram este lp!

remember me
to be or not to be
doubts
everytime
fall in love
someday i’llreally fly
all love
a good reason
my flaming love
song for nubia
looking forward
dead past
.