Minha Terra Canta Assim (1969)

Bom dia todos, amigos cultos e ocultos! Sempre em busca de alguma coisa diferente para postar aqui, desta vez eu achei este lp, produção mineira, disco lançado pela Bemol, supostamente lançado no final dos anos 60, ou início dos 70. Infelizmente os disco da Bemol nunca traziam data de lançamento, uma pena. Mas, enfim, trata-se de uma coletânea, uma seleção de cantores e compositores de Minas Gerais. Um disco feito pelo Lions Clube da cidade de Patos de Minas que na época bancou essa produção e como diz o texto de contracapa, “transformou em realidade o sonho de alguns compositores e o devaneio de alguns cantores.” Há de lembrar ainda que nossos cantores são acompanhados pelo cavaquinista Waldir Silva e pelo conjunto Os Rebeldes. Enfim, é um disco interessante, pelo menos pela curiosidade que desperta. Querem conhecer? Chega lá no GTM 🙂

samba de dois – generino luis e sonia maria

tudo é ilusão – olivar noronha

mágoa – alda borges

mal de amor – generino luis

sua canção – waldir carvalho

lua nova versão – cloves otone

pensando em você – celina borges

canção do jardineiro – waldir carvalho

lágrimas de saudade – generino luis

o camponio – celina e alda borges

leonora – sonia maria neves

noite de natal – gaspar severo sousa

.

Geraldo Espindola (1991)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Aproveitando as heranças blogueiras, aqui temos um disco, entre muitos que nos foi enviados, discos que já tiveram o seu momento em outros blogs e agora aqui se completam e perpetuam enquanto este toque durar. Temos aqui um disco do cantor e compositor Geraldo Espíndola, irmão das cantoras Tetê e Alzira Espíndola. Neste lp ele marca seus então vinte anos de carreira apresentando algumas de suas obras mais conhecidas. Sem dúvida, um disco especial que merece ser ouvido de cabo a rabo. Produção independente da melhor qualidade. Não deixem de conferir no GTM…

cunataiporã

pequenos aliados

amarga solidão

divindade

raça das matas

forasteiro

fala bonito

quyquyho

deixei meu matão

Baile Na Roca (1955)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! O mês das festas juninas já passou. Aliás, neste ano, nem rolou por conta da pandemia. Também não tivemos manifestações por aqui como fazemos tradicionalmente. Na verdade, a coisa anda tão ruim que a gente não tem mais nem tesão para comemorar. Mas, independente de qualquer coisa, aqui estamos nós e trazendo justamente um disco de festa junina. Temos aqui este maravilhoso exemplar, disquinho de 10 polegadas lançado pelo selo Copacabana, em 1955. Trata-se de uma coletânea reunindo artistas da casa como, Orlando Silveira, Roberto Silva, Black-Out, Alencar Terra, Jorge Goulart e Jorge Veiga. Um disquinho bem legal que vocês encontram aqui no GTM…

seleções de baião – orlando silveira

o baile começa as nove – roberto silva

ingrata rosinha – black out

quadrilha – alencar terra

fogueira – roberto silva

são joão – jorge goulart

eu fiz uma prece – jorge veiga

seleções de baião – orlando silveira

.

3 Do Rio (1968)

Boa noite, companheiros, amigos cultos e ocultos! Depois dos 6 de Samba, vamos agora com os 3 do Rio. Taí, um grupo vocal/instrumental dos mais interessantes surgidos nos anos 60. Eles foram um dos mais importantes grupos de bailes que atuaram pelo Brasil nas décadas de 60 e 70. Curiosamente, embora se chamasse 3 do Rio, eles na verdade eram de São Paulo. Quem foi jovem nos anos 60 e 70 em São Paulo há de se lembrar desse trio. Um grupo de multi-instrumentistas que sabiam fazer o espetáculo. Se apresentaram por muitos anos fora do país, depois, nos anos 70, de volta ao Brasil se tornaram um dos grupos mais requisitados de bailes, clubes e até cruzeiros em navios. Acredito que este tenha sido o primeiro disco deles, muito embora eu desconheça qualquer outro trabalho fonográfico que tenham realizado. Pelo pouco que pude recolher de informações, os 3 do Rio seguiram carreira até os anos 70. Trabalharam também com jingles e entre esses, um famoso foi aquele do banco Bamerindus (“O tempo passa, o tempo voa… e a poupança Bamerindus continua numa boa…”). Muitos aqui hão de lembrar. Pois é, não deixem de conferir, os 3 do Rio. E como se pode ver pela contracapa, o repertório é supimpa! 🙂

le telefon

recordar

guajiro

12th street rag

eu sei

china boy

seleção de sambas

les cactus

cumaco de san juan

the ballad of bonnie and clyde

alors tu comprendras

balla balla

.

Vital Lima – Cheganças (1980)

Digam aí, amiguinhos cultos e ocultos, tudo bem? Aqui estamos, desta vez trazendo o cantor e compositor paraense Vital Lima. Nós já o apresentamos aqui em outra ocasião, em disco com o parceiro, outro grande artista paraense, o Nilson Chaves. Agora temos o prazer de trazer o segundo trabalho solo dele, gravado em 1980, pelo selo Tapecar. Um disco realmente muito bonito e que, com certeza, irá agradar. Chega junto no GTM…
 
o menino e o passarinho
arame farpado
precisava ver
urutai
boi bumbá
carambola
essa pessoa
cobra traiçoeira
arisco
disfarce
tacaca
por quem os anjos cantam
 
 
 
.

Kris & Cristina – Compacto (1973)

Olá, meus caros amigos cultos e ocultos! Hoje estava eu pesquisando algumas coisas no You Tube, quando me deparei com uma velha trilha de um velho e célebre programa de humor da tv brasileira, o “Chico City”, comandado pelo genial Chico Anísio. Foi daí que me lembrei que eu tenho o disquinho e para não perder tempo já estou postando ele aqui para vocês. Trata-se de um compacto simples no qual temos a música de abertura do programa, que era “Isso é muito bom” e “É domingo, é domingo”, as duas composições de Chico Anísio e seu eterno parceiro Arnaud Rodrigues. Quem interpreta as músicas é a dupla Kris e Cristina que antes já havia gravado outro tema de abertura de novela. Ao que parece, ficaram apenas nesses sucessos de tv, por certo seguiram por outros caminhos. Mas, enfim, o disquinho está aí, pra gente lembrar um pouco dos velhos tempos. Confiram no GTM…

isso é muito bom

é domingo, é domingo

.

6 De Samba (1969)

Boa noite, caros amigos cultos e ocultos! Para quem gosta de Demônios da Garoa, eis aqui um grupo bem parecido. Aliás, oriundo da mesma São Paulo e também parte da história do samba paulista. Este grupo, 6 de Samba surgiu na cena do samba paulista seguindo as mesmas trilhas do consagrado grupo Os Demônios da Garôa, tanto na escolha de repertório quanto no estilo. O disco não poderia deixar de ser bom, com muita música de compositores como Ivan Pires, Doca e Adoniran Barbosa. Ao que se sabe este grupo só gravou este disco. Vale a pena conhecer…

resposta a benedita lavadeira

um samba na barra funda

iracema

trem das onze

samba do dito

bola de meia

te dei a mão

a bronca do patrão

lei do inquilinato

zé baixinho

samba da marmita

alfredo qual é a rima

.

Quarteto Novo (1967)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Após mais de uma década postando diariamente um disco, chega uma hora em que a gente perde um pouco a noção do que já foi publicado e também o que não foi. Entre os muitos que ainda não postei, eis aqui essa joinha, este disco que é simplesmente maravilhoso e que, claro, não poderia faltar aqui em nosso acervo. Finalmente, chegou a vez dele, o Quarteto Novo! E para quem não o conhece, vamos lá… O Quarteto Novo foi um conjunto de música instrumental formado em 1966, em São Paulo. Inicialmente, como um trio, o Trio Novo, concebido para acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré em gravações e apresentações. Inclusive estão presentes no belíssimo “Canto Geral”. O trio era formado, nada mais, nada menos, por Theo de Barros (contrabaixo e violão), Airto Moreira (bateria e percussão) e Heraldo do Monte (viola e guitarra). Mas logo viria o quarto elemento, Hermeto Pascoal, incrementando o grupo com uma flauta.. Estava formado o super grupo, o Quarteto Novo. E foi logo aí, em 67 que ele gravou pela Odeon este disco que hoje é uma das mais bonitas obras da música instrumental brasileira. Um disco realmente e literalmente único e na minha concepção, um trabalho que merecia maior atenção e divulgação. Nunca voltou a ser reeditado a não ser em 1973 e já com uma outra capa. Se tornou um disco raro, cobiçado por colecionadores e principalmente para negociantes que hoje veem no comércio do vinil uma excelente fonte de renda. Infelizmente, o quarteto não durou muito tempo, em 69 ele se desfez. Cada um de seus membros já tinha lá um caminho a seguir. Este álbum também se tornou cobiçado por conta do interesse internacional, estava ali pela primeira vez um disco de música instrumental brasileira com elementos da música regional nordestina. Um disco instigante, sofisticado e com arranjos cuja sonoridade tem influenciado compositores de várias partes do mundo. Taí uma razão pela qual este lp não poderia nos faltar. Por certo, boa parte do nosso público amigo, culto o oculto, já deve conhecer. Mas, o que é bom a gente sempre quer de novo, ainda mais esse Quarteto Novo, não é mesmo? Confiram no GTM…

o ovo
fica mal com deus
canto geral
algodão
canta maria
síntese
misturada
vim de santana
 
 
.

Júlio Costa (1980)

Olá, amigos cultos e ocultos! Entre os muitos ‘discos de gaveta’, aqueles que já estão prontos, esperando a vez, tenho este do músico, compositor e instrumentista Júlio Costa que sempre esteve a um passo de ser publicado aqui no Toque Musical. O que faltou, ou que ainda falta são informações sobre o artista. Caramba, tem discos/artistas que até hoje você não encontra nada sobre eles na rede! Incrível isso, visto que não se trata de algo tão antigo ou tão oculto assim. Parece que nosso artista não fez muita questão de divulgar melhor esse seu trabalho. Oque é uma pena, pois o disco é muito bonito, praticamente, quase todo pautado no instrumental e trazendo um time de músicos de primeira linha. O disco é uma produção independente, o que justifica talvez uma divulgação limitada. Seja como for, acho que vale a pena conhecer e ouvir. Confiram no GTM…

samba torto II

sirius

a idade exigida

a coisa

vega

o trapezista

antares

quebra-cabeças

paisagem marinha

.

Flávio Carvalho (1980)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Hoje o nosso encontro é com Flávio Carvalho. Cantor e compositor paulista, conhecido também como ‘Flávio Chão de Estrelas’, por conta do programa de TV, no qual foi (ou é ainda) o apresentador. Aliás, Flávio Carvalho também apresentava um programa na TV Gazeta, ao lado de Helô Pinheiro. Flávio começou sua carreira a partir da década de 70. Teve sua música “Nada na cuca” como tema da novela “Um dia, o amor”, da antiga TV Tupi, em 1975 e que lhe rendeu o prémio Globo de Ouro. Trabalhou também na criação de trilhas sonoras e jingles. O artista, ao longo de sua carreira já gravou uns dez discos, sendo os primeiros na fase do vinil. O disco que apresentamos foi seu primeiro lp, lançado de forma independente, em 1980. Sem dúvida, um disco muito bonito e bem produzido e pelo fato de ser independente torna-se raro, difícil de se ver e ouvir por aí. Vale a pena conferir…

na varanda
fuga nº1
prá são paulo
deixa prá lá
noite de são joão
do jeito que você é
dom de me encantar
vou brincar de envelhecer
conto de fada
bye bye
 
 
.

Débora Bastos E Júlio De Oliveira – O Senhor É O Meu Pastor (195…)

Muito bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Dando sequencia a nossa mostra musical religiosa, eu trago agora este curioso lp, lançado pela RCA Victor, possivelmente no final dos anos 50, “O Senhor é o meu pastor”. Aqui encontramos o organista Júlio de Oliveira em dueto com a soprano Débora Bastos. Conforme nos mostra o texto de contracapa Júlio e Débora são irmãos e juntos transformaram Salmos da Bíblia em música. Ou seja, inspirado em passagens bíblicas, Júlio de Oliveira compõe as músicas e Débora Bastos o acompanha com seu canto lírico. É um disco bonito e como outros do gênero, raro. Vale a pena conhecer. Confira no GTM…
 
salmo 66
salmo 121
minha oração
salmo 40
pai nosso… (da cantata “o sermão da montanha”)
tu que conheces os corações
salmo 16 
sursum corda nº 7
sursum corda nº 10
salmo 23
 
 
.

.

Aleluia Umbanda (1974)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Entre os discos de cunho religioso, outros que não podem faltar são os de pontos de Umbanda afinal, muitos de seus elementos estão presentes também na nossa música popular. Aqui temos um bom exemplo, “Alelua Umbanda”, disco lançado em 1974 pelo selo AMC/Beverly, da Copacabana. Nele vamos encontrar uma coletânea de pontos de Umbanda tradicionais, de autores como J. B. de Carvalho, de domínio público e também os novos pontos de autoria de Ismael Rangel, ‘ogan’ do terreiro de Pai Élcio do Oxalá. Confiram no GTM…

 

louvação a oxalá – abaluaê – oxum da cachoeira – oxum dos rios – oxum pureza

louvação aos caboclos – saravá caboclo – linda cabocla

suará

pai xangô – livro de xangô – gino da cobra coral

inhasã do cabelo louro – inhasã menina – moça bonita

rainha do mar

atraca atraca – cacurucaia de umbanda

três estrelas – festa no abaçá

velho de angola – rosário sagrado – cachimbo do velho

‘seu’ sete encruzilhada – exú da ventania – morada de exú

cavaleiro da alvorada – clarim na lua – cavaleiro do céu

prece cáritas

,

Irmãs Missionárias De Jesus Crucificado – Quando Canta O Coração (1964)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! O TM apresenta mais um disco de música religiosa, mais precisamente de música católica. É “Quando canta o coração”, gravado pelo coral das Missionárias de Jesus Crucificado em 1964. Ao ouvirmos as doze faixas deste disco, percebemos que as Missionárias já faziam um trabalho musical precursor ao dos padres cantores, tipo Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Reginaldo Mazzotti. E podemos ouvir louvores a Deus em ritmos variados, como samba-canção, twist, bolero e bossa nova.  Tudo devidamente abrilhantado pelos arranjos de Pachequinho, que não é outro senão o maestro Diogo Pacheco. Só este detalhe credencia o disco, repleto de belas mensagens musicais, para católicos ou não. É mais um trabalho bastante interessante, merecedor de nosso Toque Musical. É ir ao GTM e conferir. 

não se deixe vencer pelo mal
toda gente sabe
sorrir
bairrismo
a amizade é um bem
se você já sabe cismar
um pouco de perfume
juventude
vida porque corres
a verdadeira alegria
fumaça
o sol continua a brilhar
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 

Coral Das Meninas Do Lar Espírita Ercília Vasconcelos – O Evangelho Cantado A Luz Do Espiritismo Vol. 2 (196…)

Boa tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Eu havia pensado em intercalar essas postagens de discos de cunho religioso com os outros comuns, de forma a não ficarmos uma semana inteira só na base da louvação, mas, como dizem, ajoelhou tem que rezar. Melhor mesmo vai ser postar todos de uma vez, cada um por dia. Vamos aproveitar e rezar um pouquinho e espantar esses maus espíritos que estão destruindo o Brasil, quem sabe assim a gente melhora, né? 
Pois bem, temos hoje um disco na linha Espírita, o Evangelho cantado a luz do Espiritismo, lançado pelo selo Caritas, com a interpretação do Coral das Meninas do Lar Espírita Ercília Vasconcelos. Este disco foi lançado nos anos 60 e é uma sequência de um primeiro disco. Infelizmente, não consegui encontrar a data de seus lançamentos, mas sei que em 2011 os dois volumes foram relançados em um cd. Aqui, infelizmente, só terei o volume 2. Este disco, foi uma produção do maestro e médio paranaense Álvaro Holzmann, sendo sua filha, Alvacélia Holzmann a regente do coral. As músicas desse repertório, segundo contam, eram recebidas da espiritualidade por Álvaro Holzmann que as direcionava para o Evangelho criando temas que se destinavam a evangelização infantil e que foram usadas nas escolas das casas espíritas, em especial na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Confiram no GTM…
 
culto verdadeiro
sobre deus
a que muito amou
entrada triunfal
tentação a jesus
judas
a jumentinha de balaão
canção de natal
os três reis magos
a mangedoura
exemplo de maria
cruz
a fé
flores celestes
duas parábolas
 
 
.

Heitor Villa-Lobos – Missa São Sebastião Para Três Vozes A Cappella (1968)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! O Toque Musical oferece a vocês hoje mais um disco de música religiosa, para ser mais exato, de música sacra. Nele temos uma obra de Heitor Villa-Lobos (Rio de Janeiro, 5/3/1887-idem, 17/11/1959), o compositor sul-americano mais conhecido de todos os tempos. É a “Missa São Sebastião”, composta em 1937 e apresentada pela primeira vez ao público em 13 de novembro do mesmo ano, sob a regência do autor. Em disco, no entanto, só apareceria em 1968, por iniciativa da marca Festa, de Irineu Garcia. A interpretação, à capela (ou seja, sem acompanhamento instrumental), é da Associação de Canto Coral do Rio de Janeiro, sob a regência de sua fundadora e então diretora artística, Cleofe Person de Mattos (Rio de Janeiro, 17/12/1913-idem, 2/5/2002), também professora e musicóloga. A contracapa, escrita em português, inglês e espanhol, dá maiores detalhes sobre a peça. Portanto, este é mais um trabalho do mais alto nível que o TM nos apresenta hoje, interessante até mesmo para quem não aprecia música sacra. É ir até o GTM e conferir. 
 
kyrie
glória
credo
sanctus
benedictus
agnus dei
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho
 
 

 

Grupo Semente – Plantando A Semente (1982)

Prezados amigos cultos e ocultos, bom dia! Como eu havia anunciado na semana passada, estaremos publicando aqui alguns discos de músicas de cunho religioso. Discos que também merecem estar aqui no nosso Toque Musical, afinal foram poucas as vezes em que nos dedicamos  a essas publicações. Vamos ver aqui discos de diferentes correntes religiosas: católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas… enfim, sem preconceitos… Assim, temos hoje este disco do Grupo Semente, ligado as doutrinas evangélicas. O disco “Plantando a Semente foi lançado em 1982, através do selo Comev. Segundo informações a proposta do grupo era divulgar a Palavra de Deus por meio da música. Porém, devido a grande discriminação que havia por parte dos meios de comunicação (rádio e tv), eles optaram por gravar um disco seguindo caminhos diferentes, a começar pela escolha de uma gravadora. Ao contrário de muitos outros grupos musicais evangélicos, o Semente era um conjunto arrojado, com músicos competentes. Em seu repertório há samba, choro, canção e soul music. Um disco muito bem trabalhado e com belos arranjos, que foge e se difere de outros conjuntos da mesma linha. Em resumo, não é um disco chato e dirigido apenas par um público evangélico. Confiram no GTM…

plantando a semente
louvemos a uma só voz
nem um momento só
cantarei para sempre
trigo e joio
sem murmurar
caminha verdade e vida
apocalipse
revelação de deus
resposta certa
sorrisos
bem maior
 
 
.

Nestor Campos E Seu Conjunto – Musica Da Noite (1956)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical apresenta o primeiro LP, em dez polegadas, de um dos maiores guitarristas que o Brasil já teve. Estamos falando de Nestor Campos. Batizado com o nome completo de Nestor Pereira Campos, ele nasceu em São Luiz do Paraitinga, no bairro dos Caetanos, em 6 de março de 1920, portanto há exatos cem anos. Em 1934, aos catorze anos de idade, mudou-se com a família para São Paulo, em busca de melhores oportunidades, e foi líder de um conjunto que fazia constantes apresentações em emissoras de rádio paulistas. Em 1943, mudou-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde profissionalizou-se como músico, sendo contratado pela lendária PRE-8, Rádio Nacional. Nos anos 1960, atuou como músico e arranjador de orquestras em Paris, capital da França. Gravou vários discos na Europa e compôs diversas músicas para o cinema francês. Em meados da década de 1970, mudou-se para Portugal, dando continuidade à carreira de músico. Casou-se e deixou três filhas, vindo a falecer no dia 22 de fevereiro de 1993, em Lisboa. Neste disco, lançado pela Musidisc em 1956 e apresentado como o primeiro de uma série, Nestor Campos mostra todo o seu virtuosismo como guitarrista, em faixas como “Arrivederci Roma”, “C’est la vie” e “Morena boca de ouro”, com direito até a uma composição própria, o samba “Dance e não se canse”. Nestor ainda gravaria mais dois álbuns pela Musidisc, “Boate”, ainda em dez polegadas, e “Bolero-mambo”. Este “Música da noite” é uma rara oportunidade de se apreciar o trabalho de um dos maiores e excepcionais talentos que o Brasil conheceu e esqueceu. É só ir até o GTM e conferir.
 
agora é cinza
arrivederci roma
madeira
the rose tatoo
dance e não se canse
c’est la vie
molly-o
morena boca de ouro
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 

Filó – Origens (1983)

Bom dia, companheiros, amigos cultos e ocultos! Mais uma vez, marcando presença aqui no nosso Toque Musical, temos hoje o paulista Filó Machado, cantor, compositor, arranjador, instrumentista e produtor musical. Irmão de outro fera o violonista Celso Machado. Por aí já se tem ideia do tipo de artista que estamos falando. Embora sua trajetória profissional comece nos anos 60, somente em 1978 é que ele grava o seu primeiro lp, disco esse já apresentado aqui no TM. Agora trazemos o seu segundo trabalho solo, o disco “Origens”, lançado em 1983 pelo selo Pointer. Neste lp ele conta com a participação especial de Djavan e Léa Freire. Um trabalho totalmente autoral, sendo muitas das músicas em parcerias. Um autêntico álbum de musica popular brasileira de qualidade. Não dá para não gostar… Confiram no GTM.
 
quero pouco quero muito
entre nós
memórias
vida despetalada
terras de minas
não houve nada
baião para o sul
origens
blue note
vale o escrito
dom bosco
 
 
.

3º Ronco D0 Bugio – São Francisco De Paula (1988)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Hoje o Toque Musical oferece parcela do rico acervo regional gaúcho.  Estamos apresentando para vocês um disco com as doze músicas classificadas da terceira edição do festival Ronco do Bugio, lançado pela Chantecler/Continental em 1988. O evento se realiza anualmente na cidade gaúcha de São Francisco de Paula (por certo não aconteceu este ano em virtude da pandemia de Covid 19), com o intuito de preservar e difundir o único ritmo originário do Rio Grande do Sul, ou seja, o “bugio”, compasso criado justamente no interior desse município. Tal criação se deu a partir da criatividade dos gaiteiros (sanfoneiros) serranos, que buscaram imitar, com seu instrumento musical, o ronco do primata nos matos da serra. A festividade é genuína, pois é a única da América onde, obrigatoriamente, os participantes devem utilizar apenas um ritmo, o citado “bugio”, embora a temática seja abrangente. Daí ser considerado o festival mais autêntico do Rio Grande do Sul. Além do forte enfoque cultural que envolve toda a comunidade musical gaúcha, o festival tem seu apelo ecológico, pois chama a atenção para a preservação da espécie, hoje quase em extinção. Nas doze faixas deste disco, o mais autêntico “bugio”, na interpretação de artistas típicos gaúchos. É ir ao GTM e conferir, tchê!

bugio do meu rincão – gonzaga dos reis e grupo

gaiteiros da serra – koko, emerson e grupo

de mala gaita e violão – grupo som campeiro

que viva o bugio – souzinha jr e grupo vozes do pago

oque é bugio – jaime ribeiro e os provincianos

bugio arisco – nelcy vargas e grupo

a voz do lugar – elton saldadnha e grupo

bugio da serra e da fronteira – itajaiba mattana e os nativos

bugio safado – leo almeida e grupo rodeio

tropeadas – gozaga dos reis e grupo

bailanta da tilóca – grupo caaguas

bugio e violão – antoninho duarte e os andantes

 

.

*Texto de Samuel Machado Filho

Coral Jovem De São Paulo – Boas Novas (1972)

Olá, amigos cultos e ocultos, bom dia! Entre tantas curiosidades ‘fonomusicais’ que temos postado aqui ao longo de todos esses anos, acho que poucas foram as vezes em que nos aventuramos na publicação de discos com temas religiosos. É certo que quando falamos em Religião, muita gente não dá atenção, principalmente quando se trata da religião dos outros. E realmente, discos de temas religiosos são um tanto enfadonhos e desinteressantes. Mas isso não é regra geral, há trabalhos que valem a pena conhecer, independente de qual religião a pessoa professe. Nos próximos dias vamos postar aqui alguns desses discos. Andei fazendo uma seleção que considero exemplar, discos que, por certo, não se escuta em qualquer praça. Daí, então, começamos com este disco do Coral Jovem de São Paulo, lançado em 1972, pelo selo Copacabana. Temos aqui um disco voltado para a juventude, seguindo as trilhas de movimentos cristãos daquela época, que acontecia em outras partes do mundo. Coisa que se originou ainda nos anos 60, nos Estados Unidos com ‘Jesus Movement’ e na sequencia com o ‘Children of God’ e depois o ‘The Family International’. Por certo, o nosso Coral Jovem de São Paulo segue por outra trilha, no caso a evangélica Batista, que a meu ver nada tem com o evangélico-baixo-clero de hoje em dia. O Coral Jovem de São Paulo, conforme descreve o texto da contracapa, é um conjunto informal formado por jovens batistas do Estado de São Paulo e regido pelo maestro/pastor americano Roger Cole. Os arranjos e a supervisão musical é do maestro Leo Peracchi. Curiosidade que irá agradar mesmo quem não é batista. Confiram…

boas novas

chegamos nós

eu estou aqui esperando

vivo sempre cantando

domingueiro

acorda já

acordei

maravilhado

sou rebelde

tudo isso vai mudar

bravo e viva

vem viver

se em ti viver

se eu vou viver amanhã

um milagre de verdade e luz

testemunho – se eu não testemunhar – queres ajuda

boas novas

 

.

Maria Da Paz – Pássaro Carente (1980)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Seguimos aqui com mais um toque musical, desta vez apresentando a cantora e compositora pernambucana Maria da Paz em seu primeiro disco, lançado em 1980 pela Copacabana. “Pássaro Carente” é um disco onde ela canta canções próprias e também músicas de compositores consagrados como Gordurinha, Gonzaguinha, Benito Di Paula e outros… Um disco de estreia, sem dúvida, muito bom. Elogiado pela crítica e com uma boa divulgação, o que rendeu a nossa artista o prémio revelação naquele ano de 1981. De lá pra cá Maria da Paz já gravou mais de uma dezena de disco, trabalhos realmente da melhor qualidade e que acredito, muitos não conhecem. Que tal começarmos por este primeiro? Então, confiram lá no GTM…

coisas e coisas

fantasia

mulher e daí

mínimas

falso chamego

súplica cearense

meu sufoco

espinhos

pássaro carente

e daí?

amor fingido

 

.

1º Recital de Compositores Goianos (1970)

Olá, amigos cultos e ocultos! O álbum que o Toque Musical apresenta hoje é um importante documento histórico. Chama-se “Primeiro recital de compositores goianos”, um lançamento independente, gravado ao vivo, em 1970, na Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Pirenópolis, município tombado como conjunto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e histórico pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 1989. No repertório, foram incluídas peças de cunho erudito, com execução a cargo da Banda Phenix, dirigida por Braz Wilson Pompeu de Pina Filho e Jose J. Nascimento, e o disco ainda conta com a participação da solista Maria Augusta Calado e o coro da Matriz. Como se pode constatar, é um trabalho artístico do mais alto nível, além de raro, digno de merecer nosso Toque Musical. Não deixem de conferir no GTM. 

concerto dos sapos

ave maria

solo das dores

hino a sant’ana

tantun ergo

o salutaris

o salutaris

ária para pregador

hino do divino

 

*Texto de Samuel Machado Filho

Festival Villa-Lobos – II Concurso Internacional De Violão (1980)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Mantendo a nossa velha e boa tradição, aqui vai mais uma raridade para o deleite de todos, ou, em especial, os amantes do violão. Por aqui sempre aparece algum violonista pedindo discos onde o violão é o instrumento de destaque. Então, aqui temos mais um, disco não-comercial, o que, por certo o faz ser quase um inédito. Sai dos limitados para a vitrine do nosso Toque Musical. Como podemos ver, trata-se do Festival Villa-Lobos, de 1980, onde aconteceu o II Concurso Internacional de Violão. A música brasileira, de grandes mestres desse instrumento, na interpretação de vários instrumentistas, nacionais e internacionais. Na contracapa vocês encontrarão mais informações sobre este disco, que realmente é uma joia. Confiram no GTM…

francisco mignone – estudo nº 8 – eduardo castañera

francisco mignone – estudos nº 6 e 12 – mara portela

edino krieger – ritmata – jungen shollman

marlos nobre – momentos nº 1 – marcelo jehá kayath

marlos nobre – homenagem a villa-lobos – rodolfo m. lahoz

guerra peixe – prelúdios nº 4 e 5 – roland dyens

nestor de hollanda cavalcanti – suite quadrada – roland dyens

aldo taranto – modulando – istván adrovicz

pedro cameron – repentes – istván adrovicz

arthur bosmans – brasileiras: modinha – willem brioen

marcelo de camargo fernandes – sonatinha – eduardo elias isaac

heitor villa-lobos – valsa choro – roland dyens

.

Heitor Dos Prazeres E Sua Gente – Macumba (1956)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! O Toque Musical oferece hoje um pouco do mais puro som afro-brasileiro, através deste álbum intitulado “Macumba”, um dez polegadas lançado pelo selo Rádio em 1956 e gravado por um nome lendário na MPB, Heitor dos Prazeres, acompanhado de “sua Gente”, isto é, um coro feminino. Nascido no Rio de Janeiro em 23 de setembro de 1898 e falecido na mesma cidade em 4 de outubro de 1966, Heitor foi um pioneiro do samba carioca. Filho de um marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e de uma costureira, ficou órfão de pai aos sete anos. Sobrinho do pioneiro dos ranchos cariocas, Hilário Jovino Ferreira, ganhou do tio seu primeiro cavaquinho. Aos doze anos, trabalhou como engraxate, jornaleiro e lustrador, vivia constantemente em companhia do tio Hilário e frequentava a casa das tias baianas (Tia Ciata e Tia Esther), onde teve contato com os bambas da época: Donga, João da Baiana, Pixinguinha, Sinhô, Caninha e Getúlio “Amor” Marinho. Como compositor, deixou um acervo de mais de 300 músicas, entre elas “Canção do jornaleiro”, “Pierrô apaixonado” (com Noel Rosa), “Mulher de malandro”, “Lá em Mangueira” (com Herivelto Martins)e “Carioca boêmio”. Por volta de 1937, Heitor passou a se dedicar também à pintura, aliás a capa do presente álbum reproduz um quadro seu. Todas as oito faixas são de autoria do próprio Heitor dos Prazeres, com ou sem parceiros, e a contracapa, além de explicar o que é macumba, apresenta um perfil de Heitor dos Prazeres, dando-o até mesmo como criador da escola de samba. Enfim, um trabalho primoroso, merecedor de nosso Toque Musical, e atraente até mesmo para quem não é adepto da umbanda ou do candomblé.  A conferir no GTM, sem falta.
 
tá rezando
quem é filho de umbanda
vem de aruanda
nego véio
mamãe oxum
segura a pemba
vem cá mucamba
dom migué
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho 

José Roberto – E Seus Sucessos Vol. III (1970)

Baiano de Salvador, nascido em 25 de setembro de 1952, José Roberto Sá Costa novamente bate o ponto aqui no Toque Musical. Desta vez oferecemos a nossos amigos cultos e ocultos o terceiro volume de “José Roberto e seus sucessos”, lançado pela CBS (selo Epic) em 1970. Entre as doze faixas, uma interessante regravação do “Xote das meninas”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, que já foi cantado até mesmo por Marisa Monte. Ele também regravou aqui “Uma lágrima”, então sucesso de Paulo Henrique, e “Meu bem, ao menos telefone”, que consagrou o cantor Luiz Fabiano. O próprio intérprete assina a faixa “A minha vingança”, em parceria com Olavo Sérgio. Temos ainda trabalhos de Ed Wilson (“Preciso de você” e “Nada como um dia atrás do outro”), Getúlio Cortes (“Eu preciso ser feliz”), das duplas Othon Russo-Niquinho (“Desta vez não vou chorar”), Edson Ribeiro-Hélio Justo (“Eu faço tudo pra você voltar”)e Olavo Sérgio-Paulo Fernando (“E hoje eu venho dizer que te amo”), Maury Câmara (“Sou eu chamando você”) e Regina Corrêa (“Não vá embora”), que, se não me engano, é aquela que cantava no Trio Esperança junto com os irmãos Mário e Eva, a futura Evinha. Enfim, é uma coletânea do mais autêntico supra-sumo romântico do limiar dos anos 1970. Confiram no GTM.

preciso de você

e hoje eu venho dizer que te amo

eu preciso ser feliz

desta vez não vou chorar

o xote das meninas

uma lágrima

sou eu chamando você

a minha vingança

eu faço tudo pra você voltar

não há nada como um dia atrás do outro

meu bem ao menos telefone

não vá embora

 

*Texto de Samuel Machado Filho 

Tony De Matos – Lado A lado (1961)

Olá, prezados amigos cultos e ocultos! Eis uma postagem com toque bem lusitano. É um disco do cantor Tony de Matos (pseudônimo de Antônio Maria de Matos), “Lado a lado”, editado pela Copacabana em 1961. “O cantor romântico da canção portuguesa”, como era conhecido, nasceu no Porto, no bairro das Fontainhas, em 28 de setembro de 1924, e faleceu em Lisboa, em 8 de junho de 1989. Desde a infância tomou contato com o mundo artístico, pois seus pais eram atores. Aos 20 anos, começou a participar em espetáculos de variedades, assinando também seu primeiro contrato como cantor, com o Café Luso, na época considerado “a catedral do fado”. Gravou seu primeiro disco em 1950, “Cartas de amor”, grande sucesso em Portugal.  Outros êxitos viriam em seguida, tais como “Trovador”, “Ao menos uma vez” e “Lenda das águas”. Teve atuações esporádicas no teatro, cinema e televisão. Em 1953, vem pela primeira vez ao Brasil, cumprindo temporada em São Paulo. E para o Brasil voltaria em 1957, ficando seis anos e abrindo um restaurante típico, O Fado, situado no bairro carioca de Copacabana. Em 1963, regressa a Portugal e continua a atuar em teatro e gravar discos. Em 1974, após a Revolução dos Cravos, teve de fixar residência nos EUA, onde ficou por oito anos, uma vez que sua música era associada ao antigo regime. Quando voltou definitivamente a Portugal, teve oportunidade de participar em diversas revistas teatrais e fez um espetáculo, em 1985, no Coliseu dos Recreios. Durante a carreira, recebeu dois prêmios Imprensa, um como cançonetista e outro como fadista. Neste LP, gravado no Brasil, Tony de Matos está no auge de sua carreira, e o repertório inclui uma música brasileira, “Ternura antiga”, de José Ribamar e Dolores Duran. No mais, um disco de primeira, prato cheio para os fãs da canção lusitana, que inclui o clássico “Só nós dois”. Não deixem de conferir no GTM, ora, pois, pois!

lado a lado

vieste para mim

ternura antiga

só nós dois

coitado do zé maria

vou trocar de coração

poema do fim

tu sabes lá

gente maldosa

hás de pagar

não dissemos adeus

não me perguntes

 

*Texto de Samuel Machado Filho

The Brazilian Boss (1966)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Vez por outra, além dos tradicionais ‘arquivos de gaveta’ e colaborações de todo tipo, tenho apresentado aqui a herança do Sintonia Musikal, do amigo Chico. Infelizmente o blog dele fechou as portas e acabou deixando muita gente ‘a ver navios’. O Toque Musical, na sua incansável existência tem buscado resgatar o que por lá já foi publicado. Inclusive, porque muitos dos discos que foram postados no SM são muitas vezes os mesmos discos do acervo TM. Assim, considerando a qualidade dos arquivos do SM e também para facilitar a nossa labuta na hora da digitalização, preferimos apenas usar os arquivos que já estão prontos. Eventualmente fazemos algumas correções, trocamos o áudio ou mesmo as imagens. O importante, como já dizia Paulo César Pinheiro, é que a nossa emoção sobreviva. Então, aqui temos este delicioso instrumental, a la Jovem Guarda, The Brazilian Boss, lançado em 1966 pelo selo Mocambo. Por certo, trata-se de um conjunto de ocasião, ou seja um grupo musical criado para dar corpo ao disco e seu repertório. Embora, em 1968 tenha sido lançado um outro disco do The Brazilian Boss, não se sabe ao certo quem eram os seus músicos. Eu imagino que por ser um disco da Mocambo, talvez os artistas sejam do ‘cast’ da gravadora, músicos de estúdio, que geralmente não são citados nas ficha técnicas. Independente disso, temos aqui um disquinho curioso e que muito irá agradar aos amantes da Jovem Guarda. Confiram…

les cornichons

a volta

juanita banana

brincadeira de esconder

oi ti daro dipiu

é papo firme

mexericos da candinha

pobre menina

mamãe passou açúcar em mim

les marionettes

escreva uma carta de amor

a tartaruga

.

Casa Das Máquinas (1974)

Boa noite caros amigos cultos e ocutlos! Temos aqui o Casa das Máquinas, grupo de rock paulista em seu primeiro disco, lançado em 1974, pela Som Livre. O Casa das Máquinas foi formado em 1973 pelo baterista dos Incríveis, o Netinho. Inicialmente a mudança foi para Os Novos Incríveis, mas quando surgiu a oportunidade de gravar, mudaram o nome para Casa das Máquinas. O grupo, ao longo do tempo passou por diferentes formações e continua ainda hoje atuando, mantendo aceso o nome desta que foi uma das melhores bandas de rock dos anos 70. Neste primeiro lp eles ainda mantem uma sonoridade e estilo próximo que estava sendo feito pelos Incríveis em fase final. 
“O disco conta com a maior parte de suas canções compostas por Aroldo e Carlos Geraldo, com participações pontuais de Netinho e Piska. O texto da contracapa do disco mostra que, apesar de Netinho ser o líder da banda, Aroldo era a cabeça pensante e quem trazia os temas de religiosidade e contracultura para as letras do álbum. Para promover o disco, a gravadora lançou a canção “Tudo Porque Eu te Amo”, em um compacto duplo – 2 + 2 – dividido com artistas internacionais e com o Azymuth. Após o lançamento do disco, o quinteto roda o Brasil já que a banda dispunha de uma das aparelhagens mais modernas do mercado de shows no Brasil, além de famoso ônibus para excursões e um escritório que cuidava da promoção e agendamento de apresentações, tudo herdado por Netinho de Os Incríveis. Este acabaria sendo o único álbum lançado com a formação original, já que Pique saiu da banda antes da gravação do próximo disco.”*
Este lp é hoje uma raridade, até porque só chegou a ser relançado, timidamente, em uma versão cd. Confiram, no GTM… 
 
a natureza
tudo porque eu te amo
mundo de paz
quero que você me diga
canto livre
trem da verdade
preciso lhe ouvir
cantem esse som com a gente
domingo a tarde
sanduiche de queijo
 
.

Carlos Pita – Aguas Do São Francisco (1979)

Bom dia, amigos cultos e ocultos! Temos aqui um disco que há tempos deveria estar constando em nossas fileiras, o “Águas do São Francisco”, disco de estreia do cantor e compositor baiano, de Feira de Santana, Carlos Pita, em 1979, pelo selo Chantecler. Embora tenha gravado seu primeiro disco em 79, já atuava na música, compondo e também produzindo. Para se ter uma ideia, foi Pita o produtor de discos como os de Elomar: “Na Quadrada das Águas Perdidas”, “Fantasia Leiga” e “Auto da Catingueira” e também de destaque, o disco “Interregno”, de Walter Smetak, entre outros… Sua trajetória remonta mais de 30 anos dedicados a música popular brasileira. Artista reconhecido internacionalmente e hoje com uma carreira consolidada, tem dezenas de trabalhos autorais, em vinil e também em cd. O álbum que aqui apresentamos foi um disco de sucesso, um trabalho premiado, feito dentro da linguagem dos livros de cordel, de herança medieval. Lembra muito a música de Elomar. Disco bonito de se ouvir e por certo um dos melhores trabalhos musicais lançados naquele final de anos 70. Vale a pena ouvir…

o reino das águas barrentas e os desafios do amor

a história do cavaleiro enluarado com a donzela do bem amar

a história do cavaleiro de couro e corda com a dama dos rasos de seca

a história do cavaleiro sertanejo com a princesa do clarear

o romance do rei do ensolarar com a bela das rendas de lua

a princesa do agreste e o cantador do elo ao mar

o arco-íris trovejou

a história dos quatro reinos desaparecidos e os guerreiros do mal viver

princesa sertaneja

a rainha do trançar e o violeiro dos esqueces

a história da princesa das candeias de amor com o cego do alumiar

o príncipe das verdejanças e o amor do verdejar

.

Célia Maria E Walter Do Cavaco – Águia Negra Do Luar (1989)

Olá, amigos cultos e ocultos! Hoje o TM apresenta mais um disco de samba, e da melhor qualidade. É “Águia negra do luar”, com Célia Maria e Walter do Cavaco, uma produção independente lançada em 1989. São dez faixas do mais puro samba de morro, e é uma pena que não exista nenhuma informação sobre os intérpretes. Pelo que apurei, Célia Maria só gravou mais um álbum além deste, “Arte Brasil”, em 1994. De qualquer forma, “Águia negra do luar” é um disco que merece toda a nossa atenção, mais uma joia rara que o TM põe ao nosso alcance. A conferir no GTM, sem falta.
 
fui palhaço
estrutura
cartas na mesa
quero ver quem é
deusa dos orixás
venha comigo você
balangandans
motreta
fogão de lenha
o sol e a lua
 
 
 
*Texto de Samuel Machado Filho