Halley Flamarion E Orquestra – Encontro Com Halley (1968)

Boa noite, meus caros e prezados amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa eterna mostra fonomusical e coisa tal… Tenho hoje para vocês uma boa raridade da safra mineira, produção da Bemol. Talvez tenha sido um dos primeiros discos do selo dessa gravadora que também já foi MGL e Paladium. Eis aqui um disco curioso (e bem raro), instrumental, com o pianista e compositor mineiro Halley Flamarion. Halley vem de uma família musical. É primo de Toninho Horta. Sua mãe era violinista. Sua irmã, Júnia Horta, compositora, inclusive já até postamos um disco dela aqui no Toque Musical. Dizem que o interesse por música, de Toninho Horta, começou ouvindo o piano do primo. Halley Flamarion foi uma espécie de garoto prodígio no piano e já nos anos 60 já era um profissional. Em Belo Horizonte tocou em casas noturnas como a memorável boate Monjolo. Fez parte de grandes orquestras de baile como as de Ed Maciel, do maestro Erlon Chaves e do saxofonista Paulo Moura. Acompanhou grandes artistas como Wilson Simonal, Abel Ferreira, Altamiro Carrilho e muitos outros. Participou como pianista em diversas gravações e discos. Foi diretor de musicais como “Hair” e “Pobre Menina Rica”. Ao que consta, continua atuante, vivendo e trabalhando em São Paulo desde os anos 70. Gravou vários discos e ao que parece, este “Encontro com Halley” foi seu primeiro lp. Neste disco ele aparece apenas como intérprete em seu piano, tocando uma série de temas que, por certo, faziam parte de seu repertório na noite. São todas músicas internacionais, exceto “Carolina”, de Chico Buarque. O disco foi lançado em 1968 e como disse traz como curiosidade, na contracapa, uma apresentação do artista em forma de quadrinhos com desenhos feitos pelo então desconhecido Henfil. Interessante, né? Então, vamos conferir…
 
patricia
adieu a la nuit
carolina
freen again
pleasant valley sandy
lonely
noturno
venezia no
achican’t take my eyes off you
o cisne
you only live twince
 
 
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Kengo – Op. I (1993)

Bom dia a todos os amigos cultos e ocultos! Tenho hoje para vocês um raríssimo exemplar do grupo Kengo. Por certo, poucos aqui conhecem este projeto musical que nasceu na cidade de Campinas (SP), no início dos anos 90. O Kengo foi um trio formado por três amigos músicos (Petô no violão, voz e percussão, Thebano Emílio no violão e voz e Helton Barros no contrabaixo acústico). Interessante notar também que eles vieram da área das ciências exatas, dois engenheiros e um físico. Acho que, talvez, por aí se explica o som deles. Era um trio essencialmente acústico e segundo o próprio Thebano um grupo não profissional que atuava para um público ainda restrito. Sentiram a necessidade de registarem em disco suas produções musicais, um trabalho intrigante, com harmonias simples, dissonantes e uma poesia forte e atual. Gravaram então este disco, em 1993, em uma edição independente e limitada. Difícil hoje em dia achar um exemplar. “Op. I” foi lançado na Rádio Nacional, no programa de Luiz Vieira. Teriam conseguido mais divulgação e destaque se logo de início o trio, por contingências outras profissionais, não tivesse sido desfeito. O projeto acabou engavetado e somente agora, a partir de  2020, Thebano Emílio retoma a divulgação de suas criações musicais. Criou um canal no Youtube onde podemos conhecer um pouco mais da história do Kengo e principalmente de sua produção musical autoral. Não deixem de conferir…
 
mãos
normalmente
arautos
pessoas
latrocínio
dias e sonhos
opressão
construtores
tarde de chuva
piratas
 
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Garganta Profunda – Canta Beatles (1993)

Olá amigos cultos e ocultos! Hoje nosso encontro é com o grupo vocal  Garganta Profunda, um nome sugestivo para um coral, lembrando que foi também o título dado aqui para aquele clássico do cinema pornô, Deep Throat. Mas, inicialmente, em 1985 o grupo se chamava Orquestra de Vozes A Garganta Profunda e foi idealizado pelos músicos Marcos Leite, Nestor Cavalcanti e Regina Lucatto. O grupo teve desde o início muito destaque, Gravou seu primeiro disco em 86 e foi considerado um dos 10 melhores discos do ano. Gravaram pela Funarte um disco com a obra do compositor Braguinha e também participou do Projeto Pixinguinha, rodando todo o Brasil e garantindo assim uma divulgação nacional. De lá pra cá o Garganta foi se tornando um grupo de grande prestígio. Por ele passaram vozes que depois seguiriam em vôos solos (Paulinho Moska, Ju Cassou, Chamon…) 
Este disco que apresentamos, foi o quarto lp do Garganta Profunda, um trabalho gravado ao vivo e no qual eles apresentam um interessante repertório pautado em músicas de John Lennon e Paul McCartney, ou seja, Beatles. Não tem como não gostar e vocês podem conferir no nosso Grupo do Toque Musical, só para os associados. E quem quiser participar, leia com atenção as informações contidas nos textos fixos da nossa versão filial oficial (www.toque-musicall.com).
 
abertura – hey jude
if i fall
help
when i’m 64
the long and winding road
oh darling
sgt. pepper’s lonely hearts club band
lucy in the sky with diamods
the fool on the hill
imagine
my love
all you need is love
 
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Eduardo Gudin (1973)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Seguimos nossa trilha fonomusical, desta vez trazendo e mais uma vez o compositor Eduardo Gudin em seu álbum clássico, o primeiro disco solo, gravado em 1973 pelo selo Odeon, onde viria ainda a  gravar mais três discos. Este lp é genial e curiosamente ainda pode ser encontrado por um bom preço, ainda não entrou no grupo dos especulados. Um trabalho totalmente autoral e com a presença de seu habitual parceiro, Paulo Cesar Pinheiro. Os arranjos e orquestração Gudin divide com o maestro José Briamonte e Hermeto Pascoal. Confiram no GTM…
 
olha o que ela fez
a velhice da porta-bandeira
labirintos
sozinho
sem jeito
desperdício
dia de muito é véspera de nada
nem réu nem juiz
choro do amor vivido
deixa teu mal
 
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Frevo Ao Vivo (1975)

Olá, amigos cultos e ocultos! Aqui vamos nós… Aqui vai mais um disco o qual teríamos a resenha do companheiro Samuca. Infelizmente ainda não podemos contar com ele, mas estamos daqui com o pensamento positivo, fé em Deus que logo nosso amigo vai sair dessa… :
Seguimos então trazendo um disco do selo Marcus Pereira, sinônimo de excelência no ‘mapeamento’ da cultura musical popular brasileira. É sempre bom divulgar discos dessa produtora/gravadora. E aqui temos um disco de frevo, vibrante, gravado ao vivo… Uma produção do Quinteto Violado, com participação da Orquestra de Frevos do Recife e dos artistas e grupos, Zélia Barbosa, Ray Miranda, Gildo Moreno, Coro de Batutas de São José, Limosine 99 e Cordas Vocais. O evento de resgate do maracatú, do frevo, aconteceu em 1974, no Teatro Santa Isabel, na cidade do Recife. Este disco é um registro deste espetáculo histórico, tão importante para a nossa cultura popular. Quem ainda não conhece, pode conferir no GTM…
 
abertura – orquestra de frevos do recife
último dia – orquestra de frevos do recife
frevança – cordas vocais
história de um diabo… – ray miranda
freio a óleo – orquestra de frevos do recife
reminiscência II – coro dos batutas de são josé
pitombeiras – ray miranda
pinga fogo – zélia barbosa
solavanco – limosine 99
casá, casá – gildo moreno
come dorme – gildo moreno
cobrinha no gramado – gildo moreno
duda no frevo – orquestra de frevos do recife
rei de angola – ray miranda
frevo ao vivo – cordas vocais
relembrando o norte – orquestra de frevos do recife
 
 
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Eugene D’Hellemmes E Sua Orquestra – Requebrando (1957)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Não posso deixar de expressar aqui os meus sentimentos por tanta tragédia que vemos acontecer pelo mundo e em especial aqui no nosso Brasil, por conta dessa maldita pandemia. Digo maldita por ter já me levando embora tantos amigos, parentes e pessoas que admiro. Tudo isso é muito triste e o que mais incomoda é a forma como nosso governo lidou com a coisa. Lamentável, lastimável… revoltante. Só mesmo quem não tem consciência da gravidade do problema é capaz de concordar com as medidas (ou falta delas) catastróficas de um governo genocida que busca salvar a sua economia às custas das vidas de seu próprio povo. É revoltante o que este (des)governo tem feito com seu povo, tratando-o como gado, como rebanho… Gente, isso é muito sério! Como não se revoltar? Como tampar os olhos para um tamanho absurdo desses?? Pior, perceber que muitos brasileiros ainda apoiam essa figura canalha, que não respeita seu povo. Um idiota que deu voz a uma legião de outros idiotas. Não bastasse tanta sujeira por debaixo do tapete, com corrupção, milícias, desmatamento, desmonte da máquina pública, da saúde, da educação… Somos tratados como rebanho, gado, onde os mais fracos vão virando boi de piranha. Mas, pelo jeito não são apenas os fracos que estão sucumbindo nessa pandemia. A coisa já tomou outra proporção, até mesmo quem tem ‘perfil de atleta’ está morrendo. Infelizmente, para uma parcela desse ‘rebanho’ a ficha só vai cair quando sentirem na pele, quando perderem um ente querido, ou mesmo quando já não puderem voltar… 
Amigos, desculpem o desabafo, mas a coisa está feia e a razão pela qual eu inicio este texto para pelos dramas que tenho vivido. Somente nesta semana vim a saber que nosso amigo e colaborador, o Samuca, está internado por conta do Covid e pelo que soube ele também perdeu a irmã. Uma tragédia sem tamanho que se repete a cada dia. Daí a razão pela qual ele sumiu de nossos encontros. Eu, como sempre, envio para ele alguns discos para resenhas, inclusive este que hoje apresento. Seria para ele e por sinal uma dor de cabeça, pois encontrar alguma coisa sobre este maestro, Eugene d’Hellemmes é como procura agulha num palheiro. Realmente, informações sobre o artista e disco não existe e aqui me limito a apenas apresentá-lo a vocês. Eis nessa obscuridade que o tempo criou um disco bem bacaninha, feito para dançar e em ritmos bem brasileiros. Uma seleção muito boa que fica ainda melhor com esta orquestra de alto nível. Só mesmo conferindo…
E fica aqui a nossa força, pensamento positivo para que logo o nosso amigo Samuel Machado Filho se recupere e volte a colaborar com o nosso Toque Musical. 
 
a chuva caiu
a festa da dorinha
nizei
gadú namorando
rio é amor
leva saudade
insensato coração
elegante
 
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João De Aquino – Asfalto (1980)

Como vão, amigos cultos e ocultos? Espero que estejam todos bem, nessa tristeza que chamam Brasil. Está difícil viver nos dias de hoje nesse mundo e mais ainda por aqui. Como diz um amigo, a cada hora piora… Mas não vamos deixar a peteca cair, não iremos nos abater, vamos a luta. Assim que todos estivermos vacinados, vamos para as ruas mostrar o que realmente é um povo unido. Chega desse governo genocida e canalha!
Desculpem, mas a cada dia fico mais indignado… Vamos de música, de discos, de coisas melhores para pensar e ouvir, obviamente. Hoje e mais uma vez por aqui temos o genial João de Aquino. Este já é o terceiro lp dele que postamos no Toque Musical num relativo e pequeno espaço de tempo. Isso se deve ao fato de que o autor do blog aqui gosta bastante do som desse caboclo. João de Aquino, como já disse em outras postagens é um tremendo instrumentista e compositor. Creio que já deu para perceber nos discos já apresentados. “Asfalto”, seu disco de 1980 não soa diferente, muito pelo contrário, a cada obra vão se somando em termos de qualidade e isso sem perder o encanto que sua música nos provoca. Não deixem de conferir…
 
na hora do rush
acústico 1
asfalto
acústico 2
massa real
capela nova
pinote
angola
acústico 3
fundo de quintal
mambola
dá um tempo
acústico
 
 

 

Don Pablito E Sua Orquestra – Rumbas Inolvidables Vol 3 (1964)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Para não dizer que não falei de Rumba, olha ela aí… Aqui um disquinho bacana com Don Pablito e Sua Orquestra, um pseudônimo, certamente para algum de nossos grandes maestros. Pena eu não ter aqui a mão aquele trabalho do Mauro Loronix sobre os pseudônimos adotados pelos músicos. Enfim, no momento aqui isso é irrelevante, até porque eu estou publicando este post através do celular, daí, já viu, né? Tenho que ser curto e grosso. Temos então um repertório recheado de clássicos para dançar e lembrar… Viva Cuba! Para espantar bolsominions, com certeza! 😉
 
el cumbanchero
danza lucumi
japanese rumba
rumba rumba rumba
el galito kiki riki
los hijos de buda
la mucura
llegô el carnaval
la mulata rumbera
jungle drums (canto karabali)
el baile del sapo
lengua mala
 
 
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Jorge Mello – Besta Fera (1976)

Boa tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Eis que temos para hoje este discaço do Jorge Mello, “Besta Fera”, álbum de estreia lançado em 1976 pela Crazy Recordes. Antes deste lp ele já havia gravado um compacto duplo pela Sinter, em 72. “Besta Fera”, por ser o primeiro e também  já se tornou um disco raro e alguns poucos ainda podem ser encontrados no Mercado Livre. Um trabalho inteiramente autoral de um artista que chegou no Rio de Janeiro no início dos anos 70, junto o Pessoal do Ceará. Hoje, mais que um artista da música consagrado. Jorge Mello é também um artista plástico, escritor e poeta. Precisamos explorar mais a sua discografia, não é mesmo? Confiram no GTM…
 
cigano
trovão
novena
constelações
kitchenet
besta fera
o que pensa você
são paulo zero grau
velho vadio
chuva
conselho de amigo
 
 
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Herman Torres (1980)

Boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Estamos trazendo hoje o cantor e compositor Herman Torres, um nome talvez pouco lembrando, quando não, associado ao grupo pop Gang 90 e As Absurdettes do qual fez parte. Aqui temos dele o primeiro álbum solo, lançado pela Polydor em 1980. Disco produzido por Jairo Pires, arranjos de Lincoln Olivetti e Gilson Peranzetta. Herman Torres ainda conta com um time bacana de músicos que dão trabalho a garantia de um trabalho realmente interessante. Podem conferir…
 
terra firme
saudade
trapaça
lama das canções
peleja
fruta no pé
cobaia
noites de cetim
revoando
fera ferida
 
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Os Mutreteiros Grilados – Coisas Nossas (1972)

Salve, galera! Amigos cultos e ocultos, como vão? Cada dia algo diferente em nosso toque musical. Desta vez vamos de samba neste disco de 1972, “Coisas Nossa”, um lp que reúne um seleto número de sambas que não tem como errar. Tem Jorge Ben, Tom Jobim, Chico Buarque, Sidney Miller, João da Baiana e outros bambas, na interpretação do grupo Os Mutreteiros Grilados, só pelo nome já dá pra ver que é batismo de gravadora, ou seja, é um grupo de estúdio criado para este disco. Na verdade, uma série, que percorre quase todo os anos 70. Taí uma fabricação de gravadora que não podemos reclamar, repertório e grupo da melhor qualidade. Confiram…
 
alô fevereiro
águas de março
batuque na cozinha
quando o carnaval chegar
encabulada
cosa nostra
cabamba
galileu da galiléia
tm a jb
esperanças perdidas
nó na cana
 
 
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Nelson Gonçalves – O Tango (1956)

Boa noite, meus caríssimos amigos cultos e ocultos! Fiquei meio na dúvida quanto ao disco de hoje, pensei que já o tivesse postado no Toque Musical. Nelson Gonçalves é o cara e sempre que possível ele aparece por aqui… E o disco que apresentamos é uma belezinha, a começar pela capa. Muito boa, não é mesmo? Pois é, neste disquinho de 10 polegadas Nelson Gonçalves segue também investindo no tango, ritmo argentino e na época tão e voga. Neste lp de oito músicas ele interpreta um tango de autores brasileiros, inclusive ele próprio em parceria com Herivelto Martins que por sinal está em quase todas.
Eis um disco já bem badalado e que por certo não poderia deixar de badalar aqui também, né? Confiram no GTM…
 
carlos gardel
hoje quem paga sou eu
a media luz
sempre é carnaval
vermelho 27
amarga confissão
estrelas na lama
esta noite me embriago
 
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Cirino – Estrela Ferrada (1978)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Tenho aqui mais um disco, dos últimos enviados pelo meu bom amigo Fares, Cirino e seu álbum “Estrela Ferrada”, lançado em 1978. Este foi o primeiro lp de Wilson Cirino, cantor, compositor e violonista cearense. Disco este dirigido por Jairo Pires e arranjos de Cirino com o pianista e maestro Gilson Peranzzetta. Taí um disco bem bacana, quase todo autoral, hoje um clássico entre os discos de artistas vindos do nordeste. Para quem não conhece, cola lá no GTM…
 
maré de senões
quarto de pensão
a vela e os tubarões
tu me querias pedra
pé de terra
baião do coração
sobrados de aracati
passarinho
chorinho do coração
prá la de cego aderaldo
 
 

Impacto – Faz A Sua Festa (1977)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Começamos o mês de maio impactando nosso espaço com este disco, hoje raro de se encontrar, do grupo Impacto, lançado em 1977 pela WEA, através de seu selo internacional Atco. O impacto foi um grupo musical formado no início dos anos 70. Fizeram um relativo sucesso nas décadas de 70 e 80, muito por conta de seus shows em bailes pelo Brasil, mas em especial no sul do Brasil, de onde vieram. Gravaram outros discos, mas hoje em dia são difíceis de encontrar. O trabalho mais representativo foi, sem dúvida, este lp, produzido por Guti e direção artística de Mazola. Um lp bem interessante com temas todos autorais, o que dá ao grupo uma identidade própria. Vale a pena conhecer, visto que bandas e conjuntos vindos do sul, geralmente não passam de São Paulo. Confiram este Impacto…
 
sem jeito
meu jeito de viver
sonho
não consigo
tudo está mudado
horizonte vazio
cantador
sempre me enganei
estranha menina
lembranças
corrida da vida
caminhando no escuro
sei amar sei cantar
aventura
 
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Hojerizah (1987)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Depois do disco da Dulce Quental, me lembrei do grupo de rock/pop carioca Hojerizah, por conta da música “Pros que estão em casa”. Esta canção que aparece no disco da Dulce é de Flávio Murrah, integrante do Hojerizah, um dos bons grupos da cena pop dos anos 80. Gravaram inicialmente, em 1984, um compacto no qual traziam as músicas “Que horror” e “Pros que estão em casa” O Hojerizah era formado por Flávio Murrah, Toni Platão, Marcelo Larrosa e Álvaro Albuquerque. Houve mais uns dois ou três músicos que também passaram pela banda. Em 87 eles estariam lançando seu primeiro lp, cuja a capa nos mostra, digamos, uma ‘releitura’ do impactante fotograma de um dos mais famosos filmes de Luis Buñel, “O Cão Andaluz” (1929).  Neste álbum de estreia eles também emplacaram outros sucessos o que lhes renderam a chance de um novo disco no ano seguinte, por sinal tão bom quanto este. Infelizmente, a banda durou apenas naquela década de 80, a turma logo seguiria para projetos solos. Confiram no GTM…
 
passos
tempestade em viena
dentes da frente
pros que estão em casa
roma
sol
senhora feliz
cinzas que queimam
tempo que passa
pessoas
 
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Dulce Quental – Délica (1985)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Dentro do nosso sempre sortido toque musical, eu trago hoje um disco de uma artista que há tempos espera sua vez para se filiar ao nosso grupo. Eu já havia separado o disco aqui, mas acabo sempre esquecendo… Temos enfim, Dulce Quental, cantora e compositora carioca, ex-vocalista da banda Sempre Livre, formada no início dos anos 80. Dulce tem hoje uma dezena de discos lançados, mas o que eu separei aqui é o seu primeiro disco solo, o “Délica”, um álbum que já chega esnobando pela qualidade dos músicos que a acompanham. Só por alto… temos Celso Fonseca, Nico Resende, João Donato, Márcio Montarroyos, Paulo Braga, Cazuza, a turma dos Titãs, Rui Motta, Claudia e Beti Niemeyer e mais um bocado de feras que dão a este disco um nível bem acima dos lps de música pop daquele momento. Neste álbum temos como destaque “Natureza Humana”, versão de Jorge e Waly Salomão para um sucesso internacional de Michael Jackson. Mas não fica só nisso… Querem ver e ouvir? Confiram no GTM…
 
délica
garganta
pros que estão em casa
natureza humana
tudo é mais
diferentes
prá nós
delicado demais
bossa do bayard
a bela morte
 
 
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Grupo Engenho – Engenho (1981)

Muito boa noite, meus caros amigos cultos e ocultos! Entre os muitos discos enviados pelo meu amigo Fáres, tenho aqui mais um que eu mesmo pouco conhecia, talvez uma ou outra música. Estamos falando do grupo catarinense Engenho, conjunto instrumental e vocal formado nos anos 70, na efervescência dos circuitos universitários, dos festivais e eventos. Gravaram três lps, sendo este o segundo. Param as atividades pouco tempo depois de lançarem o terceiro disco. Depois de mais de uma década o Grupo Engenho retoma os trabalhos com uma nova formação. Gravaram mais dois discos, sendo um cd e depois um dvd. Ao que parece, eles continuam atuantes. Infelizmente, não conseguiram um destaque nacional, mas bem que mereciam, pois sua música, embora muito atrelada ao regional, parece falar a todo o Brasil. Composições de qualidade e músicos também. Nessa leva veio também o primeiro lp, mas vamos deixar para uma próxima oportunidade, ok? Confiram este no GTM…
 
engenho
menina rendeira
fandango
carro de boi
exilio
gerações
braço forte
homem do planalto
tropeadas
aquela da baratinha
causas e consequências
vaquejada
 
 
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João Roberto Kelly E Os Garotos Da Bossa (1961)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Hoje temos aqui um disco raro, difícil de encontrar, porém muito badalado, João Roberto Kelly e os Garotos da Bossa. Lançado em 1961 pelo selo Mocambo, este foi o primeiro disco gravado por João Roberto Kelly. Pianista, compositor, autor de grande sambas e marchinhas, músicas até hoje na memória do povo. Iniciou sua carreira musicando um espetáculo de Geysa Boscoli e Leon Eliachar, no final dos anos 50. Suas músicas fizeram sucesso na voz de grandes intérpretes e logo de início já havia emplacado músicas como “Boato”, “Brotinho Bossa Nova”… Músicas essas que estão presentes neste lp. Disco bacana, gostoso de se ouvir. Quem não conhece, a oportunidade é essa… Confiram no GTM
 
samba do teleco-teco
não sou atleta
porque foi que eu voltei
dor de contovelo
samba da cabrocha
passaporte pra titia
chega de lero lero (é teleco-teco que eu quero)
boato
brotinho bossa nova
consolo de otário
figurinha de boite
tempos modernos
 
 
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Barulho – Poeira Cósmica Distribuída Pela Vastidão Do Espaço (2017)

Boa noite, meus nobres amigos cultos e ocultos! Depois de postar aquele disco “objeto de arte” do Cildo Meireles, volto agora com outro disco, também do campo das artes visuais. Disco este também raro, em edição limitada, O ‘lp’ objeto, muito bonito, por sinal, vem neste álbum super elegante, com encartes e informações que registram o lado sonoro deste evento.
Produzido para o Festival Multiciplidade que é um evento de cunho internacional de performances audiovisuais e que acontece desde de 2005 no Rio de Janeiro, trazendo ao público um leque de atrações no Oi Futuro Flamengo e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O seu principal conceito é unir em um mesmo palco arte visual e sonoridade experimental.
Segue aqui um pouco mais do texto sobre este festival e o vinil Barulho:
 

O Multiplicidade sempre fez jus ao nome. Ao longo dos seus 14 anos de vida, o festival de imagens e sons inusitados, dirigido por Batman Zavareze, já se transformou em livro de arte (foram dez), teses de mestrado (em três estados do país) e até em uma série de televisão (no Canal Brasil). Agora, ele se desdobra em um novo formato: o vinil, com o lançamento de um disco com sons registrados na sua mais recente edição. A peça, com edição limitada, vem assinada pelos DJs e produtores Nado Leal e Calbuque. “Sendo um festival que traz no seu nome imagens e sons inusitados, confesso que tinha sempre em meu radar o sonho de um dia produzir um vinil” – explica Zavareze. –  “Um objeto de arte que tivesse a mesma importância do livro em nossa história, ser uma obra artística que resgate em nossa memória a experiência do festival.” A oportunidade de transformar esse sonho em acetato surgiu em 2017, quando o barulho foi o tema central do festival. O evento teve a participação de artistas da França, Itália, Canadá, Espanha, Sri Lanka e, claro, do Brasil, incluindo dez representantes da comunidade Kuikuro, no Xingu, como resultado de um intercâmbio promovido pelo festival, em parceria com o People’s Palace Projects, dirigido pelo britânico radicado no Brasil, Paul Heritage, com o centro de pesquisa britânico da Queen Mary University of London, com a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) e com o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura (NECCULT/UFRGS). Foram dias e noites intensos, com experimentações musicais e visuais inesquecíveis.  Tivemos a videoarte de Tarik Barri (Holanda) na performance “Continuum AV”; o espetáculo de ruídos e luzes “Field”, de Martin Messier (Canadá); o minimalismo digital de Alex Augier (França) em “_nybble_” e a performance arrebatadora da Quasi-Orquestra. Presenciamos o cinema sensorial de Carlos Casas (Espanha), ao lado do Chelpa Ferro, com intervenções de Neil Leonard e Nikhil Uday Singh; uma instalação do coletivo Manifestação Pacífica e o virulento show do Ninos du Brasil (Itália). Curtimos também o desfile coletivo do Looping: Bahia Overdub, a música desafiadora do DJ Coni (França) e as obras de DMTR, Fabiano Mixo e Gabriela Mureb. “Pudemos explorar e investigar o som com especial atenção como jamais havíamos pensado. Tivemos dez diferentes línguas de países que representaram a multiplicidade e riqueza de nosso line up” – conta o curador. –“ Coletamos sons com gravações de campo do Xingu e com os barulhos do público na abertura. Registramos também todas as performances durante o festival.”  Depois de organizar todos esses sons e registros, o festival convidou Nado Leal e Calbuque, com suas vivências como DJs, para criar um remix livre e pessoal do que aconteceu na temporada 2017 do Multiplicidade. O resultado é uma peça nova, única, (re)criando camadas hipnóticas e poéticas com um novo corpo sonoro. Lado A (Nado), lado B (Calbuque). “Poder trabalhar e reorganizar artistas como Carlos Casas, Chelpa Ferro , Alex Augier, Dmtr, entre outros, foi provocador”  – admite Nado. – “Mas aos poucos foi nascendo essa faixa ininterrupta, às vezes lúdica, em outras brutal e incômoda.” “Foi um desafio que me pegou de surpresa e me estimulou muito” – conta Calbuque. – “Vi todas as apresentações do festival e sabia o contexto exato de cada som que tinha nas mãos. O que busquei foi re-contextualizar aquelas células musicais e tentar criar algo novo, sem perder o sentido de experimentação que marcou o festival. Foi um meticuloso trabalho de arquitetura sonora.” Com o trabalho finalizado, o design recebeu um cuidado todo especial, com a direção de arte da Bold°_a design company, comandado por Leo Eyer. O resultado foi uma edição luxuosa com capa dupla, com encarte gráfico especial, com fotos em páginas duplas e uma bolacha em acrílico vermelha. “É mais um registro e um documento histórico de uma longa caminhada. Regando a arvore que não para de crescer e gerar novos frutos.” – resume Batman Zavareze (Idealizador e curador do festival Multiplicidade)

barulho…

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Torquato Neto – Um Poeta Desfolha A Bandeira… (1985)

Boa tarde a todos, amigos cultos e ocultos! Nesta semana recebi dezenas de lps, enviados pelo meu amigo Fáres. Três pacotões recheados de disco de música brasileira. Nesses eu ainda não mexi, mas olhando por alto, não pude resistir a este lp, “Torquato Neto – Um poeta desfolha a bandeira…”. Uma edição produzida pelo Centro de Cultura Alternativa, do Rio de Janeiro em parceria com a Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo do Piauí que já havia dado o pontapé inicial criando o Projeto Torquato Neto. Lembrando que nosso poeta nasceu no Maranhão, daí a parceria entre duas secretarias de cultura de dois estados. Este disco procura homenagear e pontuar a figura do poeta, letrista, jornalista e ator maranhense que foi uma das importantes figuras do movimento da Tropicália. Parceiro de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Jards Macalé e outros. Aqui neste lp temos uma seleção de suas parcerias mais conhecidas. Uma compilação, em boa parte, de músicas que se tornaram grandes sucessos nas vozes de Elis Regina, Nara Leão, Gal Costa e os próprios Caetano e Gil. Este disco, por não ser comercial foi produzido em apenas dois mil exemplares, assim, considerando ter sido lançado em 1985, hoje talvez, já não existam tantos por aí.
 
louvação – elis regina e jair rodrigues
pra dizer adeus – elis regina
a rua gilberto gil
vento de maio – nara leão
zabelê – caetano veloso e gal costa
marginália II
geléia geral – gilberto gil
ai de mim copacabana – caetano veloso
mamãe coragem – gal costa
deus vos salve a casa santa – nara leão
let’s play that – jards macalé
três da madrugada – gal costa
 
 
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Jackson do Pandeiro – Ritmo Melodia E A Personalidade De Jackson Do Pandeiro (1961)

Olá, meus queridos amigos cultos e ocultos! Aos trancos e barrancos, com atrasos e algumas falhas, vamos seguindo com a nossa missão, trazer a cada dia um disco diferente. E aqui no Toque Musical disco é o que não falta, para alegrar gregos, troianos e baianos. 
Hoje nosso encontro é com o genial Jackson do Pandeiro em um disco que, creio eu, foi seu primeiro lp de 12 polegadas, lançado pelo selo Philips em 1961. Aqui temos um belo exemplar da essência musical de um dos maiores nomes da nossa música popular, um disco com muito xote, xaxado, baião, samba e forró. Disco bacaninha, vale a pena ouvir e conhecer…
 
aquilo bom
dá eu pra ela
empatou
dr. boticário
rojão de brasília
língua ferina
a mulher que virou homem
nem o banco do brasil
carta pro norte
proibido no forró
criando cobra
lição de tabuada
 
 

Francisco Moraes – O Baile Da Menina Moça (1960)

Boa noite, meus amigos cultos e ocultos! Na sequencia de nossas postagens, hoje temos “O Baile da Menina Moça”, disco com o maestro e pianista Francisco Moraes e seu conjunto traçando um repertório para embalar as festas de adolescentes daquele começo de década de 60. Aqui tem um pouco de tudo, samba, bossa, cha-cha-cha, rock… Disquinho realmente muito gostoso de ouvir e também, porque não? Dançar… 🙂 Vamos ao baile do água e palito!
 
menina moça
camelo
fechei a porta
romântica
banho de lua
pillow talk
marina
luna de miel en puerto rico
lua azul
leva-me contigo
carinho e amor
tome continha de você
 
 
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Elizeth Cardoso – Canção Do Amor Demais (1958)

Bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Mesmo ao longo de uns 15 anos envolvido com essa ‘cachaça’ que é ser blogueiro, eu confesso que não sei nada sobre a parte técnica da coisa. Não fosse o automatismo, a intuição e mais ainda ao apoio e atenção de meu provedor, o Toque Musical estaria hoje apenas na versão matriz do Blogspot e talvez tivesse tomado o mesmo destino de todos os outros blogs semelhantes, fechar. Mas, enquanto houver ‘tesão’ por aqui, vai haver emoção. E emoção é o que não me falta. Vejam vocês, aqui estou eu postando novamente o emblemático “Canção do amor demais”, da Elizeth Cardoso. Este é um disco o qual já foi apresentando aqui e por certo todo mundo que gosta e entende de música já o conhece, não é novidade. Mas finalmente, depois de tanto procurar, achei um exemplar original, de época, quase tão prefeito quanto a 62 anos atrás. Só peca pela assinatura da antiga dona que se encontra na capa. Mas, tudo bem, estou muito feliz de agora ter um exemplar original de 58, do selo Festa. Junta-se a este o cd e uma versão em lp lançada nos anos 60. 
E como alegria não é coisa para se ter sozinho, eu aqui a compartilho com vocês. Extraído agora a pouco da minha Philips 312. Confiram no GTM… 😉
 
chega de saudade
serenata do adeus
as praias desertas
caminho de pedra
luciana
janelas abertas
eu não existo sem você
outra vez
estrada branca
vida bela
modinha
canção do amor demais
 
 
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Cildo Meireles – Sal Sem Carne (1975)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Dentro da nossa premissa, “ouvir com outros olhos” eu hoje trago algo que vai além do tradicional, ou do convencional. O que temos aqui não é apenas um disco de vinil e seu conteúdo não é exatamente musical. Este disco é uma espécie de ‘objeto de arte’, uma produção do artista plástico Cildo Meireles, um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira. Recentemente alguém colocou a venda um exemplar deste disco no Mercado Livre e redes sociais e chamou a atenção de quem gosta de vinil, muito por conta de seu valor e da sua obscuridade (óbvia) dentro de um cenário de colecionismo, que necessariamente não passa pelos campos da arte. Por certo, poucos sabem do que realmente se trata este disco. Mas a curiosidade foi grande devido ao alto valor da oferta, algo em torno de 20 mil reais. Embora, como disse, não seja este um disco de músicas, achei interessante trazê-lo para apresentar a vocês, pois o conteúdo sonoro não se encontra na íntegra nem no Youtube . Segue o texto… 
“Concebido como uma espécie de radionovela por Cildo Meireles, após uma estadia nos Estados Unidos em 1974 e realizado no Rio de Janeiro em 1975 com corte e prensagem da Tapecar, editado pela Galeria Luiz Buarque de Holanda e Paulo Bittencourt, o disco Sal Sem Carne reúne captações sonoras que vocalizam o embate entre a civilização branca e os coletivos indígenas do Brasil. O disco traz, em si, uma questão de escuta – o ouvinte pode “equalizar” no seu aparelho os quatro canais que apresentam o colonizador (a marcação de um relógio e festas religiosas); e do colonizado (depoimentos de remanescentes indígenas das tribos xerente, kayapó e krahô). As imagens centrais, na capa e na contracapa, mostram de um lado o momento de um ritual da tribo krahô (massacrados nos anos 40) e de outro, um registro feito pelo próprio artista de um homem catatônico, com sua cabeça ensimesmada em um canto de parede. As fotos menores são registros de Max Jorge Campos Meireles, que documentou o entorno das gravações em áudio. ‘Sal Sem Carne’ é uma complexa obra conceitual, sendo um marco histórico da arte contemporânea brasileira.”
 
sal sem terra – parte 1
sal sem terra – parte 2


 

José Orlando – Um Disco E Doze Sucessos (1959)

Boa noite a todos os companheiros, amigos cultos e ocultos! Aqui mais um disco que eu recolhi de um sebo. Me chamou a atenção logo de cara, ou por outra logo pela capa, bem ‘diferentona’, não acham? Eu confesso que até então nunca tinha ouvido falar deste artista, José Orlando, cantor paraibano que iniciou sua carreira no início dos anos 50. Cantou em diversas rádios pelo Brasil. Este, ao que parece, foi seu primeiro lp, disco este com regência de Elcio Alvarez e arranjos de Guerra Peixe. O repertório é muito bom, tendo nele várias músicas de sucesso. E como iremos ver, José Orlando não deixa a peteca cair, canta com naturalidade, voz direta e agradável. Na contracapa temos um bom texto de apresentação. Daí, eu deixo que o mesmo cumpra o seu papel. Confiram no GTM
 
perfume de gardênia
sete notas de amor
chega de saudade
vai, mas vai mesmo
piove
ave maria lola
o diário
castigo
balada triste
lamento
all the way
 
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Celinha Alves – Haroldo Medina – Eles Cantam Assim (196…)

Boa noite, amigos cultos e ocultos! Então, que tal um compacto para a gente variar um pouco? Olha aqui este disquinho que achei num sebo. Pessoalmente, adoro coisas raras e obscuras. Pode ser até uma tremenda bobagem sonora, desde que seja obscura, curiosa e rara. Bem, não é exatamente o caso aqui. Para a minha surpresa o disquinho até que é bem legal. Trata-se de um compacto duplo, com quatro faixas, sendo de um lado com a cantora Celinha Alves e do outro o cantor Haroldo  Medina. Agora, quem são esses artistas é que é difícil descobrir. Passei hoje, boa parte da tarde pesquisando este compacto e também o seus artistas. Sabem o que eu encontrei, nada! Por certo temos aqui dois intérpretes desconhecidos, de um selo desconhecido, de uma época desconhecida… Aqui só localizamos os maestros, no caso Nelson Piló, violonista, compositor e arranjador mineiro, conhecido principalmente por suas adaptações para músicas de Ernesto Nazareth e Catulo da Paixão Cearense. Neste disco  é ele que acompanha o cantor Haroldo Medina. Já Celinha Alves é acompanhada pelo maestro sergipano, Luiz Almeida D’Anunciação, o Pinduca. Dois momentos distintos, dois artistas bem acompanhados, porém, no meu entender é Celinha Alves o grande destaque, tanto pela performance, quanto pelo repertório, um samba com frescor de bossa nova e um bolero. Disquinho interessante. Espero que numa hora dessas apareça aqui alguém para nos dar mais informações. Por hora, vamos apensa conferir, ok?
 
e agora? – celinha alves
cruel mentira – celinha alves
morena linda – haroldo medina
zélia – haroldo medina
 
 
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Ary Barroso – Encontro Com Ary Barroso (1964)

“Meus amigos (cultos e ocultos). Este ‘long-playing’ é um documentário. Quero deixar às futuras gerações alguma coisa que o tempo não destrua. Muita gente, daqui a muitos anos – quem sabe? – irá ouvir falar no compositor popular Ary Barroso. Então, fazendo rodar este disco, poderá ouvir minha voz e meu piano. Não é um piano ‘virtuoso’ e nem uma voz de ouro. É o piano simples que me ajudou a descobrir harmonias. É a voz metálica dos microfones e dos ‘bate-papos’. Se o meu objetivo for estimado, então estarei perfeitamente tranquilo e compensado”.
Assim escreveu Ary Barroso na contracapa deste lp de 10 polegadas, lançado pela Copacabana em 1964. Acredito que este tenha sido um dos últimos discos de 33 rpm lançados no Brasil, pois já nesta época os vinis de 12″ eram a grande sensação e adotados por toda a indústria fonográfica brasileira. Mas este é, sem dúvida, um registro histórico, um disco que nessa altura merece ser colocado em um quadro, como uma lembrança deste que foi um dos maiores compositores brasileiros. Confiram no GTM…
 
trapo de gente
minha mágoa
risque
camisa amarela
na baixa do sapateiro 
rancho fundo
choro brasileiro
nem ela
aquarela brasileira
 
 
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Teatro União E Olho Vivo – Bumba Meu Queixada (1978)

Muito bom dia a todos, amigos cultos e ocultos! Temos atrasado nossas postagens por conta de alguns problemas técnicos e uma suposta invasão de ‘hacker’ aqui em nossa filial o que acabou nos gerando muita dor de cabeça… Mas, enfim, estamos seguindo…
Hoje temos aqui um disco do selo Marcus Pereira lançado em 1978. Trata-se do Teatro União e Olho Vivo, grupo de teatro de rua formado na década de 70, em São Paulo e ao que nos consta ainda em atividade, sendo hoje em dia uma das mais tradicionais e antigas companhia não profissional de teatro popular no Brasil. O grupo, desde a sua formação, tem por objetivo apresentar-se em comunidades carentes da periferia de São Paulo, levando a este público um conteúdo de valorização da expressão popular através da música, do circo, do folclore, cordel, teatro de revista, o futebol, samba e tantos outros temas explorados por eles ao longo deste tempo. Este disco registra um pouco disso. É uma amostragem sonora musical incluindo obras do espetáculo “Bumba Meu Queixada”. Participam do disco também o violonista Adauto Santos e o Marcus Vinicius, também compositor e diretor artístico desta gravadora. É, sem dúvida, um disco dos mais interessantes e que vale a pena conhecer. Em seu conteúdo há mais informações sobre este trabalho. Confiram no GTM…
 
viva meu boi
pot pourri do bumba
frevo do caboclo do arco
testamento do boi
bumba meu queixada
hino do teatro união e olho vivo
parque arco-íris
oi mané
império de belmote
çai çai açaiê
em busca de uma nova flor (gaivota)
 
 
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Clovis Pereira, Orquestra E Coral Da UFPB – Grande Missa Nordestina (1979)

Boa noite a todos amigos cultos e ocultos! Como todos devem saber, o blog Toque Musical tem duas versões, uma no Blogspot e outra no WordPress. Temos também uma terceira janela, também pelo Blogspot direcionado apenas para as nossas produções exclusivas, que são as diferentes coletâneas que aqui criamos. Pois bem, mesmo com a ajuda de alguns colaboradores e parceiros, ainda assim estou com dificuldades para manter em dia nosso toques musicais. Não é só a habitual falta de tempo, mas também alguns problemas técnicos e invasão ao site, que acabam comendo nossos dias. Daí a razão de nossos atrasos naquilo que deveria ser diário. Porém, como sempre digo, tardamos mas não faltamos 😉
Muito bem, aqui vai o disco do dia, um exemplar para quem gostar de música sacra. Temos aqui a Grande Missa Nordestina, obra composta pelo pernambucano Clóvis Pereira, um dos mais importantes compositores nordestinos. Músico talentoso, pianista, arranjador e regente. É compositor de frevos, maracatus e caboclinhos e também de obras eruditas para coro e orquestra e de peças como esta que hoje apresentamos, um disco do memorável selo Marcus Pereira, gravado em 1978. Aqui temos Clóvis Pereira regendo a Orquestra e coral da Universidade Federal da Paraíba. 
Os detalhes sobre este disco estão todos na contracapa, dessa forma o que mais tenho a acrescentar é apenas, podem conferir no GTM…
 
kyrie
glória
credo
sanctus
agnus dei
 
 
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Betinho e Seu Conjunto – Betinho, Twist e Bossa Nova (1963)

Olá, meus amigos cultos e ocultos! Seguindo em nossa trilha sortida de discos e gravações raras, coisas que se escuta com outros olhos e coisa e tal… Temos mais uma vez em nossas listas, Betinho “o rei da noite” com seu conjunto, em disco do selo Copacabana, lançado em 1963. Sentido as mudanças no campo musical, Betinho e seu conjunto embala no twist e na bossa nova. Taí um disco bacana e diferentão, agrada tanto aos amantes da bossa, mpb, como também a turma do rock. De um lado temos o twist e destreza deste guitarrista que foi, sem dúvida, um dos maiores. Do outro lado ele pega de leve, cai na bossa nova e investe como o cantor. Bacana este disco, vale a pena conhecer.
 
anda
neurastênico
wadiya
twist watch
apache
a cachorrinha da madame
sambalanço bossa
sou feliz
garota sambalanço
beija-me